quarta-feira, 29 de janeiro de 2025

IA Chinesa

 A destruição criativa da IA chinesa

29 jan. 2025
Estadão
A competição pela IA parecia vencida por umas poucas ‘big techs’ americanas. Mas uma startup chinesa mostrou que o jogo só começou e está aberto a empresas de todo o mundo
No seu discurso de posse na semana passada, o presidente americano, Donald Trump, anunciou uma “nova era eletrizante de sucesso nacional”. Turbinado pela tecnologia mais disruptiva de nosso tempo, talvez de todos os tempos, a inteligência artificial (IA), o sucesso do novo império americano poderia ir tão longe até fincar sua bandeira em Marte. Um dos primeiros compromissos de Trump foi anunciar planos para investimentos privados de meio trilhão de dólares no “maior projeto de infraestrutura de IA na história”.
Faz todo sentido. Dois anos após a OpenAI lançar o ChatGPT, o primeiro aplicativo de IA para o público em geral, o consenso é de que o desenvolvimento exige uma quantidade brutal de energia e de chips de última geração. Os investimentos em centros de dados pelas três gigantes da computação em nuvem (Alphabet, Amazon e Microsoft) e a Meta cresceram 57% em um ano, chegando a US$ 180 bilhões. A Microsoft, principal investidora da OpenAI, anunciou US$ 80 bilhões em infraestrutura para este ano; e a Meta, US$ 65 bilhões em IA. A tecnologia da IA parecia se concentrar em umas poucas big techs americanas, e os custos formariam uma fortaleza inexpugnável para os competidores.
Então, uma jovem, pequena e obscura startup chinesa, a DeepSeek, jogou uma granada na sala: lançou um modelo de linguagem de grande escala tão eficiente quanto o ChatGPT, mas produzido com uma quantidade muito menor de chips de segunda categoria e, portanto, com custos comparativamente ínfimos.
No fim de semana, o DeepSeek-R1 ultrapassou o ChatGPT em downloads. Na segunda-feira, as empresas de tecnologia americanas perderam US$ 1 trilhão no mercado de ações. As ações da campeã da produção de chips, a Nvidia, que cresceram 10 vezes em dois anos, o que a tornou a empresa mais valiosa do mundo, despencaram 17%, com perda de quase US$ 600 bilhões, a maior de um único ativo na história. Entre as empresas de energia, também foi um banho de sangue.
Rapidamente, investidores concluíram que estamos no “momento Sputnik da IA”, numa referência ao lançamento do satélite Sputnik pelos russos em 1957, evento que assustou os americanos, temerosos de perder a decisiva corrida espacial em meio à guerra fria. Para alento dos EUA, sabe-se que o “momento Sputnik” da URSS foi efêmero, pois os americanos, depois de investirem muito dinheiro e criatividade, acabaram superando os soviéticos nessa disputa e chegaram à Lua.
Mas a comparação tem limites. A DeepSeek não só é brutalmente mais barata, mas seus códigos são abertos. Qualquer empreendedor com uma quantidade moderada de dinheiro pode replicálos e redesenhá-los, o que deve multiplicar exponencialmente a oferta do serviço mundo afora.
Além do choque no mercado, as implicações geopolíticas são imensas. “O lançamento do DeepSeek deve ser um alerta para as nossas indústrias de que precisamos estar focados em competir para vencer”, disse Trump. “Isso é bom porque você não precisa gastar tanto dinheiro”, arrematou, como se fosse um CEO empenhado em aumentar margens de lucro, e não um presidente da República que deve pensar em estratégias de longo prazo.
No início dos anos 2000, a China se abriu ao mercado global e o inundou com produtos baratos. Como reação, não poucos países parecem ter entendido que esse desenvolvimento chinês se deu por causa do “capitalismo de Estado”, e não a despeito dele. Até os EUA agora emulam esse modelo, seja através de políticas industriais com impulso estatal, seja por meio de protecionismo brutal. Mas, assim como o crescimento econômico chinês das últimas décadas, o DeepSeek foi resultado do empreendedorismo. As tentativas dos EUA de controlar exportações de tecnologia, ao invés de sufocar a inovação chinesa, as estimularam. Os EUA e outros países precisam focar em competir, e não em proteger.
O jogo da IA parecia definitivamente vencido pelas big techs americanas. Mas a pequena DeepSeek não só mostrou que esse jogo está apenas começando, como conseguiu mudar completamente as regras. A corrida espacial foi disputada pelos governos de duas superpotências. A corrida pela IA agora pode ser disputada por empresas de todo o mundo.

IA

 


Abertura 2901

 Abertura: Brasil olha Vale e Petrobras antes de Copom; exterior fica misto à espera de Fed


São Paulo, 29/01/2025


Por Silvana Rocha e Luciana Xavier*


OVERVIEW.  As decisões de juros no Brasil e nos EUA, bem como os comentários de Jerome Powell, presidente do Federal Reserve (Fed), estão no centro das atenções dos mercados nesta super quarta. As sinalizações sobre o aumento de tarifas pelo governo de Donald Trump devem guiar também os negócios antes da divulgação de balanços de grandes empresas de tecnologia americanas, como Meta, Microsoft e Tesla. Internamente, serão acompanhados um leilão de linha de até US$ 2 bilhões no mercado de câmbio e reunião do Conselho de Administração da Petrobras para discutir preços de combustíveis.


NO EXTERIOR.   Os mercados operam sem direção definida, com investidores atentos a balanços corporativos e esperando a decisão do Fed. A holandesa ASML, fabricante de equipamentos para a produção de semicondutores, superou expectativas em encomendas, lucro e vendas, impulsionando ações de empresas de chips na Europa e Japão. Enquanto os rendimentos dos Treasuries recuam, o índice DXY do dólar registra leve alta, com temores de aumento rápido de tarifas pelo governo de Donald Trump. O mercado aguarda sinalizações sobre as diretrizes futuras do Fed, com previsão de manutenção das taxas à faixa de 4,25% a 4,50% a.a. Uma postura dovish de Powell pode beneficiar bolsas e enfraquecer Treasuries e dólar, enquanto um tom hawkish pode pressionar ações e fortalecer taxas. Além disso, Howard Lutnick, indicado ao Departamento de Comércio dos EUA, não deve detalhar tarifas ou política da China ao Senado.


POR AQUI. As atenções na Bolsa ficam na reunião do CA da Petrobras em meio a expectativas de possível aumento de preços do diesel, mas não o da gasolina. O mercado deve analisar também o relatório de produção e vendas da Vale (leia mais abaixo em O Que sabemos). Para a decisão do Copom, há consenso por alta de 1 pp da Selic, a 13,25%, e expectativas pelo tom do comunicado, que deve repercutir amanhã, em meio a uma piora das projeções de inflação dos agentes financeiros. A perspectiva de nova alta da Selic tem favorecido o ingresso de investidores estrangeiros no Brasil e ajudado a derrubar os juros futuros e o dólar em relação ao real, que ontem desceu a R$ 5,86, abaixo de R$ 5,90 pela primeira vez desde o dia 26 de novembro. Foi o sétimo pregão consecutivo de desvalorização da moeda americana, que já acumula queda de 5,03% neste mês, depois de ter subido 2,88% em dezembro, e 27,34% em 2024.


NA POLÍTICA.  Favorito à presidência da Câmara, o deputado federal Hugo Motta (Republicanos) repetiu o que fez em São Paulo e reuniu a classe política do Rio de Janeiro. A primeira-dama Rosângela da Silva viajará a Roma entre 9 e 13 de fevereiro para acompanhar o ministro Wellington Dias em uma reunião que definirá o presidente da Aliança Global de Combate à Fome. Aliados do governo alertam para "tempestade perfeita" com a discussão de reajuste do diesel após crise do PIX e a alta nos preços dos alimentos.


AGENDA.


COPOM, FOMC E PETROBRAS FICAM NO RADAR - O destaque localé a decisão do Copom, após às 18h30. Antes, o BC faz lleilão de linha de até US$ 2 bilhõesàs 10h20, e leilão de rolagem de até 15 mil contratos de sswap cambial (S$ 750 milhões), às 11h30. O Conselho de Administração da Petrobras se reúne. O presidente LLulaparticipa de cerimônia do BNDES sobre financiamento de rodovias no Paraná às 11h, e se reúne com ministros e banqueiros, às 15h. No exterior, o Fed anuncia sua decisão monetária às 16 horas e Powell concede entrevista às 16h30. No setor corporativo, os bbalançosde Meta, Microsoft e Tesla serão publicados após o fechamento das Bolsas de Nova York.


O QUE SABEMOS.


VALE - A pproduçãode minério de ferro da Vale caiu 4,6% no 4º trimestre de 2024, para 85,3 milhões de toneladas. No ano, totalizou 327,675 Mt, alta de 2% e em linha com o guidance (328Mt), a maior produção de minério de ferro desde 2018, quando atingiu 384,6 Mt. A produção de pelotas recuou 6,9% no trimestre, para 9,167 Mt, mas subiu 1,2% no ano, atingindo 36,9 Mt. A VVale comercializou81,196 milhões de toneladas (Mt) de minério de ferro no quarto trimestre de 2024, recuo de 10% na comparação anual. Na somatória do ano de 2024, a mineradora vendeu 306,652 Mt, volume 1,9% maior que em 2023. A empresa divulgou seu relatório de produção e vendas, antecipando o resultado operacional.


EM TESE: A produção recorde de minério de ferro em 2024 pode ajudar as ações da mineradora nesta quarta-feira. O ADR da Vale subia 0,55% no pré-mercado em NY às 7h20. Mas o mercado pode também ponderar a queda da produção de minério no quarto trimestre, além do recuo nas vendas da commodity. Segundo a mineradora, aa queda na produçãoem relação ao quarto trimestre de 2023 está relacionada à decisão estratégica de priorizar minérios de maior margem, o que reduziu a produção do Sistema Sul e aumentou a do S11D, que produz minério de maior qualidade. A Vale explicou que a queda nos embarques de minério se deve à redução nas vendas diretas de produtos de alta sílica.


ITAÚ E IA GENERATIVA -  O IItaú Unibancocomprou uma fatia de 15% do capital da NeoSpace, startup especializada em modelos de inteligência artificial generativa para o setor financeiro. O desembolso do banco não foi revelado, mas a compra aconteceu através de uma rodada de investimento na empresa liderada pelo Itaú e que totalizou US$ 18 milhões (o equivalente a R$ 105,7 milhões). O banco espera utilizar a tecnologia da NeoSpace para aprimorar recomendações personalizadas aos clientes a partir de histórico e interesses, além de possíveis aplicações nos modelos de análise do conglomerado. A NeoSpace, criada em 2024 pelos fundadores da Zup, é especializada em modelos de IA generativa para setores com alto volume de clientes, entre eles o financeiro.


EM TESE: A notícia deve ser bem recebida pelo investidor, embora possa com impacto limitado nas ações do banco, que acumulam alta de 8,29% em um ano. Em Nova York, o ADR do Itaú subia 0,35% no pré-mercado às 7 horas. O investimento do banco na NeoSpace reforça a estratégia em inovação e inteligência artificial, o que pode melhorar a eficiência operacional e a personalização dos serviços financeiros. Além disso, o acordo comercial com a startup amplia o potencial de monetização dessa tecnologia.


OVERNIGHT.


PROJETOS NA CCJ  - A Comissão de Constituição e Justiça (CCCJ) do Senadoretoma as atividades em fevereiro e tem prontas para a pauta propostas consideradas polêmicas. Ao todo, são 32 os projetos que já podem ser votados no colegiado, de temas como aborto, redução da maioridade penal, proibição do uso de linguagem neutra em estabelecimentos de ensino e redução de área protegida na Amazônia.


CCR E NEOENERGIA - AA CCRinformou que foi concluída a transação celebrada por suas controladas com a Neoenergia Renováveis para aquisição de 2,84% do capital social da Oitis 2 Energia Renovável, 6,75% do capital social da Oitis 4 e 5,25% do capital social da Oitis 6. Em fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a empresa destaca que a conclusão dessa operação garantirá o suprimento de cerca de 60% do consumo anual de energia do Grupo CCR.


AMBIPAR - A AAmbiparacaba de confirmar que foi precificada no valor de US$ 400 milhões uma captação no exterior em títulos verdes (green bonds), com vencimento em 5 de fevereiro de 2033. A informação foi antecipada mais cedo pelo Broadcast. Segundo a empresa, a remuneração será de 10,875%. Os recursos servirão para refinanciamento de obrigações financeiras da companhia, incluindo a oferta de aquisição de até US$ 200 milhões das green notes emitidas pela Ambipar Lux em 30 de janeiro de 2024. O restante, se houver, será para usos corporativos gerais.


AZUL - A AAzulanunciou que concluiu a reestruturação de suas obrigações com todos os detentores de títulos de dívida, arrendadores e fabricantes, e a liquidação da oferta previamente anunciada no valor principal de US$ 525 milhões em Notas Superprioritárias com taxa flutuante e vencimento em 2030, emitidas pela Azul Secured Finance LLP, juntamente com suas ofertas de troca previamente anunciadas.


ALLOS - O conselho de administração da AAllosaprovou um novo programa de recompra de ações de emissão da companhia, de até 10 milhões, o que representa 2,1% do total de 473.723.134 ações ordinárias de emissão da companhia. As ações serão adquiridas a preço de mercado, até 27 de janeiro de 2026. O programa será executado por meio da BrMalls, subsidiária Allos.


ESPANHA - O Produto Interno Bruto (PIB) da EEspanhacresceu 0,8% no quarto trimestre de 2024 ante os três meses anteriores, segundo dados preliminares divulgados hoje pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). A variação superou a expectativa de analistas consultados pelo The Wall Street Journal, que previam alta de 0,6% no período. Na comparação anual, a economia espanhola teve expansão de 3,5% entre outubro e dezembro, também acima do consenso do WSJ, de ganho de 3,1%.


ALEMANHA/CONFIANÇA - A confiança do consumidor na AAlemanhadeve se deteriorar em fevereiro, à medida que as expectativas de recuperação econômica diminuíram em meio a cortes de empregos e com a aproximação das eleições nacionais, no mês que vem. Pesquisa do instituto Gfk divulgada nesta quarta-feira projeta que o índice de confiança do consumidor na Alemanha cairá para -22,4 pontos em fevereiro, ante -21,4 pontos em janeiro, segundo dado revisado. O resultado de fevereiro ficou abaixo da previsão de analistas consultados pela FactSect, de -21,8 pontos.


TRUMP OFERECE PROGRAMA DE DEMISSÃO A SERVIDORES - A Casa Branca começou a oferecer, na terça-feira, 28, oito meses de salário a todos os funcionários federais que optarem por deixar seus empregos até 6 de fevereiro. “Se optar por não continuar em sua função atual na força de trabalho federal, agradecemos pelo serviço a seu país e você terá uma saída digna e justa do governo federal, utilizando pprograma de demissão” diz o e-mail aos funcionários.

“Esse programa começa a vigorar em 28 de janeiro e está disponível para todos os funcionários federais até 6 de fevereiro.”


TRUMP CONVIDA NETANYAHU - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, convidou o primeiro-ministro de Israel, BBenjaminNetanyahu, para um encontro na próxima semana, de acordo com uma carta enviada pela Casa Branca e compartilhada pela equipe do líder israelense. Será a primeira visita de um líder estrangeiro aos Estados Unidos no segundo mandato de Trump à frente dos EUA.  O anúncio ocorre enquanto os Estados Unidos pressionam Israel e o Hamas a manter o cessar-fogo que pausou o conflito de 15 meses em Gaza. O encontro está marcado para terça-feira.


E NOS MERCADOS.


FUTUROS DE NY E TREASURIES - Os índices futuros das bolsas de Nova York operam sem direção única após um dia de recuperação em Wall Street ontem, enquanto investidores aguardam decisão do Fed e uma série de balanços trimestrais. Os rendimentos dos Treasuries operam em baixa, depois de avançarem na sessão anterior. Às 7h10, no mercado futuro, o Dow Jones caía 0,06%, enquanto o S&P 500 avançava 0,07% e o Nasdaq subia 0,36%. O juro da T-note de 2 anos caía a 4,193% (de 4,196%), o da T-note de 10 anos recuava a 4,523% (de 4,535%) e o do T-bond de 30 anos diminuía a 4,763% (de 4,783%).


BOLSAS EUROPEIAS  - As bolsas eeuropeiasoperam majoritariamente em alta na manhã desta quarta-feira, à medida que ações de tecnologia avançam na esteira do forte balanço da holandesa ASML, que fabrica equipamentos para a produção de semicondutores. A de Paris, no entanto, é pressionada por ações do setor de luxo, após o resultado fraco nas vendas da francesa LVMH Moët Hennessy Louis Vuitton, a maior do setor. Às 7h10, a Bolsa de Londres caía 0,18% e a de Paris recuava 0,24%, enquanto a de Frankfurt subia 0,63%.


MOEDAS FORTES - O dólar sobe ante o euro, mas se enfraquece em relação à libra e ao iene antes da decisão do Fed. Na Europa, mais cedo, índice de confiança do consumidor alemão decepcionou e dados de crescimento da Espanha vieram acima do esperado. Às 7h12, o euro caía a US$ 1,0400 (de US$ 1,0437), a libra avançava a US$ 1,2412 (de US$ 1,2443) e o dólar recuava a 155,42 ienes (de 155,53 ienes). Já o índice DXY do dólar - que acompanha as flutuações da moeda americana em relação a outras seis divisas relevantes - tinha alta de 0,26%, a 108,14 pontos.


PETRÓLEO - Os contratos futuros do petróleo caem, após ganhos da sessão anterior, antes da divulgação da pesquisa oficial do DoE sobre estoques de petróleo e derivados dos EUA e seguem atentos ao noticiário sobre a oferta da commodity. Às 7h13, o barril do petróleo WTI para março caía 0,91% na Nymex, a US$ 73,10, enquanto o do Brent para abril recuava 0,99% na ICE, a US$ 76,72.


BOLSAS DA ÁSIA A bolsa de Tóquio encerrou os negócios desta quarta-feira em alta, recuperando-se após recentes quedas de ações de tecnologia em meio ao sucesso do chatbot chinês DeepSeek, enquanto feriados mantiveram outros mercados asiáticos fechados. O índice japonês Nikkei subiu 1,02% em Tóquio, impulsionado por empresas das áreas de chips. Tokyo Electron avançou 2,3% e Advantest saltou 4,4% após a ASML - fabricante holandesa de equipamentos para produção de semicondutores - divulgar encomendas trimestrais bem acima do esperado. Em outras partes da Ásia, as bolsas da China continental, de Hong Kong, de Taiwan e da Coreia do Sul não operaram hoje devido a feriados. Na Oceania, a bolsa australiana também ficou no azul, com ganho de 0,57% do S&P/ASX 200 em Sydney.


*colaborou Sérgio Caldas


Contato: silvana.rocha@estadao.com e luciana.xavier@estadao.com




Broadcast+

Prensa 2901

 Manchetes desta quarta-feira


São Paulo, 29/01/2025 - A seguir, as manchetes desta quarta-feira dos principais jornais brasileiros e do mundo:


O Estado de S.Paulo (SP)


Alta de preços leva inflação de comida em capitais a dois dígitos


Folha de S.Paulo (SP)


Arrecadação federal bate recorde em 2024 e atinge R$ 2,65 trilhões


Valor Econômico (SP)


Despesa cresce mais que receita no 1º biênio dos atuais governadores


O Globo (RJ)


Reajuste do diesel pressiona governo em meio à alta dos alimentos


The New York Times (EUA)


Alarme do Medicaid leva juíza a bloquear congelamento


The Wall Street Journal (EUA)


DeepSeek usou várias táticas para superar os EUA


Financial Times (RU)


Congelamento de centenas de bilhões em subsídios e empréstimos federais por Trump gera alarme


El País (ESP)


Sánchez fecha acordo com o Junts para manter o aumento das pensões e a proteção social


Correio Braziliense (DF)


Prepare o bolso: preço da gasolina vai subir


A Tarde (BA)


Turismo deve injetar R$ 23 bi na economia baiana


Jornal do Commercio (PE)


Sob Lula, arrecadação de impostos tem recorde histórico


Broadcast+

Coluna do Estadão

 Coluna do Estadão: Governistas alertam para 'tempestade perfeita' com alta do diesel após crise


Uma “tempestade perfeita” se abateu sobre o governo no primeiro mês de 2025, lamentam aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ouvidos pela Coluna. A avaliação surgiu a partir da constatação de que o reajuste no diesel discutido pela Petrobras vem no pior momento possível, quando o Palácio do Planalto ainda tenta contornar dois problemas que afetaram a popularidade presidencial: a “crise do Pix” e a alta nos preços dos alimentos. Era para janeiro ter marcado uma virada na “sorte” do governo. A chegada de Sidônio Palmeira à Secom foi pensada como um “ponto de virada” para ajustar a comunicação na segunda metade do mandato com foco na disputa eleitoral de 2026. Mas o marqueteiro, desde que assumiu o cargo, tem lidado com uma crise atrás da outra.


MENOS MAL. O temor maior de aliados de Lula é um eventual reajuste na gasolina, que, por ora, está fora do radar. Mesmo assim, o diesel afeta o custo do transporte, o que pode impactar ainda mais os alimentos. Além disso, o valor dos combustíveis, que pouco oscilou nos últimos meses, era visto como um dos poucos trunfos do governo Lula.


SÓ RESTA... Aliados de Márcio Macêdo ficaram animados com um elogio recente feito a ele por Lula, apesar da indicação de que o ministro será substituído por Gleisi Hoffmann na Secretaria-Geral da Presidência. Na última reunião ministerial, o presidente agradeceu à organização do G-20 social, que ficou sob a responsabilidade de Macêdo.


...A ESPERANÇA. O afago de Lula ao petista ganhou peso porque o ministro havia sido muito criticado pelo ato esvaziado em 1.º de maio de 2024, no Dia do Trabalho, considerado um fracasso.


INFLUÊNCIA. O Palácio do Planalto trocou o servidor responsável por cuidar do acervo pessoal de Lula. O historiador Claudio Soares Rocha foi substituído por Jackson Raymundo, que é amigo da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, e era até então secretário executivo do Conselho Nacional de Educação (CNE).


FUNÇÃO. A Diretoria de Documentação Histórica (DDH) organiza, por exemplo, presentes recebidos e cartas que chegam para o presidente. Procurados, o gabinete de Lula e a assessoria de Janja não se manifestaram.


FREIO. A Justiça Federal do Distrito Federal tem barrado decisões da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) que atenderam a questionamentos de empresas tradicionais de ônibus para suspender autorizações a novatas no mercado. Isso aconteceu em dois processos no último mês. A agência reguladora não respondeu à Coluna.


AINDA... O Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH) prepara um pedido formal de desculpas aos familiares do ex-deputado federal Rubens Paiva, morto e desaparecido pela ditadura militar. A cerimônia deve acontecer em abril.


...ESTOU AQUI Em 1971, quando o ex-deputado foi levado pelo Exército, o órgão antecessor do colegiado havia ignorado cartas da mulher e da filha de Rubens Paiva, Eunice e Eliana, e arquivou o caso sem investigação. O processo foi reaberto em 2024.


VODCAST ‘DOIS PONTOS’ | Hoje sobre medidas de Trump na imigração


Leonardo Trevisan

Professor da ESPM


“Trump usou a Colômbia para dar um recado sobre como vai gerir suas relações internacionais. Tentou dar um recado de força e Gustavo Petro ‘mordeu a isca’.”


Pedro Brites

Professor da FGV


“Medidas de Trump geram uma onda xenofóbica muito significativa. Elas aumentam a sensação de medo e de perseguição dentro dos Estados Unidos.”


(Roseann Kennedy, com Eduardo Barretto e Iander Porcella/colaborou Daniel Weterman)


Broadcast+

Ozempic

 Estadão: Estudo indica que Ozempic reduz risco de ter Alzheimer e adicção


São Paulo, 28/01/2025 - Enquanto análogos do GLP-1, classe de medicamentos como o Ozempic, são usados por cada vez mais gente e novos estudos surgem apontando efeitos positivos além do controle da diabete tipo 2 e da obesidade, pesquisadores da Washington University School of Medicine in St. Louis e do Veterans Affairs St. Louis Health Care System decidiram fazer uma pesquisa ampla, resultando no mais extenso atlas sobre benefícios e riscos dessas injeções.


“Percebemos que ninguém havia feito uma análise sistemática examinando todos os possíveis resultados do GLP-1, sem deixar pedra sobre pedra. É como descobrir uma nova terra, a primeira coisa que você quer fazer é mapeá-la”, explica o autor sênior do estudo, Ziyad Al-Aly, epidemiologista e nefrologista que trata pacientes no John J. Cochran Veterans Hospital, afiliado à WashU Medicine.


Usando o banco de dados dos veteranos dos EUA, eles compararam pacientes com diabete que passaram a usar análogos do GLP-1 e aqueles que só mantiveram o tratamento clássico com três outras classes de medicamentos para controle da glicemia - comercializados com nomes como Jardiance, Glipizide e Januvia - para um conjunto abrangente de 175 desfechos de saúde. As análises incluíram mais de 2 milhões de pacientes.


Além de proteção contra os eventos adversos cardiovasculares importantes (Mace, na sigla em inglês), já divulgada, o estudo trouxe algumas surpresas, como impactos positivos no cérebro, com reduções no risco de Alzheimer e de adicções. Por outro lado, foram detectados reflexos negativos no pâncreas e nas articulações ainda não vistos. Ao todo, a adição de análogos do GLP-1 foi associada a uma redução no risco de 42 desfechos e um aumento no risco de 19 - nenhuma associação estatisticamente significativa foi encontrada para os outros 114 (65,14%) observados. Os resultados foram publicados na respeitada revista científica Nature Medicine.


“Fica evidente que esses medicamentos atuam em múltiplos órgãos e sistemas”, diz Al-Aly. “Eles realmente funcionam. Mas também é importante observar que não são isentos de efeitos colaterais.”


Ao ser feita a comparação com outros medicamentos, a ideia era permitir que médicos e pacientes tivessem mais informações para escolher a melhor opção de tratamento. “A decisão deverá ser personalizada com base no perfil de risco, nas preferências, no perfil de comorbidades e na condição de saúde do paciente.”


ESTUDO VALIOSO. Os múltiplos efeitos de análogos do GLP-1 - moléculas que imitam o hormônio GLP-1, que deveria ser naturalmente liberado quando comemos, desencadeando a liberação de insulina - não são de todo inesperados.


“O pleiotropismo (capacidade de um medicamento de produzir múltiplos efeitos em diferentes órgãos ou sistemas, além de seu efeito primário) não tem nada de fantástico”, diz o endocrinologista Bruno Geloneze, pesquisador principal do Centro de Pesquisa em Obesidade e Comorbidades (OCRC) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que não se envolveu no estudo. “Qualquer hormônio ou seu análogo não atua em um único local. Se fosse o caso, não seria nem hormônio”, explica.


Mas, segundo ele, o novo estudo tem um “valor monumental por causa do volume e da qualidade do registro”. “Ele foi além dos achados ativamente buscados. Alguns achados muito importantes dificilmente vão aparecer em estudos clínicos com 1 mil, 2 mil ou 3 mil pessoas. (No novo estudo) foi observada a redução do risco de câncer de fígado, algo que é difícil de ser detectado em estudos clínicos com amostras menores porque, em termos absolutos, são poucas as pessoas que irão desenvolver um desfecho tão grave.”


Porém, há limitações. Por exemplo: uma alteração na bula do medicamento exigiria um estudo clínico controlado (com grupo placebo, randomizado e sem os pesquisadores saberem quem está recebendo a medicação), diz Geloneze.


O endocrinologista destaca ainda que aspectos como a universalização dos resultados requerem cuidado já que os pesquisadores recorreram a uma base de dados muito específica, composta majoritariamente por informações de pessoas brancas e mais velhas. “Apenas 1,6% da amostra tinha menos de 40 anos, quando sabemos que grande porção das pessoas com diabete tem menos de 40.”


CÉREBRO. O surpreendente foi a dimensão do efeito dos análogos do GLP-1 no sistema nervoso central. O estudo apontou redução do risco de demências, incluindo o Alzheimer, e do uso problemático de substâncias (adicção), como álcool e opioides. A nova pesquisa também indicou diminuição do risco de ideação suicida, contrariando um episódio do início do ano passado.


PÂNCREAS. Ao Estadão/Broadcast, Al-Aly confirma que a maior preocupação dos pesquisadores está relacionada ao aumento do risco de pancreatite aguda (uma inflamação do pâncreas). “A pancreatite aguda é uma condição grave que pode levar a hospitalizações e, em alguns casos, ser fatal. Embora seja um efeito colateral raro, ele está presente e pode ser letal em algumas situações, tornando-se uma preocupação séria.”


Muitos dos efeitos colaterais encontrados no novo estudo, como pancreatite e complicações agudas de pedras nos rins, não aparecem na bula dos análogos do GLP-1. Com as descobertas da pesquisa, ele avalia que órgãos reguladores como a Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a EMA deveriam exigir mais dados de segurança por parte das farmacêuticas. (Leon Ferrari)


Broadcast+

Bankinter Portugal Matinal 29/01

 Análise Bankinter Portugal


SESSÃO: As bolsas começaram a assimilar o surgimento de DeepSeek (a empresa chinesa de IA) e conseguiram fechar com subidas; mais intensas no lado americano do que no europeu. O tema dará que falar (de facto, OpenAI e Microsoft investigam se DeepSeek obteve informação não autorizada para o desenvolvimento da sua aplicação, segundo fontes de Bloomberg). Os resultados empresariais, ainda não protagonizados pelas grandes tecnológicas americanas (será a partir de hoje), foram mistos: RTX melhorou expetativas, enquanto Lockheed Martin e GM dececionaram; Boeing com fortes perdas, mas mensagem otimista. No lado europeu, destacam-se SAP antes da abertura (positivos e boas guias) e LVMH no fecho (piores do que o esperado). Os dados macro passaram relativamente despercebidos, Pedidos de Bens Duráveis positivos na sua leitura mais subjacente para o Investimento, enquanto a Confiança dos Consumidores se deteriorou em janeiro. 

 

HOJE a sessão vem ligeiramente positiva, além de animada pelas boas guias de ASML à primeira hora. A chave estará em dois tipos de eventos: (1) bancos centrais, com a Fed como principal, às 19 h, mantendo taxas de juros (4,25%/4,50%), mas o mais relevante será comprovar se o tom de Powell tende a ser um pouco mais hawkish/duro. Anteriormente, Riskbank (Suécia 08:30 h) e Banco do Canadá (14:45 h) baixarão taxas de juros. Banco Central do Brasil (19:00h) irá fazer uma subida. (2) Início de publicação de 3 das 7 Magníficas, com o mercado americano já fechado: MICROSOFT (EPS 3,128$, +6,7%), META (6,75$; +12%) e TESLA (0,67$ +8%). Também se destaca a publicação de LAM RESEARCH (0,88$ +17%) e IBM (3,75$, -3,1%), todos após o fecho.  


Em suma, melhoria do tom que deve consolidar-se com a mensagem da Fed. Teremos de esperar por amanhã para a leitura dos comentários fundamentais das grandes tecnológicas.  

 

S&P500 +0,9% Nq100 +1,6% ES-50 +0,1% VIX 16,41% -1,49pb. Bund 2,50%. T-Note 4,53%. Spread 2A-10A USA=+33,6pb B10A: ESP 3,15% ITA 3,63%. Euribor 12m 2,50% (fut.12m 2,36%). USD 1,043. JPY 162,2. Ouro 2.763,11$. Brent 77,49$. WTI 73,77$. Bitcoin -1,01% (100.325$). Ether -3,4% (3.053$).

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