segunda-feira, 29 de junho de 2026

Cenário e ciclos

 Resumo dos Ciclos de Crises e Cenários 2026


Crises de liquidez ocorrem historicamente em intervalos médios de 10 a 15 anos.

Estamos em 2026, dentro da janela crítica de risco.

Grande Depressão (1929–1939): especulação e política monetária restritiva.

Intervalo de ~40 anos até o choque do petróleo.

Choque do Petróleo (1973–1979): geopolítica e energia.

Intervalo de ~14 anos até o crash da bolsa.

Crash da Bolsa (1987): alavancagem e pânico de liquidez.

Intervalo de ~10 anos até a crise asiática.

Crise Asiática (1997–1998): dívidas externas e fuga de capitais.

Intervalo de ~11 anos até a crise global.

Crise Financeira Global (2008–2009): hipotecas subprime e alavancagem bancária.

Intervalo de ~12–15 anos até o choque da COVID.

Choque de Liquidez COVID (2020): pandemia e paralisação global.

Intervalo de ~6 anos até 2026.

Média histórica confirma ciclos de 10–15 anos.

O risco sistêmico atual é elevado.

Tensões financeiras, geopolíticas e climáticas se acumulam.

Cenário 1: Hegemonia do dólar.

Crises contidas, dólar atrai liquidez global.

Probabilidade: 35%.

Cenário 2: Fragmentação monetária parcial.

Comércio internacional usa moedas alternativas.

Dívidas ficam mais complexas em múltiplas moedas.

Polarização e geoeconomia aceleram divisão em blocos.

Probabilidade: 40%.

Cenário 3: Crise sistêmica e ruptura.

Bolha de IA, colapso imobiliário chinês e bloqueio em Taiwan.

Fragmentação irreversível em dois sistemas financeiros.

Eventos climáticos extremos agravam.

Probabilidade: 25%.

Conclusão: cenário mais provável é fragmentação parcial.

O dólar ainda mantém força relativa.

Crise sistêmica é menos provável, mas plausível.

Ciclos históricos mostram que excessos raramente se resolvem sem choque.

Recuperações pós-crise podem ser em V, U, W ou L.

V: rápida queda e rápida retomada.

U: estagnação prolongada antes da recuperação.

W: dupla recessão com recaída.

L: queda profunda sem retorno por décadas.

Estratégias de proteção são essenciais.

Diversificação global reduz riscos.

Ativos reais oferecem resiliência.

Liquidez preventiva garante sobrevivência em choques.

Hedging climático mitiga riscos ambientais.

Proteção geopolítica evita concentração em áreas instáveis.

O ciclo de 2026 exige cautela estratégica.

Fragmentação monetária parcial é o cenário dominante.

O dólar ainda pode reforçar hegemonia.

Crise sistêmica permanece como risco latente.

A história mostra que rupturas são quase inevitáveis em ciclos de liquidez.

Adley Piovesan, economista há 38 anos, escritor, CFO da Aruatech sustentabilidade e CEO da Realtrader.

O momento Suez

 *O "Momento Suez" dos EUA sob a ótica do MPCP*


A comparação de Ray Dalio entre os Estados Unidos de 2026 e a Crise de Suez representa um alerta sobre os ciclos históricos de ascensão e declínio das grandes potências.

O Reino Unido perdeu sua condição de potência hegemônica quando sua capacidade financeira deixou de sustentar sua projeção geopolítica.

Segundo Dalio, os EUA enfrentam pressões semelhantes: dívida crescente, déficits elevados, perda relativa de confiança de alguns credores e avanço de alternativas ao dólar.

Pela ótica do Modelo Piovesan de Convergência dos Paradoxos (MPCP),
MPCP = (Dívida + Juros + Energia) ÷ (Produtividade + Crescimento + Liquidez)

Os Estados Unidos apresentam deterioração no numerador, mas continuam possuindo o denominador mais robusto do planeta.

Lideram inovação, inteligência artificial, mercado de capitais, universidades, segurança jurídica e capacidade militar, fatores que sustentam sua posição estrutural.

Ao mesmo tempo, intensifica-se a disputa entre dois grandes blocos:
Eixo das Democracias: liderado pelos Estados Unidos e seus aliados, concentrando inovação, capital, instituições e alianças militares.

Eixo das Ditaduras: liderado por China, Rússia e Irã, buscando reduzir a dependência do dólar, ampliar o uso de moedas locais, acumular ouro e construir sistemas financeiros alternativos.

Nesse contexto, a dominância do dólar não tende a desaparecer abruptamente, mas a sofrer uma erosão gradual.

O mundo caminha para uma ordem multipolar, na qual o dólar permanece como principal moeda de reserva, embora com menor participação relativa ao longo do tempo.

Conclusão Estratégica

O "Momento Suez" dos EUA não significa necessariamente o fim da hegemonia americana, mas o início de uma fase de transição em que a liderança dependerá menos do poder financeiro isolado e mais da capacidade de preservar produtividade, inovação, alianças estratégicas e credibilidade institucional.

Síntese Piovesan: o maior risco para os Estados Unidos não é apenas o crescimento da dívida, mas permitir que Dívida + Juros cresçam persistentemente mais rápido que Produtividade + Crescimento + Liquidez.

Se essa relação permanecer desequilibrada, a hegemonia tenderá a enfraquecer gradualmente; se o denominador voltar a acelerar, os EUA poderão prolongar sua liderança por muitas décadas, ainda que em um sistema internacional mais multipolar.

*Adley Piovesan, economista há 38 anos, escritor, CFO da Aruatech sustentabilidade e biomateriais e CEO da Realtrader.*

Anatemas...

 Ótimo artigo do Gustavo Franco nesta semana, O MENSAGEIRO. Nada mais acertado.

Discute pq a Selic É ELEVADA, hoje em 14,25%, havendo um piso para redução.

Acho incrível como mtos críticos à Selic CONSEGUEM público para fazer as suas "reclamações". Em maioria, nada entendem de mercado financeiro, de financiamento da dívida pública, de rolagem de títulos, de rigidezes deste mesmo mercado pela piora fiscal.

Quando a dívida bruta vai aumentando, e ela já se aproxima de 80% do PIB, as expectativas dos agentes vão se deteriorando também, e a rolagem de títulos, em diferentes prazos, vencimentos, tipos, encargos, também vão se alterando.

Vai se tornando mais difícil emitir títulos longos, estes sempre com prêmios mais atrativos (ou caros), e mais fácil colocar os mais curtos, todos considerando o risco fiscal.

Não tem jeito. A piora fiscal leva a piora nas condições de financiamento e aí, claro, os encargos financeiros se tornam mais elevados, abusivos até.

Por isso, eu achar engraçado estes neófitos do mundo, não só do mundo real, do mercado também, acharem um "absurdo", os encargos financeiros da dívida. Vão lá, ignorantes que são, falar mal dos "rentistas".

Ora, o Tesouro, para poder financiar sua dívida, precisa colocar os títulos no mercado (tesouro direto, manja?) e os demandantes são todos nós, os bancos, os fundos de pensão, os gringos, a pessoa física.

Todos nós financiamos a dívida pública. Não tem nada disso de "rentista"....cansativo este debate.

Só os ignorantes ou oportunistas polemizam sobre isso.

Daí a necessidade urgente de reduzir este passivo fiscal no País.

Fui...






Americanas...

 *Fraude com aval bancário*

Publicada em 26/06/2026 às 22:00


A investigação da Polícia Federal sobre a fraude bilionária na Americanas aponta que ao menos dois grandes bancos ajudaram a varejista a esconder informações relevantes dos auditores independentes. Fechado com Santander e Itaú no início de 2017, o acordo permitiu mascarar o real nível da dívida financeira da companhia e consolidou o esquema de resultados fictícios.


A informação foi apresentada por Fábio Abrate, ex-diretor do grupo Americanas, em delação premiada firmada com o Ministério Público Federal e homologada pela Justiça Federal em 2025. O Bastidor teve acesso exclusivo a trechos do depoimento citados pela Polícia Federal no relatório que embasou a segunda fase da Operação Disclosure, deflagrada nesta quinta-feira, 25.


No documento, a PF afirma que o escândalo da Americanas representa “a maior fraude corporativa do Brasil”. “A manipulação contábil perdurou por pelo menos 10 anos e envolveu praticamente toda a estrutura de governança, as maiores instituições financeiras do país e duas das maiores empresas de auditoria independente”, diz o relatório.


Para entender o papel dos bancos no esquema, é preciso antes compreender os dois principais mecanismos da fraude.


O primeiro era a criação de VPCs fictícias, sigla para verbas de propaganda cooperada. No varejo, essas verbas são pagas por fornecedores para bancar a divulgação de produtos em lojas, folhetos e promoções. Na Americanas, segundo a PF, elas passaram a ser inventadas para melhorar artificialmente os resultados.


Quando o desempenho real da companhia não era suficiente para atingir as metas, diretores determinavam o lançamento de verbas inexistentes. Na prática, esses valores reduziam no papel o custo das mercadorias vendidas e inflavam indicadores acompanhados pelo mercado, como margem bruta e Ebitda. O rombo acumulado com VPCs fictícias chegou a 20,6 bilhões de reais.


Para sustentar a fraude, a companhia também produzia documentos falsos. Segundo o relatório, cartas antigas de fornecedores eram alteradas no Word, com troca de datas e valores, salvas em PDF e entregues aos auditores. “Era totalmente amador”, admitiu Marcelo Nunes, outro ex-diretor da Americanas que fechou acordo de delação. Mesmo assim, o método funcionou por mais de uma década.


O segundo mecanismo era o risco sacado, operação em que bancos antecipam pagamentos a fornecedores e depois recebem da empresa, com juros, em prazo maior. Na Americanas, essa dívida com os bancos era registrada como se fosse uma obrigação comum com fornecedores, e não como dívida financeira.


A classificação escondia do mercado o tamanho real do endividamento da companhia. O risco sacado chegou a 14,1 bilhões de reais em 2021. Quando o escândalo veio à tona, a reclassificação necessária para revelar esse montante como dívida financeira foi de 15,9 bilhões de reais. Hoje, o total da fraude da Americanas é estimado em 54,2 bilhões de reais.


As duas frentes se complementavam. As VPCs falsas inflavam artificialmente o resultado. O risco sacado escondia a dívida usada para sustentar o caixa. No balanço, uma fraude ajudava a encobrir a outra.


A PF encontrou indícios de que as fraudes começaram em 2009 e seguiram sem grandes obstáculos até 2016. A partir dali, Santander e Itaú se tornaram peças importantes para manter o esquema de pé.


Em fevereiro daquele ano, a Comissão de Valores Mobiliários publicou um ofício sobre operações de risco sacado. A CVM alertava que essas operações não poderiam ser avaliadas apenas pelo nome ou pelo formato usado no contrato. O que importava era a realidade da transação. Se, na prática, o banco estava financiando a empresa compradora, a dívida precisava aparecer no balanço como dívida financeira, com juros e encargos registrados no resultado. Para a CVM, esconder essa natureza da operação distorcia as informações apresentadas ao mercado e era irregular.


A orientação criou um problema para a Americanas. Segundo diz Abrate na delação, as cartas de circularização dos bancos, até então tratadas como uma etapa simples da auditoria, passaram a ser um ponto sensível. Essas cartas eram usadas pelos auditores para confirmar diretamente com as instituições financeiras as dívidas, aplicações e outros ativos e passivos existentes entre os bancos e a companhia.


Se os bancos informassem o risco sacado como dívida financeira, os auditores teriam acesso ao endividamento que a Americanas mantinha fora dessa classificação no balanço. A fraude ficaria exposta.


Na auditoria de 2015, realizada no início de 2016, o tema ainda era novo. Segundo Abrate, nem a companhia, nem os auditores, nem os bancos tiveram tempo para discutir em profundidade como o risco sacado seria informado nas circularizações e contabilizado.


No ano seguinte, para a auditoria referente ao exercício de 2016, a questão se tornou inevitável. Abrate, então diretor de Relações com Investidores da B2W, controlada pela Americanas, foi designado para conversar com os bancos. Ele foi escolhido, segundo seu próprio relato, porque era o executivo com melhor interlocução com as instituições financeiras.


A missão era saber como os bancos classificariam o risco sacado nas cartas enviadas aos auditores. Abrate levou a Santander e Itaú a posição da companhia: a Americanas tratava as operações como comerciais e, portanto, defendia que elas ficassem fora das cartas de circularização.


O argumento financeiro também foi colocado na mesa. Abrate afirma na delação que informou aos bancos que, se os valores do risco sacado fossem apresentados aos auditores como dívida financeira, a Americanas deixaria de usar o produto. A razão era simples: o limite de endividamento bancário seria extrapolado e os indicadores financeiros da companhia ficariam muito ruins.


Segundo ele, as primeiras conversas ocorreram com André Juaçaba, no Santander, e Gustavo Balassiano, no Itaú. Nenhum dos dois tinha autonomia para resolver o assunto. A discussão, então, subiu dentro dos bancos.


No Itaú, segundo Abrate, Gustavo Balassiano encaminhou o tema ao diretor José Rudge, que levou a discussão ao Comitê Executivo do banco. O comitê era presidido por Cândido Bracher e tinha a participação dos diretores Alberto Fernandes, André Rodrigues, Eduardo Vassimon e Caio David.


No Santander, André Juaçaba submeteu a questão às esferas competentes. Abrate afirmou acreditar que, como ocorreu no Itaú, o tema foi levado ao Comitê Executivo do Santander, com participação de Jean Pierre, chefe de Juaçaba, de Sérgio Rial, então presidente do banco, e de outros diretores.


A decisão dos dois bancos foi a mesma. Depois das consultas internas, Santander e Itaú informaram a Abrate que concordavam com o entendimento da Americanas. O risco sacado seria tratado como operação comercial e não seria informado nas cartas de circularização, em desacordo com a CVM.


Segundo Abrate, os bancos chegaram a esse entendimento para não perder uma operação que “rendia muito dinheiro”. O risco sacado, afirmou o delator, não era realizado apenas com a Americanas e suas controladas.


A partir daquele momento, as operações de risco sacado deixaram de aparecer nas cartas enviadas aos auditores. Segundo Abrate, o entendimento firmado no início de 2017 seguiu até 2022.


No caso do Santander, a atuação foi além. Segundo Abrate, durante a negociação da redação das cartas de circularização, André Juaçaba pediu que a Americanas alterasse o teor da solicitação de informações enviada ao banco. A mudança permitiu que o Santander respondesse à auditoria sem incluir as operações de risco sacado.


Segundo Abrate, o banco orientou a companhia sobre como redigir a solicitação para que pudesse respondê-la sem inserir essas operações. Naquele dia, o executivo estava em São Paulo e entrou em contato com a sede da Americanas, no Rio de Janeiro, para avisar que uma nova carta de solicitação chegaria do Santander e precisaria ser assinada e reenviada ao banco.


Na prática, segundo a investigação, o Santander não apenas deixou de informar a dívida financeira aos auditores. Também ajudou a moldar o documento usado para manter essa dívida fora do alcance da auditoria independente.


Os demais bancos seguiram o entendimento de Santander e Itaú. A partir de então, as cartas de circularização passaram a ser emitidas sem as informações sobre risco sacado. Para o mercado, o dado deixou de ser transparente.


O papel dos bancos na ocultação do risco sacado não aparece apenas na delação de Fábio Abrate, embora esse seja o relato mais detalhado. A PF também encontrou conversas de WhatsApp e e-mails, localizados em dispositivos apreendidos, que mostram tratativas entre funcionários da Americanas e de instituições financeiras sobre a alteração das cartas de circularização enviadas aos auditores.


As delações de Marcelo Nunes e Flávia Carneiro, ambos ex-diretores, reforçam esse quadro. Nunes relata a reação interna de pânico após a CVM exigir mais transparência sobre o risco sacado, em 2016, e diz que Abrate assumiu a negociação com os bancos. Carneiro descreve as circularizações bancárias como parte da dinâmica da fraude, e não como um episódio isolado.


Esse conjunto de elementos levou a PF a abrir uma frente específica sobre a atuação das instituições financeiras. Na decisão que autorizou buscas contra acionistas de referência da Americanas, a Justiça Federal afirma que mensagens, e-mails e relatórios policiais corroboram as fraudes envolvendo risco sacado, VPCs e cartas de circularização.


Segundo o documento, as comunicações envolveram diretores da Americanas, funcionários de bancos e fornecedores, com o objetivo de submeter documentos à auditoria externa e camuflar a real situação financeira da varejista. O juiz também registrou a participação ativa de representantes de bancos em tratativas para emitir cartas de circularização sem menção a operações creditícias relevantes, como o risco sacado.


A decisão afirma ainda que a apuração não se limita aos interlocutores operacionais dos bancos. Para o juiz, os valores bilionários envolvidos e a necessidade de aprovação interna nas instituições financeiras indicam que operações dessa dimensão não avançavam sem conhecimento de escalões superiores.


O Bastidor procurou o Santander e o Itaú na tarde desta sexta-feira, 26, por meio de suas assessorias de imprensa.


Ao Santander, perguntou se o banco confirma as discussões com a Americanas sobre o tratamento do risco sacado nas cartas de circularização, qual foi a participação de André Juaçaba e Sérgio Rial nas tratativas e com base em qual análise jurídica, contábil ou regulatória a instituição sustentou o entendimento de que as operações deveriam ser tratadas como comerciais. O banco não respondeu até a publicação desta reportagem.


Ao Itaú, perguntou se o banco confirma que o tema foi levado ao Comitê Executivo, qual foi a participação de Gustavo Balassiano, José Rudge e dos integrantes do comitê, com base em qual análise o banco sustentou a classificação do risco sacado como operação comercial e se houve revisão interna desse posicionamento.


Em nota, o Itaú disse que não é investigado e que colabora com as autoridades desde 2023, prestando todas as informações solicitadas sobre o caso Americanas. O banco afirmou que sofreu perdas bilionárias com o episódio e que já comprovou, por meio de documentos apresentados à Justiça, “a lisura de sua conduta e da atuação de seus funcionários”. Disse ainda que recusou pedidos da antiga gestão da Americanas para alterar cartas de circularização, que sempre alertou auditores e reguladores sobre a existência das operações de risco sacado e da exposição da varejista a fornecedores, e que chegou a interromper por mais de seis meses as operações de risco sacado com a companhia. O Itaú afirmou, por fim, que sempre atuou com “rigor ético e regulatório” e que confia no trabalho das autoridades.


https://obastidor.com.br/economia/fraude-com-aval-bancario/

As fraudes começaram antes

 *As fraudes começaram antes*

Alisson MatosPublicada em 27/06/2026 às 06:00


As fraudes contábeis da Americanas começaram muito antes de 2016, ano que está no centro da ação penal já em curso contra os ex-diretores da varejista. Foi o que disseram três dos quatro ex-executivos da companhia que firmaram colaborações premiadas com o Ministério Público Federal, cujos relatos foram reunidos em despacho sigiloso obtido pelo Bastidor, assinado pela juíza Giovana Calmon, da 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro. Ela autorizou as buscas e apreensões cumpridas na quinta-feira (25) contra os três principais acionistas de referência da Americanas, Carlos Alberto Sicupira, Paulo Lemann e Eduardo Saggioro Garcia.


O documento de 62 páginas, que autorizou a segunda fase da Operação Disclosure, reúne dois laudos periciais, mensagens de WhatsApp, e-mails e documentos internos da varejista. Nele, constam informações reveladas pela ex-diretora de controladoria Flávia Carneiro, pelo ex-diretor comercial Márcio Cruz, por Marcelo Nunes, ex-diretor financeiro, e pelo ex-diretor de relações com investidores e principal interlocutor da empresa com os bancos, Fábio Abrate.


Nas colaborações firmadas com o MPF, Flávia, Cruz e Nunes revelam que souberam das fraudes, respectivamente, em 2007, 2009 e 2010. Até agora, as provas documentais da investigação se concentravam em 2016 porque foi naquele ano que a Comissão de Valores Mobiliários, a CVM, passou a exigir que os bancos informassem as operações de risco sacado nas cartas de circularização enviadas às auditorias.


Flávia Carneiro foi a primeira a chegar perto do problema. Quando entrou na B2W, braço de e-commerce das Lojas Americanas, em 2007, ela afirma que verificou se os números estavam corretos. Encontrou inconsistências e as levou a seu superior, Carlos Padilha. A resposta foi para resolver em doses homeopáticas, porque a empresa estava prestes a abrir capital. As irregularidades eram, naquele momento, num volume muito inferior ao que viria a seguir.


Ela relata que, como Padilha trabalhou anteriormente na auditoria, eles começaram a usar o conhecimento dos procedimentos internos das auditorias para antecipar e neutralizar as verificações das empresas que passaram pela Americanas. Além da Deloitte, a Ernst e Young, PwC e KPMG. Para cada uma, havia estratégias distintas.


Dois anos depois, em 2009, Márcio Cruz assumiu como diretor estatutário comercial e disse ter encontrado centenas de milhões de reais em verbas que não podiam ser cobradas de fornecedores. Levou o problema a Miguel Gutierrez, então presidente da companhia. Gutierrez se mostrou surpreso com o tamanho do que havia. Segundo Cruz, o chefe achava que era um valor menor.


O orçamento aprovado anualmente pelo Conselho de Administração era definido com base nos resultados do ano anterior, que já eram fraudados. Cada novo ciclo partia de uma base irreal e exigia ainda mais fraude para ser cumprido. Abrate e Cruz dizem que o orçamento era “quase uma obra de ficção”.


O esquema tinha duas partes que se equilibravam. A primeira eram as VPCs fictícias, verbas de propaganda cooperada lançadas na contabilidade como se fossem incentivos reais de fornecedores, reduzindo artificialmente o custo das mercadorias e inflando o resultado da empresa. Eles citam ainda as chamadas operações de risco sacado, que são financiamentos bilionários com bancos registrados não como dívida, mas disfarçados de contas a pagar a fornecedores. A VPC reduzia o saldo de fornecedores e o risco sacado o aumentava.


O fechamento dos resultados seguia um ritual mensal. Eles detalham: a V0 continha os números reais, e as seguintes incorporavam as fraudes. Um arquivo chamado 00.anotações reunia, lado a lado, os lançamentos corretos e os fraudulentos, e servia de base para as versões adulteradas divulgadas ao mercado. Os montantes de VPCs fictícias eram calculados tendo como parâmetro a margem bruta orçada e as expectativas dos analistas de mercado, monitoradas por um arquivo interno chamado verdes e vermelhos. Quando os resultados reais ficavam abaixo do esperado, a diretoria ajustava os números. Numa mensagem enviada a Gutierrez, Nunes escreveu que “optamos por não deixar aparente, porque esse valor está dentro do custo de antecipação de recebíveis e nunca abrimos.”


As cartas de VPC falsas eram produzidas no Word. Pegava-se uma carta verdadeira, alteravam-se datas e valores, imprimia-se e entregava-se aos auditores. Segundo Nunes, a solução encontrada foi criar e-mails dos fornecedores dando o de acordo para verbas de VPC. “Os fornecedores não tinham noção de que os e-mails das cartas de VPC eram alterados”, disse. A prática foi confirmada pelos outros três delatores. Em sua delação, Nunes classificou o processo como “totalmente amador.”


*As auditorias*


Flávia conta que ia até a auditora para entender a diretriz com a qual os documentos seriam tratados. Em determinado momento, a KPMG exigiu verificar transações que nos sistemas eram falsas. A solução foi chamar João Guerra, diretor de TI, que alterou o próprio sistema SAP para que as fraudes passassem despercebidas. A contabilidade pegava as informações do sistema, jogava num Excel e alterava antes de encaminhar à auditoria. A planilha entregue não refletia o que estava no sistema. Guerra não é alvo da operação.


Em 2016, três bancos incluíram o risco sacado nas cartas de circularização, mas a auditoria só se atentou a dois deles, Itaú e Santander. O Bradesco passou despercebido, por um erro, segundo os delatores. A solução foi pedir diretamente aos bancos que retirassem as informações. A companhia recebia o modelo da carta da auditoria, omitia a informação de risco sacado e reenviava ao banco sem ela.


*Os bancos*


Quando a CVM publicou o Ofício Circular nº 1 de 2016, os bancos passaram a ser solicitados a informar as operações de risco sacado nas cartas de circularização enviadas às auditorias. Abrate foi designado por Timótheo Barros, diretor executivo da Americanas, com ciência de Gutierrez e Anna Saicali, outra diretora, para negociar diretamente com as instituições financeiras. O argumento era que se os bancos declarassem o risco sacado nas cartas, a Americanas pararia de fazer a operação. Segundo Abrate, os bancos cederam para não perder uma operação que lhes rendia muito dinheiro.


No Santander, André Juaçaba não apenas concordou em omitir as operações como orientou a Americanas sobre como redigir a própria solicitação ao banco de forma que este pudesse respondê-la sem mencionar o risco sacado. A decisão foi levada ao Comitê Executivo do banco, presidido à época por Sérgio Rial, o mesmo executivo que meses depois assumiria a presidência da Americanas. No Itaú, escalou até o Comitê Executivo composto por Cândido Bracher e mais quatro diretores.


Abrate descreve a tensão do processo numa mensagem enviada ao grupo Auditoria 2016. “Vamos com tudo. Itaú não é Santander. Assunto azedou muito. Podemos ter efeitos colaterais”, escreveu. O resultado foi o mesmo nos dois bancos. Nenhum número sobre o risco sacado nas cartas.


*O início do fim*


Em agosto de 2022, Gutierrez anunciou que seria substituído por Sérgio Rial na presidência. Nunes diz que ficou desesperado, porque o novo presidente inevitavelmente tomaria conhecimento das fraudes. De acordo com o seu relato, outros diretores ficaram tranquilos, confiantes de que Gutierrez daria um jeito. A escolha de Rial contrariava a praxe da empresa de promover talentos internos e, segundo os delatores, surpreendeu a cúpula. Carneiro descreve que o G30, grupo das principais lideranças da empresa, ficou em comoção porque era “um cara de banco assumindo a empresa, e que não estava habituado às práticas ilícitas que eram cometidas nas Americanas.”


Durante a transição, dois comentários espontâneos de Rial chamaram atenção. Num deles, o novo presidente contou que havia encontrado num emprego anterior um problema contábil enorme e que havia resolvido conversando diretamente com os bancos, um por um. No outro, falou sobre recuperação judicial, dizendo que a medida é boa para a companhia porque protege e congela as dívidas, mas ruim para o controlador porque afeta a imagem. Cruz descreve que ele e Barros saíram da conversa se perguntando se Rial seria “o cara que ia ajudar a resolver os nossos problemas.”


A partir de agosto, Timótheo Barros solicitou a Nunes que levantasse as informações dos últimos dez anos. Nunes produziu uma planilha com várias abas, cada uma com a informação verdadeira ao lado da falsa, e em seguida foi pedida uma apresentação em PowerPoint com o problema. A apresentação foi modificada durante meses, com Gutierrez pedindo a inclusão de novos dados enquanto tentava ganhar tempo. Durante o processo, Barros chegou a sugerir que Nunes fosse demitido por estar apresentando resistência às versões fictícias. Nunes recusou sair por conta própria, dizendo que só sairia se fosse demitido.


Numa reunião de 27 de dezembro de 2022, Saggioro e Rial ouviram a apresentação durante quatro horas. As poucas perguntas foram de natureza técnica e nenhuma tocou no problema central. A apresentação usava o termo fornecedor banco em vez de risco sacado. O Santander era banco credor da Americanas e Rial havia sido seu presidente, portanto sabia da existência das operações. Mesmo assim não fez nenhuma pergunta. Todos saíram da reunião sem entender se os dois haviam compreendido o que foi apresentado ou se já sabiam.


Em 4 de janeiro de 2023, numa nova reunião, Rial disse que sabia do risco sacado, mas tinha entendido que estava contabilizado como dívida. Ao ser informado de que não estava, André Couvre, o novo diretor financeiro que acabara de assumir o cargo, disse que aquilo era fraude e que todos seriam processados e presos. Rial tentou apaziguar a situação, pedindo calma.


Dois dias depois, em 6 de janeiro, Rial levou Sicupira e Saggioro para ouvir a apresentação sobre as fraudes. Sicupira fez poucas perguntas e não demonstrou grande reação. A mais reveladora, segundo Cruz: perguntou se os bancos estavam informando o risco sacado nas cartas de circularização. Ao saber que não, concluiu que a dívida não existia. Ao final, ninguém tinha certeza se Sicupira havia compreendido o que lhe foi apresentado ou se já sabia de tudo.


Em 10 de janeiro, na reunião com a auditora Claudia Elisa da KPMG, ela chegou transtornada e fez perguntas que deixaram a equipe completamente enrolada, até perguntar diretamente se havia fraude. A equipe ficou sem resposta mas disse que não havia. Após a reunião, Rial disse que foi péssima e que a equipe deveria ter aberto o jogo. Dias antes, ao tomar conhecimento da situação, Claudia Elisa havia ligado para Carneiro dizendo que a equipe havia acabado com sua carreira e que aquilo seria um escândalo. Claudia Elisa havia pedido a Rial que aguardasse antes de lançar o fato relevante. Rial não quis esperar.


Em 11 de janeiro de 2023, a Americanas divulgou o fato relevante que revelou ao mercado o rombo bilionário.


*Sobre os controladores*


Nenhum dos quatro delatores afirmou categoricamente que Sicupira, Lemann ou Saggioro sabiam das fraudes. Mas nenhum disse que não sabia. Quando perguntados diretamente, responderam que não podiam dizer.


Os quatro descrevem que a Americanas é uma empresa em que nada subia a hierarquia sem ser comunicado, em que o Conselho aprovava metas que só podiam ser atingidas com fraude, e em que a LTS Investiments, holding dos controladores, acompanhava o dia a dia da companhia de perto. “Ninguém era autônomo”, disse Abrate. “Por mais poder que você tivesse, não tomava nenhuma decisão sozinho. Zilhões de e-mails, zilhões de WhatsApp. Eu fazia isso para cima, Anna fazia isso para cima, Miguel fazia isso para cima. E assim era a dinâmica de Miguel com Beto, de Miguel com o Saggioro.”


Cruz perguntou diretamente a Gutierrez se Sicupira sabia das fraudes. Gutierrez disse que não. Cruz acrescenta que “se alguém tem ciência inequívoca sobre isso, seria o Miguel”, e que a negativa pode ter servido para manter os controladores blindados.


No despacho que autorizou a última operação contra os controladores da Americanas, a juíza Giovana Calmon reconheceu que não há, até agora, provas diretas de conversas em que Sicupira, Lemann ou Saggioro tenham participado de discussões sobre as fraudes. Mas sustentou que essa ausência é parte do padrão identificado na investigação. Para a magistrada, exigir prova documental explícita de envolvimento dos acionistas neste estágio das investigações seria, nas palavras dela, “extremamente ingênuo.” Executivos com esse nível de experiência e acesso a assessorias jurídicas qualificadas sabem que certos assuntos não devem ser formalizados.


O Bastidor procurou nesta sexta-feira (26) os advogados dos citados na matéria. As defesas de Marcelo Nunes, Flávia Carneiro e Fábio Abrate informaram ao Bastidor que não irão se manifestar sobre o caso. A Americanas não respondeu aos contados da reportagem e a defesa de Márcio Cruz não foi encontrada para comentar.


Ontem, por meio de nota, Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Sicupira, acionistas-referência das Americanas, disseram que as investigações conduzidas pela Polícia Federal e pelo MPF, incuindo aquelas com base em acordos de delação premiada, “indicam que o Conselho de Administração e os acionistas de referência foram continuamente enganados e induzidos a erro pela antiga diretoria da companhia”. Procuradas, as defesas de Beto Sicupira e Paulo Alberto Lemann não respoderam.


O Bastidor também procurou o Santander e o Itaú na tarde desta sexta-feira, por meio de suas assessorias de imprensa.


Ao Santander, perguntou se o banco confirma as discussões com a Americanas sobre o tratamento do risco sacado nas cartas de circularização, qual foi a participação de André Juaçaba e Sérgio Rial nas tratativas e com base em qual análise jurídica, contábil ou regulatória a instituição sustentou o entendimento de que as operações deveriam ser tratadas como comerciais. O banco não respondeu até a publicação desta reportagem.


Ao Itaú, perguntou se o banco confirma que o tema foi levado ao Comitê Executivo, qual foi a participação de Gustavo Balassiano, José Rudge e dos integrantes do comitê, com base em qual análise o banco sustentou a classificação do risco sacado como operação comercial e se houve revisão interna desse posicionamento.


Em nota, o Itaú disse que não é investigado e que colabora com as autoridades desde 2023, prestando todas as informações solicitadas sobre o caso Americanas. O banco afirmou que sofreu perdas bilionárias com o episódio e que já comprovou, por meio de documentos apresentados à Justiça, “a lisura de sua conduta e da atuação de seus funcionários”. Disse ainda que recusou pedidos da antiga gestão da Americanas para alterar cartas de circularização, que sempre alertou auditores e reguladores sobre a existência das operações de risco sacado e da exposição da varejista a fornecedores, e que chegou a interromper por mais de seis meses as operações de risco sacado com a companhia. O Itaú afirmou, por fim, que sempre atuou com “rigor ético e regulatório” e que confia no trabalho das autoridades.


https://obastidor.com.br/economia/as-fraudes-comecaram-antes/

O mensageiro, Gustavo Franco



 “O Mensageiro” – Gustavo Franco


O ponto central do artigo é simples: os juros altos não são a causa do problema fiscal brasileiro; são a consequência dele. Segundo Gustavo Franco, o Banco Central funciona apenas como um “mensageiro” que traduz para a economia os riscos criados pelo excesso de gastos públicos e pelo crescimento da dívida do governo.

A lógica é semelhante à de uma família ou empresa muito endividada. Quando alguém já deve muito dinheiro e continua gastando mais do que arrecada, os credores passam a exigir juros maiores para emprestar. Com o governo acontece o mesmo. Como o setor público brasileiro possui uma dívida próxima de 80% do PIB (cerca de R$ 10 trilhões), qualquer sinal de descontrole fiscal aumenta a percepção de risco e eleva os juros exigidos pelo mercado.

O autor destaca que muitos políticos preferem culpar o Banco Central pela Selic elevada porque isso evita discutir a verdadeira origem do problema. Afinal, é mais fácil atacar quem anuncia a notícia do que reconhecer que programas sem financiamento, aumento de despesas permanentes e emendas parlamentares sem contrapartida acabam pressionando a dívida pública e, consequentemente, os juros.

Outro ponto importante é que a taxa paga pelo governo serve de referência para toda a economia. Se o Tesouro precisa oferecer juros muito altos para financiar sua dívida, empresas, famílias e investidores também enfrentarão custos maiores de crédito. Por isso, os juros da dívida pública acabam influenciando financiamentos imobiliários, empréstimos empresariais, cartões de crédito e praticamente todas as demais taxas da economia.


A tese de Gustavo Franco é que o Banco Central não cria juros altos por vontade própria. Ele apenas reage aos fundamentos da economia. Se o governo gasta mais do que arrecada e a dívida cresce continuamente, os juros sobem como mecanismo de compensação do risco. Em outras palavras: não existe solução monetária para um problema fiscal. Enquanto o Brasil não resolver suas contas públicas, continuará convivendo com juros estruturalmente elevados, crescimento menor e menor capacidade de investimento produtivo.

Bankinter Portugal Matinal

 Análise Bankinter Portugal 


Nova Iorque -0,05% EUA tech -1,1% EUA Semis -5,3% UE -0,7% Espanha -0,5% VIX 18,4% Bund 2,85%. T-Note 4,38%. Spread 2A-10A EUA =+27pb O10A: ESP 3,34% PT 3,24% ITA 3,58% FRA 3,63% Euribor 12m 2,764% (futuro 12m 2,765%) USD 1,139 JPY 184,3/€ 161,8/$. Ouro 4.058$. Brent 72,0$. WTI 69,6$. Bitcoin -0,5% (60.039$). Ether +0,6% (1.582$).



:: SESSÃO. Aspeto de subida e menos suave do que seria desejável: talvez ca. +0,5% Europa e +1% EUA. Esta semana, banqueiros centrais em Sintra, inflação europeia começará a retroceder e o emprego americano oferecerá mais do mesmo. Ataques e contra-ataques entre os EUA e o Irão, este fim de semana, para terminar o assunto de seguida e retomar a conversações que provavelmente não chegarão a ser um acordo. Mas o petróleo ca.70$/b e isso, que é bom, é o que importa ao mercado. Tecnologia um pouco débil devido a uma realização de lucros em Micron depois do seu forte aumento na quinta-feira (-6,7% vs. +15,7%) e ON Semiconductor -23% pela compra de uma empresa. As obrigações quase não se movem, com yield muito estável. O Japão publica um bom número: Vendas a Retalho de maio +5,3% vs. +3,2% esperado vs. +2,8% abril (revisto em alta desde +2,1% preliminar). SpaceX entra hoje no Russell 1000, e a 7 de julho no Nasdaq-100. Hoje entra Alphabet no DJI-30 e sai Verizon. 


Como o emprego americano (quinta-feira) será provavelmente continuísta e indiferente para o mercado, o mais importante será comprovar se a inflação europeia começa a suavizar-se (+3,0/+3,1% desde +3,2%, na quarta-feira) e se, como consequência, os bancos centrais, reunidos em Sintra pelo BCE, de segunda a quarta-feira, suavizam ou não a sua abordagem sobre a inflação e, por extensão, sobre as suas taxas diretoras. Particularmente Lagarde (quarta-feira, 14 h; junto a Bailey do BoE e Warsh da Fed), depois do BCE subir +25 p.b., até 2,25%/2,40% (Depósito/Crédito), a 11 de junho, apenas 48 horas antes dos EUA e do Irão assinarem um Memorando de Entendimento e o petróleo começar a retroceder até níveis quase pré-guerra. É cedo para uma mudança de abordagem, porque a sua decisão de 11 de junho compromete muito, mas este é o assunto que realmente poderá “dar jogo”. Com o petróleo quase normalizado, embora surjam aumentos erráticos, os principais bancos centrais (Fed, BCE e BoE; o BoJ está noutro ciclo de política monetária) suavizarão, pouco a pouco, a sua perceção sobre a inflação e, por extensão, voltarão a adotar uma atitude mais dovish/suave sobre taxas de juros. Poderão insinuar algo assim esta semana, embora sem se comprometer. Mas talvez isso seja esperar demasiado…


:: CONCLUSÃO. Nestas circunstâncias, o adiamento de OpenAI da sua OPV antes do ambíguo resultado da saída à bolsa de SpaceX parece melhor do que se precipitar. E se o mercado decidir ir mais devagar, seria mais tranquilizador do que inquietante para o verão. O “mal” é que hoje irá querer subir novamente. Para esta semana, a probabilidade de subida parece superior à de estancamento. Já veremos se é bom…


FIM

Crescimento muda