quinta-feira, 7 de maio de 2026

BDM Matinal Riscala

 *Bom Dia Mercado*


Quinta Feira,07 de Maio de 2.026.


*Mercado testa rali enquanto Lula encara Trump*


A agenda ainda combina indicadores importantes de atividade no Brasil e uma noite carregada de balanços na temporada da B3


… O mercado inicia a quinta-feira tentando sustentar o forte rali da véspera, embalado pela aposta de um acordo entre Estados Unidos e Irã, pela queda abrupta do petróleo e pelas máximas históricas do Nasdaq, mas já enfrentando sinais de realização no after hours. No centro das atenções, a visita de Lula à Casa Branca coloca Brasil e Estados Unidos diante de temas sensíveis, como Pix, minerais críticos, tarifaço e segurança pública, em um encontro de alto potencial midiático, ao meio-dia de Brasília. A agenda ainda combina indicadores importantes de atividade no Brasil e uma noite carregada de balanços na temporada da B3, após a reação positiva aos números do Bradesco em Nova York.


UMA TRÉGUA IMPERFEITA –O mercado passou a quarta-feira operando menos pela guerra em si e mais pela expectativa de que Estados Unidos e Irã caminhem para algum tipo de entendimento capaz de reduzir o choque de energia e reabrir gradualmente o Estreito de Ormuz.


… A percepção de que a Casa Branca tenta costurar uma saída rápida para o conflito, porque Donald Trump está sendo pressionado a encerrar a crise, provocou forte retomada do apetite por risco, derrubou o petróleo e levou o Nasdaq a renovar máximas históricas.


… Segundo a Bloomberg, Washington apresentou a Teerã um memorando preliminar prevendo a reabertura gradual de Ormuz e o alívio do bloqueio americano aos portos iranianos, deixando as negociações nucleares para uma segunda etapa.


… A proposta teria sido enviada via Paquistão, mediador das conversas, e a expectativa é que o Irã responda nos próximos dias. O presidente Trump voltou a afirmar que houve conversas “positivas” nas últimas 24 horas e disse acreditar que um acordo “vai acontecer”.


… A mudança de postura da Casa Branca também reflete o impacto econômico e político da guerra.


… A disparada da gasolina nos Estados Unidos, acima de US$ 4,50 por galão pela primeira vez desde 2022, aciona a urgência às vésperas das eleições de meio de mandato, reforçando o interesse do governo americano em buscar uma saída negociada para o conflito.


… Apesar do otimismo do mercado, porém, os sinais seguem contraditórios. Autoridades iranianas classificaram a proposta americana como uma “lista de desejos”, enquanto Israel demonstrou preocupação com um possível acordo considerado brando demais.


… Em paralelo, o Exército americano informou ter disparado contra um petroleiro iraniano no Golfo de Omã, enquanto o secretário de Energia dos Estados Unidos garantiu que Washington manterá o fluxo de navios em Ormuz “com ou sem acordo”.


… Ainda assim, prevaleceu nos mercados a leitura de distensão parcial. O Brent despencou quase 8%, encerrando perto de US$ 101 o barril, após o Irã indicar que a travessia pelo estreito poderá voltar a ocorrer de forma “segura e sustentável”.


…Em entrevista à Fox News no fim do dia, Trump afirmou estar “cautelosamente otimista” em relação ao acordo com o Irã, prevendo que poderá levar cerca de “uma semana” para finalizar tudo. O pano de fundo, porém, segue longe de uma solução definitiva.


… O conflito continua afetando a oferta global de energia, com a produção da Opep no menor nível em 36 anos e o mercado ainda sujeito a oscilações bruscas a cada nova manchete envolvendo guerra, petróleo ou negociações diplomáticas.


BEST FRIENDS – O encontro entre Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump nesta quinta-feira, em Washington, virou um dos eventos políticos mais aguardados da semana — tanto pelo peso diplomático quanto pelo potencial de show midiático.


… A visita-relâmpago à Casa Branca ocorre em meio à guerra no Oriente Médio, às tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos e ao histórico recente de embates públicos protagonizados por Trump com outros líderes mundiais.


… O tom da relação, ao menos nos bastidores, começou de forma surpreendentemente amistosa.


… Segundo o G1, Trump ligou para Lula na última sexta-feira, em conversa de cerca de 40 minutos, afirmou admirar a trajetória política do brasileiro e encerrou a chamada com um informal “I love you”.


… O episódio virou motivo de brincadeiras nos bastidores de Brasília, mas não diminuiu a cautela do governo em relação ao encontro.


… Reportagem do Estadão mostra que os dois presidentes chegam politicamente fragilizados à reunião.


… Trump enfrenta forte desgaste provocado pela inflação, pela guerra com o Irã e pela proximidade das eleições legislativas de meio de mandato, enquanto Lula tenta recuperar popularidade em meio às dificuldades do ambiente eleitoral doméstico.


… Para ambos, a reunião também funciona como tentativa de construção de agenda positiva.


… O problema é que as prioridades dos dois governos não coincidem. O Brasil quer falar de comércio, tarifaço, Pix, data centers, minerais críticos e investimentos. Já a Casa Branca pode insistir na tentativa de classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas.


… Esse é um tema tratado com desconforto pelo Planalto, que quer evitar qualquer “momento Zelensky” no Salão Oval, ou constrangimentos ao vivo para Lula, como aconteceu não só com o presidente da Ucrânia, mas também com o líder da África do Sul.


… Por isso, Lula fará uma visita enxuta, sem cerimônias e com comitiva reduzida, em movimento interpretado como uma seguro para minimizar a exposição política.


… Segundo fontes ouvidas pelo mesmo Estadão, o governo brasileiro pretende defender o Pix diante das críticas americanas, argumentando que o sistema ampliou a bancarização no País, ao mesmo tempo em que tentará evitar compromissos definitivos sobre terras raras.


MINERAIS CRÍTICOS –Na véspera da reunião entre Lula e Trump, a Câmara aprovou à noite o projeto que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos e define o marco regulatório de um dos temas mais sensíveis da disputa entre Estados Unidos e China.


… O texto prevê incentivos fiscais de até R$ 5 bilhões entre 2030 e 2034 para projetos ligados à cadeia produtiva de minerais estratégicos, além da criação de um fundo garantidor com participação da União de até R$ 2 bilhões para estimular investimentos no setor.


… A proposta envolve minerais considerados essenciais para a indústria de tecnologia, transição energética e defesa, como lítio, nióbio, cobalto, grafite e terras raras. O Brasil concentra cerca de 8% das reservas globais de lítio e mais de 90% das reservas conhecidas de nióbio.


… O avanço do projeto ocorre justamente quando terras raras e minerais críticos entram no centro das negociações internacionais.


… O governo brasileiro tenta evitar um alinhamento automático aos Estados Unidos em meio à disputa com a China, enquanto busca atrair investimentos, tecnologia e capacidade de processamento industrial para o País.


… O relator da proposta, deputado Arnaldo Jardim, afirmou que o projeto pode funcionar como um “trunfo” para Lula na conversa com Trump, ao oferecer maior previsibilidade regulatória e sinalização favorável ao capital estrangeiro. A matéria segue para o Senado.


CURTAS DA POLÍTICA – O STF retoma nesta quinta-feira o julgamento de cinco ações que discutem o modelo de distribuição de royalties de petróleo, com o voto da relatora, a ministra Cármen Lúcia, que recebeu advogados e entidades interessadas para sustentações orais.


MAIS AGENDA – A quinta-feira concentra indicadores importantes de atividade, comércio exterior e mercado de trabalho americano, em um ambiente ainda marcado pela volatilidade provocada pela guerra no Oriente Médio e pelas incertezas nas apostas para juros globais.


… No Brasil, o destaque da manhã será a produção industrial de março, divulgada pelo IBGE às 9h. A mediana das projeções do Broadcast aponta para leve queda de 0,1% na margem, após a alta de 0,9% registrada em fevereiro.


… O movimento é interpretado mais como acomodação técnica após o forte início de ano do que como deterioração mais intensa da atividade. Setores ligados à indústria extrativa e ao segmento automotivo seguem sustentando parte da recuperação da produção.


… À tarde, às 15h, sai a balança comercial de abril, que deve registrar um dos maiores superávits nominais da série histórica.


… A mediana das estimativas aponta saldo positivo de US$ 10,7 bilhões, impulsionado principalmente pelas exportações de petróleo em meio à guerra no Oriente Médio, além da força dos embarques de soja e carnes.


… O comportamento das commodities energéticas continua sendo um dos principais vetores para o fluxo comercial brasileiro neste momento.


… Também no radar, o diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central, Paulo Picchetti, participa em São Paulo da reunião trimestral com economistas, enquanto Galípolo embarca para Madri, onde participa do Fórum Econômico do Banco da Espanha para a América Latina.


… No exterior, as atenções se voltam para os indicadores de mercado de trabalho dos Estados Unidos, na véspera do payroll.


… Às 9h30, serão divulgados os pedidos semanais de auxílio-desemprego e o custo unitário da mão de obra do primeiro trimestre, dados acompanhados de perto pelo mercado em busca de sinais sobre inflação de serviços, salários e trajetória dos juros americanos.


… Ao longo da tarde, dirigentes do Fed voltam ao noticiário, com participações públicas de Neel Kashkari, Beth Hammack e John Williams. E às 16h, o Banco do México divulga sua decisão de política monetária.


BALANÇOS –A temporada do primeiro trimestre ganha força nesta quinta-feira, em uma das agendas corporativas mais carregadas da semana na B3, com resultados de setores ligados ao consumo, varejo, shoppings, locação de veículos, educação, utilities e infraestrutura.


… Antes da abertura do mercado, os investidores acompanham os números de Azul e Porto Seguro. Após o fechamento, a lista é grande, com Magazine Luiza, Lojas Renner, Localiza, Vivara, Fleury, Yduqs, Petz, B3, Sabesp, Cemig, Rumo, Engie e EcoRodovias.


… Também entram no radar os números de Allos, Azzas, Alpargatas, Eztec, M. Dias Branco, PetroReconcavo e BrasilAgro.


… No exterior, o destaque antes da abertura em Nova York fica para os resultados do McDonald’s, acompanhados de perto em busca de sinais sobre consumo americano e pressão de custos. Na Europa, Shell divulga balanço em Londres, e Enel, na Itália.


BRADESCO – Os ADRs avançaram 3,0% no after hours em Nova York, após o balanço, que reportou lucro líquido recorrente de R$ 6,811 bilhões entre janeiro e março, alta de 16,1% na comparação anual, em resultado praticamente em linha com as estimativas do mercado.


… O retorno sobre o patrimônio líquido (ROAE) subiu para 15,8% ao fim do trimestre, ante 14,4% um ano antes, reforçando a percepção de melhora gradual da rentabilidade e continuidade do processo de recuperação operacional do banco.


… A reação positiva ocorre um dia depois de o Itaú divulgar números fortes, mas sem conseguir sustentar as ações na B3 (mais abaixo).


MAIS AFTER HOURS – Arm e Whirlpool desapontaram e as ações caíram feio no pós mercado, após o forte rali das techs no pregão regular.


… A Arm chegou a subir forte com resultados acima das expectativas no trimestre, mas perdeu força rapidamente e fechou em queda de 6,4%, associada às dúvidas do mercado sobre sua capacidade de atender à crescente demanda por chips de inteligência artificial.


… A empresa reportou lucro ajustado por ação de US$ 0,60, acima da projeção de US$ 0,58, com receita de US$ 1,49 bilhão, crescimento anual de 20%. O humor mudou depois que a companhia manteve projeções mais conservadoras para receita futura.


… O mercado também monitorou com cautela a estratégia da Arm de produzir seus próprios chips para data centers, passando a competir diretamente com clientes importantes como Nvidia, Qualcomm, Samsung e Apple.


… A margem operacional ajustada caiu de 53% para 49%, refletindo aumento das despesas com desenvolvimento da nova linha de produtos.


… Liderando as perdas do after, a Whirlpool desabou 16,4% depois de reverter lucro e reportar prejuízo líquido de US$ 85 milhões e queda de 9,6% da receita, para US$ 3,27 bilhões. A perda ajustada por ação ficou em US$ 0,56, frustrando a expectativa de lucro de US$ 0,38.


… Apesar disso, a companhia manteve projeção de lucro por ação entre US$ 3 e US$ 3,50 para o fechamento de 2026.


CORAÇÃO ABERTO – Se desta vez sai o acordo entre Trump e o Irã, é a pergunta que vale muitos petrodólares. Na dúvida, o mercado resolveu partir ontem para a aposta de risco de que agora vai, e o Brent entrou em queda livre.


… Nas mínimas do pregão, o barril chegou a furar o suporte psicológico dos US$ 100, embora tenha desacelerado parte do tombo até o fechamento, quando era negociado aos US$ 101,27, com perdas consistentes de 7,83%.


… Analista disse às agências internacionais que é prematuro dizer que a guerra está quase acabando. Segundo ele, o que o petróleo está precificando é a redução do risco e não necessariamente um desfecho garantido do conflito.


… Fato é que, se o petróleo continuar despencando com as novidades sobre uma potencial rodada de negociações, pode mudar todo o jogo e recalibrar as expectativas para a política monetária no cenário global e doméstico.


… Para o Fed, anteciparia um corte do juro. Para o Copom, garantiria mais um corte da Selic, ao invés de pausa no ciclo, já que um choque energético esvaziado reduziria os riscos de desancoragem das expectativas inflacionárias.


… Com o petróleo abrindo caminho para uma postura mais relaxada, os juros futuros saíram queimando prêmios.


… No fechamento, o DI para Janeiro de 2027 marcava 14,055% (de 14,148% no ajuste anterior); Jan/28, 13,605% (contra 13,824% na véspera); Jan/29, 13,520% (13,743%); Jan/31, 13,605% (13,799%); e Jan/33, 13,720% (13,869%).


… A curva operou alinhada ao Treasuries, que exibiu queda pelo segundo dia consecutivo nas taxas da Note de dois anos, a 3,871% (de 3,937%), de dez anos, a 4,353% (de 4,419%), e do T-bond de 30 anos, a 4,942% (de 4,986%).


… Posições defensivas também foram desmontadas no câmbio e o índice DXY caiu 0,43%, a 98,023 pontos. Mas o ING advertiu contra o excesso de otimismo e considerou perigoso buscar uma queda muito maior do dólar.  


… Não é a primeira vez que os mercados embarcam em uma onda de apetite por risco desencadeada pela esperança no fim da ofensiva militar e correm o risco de se frustrar. Mas, quando querem pagar para ver, ninguém segura.  


… O euro ganhou 0,46%, para US$ 1,1754, a libra subiu 0,34%, a US$ 1,3596, e o iene avançou para 156,40 por dólar.


… Semana que vem, o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, visita o Japão e se reúne com a premiê japonesa, Sanae Takaichi. A recente venda especulativa do iene, que levou à intervenção no câmbio, estará na pauta.


“SOLTEIRÃO” – Aqui, o dólar contrariou a tendência externa ontem fechou em leve alta de 0,18%, a R$ 4,9207. Dois gatilhos explicariam o descolamento: o petróleo que derreteu e acomodou o real, e o leilão do BC no câmbio.


… Causou surpresa o anúncio da operação de swap reverso de US$ 500 milhões, atuação à qual o BC não recorria há uma década. O movimento equivale à compra de dólar no mercado futuro e levantou dúvidas sobre o objetivo do BC.


… O Broadcast apurou entre os analistas de mercado que o BC aproveitou a recente maré positiva do real e o forte fluxo de recursos para o Brasil para reduzir o estoque de swaps cambiais tradicionais, acima de US$ 95 bilhões.


… Recentemente, como se sabe, o BC tem preferido recorrer ao “casadão”, pelo jargão nos negócios, com ofertas simultâneas de swaps cambiais reversos e venda de dólares à vista. Desta vez, optou pela venda “seca” de swaps.


… Mesmo diante da volatilidade no Oriente Médio e quadro doméstico desafiador, a Santander Asset Management Brasil (SAM) segue com visão construtiva para a maior parte dos ativos domésticos (o chamado “kit Brasil”).


… Na carta mensal de maio, publicada ontem, a asset informou que está com viés otimista para o real, diante do fluxo estrangeiro para os ativos locais, combinado à manutenção do diferencial de juros elevado entre Brasil e EUA.


… Outro suporte para a moeda brasileira, segundo o documento, vem da permanência do petróleo em níveis altos.


… A gestora de recursos mantém a perspectiva de continuidade do ciclo de flexibilização da taxa Selic, que deve terminar o ano em 13,25%, diante da aposta de volta gradual à normalidade dos vetores altistas da inflação.


… A continuidade do ciclo de cortes dos juros e aposta de acomodação dos riscos geopolíticos ao longo do segundo trimestre devem favorecer o desempenho das ações da bolsa brasileira, de acordo com a asset do Santander.


… A torcida por um acordo de paz com o Irã e o rali dos papéis da Vale, de 3,62%, a R$ 81,23, na volta do feriado chinês, garantiram alta de 0,50% para o Ibovespa ontem, aos 187.690,86 pontos, com giro de R$ 28,8 bilhões.


… Mesmo com o petróleo desabando, a bolsa conseguiu driblar a queda forte da Petrobras: ON, -3,77%, a R$ 51,52; e PN, -2,86%, a R$ 47,27. Entre os bancos, Itaú PN não se impressionou com o balanço e caiu 1,60%, para R$ 41,78.


… Já Bradesco PN subiu 0,42%, a R$ 19,27; BB ON ganhou 0,68%, para R$ 22,07; e Santander unit, +1,95% (R$ 29,33).


… Se mesmo sem sinais de trégua na guerra, as bolsas em Nova York já batem recordes, não encontraram obstáculos para renovar as máximas históricas ontem com a perspectiva no horizonte de que a diplomacia possa prosperar.


… No pano de fundo, o salto de quase 19% da AMD com seu balanço deu suporte ao setor de tecnologia. O índice eletrônico Nasdaq disparou 2,02%, estabelecendo o seu mais novo topo de fechamento aos 25.838,94 pontos.


… O S&P 500 (+1,46%) fechou na marca inédita dos 7.365,04 pontos. O Dow Jones deixou o bear market, caracterizado pela queda de 20% contra os picos anteriores, e subiu 1,24%, a 49.910,59 pontos, rumo aos 50 mil.


CIAS ABERTAS NO AFTER – MINERVA teve lucro líquido de R$ 87,3 milhões no 1TRI26, queda de 52,8% contra um ano antes. Receita líquida subiu 19,8%, para R$ 13,409 bilhões, enquanto o Ebitda caiu 4,6%, para R$ 1,118 bilhão.


C&A teve lucro líquido de R$ 1,7 milhão no 1TRI26, queda de 59,1% contra um ano antes. Ebitda ajustado pós-IFRS 16 ficou praticamente estável, em R$ 244,6 milhões, enquanto receita consolidada cresceu 0,5%, a R$ 1,619 bilhão…


… A empresa aprovou programa de recompra de até 10 milhões de ações ordinárias, equivalente a 4,9% das ações em circulação.


RIACHUELO reverteu prejuízo e teve lucro líquido de R$ 5 milhões no 1TRI26. Receita líquida cresceu 6,7%, para R$ 2,3 bilhões, e Ebitda consolidado ajustado avançou 14,1%, para R$ 268 milhões.


VULCABRAS teve lucro líquido de R$ 80,1 milhões no 1TRI26, queda de 24,5% contra um ano antes. Receita líquida cresceu 10,7%, para R$ 776,5 milhões.


VIVARA aprovou novo programa de recompra de até 12,3 milhões de ações ordinárias, equivalente a 10% dos papéis em circulação. O programa terá duração até 6 de maio de 2027.


COGNA teve lucro líquido de R$ 141,4 milhões no 1TRI26, alta de 48,7% contra um ano antes. Receita líquida totalizou R$ 2,1 bilhões, incremento de 31,9%, e Ebitda recorrente aumentou 22,2%, para R$ 679,6 milhões.


ÂNIMA EDUCAÇÃO teve lucro líquido de R$ 106,2 milhões no 1TRI26, alta de 11% contra um ano antes. Ebitda ajustado totalizou R$ 375,9 milhões, avanço de 4,3%, e receita líquida cresceu 7,7%, para R$ 1,120 bilhão.


VITRU EDUCAÇÃO teve lucro líquido de R$ 794,7 milhões no 1TRI26, 16 vezes superior ao registrado um ano antes. Receita líquida consolidada cresceu 6,1%, para R$ 579,2 milhões, e Ebitda ajustado subiu 16%, a R$ 235,1 milhões.


ULTRAPAR teve lucro líquido de R$ 914 milhões no 1TRI26, alta de 152% contra um ano antes. Receita líquida cresceu 10%, para R$ 36,752 bilhões, e Ebitda ajustado recorrente aumentou 96%, para R$ 2,320 bilhões.


VIBRA registrou lucro líquido de R$ 1,613 bilhão no 1TRI26, salto de 168% contra um ano antes. Ebitda ajustado alcançou R$ 3,204 bilhões, alta de 58%, e receita líquida somou R$ 48,251 bilhões, crescimento de 7%.


BRAVA ENERGIA reverteu lucro e fechou o 1TRI26 com prejuízo de R$ 350 milhões. Ebitda ajustado somou R$ 1,628 bilhão, alta de 52%, e receita líquida cresceu 9%, para R$ 3,1 bilhões.


AXIA reverteu prejuízo e reportou lucro líquido de R$ 2,631 bilhões no 1Tri do ano. O Ebitda regulatório ajustado antes de participações societárias somou R$ 8,162 bilhões, 7,6% abaixo da projeção no Broadcast…… Já a receita líquida de R$ 11,618 bilhões no trimestre ficou 8,18% abaixo das estimativas dos analistas…


… A companhia anunciou início de processo de sucessão a partir de 1º de junho…


… Ivan Monteiro permanecerá no cargo de diretor-presidente até 30 de abril de 2027. O executivo completou 65 anos em novembro passado e, pelo estatuto, não pode ter seu mandato renovado após o ano que vem.


AUREN ENERGIA reverteu lucro e teve prejuízo líquido de R$ 601,6 milhões no 1TRI26. Receita líquida somou R$ 3,074 bilhões, alta de 4,1%, enquanto o Ebitda ajustado caiu 23,2%, para R$ 925,9 milhões.


TAESA registrou lucro líquido regulatório de R$ 192,6 milhões no 1TRI26, alta de 2,3% contra um ano antes…


… Ebitda regulatório chegou a R$ 562,1 milhões, crescimento de 10,3%, e receita operacional líquida regulatória somou R$ 655,5 milhões, alta de 9,6%.


REDE D’OR. O lucro líquido ajustado somou R$ 1,20 bilhão no 1Tri26, superando a projeção no Broadcast de R$ 1,067 bilhão. O Ebitda consolidado alcançou R$ 2,97 bilhões, também acima da estimativa de R$ 2,632 bilhões…


… Já a receita líquida de R$ 14,56 bilhões no trimestre ficou em linha com o esperado pelos analistas.


PANVEL teve lucro líquido ajustado de R$ 38,5 milhões no 1TRI26, alta de 38,1% contra um ano antes. Ebitda ajustado avançou 25,6%, para R$ 81,2 milhões, e receita bruta consolidada somou R$ 1,57 bilhão (+15,8%).


PROFARMA reverteu lucro e teve prejuízo líquido de R$ 1,7 milhão no 1TRI26. Receita líquida cresceu 6%, para R$ 2,87 bilhões, enquanto o Ebitda ajustado avançou 12%, para R$ 64,7 milhões.


CBA teve lucro líquido de R$ 341 milhões no 1TRI26, alta de 1,8% contra um ano antes. Receita líquida totalizou R$ 2,3 bilhões, queda de 1,3%, enquanto o Ebitda ajustado subiu 8%, para R$ 466 milhões.


SMARTFIT teve lucro líquido de R$ 203,5 milhões no 1TRI26, alta de 45% contra um ano antes. Receita líquida somou R$ 2,1 bilhões, aumento de 25%, e Ebitda ajustado avançou 29%, para R$ 672 milhões.


MATER DEI teve lucro líquido de R$ 36,3 milhões no 1TRI26, alta de 79,8% contra um ano antes. Ebitda consolidado aumentou 34,6%, para R$ 130 milhões, e receita líquida consolidada cresceu 15,1%, para R$ 575 milhões.


TOTVS teve lucro líquido de R$ 228,8 milhões no 1TRI26, alta de 17,5% contra um ano antes. Em termos ajustados, o lucro foi de R$ 252 milhões, avanço de 17%…


… Receita líquida totalizou R$ 1,6 bilhão, aumento de 15,6%, e Ebitda ajustado subiu 24%, para R$ 455 milhões.


INTELBRAS teve lucro líquido de R$ 153 milhões no 1TRI26, alta de 148,5% contra um ano antes. Receita operacional líquida cresceu 20,6%, para R$ 1,11 bilhão, e Ebitda aumentou 92,6%, para R$ 156,2 milhões.


LAVVI teve lucro líquido de R$ 69,9 milhões no 1TRI26, queda de 20% contra um ano antes. Receita líquida subiu 11%, para R$ 373 milhões, enquanto o Ebitda ajustado caiu 17%, para R$ 82,8 milhões…


… A companhia pagará R$ 30 milhões em dividendos no próximo dia 15, equivalentes a R$ 0,15350 por ação.


GAFISA concluiu a venda do projeto Sense Icaraí para a Soter.


MILLS teve lucro líquido de R$ 197 milhões no 1TRI26, quase três vezes superior ao registrado um ano antes, refletindo reconhecimento de créditos fiscais extemporâneos. Receita líquida cresceu 11,8%, para R$ 461,2 milhões.


VAMOS teve lucro líquido de R$ 86,6 milhões no 1TRI26, queda de 19,7% contra um ano antes. Receita líquida consolidada cresceu 21,6%, para R$ 1,620 bilhão, enquanto o Ebitda avançou 7,3%, para R$ 951,3 milhões.


ECORODOVIAS. Volume de tráfego consolidado cresceu 5,1% em abril ante um ano antes, para 64.670 veículos.


FRAS-LE teve lucro líquido de R$ 44,1 milhões no 1TRI26, queda de 34,9% contra um ano antes. Receita líquida recuou 6,1%, para R$ 1,25 bilhão, e Ebitda caiu 19,7%, para R$ 209,7 milhões.


MAHLE METAL LEVE teve lucro líquido de R$ 214,2 milhões no 1TRI26, alta de 34,9% contra um ano antes. Receita líquida caiu 0,8%, para R$ 1,256 bilhão, enquanto o Ebitda aumentou 5,2%, para R$ 249,4 milhões.


DEXCO teve lucro líquido de R$ 71,9 milhões no 1TRI26, alta de 22,7% contra um ano antes. Ebitda ajustado e recorrente consolidado cresceu 38,3%, para R$ 477,9 milhões, e receita consolidada avançou 6,1%, a R$ 2,01 bilhões.


ESPAÇOLASER teve lucro líquido de R$ 11,9 milhões no 1TRI26, queda de 2% contra um ano antes. Receita líquida ajustada somou R$ 290,2 milhões, alta de 0,2%, enquanto o Ebitda ajustado caiu 5,1%, para R$ 76,1 milhões.


DAYCOVAL teve lucro líquido recorrente de R$ 434,6 milhões no 1TRI26, queda de 8,1% contra um ano antes.


COMPASS, da Cosan, tem demanda forte para IPO e oferta deve somar R$ 2,9 bilhões, segundo fontes do Valor. A ação será precificada hoje. A oferta pública marcará o fim de um jejum de quase cinco anos na bolsa brasileira.

quarta-feira, 6 de maio de 2026

Emigração de brasileiros

 *Brasileiros encontram novas oportunidades no exterior diante da escassez global de mão de obra qualificada*


O texto detalha o crescimento da demanda por profissionais altamente qualificados nos Estados Unidos, especialmente em setores como tecnologia, saúde e engenharia, impulsionada por avanços tecnológicos e envelhecimento populacional. Apesar de políticas migratórias mais rígidas, há uma grande oportunidade para brasileiros, que podem utilizar vistos como EB-2 NIW, H-1B e O-1 para ingressar no mercado de trabalho americano. Cada visto possui características específicas: o EB-2 NIW oferece residência permanente sem oferta formal de trabalho, o H-1B é uma porta de entrada típica para tecnologia, e o O-1 é destinado a indivíduos com habilidades extraordinárias. Para se destacar, os profissionais devem demonstrar impacto, produção acadêmica, reconhecimento e experiência internacional, além de montar um perfil estratégico. A crescente presença brasileira em áreas estratégicas e a expansão do trabalho remoto facilitam o acesso a oportunidades globais, tornando a internacionalização uma estratégia de carreira fundamental. O momento atual favorece esse movimento, desde que os profissionais estejam bem preparados e orientados, com o objetivo de aproveitar uma janela de oportunidades que deve se manter nos próximos anos, devido à alta demanda por talentos qualificados.


Fonte: https://valor.globo.com/patrocinado/pressworks/noticia/2026/05/06/brasileiros-encontram-novas-oportunidades-no-exterior-diante-da-escassez-global-de-mao-de-obra-qualificada-1.ghtml


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BDM Matinal Riscala

 *Bom Dia Mercado*


Quarta Feira,06 de Maio de 2.026.


*Trégua ajuda, com balanços no radar*


… O mercado inicia a quarta-feira tentando sustentar o alívio da véspera, com os sinais de distensão tática na guerra no Oriente Médio e queda do petróleo, mas ainda sem alterar o cenário estrutural. O pano de fundo segue sendo de cautela para inflação e política monetária. Aqui, a ata do Copom reforçou um tom mais duro e dependente de dados, mantendo em aberto o ritmo de cortes da Selic. Na agenda de hoje, destaque para a repercussão do balanço do Itaú, a expectativa para Bradesco, após o fechamento, e, em Nova York, o salto de mais de 16% da AMD no after hours. Entre os indicadores, mais um relatório de emprego, a pesquisa ADP, será divulgado nos Estados Unidos.


TRÉGUA SEGURA PETRÓLEO –O mercado voltou a ensaiar um alívio após as tensões da véspera, com autoridades americanas reiterando a manutenção do cessar-fogo com o Irã e indicando uma mudança de estratégia no conflito.


… Os Estados Unidos afirmaram que a fase ofensiva da guerra foi encerrada e que o foco agora passa a ser a proteção da navegação no Estreito de Ormuz. Na prática, porém, o cenário segue longe de uma normalização.


… Mesmo com a criação de um corredor protegido — o “Projeto Liberdade” — e a travessia pontual de navios com escolta americana, novos incidentes foram registrados na região, incluindo um cargueiro atingido no estreito.


… O movimento ganhou novo capítulo no fim do dia, após o presidente Trump anunciar a pausa da “Operação Liberdade”, citando “grande progresso” nas negociações com o Irã e atendendo a pedidos de países aliados.


… Apesar do sinal de distensão, o próprio governo americano reconhece que o bloqueio segue em vigor, com mais de 1.500 embarcações presas no Golfo Pérsico – evidenciando o grau de disrupção ainda em curso e reforçando que o fluxo global de energia continua comprometido.


… O presidente Trump segue adotando tom ambíguo, evita classificar ações iranianas como violação do cessar-fogo, enquanto alterna sinais de negociação com ameaças diretas. Já o secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou que os objetivos militares foram alcançados.


… Esse pano de fundo ajuda a explicar o comportamento do petróleo: a commodity até recuou 4%, diante do alívio tático no risco, mas permanece acima de US$ 100 o barril, preservando o choque inflacionário no radar global.


… Do lado iraniano, porém, o presidente Masoud Pezeshkian voltou a classificar as exigências americanas como “impossíveis”, reforçando o impasse nas negociações. A leitura dominante, portanto, é de um alívio sem convicção.


… A tentativa americana de “encerrar” a fase militar reduz o prêmio de risco no curto prazo, mas não resolve o impasse estrutural.


TOM MAIS DURO REFORÇA CAUTELA – A ata do Copom divulgada nesta terça-feira reforçou a leitura de um Banco Central mais cauteloso, ao dar maior peso à deterioração do cenário inflacionário e à desancoragem das expectativas de longo prazo.


… O cenário segue condicionado à evolução da guerra no Oriente Médio, com o choque de energia sendo o principal vetor de risco para a inflação e, consequentemente, para o ritmo de flexibilização monetária.


… O documento trouxe elementos levemente mais hawkish do que o comunicado, com destaque para a piora nas expectativas mais longas, especialmente para 2028, e para a reafirmação do compromisso de combater efeitos de segunda ordem do choque de petróleo.


… Na prática, o Copom deixou o plano de voo em aberto, reforçando que os próximos passos dependerão dos dados, sem compromisso com cortes contínuos — o que abriu espaço, ainda que minoritário, para apostas em pausa no ciclo.


… Apesar disso, a leitura majoritária dos economistas do mercado segue sendo de continuidade no ritmo de cortes de 0,25 ponto porcentual, cenário-base para 34 de 39 instituições consultadas pelo Projeções Broadcast.


… As medianas para a Selic permaneceram inalteradas ao longo de 2026, com taxa projetada em 13,25% no fim do ano, mas houve leve alta na expectativa para 2027, indicando um juro terminal mais elevado do que o previsto no início do ciclo.


… O tom mais duro da ata também fez preço na curva de juros, com maior fechamento no miolo e resistência na ponta longa, refletindo a percepção de que os cortes devem ser mais limitados à frente (leia mais abaixo).


MINERAIS CRÍTICOS – O projeto que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos enfrenta resistência dentro da própria base do governo Lula, com críticas ao parecer do deputado Arnaldo Jardim, considerado “genérico” e sujeito a ajustes.


… Técnicos da base articulam emendas ao texto, questionando a definição ampla de minerais críticos, que poderia incluir produtos não estratégicos, como minério de ferro, e ampliar excessivamente o alcance da política.


… O setor também pressiona por mudanças, defendendo a retirada do poder de veto do governo sobre operações societárias, com a proposta de que transações passem a exigir apenas comunicação prévia ao comitê responsável.


… Outra frente de crítica envolve a discussão sobre limites ao capital estrangeiro no setor, com entidades alertando que a medida pode afastar investimentos e comprometer o desenvolvimento da mineração no País.


… Há ainda questionamentos sobre a tentativa de fixar em lei a definição de minerais críticos e estratégicos, o que, segundo o setor, pode engessar a adaptação às mudanças tecnológicas e de mercado.


… Diante das divergências, a Câmara encerrou a sessão sem avançar na leitura do relatório, e o relator segue negociando ajustes com as bancadas, com votação prevista para esta quarta-feira.


PACOTE DE BONDADES – O secretário executivo da Fazenda, Rogério Ceron, afirmou em entrevista ao Valor que o governo avalia novas políticas de crédito para alcançar públicos além dos contemplados pelo novo Desenrola.


… Entre as frentes em análise está um conjunto de medidas voltado a pessoas altamente endividadas, mas ainda adimplentes. “Isso é importante para também não gerar um incentivo para ficar inadimplente”, disse o secretário.


CURTAS DA POLÍTICA – O presidente da CCJ do Senado, Otto Alencar, adiou a votação da PEC da autonomia orçamentária do BC, prevista para hoje, após decisão de Davi Alcolumbre de adotar sessões semipresenciais, argumentando que a proposta exige análise presencial.


… O governo recorreu da decisão do TCU que suspendeu novos empréstimos consignados do INSS, pedindo a retomada da modalidade com desconto em folha e mantendo a restrição às demais – cartão de crédito consignado e cartão consignado de benefício.


… O presidente Lula da Silva deve anunciar na próxima semana a liberação de R$ 960 milhões para segurança pública dentro do programa Brasil contra o Crime Organizado. Pesquisas mostram que o tema é prioridade para o eleitor brasileiro.


… Ainda na agenda eleitoral, o CMN aprovou medidas para ampliar o crédito em programas do governo, reduzindo juros e alongando prazos do Reforma Casa Brasil e regulamentando o Move Brasil, voltado à renovação da frota de transporte.


… A comissão especial da PEC do fim da escala 6×1 vai ouvir Rogério Marinho, Dario Durigan, Guilherme Boulos e Gabriel Galípolo. O relator da comissão, Leo Prates, prevê leitura do parecer no dia 20 e votação no colegiado no dia 26.


… Com a viagem de Lula aos Estados Unidos, a reunião extraordinária do CNPE, agendada para esta semana, foi adiada para dia 11 e deve discutir o aumento da mistura de etanol na gasolina de 30% para 32%, além de mudanças na política de comercialização do gás natural.


… Lula embarca para Washington hoje à tarde (13h) para se encontrar com o presidente Trump na Casa Branca, nesta quinta-feira, 7.


MAIS AGENDA –A quarta-feira tem como principal destaque a atuação do Banco Central no câmbio (9h20), com leilão de até 10 mil contratos de swap cambial reverso, equivalente a US$ 500 milhões, além da divulgação do fluxo cambial semanal à tarde (14h30).


… No campo político-econômico, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, participa pela manhã (8h) do programa “Bom dia, Ministro”, em meio à discussão sobre medidas de renegociação de dívidas – que, para os críticos, tem caráter eleitoreiro.


… No exterior, o foco recai sobre indicadores de atividade e mercado de trabalho, com a bateria de PMIs de serviços na Europa ao longo da madrugada e o relatório ADP de empregos no setor privado dos Estados Unidos (9h15), que antecede o payroll de sexta-feira.


… A previsão para a pesquisa ADP é de que tenham sido criados 108 mil empregos em abril, acima de março (+62 mil).


… A agenda internacional também inclui estoques de petróleo nos Estados Unidos (11h30) e a fala do dirigente do Fed Austan Goolsbee (14h).


… Entre bancos centrais, o destaque fica para a decisão de política monetária do Banco Central do México (16h) e a ata do Banco do Japão (20h50), enquanto os mercados em Tóquio permaneceram fechados por mais um dia, em razão de feriado.


CHINA HOJE – O PMI de serviços medido pelo setor privado subiu para 52,6 em abril, de 52,1 em março. O indicador veio levemente acima da projeção de analistas, de 52,5. O PMI composto passou de 51,5 para 53,1 no período.


BALANÇOS –A divulgação dos resultados do Bradesco, após o fechamento, é o principal destaque entre os eventos corporativos, em um dia que também traz a repercussão do balanço do Itaú Unibanco. O banco realiza teleconferência com analistas às 10h.


… O Itaú reportou ontem à noite lucro líquido gerencial de R$ 12,28 bilhões no primeiro trimestre, em linha com as projeções do mercado, em um resultado marcado por maior cautela na concessão de crédito e crescimento mais moderado.


… A estratégia mais conservadora ajudou a manter a inadimplência acima de 90 dias sob controle, em 1,9%, mesmo em um ambiente mais desafiador, com o banco reforçando o discurso de disciplina, diante das incertezas macro e geopolíticas.


… A reação no after hours de Nova York foi de leve alta (+0,23%), com os ADRs refletindo a ausência de surpresas no balanço.


… Para o Bradesco, as expectativas são de continuidade na recuperação gradual da lucratividade, dentro do plano liderado pelo CEO, Marcelo Noronha. A mediana das projeções consultadas pelo Prévias Broadcast aponta para lucro líquido de R$ 6,588 bilhões no 1TRI.


… Se confirmado, o resultado representará alta de 14% na comparação anual e avanço de 2,6% frente ao quarto trimestre.


… Antes da abertura, a Klabin divulga resultados do primeiro trimestre. Já após o fechamento, além do Bradesco, saem os números de SmartFit, Axia Energia, Vibra Energia, Dexco, Minerva Foods, Riachuelo, Brava Energia, Auren Energia, Cogna, CBA, Taesa e Totvs.


… No exterior, a agenda de balanços também é movimentada. Na Europa, a Lufthansa divulga resultados antes da abertura, enquanto, nos Estados Unidos, a Walt Disney e a Restaurant Brands International reportam números antes do pregão. Após o fechamento, é a vez da Whirlpool.


AMD – Depois de uma reação inicial negativa, a ação da Advanced Micro Devices inverteu o sinal e brilhou no after hours, com alta de 16,5%, refletindo os resultados acima do esperado no primeiro trimestre e guidance forte para o período atual.


… A companhia reportou lucro líquido de US$ 1,4 bilhão, alta de 95% na comparação anual, com lucro por ação de US$ 1,37 – acima da expectativa de US$ 1,29. A receita somou US$ 10,3 bilhões, superando as projeções e puxada pelo segmento de data center, que avançou 57%.


… Para o segundo trimestre, a AMD projeta receita em torno de US$ 11,2 bilhões, também acima do consenso de mercado, reforçando a leitura de demanda ainda aquecida por chips voltados à inteligência artificial.


DOUROU A PÍLULA – A rigor, pouco ou nada mudou em 24 horas no cenário da guerra, que continua transmitindo a sensação de incerteza. O que mudou foi o humor dos mercados globais, dispostos ontem a descontar os riscos.


… Os negócios ignoraram os comentários do Irã de que as demandas de Trump para o fim do conflito continuam “impossíveis e inalcançáveis” e os relatos de novos ataques aos Emirados Árabes Unidos, atribuídos aos iranianos.


… Os investidores pegaram como pretexto para a melhora a garantia do governo de Washington de que o cessar-fogo continua em pé e que o Irã ainda não ultrapassou a linha vermelha de atacar navios sob proteção americana.


… Ressignificando o clima que insegurança que persiste, o petróleo devolveu parcialmente o salto de quase 6% do pregão anterior, com o contrato do Brent para julho caindo 3,99%, mas ainda próximo dos US$ 110, a US$ 109,87.


… Apesar de o barril ter se ajustado em queda, o real subiu, porque o petróleo continua valendo três dígitos e porque foi uma boa notícia para o diferencial de juros a ata do Copom não ter descartado pausa no ciclo de queda da Selic.


… Esta perspectiva de que a taxa básica de juro possa nem cair em junho, ou, se cair, caia pouco (0,25 ponto), foi decisiva para a moeda brasileira emplacar nesta terça-feira a melhor performance entre as divisas emergentes.


… O dólar à vista fechou em baixa firme de 1,12%, perto da faixa de R$ 4,90, cotado a R$ 4,9119. Traders relataram ao Broadcast terem identificado entrada de fluxo estrangeiro para a bolsa, o que favoreceu o alívio no câmbio.


… Abril terminou com entrada de R$ 3,1 bilhões em capital externo na B3, elevando o acumulado do ano para R$ 56,5 bilhões, embora o fôlego do apetite dos investidores gringos pelo Brasil venha diminuindo nas últimas semanas.


… Na quinta-feira antes do feriado do 1º de Maio, houve fuga de R$ 1,7 bilhão em k estrangeiro da B3. Nada disso, porém, tem abalado o real, que começou este mês caindo, caiu em abril (-4,36%) e cai bastante no ano (-10,51%).


… Mesmo quando se imaginava, meses atrás, que o Copom poderia promover cortes de meio ponto da taxa Selic quando abrisse o ciclo de cortes, o investidor nunca deixou de confiar na manutenção da atratividade do carry trade.


… Mas agora que a guerra colocou no radar até mesmo a chance de pausa no juro, tudo ficou ainda mais atraente. O novo quadro coloca em xeque as evidências de que a rotação de ativos para os emergentes estava se esgotando.


LEU A ATA – Chamou atenção o fato de a ponta longa da curva dos juros futuros ter caído ontem em menor intensidade do que o trecho intermediário, em sinal de que o mercado não projeta tanto espaço para a Selic cair.


… O DI está dizendo que o BC pode ir só até 13,25% ou 13,00% com o relaxamento monetário, diante do choque energético prolongado pela guerra, que está durando tempo demais e adiciona pressão às expectativas de inflação.


… Depois do estresse da véspera, os juros futuros testaram uma correção, mas caíram menos do que haviam subido.


… No fechamento, o DI para Janeiro de 2027 marcava 14,140% (de 14,209% no ajuste anterior); Jan/28, 13,840% (contra 13,965%); Jan/29, 13,765% (de 13,859%); Jan/31, 13,825% (de 13,879%); e Jan/33, 13,895% (de 13,919%).


… A curva seguiu a acomodação das taxas dos Treasuries. Um dia após romper 5%, o yield do T-Bond de 30 anos voltou para 4,986% (de 5,019%). O de dois anos caiu a 3,937% (de 3,954%) e o de 10 anos, a 4,419% (de 4,440%).


… No câmbio, as oscilações foram marginais, com o índice DXY em leve alta de 0,1%, a 98,444 pontos. O iene caiu para 157,91 por dólar e o euro (+0,06%, a US$ 1,1698) e a libra (+0,08%, a US$ 1,3544) operaram estáveis.


… Os ganhos da libra são limitados pelas turbulências políticas no Reino Unido. O mercado prevê que o partido da situação (Trabalhista) possa se dar mal nas eleições, desencadeando disputa pela liderança do cargo de premiê.


… Como se não houvesse guerra, as bolsas americanas continuam escrevendo seus recordes na história, em meio à temporada dos balanços. O S&P 500 avançou 0,81% e estabeleceu a máxima inédita aos 7.259,22 pontos.


… O Nasdaq subiu 1,03%, ao pico de todos os tempos (25.326,13 pontos). O Dow Jones ganhou 0,73% (49.298,25).


… Aqui, metade do ganho do Ibovespa veio do rali dos papéis da Ambev, que dispararam 15,30%, na maior alta porcentual da história do papel, depois de o balanço ter superado as expectativas pelo terceiro trimestre seguido.


… O índice à vista da bolsa doméstica fechou em alta de 0,62%, aos 186.753,82 pontos, com giro de R$ 26 bilhões.


… As blue chips das commodities fecharam no vermelho, mas os bancos deram o contraponto. Bradesco PN subiu 1,59% (R$ 19,19), Santander avançou 0,74% (R$ 28,77), Itaú PN ganhou 0,14% (R$ 42,46) e BB, +0,05% (R$ 21,92).


… Tanto Petrobras PN (R$ 48,66) quanto ON (R$ 53,54) recuaram 1,38%, reagindo ao recuo do petróleo. A Vale também terminou em baixa moderada de 0,34%, a R$ 78,39, sem a referência do minério na China, que volta hoje.


CIAS ABERTAS NO AFTER – PRIO teve lucro líquido de US$ 460 milhões no 1TRI26, alta de 33% contra um ano antes. Receita líquida avançou 60%, para US$ 1,115 bilhão, e Ebitda subiu 90%, para US$ 822 milhões.


BRASKEM informou que vendas de principais químicos no País caíram 2% no 1TRI26, a 622 mil toneladas…


… A empresa também divulgou que acordo de acionistas entre Petrobras e FIP garantirá direito de indicação, por ambas, de número igual de membros para o colegiado e para a diretoria estatutária.


RAÍZEN. A Securitizadora Opea convocou assembleia de detentores de CRAs para hoje e amanhã para deliberar termos econômico-financeiros do plano de recuperação extrajudicial.


BNDES/BNDESPAR. Moody’s reafirmou ratings em Ba1, com perspectiva estável.


BRB. Bruno de Oliveira Watanabe tomou posse como diretor executivo de Atacado e Governo.


BMG teve lucro líquido recorrente de R$ 147 milhões no 1TRI26, alta de 28% contra um ano antes.


AGIBANK teve lucro líquido recorrente de R$ 186,5 milhões no 1TRI26, queda de 47,7% na comparação anual, enquanto receita cresceu 23,6%, para R$ 2,997 bilhões.


AXIA ENERGIA encerrou prazo de recesso no processo de migração para o Novo Mercado.


COPEL teve lucro líquido de R$ 694 milhões no 1TRI26, alta de 4,4% contra um ano antes. Ebitda cresceu 9,9%, para R$ 1,9 bilhão, e receita líquida recorrente somou R$ 6,9 bilhões, avanço de 19,2%.


ALLOS anunciou pacote de transações envolvendo venda da participação de 49% no Shopping Curitiba por R$ 193,7 milhões, aumento de fatia no Amazonas Shopping e permuta de ativos.


MULTIPLAN. Squadra passou a deter 5,01% do total de ações ordinárias.


IGUATEMI teve lucro de R$ 239,5 milhões no 1TRI26, salto de 110% contra um ano antes. Ebitda ajustado somou R$ 405,2 milhões, crescimento de 65,9%, e receita líquida totalizou R$ 361 milhões, alta de 14,5%.


RD SAÚDE teve lucro ajustado de R$ 299,8 milhões no 1TRI26, alta de 69,2% contra um ano antes. Ebitda ajustado subiu 31,7%, para R$ 820,8 milhões, e receita líquida avançou 14%, para R$ 10,568 bilhões.


KORA SAÚDE teve plano de recuperação extrajudicial aprovado pela Justiça.


GPA concluiu renegociação de dívida com apoio de 57% dos credores, com redução estimada de mais de R$ 2 bilhões no endividamento.


C&A teve lucro líquido de R$ 1,7 milhão no 1TRI26, queda de 59,1% contra um ano antes. Receita líquida consolidada avançou 0,5%, para R$ 1,619 bilhão…


… A empresa aprovou recompra de até 10 milhões de ações ON, equivalentes a 4,9% das ações em circulação.


VULCABRAS teve lucro líquido de R$ 80,1 milhões no 1TRI26, queda anual de 24,5%, e receita de R$ 776,5 milhões, alta de 10,7%.


CVC aprovou dispensa de OPA e novo acordo de acionistas entrou em vigor.


LATAM teve lucro de US$ 576 milhões no 1TRI26, alta de 62,1% contra um ano antes. Demanda subiu 13%, capacidade cresceu 10,4% e taxa de ocupação ficou em 85,3%.


TIM teve lucro líquido normalizado de R$ 821 milhões no 1TRI26, 12,8% abaixo do previsto pelos analistas no Broadcast. Receita líquida de R$ 6,806 bilhões e Ebitda de R$ 3,287 bilhões ficaram em linha com o esperado.


TENDA teve lucro líquido consolidado de R$ 183,4 milhões no 1TRI26, alta de 114,5% contra um ano antes. Receita líquida somou R$ 1,184 bilhão, aumento de 36,9%, e Ebitda ajustado atingiu R$ 256,7 milhões (+67,9%).


JSL teve prejuízo líquido de R$ 145 milhões no 1TRI26, ante lucro de R$ 32 milhões um ano antes. Receita líquida cresceu 2,3%, para R$ 2,37 bilhões, enquanto Ebitda caiu 34,6%, para R$ 297 milhões…


COTY teve prejuízo de US$ 411,4 milhões no terceiro trimestre fiscal de 2026, ante perda de US$ 409 milhões um ano antes. Receita caiu 1%, para US$ 1,3 bilhão.

terça-feira, 5 de maio de 2026

Cenário macro BTG 04/26

 🌎 Brasil — Cenário Macro: Abril de 2026 | BTG 


Cenário global 

O pano de fundo segue condicionado pelo conflito no Oriente Médio, que já dura mais de um mês e paralisou completamente o fluxo de navios pelo Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de 20% do petróleo global. O choque energético levou o barril ao maior nível desde 2022 e deve pressionar a inflação ao longo do ano. Para os EUA, o BTG vê poucos fundamentos para cortes de juros em 2026 — o Fed já estava sem espaço antes do choque, e o núcleo de serviços segue resiliente. Na Europa, o risco é mais agudo dado a dependência de importações energéticas, e o BCE não descarta alta de juros. Na China, os dados do início do ano vieram mais fortes, mas com influência sazonal do Ano Novo Lunar; a demanda doméstica permanece fraca e dependente do setor público.


Setor externo 

O Brasil está relativamente bem posicionado por ser exportador líquido de petróleo. O BTG elevou a projeção de superávit comercial (MDIC) de US$ 75 bi para US$ 90 bi em 2026, com o superávit de petróleo e derivados atingindo recorde de US$ 48 bi, suportado por produção de ~4,1 mb/d e preços elevados. O déficit em transações correntes foi revisado de 2,8% para 2,3% do PIB. A projeção de câmbio permanece em R$ 5,20/US$ ao fim de 2026 — a melhora dos termos de troca compensa o ambiente externo mais adverso.


Política fiscal 

O impacto líquido do petróleo sobre as contas públicas segue positivo. O déficit primário do setor público foi revisado de R$ 57 bi para R$ 49 bi (0,4% do PIB) em 2026. Pelo critério ajustado, o BTG projeta superávit de R$ 25 bi, próximo ao centro da meta. Foram incorporadas R$ 25,7 bi em medidas de suavização de combustíveis — subvenção ao diesel, zeragem de PIS/Cofins e subsídios à importação. A dívida bruta foi revisada de 81,7% para 81,4% do PIB em 2026.


Atividade econômica 

Os dados do início do ano reforçam o cenário de reaceleração no 1S26, com crescimento disseminado — destaque para comércio e indústria de transformação. O mercado de trabalho segue aquecido, com nova mínima do desemprego e aceleração da massa salarial real. O BTG mantém projeção de PIB de 1,7% em 2026, com impulso fiscal positivo mais do que compensando a política monetária ainda contracionista.


Inflação 

O processo de desinflação dá sinais de estabilização. As surpresas recentes vieram de itens voláteis — passagem aérea, alimentos in natura e proteínas —, além da forte alta dos combustíveis na bomba sem reajuste formal da Petrobras. Serviços subjacentes permanecem acima do nível compatível com a meta. O BTG revisou o IPCA de 4,1% para 4,7% em 2026 e de 3,8% para 4,1% em 2027, com risco assimétrico para cima.


Política monetária 

O Copom iniciou o ciclo de cortes em março com 25 pb. O BTG vê continuidade gradual — cortes de 25 pb nas próximas reuniões —, mas revisou a Selic terminal de 12,0% para 13,0% ao fim de 2026. O choque de petróleo é tratado como oferta exógena: o BC pode acomodar os efeitos de primeira ordem, mas não pode permitir a propagação via núcleos, salários e expectativas desancoradas. O risco de um ciclo menor é relevante caso o conflito se prolongue.


✅ Visão BTG O Brasil apresenta posicionamento relativo favorável entre emergentes — exportador líquido de energia, fiscal em melhora e câmbio estável. O principal risco doméstico é a persistência inflacionária via serviços e combustíveis, que limita o ritmo de afrouxamento monetário. Selic terminal revisada para 13,0% ao fim de 2026.


Confira o relatório completo: https://l.btgpactual.com/4dr9WOQ



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BDM Matinal Riscala

 *Rosa Riscala: Guerra estressa juros e coloca Copom à prova*


… A ata do Copom, que sai daqui a pouco (8h), ganha um peso adicional após o estresse observado na curva de juros, em meio à nova disparada do petróleo e à deterioração do cenário geopolítico. O documento será lido à luz de um mercado que já recalibrou expectativas, e quer entender se a guerra sem horizonte no Oriente Médio pode interromper o ciclo de quedas da Selic. Nos Estados Unidos, onde investidores já especulam com uma alta do juro, são importantes na agenda dois índices de atividade e o relatório Jolts, com abertura de vagas. No calendário de balanços da B3, divulgam resultados a Ambev, antes da abertura, e Itaú Unibanco, após o fechamento da Bovespa.


GUERRA SEM FIM –A troca de ataques entre Estados Unidos e Irã no Golfo Pérsico reacendeu o risco de escalada e colocou em xeque a trégua que vinha sendo mantida nas últimas semanas.


… Houve novos episódios envolvendo drones, mísseis e embarcações no Estreito de Ormuz, com impactos também sobre os Emirados Árabes Unidos. Um ataque de drone provocou incêndio numa zona petrolífera em Fujairah, reforçando o risco sobre a infraestrutura energética.


… O aumento das tensões levou a uma nova disparada do petróleo, com o Brent voltando a se aproximar de US$ 115, refletindo o risco de interrupção prolongada da oferta. O Estreito de Ormuz segue como ponto central do conflito.


… Restrições ao tráfego marítimo e a avaliação de que a passagem pode permanecer comprometida por mais tempo projetam um cenário difícil.


… Apesar de declarações pontuais sobre negociações, o cenário é de impasse e dificuldade de retomada de acordo entre Washington e Teerã.


… A escalada já contamina outros ativos, com alta dos juros dos Treasuries e fortalecimento do dólar, em meio à revisão das expectativas para a política monetária nos Estados Unidos (leia abaixo mais sobre os mercados).


… Avaliações no mercado apontam para um conflito mais longo, intercalando episódios de tensão e impacto sobre energia, inflação e juros.


O TOM DA ATA – A escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã, que levou a uma forte abertura das taxas dos Treasuries e dos juros na B3, nesta segunda-feira, pode deixar a sensação de que a ata do Copom está com a validade vencida.


… Considerando a súbita piora do ambiente, o mercado já começa a cogitar uma pausa nos cortes na próxima reunião, em junho.


… Mais do que apenas obter detalhes sobre a composição da inflação, em meio aos desdobramentos do choque de energia e uma certa resiliência da atividade, investidores vão observar a gravidade com o Banco Central tratará o tema da guerra.


… O mercado segue incorporando o efeito da guerra em suas projeções de inflação, que tiveram novo recrudescimento no Boletim Focus, com a mediana para o IPCA deste ano subindo pela oitava semana seguida, de 4,86% a 4,89%, contra 4,6% da previsão do BC.


… O Copom também deve explicações sobre os motivos que levaram os diretores a manter o corte de 0,25 ponto, apesar de ter elevado sua projeção de inflação no 4TRI/2027, atual horizonte relevante da política monetária, de 3,3% para 3,5% – ainda mais longe da meta.


… O documento sempre pode argumentar o que Galípolo vem repetindo, que o conservadorismo do BC levou o juro a um patamar tão elevado que há reserva suficiente para suportar o choque. Mas até quando e até onde o BC acredita que possa cortar?


… Como observou o economista Sérgio Goldenstein (Eytse Estratégia), o Comitê não apontou o balanço de riscos como assimétrico, ao contrário do que esperavam diversos analistas, nem sinalizou, de forma explícita, a iminência de uma interrupção do processo de calibração.


… Em um primeiro momento, o mercado descartou as chances de uma queda de 0,50pp. Agora já está colocando em xeque o corte de 0,25pp.


… No Copom de abril, a evolução do cenário externo não parecia sugerir uma deterioração adicional em relação à reunião de março, mas a ata chega em um dia de acirramento dos conflitos, que mudou a percepção sobre sua duração e extensão.


… O petróleo Brent, termômetro da crise, voltou a bater US$ 115, com novas ameaças de Trump de “varrer o Irã da face da Terra”.


… Se até poucos dias atrás não faria sentido uma sinalização mais hawkish, hoje um tom mais dovish pode trazer desconfiança, diante da deterioração adicional das expectativas, que pode levar a um encerramento precoce do ciclo de calibração.


DURIGAN – Em entrevista ao Roda Viva (TV Cultura), ontem à noite, o ministro afirmou que a maior pressão para a condução da política monetária vem hoje da guerra no Oriente Médio, discordando de que o fiscal e as medidas de crédito adotadas têm prejudicado o BC.


… Segundo ele, a expansão da política fiscal aconteceu no primeiro ano do governo, em 2023, quando a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Transição abriu espaço para a expansão de programas sociais e para contornar “problemas herdados da gestão anterior”.


LULA & TRUMP – Durigan deve acompanhar o presidente Lula aos Estados Unidos, para o encontro com Trump, na quinta-feira. A reunião é vista pela diplomacia brasileira como passo relevante para normalizar as relações comerciais após o período de tarifas e incertezas.


… Na pauta, além da agenda econômica, devem entrar temas como a guerra no Oriente Médio, a situação na Venezuela e parcerias em minerais críticos e terras raras, além de investimentos em datacenters e big techs, como confirmou o vice-presidente Geraldo Alckmin.


… Segundo ele, tudo está na mesa em meio à tentativa de reverter os efeitos do tarifaço. “A orientação é fortalecer a relação bilateral e reduzir barreiras, em um ambiente que considera de oportunidade para investimentos recíprocos.”


… Também a classificação de facções criminosas brasileiras por parte dos Estados Unidos deve fazer parte das conversas entre Lula e Trump.


MINERAIS CRÍTICOS – Às vésperas da viagem de Lula aos Estados Unidos, com minerais críticos no centro da agenda com Trump, o governo negociou mais poder para o Conselho Nacional de Minerais Críticos Estratégicos no projeto que tramita na Câmara.


… O acordo com o relator, deputado Arnaldo Jardim, enterrou a proposta inicial de criação da estatal Terrabras, mas ampliou o papel do Conselho, que deixa de ser apenas consultivo e passará a ter poder de análise prévia de projetos e de operações societárias.


… Além disso, vai monitorar mudanças de controle e acordos internacionais envolvendo minerais estratégicos, e poderá vetar fusões e aquisições com base em critérios de soberania nacional e interesse público, seguindo modelos adotados nos Estados Unidos, Canadá e Chile.


… O governo ainda poderá impor condicionantes à exportação, exigindo agregação de valor, e mantém aberta a possibilidade de uso de imposto sobre exportações no futuro. O relator trabalha para aprovar o projeto até quarta-feira, com leitura do parecer prevista para hoje.


AUTONOMIA DO BC – O presidente da CCJ do Senado, Otto Alencar, pautou para amanhã, quarta-feira, a votação da PEC que estabelece autonomia orçamentária do Banco Central, proposta que enfrenta resistência da equipe econômica.


… O parecer do relator Plínio Valério mantém o BC como entidade pública de natureza especial, com autonomia técnica, operacional, administrativa, orçamentária e financeira. Apesar da oposição do governo, Galípolo tem defendido a proposta junto aos senadores.


MAIS AGENDA – Além da ata do Copom, a terça-feira traz indicadores de atividade e emprego nos Estados Unidos, com os PMIs de serviços e o relatório Jolts, além de balanços relevantes na B3, com Ambev antes da abertura e Itaú Unibanco após o fechamento.


… A Fipe divulga o IPC de abril às 5h, com mediana de 0,47% nas Projeções Broadcast, intervalo de 0,42% a 0,49% e leitura anterior de 0,59%.


… Ambev divulga balanço do primeiro trimestre antes da abertura do mercado, com expectativa de lucro líquido de R$ 3,5 bilhões, queda de 7,8% na comparação anual, em um cenário de volumes mais fracos e custos ainda elevados, e faz teleconferência com investidores às 12h30.


… O Itaú Unibanco divulga resultado após o fechamento da Bovespa, com expectativa de lucro líquido de R$ 12,32 bilhões, estável na margem trimestral, mas com alta de 10,5% na comparação anual e manutenção de rentabilidade elevada.


… Nos Estados Unidos, os índices de gerentes de compras de serviços dos Estados Unidos e o relatório Jolts de abertura de vagas no país são destaques. A S&P Global divulga o PMI final de abril às 10h45 e o ISM, o PMI de serviços às 11h.


… Também às 11h, saem o relatório Jolts de abertura de vagas e os dados de vendas de moradias novas nos Estados Unidos.


… Antes, às 9h30, sai a balança comercial americana – mesmo horário de uma conferência de Christine Lagarde (BCE), na Alemanha.


… Também às 11h, a vice-presidente de Supervisão do Fed, Michelle Bowman, participa de simpósio.


… No final da noite (22h45), a S&P Global/RatingDog divulga o PMI composto da China de abril, após leitura de 51,8 em março. Os mercados financeiros seguem fechados hoje em Xangai e no Japão.


MAIS BALANÇOS –Além de Ambev e Itaú, divulgam resultados após o fechamento TIM Brasil, Copel, Prio, Iguatemi, RD Saúde, C&A e Tenda.


… No exterior, a Anheuser-Busch InBev, controladora da Ambev, divulga balanço antes da abertura dos mercados na Europa. Também antes da abertura, o HSBC divulga resultado em Londres. E após o fechamento em Nova York, tem AMD e Super Micro Computer.


A VER NAVIOS – Mais um pregão se passou sem qualquer sinal de desfecho para guerra e, pior, com ataques no Oriente Médio, disputa pelo Estreito de Ormuz e as ameaças de Trump de dizimar o Irã se atingir barcos americanos.  


… O clima de hostilidade acentuou a percepção no mercado de que o conflito ainda vai longe e desencadeou uma nova onda de estresse no petróleo, que projeta exatamente este risco de uma ofensiva militar mais duradoura.


… O Brent para julho disparou 5,79% e fechou cotado a US$ 114,44 por barril, no salto que antecipa mais inflação na veia e que puxos os juros dos Treasuries e levou a taxa do T-Bond de 30 anos a romper 5%, no pico em dois anos.


… O rendimento do título avançou para 5,019%, contra 4,965% no pregão anterior, enquanto o retorno da Note de dois anos subiu para 3,954% (de 3,888%) e o de dez anos foi a 4,440%, na comparação com 4,379% na última sexta.


… Diante do choque de energia mais prolongado do que se chegou a imaginar nas primeiras semanas da guerra, a ferramenta de apostas do CME indica que a chance de um aperto monetário em março voltou a superar 50%.


… O Fed boy Neel Kashkari não descartou a possibilidade de uma alta nos juros se a diplomacia for derrotada. “Não me sinto confortável em sinalizar corte. Talvez estejamos em cenários piores e tenhamos que ir na direção oposta.”


… O colega John Williams comentou que a inflação deve ficar em 3% este ano, só retornando à meta de 2% em 2027.


… O petróleo mais caro por mais tempo eleva os desafios para a inflação global. Aqui, antes mesmo de o conflito começar, o IPCA já apontava piora nas expectativas, diante da atividade e emprego aquecidos, apesar da Selic alta.


… Parte dos traders não quis nem esperar para ler a ata do Copom hoje e já migrou antecipadamente para a aposta de pausa da Selic em junho. Na curva, a chance de manutenção do juro é de 40% contra 54% de corte (Broadcast).


… Se a ata não passar pano para as turbulências atuais, a precificação de que o BC vai interromper o ciclo de “calibração” da política monetária tem tudo para ganhar ainda mais força, de olho onde o petróleo vai chegar.


… Sob a pressão do barril, que vive uma nova rodada de tensão, os juros futuros “abriram” bastante ontem.


… No fechamento, o DI para Jan/27 marcava 14,210% (de 14,141% no ajuste anterior); Jan/28, 13,950% (contra 13,790% antes do feriado); Jan/29, 13,850% (13,665%); Jan/31, 13,860% (13,670%); e Jan/33, 13,890% (13,716%).


REAL SE GARANTE – Imaginando que o Copom opte por não relaxar mais a Selic em junho, ganham o carry trade e o real, que vem caindo de forma limitada nos últimos dias, valendo-se do trunfo de o Brasil ser exportador de petróleo.


… Com valorização moderada de 0,32% ontem, o dólar à vista fechou abaixo de R$ 5, negociado a R$ 4,9677.


… Lá fora, as evidências de que a trégua está sendo violada acionaram posições defensivas no câmbio e o índice DXY subiu 0,22%, a 98,374 pontos. A libra recuou 0,29%, a US$ 1,3535, mas o iene (157,09 por dólar) caiu pouco.


… Circularam rumores de que o BoJ voltou a intervir, após a ministra das Finanças, Satsuki Katayama, repetir alertas contra movimentos especulativos. Para o Goldman Sachs, a faixa de 160 ienes por dólar é uma “linha de defesa”.


… Desestabilizado pela ameaça de Trump de reabrir a guerra comercial e elevar em 25% as tarifas sobre importações de carros e caminhões da União Europeia, o euro caiu 0,22%, a US$ 1,1701, e ignorou o risco de um BCE conservador.


… O presidente do BC alemão, Joachim Nagel, disse que a guerra deve afetar o bloco “por um bom tempo” e que pode exigir um aumento dos juros em junho se não houver uma melhora significativa nas perspectivas de inflação.


BATENDO EM RETIRADA – Abalada pelo cenário de guerra, a rotação de ativos para os emergentes vem diminuindo e já se traduz em uma fuga maior dos investidores estrangeiros, que na última quarta-feira retiraram R$ 1,9 bi da B3.


… O saldo final do capital externo no acumulado de abril será conhecido hoje e, por enquanto, está pouco abaixo de R$ 5 bilhões. No ano, soma R$ 58,2 bilhões. O menor apetite dos gringos também tem aparecido no giro do Ibovespa.


… Mais modesto, o volume nos negócios ontem ficou em R$ 26,4 bilhões. Na volta do feriado de 1º de maio, o índice à vista da bolsa doméstica acompanhou a tensão global e fechou em baixa de 0,92%, aos 185.600,12 pontos.


… Nem a Petrobras conseguiu faturar direito o salto de quase 6% do petróleo. Tudo que o papel PN conseguiu subir foi 0,53%, a R$ 49,34, enquanto a ação ON desafiou o rali da commodity e terminou em queda de 0,80%, a R$ 54,29.


… Sem a referência do minério, com a China em feriado, Vale chamou vendas firmes e caiu 3,10%, a R$ 78,66.


… Destaque também para o mau humor dos bancos com o Irã e Trump, que continuam irredutíveis. Bradesco PN caiu 2,12% (R$ 18,91), Itaú PN perdeu 1,78% (R$ 42,40), Santander recuou 1,65% (R$ 28,56) e BB, -1,35% (R$ 21,91).


… Os sinais de fracasso do cessar-fogo também pesaram o ambiente nas bolsas americanas. O Dow Jones caiu 1,13%, para 48.941,90 pontos; o S&P 500 perdeu 0,41%, aos 7.200,75 pontos; e o Nasdaq recuou 0,19%, a 25.067,80 pontos.


CIAS ABERTAS NO AFTER – ANP aprovou acordos de individualização da produção pela PETROBRAS das jazidas de Sururu e Berbigão, localizadas na Bacia de Santos, com efetividade a partir de 1º de maio…


… A Petrobras informou que se qualificou para integrar o Dow Jones Best-in-Class World Index (DJ BIC), da S&P Global Corporate Sustainability Assessment (CSA), pelo segundo ano consecutivo…


… A KLABIN também teve sua participação renovada na edição 2025/2026 na carteira Global do DJ BIC. Esse é o sexto ano consecutivo de sua participação nesta categoria.


PRIO. A produção total de petróleo em abril atingiu 173.416 barris de óleo equivalente por dia (boe/dia), ante 161.323 boe/dia em março. O número representa uma alta de 7,5% na comparação mensal.


HAPVIDA. Família controladora reduziu participação de 52,5% para 47,87% do capital social.


RD SAÚDE concluiu a venda da 4Bio para a Health Ventures, com recebimento de R$ 100 milhões e direito a parcelas remanescentes corrigidas pelo CDI e crédito futuro estimado em R$ 120 milhões.


ONCOCLÍNICAS aprovou contrato de R$ 150 milhões para fornecimento de medicamentos oncológicos, com garantias via cessão fiduciária de recebíveis. O Citi descontinuou a cobertura da companhia.


ODONTOPREV teve lucro líquido de R$ 152,1 milhões no 1TRI26, queda de 10,3% contra um ano antes, com receita de R$ 595,4 milhões, alta de 4%.


KORA SAÚDE teve homologado pela Justiça o plano de recuperação extrajudicial, com alongamento de passivos de R$ 1,3 bilhão.


PAGUE MENOS teve lucro líquido de R$ 52,2 milhões no 1TRI26, mais de dez vezes superior ao de um ano antes. Receita líquida somou R$ 3,81 bilhões, alta de 13%, e Ebitda ajustado atingiu R$ 331,9 milhões, avanço de 22,2%.


BB SEGURIDADE teve lucro de R$ 2,21 bilhões no 1TRI26, 4,86% acima do esperado pelos analistas no Broadcast.


NEOENERGIA informou que o valor atualizado de resgate compulsório de ações será de R$ 34,02 por ação; pagamento será feito no próximo dia 15.


ISA ENERGIA teve lucro líquido de R$ 357,7 milhões no 1TRI26, alta de 6% contra um ano antes. Ebitda somou R$ 1,021 bilhão, avanço de 10,6%, e receita líquida atingiu R$ 1,226 bilhão, crescimento de 8,3%.


MOVIDA teve lucro líquido de R$ 124,5 milhões no 1TRI26, alta de 58,7% contra um ano antes. Ebitda somou R$ 1,568 bilhão, avanço de 17,2%, e receita líquida atingiu R$ 3,780 bilhões, alta de 6,0%…


… A companhia projeta lucro líquido entre R$ 110 milhões e R$ 130 milhões no 2TRI26.


LOCALIZA. Norges Bank elevou participação para 5,04% das ações preferenciais.


SMARTFIT teve rating AA+(bra) reafirmado pela Fitch, com perspectiva estável.


LOG COMMERCIAL PROPERTIES teve lucro líquido de R$ 134 milhões no 1TRI26, alta de 55,2% contra um ano antes, com Ebitda de R$ 185 milhões, avanço de 53,2%, e receita líquida de R$ 66 milhões, crescimento de 19,4%.


MARCOPOLO teve lucro líquido de R$ 266,1 milhões no 1TRI26, alta de 10% contra um ano antes. Ebitda somou R$ 304,8 milhões, avanço de 16,3%, e receita líquida atingiu R$ 1,65 bilhão, queda de 1,3%.


HIDROVIAS DO BRASIL teve prejuízo de R$ 34 milhões no 1TRI26, ante perda de R$ 2 milhões um ano antes. Ebitda somou R$ 194 milhões, queda de 6%, e receita líquida atingiu R$ 445 milhões, recuo de 18%.


TUPY elegeu Harro Burmann como novo diretor-presidente, com início do mandato em 1º de junho…


… A gestora Charles River, acionista minoritária da fabricante de motores, pediu a reprovação das contas de 2025.


PICPAY firmou parceria com a TIM Brasil para integração de produtos e serviços.


BIOMM. BTG Pactual Gestão passou a deter 12,2% do capital da companhia.


IRANI aprovou pagamento de R$ 5,1 milhões em dividendos, equivalente a R$ 0,02243 por ação.

Malu Gaspar

 https://oglobo.globo.com/blogs/malu-gaspar/post/2026/05/em-reuniao-secreta-bc-pressiona-brb-e-revela-cogitar-intervencao-ou-privatizacao.ghtml


*Em reunião secreta, BC pressiona BRB por solução*


Por Malu Gaspar


Numa reunião secreta realizada no feriado de 1º de maio, diretores e técnicos do Banco Central (BC) pressionaram dirigentes do BRB por uma alternativa rápida à crise de liquidez, e chegaram a sugerir que alguma medida poderia ser tomada ainda no final de semana caso a situação do banco estatal de Brasília se revelasse insolúvel.


Durante o encontro, que não foi registrado na agenda oficial de nenhum dos participantes, falou-se em realizar uma intervenção, mas cogitou-se também fatiar algumas áreas do banco e repassar a concorrentes, no que foi interpretado pelos executivos do BRB como uma pressão pela privatização da instituição.


Participaram das discussões pelo BC os diretores Ailton de Aquino (Fiscalização) e Gilneu Vivan (Organização do Sistema Financeiro e de Resolução) e três técnicos do órgão regulador. Pelo BRB estavam o presidente, Nelson de Souza, os diretores Antônio José Barreto de Araújo Júnior (Finanças e Controladoria) e Ana Paula Teixeira (Controles e Riscos) e o secretário de Economia do Distrito Federal, Valdivino José de Oliveira.


Na conversa que durou duas horas, os diretores do BC se disseram preocupados com a crise de liquidez e pediram aos dirigentes do BRB que fossem transparentes a respeito da situação do banco, mencionando a necessidade de encontrar uma “solução”.


No final de março, quando o BRB deixou de publicar seu balanço em razão de um rombo que, se exposto, poderia levar à intervenção ou à liquidação imediata, o BC deu até o final de maio para a instituição encontrar uma saída para a crise. Desde então, o banco estatal de Brasília vem pagando uma multa diária de R$ 30 mil por dia, enquanto tenta captar recursos para pagar seus compromissos, resolvendo o problema de liquidez, e cobrir o rombo no patrimônio, avaliado em R$ 8,8 bilhões.


No último dia 20, o BRB anunciou a venda para a gestora Quadra de uma carteira de ativos que recebida do Banco Master numa troca pelas carteiras fraudadas compradas da instituição de Daniel Vorcaro. O negócio, pelos quais o BRB receberá R$ 4 bilhões, ainda não foi concretizado, mas na reunião os executivos do banco de Brasília disseram que o dinheiro entrará no caixa até o dia 20 de maio e cobraram do BC que respeite o prazo que ele mesmo estabeleceu.


Os executivos disseram ainda que estão tentando formas de financiamento alternativas ao empréstimo de outros R$ 4,5 bilhões que pediram ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC), e que pode não sair se não tiverem o aval da União, como já informamos no blog.


A chancela da União é a exigência do FGC e de um consórcio de bancos coordenados pelo Bradesco para aportar os recursos no BRB, mas o presidente Lula deu ordens nos bastidores aos bancos estatais e ao Tesouro para que não participe do salvamento do banco de Brasília.


A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), esperava ser recebida nesta segunda-feira por Lula para discutir o assunto, mas até agora não conseguiu.


*Privatização*


Caso nenhuma das alternativas em negociação pelos executivos do BRB vá adiante, a privatização é uma possibilidade real.


Uma das razões é que o BC sempre prefere uma solução de mercado, e uma intervenção em um banco estatal, com programas sociais, depósitos judiciais de vários tribunais pelo Brasil e carteiras de crédito consignado, seria bem mais complexas do que as realizadas em bancos privados. Outro dificultador é o fato de estarmos às vésperas de uma eleição em que o BRB certamente entrará na pauta dos debates. O fato de o BC já estar sobrecarregado com a liquidação do Master também não ajuda.


Celina tem se colocado contra uma eventual privatização do BRB. Seus aliados enxergam na pressa do BC o resultado da pressão de concorrentes privados. Mas o fatiamento dos negócios ou a venda de todo o banco para um concorrente pode acabar sendo mesmo a saída para estancar a crise da liquidez.


Entre as possibilidades discutidas está a venda do espólio de depósitos judiciais mantidos pelo BRB. Esses depósitos são, em geral, as cauções determinadas por juízes e que funcionam como garantias para evitar calotes ao final de ações dos processos. Os valores são custodiados pelos tribunais de Justiça, que fazem licitações para escolher o banco em que eles ficarão depositados.


O banco de Brasília ganhou certames nos últimos anos para custodiar os valores prometendo taxas de retorno maiores do que outras instituições como o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, mas ainda assim abaixo dos juros de mercado.


Atualmente, o BRB tem R$ 30 bilhões dos Tribunais de Justiça de Alagoas, Bahia, Maranhão, Paraíba e também do Distrito Federal e dos Territórios.


Diferentemente de aplicações financeiras tradicionais, esses recursos têm natureza sensível: são garantias de processos judiciais e pressupõem segurança absoluta. Qualquer risco de perda ou atraso na disponibilidade pode gerar efeitos em cadeia sobre tribunais e governos.


Também estão sobre a mesa as carteiras de crédito do BRB e o consignado ofertado pelo banco no próprio Distrito Federal, em Goiás e no Tocantins.


Como mostramos no blog no último dia 20, o BRB beirou a insolvência nos últimos meses. Para contornar as dificuldades, o banco vendeu um lote de carteiras de crédito consideradas boas pelo mercado, mas as alternativas não foram suficientes.


Além disso, o banco não tem conseguido captar mais empréstimos ou depósitos, o que nos cálculos dos executivos do banco vem encurtando o limite de tempo para que se encontre uma solução.


Ao final da reunião com o BC, o BRB conseguiu segurar o prazo do fim de maio para entregar uma solução. Se vai conseguir, é um outro problema.

Ata do Copom

 🇧🇷 *Ata do Copom: Banco Central mantém tom cauteloso* - _por JP Morgan_


A ata da reunião do Copom da semana passada continuou indicando um processo de calibração gradual da taxa de juros. A comunicação segue consistente com mais um corte de 25 pontos-base na reunião de junho, com a intensidade e o ritmo do ciclo dependentes dos dados econômicos e financeiros, especialmente diante do conflito no Oriente Médio.


A atenção à decisão da semana passada e à ata divulgada agora se concentrou na avaliação do balanço de riscos para a inflação. Em ambos os casos, o Banco Central evitou apontar assimetrias de forma explícita, mas o tom foi mais duro do que em comunicações anteriores, refletindo maior preocupação com os efeitos secundários do choque do petróleo. A autoridade monetária reconheceu que a duração do conflito já materializou alguns riscos, com destaque para a alta das expectativas de inflação de médio prazo, com impactos visíveis em dados recentes de preços ao consumidor e no atacado. Na visão do Banco Central, um atraso na resolução do conflito eleva a probabilidade de efeitos mais duradouros sobre cadeias de produção e distribuição, com impacto ambíguo para o cenário de inflação no horizonte da política monetária.


Ainda assim, a avaliação do Banco Central é de que, em um contexto de política monetária restritiva sendo transmitida para a atividade econômica, os eventos recentes não impedem a continuidade do ciclo de calibração. Embora o Comitê tenha reforçado que os dados do primeiro trimestre indicam recuperação da atividade, a autoridade monetária avalia que os efeitos contracionistas sobre componentes cíclicos do PIB, observados no fim de 2025, devem se estender para 2026 por meio da desaceleração do crédito. Nesse cenário, o Banco Central mantém a leitura de que a economia segue em trajetória de moderação, em linha com o cenário-base.


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