quarta-feira, 15 de janeiro de 2025

Vai rolar 1501

 Vai rolar: CPI e balanços nos EUA são destaques; aqui tem serviços e resultado primário


[15/01/25] Antes de falar da agenda carregada do dia, o investidor acompanha nas agências internacionais as informações de que o cessar-fogo entre Israel e o Hamas, em Gaza, está próximo e pode ser alcançado nas próximas horas ou até o fim da semana, aliviando a pressão do petróleo. Aqui, os primeiros sinais de perda de fôlego da atividade econômica já começam a aparecer na indústria e no varejo e podem ser reforçados hoje pelo volume de serviços em novembro. O dado será divulgado às 9h pelo IBGE e tem aposta de queda. Com vários dias de atraso, o Tesouro informa às 14h30 as contas do Governo Central em novembro. Mas são os EUA que roubam a cena hoje, com a abertura da temporada dos balanços pelos bancos e a inflação ao consumidor americano em dezembro medida pelo CPI (10h30). (Rosa Riscala)


👉 Confira abaixo a agenda de hoje


Indicadores

▪️04h00 – Reino Unido/ONS: CPI e PPI de dezembro

▪️06h00 – Alemanha/Destatis: PIB de 2024 

▪️06h00 – França: AIE divulga relatório mensal de petróleo

▪️07h00 – Zona do euro/Eurostat: Produção industrial - nov

▪️09h00 – Brasil/IBGE: Volume de serviços em novembro 

▪️10h30 – EUA/Deptº do Trabalho: CPI de dezembro 

▪️10h30 – EUA/Fed NY: Índice industrial Empire State - jan

▪️12h30 – EUA/DoE: Estoques de petróleo

▪️14h30 – Brasil/Tesouro: Primário do governo central - nov 

▪️14h30 – Brasil/BC: Fluxo cambial semanal 

▪️16h00 – EUA/Fed: Livro Bege   

▪️22h00 - Coreia do Sul: BC divulga decisão de política monetária

▪️Opep divulga relatório mensal de petróleo


 Eventos

▪️09h30 – Lula reúne-se com Haddad e outros ministros para definir vetos à tributária

▪️11h20 – Thomas Barkin (Fed de Richmond) participa de evento

▪️12h00 – Neel Kashkari (Fed de Minneapolis) discursa

▪️13h00 – John Williams (Fed de NY) participa de evento

▪️14h00 – Austan Goolsbee (Fed de Chicago) discursa em fórum


Balanços

▪️NY/Antes da abertura: BlackRock, Citigroup, Goldman Sachs, JPMorgan, Wells Fargo

BDM Matinal Riscala 1501

 Quarta-feira, 15 de Janeiro de 2025.


FOCO NO CPI HOJE 

Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*


… Antes de falar da agenda carregada do dia, o investidor acompanha nas agências internacionais as informações de que o cessar-fogo entre Israel e o Hamas, em Gaza, está próximo e pode ser alcançado nas próximas horas ou até o fim da semana, aliviando a pressão do petróleo. Aqui, os primeiros sinais de perda de fôlego da atividade econômica já começam a aparecer na indústria e no varejo e podem ser reforçados hoje pelo volume de serviços em novembro. O dado será divulgado às 9h pelo IBGE e tem aposta de queda. Com vários dias de atraso, o Tesouro informa às 14h30 as contas do Governo Central em novembro. Mas são os EUA que roubam a cena hoje, com a abertura da temporada dos balanços pelos bancos e a inflação ao consumidor americano em dezembro medida pelo CPI (10h30).


… Embora este não seja o indicador de preços olhado mais de perto pelo PCE, que prefere o PCE, nem por isso o dado é menos importante, especialmente agora que as apostas para o ciclo do Fed andam tão embaralhadas.


… Um CPI forte entraria na conta do risco de o Fomc eliminar a chance de um corte de juro este ano e até deixar a porta aberta para um aperto, o que até bem pouco tempo atrás nem era cogitado, mas foi despertado pelo payroll.


… Já uma inflação mais comportada viria a calhar para acalmar os nervos dos investidores, diante do choque de tensão com o protecionismo tarifário de Trump, embora venha crescendo a expectativa de uma política gradual.


… Ontem, além da esperança de que o presidente eleito possa pegar mais leve, também a desaceleração inesperada do PPI em dezembro (abaixo) ajudou as taxas de curto prazo dos Treasuries a pausarem a escalada recente.


… Mas a cautela se renova hoje, pela importância redobrada que o CPI ganha no contexto de pressões inflacionárias. Analistas estimam que os preços ao consumidor repitam o ritmo de novembro, com alta de 0,3% em dezembro.


… No comparativo anual, devem acelerar de 2,7% para 2,9%. O núcleo, que exclui itens voláteis como alimentos e energia, deve subir 0,20%, menos que em novembro (0,3%). Na base anualizada, +3,30% (igual ao mês anterior).


… Em paralelo ao CPI, o investidor também dedicará atenção à safra dos resultados corporativos, que já começa com quatro gigantes do setor financeiro: JPMorgan, Goldman Sachs, Citi e Wells Fargo, todos antes da abertura.


… Ainda na agenda dos EUA, saem o Livro Bege (16h) e o Empire State, de atividade industrial em NY/jan (10h30). Quatro Fed boys falam: Tom Barkin (10h/11h20), Neel Kashkari (12h), John Williams (13h) e Austan Goolsbee (14h).


… Além de estar de olho no cessar-fogo em Gaza, o petróleo acompanha os relatórios mensais da AIE (6h) e Opep (sem horário confirmado), além dos estoques do DoE (11h30), que têm previsão de queda de 1,1 milhão de barris.


AQUI – Após dois meses consecutivos de expansão (1,1% em outubro e 1,0% em setembro), o volume de serviços prestados em novembro deve cair 0,5%. No Broadcast, as estimativas variam de queda de 1,6% a avanço de 0,9%.


… Nos últimos dias, os dados de novembro da produção industrial (-0,6%) e das vendas no varejo (-0,4%) já indicaram que a atividade econômica começa a desaquecer, como potencial reflexo da Selic que roda alta.


… No campo fiscal, o mercado projeta déficit primário de R$ 6,50 bi (mediana) para o Governo Central/novembro, após saldo positivo de R$ 40,811 bi em outubro. As projeções, todas de déficit, vão de R$ 30,4 bi a R$ 4,50 bi.


… Em relatório, o Itaú disse ontem que o arcabouço perdeu credibilidade como âncora para a evolução das contas públicas e, mesmo se cumprido estritamente, não é capaz de gerar trajetórias fiscais sustentáveis no médio prazo.


… A não ser que, pontuou o banco, haja uma alta ainda mais significativa das receitas.


… Segundo o documento, assinado por Thales Guimarães e Pedro Schneider, até agora, o governo só tem atuado para diminuir os riscos de cenários extremos de descumprimento do limite de despesas do arcabouço até 2026.


… Na avaliação dos analistas do Itaú, uma melhora sustentada das condições financeiras domésticas apenas seria possível caso se concretizasse uma perspectiva de trajetória mais equilibrada da dívida à frente.


… “Uma iniciativa viável nessa direção seria reduzir no ano o limite superior do crescimento real anual das despesas primárias, de 2,5% para 1,5%, e anunciar medidas complementares que deem consistência ao anúncio.”


MAIS AGENDA – O BC divulga às 14h30 os dados semanais do fluxo cambial. Lula se reúne pela manhã (9h30) com ministro para tratar dos vetos que devem ser feitos ao projeto que regulamenta a reforma tributária.


APROVEITOU A DEIXA – Antes que, eventualmente, o CPI nos EUA e o radicalismo de Trump possam reverter a trégua nos mercados, o dólar não perdeu a chance de furar R$ 6,05 e, de carona no alívio, o DI queimou prêmio.


… O PPI abaixo do esperado, que reacendeu a esperança de o Fed cortar os juros pelo menos uma vez este ano, e a sinalização na imprensa de que o tarifaço de Trump será gradual atuaram em dobradinha ontem para o otimismo.


… O real foi beneficiado ainda pela nova alta do minério de ferro na China, diante dos novos empréstimos acima do esperado no país em dezembro. A força do metal ajudou a fortalecer as divisas de países produtores da commodity.


… O dólar à vista fechou em baixa de 0,85%, a R$ 6,0464, próximo da mínima intraday, quando bateu R$ 6,0410.


… Sem desperdiçar a onda positiva no câmbio, os juros futuros continuaram devolvendo pressão e, na reta final, testaram mínimas, antecipando que a pesquisa de serviços do IBGE em novembro confirmará a perda de dinamismo.  


… No fechamento, o DI para janeiro de 2026 caiu a 14,865%, piso do dia, contra 14,955% no fechamento anterior; Jan/27, a 15,140% (15,315%); Jan/29, 15,060% (15,340%); Jan/31, 14,950% (15,240%); e Jan/33, 14,820% (15,100%).


… O desafio da curva é conseguir se consolidar abaixo do patamar de 15%. Mas, para isso acontecer, a percepção de risco fiscal vai ter que se acomodar e, no exterior, o mercado terá que contar com a sorte de um Trump mais light.


ENGESSADO – Faz dias que o Ibovespa anda preso, oscilando em faixas estreitas, no comportamento travado pelas incertezas fiscais domésticas e o suspense pelo que Trump pode aprontar em relação à sua política de tarifas.


… Levantando preocupações sobre o cenário macroeconômico, o Itaú BBA reduziu a estimativa para o preço-alvo do índice à vista da bolsa no fim deste ano de 165 mil pontos para 145 mil pontos, ainda bem acima do patamar atual.


… Ontem, o Ibovespa fechou em 119.298,67 pontos, com alta de 0,25% e giro de R$ 19,2 bilhões.


… A segunda valorização seguida do índice ocorreu na esteira de um alívio nos ativos domésticos, após um PPI abaixo do esperado nos EUA e notícia de que Trump deve subir as tarifas de importação de forma gradual.


… Bem descontada, Vale subiu 0,66% (R$ 51,85), sem a mesma intensidade do minério de ferro em Dalian (+2,2%).


… Bradesco avançou forte (ON, +2,13%, a R$ 10,55; e PN ,+1,87%, a R$ 11,43), após levantar US$ 750 milhões em títulos de 5 anos no exterior, com retorno de 6,7%, abaixo dos 7% esperados, por causa da forte demanda.


… Banco do Brasil ganhou 1,82%, a R$ 24,65; Santander, +0,92% (R$ 24,10); e Itaú estável (+0,06%), em R$ 30,88.


… Petrobras fechou mista: ON em alta de 0,42% (R$ 41,12) e PN com queda de 0,67% (R$ 36,82), em dia de baixa de 1,34% do Brent/mar, a US$ 79,92 o barril, com perspectiva de um cessar-fogo em Gaza.


… O Goldman Sachs reiterou a recomendação de compra para as ações da Petrobras, dizendo que os elevados preços do petróleo compensam margens de refino menores em um ambiente de preços domésticos estáveis.


… Já o BTG disse esperar elevação de um dígito nos preços de gasolina e diesel pela petroleira, se o Brent e o câmbio continuarem nos níveis atuais.


… Petz teve a maior valorização do dia, com +4,88% (R$ 4,30), beneficiada pela expectativa em torno da fusão com a Cobasi, após notícia de que o Cade deve dar o aval para a combinação de negócios ainda neste trimestre.


… Marcopolo (+4,12%; R$ 7,59) e Iguatemi (+3,60%; R$ 17,25) completaram a trinca de maiores altas. Já as piores perdas do pregão foram de Eneva (-2,80%; R$ 10,75), CSN (-2,47%; R$ 7,49) e Marfrig (-2,31%; R$ 16,51).


PÉ ATRÁS – Houve certo alívio nas bolsas de NY após a divulgação do PPI nos EUA abaixo do esperado. Mas o indicador não motivou grandes apostas dos investidores, que preferiram ver o CPI hoje.


… Os índices de ações em Wall Street fecharam com variação tímida. Com big techs novamente sob pressão, o Nasdaq caiu 0,23%, a 19.044,39 pontos. S&P 500 subiu 0,11% (5.842,91) e o Dow Jones avançou 0,52% (42.518,28).


… Em clima de esperar para ver o CPI, os rendimentos dos Treasuries permaneceram em níveis elevados, com o rendimento da note de 10 anos estável em 4,784%, próximo da máxima de 14 meses alcançada na 2ªF.


… O juro do T-bond de 30 anos voltou a tocar os 5% e fechou em 4,970%, de 4,952% na sessão anterior. Afetado pelo PPI, o da T-Note de 2 anos caiu a 4,362% (de 4,385%).


… Puxado pela queda em alimentos, o PPI desacelerou a 0,2% em dezembro, de 0,4% em novembro, abaixo do 0,3% esperado. Na comparação anual, subiu 3,3%, mais que os 3% de novembro, mas menos do que a previsão de 3,4%.


… O núcleo ficou estável no mês, inferior à estimativa de +0,2%. No ano, subiu 3,5%, aquém da projeção de 3,8%.


… Vários dos componentes do PPI que alimentam a medida de inflação preferida do Fed — o PCE — foram mistos em dezembro.


… “Isso significa que o Fed e os mercados não se beneficiarão de componentes do PPI no PCE, como foi o caso em novembro”, disse Krishna Guha (Evercore) para a BBG. “Isso deixa o mercado mais exposto ao CPI”.


… No câmbio, o dólar teve um recuo importante, depois que reportagem da BBG informou que o governo Trump estuda aumentar tarifas de importação de forma gradual, o que evitaria um pico de inflação.


… Jeff Schmid, presidente do Fed de Kansas City, disse que o impacto das políticas de Trump é uma “conversa ativa” no Fed, e que o BC americano vai responder a isso se as metas de inflação ou emprego forem desviadas do curso.


… O índice DXY caiu 0,62%, a 109,273 pontos. O euro subiu 0,86%, a US$ 1,0307; a libra ganhou 0,24% (US$ 1,2206).


… Na contramão, o iene caiu 0,44%, a 157,97/US$. Na madrugada, a moeda chegou a subir depois de o vice do BoJ, Ryozo Himino, dizer que há possibilidade de o BC elevar o juro. A alta da divisa japonesa, contudo, não se sustentou.


EM TEMPO… GOL ampliará para três os voos semanais entre Salvador e Buenos Aires a partir de abril. O trecho será operado com as aeronaves Boeing 737, com capacidade para até 186 passageiros.


TENDA. Lançamentos alcançaram valor geral de vendas de R$ 1,6 bilhão no 4Tri24, alta anual de 39,8%. As vendas líquidas aumentaram 16,9% no período e os distratos subiram 10,2%.


MARCOPOLO. O Citi iniciou a cobertura da empresa com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 10, o que representa um potencial de alta de 31,7% em relação ao fechamento de ontem…


… O banco considerou que a empresa opera com uma margem resiliente, após a racionalização da capacidade do setor, com fechamento de fábricas.


RANDON concluiu a aquisição da Dacomsa por R$ 2,2 bilhões.


IOCHPE-MAXION fará a 15ª emissão de debêntures simples no valor total de R$ 500 milhões. O prazo de vencimento será de cinco anos contados da data de emissão, vencendo no dia 5 de fevereiro de 2030.


B3 informou que o volume médio diário do mercado de ações cresceu 18,8% em dez/24, ante dez/23, para R$ 30,037 bilhões. Ante novembro, o resultado foi 13,6% maior.

Bankinter Portugal Matinal 1501

 Análise Bankinter Portugal


SESSÃO: Ontem, ligeira subida das bolsas (Nova Iorque +0,1% e Europa +0,5%) graças à estabilização nas yields das obrigações. Bund +3 p.b. em 2,65% e T-Note sem mudanças em 4,79%. Tudo isso numa sessão onde o principal catalisador foram os Preços Industriais americanos de dezembro. Avançaram menos do que o esperado (+3,3% a/a vs. +3,5% est. e +3,0% ant.), definindo um precedente para a publicação do IPC americano de hoje. Na Europa, o mais destacável foram as intervenções de alguns membros do BCE, como Lane e Rehn. Usaram um tom claramente dovish, a favor de mais descidas de taxas de juros, e insistiram em atuar de forma independente aos movimentos da Fed. Com o EURUSD em 1,029, veremos.  

 

Hoje à primeira hora, bons resultados de inflação no Reino Unido. O IPC desacelera mais do que o esperado (+2,5% vs. +2,6% esperado e anterior) com a taxa subjacente a retroceder também até +3,2% (vs. +3,4% esp. e +3,5% ant.). Talvez isto anime um pouco a abertura europeia. Contudo, as referências importantes estão nos EUA. De forma cronológica, a partir das 12:00 h, arrancará oficialmente a temporada de resultados com a banca americana, e às 13:30 h, publicação da inflação de dezembro. Em relação à primeira, espera-se que os resultados sejam sólidos: JP Morgan (12:00 h; 4,12$; +35,6%), Wells Fargo (12:00 h; 1,33$; +54,6%), Citi (13:00 h; 1,22$ vs. -1,16%); Goldman Sachs (12:30 h; 8,26$; +50,7%), o que poderá apoiar um pouco o mercado na sessão. No entanto, os resultados ficarão eclipsados pela inflação americana. Em princípio, aumentará pelo terceiro mês consecutivo até +2,9% (vs. +2,7% em nov., +2,6% em out. e +2,4% em set.) com a taxa subjacente estancada desde setembro em +3,3%. Ao cumprir-se, seria uma lembrança de que a Fed não deve baixar a guarda e reforça a nossa ideia de que, no máximo, irá fazer 3 descidas de taxas de juros em 2025, até 3,75%/4,00%. Com estes resultados, parece improvável que hoje o mercado avance com decisão, ainda mais com a yield do T-Note em ~4,80% e a tomada de posse de Trump na próxima segunda-feira (20 de janeiro). 

 

Em suma, hoje a incerteza travará o mercado e o IPC será o que determinará o rumo da sessão. De momento, os futuros estão um pouco positivos na Europa e planos nos EUA.  

 

S&P500 +0,1% Nq100 -0,1% ES-50 +0,5% VIX 18,71% (-0,48pb). Bund 2,59%. T-Note 4,79%. Spread 2A-10A USA=42,5pb B10A: ESP 3,30% ITA 3,82%. Euribor 12m 2,58% (fut.12m 2,42%). USD 1,031. JPY 162,8. Ouro 2.677,16$. Brent 79,92$. WTI 77,50$. Bitcoin +2,41% 96.443$). Ether+3,2% (3.215$). 

 

FIM

terça-feira, 14 de janeiro de 2025

OESP

"O  governo enfrenta dificuldades para vender títulos da dívida pública, em meio a uma disparada das taxas, que atingiram níveis recordes. 

Para analistas financeiros, a desconfiança dos investidores no País e uma cobrança por medidas efetivas de controle de gastos ajudam a explicar o cenário. O Tesouro Nacional, porém, nega crise de confiança e afirma que a demanda tem sido "consistente", apesar do estresse no mercado.

O que acontece na prática é que, gastando mais do que arrecada, o governo recorre à venda dos títulos - pegando dinheiro no mercado financeiro - para sustentar suas ações. No entanto, precisa pagar o investimento no futuro, com juros, aumentando o endividamento público. Com déficit nas contas, a pressão é maior e os investidores cobram taxas mais altas para aplicar o dinheiro." (Estadão, 14/01/2025)

Responsabilidade compartilhada

 Responsabilidade compartilhada

Marcos Lisboa

Folha de S. Paulo, domingo, 12 de janeiro de 2025

Desequilíbrio fiscal é obra de muitas mãos

 

Tornou-se lugar-comum criticar o governo federal pelo desequilíbrio fiscal.

O Executivo tem a sua parcela de responsabilidade, mas o problema é bem mais complexo, e distinto, do que afirma o contraponto "a direita que não quer pagar imposto, e a esquerda não quer cortar despesa".

Existem muitas regras que tornam a despesa do Estado brasileiro mais rígida do que em outros países, assim como diversos privilégios tributários. Elas contam com amplo apoio da esquerda e da direita, e refletem o sucesso de diversos grupos de pressão da sociedade.

A reforma tributária foi abalroada por diversos setores, cada um justificando que seu caso era particular, e que não poderia pagar a alíquota padrão a ser cobrada do restante da sociedade.

Empresas de profissionais liberais, como médicos, economistas e advogados, faturando milhões de reais por ano, conseguiram alíquotas reduzidas.

Vale mencionar que já existe um benefício tributário para empresas que faturam até R$ 78 milhões por ano. Os regimes especiais permitem pagar uma alíquota menor de imposto sobre o lucro do que as empresas no regime geral.

Os dados mostravam que a desigualdade de renda cairia bem mais com o aumento bem focalizado do Bolsa Família do que com a desoneração da cesta básica. Contudo, prevaleceram os interesses dos produtores em detrimento das famílias mais pobres. Com apoio da esquerda e da direita.

A reforma concedeu benefícios tributários para o setor de aviação regional e o transporte coletivo, entre várias outras atividades.

A desoneração da folha salarial foi criada há mais de uma década por um governo de esquerda como uma medida temporária, para beneficiar algumas empresas. Ela continua em vigor e pode ter custado mais de R$ 20 bilhões em 2024, segundo técnicos do governo.

A concessão de tratamento diferenciado é prática usual no Brasil. As regras permitem privilégios tributários e crédito subsidiado para empresas privadas, ou remuneração acima do teto constitucional para servidores do Judiciário.

Esses benefícios são custeados pelo restante da sociedade, às vezes por mecanismos criativos.

O FGTS é uma poupança forçada do trabalhador com carteira que recebe uma remuneração menor do que se fosse investida em títulos públicos. Os recursos subsidiam empréstimos para empresas privadas.

A contribuição para o Sistema S incide, economicamente, sobre o trabalhador formal. E parte dos recursos é destinada aos sindicatos patronais, como as federações e confederações da indústria, do comércio ou dos serviços.

Às vezes, pode surpreender quem apoiou algumas medidas.

Há alguns anos, João Doria, então governador de São Paulo, tentou reduzir os privilégios tributários para empresas do setor privado. A reação foi avassaladora e a medida não prosperou.

Recentemente, Tarcísio de Freitas, um governador ainda mais identificado com a direita, finalmente conseguiu uma redução desses privilégios.

O setor de energia tem sido inundado por regras que estabelecem benefícios para algumas empresas em detrimento dos demais, desde a capitalização da Eletrobras. Os muitos subsídios cruzados acabam caindo na conta de energia.

Por vezes, o processo de captura do Estado decorre de uma iniciativa temporária que promete desenvolvimento de um setor. Os benefícios tributários para a Zona Franca de Manaus tinham prazo para terminar. Décadas depois, seguem sendo renovados.

Outras vezes, a motivação seria uma crise excepcional que justificaria uma intervenção pública momentânea, como ocorreu durante a pandemia.

Um exemplo é o Perse, que beneficiou o setor de eventos. Segundo relatório da Receita Federal, há empresas beneficiadas em alojamento e alimentação; atividades administrativas; indústria de transformação, entre muitas outras. A conta passou de R$ 7 bilhões entre abril e outubro de 2024.

Vale ressaltar: além de menor cobrança de tributos indiretos, foi igualmente reduzida a tributação sobre o lucro, não exatamente um caso de crise.

Marcos Mendes e eu sistematizamos 42 medidas de concessão de benefícios aprovadas na segunda metade do governo anterior, em 6 outubro de 2022, no Brazil Journal.

As propostas seguiram um padrão usual: auxílios com impacto social, como a ampliação do Bolsa Família, lideravam uma extensa lista de benefícios para grupos organizados.

Eram muitos os caronas: taxistas, caminhoneiros, templos religiosos, transferências para estados e municípios e novos benefícios para empresas do setor privado, do etanol a semicondutores e automóveis, de equipamentos de biogás ao setor de portos. A lista segue...

Com duas exceções, as principais medidas tiveram a aprovação da maioria dos congressistas, à direita e à esquerda.

Desde a pandemia, foram transferidos R$ 69 bilhões de recursos do Tesouro a fundos garantidores de empréstimos subsidiados para empresas, como registrou Marcos Mendes. O atual governo contou com o apoio do Congresso para aumentar os gastos públicos em cerca de R$ 245 bilhões desde a transição em 2022.

O Executivo tem sua parcela de responsabilidade. Mas o mesmo ocorre com as demais instâncias do setor público, assim como com os grupos privados que obtêm favores oficiais.

A criatividade de tribunais do Judiciário parece não ter limite para ampliar a remuneração dos juízes. O Legislativo defende as emendas parlamentares, já na casa dos R$ 40 bilhões por ano.

Fica o contraste. Muitos grupos denunciam com indignação as regras que favorecem os demais. Ao mesmo tempo, defendem com virulência os seus próprios privilégios.

A imprensa se beneficia da desoneração da folha de pagamentos. Mas critica duramente as emendas parlamentares.

Empresários reclamam da carga tributária. Por outro lado, defendem vigorosamente os privilégios que recebem do poder público, como regimes tributários especiais ou acesso a créditos subsidiados.

Associações de profissionais liberais vão na linha de frente na defesa da República, mas se recusam a pagar tributos como os que oneram as demais empresas.

A retórica "esquerda versus direita" por vezes encobre os truques do nosso Estado patrimonialista.

Escola austríaca

 O humanismo intrínseco da Escola Austríaca 


O ser humano é soberano nas suas preferências subjectivas, nenhuma força externa deve coarctar a acção humana. Não se deve imprimir na sociedade elementos que distorcem a capacidade dos seres humanos tomarem as decisões que sustentam as suas vidas. O ser humano deve ter máxima liberdade e mínima pressão burocrática. Até porque o ser humano é criativo, forja o seu destino, tem potência criativa para criar valor do nada. Não deve haver um poder centralizado que distorce os incentivos da população ou exerce poder coercivo nos seus cidadãos. Quem discorda destas ideias? O mundo contemporâneo fala de organizações pesadas e sem alma, fala do abandono da solidariedade natural, fala da quebra da fraternidade entre seres humanos. Quem pode discordar da desumanização da nossa sociedade? O que parece que ninguém concorda é a causa da desumanização. Essa causa parece oculta ou misteriosa. Mas todos estes problemas, desde a distorção da estrutura de incentivos ou o afastamento do direito natural tem uma causa à vista de todos. São organizações burocráticas, que criam distorções, falsos e desconexos incentivos, e pior de tudo o definhamento da criatividade humana. Estas organizações podem ser propriedade privada, mas qual será a maior organização de todas? Qual é a organização que absorve mais recursos? Qual é a organização que exerce maior pressão burocrática? Qual a organização que exerce maior poder? Sim, o leitor sabe a resposta. No fundo, até sabe a verdade. Mas não quer a afirmar em viva voz. A máquina de propaganda é forte. As narrativas exercem forte influência. Essa organização até faz sentido, existem bens públicos e serviços públicos. Sabemos que seria até melhor haver concorrência no fornecimento desses bens e serviços. O leitor sabe a realidade e conhece a verdade. Só que não a diz. Nem direi eu próprio. Todos sabemos que o estatismo é uma força praticamente imparável. Estamos a todos a ver as consequências do estatismo, na economia, na sociedade e nos valores dos cidadãos. Poucos porém querem ir à causa destes problemas. A principal causa de todos estes problemas todos sabemos qual é. É daqui que nasce o título desta crónica: o estatismo por muito forte que seja jamais quebrará o espírito humano. E é esta crença inabalável no espírito humano a principal força da Escola Austríaca.

Diário de um economista (9)

 Eu vivi 5 anos na terrinha. Cheguei com certa facilidade, na proposta de ir para Évora. Não foi fácil achar um imóvel, para não dizer impossível. Varri a cidadela inteira.

 Me recordo q vi uma oportunidade num beco, "colado" ao aqueduto. Um casarão daqueles, em dois pisos. O segundo já estava ocupado. Não sei se o senhorio era dono da casa toda ou só do primeiro piso. Gostei muito da cozinha, geladeira e Cooktop bosh e máquinas de lavar roupa e louça LG. O senhorio, um estudante da UÉVORA, de Beja, filho de uma senhora muito solícita, governanta dos casarões da Filadélfia. Depois, os fatos foram nos surpreendendo. 

Em Lisboa, fomos para Almada. Nos dois imóveis paguei mais do q o valor real do imóvel. Não tinha escolha. Imóveis em sua maioria velhos, em Almada sem elevador...mas ok. Ao lado de Lisboa, bastando a Cacília. 

A crise habitacional é uma realidade. Ainda bem q eu não comprei. Não valia a pena. Agora, tudo piorou e muito.

Portugal é um belo país. Abriram as fronteiras pois precisam alterar a pirâmide etária. E esta garotada q está indo, paga aos q estão se "reformando". Este, o objetivo real.

O problema concreto é q a social democracia está vazando água para todos os lados. Abriram aos imigrantes a cobertura social dos tugas. Qualidade da saúde pública caiu muito. O mesmo tentam com a educação, nas universidades com um plus para o pgto de matrícula e um valor mensal, simbólico q seja.

A social democracia é a expressão de um ativismo fiscal, sem limites, surgido do keynesismo nos anos 30 e 40. As bem sucedidas políticas públicas daqueles anos, considerados dourados até os 60, chegavam ao paradoxismo de q seria "proibido" haver desemprego, pois o Estado sempre estaria atento.

Os anos 70 e 80, até os dias de hje, nos jogaram no conto da carochinha e hje, sim, eu vejo as crises do welfare state pipocando por toda "euroesclerose". Sim, este lado da Europa está em decadência.

Ailton Braga

  Hoje, 02/02/2026, saiu no Blog do IBRE da FGV, artigo meu em que faço análise da interação entre política fiscal e política monetária, a p...