sexta-feira, 24 de abril de 2026

Dilma, auto-exílio

 Essa mulher continua viva e exilada no Banco dos BRICS. Imagino o quanto custa ao país mantê-la nessa situação, e por quanto tempo…

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Dilma, dez anos depois

Rogério Werneck

O Estado de S. Paulo.

24 de abr. de 2026


Uma década após o impeachment, o desastroso mandato e meio de Dilma Rousseff continua a ser um trauma mal resolvido a assombrar o PT. Aferrados ao negacionismo, o presidente Lula e seu partido jamais conseguiram desenvolver uma narrativa apresentável do que ocorreu entre 2011 e 2016. Para efeito externo, Lula continua a se comportar como se o governo Dilma jamais tivesse existido. Um período a ser desconsiderado e, de preferência, jamais mencionado.


Ao mesmo tempo, com a sutileza que a preservação de seu autoengano exige, Lula sempre fez o possível para se dissociar do calamitoso desempenho de Dilma Rousseff. Mas a verdade é que tal dissociação nunca lhe foi fácil. Por pelo menos duas razões.


De um lado, é mais do que sabido que foi de Lula, e só dele, a ideia de alçar Dilma Rousseff à Presidência da República. Um desatino que, em face de tenaz resistência do PT, teve de ser enfiado goela abaixo do partido.


De outro, é preciso ter em conta que Dilma não governou sozinha. Nem errou sozinha. Sua administração foi tripulada de ponta a ponta pelo PT, inclusive com a preservação quase integral da equipe econômica de Lula. Não há como negar que, entre 2011 e 2016, o País foi governado pelo partido.


Como é esse mesmo PT que, desde 2023, voltou a tripular os cargos mais importantes do governo, e voltará a tripulá-los num possível Lula 4, é natural que haja grande apreensão com os nomes que poderão ser escalados e as ideias que acabarão prevalecendo.


O mais grave é que, diante da extensão do comprometimento do PT com o que ocorreu no governo Dilma, o que acabou se impondo foi a aposta no pacto de manter o partido coeso, com olhos fechados para erros e excessos cometidos, em amnésia coletiva, sem recriminações e autocríticas.


Assombrado pelo passado, Lula viu seu terceiro mandato como uma oportunidade para insistir em políticas caras ao PT, certo de que isso o redimiria das pechas que lhe foram imputadas na esteira da devastação deixada por sua sucessora. Deixou-se levar pela ilusão de que, ao insistir nas mesmas ideias, poderia convencer a si mesmo e ao País de que, no fundo, não havia nada de errado com elas.


Deu no que deu. Não é por acaso que o grau de descontrole fiscal que agora se vê no Lula 3 já se assemelha ao que se viu no governo Dilma. Se, desta vez, as consequências não chegaram a ser tão dramáticas, foi porque Lula agora defrontouse com um Banco Central autônomo, que já não lhe deixou mais espaço para ser tão vastamente irresponsável como Dilma Rousseff. •

BDM Matinal Riscala

 *Bom Dia Mercado*


Sexta Feira,24 de Abril de 2.026.


*Rosa Riscala: Guerra trava negociações e resgata aversão ao risco*


… A piora na percepção sobre o conflito no Oriente Médio recolocou os ativos em modo de aversão ao risco. O impasse entre Estados Unidos e Irã ganhou contornos mais estruturais, com sinais de esvaziamento das negociações, manutenção do bloqueio no Estreito de Ormuz e retomada do discurso militar — combinação que sustenta a alta do petróleo e reacende o risco inflacionário global. No Brasil, a resposta do governo aos combustíveis veio sem efeito imediato e com ruído fiscal. Na agenda, destaque para o sentimento do consumidor americano de Michigan, dados do setor externo, balanço da Usiminas, antes da abertura, e o salto de quase 20% da Intel no after de Nova York.


RISCO DE ESCALADA GANHA CORPO – O mercado passou de um cenário de negociação difícil para um quadro de impasse estruturado, com sinais crescentes de que o conflito no Oriente Médio pode se alongar e, no limite, escalar.


… O gatilho mais direto foi a percepção de esvaziamento do canal diplomático entre Estados Unidos e Irã.


… A notícia de que Mohammad Bagher Ghalibaf, figura central nas negociações, teria deixado a mesa — ainda que contestada por Teerã — foi suficiente para elevar o prêmio de risco, porque reforça a leitura de fragmentação ou, no mínimo, perda de coordenação interna.


… A resposta iraniana veio rápida e reveladora. Em vez de sinalizar disposição para concessões, o regime partiu para uma narrativa de unidade total, com lideranças reforçando coesão interna e negando qualquer divisão entre “moderados” e “linha-dura”.


… Esse tipo de comunicação, em momentos de tensão, costuma indicar preparação para resistência prolongada — não para descompressão.


… No campo operacional, os sinais também pioraram. Relatos de ativação de sistemas de defesa aérea em Teerã, combinados com ataques recentes e a manutenção do bloqueio no Estreito de Ormuz, mostram que o conflito segue ativo, mesmo sob um cessar-fogo.


… Do lado americano, Donald Trump reforçou o caráter assimétrico da negociação. Ao mesmo tempo em que afirma que as conversas continuam, deixa claro que não há pressa para um acordo e volta a mencionar a possibilidade de solução militar.


… Essa ambiguidade impede a formação de um cenário-base e aumenta a sensibilidade dos ativos a qualquer headline.


… Israel adiciona um vetor adicional de risco de cauda. O ministro da Defesa afirmou que aguarda sinal verde de Washington para ampliar a ofensiva, incluindo ataques à infraestrutura energética iraniana e até menção direta à eliminação da liderança do regime.


… Em paralelo, os Estados Unidos reforçam a presença militar com o envio de um terceiro porta-aviões para a região.


… Apesar disso, ainda há um fio diplomático em aberto. Fontes indicam que as negociações seguem, mesmo com entraves relevantes, especialmente o bloqueio marítimo imposto pelos Estados Unidos, que Teerã trata como pré-condição para avançar.


… Esse detalhe é importante porque mantém o cenário em aberto — não é ruptura, é um impasse instável.


… O efeito mais relevante não está apenas na geopolítica, mas na forma como ela passou a contaminar os preços.


… O mercado de petróleo virou o principal canal de transmissão — e também o mais sensível à narrativa. A volatilidade disparou para níveis comparáveis aos do início da pandemia, com movimentos abruptos a cada mudança de tom político.


… Há, inclusive, investigação sobre negociações suspeitas que teriam antecipado anúncios de Donald Trump, reforçando a percepção de que o mercado está operando cada vez mais guiado por evento e timing — não por fundamentos.


… Esse padrão cria um ambiente particularmente desafiador: o preço deixa de refletir apenas oferta e demanda e passa a incorporar probabilidade de evento — ataque, acordo, escalada ou recuo. E isso amplifica tanto os movimentos quanto a incerteza.


… O que se consolida agora é uma mudança de regime.


… Sai o cenário de cessar-fogo imperfeito, mas funcional para os mercados, e entra um quadro de conflito prolongado, com negociação travada e risco recorrente de escalada, com três consequências claras:


… 1) O Estreito de Ormuz deixa de ser um risco pontual e passa a ser uma variável estrutural, com impacto direto sobre a oferta global de energia;


… 2) O petróleo se descola de movimentos técnicos e passa a carregar prêmio geopolítico persistente;


… 3) E os mercados entram definitivamente em modo headline-driven, com volatilidade elevada e reação quase imediata a qualquer novo desenvolvimento.


… É esse pano de fundo que explica — e sustenta — o movimento de hoje nos ativos globais.


ISRAEL E LÍBANO – Enquanto as negociações com o Irã seguem estagnadas, Trump anunciou uma prorrogação por três semanas do cessar-fogo entre Israel e o Líbano e disse que trabalha para Beirute se proteger do Hezbollah.


… O presidente americano acrescentou que espera se reunir pessoalmente com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e com o presidente libanês, Joseph Aoun, “em um futuro próximo”, em Washington.


SEM EFEITO IMEDIATO –A tentativa do governo de reagir à alta dos combustíveis acabou gerando ruído no mercado ao longo da tarde, após a sinalização inicial de que a Fazenda anunciaria uma isenção total e imediata de impostos federais sobre a gasolina.


… O problema é que a medida efetivamente apresentada foi bem diferente — e também menos potente.


… Em vez de uma desoneração imediata, o governo enviou ao Congresso um projeto de lei complementar para permitir o uso de receitas extraordinárias do petróleo na redução de tributos sobre combustíveis, como gasolina, etanol, diesel e biodiesel.


… A proposta busca garantir neutralidade fiscal, ao vincular eventuais cortes de impostos ao aumento de arrecadação com petróleo, incluindo royalties, dividendos e receitas de exportação. Na prática, porém, o desenho retira o principal elemento que se buscava: timing.


… Avaliações no mercado apontam que o uso de receitas extraordinárias pode trazer incerteza sobre a compensação fiscal e ter impacto limitado sobre a inflação, além de abrir precedentes em relação às regras de responsabilidade fiscal.


… Não há medida imediata. Qualquer redução depende da aprovação do projeto no Congresso e, posteriormente, de decreto presidencial — o que empurra o efeito para frente e reduz a eficácia no curto prazo.


… Além disso, os cortes seriam parciais e temporários, com duração inicial de até dois meses, podendo ser renovados conforme a arrecadação.


… Outro ponto que pesou foi a comunicação desencontrada. O próprio governo reconheceu erro no aviso de pauta que indicava anúncio imediato de redução de impostos, reforçando a percepção de improviso, em um momento de alta sensibilidade fiscal.


… Do ponto de vista técnico, a proposta também levanta dúvidas. Há avaliação no mercado de que a compensação pode ser incerta, dependendo da forma como a receita extraordinária será apurada — enquanto a renúncia tende a ser mais previsível.


… O anúncio não chegou a fazer preço nos ativos, mas deixou claro que a resposta do governo à alta do petróleo segue limitada.


CRÉDITO RURAL – A Fazenda entrou em campo para tentar conter a pressão do agronegócio por uma solução mais ampla para as dívidas rurais, propondo ao Senado um modelo alternativo ao projeto que prevê o uso de até R$ 30 bilhões do Fundo Social do Pré-Sal.


… A proposta substitui a securitização por duas novas linhas de crédito para renegociação, com alcance estimado de R$ 81,7 bilhões. Segundo a equipe econômica, não há impacto orçamentário, já que a reestruturação utilizaria fontes já existentes no sistema.


… Na prática, o governo tenta equilibrar duas frentes: aliviar os produtores e evitar o uso direto de recursos do Pré-Sal — ponto ao qual sempre se opôs. As condições indicam uma solução mais conservadora.


… A linha com recursos controlados prevê juros de 6% ao ano para o Pronaf, 8% para o Pronamp e até 12% para demais produtores, com prazo de até seis anos e exigência de entrada. Já a linha com recursos livres, voltada a grandes produtores, terá taxas de mercado.


… Esse ponto já aparece como foco de resistência. Nos bastidores, o agro avalia que os juros são elevados e que a proposta não atende plenamente ao pleito do setor. Por outro lado, a renegociação não restrita a eventos climáticos amplia o alcance e atende parcialmente às demandas.


… A movimentação também tem leitura política: ao apresentar uma alternativa, a Fazenda tenta esvaziar o avanço da securitização no Congresso, que teria impacto fiscal relevante. O tema segue em negociação, com o relator no Senado devendo discutir ajustes com o governo e o setor.


BC APERTA REGRA APÓS CASO MASTER – O Banco Central avançou na ofensiva regulatória, com duas resoluções do CMN que endurecem regras de captação com garantia do Fundo Garantidor de Crédito e exigências de liquidez para instituições menores.


… Decidiu que captações garantidas pelo FGC que superarem o ativo de referência terão de ser aplicadas integralmente em títulos públicos e estendeu a exigência de índice de liquidez de curto prazo para instituições de menor porte.


CURTAS DA POLÍTICA – O presidente da Câmara, Hugo Motta, disse que deve criar até esta sexta-feira a comissão especial da PEC que acaba com a escala 6×1, com instalação prevista para a próxima semana.


… A definição de presidente e relator ainda está em aberto, com nomes como Paulinho da Força entre os cotados.


… Já o presidente Lula viaja a São Paulo para realizar dois procedimentos médicos simples — uma infiltração no punho direito e cauterização no couro cabeludo — no Hospital Sírio-Libanês. Os compromissos desta sexta foram adiados.


… Genial/Quaest inicia hoje a coleta de pesquisa eleitoral para Presidência, governo de São Paulo e Senado, a ser divulgada no dia 29.


MAIS AGENDA – A sexta-feira traz como foco o setor externo no Brasil e indicadores de atividade e confiança no exterior.


… Às 8h30, o Banco Central divulga as transações correntes de março, com expectativa de déficit de US$ 5,62 bilhões (mediana do Broadcast), levemente acima do registrado em fevereiro. O IDP deve somar cerca de US$ 6,7 bilhões, mantendo fluxo externo ainda robusto.


… A terceira quadrissemana de abril do IPC-S medido pela FGV abre o dia (8h), enquanto, às 9h20, o BC realiza operação simultânea de venda de dólar à vista com leilão de swap reverso, em volume de até US$ 1 bilhão.


… No exterior, o destaque fica com o índice de sentimento do consumidor da Universidade de Michigan, às 11h. Mais cedo, serão divulgados o índice Ifo na Alemanha e os dados de varejo no Reino Unido. BC da Rússia anuncia decisão de juros às 7h30.


… Antes da abertura do mercado em Nova York, Procter & Gamble reporta balanço, com expectativa de lucro de US$ 1,56/ação. 


USIMINAS –Também antes da abertura, divulga resultado do 1º trimestre, com expectativa de Ebitda de cerca de R$ 452 milhões, queda de 38% na base anual, mas com melhora na comparação trimestral, puxada pela divisão de aço.


… A companhia realiza teleconferência com analistas e investidores às 11h.


INTEL – Disparou 19,90% no after hours em Nova York após o balanço superar expectativas de receita e lucro ajustado, impulsionado pelo avanço na área de data centers e inteligência artificial, sinalizando reposicionamento competitivo frente a rivais.


CAMPO MINADO – O clima piorou nos negócios à tarde com os relatos de que o presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Ghalibaf, abandonou as negociações diplomáticas e que Teerã reativou os sistemas de defesa aérea.


… O petróleo engatou o quarto pregão consecutivo de alta, as bolsas americanas interromperam os recordes, o Ibovespa perdeu os 192 mil pontos, o dólar superou os R$ 5 e os juros futuros embutiram prêmio de risco.


… Paralelamente, o ruído fiscal sobre a história dos combustíveis serviu de pressão adicional no cenário doméstico.


… Quem diria que a bolsa, que por um triz não conquistou na semana passada a marca inédita dos 200 mil pontos, cairia tanto e tão rápido nos últimos dias, com o impasse nas negociações da guerra facilitando uma correção.


… No intervalo dos seis últimos pregões, o Ibovespa queimou mais de 7 mil pontos, indo parar ontem nos 191.378 pontos, depois de ter caído 0,78%. O volume de negócios foi mais fraco o que o usual, de apenas R$ 24,7 bilhões.


… O giro menor pode ser uma boa notícia, de menor disposição para venda. Mas o ajuste negativo vai se dando.


…  A Vale teve novo dia de queda firme (-1,43%; R$ 85,97) e foi bem pior do que o minério de ferro (-0,32%).


… Os papéis dos bancos também repetiram o script de baixa: Itaú PN perdeu 1,89% (R$ 44,18); Bradesco PN recuou 2,16% (R$ 19,97); BTG unit caiu 1,72% (R$ 60,96); BB ON, -1,71% (R$ 23,00); e Santander unit, -0,83% (R$ 29,86).


… O estresse nos juros futuros pesou sobre as ações mais sensíveis ao consumo: C&A afundou 5,85% e dividiu com Vamos (-5,68%) as maiores baixas do Ibovespa, ao lado de Cogna (-3,91%), Direcional (-3,88%) e Yduqs (-3,59%).


… Pelo segundo dia consecutivo, Petrobras impediu um recuo mais expressivo do Ibovespa. O papel PN subiu 1,36%, a R$ 47,77, e o ON registrou valorização de 1,13%, para R$ 52,75, colado à nova escalada dos preços do petróleo.


… Com as conversas de paz entre os Estados Unidos e o Irã travadas, o barril emplacou a quarta alta seguida. No pico do nervosismo, o Brent chegou a saltar mais de 5% e superar a marca de US$ 107. Fechou a US$ 105,07 (+3,10%).


… Desta vez, não teve petróleo alto que salvasse o real. O dólar à vista quebrou a tendência de estabilidade dos últimos dias e fechou em alta de 0,60%, retomando a casa dos R$ 5, negociado no fechamento a R$ 5,0036.


… A confusão criada pela informação errada de que o governo anunciaria a isenção de PIS/Cofins sobre a gasolina fez a moeda americana acentuar a alta, junto com os juros futuros, antecipando os impactos fiscais da medida.


… Como os esclarecimentos de que não terá corte de imposto para a gasolina só vieram com o câmbio já fechado, é possível que o dólar queira corrigir na abertura. Outro driver será o leilão simultâneo de swap reverso/venda à vista.


… Mas, em primeiro plano, são as notícias vindas do Oriente Médio que continuam dominando a cena.


… A piora externa e a “lambança” na comunicação da Fazenda sobre os combustíveis puxaram os juros futuros.


… No fechamento, o contrato para Janeiro de 2027 marcava 14,140% (de 13,982% no ajuste anterior); Jan/28, 13,710% (contra 13,423%); Jan/29, 13,575% (de 13,267%); Jan/31, 13,625% (13,360%); e Jan/33, 13,685% (13,461%).


ANDOU PRA TRÁS – O dia já prometia ser comprometido em Nova York pela repercussão ruim aos guidances da Tesla e da IBM. Mas ainda teve o impasse das negociações com o Irã como “plus a mais” para a dose de cautela.


… Este ambiente de negócios mais desafiador veio a calhar para o S&P 500 e Nasdaq interromperem os recordes.


… Testando uma correção, o S&P 500 recuou 0,41%, para 7.108,40 pontos, o Nasdaq caiu 0,89%, a 24.438,50 pontos, e o Dow Jones perdeu 0,36%, para 49.310,32 pontos, com Tesla em queda firme de 3,56% e o tombo de 8,7% da IBM.


 … Na reação clássica de vender risco e comprar proteção, o dólar e juros dos Treasuries ganharam impulso. O DXY subiu 0,2%, a 98,770 pontos, e derrubou o euro (-0,22%; US$ 1,1683), libra (-0,31%; US$ 1,3464) e iene (159,75/US$).


… O Swissquote avalia que a nova onda de pressão nos preços do petróleo pode impulsionar o dólar no curto prazo. Mas alerta que, a longo prazo, a perspectiva econômica dos Estados Unidos também está se deteriorando.


… Sem diálogo com o Irã, a taxa da Note de 2 anos subiu a 3,831% (de 3,799%) e a de 10 anos, a 4,326% (de 4,303%).


CIAS ABERTAS NO AFTER – Petrobras notificou a Novonor que abriu mão dos direitos de preferência e de tag along previstos no acordo de acionistas vigente da BRASKEM e firmou novo acordo de acionistas com o FIP…


… Apesar do novo acordo, a Petrobras mantém fatia de 36,1% no capital da Braskem, sendo 47% do capital votante.


SUZANO pagará R$ 5,6 milhões em dividendos adicionais (R$ 0,0045 por ação). Ex em 30/4.


BANCO DO BRASIL captou US$ 500 milhões em “nature bond”, com vencimento em 2031 e cupom de 5,625% ao ano.


BRB. Justiça voltou a suspender uso de imóveis públicos para aporte no banco.


GOLDMAN SACHS aprovou liquidação e encerramento de dois ETFs, com negociação até 3 de junho de 2026.


HAPVIDA. Família Pinheiro, fundadora e controladora da operadora, elevou a participação de 51,39% para 55,4% do capital, às vésperas da assembleia para eleição do novo conselho de administração, que acontece no próximo dia 30.


USIMINAS elegeu Elias de Matos Brito como presidente do conselho de administração…


… A Latache, gestora que detém 5% das ações, emplacou um nome para o conselho de administração (Marco Aurélio Luz Gonçalves) e dois para o conselho fiscal (João Arthur Bastos Gasparino da Silva e Andre Leal Faoro).


MAGAZINE LUIZA pagará R$ 63 milhões em dividendos (R$ 0,0813 por ação). Ex em 27/4.


GRENDENE pagará R$ 83,1 milhões em proventos (R$ 0,0909 em JCP e R$ 0,0012 em dividendos) a partir de 13 de maio. Ex hoje. A companhia também informou ter aprovado a incorporação da MHL Calçados.


COPEL pagará R$ 1,35 bilhão em dividendos (R$ 0,4545 por ação) em 30/6.


COPASA. Em mais um passo para a privatização, o governo mineiro publicou o manual da etapa prévia para seleção de investidor de referência, que poderá adquirir participação de até 30% na companhia…


… Expectativa é que a desestatização ocorra até o fim do próximo mês, com movimentação estimada entre R$ 8 bi e R$ 10 bi. O modelo repete a estrutura de follow-on adotada pela Sabesp, prevendo entrada de investidor estratégico.


MATER DEI aprovou novo plano de remuneração baseado em ações.


RNI. Waldemar Verdi Junior foi eleito presidente do conselho de administração.


CORREIOS. O prejuízo triplicou e chegou a R$ 8,5 bilhões em 2025.

quinta-feira, 23 de abril de 2026

Criminalização da democracia

 *A criminalização da democracia*


O Estado de S. Paulo.23 Apr 2026


A PGR tem o dever de rejeitar a inclusão de Romeu Zema entre os investigados no inquérito das fake news. O que ameaça o STF e a democracia não são os discursos políticos, é o abuso de poder


Neste exato momento, a saúde da democracia brasileira está submetida a um exame decisivo. A qualquer hora, a Procuradoria-Geral da República (PGR) opinará sobre uma notícia-crime apresentada pelo ministro Gilmar Mendes ao colega Alexandre de Moraes contra Romeu Zema, ex-governador de Minas Gerais. A depender do parecer do procurador-geral Paulo Gonet, saberemos se o aparato persecutório do Estado ainda faz uma distinção nítida entre discursos políticos – legítimos, mesmo que mordazes ou satíricos – e condutas penalmente reprováveis.


A eventual inclusão de Zema entre os investigados no inquérito das fake news, como quer o decano do Supremo Tribunal Federal (STF), será mais do que outro desdobramento da eterna investigação relatada por Moraes. Será um novo marco definidor da liberdade de expressão no Brasil. Até que ponto a PGR e a mais alta corte do País estão dispostas a proteger a liberdade de expressão como pilar do Estado Democrático de Direito? Se Zema passar à condição kafkiana de investigado sem ter cometido crime algum, restará evidente que tanto a PGR como o STF estão dispostos a sacrificar o mais cívico dos direitos individuais sob o altar dos interesses particulares de Suas Excelências.


Zema, como se sabe, publicou vídeos satíricos em suas mídias sociais nos quais bonecos de animação caricaturam os ministros Gilmar Mendes e Dias Toffoli, valendo-se não só de fatos públicos e notórios, como também de decisões judiciais efetivamente tomadas por ambos. Ou seja, Zema não inventou fatos. Ridicularizou-os. E desde tempos imemoriais a sátira é uma das formas mais usuais de criticar os poderosos. Ademais, sátira, por definição, exagera, expõe, distorce. Submetê-la ao crivo penal, além de inútil e descabido, diz muito sobre o mau humor dos satirizados, sem falar no pendor para o autoritarismo.


Ao alegar que o conteúdo “vilipendia” sua honra pessoal e a imagem do Supremo, Gilmar Mendes reforça a confusão entre a crítica a indivíduos e o “ataque” à instituição. Nos últimos anos, essa mixórdia tem servido para blindar alguns ministros do Supremo da devida responsabilização por sua má conduta. Como quaisquer servidores públicos, Suas Excelências devem satisfações à sociedade por eventuais malfeitos e conflitos de interesses nos quais se deixam enredar. Colocar-se acima desse escrutínio é colocar-se acima das leis. Logo, um comportamento incompatível com a ordem constitucional democrática em vigor.


Eis aí a missão precípua da PGR: defender a ordem jurídica, o regime democrático e os interesses individuais e coletivos indisponíveis. Paulo Gonet está a serviço da sociedade brasileira, não do Supremo nem muito menos de alguns de seus ministros, razão pela qual não só deve opinar contra a inclusão de Zema no inquérito das fake news, como pugnar pelo encerramento da investigação – seja com o arquivamento do feito, seja com o envio dos autos para as eventuais denúncias a serem oferecidas pelo parquet.


Há ainda um problema elementar de competência. Desde que deixou o cargo de governador para disputar a Presidência da República, Zema não dispõe de foro especial por prerrogativa de função. Ainda que se admitisse, em tese, alguma ilicitude nos vídeos que ele publicou, seu julgamento não caberia ao STF, mas à primeira instância. Ao insistir em atrair o caso de Zema para o inquérito das fake news, a Corte não disfarça mais que esse famigerado inquérito se tornou um instrumento de perseguição judicial a seus críticos.


O resultado é a erosão sistemática da credibilidade institucional do Supremo, um mal de consequências imprevisíveis, sobretudo eleitorais, que se espraia a olhos vistos. Já dissemos nesta página que a democracia não pode prescindir de um árbitro visto como imparcial por todos os cidadãos para dirimir a miríade de disputas sociais em jogo numa sociedade plural e dinâmica. Mas, quando o STF age para proteger seus membros em vez de proteger a Constituição, vai no sentido diametralmente oposto, tisnando a confiança que alicerça sua autoridade.


Gonet tem uma excelente oportunidade de defender a sociedade contra os arroubos autoritários do STF. Ao examinar o caso, a PGR deve rejeitar a inclusão de Zema no inquérito das fake news, pois não há crime a apurar, e sim um discurso político a ser resguardado. •

BDM Matinal Riscala

 *Bom Dia Mercado*


*Quinta-feira,23 de abril de 2026*


*Impasse em Ormuz e vacilo das techs desafiam rali*

NY opera com altos níveis de exigência para balanços


… O mercado começa a quinta-feira dividido entre duas forças que caminham em direções opostas. De um lado, Israel e o Líbano se reúnem, e o impasse entre Estados Unidos e o Irã mantém o petróleo acima de US$ 100, com o Estreito de Ormuz praticamente travado e risco crescente de pressão inflacionária global. De outro, Nova York renova recordes, sustentada pela sinalização de que Trump não deixará o conflito sair do controle. O início da temporada de balanços das big techs deu suporte ao rali, mas o after hours não confirmou o entusiasmo. Tesla superou expectativas, mas virou para queda após falas de Elon Musk, enquanto a IBM, que também bateu projeções, caiu após manter o guidance. Hoje tem Intel.


QUEDA DE BRAÇO – Enquanto Nova York renova recordes apostando na capacidade dos Estados Unidos de conter o conflito, o noticiário vindo do Oriente Médio aponta para um impasse cada vez mais explícito entre Washington e Teerã.


… Na prática, o que se vê é uma guerra de posições.


… O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, decidiu estender o cessar-fogo por tempo indeterminado, mas retirou qualquer senso de urgência das negociações ao afirmar que não há prazo para que o Irã apresente uma proposta de acordo.


… Washington quer negociar, mas no seu tempo e sob seus termos. O Irã responde na mesma moeda — e com instrumentos reais de pressão.


… Teerã mantém o Estreito de Ormuz praticamente fechado, condiciona qualquer avanço diplomático ao fim do bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos e, na prática, transformou a principal rota energética do mundo em uma alavanca de negociação.


… O resultado é um impasse clássico: nenhum dos lados quer ser o primeiro a ceder.


… Esse jogo de força ganhou contornos mais agudos nas últimas horas, com disparos contra navios comerciais, apreensão de embarcações e relatos de tráfego praticamente zerado na região, por onde passa cerca de 20% do petróleo global.


… Apesar do tom mais agressivo, não há escalada militar direta — o que reforça a leitura de uma disputa controlada, mas longe de resolvida.


… O ponto central é que, embora Trump sinalize disposição para negociar — e até flerte com a possibilidade de novas conversas nos próximos dias —, suas próprias ações ajudam a travar o processo. Ele precisa encerrar a guerra, mas não pode sair derrotado.


… O bloqueio naval segue em vigor, as exigências americanas continuam elevadas (incluindo o programa nuclear iraniano) e há ruído constante entre discurso público e negociações de bastidores, o que alimenta a desconfiança de Teerã.


… Nesse contexto, o Irã parece confortável em sustentar a tensão.


… Há divisões internas entre os aiatolás, mas também uma linha dura ganhando força, defendendo uma postura mais firme nas negociações. E, diferente dos Estados Unidos, o país não enfrenta a mesma pressão imediata do ciclo político ou da inflação doméstica.


… É exatamente aí que entra o descolamento com os mercados.


… Enquanto Wall Street opera na expectativa de que Trump, mais cedo ou mais tarde, será forçado a desescalar, diante do impacto do petróleo sobre a inflação americana, o fluxo de notícias indica que esse caminho pode ser mais longo e errático do que o mercado gostaria.


… O Brent voltou a operar acima de US$ 100, sustentado pelo risco de escassez de oferta e pelo bloqueio em Ormuz, com sinais de aperto também no mercado físico. A leitura dominante é que, enquanto o impasse persistir, o petróleo segue em alta.


… A implicação é direta: mais energia cara, mais pressão inflacionária e menos espaço para cortes de juros.


… No fim, o que se desenha é um cenário em que o mercado aposta no desfecho, mas negocia a incerteza do caminho. E, por ora, esse caminho segue travado em uma queda de braço entre Estados Unidos e Irã, com o petróleo funcionando como o termômetro mais sensível da disputa.


ISRAEL E LÍBANO – Embaixadores dos dois países têm nova reunião marcada para hoje, em Washington. Beirute buscará uma extensão do cessar-fogo de dez dias mediado pelos Estados Unidos, que deve expirar no domingo.


… Na véspera das negociações, ataques israelenses mataram pelo menos quatro pessoas.


BIG TECHS – A temporada de balanços passa a dividir espaço com a geopolítica como principal driver de curto prazo em Wall Street, e pode ser decisiva para sustentar (ou interromper) o rali, em meio ao aumento das incertezas globais.


… A Tesla abriu a rodada após o fechamento com resultados acima do esperado, com crescimento de receita e lucro no primeiro trimestre, impulsionados pelo negócio automotivo e pela estratégia de avanço em veículos autônomos.


… A reação inicial foi positiva, mas perdeu força ao longo do after hours, com as ações virando para queda (-0,29% no fechamento) após o CEO Elon Musk alertar para aumento de investimentos e reconhecer limitações do hardware atual para direção autônoma.


… Ainda após o fechamento, a IBM também superou as projeções, com números fortes apoiados pela demanda por inteligência artificial e nuvem híbrida, mas viu suas ações afundarem 7,08% no pós-mercado após manter o guidance.


… Para um mercado que opera em níveis elevados e com alta exigência, isso se mostrou insuficiente. A leitura que começa a se desenhar é de uma temporada positiva, mas seletiva: não basta bater estimativas, é preciso sinalizar aceleração.


… No mesmo ambiente, a ServiceNow desabou 12,5% no after hours após indicar impacto negativo em receitas por atrasos de contratos no Oriente Médio, evidenciando que a geopolítica começa a contaminar os balanços.


… O calendário desta quinta-feira traz novos testes importantes, com resultados de Intel, após o fechamento, além de nomes ligados ao ciclo doméstico americano, como American Airlines e First Citizens BancShares, antes da abertura.


B3 – Aqui, a Usiminas abre a temporada de balanços amanhã, sexta-feira (24), com resultado antes da abertura e teleconferência às 11h.


MAIS AGENDA – A quinta-feira combina agenda doméstica enxuta, com indicadores de atividade no exterior, que ajudam a calibrar o pulso da economia global. No Brasil, o destaque fica para os dados do fluxo cambial semanal, que o Banco Central divulga às 14h30.


… Os números são importantes, em meio ao bom desempenho recente do real, sustentado pelo diferencial de juros e pela melhora dos termos de troca com o petróleo. Às 15h, tem reunião do CMN, com a participação do presidente do BC, Gabriel Galípolo.


… O mercado também acompanhará o leilão de títulos prefixados do Tesouro, após o movimento recente de inclinação da curva.


… No exterior, os índices preliminares de atividade (PMIs) concentram as atenções ao longo da manhã, com divulgações na Alemanha, Zona do Euro e Reino Unido no final da madrugada no Brasil, antes do PMI composto dos Estados Unidos, às 10h45.


… Entre os dados americanos, também saem o índice de atividade do Fed de Chicago e os pedidos semanais de auxílio-desemprego, às 9h30, em um momento em que o mercado monitora sinais de resiliência da economia, diante do cenário mais incerto.


CURTAS DA POLÍTICA – A CCJ da Câmara aprovou por unanimidade nesta quarta-feira a admissibilidade da PEC que prevê o fim da escala 6×1, em meio à pressão do governo para avançar com a proposta. O texto segue agora para uma comissão especial, onde o mérito será discutido.


… A expectativa é de debate intenso, diante da resistência de setores produtivos.


… O presidente da Câmara, Hugo Motta, afirmou que a comissão especial será instalada em breve e que a PEC deve chegar ao plenário ainda em maio. A sinalização reforça o esforço para acelerar a tramitação, apesar do potencial impacto econômico e fiscal da medida.


… O tema também ganha tração no campo político: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai defender o fim da escala 6×1 na propaganda partidária do PT, que começa a ser veiculada nesta quinta-feira, reforçando o engajamento do governo na pauta.


… Estimativas do setor privado indicam custo elevado da mudança, com impacto relevante sobre indústria e serviços, enquanto estudos apontam que os efeitos podem ser comparáveis a reajustes históricos do salário mínimo, o que amplia a disputa em torno do tema.


… Já o relator do marco regulatório dos minerais críticos, deputado Arnaldo Jardim, adiou a apresentação do seu parecer para o dia 4 de maio, após pedido do governo por mais tempo para consolidar sugestões e alinhar a proposta.


… No campo econômico, o governo alterou o decreto da subvenção ao diesel e ao GLP, com efeitos retroativos a 1º de abril, antecipando o início do período de apuração e ajustando prazos de envio de informações à ANP para atender demandas das distribuidoras.


JAPÃO HOJE – A leitura preliminar do PMI composto, medida pela S&P Global, piorou de 53 pontos em março para 52,4 pontos em abril, mas permaneceu acima do patamar neutro de 50, apontando expansão da atividade.


… Já o PMI industrial avançou de 51,6 para 54,9 pontos no mesmo período, também em território de alta, em seu ritmo mais forte desde fevereiro de 2014. O resultado contrariou a previsão dos analistas, de queda a 49,5 pontos.


… O PMI de serviços caiu de 53,4 para 51,2 pontos, abaixo da aposta de 53 pontos, mas em território expansionista.


PRESO AO PASSADO – Apesar de as bolsas americanas terem renovado os recordes históricos ontem, o Ibovespa caiu firme, porque estava devendo o ajuste ao pregão negativo em Nova York durante o feriado de Tiradentes.


… Sem queimar etapas, o índice à vista cumpriu a realização de lucros atrasada, perdeu 1,65% e entregou os 193 mil pontos (192.888,96), com giro de R$ 26,4 bilhões, apesar do alívio frágil da trégua estendida por Trump.


… Participantes do mercado ouvidos pelo Valor disseram que a queda forte dos papéis dos bancos brasileiros no pregão desta quarta-feira pode ter indicado que o fluxo estrangeiro não foi favorável ontem para a bolsa local.


… Segundo eles, a melhora das expectativas de lucro para as empresas de tecnologia americanas atraiu recursos para as ações das big techs em Wall Street, o que pode ter atrapalhado a vinda de capital externo aos papéis brasileiros.


… Houve uma onda de vendas em BB ON (-3,62%, que fechou a R$ 23,40), Santander unit (-3,37%, a R$ 30,11), BTG Pactual (-3,27%, a R$ 62,03), Bradesco PN (-2,95%, cotado a R$ 20,41) e Itaú PN (-2,89%, negociado a R$ 45,03).


… No clima de incertezas sobre a guerra no Irã, as ações da Vale também exibiram recuo expressivo, de 1,70%, e fecharam na mínima do dia, de R$ 87,22, ignorando a alta modesta de 0,32% do minério de ferro.


…O desempenho negativo da bolsa só foi atenuado pelo avanço dos papéis da Petrobras (ON +1,86%, a R$ 52,70; e PN +1,38%, a R$ 47,67), na esteira da valorização do petróleo. O barril voltou a ultrapassar a marca de US$ 100.


… Embora o Ibovespa ainda não tenha conseguido bater a marca inédita dos 200 mil pontos, o BofA continua confiante e alterou ontem a sua projeção para o índice no fim do ano de 180 mil pontos para 210 mil pontos.


… Segundo o banco, uma possível desescalada da guerra levaria à queda dos preços do petróleo e aliviaria a pressão sobre os custos, permitindo que o BC encerre o ano com a Selic em 13,25%; para 2027, juros podem ficar em 12,50%.


… Persistem, porém, as dúvidas sobre a extensão do choque energético com o conflito no Irã. Ontem, como se viu, pela primeira vez em duas semanas, os contratos do Brent voltaram a ultrapassar a barreira simbólica dos US$ 100.


… O barril para junho emplacou a terceira alta seguida e saltou 3,5%, a US$ 101,91, diante da continuidade do bloqueio ao trânsito de navios no Estreito de Ormuz, que Teerã considera como uma violação do cessar-fogo.


… A pressão do petróleo, que significa inflação, puxou os juros futuros, de ponta a ponta. Faltando menos de uma semana para o Copom, é improvável que a guerra caminhe para um desfecho que justifique corte de 0,50pp da Selic.


… No Broadcast, a curva futura precifica quase 100% de chance de queda de 25 pontos do juro na próxima reunião.


… No fechamento, o DI para Janeiro de 2027 marcava 14,010% (de 13,933% no ajuste anterior); Jan/28 subia a 13,465% (contra 13,312%); Jan/29, 13,305% (de 13,166%); Jan/31, 13,405% (13,260%); e Jan/33, 13,510% (13,366%).


VIVENDO O PRESENTE – Têm circulado avaliações de que o fôlego da rotação de ativos para os mercados emergentes está se esgotando e que o real tem espaço cada vez mais limitado para cair muito abaixo dos R$ 5.


… Mas o fato de o Brasil ser produtor de petróleo tem atuado como um diferencial importante para o câmbio.


… O Bradesco informou em relatório que o País apareceu em destaque como alternativa de investimento tanto em juros quanto em moeda nos encontros de primavera do FMI, realizados semana passada em Washington.


… Descolado da alta no exterior, o dólar à vista fechou estável ontem por aqui, a R$ 4,9740, blindado pelo avanço do petróleo e pela Selic muito elevada, que mantém o carry trade atrativo, apesar do ciclo de calibração do Copom.


… O real se mantém nos melhores níveis em mais de dois anos e acumula ganho de quase 4% no mês e 10% no ano.


… Lá fora, pouco convencido de que Trump e o Irã vão se entender logo, o DXY exibiu uma dose de cautela: +0,2%, a 98,590 pontos. O euro caiu 0,30%, a US$ 1,1708, a libra ficou estável (US$ 1,3501) e o iene subiu a 159,52 por dólar.


… Os relatos de que Teerã só vai sentar novamente à mesa de negociação quando for encerrado o bloqueio aos seus portos levou a alguma procura pelos Treasuries, derrubando os juro da Note de dois anos a 3,799%, contra 3,801%.


… Só mesmo as bolsas americanas ignoraram a dificuldade para um acordo de paz, preferindo antecipar balanços positivos das gigantes de tecnologia. Após três recordes semana passada, S&P 500 e Nasdaq partiram para mais um.


… O S&P500 avançou 1,05% e estabeleceu a mais nova máxima de fechamento aos 7.137,89 pontos, enquanto o Nasdaq subiu 1,64%, para o pico histórico de 24.657,57 pontos. O Dow Jones ganhou 0,69%, aos 49.490,03 pontos.


CIAS ABERTAS NO AFTER – PETROBRAS divulgará relatório de produção e vendas do 1TRI26 no dia 30/4, após o fechamento. O balanço sai no dia 11/5, após o fechamento; teleconferência será no dia 12/5.


REFINARIA DE MATARIPE reduzirá, pela quarta vez este mês, os preços do diesel S-10 (em 1,05%) e da gasolina (em 1,36%) a partir de hoje; diesel acumula queda de 4% e gasolina de 5,7% no mês.


RAÍZEN disse que não há decisão definitiva sobre reestruturação, mas mantém tratativas com credores.


KLABIN informou que a BlackRock passou a deter 10,003% das ações preferenciais.


USIMINAS realiza hoje AGO e AGE para eleger o conselho de administração por voto múltiplo; Latache Capital pretende emplacar os nomes de Marco Aurelio Gonçalves e Stefan Lourenço de Lima (O Globo).


NEOENERGIA elegeu Carlos Henrique Quadros Choqueta como diretor de Finanças e RI…


… A empresa informou ainda que o reajuste tarifário da Coelba (+5,85%) e Cosern (+5,40%) foram aprovados.


LIGHT ENERGIA elegeu Stefano Miranda como diretor-presidente e Leonardo Gadelha como diretor de RI.


ISA ENERGIA. Axia passou a deter 20,68% do capital total da companhia.


AEGEA disse que mantém fundamentos operacionais sólidos, com crescimento consistente.


LOCALIZA. Norges Bank elevou participação para 5,02% das ações preferenciais.


REDE D’OR aprovou emissão de notas de até US$ 750 milhões, com prazo de até 10 anos e juros de até 7% ao ano.


CARREFOUR teve queda de 0,8% nas vendas no Brasil no 1TRI26.


ALLOS ajustou dividendo intermediário para R$ 0,29193 por ação, de R$ 0,29247; pagamento em 5/5.


GRUPO SBF aprovou emissão de debêntures de R$ 600 milhões.


GOL teve alta de 10% na oferta (ASK) em março na comparação anual.


OI. Após vender as principais linhas de negócios para pagar dívidas no processo de recuperação judicial, a companhia se prepara para a alienação do próximo ativo da fila, a Oi Soluções, que fornece tecnologia da informação…


… O processo deve atrair as grandes operadoras de telecomunicações que também têm braços de TI, como Vivo, Claro e TIM, além de provedores regionais com atuação no setor.


BRISANET pagará R$ 18 milhões em JCP (R$ 0,0410 por ação) em 12/5.


FERBASA. O CEO, Silvano de Souza Andrade, assumiu diretoria de RI, acumulando funções.


EUROFARMA pagará R$ 87,6 milhões em JCP em 27/4.

quarta-feira, 22 de abril de 2026

Bankinter Portugal Matinal

 Análise Bankinter Portugal 


NY -0,6% US tech -0,4% US semis +0,5% UEM -0,9% Espanha -0,6% VIX 19,5% Bund 3,01% T-Note 4,28% Spread 2A-10A USA=+51pb B10A: ESP 3,46% PT 3,45% FRA 3,67% ITA 3,44% Euribor 12m 2,70% (fut. 2,72%) USD 1,175 JPY 187,1 Ouro 4.766$ Brent 97,3$ WTI 88,3$ Bitcoin +3,0% (78.045$) Ether +3,1% (2.390$).


SESSÃO: Os futuros de WS avaliam em positivo (+0,6% Nova Iorque; +0,8% tecnologia) após Trump anunciar que prolonga o cessar-fogo no Irão de forma indefinida, embora sem confirmação por parte de Teerão. O problema é que o Estreito de Ormuz, que é o principal foco de risco, continua fechado, por isso, o preço do petróleo ainda está perto do nível psicológico de 100 $/barril e as obrigações não terminam de relaxar-se (yield do Bund alemão perto de 3,0%). As bolsas asiáticas consolidam posições após o rally de abril e o tom na Europa é mais cauteloso do que em WS. 

Ontem, a mensagem de Kevin Warsh perante o Senado bancário dos EUA foi bastante hawkisk/dura, defendendo a independência da Fed em relação à Casa Branca. Na frente empresarial, a maioria das empresas supera as expetativas (Halliburton, RTX, Unitated Health…). ASMI publicou, ontem após o fecho, resultado sólidos e o ADR avança +3,5%. Hoje será a vez de, entre outras, L’Oreal, mas a chave está nos EUA. No fecho, publicação de LAM Research e Tesla. Os seus resultados, principalmente os de LAM, servirão para testar a tecnologia antes de se conhecer os resultados das grandes do setor, na próxima semana.

Em suma, a tendência do mercado é positiva, com a tecnologia a atuar como principal apoio do mercado apesar do risco geopolítico.

BDM Matinal Riscala

 *Bom Dia Mercado*


Quarta Feira,22 de Abril

De 2.026.


*Extensão do cessar-fogo alivia, mas não resolve*


EUA não retiram bloqueio naval e Teerã recusa nova rodada no Paquistão


… O mercado inicia esta quarta-feira após uma sessão negativa em Nova York no feriado, com os ativos reagindo bem à trégua estendida por Donald Trump. Mas sem uma retirada do bloqueio naval e diante da decisão de Teerã de não comparecer à rodada no Paquistão, a percepção é de que o conflito segue sem solução. Mais cedo ou mais tarde, a falta de um acordo à vista pode recobrar a cautela nos negócios globais, em um cenário de menor visibilidade e maior sensibilidade dos investidores a novos desdobramentos, na agonia estendida da guerra que não acaba.


TRÉGUA SEM ACORDO – As negociações de paz entre os Estados Unidos e o Irã chegaram a um impasse nesta terça-feira, com a decisão do Irã de se recusar a comparecer ao Paquistão para uma nova rodada de negociações, prevista para hoje.


… Donald Trump esperou até o último minuto, mas acabou adiando a viagem planejada do vice-presidente JD Vance a Islamabad, ao mesmo tempo que anunciou a prorrogação do cessar-fogo “até que as discussões sejam concluídas, de uma forma ou de outra”.


… “Considerando que o governo do Irã está fragmentado, e a pedido do Marechal de Campo Asim Munir e do Primeiro-Ministro Shehbaz Sharif, do Paquistão, fomos solicitados a suspender nosso ataque ao Irã até que seus líderes apresentem uma proposta unificada.”


… Mas o presidente manteve o bloqueio naval, ordenando às Forças Armadas que permaneçam “prontas e aptas em todos os demais aspectos”.


… O gesto reforça o tom ambíguo de Washington: estende a trégua, mas preserva os instrumentos de pressão — o que dificulta qualquer avanço concreto nas negociações.


… Também o Irã dá sinais de que não pretende ceder.


… A jornalistas na ONU, o embaixador do Irã nas Nações Unidas, Amir Saeid Iravani, disse que os Estados Unidos iniciaram a guerra. “Se quiserem voltar à mesa de negociações para uma solução política, vão encontrar o Irã pronto. Se quiserem guerra, também estaremos prontos.”


… Trump havia estabelecido um prazo final na noite de hoje para o cessar-fogo de duas semanas com o Irã e, apesar das ameaças de novos ataques, o adiamento representa mais um obstáculo para seus esforços de chegar a um acordo com Teerã — e prolonga o ambiente de incerteza.


… O conflito, que já dura oito semanas, matou milhares de pessoas e desencadeou uma crise energética global, com impactos diretos sobre inflação e crescimento nas principais economias.


… Trump enfrenta pressão interna para encerrar a guerra, com pesquisas mostrando que a maioria dos americanos desaprova a campanha, uma oposição ampliada pelos efeitos do conflito sobre os preços dos combustíveis e o custo de vida.


… O presidente procura acalmar essas preocupações, insistindo que os preços cairão rapidamente assim que a guerra terminar. Analistas, no entanto, apontam que a situação tende a se deteriorar quanto mais tempo um acordo permanecer indefinido.


… Na Bloomberg, Frederic Lasserre, chefe de análise da trading Gunvor Group, afirmou que, se a guerra persistir por mais um mês, os mercados de petróleo podem entrar em um cenário de forte escassez de oferta, com estoques pressionados.


… Mais cedo, o Irã afirmou que não “aceitará negociações sob a sombra de ameaças” e que quaisquer conversas exigiriam uma mudança na posição dos Estados Unidos, que ameaçaram retomar os combates e impor novas sanções caso não se chegue a um acordo.


… Para retomar as discussões, Teerã exige que Washington suspenda o bloqueio naval aos portos iranianos, que considera um “ato de guerra” e uma “violação do cessar-fogo”. Apesar de ter estendido a trégua, Trump manteve as forças americanas no Estreito.


… Além do Estreito de Ormuz, outra questão sem consenso é o programa nuclear iraniano.


… Os Estados Unidos exigem que o Irã abandone suas ambições de desenvolver armas nucleares e entregue seus estoques de urânio enriquecido. Teerã resiste e afirma que seu programa tem fins pacíficos.


ISRAEL X LÍBANO – A escalada no Oriente Médio também ganhou novos contornos nesta terça-feira, com Israel acusando o Hezbollah de uma “violação flagrante do cessar-fogo” no sul do Líbano, em mais um foco de tensão paralelo ao impasse entre Estados Unidos e Irã.


… Segundo as Forças Armadas de Israel, o grupo militante libanês lançou diversos mísseis contra militares israelenses posicionados na chamada linha de defesa avançada, implementada no sul do território libanês.


… Em resposta, Israel afirmou ter atacado o lançador de onde partiram os foguetes, reforçando o risco de reativação de um segundo front.


… Apesar do aumento das tensões, há uma tentativa de preservar o canal diplomático.


… A próxima rodada de negociações entre Israel e Líbano foi marcada para amanhã, quinta-feira (23), em Washington, com mediação do governo americano, segundo fontes ouvidas pela Reuters.


… O encontro deve reunir embaixadores dos dois países no Departamento de Estado, em mais um esforço para evitar uma escalada mais ampla.


… Em comunicado, o Líbano afirmou que o país optou pela negociação, em vez da continuidade da guerra, manifestando esperança de preservar a estabilidade interna. O ex-embaixador nos Estados Unidos Simon Karam foi nomeado para liderar as negociações bilaterais com Israel.


O SUBSTITUTO DE POWELL – Indicado à presidência do Fed, Kevin Warsh evitou cravar qualquer trajetória para os juros e adotou um tom cauteloso ao ser sabatinado no Senado americano, nesta terça-feira, reforçando a incerteza sobre os próximos passos do Fomc.


… “A política monetária opera com defasagens. O Fed terá que se empenhar bastante nas próximas reuniões”, afirmou, ao destacar ceticismo em relação ao forward guidance — indicando que a condução dos juros deve seguir dependente dos dados.


… Warsh também minimizou a pressão de Donald Trump por cortes de juros, afirmando que presidentes costumam defender políticas mais frouxas — ainda que o republicano seja mais vocal nesse sentido.


… No campo macro, o indicado demonstrou visão mais benigna para a inflação, dizendo não acreditar que as tarifas sejam responsáveis por pressões persistentes e avaliando que a tendência inflacionária é “favorável”.


… Para ele, o foco deve estar na inflação subjacente, ainda que reconheça limitações nos dados atuais e uma janela cada vez mais estreita para trazer os preços de volta à meta de 2%.


… Warsh também defendeu uma revisão estrutural no Fed, com melhorias nos sistemas de dados e adaptação dos modelos econômicos aos impactos da inteligência artificial sobre produtividade e mercado de trabalho.


… Questionado sobre independência, afirmou que nunca foi pressionado por Trump a se comprometer com decisões de juros e garantiu que manterá a política fora do banco central. Ainda assim, a confirmação do nome enfrenta ruídos políticos.


… O senador republicano Thom Tillis reiterou que não deve apoiar Warsh enquanto durar a investigação contra Jerome Powell [sobre os gastos na reforma da sede do Fed], o que pode atrasar a sucessão de Jerome Powell com maioria apertada no Comitê Bancário.


AGENDA –O foco se desloca para a agenda internacional nesta quarta-feira, com o petróleo no centro das atenções, após a piora geopolítica, além de dados de inflação no Reino Unido e falas de dirigentes do Banco Central Europeu.


… No Reino Unido, o CPI de março sai de madrugada, enquanto, na Turquia, a decisão de política monetária será divulgada às 8h.


… Na Europa, às 11h, a Comissão Europeia publica a prévia da confiança do consumidor de abril, e, nos Estados Unidos, os estoques semanais de petróleo serão divulgados às 11h30, em um dado que ganha ainda mais relevância diante da volatilidade recente da commodity.


… No período da tarde, às 14h30, a presidente do BCE, Christine Lagarde, participa de evento em Londres, e à noite, às 21h30, o Japão divulga a prévia do PMI composto de abril, encerrando o dia com um termômetro da atividade global.


… No Brasil, a agenda segue mais leve, com o fluxo cambial semanal do Banco Central às 14h30 e a balança comercial do MDIC às 15h.


ESCALA 6×1 – A Câmara deve avançar na discussão sobre o fim da escala 6×1, com a votação da PEC na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) prevista para esta quarta-feira, segundo o presidente da Casa, Hugo Motta.


… O deputado afirmou que, por ora, não indicará relator para o projeto de lei enviado pelo governo sobre o tema, reforçando a opção por conduzir o debate via proposta de emenda constitucional – embora tenha tentado afastar ruídos com o Executivo.


… A definição sobre relatoria e presidência da comissão especial que analisará o tema deve ocorrer apenas após a aprovação na CCJ.


… Segundo ele, o cronograma prevê votação final entre o fim de maio e o início de junho, em um processo que deve ser conduzido “sem atropelos”, apesar da expectativa favorável à redução da jornada de trabalho entre parlamentares.


MINERAIS CRÍTICOS – Também nesta quarta-feira, o marco regulatório dos minerais críticos entra na pauta da Câmara, com o projeto que institui a Política Nacional do setor previsto para votação.


… Relator da proposta, o deputado Arnaldo Jardim afirmou que apresentará seu parecer mesmo sem o retorno formal do governo, que não encaminhou um texto próprio, optando por contribuir com ajustes durante a tramitação.


… O tema ganhou força após a recente movimentação no setor, com a compra da mineradora brasileira Serra Verde pela americana USA Rare Earth — única produtora em larga escala fora da Ásia.


… As chamadas terras raras, grupo de 17 elementos essenciais para tecnologias como carros elétricos, smartphones e sistemas militares, estão no centro da disputa estratégica global por cadeias de suprimento.


… Entre os pontos de tensão no debate está a proposta de criação da Terrabras, estatal voltada ao desenvolvimento da cadeia de minerais críticos, defendida por parte do governo, mas ainda com resistência relevante no Congresso.


REAÇÃO COM DELAY – O anúncio de prorrogação do cessar-fogo saiu minutos depois do fechamento em Nova York, que passou o dia repercutindo o impasse nas negociações, com efeito sobre os ativos brasileiros no feriado por aqui.


… Principal ETF das ações domésticas negociadas em Nova York, o EWZ fechou em baixa de 1,22%, a US$ 40,80.


… Em meio às dúvidas sobre avanço nas negociações entre o Irã e os Estados Unidos, o ADR da Vale caiu 2,10%, para US$ 17,45; o do Bradesco perdeu 2,86%, negociado a US$ 4,07, e o do Santander Brasil, -2,76%, a US$ 12,33.


… Na direção contrária, Petrobras colou na alta firme do petróleo, que seguiu perto dos US$ 100. O ADR da estatal petrolífera equivalente à ação PN subiu 2,01% (US$ 19,26) e o correspondente à ON ganhou 1,99% (US$ 21,16).


… Durante todo o dia, prevaleceu o clima de cautela com o prazo do fim da trégua prestes a expirar. Preocuparam os relatos na imprensa de que JD Vance havia adiado a sai viagem a Islamabad para discutir o fim da guerra.


… Além disso, o Paquistão informou que ainda não havia recebido confirmação de que o Irã participaria de  negociações de paz de última hora, após forças americanas abordarem um navio-tanque iraniano em alto-mar.


… Sob a pressão das incertezas, o barril do Brent para junho avançou 3,14% e fechou valendo US$ 98,48.


… A permanência das cotações do petróleo no high, com potencial efeito inflacionário, provocou tensão nos juros dos Treasuries e limitou o apetite por ativos de riscos, despertando vendas nas bolsas norte-americanas.


… Pelo segundo dia seguido, após os picos históricos recentes, houve espaço de correção para o S&P 500, em queda de 0,63%, a 7.064,01 pontos, e o Nasdaq (-0,59%, a 24.259,96 pontos). O Dow Jones caiu 0,59%, a 49.149,38 pontos.


… A taxa da Note de 2 anos subiu a 3,801%, contra 3,724% na véspera, e a de 10 anos avançou a 4,311% (de 4,256%).


… O índice DXY pegou carona no movimento e fechou em alta de 0,30%, a 98,394 pontos. A moeda norte-americana se deu melhor do que seus três principais rivais: euro (US$ 1,1733), libra (US$ 1,3488) e iene (159,54 por dólar).


NÃO SE EXPÔS – O mercado doméstico fica devendo o ajuste às novidades desta terça-feira, após ter evitado exposição antes do feriado de Tiradentes. O Ibovespa limitou a alta na segunda-feira a 0,20%, a 196.132,06 pontos.


… No pregão esvaziado, o volume de negócios foi mais fraco do que o usual, terminando em R$ 22,5 bilhões.


… O último pregão terminou com alta consistente dos papéis da Petrobras (ON +1,83%, a R$ 51,74; e PN +1,73%, a R$ 47,02), refletindo o petróleo, que já operava as incertezas sobre possíveis novas negociações diplomáticas.


… Vale recuou 1,14% (R$ 88,73), na contramão do minério (+1,16%), ao passo que os principais bancos fecharam majoritariamente em queda: Bradesco PN -1,08% (R$ 21,03), Itaú PN -0,92% (R$ 46,37), BB -0,49% (R$ 24,28).


… A forte alta do petróleo na segunda-feira ajudou a fortalecer as divisas de países produtores da commodity, como o real brasileiro, e levou o dólar a fechar em leve baixa de 0,18% e se manter abaixo de R$ 5, cotado a R$ 4,9742.


… Reportagem veiculada ontem pelo Valor informa que nem mesmo a incerteza elevada do conflito no Oriente Médio freou o processo de diversificação de portfólios que tem beneficiado o real como alternativa aos EUA.


… Os fundos locais elevaram a exposição à moeda brasileira ao maior nível desde o início de 2024.


… Segundo informações de operadores de câmbio baseados em dados da B3, a posição de investidores institucionais comprada em real ultrapassou a barreira de US$ 12 bilhões nos últimos dias, contra US$ 4,6 bilhões no início do ano.


… Apesar do câmbio comportado, os juros futuros curtos subiram, pressionados pelo petróleo e pela nova piora nas projeções de inflação do boletim Focus para este ano (de 4,71% para 4,80%) e o próximo (de 3,91% para 3,99%).


… A deterioração veio acompanhada de alta na previsão de Selic este ano (de 12,5% para 13%) e em 2027 (de 10,5% para 11%). Cálculos feitos pelo Broadcast com base no Focus indicam IPCA fora da meta por nove meses.


… De acordo com os números analisados, a inflação acumulada em 12 meses (meta contínua) deve permanecer acima do limite de 4,50% entre junho de 2026 e fevereiro de 2027. Com isso, o BC voltaria a descumprir o alvo.


… Antes de sair para o feriado, o DI para janeiro de 2027 subiu 13,910% (de 13,882% no ajuste anterior); Jan/28, a 13,285% (13,244%); e Jan/29, a 13,150% (13,141%). Jan/31 caiu a 13,240% (13,294%); e Jan/33, 13,360% (13,414%).


CIAS ABERTAS NO AFTER – BRASKEM disse no 20-F que há dúvida sobre continuidade operacional, citando ciclo petroquímico fraco e endividamento. No Valor, empresa não deve escapar de pedido de recuperação extrajudicial.


BRB fechou acordo para vender R$ 15 bilhões em ativos do Master para a Quadra Capital, gestora de recursos independente, fundada em 2016, em São Paulo, por Nilto Calixto, ex-Credit Suisse…


… A carteira do BRB que faz parte da transação fechada com a Quadra inclui créditos a pessoas físicas e jurídicas herdados da Credcesta e participações societárias em empresas como Oncoclínicas e Ambipar, apurou o Valor…


… Mesmo após o acordo, o BRB ainda precisará de um aporte do governo do DF para reequilibrar as contas. O banco realiza assembleia de acionistas hoje para votar um plano de socorro que prevê aporte adicional de R$ 8,86 bilhões.


C6. Moody’s atribuiu rating Ba3 à emissão de notas seniores.


COPASA disse à CVM que decisão do TCE-MG não proíbe oferta de ações, que possibilitará privatização.


AEGEA. S&P rebaixou rating de B+ para B, com perspectiva negativa.


BRAVA ENERGIA pagará R$ 57,4 milhões em dividendos (R$ 0,1236 por ação) em 1º de maio.


TOTVS informou que a eleição do conselho de administração, em AGO de 24/04, poderá ocorrer por voto múltiplo, após pedido de acionistas com mais de 5% do capital…


… Companhia informou ainda que a BlackRock passou a deter 10,010% do total do seu capital social.


MILLS alterou valor por ação de dividendo de R$ 150 milhões anunciado em dezembro para R$ 0,65959/ação, contra de R$ 06173 anteriormente; pagamento será dia 30.


APPLE nomeou John Ternus como CEO, substituindo Tim Cook, que se tornará presidente do conselho a partir de 1º de setembro.


terça-feira, 21 de abril de 2026

Bankinter Portugal Matinal

 Análise Bankinter Portugal 


NY -0,2% US tech -0,2% US semis +0,5% UEM -1,2% Espanha -1,2% VIX 18,9% Bund 2,98% T-Note 4,25% Spread 2A-10A USA=+52pb B10A: ESP 3,42% PT 3,36% FRA 3,61% ITA 3,72% Euribor 12m 2,68% USD 1,179 JPY 187,2 Ouro 4.821$ Brent 95,5$ WTI 89,6$ Bitcoin -1,4% (76.316$) Ether -3,7% (2.338$).


SESSÃO: Mantém-se o otimismo em relação a um ponto final do conflito no Irão, apesar do novo encerramento do Estreito de Ormuz durante o fim de semana e a incerteza se o Irão irá comparecer hoje à nova ronda de negociações no Paquistão. Por isso, as bolsas ontem nem corrigiram a subida de sexta-feira (EUA -0,2% ontem vs. +1,2% sexta-feira; e Europa -1,2% vs. +2,3%) e os futuros aponta hoje para subidas moderadas (+0,5%). Damos praticamente por garantido que as negociações entre os EUA e o Irão continuarão, já que ambas as partes estão interessadas em chegar a um acordo, e apesar de Trump o considerar “improvável”, poderão decidir, pelo menos, prolongar o cessar-fogo. Não seria a primeira vez que Trump recua…


Isto permitirá manter o prémio de risco “sob controlo” e estar atento aos fundamentos que continuam a ser positivos. O mais importante hoje no plano convencional será a comparência de K. Warsh, candidato a presidir a Fed, que defenderá a sua candidatura perante a Comissão Bancária do Senado num tom provavelmente um pouco dovish (suave). Por outro lado, na frente empresarial, a temporada de resultados vai ganhando tração. À primeira hora, conhecemos as vendas de Thales, que batem estimativas, e resultados de Enagas, em linha com o esperado no 1T e em guias.


Em suma, sessão de ligeiras subidas perante a expetativa de um possível acordo hoje entre os EUA e o Irão, pelo menos para prolongar o “cessar-fogo”, com Warsh a descartar, provavelmente, o cenário de subidas de taxas de juros nos EUA e perante uma temporada de resultados “prometedora”, com subidas esperadas de EPS de +14% nos EUA.

Marcelo de Paiva Abreu

 O economista historiador Marcelo de Paiva Abreu acaba de publicar uma coletânea de seus artigos publicados no Estado de S. Paulo, de 1995 a...