segunda-feira, 8 de junho de 2026

Vai rolar

 Vai rolar: Depois do payroll, inflação entra no centro do jogo


[08/06/26] O payroll eliminou as dúvidas sobre a força da economia americana e, agora, a atenção se volta para a inflação, em uma semana decisiva para calibrar as apostas de juros, enquanto a guerra se mantém como risco. O fim de semana trouxe mais sinais de escalada no Oriente Médio, após Israel atacar Beirute e o Irã reagir. Trump passou a pressionar publicamente Netanyahu para evitar uma nova investida, expondo divergências entre Washington e Tel Aviv e ampliando as incertezas do cenário geopolítico. No mercado, o petróleo abriu a segunda-feira em alta, enquanto investidores esperam pelo CPI nos Estados Unidos e pelo IPCA no Brasil, que podem definir os próximos passos do Fed e do Copom. (Rosa Riscala)

👉 Confira abaixo a agenda desta semana

Agenda da semana: Inflação é destaque aqui e nos EUA

Hoje
▪️ 08h25 – Brasil: Boletim Focus
▪️ 12h00 – EUA: Expectativas de inflação

Amanhã
▪️ 00h00 – China: Balança comercial de maio
▪️ 08h00 – Brasil: IGP-DI de maio
▪️ 09h15 – EUA: Relatório ADP semanal
▪️ 22h30 – China: CPI e PPI de maio

Quarta-feira
▪️ 09h30 – EUA: CPI de maio (principal indicador)
▪️ 14h30 – Brasil: Fluxo cambial estrangeiro

Quinta-feira
▪️ 07h00 – Opep: relatório do mercado de petróleo
▪️ 09h00 – Brasil: Volume de serviços de abril
▪️ 09h15 – Zona do euro: Decisão de juros do BCE
▪️ 09h30 – EUA: PPI de maio e auxílio-desemprego
▪️ 09h45 – Zona do euro: Coletiva de Lagarde

Sexta-feira
▪️ 09h00 – Brasil: IPCA de maio
▪️ 11h00 – EUA: Confiança do consumidor de Michigan

Pensamento econômico

 


A Evolução do Pensamento Econômico

Das ideias de livre mercado de Adam Smith à visão focada em sustentabilidade de Herman Daly, o pensamento econômico evoluiu continuamente para enfrentar os desafios de cada época.
Compreender essas escolas de pensamento nos ajuda a analisar melhor os debates atuais sobre inflação, crescimento, desigualdade, ciclos econômicos, comportamento humano e sustentabilidade ambiental. Cada teoria oferece uma lente única através da qual podemos entender como as economias funcionam e como as políticas moldam nosso mundo.
Qual corrente de pensamento você acha que teve maior impacto na formulação moderna de políticas econômicas?

BDM Matinal Riscala

 *Rosa Riscala: Depois da folha de pagamento, inflação entra no centro do jogo*


… O payroll eliminou as dúvidas sobre a força da economia americana e, agora, a atenção se volta para a inflação, em uma semana decisiva para calibrar as apostas de juros, enquanto a guerra se mantém como risco. O fim de semana trouxe mais sinais de escalada no Oriente Médio, após Israel atacar Beirute e o Irã reagir. Trump passou a pressionar publicamente Netanyahu para evitar uma nova investida, expondo divergências entre Washington e Tel Aviv e ampliando as incertezas do cenário geopolítico. No mercado, o petróleo abriu a segunda-feira em alta, enquanto investidores esperam pelo CPI nos Estados Unidos e pelo IPCA no Brasil, que podem definir os próximos passos do Fed e do Copom.


TRUMP CONSEGUE SEGURAR NETANYAHU? – O Oriente Médio volta ao centro das atenções após um fim de semana de forte escalada militar, justamente quando o mercado começa uma semana decisiva para as apostas de juros e inflação.


… O Irã lançou mísseis contra Israel pela primeira vez desde o cessar-fogo de abril, em resposta ao bombardeio israelense contra os subúrbios do sul de Beirute, reacendendo temores de uma retomada dos combates em larga escala na região.


… O episódio expôs divergências públicas entre Donald Trump e Benjamin Netanyahu. O presidente americano criticou os ataques no Líbano, afirmou que não ficou satisfeito com a ação e disse que pediria ao premiê israelense que não responda à ofensiva iraniana.


… Não se sabe se Trump falou ou não com Netanyahu, mas, se falou, Netanyahu não atendeu ao seu pedido. No final da noite, Israel anunciou um ataque contra alvos militares no sul e no centro do Irã e puxou a alta do petróleo para mais de 4%.


… Mais cedo, Trump insistiu que ainda acredita em um acordo com Teerã e que os iranianos deveriam “voltar à mesa de negociações”.


… Em uma das declarações mais contundentes desde o início do conflito, Trump disse que Netanyahu terá de aceitar qualquer acordo fechado por Washington com o Irã, reforçando a percepção de que Estados Unidos e Israel podem divergir sobre os próximos passos da guerra.


… Em entrevista ao Financial Times, Trump disse que “ele [Netanyahu] não vai ter escolha; eu é que mando, eu mando em tudo; ele não é quem manda”. Segundo o presidente, os últimos ataques não mudaram seu desejo de concluir as negociações com o Irã.


… As tensões aumentaram após Israel atacar Beirute poucos dias depois de um cessar-fogo negociado com mediação dos Estados Unidos.


… O Irã classificou a ação como uma violação dos entendimentos em curso, ameaçou ampliar ataques contra alvos israelenses e americanos na região e fechou seu espaço aéreo ocidental. O pano de fundo continua sendo o impasse nas negociações entre Washington e Teerã.


… O mercado também monitora a situação no Estreito de Ormuz.


… Nos últimos dias, houve relatos de drones iranianos lançados em direção à região, interceptações realizadas por forças americanas, ataques a instalações de vigilância costeira iranianas e novas ameaças de Teerã contra ativos americanos.


… Embora o petróleo tenha recuado na sexta-feira, a sucessão de episódios reforça a percepção de que o risco geopolítico permanece elevado e, já na madrugada desta segunda-feira os preços voltavam a subir, com o Brent para agosto negociado acima de US$ 96.


… Para os investidores, a guerra volta a se conectar diretamente à discussão sobre inflação e juros.


… Depois de o payroll eliminar dúvidas sobre a força da economia americana, qualquer nova pressão sobre energia e cadeias de suprimentos tende a reforçar a percepção de que o Fed terá menos espaço para flexibilizar a política monetária nos próximos meses.


MAIS PETRÓLEO – A Opep+ anunciou neste domingo que elevará seus limites de produção em 188 mil barris por dia a partir de julho.


… O grupo, liderado por Arábia Saudita e Rússia, afirmou que manterá flexibilidade para acelerar, pausar ou reverter o processo de devolução gradual dos cortes voluntários de produção, de acordo com as condições do mercado.


… Apesar da escalada das tensões entre Irã e Israel no fim de semana, a decisão reforça a avaliação de que os grandes produtores continuam preparados para ampliar a oferta quando as condições permitirem.


… O movimento também ocorre em meio à expectativa de reabertura de Ormuz, peça central para a normalização dos fluxos globais de energia.


… Na mesma linha de raciocínio, em relatório na sexta-feira, a Fitch afirmou que o fechamento do Estreito de Ormuz provocou um choque temporário de oferta, mas não alterou a tendência de excesso de produção no médio prazo.


… A agência prevê que o mercado volte a registrar superávit de petróleo a partir de setembro, caso o estreito seja reaberto em julho.


… Segundo a Fitch, a combinação entre recuperação da produção no Oriente Médio, crescimento da oferta de países fora da Opep e possível aumento adicional da produção do cartel pode levar o excedente global a cerca de 4 milhões de barris por dia no quarto trimestre.


… O cenário ajuda a explicar por que parte do mercado continua apostando em queda dos preços do petróleo após o fim das restrições em Ormuz, mesmo diante da deterioração do quadro geopolítico.


… Para o investidor, a principal dúvida continua sendo quando a normalização ocorrerá e se a guerra permitirá que esse processo avance.


AVIAÇÃO SENTE A GUERRA – A guerra no Oriente Médio e seus impactos sobre os preços da energia dominaram as discussões da reunião anual da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata), realizada neste fim de semana no Rio de Janeiro.


… Executivos do setor, consultorias e autoridades alertaram que os efeitos do fechamento do Estreito de Ormuz e da disparada do combustível podem continuar pressionando custos, tarifas e resultados das companhias aéreas por vários anos.


… A S&P Global afirmou que a crise ainda pode gerar uma nova rodada de alta nos preços dos combustíveis de aviação e vê normalização do mercado apenas ao longo de 2028. Segundo a consultoria, mesmo uma reabertura gradual de Ormuz não traria alívio imediato.


… A recomposição da produção, dos estoques e da logística global exigiria vários meses.


… A avaliação reforça a percepção de que os impactos econômicos da guerra podem persistir mesmo após um eventual acordo de paz.


… No cenário-base da S&P Global, considerado o mais provável, os preços permanecem acima dos níveis pré-conflito por um período prolongado, enquanto a recuperação completa da cadeia de abastecimento só ocorreria gradualmente.


… A Iata estima que o lucro global das companhias aéreas cairá pela metade em 2026, de US$ 45 bilhões para US$ 23 bilhões, pressionado principalmente pelo aumento dos gastos com combustível.


… A entidade projeta alta de 70% no preço do querosene de aviação neste ano, elevando os custos do setor em cerca de US$ 100 bilhões.


… O diagnóstico foi reforçado pelas próprias companhias aéreas, como a Latam, com o CEO, Roberto Alvo, afirmando que o preço do combustível deve permanecer elevado pelo restante do ano mesmo em um cenário de paz no Oriente Médio.


… Já o presidente da Azul, John Rodgerson, disse nunca ter visto o combustível dobrar de preço tão rapidamente e alertou que novas reduções de capacidade poderão ocorrer caso o conflito no Oriente Médio se prolongue.


… Presente ao evento, Geraldo Alckmin afirmou que o Brasil pode ser um dos principais polos globais de produção de combustível sustentável de aviação (SAF), destacando o potencial do País para liderar a transição energética do setor nas próximas décadas.


UE FECHA A PORTA – A decisão da União Europeia de suspender as importações de carnes e outros produtos de origem animal do Brasil a partir de setembro provocou reação de entidades do agronegócio, que cobraram do governo uma resposta mais firme.


… A restrição atinge bovinos, aves, equídeos, peixes da aquicultura, mel e tripas, após os europeus considerarem insuficientes as informações apresentadas pelo País sobre mecanismos de controle relacionados ao uso de antimicrobianos na produção animal.


… Em 2025, as exportações brasileiras desses produtos para a União Europeia somaram cerca de US$ 1,8 bilhão.


… O governo brasileiro ainda tenta reverter a medida por meio de negociações diplomáticas, enquanto o setor privado afirma que o problema não está relacionado à qualidade sanitária da produção, mas aos procedimentos de comprovação e reconhecimento da fiscalização.


… Entidades como a Faesp, a Faep e a Sociedade Rural Brasileira classificam a medida como protecionista e cobram esclarecimentos sobre por que as exigências regulatórias do bloco, conhecidas desde 2019 e com prazo final em setembro de 2026, não foram plenamente atendidas.


CURTAS DA POLÍTICA – O governo trabalha para viabilizar um encontro entre Lula e Donald Trump durante a reunião do G7, na França, em meados deste mês. A expectativa no Planalto é usar a conversa para tentar avançar nas negociações sobre tarifas comerciais.


… O grupo de trabalho criado por Brasil e Estados Unidos deve ter seu prazo prorrogado até julho diante da falta de avanços nas tratativas.


IDADE NÃO PREOCUPA. Em meio aos esforços para reforçara imagem de disposição física de Lula, pesquisa Indexa no fim de semana mostrou que 67% dos brasileiros não veem a idade do presidente como um obstáculo para sua capacidade de governar.


LEILÃO DE ENERGIA. O Tribunal de Contas da União vota nesta quarta-feira processos relacionados ao leilão de transmissão de energia elétrica, ao Projeto de Integração do Rio São Francisco, ao setor hidroviário e à concessão automática de benefícios previdenciários.


DARK HORSE. A defesa de Flávio Bolsonaro pediu que o ministro Alexandre de Moraes (STF) seja declarado suspeito para analisar requerimento relacionado ao empresário Daniel Vorcaro e ao Banco Master.


… Os advogados defendem que eventuais desdobramentos envolvendo o caso sejam redistribuídos ao ministro André Mendonça. O pedido ocorre após solicitação para ampliar investigações relacionadas ao financiamento do filme Dark Horse e incluir Flávio, Eduardo e Jair Bolsonaro.


INFLAÇÃO EM DESTAQUE – A semana ganha peso justamente onde o mercado está mais sensível após o payroll de maio.


… Com a força da economia americana praticamente fora de discussão, investidores passam a acompanhar uma bateria de indicadores de inflação que pode ajudar o Fed a manter o foco na inflação, pressionada pela guerra, e sustentar uma postura mais dura para os juros.


… O payroll mostrou criação de 172 mil empregos em maio, bem acima do teto das estimativas, de 125 mil vagas, e no dobro da mediana. Além disso, os números de março e abril foram revisados para cima, enquanto a taxa de desemprego permaneceu estável em 4,3%.


… Após a divulgação do relatório, aumentaram as apostas de aperto monetário adicional nos Estados Unidos. As projeções implícitas nos contratos futuros passaram a indicar probabilidade próxima de 80% de uma alta de juros pelo Fed até dezembro.


… Nesse contexto, o principal destaque da semana será o CPI de maio, na quarta-feira, seguido pelo PPI na quinta-feira. Os números serão observados de perto para avaliar se a pressão inflacionária provocada pelos preços de energia começa a aparecer de forma mais clara.


… No Brasil, o foco fica com o IPCA de maio, na sexta-feira. O dado será acompanhado em meio às dúvidas sobre a decisão do Copom da próxima semana, com o mercado passando a considerar majoritária a manutenção da Selic em 14,50% (leia abaixo).


… A agenda também traz o volume de serviços de abril, na quinta-feira, bastante importante para o BC projetar a política monetária, além do Boletim Focus nesta segunda-feira (8h25), que poderá mostrar novos ajustes nas estimativas para inflação e juros.


… No exterior, a China divulga inflação e dados do setor externo amanhã, terça-feira, enquanto o BCE decide juros na quinta-feira.


JAPÃO HOJE – Ainda na Ásia, o PIB cresceu 0,5% no primeiro trimestre contra os três meses anteriores, em linha com a estimativa preliminar, e 1,8% em ritmo anualizado, abaixo da estimativa anterior, de alta de 2,1%.


… O Banco do Japão deve elevar juros neste mês, segundo expectativa majoritária do mercado.


LIQUIDAÇÃO NA COREIA – O índice Kospi caía mais de 8% na manhã desta segunda-feira com novo “sell-off” das ações de tecnologia, repetindo o filme de sexta-feira. Samsung Electronics (-11%) e SK Hynix (-10%) puxavam as perdas.


… Analistas explicam que a bolsa da Coreia do Sul está sofrendo perdas expressivas após uma alta recorde no mercado de ações, que a tornou um exemplo emblemático do risco de concentração do mercado em ações de IA.


ELEIÇÕES NO PERU – Boca de urna do instituto Ipsos no domingo à noite apontava Keiko Fujimori numericamente à frente, com 50,7% dos votos válidos; cenário é de empate técnico; margem de erro é de 3 pontos porcentuais.


… Segundo turno entre Keiko e Roberto Sánchez ocorre após um primeiro turno conturbado, que teve recorde de 35 candidatos.


FUGA DAS TECHS – Com um aperto monetário do Fed neste ano praticamente carimbado, a ordem nas mesas de Wall Street foi reduzir a exposição ao risco e embolsar os ganhos onde havia mais gordura para queimar: nas techs.


… Não foi à toa que, na sexta-feira, o Nasdaq afundou 4,18%, aos 25.709,43 pontos. O S&P 500 também sentiu sua exposição às big techs e caiu 2,64%, aos 7.383,74 pontos. E que o Dow Jones recuou 1,35%, aos 50.866,78 pontos.


… No acumulado da primeira semana de junho, o Dow perdeu 0,32%, acompanhado pelo S&P (-2,59%) e o Nasdaq (-4,68%), encerrando o rali dos índices americanos, que já durava algumas semanas.


… Entre as principais baixas do dia ficaram: Marvell (-16,74%), Micron (-13,21%), Arm (-12,9%), Intel (-11,28%) e Broadcom (-7,92%).


… Também caíram forte: Nvidia (-6,20%), Tesla (-6,56%), Meta (-5,51%), Microsoft (-2,66%), Amazon (-3,06%) e Goldman Sachs (-4,94%). Entre as poucas que subiram: P&G (+4,09%), Coca-Cola (+3,46%) e McDonalds (+2,61%).


ALÍVIO PONTUAL – O fortalecimento do dólar após o payroll acima do esperado e o otimismo dos investidores com o delicado cessar-fogo entre Israel e Líbano, anunciado na véspera, sustentaram a queda do petróleo na sexta-feira.


… O mercado operou apoiado na esperança de um acordo de paz entre Estados Unidos e Irã, apesar da ausência de elementos concretos que sinalizassem essa direção. Como se viu no fim de semana, relatos recentes sugerem que as negociações permanecem frágeis.


… Mohsen Rezaei, conselheiro militar do aiatolá Mojtaba Khamenei, ameaçou expandir a guerra para outras frentes ainda não exploradas. Teerã reforçou o discurso de que o país e Omã têm soberania sobre o Estreito de Ormuz.


… E voltou a exigir o desbloqueio de US$ 24 bilhões – o que Trump voltou a negar em entrevistas no fim de semana.


… O Brent para agosto fechou em baixa de 2,04%, a US$ 93,09 por barril na ICE. O WTI para julho recuou 2,69%, a US$ 90,54. Na semana, porém, os contratos acumularam ganhos de 2,26% e 3,64%, respectivamente.


HÁ OITO SEMANAS NO VERMELHO – A bolsa brasileira registrou a oitava semana consecutiva de queda, na maior sequência negativa observada desde o início do plano real (julho de 1994), segundo o Valor.


… O principal culpado da baixa na última semana foi a economia americana, com o mercado de trabalho aquecido abrindo espaço para o Fed subir os juros por lá, jogando pressão sobre o câmbio e, por tabela, no Copom.


… Na sexta-feira “ensanduichada” pelo feriadão de Corpus Christi, o Ibovespa fechou em baixa de 0,77%, aos 169.019,12 pontos, com giro de R$ 26,4 bilhões. No acumulado da semana, o índice recuou 2,74%.


… Entre as blue chips, Vale ON (-3,78%; R$ 78,70) caiu mais do que o minério de ferro (-0,91%), enquanto os papéis de Petrobras (PN -0,87%, a R$ 40,89; e ON -0,52%, a R$ 45,71) recuaram menos do que o petróleo.


… A sessão foi mista para os principais bancos: BB ON (-1,84%, a R$ 19,17), BTG unit (-0,12%, a R$ 50,65), Bradesco PN (+0,58%, a R$ 17,47), Itaú PN (+0,28%, a R$ 38,83) e Santander unit (+0,04%, a R$ 26,73).


… CSN ON (-10,18%, a R$ 6,00) liderou as perdas do índice, seguida de Braskem PNA (-6,89%, a R$ 8,78) e Copasa ON (-5,25%, a R$ 56,85), que reagiu à confirmação de que a Equatorial será sua investidora de referência.


… Na lista de maiores altas do índice ficaram C&A ON (+3,84%, a R$ 11,37), Embraer ON (+3,82%, a R$ 72,33), que recebeu um novo pedido firme de 15 jatos E195-E2 da americana Azzora, e Minerva ON (+2,79%, a R$ 3,68).


APOSTA NA MANUTENÇÃO – Na volta do feriado, os juros futuros continuaram acumulando prêmios, de carona no avanço dos rendimentos dos Treasuries e na disparada do dólar, após o dado de emprego americano.


… Voltou a ganhar força a percepção de que o Copom encerrará o ciclo de afrouxamento e, talvez, nem chegue a cortar os juros neste mês, por conta da atividade doméstica aquecida, inflação persistente e cenário externo incerto.


… “O payroll foi um gatilho e uma pressão adicional para os juros futuros brasileiros”, comentou Carlos Lopes, do BV, ao Broadcast. A curva agora aponta 68% de manutenção da Selic em 14,5% já no próximo Copom.


… “O mercado agora aguarda para ver se o BC dará alguma sinalização contra essa precificação, ou se manterá silêncio”, observou Lopes.


… No fechamento, o DI para janeiro de 2027 marcava 14,430% (de 14,295% no ajuste anterior); Jan/28 a 14,725% (14,375%); Jan/29 a 14,810% (14,427%); Jan/31 a 14,710% (14,409%); e Jan/33 a 14,710% (14,452%).


DÓLAR FORTE – A moeda americana disparou (+1,78%, a R$ 5,1572), seguindo o avanço frente a outras moedas fortes, com o índice DXY fechando acima dos 100 pontos (+0,63%, aos 100,043), o que não acontecia desde abril.


… Em dia de agenda doméstica esvaziada, o movimento refletiu o payroll muito acima do esperado, que reforçou a expectativa de que o Fed subirá os juros até o fim deste ano. Na semana, o dólar acumulou alta de 2,27%.


… O ambiente de dólar mais forte está começando a atingir o carry trade com o real, que vinha ajudando a sustentar o câmbio mais apreciado, junto com o fato de que o Brasil é exportador líquido de petróleo e se beneficiou com a guerra.


CIAS ABERTAS NO AFTER – CYRELA anunciou neste domingo que seu Conselho de Administração aprovou na sexta-feira um novo programa de recompra, tendo por objeto a aquisição de até 9,68 milhões de ações ordinárias e até 4,8 milhões de papéis preferenciais.


RAÍZEN recebe apoio de 75% dos credores e formaliza acordo extrajudicial na 3ª Vara de Falências de São Paulo para reestruturar dívida de R$ 64,7 bilhões.


… Entre as medidas propostas está um aumento de capital de R$ 3,5 bilhões pela Shell e também um aporte de R$ 500 milhões pela Aguassanta Participações, da família Ometto, dona da Cosan, se a empresa aderir à operação.


… A reestruturação prevê conversão de 45% das dívidas em participação acionária. Os 55% restantes serão substituídos, refinanciados ou aditados por novos instrumentos de dívida, conforme a geração de caixa.


… A Raízen sofrerá uma reorganização até o fim de 2027, com divisão em duas empresas. A futura Raízen Energia reunirá os negócios de etanol, açúcar e bioenergia.


… Enquanto a Raízen Combustíveis ficará responsável pela distribuição de combustíveis e lubrificantes licenciados da marca Shell.


BRASKEM recebeu notificação do fundo Shine I, ligado à IG4 Capital, sobre a assinatura do primeiro aditamento ao acordo de acionistas firmado com a PETROBRAS, com o objetivo aprimorar dispositivos de governança corporativa.


… Questionada pela CVM, petroquímica afirmou que ainda não tomou decisão formal sobre eventuais medidas para reestruturar sua dívida.


… Esclarecimento foi dado após reportagem do Pipeline/Valor apontar que a empresa poderia deixar de pagar cerca de US$ 150 milhões em juros de “bonds” a partir de julho, além de cogitar uma recuperação extrajudicial.


AZUL pretende fazer novos cortes de frequências para se ajustar à alta do preço do QAV e proteger o caixa, afirma presidente da companhia, John Rodgerson. (Reuters/Broadcast)


BRB. S&P rebaixa rating ‘brB-/brB’ para ‘brCCC+/brC’ e alerta que possíveis descompassos na capitalização podem elevar risco de liquidação.


BANCO INTER recebe autorização do Escritório de Regulação Financeira da Flórida (OFR) para operar filial nos EUA.


TOTVS. Morgan Stanley reduz participação de 5,4% para 2,6% do capital.


VIVEO. Perea Capital eleva participação de 10% para 15% do capital.


APPLE E PIX.A Apple sinalizou ao Cade que pretende fechar um acordo para permitir pagamentos por Pix por aproximação no iPhone, informou Lauro Jardim/O Globo…


… Hoje, a companhia cobra taxa para uso da tecnologia em seus aplicativos, enquanto aparelhos Android oferecem o recurso gratuitamente.


SPACEX. O IPO já teria recebido mais pedidos de compra do que ações disponíveis, segundo a Bloomberg. A operação de US$ 75 bilhões pode avaliar a empresa de Elon Musk em cerca de US$ 1,8 trilhão e caminha para se tornar a maior abertura de capital da história.


CHATGPT.A OpenAI prepara a maior reformulação do ChatGPT desde seu lançamento, segundo o Financial Times.


… Empresa pretende transformar a plataforma em um “superapp”, reunindo programação, agentes de inteligência artificial, geração de imagens e aplicativos de parceiros, como parte da estratégia para ampliar receitas antes de uma possível abertura de capital ainda neste ano.

Bankinter Portugal Matinal

 Análise Bankinter Portugal 


Nova Iorque -2,6% EUA tech -4,8% EUA Semis -10,3% UE -0,7% Espanha +0,5% VIX 21,5% Bund 3,03%. T-Note 4,57%. Spread 2A-10A USA=+38pb B10A: ESP 3,46% PT 3,41% ITA 3,78% FRA 3,68% Euribor 12m 2,842% (fut.12m 3,046%) USD 1,152 JPY 184,7/€ 160,3/$. Ouro 4.289$. Brent 97,6$. WTI 94,6$. Bitcoin +1,4% (62.731$). Ether -0,6% (1.653$). 


:: SESSÃO. Este golpe brusco serve de aviso e não é necessariamente mau. Um mercado estancado e até ocasionalmente a corrigir com força como acontece desde sexta-feira, com a desculpa da suposta debilidade de Broadcom, do bom emprego americano publicado precisamente na sexta-feira e/ou a reativação da guerra de desgaste e longo prazo entre o Irão e os EUA, previne sobreavaliações mais graves posteriores. Avisamos periodicamente sobre a possibilidade – e até conveniência – de que algo assim aconteceria. E acontece mesmo antes da saída à bolsa de SpaceX, esta sexta-feira (12). É bom que o mercado se detenha, corrija preventivamente e reflita um pouco sobre as hipotéticas consequências de avaliar tão generosamente as empresas de IA puras (xAI, Anthropic, OpenAI, etc). Nesta corrida para entrar na bolsa, com avaliações que só se justificam se considerarmos uma perspetiva a vários anos de distância e se tudo correr na perfeição, é importante agir com alguma prudência e aceitar que um fator de incerteza (isto é, prémio de risco) superior seria francamente prudente. Provavelmente é o que estamos a presenciar.


Ordenemos as ideias. Esta semana temos 3 referências:


1. A mencionada, a mais óbvia e a mais tardia (sexta-feira): saída à bolsa de SpaceX. Será comprada mais por razões subjetivas e emocionais do que por argumentos objetivos e numéricos. O resultado real não será conhecido, na prática, até (provavelmente) a entrada da noite europeia de sexta-feira. Isso significa que, independentemente do que acontecer, não impactará sobre o mercado europeu até segunda-feira.


2. Inflação EUA na quarta-feira (13:30 h). Espera-se +4,2% desde +3,8%, mas com a Subjacente (isto é, a tendencial) em +2,9% desde +2,8%. Isso ainda é compatível com as taxas de juros atuais da Fed: 3,50/3,75%.


3. Reunião do BCE, na quinta-feira, a partir das 13:15 h. Espera-se +25 p.b. até 2,25/2,40% e, além disso, entre outra e outras 2 subidas adicionais em 2026, visto que a inflação aumentou em maio, até +3,2%. Nós acreditamos que não irá aumentar as taxas de juros por 3 motivos: o aumento da inflação demonstrar-se-á passageiro, trata-se de uma inflação de oferta (petróleo) e este tipo de inflação não se trava com subidas de taxas de juros e, por fim, faria com que desaparecesse o crescimento na UE, visto que na sexta-feira (5) foi revisto o PIB 1T até apenas +0,3% desde +0,8% preliminar. Isto é, o PIB europeu está com respiração assistida e uma subida de taxas de juros poderia significar a retirada de oxigénio. 


:: CONCLUSÃO. Hoje, sessão complicada, mas certamente menos dura do que o que parece à primeira hora. Pode ser que evolua de mal a menos mal. E podemos esperar uma semana com padrão semelhante. Esta correção preventiva não é destrutiva. Mesmo tendo as negociações na Coreia sido suspensas esta madrugada, quando houve uma queda ca.-8%, porque essa bolsa é, eminentemente, tecnologia. Quando o mercado se passa, as correções devem ser interpretadas como reconduções para recuperar perspetiva e, por vezes, também sensatez. O contrário poderá levar-nos a um verão com sérias dúvidas em relação ao que realmente valem as bolsas, e isso seria pior.


FIM

domingo, 7 de junho de 2026

Soma de todos os medos

 “*Soma de todos os medos” pressiona o Ibovespa e não tem prazo para terminar*


Ivan Ryngelblum05/06/26 14:35


“Soma de todos os medos” pressiona o Ibovespa e não tem prazo para terminar


Principal índice da B3 recua 14,26% desde recorde, puxado pela saída dos investidores estrangeiros, política monetária mais dura, fiscal e tarifas dos Estados Unidos. Analistas colocam queda da taxa Selic em revisão


Após meses de forte alta, a bolsa de valores brasileira passa por um período de correção acentuada, levando muitos a reconsiderar o otimismo em relação a uma retomada do mercado de renda variável em 2026.


Desde a máxima histórica registrada em abril, o Ibovespa recuou 14,26%, saindo do recorde de 198.657,33 pontos, apurado em 14 de abril, para 170.330,63 pontos em 3 de junho - recuando para o mesmo nível de janeiro deste ano.


Trata-se de uma perda de 28.326,70 pontos em apenas 50 dias, segundo levantamento da consultoria Elos Ayta. No período, um grupo de 305 empresas da Bolsa perdeu, em conjunto, R$ 778,1 bilhões em valor de mercado.


No ano, o Ibovespa ainda está em campo positivo, acumulando alta de 5,96%. Mas uma confluência de fatores negativos, internos e externos, faz com que o pessimismo ganhe espaço entre os analistas.


“É que nem o nome daquele filme, ‘A Soma de Todos os Medos’”, diz Flávio Conde, head de renda variável na Levante Investimentos, ao NeoFeed. “Tudo aconteceu ao mesmo tempo, e os estrangeiros estão vendendo.”


Um dos principais temores vem da política monetária. Em meio à deterioração do quadro inflacionário, os economistas passaram a revisar suas projeções para a taxa Selic no fim do ano. A perspectiva de alívio monetário vinha ajudando a atrair mais investidores para a Bolsa.


Com as projeções para o IPCA subindo pela 12ª semana consecutiva no Boletim Focus, atingindo 5,09% na última edição, a expectativa é de que a taxa básica de juros não caia tanto quanto o inicialmente esperado.


A equipe de economistas da XP Investimentos passou a prever apenas dois cortes de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, de 14,5% para 14%, seguidos por uma pausa para avaliação. Antes, a expectativa era de três reduções, para 13,75%. O BTG Pactual revisou a Selic terminal de 13% para 14,25% em 2026, com um último corte de 0,25 ponto percentual em junho.


O tema da inflação não é apenas local. Conde destaca que o mundo vive um momento de alta dos preços, com a guerra no Irã pressionando os preços da energia globalmente, em meio à indefinição de um acordo entre Washington e Teerã.


Nos Estados Unidos, a inflação medida pelo CPI (Índice de Preços ao Consumidor) avançou 0,6% em abril em relação a março. Em 12 meses, a taxa atingiu 3,8%, superando as expectativas do mercado e gerando dúvidas sobre o que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) fará, dado seu papel como balizador das taxas globais.


“A parte de inflação prejudicou todos os mercados, inclusive o Brasil, porque fez com que todos os bancos centrais — e o nosso vamos descobrir daqui a duas semanas — dessem uma pivotada na estratégia, não cortando mais; na melhor das hipóteses, mantendo, mas até pensando em elevar”, diz Conde.


No caso do Brasil, um ponto que segue pesando é a questão fiscal e as eleições. Os gastos do governo Luiz Inácio Lula da Silva e as perspectivas eleitorais, após Flávio Bolsonaro ser atingido por notícias sobre um suposto relacionamento com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, prejudicaram o humor dos investidores.


Esses fatores estão drenando os recursos dos estrangeiros da B3, principal motor da alta do Ibovespa entre o segundo semestre de 2025 e o início deste ano.


O movimento começou em meados de abril e ganhou força em maio. Segundo levantamento da Elos Ayta, com base em dados da B3, os investidores estrangeiros retiraram R$ 14,9 bilhões da Bolsa no mês passado, considerando apenas operações no mercado secundário e desconsiderando aportes em IPOs e follow-ons.


Trata-se da maior saída mensal de recursos desde janeiro de 2022 e supera o recorde anterior de R$ 13,2 bilhões registrado em agosto de 2023, de acordo com a Elos Ayta. Os investidores internacionais aproveitaram para realizar lucros após a valorização que levou o Ibovespa à máxima histórica em abril.


Segundo Conde, os estrangeiros têm direcionado seus recursos para as Treasuries, que vêm apresentando taxas atrativas. Os títulos de dez anos estão na casa dos 4,54%, enquanto os de 30 anos pagam 5,02%. “Teve uma volta de dinheiro aos Estados Unidos, prejudicando até o Bitcoin”, diz.


Para piorar, dois novos “medos” se juntaram recentemente para pressionar o Ibovespa: as novas tarifas aplicadas pelo governo de Donald Trump ao Brasil e a decisão de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas.


Na segunda-feira, 1º de junho, o governo americano propôs uma tarifa punitiva de 25% sobre uma série de produtos importados do Brasil, alegando políticas e práticas brasileiras “irrazoáveis” que “oneram ou restringem” o comércio americano. No dia seguinte, o país foi incluído em uma lista de 60 países, além da União Europeia (UE), que apresentam falhas no combate ao trabalho forçado e que receberão uma taxa adicional de 12,5%.


“A classificação de grupos terroristas pesa na decisão de alocar mais dinheiro no Brasil, porque o Brasil não está na lista de amigos dos Estados Unidos na América Latina; está ao lado de Venezuela, Cuba e Nicarágua, sendo que o país nunca fez nada para estar nesse grupo. Se você é analista ou gestor de fundos de ações dos Estados Unidos, não vai recomendar ao cliente investir no inimigo dos Estados Unidos”, diz Conde.


Pensar em uma reversão dessa situação, nas condições atuais, exige bastante otimismo. O principal alívio pode vir de fora, caso Trump mude de opinião sobre o Brasil e feche um acordo com o Irã. Já a situação fiscal é um tema que ainda deve demorar para se resolver.


“A Bolsa vai ficar andando de lado. E não adianta falar: ‘ah, está barato, está exagerado’. Enquanto o Brasil não sair da lista de inimigos e as tarifas não forem revertidas, o dinheiro não vem”, afirma. “E o fiscal piorou demais e pode ficar ainda pior, se as políticas atuais não forem revertidas.”



https://neofeed.com.br/economia/soma-de-todos-os-medos-pressiona-o-ibovespa-e-nao-tem-prazo-para-terminar/

Leitura de sábado 2

 *Leitura de Sábado: governo terá de leiloar 2 rodovias por mês para atingir meta de 13 no ano*


Por Elisa Calmon e João Caíres


São Paulo e Brasília, 02/06/2026 - O governo federal terá de realizar cerca de dois leilões rodoviários por mês para cumprir a meta de 13 certames em 2026. A agenda combina novos projetos e repactuações em um momento de aperto orçamentário para os órgãos responsáveis pela estruturação e regulação das concessões.


Das concessões previstas inicialmente para este ano, duas foram a mercado até o momento: Rotas Gerais (MG) e Rota dos Sertões (PE/BA). Com isso, aproximadamente 85% dos certames previstos para 2026 estão concentrados no segundo semestre. Sem leilões federais programados para junho até o momento, a agenda será retomada em julho com a concessão da Régis Bittencourt (BR-116/SP/PR), único certame com data já definida.


Se todos os ativos previstos forem leiloados, o Ministério dos Transportes repetirá o recorde de 13 certames alcançado em 2025. No ano passado, a agenda acelerou na reta final, com cinco disputas promovidas até junho e outras oito realizadas no segundo semestre.


Apesar do ritmo mais lento no início de 2026, o ministro dos Transportes, George Santoro, reforçou a projeção para este ano. "Faremos 13 leilões este ano", disse após o certame da Rota dos Sertões, na semana passada, destacando que a atual gestão realizou 24 leilões rodoviários federais desde 2023, que somaram mais de R$ 260 bilhões em investimentos.


Após a Régis Bittencourt, a agenda inclui projetos como a Rota 2 de Julho (ViaBahia), a Rota Vale do Café e os lotes 1 e 3 das Rodovias Integradas de Santa Catarina. A carteira também contempla repactuações de contratos como Arco Norte e Transbrasiliana.


O diretor-presidente da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR), Marco Aurélio Barcelos, vê espaço para que o governo cumpra a meta prevista. "Vai ser preciso dar uma acelerada para fazer o que se espera nos próximos meses, mas dá tempo ainda", reforçou.


No entanto, para Luís Felipe Valerim, sócio do VLR Advogados, o sucesso da agenda dependerá mais da consistência dos projetos do que do número de certames. "Mais importante do que fazer 13 ou 10 leilões é manter um compasso com qualidade", afirmou. Segundo o especialista, a pressão para cumprir metas pode acelerar estudos e modelagens, aumentando o risco de problemas nos primeiros anos dos contratos.


Mesmo com a intensa agenda de concessões dos últimos anos, o interesse dos investidores pelos ativos rodoviários permanece elevado, com forte competição nos leilões recentes e a entrada de novos investidores no setor, avalia Diogo Nebias, sócio do Panucci, Severo e Nebias Advogados. "O principal risco não está na demanda do setor privado, mas nas questões institucionais para colocar os leilões de pé, como a modelagem e a estruturação dos projetos", ponderou.


Perspectivas


O avanço dos projetos ocorre em meio a restrições orçamentárias nos órgãos responsáveis pelas concessões. O governo federal bloqueou R$ 8,3 bilhões das pastas de infraestrutura para cumprir as metas fiscais previstas no Orçamento. O Ministério dos Transportes teve R$ 1,7 bilhão contingenciado, enquanto a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) perdeu R$ 56 milhões em recursos destinados às atividades regulatórias.


As repactuações também adicionam incertezas à agenda. Das 11 concessões rodoviárias previstas para este ano, cinco envolvem contratos já existentes. "É um cronograma difícil de prever porque não depende só do governo, mas também da construção de consenso entre as partes e, só depois disso, da estruturação do processo competitivo", afirmou Valerim.


Por outro lado, o calendário eleitoral não é visto como um obstáculo relevante para a agenda de concessões. "A carteira de projetos já vem sendo anunciada há algum tempo e, apesar de atravessarmos um período eleitoral em breve, isso não deve afetar a agenda de leilões", disse João Paulo Pessoa, sócio do Toledo Marchetti Advogados.


Valerim, por sua vez, explica que as restrições normalmente associadas ao período eleitoral afetam principalmente contratações de obras públicas, e não concessões. Na avaliação do advogado, a proximidade das eleições pode até acelerar a conclusão de projetos já em fase avançada de estruturação. "A máquina pública tende a fazer um sprint final para entregar projetos e mostrar resultado antes das eleições", afirmou.


Para Barcelos, a carteira de projetos já estruturada para os próximos dois anos reduz o risco de descontinuidade da agenda de concessões após as eleições. "Quem sentar na cadeira de ministro a partir de 2027 vai viver o melhor dos mundos, com uma forte agenda de inaugurações, e não vai querer retroceder", disse o presidente da ABCR.


Contatos:elisa.ferreira@estadao;com; joao.caires@broadcast.com.br 


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Leitura de sábado

 *Leitura de Sábado: brilho de 'big techs' reduz atratividade de ativos locais e tira força do real*


Por Antonio Perez


São Paulo, 01/06/2026 - Sinais de esgotamento da tendência de diversificação global de investimentos que favoreceu ativos emergentes ao longo dos primeiros meses do ano ajudam a explicar o tropeço do real em maio, em meio à maior atratividade das ações das 'big techs', afirmam analistas ouvidos pelo Broadcast.


Dados mais recentes da B3 mostram que os investidores estrangeiros retiraram R$ 14,104 bilhões da bolsa doméstica em maio, após ingresso líquido de R$ 3,179 bilhões em abril. Em 2026, o fluxo de capital externo ainda é positivo em R$ 42,44 bilhões. Com a saída do investidor estrangeiro, o Ibovespa amargou perda de 7,22%, embora ainda avance 7,86% no ano.


O estrategista-chefe da Avenue, William Castro Alves, destaca que houve uma volta do apetite por ações de tecnologia nos EUA no mês passado, com o anúncio de investimentos pesados por parte das empresas de inteligência artificial. O índice Nasdaq, que concentra as ações das big techs, bateu sucessivos recordes ao longo de maio, acumulando ganhos de mais de 8% no mês.


“Os Estados Unidos voltaram a atrair capitais, o que ajuda a fortalecer o dólar. As bolsas americanas estão nas máximas históricas”, afirma Alves. “Os fluxos para emergentes foram direcionados a países com alguma ligação a setores relacionados à inteligência artificial. O Brasil não é um player nesse sentido. Vimos os fluxos para a bolsa brasileira diminuírem bastante nas últimas semanas.”


O gestor de multimercados da AZ Quest, Eduardo Aun, observa que o bom desempenho das big techs pode trazer de volta a tese do “excepcionalismo americano”, que reinava antes do início da diversificação global de carteiras, o que reduziria o apelo de ativos emergentes. Esse quadro se soma à postura mais conservadora do Federal Reserve em relação à inflação, em um ambiente de atividade resiliente e impulso fiscal nos EUA.


"São vetores para alta do dólar. A dúvida é como o real vai reagir nos próximos meses caso haja um fortalecimento global da moeda americana e se confirme um quadro desfavorável à oposição na eleição presidencial", afirma Aun.


Os economistas Álvaro Frasson e Arthur Mota, do BTG Pactual, afirmam que o real se beneficiou, em boa parte do ano, de um fluxo “nunca antes visto” para economias emergentes, sobretudo para países distantes do conflito no Oriente Médio e com elevada exposição a commodities. Além disso, havia incertezas em torno dos "valuations" das empresas de tecnologia nos EUA.


“Prospectivamente, acreditamos que um cenário de distensionamento dos conflitos geopolíticos deveria provocar um movimento de ajuste ao fluxo recente, seja pela normalização do preço do petróleo, seja pelo 'momentum' positivo para ativos de crescimento e tecnologia”, afirmam os economistas, em relatório.


Para o Bradesco, apesar de o fluxo global de realocação de portfólio ter perdido força, o movimento segue oferecendo suporte ao real. A instituição prevê taxa de câmbio ao redor de R$ 5,00 no fim deste ano e do próximo.


“Uma rápida normalização dos preços do petróleo ou um fluxo de retorno aos EUA por conta dos investimentos em empresas de tecnologia são ameaças de curto prazo à moeda, mas não deveriam alterar o quadro mais estrutural de não fortalecimento do dólar globalmente”, afirma o Bradesco, ressaltando que o Brasil segue no radar dos investidores por ser “exportador líquido de petróleo e pelo diferencial de juros elevado”.


Contato: antonio.perez@estadao.com


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CÂNDIDO MENDES: PRÉDIO A VENDA

  Estudei aí, no prédio de Ipanema. Foi na época um dos bons cursos de Economia no Rio. Acabou pela total incompetência da família em admini...