segunda-feira, 30 de dezembro de 2024

Black and Scholes

 POR QUE A EQUAÇÃO DE BLACK-SCHOLES NÃO EXISTE E NUNCA FOI USADA


Por Gustavo Pessoa, PhD. Fundador e CEO da Actus Asset Management


No mundo das finanças, a equação de Black-Scholes é exaltada como uma ferramenta essencial para a precificação de opções. 


Ao longo da minha carreira, reuni depoimentos de traders profissionais que colocam em xeque-mate a aplicabilidade prática dessa equação. 


Entre eles, destaca-se Marcos Elias, um prodígio matemático e discípulo de Kiyoshi Ito e Alfred Tarski. Ele compartilhou comigo sua experiência após fechar mais de 250.000 opções. 


Neste artigo, exploro as razões pelas quais a equação de Black-Scholes, em sua forma teórica pura, é considerada por muitos como inexistente ou ineficaz no contexto de negociação real.


A equação de Black-Scholes é derivada sob um conjunto de premissas altamente idealizadas que raramente, se é que alguma vez, se aplicam ao mercado real. 


O modelo assume que a volatilidade do ativo subjacente é constante ao longo do tempo, uma suposição que ignora a natureza dinâmica e frequentemente volátil dos mercados financeiros. 


Além disso, pressupõe a ausência de custos de transação, impostos e restrições de liquidez, condições que não refletem a realidade operacional dos traders. 


A hipótese de que os preços seguem um movimento browniano geométrico exclui eventos de cauda, como crashes de mercado, que são observados com frequência maior do que a prevista por uma distribuição normal.


A elegância matemática da equação de Black-Scholes muitas vezes mascara sua inaplicabilidade prática. 


Enquanto a equação fornece uma solução analítica fechada, a implementação prática requer ajustes constantes para refletir condições de mercado mutáveis, como a volatilidade implícita. Pequenas variações em parâmetros de entrada, como a taxa de juros livre de risco ou a volatilidade, resultam em discrepâncias adamastóricasbno preço teórico calculado.


Os traders raramente, se é que alguma vez, utilizam a equação de Black-Scholes em sua forma pura para tomar decisões de negociação. Na prática, traders utilizam modelos ajustados que incorporam

volatilidade estocástica, saltos, e outros fatores não capturados pela equação original.


Decisões de negociação são frequentemente baseadas em experiência prática e intuição, que consideram um espectro mais amplo de informações do que qualquer modelo matemático isolado. 


Estratégias quantitativas e métodos numéricos, como simulações de Monte Carlo e modelos de volatilidade local, são frequentemente preferidos por sua flexibilidade e capacidade de acomodar condições de mercado mais complexas.


Marcos Elias, com sua experiência prática, tendo negociado mais de 250.000 opções, e lastrado por sua robusta formação matemática (tendo sido treinado para enfrentar em olimpíadas matemáticas gigantes como Grigori Perelman) pôde me oferecer uma visão original sobre a aplicabilidade dos modelos teóricos no mercado real. 


Em suas palavras, o que muitos chamam de equação de Black-Scholes, ele a denomina equação ITŌ-THORPE-BACHELIER, em reconhecimento às contribuições cruciais desses três gigantes no contexto financeiro.


Kiyoshi Ito desenvolveu o cálculo estocástico, que é fundamental para a formulação matemática do movimento browniano, uma base para a modelagem de preços de ativos.


Sua obra permitiu que os modelos financeiros incorporassem a aleatoriedade de uma maneira matematicamente rigorosa, abrindo caminho para análises mais sofisticadas dos mercados. 


Edward Thorp, por outro lado, foi pioneiro na aplicação prática de métodos quantitativos em finanças, destacando a importância de estratégias adaptativas e gestão de riscos. Sua abordagem pragmática mostrou que o conhecimento matemático pode ser traduzido em vantagens competitivas reais no mercado. 


Louis Bachelier, por sua vez, foi um visionário que introduziu a ideia de modelagem matemática dos mercados financeiros, muito antes de sua época. Sua tese sobre o movimento aleatório dos preços das ações estabeleceu as bases para toda a teoria moderna das finanças quantitativas.


Marcos Elias adota uma abordagem que incorpora a aleatoriedade do cálculo de Ito, a aplicação prática e adaptativa de Thorp, e a visão matemática de Bachelier, resultando em uma estratégia de negociação que é tanto robusta quanto flexível. A equação de Elias não é uma fórmula fechada, mas um conjunto de princípios que orientam a tomada de decisão em um ambiente de mercado em constante mudança.


Ao desmistificar a equação de Black-Scholes, destaco a distância entre a teoria financeira e a prática de mercado. Embora a equação ainda seja considerada um marco acadêmico importante (apesar da originalidade e precedência da obra de Bachelier), sua aplicabilidade direta na negociação diária é, na prática, inexistente. 


O mundo real dos mercados financeiros exige ferramentas e abordagens que vão além das suposições idealizadas e abraçam a complexidade e a imprevisibilidade inerentes dos mercados globais.

Bankinter Portugal Matinal 3012

 Análise Bankinter Portugal


SESSÃO: Após fechar uma semana em positivo para as bolsas, mas com sensação de esgotamento, inicia-se uma nova semana que será de baixa intensidade. A bolsa na Europa estará fechada na quarta-feira, e amanhã abre apenas a meia sessão, embora em Nova Iorque seja um dia laboral normal. O resto da semana também será de pouca intensidade, sem referências e tampouco as teremos até janeiro, quando conheceremos os IPCs da Europa e dos EUA e, em finais de janeiro, as reuniões da Fed e do BCE. Hoje quase não há referências macro, a não ser o IPC espanhol de dezembro que se espera que se eleve até +2,6% a/a desde +2,4% e com a taxa subjacente em +2,4% (sem alterações).  

 

Fechos mistos na Ásia, hoje, à primeira hora, com pouco volume. O Japão prepara-se para uma semana de férias, a sua bolsa estará fechada de terça a sexta-feira. Os futuros apontam que a Europa e Nova Iorque poderão a abrir a enfraquecer (ambos -0,2%). O lógico é que, perante a ausência de referência e queda de volumes, as bolsas hoje deverão deslizar em baixa. 

 

O menor volume do que o habitual é a tónica destas sessões nas quais o mercado já pensa em 2025, que começa esta semana. 2024 está terminado com um saldo positivo em bolsa, embora mais nos EUA (+25%) do que na Europa (+8%). Como já comentámos na Estratégia de Investimento 2025 (brevemente em português), esperamos que o arranque de 2025 seja fraco com umas taxas de juros que esperamos que baixem menos do que o esperado perante umas inflações que se resistem a cair e se afastam do objetivo de +2% dos bancos centrais (EUA +2,7% e EU +2,2%; novembro). 

 

S&P500 -1,11% Nq-100 -1,36% SOX -1,01% ES-50 +1,16% IBEX +0,81% VIX 15,95 Bund 2,39% T-Note 4,63% Spread 2A-10A USA=+29pb B10A: ESP 3,07% PT 2,86% FRA 3,21% ITA 3,54% Euribor 12m 2,47% (fut.b B10A:18%) USD 1,043 JPY 164,6 Ouro 2.620$ Brent 74,0$ WTI 70,3$ Bitcoin -2,2% (94.393$) Ether -3,6% (3.315$). 

 

FIM

Matinal BDM

 Vai rolar: Dia tem Boletim Focus e primário do setor público em novembro


[30/12/24] Com queda próxima de 10% no acumulado do ano, o Ibovespa tem hoje o seu último pregão de 2024, enquanto NY ainda opera amanhã, embora em horário reduzido para os Treasuries, na véspera de Ano Novo. Nesta semana entrecortada pela virada para 2025, dados da indústria são destaque da agenda internacional, na China, nos EUA e na Europa. Aqui, apesar de o Tesouro ter adiado a divulgação dos números do Governo Central de novembro para a metade de janeiro, o BC confirmou que informará hoje o resultado consolidado das contas do setor público em novembro, às 8h30. Mais do que na agenda, porém, o foco do mercado continua concentrado na crise das emendas. Neste domingo, o ministro Flávio Dino (STF) liberou parcialmente as verbas, mas atacou a “balbúrdia” no Orçamento. (Rosa Riscala)

👉 Confira abaixo a agenda de hoje

Indicadores
▪️08h25 – Brasil/BC: Boletim Focus
▪️08h30 – Brasil/BC: Primário do setor público consolidado - nov
▪️11h45 – EUA/ISM Chicago: PMI de dezembro
▪️12h00 – EUA/NAR: Vendas pendentes de imóveis
▪️15h00 – Brasil/Mdic: Balança comercial semanal
▪️22h30 – China/NBS: PMI Composto - dezembro

BDM Matinal Riscala 3012

 Dino abre exceções para emendas | BDM

www.bomdiamercado.com.br
Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*
[30/12/24]

… Com queda próxima de 10% no acumulado do ano, o Ibovespa tem hoje o seu último pregão de 2024, enquanto NY ainda opera amanhã, embora em horário reduzido para os Treasuries, na véspera de Ano Novo. Nesta semana entrecortada pela virada para 2025, dados da indústria são destaque da agenda internacional, na China, nos EUA e na Europa. Aqui, apesar de o Tesouro ter adiado a divulgação dos números do Governo Central de novembro para a metade de janeiro, o BC confirmou que informará hoje o resultado consolidado das contas do setor público em novembro, às 8h30. Mais do que na agenda, porém, o foco do mercado continua concentrado na crise das emendas. Neste domingo, o ministro Flávio Dino (STF) liberou parcialmente as verbas, mas atacou a “balbúrdia” no Orçamento.
… Ele manteve suspenso o pagamento das emendas parlamentares, porém abriu exceções para os repasses para a Saúde e emendas de comissão empenhadas até o último dia 23, data em que havia bloqueado as emendas.

… Mesmo com a liberação parcial, o ministro manteve as críticas sobre o tema. “Verifico o ápice de uma balbúrdia quanto ao processo orçamentário”, escreveu, reiterando a “nítida” necessidade de investigação pela PF.
… Dino afirmou que o processo legal orçamentário não comporta a “invenção” de tipos de emenda sem suporte normativo. “Não existem emendas de líderes”, disse, considerado inconstitucional a prática do apadrinhamento.
… Ele rejeitou as alegações enviadas pela Câmara na noite de 6ªF para o empenho de R$ 4,2 bi em emendas, apontando “inconsistência”, “contradição” e “nulidade insanável” no ofício encaminhado pelo Congresso.
… “É inviável sua acolhida. O Poder Executivo fica definitivamente vedado de empenhar o que ali consta.”
… Como o mercado vai repercutir a decisão de Dino, é o que se verá hoje, no pregão esvaziado.
… Se por um lado, o ministro amoleceu nas exceções, por outro, continua em pé de guerra no discurso com o Legislativo, mantendo o impasse e o embate institucional que traz cautela redobrada aos investidores.
… Diante da preocupação do Planalto com a governabilidade no próximo ano, Lula teve na 6ªF um encontro fora da agenda oficial com o futuro presidente da Câmara, Hugo Motta, um dia depois de ter se reunido com Lira.
… Renata Agostini/O Globo informou que o convite de Lula a Motta teve como objetivo deixar claro que não há “jogo combinado” com o STF na polêmica das emendas e que o governo tem interesse numa saída negociada.
… A crise das emendas eleva a incerteza sobre a aprovação do Orçamento/2025, quando o Congresso retornar aos trabalhos, em fevereiro. O relator do texto, senador Ângelo Coronel (PSD-BA), admite que a situação está “delicada”.
… Após a Câmara reclamar que o foco de Dino no caso das emendas de comissão estava concentrado na Casa, o ministro do STF incluiu também o Senado nos questionamentos sobre a execução de parte dos recursos bloqueados.
… Ele deu prazo de dez dias úteis para os senadores se manifestarem. Os deputados se queixavam que lideranças do Senado também assinaram ofício para pedir liberação das verbas sob suspeita na Corte, mas não foram cobrados.
… Como o fiscal no topo do estresse, a Fazenda negou neste domingo que novas medidas de corte de gasto estejam sendo elaboradas pela equipe econômica. O esclarecimento enviado à imprensa se refere a reportagem de O Globo.
… Segundo a apuração do colunista Lauro Jardim, para tentar aplacar o mau humor dos mercados com o pacote de ajuste fiscal, novas medidas de ajuste estariam aguardando o aval do presidente Lula para divulgação.
… “O Ministério da Fazenda informa que não há novas medidas elaboradas. Logo, nada foi apresentado ao presidente da República. Portanto, não há resposta sendo aguardada”, disse a pasta do ministro Haddad.

🇧🇷 Daniel Domingues:
… Ainda neste domingo, dois dias após oficializar um fundo de R$ 6,5 bilhões para a reconstrução do Rio Grande do Sul, o governo editou duas medidas provisórias com crédito extraordinário de R$ 525,71 milhões para o Estado.
… As despesas que serão executadas ficarão fora do limite de gastos estabelecido pelo novo arcabouço fiscal e também da meta fiscal, já que se trata de uma calamidade pública, depois das enchentes do primeiro semestre.
MAIS AGENDA – A mediana do mercado em pesquisa Broadcast indica déficit primário de R$ 6,855 bilhões nas contas do setor público consolidado de novembro (8h30), revertendo o saldo positivo de R$ 36,883 bi em outubro.
… As estimativas para esta leitura, todas de déficit, variam de R$ 11,70 bilhões a R$ 4,40 bilhões.
… O BC manteve a divulgação do dado, apesar do atraso do Tesouro no resultado das contas do Governo Central, que estava inicialmente previsto para a última 6ªF, mas foi adiado em cerca de duas semanas, para 15 de janeiro.

… O adiamento ocorre devido à mobilização dos auditores fiscais da Receita, em greve por tempo indeterminado.
… Ainda hoje, como de hábito, sai o boletim Focus (8h25), que vem repetidamente exibindo acentuada piora na percepção dos economistas e analistas de mercado sobre a inflação, o câmbio e as projeções para a Selic.
… Na 6ªF, apesar de o IPCA-15 de dezembro ter perdido ritmo (abaixo), a inflação de serviços acelerou, reforçando a tendência de o Copom levar adiante o plano de subir a Selic em 1 ponto em cada uma das duas próximas reuniões.
… Confirmando as projeções do RTI de melhora nas condições climáticas, ainda na 6ªF, a Aneel anunciou a bandeira tarifária verde para janeiro. Dessa forma, não haverá custo adicional na conta de luz no primeiro mês de 2025.

LÁ FORA – A semana mais curta começa com indicadores de atividade econômica. Nos EUA, saem hoje o PMI medido pelo ISM/Chicago em dezembro (11h45) e as vendas pendentes de imóveis em novembro, ao meio-dia.
… O PMI/ISM industrial sai na 6ªF. Este mesmo dado, calculado pela S&P Global, será informado na 5ªF na zona do euro, Alemanha e Reino Unido. Hoje à noite (22h30), a China solta o PMI oficial de industrial e serviços (dezembro).
… A leitura final do PMI da indústria chinesa medido pelo setor privado será informada na 4ªF à noite.
PANELA DE PRESSÃO – Num mercado já conturbado pela crise das emendas e o risco fiscal, uma cesta de dados de inflação e emprego mostrou na 6ªF que o Copom deve, no mínimo, manter o plano de voo na política monetária.
… A perspectiva de Selic alta adicionou mais uma rodada de pressão aos juros futuros e aos dólar.
… O IPCA-15 de dezembro subiu 0,34%, abaixo do 0,45% esperado e do 0,62% em dezembro, mas com leitura qualitativa ruim: serviços e núcleos pressionados.
… Alexandre Maluf (XP) chamou atenção para duas métricas observadas pelo BC que pioraram de forma expressiva. A média móvel trimestral anualizada e dessazonalizada dos serviços subjacentes saltou de 5% para 8,1%.
… No mesmo critério, o subgrupo dos serviços intensivos em mão de obra acelerou de 4,7% para 5,9%.
… Já o IGP-M, principal indicador da inflação no atacado, desacelerou para 0,94% de dezembro, de 1,30% em novembro. Mas “mostra que muita inflação deve chegar ao varejo ainda”, avaliou Nicolas Borsoi (Nova Futura).
… O indicador ficou abaixo da mediana das estimativas, de 1,07%, e encerrou 2024 com alta de 6,54%.
… Enquanto isso, o mercado de trabalho apertado adiciona pressão sobre a inflação de serviços. Segundo o IBGE, a taxa de desemprego no trimestre até novembro caiu a 6,1%, a menor da série iniciada em 2012.
… No Caged, o saldo de emprego formal cedeu a 106.625 postos, abaixo dos 125 mil esperados. Ainda assim, mostrou um mercado forte, indicando uma geração de 1,8 milhão de empregos neste ano.
… Ainda sem trégua no noticiário sobre as emendas, os juros curtos voltaram a incorporar prêmio de risco.

… O DI para Jan26 até subiu menos que os demais, ainda assim, avançou a 15,435%, de 15,37% na sessão anterior.
… O Jan/27 foi a 15,855% (de 15,637% na véspera), Jan/29 a 15,625% (de 15,274%); o Jan/31, a 15,370% (de 15,100%); e Jan/33, a 15,110% (de 14,850%).
… Num dia de queda geral das moedas emergentes em meio a dados fracos da indústria chinesa, o real não ficou atrás, influenciado ainda pelas remessas ao exterior de lucros e dividendos e a briga da ptax.
… No mercado à vista, o dólar fechou em alta de 0,22%, a R$ 6,1931. Na semana, subiu 1,99%.
FIRME NA QUEDA – Com o clima abatido pela disputa entre STF e Congresso e pela escalada sem freios dos juros, o Ibovespa fechou em baixa de 0,67%, aos 120.269,31 pontos. Na semana, perdeu 1,50%.
… E num 2024 praticamente perdido, faltando apenas um dia de negócios, a queda acumulada chegou a 10,3%.
… Sem ajuda do minério, Vale caiu 0,49% (R$ 54,74), acumulando perda de 23% do ano até agora.
… Mas Petrobras, nem com o benefício da alta do barril conseguiu firmar alta. ON baixou 1,12% (R$ 38,84) e PN cedeu 0,31% (R$ 35,66). O Brent/fev subiu 1,24%, a US$ 74,17, diante da forte queda nos estoques dos EUA.
… Os bancos recuaram, realizando lucro sobre a = véspera. Itaú registrou -1,00%, a R$ 30,78, na mínima; Bradesco PN, -0,77%, a R$ 11,55; Bradesco ON, -0,75%, a R$ 10,65; Santander, -0,59%, a R$ 23,63, e BB, -0,37% (R$ 24,11).
…. Cíclicas foram mal. Vamos teve baixa de 7,17%, a R$ 4,66, e foi acompanhada por Carrefour (-4,62%; R$ 5,37) e LWSA (-3,30%; R$ 3,22).
… Brava Energia foi a maior alta do dia (+10,64%; R$ 22,57), embalada pela autorização da ANP para a retomada da produção no campo de Papa-Terra. Petz teve elevação de 3,75% (R$ 4,15) e Automob subiu 2,94% (R$ 0,35).
SELL OFF DE ANO NOVO – Numa 6ªF sem indicadores e catalisador específico para os negócios, as bolsas de NY entraram em modo de realização de lucro capitaneada pelas Sete Magníficas. Todas caíram.
… O baixo volume de negócios, típico da época do ano, exagerou o movimento dos índices que, no entanto, fecharam a semana do feriado do Natal com saldo positivo, muito por causa da forte performance de 3ªF passada.
… O Dow Jones fechou com queda de 0,77%, aos 42.992,21 pontos. O Nasdaq perdeu 1,49% (19.722,03), o S&P 500 terminou em baixa de 1,11% (5.970,84). Na semana, os índices subiram 0,35%, 0,78% e 0,67%, respectivamente.
… “Houve bastante realização em todos os setores”, disse Michael Reynolds (Glenmede). “Estamos há mais de dois anos em alta bastante forte. Então, não surpreende ver um reequilíbrio de portfólios antes do ano novo”.
… Nvidia caiu 2,03%, com notícias de que seus chips foram usados por startup chinesa para treinar um modelo de IA de ponta. Tesla recuou 4,95%; Apple, -1,30%; Alphabet, -1,45%; Amazon, -1,44%; Meta, -0,59%; e Microsoft, -1,72%.
… As ações também têm sido pressionadas pela alta contínua dos juros dos Treasuries ao longo das últimas semanas, em meio à expectativa de políticas inflacionárias na gestão Trump 2.
…  Não foi diferente na 6ªF. Depois de atingir o maior nível em sete meses na véspera, o retorno da note de 10 anos avançou a 4,627% (de 4,5777%).
… O juro da note de 2 anos subiu a 4,3262% (de 4,3231%) e o do T-bond de 30 anos, a 4,8145% (de 4,7644%).
… Sem fôlego, o índice dólar (DXY) caiu 0,12%, a 108,129 pontos. A libra esterlina avançou 0,40%, a US$ 1,2578. O euro ficou estável em US$ 1,0428 (+0,07%), assim como o iene (+0,06%), a 157,855/US$.
EM TEMPO… A presidente da PETROBRAS, Magda Chambriard, afirmou neste domingo em entrevista ao Canal Livre, na Band News, que a sua relação com Lula “é muito boa” e que ele “quer saber tudo o que se passa na companhia”…
… Segundo Magda, a empresa continua tendo lucro depois de “abrasileirar” os preços dos combustíveis. Ela lembrou  que o diesel já está há um ano e meio sem reajuste e que a gasolina está há meses sem mudança…

… A presidente da Petrobras ainda defendeu mais uma vez a exploração na Margem Equatorial brasileira e se disse otimista em conseguir a licença ambiental do Ibama para perfurar o poço FZA-M-59.
BB. A S&P Global manteve o rating de crédito do banco em “BB”, em perspectiva estável na escala global. Em âmbito nacional, o banco também tem perspectiva estável, classificado como “brAAA”.
SÃO MARTINHO. No encerramento da moagem da safra 2024/25, companhia processou 21,79 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, volume 1,7% inferior ao guidance divulgado em novembro…
… Entretanto, a empresa destacou avanços no mix de produção voltado para o açúcar, aproveitando condições de mercado mais favoráveis.
OI celebrou, junto à IHS Brasil, contrato de Cessão de Infraestruturas para venda e transferência de unidade produtiva isolada (UPI), composta por 100% das ações de emissão da SPE Imóveis e Torres Selecionados.
VITTIA FERTILIZANTES aprovou a distribuição de R$ 2,451 milhões em JCP, a R$ 0,016 por ação. Ex em 06/01/25.
BOEING. Duas aeronaves da fabricante estiveram envolvidas em acidentes em menos de 24 horas neste fim de semana…
… Além da queda de uma avião na Coreia do Sul, com 179 mortos, um Boeing 737-800, da KLM, teve que fazer um pouso de emergência no aeroporto de Sandefjord (Noruega), após sofrer uma falha hidráulica…
… As ações da Boeing acumulam queda de 31% neste ano. Em janeiro, um tampão de porta de emergência explodiu em um jato 737 MAX 9. Esse acidente foi relacionado à baixa qualidade de fabricação.
AOS ASSINANTES DO BDM, BOM DIA E BONS NEGÓCIOS!
*com a colaboração da equipe do BDM Online
AVISO – Bom Dia Mercado, produzido pela Mídia Briefing, não pode ser copiado e/ou redistribuído.

domingo, 29 de dezembro de 2024

Mais Guzzo

 Grande Guzzo!


“O ano de 2024 se encerra com o Brasil atolado na pior situação que viveu, em matéria de respeito às liberdades individuais e aos direitos humanos, desde o fundo do poço da ditadura militar. O ano de 2024 começou mal; está acabando ainda pior, pois nada do que podia melhorar na “democracia” no Brasil melhorou, e quase tudo que podia afundar mais afundou. O resumo da ópera, para quem não tem paciência com palavrório de analista político, é o seguinte: o saldo de 2024 é que o Brasil não tem mais uma Constituição, nem aquela marca barbante que vem caindo pelas tabelas desde 1988. Em lugar de Constituição, tem um inquérito policial.


É essa a nossa lei máxima há quase seis anos, desde que foi imposta aos brasileiros pelo STF: o inquérito sem data para acabar, sem limites para o que pode fazer e sem esperanças para as suas vítimas (pois não há ninguém acima para o cidadão recorrer), que o ministro Alexandre de Moraes comanda para reprimir a oposição ao regime Lula-Supremo. Nenhuma lei brasileira tem mais força que esse procedimento de delegacia de polícia. 


Nada do que Moraes ou seus agentes decidem ali pode ser contestado por ninguém. Nenhuma autoridade pública do Brasil manda mais do que ele. Nenhum cidadão ou seus advogados podem exigir que os direitos constitucionais a que fazem jus sejam respeitados por Moraes e por sua Polícia Federal.


Essa lei suprema, que jamais foi discutida, votada ou aprovada por Congresso Nacional algum, acaba de ser “prorrogada” por mais “seis meses” – ou seja, até anúncio oficial em contrário, está aí para sempre. O presidente do Supremo, molemente, murmurou tempos atrás que o inquérito iria ser encerrado este ano. Não foi. No Brasil, o ano de 2024 já acabou e Moraes não tomou conhecimento do que o presidente do STF disse. Na verdade, na única vez que falou de datas para o encerramento do inquérito, ele disse o seguinte: “Acaba quando acabar”. Não voltou mais ao assunto.


O inquérito ilegal que governa o Brasil de 2024, como o AI-5 governava a ditadura dos militares, se move no escuro. Nada é feito em público e à luz do sol, como a lei exige – tudo se faz em “segredo de Justiça”, sem que os indiciados saibam do que estão sendo acusados, sem que os advogados possam ler o que a polícia não quer que leiam e sem que o Congresso Nacional tenha qualquer possibilidade de fiscalizar nada. Nesse inquérito há o flagrante perpétuo, a prisão preventiva por tempo indeterminado e o julgamento por lotes, como se faz em leilão de gado. O cidadão pode ser punido por falar o que ainda não falou. Podem bloquear sua conta no banco, proibir você de falar no WhatsApp e confiscar seu passaporte.


O inquérito de Alexandre de Moraes, enfim, pode tudo – se pode condenar pessoas a 17 anos de cadeia sob a acusação de tomar parte num “golpe armado” onde as armas mais perigosas eram estilingues e bolas de gude, é óbvio que não há limite para nada. É óbvio, também, que nem o ministro, nem seus colegas e nem qualquer força que os apoie têm o mais remoto interesse em defender democracia nenhuma. O que querem é chegar ao fim de 2025 numa ditadura mais avançada do que a que construíram até agora.”

JR Guzzo

 DEPRAVAÇÃO LEGAL

Por J.R. Guzzo

28/12/2024 

“O Brasil fecha 2024 vivendo o que possivelmente tem sido o mais vicioso período de supressão de seus direitos civis já registrado desde o AI-5 da ditadura militar. É, também, o mais longo e mais neurótico rompimento da vida política, moral e cultural do País com a realidade elementar. Há quase seis anos o Brasil não tem uma Constituição. Em vez disso, tem um inquérito policial como a sua lei máxima – e contra o qual não é possível recorrer a nada e a ninguém, nunca. Chamam isso de democracia.


O pedaço de papel com que os generais impuseram a sua ditadura ao País dizia, basicamente, que nenhum ato do governo estava mais sujeito à apreciação de ninguém, a começar pela justiça. O AI-5 de hoje estabelece que nenhum ato do STF, e sobretudo do ministro Alexandre de Moraes, está sujeito a qualquer tipo de controle, de contestação ou de reforma. Tanto faz se esses atos violam a legislação brasileira em vigor: é o STF quem resolve o que a lei está dizendo, mesmo quando diz o contrário.


A Constituição hoje em vigor do Brasil é o inquérito policial 4781 do STF – uma depravação legal criada no dia 14 de março de 2019 pelo ministro Dias Toffoli, para ocultar a publicação de suspeitas de corrupção a seu próprio respeito, e entregue desde então à execução do ministro Moraes. O STF não é uma delegacia de polícia; por lei, não pode abrir investigação nenhuma. A partir daí, só ficou pior. O inquérito tornou-se perpétuo – acaba, aliás, de ser prorrogado por mais seis meses. Não tem objetivo determinado; investiga tudo. É tocado em sigilo. Não respeita o direito de defesa, nem o Código Penal.


Em nenhum minuto, desde que foi aberto, o inquérito 4.781 teve alguma coisa a ver com a defesa da democracia. Começou como uma gambiarra para censurar a revista Crusoé, proibida de publicar as denúncias contra Toffoli. Passou a reprimir fake news, “desinformação”, atos antidemocráticos, as vacinas de Bolsonaro, conversas de WhatsApp, discursos na Câmara, a condenação ilegal de um deputado, o batom na estátua (“substância inflamável”), o Golpe dos Estilingues e tudo o que existe sob o sol. Hoje é o principal instrumento de trabalho da ditadura do Judiciário no Brasil.


Não há, nunca houve e não haverá nenhuma boa intenção no inquérito de Moraes e Toffoli. O que há é um espetacular exercício de hipocrisia por parte da esquerda, das elites intelectuais e das gangues políticas que mandam no Congresso Nacional para ocultar um câncer em metástase. É o regime de exceção que está sendo criado clandestinamente no Brasil, com juras diárias à “defesa da democracia”, em público – e com a armação de uma tirania na vida real.”

Paulo Guedes

 https://youtu.be/7dDGy5YHbYc?t=1550

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