segunda-feira, 11 de novembro de 2024

BDM Matinal Riscala 1111

 *Rosa Riscala: Pacote fiscal entra na terceira semana de debates sem consenso*


Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*


… O Dia do Veterano nos EUA fecha os Treasuries hoje, mas as bolsas em NY funcionam normalmente, à espera do CPI de outubro (4ªF) e da participação de Powell em evento (5ªF), após ele não ter descartado nova queda do juro em dezembro. Na China, frustrados com os estímulos fiscais, investidores repercutem os dados de inflação divulgados no fim de semana e aguardam pela produção industrial e vendas no varejo na noite de 5ªF. Aqui, a semana mais curta do feriado da República, que fecha a B3 na 6ªF, começa com o resultado do setor público consolidado em setembro (hoje, 8h30). Vêm ainda IBC-Br, volume de serviços e vendas no varejo, além da ata do Copom amanhã. O foco de interesse está em como o BC vê o exterior (agora com Trump) e o risco de dominância fiscal, se o pacote de Lula decepcionar.


… Cansado da demora no anúncio das medidas, o mercado pressiona o dólar e DI. Desta semana, a indefinição não pode passar, sob o risco de levar o estresse longe demais. Está faltando isso aqui para o dólar bater R$ 6 e ganhar as manchetes.


… As reuniões sobre as propostas de corte das despesas públicas continuaram no fim de semana, quando o presidente Lula teria recebido alguns técnicos e conselheiros do governo no Palácio da Alvorada, embora nenhuma informação tenha vazado.


… Haddad viajou para SP e teria sido representado nos encontros pelo número 2 da Fazenda, Dario Durigan. Volta hoje a Brasília.


… Completadas duas semanas desde o segundo turno das eleições municipais, data prometida para o anúncio, o pacote ainda tem de ser articulado junto a Lira e Pacheco para o governo medir a viabilidade política das medidas.


… Haddad já havia adiantado que o pacote será submetido ao Congresso por meio de PEC e projeto de lei complementar.


… O Valor apurou que a equipe econômica quer limitar o reajuste anual do salário mínimo ao teto do arcabouço (2,5% acima da inflação). Atualmente, a política de valorização prevê inflação + variação do PIB de dois anos antes.


… A fórmula atual garantiu um reajuste de 6,97% ao salário mínimo deste ano. A equipe econômica propõe manter a fórmula, mas com um reajuste limitado a uma alta de até 2,5% ao ano acima da inflação.


… A medida garantiria aumento real do piso em anos de economia aquecida, mas sem fugir do limite do arcabouço.


… Isso seria importante para ajudar a controlar o crescimento das despesas públicas, que são atreladas ao salário mínimo, como é o caso dos benefícios previdenciários, do BPC, do seguro-desemprego e abono salarial.


… A proposta é uma alternativa à ideia de colocar as despesas obrigatórias sob o limite do novo arcabouço fiscal.


… O BPC, o piso de educação e o seguro-desemprego seguem como maiores obstáculos para o ajuste fiscal. Os planos de sacrificar a área social do governo continuam enfrentando resistência dos ministérios, que fazem críticas públicas.


… Na 6ªF, Wellington Dias (Desenvolvimento Social) afirmou à CNN Brasil que o presidente Lula não quer que os mais pobres arquem com o ajuste. “Para essa proteção social não faltará dinheiro”, disse o ministro.


… Segundo ele, Lula não é refratário ao compromisso fiscal, mas não deseja que a conta recaia só nos mais vulneráveis.


… Por outro lado, o ministro dos Transportes, Renan Filho, afirmou que o presidente Lula levará em consideração o que ministro Haddad recomendar para tomar a decisão sobre as áreas em que o governo realizará os cortes de despesas.


… Em entrevista concedida por Lula a senadores, transmitida na noite deste domingo pela RedeTV!, ele disse que o crescimento tem que ser distribuído na mão de todos os brasileiros. “Sabemos fazer política social.”


… O presidente afirmou que assumiu o terceiro mandato com o objetivo de fazer o País voltar a crescer.


… Para o Itaú, R$ 35 bilhões é o mínimo para que o pacote de revisão de gastos tenha sucesso em obter alguma redução de percepção de risco fiscal para 2026, sem contar as medidas de pente-fino já anunciadas.


… No mercado financeiro, as especulações sobre o volume dos cortes variam de R$ 30 bilhões a R$ 60 bilhões.


PLUS A MAIS – As desconfianças de que o pacote poderá vir desidratado se ampliaram na 6ªF, combinadas ao real depreciado com Trump e a perspectiva de um governo protecionista, despertando uma onda de alta nas apostas para o IPCA e Selic.


… Na hipótese mais pessimista, o juro pode ter que ultrapassar 13% para enfrentar as pressões inflacionárias.


… Na última 6ªF, a leitura do IPCA de outubro acima das expectativas e superior ao teto da meta do BC no horizonte em 12 meses (abaixo) puxou as estimativas para a inflação, vista como disseminada por economistas no Estadão.


… Apesar da volta da bandeira tarifária verde em dezembro projetado pelo MME, o alívio pode ser ofuscado pela disparada das cotações dos alimentos, causa da estiagem de setembro, e a escalada do dólar (quase 20% no ano).


… A XP elevou a projeção para o IPCA deste ano (4,6% para 4,9%) e do ano que vem (4,1% para 4,7%), e, paralelamente, subiu também a previsão para a Selic no final do ciclo de aperto monetário, de 12% para 13,25%.


… Também o Barclays passou a esperar inflação maior em 2024 (4,6%, de 4,3% antes) e 2025 (4,0%, de 3,9%). O C6 Bank revisou a projeção do IPCA do ano que vem (4,8% para 5,0%) e a da Selic terminal, de 10% para 12,5%.


INDICADORES – Nesta semana, saem o IGP-10 de novembro (5ªF) e a primeira prévia de dezembro do IPC-Fipe (hoje, às 5h).


… Ainda nesta 2ªF, o saldo negativo do governo central, pressionado pelas despesas obrigatórias, deve sustentar as expectativas de déficit no setor público consolidado em setembro, de R$ 8,20 bilhões, na mediana do Broadcast.


… As vendas no varejo estão previstas para amanhã (3ªF), o volume de serviços, para 4ªF, e o IBC-Br, para 5ªF.


AGENDA DO BC – Campos Neto e Galípolo participam hoje de reuniões bimestrais do BIS na Basileia (Suíça).


… Na coluna de Lauro Jardim/O Globo, o número 2 de Tebet, o secretário executivo do Ministério do Planejamento, Gustavo Guimarães, tem articulado para ocupar uma das três vagas para a diretoria do BC a partir de janeiro.


… Segundo o jornalista, o profissional tem apostado em aumentar a sua participação na agenda de revisão de gastos do governo federal para se cacifar ao cargo, além de interagir ativamente com o mercado financeiro em suas agendas.


BALANÇOS – O BB fecha a safra do setor financeiro nesta 4ªF, quando saem outros resultados importantes: B3, JBS, BRF, Marfrig, Gol, Americanas, Bradespar, Casas Bahia, Cemig, Cyrela, Light, Marisa, MRV, Nubank e Rede D´Or.


… Hoje, após o fechamento do mercado, é dia de Sabesp, Itaúsa, 3Tentos, Even, Localiza, Vamos e São Martinho.


… Amanhã (3ªF), saem os números trimestrais da CSN, CSN Mineração, CVC, Banrisul, BTG Pactual, Eneva, Hapvida, IRB Re, Jalles Machado, JHSF, Porto Seguro, Raízen e SLC Agrícola. Na 5ªF, é a vez da Azul e do Banco Inter.


EMENDAS – O projeto de lei sobre a nova regulamentação das emendas parlamentares, já aprovado pela Câmara, será votado amanhã (3ªF) pelo Senado. Na apreciação pela Casa, o governo tentará retomar o bloqueio de emendas.


… A medida foi retirada de última hora na votação pelos deputados, que aprovaram versão prevendo apenas o contingenciamento de emendas. O projeto não cumpre os requisitos de transparência exigidos pelo STF.


… Segundo Idiana Tomazelli, na Folha, da forma como foi aprovada pela Câmara, a proposta obrigará o Executivo a cortar R$ 11,5 bilhões de suas despesas programadas para 2025 e entregar o espaço à indicação dos congressistas.


… Este valor corresponde às emendas de comissão, asseguradas pelo projeto, mas não previstas no PLOA do ano que vem, enviado em agosto ao Legislativo. O texto vai, assim, na contramão do debate sobre a revisão de gastos.


… É um sinal contraditório do Congresso, enquanto a equipe econômica tenta convencer os integrantes do próprio governo a apoiar um cardápio de medidas impopulares tidas como necessárias para conter a dinâmica das despesas no futuro.


LÁ FORA – Nos primeiros dados de inflação após o Fed, o CPI de outubro nos EUA sai na 4ªF e o PPI, no dia seguinte. Vindo comportados, os números devem reforçar as apostas de novo corte de 25pb do juro americano na última reunião do ano.


… Powell, que assim como a grande maioria do mercado, não descarta uma queda em dezembro, fala em evento na 5ªF. Ontem à noite, Neel Kashkari (Fed/Minneapolis), que este ano não vota, previu outro corte.


… Ainda nos EUA, indicadores de atividade (produção industrial e vendas no varejo em outubro) saem na 6ªF.


… A varejista americana Home Depot divulga o seu balanço amanhã (3ªF) e Walt Disney, na 5ªF.


… Lagarde discursa na 5ªF, quando o BCE divulga a ata da última decisão. No mesmo dia, o México decide juro.


PETRÓLEO – Opep (amanhã) e AIE (5ªF) divulgam os seus relatórios mensais sobre a commodity.


CHINA – Reforçando as dificuldades da economia, o CPI desacelerou o ritmo de alta na base anual para 0,3% em outubro, em comparação com o ganho de 0,4% observado em setembro. O PPI continuou caindo: -2,9%, de -2,8%.


… Na última 6ªF, o mercado continuou exibindo insatisfação com medidas fiscais. Pequim elevou o teto das dívidas de governos locais em US$ 840 bilhões, medida vista como insuficiente para impulsionar o PIB.


PRESSÃO DE TODO LADO – O IPCA salgado, a espera tensa pelo pacote fiscal, medidas frustrantes anunciadas pela China e o convite de Trump a um notório protecionista para o governo (Robert Lighthizer) pesaram na 6ªF.


… Sob esse mix de pressões, o mercado doméstico trabalhou na defensiva na 6ªF, correndo para o dólar, que disparou mais de 1%, e saindo da bolsa, que baixou quase 1,5%.


… Para a Capital Economics, a medida anunciada pelo governo chinês, de elevar o teto das dívidas dos governos locais em 6 trilhões de yuans (US$ 840 bilhões), “não fará diferença significativa para a demanda agregada”.


… O dia já não vinha bem desde a manhã com o mal-estar provocado pela China e o IPCA de outubro (+0,56%) acima do esperado (+0,54%), com uma abertura ruim e estourando o teto da meta em 12 meses (4,76%).


… Piorou com a informação do Financial Times, via fontes, de que Trump teria convidado Robert Lighthizer para representante do Comércio dos EUA.


… Lighthizer já ocupou o cargo na 1ª presidência de Trump, onde ficou conhecido por sua postura protecionista e posição dura contra produtos da China.


… Segundo o FT, Trump “deve agir rápida e implacavelmente” nas ameaças aos parceiros e com tarifas altas sobre importações, assim que assumir.


…  A notícia disparou o dólar ante pares e emergentes. Aqui, a moeda americana ainda continuou embutindo as preocupações fiscais e subiu 1,07%, a R$ 5,7359, depois de bater na máxima de R$ 5,7908.


… Na semana, a moeda caiu 2,27% por causa da alta base de comparação da 6ªF anterior, quando o dólar atingiu o segundo maior nível histórico nominal de fechamento (R$ 5,8694).


… O IPCA reforçou a mensagem do Copom e o DI para janeiro de 2026 subiu a 13,060% (de 13,005%); o Jan/27 foi a 13,090% (13,025%); Jan/29, a 12,925% (12,850%); Jan/31, a 12,760% (12,730%); e Jan/33, a 12,620% (12,610%).


LADEIRA ABAIXO – Na bolsa, o bom balanço elevou as ações da Petrobras em quase 2%, mas o tombo de mais de 4% da Vale e o recuo das blue chips financeiras empurraram o Ibovespa para abaixo de 128 mil pontos.


… Com apenas 13 ações em alta, o Ibov teve baixa de 1,43% aos 127.829,80 pontos. Na semana, caiu 0,23%. O volume financeiro de R$ 29,9 bilhões ficou acima da média recente, um mau sinal, de pressão vendedora.


… Em queda de 4,61% (R$ 60,63), bem mais que o minério de ferro em Dalian (-1,65%), Vale perdeu R$ 17 bilhões em valor de mercado.


… Na outra ponta, Petrobras ON subiu 1,82% (R$ 39,08) e PN avançou 1,89% (R$ 36,18).


… Apoiada no balanço e na perspectiva de pagamento de dividendos extraordinários, a companhia passou ilesa pela queda de 2,32% do Brent/jan (US$ 73,87), pressionado pela decepção com a China.


… Fernando Melgarejo, diretor financeiro da Petrobras, sinalizou na 6ªF que o eventual pagamento de dividendo extra vai depender do Plano Estratégico 2025-2029, previsto para 21 de novembro.


… O anúncio pode vir em paralelo ao plano ou, ao menos, até o fim do ano.


… Ainda no Ibov, Embraer (+7,47%), a R$ 53,79, preço recorde, esteve entre as poucas altas do dia após divulgar o balanço do 3Tri.


… Bancos ficaram no vermelho: Itaú caiu 1,57% (R$ 35,08), Santander recuou 1,22% (R$ 26,68), Banco do Brasil cedeu 0,76% (R$ 25,99), Bradesco PN perdeu 1,10% (R$ 13,51) e ON recuou 1,07% (R$ 12,04).


À ESPERA DE 2025 – A expectativa de que o futuro governo Trump adote políticas favoráveis às corporações continuou a dar as cartas em NY na 6ªF.


… Em meio ao otimismo, o S&P 500 chegou a superar a marca de 6 mil pontos, para fechar perto disso, em um novo recorde, o 50º do ano, em 5.995,54 (+0,38%).


… Os 6 mil pontos são uma marca psicológica significativa, que pode atrair mais investimento às ações, já que há muito dinheiro alocado em fundos mútuos e títulos de dívida, comentou Clark Geranen (CalBay Investments) à BBG.  


… O Dow Jones avançou 0,59% (43.988,99 pontos), puxado por Salesforce (3,6%), depois da notícia de que a empresa vai contratar mil funcionários para promover sua ferramenta de IA, Agentforce.


… O Nasdaq fechou estável (+0,09%, a 19.286,78 pontos). Na semana, S&P 500 (+4,66%) e Dow Jones (+4,61%) tiveram o maior ganho do ano. O Nasdaq avançou 5,74%. Tesla saltou 8,2% e ultrapassou US$ 1 tri em capitalização.


… Acima da expectativa (71), o índice de sentimento do consumidor dos EUA, elaborado pela Universidade de Michigan, contribuiu para manter o bom humor do mercado.


… O indicador subiu de 70,5 em outubro para 73,0 em novembro, maior nível em sete meses, na leitura preliminar.


… A pesquisa também mostrou que as expectativas de inflação em 12 meses recuaram de 2,7% em outubro para 2,6% em novembro, menor nível em quatro anos. Para o horizonte de cinco anos, subiram de 3,0% para 3,1%.


… De olho nos próximos passos do futuro governo, os Treasuries tiveram movimento sem direção única. A note de 2 anos subiu a 4,2550% (de 4,190% na sessão anterior), ainda reagindo ao resultado da eleição.


… Segundo a Fitch Ratings, os juros dos títulos americanos tendem a permanecer em nível mais elevado, diante da expectativa de aumento nas tarifas de importação, ainda mais depois de Trump chamar Robert Lighthizer.


… Os retornos dos Treasuries de longo prazo devolveram um pouco da forte alta registrada no pós-eleição. O da note de 10 anos caiu a 4,2980% (de 4,3379%) e o do T-bond de 30 anos recuou a 4,4592% (de 4,5345%).


… Antecipando as políticas inflacionárias de Trump, o dólar seguiu em alta. O índice DXY subiu 0,46%. O euro caiu 0,69%, a US$ 1,0721, a libra cedeu 0,43%, a US$ 1,2922. Na contramão, o iene avançou 0,18%, a 152,640/US$.


EM TEMPO… M DIAS BRANCO teve lucro líquido de R$ 124,7 milhões no 3TRI24, queda de 51,9% na comparação anual; Ebitda caiu 48,1%, para R$ 228,9 milhões; receita líquida recuou 12,1%, para R$ 2,404 bi.


SANTANDER concluiu resgate do instrumento de dívida emitido em 2018, que integrava o Capital de Nível I do patrimônio de referência (PR)…


… Na ocasião, banco emitiu US$ 2,5 bi em bônus externos, comprados integralmente pela matriz espanhola…


… Uma das notas, que totalizava US$ 1,250 bilhão, era perpétua e compunha o capital Nível I, foi resgatada agora; a outra tranche, também de US$ 1,250 bilhão, compõe o capital de Nível II e vence em 2028.


JBS. Seara investiu R$ 13,5 mi para expandir frota de caminhões 100% elétricos, que agora conta com 221 veículos.


EMBRAER. Brasil e Suécia assinaram carta de intenções para promover um negócio casado, no qual a FAB comprará mais caças Saab Gripen, enquanto o país nórdico vai adquirir aviões de transporte tático Embraer KC-390…


… O acordo, segundo a Folha, foi fechado na visita do ministro de Defesa sueco, Pal Jonson, a Natal (RN).


OI assinou venda de uma unidade produtiva isolada (UPI), composta por 100% das ações de emissão da SPE Imóveis e Torres Selecionados, para a SBA Torres Brasil, um Credor Take or Pay sem Garantia – Opção I, por R$ 40 milhões.

domingo, 10 de novembro de 2024

Leitura de Domingo 2 OESP

 Leitura de Domingo: Risco de cenário global para bancos brasileiros não é claro, avalia Moody's


Por Matheus Piovesana


São Paulo, 07/11/2024 - Ainda não está claro como uma possível restrição das condições financeiras globais pode afetar os bancos brasileiros, mas não é de se esperar um aperto na ponta da captação, em que o mercado doméstico consegue suprir com folga as necessidades de capital das instituições. A avaliação é da agência de classificação de risco Moody's, que vê os bancos locais buscando crescimento, mas de forma moderada e junto a públicos conhecidos.


"Esse risco hoje não está claro. Os bancos brasileiros têm uma liquidez doméstica extremamente abundante, e isso tem trazido um benefício muito grande", disse ao Broadcast a analista sênior de crédito da Moody's, Ceres Lisboa. "Eles não dependem dessa volatilidade externa e isso também dá apoio para crescer crédito."


Na quarta-feira, 6, a confirmação da vitória do ex-presidente Donald Trump nas eleições presidenciais nos Estados Unidos causou estresse em ativos locais como o real e os juros futuros. No final do dia, o dólar perdeu força e caiu, mas os temores de mais inflação e juros mais altos devido à agenda protecionista e de corte de impostos de Trump se mantiveram.


Como mostrou a reportagem, na visão de analistas e dos próprios bancos, esses riscos devem atingir aos bancos locais de forma indireta. Os balanços devem ser pressionados caso o dólar mais forte se confirme, o que poderia gerar inflação no Brasil e obrigar o Banco Central a manter os juros altos por mais tempo.


Ceres afirma que os principais limitadores para os bancos são locais. A curva futura de juros, por exemplo, tem subido este ano diante de dúvidas do mercado sobre o rumo das contas públicas brasileiras. Para ancorar as expectativas de inflação, o BC brasileiro tem elevado os juros na contramão das autoridades monetárias de outras economias, inclusive o Fed (o Banco Central americano), que acaba de reduzir os juros da economia americana em 0,25 ponto porcentual.


Captações externas


A analista da Moody's diz que o cenário incerto não fecha as portas para captações externas pelos bancos. Na visão dela, o que encarece as colocações é o juro mais alto dos últimos dois anos, fator equilibrado pelo peso que nomes como Itaú Unibanco e Banco do Brasil têm no exterior.


Outro fator que restringe captações no exterior é a liquidez ampla no mercado local. "Se os bancos forem calcular o custo dessa captação, o da captação local ainda ganha, e tem bastante abundância", diz ela.


Contato: matheus.piovesana@broadcast.com.br


Broadcast+

Leitura de domingo 1 OESP

 Leitura de Domingo: Não podemos ficar reféns da relação com os EUA, diz Carlos Fávaro


Por Isadora Duarte


Brasília, 06/11/2024 - O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, afirmou que o Brasil tem de respeitar a posição mais protecionista do presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, mas que não deve ficar refém dessa relação. "Ele fez uma campanha numa plataforma mais protecionista. Queremos ter relações comerciais com toda a América do Sul, com os Estados Unidos, com a Europa, mas também não precisamos ficar reféns dessa situação. O fortalecimento do Brics e o fortalecimento dos países do Sul Global são fundamentais para ampliarmos as nossas negociações", disse Fávaro a jornalistas no Uruguai, onde cumpriu agenda nesta quarta-feira.


O ministro afirmou ter "quase convicção" de que algumas declarações e posições de Trump tendem a ficar restritas ao período eleitoral. "A eleição talvez se exacerbe algumas manifestações, mas a realidade governando é outra. Por isso, eu tenho certeza que os Estados Unidos continuarão tendo um protagonismo importante para o mundo, para a América Latina, para a Ásia e para o Oriente Médio na nova gestão de Donald Trump", observou.


Para Fávaro, uma ampliação das relações diplomáticas e comerciais do Brasil com os países do Sul Global "supera qualquer protecionismo" a ser adotado por outros países. "Neste Sul Global, temos grande densidade populacional com Índia, China, Japão, toda a Ásia, além de todo o Oriente Médio com países com muitos recursos. E temos a América do Sul com grande densidade populacional e países bem estabilizados", ponderou o ministro.


Contato: isadora.duarte@estadao.com


Broadcast+

Dominância fiscal

 Dominância fiscal:

Tradução 

É quando vc precisa de juros mais altos p controlar a inflação, mas a dívida pública já chegou num ponto tão alto em relação ao PIB q, para pagá-los, precisa-se de um superavit primario tão alto, q a única maneira de se fazer o ajuste é via inflação. 


É o ponto em q estamos chegando. 


7% de juro real por ano, numa divida q representa 80% do pib. São 8.75% do pib com juros.


E o PT decidindo se o resultado primario desejado é deficit de 0.25% do Pib, ou zerado.


Já se vão 40 anos de redemocratizacao e ainda não aprenderam o básico do básico.

Estabilidade...o mal maior

 Vai🇧🇷



https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2024/11/estabilidade-de-servidores-no-brasil-chega-a-65-do-total-na-suecia-a-1.shtml

sábado, 9 de novembro de 2024

BCB x pacote fiscal

 Leitura de Sábado: BC joga futuro de juros no pacote do governo e deixa próximo passo em aberto


Por Eduardo Laguna, Renata Pedini, Daniel Tozzi Mendes e Denise Abarca


São Paulo, 6/11/2024 - Diante do ambiente de incertezas tanto domésticas quanto externas, o Comitê de Política Monetária (Copom) entregou nesta quarta-feira algo que poderia ser entendido, basicamente, como uma cópia do comunicado anterior, não fosse um recado claro sobre o pacote em gestação no governo para fortalecer o arcabouço fiscal, na avaliação de economistas ouvidos pelo Broadcast.


No anúncio de elevação da Selic para 11,25%, o BC cumpriu as expectativas de que não só elevaria o ritmo de alta dos juros de referência para 0,50 ponto porcentual como manteria a posição de aguardar a evolução do cenário para decidir sobre seus próximos passos. Ou seja, segue sem dar guidance.


A novidade veio no recado firme dado ao governo sobre a política fiscal. "O Comitê reafirma que uma política fiscal crível e comprometida com a sustentabilidade da dívida, com a apresentação e execução de medidas estruturais para o orçamento fiscal, contribuirá para a ancoragem das expectativas de inflação e para a redução dos prêmios de risco dos ativos financeiros, consequentemente impactando a política monetária".


Em outras palavras, o BC avisa que o trabalho de levar a inflação para a meta de 3% ficará mais fácil, a um menor custo, se o governo apresentar um pacote com medidas estruturais, que demonstrem a sustentabilidade do arcabouço, e não com ações pontuais de ajuste nas contas públicas.


O primeiro efeito do comunicado foi em geral neutro, sem mudar a situação anterior de divisão entre economistas que aguardam o fim do ciclo já em janeiro e os que apostam num período de aperto mais longo ou em ritmo mais agressivo, com a Selic indo para acima de 13%. Só que mesmo os mais otimistas reconhecem o viés de alta, dado que, mesmo com os juros subindo, as projeções do BC continuam piorando. Frente à reunião de setembro, a expectativa de inflação do Copom subiu mais um pouco: de 3,5% para 3,6% no horizonte relevante da política monetária, atualmente o segundo trimestre de 2026.


Sem trazer surpresas nesta quarta-feira, não será o BC que vai fazer preços no pregão de amanhã, mas sim a reação dos investidores à eleição, rodeada de riscos, de Donald Trump nos Estados Unidos e as notícias sobre o pacote de contenção de despesas.


Segundo o economista-chefe da G5 Partners, Luis Otavio Leal, cenários em que mais instituições do mercado financeiro passem a projetar uma Selic acima de 13% podem ganhar força. Tudo vai depender de quão crível será o pacote de corte de gastos.


Para o gestor de portfólio da Azimut Brasil Wealth Management, Marcelo Bacelar, o tom mais "incisivo" do Copom na abordagem sobre a política fiscal aumentou a responsabilidade do governo nas medidas que promete lançar.


Na interpretação da diretora de macroeconomia para o Brasil do UBS Global Wealth Management, Solange Srour, o BC, a exemplo do mercado, espera que o pacote de contenção de gastos seja mais amplo do que desvincular e colocar o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) dentro do piso da educação.


Se houver frustração com o pacote e ambiente internacional adverso, levando o câmbio a uma depreciação adicional, além de maior desancoragem das expectativas, o BC, prevê Solange, vai ter de acelerar o ritmo de altas da Selic.


Economista do BTG Pactual, Alvaro Frasson não descartou uma aceleração no ritmo de alta dos juros, para 0,75 ponto porcentual, na próxima reunião do Copom, marcada para 10 e 11 de dezembro. "Se chegar às vésperas do Copom de dezembro, e o mercado entender que o BC vai piorar a projeção do segundo trimestre de 2026 de novo, o remédio pode ser mais amargo", diz.


Contatos: eduardo.laguna@estadao.com; renata.pedini@estadao.com; denise.abarca@estadao.com; daniel.mendes@estadao.com


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Alvaro Gribel

 Lula aceitou que medidas fiscais sejam estruturais, mas PT quer que atinjam 'andar de cima’


Por Álvaro Gribel, do Estadão


Brasília, 09/11/2024 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já aceitou e entendeu que as medidas em discussão para cortar gastos são estruturais, e é justamente por isso que o processo vem se prolongando nas últimas duas semanas. Segundo interlocutores a par das negociações, as reuniões comandadas pelo presidente já somam mais de 20 horas de debates, envolvendo ministros, secretários, economistas, dirigentes partidários e até sindicalistas.


Lideranças do PT também já admitem que o cenário para a economia é binário, com um forte impacto no dólar, juros, e crescimento econômico em caso de frustração com o pacote. Mas entendem que é preciso uma saída honrosa para o partido, com medidas que atinjam também o “andar de cima”. Isso facilitará a comunicação das medidas, para que elas não recaiam apenas sobre os mais pobres e não sejam vistas como uma traição por parte do eleitorado petista.


O anúncio ainda pode levar alguns dias, porque dependerá não apenas de Lula, mas de conversas entre o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e os presidentes do Senado, Rodrigo Pacheco, e da Câmara, Arthur Lira. Essa seria a “fase 2" da elaboração do pacote, que ainda está por vir.


Pessoas a par das negociações dizem que ninguém sabe exatamente o que será decidido pelo presidente da República, mas garantem que ele está bem informado para definir o que sai e o que fica. Se a discussão envolvesse bloqueios e contingenciamentos, por exemplo, o anúncio já teria sido feito. Como são medidas estruturais, que envolvem muitos anos de governo à frente, Lula se sente no direito e dever de ouvir todos os lados para tomar a melhor decisão, a despeito da pressão do mercado financeiro.


O alinhamento entre Fazenda e Casa Civil já foi tornado público por Haddad, depois de quase dois anos de desentendimentos entre os chefes das duas pastas. Isso dá mais segurança a Lula.


O que está em discussão


O seguro-desemprego em alta, mesmo com o mercado de trabalho aquecido, é um argumento que já sensibiliza integrantes do PT. O mesmo ocorre em relação aos aposentados do INSS que recebem o mesmo valor do salário mínimo de quem tem direito ao Benefício de Prestação Continuada (BPC), mas que não contribuiu para a Previdência.


A ideia em estudo pelo secretário Sérgio Firpo, de só conceder o salário mínimo ao BPC para quem fizer algum tipo de contribuição, é bem vista no PT, porque foca na arrecadação, e não na redução de gastos. Não ajuda a conter o aumento de despesas que forçará o teto de 2,5% do arcabouço, mas contribui para diminuir o déficit primário.


Outro ponto visto como crucial na estratégia de comunicação é conseguir explicar que o governo não está “reduzindo gastos sociais”, mas desacelerando o ritmo de alta. Nesse sentido, estabelecer o teto de 2,5% para o salário mínimo é uma medida palatável, porque dá ao partido o argumento de que a valorização está garantida ao trabalhador, mas de forma sustentável nos próximos anos.


Broadcast+

Deonísio da Silva

 Um libelo contra essa modinha nefasta e autoritária do politicamente correto, que quer impor sua visão de mundo equivocada e atacar quem nã...