segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Que sirva de lição

 


 Ser amiguinho de todos não significa q todos gostem da pessoa. Tem gente q tem mto esta preocupação. Agradar. Não é suficiente. Que sirva de lição. 

Malu Gaspar

 🇧🇷  *Malu Gaspar: CPI do INSS volta do recesso com futuro em xeque e Lulinha na mira- Globo*

A CPI do INSS retoma suas atividades no dia 5 de fevereiro sob forte incerteza. A oposição trabalha para prorrogar os trabalhos por mais dois meses a partir do fim de março, com o objetivo central de investigar o possível envolvimento de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. A Polícia Federal apura se o filho do presidente atuaria como "sócio oculto" de Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, que é tido como o operador do esquema de descontos indevidos em aposentadorias. O elo entre eles seria a empresária Roberta Luchsinger, amiga da família de Lulinha e destinatária de repasses financeiros suspeitos.

Os Obstáculos para a Prorrogação

Apesar da pressão, a continuidade da comissão enfrenta barreiras políticas e logísticas significativas. Como a CPI é mista, a decisão final sobre a extensão cabe a Davi Alcolumbre, presidente do Congresso, que sinaliza resistência à ideia. O Palácio do Planalto também atua para encerrar o colegiado, temendo que ele se transforme em um palanque eleitoral às vésperas da sucessão presidencial. Além disso, o próprio calendário eleitoral pesa contra, já que parlamentares preferem focar em suas bases nos estados a partir de agora.

*Personagens Centrais e seus Papéis*

Diversas figuras políticas e empresariais estão no centro dos conflitos desta comissão. Fábio Luís Lula da Silva é investigado por um suposto vínculo indireto com as fraudes, enquanto Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, é apontado como o pivô central do esquema.


No campo político, Davi Alcolumbre atua para conter o avanço das investigações que podem atingir aliados, como o senador Weverton Rocha, apontado pela PF como sustentáculo político do grupo. Já na condução da CPI, o relator Alfredo Gaspar e o presidente Carlos Viana buscam a quebra de sigilos e novas convocações para manter o fôlego das apurações.


*A Tese da Polícia Federal*


A investigação da Polícia Federal baseia-se em diálogos interceptados onde Roberta Luchsinger faz menção a Fábio e em comprovantes de repasses de 300 mil milhares realizados por sócios do esquema. Em uma das conversas, o operador orienta o pagamento de valores mencionando que o destino seria "o filho do rapaz". A corporação, no entanto, ressalta que até o momento não há evidências de envolvimento direto do filho do presidente nas condutas fraudulentas, mas sim a possibilidade de uma sociedade oculta intermediada.


*Texto com IA*


Matéria completa: https://tinyurl.com/26amdqou

Que faz pensar!

 

Que faz pensar!

"Capital Monetário: Novos Princípios Monetários para uma Sociedade Mais Próspera" por Patrick Bolton e Haizhou Huang.

"Neste livro, os economistas renomados Patrick Bolton e Haizhou Huang oferecem uma perspectiva inovadora, vendo a economia monetária sob a ótica das finanças corporativas. Eles propõem uma teoria rica da oferta de dinheiro, onde o dinheiro pode ser visto como o capital acionário de uma nação, desempenhando um papel semelhante às ações de uma empresa. Esse arcabouço inovador integra os lados real e monetário da economia, com um setor bancário e a dívida em seu núcleo."

Bankinter Portugal Matinal

 Análise Bankinter Portugal 


NY 0% US tech -1,3% US semis -3,4% UEM +1% España +1,7% VIX 17,4% Bund 2,84% T-Note 4,22% Spread 2A-10A USA=+71pb B10A: ESP 3,21% PT 3,20% FRA 3,43% ITA 3,46% Euribor 12m 2,226% (fut.2,373%) USD 1,185 JPY 183,3 Ouro 4.434$ Brent 65,7$ WTI 61,7$ Bitcoin -7,5% (76.307$) Ether -18,9% (2.218$).


SESSÃO: Dois factores para este brusco arrefecimento do mercado: Warsh e o CEO de Nvidia sobre OpeanAI. A escolha de K. Warsh para substituir Powell está a fazer com que os mercados reajam exageradamente, com sérias realizações de lucros nos ativos que mais subiram recentemente e que, precisamente por isso, passam a ser considerados de risco (ouro, prata, commodities em geral), além de fazer cair os de risco pela sua própria natureza (tech, semis, etc.). Reação exagerada porque pode ser que Warsh seja mais hawkish/duro e menos obediente do que outros (foi bastante hawkish/duro quando foi Conselheiro da Fed entre 2006/11), mas ao candidatar-se para o cargo expressou-se a favor de taxas de juros inferiores, aligeirar a regulação… mas também de reduzir o balanço da Fed (medida hawkish/dura), o que já foi testado, mas não viável na prática, porque afeta demasiado o mercado. É provável que nem toda esta brusca realização de lucros se deva a Warsh, que já veremos o quão obediente é a Trump, mas também ao facto de começarem a surgir vozes um pouco mais prudente sobre os investimentos em IA que podem arrefecer (felizmente) as saídas à bolsa de Anthropic, xAI, OpenAI, etc. O CEO de Nvidia (Huang), por exemplo, insinuou, embora de forma confusa, que o seu investimento em OpenAI poderá ser inferior aos 100.000 M$ acordados em setembro.


Além disso, embora menos importante, o BoJ considera a possibilidade de estar a ficar para trás com a sua taxa diretora perante um possível aumento da inflação, o que significa que admitem que poderão chegar tarde para a combater. Isto é hawkish/duro e implica riscos de erro por parte do BoJ, o que não é nada bom para o mercado e deverá ser bastante apreciatório para o yen, porque aumenta a possibilidade do BoJ terminar por subir até 1,00% vs. 0,75% atual.


O arrefecimento está servido por Warsh, Nvidia/OpenAI e el BoJ. E não tem por que ser mau se corrige excessos ou previne excessos posteriores piores. Esta madrugada, Japão -1,3%, mas Coreia, que é pura tecnologia, -5,3%. Os futuros sobre Wall St. vêm em queda entre -1% e -1,5%, enquanto os europeus ca.-1%. O petróleo -5%, o ouro -7% e a prata -11%, mas parece que as criptos começam a travar as quedas e estas são o ativo mais sensível e especulativo, portanto, poderão indicar que o golpe está quase encaixado, embora provavelmente nem todo o reajuste tenha já acontecido.


CONCLUSÃO: Segunda-feira a encaixar um golpe forte por reajuste repentino, portanto, é provável que a semana se estabilize pouco a pouco, com um saldo negativo, mas a evoluir desde pior para menos maus. As quedas hoje serão -1%/-2% e a chave será observar as commodities. É provável que se trate de um reajuste de velocidade bastante são para o mercado. É atribuída à nomeação de Warsh uma gravidade excessiva.


FIM

domingo, 1 de fevereiro de 2026

Ricardo Gallo

 *A maior crise institucional desde 1964*


*Não creio que o Sr. Daniel Vorcaro tenha competência para coordenar isso, ser o cabeça central* 


Ricardo Gallo* - 22/1/2026


(*Partner at Ethica Services with expertise in finance and asset management)


January 22, 2026


Pessoal, estou no mercado financeiro há 40 anos e nunca vi uma rede tão complexa de negócios ilícitos montada com tanta perfeição. Para aqueles que não estão no mercado ou que não conhecem as dificuldades em se montar um esquema desses, do ponto de vista logístico, legal e financeiro, posso afirmar que todos estes tentáculos estão necessariamente ligados a uma cabeça central, um órgão central de coordenação disso tudo. Não achem que estas coisas se montam no mercado mediante uma engenharia financeira simples ou na base do oportunismo. Ela demanda enorme coordenação e planejamento. E profissionalismo. Não creio que o Sr. Daniel Vorcaro tenha competência para coordenar isso. Ele pode ser somente uma peça de uma máquina muito mais complexa.


*Vimos nos últimos anos uma rede de ações criminosas no INSS, postos de gasolina, "lavanderias financeiras", bettings irregulares, influencers corruptos, operações de bitcoin com intuito de lavagem, e agora isso. Tudo parece conectado. Tudo passando pelo Master, cujo nome não deve ser coincidência. Facções criminosas perderam o pudor e se comportam como grupos guerrilheiros. Violência urbana em níveis incompatíveis com a dinâmica exuberante do mercado de trabalho. Há algo horroroso em curso e não podemos ficar como sapos na água fervendo. Parados, esperando nosso final.*


Tentáculos agora atingem funções críticas do estado, como Congresso, Judiciário e Executivo. *Não tenho a menor dúvida de que há um corpo central coordenando estas ações. Sem um chefe golpista, mas com um grupo que coordena todas estas ações com o objetivo de controlar as atividades do Estado. Não podemos, desta forma, nos perder nos detalhes, não ficar observando apenas as árvores, mas sim a floresta. Podemos estar assistindo a uma tentativa de "golpe de estado silencioso", em que grupos criminosos pretendem se apossar do Estado.*


*A venezuelização do Brasil não virá de crises fiscais ou de um "golpe comunista". Mas pode vir sim através do aparelhamento do estado por milícias ou narcotráfico. Acredito que estamos sob ataque, e que desta vez o crime está indo atrás dos agentes públicos de forma muito coordenada e sofisticada, na tentativa de cooptá-los ou silenciá-los através da força ou corrupção "pequena".*


A dimensão espacial deste caso transcende o ocorrido no Petrolão, que foi coordenado por um grupo de políticos para levantar dinheiro para se financiar. Era algo bem focado. Envolvia poucas grandes empresas e simples propina. Uma ação entre "amigos" com baixo risco institucional. Algo imoral, mas relativamente simples e, até mesmo, corriqueiro. *Hoje é completamente diferente e muito mais complexo de se combater.*


O risco institucional neste momento é o maior desde o Golpe de 64. Muito maior do que vivemos no final de 2022 com o golpe dos três patetas, que foi grave, mas com zero competência em sua organização. Desta vez é um trabalho coordenado, feito com extrema abrangência e enorme complexidade. Tenho muita experiência no setor, mas, honestamente, *a engenharia financeira envolvida supera tudo que já vi ou pude imaginar. Não podemos acreditar que tais ações sejam apenas oportunistas, coincidências ou frutos do acaso. Às vezes, as teorias de conspiração são reais, pois conspirações existem. Acredito que alguns setores do estado, patriotas, estão percebendo isso e sendo atacados. Outros viraram reféns. Nesta história só falta sangue. Assassinatos de testemunhas ou de informantes.* 


Nossos reais inimigos não são a direita ou a esquerda. Mas esses criminosos golpistas sem ideologia ou escrúpulos. *Essa é a maior ameaça à democracia dos últimos 60 anos.* Os agentes públicos, a meu ver, são meros peões. E a imprensa e a sociedade precisam olhar isso desta forma. Não podemos ficar apenas na atitude " são todos uns ladrões" ou no " tudo é culpa do Bolsonaro ou do Lula". Tampouco "ministro fulano é bandido". A passividade da sociedade neste momento pode ser fatal. A nossa máfia finalmente apareceu. E ela quer controlar os governantes e o Estado. Como nos filmes de Al Capone. Mas em escala nacional, não somente municipal. Aí a democracia liberal acaba e viramos um failed state. O Sr. Trump está errado nos métodos, mas pode estar certo no diagnóstico. 


*Acorda, Brasil. A guerra civil começou.* Sem guerrilhas abertas, mas com tecnologia, inteligência, estratégia e coordenação. Ou os candidatos à presidência nas eleições deste ano encaram nas campanhas essa guerra e mobilizam a sociedade civil, ou seremos engolidos pelo polvo criminoso que está nos esmagando. Seja quem for o novo presidente. É preciso muita coragem para comprar esta briga. E a imprensa é nossa maior arma neste momento. Mas as ruas ainda estão livres. E nós devemos ajudar. Manifestar democraticamente e de forma ordeira e pacífica nossa indignação.


https://www.linkedin.com/pulse/maior-crise-institucional-desde-1964-ricardo-gallo-nofrf/

Política externa do PT

 *Leitura de Sábado: governo pede à China medidas compensatórias à salvaguarda à carne bovina*


Por Isadora Duarte


Brasília, 28/01/2026 - O governo brasileiro pediu à China medidas compensatórias para minimizar o impacto decorrente da salvaguarda à carne bovina, relataram fontes ao Broadcast Agro. O pacote de medidas inclui desde reconhecimentos sanitários a aberturas comerciais de mercado e segue o previsto no acordo de salvaguardas da Organização Mundial do Comércio (OMC). O pedido caminha em paralelo às demandas inicialmente apresentadas pelo governo às autoridades chinesas relacionadas a ajustes operacionais e flexibilizações na cota alocada ao Brasil.


As medidas compensatórias pleiteadas pelo Brasil são o reconhecimento de todo o território brasileiro como livre de febre aftosa sem vacinação, após o País ter obtido o status sanitário pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA); o reconhecimento do Brasil como país de risco insignificante para encefalopatia espongiforme bovina (EEB), doença popularmente conhecida como "mal da vaca louca"; o aceite da regionalização para gripe aviária; e abertura do mercado chinês para miúdos bovinos, carne bovina com osso, miúdos suínos e miúdos de aves do Brasil - estes não estão contemplados na salvaguarda, e portanto, não seriam contabilizados na cota brasileira.  As medidas serão avaliadas pelo governo da China. Não há prazo para a resposta pelo lado chinês, ponderam as fontes ouvidas.


O pedido do governo ocorre após a China anunciar que vai impor cotas específicas por país para importação de carne bovina com a aplicação de uma tarifa adicional de 55% para volumes que excederem a quantidade. A decisão foi comunicada pelo Ministério do Comércio (Mofcom) do país em 31 de dezembro e está em vigor desde o dia 1º. As medidas serão implementadas por três anos até 31 de dezembro de 2028 e atingem os principais exportadores da carne bovina. O Brasil, principal fornecedor da proteína vermelha ao mercado chinês, terá uma cota de exportação de 1,106 milhão de toneladas sem tarifas adicionais neste ano, cerca de 600 mil toneladas menos que as 1,7 milhão de toneladas de carne bovina exportadas para a China no último ano.


O documento com as medidas foi preparado pelo Ministério da Agricultura, Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e pelo Ministério das Relações Exteriores e formalizado hoje. Os pleitos foram citados pelo vice-presidente e ministro do MDIC, Geraldo Alckmin, durante telefonema com o vice-presidente da China, Han Zheng, nesta quarta-feira, apurou a reportagem. Em nota, o Palácio do Planalto informou que a ligação em torno de 30 minutos tinha ocorrido, citou a abordagem do tema da salvaguarda, mas não detalhou os pedidos feitos pelo lado brasileiro.


A intenção do governo é utilizar as medidas compensatórias para aliviar o impacto do que deixará de ser exportado pela indústria de carne bovina, estimado pela indústria em US$ 3 bilhões, considerando as 600 mil toneladas e o valor médio da proteína vermelha pago pela China em 2025. Esse pacote de medidas compensatórias, afirmam fontes, tende a não suprir todo o montante, já que a proteína vermelha comercializada no mercado chinês, geralmente corte do dianteiro, tem maior agregado que miúdos, por exemplo. "O grande desejo era manter a normalidade no mercado, mas são medidas paliativas que podem ser importantes, mas distante do comércio crescente observado até então", observou um executivo da indústria.


A concessão de medidas compensatórias pelo país que aplica salvaguardas está prevista no acordo de salvaguardas balizado pela OMC, que abre precedente para ações em igual valor ao estimado no impacto no comércio. Ainda antes de a salvaguarda ser oficializada pela China, o governo brasileiro havia sinalizado às autoridades chinesas a intenção de avançar em um pacote compensatório, o que enfrentou resistência inicial do lado chinês. Entretanto, após uma reunião das áreas técnicas bilaterais há duas semanas, o governo chinês acenou que estaria aberto a estudar contrapartidas e a receber os pleitos brasileiros, segundo relatos. "Isso mostra que há grande espaço para negociação com temas de comércio relevantes e antigos do Brasil, como as aberturas de mercado para miúdos"


O tema está "na mesa" de discussões, bem como os pedidos específicos direcionados ao cumprimento da cota brasileira. Há duas demandas principais relacionadas à cota: a redistribuição para o Brasil no último trimestre de volumes de cotas que não forem cumpridas pelos demais exportadores e a não contabilização de cargas em alto-mar, em trânsito ou em desembaraço alfandegário no país asiático na cota alocada ao Brasil (estimadas em 250 mil toneladas), além do debate sobre a administração compartilhada da cota entre governo brasileiro e governo chinês. Essas propostas que já haviam sido apresentadas pela área técnica do governo brasileiro às autoridades chinesas foram reforçadas no diálogo de alto nível feito hoje por Alckmin. "Não são questões excludentes. O interesse do País é pelas medidas compensatórias e pelos pontos relacionados à cota. São várias as opções na mesa", afirma uma fonte. Ainda não houve resposta positiva ou negativa da área técnica chinesa sobre os pleitos brasileiros.


A conversa entre Alckmin e o vice-presidente chinês foi considerada "ótima" por interlocutores do Executivo, que ressaltam o bom momento na relação entre os países. Outro tema tratado foi a transparência no cumprimento das cotas com acompanhamento mensal dos volumes, conforme os interlocutores. Embora o telefonema não tenha sido conclusivo, conforme o esperado, a China não sinalizou contrariedade ou negativas aos pleitos apresentados pelo Brasil, o que já foi considerado um "avanço" nos bastidores do governo. A expectativa do governo é de uma resposta pelo lado chinês em breve, com possibilidade de anúncios concretos no primeiro semestre deste ano no âmbito da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (Cosban), que será no Brasil. Há uma tradição diplomática chinesa em fazer "entregas e anúncios" bilaterais no âmbito da Cosban.


A estratégia do governo brasileiro, dizem as fontes, é manter as conversas bilaterais com a China e a aposta em discussões de "alto nível" e em uma decisão política, como mostrou o Broadcast Agro. Caso as tratativas não prosperem, há possibilidade "em última instância" de envolvimento pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em diálogo direto com o presidente Xi Jinping, como já ocorreu em outros episódios. "As conversas continuam e os níveis hierárquicos vão aumentando, conforme o necessário", disse uma fonte.


Contato: isadora.duarte@estadao.com


Broadcast+

Desafios do PT do Nordeste

*Pesquisas e desavenças indicam cenário mais desafiador da Era Lula para o PT no Nordeste*


Por Bianca Gomes, do Estadão


São Paulo, 31/01/2026 - O PT chega a 2026 enfrentando dificuldade em parte do Nordeste, considerado historicamente um “bastião da esquerda”. Pesquisas recentes indicam vantagem da oposição em Estados-chave como Bahia, Maranhão e Ceará, enquanto, em outros, os palanques seguem marcados por indefinições, disputas internas e negociações abertas.


Em boa parte da região, a estratégia do partido depende do envolvimento direto do presidente Lula (PT), tanto para bater o martelo sobre alianças quanto para servir como cabo eleitoral de candidaturas que hoje aparecem atrás nas pesquisas, caso do Rio Grande do Norte, por exemplo.


Em termos de candidaturas majoritárias aos Executivos estaduais, a esquerda corre o risco de perder uma parcela significativa do poder territorial acumulado nas últimas décadas.


Levantamento do cientista político Murilo Medeiros, da UnB, indica que, mantido o cenário apontado pelas sondagens mais recentes, a esquerda pode registrar, em 2026, seu pior desempenho nas eleições para governador no Nordeste desde a chegada de Lula ao Planalto, em 2002.


Siglas de centro e centro-direita, como MDB, PSD e União Brasil, lideram as intenções de voto na maior parte dos Estados - ainda que, em muitos deles, integrem alianças com partidos da esquerda.


Medeiros afirma que, embora a região Nordeste continue sendo estratégica para Lula, já não funciona como um reduto automático.


“O voto nordestino tornou-se mais volátil, urbano e pragmático, sensível a temas como custo de vida, segurança pública e qualidade dos serviços públicos”, diz Medeiros, citando a perda de capilaridade territorial do campo nos últimos pleitos. “Em 2018, partidos do campo progressista governavam estados que concentravam cerca de 90% do eleitorado nordestino. Esse percentual caiu para 74% em 2022 e agora pode recuar para algo próximo de 23%.”


Vitor Sandes, cientista político e professor da Universidade Federal do Piauí, adota um tom menos pessimista. Para ele, embora o PT corra riscos, a força da máquina federal - e também da máquina estadual, nos casos em que governadores petistas disputam a reeleição - e o voto casado com Lula tendem a reverter o cenário desfavorável das pesquisas.


“O PT corre alguns riscos no Nordeste, como no Maranhão e no Ceará, este último onde há um fato novo, que é Ciro Gomes. Também há desafios, sobretudo diante do movimento que o PSD fez ao lançar três pré-candidatos à Presidência, embora exista certa flexibilidade nos Estados”, avalia o especialista. “O mais importante para o partido é manter uma votação expressiva a Lula na região e garantir palanques fortes, mesmo que ele não saia com cabeça de chapa”, completa.


Broadcast+

Ailton Braga

  Hoje, 02/02/2026, saiu no Blog do IBRE da FGV, artigo meu em que faço análise da interação entre política fiscal e política monetária, a p...