quinta-feira, 16 de abril de 2026

BDM Matinal Riscala

 *Rosa Riscala: Compasso de espera sem desfecho da guerra*


Ganha força a tentativa de estender o cessar-fogo, que termina na próxima terça-feira


… O mercado começa esta quinta-feira repercutindo indicadores de atividade na China e ainda sem convicção sobre os desdobramentos da guerra, tentando equilibrar a expectativa de avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã com a ausência de sinais concretos de desfecho para o conflito. Nesse ambiente mais cauteloso, a agenda ganha peso, com destaque para o IBC-Br de fevereiro, que deve mostrar desaceleração da atividade, além da produção industrial nos Estados Unidos e falas de dirigentes de bancos centrais, em meio às reuniões do FMI, em um dia que pode ajudar a calibrar as apostas para juros e crescimento. No mercado corporativo, atenção à AGO da Petrobras e à prévia operacional da Vale no primeiro trimestre. Em Nova York, sai o balanço da Netflix.


FALTA CONVICÇÃO – O cenário no Oriente Médio segue marcado por um impasse delicado: há negociação em curso, mas ainda sem qualquer avanço concreto que permita ao mercado comprar de forma mais firme a ideia de um desfecho próximo.


… O governo Trump voltou a classificar as conversas com o Irã como “produtivas”, enquanto interlocutores indicam que uma nova rodada pode ocorrer nos próximos dias, com mediação do Paquistão — mas o progresso é lento e cercado de ruídos.


… No campo diplomático, ganha força a tentativa de estender o cessar-fogo, que termina na próxima terça-feira, 21, embora não haja confirmação oficial de prorrogação. A própria Casa Branca negou que tenha solicitado formalmente a extensão da trégua.


… Mediadores pressionam por mais tempo para avançar em pontos sensíveis, como o programa nuclear iraniano e o futuro do Estreito de Ormuz.


… Teerã teria sinalizado disposição para permitir a navegação por águas omanitas como parte de um eventual acordo, mas sem clareza sobre a retirada de minas ou sobre a liberação plena de embarcações, inclusive as ligadas a Israel.


… Ao mesmo tempo, os Estados Unidos mantêm o bloqueio marítimo e afirmam ter controle da região, embora o fluxo recente de navios indique alguma normalização parcial. Esse quadro é agravado por mensagens divergentes entre os principais atores.


… Enquanto Trump voltou a dizer que a guerra está “muito próxima do fim”, Benjamin Netanyahu adotou tom mais cauteloso e afirmou que ainda é cedo para prever o desfecho do conflito, destacando que Israel está preparado para retomar os combates.


… No pano de fundo, os Estados Unidos intensificam a pressão econômica sobre o Irã, com ameaças de sanções adicionais e investigações sobre movimentações atípicas no mercado de petróleo, o que reforça o ambiente de incerteza.


… O resultado é um mercado global sem direção clara, que oscila entre o alívio gerado pela possibilidade de diálogo e o risco de uma nova escalada da guerra, especialmente com o prazo do cessar-fogo se aproximando.


LÍBANO X ISRAEL – No outro front, o cenário também segue ambíguo, com sinais de trégua convivendo com a continuidade das operações militares. O Irã fala em um cessar-fogo de uma semana, que seria anunciado nas próximas horas, mas Israel não respalda a informação.


… Trump disse no final da noite de ontem que os líderes de Israel e do Líbano irão se encontrar nesta quinta-feira para discutir um acordo de cessar-fogo.


… O premiê Benjamin Netanyahu reforçou que os ataques contra o Hezbollah continuarão, destacando que os objetivos estratégicos seguem inalterados: o desmantelamento do grupo e a construção de uma “paz duradoura por meio da força”.


… Nesse contexto, Israel mantém a intenção de preservar uma zona de segurança no sul do Líbano, o que indica uma postura ainda defensiva e de longo prazo. Na prática, a ofensiva segue em curso.


… Israel afirma já ter eliminado cerca de 1.800 combatentes do Hezbollah desde o mês passado, enquanto avança com operações terrestres.


… Ao mesmo tempo, o chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel, Eyal Zamir, aprovou novos planos de batalha contra o Irã, reforçando a leitura de que o conflito permanece com alto potencial de escalada, mesmo diante de tentativas pontuais de cessar-fogo.


GUERRA E JUROS – O aumento das incertezas globais provocado pela guerra no Oriente Médio já começa a aparecer de forma mais explícita no discurso do Banco Central, como na fala do diretor de Política Monetária, Nilton David, em Washington.


… No seminário promovido pelo JPMorgan, à margem das reuniões de Primavera com FMI, ele afirmou que o ambiente externo mais volátil reforça a necessidade de cautela na condução da política monetária, especialmente no atual ciclo de cortes da Selic.


… “Tivemos muito ruído com a guerra, ter cautela com cortes da Selic parece a postura adequada.”


… Segundo David, o movimento iniciado em março, com redução de 0,25 ponto, deve ser entendido como um processo de “calibração” — e não como um afrouxamento das condições monetárias.


… A sinalização é de que, mesmo com cortes, a política seguirá em território restritivo, refletindo o esforço de convergência da inflação.


… Ele também destacou incômodo com a deterioração das expectativas inflacionárias mais longas, especialmente para 2028, reforçando que o objetivo do Banco Central permanece sendo o centro da meta de 3%.


… Ao mesmo tempo, ponderou que parte das expectativas de curto prazo, como as de 2026, já foge ao alcance direto da política monetária.


… No câmbio, o diretor chamou atenção para o desempenho do real, que não apenas resistiu ao choque externo como apresentou volatilidade inferior à de outras moedas emergentes. Ainda assim, avaliou que tal movimento tem caráter mais conjuntural do que estrutural.


META AMBICIOSA –O governo apresentou o PLDO de 2027 com a manutenção da meta de superávit primário de 0,5% do PIB, que é equivalente a R$ 73,2 bilhões, dentro de uma trajetória que prevê resultados crescentes até atingir 1,5% do PIB a partir de 2030.


… A sinalização é de consolidação fiscal gradual, com o objetivo de estabilizar a dívida e abrir caminho para a recuperação do grau de investimento.


… O secretário-executivo da Fazenda, Rogério Ceron, afirmou que o cumprimento das metas é suficiente para levar o País ao investment grade, destacando que os preços de ativos brasileiros já refletem essa percepção, com spreads próximos aos de economias comparáveis.


… Para sustentar a trajetória, o PLDO incorpora mecanismos de contenção de gastos.


… Com o déficit registrado em 2025, serão acionados gatilhos do arcabouço fiscal em 2027, incluindo restrições à concessão de benefícios tributários e limite ao crescimento real das despesas com pessoal.


… Além disso, o governo projeta economia de R$ 80 bilhões com revisão de gastos e prevê exceções de até R$ 10 bilhões para estatais em reequilíbrio, como os Correios.


… O desenho também traz mudanças na contabilização de precatórios, com inclusão de 39,4% dessas despesas na meta fiscal e previsão de redução gradual dos valores fora do resultado ao longo dos próximos anos, em linha com o esforço de contenção da dívida.


… Nas premissas macroeconômicas, o governo projeta crescimento do PIB ao redor de 2,5% no período, inflação próxima ao centro da meta e trajetória de queda da Selic até 7,27% em 2030.


… O câmbio é estimado na casa de R$ 5,50 no horizonte, enquanto o preço do petróleo foi fixado em patamar conservador, ao redor de US$ 67 o barril, sem incorporar os efeitos da guerra no Oriente Médio, o que, na prática, pode gerar receitas adicionais caso o cenário atual persista.


… Apesar disso, análises de mercado já começam a questionar a qualidade do resultado fiscal projetado. Estimativa da Warren aponta que, descontados precatórios e outras despesas fora da meta, o superávit efetivo de 2027 seria de apenas 0,05% do PIB.


… Na prática, o cumprimento da meta dependeria de exclusões relevantes de gastos, o que mantém o risco de repetição de um padrão recente: metas formalmente cumpridas, mas com déficits recorrentes e pressão sobre a dívida e os juros.


CAPTAÇÃO – O Tesouro Nacional voltou ao mercado europeu após mais de uma década e levantou 5 bilhões de euros em emissão de bonds, superando a expectativa inicial de captação de 3 bilhões. A operação foi dividida em três séries, com vencimentos de 4, 7 e 10 anos.


… A demanda chegou a cerca de 15 bilhões de euros, evidenciando forte apetite de investidores estrangeiros por ativos brasileiros.


… As taxas foram definidas em 1,45%, 2,10% e 2,55%, respectivamente, acima dos rendimentos de títulos europeus equivalentes, refletindo o prêmio de risco do país.


… A operação reforça a percepção de melhora na qualidade de crédito do Brasil e dialoga com a leitura do governo de que o país já negocia próximo ao grau de investimento, em meio à busca por consolidação fiscal.


CURTAS NA POLÍTICA – A PEC que trata do fim da escala 6×1 deve ser votada na CCJ da Câmara na próxima quarta-feira, segundo Hugo Motta.


… A tramitação segue o cronograma original, apesar do pedido de vista que suspendeu a análise do parecer favorável apresentado pelo relator. A expectativa, segundo Motta, é de aprovação da proposta, mas com debate amplo antes da votação final.


MCMV. O governo pretende direcionar R$ 20 bilhões do Fundo Social do pré-sal para reforçar o financiamento do Minha Casa Minha Vida, com foco na faixa 3, voltada a famílias com renda de até R$ 9,6 mil.


… Durante o anúncio, Lula voltou a pressionar o BC por cortes de juros, defendendo que leve em conta o esforço fiscal do governo.


STF. Nos bastidores, o ministro da AGU, Jorge Messias, avançou na articulação para sua indicação ao STF e já teria apoio suficiente no Senado para aprovação, ainda que por margem estreita. A sabatina está marcada para o dia 28.


… A melhora no cenário pode abrir caminho para diálogo com o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, considerado até aqui o principal entrave.


ELEIÇÕES. Pesquisa Genial/Quaest mostra Lula na liderança isolada no primeiro turno, com 37% das intenções de voto, seguido por Flávio Bolsonaro, com 32%. No segundo turno, há empate técnico, com vantagem numérica do senador: 42% contra 40%.


MAIS AGENDA – No Brasil, o destaque fica para o IBC-Br de fevereiro, às 9h, com expectativa de alta de 0,6%, após avanço de 0,78% em janeiro, segundo a mediana das projeções em pesquisa do Broadcast.


… Na comparação anual, o indicador deve mostrar estabilidade, sugerindo perda de fôlego na margem.


… Saem ainda o IPC-S da segunda quadrissemana de abril, às 8h, e, à tarde (15h), o diretor de Assuntos Internacionais do BC, Paulo Picchetti, participa de evento em Washington, em meio às reuniões de Primavera do FMI.


… No noticiário corporativo, a Vale divulga após o fechamento sua prévia operacional do primeiro trimestre, enquanto a Petrobras realiza AGO.


… No exterior, o foco recai sobre a produção industrial dos EUA, às 10h15, além dos pedidos semanais de auxílio-desemprego, às 9h30.


… Também entram no radar a ata do BCE e falas de dirigentes de bancos centrais, incluindo John Williams, do Fed de Nova York, em um dia marcado pelas reuniões do FMI, Banco Mundial e G20.


… Entre os balanços, destaque para PepsiCo antes da abertura em Nova York, enquanto Netflix e Alcoa divulgam seus resultados após o fechamento.


CHINA HOJE – O PIB cresceu 5% no primeiro trimestre de 2026, na comparação com igual período de 2025. O resultado ficou levemente acima da previsão de 4,9% e representa aceleração contra os 4,5% do trimestre anterior.


… A produção industrial da China teve alta anualizada de 5,7% em março e superou a expectativa de 5,5%. Mas o desempenho desacelerou contra o bimestre janeiro/fevereiro, quando houve alta de 6,3%, na comparação anual.


… As vendas no varejo chinês desapontaram com alta de 1,7%, bem inferior à aposta dos analistas de mercado de 2,3% e ao resultado do primeiro bimestre, quando foi registrada uma alta anual de 2,8%.


BDM LIVE – O Bom Dia Mercado realizará hoje (quinta-feira), 16, uma entrevista ao vivo com Alfredo Menezes, sócio fundador da Armor Capital e ex-tesoureiro do Bradesco, com transmissão pelo canal do BDM no YouTube, a partir das 10h.


… Alfredo Menezes irá analisar O Impacto da Guerra nos Mercados e todo o vaivém decorrente das ameaças de Trump no Estreito de Ormuz.


… Hoje, às 10h, Alfredo Menezes no BDM! Inscreva-se para acompanhar: https://novidade.bomdiamercado.com.br/bdm-live-16-04


… A live será conduzida por Téo Takar, editor-chefe do BDM Online, com a participação dos jornalistas Márcio Anaya e Rosa Riscala.


O DESCANSO DO CAMPEÃO – A falta de novidades sobre um acordo com o Irã veio a calhar para o Ibovespa testar uma acomodação, depois da sequência de recordes, na estratégia de pausa para pegar fôlego e seguir em frente.


… Os 200 mil pontos viraram objeto de desejo da bolsa, que agora que está tão perto, não vai querer deixar escapar.


… Depois de onze altas non stop, com cinco fechamentos nos melhores níveis de todos os tempos, a realização de lucro do índice à vista veio modesta, em baixa de 0,46%, a 197.737,61 pontos, reforçando que sonha com os topos.


… Matéria no Broadcast com análises gráficas aponta os próximos alvos do Ibovespa no curtíssimo prazo, se os 200 mil pontos forem superados. A Valor Investimentos indica os 204 mil e depois os 208 mil como níveis de resistência.


… Analista do BTG Pactual afirma que os modelos de curto, médio e longo prazos indicam tendência de alta. Na escadinha de pontuação, vem 200 mil pontos, depois 204 mil/205 mil, partindo para 210/212 mil, até bater 225 mil.


… Em um cenário mais de médio prazo, o Itaú BBA acredita que, rompendo os 200 mil, o próximo objetivo é 250 mil.


… Tem muito terreno a ser conquistado, com o apoio decisivo do fluxo estrangeiro, que não para de entrar no Brasil.


… Turbinado ontem pelo vencimento de opções, o giro no Ibovespa marcou R$ 38,3 bilhões. Na B3 como um todo, o volume de negociação bateu a marca extraordinária de R$ 120 bi, a maior em cinco anos, em novo pico histórico.


… A leve correção negativa do Ibovespa nesta quarta-feira respondeu, em boa medida, à queda da Petrobras e de parte dos bancos, enquanto a Vale teve comportamento morno (+0,16%; R$ 88,44), em dia de alta de 1% do minério.


… Também o tombo de 10,38% da MBRF pesou, após o fundo saudita Salic realizar uma venda em bloco da gigante global de alimentos, de 70 milhões de ações (R$ 1,5 bilhão), o que representa 5% do capital social da empresa.


… BB recuou 3,86% (R$ 24,40) e Santander caiu 1,22% (R$ 31,68). Bradesco PN subiu só 0,10% (R$ 20,80) e Itaú ganhou 1,10% (R$ 47,04). Petrobras PN perdeu 2,07%, a R$ 46,89, e o papel ON devolveu 1,94%, cotado a R$ 51,50.


… Com a ofensiva militar que não se resolve, o petróleo seguiu a recomendação de que, na dúvida, o melhor é não fazer nada. Em pregão apático, o Brent subiu só 0,14%, para US$ 94,93, um dia depois de ter caído quase 5%.


SPRINT – Em Nova York, mesmo sem segurança de que a guerra vai acabar, o Nasdaq cravou onze sessões seguidas em alta e recorde de fechamento, junto com o S&P 500, destoando do pregão silencioso nos outros mercados.


… O Nasdaq avançou 1,59% e alcançou a marca inédita de 24 mil pontos, aos 24.016,017 pontos. O S&P 500 subiu 0,80% e superou os 7 mil pontos pela primeira, aos 7.022,89 pontos. O Dow Jones caiu 0,15%, a 48.463,72 pontos.


CANSAÇO NO CÂMBIO – Em meio às primeiras dúvidas no mercado se ainda haveria espaço para o real seguir se fortalecendo diante da moeda americana, o dólar patinou ontem e fechou estável, pouco abaixo dos R$ 5.


… Diante da sessão comportada dos ativos globais ontem, fica difícil de saber se a dificuldade exibida pelo real em buscar novos pisos já foi sinal de exaustão ou se o câmbio só preferiu aguardar os próximos capítulos da guerra.


… O dólar fechou em queda marginal de 0,03%, aos R$ 4,9922, renovando a menor cotação em dois anos e estabelecendo a sexta sessão seguida de baixa. Terminou a primeira metade do mês com recuo acumulado de 3,60%.


… Como se viu na participação de Nilton David no seminário em Washington, ele se mostrou surpreendido pela resiliência do real, apesar da eclosão da guerra. Mas não acredita em qualquer mudança estrutural no câmbio.


… Revelou que o BC não conta com a depreciação do dólar na missão de levar o IPCA para o centro da meta de 3%, porque “em algum momento, a moeda vai subir e isso não vai ser uma situação confortável para a inflação.”


… Assim como a bolsa e o câmbio, também os juros futuros viveram ontem um pregão de oscilações contidas. A ponta curta exibiu viés de baixa com novas evidências, pelo segundo dia seguido, de desaquecimento da atividade.


… Depois de o dado de serviços do IBGE ter vindo mais fraco do que o esperado em fevereiro, as vendas no varejo endossaram a percepção de que a economia doméstica pode estar entrando em uma desaceleração gradual.


… As vendas no varejo restrito, que não incluem automóveis e material de construção, subiram 0,6%, feitos os ajustes sazonais, abaixo da mediana de 0,9%. O varejo ampliado avançou 1%, frustrando a aposta de alta de 1,8%.


… Se também o IBC-Br desacelerar o ritmo hoje, será o terceiro indicador a indicar perda de fôlego da atividade.


… No fechamento, o DI para janeiro de 2027 marcava 13,960% (de 13,988% no ajuste anterior); Jan/28, 13,355% (contra 13,379%); Jan/29, 13,220% (de 13,200%); Jan/31, 13,350% (de 13,298%); e Jan/33, 13,470% (de 13,423%).


CHÁ DE CADEIRA – No clima de esperar para ver se o canal diplomático do Oriente Médio vai funcionar, o índice DXY fechou no zero a zero (-0,07%, a 98,055 pontos), depois de ter devolvido grande parte do estresse nos últimos dias.


… Analistas do mercado financeiro observam que, no curto intervalo de uma semana, o dólar praticamente zerou os ganhos acumulados em março, sugerindo que o prêmio de risco do conflito está desaparecendo rapidamente.


… Fecharam estáveis ontem o euro (-0,04%), a US$ 1,1803, e a libra, a US$ 1,3572, enquanto o iene caiu 0,10%, a  158,97 por dólar, após relatos de conversas entre autoridades japonesas e americanas sobre medidas cambiais.


… Fontes da Reuters disseram que o BCE está reticente em aumentar os juros agora em abril, poque ainda não há evidências de que o salto nos preços de energia com a guerra já esteja provocando efeitos secundários.  


… O dirigente do BCE François Villeroy de Galhau confirmou que “não há pressa” e que é “prematuro” focar em abril.


… A colega Isabel Schnabel avaliou que a zona do euro está em uma posição relativamente favorável, porque a inflação já havia retornado a 2% antes do início do conflito, dando mais espaço para avaliar o choque com calma.


… De seu lado, o também dirigente do BCE Martins Kazaks afirmou em entrevista à TV que não tem “nada contra” as apostas do mercado para dois cortes na taxa de juros da zona do euro este ano, começando no mês de junho.


… Já no Fed, Alberto Musalem defendeu a manutenção dos juros “por algum tempo”, mas disse estar aberto a apertos monetários se a escalada do petróleo ameaçar as expectativas da inflação americana no longo prazo.


… A taxa da Note de dois anos avançou a 3,761% (de 3,747%) e a de dez anos subiu para 4,279% (contra 4,250%).


CIAS ABERTAS NO AFTER – CVM questionou ITAÚ e BRADESCO sobre notícias de que teriam comprado R$ 1 bilhão em carteiras do Banco de Brasília (BRB), de empréstimos concedidos a Estados e municípios com aval da União…


… Em resposta, o Itaú confirmou a operação, mas disse que os valores envolvidos são “imateriais” para a companhia, de acordo com os seus critérios, razão pela qual tal transação não se qualifica como fato relevante…


… Também o Bradesco confirmou que vem adquirindo carteiras de empréstimos concedidos pelo BRB a Estados e municípios, mas em valor menor do que o montante mencionado nas notícias…


… De seu lado, o BTG PACTUAL admitiu que avalia ativos do BRB, mas negou qualquer relação com a Quadra Capital nas discussões. O posicionamento vem após informações de que a gestora negocia carteira de ativos há 60 dias.


TELEFÔNICA pagará R$ 365 milhões em JCP (R$ 0,114 por ação). Ex em 28/04.


MOTIVA pagará R$ 124 milhões em JCP (R$ 0,0617 por ação), com pagamento em 28/04.


MARCOPOLO pagará R$ 0,085 por ação em JCP, a partir de 08/05, com base na posição de 24/04.


AZUL confirmou emissão de bônus trilionários no Chapter 11 e mudança na proporção entre ADS e ações após grupamento.


MINERVA confirmou captação de US$ 600 milhões em bonds (cupom de 7,5%).


BRAVA ENERGIA. Certificação de reservas, com data-base em 31/12/25, totalizou 459 milhões de barris de óleo equivalente (boe) em reservas provadas (1P) e 611 milhões de boe em reservas provadas mais prováveis (2P).


HELBOR lançou R$ 153,5 milhões (+4,9%) e teve vendas de R$ 226,3 milhões (-17,2%).


MELNICK. Vendas cresceram 130% no 1TRI26, para R$ 300 milhões.


LAVVI. Vendas líquidas caíram 3%, para R$ 249,8 milhões; distratos subiram 69,5%.


VITRU captou R$ 230 milhões em follow-on, com ações a R$ 14,69. (fontes do Broadcast)


COPASA. Volume de água caiu 0,4% no 1TRI26; volume de esgoto subiu 0,3%.


AZZAS 2154. FMR LLC passou a deter 5,035% das ações.


ALLIANÇA. Fitch rebaixou rating de C(bra) para RD(bra) após inadimplência em debêntures.

Vai rolar

 *Vai rolar: IBC-Br, Vale e Netflix no foco*


[16/04/26] O mercado começa esta quinta-feira repercutindo indicadores de atividade na China e ainda sem convicção sobre os desdobramentos da guerra, tentando equilibrar a expectativa de avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã com a ausência de sinais concretos de desfecho para o conflito. Nesse ambiente mais cauteloso, a agenda ganha peso, com destaque para o IBC-Br de fevereiro, que deve mostrar desaceleração da atividade, além da produção industrial nos Estados Unidos e falas de dirigentes de bancos centrais, em meio às reuniões do FMI, em um dia que pode ajudar a calibrar as apostas para juros e crescimento. No mercado corporativo, atenção à AGO da Petrobras e à prévia operacional da Vale no primeiro trimestre. Em Nova York, sai o balanço da Netflix. (Rosa Riscala)


*👉 Confira abaixo a agenda de hoje*


*Indicadores*


▪️ 06h00 – Zona do euro: CPI (final, mar)

▪️ 08h00 – Brasil: FGV – IPC-S (2ª quadrissemana de abr)

▪️ 09h00 – Brasil: BC – IBC-Br (fev)

▪️ 09h30 – EUA: Pedidos de auxílio-desemprego

▪️ 10h15 – EUA: Produção industrial (mar)


*Eventos*


▪️ 08h30 – Zona do euro: BCE divulga ata da última decisão

▪️ 09h35 – EUA: John Williams (Fed NY) participa de evento

▪️ 11h35 – EUA: Stephen Miran (Fed) participa de evento

▪️ 15h00 – EUA: Paulo Picchetti (BC) participa de evento do Itaú Latam Day

▪️ EUA: Líderes de Israel e do Líbano se encontram para discutir cessar-fogo

▪️ Brasil: Petrobras realiza AGO

▪️ EUA: Reuniões de Primavera do FMI e Banco Mundial

▪️ EUA: Reunião do G20 com ministros das Finanças e presidentes de BCs


*Balanços*


▪️ EUA/antes da abertura – PepsiCo

▪️ Brasil/após o fechamento – Prévia operacional da Vale

▪️ EUA/após o fechamento – Netflix e Alcoa

quarta-feira, 15 de abril de 2026

Bankinter Portugal Matinal

 Análise Bankinter Portugal 


NY +1,1% US tech +1,7% US Semis +2,0% UEM +1,3% España +1,4% VIX 18,4% Bund 3,02%. T-Note 4,25%. Spread 2A-10A USA=+50pb B10A: ESP 3,47% PT 3,41% ITA 3,78% FRA 3,65% Euribor 12m 2,77% (fut.12m 2,79%). USD 1,180 JPY 187,3/€. Ouro 4.842 $. Brent 94,8$. WTI 91,3$. Bitcoin +1,3% (74.136$). Ether +2,8% (2.316$).


A sessão arranca com o petróleo estável e perto dos 95 $/barril, e as bolsas antecipam uma sessão sem grandes sobressaltos. Provavelmente, consolidação de níveis após o bom comportamento de ontem. Futuros Nova Iorque -0,01%, Futuros Europa -0,2%... As notícias que chegam da frente geoestratégia marcam a direção do mercado. Os EUA e o Irão retomarão as negociações “nos próximos dias” e o mercado interpreta-o positivamente. De facto, os principais índices americanos já se situam acima dos níveis prévios ao conflito. Como referência, Nova Iorque +1,3%, Tecnologia EUA +3,5% e semis +13,0%. As obrigações também avaliaram as notícias positivamente: Bund -7 p.b. até 3,02%, O10 ESP -8 p.b. até 3,47%, O10 ITA -11 p.b. até 3,78%. 


Na frente empresarial, ontem no fecho europeu, Kering publicou Vendas 1T piores do que o esperado, embora o seu ADR quase não tenha reagido – na nossa opinião, vendas e margens alcançaram o fundo em 2025 e 2026 será uma no de melhoria gradual. À primeira hora, ASML (YTD +40%) publicou resultados francamente bons (EPS 7,15 € vs. 6,62 € esp.). Contudo, as guias 2T não acabam de convencer e é possível que hoje avalie os resultados em baixa, o que seria uma oportunidade para entrar a níveis mais atrativos. Principalmente porque (i) os semis são o setor mais imune ao contexto geopolítico, (ii) são o elo mais forte da cadeia de valor de IA e (iii) é onde estão concentrados os lucros empresariais (EPS estimado semis 2026 >+60%). Ver a nossa carteira temática (+174% desde o lançamento). 


Para a sessão apenas teremos referências no plano macro: Produção Industrial UE (10 h) (-1,0% a/a vs. -1,2% ant.) e Livro Bege da Fed (19 h) – que será o primeiro a receber o impacto da guerra no Irão e poderá dar-nos alguma pista para a reunião de 28-29 de abril. O impacto de ambos deverá ser limitado.


Em suma, enquanto o tom continua a melhor hoje, deveremos ter uma sessão, a priori, “tranquila”, quiçá de alguma realização de lucros/consolidação de níveis após as fortes subidas de ontem.

BDM Matinal Riscala

 *Bom Dia Mercado*


Quarta Feira,15 de Abril de 2.026.


*Sinal político alivia tensão e sustenta ativos*


… O mercado começa o dia ainda sob o efeito da mudança de tom na geopolítica, com o alívio recente sustentado pela sinalização de retomada das negociações entre Estados Unidos e Irã, após Trump afirmar que um novo encontro pode ocorrer nos próximos dias, no Paquistão. Nesse ambiente mais otimista, dois grandes bancos divulgam balanços hoje em Nova York, BofA e Morgan Stanley, antes da abertura, e as conversas iniciais entre Líbano e Israel também foram vistas como positivas. Na agenda, o Livro Bege do Fed é destaque, sem força para alterar a expectativa de juros, enquanto, no Brasil, saem a pesquisa Genial/Quaest, o IGP-10 de abril e as vendas no varejo de fevereiro.


GUERRA E NEGOCIAÇÃO – Estados Unidos e Irã articulam uma nova rodada de negociações nos próximos dias, possivelmente no Paquistão, em uma tentativa de avançar antes do vencimento do cessar-fogo anunciado no início de abril.


… Apesar do fracasso das conversas iniciais no fim de semana, interlocutores indicam que ambos os lados seguem dispostos a manter o canal diplomático aberto, com o próprio Donald Trump afirmando que o conflito estaria “próximo do fim”.


… O esforço por diálogo, no entanto, convive com a manutenção do bloqueio naval americano no Estreito de Ormuz, principal rota de escoamento de energia do Golfo, por onde passa cerca de um quinto da oferta global de petróleo e gás natural liquefeito.


… A medida amplia a pressão econômica sobre Teerã e evidencia a contradição central do momento: ao mesmo tempo em que busca negociar, Washington endurece sua estratégia de contenção.


… Do lado iraniano, há sinais de cautela para não comprometer uma eventual retomada das conversas, incluindo a possibilidade de reduzir temporariamente embarques pelo estreito.


… Ainda assim, o cenário segue frágil, com riscos relevantes para o fornecimento global de energia e danos já observados na infraestrutura da região, o que mantém elevada a incerteza sobre a duração e os desdobramentos do conflito.


OUTRAS FRENTES – Em paralelo às tratativas entre Estados Unidos e Irã, Israel e Líbano deram início a um novo canal diplomático, após um encontro histórico em Washington, que marcou a primeira reunião direta entre os dois países desde 1993.


… As partes concordaram em avançar para negociações formais de cessar-fogo, em um processo descrito como “construtivo”.


… O diálogo ocorre em meio à continuidade dos confrontos na região e à atuação do Hezbollah, aliado do Irã, que não participa das negociações e resiste a qualquer processo de desarmamento — o que impõe limitações concretas a um eventual acordo.


… A ausência do grupo e a manutenção das tensões na fronteira reforçam a avaliação de que o avanço diplomático tende a ser gradual e de difícil implementação. Autoridades americanas reconhecem que se trata de um processo longo, sem solução imediata, e sujeito a retrocessos.


… Ainda assim, a abertura de canais de diálogo sugere uma tentativa mais ampla de contenção do conflito no Oriente Médio.


TARIFAS – O tema volta ao radar nos Estados Unidos, com o secretário do Tesouro, Scott Bessent, sinalizando que as tarifas podem retornar aos níveis anteriores até julho, dentro de uma estratégia definida como de “redução de riscos”, e não de ruptura completa com a China.


… A indicação reforça o aumento das incertezas no cenário global, somando-se às tensões geopolíticas em curso e mantendo o ambiente internacional sensível a novos desdobramentos.


… Ao mesmo tempo, o governo americano mantém tarifas de 10% com base na seção 122, após o presidente optar por não elevar a alíquota neste momento, enquanto prepara o lançamento de um sistema de reembolso para importadores.


… A decisão da Suprema Corte considerou ilegais cerca de US$ 166 bilhões em tarifas cobradas anteriormente.


ESCALA 6×1 – O governo enviou ontem ao Congresso, em regime de urgência, o projeto que prevê o fim da escala 6×1, com a substituição pelo modelo 5×2 e redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem corte de salários.


… A proposta é tratada no Planalto como uma das principais vitrines sociais da gestão e chega com forte apelo popular no cenário eleitoral.


… O movimento ocorre após semanas de ruídos entre Executivo e Câmara sobre o envio e o formato da proposta e foi precedido por uma tentativa de alinhamento com o presidente da Casa, Hugo Motta.


… O governo sustenta que a crise está superada, mas a tramitação segue indefinida, já que há uma PEC em andamento sobre o tema, cujo cronograma deve continuar normalmente, o que abre espaço para sobreposição de iniciativas e disputa sobre o protagonismo.


… Nos bastidores, o envio do projeto também é interpretado como uma forma de pressionar o Congresso por uma tramitação mais célere, uma vez que o regime de urgência constitucional obriga a análise em até 45 dias em cada Casa, sob risco de travamento da pauta.


… Ao mesmo tempo, o governo busca capitalizar politicamente uma pauta histórica ligada à trajetória sindical do presidente.


… Apesar do apelo social, a proposta enfrenta resistência de setores do empresariado, que apontam riscos de aumento de custos, impacto sobre a produtividade e dificuldades de adaptação em segmentos intensivos em mão de obra, como comércio e serviços.


… A discussão, portanto, tende a se consolidar como um dos principais focos de tensão entre governo, Congresso e setor produtivo.


DETALHES DA PROPOSTA – No Estadão, os principais pontos indicam que a jornada semanal passará de 44 para 40 horas, com manutenção das oito horas diárias e garantia de dois dias consecutivos de descanso, consolidando o modelo 5×2.


… O texto também veda qualquer redução salarial, inclusive proporcional, e amplia a regra para diferentes regimes de trabalho, incluindo categorias com jornadas especiais.


… Segundo o governo, a medida alcança um contingente expressivo de trabalhadores, com cerca de 37 milhões de pessoas atualmente acima da jornada de 40 horas semanais, além de aproximadamente 14 milhões inseridos na escala 6×1.


… O Planalto também associa a proposta ao aumento de afastamentos por doenças psicossociais ligadas ao trabalho, reforçando o argumento de que a redução da jornada pode melhorar a qualidade de vida e a produtividade.


NO RADAR INSTITUCIONAL – O pedido de indiciamento dos ministros Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes e do procurador-geral, Paulo Gonet, pela CPI do Crime Organizado, irritou integrantes do Supremo Tribunal Federal e gerou reações.


… Gilmar defendeu apuração por abuso de autoridade, enquanto Toffoli levantou a possibilidade de cassar parlamentares. A inclusão dos nomes dos ministros no relatório final da comissão foi vista na Corte como um movimento para deslegitimar o tribunal, com motivações eleitorais.


… O relator, senador Alessandro Vieira (MDB), usou argumentos do caso Master para apontar supostos crimes de responsabilidade dos ministros.


… Em sessão na CPI, ele elevou o tom do embate entre Congresso e Judiciário, afirmando que os magistrados “não são donos do País”.


… O governo articulou uma ofensiva para derrubar o relatório e trocou dois senadores – Sergio Moro (União) e Marcos do Val (Podemos) – para conseguir maioria na comissão, que não teve votos suficientes para aprovar o relatório final. Foram seis votos contra e quatro a favor.


FACHIN – O presidente do STF, Edson Fachin, reagiu com dureza e classificou como “indevida” a inclusão dos ministros no relatório.


… Em nota, afirmou que desvios de finalidade em CPIs enfraquecem os pilares democráticos e ressaltou que a atuação do Legislativo deve ocorrer com responsabilidade e pertinência, em respeito à independência entre os Poderes.


MESSIAS – No Senado, o relator da indicação de Jorge Messias ao STF, senador Weverton Rocha, apresentou parecer favorável ao nome do atual AGU, destacando sua qualificação técnica e trajetória no serviço público. A leitura do parecer está prevista para esta quarta-feira na CCJ.


AUTONOMIA DO BC – A tensão entre os Poderes também respingou em outras pautas, como a autonomia do Banco Central, que sofreu novo revés com o adiamento da leitura do parecer na CCJ.


… Sem acordo com o governo e em meio ao desgaste político ampliado pelo caso Master, o relator Plínio Valério confirmou que não apresentará o texto nesta quarta-feira, interrompendo o avanço de uma das prioridades da autoridade monetária.


CRÉDITO EM FOCO – O governo trabalha em um novo programa de refinanciamento de dívidas de pessoas físicas, com juros de até 1,99% ao mês, abaixo da média de cerca de 6,8% ao mês no crédito pessoal.


… A iniciativa deve abranger dívidas como cartão de crédito, cheque especial e empréstimos, com potencial de repactuar entre R$ 20 bilhões e R$ 30 bilhões de um estoque estimado entre R$ 70 bilhões e R$ 100 bilhões.


… A proposta prevê o uso do Fundo de Garantia de Operações (FGO), com aporte entre R$ 5 bilhões e R$ 10 bilhões, além da possibilidade de descontos de até 90% para devedores de menor renda.


… Ainda há divergências entre governo e bancos sobre os critérios de elegibilidade, especialmente em relação ao nível de inadimplência.


SUBVENÇÃO DO DIESEL – Estados terão até dia 22 para aderir à subvenção de R$ 1,20/litro de diesel para importadores, informou a Fazenda.


MAIS AGENDA – A quarta-feira traz como destaque o Livro Bege do Fed (15h), em meio a uma série de falas de dirigentes de bancos centrais nos eventos paralelos às reuniões de Primavera do FMI e do Banco Mundial, que seguem ao longo do dia.


… Antes disso, nos Estados Unidos, saem o índice Empire State (9h30), a confiança das construtoras – NAHB (11h) e os estoques de petróleo (11h30), além de participações de nomes como Michael Barr, Michelle Bowman e Christine Lagarde em eventos internacionais.


… Na China, à noite, destaque para o PIB do 1º trimestre, além da produção industrial e das vendas no varejo de março.


… No Brasil, o foco recai sobre a atividade e inflação, com a divulgação do IGP-10 de abril (8h), cuja mediana no Broadcast aponta alta de 1,38%, após recuo em março, e das vendas do varejo de fevereiro pelo IBGE (9h), com expectativa de crescimento de 0,9% na margem.


… A leitura vem após a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) mostrar avanço mais fraco que o esperado, de apenas 0,1% entre janeiro e fevereiro.


… Ainda na agenda doméstica, o Banco Central divulga o fluxo cambial semanal (14h30), enquanto o diretor de Política Monetária, Nilton David, participa de evento do JPMorgan em Washington (16h), também no contexto das reuniões do FMI.


ELEIÇÃO – No campo político, a Genial/Quaest divulga nova pesquisa de avaliação do governo e intenção de voto, após a CNT/MDA mostrar Lula com 39,2% das intenções no primeiro turno, contra 30,2% de Flávio Bolsonaro, em cenário ainda marcado por elevada rejeição.


… Em eventual segundo turno, o presidente aparece com 44,9%, ante 40,2% do senador.


… No pano de fundo eleitoral, cresce a possibilidade de entrada de novos nomes na disputa de 2026, com o ex-ministro Ciro Gomes admitindo avaliar convite de Aécio Neves e do PSDB para concorrer à Presidência.


BDM LIVE – O Bom Dia Mercado realizará nesta quinta-feira, 16, uma entrevista ao vivo com Alfredo Menezes, sócio fundador da Armor Capital e ex-tesoureiro do Bradesco, com transmissão pelo canal do BDM no YouTube, a partir das 10h.


… Alfredo Menezes irá analisar O Impacto da Guerra nos Mercados e todo o vaivém decorrente das ameaças de Trump no Estreito de Ormuz.


… Anote em sua agenda: amanhã, às 10h, e inscreva-se para acompanhar: https://novidade.bomdiamercado.com.br/bdm-live-16-04


… A live será conduzida por Téo Takar, editor-chefe do BDM Online, com a participação dos jornalistas Márcio Anaya e Rosa Riscala.


QUANDO UM NÃO QUER, DOIS NÃO BRIGAM – Os relatos de que os Estados Unidos e o Irã estão combinando para entre hoje e amanhã uma segunda rodada de negociações renovaram o ânimo nos mercados globais.


… O petróleo furou US$ 95, o dólar voltou a rodar abaixo de R$ 5 e pouco mais de mil pontos separam o Ibovespa da marca simbólica dos 200 mil pontos. A bolsa já flertou ontem com este topo, em 199.354,81 pontos no pico intraday.


… O índice à vista renovou também nesta terça-feira o recorde de todos os tempos para um fechamento, aos 198.657,33 pontos, com ganho moderado de 0,33% só porque Petrobras tombou junto com o alívio do petróleo.


… Rápido no rali, o Ibovespa escalou quase 10.500 pontos nos últimos cinco pregões, com todo o jeito de estar sendo turbinado pelo fluxo estrangeiro. O volume de negócios continuou expressivo ontem, em R$ 32,6 bilhões.


… A B3 informou que entrou mais uma fortuna em capital externo na última sexta-feira (dia 10): R$ 2,4 bilhões. O saldo positivo acumulado em abril chega a R$ 14 bilhões e, no ano, já está perto de alcançar os R$ 70 bilhões.


… Pesquisa mensal do BofA veiculada pelo Valor mostra que 10% das gestoras da América Latina acreditam que o Ibovespa não só vai romper a barreira de 200 mil pontos, como poderá ultrapassar 220 mil pontos até o fim do ano.


… No levantamento de março, nenhuma casa projetava essa pontuação em 2026. Na sondagem, feita com 30 casas que têm US$ 72 bilhões sob gestão, 73% avaliam que o Ibovespa deve fechar o ano acima de 190 mil pontos.


… A bolsa vai provando que recordes existem para serem quebrados. Ontem, valeu o destaque para a nova alta das ações da Vale (+1,08%; R$ 88,30), ignorando o minério de ferro, que operou praticamente estável (-0,07%).


… Com exceção do BTG (-0,86%; R$ 63,25), os principais bancos também brilharam: BB avançou 2,55% (R$ 25,38), Itaú PN ganhou 1,53% (R$ 46,53), Bradesco PN subiu 0,92% (R$ 20,78) e Santander, +0,12% (R$ 32,07).


… A valorização do Ibovespa foi amortecida pela queda forte da Petrobras (ON -4,44%, a R$ 52,52, e PN -3,82%, a R$ 47,88), que liderou as baixas do Ibovespa, em linha com o petróleo, reproduzindo os esforços diplomáticos da guerra.


… O Brent para junho caiu 4,59%, a US$ 94,79, e o WTI para maio desabou 7,87%, para perto de US$ 90 (US$ 91,28).


… Diante do potencial efeito desinflacionário do petróleo (se sair um acordo de paz), os juros futuros devolveram prêmios de risco, especialmente na ponta curta e no miolo da curva. Mas o alívio não abalou a cautela com o Copom.


… O placar das apostas continua bem mais inclinado para um corte de 25 pontos-base de corte do juro na reunião de daqui a duas semanas (75%) do que para uma redução de 50 pontos-base (16%), segundo informação do Broadcast.


… No fechamento, o DI para Janeiro de 2027 caiu para 13,990% (de 14,086% no ajuste anterior); Jan/28, a 13,385% (contra 13,511% na véspera); Jan/29, 13,210% (13,307%); Jan/31, 13,300% (13,340%); e Jan/33, 13,420% (13,424%).


… Depois do susto com o IPCA alto de março, mais uma casa (4Intelligence) revisou para cima a projeção para a Selic no fim do ano, de 12,50% para 13,50%. Mas a consultoria baixou a previsão para o câmbio, de R$ 5,50 para R$ 5,40.


O REAL ESTÁ CARO? – Apesar do fluxo de capital estrangeiro favorável tanto para renda fixa como para a variável, analistas da Warren ouvidos pelo Valor consideram que a moeda brasileira pode estar perto do limite de valorização.


… Ainda que o movimento de depreciação do dólar seja global, a dinâmica do mercado aqui chama a atenção, diante do desvio da divisa do Brasil em relação ao modelo da casa (R$ 5,09) para o comportamento do câmbio.


… Estrategistas indicam uma possível dinâmica de overshooting, com a moeda se apreciando além do esperado.


… Ontem, apesar do clima de maior apetite por risco, o dólar no mercado doméstico já oscilou em menor intensidade do que em escala mundial. Fechou estável (-0,06%), a R$ 4,9938, mas ainda na mínima em dois anos.


… O mercado começa a ficar de olho se o câmbio dá sinais de esgotamento ou se o real ainda vai voar mais alto.


… O Tesouro Nacional, que está há mais de uma década sem emitir no mercado europeu, informou nesta terça-feira, em nota, que iniciou conversas com investidores para uma possível emissão de títulos denominados em euros.


… Lá fora, em dia de queda firme do petróleo, também o PPI americano de março (+0,5%) abaixo do esperado pelos analistas (+1,2%) ajudou a afastar as preocupações com pressões inflacionárias decorrentes da ofensiva militar.


… O Fed boy Austan Goolsbee disse que, até agora, as expectativas de inflação ainda estão ancoradas.


… No clima de que agora vai dar tudo certo com o Irã, o índice DXY do dólar recuou 0,25%, a 98,124 pontos. O euro subiu 0,32%, a US$ 1,1794, apesar de Lagarde não ter carregado no conservadorismo em evento do FMI.


… Ela reconheceu que ainda é cedo para considerar o salto do petróleo como superado, mas disse que o BCE se antecipou e já estava “bem posicionado” para o choque, porque havia montado cenários com o pico dos preços.


… Segundo Lagarde, historicamente, os choques energéticos são temporários na Europa, mas “continuamos abertos a todas as opções”. A libra avançou 0,47%, a US$ 1,3565, e o iene registrou valorização para 158,86 por dólar.


… De olho no diálogo entre Teerã e Washington, as taxas dos Treasuries caíram, mas o alívio nas tensões ainda não sensibiliza o mercado a antecipar um corte do Fed. As apostas continuam concentradas na segunda metade de 2027.


… O juro da Note de 2 anos recuou a 3,747% (de 3,773% na véspera) e o de 10 anos, a 4,250%, contra 4,290%.


… Indicado para comandar o Fed, Kevin Warsh será submetido terça-feira que vem (dia 21) a audiência no Comitê do Senado. Ele terá menos de um mês para ser confirmado no cargo antes do fim do mandato de Powell (15 de maio).


… A esperança de desfecho da guerra levou o S&P 500 a subir 1,18%, aos 6.967,38 pontos, e flertar com o recorde histórico de fechamento (6.978,60 pontos). O Nasdaq subiu pelo décimo dia seguido: +1,96%, a 23.639,08 pontos.


… O Dow Jones ganhou 0,66%, a 48.535,99 pontos, enquanto o índice VIX do medo vai voltando ao nível pré-guerra.


CIAS ABERTAS NO AFTER – PETROBRAS adotará voto múltiplo na eleição do conselho de administração, após solicitação de acionistas com mais de 5% das ações ON.


VIBRA concluiu a venda de 49,9% da Evolua Etanol para a Copersucar, que passa a deter 100% do ativo.


BRAVA ENERGIA negou ao Broadcast a venda de ativos e afirmou manter gestão ativa do portfólio, avaliando permanentemente possíveis parcerias, investimentos e desinvestimentos…


… O posicionamento veio após notícias de que a empresa estaria trabalhando, com assessoria do Bradesco, na venda de participações em campos terrestres e marítimos, como a bacia Potiguar e áreas offshore (Atlanta e Papa Terra).


AUREN ENERGIA aprovou incorporação reversa e reorganização societária para simplificação da estrutura e concentração de ativos.


AXIA ENERGIA informou indicação da União para o conselho fiscal, com Daniel Sarapu (titular) e Regis Dudeno (suplente).


ENERGISA. A Aneel adiou a decisão sobre reajustes da Energisa MS, Neoenergia Coelba e a revisão tarifária da Energisa Sul-Sudeste.


TIM. Conselho de administração aprovou participação no leilão da faixa de 700 MHz da Anatel, que acontece este mês, com investimento estimado em R$ 2 bilhões.


ASSAÍ contestando críticas de relatório da consultoria Institutional Shareholder Services (ISS) sobre sua política de remuneração e práticas de governança.


CASAS BAHIA aprovou aumento de capital de R$ 93,6 milhões via conversão de debêntures.


VIVARA. Citi cortou preço-alvo de R$ 36 para R$ 35 e reiterou recomendação de compra.


RD SAÚDE cancelou AGE hoje que discutiria plano de ações restritas e reforma estatutária; AGO foi mantida.


STONE aprovou R$ 3,08 bilhões em dividendos extraordinários após venda da Linx para a Totvs. O valor corresponde a US$ 2,53 por ação da companhia, que será pago em 4 de maio para acionistas registrados até o dia 24 de abril.


PLANO&PLANO. Lançamentos somaram R$ 833,6 milhões no 1TRI26 (-2,6% a/a), enquanto as vendas líquidas atingiram R$ 796 milhões (+3,4%).


PRINER concluiu aquisição de 100% da G-Maia, reforçando estratégia de expansão.


ROMI teve lucro de R$ 2,36 milhões no 1TRI (-76,6% a/a).


SEQUOIA adiou divulgação dos resultados de 2025 de 30 de abril para 15 de maio.


AZUL informou caixa de R$ 2,83 bilhões e contas a receber de R$ 1,78 bilhão em fevereiro, em relatório produzido no contexto das exigências do processo voluntário de Chapter 11.


POSITIVO. Clube de Investimento Padova elevou participação para 5,25% das ações ON.


WESTWING. WNT Capital aumentou participação para 13% do capital.


ÂNIMA. Oregon Capital passou a deter 5% das ações ordinárias.

Investimentos em bolsa

 *Especial: Estrangeiros acionam gestoras no Brasil, e nova onda de capital deve inundar a Bolsa*


Por Bruna Camargo


São Paulo, 14/04/2026 - O interesse de investidores estrangeiros pelo Brasil entrou em uma nova fase, que pode destravar a entrada de capital mais estável e de longo prazo na Bolsa. Gestoras relatam um aumento nas conversas com grandes alocadores globais, como fundos de pensão e endowments, interessados em fechar mandatos de investimento para investir em ações brasileiras. Segundo executivos ouvidos pela Broadcast, esse movimento ainda está no início, mas tende a ganhar tração à medida que o Brasil se consolida como destino relevante na reconfiguração global de portfólios.


"O que estamos observando na Bolsa agora é o fluxo macro, temático. Mas estamos conversando com quem vem para ficar cinco, dez anos", afirma Brenno Berkovitz, sócio e responsável pelo RI da Encore Asset Management, mencionando que o rali do Ibovespa neste começo de ano foi um call de saída dos Estados Unidos em direção a emergentes. Agora ele vê um interesse mais forte do estrangeiro, com alocadores olhando para o Brasil pela primeira vez.


Ricardo Campos, CEO e CIO da Reach Capital, destaca o fluxo de capital externo para a Bolsa. Os dados mais recentes da B3 mostram que os investidores estrangeiros ingressaram com R$ 67,39 bilhões no ano até agora, superando com folga os cerca de R$ 25 bilhões do total de 2025. Esse cenário até reabre espaço para operações de mercado de capitais, como IPOs e follow-ons, que estavam paralisadas, de acordo com o executivo.


Ainda assim, os gestores destacam que o capital mais transformador ainda está por vir. "O pouco para eles é muito para a gente", resume Rodrigo Andrade, sócio e head de Equities da Vinland Capital, ao destacar que pequenas realocações de portfólios globais podem representar volumes expressivos para o Brasil.


Rogério Freitas, head de investimentos do ASA, afirma que há uma combinação de vetores macroeconômicos e geopolíticos favorecendo mercados emergentes, como a busca por diversificação após anos de concentração nos Estados Unidos, valuations mais atrativos e o papel dos emergentes como produtores de commodities em um cenário de incerteza global.


Na mesma linha, Campos, da Reach, avalia que o ambiente internacional tem levado investidores a buscar ativos reais e novas geografias. E, nesse contexto, o Brasil se beneficia também por manter relações comerciais diversificadas.


Além disso, os gestores apontam características domésticas que aumentam a atratividade do País, como liquidez de mercado, arcabouço institucional estável e neutralidade geopolítica. "O Brasil dá check em várias 'caixas' importantes para o investidor estrangeiro", afirma Andrade, da Vinland.


Outro ponto destacado é o ciclo de juros. O início - ou a expectativa - de queda das taxas no Brasil é visto como um gatilho relevante para a Bolsa, historicamente associado a períodos de valorização dos ativos. "Estrangeiro adora investir em país onde o juro está caindo", observa Berkovitz, da Encore.


Seletividade


Apesar do otimismo, o fluxo ainda está concentrado em estratégias mais defensivas, mas os produtos long only continuam sendo a principal porta de entrada para quem busca exposição estrutural ao País. Já a demanda por mandatos em estratégias long and short tem crescido. "O gringo não quer um risco direcional", afirma Andrade, da Vinland, destacando a procura por produtos com menor volatilidade.


Do ponto de vista setorial, a preferência ainda recai sobre empresas mais líquidas e previsíveis, mas há expectativa de migração gradual. Enquanto a primeira onda do apetite esteve concentrada em produtos passivos, como o ETF EWZ, e ações de maior liquidez, as chamadas blue chips, como Vale e Petrobras, a tendência é de avanço para setores como utilities, que oferecem receitas mais estáveis e proteção em cenários de volatilidade, segundo Campos, da Reach.


Para os gestores, esse movimento também deve abrir espaço para uma reprecificação de empresas fora do radar dos grandes índices, que ainda não participaram plenamente da alta recente. "Abaixo [das blue chips] subiu muito pouco, então vai existir um catch up das empresas que não estão na superfície do índice e ficaram para trás. Tem muitas oportunidades na Bolsa ainda", afirma Berkovitz, da Encore.


Eleições


Do ponto de vista político, a eleição presidencial de 2026 aparece como um fator secundário para o investidor estrangeiro, segundo os executivos ouvidos pela reportagem. A percepção geral é de que questões fiscais e institucionais são analisadas dentro de um contexto global e não como um risco isolado do Brasil.


"Eleição não preocupa tanto. Na cabeça do estrangeiro, um governo Lula 4 seria mais do mesmo, enquanto qualquer um tirando o Lula pode trazer um upside. Se der Lula, vão esperar a reação dos gestores locais, ganhando tempo para entrar com mais calma. Se tiver chance de o Lula não ganhar, pode adiantar a entrada para não perder o primeiro upside", avalia Berkovitz, da Encore.


Para os executivos, o maior risco ao cenário positivo seria uma reversão das condições externas, como fortalecimento do dólar ou retomada da atratividade americana, o que poderia reduzir o apetite por emergentes. Ainda assim, a avaliação predominante é de que o movimento atual tem bases mais duradouras.


Contato: bruna.camargo@estadao.com

STF sob pressão

 *DECISÕES SUSPEITAS, DINHEIRO DO MASTER E OMISSÃO:O QUE A CPI APONTA CONTRA MINISTROS DO STF E PGR*


Por Vinícius Valfré, do Estadão


Brasília, 14/04/2026 - O relatório final da CPI do Crime Organizado pede o indiciamento e abertura de processos de impeachment dos ministros Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e do procurador-geral da República, Paulo Gonet. O documento, que será analisado nesta terça-feira, 14, lista o que classifica como condutas enquadradas em crimes de responsabilidade.


O texto final, assinado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da CPI, tem 221 páginas e dedica 23 delas a uma análise de ações e omissões das quatro autoridades no caso do Banco Master.


O relatório final afirma que Dias Toffoli deve ser enquadrado nos dispositivos da lei de crimes de responsabilidade que pune a atuação em julgamento “quando, por lei, seja suspeito na causa” e a atuação “de modo incompatível com a honra, dignidade e o decoro”.


Toffoli assumiu a relatoria do caso Master no STF após acolher pedido da defesa de Daniel Vorcaro, dono do Master. Até então, o caso tramitava na 10ª Vara Federal de Brasília, no âmbito da Operação Compliance Zero.


Como relator, deu decisões classificadas pela Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) como “atípicas” e causadores de “legítima perplexidade institucional”, como a imposição de sigilo máximo no processo e a ordem para acautelamento no STF de celulares apreendidos.


Os atos, destaca o relatório, foram praticados “ocultando-se que o ministro havia mantido relação financeira, por intermédio da empresa Maridt, com fundo de investimento ligado a Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro e também investigado na Operação Compliance Zero”.


O Estadão revelou em janeiro que Zettel estava por trás do fundo que comprou a participação da família Toffoli em um resort localizado em Ribeirão Claro, no Paraná. Toffoli só admitiria ser sócio oculto da Maridt um mês depois, quando, sob pressão, decidiu deixar a relatoria do caso.


O relatório também cita perícia feita pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro que documentou um canal de comunicação entre Toffoli e Vorcaro que “extrapolava a liturgia do cargo”.


A peça elaborada pelo senador Alessandro Vieira afirma que as decisões proferidas “foram tematicamente favoráveis ao investigado com quem o ministro tinha relação financeira”.


O relator da CPI do Crime Organizado também citou as “múltiplas viagens” em aeronaves privadas ligadas a Daniel Vorcaro. Como mostrou o Estadão, Toffoli usou aviões particulares para pelo menos três viagens ao resort Tayayá, do qual foi sócio oculto.


*Alexandre de Moraes*


Em relação a Moraes, o relatório atribui os mesmos dispositivos vedados conforme previstos na lei de crimes de responsabilidade: proferir julgamento quando por lei seja suspeito na causa e proceder de modo incompatível com a honra e o decoro.


Ao detalhar as condutas de Moraes, o documento menciona conversas do ministro com o investigado, recuperadas pela Polícia Federal, “em contexto que sugere tentativa de interferência em medida cautelar”. Moraes e Vorcaro conversaram por aplicativo de mensagens no dia da primeira prisão do banqueiro, em novembro. Ambos usavam um artifício que fazia o conteúdo das mensagens desaparecer após visualizados.


No pedido de indiciamento de Moraes, o relator também cita que o ministro tentou contato reiteradamente com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para obter informações sobre o processo de venda do Master ao Banco de Brasília (BRB). A ação, no entendimento de Alessandro Vieira, foi uma “captura regulatória”, que ocorre quando um agente público usa seu prestígio institucional para influenciar o resultado de processo administrativo.


“Tal conduta é especialmente grave porque teria ocorrido enquanto o escritório de sua esposa prestava ao mesmo banco os serviços de ‘política de relacionamento com o poder público’ pelos quais recebeu dezenas de milhões de reais”, frisa o relatório.


O relatório também aponta que Moraes fez uso do “aparato jurisdicional para perseguir quem revelou o conflito de interesses”. O ministro instaurou procedimentos para apurar “vazamento” de informações sobre o contrato do escritório da esposa dele, a advogada Viviane Barci, com o Banco Master. Para o senador, o ato configura uso abusivo do cargo para fins de autopreservação porque, na verdade, o ministro deveria se declarar suspeito e afastar-se do caso.


A banca de advocacia de Viviane Barci, com dois dos filhos do casal, firmou com o Master um contrato de R$ 129 milhões e faturou ao menos R$ 80 milhões, conforme revelaram documentos da Receita Federal entregues à comissão.


O pedido de indiciamento inclui ainda a decisão de “restringir severamente” a requisição e o uso de Relatórios de Inteligência Financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e a decisão de dar andamento ao julgamento de ação que visa impor novos limites para acordos de delação premiada. Àquela altura, Daniel Vorcaro e Fabiano Zettel se movimentam para firmar acordos de colaboração.


As “múltiplas viagens” em voos ligados a Daniel Vorcaro também são citados no capítulo do pedido de indiciamento de Moraes. Há registros de pelo menos oito viagens dele e da mulher a bordo dos aviões de empresa que pertencia ao banqueiro para os aeroportos de Congonhas e Catarina, em São Paulo.


*Gilmar Mendes*


O pedido de indiciamento de Gilmar Mendes é baseado no artigo que pune a atuação de modo incompatível com a honra, a dignidade e o decoro. O relatório afirma que decisões dele em ações relacionadas ao Banco Master e à CPI tiveram efeito de “proteção corporativa”.


Entre as decisões citadas, a que suspendeu as quebras de sigilo da Maridt, empresa de Toffoli, e do Fundo Arleen, que comprou cotas dela no resort do Paraná. O pedido de suspensão foi apresentado em um mandado de segurança da empresa Brasil Paralelo contra a CPI da Covid, arquivado desde 2023, cuja relatoria pertencia a Gilmar Mendes.


“O ministro, em vez de declinar da competência e remeter os autos ao relator natural, acolheu a manobra, desarquivou o processo, converteu o instrumento processual - de mandado de segurança para habeas corpus - e proferiu decisão de mérito em favor de empresa de colega de Tribunal, no mesmo dia do protocolo”, destaca.


*Paulo Gonet*


O pedido de indiciamento, com solicitação de abertura de processo de impeachment, contra o procurador Paulo Gonet é baseado no dispositivo que aponta “desídia no cumprimento das atribuições”. O relatório afirma que Gonet tinha acesso a uma série de informações sobre conduta de ministros do STF no caso Master, levantadas pela imprensa e pela Polícia Federal, e não atuou como deveria.


O senador Alessandro Vieira salienta que o procurador-geral da República não adotou nenhuma providência concreta no sentido de promover a investigação e a eventual responsabilização das autoridades envolvidas.


“A autoridade operou verdadeira blindagem por meio da inércia, abdicando do mandato persecutório estatal. A omissão qualificada do PGR, no contexto de monopólio funcional que a Constituição lhe confere para a ação penal perante o STF, produz efeito equivalente ao de uma anistia de facto: ao não agir, o único agente público com legitimidade para instaurar a persecução penal contra ministros do STF torna materialmente impossível a responsabilização daqueles que deveria investigar, convertendo a discricionariedade em instrumento de imunidade”, frisa.

terça-feira, 14 de abril de 2026

Bankinter Portugal Matinal

 Análise Bankinter Portugal 


NY +1,1% US tech +1,1% US Semis +1,7% UEM -0,3% España -1% VIX 19,1% Bund 3,09%. T-Note 4,29%. Spread 2A-10A USA=+51pb B10A: ESP 3,54% PT 3,50% ITA 3,88% FRA 3,71% Euribor 12m 2,71% (fut.12m 2,98%). USD 1,176 JPY 187,5/€. Ouro 4.742 $. Brent 98$. WTI 98$. Bitcoin -0,3% (73.196$). Ether -0,1% (2.254$). 


SESSÃO: Marcada por uma combinação de referências macro relevantes e, principalmente, pelo avanço da temporada de resultados, que se consolida como o principal catalisador do mercado a curto prazo. Embora a geopolítica continue a gerar volatilidade imediata, a sua capacidade de condicionar a direção do mercado é menor enquanto o canal de negociação se mantiver aberto. 


As duas referências macro do dia servirão para avaliar o impacto do recente aumento energético sobre inflação e crescimento. Por um lado, os Preços Industriais nos EUA (13:30 h) deverão mostrar um aumento significativo. Por outro, o FMI publicará o seu World Economic Outlook (14 h), onde se esperam revisões um pouco menos favoráveis de janeiro, tanto em crescimento como em inflação. No conjunto, a leitura será de um contexto um pouco mais exigente – com maior pressão inflacionista e ligeiros ajustes em baixa na atividade – mas sem evidências de uma mudança de ciclo.


Continua o fluxo de resultados empresariais, com protagonismo para o setor bancário nos EUA, e o luxo na Europa, num momento em que o mercado precisa de validar que o sólido crescimento esperado de lucros se mantém apesar do contexto mais incerto. As previsões atuais (+14,1% nos EUA e +4,2% na Europa) continuam consistentes com um cenário de expansão moderada, e qualquer confirmação nesta linha reforçará a ideia de que os fundamentos empresariais podem continuar a atuar como apoio das avaliações. Além dos resultados, será especialmente relevante o tom das guias e comentários das empresas, em particular em relação às margens, impacto de custos energéticos e visibilidade da procura.


CONCLUSÃO: O protagonismo do mercado desloca-se para os resultados empresariais, enquanto a geopolítica fica como fonte de volatilidade tática sem capacidade, por agora, de alterar o cenário de fundo. A macro pode gerar algum ruído, mas o ciclo continua expansivo. Se os resultados confirmarem o bom tom esperado e as guias acompanharem, deverão continuar a atuar como apoio para as bolsas. Mantemos a visão da geopolítica como um “choque” e não como uma mudança de ciclo, especialmente enquanto a negociação continuar. Neste contexto, continuamos a aproveitar episódios de correção para assumir posições seletivas a preços mais atrativos.

Leblon Equities

 📈 *Para a Leblon Equities, alta até agora é ‘recuperaçãozinha’ perto do que está por vir-Valor* _Para Pedro Rudge, sócio-fundador da casa,...