quinta-feira, 30 de abril de 2020

Boletim de Expectativas 30 de abril de 2020


Boletim de Expectativas


Este boletim apresenta uma compilação de expectativas para diversas variáveis econômicas, coletadas de diferentes fontes. Em resumo, há bastante incerteza quanto à magnitude dos efeitos da pandemia e das medidas de sua contenção sobre o PIB e as contas públicas, mas não há dúvida de que as consequências em 2020 serão severas. Outra característica que parece comum é a permanência da ancoragem das expectativas no médio e logo prazos: a inflação continua igual ou abaixo das metas anuais, o PIB volta a crescer como era esperado anteriormente, a taxa de câmbio muda de patamar, mas permanece estável, a Selic continua baixa e o deficit em transações correntes se mantém constante. Como síntese dessas expectativas, a dívida pública como proporção do PIB se eleva em cerca de 10 pontos de porcentagem (p.p.) em 2020, mas depois se estabiliza no novo patamar de 86%, representando a confiança na disciplina fiscal e no caráter transitório dos gastos contra a pandemia. A estrutura a termo da taxa de juros nominal inclinou-se bastante após o início da crise da pandemia, especialmente em março, mas esse movimento foi parcialmente revertido em abril. Mesmo após essa reversão, porém, os juros atuais nos vértices acima de cinco anos estão em níveis comparáveis aos de antes da reforma da Previdência.
Ver no site www.ipea.gov.br

segunda-feira, 27 de abril de 2020

Do Estadão: “Quantas crises (ao mesmo tempo) o Ibovespa aguenta?”


No momento em que parecia haver estabilização do mercado com o coronavírus, a instabilidade política trouxe novas incertezas. O aumento de casos de Covid-19 já tinha sido digerido; agora, investidor terá de interpretar os passos do ministro da Economia, Paulo Guedes, que pode ser o próximo a deixar o governo. “Estamos numa pandemia e numa crise política bastante ruidosa. A economia já teria dificuldade por si só. Agora, com a instabilidade política associada, vai gerar mais e mais incerteza, trazendo volatilidade aos mercados”, diz Alexandre Aoude, sócio-fundador da gestora Vectis Partners. “A minha visão é negativa porque um presidente tresloucado no meio de uma pandemia e de uma crise econômica sem precedentes corre o risco de perder mais ministros de alta qualidade.” A principal preocupação é com a saída de Guedes. Assim como Moro, o titular da pasta da Economia tem convicções caras para o mercado financeiro. Se o superministro Moro trazia os selos de combate à corrupção e de transparência, o superministro Guedes é o guardião do ajuste macroeconômico. “Com a saída de  Moro, o dólar para o consumidor final bateu em R$ 7. Isso não teve nada a ver com Guedes, que continua no ministério”, afirma Guto Ferreira, sócio da casa de análise Solomon’s Brain. “O que está sendo precificado hoje pelo mercado é a política, não é a economia.”

Flavio Ataliba e Marcos LISBOA

domingo, 26 de abril de 2020

Notas do Alentejo, por Julio Hegedus

Passei por estes dias tentando absorver os desastres políticos ocorridos no coração do governo Jair Bolsonaro. 

Tivemos a saída espalhafatosa do excelente ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e, depois, para mim, uma hectacombe, a saída, por iniciativa própria, do grande homem público, para muitos, um herói nacional, Sergio Moro, da Justiça e Segurança Pública. Que desastre! 

Praticamente, Jair Bolsonaro ficou nu nestes dois episódios. Para mim, foi totalmente desmoralizado. Ficou sem ter o que dizer, sem argumentos, sem defesa. 

Seus discursos, em resposta, foram totalmente desconexos, inócuos, meio que tentando se eximir de maiores responsabilidades, mais parecendo terem nascido do tal "gabinete do ódio", se é que isso existe ou tem tanta importância. Pelo que eu ando escutando por aí, parece q sim. Mas seja feita a devida ressalva: só tem importância para o presidente, para o resto da sociedade é um desastre. 

Vamos aos fatos. 

Na verdade, ao que esta crônica se presta, fazer considerações sobre Brasília, sobre o presidente, seus atos e acontecimentos diversos.  

Movimentos do presidente. Chama atenção como ele se movimenta de forma desastrada, mais se parecendo por impulso, expontaneamente, e não de forma programada, calculada e prudente, como deve atuar um presidente da República. 

Seus "pinga fogos", pela manhã no Alvorada, com jornalistas e apoiadores, são um desastre completo, apenas atos populistas. Para quê? Não bastaria ele cumprimentar as pessoas do carro e seguir viagem, ir trabalhar, ir para o Planalto? Que é o que interessa?

Não, ele gosta mesmo é de falar bobagem, gerar polêmicas, bater boca com jornalistas...Ser notícia. Encher as pautas dos jornais. 

Demissão do Mandetta. Outro desastre, como foi o do gen Santos Cruz, Gustavo Bebianno, e tantos outros. 

O ministro Luiz Henrique Mandetta, da Saúde, todos os dias, meio que como num "hospital de campanha", numa guerra, aparecia nos "breafings" do ministério para esclarecer, dar satisfação sobre os atos da sua equipe, suas decisões, atualizar os números da infectados pela Covid 19, etc. Era uma atuação IRREPREENSÍVEL ! 

Lembremos. Estamos envoltos na maior crise global da história moderna, uma pandemia de um virus altamente transmissível, que causa mortes e paralisa tudo, a economia, as relações HUMANAS, as rotinas, os sistemas de saúde, em colapso. Nada se compara ao que estamos vivendo atualmente. NADA !

Diante do ineditismo da situação e da incerteza no seu desfecho, o ministro da Saúde atuava com a devida prudência. Pela sua boa capacidade de comunicação e carisma junto à sociedade, conquistava a todos.

Aí que a "cobra começou a torcer o rabo". Bolsonaro e sua turma, sempre pensando em 2022, vendo em Mandetta seu potencial eleitoral, resolveram miná-lo, desmoralizá-lo. E muito contribuiu para isso o tal "gabinete do ódio", soltando diversas fakenews, no esforço de desconstruir a imagem do ex-deputado do DEM. Paranóias pelo fato de Mandetta ser do DEM, ligado a Ronaldo Caiado e do mesmo partido do Rodrigo Maia? Como certeza. 

Parece-nos que Jair Bolsonaro tem algumas patologias perceptíveis. Uma é a de se incomodar com os holofotes não estarem virados para ele. 

Já começou na sua escalada eleitoral para 2022. Aliás, em que momento ele saiu dela? Muito se comentava no ciclo petista das tentações do então presidente Lula em sempre querer um palanque para bem aparecer na mídia. Bolsonaro faz diferente? Não. É a mesma conduta picaresca e populista. Governar que é bom? Nada, e o pior é que ele nem deixa os ministros governarem, terem a devida tranquilidade para tocar seus programas de políticas públicas. 

Agora o Sergio Moro. Bom, agora o buraco é bem mais fundo, bem mais embaixo. Bolsonaro ultrapassou o limite do racional e do bom senso. Ao assumir, em 2019, disse a Sergio Moro que teria carta branca para nomear quem quizesse. E assim o fez o ministro. Colocou (ou manteve) o excelente Valeixo na Polícia Federal, no intuito de tentar preservar a Lava Jato. O problema é que com as traquinagens dos filhos e do próprio presidente, a PF começou a investigar certos atos ilícitos ou anti-éticos (nada comparado ao que fez o PT, bom que se diga). As rachadinhas estouraram, assim como as sucessivas fakenews. Claro, todos fazem isso. O PSOL é useiro e fazeiro de encher seus gabinetes de vereadores e deputados, e depois exigir um percentual para o partido, o mesmo acontecendo com o PT, o PC do B, e outros partidos famigerados. O problema é que este ato oportunista e anti-ético, partiu de um dos filhos do presidente, o 01, Flavio Bolsonaro. 

E  o que dizer da atuação truculenta e fanatizada do tal Carlos Bolsonaro, o 02? São constantes os comentários de que ele influencia o presidente, enche o saco dele, nestas redes sociais, alimentando uma sucessão de fofocas e disse-me-disse. Bolsonaro parece que já tentou se livrar, afastar o filho, mais foi demovido, diante da reação do mesmo, tentando até o suicídio. Comenta-se nas rodas que ele tem alguma patologia, alguma sociopatia em que não tolera ser colocado de lado e não ser o "predileto". 

A verdade é que o Moro vinha notando a mão pesada do presidente, tentando afastar a PF da família. Seu discurso, sua retórica anti-corrupção, seria, então, fortemente afetada. Importante que se diga. A PF tem autonomia, só presta contas ao Ministro da JUSTIÇA e tem total liberdade de investigar quem quer se seja, inclusive os filhos do presidente. Ele, claro, não pensa assim. Pediu para o ministro tutelar a PF, exigindo receber relatórios pessoais da PF. Recebeu uma negativa. Por isso, o ministro MORO ter saído. Importante recordar também que o ministro já havia levado várias bolas nas costas. A principal foi o "fogo amigo" diário contra o "PACOTE CONTRA O CRIME", com o presidente mostrando muito pouco empenho em defendê-lo. Nos casos do crime em segunda instância e no foro privilegiado isso foi notório. 

Bom, a bem do serviço público e numa biografia irrepreensível, que ninguém conseguiu desmoralizar, nem mesmo aquela figura escrota do Greenwald, Sergio Moro anunciou sua demissão. 

Anunciou sem se furtar de explicar os motivos. Seu discurso de despedida foi de tal modo irrepreensível, direto e honesto, que só restou ao capitão balbuciar queixas, destilar ódios e ilações. SERGIO MORO acabou com o presidente, literalmente, confirmado como "pato manco". E assim ele deve se arrastar até o fim, não se sabendo qual seja. 

SUA RESPOSTA FOI PATÉTICA, NUM DISCURSO SEM PÉ NEM CABEÇA. 

Apenas para observação. No episódio da facada, não foi a PF que fez corpo mole, mas sim o nefasto e corrupto STF, ao proibir que os policiais tivessem acesso a gravações telefônicas do Adélio e dos advogados de defesa, e tivesse acesso a saber quem estava bancando estes advogados, caros, oriundos de BH. 

Portanto, a falta de condições de trabalho acabou decisiva para o desfecho frustrante e insonso das investigações. O STF praticamente selou o destino do tal Adélio e deste caso da facada do capitão. 

Claro que este desfecho não me convenceu, nem a ninguém, mas por estranho que pareça, o presidente recolheu-se de forma muito surpreendente. Afinal, que poderes tem esta instância do Judiciário? Por que o presidente não se mobilizou mais ? Não foi mais a fundo nos pedidos ao Sergio Moro? O que há de nebuloso neste estranho caso?

Vamos conversando...


Bolsonaro: do nonsense ao escatológico | A Gazeta 

sexta-feira, 24 de abril de 2020

A BEM DA VERDADE...

Pediu demissão o Ministro Sergio Moro. 

Num discurso contundente, narrando toda sua trajetória no Ministério de Justiça e Segurança, Moro, de forma retilínea, direta, honesta e digna, praticamente colocou a nu o presidente Bolsonaro e seu gabinete do ódio. Foi devastador. 

Lembremos que Moro não era aderente ao Bolsonarismo antes das eleições. Ele estava ajudando o MP a pegar "bandido", no q fazia mto bem. 

Foi depois, entre out e nov de 2018, pensando em capitalizar este convite, q o candidato Bolsonaro resolveu convidar o Moro. 

E seja feito uma ressalva, o Bolso nunca teve livre transito junto ao Moro. Nunca foi amigo, homem de confiança. 

A verdade é q o Sergio Moro era uma bomba de alta octanagem para o Congresso, tal a qde de deputados envolvidos em ilícitos. E o Bolso nunca o defendeu. O abandonou, na sua paranóia de sempre, vendo nele uma ameaça para 2022. O lançamento do Pacote contra o Crime foi muito chato, pois o presidente nunca assumiu defendê-lo. Moro sempre lutou só. 

O mesmo aconteceu com o Guedes e Mandetta. Achamos, inclusive, q o Guedes é o próximo a sair. 

Na boa, dependendo do cenário para 2022, o João Dória, o Luciano Hulck, ou mesmo o Sergio Moro, qqr um, minimamente articulado e inteligente, colocam este capitão no bolso. Sem duplo sentido. (E sem falar nos candidatos mais à esquerda). 

Marcelo Passos

CENÁRIO MACRO BEM DIFÍCIL
Estávamos em um cenário de tendência de recuperação no início do ano (previsão de crescimento de cerca de 2%). Depois, antes mesmo do COVID 19 chegar ao Brasil, a previsão de crescimento era de cerca de 1%. Agora, a expectativa é que o PIB caia 5% ou até mais.
No melhor cenário pós-COVID 19, vai levar uns cinco anos para nós reduzirmos o déficit e a razão dívida/PIB. Isso significa que vai levar no mínimo uns três ou quatro para começarmos a ver uma reação minimamente significativa no investimento privado, no crescimento e na geração de empregos.
Situação difícil.

Paulo Cursino

  Não, eu não gostaria de ver a América de Trump tirando o presidente da Venezuela do poder. Eu gostaria de ver o Brasil fazendo isso. O paí...