segunda-feira, 16 de março de 2026

Bankinter Portugal Matinal

 Análise Bankinter Portugal 


NY -0,6% US tech -0,6% US Semis +0,1% UEM -0,6% España -0,5% VIX 27,2% Bund 2,98%. T-Note 4,89%. Spread 2A-10A USA=+55pb B10A: ESP 3,48% PT ITA 3,44% FRA 3,66% ITA 3,79% Euribor 12m 2,522% (fut.12m 2,846%). USD 1,143. JPY 182,1. Ouro 5.015 $. Brent 104,4$. WTI 98,9$. Bitcoin +3,7% (78.875$). Ether +8,4% (2.267$). 


SESSÃO: Hoje não tem mau ar, porque a madrugada asiática foi mista, quase positiva, e os futuros sobre Wall St. e Europa vêm a subir ca. +0,5%. Esta semana reúnem-se nada menos do que 10 bancos centrais, mas, principalmente, será decisiva, pois não se pode adiar por mais tempo a apresentação da evolução da campanha militar e dos objetivos alcançados, para que se possam fazer novas previsões sobre a sua duração e o desfecho mais provável. 


Os objetivos geoestratégicos prioritários são 2: (i) neutralizar militarmente o Irão e (ii) garantir que o seu governo não se reconstruirá como uma ameaça. Esta semana deveremos saber se o primeiro objetivo foi alcançado, conscientes de que o segundo é o mais complicado. 


É provável que, no final da semana, o Irão já não tenha meios militares para continuar uma guerra convencional. Se isto se confirmar, o tom do mercado melhoraria rapidamente. Não implicaria uma mudança para melhor definitiva, mas um alívio de curto prazo nada depreciável. O receio agora, relativamente estendido, é que a guerra se complique e prolongue.


O segundo objetivo – que o novo governo não implique uma ameaça futura é difícil de alcançar, porque a Guarda Revolucionária é uma espécie de exército paralelo que controla o país e se financia com o petróleo. Impede uma hipotética revolta social. Por isso, o mais eficaz para controlar as ações de qualquer que seja o governo será controlar o petróleo com o qual se financia a Guarda Revolucionária. E para isso poderá estar a ser considerar seriamente controlar militarmente a denominada Ilha de Kharg ou Jark, a uns 25 km da costa iraniana e a partir da qual o Irão embarca ca. 90% das suas exportações de petróleo. Isto é, controlar o petróleo iraniano se não for possível controlar o seu governo. Mas a ação militar seria muito arriscada por se tratar de uma ilha próxima à costa iraniana e exigir a tomada de posições de forças terrestres, provavelmente mediante uma operação anfíbia desde o interior do Golfo Pérsico… que, hipoteticamente, poderá converter-se numa ratoeira. Por isso, considerando a magnitude deste risco, o desfecho mais provável consistirá na absoluta neutralização das capacidades militares iranianas e do seu programa nuclear, exercendo um controlo férreo naval das suas exportações de petróleo, renunciando conseguir um governo “voluntariamente colaborativo”. Isto é realizável, mas caro, porque exigirá a permanência a longo prazo de uma força naval relevante na zona. Mas o mercado agradeceria um desfecho deste tipo.


Na frente convencional, o único relevante dos 10 bancos centrais que se reúnem esta semana (Austrália amanhã, Canadá, Brasil e Fed na quarta-feira; BCE, BoE, BoJ, Suíça e Suécia na quinta-feira; China na sexta-feira) será comprovar até que ponto se atrevem a alertar sobre uma inflação superior e um crescimento mais débil. Porque quase todos repetirão taxas de juros (Austrália irá subir, e talvez o Brasil faça uma descida). Além disso, nesta madrugada saíram vários dados macros na China entre mistos e decentes (Prod. Industrial +6,3% desde +5,2%; Preços Casas -3,2% desde -3,1%...), o Japão está a ponto de intervir no yen – caso já não o esteja a fazer – para travar a sua depreciação, e hoje começa a conferência anual de desenvolvedores de Nvidia, que não costuma ter impacto forte (focado no novo chip Vera-Rubin, futuro substituto de Blackwell).


CONCLUSÃO: Semana provavelmente tão fraca como a passada, mas de forma alguma de crise. Retrocessos absolutamente assumíveis, não graves. Talvez hoje suba um pouco. E, se no final de semana se proporcionar informação fiável sobre o resultado prático da campanha militar e esta for razoavelmente boa, o mercado subiria um pouco. 


FIM

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