quarta-feira, 16 de abril de 2025

Market Maker 1604

 O fim da ordem global liderada pelos EUA está acontecendo diante dos nossos olhos?


Neste episódio especial do Market Makers, destrinchamos o colapso da ordem econômica que sustentou o mundo desde o fim da Segunda Guerra Mundial. A partir do texto “The End of an Era”, escrito por Daniel Ades, vamos discutir como tarifas, dívidas públicas, a impotência da ONU e o papel da China estão redefinindo o futuro das relações internacionais e dos investimentos.


Você vai entender:

✅Por que o sistema criado após a Guerra Fria se tornou insustentável

✅Como as instituições como ONU, OTAN e OMC falharam em se adaptar ao novo mundo

✅O impacto da supremacia da China e do declínio da hegemonia americana

✅O que a história da tarifa Smoot-Hawley ensina sobre o momento atual

✅Por que os investidores precisam esquecer os padrões antigos e repensar seus portfólios

✅Como a excecionalidade dos EUA era sustentada por um sistema que está ruindo


Essa mudança não é apenas econômica — é geopolítica, estrutural e pode afetar tudo.


Você acha que os EUA estão perdendo sua posição de liderança global? Ou estamos apenas vendo uma transição de poder inevitável? 


https://www.youtube.com/live/ItwA6j1R7KM?si=ArzTKBxePf5EqIWI

Matinal 1604

 🌐 Internacional: Mercados caem com impacto das tarifas sobre grandes empresas e tensão geopolítica | 16/04/2025 #morningcall

 

• Bolsas globais recuam com sinais crescentes de que as tarifas já afetam grandes empresas e que a guerra comercial vai além de impostos de importação.


• Trump proibiu a Nvidia de vender seus chips H20 para a China; a empresa alertou que pode ter baixas contábeis de até US$ 5,5 bilhões. As ações da ASML também caíram após pedidos abaixo do esperado.


• Futuros dos índices de NY e o petróleo reduziram perdas após reportagem da Bloomberg indicar que a China estaria disposta a negociar, caso os EUA mostrem respeito e designem um negociador com apoio direto de Trump.


• Segundo o Wall Street Journal, Trump quer compromissos de aliados para isolar a China em troca da redução de tarifas e barreiras comerciais.


• O índice dólar retoma queda e os rendimentos dos Treasuries de 10 anos operam estáveis.


• Nos EUA, os dados de vendas no varejo de março saem às 9h30, com expectativa de alta antecipada por compras antes das tarifas. Jerome Powell discursa às 14h30.


• O PIB da China cresceu 5,4% no 1º tri ante o ano anterior, acima das previsões, com apoio de subsídios ao consumo e embarques antecipados antes das tarifas. Apesar disso, o Société Générale alerta que a atividade deve perder força e que novos estímulos são urgentes.


• O minério de ferro recua com pressão da guerra comercial e aumento da produção de aço na China. O cobre também cai em Londres.

 

@filipevillegas | CNPI-P | Genial Investimentos

BDM Matinal Riscala 1604

 *Rosa Riscala: Trump cria nova frente de crise com a China*


… Os índices futuros das bolsas de NY afundavam no início da madrugada com o tombo da Nvidia (-6,31%) no after market, após Trump proibir a empresa de vender seu chip H20 à China, na escalada da batalha de Washington contra Pequim, que custará bilhões (US$ 5,5 bi) à empresa. A notícia ofusca a reação positiva ao PIB da China, divulgado ontem à noite, com crescimento de 5,4% no 1Tri, acima do previsto (5,1%). Nos EUA, a agenda é importante, com as vendas no varejo (9h30), que já podem refletir o pessimismo do consumidor (ou um possível movimento de antecipação de compras), e um discurso de Powell (14h30), que deve reforçar as expectativas mais cautelosas para o juro, em meio à guerra tarifária. No CME, as apostas para o primeiro corte foram transferidas para junho. Maio mantém chances de 80% de estabilidade da taxa entre 4,25% e 4,50%.


… Na última fala, Powell já corrigiu declarações da entrevista após o Fomc, quando defendeu o caráter “transitório” da inflação, admitindo que as tarifas eram maiores e mais abrangentes do que se esperava e poderiam ter impacto mais duradouro nos preços.


… Ele insistiu, então, que não há pressa para mexer nos juros e que é mais adequado esperar que o cenário fique mais claro.


… A maioria dos Fed boys tem repetido mais ou menos a mesma coisa, à exceção de Christopher Waller, esta semana, que foi explícito ao pregar uma ação mais rápida e mais profunda para evitar que uma provável recessão prejudique o mandato do pleno emprego.


… Operando no escuro, sem uma diretriz consistente ou que faça sentido, o mercado vive um dia de cada vez, tomado por incertezas.


… Nesta 3ªF, Trump mandou um recado para ser lido pela secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, no briefing diário com os jornalistas, no qual pressiona a China a fazer uma oferta para acalmar a guerra tarifária.


… O presidente quer que o governo de Pequim dê o primeiro passo.


… “A bola está na quadra da China. A China precisa fazer um acordo conosco. Nós não precisamos fazer um acordo com eles.”


… Segundo Leavitt, lendo o que o chefe escreveu, “não há diferença entre a China e qualquer outro país, exceto que são muito maiores, e a China quer o que nós temos, o consumidor americano. Em outras palavras, eles precisam do nosso dinheiro”.


… É verdade esse bilhete, mas também é verdade que os Estados Unidos precisam dos produtos da China, que continua firme, sem dar sinal de que pretenda ceder após a disputa instigada por Trump que levou as barreiras comerciais a níveis alarmantes.


… A porta-voz revelou que o governo negocia com dezenas de outros parceiros comerciais e que há, pelo menos, 15 propostas que estão sendo consideradas e que Trump quer assinar pessoalmente todos esses acordos. Não disse que países são esses.


O ATAQUE À BOEING – Numa prova de que também sabe jogar duro, a China ordenou, ontem, que suas companhias aéreas não aceitem mais as entregas dos jatos da Boeing, suspendendo a compra de 10 aeronaves adquiridas pela China Southern Airlines.


… A companhia planejava substituir os aviões de fuselagem larga fabricados nos EUA por aeronaves maiores e mais novas. De acordo com informes à Bolsa de Xangai, a China Southern citou “eventos que impactaram as transações” para suspender a compra.


… Parte inferior do formulário


A Bloomberg informou, ainda, que Pequim também pediu às transportadoras que parassem de comprar peças de aeronaves fabricadas nos Estados Unidos, à medida que a guerra comercial entre as duas maiores economias avança.


… Trump reagiu em sua rede social Truth, afirmando que a China “simplesmente renegou o grande acordo com a Boeing”.


… O China Southern é um dos maiores grupos de transporte aéreo do mundo, com participações em dez companhias aéreas. Operando 932 jatos comerciais, transportou 165 milhões de passageiros e 1,8 milhão/t de carga e correio em 2024.


O CETICISMO DA UE – A União Europeia e os EUA fizeram poucos progressos na redução de diferenças comerciais nesta semana, depois que autoridades do governo Trump indicaram que a maior parte das tarifas americanas impostas ao bloco não será removida.


… Nesta 2ªF, o chefe de comércio da UE, Maros Sefcovic, deixou uma reunião com o Secretário do Comércio dos EUA, Howard Lutnick, em Washington, mencionando a “pouca clareza” sobre a posição da Casa Branca e dificuldades para entender os seus objetivos.


… A UE ofereceu a remoção de todas as tarifas sobre bens industriais, incluindo automóveis, tanto de seus países como dos EUA, mas essa proposta foi rejeitada. Os EUA importaram mais de US$ 52,3 bilhões em veículos novos da UE no ano passado.


… As novas tarifas de Trump atingem cerca de 380 bilhões de euros (US$ 431 bilhões) em produtos da UE.


… A UE também propôs aumentar as suas compras de gás natural liquefeito dos EUA, mas os negociadores não teriam achado suficiente como alternativa às tarifas, embora Trump já tivesse dito que a energia poderia reduzir o superávit comercial da UE com os EUA.


… Na semana passada, a União Europeia concordou em adiar (também por 90 dias) a implementação de um conjunto de contramedidas aos Estados Unidos, após Trump ter reduzido de 20% para 10% a tarifa aplicada aos países do bloco.


… Mas a Comissão Europeia já havia dito, na ocasião, que


suas medidas, que visam cerca de 21 bilhões de euros em produtos americanos, entrarão em vigor após esse prazo de três meses, caso as negociações não produzam resultados satisfatórios.


… O bloco já está trabalhando para preparar mais contramedidas caso esse cenário se concretize. Paralelamente, está se apressando para concluir acordos comerciais com países ao redor do mundo e melhorar o funcionamento do seu mercado único.


CANADÁ – O BC canadense deve decidir hoje (10h45) a primeira pausa dos juros em oito reuniões, mantendo as taxas estáveis em 2,75%, segundo pesquisa Bloomberg, enquanto avalia os danos causados pela guerra comercial do presidente Trump.


… Trump poupou o Canadá de suas “tarifas recíprocas” no início do mês, mas impôs impostos de 25% sobre incluindo automóveis, aço e o alumínio. O primeiro-ministro Mark Carney retaliou com imposto de importação de 25% sobre os carros importados dos EUA.


… Nesta 3ªF, Carney reforçou que as montadoras que mantiverem a produção no Canadá terão 100% de isenção. Segundo ele, CEOs do setor automotivo do mundo todo “têm falado que querem manter ou iniciar atividades no Canadá”.


… Os comentários aconteceram logo após o governo canadense divulgar novas medidas para auxiliar as empresas afetadas pela disputa comercial com os EUA, incluindo um alívio temporário de seis meses para produtos importados de fornecedores americanos.


… Outra iniciativa é um programa de empréstimos para grandes empresas que enfrentam dificuldades financeiras devido às tarifas.


CHINA HOJE – Além do crescimento de 5,4% do PIB no 1Tri, o governo de Pequim divulgou nesta 3ªF forte avanço de 7,7% da produção industrial em março, bem acima do consenso (5,6%), e crescimento de 5,9% das vendas no varejo (consenso: 4,2%).


… Também hoje, a China divulgou queda de 4,6% dos preços dos imóveis novos em março, pouco abaixo da queda de 4,8% de fevereiro, marcando o 21º mês consecutivo de baixa, mas no ritmo mais lento desde junho do ano passado.


O ORÇAMENTO PARA 2026 – O governo federal apresentou nesta 3ªF as bases do Orçamento do próximo ano, que estabelece uma meta positiva de 0,25% do PIB, com limite de tolerância entre zero e superávit de 0,50% do PIB (R$ 68,5 bilhões).


… A meta para 2026 é de um superávit de R$ 34,3 bilhões, mas o governo prevê um superávit primário de R$ 38,2 bilhões em 2026.


… Essa conta considera um desconto de R$ 55,1 bilhões de despesas não computadas para fins de cumprimento da meta, especialmente o pagamento de precatórios. Caso contrário, a previsão seria de déficit de R$ 16,9 bilhões.


… Essa retirada dos precatórios da meta só vale até 2026 e isso foi autorizado pelo Supremo Tribunal Federal.


… Com o degrau mais alto, a equipe econômica deve enfrentar um desafio ainda maior no ano que vem. Neste ano, já há desconfiança do mercado sobre a concretização das estimativas de arrecadação, considerando, por exemplo, a frustração com as receitas do Carf.


… Inicialmente, o governo previu embolsar R$ 55,6 bilhões em 2024, mas só R$ 307 milhões entraram nos cofres públicos. No Orçamento deste ano, a estimativa com os desempates do Carf também é significativa, de R$ 28,5 bilhões.


… Para economistas ouvidos pelo Valor, esse é um exemplo de receita superestimada no projeto, com crescimento de 5% sobre 2025. Já Felipe Salto (Warren) também vê as despesas subestimadas, o que torna o Orçamento “pouco realista”.


… Outra questão é que a esperada desaceleração econômica pode prejudicar a arrecadação com impostos, mas no PLDO a estimativa é de um crescimento de 2,5% em 2026, com uma inflação de 3,5%. Para 2027, PIB de 2,59% e IPCA de 3,10%.


… O projeto do Orçamento ainda prevê o dólar a R$ 5,97 em 2026, Selic média de 12,56% e petróleo em US$ 66,74.


… Pelo lado das despesas, também há dificuldades em meio à crescente pressão nos gastos obrigatórios, como a previdência e benefícios assistenciais. O aumento do salário mínimo para R$ 1.630, como prevê o PLDO, deve piorar o quadro.


… Além disso, há receio no mercado que o governo anuncie novas medidas populistas em meio à campanha eleitoral para presidência no ano que vem. As eleições também diminuem o espaço para novas ações estruturais para a contenção de despesas.


… O governo também estima que a dívida pública do país fechará 2025 em 78,5% do PIB e subirá para 81,8% no ano que vem, com o teto de 84,2% do PIB em 2028, segundo estimativas da própria equipe econômica. Depois, a dívida começaria a cair.


EMENDAS – O PLDO prevê ainda R$ 40,8 bilhões em emendas parlamentares individuais e R$ 12 bilhões para emendas de comissão!!!


MINHA CASA, MINHA VIDA – A criação de uma nova faixa de financiamento habitacional no programa, para famílias com renda mensal de até R$ 12 mil, foi bem recebida pelo mercado imobiliário. Até agora, só atendia a famílias com renda de até R$ 8 mil mensais.


… A medida foi aprovada nesta terça-feira pelo Conselho Curador do FGTS e o programa terá taxa efetiva de juros limitada a 10,5% ao ano e, neste ano, a nova modalidade vai dispor de um volume total de R$ 30 bilhões, para imóveis de até R$ 500 mil, novos e usados.


… No Globo, o presidente da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias, Luiz França, disse que com essa taxa em até 30 anos, o número de pessoas capacitadas a comprar imóveis nessa faixa de preços é significativo, e que há uma demanda real.


… Já Thiago Soares, diretor da The INC Incorporações, considera que a chamada “Faixa 4” tem potencial para provocar uma reorganização importante no mercado e pode aquecer o setor, no momento em que os juros altos reduzem o poder de compra da classe média.


PETROBRAS – A Assembleia Geral Ordinária (AGO) desta 4ªF deve reconduzir o secretário de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia, Pietro Mendes, à presidência do conselho de administração, apurou o Estadão.


… A expectativa é de que a AGO da Petrobras não tenha grandes novidades e mantenha quatro representantes dos acionistas minoritários e seis da União, além da representante dos empregados, Rosângela Buzanelli, que vai para o terceiro mandato, até abril de 2026.


… O uso do voto múltiplo, pedido por acionistas, pode dar mais força aos minoritários, por permitir concentrar votos num único candidato e evitar que a União eleja os seus oito indicados. Mas não deve dar brecha para a quinta cadeira dos acionistas minoritários.


VALE – O ADR caiu 1% no after market, repercutindo mal o relatório trimestral de produção e vendas.


… A quantidade de minério de ferro produzida no 1Tri totalizou 67,7 Mt, queda de 4,5% na comparação anual. A produção de pelotas totalizou 7,2 Mt, recuo de 15% em relação ao mesmo período de 2024.


… As vendas de minério de ferro totalizaram 66,1 Mt, alta de 4% ante mesmo trimestre do ano passado, e a produção de cobre totalizou 90,9 kt, crescimento anual de 11%.


MAIS AGENDA – Os dados semanais do fluxo cambial, que o BC divulga às 14h30, estão previstos para hoje. Haddad, participa ao vivo (16h) do programa “Sem Censura”, apresentado por Cissa Guimarães na TV Brasil.


… Nos EUA, saem a produção industrial em março (10h15) e os estoques de petróleo do DoE (11h30), que devem registrar mais uma alta, desta vez de 800 mil barris. Na zona do euro, o CPI de março sai logo cedo (6h).


NOVELA SEM FIM – Depois do curto alívio de dois dias, os mercados globais voltaram a reproduzir os desdobramentos da guerra comercial, diante dos sinais trocados de Trump e um novo revide da China.


… Como se viu, o governo de Pequim ordenou que as companhias aéreas chinesas deixem de receber aeronaves da Boeing, como retaliação às tarifas de 145% impostas pelos americanos para produtos da potência asiática.


… De seu lado, depois de anunciar uma pausa temporária das tarifas sobre eletrônicos e sugerir que pode dar isenção temporária para autopeças, Trump indicou que vai elevar a pressão sobre o setor farmacêutico e chips.


… Assim, com ataques de lado a lado, segue tudo igual, com o investidor obrigado a viver sob o fogo cruzado.  


… Vítima da escalada comercial, Boeing fechou em queda de 2,36%. No mês, já perdeu perto de 6%. Quem acabou se beneficiando da investida da China contra a aérea americana foi a Embraer (+3,06%), a R$ 64,65.


… Mas diante do ambiente cauteloso com o protecionismo econômico, o Ibovespa fechou em leve baixa de 0,16%, embora ainda tenha conseguido bancar o nível dos 129 mil pontos (129.245,39), com giro de R$ 20,5 bi.


… As blue chips das commodities se destacaram no negativo. À espera do relatório trimestral de produção e vendas de ontem à noite e dos indicadores de atividade da China, Vale registrou queda de 1,01% (R$ 53,81).


… Em linha com o recuo registrado nos preços do petróleo, as ações PN da Petrobras fecharam em queda de 2,30% (R$ 31,00) e ON perdeu 1,85% (R$ 33,36). Lá fora, o Brent para junho caiu 0,32%, cotado a US$ 64,67.


… O barril sente o clima instável da guerra de Trump, que pode afetar a demanda global pela commodity.


… Entre os bancos, Itaú fez a diferença (+1,27%, a R$ 32,74), destoando da fraqueza do setor: Bradesco ON, +0,18% (R$ 11,38); Bradesco PN, +0,08% (R$ 12,74); BB, -1,07% (R$ 27,77); e Santander, -0,07% (R$ 26,93).


… Em NY, as bolsas fecharam com viés negativo, porque é difícil relaxar com Trump e a China. O Dow Jones caiu 0,38%, a 40.368,96 pontos; o S&P 500 recuou 0,17%, a 5.396,63 pontos; e o Nasdaq, -0,05% (16.823,17).


… Com Trump ameaçando agora taxar o setor farmacêutico, Merck & Co registrou queda de 1%. Já Bank of America (+3,6%) e Citigroup (+1,76%) comemoraram os balanços trimestrais melhores do que o esperado.


… De olho nos próximos passos da guerra de tarifas, o dólar assumiu postura defensiva em escala global. Aqui, fechou em alta de 0,66%, a R$ 5,8900. Lá fora, índice DXY avançou 0,52% e resgatou os 100 pontos (100,157).


… Diante da reação, o euro caiu 0,64%, para US$ 1,1281. Já a libra esterlina ainda subiu: 0,30%, a US$ 1,3229.


… No movimento coletivo de busca por ativos mais seguros, como efeito direto dos tarifaços, os rendimentos dos Treasuries recuaram. A taxa da Note de dez anos caiu para 4,339%, contra 4,378% no pregão da véspera.


… No pregão asiático, no final da noite de ontem, o ouro confirmava o seu status de refúgio de proteção e subia 0,40%, para US$ 3.243,49 a onça-troy, com as novas barreiras comerciais que não param de ser levantadas. 


… Sob o suspense do quanto a disputa tarifária ainda pode assustar, a curva do DI corrigiu parte da queda recente, de carona no dólar mais caro. No pano de fundo, pesou a expectativa pelos detalhes do Orçamento.


… No fechamento, o DI para janeiro de 2026 subiu para 14,725% (de 14,695% no fechamento anterior); Jan/27, a 14,225% (14,165%); Jan/29, a 14,110% (14,025%); Jan/31, a 14,380% (14,310%); e Jan/33, 14,460% (14,410%).


… Na agenda dos indicadores do dia, o IGP-10 caiu 0,22% em abril, após subir 0,04% em março. Com esse resultado, o índice de inflação acumula uma alta de 1,22% no ano e 8,71% nos últimos 12 meses.


EM TEMPO… Aneel aprovou reajustes tarifários para NEOENERGIA Coelba (2,05%) e Neoenergia Cosern (-0,32%), que serão aplicados a partir de 22/4.


ENERGISA. Aneel aprovou reajuste tarifário médio de 7% para Energisa Sergipe, que passa a ser aplicado a partir de 22/4.


UNIPAR venceu processo arbitral instaurado em 2022, que tramitava sob sigilo, e espera receber US$ 27 milhões da outra parte (não revelada). A empresa não forneceu mais detalhes sobre o processo em fato relevante.


ROMI encerrou o 1Tri com lucro líquido de R$ 9,9 milhões, 44,18% inferior ao lucro de um ano antes. De janeiro a março, a receita avançou 30,97% em relação ao mesmo período do ano passado, somando R$ 273 milhões.

Bankinter Portugal Matinal 1604

 Análise Bankinter Portugal


SESSÃO: Depois de termos recebido ONTEM um péssimo índice ZEW de Sentimento Económico alemão (-14,0 vs 10,0 esperado vs 51,6 anterior) e, surpreendentemente, um Empire Manufacturing menos mau do que o esperado (-8,1 vs -13,5 esperado vs -20,0 anterior; embora a componente de expectativas a 6 meses tenha caído para mínimos desde 2001: -7,4 desde +12,7), arrancamos HOJE com ASML e Nvidia em baixa.


A Nvidia estima um impacto negativo de 5.500M$ (5% do Lucro Líquido estimado para 2025) devido às restrições à exportação do seu chip H20 para a China, e caiu -6% no aftermarket (a AMD caiu -7% por contágio).


A ASML apresentou bons resultados, mas a carteira de encomendas do 1º trimestre ficou nos 3.900M$ (+8%) vs 4.890M$ esperados, e está a cair cerca de -12% no pré-mercado europeu.


Como ponto positivo, alguns dados macro… mas algo desactualizados, pois dizem respeito a março: o PIB do 1º trimestre da China manteve-se nos +5,4% vs +5,1% esperado (com fiabilidade questionável) e a inflação do Reino Unido ficou em +2,6% vs +2,7% esperado vs +2,8% em fevereiro.


Como os dados macro ainda não refletem qualquer impacto da guerra comercial (pois cobrem apenas março ou até março), o que realmente pesa hoje são Nvidia e ASML. Assim, os futuros americanos estão a cair cerca de -1,5%/-2% e os europeus caem cerca de -1,2%.


Às 13h30 saem nos EUA as Vendas a Retalho de março, que não se esperam muito fortes: +1,3% vs +0,2%, mas excluindo automóveis deverá repetir os +0,3%, e o Grupo de Controlo deverá subir +0,6% vs +1%. E às 14h15 a Produção Industrial, que deverá ser fraca (-0,2% vs +0,7%) e a Taxa de Utilização da Capacidade ligeiramente abaixo (78,0% vs 78,2%), ambas também referentes a março. Nem são bons números, nem são representativos de nada (são de março), pelo que dificilmente animarão os mercados, que deverão recuar entre -1% e -2%, tanto na Europa como nos EUA. As yields das obrigações mantêm-se praticamente inalteradas, enquanto (e isto é importante) o ouro continua a subir, impulsionado pelo agravamento das expectativas de inflação (recorde: +6,7% a 1 ano — o máximo desde 1981 — segundo o inquérito de Confiança da Univ. de Michigan da passada sexta-feira), sendo utilizado como cobertura.


CONCLUSÃO: A sessão de ontem foi melhor (ou mais ingénua) na Europa, que fechou com um claro sinal positivo, do que em Wall Street, onde foi perdendo força ao longo do dia até fechar praticamente neutra. HOJE o cenário é diferente, após 3/4 sessões aceitáveis ou quase benignas graças às supostas exceções e adiamentos na aplicação de tarifas por parte de Trump, dependendo de quantas Coca-Colas bebia por dia e do estado de espírito que elas lhe provocavam. A instabilidade está de volta... embora, na verdade, nunca tenha desaparecido, apesar de certos miragens temporárias.


S&P500 -0,2% Nq-100 +0,2% SOX +0,5% ES-50 +1,2% IBEX +2,1% VIX 30,1% Bund 2,49% T-Note 4,32% Spread 2A-10A USA=+52pb O10A: ESP 3,22% PT 3,11% FRA 3,26% ITA 3,70% Euribor 12m 2,126% (fut.1,943%) USD 1,137 JPY 161,9 Ouro 3.290$ Brent 64,0$ WTI 60,7$ Bitcoin -2,3% (83.575$) Ether -3,9% (1.575$). 


FIM

terça-feira, 15 de abril de 2025

Bankinter Portugal Matinal

 Análise Bankinter Portugal


SESSÃO: Se a suspensão temporária e/ou isenções (PCs, telemóveis, semicondutores…) das tarifas anunciadas por Trump desde quarta-feira e durante o fim de semana tivesse uma credibilidade média ou razoável para o mercado, Nova Iorque deveria ter recuperado ontem de forma mais expressiva (+2%/+3%?), e não apenas um tímido +0,8%. Por isso, a conclusão prática é que o mercado e a economia já estão fragilizados, sobretudo no plano da confiança, que é a pedra angular. Assim, Trump pode adiar ou excluir o que quiser daqui em diante (como fez seletivamente com os automóveis nas últimas horas), que isso já não terá credibilidade nem impacto positivo significativo. Este era precisamente o cenário que temíamos e a razão pela qual temos vindo a insistir na redução de riscos por um período indeterminado, por agora.


Dimon, do JPMorgan, atribui uma probabilidade de 50/50 à entrada dos EUA em recessão — semelhante ao que outras gestoras internacionais nos têm vindo a transmitir gradualmente. Salomon, do Goldman Sachs, afirma acreditar que Trump irá suavizar a sua posição e que a situação não será tão grave — declarações que devem ser interpretadas como uma tentativa de apelo direto ao próprio Trump para que reconsidere e ajuste a sua postura.


Mas os indicadores de sentimento são teimosos e transparentes. Insistimos neste ponto. O Índice de Confiança da Universidade de Michigan, divulgado na sexta-feira, foi devastador (50,8 face aos 57,0 anteriores, com o componente de expectativas de inflação a 1 ano nos +6,7%, máximo desde 1981), entre outros. E hoje, pelas 10h, será divulgado o índice ZEW alemão, que deverá literalmente colapsar para 10 face aos 51,6 anteriores. Às 12h30, sairá o índice Empire State ou NY Fed Manufacturing, que deverá manter-se em níveis miseravelmente negativos (-14,5 vs -20,0). Em paralelo, a OPEP reviu em baixa as suas estimativas de procura final de petróleo para 2025/26, e a LVMH anunciou esta manhã uma queda nas vendas orgânicas do 1T25 de -3% face a um esperado +1%, com o seu ADR a cair cerca de -6%. Os futuros americanos estão a recuar ligeiramente (-0,2%), mas tudo indica que o cenário deverá agravar-se ao longo da sessão.


CONCLUSÃO: Os indicadores avançados confirmam o agravamento do ciclo, independentemente de quaisquer adiamentos. Os resultados empresariais do 1T poderão vir como vierem (LPA esperado +6,7%), mas os guidances/projeções deverão ser suspensos, retirados ou completamente revistos — e esse será o próximo choque. Ninguém se atreve a retomar posições em ações, exceto perante um novo abalo e em níveis ainda mais baixos. Os investidores estão a comprar obrigações seguindo o padrão clássico — o que é sinal de agravamento, não de melhoria. O agravamento das expetativas de inflação está a levar à compra de ouro como proteção. E o modelo de dólar forte está, para já, esgotado. Continuamos a recomendar redução/proteção e desconfiança face a eventuais recuperações. Mesmo depois de o BCE cortar novamente as taxas de juro, o que acontecerá depois de amanhã.


S&P500 +0,8% Nq-100 +0,6% SOX +0,3% ES-50 +2,6% IBEX +2,6% VIX 30,9% Bund 2,51% T-Note 4,36% Spread 2A-10A USA=+49pb O10A: ESP 3,21% PT 3,08% FRA 3,28% ITA 3,68% Euribor 12m 2,126% (fut.1,988%) USD 1,135 JPY 162,4 Ouro 3.225$ Brent 65,0$ WTI 61,6$ Bitcoin +0,8% (85.574$) Ether +0,3% (1.640$). 


FIM

Ex diretor

 “Não estou muito animado com a Bolsa”, diz ex-BC e chairman da JiveMauá


Ex-diretor do BC recomenda Tesouro IPCA+ e debêntures isentas diante de juros altos e risco fiscal


Leo Guimarães


Para Luiz Fernando Figueiredo, ex-diretor de política monetária do Banco Central e atual presidente do conselho da JiveMauá, não há dúvidas de que o BC faz um trabalho de credibilidade no combate à inflação, mas esbarra na limitação do governo no sentido oposto, que amplia crédito e aquece a economia. Se esse cenário persistir, avalia, pode ser que o BC não consiga reduzir os juros até o final do ano.


O corte da taxa Selic é um cenário considerado possível, devido aos últimos sinais de desaceleração da economia. Mesmo assim, o juro real brasileiro (Selic descontada da inflação) ainda será “altíssimo por muito tempo”, diz o executivo em entrevista ao E-Investidor.


Por isso, Figueiredo acredita que ativos ligados à economia real deveriam ser evitados pelos investidores e que a oportunidade está na renda fixa vinculada à inflação (Tesouro IPCA+ de longo prazo), hoje com prêmios muito elevados. Debêntures isentas de longo prazo emitidas por empresas grandes, de baixo risco e em projetos de infraestrutura sólidos, também seriam um caminho a ser trilhado para não tomar riscos excessivos neste cenário de incertezas.


E-Investidor – Como o Sr. avalia o momento de mercado para a renda variável?


Luiz Fernando Figueiredo – Os ativos brasileiros sofreram muito no ano passado. A virada do ano acabou trazendo uma pequena recuperação diante da enorme piora que veio do pacote fiscal. De lá para cá, um novo governo nos Estados Unidos acabou trazendo muita incerteza e houve uma certa “fuga do dinheiro” para outros países. Houve, portanto, uma redução de posições negativas contra o Brasil, o que acabou gerando um certo alívio. É o que estamos vendo, tanto na parte de câmbio, que está depreciando quase 10% esse ano, quanto na Bolsa em dólar que está subindo mais de 15%.


Como o investidor deveria posicionar o seu portfólio no atual cenário de incerteza?


Gosto muito dos títulos que são indexados à inflação, principalmente os de médio e longo prazo, que pagam taxas mais altas. Para dar uma ideia, os títulos mais longos, o NTN 2050 (Tesouro IPCA + com vencimento em 2050) paga inflação mais 7,40%, o NTN 2032, paga 7,65%. São taxas muito altas acima da inflação. Por mais que paire todo esse risco fiscal, esses ativos estão em nível de oportunidade.


A renda variável é arriscada demais neste momento?


A Bolsa recuperou bastante esse ano, mas tenho uma certa dificuldade em comprar ações hoje porque vamos ficar com o juros altos por muito tempo. Mesmo que o Banco Central comece a reduzir no final do ano, o juro real ainda será altíssimo. O segundo ponto é que o Brasil, que cresceu nos últimos anos 3%, 3,5%, vai crescer menos de 2% nos próximos dois anos, provavelmente. Isso para ativos mais ligados à economia real, como ações, não é bom. Não estou muito entusiasmado com a Bolsa.


No fim do ano passado, havia uma discussão maior sobre o risco de dominância fiscal. Hoje, o dólar mais fraco tem ajudado o Brasil. Ainda há risco de o BC perder credibilidade da política monetária?


Eu não vejo o Banco Central na linha de decisões que reduzam a sua credibilidade. O BC está tomando decisões na linha de quem está realmente fazendo o seu trabalho. Esse é um aspecto. O segundo é, se o governo acelerar demais no fiscal, no parafiscal, soltando muito crédito e uma série de coisas nessa direção, pode atrapalhar muito. Dessa forma, os juros vão ter que ser muito altos durante muito tempo. Mas a política monetária tem os seus limites. É como tomar um antibiótico, vai até um certo ponto. Dependendo do que for, você precisa tomar outras coisas muito mais fortes. O Banco Central não está perdendo credibilidade, mas a política monetária está menos eficaz. Vejo que a política fiscal tem sido incompatível com a política monetária.


Mas tem um limite? Qual seria o ponto de não retorno?


Os últimos dados que saíram são bons (desaceleração da economia). Eles vão na direção de mais controle e não de menos controle (da inflação). Mas vai depender do que o governo vier a fazer daqui para frente. Dá um certo receio aos agentes econômicos quando o presidente fala que a economia vai crescer mais de 3% este ano. Todos sabem que, se isso acontecer, a inflação vai subir muito e o juro vai ter que ficar muito mais alto. Enquanto isso é só um discurso, vamos aguardando com o tempo. Por enquanto, existe uma série de medidas na direção oposta ao que o Banco Central está tentando fazer, mas ainda não têm uma dimensão de jogar todo o trabalho do BC por terra.



https://einvestidor.estadao.com.br/investimentos/luiz-fernando-figueiredo-nao-estou-animado-com-bolsa-ex-bc/

BDM Matinal Riscala 1504

 Terça-Feira, 15 de Abril de 2025.


*TRUMP CONFUNDE MERCADO*

Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*



… Inflação de março e índice ZEW de abril na Alemanha abrem o dia dos mercados, junto com a produção industrial na zona do euro (6h), seguidos pelo índice Empire State de atividade industrial de abril nos EUA (9h30). Ainda na agenda internacional, a expectativa com o PIB/1Tri da China no final da noite pode movimentar as commodities. Pequim também divulga produção industrial e vendas no varejo em março. Aqui, o IGP-10 de abril (8h) é o único indicador, com as atenções voltadas para o Orçamento de 2026, que será enviado hoje ao Congresso, com a meta de superávit primário de 0,25%. Mas como todos os dias, Trump e suas tarifas é que vão dar o rumo dos negócios, confundindo o mercado com tantas informações jogadas ao vento e que, a cada hora, apontam para um lado.


… Já ontem à noite, os futuros de NY voltavam a cair, mesmo as ações das techs e montadoras, após o pregão de ganhos, repercutindo o recuo nas tarifas para produtos de tecnologia e o aceno de isenção temporária para o setor automotivo.


… Os eletrônicos foram excluídos da tarifa de 125% sobre produtos chineses e dos 10% sobre importações de outros parceiros comerciais, em um anúncio sem explicações, feito pela Alfândega dos EUA na véspera do fim de semana, que surpreendeu positivamente.


… Foi claramente um recuo. Mas como Trump não seria Trump se admitisse um recuo, avisou logo que a isenção era temporária e que já estava analisando os semicondutores e toda a cadeia de suprimentos de eletrônicos para um enquadramento nas próximas tarifas.


… O secretário de Comércio americano, Howard Lutnick, antecipou que um novo pacote de taxas aos semicondutores sairia esta semana.


… Trump também colocou outro tema na roda, afirmando que a investigação avaliará o impacto de produtos e ingredientes farmacêuticos (incluindo medicamentos), numa sinalização de que está abrindo uma nova frente da guerra comercial.


… Na Bloomberg, as medidas ameaçam ampliar a guerra comercial, já que essas taxas atingiriam a indústria de chips, que movimentou mais de US$ 600 bilhões em vendas globais, e seria um golpe aos maiores fabricantes de medicamentos, incluindo Merck e Eli Lilly.


… Ao mesmo tempo, o presidente dos Estados Unidos disse que está considerando isenções temporárias para as tarifas sobre veículos e peças importadas, para dar tempo às montadoras de estabelecer a fabricação em solo americano.


… “Elas estão mudando para peças feitas no Canadá, México, e em outros lugares, e precisam de um tempo, porque passarão a fabricar aqui” disse ele aos repórteres no Salão Oval da Casa Branca, nesta 2ªF.


… Não deu mais detalhes, mas suas declarações impulsionaram as empresas do setor automotivo, como Ford e GM.


… Trump admitiu que, embora as tarifas sejam necessárias para reconstruir a indústria americana, podem acarretar aumento de preços para os consumidores e o colapso da produção. Ele impôs 25% sobre peças e automóveis importados, a partir de 3/5.


… Até o início do pregão desta 2ªF, Ford e GM acumulavam quedas de 12% e 19%, respectivamente, desde a eleição de Trump.


… Desde o anúncio de tarifas, no dia 2 de abril, o preço-alvo médio para a Ford caiu para cerca de US$ 9,40, segundo a FactSet, de quase US$ 10 e quase US$ 14, um ano atrás. O preço-alvo médio para a GM caiu para cerca de US$ 56, ante quase US$ 61.


OS CENÁRIOS DE WALLER – Dizendo que a nova política tarifária da Casa Branca é “um dos maiores choques que já afetaram a economia dos Estados Unidos em muitas décadas”, o Fed boy enfatizou que o ambiente para os negócios ainda é bastante incerto.


… Admitindo que as alíquotas são “dramaticamente maiores do que eu antecipava”, Waller disse que podem afetar significativamente a economia e o esforço que o Fed tem feito para alcançar os objetivos de levar a inflação à meta de 2% e garantir emprego máximo.


… Voz influente no Fomc, ele traçou dois cenários possíveis: 1) um de manutenção dos níveis atuais de tarifa média efetiva, em torno de 25%, que exigiria uma resposta acelerada da política monetária, e 2) outro com uma tarifa média mais branda, de 10%.


… No primeiro cenário, mais agressivo, projeta um pico da inflação próximo de 5% (anualizado), mas acredita em um efeito temporário, prevendo uma desaceleração significativa da economia no fim deste ano e um ritmo que continuaria lento no próximo ano.


… “Os preços mais altos das tarifas reduziriam os gastos e a incerteza desencorajaria os investimentos das empresas.”


… Ao esperar efeitos temporários da inflação e mais duradouros para o emprego e a produção, Waller apontou que, se a houver ameaça de recessão, “então espero defender uma redução da taxa de juros mais cedo e com maior intensidade”.


… Para ele, com uma economia em rápida desaceleração, mesmo com a inflação bem acima de 2%, o risco de recessão supera o risco de uma inflação descontrolada, “especialmente se os efeitos inflacionários das tarifas forem de curta duração”.


… No segundo cenário traçado por Waller, a tarifa de 10% para todos os produtos seria a base da tarifa média ponderada pelo comércio. Nesse caso, o efeito inflacionário seria “significativamente menor” e o pico da inflação poderia ficar em torno de 3% (anualizado).


… “Ao mesmo tempo, o fato de ainda haver aumento tarifário significa que o cenário de tarifas menores teria, sim, um efeito negativo sobre o crescimento da produção e do emprego, mas menor do que no cenário de tarifas mais altas.”


… Ou seja, a pressão para cortar os juros com base na queda da demanda diminuiria e a resposta do Fed permitiria mais paciência.


DEUTSCHE BANK – Waller adota um tom menos conservador do que a maioria dos Fed boys tem adotado, inclusive Jerome Powell, que já não acredita mais no caráter “transitório” da inflação e insiste que não é preciso pressa para mexer nos juros.


… Da mesma forma, o Deutsche Bank projeta que o Fed irá cortar os juros apenas em dezembro, com uma única redução de 25pbs. Isso porque os analistas do banco acreditam que o Fomc se preocupará mais com seu mandato sobre o mercado de trabalho.


… “Esperamos que o Fed inicie cortes de juros em dezembro, seguidos de mais dois cortes de 25pbs no 1Tri de 2026, o que levará a taxa dos Fed Funds para a faixa de 3,5%–3,75%, consistente com nossa visão de taxa neutra”, disseram em relatório.


… É uma visão mais pessimista do que a de Waller e da maioria do mercado, considerando que a ferramenta FedWatch do CME mostra uma chance de 32,7% de três cortes do juro até dezembro, enquanto 29,1% apontam para a probabilidade de quatro cortes.


INFLAÇÃO NOS EUA – As expectativas de inflação nos EUA para daqui a um ano subiram para 3,6% em março, contra 3,1% em fevereiro, segundo pesquisa do Fed/NY, divulgada nesta 2ªF. Para três anos, as expectativas permanecem em 3% e, para cinco anos, em 2,9%.


… O sentimento dos consumidores sobre a situação financeira para os próximos 12 meses piorou em março; a proporção de famílias que esperam estar em uma condição pior daqui a um ano subiu para 30%, o nível mais alto desde outubro de 2023.


… Já a probabilidade média de perder o emprego nos próximos 12 meses subiu 4,6pps, para 44,4%, maior valor desde abril de 2020.


PRECATÓRIOS – O governo Lula terá que desembolsar cerca de R$ 115 bilhões com precatórios no Orçamento/2026, segundo estimativas preliminares da equipe econômica. O número oficial só será conhecido no final do mês.


… O tema dos precatórios voltou ao radar do governo, já que a partir de 2027 todo o gasto com sentenças judiciais passa a ser computado de forma integral como despesa primária. Como as estimativas estão em alta, essa é uma das maiores preocupações fiscais.


… O valor dos R$ 115 bilhões foi antecipado nesta 2ªF pela Folha e confirmado pelo Valor.


… Para este ano, está previsto o pagamento de R$ 102,3 bilhões em sentenças judiciais (precatórios e requisições de pequeno valor), dos quais R$ 52,7 bilhões estão fora dos limites de despesa e da meta fiscal a partir da decisão do STF.


… A equipe econômica já discute alternativas e não descarta voltar ao Supremo Tribunal para pedir mais prazo e manter uma parte desses gastos fora dos limites de despesa e da meta fiscal. O último ano deste “waiver” dado pelo STF é 2026.


ISENÇÃO DO IR –A compensação fiscal referente à atualização da tabela do Imposto de Renda da Pessoa Física realizada nesta 2ªF já está prevista no projeto de lei que isenta quem ganha até R$ 5 mil mensais, informou o Ministério da Fazenda.


… A atualização terá impacto de R$ 3,29 bilhões em 2025, R$ 5,34 bilhões em 2026 e R$ 5,73 bilhões em 2027.


… A Fazenda afirmou que, apesar de a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) “não exigir medida compensatória quando se trata da tabela” do IRPF, a compensação será feita “globalmente” para os três anos por meio do PL 1087/2025.


… A MP, publicada no Diário Oficial da União (DOU), elevou de R$ 2.259,20 para R$ 2.428,80 o limite mensal para a isenção do IRPF, além de mudanças nas outras faixas, o que garante que nenhum rendimento até dois salários mínimos seja tributado a partir de maio.


MAIS AGENDA – Galípolo terá reuniões com os CEOs do Nubank (9h) e do Santander (13h30). Lá fora, o Fed boy Thomas Barkin fala às 12h35. Logo cedinho (5h), a AIE divulga relatório mensal sobre o mercado de petróleo.


CARPE DIEM – Antes que seja tarde e Trump volte a esticar a corda, os mercados globais se apressam a aproveitar os recuos temporários na guerra comercial, enquanto o Fed tenta manter os negócios funcionais.


… O investidor gostou ontem dos comentários de Christopher Waller, que cogitou a chance de um ciclo de corte de juros mais intenso e de antecipar um relaxamento, caso Trump se torne ainda mais agressivo do que já está.


… Para Waller, ao contrário de outros Fed boys, o risco de recessão supera o de inflação crescente. Na sua visão, os cortes seriam justificados, mesmo que os impostos sobre importações causem alta repentina na inflação.


… A segurança de que o Fed está a postos, combinada ao passo atrás de Trump, com a retirada temporária dos smartphones, computadores e autopeças da lista de tarifas recíprocas contra a China, animou o mundo.


… O Ibovespa recobrou os 129 mil pontos junto com o ânimo nas bolsas de NY, o dólar voltou à faixa de R$ 5,85 e os juros futuros acompanharam o alívio no câmbio e o movimento de queda dos rendimentos dos Treasuries.


… Em ganho firme de 1,39%, o índice à vista da bolsa doméstica chegou aos 129.453,91 pontos, com giro de R$ 21,5 bilhões. Vale (ON, +1,30%, a R$ 54,36) subiu bem mais do que o minério de ferro na China (+0,28%).


… Os papéis dos bancos também foram bem. Itaú registrou valorização de 1,63% (R$ 32,33); Bradesco ON, +1,61% (R$ 11,36); Santander, +1,24% (R$ 26,95); BB, +0,97% (R$ 28,07); e Bradesco PN, +0,87% (R$ 12,73).


… A falta de força da Petrobras (ON, +0,21%, a R$ 33,99; e PN, -0,38%, a R$ 31,73) não abalou a bolsa. O Brent fechou de lado (+0,18%, a US$ 64,88), dividido entre alívio de Trump e projeção de menor demanda pela Opep.


… A maior valorização do dia no Ibovespa foi das ações da Azul (+12,33%), depois de a companhia ter anunciado que vai realizar uma oferta de ações que pode movimentar até R$ 4,1 bilhões.


… Sem desperdiçar a janela do menor protecionismo americano, as bolsas em NY emplacaram nova rodada de alta: Dow Jones, +0,78% (40.524,79 pontos); S&P 500, +0,79% (5.405,97 pontos); e Nasdaq, +0,64%, (16.831,48).


… A Apple, que produz entre 80% e 90% dos iPhones na China, escalou 2,21% com a reviravolta de Trump.


… Os rendimentos dos Treasuries acentuaram o ritmo de queda à tarde, quando Waller (Fed) melhorou ainda mais o clima entre os investidores e derrubou a taxa da Note de 10 anos para 4,384%, contra 4,494% na véspera.


… A nova mudança de rota de Trump também foi refletida em queima de prêmio de risco na curva do DI.


… O contrato de juro para Jan/26 caiu a 14,695% (contra 14,725% na sessão anterior); Jan/27, a 14,165% (de 14,310%); Jan/29, a 14,025% (14,225%); Jan/31, a 14,310% (14,500%); e Jan/33, a 14,410% (de 14,590%).


… O boletim Focus não trouxe mudanças nas projeções de inflação ou para Selic. A expectativa de crescimento do PIB melhorou ligeiramente, de 1,97% para 1,98% em 2025, e de 1,60% para 1,61% em 2026.


… Confiantes, economistas da XP acreditam que os novos empréstimos consignados privados devem adicionar 0,6pp ao PIB doméstico e fornecer um “amortecedor significativo” contra a desaceleração econômica.


… Como os demais mercados, o câmbio relaxou com a decisão da Casa Branca de ceder em parte do protecionismo tarifário contra a China. O dólar à vista fechou em baixa de 0,33%, cotado a R$ 5,8512.


… No noticiário doméstico, a balança comercial registrou superávit de US$ 1,60 bilhão na segunda semana de abril. No mês, o saldo está positivo em US$ 3,19 bilhões e, no acumulado do ano, totaliza US$ 13,17 bilhões.


… As turbulências de Trump têm posto em xeque a dominância do dólar. “Já não é exagero afirmar que o status de moeda americana está, ao menos em parte, sob questionamento”, observa profissional da Capital Economics.


… Ele chama a atenção para a “incerteza extrema” em torno da política econômica de Washington, para as “distorções contínuas” no mercado de Treasuries dos EUA e “erosão da confiança” nos mercados americanos.


… No contexto da verdadeira montanha-russa de emoções nos negócios, o dólar vem num jogo de perde-perde. Cai quando tudo vai mal e cai também quando o investidor reduz o apelo defensivo, como aconteceu nesta 2ªF.


… O índice DXY, termômetro do dólar contra outras seis moedas fortes, recuou 0,46%, para 99,640 pontos. O iene (143,00/US$), o euro (US$ 1,1370) e a libra esterlina (+0,73%, a US$ 1,3198) levaram a melhor.


… No primeiro dia de flexibilização das medidas cambiais pelo governo Milei, o peso argentino disparou 6,55% e fechou negociado a 1.285,00/US$. O novo regime cambial eliminou restrições para compra de dólares no país.


EM TEMPO… PETROBRAS informou que acionistas que detêm, em conjunto, mais de 5% do capital da companhia solicitaram que a eleição do Conselho de Administração seja feita por voto múltiplo; pleito será realizado em AGO amanhã.


CARREFOUR BRASIL informou que a acionista Península vendeu toda sua fatia de 4,9%, poucos dias antes da assembleia geral que votará proposta para fechar o capital da subsidiária brasileira.


ASSAÍ. Vice-presidente de Finanças e de RI, Vitor Fagá, apresentou pedido de renúncia ao posto…


… Aymar Giglio Jr., diretor de Tesouraria, assumirá as funções de vice-presidente de Finanças não estatutário até o fim do processo de seleção do novo executivo…


… Conselho de Administração elegeu o atual diretor-presidente da varejista, Belmiro Gomes, para a posição estatutária de diretor de RI interinamente.


ITAÚ lançou pagamento recorrente com Pix, se antecipando ao prazo estabelecido pelo BC (junho); neste primeiro momento, solução estará disponível só para empresas e pessoas físicas que são clientes do banco.

Simon Schwartzman