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*Bolsa, NTN-B longa e fundos de crédito estruturados entre as preferências dos gestores*
_Ativos são alternativa para cenário global marcado por tensões geopolíticas e incertezas econômicas derivadas da guerra no Irã_
Por Adriana Cotias, Valor — São Paulo
Em um cenário global marcado por tensões geopolíticas e incertezas econômicas derivadas da guerra no Irã, gestores de recursos apontaram as suas preferências de alocação, ao participarem de evento da Fami Capital nesta sexta-feira, 6.
Bruno Funchal, ex-secretário do Tesouro Nacional e hoje à frente da Bradesco Asset Management, disse ver muito valor das Notas do Tesouro Nacional série B (NTN-B) indexadas à inflação "bem longas", com vencimento em 2050 para frente. "Se não for agora [a redução do prêmio de juros e consequente valorização do papel] vai ser depois", afirmou.
Com as taxas travadas acima de 7% ao ano, qualquer diminuição da taxa real pode trazer um ganho de capital expressivo, argumentou. "Se voltar de 7% para 4% já é um caminhão de dinheiro." Na bolsa brasileira, ele apontou que vale a pena ter dinheiro em bons gestores que podem se apropriar de papéis que estão ainda baratos.
A bolsa brasileira passou muito tempo "esmagada" e está vivendo o começo de um longo "reprice" (reavaliação), segundo Guilherme Abbud, CEO da Persevera. "Obviamente que não é assim [em linha ascendente], é cheio de vai-e-volta, mas que a gente acha que vai durar alguns anos."
Walter Maciel, CEO da AZ Quest, sugeriu um bom colchão em títulos isentos para colocar uma fatia de 15% a 20% do patrimônio em bolsa, em empresas que tenham "beta" grande, com potencial de valorização acima da média do mercado, "se o Brasil virar".
"Eu sou construtivo com bolsa brasileira e com as eleições e as ações estão muito barata", disse Maciel, sinalizando a crença de que um nome mais comprometido com o equilíbrio fiscal tenha chances de vencer a sucessão presidencial. "Petrobrás, Banco do Brasil, por motivos óbvios, são estatais; a XP, a B3, que vão pegar uma maior profundidade no mercado financeiro, Localiza, que vai ter um custo operacional muito menor", listou. O executivo observou que Vale, uma das preferidas do capital estrangeiro, teve um desempenho quatro vezes maior que o Ibovespa nos últimos oito meses.
"O dinheiro que entrou na bolsa foi só de gringo e ele entra nas 'blue chips' [nas empresas de maior capitalização na ]", afirmou Maciel. Ele acrescentou que as menores seguem extremamente descontadas.
Alexandre Cruz, CEO da JiveMauá, disse que o ativo no qual não está hoje é no crédito "high grade" isento, de melhor qualidade, que esteja abaixo do CDI só porque não paga imposto. "Não vale o prêmio porque o juro é alto há muito tempo", afirmou. "Se você não vai receber um prêmio acima do CDI e está abrindo mão de liquidez, emprestando dinheiro até 2038 por uma empresa que não sei se vai ser afetada pela IA [inteligência artificial], e esse é o dinheiro mais seguro que você tem... eu não estou colocando meu dinheiro de renda fixa em incentivadas em que o spread esteja para baixo."
Mesmo na hipótese de a guerra durar mais tempo e os preços do petróleo permanecerem altos, bagunçando o quadro macroeconômico global, Cruz acha que a Selic vai na direção dos 12% ao ano, dos 15% atuais, porque nas contas do mercado o intervalo da meta de inflação será atingido. Ele prefere fundos estruturados e de retorno absoluto, emprestando para empresas que tenham boas razões para tomar dinheiro pagando um prêmio acima do CDI. "Fundo estruturado é um fundo que seleciona empresas que têm margem grande e que têm uma razão para alongar a dívida, está trocando uma dívida que não consegue pagar pelo prazo."
Cruz disse também estar com uma série de fundos imobiliários na carteira porque à medida que o BC baixar um pouco os juros, eles vão pegar um período muito bom de financiamento de produtos ligados à logística, ao comércio eletrônico até aqueles que ficaram mais de lado como residencial e de lajes corporativas.
Maciel, da AZ Quest, acrescentou que a infraestrutura ligada à Inteligência Artificial tende a trazer bons resultados. Abud, da Persevera, por sua vez, disse valer ter uma parcela, mínima que seja, em bitcoin. "Tenha um pouquinho. Vai que é verdade que esse ativo vai revolucionar o mercado monetário."
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