quinta-feira, 24 de abril de 2025

Estadão

 Coluna do Estadão: Escândalo do INSS faz base de Lula temer CPI e 'marca da corrupção'

22:40 23/04/2025 


A segunda baixa no alto escalão do governo em duas semanas por suspeita de mau uso de dinheiro público levou auxiliares do presidente Lula a temer que a oposição emplaque uma CPI e cole no Planalto a “marca da corrupção”. O presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, foi demitido nesta quarta-feira, 23, por suposta participação em uma fraude de R$ 6,3 bilhões por descontos indevidos em benefícios de aposentados. Horas antes, a Justiça já havia determinado seu afastamento do cargo e a Polícia Federal visitara seu apartamento funcional, onde apreendeu seu celular. A operação envolveu 700 policiais em 14 unidades da Federação. Stefanutto tentou ficar no comando da instituição, mas, após ordem de Lula para sair, se demitiu e disse a aliados que vai se defender.


LARGADA. O deputado Coronel Chrisóstomo (PL-RO) começou nesta quarta mesmo a coletar assinaturas para a abertura da CPI do INSS na Câmara. São necessários 171 apoios para protocolar.


PÓLVORA. Segundo uma liderança da base governista no Senado ouvida pela Coluna, o Planalto “apaga um fogo e surge outro”. O receio é que a população volte a associar os mandatos petistas à corrupção - o PT já carrega o histórico do mensalão e do petrolão, que incluiu a prisão de Lula.


ABRIL VERMELHO. A ofensiva bolsonarista sobre o escândalo do INSS aproveita um momento delicado para o governo: megaoperação da PF, demissão de Juscelino Filho do Ministério das Comunicações após denúncia da Procuradoria-Geral da República, queda livre na popularidade de Lula e avanço no Congresso do projeto de lei da anistia aos condenados pelos atos do 8 de Janeiro. Tudo isso neste mês.


RÉDEA. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, entrou em cena e garantiu que o Ministério das Comunicações fique com o União Brasil, apesar da irritação do Planalto com a recusa do líder do partido, Pedro Lucas Fernandes. O senador indicou para a pasta o presidente da Telebras, Frederico de Siqueira Filho, nome fora do Congresso.


DEPENDÊNCIA. Aliados de Lula dizem que ele não tem condições de “brigar com o Davi” porque precisa do senador para ter governabilidade. Só restou ao presidente aceitar a indicação.


MOTIVO. Ao rejeitar o convite de Lula, Pedro Lucas fez também um cálculo político regional. Ele não quis ficar na “rebarba” de Juscelino Filho. Os dois são rivais no Maranhão, e a comparação entre as gestões seria inevitável. Enquanto o ex-ministro teve mais de dois anos para fazer entregas, o deputado teria menos de um, dizem aliados.


INVESTIMENTO. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, sancionou nesta quarta lei que autoriza a concessão do sistema de Travessias Hídricas para a iniciativa privada, como antecipou a Coluna. A expectativa é de gerar R$ 1 bilhão em recursos para modernizar o serviço de transporte por balsas e embarcações.


PROTOCOLO. A Comissão Eleitoral da Fiesp confirmou nesta quarta a composição da chapa única encabeçada por Paulo Skaf, com outros 131 nomes entre vices, diretores e conselheiros. A votação, em agosto, definirá a diretoria para o quadriênio 2026-2029.


PRONTO, FALEI!

Tereza Cristina

Senadora (PP-MS)

“Desde 2023, tenho dito que o arcabouço fiscal não se sustentaria. O resultado está aí: o ‘déficit zero’ previsto para o Orçamento de 2026 é uma ficção!”


CLICK

Sóstenes Cavalcante

Líder do PL na Câmara

Com Caroline de Toni (PL-SC) e outros deputados durante vigília em frente ao hospital onde o ex-presidente Jair Bolsonaro está internado, em Brasília

quarta-feira, 23 de abril de 2025

Estatais x eficiência

 https://www.iclipping.com.br/noticia/151/15548033


**Resumo:**


Mais de 30 anos após o início das privatizações, o governo federal ainda controla **44 estatais** e suas **78 subsidiárias**, totalizando **122 empresas**, que atuam em setores estratégicos como petróleo, bancos, logística, comunicações e saúde. Entre elas estão gigantes como a **Petrobras** e os **Correios**, além de empresas deficitárias ou pouco operacionais.


O governo Lula, defensor das estatais por seu suposto papel “estratégico”, enfrenta críticas por **aparelhar politicamente suas estruturas**. Levantamento mostra que cargos nos conselhos de administração têm sido distribuídos a **aliados sem qualificação técnica**, repetindo práticas fisiológicas e comprometendo a gestão.


Em 2023, o governo conseguiu **afrouxar as exigências da Lei das Estatais** — criada em 2016 após escândalos como o da Petrobras — por meio de liminar do então ministro do STF **Ricardo Lewandowski**, hoje ministro de Lula. A lei foi posteriormente mantida pelo STF, mas as nomeações políticas permaneceram.


O controle das estatais também permite ao governo influenciar **fundos de pensão**, como a **Previ**, que enfrenta **déficit de R$ 17,7 bilhões** e está sob auditoria do TCU.


A permanência dessas empresas sob controle estatal, sem gestão técnica e com **loteamento político**, contrasta com casos de **privatizações bem-sucedidas**, como **Embraer, Vale e telefonia**, esvaziando o argumento da "estratégia nacional" e revelando problemas estruturais no modelo atual.

BDM Matinal Riscala 2304

 Quarta-feira, 23 de Abril de 2025.


*E TRUMP RECUA*

Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*


… Veio bem pior que o esperado o balanço da Tesla, ontem à noite, mas a ação chegou a disparar quase 8% no after hours, enquanto Elon Musk prometia aos investidores reduzir a “um ou dois dias por semana” seu trabalho no governo americano a partir de maio, para se dedicar à sua empresa. O after market em NY também foi positivamente influenciado por declarações de Trump no final da tarde, quando desmentiu qualquer intenção de demitir Powell e sinalizou que pode ceder nas tarifas à China. “Não pegaremos pesado com eles.” Na agenda de hoje, uma bateria de índices PMI da atividade global mede a atividade global, inclusive nos EUA, onde também será divulgado o Livro Bege do Fed, que servirá de base para a próxima reunião de política monetária (07/05). No Brasil, não há indicadores previstos.


… Em conversa com os jornalistas no Salão Oval, Trump disse que, apesar de sua frustração pelo Fed não ter agido mais rapidamente para cortar os juros, não tinha intenção de demitir o presidente do BC americano, Jerome Powell.


… “A imprensa espalha. Não tenho intenção de demiti-lo. Gostaria de vê-lo um pouco mais ativo em sua ideia de reduzir as taxas de juros.”


… Trump fez ataques duros contra Powell nos últimos dias, chamando-o de “senhor sempre atrasado”, enquanto corriam especulações de que ele e sua equipe buscavam uma maneira de tirá-lo do comando do Fed antes de expirar seu mandato, em 2026.


… O diretor do Conselho Econômico Nacional de Trump, Kevin Hassett, chegou a admitir a repórteres na 6ªF que Trump estava estudando a questão se ele poderia demitir Powell, após uma série de postagens do presidente nas redes sociais e comentários públicos.


… O presidente dos Estados Unidos reclamou repetidamente que o Fed não estava cortando as taxas de juros com rapidez suficiente.


… No Truth Social, Donald Trump escreveu que “a demissão de Powell pode não vir rápido o suficiente”, abalando os mercados, que já são fortemente atingidos pelas incertezas com a política tarifária. As críticas tiveram repercussão muito negativa.


… Foi unânime a avaliação de que ferir a independência do Fed provocaria ainda mais estragos do que as próprias tarifas, com o dólar em queda livre perdendo status de reserva de valor e uma liquidação dos Treasuries, considerados os ativos mais seguros do mundo.


… Depois de um pregão de risk-off na 2ªF, Trump passou o dia em silêncio e um comentário do secretário do Tesouro, Scott Bessent, deu a senha para a recuperação dos mercados, ao sinalizar para um acordo comercial em breve com a China.


… Em um evento fechado à imprensa, Bessent classificou o impasse tarifário como “insustentável”, afirmando que os dois lados teriam de encontrar uma maneira de apaziguar a situação. A notícia apurada pela Bloomberg virou o humor dos investidores (leia abaixo).


… Trump também mudou a conversa sobre a China na entrevista coletiva na Casa Branca, dizendo que as tarifas finais sobre a China não chegariam “nem perto” dos 145%, que seria “muito gentil” e que não vê necessidade de “jogar duro” com os chineses.


… Pouco antes, a secretária de imprensa, Karoline Leavitt, tinha dito que os acordos comerciais estão avançando e que “a bola estava indo na direção certa com a China”, enquanto o site Politico antecipava negociações positivas com o Japão e a Índia.


… Leavitt disse ainda que 18 países apresentaram ofertas comerciais e que a equipe do governo americano se reunirá com 34 países nesta semana. Para jornalistas que cobrem a Casa Branca, a ânsia em demonstrar progresso nos acordos comerciais ficou evidente.


… À noite, a Reuters apurou com fontes que Trump e Xi Jinping se encontrarão no início de maio.


AS PROJEÇÕES DO FMI – Prosseguem em Washington as reuniões do Fundo Monetário Internacional e Banco Mundial, que movimentam noticiário econômico extenso. Nesta 3ªF, relatório do FMI reduziu a previsão de crescimento global para este ano de 3,3% para 2,8%.


… O documento aponta que as incertezas provocadas pelas tarifas dos EUA motivaram a revisão em baixa, mas, segundo o FMI, os índices seguem ainda muito acima dos níveis de recessão. Para 2026, a projeção do PIB global recuou de 3,3% para 3%.


… Para os Parte inferior do formulário


EUA, a guerra comercial provocará um choque de oferta que elevará os preços e afetará a produtividade, afirmou o FMI, e para os parceiros comerciais, as tarifas mais altas se traduzirão em um choque de demanda que afetará a produção e os preços.


… Embora os Estados Unidos “provavelmente evitem uma recessão este ano”, o FMI aumentou as chances de 27% em outubro para 40%.


… A previsão é de que os EUA cresçam 1,8% este ano e 1,7% em 2026, uma redução de 0,9 e 0,4 ponto percentual, respectivamente. O FMI aumentou sua previsão para a inflação dos EUA em 2025 em cerca de um ponto percentual, para 3%.


… Já a projeção para a China é de um crescimento de 4% neste ano e no próximo, queda de 0,6 e 0,5 ponto percentual. Segundo o FMI, a política fiscal expansiva de Pequim contribuirá para amenizar o impacto das tarifas.


… O Fundo ressalva que as perspectivas de crescimento mundial melhorariam imediatamente se as tensões comerciais se acalmassem e as reclamações de longa data sobre barreiras não tarifárias e medidas de distorção comercial de alguns países fossem abordadas.


CHRISTINE LAGARDE – Em entrevista à CNBC, a presidente do BCE, que está em Washington para as reuniões do FMI, descartou o risco de recessão na Zona do Euro, embora tenha reconhecido o impacto “bem prejudicial” das tarifas no crescimento do bloco.


… Lagarde também afirmou que tem “completa certeza de que há espaço para negociar tarifas” com os Estados Unidos e comentou sobre a valorização do euro, contrariando as projeções iniciais que mostravam o dólar se fortalecendo. “Não foi o que aconteceu.”


… Para o vice do BCE, Luis de Guindos, o euro pode se tornar uma alternativa ao dólar como reserva de valor.


… Falando a estudantes em Madri, ele afirmou que isso ainda não é possível, mas poderá ser em “alguns anos”. “Se ocorrer um processo de integração adicional na Europa, estou convencido de que o peso do euro aumentará globalmente.”


GALÍPOLO – O presidente do BC embarcou ontem à noite para os Estados Unidos, onde participará das reuniões do FMI e do BIRD.


HADDAD – O ministro da Fazenda participa, às 9h30, de evento promovido pela CNN Brasil, em Brasília.


LULA – Deve comparecer hoje a um jantar com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), e líderes da Casa, dias depois de a bancada do PL ter protocolado o requerimento de urgência para o projeto de anistia aos presos pelos atos golpistas de 8 de janeiro.


… Segundo apurou o Valor com assessores próximos, Lula tentará convencer os parlamentares a abandonarem essa medida.


… O presidente viaja amanhã à noite para acompanhar o funeral do Papa Francisco em Roma, no sábado. Foram convidados para integrar a comitiva os presidentes da Câmara, Hugo Motta, do Senado, Davi Alcolumbre, e do STF, Luis Roberto Barroso.


BALANÇOS – Divulgam resultados hoje em NY: Philip Morris, IBM, AT&T, ServiceNow, Thermo Fisher, Texas Instruments, NextEra Energy, Boston Scientific, Boeing, CME Group, GE Vernova, Lam Research, O’Reilly Automotive, General Dynamics, Chipotle, Newmont…


… E ainda: Waste Connections, Norfolk Southern, Vertiv Holdings, FirstEnergy, Teradyne, Alaska Air, Meritage Homes e Whirlpool.


TESLA – Apesar de a empresa ter reportado resultado trimestral fraco, o comentário de Musk de que pretende reduzir “significativamente” seu trabalho no governo Trump garantiu rali de 5,39% à ação no after market.


… O lucro líquido da montadora caiu 71% no 1Tri, enquanto a empresa enfrenta dificuldades para lidar com a pressão da concorrência no exterior e os impactos de reputação causados pela atuação política de Musk.


… O lucro ajustado por ação, de US$ 0,27, veio muito abaixo das expectativas dos analistas, de US$ 0,41. A receita da Tesla, de US$ 19,3 bilhões, registrou queda de 9% em comparação com um ano antes.


… Ainda no after hours, os papéis da Intel subiram 2% com a informação de fontes da Bloomberg de que a companhia pretende anunciar planos esta semana para cortar mais de 20% de seu quadro de funcionários.


B3 – No Brasil, tem Hypera, antes de Vale e Usiminas amanhã (5ªF).


MAIS AGENDA – O BC solta o fluxo cambial semanal (14h30). Lá fora, antes do Livro Bege (15h), saem as leituras preliminares de abril do PMI/S&P Global composto nos EUA (11h45), Alemanha (4h30) e zona do euro (5h).


… Nos EUA, saem também as vendas de moradias novas em março (11h) e estoques de petróleo (11h30).


… Ainda nesta 4ªF, falam Austan Goolsbee, do Fed/Chicago (10h), e o diretor do Fed Christopher Waller (10h30).


JAPÃO HOJE – O PMI/S&P Global composto subiu de 48,9 em março para 51,1 em abril e voltou ao território de expansão. O PMI industrial avançou de 46,6 para 48,9 no período e o PMI de serviços foi de 50,0 para 52,2.


O IMPÉRIO CONTRA-ATACA – Se não surgir nenhuma nova bomba, NY pode estender o otimismo na abertura dos negócios hoje, agora que Trump dá sinais de que pode parar de comprar (pelo menos) uma briga por dia.


… Abaladas nos últimos tempos pela forte turbulência nos EUA e cansadas de tanto sofrer, as bolsas em NY não desperdiçaram ontem a chance de correr atrás do prejuízo, aproveitando que Trump ficou de boca fechada.


… Testando uma recuperação parcial depois dos tombos recentes, o Dow Jones subiu 2,66%, aos 39.186,98 pontos; o S&P 500 avançou 2,51%, aos 5.287,76 pontos; e o Nasdaq teve alta de 2,71%, aos 16.300,42 pontos.


… A reação positiva conseguiu reerguer o dólar lá fora, que tem estado tão fragilizado pelos impactos do tarifaço e pela batalha particular de Trump contra Powell, nos ataques que ameaçam custar a credibilidade do Fed.


… Depois de ter atingido a mínima em três anos um dia antes, a moeda americana recobrou ontem parte da sua dominância. O índice DXY, que mede a força do dólar, registrou alta de 0,65%, para 98,918 pontos.


… Diante do maior apetite por risco, o investidor reduziu o apelo por ativos seguros como o iene, que desvalorizou para 141,53/US$. O euro afundou 0,90%, para US$ 1,1430, e libra esterlina caiu a US$ 1,3338.


… Outra prova de que o mundo conseguiu dar uma relaxada veio do comportamento do ouro, que caiu 0,17%, a US$ 3.419,40 por onça-troy, depois de ter ultrapassado mais cedo, pela primeira vez, a marca de US$ 3.500.


… Por aqui, o Ibovespa não conseguiu acelerar tanto quanto as bolsas em NY, mas a alta de 0,63% foi suficiente para resgatar os 130 mil pontos (130.464,38). O giro fraco de R$ 18,3 bilhões continuou denunciando a cautela.


… Também a forte retirada de R$ 1,1 bi da B3 pelos investidores estrangeiros na 4ªF passada (dia 16) revela o quanto os ruídos da política tarifária têm impactado os nervos. Em abril, o fluxo está negativo em R$ 10,8 bi.


… Vale, que solta balanço amanhã, ganhou 1,78%, a R$ 53,82. Já Petrobras decepcionou (ON caiu -0,54%, a R$ 32,99, e PN subiu só 0,23%, a R$ 30,92), descolada da alta firme do petróleo Brent (+1,78%; US$ 67,44).


… O barril foi sustentado pelas novas sanções dos EUA contra as exportações de petróleo iraniano e pelo sentimento positivo de que a tensão comercial de Trump com a China pode estar em um ponto de virada.


… Os papéis dos bancos fecharam mistos. Bradesco ON caiu 0,53%, a R$ 11,36, e Bradesco PN perdeu 0,39%, a R$ 12,73. No lado positivo, Itaú subiu 1,95% (R$ 33,39); BB, +1,28% (R$ 27,78); e Santander, +0,64% (R$ 26,90).


… O salto de quase 2% do petróleo, que favorece as moedas de países produtores da commodity, como é o caso do Brasil, ajudou o dólar à vista a furar os R$ 5,75 e fechar em queda consistente de 1,32%, cotado a R$ 5,7278.


… Foi o menor valor de fechamento desde o “Dia da Libertação” (3/4), quando Trump anunciou o tarifaço.


… Na curva do DI, as taxas da ponta longa subiram, puxadas pela expectativa com o leilão extraordinário de NTN-Bs de longo prazo que o Tesouro fará hoje. Outro driver de alta veio do tom conservador de Galípolo.


… Em audiência pública na CAE do Senado, ele apontou desancoragem em todos os vértices das metas de inflação, reforçando a convicção de que o Copom subirá o juro em meio ponto em maio e que pode ir além.


… As boas notícias do Focus foram ofuscadas. A estimativa para o IPCA em 12 meses à frente caiu abaixo de 5%, a 4,95% (de 5,01%), e a mediana para 2025, que vinha engessada há três semanas, recuou de 5,65% para 5,57%.


… No fechamento, o DI para Jan/29 subiu para 14,080% (de 14,030%); e o Jan/31 avançou a 14,390% (de 14,280%). Os juros curtos ficaram de lado: Jan/26, a 14,720% (de 14,745%); e Jan/27, a 14,185% (de 14,210%).


… Lá fora, o rendimento da Note de 10 anos assumiu leve queda, a 4,407%, contra 4,414% na véspera.


EM TEMPO… JBS anunciou mais um avanço em seu processo de dupla listagem…


… Com pedido aprovado pela SEC, o Conselho de Administração convocou para 23/5 a AGE que vai decidir se a empresa terá papeis negociados na NYSE e na B3…


… Operação também depende da aprovação da CVM; J&F e BNDESPar, os dois principais acionistas em volume de papeis, vão se abster de votar, o que deixará a decisão a cargo de detentores de pouco mais de 30% do free float…


… Caso a proposta seja aprovada pela assembleia, a companhia estima o início da oferta das ações no mercado americano a partir de junho.


GPA. Grupo de acionistas que detém fatia de 1,79% da companhia indicou Rodolfo Costa Neves Francisco como candidato para eleição do Conselho de Administração, na AGE de 5/5.


EMBRAER encerrou o 1Tri com carteira de pedidos avaliada em US$ 26,4 bilhões, alta de 25% na comparação anual; patamar foi o maior na história da companhia, superando o recorde de US$ 26,3 bilhões apresentado no 4TRI24…


… Empresa entregou 30 aeronaves no 1TRI25, resultado 20% acima do registrado no mesmo trimestre do ano passado, quando 25 aviões foram entregues.


RD SAÚDE aprovou a distribuição de dividendos adicionais no valor de R$ 104 milhões, o equivalente a R$ 0,0607 por ação, com pagamento até 30/5; ex em 30/4.


VIVARA aprovou a distribuição de R$ 155,1 milhões em dividendos, o equivalente a R$ 0,6601 por ação, com pagamento até 22/5; ex em 23/4.


ALLOS informou que valor a ser distribuído por ação a título dos dividendos intercalares anunciado em 14/3 foi alterado, devido ao programa de recompra de ações da companhia…


… Com a mudança, valor bruto a ser pago por papel passou a ser de R$ 0,1016, contra R$ 0,1015 antes; pagamento será efetuado em 6/5.


AGROGALAXY registrou prejuízo líquido ajustado de R$ 292,4 milhões no 4TRI, ante lucro líquido ajustado de R$ 107,9 milhões no mesmo período do ano anterior…


… Ebtida ficou negativo em R$ 206,3 milhões, ante Ebitda positivo em R$ 281,7 milhões um ano antes.

Bankinter Portugal Matinal 2304

 Análise Bankinter Portugal


SESSÃO: Após o sell-off americano de segunda-feira, subida intensa ontem em Nova Iorque. Os futuros vêm em alta, porque Trump mostra o lado bom da sua ciclotimia e diz o contrário do que disse há umas horas: que não tem intenção de despedir Powell (Fed) e que a escalada exorbitante de impostos alfandegários com a China irá diminuir “substancialmente” de imediato. Bessent (Tesouro) alinha-se com a sua bipolaridade ao comentar algum alívio na guerra comercial com a China, embora acrescente que será um “trabalho duro”. Musk afirma que reduzirá o tempo dedicado ao DOGE para se focar mais em Tesla e Space X; é provável que, após comprovar que o seu apoio a Trump deixou Tesla na metade da sua capitalização face a dezembro de 2024, afirme não saber de nada. O petróleo aumenta pela aplicação de novas sanções dos EUA ao Irão no meio das suas negociações para controlar o seu programa nuclear, e anunciar ontem à noite uma redução dos stocks semanais de petróleo americano (-4,56M b. vs. -0,77M b. esperados). 


Ontem, a Confiança do Consumidor UE saiu pior do que o esperado (-16,7 vs. -15,1 vs. -14,5 anterior), igual ao Índice de Atividade Industrial da Fed de Richmond nos EUA (-13 vs. -7 vs. -4 anterior). E o FMI publicou estimativas do PIB 2025/26 severamente revistas em baixa: Mundo +2,8%/+3,0% desde +3,3%/+3,3%; EUA +1,8%/+1,7% desde +2,7%/+2,1%; UE +0,8%+1,2% desde +1,0%/+1,4%; Espanha +2,5%/+1,8% desde +2,7%/+1,8%. Portanto, continuamos a receber indicadores adiantados maus e revisões de crescimento em baixa, mas esta realidade hoje não importa se Trump está numa fase exultante do seu trastorno bipolar.


Os resultados corporativos das últimas horas são mistos, mas não maus: SAP +9% em aftermarket após publicar resultados melhores do que o esperado e confirmar guidance 2025, Tesla +5% em aftermarket apenas graças ao anúncio de Musk, porque os seus resultados são péssimos (Vendas -9%, EBIT -66% e BNA -71%), Intuitive Surgical medíocre após bons resultados, mas baixa guias de margens 2025 devido aos impostos alfandegários, Danone fracos (Vendas +4,3% vs. +4,0% esperado, mas volumes +1,9% vs +2,9%) e BE SEMI bastante fracos. E Novo Nordisk caiu ontem ca.-9%, porque Eli Lilly conseguiu bons resultados do seu comprimido para a perda de peso e contra as diabetes. 


Com tudo isso, compra-se USD (1,138 vs. 1,153), criptos (bitcoin +6%), bolsas (Nova Iorque +2,5% e futuros +1,6%) e, em geral, qualquer ativo de risco, porque a bipolaridade hoje favorece ver tudo de forma fantástica. O que não sabemos é quanto tempo irá durar este transtorno em positivo antes de se tornar negativo novamente, porque a ciclotimia consiste nisso: fases de otimismo exagerado e injustificado seguidas por outras de sentimento totalmente contrário, sem que se possa prever a duração de cada um. Hoje saem os PMIs de abril em todo o mundo, que deverão debilitar-se, principalmente os Industriais, mas, surpreendentemente, os 2 publicados esta madrugada saíram bastante bons: JAPÃO 48,5 vs. 48,4 março e ÍNDIA 58,4 vs. 58,1.


CONCLUSÃO: Modo risk-on. Hoje resta subir e comprar ativos de risco, embora bastante com base na suavização construtiva da abordagem de Trump do que em argumentos sólidos. Isto é, resta fiar-se de que a fase otimista da sua ciclotimia dure algum tempo. Por isso, na realidade, nada muda, embora as subidas realmente ocorram. Talvez a única parte boa de certa consistência seja que Musk se afaste de Trump ao comprovar sobre o seu próprio património as consequências do apoio, o que poderá ser imitado por outros. Insistimos que Trump irá corrigir quando os seus o abandonarem após comprovarem o prejuízo para as suas empresas e o erro das suas políticas, mas desde que encontre quem ou o quê para culpar pelos seus erros, que nunca admitirá como seus.


S&P500 +2,5% Nq-100 +2,6% SOX +2,1% ES50 +0,5% IBEX +0,7% VIX 30,6% Bund 2,44% T-Note 4,35% Spread 2A-10A USA=+53pb B10A: ESP 3,13% PT 3,01% FRA 3,21% ITA 3,60% Euribor 12m 2,128% (fut.1,861%) USD 1,138 JPY 161,7 Ouro 3.322$ Brent 68,0$ WTI 64,3$ Bitcoin +6% (93.436$) Ether +14,3% (1.801$). 


FIM

terça-feira, 22 de abril de 2025

BDM Matinal Riscala 2204

 Trump aumenta pressão sobre o Fed

Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*


[22/04/25]


… Começou mal a semana em Wall Street, com quedas fortes das bolsas e dos ativos brasileiros negociados em NY, que pedem um ajuste na abertura dos mercados domésticos, fechados no feriado desta 2ªF. Novas críticas de Trump a Powell e pressões para a redução dos juros acentuam os receios de perda da independência do Fed, em meio às incertezas das tarifas, e colocam em xeque o dólar como reserva de valor e os Treasuries como porto seguro. A agenda dos próximos dias prevê índices da atividade global, expectativas de inflação e o sentimento do consumidor americano, além do Livro Bege e Fed boys. Ainda nos EUA, saem os balanços de Tesla, hoje à noite, e Alphabet (5ªF), enquanto a B3 estreia sua temporada com Vale e Usiminas (5ªF). O único destaque entre os indicadores é o IPCA-15.


… Os ataques de Trump a Powell se intensificaram depois que o presidente do Fed disse no Clube Econômico de Chicago que as tarifas do governo republicano vão desacelerar a economia (“embora não chegue a uma recessão”) e elevar os preços da economia dos EUA.


… A sinalização de que o Fomc deverá manter os juros estáveis no intervalo entre 4,25% e 4,50% até que o impacto das políticas de Trump fique mais claro provocou não só a decepção dos investidores como também a ira do presidente americano.


… Powell explicou que o Fed precisa entender qual dos dois mandatos – estabilidade de preços e criação de emprego – será o enfoque da política monetária nos próximos meses. Não apenas descartou cortes iminentes como admitiu que os juros podem subir.


… Nesta 2ªF, Trump disse que “praticamente não há inflação”, com os custos de energia e alimentos em baixa. Em sua rede Truth Social, exigiu “cortes preventivos”. “A menos que o atrasado [Powell] reduza os juros, pode haver uma desaceleração da economia.”


… A pressão de Trump para a queda dos juros inclui especulações sobre uma demissão de Powell, que tem mandato assegurado até o ano que vem, e receios da perda de independência do Fed, que levaria a danos muito profundos, como muitos estão alertando.


… “Os duros questionamentos ao Fed e a Powell representam uma ameaça maior até mesmo do que os regimes tarifários mais agressivos impostos por Trump”, disse, nesta 2ªF, o CEO da CIO Capital Partners, David Bailin, em carta enviada aos clientes.


… Na sua avaliação, a quebra da independência do Federal Reserve poderia minar a confiança na liderança econômica dos EUA, levando os investidores globais a realocar capital para fora dos ativos americanos. “Seriam danos mais profundos e duradouros.”


… Além disso, Bailin adverte que cortes de juros com motivação política para lidar com a volatilidade do mercado de ações ou estimular o crescimento impulsionariam a inflação, forçando a eventuais aumentos acentuados das taxas para restaurar a estabilidade.


… Em outro alerta, o HSBC afirmou que o caos em que está imersa a política comercial dos EUA já prejudicou a “marca” do dólar.


… De acordo com os estrategistas de câmbio do banco, a moeda passou de uma situação de força para uma posição de fraqueza, afetada pelas incertezas das políticas e perda da atratividade como porto seguro. “O dólar perdeu seu fascínio de ativo de proteção.”


… O HSBC espera que a fraqueza do dólar frente ao euro e ao iene japonês persista e tem posição comprada em franco suíço.


… Também a Pimco já questiona o status de reserva do dólar em meio à guerra comercial, com aumento das expectativas de inflação e o enfraquecimento da economia, e recomenda aos investidores reduzir a exposição na moeda americana.


… “Os EUA desfrutaram por muito tempo de uma posição privilegiada, com o dólar servindo como moeda de reserva global e Treasuries como o principal ativo de proteção. No entanto, esse status não é [mais] garantido”, disseram os economistas da gestora.


… A Pimco também sugere operações que se beneficiam com o aumento da inclinação da curva de juros, além de aumentar a exposição aos mercados de renda fixa global, como Europa, mercados emergentes, Japão e Reino Unido.


… A BlackRock está com recomendação de compra apenas para os Treasuries mais curtos, que funcionariam como “caixa”. Já os títulos de prazos mais longos estão com recomendação de venda (“underweight”).


… Para a gestora, as pressões de Trump para reduzir rapidamente o déficit comercial dos EUA poderão elevar os yields dos Treasuries.


… “Os Estados Unidos terão mais dificuldade para financiar sua dívida se as negociações tarifárias imprevisíveis prejudicarem a confiança dos investidores estrangeiros”, ressaltam os especialistas da BackRock, em relatório a clientes.


… Para a Charles Schwab na Dow Jones, os investidores estrangeiros estariam se afastando não só das ações americanas, mas do mercado de câmbio e dos títulos do Tesouro americano em meio às incertezas da política tarifária do presidente Trump.


… A liquidação das ações, do dólar e dos Treasuries em Wall Street, nesta 2ªF, parece confirmar que o movimento já não é mais só um dia de volatilidade, mas reflete a desconfiança dos investidores sobre os ativos americanos (leia abaixo).


GUERRA FRIA – Enquanto a China alertava os países contra acordos comerciais que prejudicassem os seus interesses no fim de semana, fundos estatais chineses interrompiam novos investimentos em private equity dos EUA, informou o Financial Times.


… Pressionados por Pequim, investidores chineses pararam de comprometer capital para fundos geridos por empresas americanas.


… Em alguns casos, eles estão pedindo para serem excluídos de negócios nos EUA por completo. Entre as instituições que estão recuando está a China Investment Corporation (CIC). Outros fundos apoiados pelo Estado também teriam adotado posições semelhantes.


… Nos últimos 30 anos, investidores estatais chineses como CIC e a Administração Estatal de Câmbio (SAFE) desempenharam um papel importante no crescimento do private equity americano, um setor que administra US$ 4,7 trilhões.


… A mudança de postura ocorre enquanto as tensões comerciais entre as duas maiores economias do mundo continuam a aumentar.


TESLA – Em meio à guerra tarifária, a temporada de balanços nos Estados Unidos deve mobilizar a atenção dos investidores, a partir desta semana, com duas das chamadas “Sete Magníficas”, Tesla (hoje) e Alphabet (5ªF, 24), a empresa controladora do Google.


… Nos últimos três meses, a Tesla vem sendo alvo de protestos e as ações já perderam quase metade do valor. A expectativa é de que a montadora de veículos elétricos informe lucro menor no 1Tri e vendas mais fracas.


… A empresa deve registrar lucro de US$ 1,44 bilhão, ou US$ 0,33 por ação, segundo analistas consultados pela FactSet. No mesmo trimestre do ano passado, havia reportado lucro de US$ 1,54 bilhão, ou US$ 0,34 por papel.


… O lucro ajustado deve ficar em US$ 0,41 por ação, em comparação a US$ 0,45 na base anualizada. A receita deve subir ligeiramente, para US$ 21,34 bilhões, contra US$ 21,30 bilhões um ano antes, segundo os analistas.


MAIS BALANÇOS – Além de Tesla e Alphabet, mais de 100 empresas do S&P 500 (22% do índice) divulgarão resultados nesta semana.


… Hoje, além da Tesla, tem SAP, Novartis, GE Aerospace, Verizon, Intuitive Surgical, RTX, Danaher, Chubb, Lockheed Martin, Elevance Health, Moody´s, Northrop Grumman, 3M, Capital One, Kimberly-Clark, MSCI, Baker Hughes, EQT, Equifax, NVR, PulteGroup…


… Quest Diagnostics, Synchrony Financial, Steel Dynamics, Halliburton, Northern Trust, Enphase, Mattel e JetBlue Airways.


… Amanhã (4ªF), Philip Morris International, IBM, AT&T, ServiceNow, Thermo Fisher Scientific, Texas Instruments, NextEra Energy, Boston Scientific, Boeing, CME Group, GE Vernova, Lam Research, O’Reilly Automotive, General Dynamics, Chipotle, Newmont…


… Waste Connections, Norfolk Southern, Vertiv Holdings, FirstEnergy, Teradyne, Alaska Air, Meritage Homes e Whirlpool.


… Na 5ªF, Procter & Gamble, T-Mobile US, Pepsico, Merck, Caterpillar, Union Pacific, Comcast, Gilead, Sanofi, Fiserv, Bristol-Myers Squibb, Intel, Arthur J. Gallagher, Republic Services, Equinor, Southern Copper, Royal Caribbean, Carrier Global, PG&E, Digital Realty…


… Trust, Keurig Dr. Pepper, Freeport-McMoran, Deutsche Bank, Nasdaq, L3Harris Technologies, Hess, Valero Energy, Nokia, Dow, Juniper Networks, Western Digital, Mobileye Global, Roku, Hasbro, American Airlines Group, Harley-Davidson e Hertz.


… Encerrando a semana, na 6ªF: AbbVie, Colgate-Palmolive, HCA Healthcare, Aon, Charter Communications, Schlumberger, Phillips 66, AutoNation, LyondellBasell e Centene devem anunciar seus resultados.


B3 – Além dos resultados de Vale e Usiminas, previstos para 5ªF, Multiplan divulga balanço no mesmo dia.


… Hoje saem os números de Agrogalaxy e, na 4ªF, de Hypera.


MAIS AGENDA – Índices de atividade industrial e de serviços de abril, medido pelo Fed/Richmond, serão divulgados hoje às 11h nos EUA, no mesmo horário em que sai na Zona do Euro a prévia do consumidor de abril.


… Ainda nos EUA, dois Fed boys falam hoje: Phillip Jefferson (10h) e Patrick Harker (10h30).


… Amanhã (4ªF), uma bateria de índices PMI dão o ritmo da atividade global, com dados na França, Alemanha, Zona do Euro, Reino Unido e EUA (10h45), onde também será divulgado o Livro Bege do Fed, que servirá de base para a próxima reunião do Fomc (07/05).


… Ainda nesta 4ªF, falam Austan Goolsbee, do Fed/Chicago (10h), e o diretor do Fed Christopher Waller (10h30). Neste domingo, em entrevista à televisão CBS, Goolsbee disse que quebrar a independência do Fed “minaria a sua credibilidade”.


… Na 5ªF, são destaques internacionais o índice Ifo da Alemanha, a atividade do Fed/Chicago, pedidos de seguro-desemprego, pedidos de bens duráveis e vendas de casas usadas nos Estados Unidos. À noite, sai inflação de abril no Japão.


… Finalmente na 6ªF, é importante o sentimento do consumidor americano de Michigan com as expectativas de inflação.


CHINA – Seguindo o script, no fim de semana, a taxa de empréstimo para 1 ano foi mantida em 3,1% e a de 5 anos seguiu em 3,6%. O PBoC aguarda os desdobramentos da guerra comercial antes de tomar novas medidas de estímulo.


… Contudo, muitos economistas preveem cortes este ano, à medida que as tarifas dos EUA comecem a pesar.


FMI – Reuniões do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial têm agendas extensas nesta semana, em Washington.


… O Brasil será representado pela secretária de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda, Tatiana Rosito, e por Gabriel Galípolo, que, antes de viajar esta noite, participa de audiência pública na CAE do Senado hoje, das 10h às 13h.


IPCA-15 – No Brasil, além da prévia da inflação de abril (6ªF), sai hoje a pesquisa Focus (8h25). Na 5ªF, tem reunião do CMN.


… O presidente Lula e a primeira-dama Rosângela Janja da Silva viajam para o funeral do Papa Francisco, em Roma.


ISENÇÃO DO IR – Em entrevista à TV Brasil, na semana passada, Fernando Haddad disse que a proposta sobre a reforma do Imposto de Renda começaria a ser debatida no Congresso depois do feriado da Páscoa. A ver.


GAP DE CAUTELA – A queda do fundo de índice da bolsa brasileira EWZ (-0,12%, a US$ 25,19) e dos ADRs da Petrobras nesta 2ªF em que NY operou normalmente contrata uma abertura cautelosa aqui na volta do feriadão.


… Os recibos da Petrobras fecharam em queda de 1,11% (PN) e de 0,95% (ON), os da Embraer ostentaram o pior desempenho (-3,38%), seguidos por BRF (-2,48%), diante de mais uma rodada de estresse com Trump.


… A insistência do presidente americano em pedir a cabeça de Powell reforça a instabilidade e põe em xeque a autonomia do Fed contra ataques políticos, quando tudo o que o mercado quer é uma âncora para se segurar.


… Em NY, as bolsas partiram ontem para mais um tombo, diante da ofensiva renovada de Trump contra a resistência do Fed de cortar os juros. Além disso, o nervosismo antes do balanço da Tesla (-5,73%) se espalhou.


… Não foi pequeno o estrago em Wall Street: o Nasdaq afundou 2,55%, aos 15.870,90 pontos, acompanhado nas perdas intensas pelo S&P 500 (-2,36%, a 5.158,20 pontos) e Dow Jones (-2,48%, a 38.170,41 pontos).


… Em meio à fuga de capital, o selo dos EUA de ativos mais seguros do mundo é posto à prova. A supremacia histórica dos Treasuries e do dólar vem sendo questionada, diante da crise fabricada por Trump.


… A taxa da Note-10 anos subiu a 4,416%, de 4,330% no pregão antes da Páscoa, e o índice DXY, termômetro do dólar contra outras moedas fortes, caiu 1,04% (98,35 pontos), cada vez mais longe da linha dos 100 pontos.


… Ampliando o risk-off, o investidor voltou a correr para o franco suíço (+1,2%, a 1,241/US$) e o ouro (+2,91%), que rompeu US$ 3.400 por onça-troy e estabeleceu novo recorde: US$ 3.425,30.


… A guerra comercial, os receios de desaceleração econômica, a batalha aberta contra o Fed e a ameaça de maior oferta de petróleo com as negociações dos EUA e do Irã para um acordo nuclear derrubaram os preços do barril.


… O Brent para junho perdeu 2,50%, a US$ 66,26 o barril, prejudicando os ADRs da Petrobras, como se viu.


… Fica a expectativa para a abertura do Ibovespa, que testou uma recuperação antes de sair para a Páscoa e subiu 1,04% na última 5ªF, aos 129.650,03 pontos, em dia de game na bolsa (exercício de opções sobre ações).


… O Ibov resistiu às provocações de Trump, que já naquele dia começou a puxar briga com Powell e despertou novo enfraquecimento do dólar em escala global. Aqui, caiu 1,05% e voltou à faixa de R$ 5,80 (R$ 5,8037).


… No DI, o “miolo” e a ponta longa da curva acompanharam o alívio no câmbio, enquanto os contratos curtos fecharam perto da estabilidade, diante da convicção de que o Copom vai elevar a Selic em meio ponto em maio.


… No fechamento, o DI Janeiro de 2026 marcava 14,775% (de 14,740% na sessão anterior); Jan/27, 14,235% (contra 14,235%); Jan/29, 14,060% (de 14,125%); Jan/31, 14,300% (de 14,380%); e Jan/33, 14,360% (14,440%).


EM TEMPO… BANCO MASTER enviou carta ao FGC para avaliar eventual auxílio do fundo; liquidação privada é uma possibilidade em discussão, segundo apurou o Valor…


… Nessa operação, seria criado um fundo para ficar com a parte dos ativos e passivos do Master que não seriam comprados pelo BRB e, desta forma, o Master conseguiria pagar gradualmente, e até de maneira antecipada, seus CDBs.


NEOENERGIA aprovou distribuição de R$ 424,9 milhões em dividendos: R$ 0,35/ação, com pagamento em dezembro; ex a partir de 22/4.


AUREN PARTICIPAÇÕES encerrou oferta de R$ 2 bilhões em debêntures incentivadas com vencimento em 2035.


CURY encerrou programa de recompra de ações que havia sido aprovado em 18/12/24 pelo Conselho de Administração; programa tinha vigência de 18 meses, para aquisição de até 11.720.002 de ON em circulação.


IGUATEMI aprovou a distribuição de R$ 200 milhões em dividendos relativos ao exercício de 2024, sendo que R$ 50 milhões já foram pagos em 6/3, de forma antecipada…


… Os R$ 150 milhões remanescentes serão pagos em 3 parcelas iguais (em 30/4, 30/7 e 30/10); a cada parcela, o valor a ser pago por ação será de R$ 0,0241 por papel ON, R$ 0,07238 por ação PN e R$ 0,1688 por unit.


CARREFOUR BRASIL reapresentou proposta que será discutida na assembleia geral extraordinária marcada para 25 de abril, na qual os acionistas vão deliberar sobre o fechamento do capital da empresa no País.


GRUPO PÃO DE AÇÚCAR informou que iria protocolar na 6ªF o formulário para cancelar seu registro junto à SEC.


HYPERA. Lírio Parisotto voltou a confirmar desistência de se candidatar a uma vaga como membro do Conselho de Administração.


BRF. Anunciou que construirá uma fábrica de alimentos processados de frango em Jeddah, na Arábia Saudita, para a qual serão investidos US$ 160 milhões junto com a Halal Products Development Company (HPDC)…


… A BRF vai arcar com 70% do aporte, enquanto a HPDC entrará com os 30% restantes, proporção de cada uma na joint venture.


JBS. Gestora Capital Research Global Investors comunicou a venda de ações ordinárias, passando a deter 4,96% do total (5,04% antes).


SEQUOIA. Empresa de Logística e Transportes adiou a divulgação do balanço do trimestre findo em 31/03/2025 de 22/04 para 30/04.


BTG. Negocia com a Investimentos e Participações em Infraestrutura (Invepar), pertencente aos maiores fundos de pensão estatais, a aquisição da concessão do Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo (Lauro Jardim/Globo).


PETROBRAS. Um incêndio foi registrado na manhã de 2ªF (21) na plataforma PCH-1, localizada no campo de Cherne, na Bacia de Campos…


… Segundo o G1, o incêndio foi seguido de explosão e a Petrobras ainda apura as causas do incidente; 14 trabalhadores ficaram feriados.


BOEING. Companhia pode direcionar aviões destinados à China, cujas entregas foram suspensas pelo governo de Pequim, para a Índia…


… A empresa americana ainda teria 130 jatos para entregar às companhias aéreas chinesas, entre eles, 96 unidades do 737 MAX.


FORD. WSJ informou que a montadora parou de enviar picapes de luxo, SUVs e carros esportivos para a China para evitar tarifas.


AOS ASSINANTES DO BDM, BOM DIA E BONS NEGÓCIOS!

China x EUA

 🔵 *CHINA ANUNCIA RETALIAÇÃO CONTRA PAÍSES QUE COOPERAREM COM OS EUA* 🚨 e ainda Entrevista com *Thiago de Aragão da Arko Advice* sobre embate EUAxChina 


O Ministério do Comércio da China declarou que tomará *contramedidas recíprocas* *CONTRA QUALQUER PAÍS QUE COLABORE COM OS EUA DE MANEIRA QUE PREJUDIQUE OS INTERESSES CHINESES*. Em comunicado oficial, o governo chinês reforçou sua posição:  


> “A China se opõe firmemente a qualquer parte que alcance um *acordo à custa dos interesses chineses.* 

Se isso acontecer, *a China não aceitará e tomará contramedidas recíprocas de forma resoluta.”*  

(https://macroai.com.br)  


✳ **PRINCIPAIS NÚMEROS E IMPACTOS**  

- 📊 *TARIFAS RETALIATÓRIAS*: A China impôs uma tarifa de *125%* sobre todas as importações dos EUA, válida a partir de *12 DE ABRIL DE 2025*.  

- 🔄 *LISTA DE CONTROLE DE EXPORTAÇÃO*: O governo chinês adicionou *12 EMPRESAS AMERICANAS* à lista de entidades restritas, proibindo a exportação de itens de uso dual para essas companhias.  

- 🌍 *IMPACTO GLOBAL*: A escalada tarifária pode afetar cadeias de suprimentos internacionais e pressionar mercados emergentes.  

- 🔬 *DEPENDÊNCIA CRÍTICA DOS EUA*:

 Cerca de *50% DOS ANTIBIÓTICOS* utilizados nos EUA dependem de importações diretas da China. Além disso, o país asiático controla *MAIS DE 90% DA PRODUÇÃO GLOBAL DE GÁLIO E GERMÂNIO*, minerais essenciais para a fabricação de semicondutores – incluindo chips da Nvidia, recentemente proibidos de serem exportados para a China.  

(https://macroai.com.br)  

✳ **CENÁRIO MAIS AMPLO E DESAFIOS**  

- 🏛 *RESPOSTA DOS EUA*: O governo Trump aumentou as tarifas sobre produtos chineses de *34% PARA 84%*, e posteriormente para *125%*, tornando as exportações americanas para a China praticamente inviáveis.  

- 📉 *REAÇÃO DOS MERCADOS*: Bolsas de valores nos EUA e na Europa registraram quedas significativas após o anúncio das tarifas.  

- 📌 *DISPUTA NA OMC*: A China formalizou uma queixa contra os EUA na Organização Mundial do Comércio, alegando que as tarifas violam regras internacionais.  

(https://macroai.com.br)  

✳ **IMPACTO GEOPOLÍTICO E ESTRATÉGIA DE TRUMP** 🚀 Thiago de Aragão, CEO da Arko Advice 💼 

(https://macroai.com.br)   

Thiago de Aragão analisou o embate comercial e destacou:  

> *“Quando ele aplica essas tarifas em relação à China, ele tem que sempre levar em consideração que a China tem um poder de retaliação tão grande ou talvez até maior.”*  


Ele também ressaltou a dependência dos EUA em relação à China:  

> *“50% de todos os antibióticos nos Estados Unidos dependem da China de uma forma pura e simplesmente. Além disso, a China controla mais de 90% da produção global de gálio e germânio, minerais críticos para a fabricação de semicondutores.”*  


Aragão questiona a estratégia de Trump:  

> *“Isso mostra que ou o Trump não está bem posicionado em relação à sua estratégia e que, de fato, ele vai avançando dia após dia, ou ele sabe algo que nós não sabemos.”*  


📌 **FONTES**: Confira mais detalhes [AQUI](http://english.scio.gov.cn/pressroom/2025-04/14/content_117821896.html), [AQUI](https://www.cnbc.com/2025/04/11/china-strikes-back-with-125percent-tariffs-on-us-goods-starting-april-12.html), e na análise de Thiago de Aragão na [CNN BRASIL](https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/trump-deveria-considerar-poder-de-retaliacao-da-china-diz-thiago-de-aragao/).  


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🔗✴ [https://macroai.com.br]

Bankinter Portugal Matinal 2204

 Análise Bankinter Portugal


SESSÃO: Outro golpe por incompetência: insistir em atacar Powell (Fed). Ontem, a Europa esteve ainda fechada, mas Nova Iorque permaneceu aberta, retrocedendo apreciavelmente (-2,4%) graças a Trump culpar o mensageiro dos maus resultados das suas políticas: insiste em culpar Powell de não baixar taxas de juros para ajudar a contrastar a provável involução do ciclo económico que ele mesmo provocou; ontem foi Hassett, o principal assessor económico do seu governo, que afirmou estar a estudar se “livrar-se” de Powell é uma opção realista (o seu mandato expira em maio de 2026). 


Naturalmente, considerar seriamente a possibilidade de terminar a independência do Fed aterroriza o mercado e a única coisa que consegue é que Wall St. retroceda com força, depreciar o USD (1,154/€) e que se procure (ainda mais) refúgio no ouro (+2%; já apreciado perante umas perspetivas de aumento da inflação preocupantes, visto que é um ativo de cobertura de inflação) e no franco suíço (CHF; 0,932/€). Agora, a Fed é o refúgio da independência para o mercado e se isso for retirado (altamente improvável que consiga) apenas restam ativos como o ouro e o franco suíço, numa situação semelhante à crise dos mísseis em Cuba, em 1962. Por isso, esta reação é lógica. E, por isso, porque continuamos a pensar que Trump irá testar todos os seus limites antes de ver-se obrigado a corrigir a situação quando ficar sozinho, quanto até os seus o abandonarem, insistirmos em adotar uma estratégia defensiva. Mesmo que ele corrigisse imediatamente, grande parte do dano está feito (o Leading Indicator de ontem foi outra prova: -0,7% vs. -0,5% esperado vs. -0,2% anterior). Apenas há que ter paciência, em posições defensivas, até que chegue o momento da oportunidade de voltar a assumir riscos a preços razoáveis. Quando? A evolução dos acontecimentos marcará os tempos, mas ainda é cedo. Talvez pensar no verão (julho/agosto) faça sentido.


O relevante HOJE são os resultados e guidances: GE (ca.12 h), SAP, Tesla, Intuitive Surgical (as 3 após o fecho americano). O mais importante são os guidances, mais do que os resultados. Como até agora, as empresas dirão muito seriamente que os irão ajustando em função do que aconteça com os impostos alfandegários e restantes medidas do governo americano; sem se atreverem a retirá-los para não sofrer um descalabro, mas sem os confirmarem porque sabem que já não podem comprometer-se. E AMANHÃ será dia dos PMIs em todo o mundo, que são indicadores intermédios de atividade: irão piorar em maior ou menor medida, colocando todos os Industriais (até o americano) em zona de contração (<50). Isso, embora não seja uma surpresa, tampouco será gratuito para o mercado.


CONCLUSÃO: Wall St. poderá subir um pouco esta tarde e, assim, reduzir os retrocessos europeus da manhã, mas será apenas uma contrarreação inercial clássica após quedas fortes como as de ontem, portanto, não se pode confiar. Nada muda enquanto Trump continuar a testar os seus próprios limites, caso os tenha. As yields das obrigações continuarão a aumentar, o USD a debilitar-se, o ouro a subir, o CHF a apreciar-se e o petróleo, pouco a pouco (não hoje), para níveis inferiores a 60$/b. como consequência do final do ciclo económico expansivo global e do aumento de produção (reconhecido ou não) por parte de países que precisam de equilibrar as suas contas públicas, tornando impossível abaixo de 80$/b. O fundo do mercado não mudará enquanto o governo americano insistir em cavar, pensando que assim sairá do buraco.


S&P500 -2,4% Nq-100 -2,5% SOX -2,1% Europa cerrada. VIX 33,8% Bund 2,47% T-Note 4,42% Spread 2A-10A USA=+65pb B10A: ESP 3,18% PT 3,06% FRA 3,25% ITA 3,65% Euribor 12m 2,104% (fut.1,889%) USD 1,153 JPY 161,6 Ouro 3.489$ Brent 66,7$ WTI 63,5$ Bitcoin +0,9% (88.081$) Ether 0% (1.577$). 


FIM

BDM Matinal Riscala

 *Rosa Riscala: O ano eleitoral que começou mais cedo* Lá fora, Trump promete anunciar sucessor de Powell este mês … A agenda doméstica é ir...