quarta-feira, 12 de março de 2025

Vai rolar 1203

 Vai rolar: Inflação na mira hoje nos EUA e aqui

[12/03/25] A Casa Branca confirmou que entraram em vigor, à meia-noite de hoje, as tarifas de 25% sobre o aço e o alumínio importados pelos EUA, tanto para o Canadá, que apenas se livrou de uma sobretaxa de 50%, como para “todos os nossos parceiros comerciais, sem exceções ou isenções”. Inclusive para o Brasil, que não conseguiu um acordo.


Trump continua no papel de malvado no mundo. Ontem disse que as tarifas estão tendo “um tremendo impacto”. O presidente não está nem um pouco impressionado pela reação dos mercados.


Na agenda em NY, é importante o CPI de fevereiro (9h30), que pode mudar as apostas para os juros americanos. Aqui, o IPCA (9h) deve ter forte aceleração, enquanto o presidente Lula promete um “grande evento em Brasília” para lançar a MP que cria o novo consignado privado. (Rosa Riscala)


👉 Confira abaixo a agenda de hoje


Indicadores

▪️ Relatório mensal da Opep

▪️ 08h00 – FGV: Primeira prévia do IGP-M de março

▪️ 09h00 – IBGE: IPCA de fevereiro

▪️ 09h00 – BC: Dados da caderneta de poupança em fevereiro

▪️ 09h30 – EUA: Inflação (CPI) de fevereiro

▪️ 10h45 – Canadá anuncia decisão de política monetária

▪️ 11h30 – EUA: Estoques de petróleo do DoE

▪️ 14h30 – BC: Fluxo cambial semanal

Eventos

▪️ 05h45 – Lagarde (BCE) discursa na Universidade de Frankfurt

▪️ 11h00 – Lula e Haddad participam de cerimônia de lançamento do novo consignado privado

Balanços

▪️ Brasil/Depois do fechamento: Casas Bahia, Cogna, CSN, CSN Mineração, Dexco, SLC Agrícola e Tenda

BDM Matinal Riscala 1203

 *Rosa Riscala: Inflação é destaque nos EUA e no Brasil*


… A Casa Branca confirmou que entraram em vigor, à meia-noite de hoje, as tarifas de 25% sobre o aço e o alumínio importados pelos EUA, tanto para o Canadá, que apenas se livrou de uma sobretaxa de 50%, como para “todos os nossos parceiros comerciais, sem exceções ou isenções”. Inclusive para o Brasil, que não conseguiu um acordo. Trump continua no papel de malvado no mundo. Ontem disse que as tarifas estão tendo “um tremendo impacto”. O presidente não está nem um pouco impressionado pela reação dos mercados. Na agenda em NY, é importante o CPI de fevereiro (9h30), que pode mudar as apostas para os juros americanos. Aqui, o IPCA (9h) deve ter forte aceleração, enquanto o presidente Lula promete um “grande evento em Brasília” para lançar a MP que cria o novo consignado privado.


… A expectativa do governo é colocar no ar a plataforma de oferta do produto dentro de cinco dias após a regulamentação por um comitê formado pelos Ministérios da Fazenda, do Trabalho e da Casa Civil.


… Haddad está empenhado nessa pauta, que colocará mais dinheiro nas mãos do consumidor, e estará presente à cerimônia (11h), no Palácio do Planalto. Mais cedo (9h30), ele receberá o presidente do Instituto Aço Brasil, Marco Pollo de Mello Lopes.


… Ainda nesta semana, o ministro confirmou que a Medida Provisória seria enviada nos próximos dias ao Congresso, seguida pelo projeto de lei que ampla a isenção do Imposto de Renda para a faixa de quem ganha até R$ 5 mil mensais.


… De outros temas, como o ajuste do Orçamento para incluir os recursos dos programas Pé de Meia e do Vale-Gás, não se têm notícia.


… O relator do Orçamento/2025, Angelo Coronel (PSD), disse ontem que ainda aguarda uma resposta do governo sobre o remanejamento na peça orçamentária. O Pé de Meia terá um custo de R$ 12 bilhões e o Vale-Gás, de R$ 3,5 bilhões.


… O auxílio para a compra de gás, que Lula quer dar para 22 milhões de famílias, tem previsto apenas R$ 600 milhões no Orçamento.


… O TCU decidiu, em fevereiro, liberar R$ 6 bilhões do Pé de Meia que haviam sido bloqueados, mas deu 120 dias para o governo incluir as despesas no Orçamento. “O governo precisa dizer onde deverá ser cortado para atender aos programas sociais”, disse o relator.


… Outra pendência do Orçamento envolve a inclusão de recursos marcados como “restos a pagar” – principalmente das obras iniciadas e paralisadas, que não têm até agora um valor definido, porque são referentes a vários exercícios.


… Angelo Coronel se reunirá hoje no final da tarde com a ministra Gleisi Hoffman (Relações Institucionais) para tratar desses ajustes, além das emendas parlamentares – pivô do imbróglio com o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal.


… Espera-se a votação do texto na 3ªF, 18, na Comissão Mista de Orçamento (CMO) e na quarta, 19, no Congresso.


IPCA – Após uma alta pequena de 0,16% em janeiro, a inflação de fevereiro deve acelerar para 1,32%, na mediana de pesquisa Broadcast, com o índice em 12 meses rompendo os 5%. As projeções para esta leitura variam de 1,23% a 1,46%.


… A devolução do bônus de Itaipu na tarifa de energia elétrica deve contribuir para a aceleração do IPCA em fevereiro, somada à pressão altista dos alimentos e ao aumento do ICMS sobre combustíveis, de acordo com economistas do mercado.


… Embora a perspectiva seja de desaceleração para Alimentação e bebidas (0,96% em janeiro) e Transportes (1,30%), esses grupos devem se manter pressionados com o aumento no preço dos ovos e do café, e a alta prevista para a gasolina.


… Os dados abertos, no entanto, podem ser positivos.


… A média dos núcleos do IPCA deverá repetir a mesma variação de janeiro (0,61% na mediana), com desaceleração para os preços livres (0,75% para 0,71%), alimentação no domicílio (1,07% a 0,85%), serviços (0,78% a 0,75%) e serviços subjacentes (0,86% a 0,64%).


… Há, por outro lado, expectativa de aceleração nos preços administrados (-1,52% para 3,09%) e bens industriais (0,45% para 0,54%).


… Nesta 3ªF, a produção industrial abaixo do esperado (ficou estável em janeiro, quando o consenso era de +0,40%) reforçou a avaliação de que a economia entrou em desaceleração, o que apoiou a queda dos juros e a precificação de uma Selic de 15% (leia abaixo).


CRISE DOS ALIMENTOS – Na Folha, o governo quer comprar alimento com valor até 30% acima do preço mínimo como forma de aumentar os estoques estratégicos pela Conab, controlar a especulação e baixar a inflação.


… É mais um capítulo da ofensiva de Lula para reverter o cenário político e recuperar a sua popularidade.


CPI – Nos EUA, o índice de inflação ao consumidor, que será divulgado meia hora depois, deve desacelerar ante janeiro, com o CPI cheio registrando 0,3% em fevereiro (de 0,5%) e 2,9% na base anual (de 3% no mês anterior).


… Mais olhado pelo Fed, o núcleo tem previsão de desaceleração mais leve, para 0,3% (de 0,4%) e 3,2% na base anual (de 3,3%).


… Se não houver surpresas, os números podem confirmar as expectativas majoritárias de uma redução total de 75pbs do juro neste ano, com o primeiro corte ocorrendo em maio ou junho. Já se o resultado vier mais alto, pode garantir estresse para os negócios.


… O atual sentimento de aversão ao risco antecipa um impacto das tarifas de Trump para a inflação dos EUA, ao mesmo tempo que essa perspectiva projeta o risco de uma recessão, com os consumidores e empresas na defensiva.


… Nesta 3ªF, apenas um dia depois de admitir uma possível recessão no período de “transição”, o presidente Trump disse ontem que está “muito otimista” com as perspectivas para a economia americana e previu que ela “vai bombar”.


… Segundo a Reuters, mais de 100 CEOs de grandes empresas dos EUA, como a Apple, o JPMorgan e Walmart, teriam enquadrado Trump durante reunião do Business Roundtable para convencê-lo a abandonar o seu plano de tarifas.


… Foi nesse encontro também que Trump elogiou Elon Musk e disse que sua meta é economizar US$ 1 trilhão com gastos do governo.


MAIS AGENDA – Antes do IPCA, sai a primeira prévia da inflação de março medida pelo IGP-M (8h). O BC divulga os dados da caderneta de poupança de fevereiro (9h), além do resultado semanal do fluxo cambial (14h30).   


… Galípolo e os diretores do BC entram a partir de hoje no período de silêncio do Copom, que semana que vem subirá o juro em mais 1pp, a 14,25%. A expectativa é se o comunicado confirmará um ciclo de alta mais curto.


BALANÇOS – Após o fechamento, saem CSN, CSN Mineração, Casas Bahia, Cogna, Dexco, SLC Agrícola e Tenda.


LÁ FORA – Lagarde (BCE) abre o dia (5h45) com um discurso na Universidade de Frankfurt. O petróleo confere o relatório mensal da Opep (sem horário confirmado) e os estoques do DoE (11h30). Canadá decide juro às 10h45.


… Ontem à noite, Câmara dos EUA aprovou, por margem apertada (217 votos a 213) a proposta para evitar um shutdown no sábado e financiar o governo até setembro. O placar prepara o caminho para o embate no Senado.


BIPOLAR – Decretado o fim da lua de mel do mercado com Trump, as bolsas em NY estenderam as perdas, mesmo no day after de um sell off, com os sinais trocados do republicano, que arma uma confusão por dia.


… Horas após ter dito que dobraria as tarifas sobre o aço e alumínio do Canadá para 50%, ele indicou que desistiria da ideia, o que se confirmou oficialmente mais tarde, condenando os negócios a picos de volatilidade.


… Trump continua um trem desgovernado, tratorando os investidores na obsessão pela guerra comercial.


… Também está difícil de arrancar dele uma perspectiva confiável sobre a economia dos EUA no futuro próximo. Como se viu, menos de 48h depois de não ter descartado uma recessão, disse que o país “vai bombar”.


… O mercado tolera muita coisa, mas não está gostando nada de operar sobre esta total imprevisibilidade. As fortes oscilações ontem em Wall St estão aí para provar que tem muita gente perdida em combate e no escuro.


… Em NY, a bolsas começaram o dia ampliando o tombo da véspera, depois ensaiaram uma recuperação com o cessar-fogo temporário na Ucrânia, mas pioraram de novo na reta final com o fantasma da recessão rondando.


… A Delta (-7,25%) reforçou este medo ao cortar pela metade suas previsões de resultados para o 1Tri. O Nasdaq virou para queda nos minutos finais: 0,18%, a 17.436,10 pontos, depois de ter derretido 4% na véspera.


… O Dow Jones, que havia afundado quase 900 pontos no pregão anterior, caiu mais 1,14%, a 41.433,48 pontos. Também o S&P 500 aprofundou as perdas e terminou a sessão desta 3ªF em queda de 0,76%, a 5.572,07 pontos.


… Preocupado com as idas e vindas do tarifaço, o Ibovespa fechou em baixa de 0,81%, aos 123.507,35 pontos, com giro de R$ 19,3 bilhões. Entre as ações de blue chips, Vale ON (+0,83%, a R$ 54,44) conseguiu se recuperar.


… Mas Petrobras e os grandes bancos seguiram no vermelho. Itaú PN perdeu 0,88%, a R$ 32,60; Bradesco PN caiu 0,61%, a R$ 11,45; Bradesco ON, -1,04%, a R$ 10,51; BB ON, -0,89%; e Santander unit, -2,11%.


… Petrobras PN registrou desvalorização de 1,50%, a R$ 34,10, e o papel ON recuou 2,06%, a R$ 36,58, descolados do petróleo, que subiu, mas teve a alta limitada pela expectativa de acordo de paz na Ucrânia.


… Zelensky concordou em aceitar a proposta do governo de Washington por um cessar-fogo imediato de 30 dias, dependendo agora apenas de a Rússia concordar com os termos do acordo intermediado pelos EUA.  


… A Ucrânia também aceitou concluir o acordo sobre minerais raros com os EUA o mais rápido possível.


… O barril do Brent para maio exibiu ganhos moderados, de 0,40%, cotado a US$ 69,56 na ICE londrina.


… A esperança de paz na Ucrânia reduziu o apelo defensivo pelos Treasuries, sustentando os juros. A taxa da Note de 2 anos avançou para 3,937%, contra 3,896% na véspera, e a de 10 anos subiu para 4,276%, de 4,221%.


… Mas aqui a curva do DI devolveu prêmio com os sinais renovados de esfriamento da atividade doméstica (a produção industrial não cresceu pelo terceiro mês consecutivo), o que pode impor teto de 15% à Selic.


… No fechamento, o DI para janeiro de 2026 caía para 14,720% (de 14,780% no pregão anterior); Jan/27, a 14,535% (14,675%); Jan/29, a 14,480% (14,635%); Jan/31, a 14,590% (14,760%); e Jan/33, a 14,600% (14,750%).


… O alívio no câmbio contribuiu para desarmar a percepção de risco nos juros futuros. O cessar-fogo à vista e o sinal de Trump de que voltaria atrás na tarifa dobrada sobre aço e alumínio do Canadá esvaziaram a pressão.


… No desmonte de posições defensivas, o índice DXY caiu 0,58%, aos 103,456 pontos. Entre as moedas fortes, o iene (147,82/US$) realizou lucro. Já o euro (+0,78%; US$ 1,0931) e a libra (+0,56%; US$ 1,2960) subiram.


… Aqui, o real se recuperou, com o dólar à vista em baixa de 0,69%, negociado a R$ 5,8117.


… A equipe econômica da XP traça três cenários para o câmbio: no melhor, o dólar cairia a R$ 5,40, se Trump pegar mais leve, o Fed cortar o juro e o governo Lula promover uma nova rodada de medidas de ajuste fiscal.


… O cenário base, porém, é de dólar a R$ 5,90, diante da perspectiva de menor crescimento econômico com a guerra comercial, maior aversão ao risco e postura mais rígida do Fed, sem nenhuma flexibilização monetária.


… Na pior hipótese, calcula a XP, a moeda americana escalaria até R$ 6,45, no caso de o protecionismo pegar tão pesado nos EUA e pressionar a inflação a tal ponto, que levantaria a lebre de uma alta do juro pelo Fed.


… Este quadro de maior pessimismo também embutiria uma deterioração da situação fiscal no Brasil.


EM TEMPO… AZZAS 2154 registrou lucro de R$ 168,9 milhões no 4Tri, queda de 35,8% em um ano. O Ebitda recorrente totalizou R$ 519,2 milhões, alta de 4,1%, e a receita líquida avançou 13,4%, a R$ 3,403 bi.


CURY apresentou lucro líquido de R$ 165,8 milhões no 4Tri de 2024, alta de 3,4% em relação ao mesmo período de 2023. Já no acumulado do ano inteiro de 2024, o lucro líquido alcançou R$ 649,8 milhões, avanço de 34,9% perante 2023…


… O Ebitda ajustado somou R$ 238,5 milhões no 4Tri (+23,9%) e a receita líquida foi de R$ 1,035 bilhão no trimestre (+27,5%)…


… A Cury está planejando mais um ano de crescimento pela frente, como resultado da demanda aquecida de compradores de imóveis dentro do Minha Casa Minha Vida (MCMV) e das mudanças nos planos diretores de São Paulo e do Rio de Janeiro.


BANRISUL. Aprovou o pagamento de juros sobre capital próprio (JCP) no valor total de R$ 90 milhões, sendo que o valor bruto unitário por tipo e classe de ação será de R$ 0,22006263 por ação ON, R$ 0,22006263 por ação PNA e R$ 0,22006263 por ação PNB…


… Ações passam a ser negociadas “ex-direito” a partir do dia 17. O pagamento ocorrerá em 26 de março.


RAÍZEN. Dívida atingiu seu pior patamar desde que a empresa abriu capital, em 2021, aponta levantamento da Elos Ayta (Folha)…


… A dívida bruta atingiu no 4Tri R$ 64,7 bilhões e a dívida líquida, R$ 54,8 bilhões.


GERDAU. Confirmou, por meio de nota, a intenção de adquirir o centro de serviços pertencente à Kloeckner Metals, em Araucária (PR).


CEMIG. Ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, disse que o governo anterior cometeu um erro ao privatizar a Eletrobras e que, portanto, o mesmo erro não poderia ser feito com a Cemig. Em fala na presença do governador de Minas Gerais, Romeu Zema…


… Silveira deu a entender que a Cemig poderia ser usada como ativo para mitigar a dívida do Estado com a União, e não ser privatizada.


PETROBRAS. STJ decidiu nesta 3ªF dar parcial provimento a um recurso da empresa, que quer seguir com uma ação de improbidade administrativa para que as construtoras envolvidas com a Lava-Jato indenizem a petroleira por danos morais.


MARFRIG. Conselho de administração anunciou que fará a 19ª emissão de debêntures simples, não conversíveis em ações, da espécie quirografária, em até cinco séries, para colocação privada, da companhia, no valor de R$ 1,875 bilhão.


PAGUE MENOS. Concluído o ciclo de integração com a Extrafarma, a empresa planeja este ano pisar no acelerador das inaugurações, seguir com o plano de conversão da bandeira e focar na redução da alavancagem (Broadcast).


HYPERA. Um novo acordo de acionistas envolvendo Votorantim, o sócio fundador da Hypera, José Alves de Queiroz Filho, e o fundo Maiorem, que representa investidores mexicanos, deve ser anunciado antes da assembleia de acionistas em abril.


CASAS BAHIA. A ação disparou misteriosamente nos últimos dias, sem qualquer notícia relevante, boato ou alguma especulação sobre seu balanço do 4Tri, alguma expectativa de forte crescimento do faturamento neste ano, ou mesmo de venda da companhia…


… Questionada pela CVM, a Casas Bahia informou desconhecer qualquer razão para a alta das ações. Hoje, os papéis ON fecharam em alta de 10,87%, a R$ 5,20, acumulando o incrível ganho de 95,8% em apenas 5 pregões de março…


… Analistas atribuíram a disparada a um “short squeeze”, uma vez que 25% do seu “free float” está em posições vendidas.


… Porém, à noite surgiu um comunicado bastante revelador: Rafael Ferri acumulou fatia equivalente a 5,11% do capital das Casas Bahia, seja diretamente na pessoa física, ou por meio de empresas controladas por ele ou com derivativos.


… Quem está há menos de 15 anos no mercado talvez não conheça Ferri. Mas basta “dar um Google” e procurar por “bolha do alicate”.


AMERICANAS. Deu início ao procedimento arbitral para condenação dos ex-diretores Miguel Gomes Pereira Sarmiento Gutierrez, Anna Christina Ramos Saicali, José Timótheo de Barros e Márcio Cruz Meirelles…


… Segundo comunicado, a Americanas “buscará ser integralmente ressarcida dos danos materiais e imateriais sofridos em decorrência dos atos ilícitos praticados, e que serão ainda detalhadamente apresentados durante a tramitação do procedimento”.

terça-feira, 11 de março de 2025

Fundo Verde

 Fundo Verde reduz riscos de maneira 'significativa' e zera parte das alocações em bolsas


Por Bruna Camargo


São Paulo, 10/03/2025 - O fundo Verde, da gestora que tem como sócio-fundador Luis Stuhlberger, fez algumas movimentações durante o mês de fevereiro para diminuir seu perfil de risco “de maneira significativa”. Uma das medidas foi a zeragem de boa parte de suas alocações líquidas em ações, tanto no mercado local quanto global, segundo a carta mensal da Verde, divulgada há pouco.


“O grau de incerteza sobre o cenário global subiu notadamente ao longo do mês de fevereiro. Temos comentado sobre a questão ruído versus sinal desde a eleição do presidente [americano Donald] Trump, mas neste mês o volume de ruído foi elevado de maneira significativa, e veio acompanhado de sinais preocupantes. O desafio de rearranjar o sistema geopolítico global não é tarefa simples, e o uso de medidas tarifárias para alcançá-lo subestima uma série de complexidades da estrutura das cadeias de suprimento forjadas nos últimos quarenta anos”, avalia a equipe de gestão da Verde.


Segundo a carta da gestora, o grau de incerteza em relação à economia americana tem subido, acompanhado de “uma curiosa narrativa do governo de ser necessário um período de ‘desintoxicação’ dos agentes econômicos”. “Os mercados têm lido essa narrativa como um perigoso convite a uma recessão, e não por acaso vimos taxas de juros cadentes ao longo do mês, combinadas com quedas dos principais índices de ações”, descreve.


Além disso, a Verde observa que, após uma série de declarações sinalizando o abandono do apoio americano à Ucrânia, os países europeus “finalmente perceberam a necessidade de iniciar um pacote importante de gastos de defesa”, o que levou o dólar a um enfraquecimento nas últimas semanas. Para a gestora, com um mês e meio de governo Trump, todas as posições consensuais do mercado para seu governo - como comprada (que aposta na alta) em dólar e ações -  estão “sendo colocadas em xeque”. “Essa incerteza nos fez reduzir de maneira significativa os riscos do fundo”, diz a carta.


Eleições em pauta no Brasil


Já em relação ao Brasil, a Verde afirma que o País “continua sua deriva entre a influência dos mercados globais (que tem sido positiva, dada a fraqueza do dólar e rotação de fluxos para outros mercados que não os Estados Unidos) e os fundamentos locais”. Outro ponto destacado na carta como “grande novidade do mês” foi o enfraquecimento das métricas de popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, assim como uma antecipação da discussão eleitoral de 2026.


“Há algum tempo temos convicção que um trade eleitoral aconteceria no Brasil, seguindo a praxe dos últimos ciclos. No entanto, conforme o exemplo de outros mercados, esperávamos nos posicionar para tal movimento na segunda metade deste ano. A piora sensível dos indicadores do presidente, e sua aparente incapacidade de mudar a trajetória do governo, vide a recente reforma ministerial, antecipam as discussões. Ainda assim, com um custo de oportunidade tão alto, temos que ser cuidadosos em não nos posicionar cedo demais”, destaca a Verde.


Segundo a carta mensal, por ora a gestora tem se posicionado “de maneira cautelosa com viés negativo, mas atentos aos sinais e em busca de preços atrativos para mirar um horizonte mais longo”.


Resultado em fevereiro


Em fevereiro, o Verde FIC FIM apresentou alta de 0,55%, abaixo do indicador de referência, o CDI, que teve alta de 0,99%. No ano até agora, o fundo acumula valorização de 2,20%. O resultado do mês passado se deu pelos ganhos na estratégia de crédito e trading. Já as perdas vieram de cripto, inflação americana e bolsa global.


Contato: bruna.camargo@estadao.com


Broadcast+

JR Guzzo

 Guzzo é um jornalista extraordinário. E de muita coragem.

O Judiciário Tornou a Corrupção uma Atividade Legal no Brasil
Por J R Guzzo
Gazeta do Povo, 06/03/2025
"Os ministros do STF, do STJ e das demais capitanias que governam o aparelho judiciário do Brasil, mais os crentes na sua natureza divina, não gostam de ouvir isso, mas o fato brutal, claro e acima de qualquer dúvida, é que a Justiça brasileira suprimiu o crime de corrupção do Código Penal em vigor no país. Não foi aprovada ainda nenhuma lei botando isso em letra de forma, mas é o que acontece para efeitos de ordem prática no Brasil que “voltou”. Não se trata de uma análise. Trata-se de uma jurisprudência cada vez mais “robusta”, como é moda dizer hoje, formada pelas sentenças assinadas pelos gatos gordos do sistema.
É duro dizer isso, mas também é a verdade “fática”, aí já se usando o patuá falado pelos ministros: o STF e seus derivados tornaram a corrupção uma atividade legal no Brasil. É claro que o sujeito tem de ser um corrupto rico para se beneficiar de proteção legal quando mete a mão no Erário. Mas como não existe corrupto pobre em lugar nenhum do mundo, pode-se dizer com segurança que as absolvições automáticas dadas pela Justiça brasileira nas ações penais pela prática de corrupção servem para todos os ladrões do Tesouro Nacional.
Não há exceções. Você é um “amigo dos amigos” e prova que roubou, com confissões espontâneas feitas na presença dos seus advogados? Então você já está absolvido, antes mesmo do caso ir a julgamento. Não é a mídia que diz isso, nem os “inimigos” dos nossos tribunais. Quem diz isso, oficialmente, são as sentenças que saem das altas cortes de Justiça deste país – e servem cada vez mais como exemplo para as cortes médias, baixas e assim por diante, até o mais modesto inspetor de quarteirão. É fácil resolver qualquer dúvida a respeito. Você consegue citar o nome de um único corrupto preso neste momento no Brasil, um pelo menos que seja?
Você não consegue, por uma excelente razão: não existe nenhum corrupto preso neste momento no Brasil. Nem o ex-governador Sérgio Cabral, que foi condenado a 400 anos de cadeia por ladroagem confessa, e está tão livre como você – mas com uma fortuna que você, que pagou imposto enquanto ele roubava, jamais terá no seu bolso. Se isso, e todos os casos de ladrões soltos, não é prova material da legalização dos crimes de corrupção decretada pela Justiça brasileira, o que seria?
O STF, STJ etc. etc. etc. estão pedindo que população acredite no seguinte despropósito: o Brasil é o país que tem os políticos e magnatas mais honestos do mundo. Não há ninguém preso por corrupção, certo? Então não há corruptos, pois se houvesse a nossa Justiça com certeza acabaria pegando algum larápio, pelo menos um – não é possível, do ponto de vista racional, que não consiga punir nenhum, nunca, ou que todos os corruptos que lhe são trazidos pela polícia são inocentes, sem exceção.
A teologia política ora em vigor no Brasil estabelece que a prevaricação aberta do STF e seus inferiores no cumprimento da lei penal, com sua recusa sistêmica em punir a corrupção, é uma necessidade vital da sociedade brasileira. O STF e a “justiça”, reza esse credo, salvaram “a democracia” no Brasil. Continuam a salvar todos os dias, com a repressão destemida a “golpistas”, “extremo-direitistas”, bolsonaristas e mais do mesmo. Por conta dessas atividades, o “Judiciário” passou a ter, segundo a doutrina oficial, imunidade diante de qualquer crítica. Não importa se o STF tem razão, ou está grotescamente errado: criticar qualquer ministro é considerado um “ataque” ao sistema de Justiça, para enfraquecer a luta contra “o fascismo” e por aí afora.
Mas será que é preciso engolir – e engolir achando que está ótimo – a cada uma das aberrações que saem da mistura de “tribunais superiores” de Brasília? A resposta, para o regime vigente é: sim, precisa aceitar tudo, porque nenhuma delinquência que os supremos possam fazer está sujeita a qualquer apreciação externa, pois são a guarda da “democracia” e isso tem de estar obviamente acima de detalhes como a corrupção, a abolição dos direitos individuais e o cumprimento do que está escrito na lei.
Na sua última exibição de fogos de artifício para celebrar a roubalheira, o ministro João Noronha, nesta ocasião representando o STJ, decidiu entregar de volta aos desembargadores do Maranhão acusados de venda maciça de sentenças as joias, relógios e carros apreendidos com eles – e sob a suspeita de serem o pagamento que receberam para vender suas decisões. “Não tem mais utilidade para o processo”, decretou Noronha. Não é um ataque ao Judiciário: é o que o ministro fez na frente de todo mundo. Faz parte da jurisprudência, mencionada acima, que não apenas inocenta mecanicamente os ladrões de dinheiro público, como manda devolver a eles aquilo que roubaram – dos R$ 20 bilhões de indenização para a J&F e Odebrecht, aos iates, casas de praia e jatinhos de traficantes de narcóticos.
Para acrescentar mais uma joia à coroa, o ministro Dias Toffoli foi citado de novo como o grande padroeiro da corrupção no Brasil pela Transparência Internacional e a Comissão de Direitos Humanos da OEA. Seu feito principal é o desmonte agressivo de todo o sistema de combate à corrupção que havia no Brasil. É culpa da oposição, da direita ou das “fake news” que a coisa tenha ficado assim? Ou são, entre tantos outros feitos d’armas, suas extraordinárias decisões de anular as confissões de corrupção por parte da J&F e da Odebrecht? Paciência, porque eles estão decididos a tornar tudo ainda pior."

BDM Matinal Riscala 1103

 *Rosa Riscala: NY cai na real*


… Os investidores caíram na real, abandonaram o negacionismo com os riscos do governo Trump, pararam de dizer que era só um blefe e passaram a projetar os estragos que as políticas protecionistas poderão causar à economia americana. É grande a expectativa para a abertura em NY, após o risk off desta 2ªF. O medo de uma estagflação levou a uma corrida do dinheiro para ativos seguros, influenciando os mercados domésticos. Quando o presidente dos EUA fala em possível recessão é porque está disposto a bancar a aventura. Trump poderia ter aliviado se quisesse, mas não falou no final do dia, como costuma fazer. Na agenda, o relatório Jolts (11h) mostra a criação de vagas depois do payroll fraco. Aqui, a produção industrial (9h) pode reagir em janeiro, recuperando-se de três meses de queda.


… A mediana das estimativas apurada pelo Broadcast indica um crescimento de 0,4% para a indústria, após recuo de 0,3% em dezembro.


… Os dados de indicadores antecedentes, como o crescimento de 15% na produção de veículos (Anfavea) e o aumento de 3,3% no fluxo de veículos pesados nas estradas pedagiadas (ABCR), corroboram a previsão de alta da produção industrial.


… Outra explicação para a reação é a base de comparação baixa na margem, após as quedas de outubro, novembro e dezembro (-0,6%).


… Um resultado mais fraco, depois de o PIB/4Tri confirmar a desaceleração da atividade, poderia estimular queda dos juros na B3, mas vai ser difícil descolar do estresse em NY. Hoje, como ontem, Donald Trump conduz os mercados globais.


… A carta mensal do fundo Verde alertou para o grau de incerteza do cenário global, que “subiu notadamente em fevereiro, o que levou a gestora a reduzir seu perfil de risco de “maneira significativa”, zerando boa parte de suas ações no mercado local e global.


… Para Stuhlberger, o volume de ruído foi elevado e veio acompanhando de sinais preocupantes, como o desafio de rearranjar o sistema geopolítico e o uso de tarifas para alcançá-lo, que subestima a estrutura das cadeias de suprimento forjadas nos últimos 40 anos.


… A aproximação dos EUA com a Rússia colocou a Europa em alerta e traz riscos de longo prazo para o continente, segundo avaliação da consultoria Eurasia, que citou a quebra de uma relação de confiança e dependência com os EUA, especialmente na segurança.


… Diz a carta do fundo Verde que, com um mês e meio de governo Trump, todas as posições consensuais do mercado para o seu governo, como comprada (que aposta na alta) em dólar e ações, estão “sendo colocadas em xeque”.


… Já em relação ao Brasil, a gestora destaca a antecipação de um trade eleitoral para 2026 só esperado para a segunda metade deste ano, consequência da forte queda de popularidade do presidente Lula e sua aparente incapacidade de mudar a trajetória do governo.


… A única notícia positiva do dia foi o discurso moderado de Gleisi Hoffmann na posse como ministra da articulação política, quando citou Fernando Haddad e assumiu o compromisso de apoiar sua agenda econômica no Congresso.


… Gleisi chegou a dizer que a agenda de Haddad coloca o País na rota do emprego, crescimento e renda.


… A dúvida é se Haddad terá a mesma força para enfrentar as investidas populistas de Lula para salvar sua reeleição. Já se nota que o ministro tem defendido as pautas de Lula com mais afinco, evitando temas mais polêmicos como o ajuste fiscal.


… Nesta 2ªF, ele confirmou que o governo deve enviar ainda nesta semana ao Legislativo a MP do novo crédito consignado, que deve ser publicada amanhã, e, logo após, o projeto que estabelece a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil.


MAIS AGENDA – Antes da produção industrial, sai o IPC-Fipe da primeira quadrissemana de março. Em fevereiro, fechou em 0,15%.


… Às 11h, o Tesouro faz leilão de LFT para 1º/3/2028 e 1º/3/2031 e de NTN-B para 15/8/2030, 15/8/2035 e 15/5/2060.


GALÍPOLO – Presidente do BC participa de reunião com o Li Qi, Ministro Conselheiro da Embaixada da China no Brasil, e Huang Siyu, Terceira Secretária da Embaixada da China, na sede do BC, em Brasília (11h), para tratar de assuntos institucionais.


LULA – Volta a MG nesta 3ªF, onde participa de cerimônia de inauguração de investimentos dos setores automotivo e de aço (11h).


NOS EUA – O relatório Jolts, muito olhado pelo Fed, deve mostrar abertura de 7,5 milhões de vagas em janeiro (7,6 milhões/dezembro). É o único indicador previsto para o dia. A expectativa é toda para a inflação do CPI, que sai amanhã, 12.


UCRÂNIA – O alinhamento dos Estados Unidos à Rússia ficou evidente nas negociações para um cessar-fogo na Ucrânia, obrigada a um recuo forçado após o governo Trump suspender toda a ajuda militar ao país.


… Nas conversas de hoje na Arábia Saudita, a Ucrânia proporá o fim dos ataques por mar e ar, além da libertação de prisioneiros, dizendo que está pronta para assinar um acordo com os EUA sobre o acesso aos minerais de terras raras do país.


… Mas, segundo o secretário de Estado americano, Marco Rubio, que viajou para discutir o fim da guerra com representantes ucranianos, qualquer que seja o acordo de paz, deverá prever que a Ucrânia cederá os territórios ocupados pela Rússia desde 2014.


CHINA – Washington e Pequim iniciaram conversas sobre uma possível “cúpula de aniversário” em junho entre o presidente Trump e o líder chinês Xi Jinping, em meio à escalada de tarifas e restrições comerciais impostas pelos EUA contra a China.


… Nos bastidores apurados pela agência DJ, Pequim tem intensificado contatos com a Casa Branca e avalia uma oferta inicial, incluindo a compra de mais produtos agrícolas dos EUA, mas ainda não a formalizou.


JAPÃO HOJE – A leitura final do PIB/4Tri avançou 0,6% e superou a previsão de 0,4%. A recuperação contínua sustenta as expectativas de que o BoJ aumentará novamente sua taxa de juros em um futuro próximo.


RISK OFF GLOBAL – Bem diferente do tom do discurso de pouco menos de dois meses atrás, quando prometeu devolver a economia dos EUA aos “anos dourados”, causou espanto a mudança agora da abordagem de Trump.


… Questionado sobre o risco de recessão, o presidente americano afirmou que haverá um “período de transição, porque o que estamos fazendo é muito grande”, sinalizando que está disposto a pagar o preço da guerra tarifária.


… O CPI de fevereiro, amanhã, abrangerá o primeiro mês completo da trajetória da inflação sob a nova gestão em Washington e ganha importância redobrada no contexto do perigo de os EUA caírem em uma estagflação.


… Por enquanto, o consenso é de corte acumulado de 75pb no juro este ano, com início da flexibilização a partir de maio ou junho.


… Para completar o cenário de incertezas, números mais fracos da inflação na China em fevereiro, divulgados no fim de semana, acenderam a luz amarela para a possibilidade de uma desaceleração global mais firme neste ano.


… Com o crescimento econômico em xeque, o “índice do medo” Vix disparou mais de 20% e as bolsas em NY mergulharam feio, com os papéis dos bancos e as ações das Sete Magníficas registrando queda em bloco.


… Tesla despencou 15,4%, apagando tudo o que subiu desde que Elon Musk entrou para o governo Trump. Mas o tombo foi geral: Meta caiu 4,42%, Apple (-4,85%), Alphabet (-4,49%), Microsoft (-3,34%), Amazon (-2,36%) e Nvidia (-5,07%).


… O Nasdaq derreteu 4%, aos 17.468,32 pontos, na pior queda diária desde 2022. O Dow Jones (-2,08%) afundou quase 900 pontos, para 41.911,71 pontos, e o S&P 500 terminou em queda de 2,70%, aos 5.614,56 pontos.


… Já o Ibov driblou o estresse de Wall St e limitou as perdas a 0,41%, aos 124.519,38 pontos, com volume financeiro de R$ 20,2 bilhões. Magalu (+4,96%) liderou o ranking de altas, com a unificação das áreas de Plataforma e Negócios.


… Vale (ON, -1,62%, a R$ 53,99) sentiu a inflação fraca na China, potencial sintoma de desaquecimento. Petrobras ficou no campo negativo, mas mais perto da estabilidade: ON, -0,19% (R$ 37,35); e PN, -0,03% (R$ 34,62).


… A estatal resistiu bem à queda de 1,5% do petróleo Brent (US$ 69,28), que sentiu a recessão de Trump.


… Entre os bancos, só Itaú (+0,89%, a R$ 32,89) ignorou a onda de cautela. Bradesco PN registrou desvalorização de 1,45%, a R$ 11,52; Bradesco ON, -1,12%, a R$ 10,62; BB, -0,32% (R$ 27,97); e Santander, -1,43% (R$ 25,57).


… O câmbio foi o mercado que mais refletiu a aversão a risco. A busca defensiva levou o dólar à vista a fechar na faixa de R$ 5,85, em alta de 1,07%, a R$ 5,8521, carregando junto os juros futuros.


… Jan/26 subiu a 14,780% (de 14,740% na sessão anterior); Jan/27, a 14,675% (14,570%); Jan/29, 14,635% (14,535%); Jan/31, 14,760% (14,650%); e Jan/33, 14,750% (14,620%).


… Lá fora, o índice DXY cruzou a linha dos 104 pontos na máxima do dia, mas desacelerou. No fechamento, exibia leve alta de 0,15%, a 103,997 pontos. O euro ficou estável (+0,01%), a US$ 1,0827, e a libra caiu 0,33%, a US$ 1,2874.


… O iene (147,41/US$), que já vem faturando nos últimos tempos a perspectiva de um BoJ hawkish, ganhou ainda espaço contra a moeda americana, diante dos temores renovados de uma recessão abater a economia dos EUA.


… Antecipando os riscos do protecionismo de Trump, investidores correram para os Treasuries, derrubando os rendimentos: o yield da Note-2 anos caiu a 3,896%, contra 3,997% na sessão anterior, e o de 10 anos foi a 4,221%, de 4,315%.


EM TEMPO… COSAN reverteu lucro e registrou prejuízo de R$ 9,297 bilhões no 4Tri/24. Ebitda consolidado abandonou resultado positivo e ficou negativo em R$ 1,6 bilhão. Receita líquida somou R$ 11,768 bilhões (+24% em um ano).


REDE D’OR registrou lucro líquido de R$ 879,5 milhões no 4Tri, alta de 31,6% na comparação com igual intervalo de 2023. Já o lucro líquido ajustado totalizou R$ 932 milhões, avanço de 29,3% na mesma comparação…


… Ebitda foi de R$ 1,9 bilhão (+34,4% na comparação anual) e o Ebitda ajustado foi de R$ 2,3 bilhões (+30,6%), enquanto a receita líquida foi de R$ 13,057 bilhões (+9,4% sobre o reportado no mesmo período de 2023).


PAGUE MENOS. Lucro líquido totalizou R$ 77,1 milhões no 4Tri, avanço de 22,8% em relação ao mesmo período de 2023, em função da combinação de crescimento de vendas, incremento da rentabilidade operacional e redução do resultado financeiro…


… O Ebitda foi de R$ 164 milhões (+31,6% ante um ano antes) e a receita líquida, de R$ 3,3 bilhões (+16,9%).


DIRECIONAL. Apresentou lucro líquido de R$ 181 milhões no 4Tri, montante 82% maior do que no mesmo período de 2023 e no maior lucro trimestral da história da incorporadora. No critério operacional, o lucro líquido ficou em R$ 165,5 milhões (+69,4%)…


… O Ebitda ajustado somou R$ 249 milhões (+64% na mesma base de comparação anual) e receita operacional líquida somou R$ 924,2 milhões, crescimento de 45,6% e também recorde para um trimestre da companhia.


PRIO. Produção total de petróleo atingiu 108.560 barris de boepd em fevereiro, ante 114.454 mil em janeiro, uma queda de 5,14% na comparação mês contra mês. A venda de óleo total caiu de 3.608.396 bbl em janeiro para 3.402.076 em fevereiro (-5,71%).


PETRORECONCAVO. Produção média no mês de fevereiro foi de 27,3 mil boepd, um crescimento de 1,9% na margem, refletindo o avanço no programa de perfurações iniciado no final de 2024 e a estabilização de poços recém perfurados no Ativo Bahia


EQUATORIAL. O conselho de administração aprovou o aumento do capital social em R$ 5.597.124,09, elevando o capital social total para R$ 12.506.904.753,23. Foram emitidas 313.549/ON, ao preço de R$ 17,85.


EQUATORIAL ENERGIA. O conselho de administração aprovou a realização da sétima emissão de debêntures simples, não conversíveis em ações, da espécie quirografária, em série única, no valor de R$ 1,5 bilhão….


… Serão emitidos 1,5 milhão de títulos com valor unitário de R$ 1.000,00 e prazo de cinco anos, vencendo em 15 de março de 2030.


HYPERA. Em comunicado à Comissão de Valores Mobiliários, informou que a Votorantim passou a deter 69.811.900 ações ordinárias da companhia, que representam cerca de 11,00% do capital social da empresa.


B3. Fechou parceria estratégica com o SGX Group para o lançamento de contratos futuros de Real no mercado asiático. Segundo a bolsa, a expectativa é que o produto, que depende da aprovação dos reguladores locais, seja disponibilizado ainda neste ano.


GRUPO J. SAFRA anunciou a aquisição de 70% do capital da fintech dinamarquesa Saxo Bank. O valor da transação não foi revelado.


DELTA AIR LINES. Ações desabaram 11,15% no after hours, após reduzir projeção de lucro e receita para o 1Tri (de 7% a 9% para 3% a 4%), citando a recente queda da confiança do consumidor e das empresas em meio ao “aumento da incerteza macroeconômica”…


… A previsão de lucros ajustados foi para US$ 0,30 a US$ 0,50 por ação, contra previsão anterior de US$ 0,70 a US$ 1 por ação.


ORACLE. Ações caíram no after hours (-3,22%) após divulgar lucro líquido para os três meses encerrados em 28 de fevereiro de US$ 2,94 bilhões, ou US$ 1,02 por ação, em comparação com US$ 2,4 bilhões, ou US$ 0,85 por ação, no mesmo período do ano anterior.

Bankinter Portugal Matinal 1103

 Análise Bankinter Portugal


SESSÃO: Ontem, clássico movimento de mercado deteriorado, com agressiva venda de bolsas e compra um pouco menos agressiva de obrigações… que não pode ser tão agressiva como a das bolsas porque o futuro aumento de dívida desincentiva o investimento em obrigações, embora, em sentido contrário, o receio de um final abrupto do ciclo económico expansivo global (nada improvável) que afetará os EPSs (lucros empresariais) faça com que se procure refúgio nas obrigações. Em suma, como temos vindo a defender desde inícios de 2025, uma guerra alfandegária junto com défices fiscais e dívida pública superiores (nos EUA devido a descidas de taxas de juros sem demasiados cortes de despesas; na Europa devido a maior despesa em defesa e a irresponsabilidade secular na despesa) não pode resultar em bolsas em alta, porque, nesse contexto, todas as partes perdem, embora uma menos (EUA) do que outras (Europa, China) devido aos seus diferentes níveis de abertura ao exterior (25% vs. 98%, 36%). 


Trump argumenta que, numa segunda fase, isto será reparado graças às descidas de impostos (trará mais défice fiscal, se as despesas públicas não forem seriamente reduzidas) e desregulação (mais riscos futuros abertos, se se excede), mas engana-se. Nessa altura, o ciclo económico já terá sido abalado (menos crescimento e mais inflação) e reverter a situação será complicado. Agora está a tempo de retificar, não depois. Mas o populismo sabe pouco ou nada de economia. E pior ainda quando se alinha moralmente com as autocracias imorais. Não houve nenhum momento na história em que o protecionismo (impostos alfandegários, contingentes) tenha enriquecido o mundo, mas tornou-o mais pobre e fechado em si mesmo. Nisso resultou a Primeira Guerra Mundial. Agora seria diferente? A única forma de minimizar danos é diluir dissimuladamente os impostos alfandegários e voltar a apoiar a Ucrânia até ao final da sua luta pela liberdade…de toda a Europa, onde os EUA têm o seu principal cliente comercial, com 21% das suas exportações e 20% das suas importações. O principal, que parece ter esquecido.


HOJE, clássica subida contrainercial da qual não se deve fiar, porque pode ser uma pequena recuperação se algumas das medidas tomadas não forem revertidas ou diluídas. Impostos alfandegários, principalmente. O melhor seria que Trump não começasse com os impostos alfandegários contra a Europa. Se ele se mantivesse em silêncio, assustado com as consequências do que fez até agora, seria o suficiente para o mercado melhorar. Mas não nos parece, porque Hassett (principal assessor económico de Trump) retirou importância aos receios de recessão, argumentando que o 2T será melhor devido às descidas de impostos. Sim, claro… Com isso, o comercio mundial irá recuperar, com toda a certeza.  


CONCLUSÃO TELEGRÁFICA: Subida nada fiável. Às 14 h, sairão os JOLTS ou empregos disponíveis; esperam-se 7,63M desde 7,60M e há que analisar com cuidado, porque poderão, hipoteticamente, começar a expressar um pouco de dano no emprego americano, embora sinceramente seja cedo para isso, porque o emprego é um indicador atrasado. Portanto, iremos às cegas até à inflação americana de amanhã, que poderá suavizar-se um pouco (ou não e ser um susto, o que não seria estranho; +2,9% esperado desde +3,0%). Se sair como esperado, o mercado tranquilizar-se-á um pouco. Mas se dececiona, então prolongar-se-ia a preocupação sobre um ciclo económico debilitado, acompanhado de inflação pegajosa e o reajuste das bolsas continuaria. Wall St com -4,5% em 2025 e o razoável seria que a bolsa europeia retificasse os seus +10% atual até, por exemplo, 0% e a partir daí reiniciar, recuperando ou não, eu função da correção das medidas que os EUA adotaram até agora, tanto no plano económico como geoestratégico. Porque se não o fizer, teremos que começar a refletir sobre quais são os níveis de exposição adequados num contexto diferente, decisão de índole estratégica e não tática…


S&P500 -2,7% Nq-100 -3,8% SOX -4,9% ES-50 -1,5% IBEX -1,3% VIX 27,9 Bund 2,81% T-Note 4,19% Spread 2A-10A USA=+31pb B10A: ESP 3,46% PT 3,35% FRA 3,52%

ITA 3,90% Euribor 12m 2,461% (fut.2,392%) USD 1,087 JPY 160,0 Ouro 2.914$ Brent 69,4$ WTI 66,1$ Bitcoin -2,3% (80.278$) Ether -8,4% (1.893$).


FIM

Fritura do Haddad

 Em meio à ‘fritura’, Haddad é cortejado pelo mercado Faria Lima sinaliza portas abertas para receber o ministro caso ele decida sair do governo


Por Neuza Sanches SEGUIR 10 mar 2025, 08h00


 


Fernando Haddad: Faria Lima já dá como certa a saída do ministro da Fazenda ainda este ano (Marcelo Camargo/Agência Brasil) Fernando Haddad, ministro da Fazenda do governo Lula, já tem opções de trabalho caso decida deixar o cargo. O mercado financeiro, especialmente a Faria Lima, centro financeiro de São Paulo, estaria disposto a recebê-lo com propostas concretas – uma de um grande banco de varejo e outra para ser sócio de uma fintech. Essa abertura reflete a relação pragmática que Haddad construiu com o setor ao longo desses dois anos à frente da pasta, mas também evidencia os crescentes rumores de que sua “fritura” por colegas do próprio governo é vista como sem volta. O desgaste do ministro se intensificou nos últimos meses. Ele foi vencido, por exemplo, na discussão que misturou o pacote de corte de gastos com o anúncio de isentar do Imposto de Renda quem ganha até R$ 5 mil – promessa de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A falta de clareza sobre a compensação fiscal acabou gerando críticas entre especialistas, e isso foi parar no colo do ministro. Além disso, mudanças mal comunicadas no sistema Pix levaram o governo a recuar após queda significativa no volume de transações, o que expôs falhas na articulação entre o Ministério da Fazenda e outros setores do governo. Outro ponto de pressão é a inflação dos alimentos, que continua afetando duramente os consumidores. Produtos básicos como carne, café e açúcar registraram aumentos expressivos, e levaram o governo a anunciar na semana passada uma série de medidas. A principal delas é a redução a zero do Imposto de Importação sobre vários alimentos. Coube ao vice-presidente e ministro do Desenvolvimento e Indústria, Geraldo Alckmin, fazer o anúncio. Haddad não estava presente. A insatisfação popular com esses aumentos se soma às críticas de aliados políticos e à promoção recente de Gleisi Hoffmann ao cargo de ministra das Relações Institucionais, movimento interpretado como tentativa de fortalecer a articulação política diante das dificuldades econômicas. Não é segredo para ninguém que Gleisi é inimiga das propostas de controle fiscal defendidas pela equipe econômica. Com o menor patamar de popularidade de seus três governos e de olho na campanha à reeleição de 2026, Lula indicou que suas preocupações passam longe das prioridades da Fazenda. Na Faria Lima, a saída de Haddad é vista como inevitável. Apesar das críticas públicas ao governo, o mercado tem demonstrado apreço por sua abordagem fiscalista e pela interlocução direta com investidores. Essa relação pragmática pode facilitar sua transição para o setor privado caso decida abandonar o cargo. Recentemente, Haddad reconheceu publicamente a preocupação do mercado com os gastos públicos e afirmou que medidas mais duras seriam necessárias para conter o aumento da dívida pública. Uma eventual saída de Fernando Haddad seria um duro golpe para o governo Lula, que insiste na narrativa de que “gasto é investimento”. Sem um ajuste fiscal consistente, a economia brasileira corre o risco de permanecer presa ao ciclo de crescimento instável conhecido como “voo de galinha”. A falta de um plano claro para equilibrar as contas públicas coloca em xeque as perspectivas de desenvolvimento sustentável e reforça as incertezas sobre o futuro econômico do País.

Ailton Braga

  Hoje, 02/02/2026, saiu no Blog do IBRE da FGV, artigo meu em que faço análise da interação entre política fiscal e política monetária, a p...