segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Bankinter Portugal Matinal

 Análise Bankinter Portugal 


NY +0,7% US tech +0,9% US semis +1,1% UEM 1,2% España +0,9% VIX 19,9% Bund 2,73% T-Note 4,08% Spread 2A-10A USA=+60pb B10A: ESP 3,14% PT 3,08% FRA 3,30% ITA 3,34% Euribor 12m 2,205% (fut.2,326%) USD 1,183 JPY 182,5 Ouro 5.148$ Brent 71,1$ WTI 65,8$ Bitcoin -3,1% (65.534$) Ether -3,7% (1.878$).


SESSÃO: Esta semana, mais insegurança pelos impostos alfandegários, mais rotação para “valor” e Europa, sendo Nvidia a referência nr.º 1 durante a noite.


O Tribunal Supremo desautoriza a aplicação de impostos alfandegários com os poderes presidenciais de emergência, portanto, estima-se que o governo deverá devolver cerca de 170.000 M$ indevidamente arrecadados. A contramedida imediata consiste em aplicar um imposto alfandegário universal ou geral de 15%, de momento. Mas este poderá não ser o desfecho. Reativa-se um fator de incerteza que já se dava por superado. As devoluções de impostos alfandegários supõem ca.0,5% s/PIB, o que elevaria o Défice Fiscal até 6,6%. Isso debilitará as obrigações americanas (elevação yield; T-Note agora em 4,07%) e, por extensão, a bolsa americana. É altamente provável que a Administração Trump tente impor impostos alfandegários com base em alguma legislação alternativa (Trade Expansion Act 1962 de Segurança Nacional ou a Trade Act 1974 de Práticas Comerciais Desleais de Terceiros Países e Proteção da Indústria Nacional) ou, num desenvolvimento menos adverso, aceite aplicar esses 15% universais sem procurar alternativas mais complexas. Em qualquer caso, o Défice Fiscal americano deteriorar-se-á e a incerteza regressa ao mercado.


Isto une-se à dupla rotação que já acontecia: desde “crescimento” (exceto semicondutores) para “valor” e desde os EUA para a Europa. E a renovada incerteza sobre os impostos alfandegários potenciará esta última, com um arranque semanal em baixa. Já não estamos num mercado tão alegre como em 2024/25. A disrupção da IA desorienta, porque não é possível diferenciar nitidamente nesta primeira fase todos os “vencedores” e “perdedores”. Por isso, ocorre uma rotação para “valor”. E desde o mercado americano para o europeu, porque embora desde cedo a Europa não careça de problemas, o peso da tecnologia é muito inferior num momento em que se foge de multiplicadores (PER) elevados; além disso, a incerteza alfandegária prejudica-a menos e o ciclo europeu melhora progressivamente. A dissociação macroeconómica favorável para a Europa é a segunda razão para esta rotação.


Mas convém ser realista: uma rotação para valor” e Europa não pode corresponder com um mercado alegre, mas conservador. Por isso, também esta semana, continuaremos num mercado seguro e tíbio com tendência a aplanar. O “despertador” poderá ser a publicação de resultados e guias de Nvidia, na quarta-feira à noite. Não costuma dececionar, mas se acontecer porque o mercado está extremamente exigente, recomendaríamos comprar na debilidade. Os semicondutores representam “a parte mais física” da tecnologia, e, portanto, a mais protegida neste contexto tão inseguro.


CONCLUSÃO: Continuamos num mercado inseguro e sem incentivos. Esta semana arrancará fraca pelos impostos alfandegários, mas sem fortes quedas. E poderá melhorar com Nvidia a partir de quarta-feira. Poderá ser um estímulo passageiros se surpreender positivamente. Mas, se não for assim, recomendaríamos comprar na debilidade, menos caras, Nvidia e as restantes empresas de semis que viram contagiadas (ASML, TSMC, ARM, AMD…). 


FIM

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