quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Alex Ribeiro

 A coluna de Alex Ribeiro, publicada hoje (4/2), no Valor Econômico, levanta um ponto relevante sobre as indicações recentes ao Banco Central do Brasil, que têm gerado ruído no mercado.


Nessa leitura, a crítica não é técnica, ideológica ou pessoal — mas executiva e institucional.

A composição do Copom é parte importante da eficácia da política monetária. O equilíbrio entre perfis técnicos, acadêmicos e executivos contribui para uma boa interlocução com o mercado — economistas-chefes, gestores, tesourarias, bancos e investidores. Essa interlocução não é acessória: integra o próprio mecanismo de transmissão da política monetária.

Nesse sentido, eventual resistência a uma indicação não deveria ser interpretada como preconceito ou veto definitivo, mas como cautela institucional. Algo que pode, inclusive, ser compartilhado pelo próprio Gabriel Galípolo, caso a composição do colegiado passe a dificultar a condução prática de sua agenda à frente do Banco Central.

Em particular, tenho ótima impressão pessoal de Guilherme Mello, a partir de contatos profissionais. Sempre demonstrou bom senso, equilíbrio e postura institucional — razão pela qual não faz sentido personalizar ou ideologizar o debate.

Em democracias maduras, a pluralidade intelectual dentro dos bancos centrais é regra, não exceção. A experiência europeia e a do Federal Reserve mostram que formações e escolas distintas podem conviver sob um mesmo arcabouço institucional, como parte natural do amadurecimento das instituições.

Vale lembrar, por fim, que o Banco Central brasileiro é hoje uma instituição sólida, com corpo técnico de altíssimo nível e processos decisórios bem estruturados. O risco de voluntarismos individuais é reduzido. O peso maior está na postura institucional e no bom senso de quem ocupa a diretoria. Nesse contexto, não ser alguém disposto a promover “cavalos de pau” já constitui, por si só, uma garantia relevante.

Dito isso, a crítica apresentada por Alex Ribeiro me parece pragmática e legítima, não ideológica — e, justamente por isso, merece ser levada a sério. Não seria surpreendente, portanto, que Lula optasse por reavaliar o timing dessas indicações, eventualmente até a partir de ponderações do próprio presidente do Banco Central.

https://lnkd.in/dY5ghUwJ

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