04/02/2026 – AJAX ASSET
_Resumo: Na Europa, EuroStoxx sobe 0,2%; enquanto, nos EUA, S&P 500 e Nasdaq avançam 0,1%. Na Ásia, Nikkei encerrou a sessão baixa de 0,6%; e Shanghai subiu 0,9%. Nas moedas, DXY sobe 0,1%, aos 97,6 pontos, e MXN deprecia 0,3%. Já nas commodities, brent estável, aos USD 67,3/barril; e as taxas das treasuries abrem até 01 bp ao longo da curva._
CENÁRIO EXTERNO
• EUA – Shutdown: Ontem, Trump sancionou um acordo orçamentário negociado com os democratas no Senado, superando resistências e encerrando shutdown parcial do Governo. O pacote mantém o financiamento do governo federal até o fim do ano fiscal (isto é, set/26), mas garante recursos para o Departamento de Segurança Interna até 13 de fevereiro, mantendo em aberto novas negociações sobre a política migratória. Lembrando: impasse teve origem em divergências sobre a atuação de agentes de imigração e já havia causado atrasos em divulgações econômicas e afastamento de servidores. Apesar de limitado, o acordo encerra temporariamente a paralisação, mas sinaliza que novas tensões fiscais e políticas podem surgir à frente.
• EUA – Membros do Fomc: Thomas Barkin (Fed de Richmond) disse que os cortes de juros de 2025 ajudaram a sustentar o mercado de trabalho, enquanto o BC se concentra para trazer a inflação de volta à meta de 2%. Ainda assim, o cenário econômico mostrou melhora com a redução das incertezas. Barkin destacou que consumidores mais pressionados têm resistido a repasses de custos, ajudando a conter preços, mas alertou que a resiliência da economia dependeu fortemente de investimentos em inteligência artificial e do consumo das camadas mais ricas. Ele reiterou que o Fed ainda tem trabalho a fazer tanto no lado da inflação quanto do emprego e disse esperar uma atuação técnica e independente do próximo presidente da instituição.
• Macro: (1) Japão - PMI de serviços de janeiro ficou em 53,7 pontos (+0,3 pontos vs leitura anterior). Na (2) China – PMI de serviços não oficial atingiu 52,3 pontos (vs consenso de 52,0 pontos); enquanto, (3) Reino Unido, o PMI de serviços ficou em 54,0 pontos (vs consenso de 54,3 pontos) e (4) Zona Euro teve o PMI de serviços em 51,6 pontos (vs consenso de 51,9 pontos). Mais: Zona do Euro teve prévia do CPI de janeiro atingindo -0,5% m/m e 1,7% a/a, em linha com as expectativas, sendo núcleos em +2,2% a/a (vs consenso de 2,3% a/a). Vale notar: desempenho do PMI chinês reforça a estratégia do Governo de impulsionar o setor de serviços como motor de crescimento, ainda que o espaço para estímulos mais amplos permaneça limitado.
• Agenda – EUA: (i) 10h15 tem ADP de janeiro (45 mil); (ii) 11h45 tem PMI de serviços (52,5 pontos); e (iii) 12h tem ISM de serviços (53,5 pontos).
BRASIL
• Mercados: Lá for, ativos seguem em leve recuperação, após rotation de setores. O dólar se mantém firme frente aos principais pares e emergentes, e as taxas das treasuries abrem. No exterior, os sinais de reaceleração da economia têm ganhado relevância; e caso se confirme, pode trazer implicações importantes para a dinâmica dos ativos financeiros, alterando expectativas de crescimento, inflação e política monetária. Por aqui, mercados se beneficiam de fluxo externo.
• Política: Ontem, deputados e senadores aprovaram projetos de lei que tratam da reestruturação das carreiras com reajuste salarial a servidores das duas Casas, bem como a servidores do Executivo, incluindo a criação de 16 mil vagas em instituições federais de ensino e postos transversais do Ministério da Gestão. A estimativa do MGI, especificamente sobre o projeto do Executivo, é de um impacto fiscal de R$ 5,3 bilhões em 2026. Além disso, Senado também concluiu a análise da MP que viabiliza o Gás do Povo, mantendo integralmente o texto que havia sido aprovado na Câmara. O Governo ainda espera avançar nos próximos meses com a MP que assegura a renovação automática da CNH para motoristas sem multas aplicadas nos últimos 12 meses e com a MP que libera o saque do FGTS para trabalhadores que optaram pelo saque-aniversário e foram demitidos. As propostas, no entanto, só devem entrar na pauta após o Carnaval.
• Sobre o BC: Lula deve confirmar indicação de Guilherme Mello e de Tiago Cavalcanti para as vagas do Banco Central. Importante: Mello seria indicado para a Diretoria de Política Econômica, enquanto Cavalcanti ficaria com a Diretoria de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução. De fato, essas indicações geram ruídos no mercado, uma vez que os nomes vêm sendo percebidos pelos agentes como menos ortodoxos, o que levanta questionamentos sobre a continuidade da prudência na condução da política monetária.
• Ata do Copom: O documento adotou um tom mais neutro, mantendo uma comunicação cautelosa e dependente da evolução dos dados. Ao mesmo tempo, o Comitê introduziu uma sinalização controlada de flexibilização adiante, condicionada (i) à consolidação do processo desinflacionário e (ii) à ancoragem das expectativas, sem abrir mão da manutenção de uma postura monetária ainda restritiva. Ou seja, mantém expectativa de corte de 25/50 bps na reunião de mar/26.
• Produção Industrial (dez/25): 1,2% m/m (vs consenso de -0,5% m/m), pressionado pelo forte recuo em bens de capital e bens duráveis. Vale notar: foi o pior desempenho da indústria desde jul/24, sendo que foi a maior difusão de taxas negativas desde set/22 – ou seja, sinal claro de desaceleração generalizada do setor. Mais: observou-se recuos da Indústria de Bens de Capital (-8,30% m/m), e a Bens Duráveis (-4,44% m/m). Entre os setores, o que exerceu maior pressão para a queda mensal foi a atividade de veículos automotores (-8,7%). Por fim, o ano de 2025 fechou com crescimento de 0,6% a/a, reforçando a desaceleração econômica e sustenta os próximos cortes na taxa de juros pelo Copom. Embora deva contar adiante com algum suporte de transferências fiscais, crescimento da massa salarial real e políticas industriais, os dados macro continuam enfrentando ventos contrários relevantes de condições monetárias e financeiras ainda restritivas.
• Agenda: (i) 10h tem PMI de serviços.
EQUITIES
• HYPE3: Ontem, a Hypera informou um aumento de capital de até R$ 1,5 bilhões, com objetivo de fortalecer a estrutura de capital da Companhia, por meio da redução do seu endividamento líquido, contribuindo para a melhora de sua eficiência operacional e financeira, em adição às medidas de otimização de capital de giro concluído em 2025. O bloco de controle, tendo a Votorantim nesse contexto, se comprometeu a exercer integralmente o seu direito de preferência, assumido o compromisso de subscrever ações no valor de até R$ 1 bilhão. Em suma, mercado não esperava nova oferta de HYPE3, o que pode pressionar o papel. Embora a iniciativa amplie a capacidade de investimento em oportunidades de crescimento orgânico e inorgânico, há pouca visibilidade sobre a destinação desses recursos. Inclusive, mídia reforça que a Hypera segue como potencial compradora da Medley Brasil, o que pode ser uma estratégia inconsistente com o direcionamento atual – isto é, maior foco em produtos de marca e menor endividamento. Lembrando: improvável que a Sanofi (dona da Medley Brasil) aceite uma oferta inferior à USD 500 milhões. Por outro lado, se utilizado apenas para redução da alavancagem financeira, a medida é positiva (2,0x em 2026E vs 2,6x no 3T25). Vale notar: acionistas até 06-fev terão direito à subscrição das novas ações, sendo o período de subscrição em 09-fev a 17-mar, com os recursos disponíveis no início de abril.
• NTCO3: Ontem, o Valor informou que o Carf manteve uma cobrança de R$ 1,2 bilhões à Natura por causa da amortização de ágio gerado em reestruturação da empresa, iniciada no ano 2000. O julgamento foi de um recurso chamado embargos de declaração apresentado pela Natura. À princípio, ele dificilmente mudaria o mérito, mas poderia trazer algum argumento a ser aproveitado pela empresa em eventual discussão judicial. Lembrando: o ágio em discussão foi gerado na operação que resultou na transformação da Natura Empreendimentos em subsidiária integral da Natura Participações. No relatório enviado à CVM, a Natura indica que a chance de perda desse processo é avaliada como possível em R$ 869,3 milhões e como remota em R$ 343,4 milhões. Em suma, notícia é mais negativa para NTCO3, A Natura deverá recorrer via judicial para resolver a questão, o que pode não é necessário, por ora, qualquer revisão de suas projeções com as perdas do processo – ou seja, não há necessidade de provisionamento de caixa.
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