segunda-feira, 25 de maio de 2026

BDM Matinal Riscala

 *Rosa Riscala: Mercado compra a trégua no Oriente Médio*


… Com feriados nos Estados Unidos (Memorial Day), no Reino Unido, Alemanha e parte da Ásia, a liquidez é mais reduzida nesta segunda-feira, enquanto o mercado tende a sustentar a expectativa de um acordo próximo entre os Estados Unidos e o Irã, que seguiu em negociação no fim de semana. No início dos negócios, o Brent operava abaixo de US$ 100, antecipando a reabertura do Estreito de Ormuz. Ao mesmo tempo, investidores aguardam pela agenda de peso nos próximos dias, com IPCA-15, PIB brasileiro, dados de emprego e números fiscais por aqui, e, nos Estados Unidos, a segunda leitura do PIB/1TRI e, principalmente, o PCE de abril – a medida de inflação preferida do Fed.


TRÉGUA EM NEGOCIAÇÃO – O mercado inicia a semana comprando a tese de descompressão no Oriente Médio, após sequência de reportagens indicar avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã para reabrir o Estreito de Ormuz e ampliar o cessar-fogo por mais 60 dias.


… Segundo o NYT, Axios e agências internacionais, os dois lados já teriam chegado a um entendimento preliminar envolvendo a retomada gradual da navegação em Ormuz, autorização para o Irã voltar a exportar petróleo e abertura de negociações sobre o programa nuclear iraniano.


… O esboço do acordo também incluiria o compromisso de Teerã de discutir a redução do estoque de urânio altamente enriquecido, além da remoção de minas implantadas no estreito durante o conflito, embora pontos centrais ainda permaneçam sem definição.


… Entre esses pontos mais sensíveis, estariam o destino do material nuclear iraniano, o eventual desbloqueio de ativos congelados no exterior e a exigência americana de limitar o enriquecimento de urânio no longo prazo.


… O tom das autoridades, porém, continua longe de sugerir um acordo fechado.


… Donald Trump afirmou neste domingo que as negociações avançam de forma “profissional e produtiva”, mas ressaltou que o entendimento “ainda não foi totalmente negociado” e orientou seus representantes a “não se apressarem”.


… O presidente americano também reforçou que o bloqueio seguirá “em pleno vigor” até que um acordo seja alcançado, certificado e assinado, numa tentativa de conter a percepção de que a guerra estaria perto de um encerramento definitivo.


… Do lado iraniano, autoridades e veículos estatais da mídia mantiveram o discurso cauteloso, afirmando que ainda existem divergências importantes no texto e negando que exista um acordo finalizado.


… Já o governo de Israel elevou o tom.


… Benjamin Netanyahu voltou a afirmar que qualquer pacto definitivo precisará eliminar completamente o risco nuclear iraniano, incluindo o desmonte das instalações de enriquecimento e retirada do urânio enriquecido do território iraniano.


… Ainda assim, o noticiário do fim de semana foi suficiente para sustentar a percepção de que o mercado continua inclinado a trabalhar com um cenário de redução gradual das tensões, especialmente em um pregão de liquidez mais fraca no feriado do Memorial Day.


QUANTO CAI O PETRÓLEO? – Em meio às negociações, o diretor do Conselho Econômico Nacional da Casa Branca, Kevin Hassett, afirmou neste domingo que um eventual acordo com o Irã poderia provocar forte queda nos preços de energia.


… Com isso, ele completou, a inflação terá alívio, abrindo espaço para o Federal Reserve voltar a cortar juros.


… Segundo Hassett, o mercado já começou a operar essa possibilidade, diante da expectativa de reabertura do Estreito de Ormuz e do retorno de uma grande quantidade de petróleo represado ao mercado internacional.


… O assessor de Donald Trump afirmou que existe capacidade ociosa relevante de produção na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes e disse esperar que gasolina e petróleo “surpreendam para baixo” assim que o fluxo em Ormuz for normalizado.


… Na abertura do mercado asiático, o petróleo antecipava um desfecho e afundava, com o Brent negociado a US$ 99,06 (-4,33%).


FLÁVIO AINDA É COMPETITIVO – O primeiro Datafolha após o “Flávio Day 2.0” mostrou perda de fôlego do senador Flávio Bolsonaro, mas sem produzir, ao menos por enquanto, um colapso da candidatura que o mercado chegou a temer ao longo da semana.


… Na pesquisa divulgada na sexta-feira, Lula abriu nove pontos de vantagem sobre Flávio no primeiro turno, 40% a 31%, enquanto no segundo turno o petista aparece numericamente à frente, com 47% a 43%, ainda em cenário de empate técnico dentro da margem de erro.


… A leitura predominante no mercado foi menos negativa do que se imaginava, principalmente porque o desempenho no segundo turno preserva a percepção de competitividade da direita em 2026, mesmo após a crise envolvendo Daniel Vorcaro e o filme “Dark Horse”.


… Analistas políticos, porém, avaliam que o desgaste ainda pode continuar, já que cerca de um terço do eleitorado afirma não conhecer o caso, enquanto a rejeição de Flávio começou a subir e já se aproxima da rejeição de Lula.


… Outro ponto que chamou atenção foi a ausência de migração relevante de votos para nomes como Romeu Zema e Ronaldo Caiado, mantendo a oposição fragmentada e reforçando a percepção de que Flávio continua sendo o principal polo competitivo do campo conservador.


… Também na sexta-feira, a pesquisa Futura/Apex reforçou essa leitura ao mostrar Lula com 47,7% contra 42,2% de Flávio no segundo turno, em um cenário ainda apertado, apesar da deterioração recente da imagem do senador.


O APOIO DE TRUMP – Em meio à tentativa de reorganizar a narrativa da campanha, Flávio Bolsonaro deve embarcar nesta segunda-feira para os Estados Unidos, onde busca uma reunião com Donald Trump, ainda não confirmada pela Casa Branca.


ESCALA 6X1 – A Câmara entra em uma semana decisiva para a PEC que reduz a jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas e prevê o fim da escala 6×1, com expectativa de votação do parecer na comissão especial e avanço do texto ao plenário nos próximos dias.


… O presidente da Câmara, Hugo Motta, deve se reunir com Lula ainda hoje, antes da apresentação do relatório para tentar fechar os pontos ainda em aberto, especialmente as regras de transição para adaptação das empresas.


… O relator da proposta, deputado Leo Prates, pretende apresentar o parecer no final da tarde, às 17h, com previsão de votação na comissão até amanhã, terça-feira, e tentativa de levar a proposta ao plenário até quinta-feira.


… A tendência é que o texto da emenda seja mais enxuto, prevendo apenas a redução da jornada, dois dias de descanso e manutenção dos salários, enquanto detalhes setoriais e regras específicas ficariam para regulamentação posterior em projeto de lei.


… Lula voltou a defender uma implementação imediata da mudança, afirmando que a redução da jornada “não trará prejuízo” e que o trabalhador ficará “mais descansado”, embora tenha reconhecido que o governo precisará negociar o formato final com o Congresso.


CURTAS DA POLÍTICA – Enquanto a Câmara se dedica ao fim da escala 6 x 1, no Senado, a pauta desta semana é esvaziada.


… Entre os destaques nas comissões, a CAE analisa o projeto de renegociação das dívidas do agronegócio, enquanto a Comissão de Segurança Pública debate mudanças na legislação de combate à lavagem de dinheiro, ampliando o alcance das regras para incluir partidos políticos.


… Já a Comissão de Assuntos Sociais deve votar, em caráter terminativo, proposta que altera o salário mínimo de médicos e cirurgiões-dentistas.


… Na agenda do Executivo, Lula participa nesta segunda-feira da abertura do 1º Fórum de Reitores Brasil-África, em Brasília, ao lado do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e do ministro da Educação, Leonardo Barchini.


MAIS AGENDA – A semana será mais curta nos mercados internacionais por causa dos feriados, mas concentra indicadores importantes de inflação e atividade aqui e no exterior, num momento em que investidores seguem sensíveis ao comportamento dos juros americanos.


… No Brasil, o foco principal ficará sobre o IPCA-15 de maio, na quarta-feira, especialmente na dinâmica de serviços e dos núcleos de inflação, pontos que seguem no radar do Banco Central após o discurso mais cauteloso do Copom.


… A agenda doméstica também traz a Pnad Contínua na quinta-feira e o PIB do primeiro trimestre na sexta-feira, além da divulgação dos números do Caged de abril. A expectativa é de aceleração da atividade após a estabilidade observada no fim de 2025.


… Na agenda do BC, o boletim Focus (8h25) e o Relatório de Estabilidade Financeira (8h) abrem a semana hoje, com entrevista coletiva de Gabriel Galípolo e diretores da autoridade monetária (Ailton de Aquino e Paulo Picchetti), às 11h.


… Amanhã, terça-feira, saem os dados do setor externo; na quarta, estatísticas de crédito; e, na quinta-feira, números fiscais de abril e a taxa de desemprego do trimestre até abril, com expectativa de recuo para 5,9%.


… Ainda hoje, o ministro da Economia, Dario Durigan, participa em São Paulo do lançamento do 5º leilão do Eco Invest Brasil.


BALANÇO – No finalzinho da temporada, o destaque da segunda-feira fica para os números da São Martinho, após o fechamento do mercado.


NOS ESTADOS UNIDOS – O grande destaque será a quinta-feira, quando saem a segunda leitura do PIB americano do primeiro trimestre, os números de renda e gastos pessoais e, principalmente, o índice de preços PCE de abril, medida de inflação preferida do Fed.


… Os dados ganham peso adicional após as últimas leituras mais fortes de inflação ao consumidor e ao produtor nos Estados Unidos, que reforçaram o discurso mais duro de dirigentes do BC e aumentaram as apostas de juros elevados por mais tempo.


… A semana ainda traz ata do BCE, CPI preliminar da Alemanha, decisão de juros na Coreia do Sul e novos discursos de Fed boys.


NÃO CAIU DO CAVALO – Com o “efeito Dark Horse” provando-se menos impactante do que se imaginava na Datafolha para Flávio, em empate técnico com Lula no 2º turno, os juros futuros domésticos moderaram a pressão.


… A ponta longa do DI esvaziou os ganhos e zerou o estresse, com a melhora atribuída à redução do risco eleitoral e fiscal, na medida em que o mercado financeiro tem uma percepção mais expansionista em relação ao governo Lula.


… Apesar de na sexta o bloqueio de R$ 23,7 bilhões no Orçamento no relatório bimestral de receitas e despesas ter superado o esperado, o número foi apenas monitorado pelos investidores, sem influência direta sobre a curva.


… Perto dos ajustes, o contrato de juro para Janeiro de 2031 passou de 14,012% para 14,000% e o Jan/33 caiu a 14,085% (contra 14,120% no pregão da véspera). Os demais vencimentos subiram, mas se afastaram das máximas.


… O trecho curto ainda avançou, porque foi surpreendido pelo comentário de Christopher Waller, que mesmo sendo um dos dirigentes mais dovish do Fed, admitiu na sexta que não há a menor chance de os juros caírem este ano.


… Mas ele enfatizou que é uma “loucura” falar em alta de juros num futuro próximo, enquanto o mercado não para de antecipar as apostas de aperto monetário, agora concentradas em outubro, contra dezembro um dia antes.


… Além da surpresa com a mudança de postura de Waller, descartando um corte este ano, outra novidade do noticiário na sexta-feira foi o passe livre de Trump para o novo presidente do Fed agir com independência.


… “Não olhe para mim; faça o que quiser”, disse Trump, durante a posse de Kevin Warsh.


… Aqui, causou curiosidade o fato de, na reunião periódica com economistas, os diretores do BC Paulo Picchetti e Nilton David terem feito perguntas aos profissionais presentes, o que é bastante incomum neste tipo de encontro.


… Fontes do Valor relataram que o BC deu atenção especial às estimativas de inflação para 2028. “Perguntaram sobre como a projeção para os preços do petróleo estaria afetando a projeção para o IPCA neste prazo.”


… A percepção que ficou é que, se a projeção de 2028 no relatório Focus não piorar mais, o BC pode continuar seu ciclo de corte de juros. Já se houver deterioração nesse prazo mais longo, a autoridade limitaria a flexibilização.


… Também o petróleo em alta contribuiu para manter os juros futuros de curto prazo ainda sustentados na sexta-feira: Jan/27 marcou 14,115% (de 14,043% na véspera); Jan/28, 13,885% (de 13,802%); e Jan/29, 13,895% (13,844%).


… Sem segurança sobre se haveria progressos diplomáticos entre os Estados Unidos e o Irã durante o fim de semana, o contrato do Brent para julho subiu 0,93%, a US$ 103,54, mas caiu 5% na semana, na torcida por um acordo.


MUITO ESPUMA – Na dúvida se uma proposta de paz avançaria nas próximas horas, o câmbio doméstico preferiu não ficar desprotegido. Além disso, o conservadorismo inusitado de Waller levou o dólar a fazer o hedge.


… A moeda norte-americana negociada no mercado à vista fechou em alta de 0,55%, cotada a R$ 5,0282.


… Lá fora, faltou fôlego para o índice DXY do dólar (-0,02%, a 99,239 pontos), porque o euro caiu com Lagarde evitando sinalizar uma alta do juro na reunião de junho do BCE, apesar de a guerra ainda não ter tido um desfecho. 


… Segundo ela, na véspera da próxima decisão de política monetária, que acontece dia 11, serão divulgadas projeções de inflação e só então é que serão decididas as medidas necessárias para manter os preços na meta de 2%.


… A estimativa atual no mercado aponta inflação de 2,6% este ano, com retorno ao alvo apenas em 2027.


… O euro, que contava antecipadamente com um aperto do juro, recuou 0,13%, para US$ 1,1610. A libra esterlina fechou praticamente estável, em leve alta de 0,08%, valendo US$ 1,3441, e o iene caiu para 159,16 por dólar.


… A sinalização de Waller de juros mais altos por mais tempo pelo Fed sustentou as taxas da Note-2 anos (a 4,122%, contra 4,059% na véspera) e 10 anos (4,559%, de 4,555%). Só a do T-Bond de 30 anos caiu, a 5,066% (de 5,082%).


… O sinal verde de Trump para Kevin Warsh fazer “o que quiser” no comando do Fed foi lido pelas bolsas norte-americanas pela ótica de credibilidade da política monetária e ajudou o Dow Jones a renovar o recorde histórico.


… O índice subiu 0,58%, para 50.579,70 pontos, o S&P 500 ganhou 0,37%, aos 7.473,47 pontos, e o Nasdaq teve leve alta de 0,19%, aos 26.343,97 pontos, saindo para o feriado do Memorial Day em otimismo cauteloso com a guerra.


… Na contramão de Nova York, o Ibovespa fechou em baixa de 0,81%, aos 176.209,61 pontos. Petrobras terminou em queda (PN, -1,05%, a R$ 44,48; e ON, -0,30%, máxima de R$ 50,15), apesar da alta moderada do petróleo.


… Os papéis dos principais bancos também caíram, com exceção do BB (+0,58%; R$ 20,94). Itaú PN recuou 1,72% (R$ 39,43); Santander unit, -1,78% (R$ 27,10); Bradesco PN, -1,56% (R$ 17,62); e BTG unit, -0,81% (R$ 53,93).


… Já a ação da Vale subiu 0,57% (R$ 83,10), apesar de o minério de ferro ter operado em leve queda de 0,13%.


CIAS ABERTAS NO AFTER – PETROBRAS decidiu suspender um novo leilão de GLP para reduzir a pressão sobre o preço do gás de cozinha e sinalizar normalização após críticas do presidente Lula, segundo O Globo…


… Separadamente, a Reuters informou que o BNDES vendeu cerca de R$ 3 bilhões em ações da companhia em maio.


SABESP. O Cade aprovou a aquisição de 90% da Sanessol pela companhia, por R$ 125 milhões.


COPASA. As empresas interessadas em fazer uma oferta por uma fatia minoritária têm até hoje para apresentarem a proposta, conforme previsto no prospecto da operação. O nome do vencedor será divulgado ao mercado na quarta.


JBS. As ações registraram alta firme de 1,82% na sexta-feira na Nyse, depois de a companhia ter sido incluída na lista preliminar do índice Russell 3000, em meio ao processo anual de rebalanceamento dos índices americanos.


AXIA ENERGIA. Reuters informou que o BNDES vendeu mais de R$ 500 milhões em ações da companhia em maio.


COPEL. Reuters informou que o BNDES vendeu R$ 280 milhões em ações da companhia em maio.


QUALICORP. A companhia anunciou processo de sucessão no comando. Maurício Lopes assumirá a presidência do conselho em 31 de agosto, enquanto Eduardo Oliveira ocupará o cargo de diretor-presidente.


RD SAÚDE. Conselho aprovou compra da fatia do GPA na STIX por R$ 23 milhões.


ONCOCLÍNICAS. A companhia contratou o BTG Pactual para atuar como formador de mercado das ações na B3.


DIMED. Acionistas aprovaram aumento de capital de R$ 1,227 bilhão para R$ 1,294 bi, sem emissão de novas ações.

Bankinter Portugal Matinal

 Análise Bankinter Portugal 


NY +0,4% US tech +0,4% US Semis +2% UEM +1% España +0,1% VIX 16,7% Bund 3,04%. T-Note 4,56%. Spread 2A-10A USA=+43pb B10A: ESP 3,47% PT 3,41% ITA 3,78% FRA 3,81% Euribor 12m 2,780% (fut.12m 3,0671%) USD 1,164 JPY 185,0/€ 158,9/$. Ouro 4. 553$. Brent 97,9$. WTI 90,9$. Bitcoin -0,2% (77.305$). Ether -1,1% (2.105$). 


:: SESSÃO. Nova subida hoje, provavelmente com o apoio de um risco inferior da geoestratégia (prorrogação de 60 dias no Irão, parece), petróleo abaixo dos 100 $/b., resultados corporativos 1T brilhantes e uma macro menos afetada do que o temido pela subida do petróleo, além de fatores associados à geoestratégia. Com Nova Iorque e Londres fechados, Europa poderá despistar-se, mas a melhoria de fundo provavelmente irá dar-nos a nona semana consecutiva de subidas em Nova Iorque. 


Em primeiro lugar, o risco geoestratégico parece inferior, percebendo-se o desejo de uma desescalada por parte dos EUA e do Irão. A situação provavelmente estancar-se-á durante tempo indeterminado, mas o seu agravamento parece pouco provável. 


Em segundo lugar, os resultados corporativos são simplesmente brilhantes: lucros +29% nos EUA e +12% na UE vs. +14,4% e +4% estimado, respetivamente. E os lucros determinam as bolsas a longo prazo.


Em terceiro lugar, a macro que se publica parece menos deteriorada do que se temia, no que diz respeito ao ciclo económico. E o aumento da inflação, até quase +4% nos EUA e um pouco superior a +3% na Europa, parece digerido. É provável que de daqui para a frente se modere. O “protagonista macro” desta semana será, precisamente, o Deflator do Consumo (PCE) americano (quinta-feira), que não prejudicará o mercado porque se espera que aumente até +3,9%, o que não surpreenderá porque a inflação já publicada saiu +3,8%, e é provável que não suba muito mais.


Além disso, a 12 de junho sairá SpaceX à bolsa, provavelmente com sucesso, independentemente do justificável da sua avaliação (OPV por aprox. 4% do capital a uma avaliação no intervalo 1,7Bn$/2,0Bn$), reavivando o dinamismo do mercado.


:: CONCLUSÃO. Estimamos que as bolsas continuarão a subir até à saída de SpaceX a meados de junho, pelo menos se a geoestratégia não incomodar, e que esta semana poderá ser a nona consecutiva de subidas em Nova Iorque.


FIM

domingo, 24 de maio de 2026

Viva a longevidade!

 O livro do ano no Japão:

O psicólogo Hideki Wada publicou um livro intitulado “A Parede dos 80 Anos”. Assim que foi lançado, o livro superou 500.000 cópias vendidas, tornando-se o mais vendido do momento. Se essa tendência continuar, as vendas deverão ultrapassar 1 milhão de exemplares, tornando-se o livro do ano no Japão.

O Dr. Wada, de 61 anos, é um médico especializado em doenças mentais em idosos. Ele condensou os segredos de uma vida “afortunada” para os jovens de 80 anos em 44 frases, listadas a seguir:

* Continue caminhando.

* Quando estiver zangado, respire profundamente.

* Faça exercícios suficientes para que seu corpo não fique rígido.

* Beba mais água ao usar ar-condicionado no verão.

* Quanto mais você mastigar, mais ativos estarão seu cérebro e seu corpo.

* A perda de memória não se deve à idade, mas à falta de uso do cérebro.

* Não há necessidade de tomar medicação em excesso.

* Não é necessário reduzir excessivamente a pressão arterial e o açúcar.

* Estar sozinho não é solidão; é passar o tempo em paz.

* A preguiça não é motivo de vergonha.

* Não é necessário gastar dinheiro com carteira de motorista (há uma campanha no Japão para que os idosos devolvam suas habilitações).

* Faça o que quiser; não faça o que não gosta.

* Os desejos naturais permanecem mesmo na velhice.

* Em qualquer caso, não fique sentado em casa o tempo todo.

* Coma o que quiser; um pouco de sobrepeso é melhor.

* Faça tudo com cuidado.

* Não se envolva com pessoas de quem você não gosta.

* Não assista televisão o tempo todo.

* “Quando o carro chega à montanha, o caminho aparece”: esta é a frase mágica da felicidade para os idosos.

* Coma frutas e saladas frescas.

* O tempo de banho não deve ultrapassar 10 minutos.

* Se não conseguir dormir, não se obrigue.

* As atividades que trazem alegria aumentam a atividade cerebral.

* Diga o que sente; não pense demais.

* Encontre um “médico de família” o quanto antes.

* Às vezes, mudar de ideia está tudo bem.

* Se você parar de aprender, envelhece.

* Não deseje fama; o que você tem já é suficiente.

* Quanto mais difícil é algo, mais interessante se torna.

* Tomar sol traz felicidade.

* Faça coisas que beneficiem os outros.

* Passe o dia de hoje com tranquilidade.

* O desejo é a chave da longevidade.

* Viva com alegria.

* Respire com leveza.

* Os princípios da vida estão em suas próprias mãos.

* Aceite tudo em paz.

* Pessoas alegres são amadas por todos.

* Um sorriso traz boas energias.


Com a perspectiva correta e hábitos diários saudáveis, os anos depois dos 60 podem ser os mais gratificantes da vida.

sábado, 23 de maio de 2026

Mercado de aluguel

 *Estadão: Demanda alta por aluguéis e preços mais elevados beneficiam investidores e empresas*


São Paulo, 23/05/2026 - A alta demanda por aluguel, o encarecimento da locação e a pouca oferta em regiões centrais impulsionaram o interesse de investidores e proprietários. “O aluguel voltou a ser visto como uma fonte relevante de renda recorrente, especialmente em regiões urbanas consolidadas”, afirma Thiago Reis, gerente de comunicação e dados do QuintoAndar. “O imóvel está no radar como um ativo estratégico, não apenas patrimonial”, diz Reis.


Reis afirma que, aliado aos desafios da compra, nota-se uma mudança de comportamento. “O aluguel deixou de ser uma etapa temporária e passou a ser uma escolha estrutural para uma parcela relevante das pessoas”, acredita. “Há uma demanda crescente por unidades compactas, funcionais e bem localizadas, especialmente estúdios e apartamentos de um dormitório.”


Incorporadoras passaram a desenvolver projetos específicos para o investidor comum que busca a renda do aluguel. Também é neste cenário que se fortalecem as iniciativas de multifamily, prédios residenciais de um único proprietário ou fundo destinados integralmente à locação.


A Vila 11, por exemplo, compra e constrói empreendimentos em regiões nobres da cidade de São Paulo e os disponibiliza para locação. Só em 2025, seis novos prédios e 680 unidades foram entregues.


O pacote do apartamento de um dormitório e 33 m² é negociado por R$ 5 mil mensais, enquanto as unidades de três dormitórios e 93 m² podem chegar a R$ 20 mil. “O aluguel passa a ser a saída mais eficiente: sem entrada, sem dívida de longo prazo, menos capital imobilizado”, afirma Jorge de Moraes, diretor comercial e de marketing da empresa.


“A mobilidade profissional cresceu e ter um imóvel pode representar rigidez, prendendo o morador a uma localização numa hora em que a capacidade de adaptação importa”, defende o executivo, cuja companhia dobrou de faturamento no último ano.


Combinação


Outra empresa que atua no segmento é a Greystar, que adota uma estratégia semelhante ao combinar investimento e operação de ativos residenciais. A companhia saltou de 1.220 unidades gerenciadas, em 2023, para 1.877 unidades em 2025.


O objetivo da Greystar é atender solteiros e famílias pequenas em apartamentos de um ou dois quartos, com aluguel previsto de R$ 2,5 mil a R$ 3 mil. “A estrutura do fundo está sendo desenhada para atrair capital com foco em localizações como Barra Funda e zona norte de São Paulo”, explica Cristiano Viola, diretor de operações da empresa.


Para Gustavo Favaron, CEO global da consultoria GRI Institute, existe um hiato no mercado de imóveis entre R$ 600 mil e R$ 1 milhão. “Ao notar a redução do poder de compra da classe média, o movimento natural é voltar as atenções para o aluguel, suprindo uma necessidade do consumidor”, afirma. “Essa tese é consolidada em outros mercados, como na Europa e Estados Unidos, e deve crescer no Brasil.”


*Desafios*


O governo federal tem buscado responder aos desafios habitacionais enfrentados pela classe média para sair do aluguel. Em resposta a isso, anunciou uma série de medidas nos últimos anos. Entre elas, destaca-se o Programa Reforma Casa Brasil, com crédito habitacional destinado à solução de problemas estruturais e ampliações de residências.


O governo também anunciou, em 2025, a nova política de crédito habitacional, que permite que a Caixa financie até 80% do valor dos imóveis comprados via poupança. Alguns meses antes, o banco havia reduzido essa fatia máxima do financiamento para 70%.


Outra medida significativa foi o aumento no teto de financiamento para imóveis pelo SFH de R$ 1,5 milhão para R$ 2,25 milhões e o teto de 12% de juros ao ano para o financiamento habitacional.


No entanto, talvez a medida mais aclamada pelo mercado seja a expansão do Minha Casa, Minha Vida, com a criação da Faixa 4, destinada a famílias com renda mensal de R$ 8,6 mil a R$ 12 mil.


A análise de especialistas é que as iniciativas são positivas, mas não são suficientes para estimular a retomada do segmento.


Broadcast+

Roberto Freire Institucional

 "Como cidadão e parlamentar que combateu a ditadura  militar de 64, não aceito lições de democracia de conveniência . 

Minha crítica a este decreto de Lula  - criando um "orwelliano ministério da justiça" um moderno dipizinho da censura - não se confunde com o barulho dos neodemocratas que ontem aplaudiam o autoritarismo. Minha assinatura está na historia da resistência e redemocratização do nosso país. 


O atual governo de Lula, embora se reivindique de esquerda e se diga respeitador da democracia , flerta abertamente com uma visão dogmática e autoritária de Estado. Ao criar uma máquina burocrática para policiar o debate público e ditar o que é "verdade" ou "mentira", "discurso de ódio" "desinformação", "ações e atos contra a democracia" et caterva...   o palácio do Planalto abre as portas para a censura e pavimenta a antessala de um regime autoritário, ditatorial.


As lições da história são implacáveis: o arbítrio sempre se instala sob o pretexto de nos proteger. 

O problema é que as ferramentas de vigilância e controle criadas por este governo são abusos hoje e permanecerão na estrutura do Estado amanhã. E essa  faca institucional cortará o pescoço sem distinção alguma de toda e qualquer dissidência não importa de onde venha. 

Crimes se combatem na legalidade democrática e na Justiça, com o devido processo legal, e não por meio de decretos do Executivo. A democracia exige pluralismo, não um consenso forçado pelo medo e pela vigilância.

Combati o autoritarismo fardado no passado e não assistirei calado à sua reedição burocrática e dogmática no presente. Os fins não justificam os meios. Quem é livre e democrático não aceita mordaça.


QUE O CONGRESSO NACIONAL APROVEITE O QUE PODE E DEVE SER APROVEITADO NO MALFADADO DECRETO DA CENSURA E O RESTANTE REMETA A LATA DE LIXO DA HISTÓRIA .

 ENQUANTO É TEMPO !


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Jairo José da Silva

 Na chamada síndrome de Estocolmo, o prisioneiro desenvolve uma ligação emocional com seu algoz, ele passa a ama-lo.

Nós, brasileiros, temos uma forte síndrome de Estocolmo em relação a nosso pior algoz, o Estado.

Quando algo vai mal no país, ou seja, sempre, e por quase tudo, as soluções que imaginamos sempre convocam o Estado. Pobreza? Problema do Estado. Saúde da população? Estado. Segurança pública? Estado. Péssimo nível educacional? Mais Estado. O trânsito está ruim? Faltam leis e punições. Ainda mais Estado. É como se não existisse sociedade fora do Estado. O que lembra a máxima fascista: tudo no Estado, nada contra o Estado, nada fora do Estado (Benito Mussolini, 1922).


O Estado retira um terço dos nossos salários via imposto de renda e joga sobre o que sobra uma penca de outros impostos. Para desencorajar a atividade econômica privada, fora do Estado, ele afoga o investidor em impostos, taxas e tributos e o enreda numa teia bizantina de leis e regulamentos.

E para quê? Principalmente para o seu próprio benefício. Privilégios principescos aos marajás do Estado, que vão de salários astronômicos (a unidade mais rica da Federação é de longe o DF, o ninho da burocracia estatal), a benesses que empalidecem príncipes orientais.

Uma juíza afastada por corrupção continua a receber salários que passam do milhão, um ministro pode requisitar um jato da Força Aérea para ir para casa no final de semana, o STF exige que seus vinhos tenham pelo menos dois prêmios internacionais. O presidente e sua mulher, em suas viagens “oficiais”, que são quase mensais, esnobam as dependências já nababescas das nossas embaixadas para se hospedarem em hotéis que cobram milhares de dólares o pernoite. Para o Estado tudo e sempre às nossas custas. Para o povo, nada ou migalhas.


O Estado, qualquer Estado, é intrinsecamente fascista e nossa fascinação com o Estado é uma fascinação com o fascismo. E quanto mais pobre é o indivíduo, mais fascistamente fascinado com o Estado ele é. O Estado o mantém acorrentado, mas impede que ele morra de fome, como um domador de circo o seu animal. E por isso ele ama o Estado, frequentemente encarnado num líder carismático que o incorpora, Hitler, Mussolini, Stálin ou Lula. Ele vê o flagelo que o Estado impõe aos “ricos” com satisfação, como se fosse uma vingança pessoal. Não lhe ocorre que substituir o Estado pelos ricos, ou melhor, por uma sociedade livre capaz de produzir riqueza, gerando assim mais e melhores empregos, bons salários e mais amplas oportunidades, não apenas roubar a riqueza de quem a produz, seria para ele bem melhor negócio.


A senhora que faz a faxina semanal em meu apartamento me contou hoje, feliz, que finalmente recebeu os R$3.000 da ação judicial que moveu contra o Estado pelo golpe financeiro promovido pelo governo Collor, o confisco da poupança, mais uma ação violenta do Estado. Lembro que esse confisco se deu em março de 1990. 36 anos para recuperar parte do dinheirinho roubado!


Em Cuba, toda a atividade econômica está concentrada numa entidade cuja função precípua é colocar a parca riqueza produzida em mãos dos barões do Estado, os Castro e seus capangas, bilionários num país de esfomeados.

Trump disse que vai enviar 100 milhões de dólares em ajuda a Cuba, mas através de entidades não estatais, como a Igreja, para que o dinheiro chegue efetivamente ao povo e não seja roubado pelos comunistas.

E o que fez o Estado cubano? Baixou hoje uma lei que o permite confiscar bens e propriedades privadas sem aviso prévio. Tudo no Estado, nada contra o Estado.


No Brasil, o lulopetismo controla completamente o Estado. O parlamento, os tribunais, as forças armadas, colocados todos a seu serviço. Para continuar assim, ainda que haja formalmente eleições, ele controla todo o processo eleitoral através de cortes aparelhadas e imprensa de cabresto. Ontem, instalou a censura oficial às redes que relutam em se submeter aos seus desígnios. Para ele, o Estado é sinônimo de democracia. A voz rouca do povo não conta, só a sua própria voz ecoada nos aparelhos do Estado.


O Estado é um cancro e o lastro que nos mantém escravos e pobres.

Temos que aprender a pensar e a agir fora do Estado.

sexta-feira, 22 de maio de 2026

EUA: o paradoxo dos benefícios sociais — mito, realidade e distorções de percepção, Renan Silva

 22 de maio de 2026

Segundo apurei ao longo de minha análise das estruturas institucionais americanas, há um paradoxo recorrente no debate público: afirma-se que os Estados Unidos seriam um país “sem políticas sociais”, ou que adotariam uma lógica exclusivamente liberal, avessa ao amparo estatal. Não obstante, quando examinamos tecnicamente o arranjo norte‑americano, encontramos um arcabouço robusto, diversificado e frequentemente mais amplo do que o observado em economias de bem‑estar europeias tradicionais.

Em minha opinião, esta contradição aparente emerge não da ausência de políticas sociais, mas da forma distinta com que elas são organizadas, financiadas e comunicadas — fatores que moldam percepções equivocadas fora do território americano.


1. O fundamento do paradoxo: um Estado Social que não se declara como tal

Ao contrário de países onde o welfare state é centralizado, universal e explicitamente reconhecido — como Alemanha, França ou os países nórdicos —, o modelo dos EUA foi construído em torno de três pilares estruturais: (i) Descentralização total (estados e condados possuem autonomia sobre saúde, educação e assistência); (ii) Forte componente fiscal via créditos tributários, e não transferências diretas e, (iii) Programas focalizados, não universais, criados para grupos específicos: idosos, baixa renda, crianças, trabalhadores com baixa remuneração, etc.

O resultado é que, apesar de existir um mosaico amplo de políticas públicas, o consumidor mediano não percebe esse sistema como um “direito universal”, mas como um conjunto de benefícios condicionados — o que reforça a imagem de um país supostamente avesso ao social.


2. A Arquitetura Social Americana: vasta, complexa e frequentemente subestimada

2.1 Saúde e Assistência Médica

Embora o país não possua um SUS, a estrutura de saúde pública é extensa: (i) Medicare (idosos e pessoas com deficiência); (ii) Medicaid (baixa renda) e (iii) CHIP (crianças de famílias que não se qualificam ao Medicaid, mas não podem pagar seguro privado).

Esses programas, somados, atendem mais de 150 milhões de pessoas — quase metade da população. Em termos macroeconômicos, equivalem a aproximadamente 8% do PIB, similar à soma de saúde pública de países com sistemas universais.

2.2 Previdência Social e Renda

A Social Security Administration opera uma das maiores redes de proteção do mundo com a Aposentadoria (Retirement Benefits), a Disability (SSDI), a Supplemental Security Income (SSI) e a TANF (transferência direta para famílias vulneráveis). A Social Security, isoladamente, é responsável por tirar 22 milhões de americanos da pobreza todos os anos.

2.3 Alimentação e Nutrição

Programas como SNAP e WIC garantem segurança alimentar para dezenas de milhões de famílias. O SNAP, por exemplo, atende cerca de 42 milhões de beneficiários — o maior programa de combate à fome do Ocidente.

2.4 Moradia e Energia

  • Section_8 subsidia parte o aluguel de famílias de baixa renda.
  • LIHEAP apoia despesas de energia e calefação.

Ambos são fundamentais em estados de clima extremo, onde o custo energético é elevado.

2.5 Trabalho, renda e incentivos fiscais

A política social americana se apoia fortemente em mecanismos tributários, como:

  • EITC (Earned Income Tax Credit) — um dos programas mais eficazes de redução da pobreza nos EUA.
  • Child Tax Credit — complementa a renda de famílias com filhos.
  • Unemployment Insurance — seguro-desemprego estadual.

Do ponto de vista macroeconômico, esse conjunto de créditos fiscais funciona como um sistema de transferência de renda indireta, porém altamente eficiente.


3. Educação: um modelo público, gratuito e descentralizado

A percepção brasileira de que “o ensino público americano é ruim” decorre, em minha opinião, de um desconhecimento sobre o funcionamento dos distritos escolares.

Ensino K-12

  • Gratuito e obrigatório.
  • Financiado majoritariamente por impostos prediais locais.
  • Complementado por verbas estaduais e federais.

A descentralização cria disparidades regionais, mas também produz alguns dos melhores high schools do mundo — especialmente em distritos de alta arrecadação.

Universidades Públicas

Embora pagas, são substancialmente subsidiadas via: In-state tuition, Pell Grants, Need-based scholarships, Programas federais como Work-Study e Fundos filantrópicos bilionários. Em universidades de elite “need-blind”, estudantes de baixa renda podem estudar com custo zero, algo extremamente raro em países de modelo estatal universal.


4. Por que, então, o Brasil acredita que os EUA não cuidam do social?

Em minha análise, há quatro fatores centrais:

4.1 O modelo não é universal, mas fragmentado

Ao contrário do Brasil, que possui sistemas unificados (SUS, INSS, ensino federalizado em parte), os EUA operam: Programas separados, Regras distintas por estado e Critérios específicos para cada benefício. A falta de um “guarda-chuva” único oculta a dimensão do sistema.

4.2 O financiamento é indireto e tributário

Grande parte dos benefícios ocorre via créditos no imposto de renda, o que não é intuitivo para sociedades acostumadas a transferências diretas.

4.3 A narrativa política americana valoriza o individualismo

Há uma aversão cultural a rotular políticas públicas como “assistencialistas”, entretanto os programas existem, mas o discurso enfatiza mérito, trabalho e autonomia.

4.4 A mídia brasileira foca nos custos da saúde privada

A saúde de mercado é, de fato, cara. Isso domina a percepção brasileira, obscurecendo o papel gigante de programas como Medicare, Medicaid e CHIP.


5. O que isso significa do ponto de vista macroeconômico global

Como observador, o sistema social americano é menos visível, mas fiscalmente gigantesco e funciona como um estabilizador automático fundamental em crises. O EITC e o SNAP, por exemplo, são anticíclicos: expandem-se em recessões, sustentando consumo — crucial para um país onde 70% do PIB vem da demanda doméstica. Já a descentralização reduz rigidez fiscal federal, permitindo maior dinamismo econômico. Assim, na prática, os EUA possuem um welfare state grande, funcional, mas conceitualmente diferente do europeu ou latino-americano.


Conclusão: desmontando o mito com técnica

Em minha opinião, a ideia de que os Estados Unidos “não cuidam do social” é mais mito cultural do que realidade econômica. O país opera um sistema social robusto, ainda que fragmentado, com forte foco em grupos vulneráveis, idosos, crianças e trabalhadores de baixa renda. O que existe não é ausência de Estado, mas um Estado social silencioso, distribuído, fiscalmente criativo e politicamente menos assumido.

Para o observador brasileiro, compreender essa arquitetura é fundamental não apenas para evitar comparações equivocadas, mas também para reconhecer que existem múltiplos caminhos para a proteção social — alguns universais e explícitos, como o brasileiro; outros descentralizados e tributários, como o americano.

A História da Economia em Uma Visão Simples

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