terça-feira, 6 de abril de 2021

MACRO MERCADOS DIÁRIO 06/04/2021 - ORÇAMENTO SEGUE NO RADAR

O início desta semana nos mercados foi pródigo de boas novidades. Os EUA seguem superando as expectativas, batendo recordes nas bolsas de valores; por aqui, o Ibovespa rompeu os 117 mil pontos, empurrado pela Vale. Já o dólar recuou um pouco, a R$ 5,67, depois de recuar ao piso de R$ 5,63 ao longo do dia. Ou seja, operamos de olho no mercado nova iorquino, mas também nos nossos imbróglios domésticos, como o impasse do Orçamento e a trajetória da pandemia.

Nos EUA, a contribuir para o bom desempenho, o anúncio, na semana passada, do pacote de Infraestrutura de Joe Biden, mobilizando US$ 2,3 trilhões, voltado para infraestrutura, e o payroll de março, acima do esperado, 916 mil empregos gerados. Já a taxa de desemprego caiu a 6% da PEA. O esforço de retomada da economia e o bom ritmo das vacinações contribuíram para esta “maior geração de empregos não agrícolas”, com destaque para hotelaria e construção. Contratações em Educação também dispararam, dado o retorno dos jovens às escolas.

O que se observa, na verdade, é que a economia norte-americana volta, consistentemente, “a rodar em bom ritmo”. Ontem, o PMI de Serviços veio crescente em março contra fevereiro, passando de 59,8 pontos para 60,4. Decorrente disso, as casas já começam a revisar o crescimento do PIB neste ano. A IHS Markit já trabalha com 6,2%, contra 5,7% na estimativa anterior.

Sobre o pacote de Infraestrutura, é bem amplo e ambicioso, mobilizando US$ 2,3 trilhões, superando o anterior, em torno de US$ 1,9 trilhão. Ambos, em conjunto, resultam na maior mobilização de recursos desde o New Deal nos anos 40. É o fortalecimento de políticas fiscais ativas e anti-cíclicas, o uso do “multiplicador fiscal” na melhor acepção da literatura keynesiana, visando superar as “flutuações de demanda efetiva”.

Este segundo pacote tem como slogan “valorizar o trabalho e combater as mudanças climáticas”. Será dividido em duas partes: a primeira, agora, de geração de empregos, a segunda, mais para fins de abril, no atendimento às famílias, mais voltado para saúde e educação. Em conjunto, deve durar oito anos, se valendo de quinze anos para ser totalmente pago via impostos.

Os setores beneficiados Transportes (US$ 620 bilhões), com a construção de rodovias (32 mil quilometros previstos), 10 pontes de pioridade econômica e outras (10 mil). Neste, atenção especial será dada à educação no trânsito e aos investimentos em carros elétricos. Teremos também muito investimento, US$ 650 bi, em internet (banda larga), saneamento, redes elétricas, moradias; para Pesquisa & Desenvolvimento será US$ 180 bi, para a Indústria (US$ 300 bi) e para o assistencialismo, principalmente, aos mais fragilizados, imigrantes (US$ 400 bi).

Como isso será financiado? Biden anunciou maior taxação sobre lucro das empresas, de 21% para 28%, além de mudanças na taxação de empresas que lucram no exterior, visando dificultar o envio de ativos para offshores. Neste caso, a taxação deve passar de 13% para 21%. O governo se cerca, pois é fato que quando a tributação doméstica se eleva, as empresas sempre tendem a buscar mecanismos de “burla”. Difícil saber se estas tributações serão aprovadas no Capitólio, já que na Câmara a maioria Democrata é bem apertada. Os Republicanos já se colocaram contrários a este pacote.

Retornando ao Brasil,
o impasse do Orçamento segue no radar. De um lado, o ministro Paulo Guedes, querendo eliminar o excesso de emendas parlamentares, do outro, Arthur Lira e Rodrigo Pacheco, mobilizados em manter.

É boato que ambos estão também interessados em enfraquecer o ministro Guedes para tentar “fatiar” o seu ministério, criando o Planejamento. Interessante. De fato. Em paralelo, há um embate entre Guedes e Rogério Marinho do Desenv. Regional. Bolsonaro tem participado muito de eventos pelo Brasil (ontem foi a inauguração de um condomínio do “Moradia Verde Amarela”), e quem sempre está junto é o ministro Rogério Marinho. Aliás, ele e Pedro Guimarães da CEF. Este, aliás, seria o nome à substituir PG (apenas a minha percepção).

Bolsonaro, aliás, não se manifesta neste impasse do Orçamento. Tem deixado que o ministro Guedes debata com os chefes do Parlamento. Por outro lado, não resta dúvida sua posição delicada. Se fechar com Guedes e cortar emendas, perderá espaço junto ao Congresso; se ceder aos parlamentares perderá ainda mais apoio do meio empresarial e do mercado. A execução ormentária se tornará, inevitavelmente, uma “peça de ficção”, pela impossibilidade de cortar despesas obrigatórias e discricionárias, e se mantido o “cipoal” de emendas. O teto dos gastos acabará perdendo razão e o TCU irá em cima.

Segunda-feira também foi um dia de forte queda na cotação do barril de petróleo, já que os países membros da OPEP devem optar pela ampliação gradual da produção de petróleo. Mesmo assim, a Petr4 fechou o dia em pequena alta, dada a perspectiva de reajuste do gás ao fim deste mês.

No mundo político, saiu uma pesquisa XP Ipespe e inevitável observar que, diante da desastrosa gestão do presidente Bolsonaro no combate à pandemia, houve avanço do ex-presidente Lula. De 17% em janeiro passou a 21% das intenções de voto agora, ao fim de março (29 a 31/3), com Bolsonaro estacionado nos 24%. Os dois ainda possuem ampla vantagem sobre os demais citados no levantamento espontâneo. A terceira posição é do ex-governador do Ceará Ciro Gomes (PDT). Na sequência, o ex-juiz federal Sergio Moro (sem partido); Guilherme Boulos (PSOL), líder do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST); e o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), com 1% das intenções de voto cada.

segunda-feira, 5 de abril de 2021

MACRO MERCADOS SEMANAL 05/04/2021 - ORÇAMENTO, PANDEMIA E CRISE POLÍTICA

Mais uma semana intensa de acontecimentos. A Covid 19 segue causando estragos na sociedade brasileira, com mais de 330 mil mortos, nos colocando, por equívocos variados e atrasos na vacinação, no “epicentro da pandemia global”; no governo tivemos a substituição de seis ministros e o Orçamento enviado ao presidente para sancionar, mas com excesso de emendas como complicador; na economia, dados de desemprego e fiscais mostraram forte deterioração; nos EUA, um “mega pacote” de Infraestrutura foi anunciado, prometendo mobilizar US$ 2,3 trilhões e taxar as empresas em 28%. Tivemos também, por lá, um payroll mais forte (916 mil empregos gerados), o que deve impactar nos “treasuries” americanos.

Sobre a pandemia, em março foi um mês recorde de mortes (66,8 mil), em decorrência do atraso na entrega das vacinas e na pouca mobilização pelo isolamento social. A programação do Ministério da Saúde indicava 46 milhões de doses, mas só foram entregues 20,3 milhões. O mesmo deve acontecer agora em abril, estimadas 47,3 milhões e só devendo ser entregue 25,5 milhões. Tudo isso acontecendo por problemas nos laboratórios, mas também pelo governo ter limitado os acordos. Apenas avançamos em contratos com a Coronavac chinesa e a Astrazeneca inglesa. A Covaxxin indiana e a Sputinix ficaram pelo caminho e a Pfizer e Jansen só devem chegar no segundo semestre. Nesta toada, são mais de 330 mil mortos e a teimosia em negar a necesidade urgente de lockdown, nem que por alguns dias ou semanas. Isso já acontece no mundo. A França ingressou em lockdown absoluto, a Espanha, a Itália, outros países da Europa. Portugal, por ter se antecipado, está em processo gradual e cauteloso de “desconfinamento”. No Brasil, tudo ao contrário.

Mesmo com o caos da pandemia, trocamos de ministros, repercutindo a saída do da Defesa, general Fernando Alvarez, contrariado e reafirmando ser as Forças Armadas uma instituição de Estado e não “subordinada” a arranques populistas de governos. Na troca do ministro e seus comandados, um freio de arrumação acabou acontecendo, com o novo ministro, general Braga Neto, habilidoso em contornar o “mal estar”. Bolsonaro vinha perseguindo o boma general Pujol, do Exército, por este não se envolver nas suas “quarteladas”. Isso mostrou que a cúpula militar não está fechada com o presidente Bolsonaro, talvez alguns da baixa da oficialidade, políciais...mas o Estado Maior não.

Outro destaque na semana
é o imbróglio em torno do Orçamento de 2021. No Congresso, o relator, Marcio Bittar (MDB), anunciou um excesso de emendas, R$ 29 bilhões e uma subavaliação na estimativa de despesas de custeio, reduzindo as previdenciárias em R$ 30 bilhões. Como estas são obrigatórias, não poderão ser cortadas, o que poderia obrigar o governo a “inventar” algo. O risco aqui, aos olhos do TCU, seria configurar “crime de responsabilidade”.

Na semana passada, o relator Bittar propôs um corte de R$ 10 bilhões em emendas, mas Paulo Guedes não aceitou. No que está sendo negociado, as pastas mais impactadas são Desenvolvimento Regional, Turimo, Cidadania e Agricultura. Mas reparem. Para o Desenvolvimento Regional, do desafeto de Paulo Guedes, Rogério Marinho, foram enviadas “emendas extras”, R$ 8,6 bilhões. Como Rogério é “parlamentar licenciado” e tem bom trânsito, tal privilégio se explicaria. O problema é que isso enfraquece o discurso austero do ministro Guedes, aquele que tem a “chave do cofre”.

Novos embates são esperados nesta semana, mas se o presidente Bolsonaro não vetar as emendas, não restará outra saída, mais à frente, do que o “shutdown”, a paralisia da máquina. Além da saída de Paulo Guedes e da sua equipe. Isso já parece no horizonte há um bom tempo.

Um alento. Neste final de semana a nova articuladora do governo, ministra da Secretaria Geral, Vera Arruda, conseguiu avançar em novos ajustes no Orçamento. Pelas sinalizações, os cortes de despesas e de emendas devem ficar entre R$ 13 bilhões e R$ 18 bilhões, além dos já R$ 10 bilhões prometidos por Bittar.

Dados fiscais. A máquina pública segue impactada pela pandemia. Em 2020, a Dívida Bruta do Governo Geral foi a 88,8% do PIB, em fevereiro deste ano passou a 90%, sendo que, ao fim de 2019 estava em 74,3%. Dada a velocidade de crescimento deste endividamento, medidor de solvência do governo, a maior preocupação neste momento é o risco de “rompimento do teto dos gastos”. Quanto mais o Brasil tiver que mobilizar recursos públicos, tal qual o auxílio emergencial, quanto mais atrasar na vacinação, maior o risco de estouro deste teto. Daí a importância de agilização da vacinação

Por fim, nos EUA tivemos um mega pacote de infraestrutura na semana passada e, mais do que isso, o anúncio de que a economia norte-americana reage rapidamente. Na Sexta-Feira Santa, pelo payroll, foram 916 mil empregos gerados em março, com o desemprego caindo a 6% da PEA. Decorrente disso, o dólar se valorizou frente ao euro, a libra esterlina e o iene. Já os T Bonds de 10 anos foram a 1,71% e devem passar disso nesta segunda-feira.

Mercado de Ativos

Bolsa de Valores


Será mais uma semana de muita volatilidade nos mercados.
Na quinta-feira (dia 1), véspera do feriado de Páscoa, o Ibovespa registrou queda de 1,18%, a 115.25 3 pontos. Os investidores não quiseram ir para o feriado “comprados”. Em março, a valorização foi de 6,0%, mesmo com três perturbações no horizonte - crise fiscal, pandemia explosiva e crise política. Agora em abril a expectativa é de “volatilidade”, pelo ambiente político açodado, vacinação atrasada e imbróglio orçamentário. Com certeza, não devemos repetir março.

Taxa de câmbio

Quinta-feira passada, o dólar fechou a R$ 5,7153, +1,54%, acumulando 10% de valorização no ano. Nesta segunda-feira deve vir pressionado, com os Treasuries americanos acima de 1,7%, depreciando ainda mais o real. Bom para as empresas exportadoras, ruim para a inflação e as empresas endividadas em dólar.

Taxa de Juros

A “curva de juro” deu uma inclinada de 20 pontos nesta semana passada, diante das incertezas em relação ao ambiente político e o ritmo da pandemia. Assim sendo, as taxas médias e longas fecharam a semana em alta, diante da forte aversão ao risco fiscal, dada a questão não resolvida do Orçamento. Também “pesaram nas taxas” o avanço do dólar, do petróleo e os receios com a pandemia. Importante que tal comportamento não surpreendeu, considerado normal, com o Tesouro ofertando grande lote de papéis curtos, sem risco ao mercado. Trabalhamos com a Selic a 5,25% ao fim deste ano e 6,0% em 2022.

Inflação

A inflação deve seguir pressionada até, pelo menos, meados do ano, com um nível de espalhamento maior mostrado pelos núcleos e pelos índices de difusão. Nesta semana temos o IPCA “cheio” de março, na mesma trajetória de alta, em torno de 0,8%, pressionado por novos reajustes de combustível, alta do petróleo, câmbio depreciado e elevação das commodities.

Agenda Semanal

Uma semana relativamente calma, com poucos indicadores. Devemos nos ater às escaramuças políticas, debates sobre o Orçamento e mobilização em torno das vacinas. Nos indicadores, destaque para a inflação, com alguns índices como IPC da Fipe, IGP-DI e IPCA, todos de março. O IPCA deve se manter “pressionado”, pelas depreciações cambiais e a alta das commodities, o que deve trazer elevações adicionais nos alimentos. Ainda temos os dados de Serviços do IBGE, no desafio da retomada da economia. Nos EUA em destaque a ata do Fomc na quarta-feira. O recado é de que a taxa de juros não deve ser ajustada antes de 2024. Jerome Powell participa de Seminário do FMI na quinta-feira.

NO INVESTING.COM

 Eu gosto de dar os meus pitacos. Escrevo para o investing.com. O q chama atenção é o nível. Muitos "bolsominions". Fazer o quê? Escrevi um texto totalmente neutro. Muitos gostam, outros não. Deu mais de 7,3 mil lidos.




domingo, 4 de abril de 2021

CENÁRIO PARA ABRIL SEGUE TÓXICO

Sobre a Covid

Já ultrapassamos 330 mil mortes, num cenário preocupante de descontrole. Nos últimos dias as mortes chegaram a mais de 3,8 mil ao dia, colapsando os sistemas de saúde de várias cidades, sobrecarregando os leitos dos CTIs, escasseando os insumos, como “kit entubação”, etc. 

A programação de vacinação para abril ficou um pouco aquém do esperado, mas uma boa notícia foi a encomenda da vacina “Jansen”, que só exige uma dose. É uma esperança!

Importantes avanços houveram na análise da vacina Sputinik pela Anvisa, essencial na ampliação da cobertura do ciclo de vacinação. Por outro lado, a Covaxxin, vacina indiana, acabou reprovada por problemas de fabricação. Acredita-se numa revisão desta decisão. 

A Pfizer anunciou que apenas 1% dos vacinados com duas doses adquiriram a Covid 19 após 6 meses, todos com infecção leve. Ou seja, a imunidade proporcionada pela vacina deve durar mais do que seis meses (a ver quanto tempo durará) e nenhum dos vacinados contraiu a forma grave da doença.

Observamos bem como uma bem organizada e rápida mobilização por vacinas faz a diferença. Os EUA estimam acabar com o ciclo de vacinações ao adultos ainda em abril. No Brasil, o desencontro predomina. O que consola é que não estamos sós. Na Europa, a falta de vacinas também norteia o dia a dia em vários países. Portugal já está "
desconfinando", mas na França, um "lockdown" absoluto de duas semanas foi aprovado, assim como na Alemanha, Itália e Espanha. Enquanto as vacinas não chegam, ninguém sai de casa. Por lá, optaram pelas vidas e não a economia.

Sobre outros fatos

Tivemos uma agenda intensa na semana que passou, com a substituição de seis ministros no governo Bolsonaro. O chanceler Ernesto Araújo caiu por incompetência e verborragia indecifrável; já o ministro da Defesa, general Fernando Azevedo, e os comandantes das três armas, se “rebeleram” e deram um “chega para lá” no presidente, que queria “apoio” para as suas “estripulias”. Saíram falando que as suas "armas" não seriam usadas por caprichos de um governante. Não tem este papo de “meu Exército”.

Em paralelo, com as mortes a mais de 320 mil, acabou formado o “Gabinete de Crise”, algo bem atrasado (já deviar ter sido feito há um ano!). Artur Lira, presidente da Câmara, em discurso, foi direto, “remédios amargos e fatais” podem se tornar necessários se “ele” não se enquadrar. Impeachment no forno?

Outro fato foi o debate sobre o Orçamento, com o Parlamento se propondo a cortar até R$ 10 bilhões em emendas. Paulo Guedes reagiu, não aceitando, e reafirmando que estas têm que caber no Orçamento. São 15 dias de análise, depois de sair do Congresso, para sanção presidencial. Até o dia 22 teremos discussões.

Indicadores chaves

Bolsa de Valores

Fechamos quinta-feira (dia 1), véspera do feriado de Páscoa, com o Ibovespa em queda de 1,18%, a 115.25 3 pontos. A impressão é que os investidores não quiseram ir para o feriado “comprados”. Em março houve uma “bela” valorização de 6,0%, mesmo com três perturbações - crise fiscal, pandemia explosiva e crise política, pelas condutas intempestivas do presidente. Para abril, a expectativa é de mais “volatilidade”, pelo ambiente político açodado, mesmo com vacinação. Não repetiremos março.

Taxa de câmbio

Na quinta-feira, o dólar fechou a R$ 5,7153, +1,54%, acumulando 10% de valorização no ano. No dia anterior havia recuado 2%, chegando na máxima intraday, R$ 5,7158. Os investidores estão na defensiva por causa da questão do Orçamento e do payroll americano mais forte (+916 mil). Isso, com certeza, pressionará os Treasuries americanos, depreciando ainda mais a nossa moeda. Mais “correção” é prevista na segunda-feira. Bom para as empresas exportadoras, ruim para a inflação e as empresas endividadas em dólar. Ao fim deste ano estimamos o dólar à R$ 5,40, R$ 5,20 nos anos seguintes.

Taxa de Juros

A “curva de juro” deu uma inclinada de 20 pontos nesta semana passada, diante das incertezas em relação ao ambiente político e o ritmo da pandemia. Assim sendo, as taxas médias e longas fecharam a semana em alta, diante da forte aversão ao risco fiscal, dada a questão não resolvida do Orçamento. Também “pesaram nas taxas” o avanço do dólar, do petróleo e os receios com a pandemia. Importante que tal comportamento não surpreendeu, considerado normal, com o Tesouro ofertando grande lote de papéis curtos, sem risco ao mercado. Trabalhamos com a Selic a 5,25% ao fim deste ano e 6,0% em 2022.

Inflação


No Brasil, o IPCA-15 ficou dentro das expectativas do mercado (0,93%), influenciada diretamente pelo choque dos combustíveis mais caros. Em 12 meses acumula 5,57%, superando o teto da meta (5,25%). Sendo assim, a inflação de curto-prazo segue (e seguirá) pressionada até, pelo menos, meados do ano, com um nível de espalhamento maior mostrado pelos núcleos e pelos índices de difusão. Nesta semana teremos o IPCA “cheio” de março, na mesma trajetória de alta, pressionado por novos reajustes de combustível, pela alta do petróleo (+3,0%). Ao fim deste ano, trabalhamos com o IPCA a 5,1%; para 2022 deve ficar em 4,5%.

Atividade

Ritmo da economia segue fragilizado, dado o atraso das vacinas e os desencontros na adoção de políticas públicas, além do “açodamento político”.O primeiro trimestre foi fraco, dado o ritmo de vacinações muito lento. O mesmo deve ocorrer com o segundo trimestre. Uma retomada mais consistente, apenas no segundo semestre, ainda assim, desde que a vacinação avance no devido ritmo, imunizando a maioria da população adulta. Em fevereiro, a produção industrial do IBGE recuou 0,4%, depois de nove meses em alta.




quinta-feira, 1 de abril de 2021

CPI DA COVID NO CENTRO DAS ATENÇÕES

No Brasil, a CPI da Covid no centro das atenções, com o bombástico depoimento de Fábio Wajngarten, ex-secretário de Comunicação. O que ele dirá? Comprometerá o governo, mais ainda, o ex-ministro Pazuello, chamando-o de incompetente pelas negociações com a Pfizer? Nos EUA, atenção para o CPI, importante para o balizamento de juro do Fed.

Estimativas de mercado apontavam alta de 0,2% em abril e 3,6% na taxa anualizada, contra a base fraca do ano anterior. No núcleo, 0,3% no mês e 2,3% na comparação anual. 

Aguardemos como o Fed deve reagir, dado o intenso fluxo de recursos para os emergentes e que uma mudança de postura de Jerome Powell tudo pode alterar. 

No Brasil, como "pano de fundo", as várias operações de IPOs das empresas, visando se "capitalizar" para o pós pandemia, o aumento nos ingressos externos e no comercial, o superávit da balança causado pelo grande volume de exportações agrícolas para a China. E viva o super ciclo das commodities! 

Decorrente disso, o dólar já testava os R$ 5,20, não sendo surpresa se recuar abaixo disso.

Ainda sobre o Brasil, outro fato a chamar atenção é a discussão do tal "orçamento paralelo", denunciado pelo Estadão, mas ainda a comprovar. O que se comenta é que variados "projetos" da estatal Eletrobras deveriam ser usados no Norte e Nordeste, como "moeda de troca" com o Centrão.

Sobre a CPI da Covid, foi surpreendente nesta terça-feira o desempenho do presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, elogiado por todos, até por membros da oposição. 

Afirmou ele ter posições bem diferentes do presidente da República, Jair Bolsonaro, em diversos temas, como o uso de máscaras, vacinas e distanciamento social. Bastidores indicavam que esta participação irritou profundamernte o Planalto. Em paralelo, o Ministro da Saúde já anunciou que fechou a compra de 100 milhões de doses da Pfizer. As doses começam a chegar a partir de setembro, mas serão usadas somente em outubro (35 milhões).

Enquanto isso, o ex-ministro Pazuello garantiu junto a AGU habeas corpus para permanecer em silêncio na CPI da Covid, não respondendo a ninguém no seu depoimento do dia 19.

Na agenda deste dia, destaque para os dados do volume de serviços, do IBGE, previsto para recuo de 3,1% na margem. De tarde, temos o fluxo cambial, a derrubar ainda mais a moeda norte-americana.

Nos balanços, Eletrobras, depois do fechamento, junto com BRF, JBS, Cia. Hering, Eneva, Hapvida, MRV Engenharia, Natura & Co, Suzano, Via Varejo e Yduqs.

Nos EUA, atenção para o CPI de abril, também a ser divulgado na Alemanha (3h). A AIE solta seu relatório mensal de petróleo (5h). A commodity poderá ser influenciada também pelo estoques semanais do DoE (11h30).


quarta-feira, 31 de março de 2021

MACRO MERCADOS DIÁRIO 31/03/2021 - PRECISAMOS DE ESTABILIDADE

Foi uma terça-feira (dia 30) em que os investidores ainda “lambiam as feridas” do “caos político” do dia anterior. O esforço aqui era absorver a reforma ministerial, atento aos embates entre os militares e o governo, e ainda transitando pela pandemia, que ontem atingiu recorde de mortes (3.668) e o Orçamento, totalmente disfuncional, em negociação no Congresso.

Mesmo assim, alguns ainda conseguiram enxergar algumas positividades sobre o que aconteceu. A reforma ministerial, por exemplo, mostrou “alguma aproximação entre Executivo e Legislativo”, e, mais do que isso, de que o Centrão, no seu pragmatismo pela governabilidade, deve assumir o leme do návio nestes mares revoltos. Com um dos seus quadros, Vera Arruda (PP-DF), num posto estratégico do Planalto (Casa Civil), a impressão é que o ritmo das negociações deve se tornar outro. Ela, inclusive, já presidente da CMO, deve conseguir “destrinchar” melhor o Orçamento de 2021 (OGU), o “bode na sala” a ser retirado.

O maior problema no OGU é que ele foi aprovado na Câmara com “subestimação das despesas de custeio” para tornar possível a acomodação do festival de emendas. Algo totalmente irreal. Agora, é lutar para que o Congresso retire boa parte destas emendas para que “caibam no Orçamento”, como disse Paulo Guedes.

Foi um dia, também, de indicadores divulgados, mais “amenos” do que o esperado. O IGP-M de março veio com 2,94%, maior taxa para o mês desde o Plano Real, mas abaixo das projeções; a Caged com expansão de 401 mil vagas formais, bem melhor do que o esperado, o que pode ser lido que a retomada da economia acontece, apesar dos pesares. Para isso, é o que disse Paulo Guedes, muita campanhade vacinação precisa ser agilizada. Talvez nosso quadro não seja tão ruim, por já termos produção nacional, pelo Butantan e em breve, pelo governo, o que pode tornar possível a vacinação de todos adultos acima de 50 anos até maio. Por outro lado, não podemos deixar de observar o caos até aqui, com recorde de mortes neste dia 30, 3.668.

Nos EUA, o ritmo é intenso, com uma média de 3 milhões de pessoas por dia, podendo resultar em 90% dos adultos vacinados agora em abril. Isso se reforça também à ampla campanha de vacinação no Reino Unido, já com metade dos adultos já tendo tomado a “primeira dose”.

Isso nos leva a crer que a prioridade é organizar as campanhas de vacinação e cessar de uma vez por todas os bate bocas inúteis. Enquanto a vacina não vem, as pessoas têm que ficar em casa sim, tem que haver lockdown, mesmo que nas suas várias modalidades. Isolamento social é a única saída, além de máscara e álcool gel, além de todo cuidado nas movimentações. Não tem jeito. Vários países superaram este virus no mundo, com destaque para Portugal (2 pessoas morreram ontem !), Nova Zelândia, Austrália, Israel, Chile, Uruguai, e vamos achando países.

Falando da reforma ministerial, já citada acima, pode representar um fortalecimento do Centrão, em prol da governabilidade do País, meio que enquadrando o presidente, num sinal amarelo de que se ele não colaborar e não “calar a boca, remédios amargos e fatais acabarão necessários”. Para bom entendedor...

Já o afastamento dos comandantes militares (maior crise desde a redemocratização de 1985), também se guiou pela mesma mensagem...”voce está isolado e é bom se enquadrar”.

Voltando ao mercado, outro dado nesta situação caótica foi o desempenho fiscal, do governo central, com déficit de R$ 21,2 bilhões, um pouco abaixo do esperado.

Neste contexto, no dia 30, a bolsa paulistana, pela manhã, muito volátil, à tarde deu uma reagida, fechando no azul, avançando 1,24%, a 116.849 pontos, beneficiada pela recuperação dos papéis de consumo domésticos, diante da perspectiva de aceleração das vacinações. No mês de março, até o dia 30, a valorização chegou a 6,19%, meio que compensando a perda de 1,82% no ano.

No mercado de juros, todas as pontas da curva deram uma recuada, depois do IGP-M menor do que o esperado e a reforma ministerial enquadradora, além do Caged mais robusto. Agora crescem as apostas de que o ajuste de juro, dividido entre 0,75 e 1,0 ponto percentual, deve tender mais para a segundo “range”. O presidente do BACEN, Roberto Campos Neto, aliás, disse que o ajuste do juro pode ser célere, caso as negociações do Orçamento não se encaminhem bem.

Por fim, em dia de PTAX, o câmbio segue pressionado, o que se reflete numa readequação dos investidores estrangeiros, neste ambiente de confrontos e ameaças de ruptura. Neste contexto, dia 30, o dólar, que chegou a R$ 5,80 em alguns momentos do dia, deu uma cedida ao fim, fechando a R$ 5,7619 (-0,08%). Já os CDSs avançaram um pouco, de 228,4 pontos a 231,4, refletindo este ambiente de desconfiança dos investidores estrangeiros.

CENTRÃO E GOVERNABILIDADE, 30/03/2021

Na metade do mandato, em frágil composição política no Congresso, sempre às turras com o então presidente da casa Rodrigo Maia, Jair Bolsonaro acabou como um dos articuladores para a eleição da dupla Rodrigo Pacheco, para o Senado, e Artur Lira, para a Câmara, no início de fevereiro. 

Era previsível, portanto, algum "troca troca político", uma nova composições de forças teve que ser construída. Ou seja, isso não foi gratuito. Algo teve que se dado em troca, pela "sustentação de aluguel" do Centrão ao governo Bolsonaro. 

Sendo assim, novas "influências" ao governo se tornaram fato, o que se confirmou nos "ajustes" realizados nesta segunda-feira (dia 29).

Em movimentação que surpreendeu a todos, Jair Bolsonaro acabou realizando uma reforma ministerial de peso, com mudanças em seis cargos. 

Especulações indicam que os proximos a caírem deverão ser Ricardo Salles do Meio Ambiente, Rogerio Marinho, do Desenvolvimento Regional, e o ministro da Educação, mais um fundamentalista que eu não recordo agora o nome. 

Podemos "calcular" que o governo está sendo levado a estas decisões, em função da necessidade de limpar a sua agenda ideológica por pressão do Centrão, outros, mais pragmáticos, consideram que em parte sim, pois muitos destes quadros no governo vinham atrapalhando no seu bom transcurso. 

No caso de Rogério Marinho, a razão seria também os constantes embates com o ministro Paulo Guedes, cioso da necessidade de respeito ao "teto dos gastos", e também pela austeridade, a não ingressar em nenhuma aventura populista, que não possa ser sustentável depois. 

Nas mudanças empreendidas nesta segunda-feira (dia 29), seis cargos foram trocados. 

Na Defesa, saiu o general Fernando Azevedo para abrir espaço ao general Braga Netto, antes na Casa Civil, agora ocupada pelo general Luis Eduardo Ramos, deslocado da Secretaria de Governo para a entrada da deputada Flavia Arruda, esposa do ex-deputado José Roberto Arruda. Pode estar aqui sendo construído o tal "rearranjo" do Centrão na relação com o governo. Isso porque será ela a negociar com o Congresso cargos e a analisar várias emendas dos deputados 

Na Justiça, assume o delegado da Polícia Federal, Anderson Torres, conhecido do filho 01 Flavio Bolsonaro. André Mendonça volta para a AGU, com a saída de José Levi, por discordar do presidente Bolsonaro; 

E finalmente, no Ministério das Relações Exteriores saiu Ernesto Araújo e entra o Embaixador Carlos Alberto Franco França. Este, então chefe do cerimonial do Planalto, tende a ser mais discreto e menos histriônico nas relações do Brasil com o resto do mundo. Com certeza, não deve gerar fricções, por exemplo, com a China, maior parceiro comercial do Brasil na atualidade. Este país é simplesmente 70% da nossa pauta comercial, maior demandante de soja, minério de ferro e um dos maiores de carne dos nossos frigoríficos. 

Sobre as mudanças na Advocacia-Geral da União, saiu José Levi Mello, entra André Mendonça, possível candidato para o STF na próxima aposentadoria dos 11, de Marco Aurélio de Mello. 

Sobre a troca na Defesa, um fato a chamar atenção é que os três comandantes, Aeronáutica, Marinha e Exercito, também saíram. Isso representa um claro indicativo de que as FFAA não aderiram ao populismo do presidente Bolsonaro. Outro fato a chamar atenção é que o general Fernando Azevedo demonstrou, de forma cabal, que o Exercito é uma instituição de Estado e não de governo. Ou seja, não irá embarcar em nenhuma aventura populista. 






Paulo Cursino

  Não, eu não gostaria de ver a América de Trump tirando o presidente da Venezuela do poder. Eu gostaria de ver o Brasil fazendo isso. O paí...