sexta-feira, 22 de maio de 2026

BDM MAtinal Riscala

 Wishful thinking move mercados

Mas falta de novidades sobre um acordo definitivo pode esvaziar otimismo


22/05/2026


Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato


… O mercado inicia a sexta-feira tentando calibrar o quanto há de avanço real nas negociações entre Estados Unidos e Irã e o quanto foi apenas wishful thinking. Depois de um pregão marcado por forte volatilidade e pela queda do petróleo, o Brent voltou a subir no início dos negócios na Ásia, refletindo a falta de novidades sobre um acordo definitivo. Os impasses envolvendo o urânio enriquecido iraniano e o controle sobre o Ormuz seguem sem solução. Em paralelo, o mercado acompanha a posse de Kevin Warsh no comando do Fed e o Relatório Bimestral no Brasil, em sessão mais curta para os Treasuries, que encerram negociações às 15h, antes do feriado do Memorial Day, na segunda-feira.


GUERRA & DIPLOMACIA – O mercado voltou a operar a esperança de distensão no Oriente Médio após relatos de avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã, mediadas pelo Paquistão, mas sem qualquer confirmação de acordo definitivo.


… O pregão desta quinta-feira foi marcado por forte volatilidade, com investidores alternando momentos de aversão e apetite por risco.


… Pela manhã, o petróleo chegou a superar os US$ 109 após relatos de que o líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, teria barrado a retirada do urânio enriquecido do país, uma das principais exigências americanas para encerrar a guerra.


… O humor virou à tarde, após sinais de redução parcial das divergências entre os dois países e de relatos sobre um entendimento preliminar envolvendo cessar-fogo imediato, compromisso de evitar ataques contra infraestrutura e garantia de livre navegação no Estreito de Ormuz.


… Em troca, as sanções dos Estados Unidos contra o Irã poderiam ser gradualmente suspensas.


… Apesar do alívio, quase uma torcida do mercado, os principais pontos de impasse continuam abertos, especialmente o destino do urânio enriquecido iraniano e o controle sobre Ormuz.


… Trump voltou a afirmar que os Estados Unidos querem receber o urânio iraniano e rejeitou qualquer hipótese de cobrança de pedágios na rota marítima, enquanto Teerã insiste na suspensão das sanções, no desbloqueio de ativos e em garantias de cessar-fogo também no Líbano.


… O petróleo inverteu o sinal ao longo da tarde e fechou em queda superior a 2%, mas ainda acima de US$ 100, num ambiente marcado por estoques globais apertados e temor persistente de inflação.


… O movimento tirou pressão dos Treasuries, do dólar e dos ativos de risco, mas perdeu força no fim do pregão, à medida que investidores voltaram a ponderar que o histórico recente de frustrações nas negociações ainda recomenda cautela.


… A própria dinâmica das negociações ajudou a esfriar parte da euforia. A Al Arabiya negou informações de que um acordo preliminar já teria sido fechado, enquanto fontes ouvidas pela Reuters afirmaram apenas que as divergências diminuíram.


… O adiamento da viagem do marechal paquistanês Asim Munir a Teerã – comentada mais cedo pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio, como um sinal importante – reforçou a percepção de que as conversas avançaram, mas ainda não chegaram a um acordo definitivo.


A POSSE DE WARSH – O mercado acompanha nesta sexta-feira a cerimônia de posse de Kevin Warsh na presidência do Federal Reserve, marcada para o meio-dia de Brasília e com participação de Donald Trump na Casa Branca.


… A transição encerra oficialmente a gestão de Jerome Powell no comando do BC americano.


… Indicado por Trump e aprovado pelo Senado neste mês, Warsh assume o Fed em meio ao debate sobre independência da autoridade monetária e pressão da Casa Branca por juros mais baixos, num ambiente marcado pelos efeitos da guerra e temor persistente de inflação.


RELATÓRIO BIMESTRAL – Aqui, o mercado acompanha nesta sexta-feira a divulgação do Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias do segundo bimestre, às 15h, em meio à expectativa de novo bloqueio orçamentário para acomodar o avanço das despesas obrigatórias.


… Em entrevista ontem à noite para a CNN, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, antecipou que o governo anunciará aumento do bloqueio atual de R$ 1,6 bilhão, embora tenha descartado, por ora, a necessidade de contingenciamento.


… Segundo ele, as receitas seguem em linha com o previsto e o principal foco de pressão continua sendo a Previdência.


… Segundo fontes ouvidas pela Broadcast, o relatório deve trazer aumento de cerca de R$ 11 bilhões nas despesas previdenciárias no último bimestre, refletindo tanto a concessão de novos benefícios quanto a redução da fila do INSS.


… Integrantes do governo dizem que a alta decorre do esforço para acelerar análises represadas e não de deterioração estrutural das contas.


… O tema ganha ainda mais sensibilidade diante do discurso da equipe econômica sobre controle de gastos obrigatórios e sustentabilidade do arcabouço fiscal. Durigan afirmou que o governo está “cortando na própria carne”.


… E defendeu uma regra em que o crescimento das despesas fique abaixo da expansão das receitas, permitindo a geração gradual de superávits.


… Ao mesmo tempo, o ministro voltou a minimizar a relação entre política fiscal e juros elevados, afirmando que a pressão inflacionária atual decorre principalmente do choque provocado pela guerra no Oriente Médio e da alta do petróleo.


… A fala ocorre em meio ao debate crescente sobre o impacto da escalada geopolítica sobre inflação, dívida pública e trajetória da Selic.


NOVO DATAFOLHA – Pode sair hoje, ou amanhã (sábado), a primeira pesquisa do Datafolha que captará o efeito Vorcaro na candidatura de Flávio Bolsonaro, com uma novidade – incluirá cenário com Michelle Bolsonaro.


… No último levantamento, Lula tinha 38% das intenções de voto no 1º turno e Flávio, 35%. No 2º turno, empatavam com 45% cada.


NO, I DIDN’T –Aliados afirmam que Flávio foi convidado para visitar a Casa Branca na próxima semana. O senador negou ter solicitado encontro com Trump e respondeu em inglês aos jornalistas: “No, I didn’t ask anything”.


… Questionado sobre a campanha, limitou-se a dizer: “Um dia de cada vez”.


… Segundo CNN Brasil, Flávio deve se reunir com Trump em Washington no próximo dia 25. Lideranças do PL negam qualquer discussão sobre substituição do senador na disputa presidencial após o caso envolvendo Daniel Vorcaro.


CURTAS DA POLÍTICA – O Congresso derrubou vetos de Lula à LDO e liberou doações de bens, benefícios e transferências da União para Estados e municípios durante o período eleitoral, desde que haja contrapartida dos entes beneficiados.


… O governo alegava risco de afronta à legislação eleitoral e ao interesse público.


… Parlamentares também pressionaram Davi Alcolumbre pela leitura do pedido de criação da CPMI do Banco Master, mas o presidente do Congresso voltou a adiar a decisão, afirmando que a prioridade da sessão era destravar recursos para municípios e obras públicas.


ESCALA 6X1.O relator da PEC do fim da escala 6×1, deputado Léo Prates, afirmou que pretende apresentar o parecer na próxima segunda-feira e defendeu implementação já em 2026, sem transição para os dois dias de folga semanais.


… A redução da jornada de 44 para 40 horas segue em discussão.


… Hugo Motta apoia implementação gradual em dois ou três anos, enquanto parlamentares contrários à proposta defendem prazo ainda maior.


… Em paralelo, cresce a resistência de economistas à proposta.


… Reportagem do Estadão traz alerta de analistas sustentando que o fim da escala 6×1 pode reduzir a capacidade de crescimento do País ao elevar o custo da hora trabalhada, estimular informalidade e pressionar setores de baixa produtividade.


… O receio é que a redução da jornada sem corte salarial anule parte dos ganhos obtidos após a reforma trabalhista de 2017, especialmente num ambiente de envelhecimento populacional, baixa qualificação da mão de obra e estagnação da produtividade.


MAIS AGENDA – No Brasil, além do Relatório Bimestral, o foco da manhã fica para a reunião trimestral do Banco Central com economistas do mercado financeiro, em meio à consolidação das apostas de corte de 0,25 ponto da Selic em junho.


… Participam dos encontros os diretores Nilton David e Paulo Picchetti, em meio ao debate sobre petróleo, inflação e o ciclo de flexibilização.


… No exterior, além da posse de Kevin Warsh no comando do Federal Reserve, o mercado acompanha os dados finais de sentimento do consumidor da Universidade de Michigan (11h), em busca de sinais sobre atividade e inflação nos Estados Unidos.


… Também entram no radar indicadores de confiança na Alemanha, vendas no varejo no Reino Unido e discurso de Christopher Waller (11h).


… A agenda ainda traz dados semanais da Baker Hughes sobre plataformas de petróleo em operação nos Estados Unidos (14h), em sessão que deve seguir altamente sensível a qualquer nova sinalização envolvendo as negociações entre Washington e Teerã e o futuro de Ormuz.


JAPÃO HOJE – A inflação ao consumidor perdeu força em abril: subiu 1,4% na comparação anual, desacelerando em relação à alta de 1,8% registrada em março. O resultado ficou abaixo da expectativa de alta de 1,7%.


CONFIA DESCONFIANDO – Hesitantes em seguir manchetes otimistas após decepções anteriores, como resumiu o ING, os mercados globais adotaram otimismo cauteloso com o aceno do acordo de paz mediado pelo Paquistão.


… Tanto o investidor não quis embarcar de cabeça, que manteve as apostas de que o Fed antecipe uma alta do juro para este ano ainda, até porque, mesmo que a guerra acabe, vai demorar para normalizar o fluxo de petróleo.


… O estrago sobre as expectativas de inflação já está feito e o vaivém de escalada e desescalada das tensões no Oriente Médio não dá muito segurança para os negócios operarem convictos sobre um desfecho definitivo.


… O suposto avanço nas negociações diplomáticas não impediu que o mercado ampliasse as apostas de um aperto monetário do Fed em dezembro para 57%, contra 45% um dia antes. A chance de manutenção é de 38,8%.


… Com o investidor desconfiado de que a alta no juro pode se tornar inevitável, não deu para os ativos relaxarem ontem tanto quanto desejavam com o alívio de que um acordo preliminar com o Irã possa estar a caminho.


… Ainda reverberando o tom hawkish assumido pela ata do Fed, a taxa dos Treasuries de 2 anos e o dólar avançaram lá fora. Aqui, a moeda norte-americana fechou estável contra o real e permaneceu acima da marca dos R$ 5.


… O petróleo, como se viu, virou e se distanciou das máximas pela manhã, quando superou US$ 109. Mas ainda não foi desta vez que furou US$ 100. São sinais de prudência, de quem está vacinado contra as reviravoltas da guerra.


… O contrato do Brent para julho encerrou em baixa de 2,32%, cotado a US$ 102,58. A Reuters informou que a Opep+ deve concordar com um aumento modesto na produção, de 188 mil barris por dia, na reunião de 7 de junho.


… Pouco convencido de que o Fed conseguirá driblar o impacto do choque energético, o juro da Note-2 anos subiu a 4,059%, de 4,046% na véspera. Já os yields dos bônus longos deram um voto de confiança à diplomacia e caíram.


… O retorno da Note de 10 anos recuou para 4,555% (de 4,574%) e o do T-bond de 30 anos, a 5,082% (de 5,114%).


GATO ESCALDADO – Na primeira reação instintiva às notícias de que a ofensiva militar estaria com os dias contados, os juros futuros domésticos e o dólar chegaram a cair com mais intensidade, para depois corrigirem os exageros.


… Trump é o rei do blefe e não deu ontem para sair apostando todas as fichas de que desta vez será diferente e vai realmente dar tudo certo. Na dúvida, os ativos preferiram se precaver de excessos de otimismo e ir mais devagar.


… Na curva do DI, os contratos se afastaram das mínimas do dia e recuaram de forma moderada.


… No fechamento, o vencimento para janeiro de 2027 marcava 14,040% (de 14,057% no ajuste anterior); Jan/28, 13,815% (de 13,862%); Jan/29, 13,845% (de 13,912%); Jan/31, 14,020% (de 14,076%); e Jan/33, 14,130% (14,173%).


… Considerando o cenário hipotético de que um acordo de paz saia do papel, o gerente de câmbio da Treviso Corretora, Reginaldo Galhardo, ouvido pelo Broadcast, consegue ver o dólar voltando ao patamar de R$ 4,80.


… Parece um nível razoável de ser alcançado, na medida em que o câmbio tem sentido menos do que outros mercados o estresse da guerra, blindado em boa medida pela Selic ainda alta e atrativa às operações de carry trade.


… Na mínima ontem, o dólar bateu R$ 4,9833, mas com o noticiário confuso sobre as negociações com o Irã, achou melhor terminar de lado, praticamente estável (-0,04%), a R$ 5,0012, à espera das cenas dos próximos capítulos.


… Lá fora, ainda com o tom duro da ata do Fed preso à memória, o índice DXY avançou 0,16%, a 99,257 pontos, deixando em segundo plano os relatos sobre a versão preliminar do acordo para encerrar o conflito no Oriente.


… Está todo mundo torcendo pelo melhor desfecho, mas sem dispensar cautela, para não cair no canto da sereia. As moedas europeias fecharam estáveis: euro a US$ 1,1621 e libra a US$ 1,3436. O iene recuou para 158,94 por dólar.


… Para analistas do ING, apesar do aparente alívio na tensão geopolítica, está difícil de apostar agressivamente contra a moeda americana, diante do risco apontado pelas apostas do CME de alta do juro pelo Fed em dezembro.


… O dirigente Austan Goolsbee acha que a inflação está piorando e que virou um problema “bastante significativo”.


PIQUE NO LUGAR – Sem total segurança sobre os progressos da guerra, as bolsas em Nova York não foram longe. No caso do Nasdaq, que fechou no zero a zero (+0,09%), a 26.293,10 pontos, a Nvidia ainda esvaziou os ganhos.


… O papel da gigante de tecnologia caiu 1,77%, porque estava superalta a barra das expectativas para o balanço.  


… O desempenho do S&P 500 também foi tímido: +0,17%, aos 7.445,72 pontos. Só mesmo o Dow Jones subiu de forma mais convincente (+0,55%) e renovou o seu recorde histórico de fechamento, aos 50.285,66 pontos.


… Aqui, sem confirmação oficial se vai sair um trato entre os Estados Unidos e o Irã, o Ibovespa desacelerou de quase 0,70% na máxima, para menos de 0,20% no fechamento: +0,17%, aos 177.650 pontos, com giro de R$ 23,5 bilhões.


… Petrobras contrariou a queda firme do petróleo: ON subiu 1,25%, a R$ 50,30, e PN, +0,78%, a R$ 44,95. Vale também foi na contramão da queda de 1% do minério de ferro e registrou valorização de 0,77%, para R$ 82,63.


… Entre os bancos, que avançaram em bloco, Itaú PN puxou a fila, com alta de 1,13%, a R$ 40,12. BB ganhou 0,58% (R$ 20,82); Santander unit, +0,51% (R$ 27,59); BTG unit, +0,31% (R$ 54,37); e Bradesco PN, +0,22% (R$ 17,90).


CIAS ABERTAS NO AFTER – PETROBRAS informou que GQG Partners elevou participação na companhia para 5,03%.


PETRORECONCAVO. A companhia ajustou marginalmente o valor do JCP por ação, de R$ 0,340750 para R$ 0,340748, sem alteração no montante total distribuído.


EMBRAER. A companhia fará o resgate integral das notas com vencimento em 2030 e taxa de 7,000%.


AZUL. A companhia emitirá até 6,9 milhões de bônus adicionais ligados à reestruturação sob Chapter 11 nos EUA.


SABESP. A companhia afirmou que avalia oportunidades de mercado com “cuidado e responsabilidade”, mas disse que o foco segue no plano de investimentos em São Paulo…


… A manifestação ocorreu após reportagem do Broadcast mostrar que a Equatorial avalia disputar sozinha a posição de acionista de referência na privatização da Copasa.


IGUÁ SANEAMENTO. Acionistas aprovaram aumento de capital de R$ 700 milhões para acelerar investimentos.


COPEL. Conselho aprovou renovação do programa de recompra de ações por mais 18 meses.


AXIA ENERGIA. O fundo GQG Partners passou a deter 5,02% das ações ordinárias.


ACELEN RENOVÁVEIS. A companhia iniciou a implantação de biorrefinaria de US$ 1,5 bilhão na Bahia, com capacidade para produzir SAF e diesel verde.


JSL. BNDESPar passou a deter 5% do capital da companhia após exercer opção de compra de 14,3 milhões de ações.


UNIPAR. A companhia converteu 178 ações preferenciais classe A em classe B.


MITRE. O bloco de controle, composto pela Mitre Partners, Star Mitre, Fabrício Mitre e Jorge Mitre, reduziu a participação para 37,86% do capital social, contra 40,19% anteriormente.


NEOGRID. O conselho emitiu parecer favorável à OPA para aquisição de controle e fechamento de capital. O leilão será realizado em 27 de maio.


ESPAÇOLASER. A companhia pagará R$ 223 mil em dividendos, o equivalente a R$ 0,00062 por ação ordinária, em 29 de maio. A composição acionária usada como base será a do dia 4 de maio.


AOS ASSINANTES DO BDM, BOM DIA E BONS NEGÓCIOS!

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