segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

TENTANDO ENXERGAR O FUTURO


O que pensar do futuro num país conflagrado em que todos têm opinião sobre tudo, mas certeza sobre nada? 

Não dá para levar a sério negacionistas, se sustentando por "placebos", "mata-piolhos" e quetais, no combate a um vírus devastador, que já levou a vida de mais de 205 mil pessoas no Brasil. Se fosse isso, não teríamos mais o problema do virus, bastava o tal "tratamento precoce" e tudo estaria resolvido. A OMS teria chancelado este "tratamento", este coquetel e a crise estaria superada. "Aaahhh, isso não avança pois existe um complô comunista!"...

Por favor, menos delírios. E o pior é que quando se pensa nestas "articulações" malucas, os delírios partem de ambos os lados ou espectros ideológicos, da extrema direita, governando este País, até a extrema esquerda. 

Bom, mas o tema deste artigo não versa sobre esta "salada ideológica", esta polarização inútil, que se espalha pelo País. 

Nosso objetivo aqui é achar um "norte" para tentar navegar por este "ano da vacina" (que bom!), do recém eleito Joe Biden no governo norte-americano (tirando Donald Trump e colocando em cheque o populismo de direita no mundo), e no Brasil, essencial, da discussão das reformas, para mim, algo inadiável para pavimentar o caminho dos próximos tempos. 

A vacina saindo, mesmo com tantos ruídos e imbecilidades pelo caminho, já será um bom avanço, algo "libertador", por abrir caminhos para a "normalização" na vida em sociedade. Claro que não será tomar a primeira dose da vacina e pronto, tudo resolvido. Vamos voltar a viver sem máscaras, sem alcool gel, abraçando a beijando a todos. Não! Nada disso! Ainda virá a segunda dose, várias etapas de grupo de pessoas a serem vacinadas, e toda cautela será necessária. 

Calcula-se que pelo este ano de 2021 será percorrido neste processo. A imunização total, talvez apenas lá para o início de 2022. Assim esperamos.   

Outro ponto a destacar é o retorno do pragmatismo e do bom senso político na maior potência do mundo, os Estados Unidos. Donald Trump pode ser afastado em defintivo do mundo político ("impeachment" agora no Senado norte-americano) e a trilha liberada para as políticas mais responsáveis, muitas vezes, mais social democratas. Claro que, neste contexto, a trajetória da dívida pública norte-americana se tornará uma preocupação a mais, a o risco de lockout presente a cada final de ano fiscal.

Retornando ao Brasil, a agenda econômica, de reformas estruturais, nos parece o maior desafio para este ano. Sim, porque continuamos ladeira abaixo nos indicadores Doing Business no Banco Mundial. Nosso ambiente de negócios é altmente tóxico e a desindustrilização segue como mantra. Por isso, a urgência desta agenda de reformas. 

A começar pela reforma da Previdência, muito mais ambiciosa quando formulada pela equipe econômica, com regime de capitalização, dando a cada um a responsabilidade pela sua poupança acumulada, passando por "ajustes pesados" nos servidores públicos e nos militares, estes sempre poupados pelos diligentes lobbies, fechando em reformas pesadas nos estados e municípios, focos centrais dos desequilíbrios estruturais hoje existentes no setor público. Ou seja, a reforma do regime de Previdência do Paulo Guedes não acabou. Foi deixada pelo caminho, era aquilo nas condições políticas dadas, e me parece óbvio o pouco empenho do presidente Jair Bolsonaro. 

A reforma Tributária, outro arremedo, com a unificação de uns poucos e uma tímida rearrumação da carga fiscal sobre o sistema econômico. Acabar com o ICMS, "promotor" de tantas "guerras fiscais" no passado? Criar um imposto único, o IVA? Debater, de fato, a adoção de um "pacto federativo"? Não. Claro que o desgaste político em torno das reformas é inevitável, e o presidente não parece muito disposto a passar por isso. 

Por fim, a reforma do Estado, uma reforma essencial e urgente quando se observa que boa parte das despesas obrigatórias, que só crescem e comprometem o orçamento e a gestão do governo, estão "escondidas" na rubrica Pessoal e Encargos, incluindo aqui inativos que recebem salário integral. Então vamos combinar o seguinte. Ou cortamos este benefício e limitamos a 5,4 mil reais o salário dos aposentados, como todos que recebem INSS, ou nos locupletamos todos e acabamos com o regime previdenciário. Não dá para sustentar esta "fábrica de privilégios" (segundo Paulo Guedes). 

Não dá é para um cidadão ser privilegiado, por ter um sindicato específico de servidores públicos, sempre fazendo lobby no Congresso, contra a situação "pulverizada" de milhares de brasileiros, sem esta representatividade aguerrida e focalizada. 

Isso não me parece razoável! 

E eu me estendo a algumas áreas das empresas públicas, verdadeiros "cabides de empregos" e de privilégios, desde a Petrobras, passando pelo Banco do Brasil, Caixa Econômica e BNDES. Este último, aliás, vive do repasse do FAT e "turbina" seus lucros em operações de mercado. Assim se torna fácil ser uma empresa lucrativa. Funcionários do BNDES, acumulando vários penduricalhos, se aposentando com mais de 40 mil reais, acima do teto, se refletindo na inviabilidade do fundo de pensão Fapes. É mole?? 

Quando citadas as empresas, me esqueci de comentar outro desafio do ministro Guedes, o pacote das privatizações. Por onde andam? Por que não avançam? Correios, Eletrobras, parte do BB, subsidiárias da Petrobras, estradas diversas, aeroportos, tudo já deveria ter ido para fora. 

Será que este governo, será que o Bolsonaro teria coragem para tanto? Será que ele dará o necessário apoio ao ministro da Economia, Paulo Guedes, para tocar esta agenda em 2022? 

Eu não acredito...

Vamos conversando...

 

sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

UM PUXADINHO

O Brasil precisa sim ser revirado de trás para frente, de cabeça para baixo, ao avesso. Uma revolução nos costumes, na forma de pensar, na seriedade no trato dos diversos temas, na gestão, nos modelos de gerenciamento, precisam sim passar pela mente dos brasileiros. 

Uma pessoa lúcida, equilibrada, que busque o entendimento, mas assertiva e determinada, agindo de forma corajosa, realmente, para enfrentar os interesses, precisa surgir para as eleições de 2022. Uma pessoa com a razão ao seu lado, sabedora do que deve ser feito, com bom senso e uma disposição para enfrentar abusos e interesses escusos. 

No setor público não dá para manter uma "casta de servidores privilegiados", mobilizados por sindicatos aguerridos, mas de costas para a sociedade e a verdadeira dimensão da "coisa pública". Não faz sentido a maior aspiração de um jovem ser fazer concurso e ir para as mamatas e estabilidades do serviço púiblico. Este deve ser vocação, sacrifício, não um "nicho de privilegiados".  

Não podemos fortalecer o setor público, às custas do definhar do setor privado, até porque este mesmo setor público precisa de arrecadação federal, obtida pelo sistema econômico, pelas empresas, pelas famílias, para assim manter seus fluxos de despesa. 

Daí a indagação: mais de privilégios e sinecura e do aumento de arrecadação, da carga de impostos sobre a iniciativa privada? 

Há um cansaço perceptível. 

A mídia se aproveita e o "presidente" atual vive a gerar tensões, bate bocas, que não levam a nada. 

A última foi a sua surpreendete grita sobre as decisões do presidente do Banco do Brasil, André Beltrão, de saneá-lo, defendendo seis mil bancários no PDV e a redução do número de agências bancárias. Em resposta, Bolsonaro, disse que iria demitir o prisidente e que o momento era inadequado. Se Jair acha q o setor bancário não precisa passar por um "enxugamento pesado", pensar o quê? 

Isso é, aliás, um fenômeno global. Os grandes bancos, no Brasil e no mundo, vão passando por transformações, dada a emergência da internet, das operações virtuais. O pobre presidente do Banco do Brasil fez o certo. É preciso passar sim por um "profundo saneamento do banco". A verdade é que o BB, como tantos "elefantes brancos", é pesado, ineficiente e vem perdendo share de mercado para a concorrência. 

Aí chega o presidente e diz que não vai fazer nada disso e que o pobre presidente do BB está demitido. 

Como fica o PAULO GUEDES numa hora destas? Sim, porque a agenda liberal do ministro, o programa de privatização e de liberalização da economia vem sendo ignorado! Desde sempre. 

Se eu fosse o Guedes, pegava o boné e um abraço, ia embora. Mas não. 

Ele se cala, engole em seco e entuba mais esta loucura do "capitão". Na nossa opinião, mais um enigma a ser decifrado neste comportamento do "chicagoboy". Um doutor por Chicago se sujeitando a humilhação por um cidadão sentado na cadeira, mas sem a mínima qualificação!!!  

Guedes entubou uma reforma da Previdência, totalmente descaracterizada, não consegue avançar na sua agenda de reforma, a Administrativa e a Tributária se resumem a poucas medidas! Isso torna sua gestão na Economia, na Fazenda, um "arremedo", um puxadinho. 

Faz o possível diante das circunstâncias políticas? Sim, mas quem gerou estas circunstâncias altamente tóxicas para o avanço da gestão econômica? 

Vamos conversando. 


quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

Papo de Economista: 2022 É LOGO ALI

Papo de Economista: 2022 É LOGO ALI: Muito se comenta que a eleição de 2022 acabou, precipitadamente, antecipada. Isso é o que acha, por exemplo, o vice-presidente general Hamil...

terça-feira, 15 de dezembro de 2020

2022 É LOGO ALI

Muito se comenta que a eleição de 2022 está sendo, precipitadamente, antecipada. Isso é o que acha, por exemplo, o vice-presidente general Hamilton Mourão. Uma voz lúcida, porém dissidente neste governo. Acha ele que não seria o momento para já começarem as disputas e ataques visando 2022. 

Claro que não dá para esperar nada diferente de Jair Bolsonaro e João Dória, protagonistas desta "contenta". E logo na proximidade do calendário de vacinação, ou com a tal da "vacina chinesa" Coronavac na berlinda, além de várias outras, como a russa, a americana, a inglesa... 

Achamos ser, absolutamente, injustificada a postura de ambos os atores da cena, Bolsonaro, ideologizando tudo, se sentind perseguido, e contrário à vacina chinesa, e João Dória, querendo aprová-la à "toque de caixa", mesmo sem a "terceira etapa de testagem". Achamos que tanto o capitão, como Dória, estão tendo uma conduta temerária neste episódio. Algo totalmente arriscado. 

Há inclusive o debate dos que acham que antecipar campanha é se queimar na largada e chegar ao fim muito mais desgastado.  

Na verdade, se analisarmos as eleições de 2022,- embora estes eventos sejam iguais a nuvens, a cada momento de um jeito - chegamos a conclusão de que esta tem que passar pela alterntativa de uma "terceira via", um candidato de centro ou de consenso, mais equilibrado. A dúvida é saber se este conseguirá "capitalizar" e mobilizar a sociedade como um todo, ainda muito polarizada. 

Uma única certeza que se tem neste momento é que uma solução alternativa deve ganhar espaço diante do fracasso de 20 anos de populismo no Brasil. Com certeza, que o possível candidato de centro precisa de alguns predicados. 

  • Tem que ser um líder de verdade, um presidente que mobilize a opinião pública, pelos seus predicados e não defeitos. Por exemplo, tem que "demonstrar a dor do povo" com esta pandemia, sendo solidário, condoído até. Não dá para se comportar de forma irresponsável, relativizando as 180 mil mortes. Ou então proferir frases lapidares como "todos vamos morrer um dia", "é uma gripezinha", "lamento pelas mortes". 
  • O verdadeiro líder de uma nação deve trazer conforto aos cidadãos que perderam seus entes queridos. É intolerável o comportamento do presidente Bolsonaro, por exemplo, e estes atos deveriam sim, ensejar "crime de responsabilidade".
  • Um presidente, um verdadeiro estadista, deve ser o "farol da nação". Seus exemplos devem ser seguidos, suas atitudes, suas decisões, respeitadas!! Isso! Ele tem que ser respeitado e as pessoas atraídas pela sua simpatia e presença de espírito. Podem até discordar, mas a manter a educação e a elegância no trato interpessoal. 
  • Cito como exemplo o presidente de Portugal, Marcelo Rebelo, um professor aposentado, que se mostra ser uma pessoa afável, compreensiva, presente nos momentos mais importantes. E é candidato à releição agora em janeiro de 2021, contra a candidata do PS, Ana Gomes. Deve se reeleger. 


Vamos conversando. 




sábado, 12 de dezembro de 2020

O QUE NOS RESTA

 Por estes dias tentei transitar por um grupo na Internet, liderado por um economista heterodoxo famoso. Para quê! Tentei questionar certos mantras desta turma. Sim, porque me parece que todos se guiam por alguns pilares do pensamento "mais a gauche".

Um deles é de que o Estado é "Deus Pai", todo poderoso, todo protetor, nos seus vários tentáculos. Quem pensa diferente, é logo taxado. Você é ortodoxo, é liberal...

Para eles, o Estado é empreendedor, promove o crescimento, protege os mais pobres, tem mil e uma utilidades e serve também para dar nacos de poder para a classe política. Estatais, então, são o alvo preferido, sendo evidência, que todos os desvios nascem nestes locus. Serve também para a concessão de linhas de pesquisa, e várias vantagens ou sinecuras, aos servidores, que lá ingressam, ou por indicação política, ou, muito meritório, por concurso.

Nada contra. Muitos atravessam meses estudando para alguns concursos, todos, em sua maioria, correndo atrás da estabilidade na vida, da previsibilidade aos próximos anos. E talvez seja este o maior pecado dos empregos públicos, a tal da estabilidade. Comenta-se que esta foi criada para se evitar "perseguição política", o tal do "assédio moral".

O fato é que muitos são os grupos a pensarem dentro dos seus quadrados, dos seus mundinhos de conforto, muitos criados nas universidades públicas deste País. E estes vão, cada vez mais, se tornando ambientes em que o patrulhamento e o "pensar diferente" se torna algo difícil, uma tarefa de coragem. E o que mais me choca é que fala-se em "gado" sobre o eleitorado do presidente Bolsonaro. E aquilo é o quê?? É tão gado quanto.

Até discussão de Marx, na veia mesmo, observamos como fato. Quando num Mestrado da UFF, no início dos anos 90, fiz um curso de Economia Política na UFF em que a grade era ler os "grundises" de Karl Marx, os "tomos" do "Das Capital" no seminal em alemão. Tudo bem. Isso aconteceu em 1990. Mas e agora???

Naquela época, o curso de Economia Política só se dava isso...Karl Marx nos originais.

Se isto não era lavagem cerebral...Num curso de Economia Política ou História do Pensamento Econômico, parte-se do pressuposto que iremos ler os Clássicos até o século XIX...Adam Smith, David Ricardo, Malthus e também o bardo alemão Karl Marx.. Depois, ao florescer o séc XX, ensina-se neo-classicos, marginalistas, Leon Walras, Jevons, Alfred Marshall...ingressando finalmente em John Maynard Keynes, o mais marcante economista do século passado.

Normal, tinha-se que ler todos os clássicos, marxistas, neoclássicos, Keynes, etc, mas dentro de um contexto histórico. "O pensador tal viveu na Inglaterra vitoriana, no século XIX, pós Revolução Industrial, no avanço da produção em massa, da economia de escala, mas deixou de fora os trabalhadores. Pouco a pouco, estes foram conquistando seus direitos....E Marx surgiu nesta época para responder as perguntas dos "socialistas utópicos"....Dos que defendiam os interesses dos trabalhadores.,...coisa e tal".

Claro q tem q ser assim!

E o processo ia num acúmulo sobreposto de conhecimento...Pensadores mais novos se aperfeiçoando ao que se pensava antes...O contexto histórico seria então essencial.

É importante se mostrar as diversa linhas de pensamento economico, informando o que é mainstream, o que é ortodoxo ou heterodoxo.



Vamos conversando...

segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

QUEIMANDO PONTES

Prestes a completar dois anos de mandato, é importante que traçemos um painel sobre o que foi o governo Bolsonaro até o momento. Primeiro, faremos uma análise dos movimentos do presidente na política, depois, tentaremos encontrar elos da gestão Paulo Guedes na área econômica.

Na política, são váriados os "fios desencapados". A começar pelas várias movimentações erráticas do presidente em busca de apoio, sua saída intempetiva do PSL, seu esforço fracassado de fundar um novo partido, o "Aliança pelo Brasil",  enfim, sua total inapetência para a construção de pontes, para uma maioria "folgada" e poder tocar sua agenda de reformas ou projetos. Acabou ele totalmente refém do deputado Rodrigo Maia, do DEM, presidente então da Câmara dos Deputados. Muito se comenta que se trava aqui uma "luta surda", visando 2022, já que são correntes as opiniões dos que acham que Maia também tem pretensões para 22.

Vários foram os embates e desencontros, com boa parte da agenda do Paulo Guedes, meio que obstruída por Maia. Claro que com a pandemia as prioridades se tornaram outras, mas hje estão paradas nos escaninhos do Parlamento, as Reformas Tributária e a Administrativa do ministro Guedes, já sabendo que acabarão descaracterizadas pelos deputados, assim como tudo enviado pelo ministro ao Congresso. 

Isso, aliás, causa desconforto. Ao longo destes dois anos, tanto Guedes, como Sergio Moro, ex-ministro da Segurança e Justiça, em pesadas agendas, antes com pretensão, medidas essenciais, acabaram frustrados, pelo caminho. 

Eram "constantes" as batalhas nas Comissões do Senado e da Câmara, e estes dois ministros (Guedes, teimosamente, continua), acabavam pelo caminho, "massacrados" por Deputados e Senadores de esquerda (ou nem tanto, dada a timidez dos situacionistas). 

Afinal, onde estava o PSL, então partido do governo, nestes momentos cruciais?Por que os deputados se omitiam em situações tão cruciais? Em temas tão delicados?

Lembremos que Jair Bolsonaro foi eleito e obteve ampla maioria na Câmara, onde o PSL obteve maior número de deputados, e boa margem no Senado. Tanto o "Pacote contra o Crime", de Sergio Moro, como a extensa agenda de reformas do ministro Guedes, acabaram praticamente desidratados, ora pelo comportamento errático do Bolsonaro, ora pelo baixo apoio da troupe, ora pela sanha destruidora dos oposicionistas.

A reforma da Previdência, por exemplo, foi muito descaracterizada, se tornando uma "caricatura" do que se pretendia. O regime de capitalização acabou abandonado, assim como variadas medidas, como a transição e mudanças nos regimes previdenciários dos servidores públicos e dos militares.

E o que dizer da Reforma Tributária, não saindo do lugar, embora já nas gavetas do Congresso? 

Claro que aqui observamos um embate entre o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, cioso dos seus interesses, pouco claros, e o Executivo, do capitão. 

Todas as reformas, ou acabaram aprovadas numa "meia bomba", ou foram ficando pelo caminho. 

Claro que a Pandemia representou uma ruptura com o que precisava avançar, mas o fiasco no avanço destas nos parece fato. Guedes vem se renovando em paciência e temperânça. Moro não aguentou.

E não poderíamos esquecer dos "ataques" do presidente ao "teto dos gastos", já pensando neste ano de Pandemia e sua resistência ao terminar com o subsídio emergencial. Será que em 2021 ainda teremos este subsídio e o teto "rompido"?

Poderíamos ainda enumerar a atuação do presidente, em confrontação à esta pandemia. 

Por que negar o que o mundo observa como fato científico? A prevenção terá que vir pela vacina e esta não tem nacionalidade. Pode ser chinesa, inglesa, russa, americana. Será aceita a mais eficaz e imediata. E ponto final.

Além disso, num primeiro momento, diante da falta de vacinas, do desconhecido sobre o virus, não restava aos governos outra saída a não ser o isolamento social.

Em Portugal, por exemplo, chamava atenção a coordenação do primeiro ministro, Antonio Costa, junto ao presidente, Marcelo Rabelo e o Parlamento da República, no combate ao Covid19. Há, de fato, uma simbiose entre estes atores pelo interesse nacional, de preservar vidas e combater o virus. Não havia outra alternativa, a não ser a higiene e o uso de máscaras. assim como o evitar de conglomerações, e os recolhimentos depois de certo horário. Não podemos brigar com os fatos e negar o risco aí embutido. Bolsonaro, no seu delírio permanente, nunca deu maiores atenções a isso. Sempre considerou este vírus a ser enfrentado, uma "gripezinha", segundo o próprio.

Importante destacar seu comportamento temerário, até porque ele é uma espécie de "farol da República". Seus atos e decisões reverberam, ganham destaque, positiva ou negativa. É inegável o alcance das suas palavras, considerações, decisões. Nada passa incólume. Mas não. 

Bolsonaro sempre tratou de testar os limites e "esticar as cordas". Deu no que deu. 

Seus dois anos foram uma sucessão de "pontes queimadas", perdas de oportunidade. Por mais que outros ministros tenham feito um belo trabalho, suas declarações intempestivas logo tratavam de anular estes avanços. 

Na Pandemia, já chegamos a 170 mil mortos pelo Covid19 e acreditem, ainda não acabou!

Vamos conversando...



segunda-feira, 30 de novembro de 2020

NOTAS DO ALENTEJO: ELEIÇÃO MUNICIPAL


Definido o quadro eleitoral dos municípios, depois da eleição de domingo, algumas conclusões devem ser feitas. 

  • esta eleição municipal foi um "duro" aviso ao presidente Jair Bolsonaro e seus assessores. Conquistaram espaço mais os partidos de centro, como o DEM, PSDB, MDB e PP. Candidatos mais experientes e ligados ao centro, superaram os candidatos de esquerda, muitos, meio aventureiros, outros, bem inexperientes. Bolsonaro foi um dos derrotados, assim como as esquerdas e o PT, em particular, personalizado por Lula da Silva; 
  • Bolsonaro, nas sua paranóia, parece-nos ser um capítulo à parte. Sim, porque ele não aceita ninguém q o contrarie e diga certas verdades. E parte do problema está nesta arrogância, neste papo furado de "ungido". Parte disto, talvez, devido a este picaresco "gabinete do ódio", coordenado pelo filho Carlos Bolsonaro. Nossa opinião é de que isto é um desastre em termos de estratégia política, assessoria de comunicação ou relação com a sociedade. Se não fosse a distribuição bolsas emergenciais, pela pandemia, ele já estaria "enterrado politicamente". Parte da classe média, os mais lúcidos, que gostam do ex-juiz e ex-ministro Sergio Moro e da Lava Jato, não o apoiam mais; 
  • Temos dúvidas, inclusive, depois do resultado desta eleição, se o atual presidente Bolsonaro tem viabilidade eleitoral para 2022. Tudo bem, cada eleição é uma história. Mas esta, nos parece, foi um claro aviso de que o extremismo já não cabe mais na cena política nacional. O eleitorado, lentamente, vem migrando para o centro. Este extremismos, tanto de esquerda, como de direita, está colocado de lado. 
  • Basta observamos o resultado das urnas. Os partidos de centro direita (MDB, 10,9 milhões; PSDB, 10,3 milhões; PSD, 10,6 milhões e DEM, 8,3 milhões), alguns mais fisiológicos, outros nem tanto, mais programáticos, conseguiram cerca de 40 milhões e tantos votos (de 70 milhões). A esquerda, mais personalista, como por exemplo do PT, foi "varrida do mapa". O PT, com a derrota de Marília Arraes, no Recife, e João Coser, em Vitória, registrou seu pior resultado nas eleições municipais, desde sua fundação. Pela primeira vez, não elegeu nenhum prefeito em capitais.
  • Destaque nesta "caminhada para o centro", no eixo Rio São Paulo, para Eduardo Paes e Bruno Covas. Foram vitórias "folgadas", contra, respectivamente, Marcelo Crivella e Guilherme Boullos. Destes dois derrotados, o mais impactado foi Crivella, numa resposta à demagogia e charlatanismo. Não creio que este cidadão possa voltar ao jogo eleitoral majoritário no futuro. Sua caminhada como prefeito da cidade do RJ foi um claro demonstrativo da sua derrrota contundente ontem. Foi despachado com 64,07% contra 35,93%;  
  • Em São Paulo, a derrota do Psol foi também um demonstrativo de que o discurso voluntarista, sem propostas concretas, parece fadado a ir ficando para trás (69,2% para Covas contra 30,8%). Na verdade, chamou atenção, na sua campanha, a baixa assertividade, "meio sem bandeiras de luta", dado o elevado nível imposto pelo líder Bruno Covas. A falta de um flanco de fragilidade, acabou por ser o impeditivo para que Boullos "paz e amor", avançasse. Sem ter o que criticar acabou presa fácil; 
  • O número de abstenções foi um sinalizador de desilusão do eleitorado em relação à cena política do País. Foram 29,5% que não votaram, contra 70,5% que votaram. Foram 12,7%, que anularam seus votos, contra 87,3% que votaram num candidato. Juntando tudo, os que não votaram, anularam ou votaram em branco, chegamos a 38,4%. Muita gente ! Isso reflete uma completa desilusão com a cena política do País. 
  • Concluindo, esta eleição muncipal pode ser encarada como um "aperitivo" para 2022. Algumas lições. 
    1. Houve um "caminhar" do eleitorado para o centro, em busca do equilíbrio e do bom senso, mesmo havendo alguma simbiose com  partidos do Centrão. O eleitorado preferiu o meio do caminho, a assertividade. Se cansou da "polarização" e do radicalismo. Tanto a esquerda, mais fisiológica, como direita, mais reacionária, terá que repensar sua forma de atuação para 2022;
    2. Pelo menos, por enquanto, a esquerda não tem muitos candidatos para 2022, só Ciro Gomes. Sem dúvida, levou uma "surra" nesta eleição municipal. Seu discurso desgastado, cheio de clichês e de "resgate ao social", como se gasto público tudo justificasse, assim como sua carga de alianças entre PT, PSol, PC do B, e outras agremiações satélites, cobra seu preço;
    3. O Bolsonarismo também teve elevada rejeição e desgaste nesta eleição. A sociedade mostra não aceitar mais as leituras do capitão, e do seu filho Carluxo, sobre a cena política atual, os costumes, a sociedade como um todo. Achamos que terão que rever, em muito, sua atuação, menos raivosa e reativa, mais propositiva. Mas não será tão simples;  
    4. Grandes vitoriosos foram o Eduardo Paes, indo para o terceiro mandato no RJ, e Bruno Covas, resgatando o legado do avô Mario Covas. Segundo a crônica, é a predominância dos "políticos raiz".  
    5. Para o mercado, a busca de uma "terceira via", de uma agenda mais propositiva, mais assertiva, mais concensual, é visto como algo promissor. Achamos que Paulo Guedes deve tentar continuando a aprovação da agenda de reformas estruturais, como a reforma tributária e a administrativa do Estado. 











 




Ailton Braga

  Hoje, 02/02/2026, saiu no Blog do IBRE da FGV, artigo meu em que faço análise da interação entre política fiscal e política monetária, a p...