quinta-feira, 3 de abril de 2025

BDM Matinal Riscala 0304

 *Rosa Riscala: Mercados reagem mal às tarifas de Trump*


… Os futuros das bolsas de NY ontem à noite deram o primeiro sinal de que os mercados não gostaram nem um pouco das tarifas anunciadas por Trump no Liberation Day. As techs eram as ações que mais perdiam no after hours, com os 34% para a China e os 32% para Taiwan. A Apple, que fabrica os iPhones na Ásia, teve um tombo de 6%. Em seguida, os pregões asiáticos refletiam o baque, assim como os negócios na Europa, taxada em 20%. O Brasil ficou entre os menos atingidos, com a tarifa mínima de 10% a todos os parceiros comerciais dos EUA, mas o agronegócio já pressiona o governo para tentar reverter. Hoje, a expectativa é para as reações dos países, em especial, da China e da União Europeia, que podem determinar a proporção da guerra comercial.


… Em entrevista à Fox News, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, disse que o governo observará a reação de Pequim, avisando que, “se quiserem retaliar, haverá uma escalada, pois Trump aumentará ainda mais as alíquotas”.


… Na primeira resposta, o Ministério do Comércio da China pediu a “revogação das medidas unilaterais”.


… As tarifas para a China e Taiwan foram consideradas “desconcertantes” pela Werbush, especializada em tecnologia, que alertou para a destruição da demanda e cadeias de suprimentos. “Foi pior do que o pior cenário que poderia vir do tarifaço.”


… Todas as fabricantes de chips têm exposição significativa às cadeias de suprimentos dos asiáticos, como a Nvidia (-4,3%).


… Ainda itens de pequeno valor importados da China e HK, com valor de até US$ 800 e que eram isentos, pagarão 30% do preço.


… A União Europeia deve se manifestar ainda hoje, assim como o Canadá que, embora não tenha sido incluído na lista das tarifas recíprocas, promete “contramedidas” às tarifas para o setor automotivo e o aço.


… Já ontem à noite, a Austrália disse que pedirá aos EUA que isentem o país do plano de Trump. Segundo o primeiro-ministro Anthony Albanese, “as tarifas não têm base lógica; uma tarifa recíproca seria zero e não 10%”.


… No after hours de NY, também as ações de fabricantes de agroquímicos caíram, como a Corteva (-5,5%), com receios de que o plano tarifário do presidente Trump possa causar mais turbulência do que ajudar o setor agrícola.


… O risco é de que as tarifas retaliatórias pressionem as cotações do milho, soja e outras commodities, prejudicando a capacidade dos agricultores americanos de investirem em sementes e pesticidas de alta tecnologia.


… Uma informação que causou alívio foi o esclarecimento da Casa Branca de que as tarifas recíprocas não serão cumulativas com as taxas recentes de 25% anunciadas para o aço, alumínio, carros e autopeças que já estão em vigor.


… Para o presidente executivo do Instituto Aço Brasil, Marco Polo de Mello Lopes, sem a cumulatividade das tarifas, o Brasil tem “total condições” de manter suas exportações para os EUA. O receio era de uma alíquota que chegasse a 35%.


… O que não está ainda esclarecido é se haverá alguma medida em relação ao etanol brasileiro, que não foi citado.


… Já a alíquota linear de 10%, apesar de mais baixa do que se cogitou, foi criticada pela Frente Parlamentar da Agropecuária. O deputado Pedro Lupion (PP) disse que os países têm realidades diferentes e que o Brasil tem déficit comercial com os EUA.


… Nota conjunta do Itamaraty e do MDIC acusou os Estados Unidos de violarem os compromissos que assumiu perante a OMC, e afirmou que avalia “todas as possibilidades de ação para assegurar a reciprocidade no comércio bilateral”.


… Pouco depois do anúncio das tarifas, a Câmara aprovou em votação simbólica a Lei da Reciprocidade, que dá base legal para o governo Lula contestar a imposição dessa alíquota. A matéria tinha passado na véspera no Senado.


… Em relatório, a consultoria britânica Capital Economics avaliou que “o golpe das tarifas recíprocas foi maior que o esperado”, com os cálculos apontando para uma tarifa média ponderada por importação de 19,1%.


… A Pantheon concorda que os anúncios de Trump foram muito maiores do que a maioria dos investidores previa e estima que o PCE, medida favorita do Fed para a inflação, pode sofrer um aumento acima de 1%, além da estagnação.


… A consultoria acredita que o Fed reduzirá o juro em 75pbs este ano e mais 75pbs em 2026 para compensar os danos tarifários. De madrugada, os juros dos Treasuries recuavam, enquanto o ouro batia máxima histórica e o petróleo caía (abaixo).


AFUNDOU – Foi muito negativa, a reação dos mercados nas horas seguintes ao anúncio do tarifaço. As variações falam por si.


… A primeira leitura foi a de que as tarifas podem colocar a economia americana em recessão, enquanto os preços sobem. Para alguns analistas, deve ficar mais comum falar de estagflação daqui para frente.


… Os futuros dos índices das bolsas em NY derreteram, com o Dow em queda de mais de 2%, o S&P 500 em baixa de 3% e o Nasdaq perdendo 3,5%. Os futuros de petróleo caíram em torno de 2,5%. A ordem foi sair do risco.


… A reação negativa provocou uma corrida para o ouro, visto como ativo seguro. A onça-troy quase bateu em US$ 3.200 na madrugada, na máxima de US$ 3.196, maior preço da história.


 … Investidores também foram buscar refúgio dos Treasuries, ainda mais porque a expectativa de um baque na economia eleva as chances de cortes de juro pelo Fed. O retorno da note de 2 anos caiu a 3,75% e, o da note de 10 anos, a 4,05%.


… Por aqui, o mercado de juros ainda estava aberto na B3 quando Trump anunciou a tarifa de 10% sobre importações de produtos do Brasil e a reação foi de ligeira queda nos vencimentos curtos e médios.


… A interpretação inicial é de que, ao receber a alíquota mínima, o Brasil saiu com vantagem comparativa no tarifaço.


… Como a questão é mais complexa, com a economia dos EUA podendo sair chamuscada do episódio e, talvez até a brasileira, a depender do impacto interno e das retaliações, o Ibov futuro caiu (-0,69%) e o dólar para maio subiu (+0,14%).


… Em NY, o EWZ, principal fundo de índice (ETF) do Brasil, fechou em queda de 1,11% no after hours.


… Houve forte baixa também nos principais ADRs de empresas brasileiras. O da Vale recuou 3,37%, o do Itaú Unibanco perdeu 1,63%, o do Bradesco cedeu 1,35% e o da Petrobras caiu 0,97%.


… No Valor, Matias Spektor (FGV) ponderou que, com os EUA mais fechados à China, fabricantes do país e de outros asiáticos, os mais atingidos pelo tarifaço, vão inundar outros mercados e o Brasil deve ser um dos alvos. 


… “A China tem uma capacidade muito importante de pressionar o Brasil”, disse. A reação dos mercados asiáticos na abertura de hoje foi bem ruim. Em Taiwan, uma das mais atingidas pelas tarifas, o feriado deixou os mercados financeiros fechados.


… No fechamento de ontem, o juro do DI para janeiro de 2026 cedeu a 14,980% (de 15,005%); o Jan/27, a 14,795% (de 14,855%); o Jan/29, a 14,575% (de 14,595%); o Jan/31, a 14,750% (de 14,720%); e o Jan/33, a 14,780% (de 14,740%).


… As taxas abriram em queda depois de a produção industrial de fevereiro no Brasil (-0,1%) vir abaixo do esperado (+0,2%), mais um dado a apontar desaceleração na economia. Depois, subiram com os Treasuries, para terminar em baixa após o tarifaço.


… Os dados acima do esperado da pesquisa ADP e das encomendas à indústria tinham dado uma animada no dia.


… O setor privado dos Estados Unidos criou 155 mil empregos em março, acima de 123 mil previstos, e as encomendas à indústria americana cresceram 0,6% em fevereiro ante janeiro, ante expectativa de +0,5%.


… No pregão regular do Ibovespa, o dia foi de muita volatilidade com o mercado à espera das tarifas, com o fechamento do índice estável (+0,03%), a 131.190,34 pontos. Em NY, houve muito sobe e desce, mas as bolsas fecharam no azul.


… O Dow Jones subiu 0,56%, a 42.225,32 pontos; o S&P 500 avançou 0,67% (5.670,97) e o Nasdaq ganhou 0,87% (17.601,05).


… Tesla, que chegou a cair mais de 6% no dia, fechou com alta de 5,4% com rumores de que Elon Musk deixará o governo Trump para se concentrar nas suas empresas. A Casa Branca disse que ele só sairá quando terminar o trabalho no DOGE.


… O dólar fechou em alta ante o real (+0,25%, a R$ 5,6967), mas abaixo da linha de R$ 5,70 – em um movimento de busca de proteção por investidores locais. Em alta contra emergentes, a moeda americana perdeu terreno para o euro e a libra.


… A moeda comum subiu 0,59%, a US$ 1,0853, e a divisa britânica avançou 0,54%, a US$ 1,2985. O iene ganhou 0,61%, a 148,717/US$. Na média contra seis pares, o dólar (DXY) caiu 0,43% e furou os 104 pontos, a 103,807.


… Em meio à cautela, as blue chips do Ibovespa recuaram, na contramão de suas respectivas commodities. Petrobras ON caiu 0,51% (R$ 40,82) e PN, -0,27% (R$ 37,20). Vale caiu 0,45% (R$ 56,93). Já os bancos sustentaram o sinal positivo.


… Santander teve elevação de 1,69%, a R$ 27,15. Bradesco PN avançou 0,24% (R$ 12,47), Banco do Brasil (+0,07%) e Itaú (+0,03%) fecharam estáveis. A exceção foi Bradesco ON, com baixa de 0,36%, a R$ 11,18.


… CSN (-5,71%) liderou as perdas, seguida de Brava Energia (-2,78%), CSM Mineração (-2,45%) e Metalúrgica Gerdau (-1,84%).


… O Grupo Pão de Açúcar disparou 15,84%, com expectativa por mudanças em seu conselho de administração. Magazine Luiza subiu 7,08% (R$ 11,19) e Vamos ganhou 7,00% (R$ 4,74) e também foram destaques.


AGENDA – Indicadores mais fracos no Brasil, nesta 5ªF, com o PMI Composto e de Serviços de março da S&P Global (10h), que em fevereiro registrou 51,2 pontos, e os emplacamentos de veículos da Fenabrave em março (11h).


… O presidente Lula e ministros participam no Palácio do Planalto do evento ‘O Brasil dando a Volta por Cima’, sobre entregas do governo nos dois primeiros anos de mandato (10h).


… No Estadão, a última pesquisa Genial/Quaest, que mostrou mais uma queda vertiginosa na aprovação de Lula, surpreendeu e preocupou o Planalto. Assessores começam a desconfiar que o problema não é só de comunicação.


… Às 11h, o Tesouro faz leilão de LTN para 1º/10/25, 1º/4/27, 1º/1/29 e 1º/1/32 e de NTN-F para 1º/1/31 e 1º/1/35.


… Lá fora, divulgam índices PMI Composto e de Serviços a Alemanha, Zona do Euro e Reino Unido. Ainda na Zona do Euro, sairá hoje (8h30) a ata da última reunião de política monetária.


… Nos EUA, os novos pedidos de auxílio-desemprego têm previsão de manter a média da semana anterior (+224 mil), com o total somando 1,866 milhão. Os dados serão divulgados às 9h30.


… Também às 9h30, sai a balança comercial americana de fevereiro, com previsão de déficit de US$ 121,4 bilhões.


… São importantes o PMI de serviços da S&P Global (10h45) e PMI de serviços do ISM (11h) – ambos de março.


… Dois Fed boys têm falas previstas: Philip Jefferson (13h30) e Lisa Cook (15h30) – os primeiros após o anúncio das tarifas.


EM TEMPO… Para o Santander, EMBRAER é a empresa brasileira mais exposta às tarifas dos EUA; TUPY e WEG são segunda e terceira brasileiras mais expostas, segundo o banco.


EMBRAER entregou 30 aeronaves no 1TRI, alta de 20% em relação ao mesmo trimestre de 2024.


CEMIG. Cemig Distribuição anunciou 13ª emissão de debêntures, no valor de R$ 1,5 bilhão.


CLEARSALE. AGE aprovou cancelamento de listagem na B3.


BTG PACTUAL. Em resposta à CVM, o banco informa que nunca fez proposta para aquisição de ativos ou participação no capital social do Banco Master. Divulgado ontem à noite.

Bankinter Portugal Matinal 0304

 Análise Bankinter Portugal


SESSÃO: Chegou o “Liberation Day”. Ontem, a recuperação tardia das bolsas europeias, que, mesmo assim, não conseguiram fechar em terreno positivo, e a subida de Wall St. com a esperança de que as medidas finais não fossem tão punitivas foram ingénuas. Trump, às 21 h, com as bolsas fechadas, anunciou impostos alfandegários de 10% praticamente gerais para todos os bens importados para os EUA a partir de 5 de abril, além de ouros superiores a alguns países, como 34% adicional à China (sobre 60% já existente), 24% ao Japão e 20% à Europa a partir de 9 de abril. Canadá e México não receberão impostos alfandegários adicionais aos 25% já anunciados. Ficam isentos, de momento, bens como cobre, farmácia, semis, madeira, ouro, energia e alguns minerais não disponíveis nos EUA. Estes ficam pendentes dos possíveis impostos alfandegários específicos mais adiante. Os impostos alfandegários de 25% já anunciados sobre automóveis e componentes entrarão hoje em vigor. Por último, os envios para os EUA de valor <800 $ deixarão de estar isentos de impostos alfandegários a partir de 2 de maio.


Em suma, confirma um dos piores cenários e receberá resposta de muitos países que já estão a estudar medidas recíprocas e que fazem dizer ao Secretário de Estado, Scott Bessent, que, então, aí começaria a “guerra comercial”… isto é, a intensidade pode escalar. 


As bolsas asiáticas caem no geral e os futuros, tanto europeus como americanos, em quedas fortes (-2%/-3%). As consequências serão significativas em termos de menor crescimento global e maior inflação, especialmente nos EUA. Ontem, a National Retail Federation, que prevê um irrealista aumento das vendas a retalho em 2025 de +2,7%/+3,7% (vs. +3,6% em 2024 e média dos 10 anos pré-pandemia), declarava que mais de 50% das empresas inquiridas antecipa que transferirá pelo menos 2/3 do impacto em custos devido aos impostos alfandegários para os preços. Preços que já são muito elevados após a crise da pandemia e que continuam a aumentar a ritmos de +2,8% (IPC de fevereiro). Os indicadores adiantados de confiança e as previsões das empresas de consumo, tanto discricional como básico, que mostraram uma deterioração significativa recente refletir-se-ão numa moderação do consumo.


Hoje a sessão foca-se em digerir e esperar as respostas dos diferentes países. É publicada a Balança Comercial de fevereiro (13:30 h), que ganha interesse neste contexto. O Défice Comercial manter-se-á próximo de máximos históricos (-131.400M $) e levará a uma contribuição negativa do Setor Exterior no PIB do 1T 2025. A incerteza sobre o impacto definitivo dos impostos alfandegários provocou um forte aumento das Importações (+23% em janeiro), que não se viu igualado pelas Exportações (+4%). Esta evolução poderá entender-se como um ajuste pontual que daria lugar a uma normalização posterior. Contudo, múltiplos indicadores adiantados e intermedios (Confiança do Consumidor, Indicador Adiantado, Empire Manufacturing, Philly, ISM Industrial…) mostram uma mudança para pior nas suas últimas leituras e levam a antecipar um debilitamento do Consumo e do Investimento nos próximos meses. Por isso, será também importante o ISM de Serviços de março (15 h). Estima-se que se moderará (até 52,9 desde 53,5) enquanto a componente de preços acelera (63,0 desde 62,6). Com isso, as nossas estimativas apontam que o PIB americano do 1T 2025 irá contrair-se -1,8% enquanto a inflação se manterá perto de +3,0%.


Salvo retificação, a guerra comercial está servida e o mercado ficará abalado durante um tempo. Hoje as bolsas cairão enquanto as obrigações ganham atrativos como ativo-refúgio, e o dólar deprecia-se. 


S&P500 +0,7% Nq-100 +0,75% SOX +0,9% ES-50 -0,3% IBEX +0,4% VIX 21,5 Bund 2,72% T-Note 4,04% Spread 2A-10A USA=+26pb B10A: ESP 3,34% PT 3,22% FRA 3,42% ITA 3,81% Euribor 12m 2,33% (fut. 2,15%) USD 1,095 JPY 161,05 Ouro 3.129$ Brent 73,1$ WTI 69,9$ Bitcoin -2,6% (83.424$) Ether -2,98% (1.825$).


FIM

Bco Master 2

 Os números do balanço do Master que assustaram o setor financeiro


Documento mostra que o banco não tem disponibilidade de caixa para honrar todos os compromissos assumidos até o final de 2025


Por 


Malu Gaspar


02/04/2025 12h07  Atualizado agora


 

O banco Master, que está negociando a venda de parte de sua operação para o BRB, divulgou nesta terça-feira (1) suas demonstrações financeiras de 2024 com um lucro de R$ 1 bilhão, bem maior do que os R$ 523 milhões de 2023. De acordo com o banco, o patrimônio líquido também aumentou, de R$ 2,3 bilhões para R$ 4,7 bilhões. Mas o balanço também traz um dado preocupante: a menos que receba uma injeção de capital, o banco só tem condições de pagar metade das obrigações que assumiu com os compradores de CDBs e CDIs até o final de 2025.


Os dados estão nas páginas 50 e 58 do documento. A tabela que discrimina quanto o banco tem que pagar e em qual período mostra que R$ 7,6 bilhões em CDBs e CDI – títulos oferecidos aos investidores com a promessa de rendimentos bem acima do mercado – vencem até junho deste ano. Mas o banco só dispõe de R$ 8 bilhões até o final de 2024, quando o total de compromissos já assumidos com os investidores chega a 16 bilhões. Ou seja, a conta não fecha.


Para analistas do setor financeiro consultados pela equipe da coluna, esse descasamento é o que justifica a busca do Master por um comprador que injete mais dinheiro e assuma os passivos da instituição.


O diagnóstico é ainda mais alarmante porque até o final de março (90 dias a contar do final de 2024) o total a ser pago seria de R$ 5,9 bilhões. Ou seja, a esta altura, todos os títulos e valores mobiliários do Master já devem ter sido queimados para pagar apenas pelos CDBs e CDIs do banco, sem contar todas as outras obrigações.


Ainda que os dados não estivessem públicos antes do anúncio da negociação com o BRB, os agentes de mercado perceberam essa dificuldade de pagar os compromissos – daí a boataria em torno dos problemas de liquidez do Master.


De acordo com o balanço, o Master captou R$ 48 bilhões vendendo títulos de renda fixa aos investidores, com rendimento de até 140% do CDI, que é a taxa de referência do setor bancário. É uma taxa muito acima da média oferecida pelos grandes bancos, que sempre chamou a atenção da concorrência. Foi oferecendo esses altos retornos e pagando comissões generosas aos vendedores, o Master cresceu de forma exponencial nos últimos anos.


O alerta foi se tornando mais evidente à medida que ficava claro que, sozinho, o banco de Daniel Vorcaro emitiu pouco menos da metade dos R$ 107,8 bilhões que o Fundo Garantidor de Crédito (FGC), um fundo formado com dinheiro do sistema financeiro, tem para socorrer clientes de bancos que quebram. Nesse caso, o FGC garante o pagamento de até R$ 250 mil reais por investidor.


Numa hipotética situação de quebra do Master, o FGC teria que queimar metade de sua liquidez para cobrir os prejuízos dos clientes.


Outro dado que reforça a preocupação em torno dos problemas de liquidez do Master é que nos últimos dias já passaram a ser oferecidos no mercado CDBs com rendimento de 160% do CDI – o que demonstra que o apetite dos investidores está rareando e que o banco está precisando oferecer mais para poder captar dinheiro no mercado.


A coluna questionou o Master sobre os dados apresentados no balanço e como a instituição pretende cobrir essa diferença, mas ainda não recebeu resposta. O espaço está aberto para manifestação.


O presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, disse ao blog neste domingo que a operação de compra do banco Master prevê que a instituição assuma o pagamento de apenas uma parte dos CDBs já distribuídos pelo banco paulista ao mercado.


De acordo com Costa, o BRB vai assumir R$ 29 bilhões em papeis de renda fixa já vendidos pelo Master. São os CDBs emitidos pelo Will Bank e pelo Master em si, que entram no negócio anunciado na última sexta-feira (28).


Segundo o CEO, os títulos de renda fixa emitidos pelo Voiter e pelo Banco Master de Investimentos, duas subsidiárias que não serão adquiridas pelo BRB, ficam de fora da transação. No total, esses papéis que não entram na carteira do banco estatal de Brasília após a compra somam R$ 23 bilhões de reais.


Esse passivo continuará na carteira do Master, e pelo que se vê do balanço, tem grandes chances de acabar sendo coberto pelo FGC no futuro.

quarta-feira, 2 de abril de 2025

Banco Master

 OPINIÃO: Banco Master, “grande demais para quebrar”?


Entenda os riscos para o investidor de CDBs e para o Fundo Garantidor de Crédito após a proposta do BRB que mexeu com o mercado financeiro


Quem assistiu ao filme “Too Big to Fail” (“Grande demais para quebrar”, no Brasil) sobre a crise de 2008 deve ter associado na hora o título à compra do Banco Master pelo BRB (BSLI4), que vem junto com um leve frio na barriga – veja aqui o que se sabe sobre o caso.


Em 2008, quando tivemos a maior crise financeira desde 1929, a saída para a insolvência do sistema financeiro, como visto no filme, ocorreu por fusão, compras e vendas de bancos entre si. A ideia naquele momento era que um salvaria o outro e o governo pagaria parte da conta, já que dos males o menor seria uma quebra controlada do que falências de surpresa.


Nos últimos meses, muito se falou a respeito do Banco Master e a mágica que ele teria que fazer para remunerar os Certificados de Depósito Bancário (CDBs) que eram vendidos a taxas que remuneravam o investidor muito acima da concorrência.


Basicamente, se você é um banco e vende um CDB seu, você está pegando dinheiro emprestado dos investidores para investir ou rentabilizar esse recurso acima da taxa que está pagando, certo? Logo, se você pega dinheiro emprestado a 15%, 16% ao ano, você teria que investir, e muito bem, para remunerar acima disso. E aqui que mora a grande dúvida do mercado: Como o banco Master consegue pagar tão bem para pegar dinheiro emprestado e ainda fazer esse dinheiro render?


O tamanho do impacto do Banco Master no sistema financeiro


A preocupação tem número, mais ou menos R$ 40 bilhões em depósitos a prazo. Para o leitor ter uma noção, esse número é dez vezes maior do que a fraude descoberta no Banco Panamericano, pouco tempo depois de eu entrar no mercado financeiro – e acho que uma das primeiras crises que vi junto do Banco Cruzeiro do Sul. Não preciso levantar mais argumentos sobre porque todos estão preocupados, certo?


O problema não se limita a um rombo entre investidores de títulos do Banco Master, mas diz respeito também ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Se você tem assessor ou gerente de investimentos já deve ter escutado várias vezes sobre quão seguro e avançado é nosso sistema bancário – e sempre com destaque para o FGC, o fundo “protetor”.


Para relembrar rapidamente, o FGC é uma instituição privada, formada por bancos tradicionais que destinam parte do resultado para a criação de uma reserva que reembolsa investidores em caso de quebras de instituições financeiras. Assim, todos se sentem mais seguros e isso ajuda a evitar corrida de saques e até um efeito dominó, já que todo sistema está interligado.


Hoje, o FGC reembolsa o investidor em até R$ 250 mil por CPF por instituição (ou grupo) financeiro. Então, em parte, aparentemente está tudo certo para quem tem até este teto investido (considerando rendimentos) em CDBs do Banco Master. O grande problema, então, é exatamente o FGC!


Para o investidor, o risco é dele mesmo. Quem investe em CDBs tem que saber que está investindo na instituição financeira que, como todas no mercado, podem eventualmente quebrar. O FGC dá segurança adicional e “reembolso” em caso de falência. Quem passa dos R$ 250 mil sabe (ou deveria saber) do risco que está correndo, sempre.


Risco FGC e o sistema bancário


O FGC foi constituído em 1995 e desde então vem crescendo seu balanço com aportes muito maiores do que as quebras que vimos ao longo dos anos. Atualmente, o fundo tem mais ou menos R$ 107 bilhões em caixa. Muito dinheiro certo? Não!


Volte alguns parágrafos ou me responda: você lembra o tamanho da carteira de crédito do Banco Master? Eu te respondo, cerca de R$ 40 bilhões, quase 50% do valor total do Fundo Garantidor de Crédito.


Entendeu agora o tamanho do problema?


É por isso que nas últimas semanas foi especulado que o Banco Master teria tentado fazer algum tipo de negociação com outros bancos privados e ninguém quis assumir a carteira até que na semana passada o BRB – Banco do Distrito Federal, público – fez uma proposta para a compra que deixou todo mundo sem entender a verdade intenção por trás da oferta no Banco Master.


O que o investidor deve fazer agora?


Vamos voltar um pouco ao “sistema bancário exemplar”. De fato, o Brasil – leia-se Banco Central (BC) –, tem normas e controles muito avançados do nosso sistema financeiro, mas, por algum motivo, o Banco Master acelerou tanto nos últimos dois anos que a maioria preferiu fechar os olhos. Nos resultados divulgados, aparentemente tudo certo, mas tudo que sobe demais…


A verdade é que o Banco Master ficou tão grande que é melhor uma venda para uma instituição pública que pode aguentar o tranco do que uma quebra não planejada que poderia levar a consequências desastrosas para o mercado, investidores e também para o FGC, que teria que arcar com boa parte do prejuízo.


Na minha opinião, ser tão grande e alavancado é algo positivo nesse momento já que não interessa para ninguém, concorrente ou não, deixar o banco quebrar. Além disso, provavelmente quem se dará bem nessa história é o investidor que tem títulos do banco.


Quem paga a conta se algo der errado? O FGC, bancos privados e todos nós, contribuintes, caso o BRB de fato compre o Banco Master.



https://einvestidor.estadao.com.br/colunas/vitor-miziara/banco-master-cdb-risco-grande-demais-pra-quebrar/

Pois...

 Já comentei sobre isso diversas vezes. 


Não sou, nem nunca fui bolsonarista. Não votei nele em 2018, nem em 2022. Mas sei q se não fosse o capitão, e o Sérgio Moro, na Lava Jato, talvez estes vagabundos propineiros fossem eleitos em 2018. 


Sei também que o PT é uma "erva daninha" na sociedade brasileira, um câncer,  uma praga... 


Partido de vagabundos, propineiros, corruptos e preguiçosos. 


E o voto ao Bolso foi muito mais anti-PT do que a ele diretamente.


Como a sociedade, realmente, se cansou deste bando de mamateiros, sem um projeto consistente de Brasil, a popularidade do Lula só cai.


Só me deixa muito triste parte da intelectualidade, em especial, nas universidades públicas, continuar a apoiar esta esquerda fajuta e vagabunda. Isso demonstra como estamos mal cercados, pessimamente orientados pelos formadores de opinião.


Nas minhas andanças em Portugal, notei como o modelo de lá é mais assertivo e organizado. Lá, na Nova, na de Lisboa, na de Évora, eu só vi os scholar produzindo ciência, zero de inútil militância política e ideológica.


Vamos observando.

Bankinter Portugal Matinal 0204

 Análise Bankinter Portugal


SESSÃO: Ontem, Nova Iorque conseguiu subir (+0,4%) apesar dos resultados macros publicados nos EUA, enquanto a Europa teve um tom mais positivo (+1,4%) depois de conhecer um IPC (março) cuja Taxa Subjacente desacelerou mais do que o esperado. Nos EUA, publicação de um ISM Industrial que voltou à zona de contração (<50 pontos): 49,0 vs. 49,5 esp. e 50,3 ant. e com a componente de Preços Pagos a aumentar até 69,4 (vs 62,4 ant.). A leitura dos resultados mostra que o impacto da guerra comercial não é neutro, que se começa a transferir para a economia real e convida a pensar num cenário com mais inflação e menos crescimento. Em linha com este argumento, as Vagas de Emprego Disponíveis (JOLTS) caíram até 7,57M e o rácio Vagas/Desempregados situa-se em 1,07x. Tudo isso favoreceu que as yields das obrigações caíssem: -5 p.b. (4,16%).


Na Europa, a inflação de março não surpreendeu e situou-se em +2,2% (vs. +2,3% anterior), embora com a Subjacente a desacelerar mais do que o esperado até +2,4% (vs. +2,5% esp. e +2,6% ant.), servindo de impulso para as bolsas europeias. Contudo, este registo de inflação não recebe, de momento, o impacto da guerra comercial e a probabilidade de que esta aumente na segunda metade do ano é elevada. Por isso mesmo, o mais razoável seria que o BCE aprovasse fazer uma pausa na sua próxima reunião (17 de abril) e baixasse apenas mais uma vez, provavelmente em junho (-25 p.b. até 2,25%), para evitar ter de subir as taxas de juros novamente, reconhecendo um erro que lhe retiraria muita credibilidade. Hoje teremos intervenção de Schnabel (11:30 h), Holzman (14:00 h), Lane (15:05 h) e Lagarde (16:00 h), veremos se se pronunciam a respeito…


Para a sessão de hoje, Trump anunciará/definirá os impostos alfandegários que os EUA aplicarão ao resto do mundo naquilo que denominou “Liberation Day” (21:00 h). Ontem, o Washington Post anunciava que as medidas poderão afetar praticamente todos os bens importados e que estes seriam objeto de impostos alfandegários de 20%. Contudo, isto são rumores/conjeturas, embora tudo aponte que não aplicará isenções, o que não ajudará as bolsas na sessão. Os restantes resultados ficarão para segundo plano: Inquérito Emprego Privado ADP (13:15 h) (105k esp. vs. 77k ant.). Neste contexto, insistimos que os riscos se movem em alta e que o mais razoável é adotar uma posição mais conservadora, em linha com a descida de exposição aplicada na nossa Estratégia Trimestral 2T 2025 (em espanhol; brevemente em português). 


Em suma, hoje o tom do mercado dependerá das medidas alfandegárias anunciadas por Trump: a que produtos, qual percentagem, durante quanto tempo? A incerteza a respeito é total, mas o impacto será previsivelmente negativo para as bolsas (como bem apontam os futuros: Europa e Nova Iorque -0,2%), ainda mais ao ter em conta a inexplicável subida de ontem em Nova Iorque… 


S&P500 +0,4% Nq-100 +0,8% SOX +0,3% ES-50 +1,4% IBEX +1,2% VIX 21,8 Bund 2,68% T-Note 4,16% Spread 2A-10A USA=+29pb B10A: ESP 3,31% PT 3,20% FRA 3,40% ITA 3,79% Euribor 12m 2,28% (fut. 2,18%) USD 1,079 JPY 161,5 Ouro 3.111$ Brent 74,5$ WTI 71,1$ Bitcoin +3,4% (85.240$) Ether +5,1% (1.913$).


FIM

BDM Matinal Riscala 0204

 *Rosa Riscala: Chegou o dia*


… O presidente Trump deve anunciar as tarifas recíprocas no evento Make America Wealthy Again, previsto para as 17h (de BSB), informou a Casa Branca. Faltando poucas horas para o show do Liberation Day, ainda não se sabe o que virá. Várias opções estão na mesa, entre as quais, tarifas distintas para cada parceiro comercial dos EUA, uma alíquota universal de 20% a todos os países e uma sobretaxa menos elevada para um subgrupo de países. Sob forte expectativa e apreensão, os mercados se mantêm na defensiva. Na agenda dos indicadores, destaque para mais um dado do emprego americano antes do payroll (6ªF), pesquisa ADP, com a criação de vagas no setor privado em março, e os números da produção industrial no Brasil em fevereiro.


… Ao que tudo indica, o presidente Trump planeja um espetáculo midiático; a porta-voz do governo, Karoline Leavitt, disse no breafing aos jornalistas que o dia 2 de abril será “uma das datas mais marcantes da história moderna”.


… Ela também antecipou que as tarifas recíprocas e sobre automóveis entrarão em vigor amanhã, no dia 3 abril.


… “O presidente já fez a sua cabeça sobre as tarifas, mas está sempre aberto para receber ligações”, disse Leavitt, afirmando que alguns poucos países foram convocados para conversar. Mais um sinal de que haverá (ou já está havendo) negociações.


… Israel, por exemplo, se antecipou, anunciando a eliminação de todas as tarifas sobre importações de bens dos Estados Unidos, nesta 3ªF. A decisão foi comunicada pelo gabinete do primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu.


… Também autoridades do Reino Unido já conversaram com os EUA e o primeiro-ministro Keir Starmer, que tem boa relação com Trump, prometeu uma abordagem “calma e pragmática”, sem “reação precipitada” ao que for anunciado.


… Já o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, confirmou que implantará medidas retaliatórias contra os EUA se houver novas sanções e tarifas. Disse que suas ações “terão impacto mínimo para os canadenses e máximo para os americanos”.


… O Swissquote Bank espera hoje um anúncio “exagerado, exaustivo, barulhento e nervoso, para provocar temor e concessões”.


… Para o banco suíço, tarifas mais “razoáveis” do que se teme podem trazer alívio aos mercados. Mas medidas “irracionais”, como as tarifas de 200% ameaçadas contra bebidas alcoólicas europeias, aprofundariam a turbulência global.


… Reportagem do Washington Post relatou no início do dia que assessores de Trump elaboraram uma proposta que impõe tarifas de 20% à maioria das importações. A equipe pretende usar trilhões de dólares em novas receitas para cortar impostos.


… Já no fim da tarde, a Dow Jones apurou que uma nova opção estaria sendo preparada para o presidente na véspera do anúncio: uma tarifa geral sobre um subconjunto de nações que provavelmente não seria tão alta quanto a opção universal de 20%.


… Segundo essas fontes, ainda não está claro qual opção Trump escolherá e pessoas familiarizadas com o planejamento enfatizam que as discussões continuam, apesar de o presidente ter dito na noite de 2ªF que já havia “definido” um plano.


… Não só os países, mas as empresas que podem ser atingidas esperam pelas tarifas e podem reagir.


… Na Bloomberg, a Mercedes-Benz está considerando retirar seus carros mais baratos dos EUA porque as tarifas de automóveis provavelmente tornariam suas vendas inviáveis, de acordo com pessoas familiarizadas com o assunto.


… A montadora não tomou uma decisão final e ainda pode mudar de curso dependendo de como as taxas forem implementadas.


O RISCO PARA O BRASIL – Em relatório, o BTG avaliou que o Brasil será afetado se Trump aplicar tarifas generalizadas a setores específicos da economia, mas pode se livrar se a taxação incluir apenas países que têm grandes déficits com os EUA.


… A tarifa média ponderada pelo volume de importações do Brasil é cerca de 5,8%, contra cerca de 1,3% dos EUA. Já em relação às barreiras não tarifárias, o País tem um índice de BNT de 86%, acima dos EUA (77%) e da média internacional (72%).


… Em um cenário de tarifa média similar que o Brasil impõe aos EUA (5,8%), o BTG estima uma perda de cerca de US$ 3 bilhões na balança comercial, podendo ultrapassar US$ 10 bilhões em 2026, no caso de tarifa linear de 25%.


… As barreiras sanitárias e fitossanitárias do Brasil equivalem a tarifas médias de 20% a 40%, dependendo do setor. O risco, diz o BTG, é a imposição de tarifas muito acima da média tarifária brasileira (5,8%) para compensar barreiras regulatórias.


… Se o Brasil for obrigado a reduzir barreiras não tarifárias, setores intensivos em uso de insumos básicos e aqueles relacionados ao vestuário, maquinário e produtos semimanufaturados seriam os mais pressionados e potencialmente prejudicados.


ETANOL NA MIRA – O relatório do USTR sobre barreiras comerciais divulgado nesta semana pelo governo do presidente Trump reforçou a relevância que o etanol tem e terá nas negociações comerciais com o Brasil.


… Embora o relatório repita as reclamações americanas dos últimos anos, o temor agora é de que sirva de pretexto para elevação unilateral de tarifas, disse ao Broadcast o sócio do Barral Parente Pinheiro Advogados, Welber Barral.


… A tarifa aplicada sobre o etanol norte-americano é a reclamação mais clara dos EUA, da qual o Brasil não deve ter escapatória se quiser negociar com o governo Trump para reverter um eventual um tarifaço agressivo.


… O setor privado espera que o governo brasileiro não suba demasiadamente o tom se o País for atingido diretamente, avaliando que o País precisará ter frieza para reagir, antes analisando os impactos e depois partindo para a negociação com os EUA.


… É consenso que estudar uma alternativa para o pleito antigo dos americanos para a redução do imposto de importação sobre o etanol dos EUA é uma necessidade, se o Brasil quiser permanecer à mesa com os americanos.


… O Brasil cobra 18% sobre o produto americano, enquanto a tarifa cobrada para o etanol brasileiro que entra nos EUA é de 2,5%.


… O relatório do USTR também cita “tarifas relativamente altas do Brasil sobre importações de automóveis, peças automotivas, tecnologia da informação e eletrônicos, produtos químicos, plásticos, máquinas industriais, aço e têxteis e vestuário.


ALCKMIN – O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, disse que o Brasil deve aguardar o anúncio de Trump sobre o plano tarifário para decidir qual será a linha de ação do governo.


… Classificou como “importante” o relacionamento com os EUA, “para onde exportamos mais produtos de valor agregado”. Mais uma vez, Alckmin disse que a disposição do Brasil é estar aberto ao diálogo e fortalecer o comércio exterior.


… O vice-presidente louvou a iniciativa do Senado de aprovar o PL da Reciprocidade, mas voltou a destacar que o caminho diante da política tarifária do governo norte-americano é o de buscar negociação e a complementariedade econômica.


… Ao Valor, o assessor especial da Presidência, Celso Amorim, foi na mesma linha, afirmando que o Brasil prefere o caminho da negociação para evitar ser atingido pelo “tarifaço” que o presidente Trump anunciará hoje.


… Segundo ele, caso as conversas fracassem, o governo brasileiro adotará medidas de retaliação, mas sem dar um “tiro no pé”.


… O próprio presidente Lula mudou a conversa nas últimas semanas, poupando as críticas e passando a defender o diálogo.


TARIFAS, JUROS E RECESSÃO – O mercado em NY ampliou as suas apostas de queda dos juros americanos e já espera um corte de 100pbs neste ano, embora a redução de 75pbs ainda seja vista como a mais provável no CME Group, com 33%.


… O temor de uma recessão nos Estados Unidos, como resultado das tarifas de Trump, justificam as novas expectativas (abaixo).


… Para Thomas Barkin (Fed/Richmond), a política comercial da Casa Branca deve apresentar desafios para a inflação e o mercado de trabalho. Segundo ele, o mercado de títulos, cada vez, sinaliza riscos de recessão.


… “Estamos todos na neblina”, disse Barkin, admitindo que as incertezas dificultam a perspectiva da política monetária.


… À noite, Austan Goolsbee (Fed/Chicago) afirmou à Fox News que a confiança está “quase se desintegrando”, que a incerteza está associada ao medo da inflação. “Há temores de que as tarifas aumentem além das importações e afetem outros custos.”


… Para a Capital Economics, a queda no PMI/ISM industrial dos EUA em março, nesta 3ªF, mostra que a estagflação está no ar. A consultoria apontou o salto no índice de preços pagos como uma preocupação com as tarifas.


… Os três principais subíndices do PMI tiveram quedas significativas em março, incluindo produção (48,3) e emprego (44,7).


… Também o ING alertou em nota o risco que as perspectivas de retaliação estrangeira significarão para as cadeias de oferta. O banco observa que, além do PMI/ISM, o relatório de Jolts veio mais fraco que o esperado.


… Já a Pantheon Macro avalia que, apesar do enfraquecimento na demanda por mão de obra, o nível ainda não é consistente com uma recessão. Mas não descarta que um declínio maior “provavelmente” ocorrerá mais adiante.


MAIS AGENDA – A produção industrial (9h), indicador mais importante no Brasil, tem estimativa de um crescimento de 0,20% em fevereiro, após a estabilidade registrada em janeiro, segundo a mediana apurada em pesquisa Broadcast.


… Economistas atribuem a leve expansão a uma correção estatística, que se segue aos recuos dos últimos três meses de 2024.


… Logo cedinho, o IPC-Fipe de março deve avançar a 0,63%, acelerando sobre o resultado de fevereiro (0,51%), com a pressão dos grupos de Alimentação (com alta do tomate, batata, aves e ovos) e Habitação (reajuste de energia elétrica).


… Às 8h, a FGV divulga o IPC-S das Capitais de março; na 3ª quadrissemana, o índice desacelerou em todas as sete cidades.


… Às 14h, saem as vendas de máquinas e equipamentos da Abimaq em fevereiro e, às 14h30, o fluxo cambial semanal.


BC – Faz evento o dia todo para celebrar 60 anos, com as presenças de Gabriel Galípolo, diretores, do presidente Lula (14h30), do ministro Haddad (de volta de Paris) e de ex-presidentes da autarquia, que participam de painéis.


LÁ FORA – Mais um indicador de emprego, com a pesquisa ADP de março (9h15), será divulgado nos Estados Unidos com a criação de vagas no setor privado, com o consenso de +122,5 mil, bem acima dos 77 mil de fevereiro.


… Às 11h, saem os pedidos de encomendas à indústria americana, que podem crescer 0,5% em fevereiro (+1,7% em janeiro).


… Às 11h30, o DoE informa os estoques semanais de petróleo nos Estados Unidos, com previsão de queda de 700 mil barris.


… Às 17h30, a diretora do Fed Adriana Kugler discursa sobre expectativas de inflação e política monetária.


… À noite, Japão (21h30) e China (22h45) divulgam os índices PMI do setor de serviços em março.


TIKTOK – No mesmo dia das tarifas, a CBS informa que Trump considerará uma proposta final para o TikTok nesta 4ªF. O governo finaliza planos para investidores que podem incluir a Blackstone e Oracle, além de uma longa lista de outros investidores.


… Trump estabeleceu um prazo até sábado, 5 de abril, para que a empresa controladora chinesa do TikTok, a ByteDance, venda a sua participação no aplicativo ou, potencialmente, enfrente uma proibição no mercado americano.


CLIMÃO – Na véspera do dia D das tarifas, dados fracos de indústria e emprego nos Estados Unidos reforçaram a percepção dos mercados de que a política comercial de Trump pode prejudicar a economia americana.


… Como tem acontecido nas últimas semanas, o clima de cautela só aumentou entre os investidores.


… Inicialmente, os números derrubaram as bolsas em NY, que, no fim do dia, conseguiram se recuperar diante da leitura de que o Fed poderá ter mais motivos para cortar juro este ano, o que beneficia os ativos de risco.


… Os rendimentos dos Treasuries caíram, com os traders aumentando suas apostas na flexibilização da política monetária.


…  No monitoramento da CME Group, cresceu a expectativa para um corte total de 100 pontos-base em 2025, de 16% para 26%, embora a chance de 75 pontos-base ainda seja majoritária (33,7%).


… Enquanto isso, Ibovespa, real e DIs continuaram a se beneficiar do fluxo estrangeiro, na esteira da rotação global de ativos. Os juros voltaram a se distanciar de 15% e o dólar voltou a valer menos de R$ 5,70.


… O dado mais preocupante nos EUA ontem foi a queda do PMI industrial medido pelo ISM, que passou a mostrar contração do setor, com leitura de 49 em março, de 50,3 em fevereiro e abaixo da projeção, de 49,5.


… Segundo a Pantheon, o PMI teria caído mais não fosse um aumento de 3,5 pontos no subíndice de estoques, que pode indicar um movimento de antecipação do setor industrial americano ao anúncio das tarifas.


… No mercado de trabalho, o relatório Jolts informou que o número de vagas em aberto nos Estados Unidos somou 7,56 milhões em fevereiro, abaixo das 7,76 milhões em janeiro, e aquém do consenso de 7,63 milhões.


… É quase um milhão de vagas a menos que em fevereiro/24, quando havia 8,445 milhões postos à espera de candidatos.


… Divulgados os dados, o S&P 500 chegou a cair mais de 1%, mas recuperou-se à tarde para fechar com alta de 0,38% (5.633,07).


… Com retomada das techs depois de um recuo forte na véspera, o Nasdaq subiu 0,87% (17.449,89 pontos), enquanto o índice Dow Jones terminou o dia estável (-0,03%), aos 41.989,96 pontos.


… Nos Treasuries, o rendimento note de 2 anos caiu para 3,871% (de 3,886%, na sessão anterior); o da note de 10 anos cedeu a 4,166% (de 4,206%) e o do T-bond de 30 anos recuou a 4,528% (4,575%).


… Na contagem regressiva para o anúncio das tarifas dos EUA, o dólar frente aos pares não saiu do lugar. O índice DXY (+0,05%), aos 104,260 pontos, passou o dia perto da estabilidade, oscilando entre pequenas baixas e altas.


… O euro caiu 0,29%, a US$ 1,0789, e a libra esterlina ficou estável (-0,07%), em US$ 1,2915. O iene subiu 0,20%, a 149,635/US$.


… Por aqui, o dólar à vista fechou em baixa de 0,40%, a R$ 5,6824, acompanhando outras moedas emergentes, beneficiadas pela busca de ativos mais rentáveis pelo investidor estrangeiro.


… Na B3, os juros futuros engataram novo dia de queda, novamente influenciados pelo exterior e turbinados pela queda do dólar ante o real. A forte demanda pelos leilões de LTF e NTN-B, mesmo com risco maior, ajudou a tirar prêmio da curva.


… No fechamento, o juro do Jan/26 caía a 15,005% (de 15,015% na sessão anterior); o Jan/27 cedia a 14,855% (de 14,930%); o Jan/29, a 14,595% (de 14,175%); o Jan/31, a 14,720% (de 14,860%); e o Jan/33, a 14,740% (de 14,870%).


… O Ibovespa terminou a primeira sessão de abril em alta (+0,68%; 131.147,29 pontos), apoiado na valorização de ações ligadas a commodities, mas o índice perdeu força ao longo do dia, quando chegou perto dos 132 mil pontos, na máxima.


… Seguindo a alta de 1,86% no minério de ferro em Dalian, Vale subiu 0,86% (R$ 57,19). A ação também foi influenciada pelo anúncio de acordo da mineradora com a GIP para estabelecer uma joint-venture na Aliança Geração de Energia.


… Petrobras ON registrou +0,51% (R$ 41,03) e PN, +0,38% (R$ 37,30), a despeito da queda de 0,37% no Brent/junho (US$ 74,49).


… Bancos foram em direções distintas. Banco do Brasil (+0,50%; R$ 28,33), Bradesco ON (+0,54%; R$ 11,23) e Itaú Unibanco (+0,03%; R$ 31,40) ficaram no azul. Bradesco PN caiu 0,16%, a R$ 12,46, e Santander cedeu 0,07%, a R$ 26,70.


… Destaques de alta foram Assaí, +5,57% (R$ 7,96); Telefônica, +4,96% (R$ 52,30) e Localiza, +4,50% (R$ 35,10). Na outra ponta ficaram Natura (-7,91%; R$ 9,20), Braskem (-3,45%; R$ 10,62) e Azul (-2,74%; R$ 3,20).


EM TEMPO… BANCO MASTER registrou lucro líquido de R$ 1 bilhão em 2024, ante R$ 532 milhões em 2023; patrimônio líquido encerrou 2024 em R$ 4,7 bilhões, alta de 104%…


… Banco tem R$ 7,6 bilhões para honrar em CDBs com vencimento até junho; até o fim do ano, o Master tem compromissos que somam R$ 12,4 bilhões para honrar em CDBs.


JBS concluiu a aquisição de 50% das ações com direito a voto da Mantiqueira.


PETROBRAS vai se reunir com a categoria dos petroleiros nesta 4ªF para discutir regras de teletrabalho e bônus, segundo a FUP.


BRF. Conselho de Administração aprovou por unanimidade nomeação do advogado Heraldo Geres para o cargo de vice-presidente do Jurídico Brasil, Tributário, Gente e Compliance.


TELEFÔNICA aprovou distribuição de R$ 204 milhões em JCP, R$ 0,1258/ação, com pagamento até 30/4/26; ex em 12/4/25.


GPA recebeu cartas dos acionistas Casino Guichard Perrachon e Ronaldo Iabrudi dos Santos Pereira manifestando apoio ao pedido de convocação de AGE e às propostas do fundo de investimento Saint German, do empresário Nelson Tanure…


… A gestora Trustee DTVM, responsável pelo Saint German, solicitou no último domingo (30) a convocação de AGE para destituir o atual Conselho de Administração e eleger uma nova composição para o órgão.


CASAS BAHIA informou que Michael Klein atingiu posição equivalente a 10,42% em ações de emissão da companhia.


AEGEA cotou bancos para buscar IPO a partir do fim do ano, segundo fontes do Broadcast…


… Empresa buscará levantar ao menos R$ 8 bilhões na oferta; recursos deverão ser usados para fazer frente a investimentos.


NEOENERGIA PERNAMBUCO fará a 16ª emissão de debêntures simples, não conversíveis em ações, da espécie quirografária, com garantia adicional fidejussória, em série única e no valor de R$ 700 milhões.


UNIDAS anunciou a segunda emissão de notas comerciais escriturais, em série única, no montante de R$ 200 milhões. Serão 200 mil notas comerciais, com valor unitário de R$ 1.000 e vencimento em 28 de março de 2028.

Ailton Braga

  Hoje, 02/02/2026, saiu no Blog do IBRE da FGV, artigo meu em que faço análise da interação entre política fiscal e política monetária, a p...