sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Washington Post

 https://x.com/mauad_joao/status/2115866323909513503?a=iucEqJSirE488cq0NBw&s=19


"Depois do forte editorial do WSJ, agora foi a vez do The *Washington Post* estampar em suas páginas um editorial crítico ao sistema judiciário tupiniquim. Como se vê, o mundo civilizado parece cada vez mais horrorizado com o que vem acontecendo aqui...


Leiam alguns trechos 👇


" *Quando os juizes se tornam promotores* 


"Perder uma eleição não deveria levar candidatos a fugir de seus países. Mas foi o que aconteceu com Flávio Bolsonaro, que chegou a Miami na quarta-feira, três dias após sua derrota no segundo turno da eleição presidencial brasileira, por temer uma prisão iminente. Aliados dizem que ele não acredita que teria um tratamento justo na Justiça de seu país. Isso depõe contra a segunda maior democracia do Hemisfério Ocidental, mesmo que a investigação criminal contra ele venha a se mostrar justificada. 


Bolsonaro fugiu para os Estados Unidos depois que o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes ordenou que ele entregasse seus passaportes. No ano passado, o mesmo ministro condenou seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, a 27 anos de prisão por tramar um golpe após perder a eleição de 2022. O filho é investigado por suposta lavagem de dinheiro e sonegação fiscal. Ele nega irregularidades.  


As alegações de perseguição política feitas por Bolsonaro ganham outro peso por causa dos poderes extraordinários que o Judiciário brasileiro acumulou nos últimos anos. Juízes frequentemente atuam como investigadores, acusadores e julgadores ao mesmo tempo. Moraes usou investigações sobre "desinformação" e supostos ataques à democracia para exercer um controle considerável. O Supremo abriu seu próprio inquérito sobre "fake news" em 2019, e Moraes usou essa investigação ao longo dos sete anos seguintes para ordenar buscas e prisões, congelar contas e remover pessoas das redes sociais. 


Em 2024, Moraes mostrou até onde estava disposto a ir. Ele ordenou a suspensão do X, a rede social, em todo o Brasil e determinou que Apple e Google dificultassem o acesso dos usuários a softwares capazes de contornar o bloqueio. Embora tenha recuado nessa parte da ordem, manteve uma multa de R$ 50 mil (cerca de US$ 9 mil) por dia para quem usasse uma rede privada virtual (VPN) para acessar o X... Esse ataque flagrante à liberdade de expressão colocou o Brasil numa galeria de párias que inclui China, Irã e Turcomenistão.  


Os defensores de Moraes dizem que ele está fortalecendo as instituições brasileiras depois que elas foram atacadas em 8 de janeiro de 2023. Naquele dia, apoiadores do Bolsonaro pai invadiram o Congresso, o Palácio do Planalto e o Supremo. Mas um ataque ao Estado de Direito não dá aos juízes licença para se desprenderem dele.  Ninguém está acima da lei, nem mesmo quem tem a função de interpretá-la. Um tribunal não defende o Estado de Direito apenas por chamar suas ordens de legais. O Estado de Direito (rule of law) exige autoridade fundamentada em leis e constituições, procedimentos previsíveis, recursos efetivos, punições proporcionais e garantias para os acusados. A alternativa é o governo por meio da lei (rule by law): autoridades usando instrumentos jurídicos para exercer um poder que não está limitado por princípios jurídicos duradouros.


Talvez Bolsonaro seja culpado de crimes. Talvez não. Sua decisão de fugir, neste caso, não prova inocência, assim como a investigação não prova culpa. 


Enquanto isso, as manobras continuam em Brasília. Na terça-feira, outro ministro do Supremo mandou a polícia abrir uma investigação sobre eventuais comunicações entre a Rockbridge Network, um consórcio de doadores cofundado pelo vice-presidente JD Vance, e a campanha de Bolsonaro. A Rockbridge nega irregularidades. O PT, partido de Lula, havia apresentado uma representação ao Supremo.


Ver a mais alta corte do país abrir mais uma investigação politicamente explosiva a pedido do partido do presidente não ajuda a dar credibilidade às afirmações de independência do Judiciário.  O Brasil realizou uma eleição competitiva no domingo, e Lula venceu. Mas o PL, partido de Bolsonaro, tem as maiores bancadas nas duas casas do Congresso. Ele deveria estar se preparando para liderar a oposição, e não se instalando no sul da Flórida. Uma democracia saudável precisa de perdedores que aceitem a derrota e de um sistema de justiça em que possam fazer isso em segurança."


washingtonpost.com/opinions/2026/…


https://x.com/mauad_joao/status/2115866323909513503?a=ARF_TITk14bWGtw8YM4&s=08

quinta-feira, 29 de outubro de 2026

A hora da vingança...

 "*A Hora da Vingança Política Chega ao Vencedor do Brasil*


*THE WALL STREET JOURNAL*


*Conselho Editorial*


28 de outubro de 2026


Supõe-se que os vencedores políticos sejam benevolentes com os vencidos, mas no Brasil, eles processam os perdedores. O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito no domingo e, em poucos minutos, seu governo ordenou que o líder da oposição, Flávio Bolsonaro, entregasse seu passaporte.


O ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, aliado de Lula, autorizou um pedido da Polícia Federal para apreender os documentos de viagem de Bolsonaro. Na terça-feira, Bolsonaro fugiu secretamente do Brasil com sua esposa e filhas, cruzando a fronteira com a Argentina. Na quarta-feira, chegaram a Miami. Os EUA disseram ter emitido vistos para a família, uma oferta justificável de proteção política.


Bolson não foi acusado de nenhum crime. Mas ele tem bons motivos para acreditar que não conseguirá um julgamento justo se for. Lula afirmou, em um debate de campanha, que assim que Bolsonaro perdesse a imunidade parlamentar, enfrentaria todo tipo de investigação. Lula escolheu o homem e prometeu descobrir o crime.


A responsabilidade de decidir se um processo criminal contra um político federal é justificado cabe ao procurador-geral. Mas o ministro de Moraes tem o hábito de expandir sua jurisdição quando isso lhe convém politicamente.


O pai de Bolsonaro, o ex-presidente Jair Bolsonaro, foi condenado no ano passado por orquestrar uma tentativa de golpe contra Lula pelo Supremo Tribunal Federal, em uma votação tendenciosa de 4 a 1. O ministro de Moraes presidiu a sessão. O ex-advogado pessoal de Lula e um ex-ministro da Justiça, ambos nomeados por Lula, também votaram pela condenação.


O ministro Luiz Fux escreveu um voto dissidente convincente de 452 páginas, detalhando as inúmeras maneiras pelas quais Bolsonaro teve seu direito ao devido processo legal negado, incluindo a falta de jurisdição do Supremo Tribunal Federal e a falta de provas. Jair cumpre pena de 27 anos em prisão domiciliar.


Flávio Bolsonaro junta-se a inúmeros jornalistas, blogueiros e formadores de opinião dissidentes brasileiros que optaram pelo exílio em vez de arriscar a prisão nos anos que se seguiram à anulação da condenação de Lula por corrupção em 2017 pelo Supremo Tribunal Federal e ao início da censura a seus críticos.


Nos próximos quatro anos, Lula provavelmente indicará até quatro novos ministros para o Supremo Tribunal Federal, que tem 11 cadeiras. Caberá ao novo Senado brasileiro defender a integridade e a independência do Judiciário.


Países que transitam da liberdade para a autocracia seguem um caminho semelhante: um demagogo vence nas urnas, toma o controle do Judiciário e prende seus inimigos. Onde as instituições são fortes, o Estado de Direito pode sobreviver. Não está claro se o Brasil conseguirá."


wsj.com/opinion/flavio…


https://www.wsj.com/opinion/flavio-bolsonaro-flees-brazil-lula-da-silva-1f15b8c2?st=hQJLho&fbclid=Iwb21leAVQNrRjbGNrBVAzcmV4dG4DYWVtAjExAHBkb2YFc3J0YwZhcHBfaWQMMzUwNjg1NTMxNzI4AAEfdbwSotJc8OQNtaZ5oHE0nDOFB6i8xG62YFdUKrCW1SiDfpdu2eqIvLPj30o_aem_6YnVX2L1_CfauFhnxlfJvg

quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Jorge Mitre



*Disputa por herança bilionária de Jorge Mitre divide família e pode pôr credores em risco*




Parte da família questiona transferência de fazendas que foram dadas em garantia a CRA e incluídas em unidade produtiva isolada em recuperação judicial da Elisa Agro; outra ala, diz que há tentativas de manipulação da Justiça para obter vantagens na partilha de bens




Cristiane Barbieri







O espólio de Jorge Mitre, que ergueu a construtora e incorporadora Mitre Realty, diversas outras empresas e um patrimônio bilionário, está no centro de uma intensa disputa familiar. Ela envolve alegações de fraudes, inquéritos policiais e travamento de ativos, que colocaram companhias ligadas ao grupo em dificuldades. Em jogo, está um patrimônio superior a R$ 1 bilhão e uma família dividida.




Os desentendimentos começaram antes mesmo da morte do patriarca, em 17 de junho de 2022, vítima de câncer. Registros do inventário mostram que Jorge Mitre, médico de formação, demonstrava incômodo com cobranças prematuras para a divisão do patrimônio.




Uma série de atos e um testamento foram feitos, mas não impediram a contestação em diferentes frentes, bem como a divisão da família. De um lado, ficaram a matriarca Maria Elisa Marcondes Mitre e seu filho e CEO da Mitre Empreendimentos e Participações, Fabrício Mitre. Na frente oposta, os outros dois filhos do casal, Julio e Juliana, ligados à área de saúde do grupo, que questionam no processo vários negócios praticados.




Procurada, a defesa dos familiares Maria Elisa e Fabrício Mitre disse lamentar a postura dos demais herdeiros e chama suas iniciativas de “tentativas de manipulação da Justiça para obter vantagens na partilha de bens”. Os advogados negam existir risco aos credores da Elisa Agro e do CRA.




Já a defesa de Julio Mitre afirma que seu cliente defende que os bens sejam partilhados de acordo com a estrutura negocial que Jorge Mitre adotou ao longo da vida, sem favorecimento de qualquer herdeiro em prejuízo dos demais. Juliana Mitre Felício disse, por meio de seus advogados, que quer proteger o patrimônio deixado por Jorge Mitre por meio da anulação de diversos negócios jurídicos celebrados de forma suspeita nos meses finais de sua vida (leia os posicionamentos completos no fim do texto).




*Disputa se dá em várias frentes de negócios*




A disputa é marcada por múltiplas acusações e processos, em algumas frentes de negócios nas quais a família atua. A rede Hospital de Olhos de São Paulo (Hosp), por exemplo, é uma delas. Em dificuldades, enfrenta endividamento pesado e estrangulamento de fluxo de caixa. Com suspeita de desvios de recursos dessa unidade de negócios, familiares dos dois blocos em disputa foram afastados da gestão e foi nomeado um interventor judicial.




A Mitre Realty, que tem capital aberto, não foi afetada pela disputa familiar.




A principal contestação, porém, pode colocar em risco credores de um Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA) de R$ 293 milhões e da Elisa Agro Sustentável, a antiga Mitre Agro. Uma das maiores produtoras de feijão carioca do País, especializada em agricultura irrigada, a empresa entrou em recuperação judicial em fevereiro de 2024, com dívidas superiores a R$ 600 milhões.




No cerne desse litígio está a transferência de três fazendas que eram de Jorge e Maria Elisa, como pessoas físicas, para a MTR Agro, empresa criada para receber os bens com fins tributários e patrimoniais. Julio e Juliana Mitre entraram com um pedido de anulação dessa transferência, por entenderem que houve falsificação da assinatura e uso do certificado digital de Jorge, que se encontrava na UTI quando ela foi feita.




A veracidade da assinatura de Jorge em documentos embasa toda a disputa. Uma delas, manuscrita, foi feita em 8 de abril de 2022, em um memorando de entendimentos que reorganizava a estrutura da frente de agronegócios, com Fabrício tornando-se dono de quase 70% da operação. Outra assinatura, digital, feita em 24 de maio de 2022, quando ele estava internado e a menos de um mês de sua morte, transferiu as três fazendas à MTR Agro.




A parte da família que contesta ambas assinaturas tem um laudo do Instituto de Criminalística da Polícia Técnico-Científica de São Paulo que afirma que a assinatura física foi falsificada. Também alegam que a assinatura digital de Jorge foi feita na sede da Mitre Realty, a quilômetros de distância do hospital no qual ele estava internado.




Os outros herdeiros, porém, têm outros dois laudos de instituições privadas dizendo que a assinatura física é verdadeira. Também afirmam ser prática comum no grupo que o certificado digital fosse acessado por pessoas de confiança e que Jorge estava lúcido durante o ato.




O mérito sobre as acusações de falsificação de assinaturas ainda vai ser julgado pela Justiça. As acusações levaram à abertura de um inquérito policial, posteriormente arquivado. Isso porque não foi possível identificar ou vincular quem cometeu a eventual falsidade no caso da assinatura digital. Também pelo fato de que a disputa é de natureza patrimonial e familiar, e o Ministério Público entendeu que essa discussão deveria acontecer na esfera cível e não criminal. O MP deixa claro em sua decisão que o arquivamento penal não valida os atos nem impede o julgamento cível.




*Irmãos contestam inclusão de fazenda sem passivo na RJ*




Outra ação anulatória dos irmãos Julio e Juliana pede que a MTR Agro não seja incluída na recuperação judicial da Elisa Agro. Isso porque a empresa que detém as fazendas tinha um passivo irrisório e foi incluída na recuperação de um grupo endividado em mais de R$ 600 milhões. A contestação alega que a MTR Agro foi usada apenas como “empresa de fachada/veículo” para liquidar bens da herança.




O que tem potencial para impactar o grupo de credores — formado principalmente por bancos — é que o plano de recuperação judicial baseia-se na criação da Unidade Produtiva Isolada (UPI, avaliada em R$ 236 milhões) da Elisa Agro, que abriga exatamente essas fazendas. O objetivo é levá-la a leilão para pagar os credores. Se a Justiça declarar a nulidade da transferência, os imóveis saem do ativo da MTR Agro e retornam ao espólio.




Decisões do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) já alertaram para o risco de “dano reverso”: sem as fazendas, o plano de recuperação perde seu principal ativo, o que pode provocar a convolação da RJ em falência e deixar os credores sem o recebimento previsto. Esse foi um dos principais motivos da negação a liminares que pediam urgência na anulação da transferência das fazendas.




Há ainda denúncias de vendas de máquinas e tratores que pertenceriam ao espólio, no âmbito da recuperação judicial. Também de desvio de finalidade no uso dos recursos captados pelo CRA, que deveriam ser aplicados exclusivamente no custeio de insumos e atividades agrícolas.




A defesa de Maria Elisa e Fabrício afirma que a ação anulatória de transferência das fazendas, seja para a MTR Agro ou para a UPI, não deve ser bem-sucedida. Entre outros motivos, dizem que Maria Elisa tinha uma procuração com amplos poderes, que a permitia levar adiante a incorporação das propriedades à MTR Agro. Também diz que a parte dos irmãos na fazenda é pequena em relação à dívida total. E que a Justiça negou liminar, em primeira e segunda instâncias, que pedia urgência na anulação da transferência das fazendas por entender o dano em risco.




A negativa da liminar se deu para evitar o colapso da recuperação judicial, mas também porque a Justiça não enxergou urgência, já que os herdeiros demoraram para fazer esse pedido. A Justiça também viu necessidade de maior prazo para recolhimento de provas. Porém, o mérito da causa ainda não foi julgado.




Os herdeiros Julio e Juliana contestam as alegações da mãe e do irmão. Eles questionam o fato de a procuração de Maria Elisa não ter sido usada no negócio. Dizem, no processo, que esse documento só passou a ser invocado após a descoberta de que a assinatura digital de Jorge partiu de um IP na Mitre Realty, enquanto ele estava internado na UTI.




Argumentam ainda que, pelo fato de se tratar de uma procuração genérica de administração, o Código Civil exige poderes especiais e expressos para alienar ou conferir imóveis de grande valor em benefício próprio ou de terceiros. Também que sua participação nas fazendas foi diluída e que bens como tratores foram vendidos sem autorização do juiz do inventário. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) e a 9.ª Vara de Família de SP emitiram ordens cautelares determinando a imediata suspensão de todo e qualquer ato de alienação, arrendamento ou disposição patrimonial desses ativos sem o aval do juiz do inventário.




Jorge Mitre não era apenas dono das terras, mas figurava como fiador e avalista solidário da quase totalidade das Cédulas de Crédito Bancário e do CRA do Grupo Elisa Agro. Caso a ação anulatória retire as fazendas da MTR e invalide o plano de recuperação judicial, os credores fiduciários e bancos poderiam tentar executar diretamente o patrimônio geral do espólio.




*Leia abaixo o posicionamento completo das defesas:*




*Maria Elisa e Fabrício Mitre:*




“A defesa de Fabrício Mitre e Maria Elisa Mitre lamenta a postura dos herdeiros Juliana e Julio Mitre de tentar manipular a Justiça e os órgãos de persecução penal reiteradamente desde o falecimento do pai, o empresário e médico Jorge Mitre, há mais de quatro anos. Na tentativa de obter vantagens na partilha dos bens da família, os irmãos têm provocado sucessivas ações nas mais diversas esferas jurídicas (varas de família, criminal e cível) com narrativas mentirosas sobre desvio de patrimônio e falsificação de assinatura — algo jamais comprovado. Tanto que todas as sentenças em todas as esferas e instâncias até hoje confirmaram a lisura e validade dos atos praticados por Jorge Mitre em vida, bem como a validade de seu testamento.




A decisão de Jorge e Elisa de integralizar três imóveis rurais, dos quais eram os únicos donos, na empresa MTR Agro fez parte de um planejamento sucessório e tributário, seguindo as melhores práticas de mercado. A Justiça, inclusive, já reconheceu que Jorge gozava de suas plenas faculdades mentais no momento em que a operação foi realizada, tendo negado o pedido dos herdeiros Julio e Juliana para anulação do ato.




Importante ressaltar que, mesmo antes de serem integralizados sob a MTR, tais imóveis rurais já haviam sido disponibilizados como garantia, por Jorge e Elisa na pessoa física, aos credores dos CRAs e também da Elisa Agro há décadas. Portanto, a integralização não afeta em nada a situação dos credores, que já tinham garantia precedente.




Em relação às acusações de desvio patrimonial e falsificação da assinatura de Jorge, o Ministério Público já investigou e arquivou o inquérito, bem como tentativas de reabertura subsequentes, uma vez que não foi identificado qualquer ato ilícito praticado por Fabrício ou Maria Elisa. O mesmo, porém, não foi constatado em relação à Juliana, que chegou a ser indiciada pela Polícia Civil de São Paulo por extorsão e desvio de recursos da conta bancária do pai. Também fez um acordo penal com pagamento de multa por fraude processual e foi excluída judicialmente de duas sociedades de empresas da área médica da família, por faltas e desvios considerados graves.




Importante esclarecer que Julio e Juliana jamais participaram da gestão de qualquer empresa do Grupo Mitre e desconhecem profundamente as operações. Ressalte-se ainda que a disputa em torno da herança não tem nenhum impacto na Mitre Realty, companhia da qual Fabrício Mitre é controlador e CEO e completamente segregada de tais controvérsias, restritas aos bens de Jorge Mitre."




*Julio Mitre:*




“Julio defende que os bens que devem ser partilhados no inventário do Dr. Jorge Mitre sejam aqueles condizentes com a estrutura negocial que ele fez ao longo da vida, que não se harmoniza com determinadas medidas adotadas nos negócios no período próximo que antecedeu seu falecimento, alterando substancialmente a composição do patrimônio a ser partilhado − o que foi objeto de impugnação e laudo do Instituto de Criminalística da Polícia Científica de SP, no qual se constatou que a assinatura atribuída ao Dr. Jorge Mitre no Memorando de Entendimentos (MoU) não foi realizada por ele.




Busca-se, assim, preservar o legado de vida deixado pelo Dr. Jorge Mitre e evitar que qualquer dos herdeiros seja favorecido em prejuízo dos demais.




Julio também permanece aberto a tratativas de acordo que observem essas premissas."




*Juliana Mitre Felício:*




“As ações propostas por Juliana Mitre Felício buscam proteger o patrimônio deixado por Jorge Mitre diante da confirmação de que diversos negócios jurídicos — que versam sobre alterações de contratos sociais de empresas, transferências de ativos e prestação de aval para emissão de CRA — foram celebrados de forma suspeita, nos meses finais de sua vida, por terceiros não identificados, através de assinaturas digitais realizadas com a utilização de seu token pessoal.




Juliana busca a declaração de nulidade desses atos controvertidos, uma vez que há comprovação de que as assinaturas digitais de Jorge foram efetuadas com o seu token pessoal por terceiros, os quais não foram identificados até a presente data, e sem que houvesse prova de autorização específica para tais assinaturas.




Em síntese, a principal tese defensiva dos principais beneficiados pelos atos suspeitos (Fabrício Mitre e Maria Elisa) resume-se às alegações de que ‘a utilização do token pessoal por terceiros era comum’, ‘Jorge tinha a intenção de praticar os atos questionados’ e, em alguns casos, ‘houve a sua autorização verbal’.




Todavia, as alegações e os elementos probatórios produzidos não conseguiram demonstrar quem teria utilizado o token pessoal de Jorge e sequer que ele tenha tomado ciência das minutas prévias ou finais que versavam sobre os atos impugnados.




Ademais, embora Fabrício e Maria Elisa aleguem que um Memorando de Entendimentos — apresentado pelo primeiro no bojo de uma investigação criminal e que teria sido celebrado em abril de 2022 — confirma a intenção de Jorge para a prática de alguns atos impugnados, a perícia oficial realizada pelo órgão técnico da Polícia Civil de São Paulo concluiu que a assinatura física presente em tal documento e atribuída a Jorge Mitre é falsa, pois não teria sido realizada por ele.




A relevância do caso se acentua diante da suspensão da execução contra o Grupo Elisa Agro em decorrência de sua recuperação judicial. Existem tentativas de direcionar ao espólio a cobrança de débitos que ultrapassam R$ 500 milhões, sob o argumento de uma prestação de fiança firmada em documento digital. Contudo, laudos apontam que tal validação não foi realizada por Jorge Mitre, mas sim por um terceiro não identificado que fez uso de seu token pessoal.




Juliana reconhece a importância dos interesses dos credores de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) e do processo de recuperação judicial. Ela esclarece que suas medidas jurídicas não visam impedir o pagamento de dívidas legítimas, mas garantir que o patrimônio de seu pai responda apenas por obrigações efetivamente assumidas por ele e que possam ser legalmente exigidas do espólio.




Vale registrar que a atuação de Juliana não se resume à qualidade de herdeira de Jorge Mitre. Casada e mãe de três filhos menores, ela tem uma sólida trajetória profissional: é empresária e atua como médica há mais de 30 anos, com destaque para sua liderança no Grupo Hosp, instituição da qual é sócia e onde atuou como Responsável Técnica e coadministradora por longo período.




Até que realizasse a contestação de atos supostamente fraudulentos que beneficiavam Maria Elisa e Fabrício Mitre, Juliana jamais havia respondido a qualquer processo cível ou criminal que pudesse desabonar sua integridade pessoal ou profissional.




Não obstante, após tais impugnações, Juliana passou a ser alvo de um severo sufocamento financeiro, violência processual e diversas representações criminais temerárias, além de supostos atos de monitoramento clandestino e violência doméstica.




Por fim, Juliana esclarece que jamais sofreu qualquer condenação criminal e reitera a sua confiança na Justiça, desejando que as controvérsias sejam solucionadas com brevidade, de modo a preservar não apenas seus direitos sucessórios, mas também os direitos legítimos de terceiros afetados pelo imbróglio sob investigação."




https://www.estadao.com.br/economia/negocios/disputa-espolio-bilionario-jorge-mitre/?utm_source=estadao:app&utm_medium=noticia:compartilhamento

terça-feira, 27 de outubro de 2026

Menos interesse, mais Brasil

 MENOS INTERESSES, MAIS BRASIL 

Carlos Alberto Di Franco 

No Estadão, em 26/10/2026


A eleição terminou. A responsabilidade permanece. Que os vencedores tenham grandeza, que os derrotados tenham espírito público e que todos saibamos cobrar resultados


Encerrada a eleição presidencial, o Brasil precisa reencontrar o Brasil. As urnas definiram quem governará. Não deram a ninguém a propriedade do País nem autorizaram a perpetuação dos palanques. A vitória impõe responsabilidades. A derrota exige maturidade. Acima das duas está uma nação que precisa trabalhar, crescer e oferecer um horizonte aos seus filhos.


É hora de baixar a voz e elevar a qualidade da política. O cidadão não pode continuar refém de uma disputa que invade a vida cotidiana, rompe amizades e transforma divergências em hostilidade. O adversário não é um inimigo a ser eliminado. É um brasileiro com quem será necessário conviver e construir soluções.


O País não carece de recursos naturais, inteligência ou capacidade empreendedora. Carece de liderança com autoridade moral, consciência histórica e espírito público. Carece de homens e mulheres capazes de subordinar suas conveniências ao interesse nacional. Há muita gente pensando na próxima eleição. Precisamos de gente pensando na próxima geração.


A pergunta decisiva já não é quem venceu. É o que faremos com o mandato recebido e com a responsabilidade que cabe a cada um. Que Brasil queremos entregar aos jovens? Um país prisioneiro de ressentimentos ou uma sociedade que transforme suas possibilidades em oportunidades reais? A resposta virá das decisões.


O cenário mundial evidenciou o valor estratégico dos alimentos, da energia e dos minerais. O Brasil tem condições para participar desse movimento. Temos água, terras, fontes de energia, empresas, agricultura produtiva e um povo trabalhador. Mas riqueza potencial não põe comida na mesa. Precisa transformar-se em investimento, produtividade e trabalho.


Enquanto discutimos pessoas, grupos e facções, projetos se arrastam, obras encarecem e oportunidades desaparecem. A burocracia sufoca quem empreende. A insegurança jurídica afasta investimentos. A instabilidade das regras pune quem planeja. O preço dessa paralisia não é pago apenas pelas empresas. É pago, sobretudo, por quem espera um emprego e por quem depende de serviços públicos precários.


Destravar o desenvolvimento deve ser prioridade nacional. Integrar o território, modernizar portos e ferrovias, melhorar a educação e estimular a inovação são tarefas que exigem continuidade. Um projeto necessário não pode ser abandonado porque nasceu em outro governo. O dinheiro público não pertence ao governante da vez. Pertence ao contribuinte, que merece respeito.


Preservação ambiental e desenvolvimento não são coisas contraditórias. Exigem decisões responsáveis, apoiadas na ciência, na proteção das comunidades e em regras claras. Mas a defesa do ambiente tampouco pode servir de justificativa para condenar populações inteiras à pobreza. O Brasil precisa recuperar seu território. Não pode admitir que organizações não governamentais, atreladas a interesses externos, decidam o nosso futuro. Governar exige conciliar direitos, avaliar consequências e decidir.


Também é preciso desfazer uma confusão persistente: desenvolvimento não se fabrica com descontrole fiscal, favores a grupos influentes ou promessas sem financiamento. O Estado precisa gastar melhor, combater desperdícios e priorizar o que muda a vida das pessoas. Inflação, dívida e improvisação cobram sua conta. Os mais pobres costumam pagá-la primeiro.


Combater a corrupção faz parte desse compromisso. Não há corrupção aceitável quando beneficia os nossos e intolerável quando favorece os outros. O dinheiro desviado falta na escola, no hospital e na segurança. A honestidade não pode ser uma bandeira recolhida depois da posse. Precisa orientar a administração e a conduta dos Poderes.


Ao presidente eleito cabe uma obrigação especial: governar para o conjunto da sociedade. Ouvir além do próprio círculo, escolher pessoas competentes e aceitar a fiscalização são sinais de grandeza. À oposição cabe exercer o controle com firmeza, apresentar alternativas e apoiar o que servir ao País. O fracasso do governo não pode ser desejado quando significa o sofrimento dos brasileiros.


Ao Congresso, ao Judiciário, aos empresários, aos sindicatos e à imprensa cabe rever prioridades. Toda instituição deve prestar contas. Nenhum setor pode exigir sacrifícios coletivos enquanto protege seus privilégios. A reconstrução da confiança começa quando o discurso encontra correspondência no comportamento.


Pacificar exige verdade, respeito à lei e disposição para o diálogo. Exige abandonar a exploração permanente do medo e da raiva. Não significa renunciar a convicções ou suspender a crítica. Significa compreender que a divergência democrática precisa produzir caminhos, e não um estado interminável de guerra.


O Brasil é maior do que qualquer biografia, partido ou projeto de poder. Não pode continuar sendo tratado como instrumento de ambições particulares. A eleição terminou. A responsabilidade permanece. Que os vencedores tenham grandeza, que os derrotados tenham espírito público e que todos saibamos cobrar resultados. Menos vaidade, menos revanche, menos interesses pessoais. Mais trabalho, mais responsabilidade, mais Brasil.

segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Gabriel Cesar

 Opinião impopular (com números):


1- Não houve fraude.

2- A campanha do Flávio foi muito bem.


Classes C, D e E foram diariamente aterrorizadas com:

-fim do bolsa família,

-congelamento de salários e aposentadorias,

-revogação do fim da escala 6x1,

-corte de R$ 200bi de programas sociais,


O brasileiro mais vulnerável quer mais gastos sociais e confia que Lula é o nome para fazer isso. Não adianta Flávio dizer que vai triplicar o Bolsa Família… Numa disputa pra ver quem dá mais benefícios, esse eleitor confia que Lula dará mais mais a ele. Vamos aos números.


Em Carnaubeira da Penha (PE), 83% da população municipal é beneficiária do Bolsa Família. Foi a cidade com maior votação proporcional do Lula, 88,33% no 1° turno e 92,34% no 2°.


Quando a campanha de ameaça de corte de programas sociais convence o eleitor indeciso, isso vira rejeição a Flávio. Ou seja, aquele eleitor está disposto a votar em qualquer um, menos no Flávio. O voto por rejeição também explica o erro das pesquisas, que têm dificuldade de captar esse voto enrustido.


O voto enrustido é justamente parte do voto desses 10 milhões que não votaram no 1° turno em Lula - mas foram convencidos a ter mais medo do Flávio. Essa parcela foi convencida de que Lula seria o “mal menor”. Ela ainda achava Lula ruim o suficiente para ter vergonha de respondê-lo na pesquisa, mas no escurinho da urna votaram 13 contra os “cortes”.


Não vou nem adentrar na teoria da fraude, pois a redução da abstenção total (3M) foi menor que a diferença total da eleição (4.4M). Ou seja, mesmo se 100% dos votos de redução de abstenção tiverem sidos roubados pelo mesário (o que é impossível), isso não mudaria o resultado.


O erro da teoria da fraude é achar que todos os votos adicionais de Lula precisam vir dos 14 milhões que não votaram nem Lula e nem Flávio no 1° turno. Essa premissa é que força a conclusão de que Lula precisaria levar 70% dos votos em disputa. Isso é muito difícil.


O mais provável? Mais votos estavam em disputa do que estes 14M: parte dos votos de Flávio virou, em especial os das classes C, D e E, bombardeadas pela campanha de cortes/congelamentos de programas sociais. Enquanto Flávio falava de proposta, Lula falava do risco do eleitor perder o sustento. Prevaleceu o medo. E é aqui que acho que Flávio foi bem.


Lula ganhou 10 milhões de votos a mais, mas terminou só 4.4 na frente. Como?


Flavio manteve a vantagem de 2.2M no saldo de votos do 1° turno.


E ainda agregou mais 3.4M.


Vocês acham que isso é pouca coisa? Que a campanha de Lula não fariam essa mesma campanha de terrorismo eleitoral contra Tarcísio, Cury, Caiado? É só olhar pro passado: Flavio perdeu por 3,6%. José Serra e Alckmin perderam de 19% e 12% de diferença pro PT mesmo com Mensalão. Aécio perdeu por margem de 3,2% mesmo no meio do Petrolão. Nenhum deles tinha Bolsonaro no sobrenome e isso não os impediu de sofrer o terrorismo eleitoral do PT.


O que fica de lição?


Lula herdará um déficit gigantesco do seu próprio governo, ele contratou a própria crise.


A oposição precisa decidir se cai na armadilha de brigar com o resultado ou se aproveita essa oportunidade para salvar o Brasil. O Lula de 2026 é muito parecido com a Dilma de 2014: assume com vitória apertada, sem maioria no Congresso e com crise contratada. Todos sabemos como terminou aquele governo.


Com uma boa gestão de oposição, temos uma oportunidade de mostrar um caminho diferente ao Brasil: defesa de reformas (PEC não vai à sanção ou veto), impeachment de ministros que cometeram crime de responsabilidade (outra que não passa pelo presidente), um Congresso de fato atuante.


Precisaremos de uma oposição forte e ativa. Dobrar a aposta na teoria da fraude é algo que tem tudo para censurar a oposição com zero ou pouca chance de retorno concreto.


Entendo os indignados, eu trabalhei muito por um resultado diferente... Por isso, digo que precisamos de SABEDORIA para superar as turbulências e aproveitar as oportunidades que virão. Ao trabalho. Haverá muito.

Thomas Conti

Autópsia da defunta campanha da direita, baseada na mais pura opinião pessoal:

- Jair nomear Flávio como sucessor para garantir alguém que o tirasse da cadeia foi o erro maior da campanha. Arriscou que o sobrenome carregaria um nome fraco, sob pena de ficar sem presidente algum. Era evidente que Tarcísio era um candidato mais forte e que conseguiria montar uma coalizão maior, mas precisaria da benção de Jair mobilizando o eleitorado cativo dele. Deu no que deu.

- Flávio começou sua campanha corrigindo os erros maiores que a campanha derrotada de Jair cometeu em 22. Não criticou as urnas, não criticou vacina, não insistiu em falar de armas de fogo. São três temas que não tem apoio da maioria dos brasileiros, mas que o pai não conseguia largar. Mais que isso, evitou até usar demais da imagem do pai. Provavelmente sabia que quem se importava com isso já era voto no bolso dele, e não queria trazer para ele a rejeição mais alta que o pai tem.

- Resultado do 1º turno mostrando um resultado para Flávio muito melhor que as pesquisas indicavam, e elegendo toda a direita para o legislativo, subiu à cabeça. Ficaram extremamente confiantes na vitória. Não dá para culpá-los tanto por isso, afinal uma virada eleitoral entre 1º e 2º turno nunca tinha acontecido. Mas prudência é bom.

- Após o 1º turno essa confiança mudou parte do tom da campanha. Marçal ganhou mais espaço. Aparece hostilizando indecisos, dispensando e ofendendo eleitores de Renan Santos. Muito, muito ruim. Isso é clima de "já ganhou" total. Estão concorrendo com alguém que já foi presidente três vezes e acham que podem dispensar 3 milhões de votos??? Isso é puro ego e burrice. E não ofende só o pessoal do Missão, não, porque muitos indecisos também viram isso. Se fazem pouco caso de 3 milhões de pessoas imagina o espectador independente que só tem 1 voto para depositar?

- Nem uma semana depois do 1º turno, Flávio grava vídeo prometendo que quem passará a faixa presidencial para ele será o próprio pai. Aqui fica claro o clima de "já ganhou", e que o poder subiu à cabeça. Quem deveria passar a faixa é o atual presidente, não o pai - que, aliás, fugiu do país e não se dignou a passar a faixa. Até as tradições do país estão abaixo  dos interesses particulares da família?

- O primeiro debate presidencial focado em atacar sem parar com ofensas. Vestiu a roupa, o estilo e a profundidade de conteúdo de Marçal. Como não participou de debates no 1º turno, aquela foi a primeira impressão de muita gente sobre quem era Flávio Bolsonaro. E não foi boa.

- Mudanças de pauta. Flávio passou o 2º turno copiando ideias e pautas ruins de Lula, ou criando novas ideias ruins dele, como o calote nas dívidas bancárias. Em parte, faz sentido essa estratégia. Se as propostas forem muito parecidas a eleição vira sobre quem você gostaria que tocasse aquelas propostas, e Flávio estava confiante que ele ganharia nesse embate. De novo, ego. Talvez para alguns eleitores ele tenha passado a imagem de falso e seria melhor bancar alguma das decisões históricas dele, para marcar uma mudança com a situação atual.

- Vídeo do Nikolas sobre o nordeste. Não me parece que tenha pego bem. Reforçou estereótipos diversos, especialmente o de se julgarem salvadores da região mesmo sem terem nada a mostrar nesse sentido. Os vazamentos da gravação depois pegaram muito mal.

- Crimes, mais crimes, e ainda mais suspeitas de crimes. A quantidade de esqueletos no armário que apareceram sobre Flávio nessas poucas semanas foi muito impressionante. Praticamente todo dia aparecia um novo vínculo suspeito, uma transação não-explicada. Ser o candidato novo e que deveria passar a imagem de mudança, mas não conseguir peitar de frente o PT no quesito corrupção, é um fracasso incrível. Mas 100% previsível para quem sabia um pouquinho que seja do histórico dele. Obs: TODOS os políticos com nome grande na direita sabiam desde o começo desse histórico sujo do Flávio, para eles não foi surpresa alguma.

- Histórico pouco presidenciável. Difícil pensar que um candidato à presidente vai ter que se explicar por que votou contra licença maternidade. Ou por que foi a favor de tirar a marcação de munições. No contexto dessa eleição, ele também começou falando contra o fim da escala 6x1 e terminou apoiando no discurso. Começa com cortar R$200 bi e termina sem conseguir dizer nada que vai cortar de fato, só gastos a serem ampliados. A imagem que passa é de um oportunista.

- O 2º debate e o caráter pessoal. Usar os 9 dedos de Lula como ofensa foi algo muito natural para o Flávio, esse tipo de piada é refresco nos círculos da direita. Ele só esqueceu que não está falando com sua claque que votaria nele não importa o que ele faça. Para um eleitor indeciso, ver um homem adulto fazer ofensa baixa a um idoso de 80 anos que já foi presidente três vezes é uma demonstração muito ruim de caráter. Depois ele pediu desculpas e as pesquisas mostraram que esse foi o ponto mais alto de Flávio no debate, agradou os indecisos (e foi o que mais desagradou os bolsonaristas). Em seguida, chamou a mãe de Ana Clara pelo nome da filha assassinada, de novo uma demonstração muito ruim de caráter. 

Em resumo, me parece que os erros da campanha da direita começaram no ego de Jair. Flávio começou sabendo bem os temas que precisava evitar para se diferenciar do pai, e foi muito acima do esperado no primeiro turno. O ego inflou e ele mostrou mais de quem ele é. 

A maioria dos brasileiros indecisos não gostou do que viu. Dos 14 milhões de votos totais a mais depositados no 2º turno, 10 milhões foram para Lula.

Considerando que agora Flávio quer contestar o resultado das urnas, a visão negativa que a maioria dos brasileiros formou dele se mostrou correta em tempo recorde.

quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Um possível governo Flávio Bolsonaro

 PREVISÕES SOBRE O (PROVAVEL) 

GOVERNO FLÁVIO BOLSONARO


Por Hugo Studart

O imperador romano Marco Aurélio registrou em seus Pensamentos que o poder não alteraria a natureza dos homens, mas apenas revelaria a matéria bruta de que seriam feitos. Na política, a transição de poder operaria como o desnudamento das ilusões retóricas em favor da crueza das forças institucionais. 


Isto posto, extraindo-se os discursos e narrativas eleitorais, os indícios apontam que a provável gestão de Flávio Bolsonaro não deve repetir as comoções ideológicas do mandato do pai Jair Messias. Todos os sinais apontam para um governo muito parecido com o de Michel Temer. A prioridade seria consertar a economia, fazendo uso da maioria no Congresso para implementar reformas necessárias, a começar pela do Judiciário, em um modelo fisiológico e liberal de governabilidade. Examinemos os principais pontos do debate:


SUPREMO - A pressão sobre o Poder Judiciário figura como o nó cego da governabilidade, com a composição de forças no Senado a projetar a abertura de processos de impeachment contra integrantes do Supremo por impulso da base 

política do presidente eleito. As movimentações apontam prioritariamente para a cassação dos ministros Alexandre de Moraes e Kassio Nunes Marques, em um desenho de liquidação bilateral de passivos, enquanto a base aliada exigiria ainda as inclusões de Flávio Dino e Gilmar Mendes. Por sua vez, a tentativa de mediação patrocinada por Gilmar sob a premissa da "estabilidade institucional" encontraria forte resistência na base partidária, a restringir a margem de conciliação do Executivo a um ponto intermediário.


DEMOCRACIA OU GOLPE? - Flávio nasceu e cresceu na política da negociação, e se até o pai jogou "dentro das quatro linhas" quase todo seu mandato, não haveria razão para dar golpe de Estado sob a vigilância dos EUA de Donald Trump, como tanto aponta as esquerdas e o PT do presidente Lula. Ora, Exército brasileiro não aceitou as propostas de Dilma Rousseff de implementar o Estado de Emergência; não aceitou nem mesmo a proposta de Jair Bolsonaro. Ademais, a 8 de janeiro o Exército saiu dos quartéis para prender os manisfestantes, não para dar um golpe. Não haveria razão para esse mesmo Exército, nos quartéis há 40 anos, desde 

1985, patrocinar um golpe de Flávio. Golpe por qual razão, se ele tem cerca de 75% do Congresso e, se implementar o impeachment de alguns ministros do Supremo, consegue restaurar o Estado Democrático de Direito que vem sendo 

vilipendiado por Suas Supremas Sapiências. Essa história de golpe é exatamente isso, história, narrativa eleitoral.


PRIVATIZAÇÕES - Uma das peças de campanha de Lula acusa Flávio de querer privatizar tudo e mais alguma coisa, incluindo instituições estratégicas como Banco do Brasil e Petrobras. De fato, há um debate interno entre os formuladores do Programa de Governo. Um dos membros da equipe que elabora o Plano Econômico, Marcelo Kayat, defende uma privatização radical, inspirado no 

modelo que Paulo Guedes gostaria de ter implementado. Contudo, os dois maestros da equipe, Adolfo Sachsida e Daniella Marques, defendem vender as estatais desnecessárias, "cabides de emprego", como já acusou Flávio, e valorizar as estatais estratégicas, como a Caixa Econômica Federal. Um modelo de gestão 

liberal moderada semelhante à de Henrique Meirelles no governo Temer. As declarações públicas de Flávio apontam que já se decidiu por Danielle e Sachsida.


RELAÇÕES EXTERIORES - Tudo indica que o Itamaraty foi entregue à senadora Tereza Cristina, que já anunciou que pretende priorizar a diplomacia comercial. Ela também se lançou candidata à Presidencia do Senado; nesse caso, indicaria um embaixador de sua confiança para o cargo. Eduardo Bolsonaro ja foi informado que descartado da formulação direta. Descartado até mesmo como embaixador na América de Trump, seu sonho de consumo.


ALINHAMENTO COM TRUMP - Sim, tudo indica que vai acontecer. Mas qual o real entrave? A gestão Lula alinhou o Brasil ao regime imperialista e predatório da China, entregando nossos recursos naturais aos chineses como faziam as velhas repúblicas de bananas com os americanos. O Brasil republicano nasceu sob inspiração do primo rico do Norte; nossas instituições foram espelhadas na maior democracia do mundo e há dois séculos orbitamos sob a zona de influência 

econômica e cultural norte-americana. Trocar esse eixo pela China não tem lógica. Argumentam que Trump é de direita, histriônico e inconsequente — verdade, mas é passageiro. Houve sobrenatural incômodo na aliança histórica com os Estados Unidos sob Carter, Clinton, Obama ou Biden? Suportem Trump por mais dois anos e o sobressalto passa. Mas o alinhamento de Estado permanece.


CÉREBRO PENSANTE - No governo do pai Jair, o epicentro das decisões era ocupado pelos três filhos: Flávio 01, Carlos 02 e Eduardo 03. Muitos militares e alguns políticos tentavam influir; Paulo Guedes até conseguia nas questões econômicas. Contudo, ao fim e ao cabo, tudo passava por eles. Já na futura gestão de Flávio, o centro pensante passa a ser o senador Rogério Marinho, coordenador geral da campanha presidencial. Racional, pragmático e executivo, há duas opções para Marinho: a Casa Civil ou a Presidência do Senado, opçãomais provável. Afinal, no início do mandato, boa parte do poder deve se deslocar 

para o Senado, onde vão ocorrer os impedimentos e de onde vão sair as reformas, como a do Judiciário. Na Câmara, a articulação aponta para o retorno de Arthur Lira.


EDUCAÇÃO, CULTURA, MEIO AMBIENTE - No governo do pai Jair, as três pastas foram entregues a gestões ideológicas. No caso da Educação e da Cultura, cada pasta acumulou a marca impressionante de cinco ministros em quatro anos. Sob a provável gestão de Flávio, contudo, a Educação deve ser exigida pelo Centrão. A grande novidade é a provável transferência das universidades federais para a 

estrutura do Ministério da Ciência e Tecnologia. Já a Cultura permanece como uma incógnita: existe a hipótese de o irmão Carlos Bolsonaro, senador eleito, reivindicar a área para implementar seu próprio projeto ideológico. Por fim, no Meio Ambiente — outro setor turbulento sob o pai —, ganha força a entrega da pauta ao ex-comunista Aldo Rebelo, mantendo distância tanto do negacionismo de Jair quanto da devastação observada no governo Lula.


SEGURANÇA PÚBLICA - Uma de suas promessas prioritárias de campanha. A tendência é a de que Flávio inicie seu governo com uma gestão de impacto, recriando o Ministério da Segurança Pública e colocando um homem forte no comando, como Ronaldo Caiado. Deltan Dallagnol, símbolo da Lava Jato, deve ganhar ministério se não conquistar o mandato de senador.


DINASTIA BOLSONARO - Se dependesse do exilado Eduardo Bolsonaro, haveria monarquia autocrática com dinastia — filho sucedendo pai, irmão passando o bastão para outro irmão. Mas essa hipótese está descartada. Flávio já negociou com a Faria Lima apoiar Tarcísio de Freitas na próxima eleição presidencial. Nesta, Tarcísio cumpre a sua parte. As dúvidas recaem sobre a extensão do mandato de Flávio: se de quatro ou oito anos, ou se ele vai mesmo propor uma PEC alterando o sistema para mandato único de cinco anos.


MILÍCIAS - Uma das grandes restrições a Flávio é seu passado de amizades com políticos e policiais acusados de ligações com as milícias do Rio de Janeiro. Nesse ponto, não difere muito das suspeitas de ligações entre o PCC e alguns deputados do PT de São Paulo. É bem possível que aliados do Rio ligados às milícias ganhem 

cargos em Brasília na área de segurança. Será péssimo. Mas as nomeações não devem resistir a três dias de noticiário.


PODER DO PRAGMATISMO - A história das instituições republicanas demonstra que a euforia das urnas se dobra à rigidez dos orçamentos e à aritmética do Congresso. O governo Flávio Bolsonaro se desenha não como revolução ideológica, mas como um exercício de sobrevivência política centrado na recomposição das contas públicas. O poder cobra o seu preço em pragmatismo.

Um cidadão indignado

 Visto e lido por aí....


"Sou brasileira e como estou cansada de dizer, vivo em Portugal há 20 anos e, ao longo desse tempo, aprendi que viver num país diferente daquele onde nascemos exige adaptação, respeito pelas leis, pelos costumes e pela maneira como aquela sociedade funciona.


Ao acompanhar as notícias sobre as manifestações pela habitação em Lisboa, especialmente a participação de uma brasileira como porta-voz de um movimento que acabou com acampamentos desmontados, dezenas de detenções e atos de vandalismo, confesso que fiquei bastante incomodada.


Não sou contra manifestações, muito menos contra o direito à habitação. Sei que Portugal atravessa uma crise habitacional grave, que os salários não acompanham o custo de vida e que muitas famílias enfrentam enormes dificuldades. São problemas reais que precisam de soluções sérias.


Mas uma coisa é reivindicar melhores condições de vida, outra é transformar um protesto numa situação de desordem. E quando vejo notícias de vandalização de monumentos históricos, como aconteceu com a estátua de D. Pedro IV, no Rossio, a minha indignação é ainda maior. Estamos a falar de património histórico e cultural português, que pertence a todos e merece ser preservado. Não consigo compreender como alguém pretende defender uma causa legítima desrespeitando aquilo que faz parte da história de um país.


O que também me incomoda é ver uma imigrante brasileira assumir uma posição de destaque num protesto com estas características. Não por ser brasileira, porque eu também sou, mas porque acredito que, quando escolhemos viver noutro país, precisamos de compreender e respeitar a sociedade que nos acolhe. Isso não significa aceitar injustiças em silêncio, mas também não significa querer fazer tudo à nossa maneira.


O Brasil vive há anos uma polarização política que, na minha opinião, se tornou insuportável. Ou se é de direita ou se é de esquerda, e parece que já não existe espaço para o bom senso. Tudo vira uma guerra ideológica. E sinceramente, não gostaria de ver essa mesma mentalidade transportada para Portugal. Saímos do Brasil, mas parece que, em alguns casos, o Brasil não sai de nós.


Nestes 20 anos, procurei adaptar-me à vida portuguesa sem deixar de ser brasileira. Nunca senti necessidade de impor os meus costumes ou a minha maneira de pensar. E tenho uma opinião que pode não agradar a todos: quem decide emigrar precisa de estar preparado para enfrentar dificuldades. Se não consegue manter-se ou não se identifica com a realidade do país que escolheu, regressar ao país de origem também é uma opção. Não podemos esperar que o país de acolhimento se transforme naquilo que gostaríamos que fosse.


Quanto à intervenção policial, se houve excessos, devem ser investigados. Mas também não podemos assumir automaticamente que toda a ação da polícia perante uma manifestação seja repressão, principalmente quando existem situações de desobediência e danos ao património público.


Portugal tem os seus problemas, muitos deles graves, e precisa de soluções. Mas não acredito que importar a radicalização e os confrontos políticos que tanto desgastaram o Brasil seja o caminho.


Até alguns anos atrás, tinha orgulho de ser brasileira, mas acho que o brasileiro de hoje deixa - e não é pouco - á desejar. Também tenho um enorme respeito pelo país onde escolhi construir a minha vida. Para mim, adaptar-me a Portugal nunca significou perder as minhas raízes, mas compreender que viver aqui não é tentar transformar este país numa cópia daquele que deixei para trás.


Reivindicar direitos é legítimo. Desrespeitar a história, as leis e o património de um país não deveria fazer parte de nenhuma reivindicação.


Ser Imigrante Também É Saber Respeitar O País Que Nos Acolhe"

Hugo Studart

 COMO BRIZOLA FORJOU LEONEL 

Poucos sabem, mas o líder político Leonel Brizola não se chamava Leonel. Nasceu Itagiba. Em 1923, quando tinha 1 ano, seu pai morreu degolado em uma daquelas revoltas armadas que sempre assolaram os pampas. Fazia parte das tropas de um caudilho maragato, o general Leonel Rocha. Itagiba passou a infância brincando de peleias; ele sempre era, com muito orgulho, o general Leonel. Aos 13 anos, quando foi para a cidade aprender a ler e escrever, teve que se registrar. Quando o escrivão lhe perguntou o nome, não tergiversou: Leonel de Moura Brizola. 


Acabo de ler a primeira referência a Leonel, o ídolo de Itagiba. A história se passa no conturbado governo de Artur Bernardes (1922-1926), quando explodiram revoltas armadas contra as oligarquias da Velha República para todo lado: Rio de Janeiro, com os 18 do Forte, Rio Grande do Sul e São Paulo, desencadeando a coluna de "revoltosos" liderada pelo general Isidoro Dias Lopes, chefiada pelo major Miguel Costa e tendo como seu adjunto o capitão Luiz Carlos Prestes (movimento este que restou registrado pela História como Coluna Prestes)


A revolta dos pampas foi a pior, uma verdadeira guerra civil, desencadeada quando o caudilho Borges de Medeiros consegue se reeleger, na esteira de Bernardes,  para o sexto mandato como presidente do Rio Grande. A guerra civil, iniciada em janeiro de 1923, espalha-se pelo Estado, da Serra Gaúcha até a fronteira com a Argentina. Foram 13 batalhas, quase todas lideradas pelo general Honório Lemes. Leonel Rocha  era um dos comandantes "revolucionários", que liderou uma batalha na região de Carazinho, onde nasceu Brizola.


Em dezembro de 1923 o presidente Bernardes conseguiu negociar um acordo, com armistício e anistia, no qual a Constituição gaúcha fora alterada para impedir a reeleição de Borges de Medeiros (com a vitória politica dos rebelados, abriu-se caminho para que em 1927, em conluio oligarquico e fraude nas urnas, escolhessem governador o jovem ministro da Fazenda, um tal de Getúlio Vargas).


Mas muitos já haviam sucumbido com a revolução de 1923, dentre eles Brizola-pai. Contudo, naquela "revolução" seria forjada, ainda criança, um dos mais relevantes líderes políticos da história brasileira.


Votei em Brizola, sempre no primeiro turno, em 1989 e 1994. Hoje lamento o legado de caos que deixou em sua passagem pelo Rio de Janeiro. Foi ele quem permitiu que o tráfico tomasse conta dos morros cariocas. Um mal até hoje não consertado.


Hugo Studart


Das lembranças de há 6 anos)

segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Boi de piranha

 *CNN BRASIL: Roberta Luchsinger afirma que Lula será o culpado se algo acontecer com ela ou com suas filhas*

*CNN BRASIL: Roberta Luchsinger afirma que teve que se defender após Lula chamá-la de pilantra*

*CNN BRASIL: Roberta Luchsinger diz à CNN Brasil que está sendo ameaçada de morte*

*CNN BRASIL: Roberta Luchsinger: Quando tive conhecimento de esquema do INSS, rompi contrato com Antonio Camilo*

*CNN BRASIL: Roberta Luchsinger, quando tive conhecimento de esquema do INSS, rompi contrato com Antonio Camilo*

*CNN BRASIL: Luchsinger: Sei, pela mídia, que Antonio Camilo e Lulinha ficaram amigos e viajaram*

*CNN BRASIL: Luchsinger: Vi Lulinha sentado com ministros de governo inúmeras vezes*

*CNN BRASIL: Luchsinger: Lulinha viajou para casa do ministro Camilo Santana no Ceará*

*CNN BRASIL: Luchsinger: Lulinha já participou, ouviu e esteve em pautas relativas a políticas públicas*

 *CNN BRASIL: Luchsinger: Presidente que não sabe o que está ocorrendo na antessala dele é mentiroso ou senil*

 *CNN BRASIL: Luchsinger cita reunião com inúmeros ministros, como Frederico de Siqueira Filho (Comunicações)*

*CNN BRASIL: Luchsinger: Vou fazer delação premiada; se o que eu fiz for crime, vou responder*

 *CNN BRASIL: Luchsinger desmente Lula e afirma que Lulinha já se reuniu com o ministros*

*CNN BRASIL: Luchsinger afirma que ministros do governo Lula pediram favores a ela*


*CNN BRASIL: Luchsinger afirma que teve que se defender após Lula chamá-la de pilantra*

*CNN BRASIL: Luchsinger afirma que não poupará ninguém em sua delação, nem o presidente nem o filho do presidente*

*CNN BRASIL: O filho dele vivia comigo pra cima e pra baixo. Acho que ele está esclerosado.*

*CNN BRASIL: Luchsinger: Em delação premiada, posso trazer detalhes que não estão em whatsapp*

*CNN BRASIL: Luchsinger: Lula tem que conversar melhor com o filho.

 *CNN BRASIL: Luchsinger: diz que Lula precisa perguntar a Lulinha com o que ele trabalha*

*CNN BRASIL: Luchsinger cita relação de Lulinha com construtora portuguesa, Lula sabia*

*CNN BRASIL: Luchsinger diz que Lula está a coagindo por dizer que ela é pilantra*

*BREAKING - Lulinha esteve com ministros e Lula mentiu, diz Luchsinger*

*FOLHA: Amiga de Lulinha afirma que quer fazer delação premiada e chama presidente de mentiroso*

*CNN BRASIL: Luchsinger diz que Lula não pode continuar na presidência do Brasil*

*CNN BRASIL: Lula me colocou como "boi de piranha", diz Luchsinger.*

*CNN BRASIL: Luchsinger: Em delação premiada, há como colaborar com o que assisti, sem ter participado*

Sergio Bulgacov

 Desde minha incursão pela esquerda, quando jovem, pude conhecer mais de perto suas práticas, contradições e a realidade de suas entranhas, tornei-me liberal e de direita por convicção. Essa mudança não ocorreu por acaso, mas pela observação de suas práticas e ideais ao longo da história, bem como pelas experiências em diferentes países.


A direita também tem suas contradições, mas considero seus princípios e propostas mais realistas e próximos dos desafios concretos da sociedade.


Para esta eleição, meu candidato era Tarcísio. Não foi possível.


Resta-me, agora, a esperança de uma alternância de poder que traga mudanças efetivas, especialmente naquilo que, a meu ver, nunca recebeu da esquerda a atenção e a prioridade necessárias, no Brasil e em outras partes do mundo.


Refiro-me a questões fundamentais:


- Educação e universidades que realmente façam a diferença na formação das pessoas e no desenvolvimento do país.

- Fortalecimento das instituições, com respeito às leis, à democracia e à responsabilidade pública.

- Investimento em ciência, tecnologia e produtividade, tanto no setor público quanto no empresarial.

- Segurança pública, para que o cidadão possa exercer o direito elementar de andar livremente pelas ruas, sem medo.

- Combate efetivo ao narcotráfico e ao avanço do crime organizado.

- Aprimoramento do SUS, reconhecendo suas virtudes, mas enfrentando suas deficiências.

- Presidente e ministros que saibam o que está acontecendo e compreendam os problemas do país, e assumam a responsabilidade por elas.

- Valorização do mérito no serviço público, com competência e qualificação como critérios fundamentais de seleção e ascensão profissional.


Não há transformações instantâneas. Mas estou convencido de que, se conseguirmos melhorar apenas 10% em cada uma dessas áreas, o Brasil será o melhor país do mundo.


Mais um aspecto que considero fundamental: causa-me estranheza e até constrangimento observar colegas professores que convivem diariamente com os graves problemas de suas universidades, comportando-se como se eles simplesmente não existissem.


Jamais consegui aceitar essa postura de indiferença, muito menos a conivência com o descaso institucional e o acobertamento sistemático de problemas que deveriam ser reconhecidos, discutidos e enfrentados com responsabilidade.


A universidade não pode exigir espírito crítico da sociedade enquanto se recusa a exercê-lo sobre si mesma.


Tornar a crítica mais contundente reduz as repetições e ganha fluidez e competencias.

sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Amilton Aquino

 Lula deu ontem sua última cartada. Às favas com a Lei de Responsabilidade Fiscal e com a legislação eleitoral, que proíbe tudo o que está sendo feito agora, na cara dura, sem qualquer freio — nem do Congresso, nem do Judiciário. Tudo virou um oba oba. Ninguém quer fazer o papel de adulto na sala. Então, vamo que vamo, depois a gente resolve!


Sim, o pacote de bondades aprovado ontem (estimado na casa dos R$ 250 bilhões, fora o que já foi empenhado até aqui) certamente terá impacto eleitoral. Não sei se o suficiente para Lula virar o jogo, mas certamente vai transformar o próximo mandatário num refém das circunstâncias.


Não estamos escolhendo um presidente, mas um estelionatário eleitoral que, seja ele qual for, terá de mudar a rota atual, promovendo algum tipo de ajuste: recessivo, via corte de gastos; inflacionário; ou uma combinação dos dois (o mais provável), que nos colocará num quadro de estagflação.


E por que a situação é insustentável? Ora, quando Lula assumiu, o governo Bolsonaro havia pago, em 2022, escandalosos R$ 586 bilhões em juros da dívida pública. Sabe quanto o governo já pagou até aqui em 2026? R$ 1,18 trilhão! Não acredita? Dá uma googlada.


Não é por acaso que, mesmo promovendo seu festival de populismo, Lula já não encanta metade da população — ou mais da metade, como veremos no próximo dia 28 — com seus pacotes de bondades. Existe um mal-estar tão generalizado que estamos próximos de eleger não apenas um corrupto qualquer, mas justamente o cara que levou seu pai a rifar todo o espírito de combate à corrupção que o conduziu ao poder, em troca de blindagem contra investigações envolvendo seu filho rachador.


Pelo menos nesse quesito, Lula foi mais honesto, afirmando, mais uma vez, a respeito do próprio filho, flagrado em mais um episódio de corrupção: “Se ele dever, que pague”.


Mas, afinal, o tal pacote de bondades aprovado ontem será capaz de virar o jogo?


Acho difícil. Como já disse aqui, quem vai decidir essa eleição é a turma do meio, que rejeita ambos. Essa turma entende um pouco mais do que está acontecendo do que a média da população e sabe que a situação econômica é insustentável e que eleger Lula significa dar ao PT pelo menos mais 30 anos de domínio absoluto no STF.


Vai tapar o nariz e tacar 22 na urna. Essa é a minha aposta.


_____________________________________________


Correção: “Honesto” é uma palavra que não se aplica a Lula. Na verdade, ele age com o próprio filho como age com qualquer um: sacrifica-o para se safar.

quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Eleitor papagaio

 Eleitor papagaio e o preço que ninguém quer pagar


Temos um problema grave no debate público brasileiro: muita gente não analisa, só repete.


Repete slogan de populista, repete narrativa pronta, sem perguntar quanto custa, quem paga e quais são os efeitos da decisão.


Do lado da esquerda festiva, isso virou um ritual. Fala-se em "democracia" o tempo todo, mas se pratica o oposto: patrulha, cancelamento, arrogância moral e intolerância ao contraditório. Para muitos, democracia não é valor, é instrumento para ocupar espaço e garantir vantagem.


Somem-se a isso o conluio entre política e cúpula do Judiciário e a corrupção cínica, praticada com a certeza da impunidade. Resultado: uma geração que perdeu a noção do que é certo, ético e honesto.


A conta sempre chega. Chega como inflação, juros altos, dívida pública insustentável e serviço público precário.


O Brasil não precisa de mais repetidores de slogans. Precisa de cidadãos com senso crítico para fazer a pergunta básica: quanto custa e quem vai pagar?


#economia #política #democracia #responsabilidadefiscal #sensoCritico

domingo, 11 de outubro de 2026

Xico Graziano

 "Acordei nesse domingo pensando em Lilia Schwacz e sua fake news sobre o Pix. O que leva uma personalidade a fazer uma besteira dessas?

Professora de Antropologia da USP e Global Scholar de Princeton, escritora premiada, dona da editora Cia das Letras, alta sociedade, Lilia foi eleita para a Academia Brasileira de Letras (ABL) em março de 2024. Assenta na cadeira 9, tradicionalmente ocupada por literatas com perfil voltado à diplomacia, à pesquisa histórica, à antropologia e à ciência.


Falta de cultura e de informação não se poderá acusar a professora Lilia. Está acostumada aos longos debates sobre a história do Brasil. De onde vem a vulgaridade expressa em seu mentiroso selfie?


Sorridente, estilo jocoso, a acadêmica Lilia diz que vai usar o Pix "o máximo que puder agora pois se, por acaso, o Flávio ganhar ele vai acabar com o Pix a mando, sabe de quem? Do Trump".

Sinceramente, pergunto: ela sabia que tal informação se tratava de uma notícia falsa? Mesmo assim, a levou adiante?


Ou acredita, realmente, que a vitória de Flávio Bolsonaro deixará nosso país subserviente aos EUA de Donald Trump?


Percebam a gravidade do fato. Lilia não é uma reles influencer, daquelas (es) imbecis que vivem de lacração, com pensamentos rasos. Não, ela é uma notória intelectual e empresária. Estuda a vida toda.


Repito a pergunta inicial: o que a motivou a gravar esse infeliz selfie? Tinha tomado umas, ficado meio fora de si?


Em seu discurso de posse na ABL, há 2 anos, a professora afirmou que "Fortalecer instituições é a carpintaria da República, e é dessa marcenaria que precisamos cuidar, pois cidadania se faz assim: cada pessoa pratica a partir do seu quintal".


Qual seu conceito de CIDADANIA, profe, utilizar seu cartaz na alta sociedade para enganar as pessoas simples?


Do alto de seu quintal, achar que nós somos trouxas, em acreditar numa idiotice eleitoral dessas? 


Eu quero compreender, não denegrir, pois estou inconformado em ver uma pessoa ilustre, educada e estudada, que não gosta de aparecer, vir na rede para alavancar uma notícia falsa. Carpintaria da mentira?


A única explicação que encontro vem do mundo da lua. Quer dizer, pessoas que vivem nessas bolhas acadêmicas perdem a noção da realidade. Vivem um mundo de fantasia.


É típico da esquerda intelectual no Brasil, cuja formação vem dos anos de 1950/60, quando o paradigma comunista dominava boa parte da cultura, das artes e da intelligentsia. O mundo mudou, eles continuaram falando na luta de classes. Vejam seus filmes.


Sem o perceber, viraram eles fakes deles próprios. Fingem ser o que não são. Não é política. É ideologia velha.


Funciona para quem é rico."


https://x.com/xicograziano/status/2109239359991898587

sábado, 10 de outubro de 2026

Hugo Studart

 (Lembranças de há 4 anos)

BOLSONARO É FASCISTA? LULA É COMUNISTA?

Ontem uma jovem amiga quis minha opinião sobre o fascismo de Bolsonaro e, ainda, citou Hannah Arendt. Respondi que nem Bolsonaro é fascista, de acordo com os conceito de Arendt (ainda que tenha dois filhos que tentam ser, Eduardo e Carlos); muito menos Lula e comunista (ainda que esteja cercado de marxistas). Ambos são MESSIÂNICOS, respondi. Hoje o FB trouxe nas lembranças um fragmento de ensaio de minha autoria sobre o Messianismo Político, de acordo com os conceitos do filósofo Ernest Bloch, em "Princípio Esperança". Eis:


1 - MESSIANISMO POLÍTICO - É a aliança da vanguarda política com a teologia. A ideia é a de um grupo de vanguarda escolhido para levar a Luz. Esse grupo tem uma missão, uma função que transcende os interesses de um povo. Com Paulo de Tarso, aliança deixou de ser com um povo, o de Israel, e passou a ser com um povo mais amplo, a Igreja. A partir de Marx e Lenin, a aliança passa a ser com toda a Humanidade. Stalin leva o conceito à prática. A Jihad Islâmica também, por outros caminhos. 

No Brasil, temos o PT, o PSol e etc de um lado, sob a liderança de Lula; e os políticos evangélicos de outro, que aceitaram Bolsonaro como o Messias, se apresentando como legítimos portadores do facho de luz.


2 - O PROFETISMO - É típico das religiões messiânicas. Há homens que vão na frente. Não representam a sim mesmos; são “mediadores”, “anunciam”. O profeta é simultaneamente: profeta, chefe militar, chefe político, chefe religioso, chefe legislador e julgador, tudo numa só pessoa. Messianismo está intrinsecamente vinculado à ideia de Vanguarda. Profeta messiânico é o próprio Deus feito Homem, apontando o caminho para a Terra Prometida. Lula é o que tínhamos (ou temos?) de mais próximo a um Profeta a apontar o caminho para a redenção social.


3 - VANGUARDA - Século 18 trouxe novas cartas semânticas. Conceito de Civilização: define estágio dos povos, um superior ao outro, comparação e e hierarquização das culturas. Também o conceito de "vanguarda" que traga a redenção de um grupo inferior. Palavra vanguarda é posterior. Na época, ideia de quem vai á frente levando um "facho de luz". Por isso Iluminismo. 


4 - REVOLUÇÕES - O fundamento revolucionário é a que escatologia (fim da historia) chegue mais cedo, acelerar o metabolismo social. Robespierre quando radicaliza: “É preciso acelerar a historia”. Revolução acaba assim: Jacobinos matando girondinos, Stalin a Trotsky...


5 - FÉ CEGA, FACA AMOLADA - Hannah Arendt, em "Origens do Totalitarismo", classificou as Organizações de Vanguarda que sustentaram o comunismo, o fascismo e o nazismo de "seitas esotéricas". Criam realidades paralelas, sustentadas pelo maniqueísmo. "Nós somos a verdade, o caminho e a luz"; "quem não está conosco está contra nós"; "se nós somos a luz, os outros são as trevas". "A Luz precisa extirpar as trevas"...


Eis o que está em disputa no Brasil.


Obviamente me coloco na velha escola weberiana, que deseja a política dentro dos limites da racionalidade. 


Espero estar contribuindo com o debate


(Hugo Studart)

sexta-feira, 9 de outubro de 2026

OESP

 “Desnorteado depois da pancada nas urnas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu um salve "urgente" nas redes sociais com três "recados" à militância petista. Primeiro, que tenham "humildade" e "não falem mal do eleitor que não votou na gente". Depois, que sua candidatura é "a única antissistema" e que a "promiscuidade" do Supremo Tribunal Federal (STF) foi jogada nas suas "costas". Por fim, que o crime organizado atua como uma "multinacional" e que lugar de bandido é na "cadeia". Ou seja, Lula quer que o eleitor esqueça quem ele sempre foi: arrogante, não humilde; associado ao "sistema", sobretudo ao STF; e leniente com o crime organizado.


Recorde-se que o PT "antissistema" que Lula acaba de inventar recebeu cinco dos últimos seis mandatos presidenciais. Por 18 anos, negociou orçamentos, costurou coalizões, manuseou estatais, distribuiu subsídios e aparelhou gabinetes por toda a República. Nos bastidores, engendrou grossos esquemas de corrupção, como o mensalão e o petrolão. O Congresso, que até outro dia era xingado de "inimigo do povo" pelos petistas, hoje é amigo do PT, embrulhando no atropelo, pelas mãos dos aliados de Lula nas presidências da Câmara e do Senado, pacotes eleitoreiros bancados pelo contribuinte. Uma legenda assim pode reivindicar muita coisa, exceto a credencial de rebelde em Brasília.


O governo escandalizado com a "promiscuidade" do STF passou quatro anos recorrendo a ele ora como polícia da democracia, para perseguir adversários, ora como terceira casa legislativa, para abater legislações que o desagradavam e empurrar goela abaixo as que o interessavam. Na campanha, suas tropas de choque togadas meteram todos os dedos na balança eleitoral. O presidente que agora se diz preocupado com o "critério" de indicação ao STF é o mesmo que indicou seu advogado pessoal.


Em 2022, Lula declarou que a vitória da tal "frente ampla", que o colocou na Presidência, não era sua nem do PT, mas de um "imenso movimento democrático" contra o bolsonarismo. Tão logo se aboletou no Planalto, o hoje "humilde" Lula escanteou aliados, governou só com o PT e deu as costas a eleitores centristas, abraçando as pautas da esquerda antediluviana. Quatro anos depois, roga aos seus bate-paus que tratem com carinho os independentes de cujos votos agora precisa desesperadamente.


Chega a ser um insulto à inteligência e à memória. Em 2013, quando o PT vivia o auge do poder e da arrogância, a musa intelectual das esquerdas, Marilena Chauí, explicou num evento com caciques petistas, entre palmas da plateia e risos de Lula, que "odeia a classe média", porque ela é um "atraso de vida", "petulante" e "terrorista"; uma "abominação cognitiva", "ética" e "política", "porque ela é fascista". Eis a velha pedagogia petista: quem vota no PT é esclarecido; quem não vota é "fascista". Pior: se for pobre, é ingrato, razão pela qual o "pobre de direita", que não vota no PT, já virou personagem folclórico nos tratados da intelligentsia petista.


Tal como o milagre da recente conversão em massa dos petistas à religiosidade popular, a autocrítica tem hora marcada: a das eleições. Mas São Lula está há tanto tempo embriagado de si mesmo que nem sequer sabe o que é humildade. A mesma postagem que a cobra da militância afirma que "não temos que procurar defeito entre nós". Talvez porque, na sua cabeça, não há o que procurar.


O chefão petista pede agora três semanas de amnésia coletiva. A respeito da segurança pública, por exemplo, quer que o País inteiro esqueça que seus governos nada fizeram contra as organizações criminosas e que a militância lopetista continua a glamourizar bandidos como heróis da luta de classes ou a retratá-los como subproduto das injustiças sociais. Tudo para tentar conquistar um eleitor já vacinado contra as imposturas de Lula.


O nome elegante dessa estratégia é "reposicionamento". O vulgar é oportunismo. Lula pode trocar de discurso, de aliados, de inimigos, de princípios e até de biografia como quem troca de roupa. Mas não pode trocar de povo, e o recado das urnas ao presidente é que o brasileiro está farto de ser tratado como trouxa. Assim como a humildade dos petistas, a paciência do eleitor também tem prazo de validade.”


- Editorial Estadão

quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Sergio Garschagem

 Fiquei impressionado - sério! - com a repercussão das minhas experiências nos EUA, entre os anos de 1973/74. Motivou comentários mil. 

Observo que há muitos amigos que viveram nos EUA, no Canadá ou em países europeus, e que foram para lá como adeptos do socialismo, parece que nada apreenderam destas suas experiências. Alguns destes amigos e conhecidos fizeram mestrados e doutorados em países democráticos mas retornaram ainda com as velhas ideias socialistas mofadas.

Tenho um amigo de longa data com três doutorados em diferentes países democráticos e de economias abertas mas que, em recente depoimento na  internet declarou voto ao Lisinácio. Este presidente engana quando afirma ter criado 15 universidades. Aqui em Curitiba ele mudou para Universidade o nome do Instituto Tecnológico, que funcionava há décadas. Fácil criar universidades mudando nomes.

Em meu mestrado em Ciência Política, na Unieuro em Brasília, apenas um dos professores era adepto da economia de mercado, com doutorado na Universidade de Chicago. Li todos os livros indicados por eles e os que mais me fizeram a cabeça eram os aconselhados pelo mestre formado em Chicago, famosa pela formação de profissionais com ideias liberalizantes.

Um dos professores ficou muito chocado quando descobriu que eu não era socialista, Ele não conseguia entender o que lhe parecia ser uma incongruência. Respondia a ele que incongruente era trabalhar em um jornal econômico, mantido por empresários, sendo um verdadeiro socialista. 

O próprio Roberto Marinho empregava repórteres socialistas. "Deixe os meus comunistas em paz", disse ao ex-presidente Médici. O dono de O Globo explicava que se abrisse o jornal para jornalistas de direita corria o risco de perder o poder. 

No Brasil os governos se intrometem em tudo. O Estado é mastodôntico. Basta lembrar que 75% das notícias publicadas diariamente na nossa imprensa têm origem nos Três Poderes, em Brasília. O percentual indica a dependência do país ao governo, quando deveria ser ao contrário. O governo atendendo os interesses de quem trabalha e gera impostos.

É comum lermos os depoimentos de criadores tecnológicos norte-americanos, como Steve Jobs e outros, de que começaram as suas empresas milionárias nas garagens de suas casas. 

Isso seria impossível  no Brasil. Digo por experiência própria. Anos atrás fui convidado para trabalhar como assessor de imprensa de uma Associação federal. Salário muito bom para a época, mas sem carteira de trabalho assinada. Teria de me tornar um MEI (Micro Empresário Individual) para ter nota fiscal ao receber os meus proventos mensais. 

Enfrentei sozinho a enorme burocracia, o que me levou a contratar um contador especializado, que me cobrou R$ 800,00 para providenciar a papelada. Uma boa grana na época.

Coloquei como endereço comercial, a nossa casa em um condomínio rural. Afinal, apesar de micro empreendedor em assessoria de imprensa, só tinha mesmo um chefe e empregador, com quem deveria trabalhar diariamente, em sala a mim destinada.

Tudo correu bem no primeiro mês. Recebi meus proventos, entreguei a NF ao empregador e... recebi uma multa de R$ 800 porque não poderia cadastrar a minha microempresa em um endereço residencial, mesmo que rural. A MEI deveria ter, obrigatoriamente, um endereço comercial, para não incomodar os vizinhos. 

Aleguei ao fiscal que trabalhava redigindo textos em computador, que era - e ainda é - um equipamento silencioso. Aleguei ainda que os meus vizinhos também usavam computadores e trabalhavam em suas casas. 

- Então, por que não posso ter em minha casa, ou em minha garagem, como os americanos, o meu endereço comercial?.

Repetiu o tal fiscal, no mesmo tom professoral, que eu deveria alugar uma sala  em área comercial, e que, como ele bem sabia, ficaria vazia. Aleguei também que ele iria lá e, como a sala estava sempre vazia, deixaria ouras multas por baixo da porta. Sem contar que teria de pagar, além do aluguel, as taxas de condomínio, de água e luz. Nem assim o homem amoleceu a sua alma dura, burocrática e fiscalizadora.

Mas, como todos nós sabemos, a burocracia brasileira se apega a detalhes de somenos importância. Como esta de que não se pode abrir uma empresa na garagem de casa, se não morarmos em uma área comercial.

Ah! Uma boa amiga, arquiteta, solidária com estes meus perrengues fiscais, me emprestou o endereço de sua sala e estúdio, em área comercial. Mas se esqueceu de informar o empréstimo do endereço à recepcionista. O fiscal, claro, foi lá bisbilhotar. A pobre recepcioonista, claro, disse ao fiscal do trabalho que eu não trabalhava naquele endereço. Outra multa de R$ 800. 

Bem, ainda bem que os tais fiscais do trabalho pararam de me perseguir e pude trabalhar em paz pelo prazo de um ano de vigência do tal contrato, sem qualquer endereço registrado. 

Bem, o tal contrato foi suspenso na data aprazada, coincidentemente quando alguém alegou ao presidente da tal Associação que pegaria mal e teria manchetes negativas caso a imprensa descobrisse que, em um dos Três Poderes, havia funcionários que trabalhavam sem a carteira de trabalho assinada. Nem eu, talvez por ser parte interessada, tinha pensado nesta hipótese.

Bem, como o presidente não assinou a minha carteira, corri e contratei o mesmo contador para dar baixa na tal microempresa individual, o que me custou outros mil reais (inflação!) e uma promessa: jurei a mim mesmo que nunca mais abriria outra MEI.

Lulo-petismo e o banco Master

 *Áudios de advogado a Vorcaro mostram insistência para que Mantega defendesse Master a Lula; ouça*

​

Banqueiro buscou presidente para defender interesses do Master, citou que era necessário acionar ‘Alexandre’ e disse que Hugo Motta repassou informações de Galípolo. Planalto afirmou que Lula só se encontrou uma vez com Vorcaro e negou favorecimento; outros citados negam irregularidades


BRASÍLIA E SÃO PAULO- Mensagens de áudio do celular de Daniel Vorcaro, obtidas pelo Estadão, mostram que o banqueiro e seu então advogado Walfrido Warde insistiram em 2025 com o ex-ministro Guido Mantega para que se encontrasse pessoalmente com o presidente Lula. O objetivo do encontro seria defender o Banco Master em relação aos questionamentos que o banco já enfrentava no Banco Central.


Lula e Vorcaro se encontraram em dezembro de 2024. Os diálogos mostram que o banqueiro tentou com insistência fazer seus intermediários chegarem a Lula no ano seguinte. O BC vetou a venda do Master ao BRB em setembro de 2025 e, posteriormente, decretou a liquidação do banco de Vorcaro em novembro,


Guido Mantega foi contratado por Vorcaro como consultor por R$ 14 milhões para tratar de assuntos ligados ao governo federal. Segundo apurou o Estadão, o ponto de honra do banqueiro seria tentar fazer chegar a Lula e a outros integrantes do governo que o banco estava sendo injustiçado pelo BC e que as carteiras de crédito repassadas ao Banco Regional de Brasília (BRB) tinham o valor declarado pelo Master. Vorcaro acabaria preso no mesmo ano sob suspeita de fraude nesses ativos.


Procurado, o Planalto afirmou em nota que o presidente se reuniu apenas uma vez com Vorcaro, mas não respondeu se houve conversas com Mantega ou Warde sobre o Banco Master 


Nas conversas, Vorcaro também mencionou que considerava ter o apoio do Supremo Tribunal Federal (STF), do presidente Lula, da Câmara dos Deputados e do Senado para conseguir aprovar no Banco Central a venda do Banco Master ao BRB. Por isso, ele afirmou que um diretor do BC contrário ao negócio estava “indo contra” essas quatro instituições.


As conversas mostram como Vorcaro tentou mobilizar integrantes dos Três Poderes para pressionar o BC a aprovar a operação envolvendo o Banco Master.


Nos diálogos, Vorcaro e Warde tratam de viabilizar encontros de Guido Mantega com o presidente Lula para defender os interesses do Banco Master.


Em 23 de julho de 2025, Warde tentou telefonar para Vorcaro e menciona ao banqueiro que estava com o então chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro. “Preciso falar. Atende. To com Marcola”, escreveu. Após um desencontro, Warde enviou um áudio a Vorcaro dizendo que Mantega estava em viagem ao exterior mas que seria importante o banqueiro enviar um avião para buscá-lo para conversar com Lula.


“Irmão, deixa te falar, o Guido está em Londres. Só daqui dez dias, mas eu acho que seria o caso de você mandar teu avião lá buscar ele e trazer ele pra encontrar o presidente, veja aí o que você consegue fazer, conversa com ele”, afirmou Warde. Ouça o áudio:


Pouco depois, Warde encaminha ao banqueiro duas outras mensagens, sem identificar o autor. “Descobri o seguinte aqui: o pr falou com guido ontem por telefone, guido informou que esta em londres”, afirma a primeira. “Pr disse que vai chamar assim que retornar”, completa. Trechos dessas mensagens foram divulgados pelo jornal O Globo.


Dois dias depois, Warde enviou outro áudio para Vorcaro dizendo que precisa fazer uma videoconferência deles dois com Guido Mantega para orientar o ex-ministro sobre o Banco Master. Sem mencionar nominalmente Lula, Warde disse: “É urgente, ele vai falar com você sabe quem no domingo”. Ouça o áudio:


*Às 14h18, ele insiste: “Vc pode em 10 minutos falar comigo e Guido?”.*


*Uma hora depois, eles fazem uma conversa telefônica de 23 minutos de duração. “Parabéns. Importante call. Vai dar certo”, escreveu Warde após a ligação. “Muito obrigado”, respondeu Vorcaro.*


Além de acionarem Guido Mantega, Vorcaro também insistiu para que o próprio Walfrido tentasse falar pessoalmente com Lula. No dia 31 de julho, escreveu ao advogado. “Você precisa conversar com o chefe. Única chance nossa”, afirmou.


*Warde mencionou que estava tentando falar com Marcola, o então chefe de gabinete de Lula. “To indo. Marcola em reunião. Já lhe dou notícias”, escreveu. “Ele precisa escutar da sua boca. Que não tem problema nenhum e que o dano que estão causando é irreversível”, disse Vorcaro. “Vou resolver. Vamos desarmar tudo isso”, respondeu Warde.*


*Vorcaro sugere acionar ‘Alexandre’ e cita informações recebidas de Hugo Motta*



Nas conversas durante o período de análise do negócio no BC, Vorcaro mencionou ao advogado Walfrido Warde por diversas vezes a necessidade de obter a interferência de Lula em seu favor. No diálogo de 23 de julho de 2025, diante da dificuldade em viabilizar um encontro do ex-ministro Guido Mantega com Lula para tratar do assunto, Vorcaro sugeriu acionar uma outra pessoa para entrar em campo. “Alexandre”, escreveu a Warde, sem deixar claro se era uma referência ao ministro do STF Alexandre de Moraes. Trechos dessas conversas foram divulgados anteriormente pelo jornal O Globo.


Vorcaro também relatou ter recebido informações do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), sobre uma conversa com o presidente do BC, Gabriel Galípolo. No diálogo de Vorcaro com Motta, o presidente da Câmara afirma que Galípolo iria à casa do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), após uma reunião que tratava do Master no dia 17 de julho de 2025. O diálogo não deixa claro se Motta também participou dessa conversa. “Galípolo ficou de ir lá pra casa de Davi quando encerrasse a reunião”, escreveu Motta a Vorcaro, às 20h56. Às 21h55, Motta telefona a Vorcaro e conversa com ele por dois minutos.


Às 22h14, Vorcaro repassou a Warde as informações recebidas. “Galípolo acabou reunião agora. Inventou nova desculpa. Que agora tem erros contábeis. Falou pro Hugo. Não dá mais. Eles não vão fazer”, disse o banqueiro, em uma sequência de mensagens. Depois disso, Vorcaro disse a Warde que deveriam ir para o embate com o BC e pede que o advogado avise Lula. “Avise presidente amanhã e vamos pra guerra”, escreveu Vorcaro. “Vou levar a conhecimento do presidente”, respondeu Warde.


Mais tarde nesse mesmo dia, às 23h16, Vorcaro passou a criticar a atuação do então diretor do BC Renato Gomes, que se posicionou contra a venda do Master ao BRB. Ele sugeriu a Warde que solicitassem a “suspeição” de Renato Gomes. Foi nesse momento que o banqueiro disse que o representante da autoridade monetária estava “*indo contra*” o apoio que ele tinha no STF, no Congresso Nacional e na Presidência da República.


Em 23 de julho de 2025, *Warde conversou com Vorcaro sobre a necessidade de mobilizar Guido Mantega para conversar com Lula, mas passou a discutir um plano alternativo após saber que o ex-ministro estava no exterior. “*Vamos dar um jeito*”, escreveu às 15h49. Vorcaro responde às 15h51 com um nome: “*Alexandre*”. O banqueiro não deixa claro se era uma referência ao ministro Alexandre de Moraes. Warde apenas respondeu: “*Sim. Vou pavimentar*”.


Procurado, Hugo Motta afirmou por meio de sua assessoria, que sua atuação no caso foi dentro da atividade parlamentar. “O contato com o empresariado e representantes da sociedade brasileira é inerente ao exercício da atividade de qualquer parlamentar. Os diálogos publicados não exteriorizam, portanto, qualquer tipo de mácula à minha atuação parlamentar, sendo certo que todos os meus contatos mantidos com integrantes do setor privado sempre foram pautados pela institucionalidade e pela probidade. Confio nos órgãos responsáveis pelas investigações, a quem cabe responder pelas apurações.” A assessoria de Alcolumbre não se manifestou. Moraes também foi procurado por meio da assessoria do STF, mas não se manifestou.


*Posicionamento do Palácio do Planalto*


Conforme já amplamente noticiado, o presidente Lula encontrou-se uma única vez com Daniel Vorcaro, em 4 de dezembro de 2024. Vorcaro havia ido ao Palácio do Planalto acompanhado do ex-ministro Guido Mantega e o encontro com o presidente não estava previamente agendado. Da conversa também participaram o ministro da Casa Civil, Rui Costa, e Gabriel Galípolo, então diretor de Política Monetária e atual presidente do Banco Central. Na ocasião, Vorcaro afirmou sentir-se alvo de perseguições, e o presidente respondeu que eventuais denúncias deveriam ser analisadas tecnicamente pelo Banco Central. Não houve nenhum outro contato entre o presidente e Daniel Vorcaro. Cabe lembrar ainda que foi durante o atual governo que o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master e Daniel Vorcaro foi preso pela Polícia Federal no âmbito das investigações sobre a instituição.


https://www.estadao.com.br/politica/audios-de-advogado-a-vorcaro-mostram-insistencia-para-que-mantega-defendesse-master-a-lula-ouca/

Washington Post

 https://x.com/mauad_joao/status/2115866323909513503?a=iucEqJSirE488cq0NBw&s=19 "Depois do forte editorial do WSJ, agora foi a vez ...