segunda-feira, 6 de abril de 2026

Calhordas

 “Deixa eu te dizer uma coisa, meu querido. Quando você entender o que é ser uma pessoa deste tamanho, você vai se lembrar deste dia com muita vergonha. (...) Então a minha recomendação é: me respeite, porque sou um doutor em Antropologia. Não tenho opinião, sou especialista em Harvard. No dia em que você quiser discutir com a gente, traga seu diploma e a sua opinião fundamentada em ciência, aí você discute com um especialista em Harvard”.


Esta foi a fala (lacradora) do tal professor de uma escola particular de São Paulo que, no lugar de refutar com argumentos um aluno do curso secundário - que teve a audácia de defender o agronegócio tupiniquim durante uma palestra de uma militante do PSOL -, resolveu dar-lhe uma 'carteirada', daquelas dignas dos maiores impostores intelectuais.


Mas o pior de tudo mesmo é que a 'carteira' do valente era falsa como uma nota de 3 Reais.  


O sujeito não é formado em Harvard e nem mesmo ao título de 'especialista', que ostenta no currículo (veja link nos comentários), ele faz jus.  O que ele tem é um *certificado* (que lhe custou USD250.00) de conclusão de um cursinho de seis meses, denominado "estudos Afro-latino americanos", emitido por um instituto "lateral" vinculado a Harvard (veja link nos comentários).


Como a Universidade de Harvard já deve estar acostumada com o mau uso que muitos fazem desses *certificados de conclusão* de cursos e seminários, a seguinte observação encontra-se estampada na página do tal referido 'curso':


"Os cursos são voltados para estudantes, ativistas, funcionários públicos, acadêmicos e público em geral, especialmente na América Latina. As aulas são em espanhol e português e os participantes que concluírem o trabalho exigido receberão um certificado emitido pelo Afro-Latin American Research Institute e aprovado pelas instituições participantes. O Certificado leva cerca de seis meses para ser concluído.  ***Por favor, note que este curso não é creditado e não leva a nenhum diploma da Universidade de Harvard.***" (ênfase no original)

Radar da imprensa

 *Radar da Imprensa: Vagas de 1 a 2 salários mínimos puxam expansão do emprego desde 2023*


Folha de S.Paulo - Os trabalhadores que ganham de 1 a 2 salários mínimos representaram sozinhos 87,3% do crescimento da população ocupada de 2023 a 2025, em um movimento que criou empregos no mercado de trabalho para pessoas que estavam desocupadas, segundo especialistas. Em três anos, houve um aumento de 4 milhões no número de ocupados formais e informais nessa faixa de renda, enquanto a ocupação como um todo cresceu 4,6 milhões, segundo dados do IBGE levantados pelo economista Bruno Imaizumi, da consultoria 4Intelligence.


Broadcast+

Apocalipse do petróleo

 https://valor.globo.com/financas/noticia/2026/04/03/ft-wall-street-alerta-que-guerra-levara-a-longa-crise-energetica-e-analista-fala-em-apocalipse-do-petroleo.ghtml


*FT: Wall Street alerta que guerra levará a crise energética longa, e analista fala em 'apocalipse do petróleo'*


_Para analistas, há poucos sinais de uma rápida resolução do conflito no Oriente Médio, e escassez de oferta logo deixaria o mercado sem combustíveis de transporte e outros produtos_


Por Jamie Smyth e Myles McCormick, Em Financial Times — Nova York


Wall Street alertou que os preços do petróleo vão subir acentuadamente à medida que a guerra dos EUA no Irã e o fechamento prolongado do Estreito de Ormuz interrompem as exportações do Oriente Médio por meses.


Operadores e analistas disseram, nesta sexta-feira (3), que havia poucos sinais de uma rápida resolução do conflito, que tem abalado os mercados e elevado o preço do petróleo Brent para acima de US$ 100 por barril. A escassez de oferta logo deixaria o mercado sem combustíveis de transporte e outros produtos, acrescentaram, à medida que a crise se espalha para a economia mais ampla.


Natasha Kaneva, analista do J.P. Morgan, disse, em nota: “Até o fim da próxima semana, esperamos que os cortes na oferta de petróleo bruto se aproximem de 12 milhões de barris por dia, tornando o déficit altamente visível nos mercados físicos.”


“O mercado enfrenta uma escassez aguda de produtos – diesel, combustível de aviação, [gás liquefeito de petróleo] e nafta – que simplesmente não podem ser consumidos porque não estão disponíveis.”


O RBC Capital Markets afirmou que espera que os preços do petróleo superem o pico de US$ 128 atingido poucas semanas após a Rússia lançar sua invasão em larga escala da Ucrânia em 2022 e ultrapassem o recorde de cerca de US$ 147 registrado em 2008.


“Estamos revisando nossa estimativa de duração da guerra com o Irã e os impactos simultâneos nos preços do petróleo”, disse Helima Croft, chefe global de commodities do RBC. O conflito pode “entrar bem pela primavera”, acrescentou.


O Goldman Sachs estima que os fluxos através do Estreito de Ormuz caíram para 600 mil barris por dia, abaixo dos níveis normais superiores a 19 milhões – próximo da produção total de petróleo dos EUA.


Os alertas surgem enquanto a guerra entra em sua terceira semana, com o presidente dos EUA, Donald Trump, dizendo que Washington tem “munição ilimitada” e poderia continuar lutando contra o Irã “para sempre”.


Teerã retaliou lançando ataques contra infraestrutura energética em todo o Golfo e efetivamente fechando o Estreito de Ormuz, a estreita via marítima por onde normalmente passa um quinto do fornecimento de petróleo e gás natural liquefeito.


Um ataque de drone iraniano nesta sexta-feira (3) provocou caos no distrito financeiro de Dubai, enquanto países europeus buscavam abrir negociações com Teerã para retomar os fluxos através do estreito.


*"Apocalipse do petróleo”*


“Fechar o Estreito de Ormuz deveria ser o apocalipse do petróleo”, disse Jim Krane, do Baker Institute da Universidade Rice. “Pode ficar muito pior do que já está.”


O petróleo Brent, referência internacional, subiu cerca de 40% desde que Trump iniciou a guerra. Os preços de tudo, de combustível de aviação a diesel, dispararam na Ásia, Europa e América do Norte. Nos EUA, o preço da gasolina atingiu US$ 3,63 por galão nesta sexta-feira, aproximando-se do patamar crítico de US$ 4 após 13 dias consecutivos de alta.


O J.P. Morgan afirmou que o mercado de petróleo já está sentindo o impacto físico da interrupção de oferta causada pelo fechamento do estreito, apesar dos esforços de Washington e seus aliados para evitar uma crise economicamente prejudicial.


O governo Trump tentou acalmar os mercados propondo escoltas navais e seguros emergenciais para petroleiros que navegam pelo estreito, além de suspender sanções ao petróleo russo e se juntar a outros países do G7 em uma liberação recorde de petróleo de reservas estratégicas.


*Teerã alertou sobre petróleo a US$ 200*


Mas o novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, emitiu mensagem desafiadora, na quinta-feira (2), declarando que as forças militares do país manteriam o estreito fechado enquanto busca aumentar sua vantagem contra os EUA e Israel. Teerã alertou o mundo para se preparar para petróleo a US$ 200.


“O novo líder supremo não parece disposto a negociar até extrair um preço mais alto para restabelecer a dissuasão”, disse Daleep Singh, que atuou como vice-conselheiro de segurança nacional para economia internacional no governo de Joe Biden.


Países de toda a Ásia estão entre os mais afetados pelas interrupções de oferta, pois dependem de energia e outras importações que passam pelo estreito. A Austrália disse nesta sexta-feira que liberaria reservas domésticas de combustível para conter possíveis faltas de abastecimento e compras por pânico.


“Preços mais altos de energia vão começar a afetar o comportamento do consumidor”, disse Ben Cahill, pesquisador sênior do Center for Strategic and International Studies. “As pessoas vão abrir mão de algumas viagens não essenciais, seja de avião ou por estrada.”

BTG e Spacex

 *Leitura de Domingo: BTG Pactual é único banco de emergentes em IPO da SpaceX, o maior da história*


Por Aline Bronzati e Altamiro Silva Junior


Nova York e São Paulo, 01/04/2026 - O BTG Pactual é o único banco brasileiro, da América Latina e de mercados emergentes, a integrar o sindicato de bancos que devem participar da aguardada abertura de capital (IPO, na sigla em inglês) da SpaceX, de Elon Musk, apurou a Broadcast. No total, 21 bancos devem atuar na operação, que pode levantar de US$ 50 bilhões a US$ 75 bilhões e se tornar o maior IPO da história.


Os nomes dos grupos financeiros que vão assessorar a empresa de foguetes de Musk foram revelados pela 'Reuters'. A presença do BTG Pactual no grupo foi confirmada por duas fontes que falaram à Broadcast na condição de anonimato.


A listagem, que tem codinome interno de "Projeto Apex", é esperada como uma das estreias no mercado de ações mais aguardadas em Wall Street. A SpaceX busca avaliação de US$ 1,5 trilhão a US$ 1,75 trilhão e seu IPO deve ocorrer até junho.


Segundo as fontes, a empresa de Elon Musk já fez um pedido confidencial para o IPO na Securities and Exchange Commission (SEC, que regula o mercado de capitais dos EUA).


Morgan Stanley, Goldman Sachs JPMorgan Chase, Bank of America e Citigroup são os bancos coordenadores da operação. Outros 16 bancos vão assessorar a empresa de Musk com papéis secundários. É nesta lista que o BTG Pactual figura ao lado de bancos como UBS, Santander, Wells Fargo, ING, Barclays, Deutsche Bank, dentre outros.


Bancos brasileiros já conseguiram espaço antes em IPOs gigantes nos Estados Unidos. Em 2012, o Itaú BBA integrou o sindicato de bancos que participou da badalada oferta do Facebook, que levantou US$ 16 bilhões.


Procurado, o BTG Pactual não comentou.


Contato: aline.bronzati@estadao.com; altamiro.junior@estadao.com


Broadcast+

Gargalos maritimos e o Brasil

 *Opinião*


Os gargalos marítimos do planeta e seus riscos para o agronegócio brasileiro


Cerca de 80% do comércio mundial, em volume, viaja por mar. E esse comércio depende essencialmente de um número reduzido de gargalos geográficos


Por Marcos Jank

03/04/2026 | 05h30

Atualização: 03/04/2026 | 06h13


Existe uma lição que a história ensina desde o século XV e que a geopolítica contemporânea insiste em reconfirmar: quem controla os estreitos controla o comércio, e quem controla o comércio molda o poder global. Os portugueses entenderam isso quando dominaram Ormuz, Goa e Malaca como as três chaves para o sistema imperial asiático. Seis séculos depois, o mundo ainda gira em torno de sete passagens estreitas e a crise aberta pela  em março de 2026 veio lembrar ao planeta, de forma brutal, que essa lição nunca foi superada.


Cerca de 80% do comércio mundial, em volume, viaja por mar. E esse comércio depende de um punhado de gargalos geográficos: Ormuz, Bab-el-Mandeb, Suez, Malaca, Bósforo, Gibraltar e o Canal do Panamá. São os chamados chokepoints, pontos de estrangulamento onde a geografia se converte em poder. O controle desses gargalos não exige orçamento militar colossal. Basta ter posição geográfica e disposição para usá-la.



Quando o Irã declarou o fechado no início de março, após os ataques coordenados de EUA e Israel contra instalações militares e nucleares iranianas, o mundo acordou para uma realidade que analistas vinham alertando há anos: a globalização não se sustenta sobre estradas. Sustenta-se sobre rotas marítimas que convergem, inevitavelmente, em meia dúzia de passagens críticas.


Quando se fala nesses canais e estreitos, o debate costuma ficar restrito ao . Mas quem olha com cuidado para os fluxos globais de comércio percebe que esses gargalos são igualmente críticos para grãos, proteínas animais, açúcar, celulose, fertilizantes e outros insumos agrícolas. Para um país como o Brasil - que em 2025 exportou US$ 170 bilhões em produtos do e importa praticamente todos os seus fertilizantes -, entender o que passa por cada um desses pontos de estrangulamento é uma questão de estratégia nacional, e não apenas de curiosidade geográfica.


Situam-se no Oceano Índico três grandes estreitos (Bab-el-Mandeb, Ormuz e Malaca), cuja importância estratégica remonta às grandes navegações. Setenta por cento do petróleo do planeta e 50% do tráfego de contêineres do mundo passam por pelo menos um desses estreitos. A eles somam-se o , os estreitos turcos do Bósforo e Dardanelos, o  e o  que, juntos, formam o sistema nervoso do comércio global de commodities. Uma perturbação em qualquer um desses pontos não fica circunscrita a uma região: ela se propaga em cascata por mercados de energia, alimentos e insumos em todo o planeta.


*O descompasso entre o petróleo e seus derivados*


No Brasil, temos o hábito de nos preocupar apenas com o acesso aos mercados compradores dos produtos do agronegócio. Raramente nos debruçamos sobre a outra face da equação: a vulnerabilidade nos insumos. A crise de 2026 está expondo, de forma brutalmente clara, essa fragilidade estrutural. E ela tem dois vetores principais: derivados de petróleo e fertilizantes.


O Brasil é hoje uma potência petroleira. A produção atingiu o recorde histórico de 3,8 milhões de barris por dia em 2025, impulsionada pelo pré-sal. Ao mesmo tempo, o país é o sétimo maior consumidor mundial, com cerca de 2,6 milhões de barris diários. O superávit existe, mas é um superávit de petróleo bruto, não de derivados. O parque de refino brasileiro não tem capacidade de processar todo o petróleo pesado do pré-sal em derivados leves como diesel, GLP e querosene de aviação.


A fotografia da dependência brasileira é reveladora. O diesel é o caso mais crítico: as importações respondem por cerca de 25% do consumo interno. Em dez anos, a importação de diesel quase triplicou em quantidade. Para o agronegócio, esse dado é central: o diesel é o combustível do plantio, da colheita e do transporte multimodal.


No caso do GLP, as importações também corresponderam a 25% das vendas internas. O querosene de aviação apresenta dependência externa de 15%. A gasolina é o derivado com menor vulnerabilidade: apenas 8% é importado, graças à mistura de 30% de etanol e à frota de carros flex. Em resumo, somos superavitários em petróleo bruto, mas estruturalmente deficitários no derivado mais estratégico para o agronegócio, o diesel. Isso não é um problema de mercado. É uma fragilidade enorme acumulada por décadas.


Fertilizantes: o calcanhar de Aquiles

Se nos derivados a vulnerabilidade é relevante, nos  ela é existencial para a agricultura. A guerra do Golfo criou uma combinação de fatores bem mais preocupantes do que o impacto da guerra Rússia-Ucrânia em 2022. A região do Golfo concentra algumas das maiores fábricas de fertilizantes do mundo, fazendo com que o Estreito de Ormuz canalize aproximadamente um terço do comércio marítimo global desses produtos, incluindo amônia, ureia e fosfatos.



O Brasil importa 85% dos fertilizantes que utiliza. Com o fechamento do estreito, os preços da ureia dobraram, levando vendedores a suspenderem ofertas num momento em que as importações já haviam atingido o recorde de 45,5 milhões de toneladas em 2025.


O risco se desdobra em três frentes simultâneas, o que o torna particularmente perigoso. Primeiro, o fechamento físico de Ormuz, que faz com que os fertilizantes produzidos no Golfo simplesmente não cheguem ao mercado, sendo que os preços já se aproximam dos níveis de 2022. Segundo, as restrições de exportação de nitrato e sulfato de amônio da Rússia e da China (os dois maiores fornecedores alternativos ao Oriente Médio) para proteger o seu abastecimento doméstico. Terceiro, a destruição de infraestrutura produtiva no Oriente Médio: os conflitos afetaram não apenas as rotas marítimas, mas também instalações de produção em toda a região.


Os produtos de maior risco para o Brasil neste momento são a ureia e, principalmente, o enxofre, cujos preços já vinham subindo antes mesmo do fechamento de Ormuz. O enxofre é insumo indispensável para a produção de fertilizantes fosfatados, e o Brasil depende enormemente do Oriente Médio para supri-lo. Além dos preços altos, que aumentam custos e reduzem margens da agricultura, corremos um risco concreto de desabastecimento no plantio da safra 2026/2027.


Uma tempestade de múltiplas frentes

Para o Brasil, um dos maiores exportadores mundiais de soja, milho, proteínas animais, celulose, algodão, açúcar e café, a crise em Ormuz é uma ameaça concreta que afeta tanto o lado da oferta quanto o da demanda. O Brasil exportou US$ 12,6 bilhões em produtos agropecuários para o Oriente Médio em 2025. Para o Irã foram US$ 3 bilhões, com destaque para 9 milhões de toneladas de milho, 23% das exportações brasileiras do cereal em 2025.


Pelo lado dos custos, o fechamento de Ormuz elevou imediatamente os fretes e os seguros marítimos. O cenário a partir de agora depende muito da duração do conflito. Se o estreito for reaberto até maio, o impacto mais severo recairá sobre os EUA, que entram em breve no período crítico de plantio. Se a abertura demorar mais alguns meses, pode comprometer a safra 2026/2027, que será plantada a partir de setembro.


*Ganho nos biocombustíveis*


Uma alta persistente nos preços da gasolina e do diesel beneficia o etanol de cana e milho e o  de soja e resíduos animais. Durante anos, esses combustíveis foram tratados como instrumentos de transição climática, por conta de suas menores emissões em relação aos fósseis. A crise de 2026 os recoloca na agenda de segurança energética, à semelhança do que vivemos nos anos 1970. Um país que mistura 30% de etanol na gasolina, 15% de biodiesel no diesel e ainda dispõe de veículos flex está, na prática, reduzindo sua exposição ao choque de Ormuz. O etanol que substitui gasolina e o biodiesel que complementa o diesel importado não são apenas escolhas sustentáveis. São, neste momento, amortecedores de uma crise geopolítica que o Brasil não controla, mas que afeta profundamente sua competitividade agrícola e seus custos de transporte.


O Brasil tem aqui uma vantagem estrutural que poucos países possuem: somos o único grande produtor agrícola do mundo com uma matriz de combustíveis parcialmente renovável e doméstica. Num mundo onde os gargalos marítimos voltaram ao centro do tabuleiro geopolítico, atenuar vulnerabilidades é, em si, uma vantagem competitiva que precisa ser reconhecida, valorizada e ampliada.


*O novo normal*


A crise de 2026 não inventou vulnerabilidades, ela as tornou visíveis. O Brasil tem repetido, em intervalos cada vez menores, o mesmo roteiro: choque geopolítico externo, aumento de custos de insumos, pressão sobre margens do produtor, risco de desabastecimento. Isso aconteceu com a guerra da Ucrânia em 2022 e agora acontece com Ormuz. Cada crise é tratada como excepcional. Mas a recorrência deveria nos dizer algo: não são exceções. São a nova normalidade de um mundo onde a geopolítica voltou a ser o principal fator de risco para as cadeias globais de abastecimento.


Um país que produz 350 milhões de toneladas de grãos por safra, que lidera as exportações mundiais de proteínas animais e que alimenta mais de 1 bilhão de pessoas no mundo não pode aceitar conviver indefinidamente com 85% de dependência externa em fertilizantes, sem avançar na diversificação de fornecedores, na produção doméstica e na criação de reservas estratégicas. A geografia física muda pouco. A geopolítica - a influência da geografia sobre a política, consideradas as perspectivas e os interesses de cada lado envolvido - muda muito, e agora ainda mais rápido do que no passado. Ormuz continuará sendo Ormuz daqui a cem anos.


O que precisa mudar é a nossa estratégia de segurança de abastecimento. Um agronegócio que alimenta o mundo não pode ter seu calcanhar de Aquiles permanentemente exposto a cada nova turbulência nos gargalos do planeta.


*OS SETE GARGALOS MARÍTIMOS DO PLANETA*


1. Estreito de Ormuz — A Torneira do Mundo (Risco atual: crítico)

Localizado entre o Irã, Omã e os Emirados Árabes Unidos, com apenas 56 km de largura no ponto mais estreito e faixas navegáveis de menos de 8 km, o Estreito de Ormuz é o único acesso marítimo ao Golfo Pérsico e a artéria mais sensível do sistema global de comércio. Por ele transitam cerca de 20 milhões de barris de petróleo por dia (20% do consumo mundial), além de 19% de todo o gás natural liquefeito (GLP) comercializado no planeta, proveniente principalmente do Catar.


Além disso, cerca de um terço do comércio marítimo de fertilizantes do mundo passa por Ormuz — aproximadamente 16 milhões de toneladas. Desse volume, 67% é ureia, o fertilizante nitrogenado mais utilizado no mundo, e 20% é DAP (fosfato diamônico). O estreito também é rota essencial do enxofre e da amônia, insumos críticos para a cadeia de fertilizantes.


Diante do fechamento de Ormuz em março de 2026, o tráfego de petroleiros caiu cerca de 70%, mais de 150 navios ancoraram fora do estreito e o barril de Brent saltou de US$ 70 para US$ 120 e os preços da ureia subiram mais de 50%.


1. Estreito de Bab el-Mandeb — A Porta das Lágrimas (Risco atual: crítico)


Situado entre o Iêmen e Djibuti/Eritreia, com largura de 26 a 32 km, o Bab el-Mandeb conecta o Mar Vermelho ao Golfo de Áden e é a soleira obrigatória para todo o comércio que utiliza o Canal de Suez. Sem ele, navios precisam contornar toda a África pelo Cabo da Boa Esperança, adicionando 10 a 14 dias ao percurso e custos expressivos de frete e seguro.


Por aqui transitam trigo, milho, arroz, oleaginosas e farelos em ambos os sentidos, além de petróleo, fertilizantes e contêineres que fazem a ligação entre Ásia, Europa e o Oriente Médio. Entre 2023 e 2025, os houthis do Iêmen lançaram ondas de ataques de drones e mísseis contra navios comerciais, reduzindo o tráfego no Canal de Suez pela metade desde 2023. Com a crise de Ormuz em curso, os houthis ameaçam novos ataques, configurando uma dupla ameaça sem precedentes recentes no comércio marítimo global.


1. Estreito de Malaca — A Porta da Ásia (Risco atual: médio)


Entre a Malásia, a Indonésia e Cingapura, o Estreito de Malaca é o corredor mais movimentado do planeta, com 900 km de extensão e apenas 2,7 km no ponto mais estreito. Transporta aproximadamente 25% a 30% de todos os bens comercializados globalmente por via marítima — cerca de US$ 3,5 trilhões anuais —, incluindo 80% do petróleo consumido pela China e volumes expressivos de óleo de palma, arroz, carvão, grãos, minério de ferro e celulose. Em 2025, mais de 100 mil navios atravessaram o estreito.


Não por acaso, Pequim desenvolveu a chamada estratégia do “dilema de Malaca”, investindo em rotas terrestres e marítimas alternativas para reduzir sua vulnerabilidade a um possível bloqueio ocidental. Qualquer escalada de tensões entre China e Estados Unidos pelo domínio marítimo regional poderia perturbar severamente a passagem pelo estreito, com impactos imediatos sobre o fornecimento global de alimentos, energia e insumos industriais.


1. Estreitos do Bósforo e Dardanelos — A Rota dos Cereais no Mar Negro (Risco atual: alto)

Sob controle turco desde a Convenção de Montreux de 1936, esses dois estreitos são o único acesso marítimo entre o Mar Negro e o Mediterrâneo, com apenas 700 metros de largura no ponto mais estreito, no coração de Istambul. Por aqui passam cerca de 20% das exportações globais de trigo — provenientes da Ucrânia, da Rússia e da Romênia —, além de milho, óleo de girassol, fertilizantes russos e petróleo. É por essa rota que o Egito, grande importador de trigo, o Líbano, a Líbia, a Turquia e todo o Oriente Médio e Norte da África recebem boa parte de seus cereais. Uma nova escalada no Mar Negro poderia romper esse equilíbrio e desencadear o maior choque alimentar global desde a crise do petróleo de 1973.


1. Canal de Suez — O Atalho do Comércio Ásia- Europa (Risco atual: alto)

Canal artificial de 193 km construído no Egito, o Canal de Suez é o atalho que poupa mais de 10 mil km de rota entre a Ásia e a Europa, evitando o contorno pelo Cabo da Boa Esperança. Responde por cerca de 10% do comércio marítimo global e 22% de todo o tráfego de contêineres. No sentido norte transitam petróleo, minérios, oleaginosas, farelos e cereais; no sentido sul, cimento, fertilizantes e grãos.


Embora controlado pelo Egito e relativamente protegido de ameaças diretas, o Canal de Suez é totalmente dependente do Bab el-Mandeb para ser acessado por navios vindos do sul.


1. Canal do Panamá — O Canal Atlântico-Pacífico (Risco atual: baixo/médio)

Canal artificial de 82 km que liga o Oceano Atlântico ao Pacífico na América Central, o Canal do Panamá poupa mais de 8 mil km de rota pelo Cabo Horn ou pelo Estreito de Magalhães. Responde por cerca de 2,5% a 3% do comércio marítimo global, com ênfase em cargas de alto valor — contêineres, automóveis, grãos e gás natural liquefeito. Cerca de 30% dos navios de grãos tipicamente utilizam esse corredor, com destaque para milho, soja, farelo e trigo.


A grande vulnerabilidade é climática: a seca severa de 2023–24 levou o nível do Lago Gatun a mínimas históricas, forçando a Autoridade do Canal a reduzir o número diário de embarcações e levando a uma queda de 42% nos trânsitos em 2024.


1. Estreito de Gibraltar — A Porta do Mediterrâneo (Risco atual: baixo)

Com apenas 14 km de largura entre a Espanha e o Marrocos, Gibraltar é a única saída marítima do Mar Mediterrâneo para o Atlântico e recebe cerca de 100 mil navios por ano. Por aqui transitam grãos e oleaginosas em direção ao sul da Europa e ao Norte da África, azeite de oliva europeu, contêineres e petróleo.


Para o agronegócio, sua importância mais estratégica está nos fosfatos: o Marrocos é o maior exportador mundial. Com o fechamento de Ormuz em 2026 cortando o fornecimento de DAP, enxofre e fosfatos do Golfo Pérsico, Gibraltar ganhou relevância adicional como rota alternativa de fertilizantes fosfatados.

Evolução patrimonial do Moraes

 *Família de Moraes comprou R$ 23,4 milhões em imóveis nos últimos cinco anos e triplicou patrimônio*


Levantamento feito pelo ‘Estadão’ com base em escrituras e matrículas registradas em cartório indica que ministro e a mulher são donos de R$ 31,5 milhões em imóveis; procurados, eles não se manifestaram


Levantamento do Estadão mostra que patrimônio imobiliário do ministro e de sua esposa cresceu 266% desde 2017, passando de R$ 8,6 milhões para R$ 31,5 milhões


BRASÍLIA e SÃO PAULO – O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e sua mulher, a advogada Viviane Barci de Moraes, tiveram aumento de 266% do patrimônio imobiliário desde que ele passou a integrar a mais alta instância do Poder Judiciário, em março de 2017. Atualmente, o casal possui 17 imóveis, avaliados em R$ 31,5 milhões. Nos últimos cinco anos, o casal desembolsou R$ 23,4 milhões na compra de imóveis em Brasília e em São Paulo, todos eles à vista, conforme os registros em cartório.


Moraes e Viviane foram procurados por meio de suas assessorias de imprensa desde o dia 27 de março para se manifestarem sobre essas informações, mas não responderam.


As informações se baseiam nos contratos de compra de imóveis registrados em cartório, obtidos pelo Estadão. Esse valor leva em conta os preços nominais pagos pelo casal na aquisição de casas, terrenos, apartamentos e salas comerciais de que são proprietários hoje.


O valor do patrimônio atual é mais de três vezes superior aos R$ 8,6 milhões que eles tinham em 12 imóveis quando o ex-presidente Michel Temer indicou Moraes para a Corte.


Em 2017, antes de assumir a vaga no STF, o ministro tinha salário de cerca de R$ 33 mil. Atualmente, ganha R$ 46 mil, o equivalente a um aumento de renda de 39%. Antes disso, exerceu os cargos de ministro de Estado, secretário estadual e municipal, além de ter sido membro do Ministério Público – todos com vencimentos próximos do teto do funcionalismo público.


Já Viviane é sócia-administradora do Barci de Moraes Advogados, escritório que mantém em sociedade com os filhos Alexandre e Giuliana.


Desde que o marido se tornou ministro, o número de ações de Viviane em tribunais superiores saltou de 27 para 152, conforme revelou o Estadão. O número considera processos com tramitação no STF e no Superior Tribunal de Justiça (STJ).


O Estadão levantou matrículas de imóveis em consulta a cartórios de São Paulo, Minas Gerais e Distrito Federal. De acordo com os documentos, o casal pagou R$ 34,8 milhões na aquisição de 27 imóveis nos últimos 29 anos. Uma parte, contudo, foi vendida, o que explica a diferença entre esses gastos e o valor da atual carteira imobiliária deles, de R$ 31,5 milhões.


O salto patrimonial mais expressivo se concentra nos últimos anos, com Moraes já no STF e responsável por investigações controversas na Corte, como a relatoria do inquérito das fake news. Desde 2021, o casal desembolsou R$ 23,4 milhões, valor que corresponde a mais de 67% de todos os investimentos nominais deles no mercado imobiliário ao longo de quase três décadas.


A maior parte das operações foi realizada por meio do Lex Instituto de Estudos Jurídicos, que, apesar do nome, é uma empresa usada para administrar os bens da família. A firma é uma sociedade limitada e tem como sócios Viviane e os dois filhos do casal.


Embora Moraes não figure formalmente como sócio da empresa, ele é casado com Viviane sob o regime de comunhão parcial de bens, o que significa que os bens adquiridos durante o casamento integram o patrimônio comum do casal.


Parte das aquisições mais antigas e ainda em posse dos Moraes foi transferida para essa firma da família. Outras já foram adquiridas diretamente pelo Lex Instituto. É o caso da compra mais recente: um apartamento de 86 metros quadrados no bairro do Jardim Paulista, em São Paulo. O imóvel custou R$ 1,05 milhão, dos quais R$ 166 mil foram transferidos em 23 de fevereiro deste ano a título de sinal e outros R$ 883 mil foram pagos de uma vez só via Pix em 9 de março.


A empresa também foi utilizada na aquisição de uma mansão de 776 metros quadrados no Lago Sul, área mais nobre de Brasília, arrematada por R$ 12 milhões em agosto do ano passado com a Construtora Modelo. O negócio foi feito por meio do pagamento de um sinal de R$ 6 milhões para a construtora e os corretores e, ao final, uma transferência bancária de outros R$ 6 milhões para quitar o valor total.


Quatro meses antes, o casal comprou um apartamento em um edifício de alto padrão em Campos do Jordão, na Serra da Mantiqueira (SP). O imóvel se soma a outra unidade no mesmo condomínio, adquirida em 2014. Juntos, os dois apartamentos, localizados lado a lado, somam 727 metros quadrados e custaram R$ 8 milhões no total.


Os Moraes também possuem sete imóveis na capital paulista, entre eles dois apartamentos no bairro Jardim América, adquiridos em 2021 por R$ 3 milhões cada. As escrituras detalham que ambos foram comprados à vista, por meio de um sinal e o pagamento da diferença em transferência bancária no momento da celebração final do negócio. A família mantém ainda quatro lotes em São Roque, no interior do Estado, que somam 1.250 metros quadrados.


A expansão patrimonial recente coincide também com a ampliação da atuação do escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados. Em 2025, o escritório adquiriu uma sala comercial no Edifício Terra Brasilis, no centro de Brasília, por R$ 350 mil. O escritório ampliou a sua operação na capital federal no final do ano passado, o que levou a advogada a realizar o investimento com o objetivo de ter um ponto fixo para sua filial.


A banca também detém 4% de participação em uma sala no edifício Diâmetro, na Avenida Brigadeiro Faria Lima, em São Paulo, um dos principais eixos do mercado financeiro do País. Este último imóvel foi arrematado judicialmente.


A atuação do escritório passou a ser alvo de críticas após a revelação do contrato da banca com o Banco Master no valor de R$ 129 milhões por três anos.


Como mostrou o Estadão em consulta a 13 dos maiores escritórios de advocacia do País, os valores pagos pelo Master a Viviane destoam significativamente do que é praticado pelo mercado de advocacia de elite. Em nota publicada no dia 9 de março, o Barci de Moraes Advogados detalhou os serviços prestados ao banco.


A mulher de Moraes sustenta que, entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, prestou serviços jurídicos nas áreas de compliance e direito criminal à instituição, com pagamentos de R$ 3,6 milhões por mês. Ao longo de 21 meses, o escritório faturou ao menos R$ 75,6 milhões com a instituição financeira controlada pelo banqueiro Daniel Vorcaro, que é investigado em inquérito no STF sob suspeita de operar um esquema bilionário de fraudes financeiras.


Especialistas consultados pelo jornal avaliaram que o trabalho prestado na área de compliance não excederia os R$ 10 milhões nas grandes firmas do ramo.


Antes das aquisições recentes, entre 1997 e 2014, período que compreende a compra de 25 casas, lotes, apartamentos e salas comerciais, Moraes e Viviane haviam gastado R$ 12,2 milhões.


*Negócios envolvem advogados com atuação no STF*


Parte dos negócios da família Moraes envolveu advogados com atuação no STF. Em um deles, firmado em março de 2024, Moraes e Viviane venderam, por meio da Lex, um apartamento e uma vaga de barco no Guarujá, no litoral sul de São Paulo, por R$ 1,4 milhão. Os compradores eram Maria Erotides Antunes e Persio Vinicius Antunes, advogado com ações na Corte.


Três anos antes, o ministro havia concedido, por decisão monocrática, um habeas corpus a um dos clientes, que, na época, estava preso preventivamente por estelionato. O réu teria aplicado um golpe de pouco mais de R$ 6 mil. Procurado, Persio Antunes afirmou que não tem nenhuma relação pessoal com o ministro e disse que comprou o apartamento diretamente de uma pessoa jurídica.


“Não tenho relação com ele, nunca o conheci. Comprei o apartamento de uma pessoa jurídica que não pertence a ele”, afirmou, em referência ao Lex Instituto.


A sala comercial do escritório de Viviane, em Brasília, foi adquirida em 2025 junto a uma advogada que tem ações no STF, mas nunca teve processo sob a relatoria de Moraes.


https://www.estadao.com.br/amp/politica/familia-de-moraes-comprou-r-234-milhoes-em-imoveis-nos-ultimos-cinco-anos-e-triplicou-patrimonio/

BDM Matinal Riscala

 *Rosa Riscala: O ultimato de Trump ao Irã em semana de inflação*


… Mais uma semana começa sob alta tensão no front de guerra no Oriente Médio, com potencial para agravar a crise energética. Trump deu prazo até amanhã, terça-feira, às 21h (de BSB), para que o Irã abra “o maldito Estreito de Ormuz, ou vocês viverão no inferno, seus malucos”. O presidente marcou para hoje, às 14h (BSB), uma coletiva de imprensa, quando deve repetir as ameaças que estão sendo desdenhadas pelo regime iraniano. Na agenda, dois índices de inflação nos Estados Unidos, o PCE (quinta) e o CPI (sexta) de março, podem trazer os impactos da alta do petróleo e da gasolina, que já custa US$ 4/galão para o consumidor americano. Aqui, o IPCA é o destaque, também na sexta-feira.


ULTIMATO – O presidente Trump passou o fim de semana lançando ameaças de atacar a infraestrutura crítica do Irã “se eles não fizerem alguma coisa até terça-feira à noite”. Então, “não terão mais usinas iranianas nem terão pontes em pé”.


… Em postagem na sua rede social, neste domingo, escreveu que “terça-feira será o Dia da Usina Elétrica e o Dia da Ponte, tudo junto, no Irã. Não haverá nada igual!!! Abram o maldito Estreito, ou vocês vão viver no inferno – AGUARDEM PARA VER! Louvado seja Alá.”


… Na véspera, Trump já havia dito que o Irã enfrentaria “o inferno” dali a 48 horas se não chegasse a um acordo com o governo americano.


… Em outra publicação, o presidente informou que o militar americano resgatado do caça F-15, abatido pelo Irã está “gravemente ferido”, e foi nessa postagem que ele anunciou a coletiva de hoje. As Forças Armadas iranianas também estavam na captura do oficial.


… O comando militar central do Irã rejeitou a ameaça de Trump de destruir a infraestrutura vital do país, afirmando que se trata de “uma ação desesperada, nervosa, desequilibrada e estúpida”. E devolveu a maldição, dizendo que “os portões do inferno se abrirão para vocês”.


… Já a Guarda Revolucionária Islâmica alertou na mídia iraniana Press TV que “quaisquer novos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra a infraestrutura civil do Irã vão desencadear retaliações ainda mais violentas contra alvos inimigos”.


… Neste domingo, forças iranianas incendiaram alvos inimigos nos Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Kuwait, em resposta aos ataques à Ponte B1 em Karaj e às instalações petroquímicas de Mahshahr, atacando a refinaria que fornece combustível para caças israelenses em Haifa.


… Instalações de gás operadas pela Exxon Mobil e Chevron nos Emirados Árabes Unidos também foram alvejadas, juntamente com uma instalação petroquímica de propriedade americana em Al Ruwais, no Bahrein e no Kuwait.


… Ao mesmo tempo que ameaçava “explodir tudo e tomar posse do petróleo”, Trump disse à Fox News que o Irã estava negociando e que “há uma boa chance de sair um acordo nesta segunda-feira”. A questão é que essas afirmações não são levadas a sério.


CHINA & RÚSSIA –Às vésperas de uma reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas, prevista para ocorrer esta semana, a China informou, neste domingo, que está disposta a cooperar com a Rússia no órgão da ONU para reduzir as tensões no Oriente Médio.


… Os dois países são membros permanentes do conselho, que deve votar uma resolução proposta pelo Bahrein sobre proteção à navegação comercial no Estreito de Ormuz, parcialmente bloqueado pelo Irã em razão dos ataques dos Estados Unidos e Israel.


… Segundo a agência de notícias chinesa Xinhua, em conversa por telefone como o chanceler da Rússia, Sergei Lavrov, o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, disse que a situação no Oriente Médio continua a se deteriorar e as hostilidades estão se intensificando.


… Ambos concordam que a solução para garantir a navegação em Ormuz “reside em alcançar um cessar-fogo e pôr fim à guerra”.


… Lavrov afirmou que a Rússia está muito preocupada com a contínua escalada das tensões no Oriente Médio e defendeu que as operações militares devem ser interrompidas imediatamente. O chanceler russo pede uma solução política e diplomática, com o apoio da ONU.


OPEP – Os países do cartel, formado pela Arábia Saudita, Rússia, Iraque, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Casaquistão, Argélia e Omã, decidiram, neste domingo, aumentar sua produção em 206 mil barris por dia no mês de maio.


… Em comunicado, reafirmaram a importância de adotar uma abordagem cautelosa e de salvaguardar as rotas marítimas internacionais para garantir o fluxo ininterrupto de energia, diante do cenário de guerra no Oriente Médio, que vem mantendo fechado o Estreito de Ormuz.


… Por esta via, passam cerca de 20% de todo o petróleo global, o que pode fazer com que o aumento agora anunciado pela Opep+ seja praticamente inócuo, dada a dificuldade de transporte de cargas por esta via utilizada pela maior parte dos países membros.


… O bloco também expressou preocupação em relação aos ataques à infraestrutura energética dos países produtores, observando que a restauração da capacidade total dos ativos energéticos danificados é demorada.


PETROBRAS – Em resposta a um ofício da CVM, que questionou sobre notícias que apontaram interferência política na política de preços, a companhia negou estimativas divulgadas na imprensa sobre suposta defasagem em relação ao mercado internacional.


… O pedido de esclarecimento teve como base declarações do presidente Lula sobre a necessidade de evitar repasses ao consumidor dos efeitos da alta internacional do petróleo, em meio à guerra no Oriente Médio. As explicações foram fornecidas na sexta-feira.


… A Petrobras ainda rebateu cálculos de agentes de mercado indicando que diesel e gasolina estão sendo vendidos com descontos expressivos, reiterando que os reajustes não seguem periodicidade fixa e sua política atual busca evitar o repasse automático de oscilações externas.


… A estatal cita também medidas recentes, como o aumento de R$ 0,38 por litro no preço do diesel A para distribuidoras, além da adesão a um programa federal de subvenção que adiciona R$ 0,32 por litro. Segundo a empresa, o efeito combinado equivale a R$ 0,70 por litro.


… Já dados da Associação Brasileira de Importadores de Combustíveis (Abicom) indicam uma diferença relevante entre os preços no Brasil e os valores internacionais. O diesel apresenta diferença de R$ 3,05/litro e a gasolina tem diferença de R$ 1,61/litro.


… O secretário-executivo da Fazenda, Rogério Ceron, informou que o governo deve anunciar nos próximos dias a MP da subvenção do diesel e medidas para o querosene de aviação (QAV). Dois Estados ainda não aderiram ao programa: Rio de Janeiro e Rondônia.


LULA E A ELEIÇÃO – O presidente Lula está fazendo de tudo para evitar o impacto da alta dos combustíveis. Mas não é essa sua única preocupação. No Globo, o governo prepara um pacotão de benesses para conter a desaprovação inédita a seis meses da eleição.


… Além de medidas voltadas para o preço dos combustíveis, o pacote inclui subsídios ao gás e à conta de luz e um novo programa de renegociação de dívidas, entre outras, na tentativa de recuperar os níveis conquistados no segundo semestre do ano passado.


… Nas eleições de 2006, 2010 e 2014, quando o PT comandava o Planalto e conseguiu a recondução, o governo era majoritariamente aprovado. Agora, com placar desfavorável de 51% a 43% na última pesquisa Ipsos-Ipec, é a primeira vez que chega a essa altura com saldo negativo.


… A despeito do desemprego baixo, inflação controlada e aumento na renda, o comprometimento de recursos das famílias com empréstimos e financiamentos atingiu a máxima histórica. Está em curso um esquema de renegociação de dívidas, com descontos de até 80%.


… O Gás do Povo — para cerca de 15 milhões de famílias — é uma das principais medidas do pacotão. Só que a guerra no Irã, que gera impacto mundial na oferta de petróleo, faz a gestão Lula considerar agora uma subvenção ao setor, para que as distribuidoras não desistam.


… Na energia elétrica, após o Luz do Povo, criado em 2025, está em debate um aporte para apaziguar reajustes na conta. E até a famosa e impopular “taxa das blusinhas”, que tributa importações abaixo de 50 dólares, pode ser revertida no cenário eleitoral.


… Outra bandeira tida como ativo eleitoral, constantemente abordada pelo presidente, é a promessa de acabar com a escala 6×1. Já a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, uma grande aposta de Lula, ainda não rendeu frutos.


… Para o cientista político Carlos Melo (Insper), a reeleição era regra. Até Dilma, em 2014, todos se reelegeram, mas o mundo mudou.


… Segundo ele, Lula segue neste mandato uma cartilha que não é mais suficiente, baseada em apresentar bons indicadores econômicos e sobrevalorizar políticas interpretadas como direitos pela população. “O que falta é vender de forma sedutora uma projeção de futuro.”


JOVENS ABANDONAM A ESQUERDA – Talvez isso explique por que os eleitores jovens, que sempre foram uma base segura para candidatos de esquerda, estão tão afastados, apesar de várias iniciativas, como o Programa Pé-de-Meia, Projovem, cursinhos populares e o ProUni.


… No Datafolha de março de 2022, 62% dos eleitores até 24 anos declaravam voto em Lula. Hoje, esse porcentual caiu para 43%.


… Pesquisa AtlasIntel de março mostra que 73% dos eleitores jovens desaprovam o governo Lula, muito acima da média da população geral, em que a rejeição é de 53%. E uma das razões é a falta de perspectiva de trabalho para os mais jovens.


… O País fechou 2025 com 11,4% de desemprego entre brasileiros de 18 a 24 anos de idade, mais que o dobro da taxa nacional, de 5,1%.


DATAFOLHA – Sai no sábado a nova sondagem para a Presidência, a primeira desde que Caiado foi escolhido candidato do PSD. Pesquisadores entram em campo entre amanhã e quinta para medir as intenções de voto.


NUNES MARQUES – Um terceiro ministro do STF ocupa agora as manchetes, com o mesmo envolvimento no caso Master.


… Procurado pelo Estadão, Kássio Nunes Marques confirmou a viagem de Brasília para Maceió, com sua mulher, no dia 14/11/25, em avião particular que pertence à empresa que administra os bens de Daniel Vorcaro, a Prime You.


… O ministro foi a uma festa de aniversário a convite da advogada Camilla Ewerton Ramos, que atua judicialmente para o Banco Master.


… Em uma outra viagem, em abril de 2025, Camilla levou dois filhos de Nunes Marques, Kevin e Kauan, para Trancoso, na Bahia.


MAIS AGENDA – O foco da semana recai sobre a inflação, em um ambiente global tensionado pelo avanço do petróleo em meio à guerra.


… Com IPCA e o CPI saindo praticamente no mesmo horário na sexta-feira, e o PCE na véspera, o mercado deve testar narrativas sobre pressão inflacionária e espaço para política monetária — tanto aqui quanto nos Estados Unidos.


… No Brasil, a semana começa com o BC divulgando o Relatório Focus (hoje, 8h25), enquanto amanhã (terça) a Secretaria de Comércio Exterior traz a balança comercial de março, com projeção de superávit de US$ 7,6 bilhões.


… Ao longo da semana, saem ainda IGP-DI (quarta), IPC-S (quinta) e a Pesquisa Industrial Regional (também na quinta).


… Na sexta-feira, o principal evento doméstico é o IPCA de março, com mediana de +0,76% na margem. O dado ganha ainda mais relevância pela proximidade com o CPI americano, reforçando a leitura cruzada de inflação global.


… No exterior, a agenda começa com PMIs na Europa e nos Estados Unidos (amanhã), além do ISM de serviços americano (hoje, 11h). Na quarta-feira, o destaque é a ata da última reunião do Federal Reserve, que pode calibrar expectativas sobre juros.


… Já na quinta-feira, o mercado monitora o deflator do PCE — métrica preferida do Fed — ao lado dos dados de renda e gastos pessoais, pedidos de auxílio-desemprego e a leitura final do PIB do 4º trimestre dos Estados Unidos.


… Na mesma madrugada, saem os índices de inflação ao produtor e consumidor da China.


… Encerrando a semana, o CPI americano de março sai às 9h30, apenas meia hora após o IPCA brasileiro, na sessão que promete elevada volatilidade global e leitura direta sobre os efeitos recentes da alta do petróleo nos preços.


PAYROLL – O relatório de emprego de março saiu em plena Sexta-Feira Santa, com as bolsas fechadas, mas deve repercutir na reabertura, já que mostrou um mercado de trabalho ainda resiliente nos Estados Unidos, com potencial de influenciar as apostas ao Fed.


… A economia americana criou 178 mil vagas, bem acima da mediana de 51 mil. A taxa de desemprego caiu de 4,4% para 4,3%. Já os salários avançaram apenas 0,2% no mês e 3,5% em 12 meses, abaixo do esperado, indicando alguma moderação na pressão inflacionária.


… A desaceleração dos salários — para mínima em quase cinco anos — sugere que, apesar da resiliência, não há pressão adicional relevante vinda do mercado de trabalho neste momento. A composição e as revisões também trouxeram detalhes relevantes.


… Fevereiro foi ajustado para baixo, com corte de 133 mil vagas, enquanto janeiro foi revisado para cima. Parte da força de março reflete fatores pontuais, como reversão de greves e de condições climáticas adversas, reduzindo a leitura de aceleração estrutural do emprego.


… Para o Fed, o dado tende a reforçar o cenário de cautela: não há sinais claros de deterioração que justifiquem cortes iminentes, mas tampouco um superaquecimento que exija resposta mais dura. Na prática, o relatório deve manter o Fed em compasso de espera.


CHINA – Divulgado na noite de sexta-feira, o PMI de serviços recuou de 56,7 em fevereiro para 52,1 em março.


… Embora o dado sinalize uma desaceleração no ritmo de crescimento contra o pico de 33 meses registrado no mês anterior, o setor permanece em território de expansão (acima de 50 pontos) pelo 39º mês consecutivo.


… Já o PMI composto da China, que agrega as atividades industrial e de serviços, caiu de 55,4 para 51,5 no período.


JAPÃO – O PMI composto caiu de 53,9 pontos em fevereiro para 53 pontos em março, segundo a pesquisa final do setor privado (S&P Global). O dado frustrou a previsão de 53,2, mas veio acima 50, indicando expansão da atividade.


… O PMI de serviços caiu de 53,8 para 53,4, abaixo das estimativas dos analistas de 53,8.


BOMBOU E CHANCELOU – Bancos e consultorias ficaram impressionados com a força do payroll de março, que só reforçou as apostas de que o Fed deve demorar bastante para cortar o juro, a não ser que a guerra acabe logo.


… Como se viu, analistas disseram que o relatório de emprego reverteu o impacto das greves na Starbucks e na operadora de planos de saúde Kaiser Permanente em fevereiro, e também os efeitos negativos do inverno.


… Na medida em que o dado só corrigiu, em boa medida, alguns fatores temporários, o investidor não especulou com apostas de um aperto monetário antecipado, mas fortaleceu a chance de manutenção do juro por mais tempo.


… O aumento modesto de 0,24% nos ganhos médios por hora em março e a desaceleração anual deste componente inflacionário para 3,52% também serviram de indicativo de que o mercado de trabalho não está superaquecido.


… Na primeira reação ao payroll, o juro da Note-2 anos chegou a saltar até 3,912% na sexta, mas refreou o ritmo até o fechamento para 3,833%, de 3,809% no pregão anterior. A taxa do bônus de 10 anos subiu de 4,320% para 4,352%.


… No câmbio, o índice DXY subiu de leve (+0,20%) e permaneceu acima dos 100 pontos (100,224), com o euro (US$ 1,1520), a libra esterlina (US$ 1,3220) e o iene (159,59 por dólar) em ligeira queda na comparação com o dólar.


… Fechadas na Sexta-Feira Santa, as bolsas em NY repercutem o payroll só hoje, embora o protagonismo do dia continue com a guerra. Na véspera da Páscoa, os índices de ações em Wall Street operaram sob otimismo cauteloso.


… A proposta do Irã e de Omã de cobrar um pedágio para o tráfego de navios pelo Estreito de Ormuz ajudou a afastar as bolsas das mínimas e esvaziar a frustração com o pronunciamento de Trump no final da noite de quarta.


… Apesar disso, a cautela com as novidades da guerra durante o feriado prolongado comprometeu qualquer confiança maior do investidor no último pregão, diante do receio de um ataque americano com tropas por terra.


… O S&P 500 subiu só 0,11% (6.582,69 pontos); e o Nasdaq registrou alta de apenas 0,18% (21.879,18 pontos), enquanto o Dow Jones registrou queda modesta de 0,13% e terminou o pregão aos 46.504,67 pontos.


TROLOU – Para todo mundo que aguardava uma estratégia de saída clara dos Estados Unidos da guerra contra o Irã, a fala de Trump na TV na quarta à noite pregou uma peça, com a promessa de ataques mais duros nos próximos dias.


… A “pegadinha do Dia da Mentira” escalou o petróleo antes do feriado, mesmo com a notícia de que o Irã e Omã elaboravam o protocolo para monitorar o trânsito no Estreito de Ormuz. O Brent/junho saltou 7,77%, a US$ 109,03.


… O WTI/maio disparou 11,41%, a US$ 111,54, terminando acima de US$ 110 o barril pela primeira vez desde 2022.


… Petrobras pegou carona (ON +2,25%, a R$ 53,10; e PN +1,65%, a R$ 48,15) e salvou o Ibovespa de virar para o negativo, embora o índice à vista não tenha conseguido exibir fôlego, preferindo não correr risco antes do feriado.


… O índice à vista fechou estável (+0,05%), defendendo por pouco os 188 mil pontos (188.052,02), com giro mais fraco, de R$ 24,4 bilhões. Vale desafiou o minério (-1,29%) e avançou 0,66% (R$ 83,55), mas os bancos pesaram.


… Bradesco PN registrou desvalorização de 1,49% (R$ 19,12), Itaú PN caiu 1,21% (R$ 43,30), BB recuou 1,02% (R$ 23,39) e BTG Pactual devolveu 0,57% (R$ 57,27). A exceção foi Santander, que subiu 0,10% e fechou a R$ 31,23.


… Apesar do ambiente cauteloso, a B3 continua nadando em dinheiro estrangeiro. Os gringos aportaram R$ 11,7 bilhões em março, maior volume para este mês desde 2022. O fluxo de k externo no ano soma R$ 53,4 bilhões.


… Dividido entre a esperança de reabertura do Estreito de Ormuz e a decepção com o pronunciamento de Trump, o  dólar à vista fechou praticamente estável (+0,06%), mas se defendeu como pôde na faixa de R$ 5,15 (R$ 5,1599).


… Já os juros futuros resolveram apostar na normalização do fluxo de petróleo no Oriente Médio e caíram.


… Na agenda do dia, a produção industrial medida pelo IBGE em fevereiro (+0,9%) superou o esperado (+0,7%), mas mostrou desaceleração em relação a janeiro (+1,8%), sem alterar a aposta de corte de 0,25 pp da Selic este mês.


… No fechamento, o DI para Janeiro de 2027 marcava 14,030% (de 14,031% no ajuste anterior); Jan/28, 13,700% (contra 13,721% na véspera); Jan/29, 13,630% (13,673%); Jan/31, 13,735% (13,797%); e Jan/33, 13,815% (13,865%).


CIAS ABERTAS NO AFTER – A Moody’s reafirmou o rating AAA.br da VALE com perspectiva estável.


PETROBRAS. Governo deve indicar Guilherme Mello para presidir o conselho de administração, em substituição a Bruno Moretti, que renunciou ao cargo após ser nomeado ministro do Planejamento e Orçamento. (Folha)


BRASKEM disse que ainda não tomou decisão sobre eventual pedido de proteção contra credores, após questionamento da CVM sobre notícias veiculadas na imprensa.


BRADESCO aprovou pagamento de R$ 3 bilhões em JCP, a R$ 0,27 por ON e R$ 0,29 por PN. Ex amanhã.


EMBRAER entregou 44 aeronaves no 1TRI26, alta de 47% na comparação anual.


CSN. Moody’s rebaixou rating de AA.br para AA-.br e manteve a companhia em revisão para rebaixamento…


… A agência de classificação citou a “persistência dos desafios e das incertezas relacionados ao refinanciamento de suas dívidas de médio prazo, em contexto de sinais graduais de redução da flexibilidade financeira da companhia”.


HAPVIDA adotará voto múltiplo na próxima eleição do conselho após carta da Squadra.


CEMIG anunciou emissão de debêntures de até R$ 1,15 bilhão, com prazo de 15 anos.


NEOENERGIA concluiu venda da hidrelétrica Dardanelos e manteve participação indireta de 25% no ativo.


COPASA. Fitch reafirmou rating AAA(bra) com perspectiva estável.


SIMPAR estendeu prazo para exercício do direito de preferência em aumentos de capital até 17 de abril.


MOVIDA informou ter atingido montante mínimo de R$ 500 milhões em subscrições para aumento de capital.


MOTIVA firmou contrato com a Arteris para assumir a concessão da rodovia Fernão Dias por R$ 381,4 milhões.


TENDA renovou contratos de derivativos atrelados a ações próprias e estima entrada de caixa superior a R$ 60 mi.

Anderson Nunes

 *ALERTA EM ORMUZ E FOCO NA INFLAÇÃO - MC 06/04/26*

*Por Anderson Nunes - Analista Político*


*ULTIMATO DE TRUMP AO IRÃ E DADOS DE INFLAÇÃO ELEVAM TENSÃO GLOBAL*


O mercado inicia a semana em alerta após o presidente dos EUA, Donald Trump, estabelecer um prazo decisivo para o Irã liberar o Estreito de Ormuz sob ameaça de destruição total.


*ULTIMATO E CRISE ENERGÉTICA*


Trump marcou uma coletiva para hoje após ameaçar pulverizar a infraestrutura iraniana caso o bloqueio naval persista até amanhã à noite. A escalada militar trava o fluxo de 20% do petróleo mundial e torna inócua a decisão da Opep de elevar a produção em maio.


*TESTE DE ESTRESSE INFLACIONÁRIO*


O foco econômico recai sobre o PCE e o CPI nos Estados Unidos e o IPCA no Brasil, todos agendados para esta semana. Estes indicadores devem refletir o recente salto nos preços dos combustíveis e definir as próximas movimentações dos bancos centrais sobre os juros.


*PACOTE BILIONÁRIO DE ESTÍMULOS EM ANO ELEITORAL*


O governo federal projeta injetar R$ 742 bilhões na economia em 2026 através de crédito do BNDES e fundos públicos para tentar reduzir a rejeição popular antes da disputa pela reeleição. Esse montante representa um crescimento em relação ao ano anterior e foca no estímulo direto ao consumo das famílias e investimentos estaduais.


*PRESSÃO NOS PREÇOS DE ENERGIA E COMBUSTÍVEIS*


A conta de luz residencial deve subir 8% este ano superando a inflação projetada enquanto o Planalto prepara uma medida provisória para subsidiar o diesel em parceria com estados. O governo busca conter o impacto das tarifas na renda da população e evitar manifestações de caminhoneiros diante da volatilidade causada pelos conflitos internacionais.


*FORÇA DO PSD NOS ESTADOS*


O encerramento da janela partidária consolidou o PSD como o partido com maior número de governadores no país após novas adesões de líderes estaduais.


*BRB EM CRISE*


O Banco Central decretou a liquidação do Banco Master após identificar fraudes em carteiras de crédito e uma crise aguda de liquidez financeira. O Banco de Brasília (BRB) corre risco de sofrer liquidação judicial caso não receba um aporte urgente do governo distrital após comprar R$ 12 bilhões em créditos podres.


*ARTICULAÇÃO PARA O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL*


A indicação de Jorge Messias para a vaga de Luís Roberto Barroso no STF depende agora da negociação direta com Davi Alcolumbre para avançar na Comissão de Constituição e Justiça. Messias retoma o contato com os senadores para quebrar resistências e garantir os 41 votos necessários para sua aprovação definitiva ainda neste semestre.


*FIM DA ESCALA 6X1 E PAUTA LEGISLATIVA*


O Palácio do Planalto avalia enviar um projeto de lei com urgência constitucional para extinguir a jornada de trabalho 6X1, garantindo maior agilidade e controle político sobre o processo. O presidente da Câmara, Hugo Motta, apoia publicamente a medida, mas a tramitação enfrenta obstáculos regimentais que podem empurrar a votação final para meados de maio, após o prazo de anúncio do governo, que seria 01/05, dia do trabalhador.


*RADAR CORPORATIVO*


1. O mercado de saneamento enfrenta incertezas com o cancelamento de leilões da Saneago por falta de propostas válidas e o adiamento da licitação da Cagepa.

2. A Prime Aviation empresa vinculada ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro foi identificada como fornecedora de transporte aéreo para o ministro Dias Toffoli em viagens particulares.

3. VALE: Moody’s reafirmou a nota AAA.br com perspectiva estável, sinalizando confiança na solidez financeira da mineradora.

4. PETROBRAS: Governo deve indicar Guilherme Mello para a presidência do conselho, reforçando a influência direta do Planalto na petroleira.

5. CSN: Agência Moody’s rebaixou a nota de crédito para AA-.br diante de incertezas crescentes sobre o refinanciamento de dívidas.

6. BRADESCO: Banco aprovou a distribuição de R$ 3 bilhões em Juros sobre Capital Próprio, com pagamento destinado aos acionistas posicionados até amanhã.

7. EMBRAER: Entregas de aeronaves saltaram 47% no primeiro trimestre, comprovando a forte retomada operacional da fabricante brasileira.

8. HAPVIDA: Companhia adotará voto múltiplo na próxima eleição do conselho após pressão de investidores, aumentando a governança corporativa.

9. CEMIG: Estatal anunciou a emissão de debêntures de até R$ 1,15 bilhão para financiar investimentos de longo prazo.


O Canal Auxiliando usa as seguintes fontes de notícias: 'Monitor do Mercado, BDM, Broadcast, Valor Econômico, Folha de São Paulo, Estadão, O Globo, BM&C, B3, Revista Oeste, Poder 360, Money Times, Agência CMA, Agência Brasil, Bloomberg, Infomoney, CNN, The Washington Post, The Wall Street Journal, Fox Business, Reuters, Oil Price, Investing e Yahoo Finance'.

sexta-feira, 3 de abril de 2026

Vinicius Torres Freire

 *Na aflição com pesquisas, juros e combustíveis, Lula começa a pensar em tiros no pé*


Até ultraliberal alucinado Milei manda tabelar preço da petroleira estatal na Argentina Tentativa exagerada de conter preços ou até tabelar é contraproducente ou cria crise em breve


2.abr.2026 às 20h44


O governo começa a dar sinais de aflição desesperada. Quer um atropelo de medidas com o objetivo de limitar juros para pessoas físicas, diminuir dívidas e conter preços de combustíveis.


O presidente está tentado a repetir receitas velhas de tapar o sol com a peneira, algumas de Dilma Rousseff 1 (2011-2014), desastrosas até para ela mesma. A depender do tamanho do custo fiscal e da intervenção econômica, as medidas podem ser contraproducentes. Sabendo-se que algo pode explodir em 2027, alguns danos podem ser antecipados por empresas e povos dos mercados.


Há subsídios para o diesel. Até agora, não se falou em subsidiar gasolina, pelo menos. Haverá subsídio para o gás de cozinha, do governo ou da Petrobras, Lula deixou escapar. Companhias aéreas querem subsídio para combustível e crédito. O agro tem pedidos. Se essa fila andar, haverá mais candidatos a algum Bolsa Guerra, como na pandemia, favores do coronavírus que duraram até este governo.


Pode ser razoável a tentativa de atenuar um choque de preço, sob certas condições, de modo a evitar que um problema provisório tenha consequências duradouras. Pode ser um paliativo para um par de meses, aliás adotado até pelo ultraliberal alucinado Javier Milei e pela Europa.


Mas é possível também que a tentativa de transferir problemas para o futuro contamine o presente. No exemplo mais simples, é possível que se esteja apenas transferindo a alta de preços de agora para logo depois da eleição, estocando inflação para 2027, com impacto desde já nas expectativas.


O governo vai gastar o que puder para conter preços por toda a parte, por meses? A ideia do subsídio é compensar alta de preços da Petrobras ou é tabelamento (que pode ameaçar o abastecimento)?


Está ainda mais difícil estimar a chance de cada cenário, pois também não se sabe do efeito da guerra: maior na inflação ou no PIB? Depende de duração da crise e do ritmo da economia aqui, ainda firme.


De resto, o governo não tem como mexer em reações fundamentais a todos esses problemas, a do Banco Central e a do mercado de títulos da dívida pública. E o PIB do mundo vai esfriar. Difícil mexer com sucesso nessa máquina complicada.


Enfim, tabelar preço é, claro, política, não raro com consequências funestas.


Em caso muito maior e de extremo descaramento, houve o congelamento de preços do Plano Cruzado, em 1986, desfeito logo depois de fechadas as urnas, o pai dos estelionatos eleitorais do Brasil, que pariu oligarquias até hoje no poder.


Em escala muito menor, mas mais dramática, foi assim com Dilma 1. No início do seu segundo mandato, em 2015, começou a desfazer o que eram, na prática, tabelamentos de preços de energia elétrica e combustíveis. A então presidente tivera 42% de "ótimo/bom" no Datafolha de dezembro de 2014; em março de 2015, 13%. A vitória torta contribuiu para o seu fim.


Abril será ruim no mercado mundial. Em março circulavam navios com petróleo e combustíveis produzidos e embarcados antes do início da guerra. Agora, o buraco deixado pelo fechamento de Hormuz vai aparecer na prática.


A conversa a respeito de algum tipo contenção de consumo, mesmo de racionamento, ou de redução preventiva de atividade econômica, que já é prática no Sul e no Leste pobres da Ásia, pode se espalhar pela Europa.


Na hipótese mais otimista, o problema de base (escassez de combustível e outros insumos) vai até setembro. Alguém do governo tem isso em mente?


https://www1.folha.uol.com.br/colunas/viniciustorres/2026/04/na-aflicao-com-pesquisas-juros-e-combustiveis-lula-comeca-a-pensar-em-tiros-no-pe.shtml

OESP

 *Estadão: Fazenda afasta delegado tributário por elo com 'fura-fila' do ICMS*


Por Fausto Macedo e Felipe de Paula


São Paulo, 02/04/2026 - A Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo afastou o delegado Rodrigo Rodrigues Cuoco do comando da Delegacia Regional Tributária do ABCD paulista (DRT-12). Na carreira desde 2006, Cuoco havia sido alvo, em 26 de março, da Operação Fisco Paralelo, que investiga pelo menos 20 auditores fiscais por suposta ligação com um esquema “fura-fila” do ICMS.


Segundo a investigação, o grupo favoreceria grandes redes de varejo e atacado com a restituição antecipada de créditos tributários em troca de propina. A Secretaria da Fazenda informou que, “no contexto das providências adotadas, houve cessação de designação do cargo de delegado do servidor referido, o qual já se encontra afastado e com procedimento instaurado pela Corregedoria da Fiscalização Tributária, órgão correcional competente”. O Estadão pediu manifestação do auditor por meio da secretaria, mas não obteve retorno.


O cargo de delegado é o topo da carreira dos fiscais. Baseado em São Bernardo do Campo, Cuoco supervisionava a fiscalização também nas cidades de Mauá, Ribeirão Pires, Diadema, Rio Grande da Serra, Santo André e São Caetano.


Com o afastamento, ele deixa de receber vantagens do cargo que ocupava desde 2025, como a gratificação de representação. Cuoco continuará ganhando duas parcelas do salário maiores do que as de seus colegas - o prêmio de produtividade e o pró-labore -, mas em valores menores no bruto. O afastamento foi decretado pela Diretoria Geral Executiva da Administração Tributária (Deat).


MENTOR. Mensagens localizadas em um celular do auditor Artur Gomes da Silva Neto indicam o envolvimento de Cuoco nas fraudes, segundo os promotores do Grupo de Atuação Especial de Repressão aos Delitos Econômicos (Gedec), do Ministério Público Estadual.


Silva Neto é apontado como o mentor do “fura-fila”, esquema que teria rendido, desde 2022, pelo menos R$ 1 bilhão em propinas de empresas credoras de ICMS-ST (Substituição Tributária). Ele foi preso em agosto do na Operação Ícaro, origem da Fisco Paralelo.


Um contato por mensagem de aplicativo de Rodrigo Cuoco com Silva Neto, recuperado pelos investigadores, ocorreu por meio do irmão do delegado do ABCD afastado, Diogo Cuoco. “Diogo é quem inicia os contatos por meio do WhatsApp com Artur Gomes da Silva Neto. E, muito embora logo a dupla migre para o aplicativo Wickr, as conversas sugerem que Artur (Silva Neto) precisa fazer repasses a Rodrigo Rodrigues Cuoco”, dizem os promotores.


A quebra telemática identificou a venda de créditos de ICMS-ST de uma gigante de materiais de construção, “obtidos de maneira fraudulenta”, para uma coligação de cervejarias. O agente que deu visto nas notas, no total de R$ 8 milhões, foi Rodrigo Cuoco. “Existem evidências que apontam o envolvimento de Rodrigo Rodrigues Cuoco na corrupção relacionada ao ressarcimento de ICMS-ST”, afirmam os promotores.


Broadcast+

BRB e terreno

 *Coluna do Estadão: BRB faz auditoria de terrenos para aporte, mas dois imóveis ficam sem valor*


Aauditoria independente encomendada pelo Banco de Brasília (BRB) trouxe enfim uma boa notícia ao banco estatal, que tenta cobrir um rombo bilionário deixado pelo caso Master. O relatório identificou um valor de mercado R$ 400 milhões maior do que o previsto pela Companhia Imobiliária de Brasília (Terracap) para sete dos nove imóveis públicos ofertados no socorro financeiro ao BRB, totalizando R$ 4,2 bilhões. O valor extra, contudo, não é suficiente para cobrir a redução de quase R$ 3 bilhões pela ausência dos outros dois terrenos do pacote, considerados “micos imobiliários” pela falta de atratividade. Esses ativos não foram precificados pela auditoria, que pediu mais prazo para terminar as “avaliações atípicas”, segundo o documento obtido pela Coluna.


CANCELA. Após a conclusão da auditoria independente, a governadora Celina Leão (PP) recuou e retirou da lista um dos dois imóveis problemáticos: a área ambiental Serrinha do Paranoá, a mais cara do pacote, avaliada pela Terracap em R$ 2,2 bilhões.


ESQUELETO. O outro terreno público visto com receio no mercado imobiliário é o Centro Administrativo do DF, avaliado em R$ 491 milhões pela Terracap. A inauguração ocorreu em 2014, mas o local previsto para ser a sede do Executivo distrital nunca foi usado. Os prédios apresentam problemas estruturais graves e há construções inacabadas.


NEGOCIAÇÃO. Na última terça-feira, 31, dia em que deveria ter apresentado o balanço financeiro de 2025, a cúpula do BRB montou um grupo com empresários dos setores imobiliário e de construção civil da capital federal para viabilizar o fundo previsto no aporte do governo ao banco.


CHAPA. O prefeito de Patos de Minas (MG), Luís Eduardo Falcão (Republicanos), deixou o cargo ontem na expectativa de ser vice na chapa do senador Cleitinho (Republicanos) ao governo de Minas Gerais. A equipe do senador afirmou que Falcão é o mais cotado, mas que ainda é cedo para formalizar a indicação.


DOMINÓ. O movimento do prefeito, correligionário de Cleitinho no Republicanos, ocorreu um dia após a filiação do senador Rodrigo Pacheco ao PSB. A expectativa é que Pacheco dispute o governo mineiro a pedido de Lula. Para isso, teve de deixar o PSD, que apoia a candidatura do governador Mateus Simões.


ESTRADA. Falcão foi reeleito prefeito em 2024 com 85% dos votos. Era filiado ao Novo, partido do ex-governador Romeu Zema. O mais cotado para vice de Cleitinho tem capilaridade no Estado, já que era presidente da Associação Mineira de Municípios.


DECISÃO. O ministro Messod Azulay Neto, do Superior Tribunal de Justiça, reduziu para 10 meses e 25 dias a pena do ex-prefeito de Sousa (PB) Fábio Tyrone, condenado por agredir a então namorada, Myriam Gadelha, em 2018. O político confessou a agressão e teve a pena fixada anteriormente em 1 ano e 4 meses de prisão.


ARGUMENTO. Na decisão que atendeu o pré-candidato a deputado federal pelo PSB, o ministro do STJ alegou “constrangimento ilegal” ao réu por “elevação desproporcional da pena”. Procurados, o tribunal e o ex-prefeito não responderam.


PRONTO, FALEI!


Maria Elizabeth Rocha

1ª mulher presidente do STM


“É difícil, eu sofro sim discriminações, eu sofro sim segregações, como todas as mulheres que alcançam postos de poder. Não se iluda. Mas não vou me vitimizar.”


CLICK


Julio Ramos

Diretor da Abiec


Participou de reunião da FAO, da ONU, na Indonésia. A Associação de Indústrias Exportadoras de Carne é a primeira organização brasileira a integrar a FAO.


(Roseann Kennedy, com Eduardo Barretto e Leticia Fernandes)


Broadcast+

Fraude na Malásia e Brasil

 *Fraude bilionária do governo da Malásia vira disputa na Justiça brasileira*


01/04/2026 14h59


Uma fraude bilionária na Malásia, que provocou o maior escândalo político recente do país, virou alvo de disputa na Justiça brasileira, com trocas de acusações entre o banco BTG Pactual e uma empresa de consultoria.


O caso tem origem no escândalo do 1MDB, fundo do governo malaio lesado em US$ 4,5 bilhões entre 2009 e 2015 por investimentos fraudulentos. A investigação levou à prisão de Najib Razak, ex-primeiro-ministro malaio.


Razak foi condenado por corrupção, acusado de ter recebido 647 milhões de euros em suas contas, recursos desviados do fundo do governo.


Em janeiro, a Justiça mandou o BTG abrir os documentos que tem sobre o caso para os executivos da Kroll, consultoria que representa as empresas que estão tentando recuperar os ativos desviados no esquema.


Procurado, o BTG Pactual não se pronunciou sobre o assunto.


Parte dos desvios foram operacionalizados pelo banco suíço BSI (Banca della Svizzera Italiana), que tinha a custódia de contas de uma subsidiária do 1MDB nas Ilhas Virgens Britânicas, chamada Brazen Sky.


A Brazen Sky é uma das ramificações em offshores e paraísos fiscais que possibilitaram os desvios do 1MDB, segundo indica a investigação na Malásia.


*Banco comprado pelo BTG*


O desdobramento no Brasil acontece agora porque, em 2014, o BTG Pactual comprou o banco suíço BSI por cerca de 1,5 bilhão de francos suíços.


Dois anos depois, em meio ao escândalo, a instituição financeira foi vendida do para o EFG International por 1,33 bilhão de francos suíços. Nessa operação, o BTG também se tornou acionista minoritário do EFG.


No contrato de venda do BSI, havia uma previsão de que o BTG indenizaria o comprador por passivos ligados ao escândalo 1MDB.


Por conta da investigação malaia, o BTG pagou ao EFG uma reversão de lucros de R$ 340 milhões e uma multa de R$ 33 milhões, segundo a revista Exame.


*Pedido de documentos*


Os executivos da Kroll que tentam reaver os recursos dos cofres públicos malaios pediram no TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) que o BTG enviasse todos os documentos e informações que tem sobre a atuação do BSI no período em que foi dono do banco.


O BTG, porém, diz que a legislação brasileira não embasa esse tipo de pedido, já que a Brazen Sky nunca teve ativos, passivos, estabelecimento ou credores no Brasil, e que o reconhecimento da liquidação é descabido sem esse vínculo.


Segundo o banco, os precedentes citados pela representante da empresa das Ilhas Virgens são de casos em que o devedor tinha bens no país.


O BTG acusa as requerentes de quererem uma devassa indiscriminada nos seus documentos sem demonstrar relação jurídica direta, o que configuraria "pescaria probatória" (fishing expedition), e não pedido legítimo de cooperação.


Em janeiro, porém, um juiz do TJ-SP aceitou o pedido da Brazen e determinou que BTG entregasse os documentos em 10 dias, incluindo informações sobre cláusulas de indenização relativas ao 1MDB.


Em 23 de março, o BTG questionou essa obrigação e pediu que a decisão seja reconsiderada. Ainda não há uma manifestação definitiva do Judiciário sobre o caso.


Em suas últimas manifestações, os executivos da Kroll argumentaram que a lei brasileira não exige ativos no Brasil para o reconhecimento de processo estrangeiro e acusaram o BTG de descumprir decisão judicial.


A lei brasileira diz que, após o reconhecimento de um processo estrangeiro principal, somente se iniciará no Brasil um processo de recuperação judicial, de recuperação extrajudicial ou de falência se o devedor possuir bens ou estabelecimento no país.


A controvérsia está na interpretação desse texto. A Kroll pediu apenas o reconhecimento do processo, e, para isso, diz que não é necessário haver bens ou estabelecimento.


Para a liquidante da Brazen Sky, a existência da cláusula para compensar as perdas do BTG Pactual é uma demonstração de que o banco sabia das contingências relacionadas às fraudes em 2016.


Em outubro, o MP-SP (Ministério Público de São Paulo) se manifestou a favor da posição da Brazen Sky e defendeu que os documentos sejam fornecidos.


Reportagem



Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.


https://noticias.uol.com.br/colunas/natalia-portinari/2026/04/01/fraude-bilionaria-do-governo-da-malasia-vira-disputa-na-justica-brasileira.htm

Calhordas

 “Deixa eu te dizer uma coisa, meu querido. Quando você entender o que é ser uma pessoa deste tamanho, você vai se lembrar deste dia com mui...