sábado, 19 de setembro de 2026

Samuel Pessoa e Breno Altman (peguei da rede)

O economista liberal/ortodoxo Samuel Pessôa deu uma entrevista muito interessante a Breno Altman no programa 20 Minutos, do canal do YouTube Opera Mundi (ver link nos comentários).

As provocações de Pessôa me instigaram a fazer algumas reflexões e questionamentos sobre seus argumentos, os quais tento sintetizar abaixo:

Num primeiro momento, Breno Altman, bem municiado de argumentos heterodoxos, coloca Pessôa contra a parede, apresentando alguns números dos governos Lula 1 e Lula 2, os quais apresentavam a obtenção sucessiva de superávits primários em meio a uma grande expansão fiscal dos gastos federais, com taxa de juros estável e juros não muito elevados. Para contestar Altman, Pessôa argumenta que a macroeconomia "tem um problema de baixa qualidade em suas séries históricas" e que ele poderia chegar a conclusões totalmente diferentes apenas apresentando uma narrativa distinta.

Apesar de a "verdade absoluta" não ser uma categoria alcançável do ponto de vista epistemológico, sou persuadido por argumentos que defendem que a investigação científica é capaz de produzir conhecimento objetivo, baseado em pressupostos demonstráveis, métodos reproduzíveis e conclusões que podem ser teoricamente mais robustas do que outras. Nesse sentido, as conclusões que os programas de pesquisa heterodoxos vêm obtendo em macroeconomia, principalmente com a retomada da abordagem clássica do excedente (Sraffa) e sua articulação com o arcabouço pós-keynesiano/kaleckiano, superando o poder explicativo da abordagem neoclássica, parecem fazer com que o mainstream econômico "desista da macroeconomia" em prol de uma microeconomia institucionalista baseada em experimentos quase naturais. O pior é que a ortodoxia vem reiteradamente tratando a macroeconomia como um campo do discurso. É certo que o discurso está repleto de aspectos políticos e ideológicos, mas isso não faz com que sua objetividade seja perdida.

Ao tratar a macroeconomia como um campo da economia suscetível ao discurso, Pessôa parte para a microeconomia institucional e alega que os resultados positivos do período "Palocci" (1994-2005) são frutos das reformas liberais. Novamente, vemos aqui os milagrosos efeitos das "defasagens eternas" dos tucanos. Daqui a 50 anos, o que estiver dando certo na economia será fruto das "reformas liberais dos anos 1990", e o que estiver dando errado será consequência de alguma mudança nesse arcabouço. Nisso, Pessôa não nega suas origens e se apresenta como uma das garças de alta plumagem mais aguerridas.

Em outra passagem, Pessôa tenta mostrar que as "mudanças" feitas em Lula 2 e Dilma 1 geraram uma situação de insustentabilidade que resultou na crise de 2015-2016. Ele não ponderou o fato de que houve uma expressiva mudança de agenda econômica entre Lula 2 e Dilma 1. Dilma já iniciou seu governo com um forte ajuste fiscal em 2011 e, depois, buscou implementar uma fracassada agenda de "aliança com o empresariado paulista". Ela apostou em PPPs em vez de investimentos públicos diretos (o setor privado não veio), apostou no Programa de Sustentação de Investimentos (PSI), que concedeu fortes subsídios ao setor privado, em vez de utilizar o poder do gasto público como componente da demanda agregada; adotou a contenção das tarifas de energia em um período de forte seca e, incrivelmente, acreditou que as estatais de energia controladas pelo PSDB iriam cooperar (CESP, COPEL e CEMIG), o que obviamente não ocorreu e criou um grande descasamento contratual no setor elétrico, com preços atingindo picos históricos e empresas eletrointensivas deixando de investir para utilizar suas infraestruturas elétricas na venda de energia. Sem contar a pedalada fiscal e a redução da taxa de juros via bancos públicos, que também encontraram seus limites devido às amarras jurídicas do orçamento federal e à frustração de receitas tributárias em decorrência do "ajuste fiscal rudimentar". A cereja do bolo foi a Operação Lava Jato, que travou toda a cadeia produtiva do setor de óleo e gás no Brasil. Enfim, sem considerar esses "detalhes", fica fácil afirmar que a crise de 2015-2016 foi culpa do Lula 2. Veja no gráfico G1 o comportamento do orçamento estrutural a partir de 2011.[1]

Para Pessôa, o que limita a economia brasileira a crescer mais é sua baixa poupança. Ele destaca que, quando fala em "baixa poupança", não está se referindo à poupança financeira (que resulta do financiamento via crédito, ou seja, que não exige economia prévia). Porém, ele não define claramente o conceito de poupança que utiliza. O que fica implícito é que se trata do conceito moral ou "técnico" de poupança como economia de recursos. Nesse contexto, a baixa poupança causaria taxas de juros elevadas, inviabilizando níveis mais altos de investimento. Assim, qualquer expansão do gasto acima do nível de equilíbrio geraria inflação, pois a economia estaria operando próxima do pleno emprego.

Nesse momento, Altman faz contra-argumentações utilizando os exemplos chinês e japonês. A China realiza elevados investimentos, ampliando sua capacidade produtiva, e o Japão apresenta um grande volume de dívida pública em relação ao PIB sem enfrentar problemas inflacionários ou restrições financeiras para o pagamento dessa dívida, uma vez que ambas as economias possuem dívidas denominadas em suas próprias moedas.
Pessôa então invoca, com uma nova roupagem, o velho mito da "dona de casa suábia", que economiza recursos para poder consumir posteriormente. Ele retoma esse mito a partir de um argumento culturalista, alegando que China e Japão investem muito porque "poupam muito".

Aqui cabe esclarecer algumas questões.

Na China, os investimentos em infraestrutura que impulsionam a economia são realizados por fundos de investimento municipais e provinciais, que captam recursos por meio de depósitos à vista ou da emissão de títulos junto aos cinco grandes bancos comerciais estatais chineses, os quais, por sua vez, estão vinculados ao mercado monetário chinês. Ou seja, quando um banco comercial chinês financia um fundo municipal ou provincial, ele cria moeda via crédito, pois os bancos não precisam recolher compulsório de imediato quando concedem empréstimos. Eles têm prazo para fazê-lo. Por outro lado, esses empréstimos acabam acessando as operações compromissadas (repos) do Banco Popular da China (PBoC).

Já o Japão, além de contar com a atuação do Banco do Japão (BoJ) na compra de títulos emitidos pelo Tesouro tanto no mercado primário quanto no secundário, também busca influenciar as taxas de juros de longo prazo por meio de compras periódicas, mesmo após o recente encerramento formal da política de Controle da Curva de Rendimentos. Ou seja, parte significativa da poupança japonesa deriva do próprio balanço do BoJ, e não exclusivamente da "economia dos lares". Além disso, as baixas taxas de juros japonesas faziam com que agentes tomassem empréstimos em ienes, convertessem-nos em dólares e investissem em títulos do Tesouro dos Estados Unidos, que ofereciam juros mais elevados. Novamente, a poupança japonesa emerge do crédito bancário e não da "economia dos lares".

Pessôa também argumenta que essa disponibilidade de "poupança" no Japão e, particularmente, na China permite fomentar investimentos capazes de elevar a produtividade. Ele reforça que investimentos em "capital humano" seriam a principal explicação para esses ganhos de produtividade.

A produtividade macroeconômica deriva da relação capital-produto, particularmente da composição do estoque de capital fixo em infraestrutura, máquinas e equipamentos. Esse estoque permite ao trabalho humano apropriar-se de fontes de energia e materiais que são aplicados em toda a economia, possibilitando a produção de um produto social suficiente para repor o estoque de capital, sustentar a força de trabalho e gerar excedente econômico. É a capacidade de apropriação de fontes de energia nos setores produtores e sua posterior aplicação nos setores consumidores que possibilita o aumento da força produtiva do trabalho. A educação afeta esse processo, mas de forma marginal. O acesso à energia e às matérias-primas por meio do estoque de capital fixo é o principal responsável por avanços significativos da produtividade. Observe, no gráfico da relação capital/produto, como, entre 1970 e 1983, essa relação aumentou, principalmente em razão dos investimentos em energia e infraestrutura realizados nos anos 1970. [2]

Pessôa também parte do princípio de que as medidas de PIB potencial utilizadas pelo mainstream econômico são razoáveis. Porém, conforme reproduzi em outros posts, essas medidas são, grosso modo, médias móveis que não guardam boa relação com a inflação. No gráfico de PIB potencial que apresento abaixo, é possível observar que o PIB potencial baseado na Lei de Okun, além de ser maior, apresenta comportamento mais realista. Por exemplo, durante a pandemia, nos períodos de lockdown, o PIB potencial calculado pela IFI apresentou uma redução relativamente modesta, enquanto a estimativa baseada na Lei de Okun mostrou uma queda bem mais pronunciada e plausível.

A baixa taxa de desocupação brasileira ainda não constitui uma limitação relevante ao PIB efetivo, pois há considerável subocupação por insuficiência de horas trabalhadas e força de trabalho potencial ainda disponível para ser incorporada ao mercado. Portanto, a previsão de que o PIB sofrerá severas limitações no próximo mandato, conforme argumenta Pessôa com base na baixa taxa de desocupação, não parece particularmente crível.

Há outros pontos a discutir, mas o vídeo já era muito longo, assim como este post.

0ESP




O risco de anulação do caso Master

O caso Master corre o risco de ser destruído não pela inexistência de crimes, mas pela guerra política instalada dentro do Supremo Tribunal Federal. As investigações estão divididas entre André Mendonça e Flávio Dino, hoje representantes de grupos antagônicos na Corte. Essa disputa pode contaminar procedimentos, provocar nulidades e permitir que Daniel Vorcaro e as autoridades supostamente beneficiadas por seus negócios escapem pela porta dos fundos do formalismo jurídico.

Os sinais são preocupantes. Dias Toffoli, primeiro relator do caso, deixou a função após a revelação de possíveis conflitos de interesse, mas decisões tomadas durante sua relatoria poderão ser questionadas. Agora, Edson Fachin suspendeu investigações conduzidas por Mendonça até que o STF resolva sua crise interna. Quanto mais o processo permanece paralisado e fragmentado, maior o risco de que erros processuais sejam posteriormente utilizados para invalidar tudo.

Foi essencialmente esse o roteiro que levou à chamada “descondenação” de Lula. As condenações não foram anuladas porque o STF declarou sua inocência, mas por decisões sobre competência territorial e imparcialidade judicial. Naquela ocasião, o mesmo movimento aconteceu de maneira menos ostensiva, construído nos bastidores dos gabinetes e por meio de uma sucessão de decisões processuais. O resultado político foi transformar condenados em vítimas, enfraquecer a Lava Jato e devolver ao poder personagens que haviam sido alcançados pelas investigações.

A consequência institucional foi ainda mais grave: a explosão da ousadia dos canalhas. Quando poderosos percebem que crimes, provas e confissões podem ser soterrados por nulidades produzidas pelo próprio sistema, o risco deixa de funcionar como freio. O caso Master não pode repetir esse roteiro. As investigações precisam ser imediatamente retomadas, preservadas tecnicamente e conduzidas até o fim. Caso contrário, o Brasil confirmará a pior de suas mensagens: para quem possui dinheiro, influência e acesso aos gabinetes certos, o processo não serve para fazer justiça — serve para fabricar impunidade.

sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Call Matinal

Call Matinal, by Julio Hegedus

1) Ontem, dia 17,
o Ibovespa subiu 0,24%, aos 185.992 pontos, e o dólar recuou a R$ 5,139, em sessão volátil. Nossa percepção é de que o reajuste de 15% do Bolsa Família derrubou a bolsa pela manhã e a virada veio com a Vale e o noticiário eleitoral.

2) Nesta sexta, dia 18, os mercados operam em alta, impulsionados pelos ganhos das ações de tecnologia e pela queda dos preços do petróleo, que ajuda a melhorar o sentimento dos investidores. Nesta madrugada, o BoJ encerrou a semana elevando os juros a 1,25%, maior nível em 31 anos, depois da alta do Fed e do corte do Copom.

3) No mercado global, o petróleo deu uma aliviada ao cair pelo segundo pregão, mas o Brent segue acima de US$ 100 e a tensão no estreito de Ormuz mantém vivo o principal risco para a inflação global.

4) No Brasil,
Lula partiu para uma ofensiva eleitoral em várias frentes, passando do reajuste do Bolsa Família até as canetas emagrecedoras e à crise do STF, antes de levar a campanha à ONU, na próxima terça-feira. O Datafolha, porém, mostra que a disputa com Flávio Bolsonaro segue tecnicamente empatada.

5) Qual impacto destas medidas populistas sobre as contas públicas?

6) No curto prazo, as apostas são mais favoráveis à novos cortes de gastos, mas a discussão para 2027 acaba se tornando o grande desafio. Necessidade de Caixa, de R$ 5,8 bi em 2026 e de R$ 22,7 bi anuais em 2027 e 2028.

Para abrir espaço, o governo terá que cortar R$ 22,7 bi do Orçamento de 2027 — parte deve vir da Previdência. A IFI (Instituição Fiscal Independente, órgão técnico do Congresso) calcula que, com receitas superestimadas, o orçamento de 2027 vai exigir contingenciamento de R$ 35,7 bi para cumprir a meta.

Vamos monitorando.

BDM Matinal Riscala

*Rosa Riscala: BoJ fecha supersemana e eleição esquenta*

… A semana dos bancos centrais termina com o BoJ elevando os juros ao maior nível em 31 anos, enquanto os mercados ainda digerem as decisões do Fed e do Copom e recalibram as apostas para a Selic. O petróleo deu algum alívio ao cair pelo segundo pregão, mas o Brent segue acima de US$ 100 e a tensão em Ormuz mantém vivo o principal risco para a inflação global. No Brasil, Lula partiu para uma ofensiva eleitoral em várias frentes, do reajuste do Bolsa Família às canetas emagrecedoras e à crise do STF, antes de levar a campanha à ONU, na próxima terça-feira. O Datafolha, porém, mostra que a disputa com Flávio Bolsonaro continua tecnicamente empatada.

BOJ ACELERA APERTO – Último dos bancos centrais a decidir sobre juros nesta semana, depois do BCE, Fed, BoE e Copom, o Banco do Japão elevou nesta madrugada sua taxa em 25pbs, de 1% para 1,25%, no segundo aumento em apenas três meses.

… A decisão ocorre depois da rara intervenção conjunta de Japão e Estados Unidos para sustentar o iene no fim de julho e de uma pressão incomum de Washington para que o BoJ acelerasse o aperto monetário.

… O secretário do Tesouro, Scott Bessent, vinha cobrando publicamente juros mais altos e chegou a defender medidas “decisivas” para conter a fraqueza do iene. Após a alta do Fed, a diferença entre as taxas dos dois países continua pressionando a moeda japonesa.




… A alta para 1,25% era amplamente esperada e agora a dúvida é se o movimento representa uma aceleração do ciclo ou apenas uma antecipação pontual diante do aumento das pressões inflacionárias. Por isso, são importantes os comentários de Kazuo Ueda.




… Estrategistas do Citi, Wells Fargo e ING veem risco de enfraquecimento do iene se o presidente do BoJ não sinalizar novos aumentos em ritmo mais rápido. Mais de 90% dos analistas consultados pela Bloomberg esperam outra alta do juro japonês até janeiro.




… Antes da decisão, a moeda japonesa rondava 156 por dólar. Citi e ING veem espaço para 157/159 se a comunicação não convencer.




PETRÓLEO RESPIRA – O petróleo caiu pelo segundo pregão seguido, com sinais de avanço diplomático no Oriente Médio reduzindo parte da pressão sobre a oferta. O Brent para novembro recuou 0,95%, a US$ 104,82, e o WTI perdeu 0,51%, a US$ 101,91.




… A China pediu reservadamente ao Irã que use sua influência para conter os houthis, após um apelo da Arábia Saudita a Pequim.




… Riad busca apoio depois que a milícia avançou pela costa do Mar Vermelho e nas proximidades do Estreito de Bab al-Mandab, elevando os riscos para as exportações sauditas. Também ajudou o aumento do fluxo de petróleo da Arábia Saudita via Omã.




… Ainda assim, o mercado físico permanece apertado e o tráfego de petroleiros pelo Estreito de Ormuz continua caindo.




… Depois do fechamento, a UKMTO relatou um novo incidente de segurança em Ormuz, perto de Omã. A tripulação está bem e as autoridades investigam o caso, ainda sem informações sobre as circunstâncias. A tensão também permanece elevada.




… Trump disse estar perto de decidir se retoma ataques em grande escala contra o Irã, enquanto Benjamin Netanyahu afirmou no lançamento de sua campanha eleitoral que Israel deve “concluir a missão” e derrubar o regime iraniano.




… Mesmo após as últimas quedas, o Brent continua acima de US$ 100 e acumula alta de quase 14% no mês e de mais de 70% no ano, mas o recuo dos últimos dois pregões ajudou a aliviar a pressão sobre os mercados e as expectativas para os juros (leia mais abaixo).




MERCADO AJUSTA SELIC – Passada a Superquarta, o mercado refez as contas para a Selic e a maioria agora espera mais um corte de 25pbs em novembro, para 13,50%. No Broadcast, 20 de 36 instituições apostam em nova redução, enquanto 15 esperam manutenção em 13,75%.




… A mediana para novembro e dezembro caiu de 13,75% para 13,50%, refletindo principalmente a percepção de que o Copom ganhou confiança na desaceleração da atividade e deixou a porta aberta para continuar o ciclo.




… Mas a divisão permanece grande. O PicPay vê apenas mais um corte, para 13,50%, enquanto a Porto Asset projeta duas reduções e Selic de 13,25% em dezembro. O Itaú, na outra ponta, espera pausa em 13,75% até o fim do ano.




… Petróleo, câmbio, expectativas de inflação e eleições estão entre os principais riscos.




… Na terça-feira, a ata do Copom será importante para esclarecer até que ponto aumentou a confiança do Banco Central na desaceleração da economia e no comportamento da inflação.




… Se no curto prazo as apostas ficaram mais favoráveis a novos cortes, a discussão para 2027 é mais difícil.




… A mediana para a Selic no fim do próximo ano subiu de 12% para 12,38%. O Barclays estima 12% e avalia que o espaço para uma queda sustentável dos juros dependerá menos de quem vencer as eleições e mais da qualidade do plano fiscal apresentado pelo próximo governo.




… Pelas contas do banco, estabilizar a dívida exigiria superávits primários de pelo menos 2% do PIB nos próximos anos. Partindo de um déficit estimado em 0,5% neste ano, o ajuste necessário superaria 2,5 pontos do PIB, ou cerca de R$ 350 bilhões.




… Para o Barclays, os primeiros passos do próximo governo serão decisivos para construir credibilidade, mesmo que o ajuste completo não possa ser feito de imediato. Sem uma sinalização convincente, o risco é de juros altos por mais tempo.




TIROU DA CARTOLA – O reajuste de 15% do Bolsa Família virou, em poucas horas, uma das principais armas da campanha eleitoral e abriu uma nova frente de discussão fiscal. A 17 dias do primeiro turno, o piso do benefício passa de R$ 600 para R$ 691 e o valor médio, para R$ 777.




… O impacto estimado pelo governo é de R$ 5,8 bilhões neste ano e R$ 22,7 bilhões em 2027 e 2028. A equipe econômica afirma que a despesa será acomodada sem ampliar o limite global de gastos e sem comprometer as metas fiscais.




… O remanejamento virá no Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias, que será divulgado na próxima quinta-feira, dia 24.




… O Planejamento pretende usar, entre outras fontes, uma revisão para baixo das despesas da Previdência. A IFI contesta a conta e afirma que esses gastos já estão subestimados no Orçamento de 2027, projetando impacto de R$ 24 bilhões com o reajuste.




… A Warren faz uma leitura menos negativa. Avalia que os R$ 5,8 bilhões podem ser acomodados neste ano e que a correção respeita a LRF, mas calcula impacto de R$ 23,2 bilhões em 2027 e diz que o PLOA terá de ser corrigido, tornando mais difícil o cumprimento da meta fiscal.




… A controvérsia rapidamente chegou à Justiça Eleitoral. André Mendonça rejeitou ontem ação do deputado Zé Trovão contra o reajuste por falta de legitimidade para questionar a eleição presidencial e não analisou o mérito da medida. Outros partidos e candidatos avaliam recorrer.




… O episódio ganhou ainda um ingrediente incômodo para o governo: em 2022, a campanha de Lula pediu ao TSE a inelegibilidade de Jair Bolsonaro por medidas adotadas no Auxílio Brasil, argumentando que o programa havia sido usado como “instrumento político-eleitoral”.




… Em corner, Flávio Bolsonaro mostrou a delicadeza do tema para a oposição. Chamou os 15% de “merreca” e “migalha”, acusou Lula de tentar comprar votos e, ao mesmo tempo, prometeu manter o reajuste caso seja eleito – e “fazer muito mais”.




… Nos mercados, o anúncio provocou forte reação pela manhã, antes de o movimento perder força ao longo do pregão (leia mais abaixo).




E AINDA TEM CANETA DE GRAÇA – Depois do Bolsa Família, Lula ainda prometeu ontem distribuir canetas emagrecedoras para pacientes com obesidade que estão na fila do SUS. O presidente não disse quando a medida começará nem se será implantada ainda neste mandato.




… Mas foi na crise do STF que Lula mudou claramente o tom. Depois de evitar se envolver na disputa que envolve Alexandre de Moraes e André Mendonça, o presidente acusou Mendonça de usar o cargo para “fazer política” e fazer divulgações seletivas no caso Master.




… Pela primeira vez, também defendeu publicamente que as ações envolvendo Moraes e Mendonça sejam analisadas conjuntamente.




… Disse que, se Moraes tiver cometido irregularidades, “terá que pagar”, mas voltou a associar os ataques do bolsonarismo ao ministro à sua atuação nas eleições de 2022. Lula ainda deixou claro que pretende levar o caso Master para a campanha.




… Disse que vai explorar as ligações de Flávio com Vorcaro e que o candidato está “atolado até o pescoço” nas “falcatruas” envolvendo o banco.




… Lula sugeriu ainda, sem apresentar provas, que recursos buscados junto a Daniel Vorcaro para financiar o filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro, possam ter sido usados para sustentar Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.




… No STF, Edson Fachin cancelou a sessão agendada para a próxima quarta-feira que analisaria a atuação de André Mendonça nas relatorias dos casos envolvendo o Banco Master e as fraudes do INSS. A nova data não foi informada.




LULA NA ONU – A campanha do presidente terá na próxima semana mais uma vitrine importante. A 12 dias do primeiro turno, Lula abrirá na terça-feira, 22, a Assembleia Geral da ONU, em Nova York, e deve aproveitar o discurso para mandar recados ao eleitor brasileiro.




… Soberania e defesa da democracia, duas bandeiras exploradas por ele na campanha, estarão entre os principais temas. O presidente deve ainda fazer contrapontos indiretos a Donald Trump, sem citá-lo nominalmente, e defender as instituições e o processo eleitoral brasileiro.




… O combate ao crime organizado também ganhará mais espaço do que no discurso do ano passado, numa resposta às críticas feitas pelo governo americano nesta semana. Guerras, clima, comércio e tarifas completam a pauta.




… Lula embarca no domingo e ficará pouco tempo nos Estados Unidos, retornando ao Brasil já na terça-feira. Não há encontro formal marcado com Trump, mas assessores veem espaço para uma conversa e consideram certo ao menos um cumprimento nos bastidores da ONU.




… Na segunda-feira, Lula deve se reunir com o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, a convite do democrata.




SEGUE O EMPATE – Divulgada após o fechamento do mercado, o novo Datafolha manteve Lula e Flávio Bolsonaro tecnicamente empatados. No segundo turno nada mudou. Lula continua com 46% e Flávio, 44%, os mesmos porcentuais da semana passada.




… A rejeição dos dois também é idêntica e bastante elevada, em 47%.




… Na estimulada, Lula permaneceu com 39%, enquanto Flávio oscilou de 35% para 36%. Já na espontânea, Lula avançou de 33% para 35% e Flávio oscilou de 25% para 26%, enquanto o número de indecisos caiu de 23% para 21%.




… A avaliação negativa do governo permaneceu em 42%, enquanto a positiva oscilou de 32% para 34%.




… O levantamento foi o primeiro realizado após a sessão do STF desta semana, que para muitos analistas políticos teria prejudicado Lula por sua proximidade com Alexandre de Moraes, e antes do anúncio do reajuste de 15% do Bolsa Família.




… Entre beneficiários do programa, Lula tem 53% no primeiro turno, contra 28% de Flávio. Num eventual segundo turno, são 60% para Lula e 33% para Flávio – o que abre a possibilidade de o presidente aumentar os votos entre as famílias que recebem o Bolsa Família.




MASTER CHEGA A GILMAR – A crise do Banco Master ganhou mais um capítulo envolvendo o STF.




… Reportagem do Estadão de hoje revela que o ex-senador Chiquinho Feitosa, então cunhado de Gilmar Mendes, foi contratado por R$ 500 mil mensais por uma empresa de Daniel Vorcaro e tratou com o banqueiro de processos que estavam na Corte.







… Mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Vorcaro mostram Chiquinho tratando de dois casos que tiveram participação de Gilmar. Em ambos, porém, o ministro votou contra os interesses do Master.




… Num dos episódios, Chiquinho atuou para viabilizar uma reunião de advogados ligados a interesses do banco com Gilmar. O jornal apurou que o encontro ocorreu. Depois, o ex-senador relatou a Vorcaro que a conversa de um dos advogados com o ministro havia sido “perfeita”.




… O outro processo era de relatoria de Gilmar e discutia regras para abertura de cursos de medicina, tema de interesse do Master, que financiava uma universidade. O ministro votou pela manutenção da legislação em vigor, posição contrária ao interesse de Vorcaro.




… Chiquinho inicialmente negou ter trabalhado para empresa de Vorcaro, mas, confrontado pela reportagem, reconheceu um contrato de consultoria com a Super Empreendimentos por “um curto período”. Negou, porém, ter intermediado encontros com Gilmar.




AGENDA – Depois da decisão do BoJ na madrugada, a sexta-feira tem agenda esvaziada.




… No Brasil, a FGV divulga às 8h a segunda prévia do IGP-M de setembro. Às 18h, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, participa do Fórum CEO Brasil, na Bahia. O Boletim Macrofiscal de setembro, inicialmente previsto para hoje, foi adiado pela Fazenda para terça-feira, dia 22.




… No câmbio, BC anunciou para hoje, às 10h30, dois leilões simultâneos de linha (venda de dólares com compromisso de recompra) de no máximo US$ 1,0 bilhão a ser distribuído, a critério do BC, entre as duas operações.




… Nos Estados Unidos, a produção industrial de agosto sai às 10h15, com previsão de alta de 0,3%, após avanço de 0,2% em julho.




… A agenda americana tem ainda falas de dois dirigentes do Fed: Michelle Bowman (10h30) e Jeff Schmid (12h45).




… De madrugada, Alemanha divulgou o PPI de agosto e Reino Unido, as vendas no varejo em agosto.




BAIXOU A ADRENALINA – Foi visível o susto inicial dos mercados com o anúncio do reajuste do Bolsa Família, faltando agora só 16 dias para o primeiro turno. Mas o estresse durou pouco e já à tarde os negócios melhoraram.




… Apesar de a iniciativa do governo Lula explicitar o uso eleitoreiro do programa, o investidor filtrou os riscos.




… O pacote de bondades acabou ofuscado pela aposta em maior chance de vitória da oposição nas eleições de outubro, com as pesquisas agora sob os efeitos da crise do STF, que podem trazer prejuízos à campanha petista.




… Outro fator importante que ajudou o mercado doméstico a se proteger da surpresa do Bolsa Família foi o quadro externo favorável ao risco, com alívio do petróleo, dos juros dos Treasuries, impulso das techs e confiança em Warsh.




… Os ativos aqui operaram em dois tempos. Num primeiro momento, o Ibovespa caiu mais de 1%, o dólar encostou em R$ 5,18 e os juros futuros abriram, embora nem todo o movimento no DI estivesse associado ao Bolsa Família.




… O que se viu foi a curva tentando forçar alguma pressão antes do leilão de pré-fixados do Tesouro. Acomodado este nervosismo inicial, o humor logo virou na segunda metade do pregão no DI, no dólar e na bolsa.




… No fechamento, o DI para Jan/27 caía a 13,555% (de 13,588% no ajuste anterior); Jan/28 recuava a 13,605% (de 13,681%); Jan/29, a 13,820% (de 13,903%); Jan/31, a 14,040% (de 14,116%); e Jan/33, a 14,165% (de 14,232%).




… Em relatório, o Barclays aponta que a renda fixa e câmbio podem entrar em um “ciclo virtuoso” caso Flávio vença.




… Ao analisar o comportamento em eleições anteriores no Brasil e outros emergentes, a estrategista para AL do banco, Andrea Kiguel, estima que o mercado pode precificar Selic de 10,50% no ano que vem (contra 13,75% hoje).




… Além da questão fiscal e inflacionária, o enfraquecimento da atividade doméstica pode jogar a favor de uma continuidade do ciclo de queda dos juros. Para a Capital Economics, o boom de crescimento do Brasil atingiu o pico.




… A consultoria estima que o PIB vai desacelerar forte, de cerca de 2% este ano para a metade disso em 2027, abaixo do consenso de 1,45% do boletim Focus, diante do esgotamento do período de superaquecimento.




… Diferente do que seria naturalmente esperado para um ano eleitoral, o economista-chefe da XP Investimentos, Caio Megale, disse em evento nesta quinta-feira que não têm sido observados movimentos mais bruscos do real.




… “Aqui [o câmbio] é aquela rocha: dá uma pioradinha, vai para R$ 5,20; dá uma melhoradinha, vai um pouco abaixo de R$ 5,10. Bem firme”, constata, mesmo com o Fed elevando os juros e não descartando levar o ciclo mais longe.




THE ROCK – Imune às pressões, o dólar fechou ontem abaixo de R$ 5,15, em leve baixa de 0,23%, a R$ 5,1393, após ter subido mais cedo até R$ 5,1768, na máxima intraday que coincidiu com o anúncio de reajuste do Bolsa Família.




… Nada parece abalar mais seriamente o câmbio, nem mesmo a perspectiva de que o diferencial de juros se torne mais estreito, diante da chance de um Fed mais conservador e de um Copom eventualmente mais flexível.




… O real poderia ter caído junto com o petróleo ontem, mas manteve o sangue-frio e o foco no trade eleitoral.




… Termômetro da liquidez do câmbio, foi observada ontem uma piora no dólar casado, que é medido pela diferença em pontos entre o dólar futuro e o dólar à vista, o que levou o BC a anunciar leilão de linha para esta sexta-feira.




… Setembro é marcado por uma saída de capital do país por conta de fim de trimestre. No Valor, operadores dizem que, devido à cautela pré-eleições, esse montante pode ter aumentado, o que estaria exigindo intervenções do BC.




… Só neste mês, a autoridade monetária já realizou duas vezes o chamado “casadão”, a venda de dólares no mercado à vista conjugada com a compra no mercado futuro via swap reverso, no total de US$ 1 bilhão cada.




… Como o câmbio, também o Ibovespa relativizou ontem ao longo do pregão o desconforto com a chance de o reajuste do Bolsa Família puxar votos para a reeleição de Lula. À tarde, a bolsa já virava para o terreno positivo.




… O índice à vista fechou em alta de 0,24%, aos 185.992,03 pontos, com giro de R$ 18,6 bilhões.




… Os papéis dos bancos chegaram a acusar a cautela com o Bolsa Família, mas reduziram o mal-estar. Bradesco PN caiu pouco (-0,33%), a R$ 18,15, e Itaú fechou estável (-0,09%), a R$ 42,58. BB registrou alta de 0,31% (R$ 22,78).




… Santander unit escalou 2,52% (R$ 30,53), segunda maior alta do Ibovespa, e BTG unit avançou 0,51%, a R$ 61,14.




… Após duas sessões de fortes baixas, Vale recobrou o ânimo e subiu 2,07% (R$ 74,51), bem melhor que o minério (+0,28%). Petrobras oscilou pouco, apesar da queda do petróleo: ON, +0,32%, a R$ 54,00; e PN, -0,08%, a R$ 48,61.




REPUTAÇÃO EM DIA – Gostar, as bolsas não gostam quando as taxas dos juros sobem. Mas, no day after do Fed, Nova York julgou ser melhor que Kevin Warsh pregue intolerância contra a inflação do que fique atrás da curva.




… Sentindo firmeza na credibilidade da política monetária, o rendimento da Note de dez anos devolveu a marca dos 5% e voltou para 4,929% (contra 5,015% na véspera), aproveitando também que o petróleo deu uma trégua.




… Análise no Valor aponta que o Fed hawkish não necessariamente significa o fim da alta das ações americanas.




… O histórico dos ciclos anteriores mostra que o S&P 500 costuma enfrentar turbulência no início do aperto monetário, mas pode recuperar terreno nos meses seguintes. O risco maior hoje se concentra nos Treasuries.




… As bolsas americanas atualmente estão olhando menos para o Fed em si e mais especificamente para o risco de o rendimento dos Treasuries de dez anos continuar orbitando perigosamente em torno do patamar dos 5%.




… Como as taxas da curva mostraram alívio ontem, Wall Street se sentiu à vontade para parar de cair depois de três pregões, aproveitando ainda o recuo do petróleo, a retomada de confiança em Warsh e o suporte das techs.




… Colocando em segundo planos os recentes alertas de que os robôs podem dominar o mundo, AMD saltou 6,36% e Intel, +7,67%. Nvidia ganhou 2,54% após o CEO, Jensen Huang, projetar o dobro das vendas de chips em 2027.




… O Nasdaq disparou 1,69%, aos 26.418,30 pontos, refletindo a valorização do setor de tecnologia (+2,20%). O Dow Jones encerrou em alta de 0,61%, aos 51.778,18 pontos; e o S&P 500 ganhou 1,14%, aos 7.637,73 pontos.




… No câmbio, horas antes de o BC japonês dar seu passo conservador, o iene subiu 0,17%, para 155,97 por dólar. Já a libra caiu 0,19%, a US$ 1,3359, após o BC inglês ter mantido o juro em 3,75% e desacelerado o aperto quantitativo.




… O euro subiu 0,11%, para US$ 1,1482, e o índice DXY fechou no zero a zero (-0,01%), a 100,248 pontos.




CIAS ABERTAS NO AFTER – B3 pagará R$ 1,13 bilhão em JCP, incluindo R$ 750 milhões extraordinários. Pagamento será em 7/10, com ações “ex” em 23/9.




ITAÚ recomprará R$ 11 bilhões em letras financeiras subordinadas emitidas em 2021. Operação terá impacto estimado de 0,7 ponto porcentual no índice de capital nível 2.




BANCO DIGIMAIS, de Edir Macedo, teve prejuízo líquido de R$ 581,406 milhões no primeiro semestre, segundo dados do BC; índice de Basileia ficou negativo em 4,62%.




LOJAS RENNER pagará R$ 227,5 milhões em JCP, equivalentes a R$ 0,24066 por ação. Pagamento será em 14/10, com papéis “ex” em 23/9.




ASSAÍ comprará por até R$ 80 milhões 18 postos de combustíveis já instalados em lojas da rede em São Paulo. Companhia vê potencial para superar 100 postos no longo prazo.




CASAS BAHIA. Debenturistas aprovaram vencimento antecipado de títulos após pedido de recuperação judicial, mas companhia contesta o direito com base em decisão judicial vigente.




IMC negocia fusão de seus negócios de restaurantes com a Vinci Compass, dona de Outback, Abbraccio e Aussie no Brasil, segundo fontes do Valor.




EZTEC fechou contrato para locação integral do Esther Towers ao Itaú, por dez anos. Empreendimento tem 91,4 mil metros quadrados e deve gerar receita de R$ 1,17 bilhão no período.




AXIA desenvolveu com o Cepel ferramenta para estimar emissões de carbono de ativos de geração e transmissão e apoiar a meta de redução de até 97% das emissões até 2030.




CEMIG pagará R$ 200 milhões em JCP, equivalentes a R$ 0,06991 por ação. Papéis ficam “ex” em 23/9 e pagamento será feito até dezembro de 2027.




COPEL pediu cancelamento da listagem das ações no Latibex, da Bolsa de Madri, citando baixo volume de negociação e custos de manutenção.




BRAVA ENERGIA confirmou fim da venda de 11 concessões na Bacia Potiguar à Azevedo & Travassos e Petro-Victory, após condições para fechamento não serem cumpridas no prazo.




OCEANPACT. Após incorporação da CBO, Pátria e Vinci passaram a deter 21,85% do capital cada, enquanto BNDESPar ficou com 10,92% e Flávio Nogueira de Andrade, com 13,03%.




TIM cancelará 13,2 milhões de ações mantidas em tesouraria após programa de recompra, sem alteração do capital.




IRANI aprovou plano de incentivo de longo prazo para executivos, com uso de ações em tesouraria e sem diluição dos acionistas. Programa ainda depende de aprovação em assembleia.

Bankinter Matinal Portugal

 Análise Bankinter Portugal 


NY +1,1% US tech +1,7% US Semis +3,1% UE +0,9% Espanha +1,0% VIX 15,4% Bund 3,48%. T-Note 4,95%. Spread 2A-10A USA=+26pb B10A: ESP 3,95% PT 3,84% ITA 4,34% FRA 4,44% Euribor 12m 3,35%. USD 1,148 JPY 179,2/€. Ouro 4.346$. Brent 104,8$. WTI 101,1$. Bitcoin +0,3% (76.440$). Ether +1,2% (2.447$).

:: SESSÃO ligeiramente em alta, mantendo o bom tom de ontem graças a um pouco menos de tensão geopolítica e superadas as reuniões dos bancos centrais sem surpresas. Hoje não há grandes referências na frente convencional, o petróleo modera-se -1,3% e as obrigações amanhecem estáveis.

Esta madrugada, o BoJ (Japão) subiu taxas de juros em +25 p.b. até 1,25%, como se esperava, para tratar de conter o avanço da inflação e controlar os níveis da divisa. Contudo, a decisão não foi unânime (2 membros votaram contra) e isso faz com que o yen tenha reagido com quedas (157,1 $/Y).

Se a geopolítica o permitir, o resto das referências do dia não deverão ter peso suficiente para mudar a direção do mercado: (i) intervenção de Lagarde às 11:30 h, após a reunião do ECOFIN, que não deverá acrescentar grandes novidades, e (ii) Produção Industrial nos EUA, às 14:15 h, em princípio, continuísta.

:: CONCLUSÃO: Sem grandes incentivos e superados sem surpresas os eventos importantes da semana, a sessão deverá manter o bom tom que vimos ontem. Assim o refletem as bolsas asiáticas (China: +1,0%; Japão: +1,4%: Coreia: +2,5%) e os futuros nos EUA (+0,3%) embora a Europa corrija ligeiramente (-0,2%).

Escandalo na TURQUIA

* _TURQUIA NEGA RISCO ESTRUTURAL APÓS ESCÂNDALO EM FUNDOS DE INVESTIMENTO E LIQUIDAÇÃO FORÇADA EM ISTAMBUL_*

• *Bolha Especulativa e Intervenção Estatal:* O governo da Turquia declarou que não existe risco "fundamental ou estrutural" para a Bolsa de Istambul (BIST 100) após a revelação de um escândalo em gestoras do país. As autoridades congelaram negócios de fundos operados por sete gestoras e ordenaram a liquidação forçada de 130 fundos de investimento para conter os desdobramentos de uma bolha especulativa. O índice BIST 100 recuou 8% no acumulado de terça e quarta-feira, mas registrou alta de 3% nesta quinta-feira (17/09).




• *Inadimplência de Resgates e Prisão de Diretores:* A crise eclodiu quando a principal gestora de fundos de Istambul, Pusula Portföy, informou a incapacidade de honrar os pagamentos de resgate no prazo regulamentar. O anúncio desencadeou investigações policiais que culminaram na prisão de diversos diretores de grandes fundos locais.




• *Concentração de Ativos e Diagnóstico Oficial:* De acordo com reportagem do *Financial Times*, a crise decorre da atuação de um grupo de fundos que, nos últimos dois anos, montou posições altamente concentradas em empresas com baixa liquidez e restrito *free float*. O Comitê de Estabilidade Financeira do Ministério do Tesouro e Finanças turco afirmou que se trata de um problema "temporário, gerenciável e restrito a problemas de crédito e liquidez" de gestoras específicas.




• *Risco Político e Manobra Eleitoral de Erdogan:* A turbulência no mercado financeiro ocorre em momento de incerteza política no país. O presidente Recep Tayyip Erdogan articula a antecipação das eleições para contornar o limite constitucional de mandatos, uma vez que, reeleito em 2014, estaria impedido de concorrer novamente caso cumpra o mandato integral até maio de 2028.

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

CALL MATINAL

17/09/2026

Julio Hegedus Netto, economista


O Ibovespa fechou ontem, 16, em baixa de 0,51%, aos 185.547,66 pontos, com giro de R$ 21,8 bilhões. Já o dólar à vista fechou praticamente estável, em leve baixa de 0,07%, cotado a R$ 5,1514, mesmo com o comunicado de que o Copom não descarta um ciclo estendido de corte da Selic.

Principais índices de bolsa operam em alta nesta quinta-feira (17), enquanto os preços do petróleo recuam, aumentando as esperanças de que a inflação possa ser mantida sob controle depois que o Fed elevou as taxas de juros e sinalizou um maior aperto monetário no futuro.


Passada a “superquarta”, passamos a acompanhar as eleições e os vários imbroglios pendentes no STF depois daquele lamentável dia de plenária para enquadrar o ministro Alexandre de Moraes. Incrível que o cidadão usou e abusou da traficância com o banqueiro playboy Daniel Vorcaro, é suspeito, quase réu, e no fim, numa inversão vergonhosa, os culpados passaram a ser Edson Fachin e André Mendonça. Tem que expulsar todos e refazer tudo.


No mercado, os debates giram em torno dos próximos passos no ciclo de cortes, ou não, do BCB. O Copom reduziu os juros para 13,75% e reconheceu sinais mais claros de melhora da inflação e desaceleração da atividade, dividindo as apostas entre pausa e novas reduções. Nos EUA, o movimento foi inverso: o Fed elevou os juros e endureceu o tom, ampliando as expectativas de novos apertos. A guerra e o petróleo acima de US$ 100 seguem como risco comum, enquanto a maratona de decisões dos bancos centrais continua hoje com o BoE e amanhã com o BoJ. O Banco de Inglaterra (BoE) anunciará hoje a sua decisão de política monetária e é provável que mantenha taxas de juros em 3,75% . A última será a reunião do Banco do Japão, prevista para amanhã, na qual provavelmente teremos uma subida de +25 p.b. até 1,25%.

Carta ao jovem docente

Andrei C. Sposito, professor da Faculdade de Ciências Médicas da UnicampHá uma percepção sobre a docência que talvez somente o tempo seja capaz de ensinar. No início da vida acadêmica, tendemos a medir nosso trabalho pela escala imediata: a aula ministrada, a disciplina concluída, o aluno orientado, o artigo publicado, o projeto realizado. São referências necessárias e, durante muitos anos, parecem constituir a medida natural da atividade universitária. Mais tarde, entretanto, a perspectiva se amplia. Começamos a perceber que os resultados mais importantes do que fazemos talvez não pertençam ao nosso tempo.

A verdadeira unidade temporal da docência não é o semestre, nem o curso. É a geração.

O professor trabalha no presente com pessoas que atuarão em um futuro que ele conhece apenas parcialmente. Forma médicos que cuidarão de milhares de pacientes, pesquisadores que formularão perguntas ainda inexistentes, professores que ensinarão estudantes que provavelmente jamais conheceremos. Nesse sentido, ensinar é participar de uma cadeia intergeracional que nos antecede e continuará depois de nós. Recebemos de nossos mestres um patrimônio intelectual e humano, acrescentamos a ele aquilo que conseguimos construir e o confiamos à geração seguinte. Essa perspectiva confere à docência uma dimensão muito maior que a transmissão do conhecimento.

Talvez por isso, à medida que os anos passam, também mude nossa compreensão sobre o que significa ser professor. O conteúdo permanece indispensável, assim como o rigor científico e a competência técnica. Mas percebemos progressivamente que parte substancial daquilo que deixamos em nossos discípulos não pode ser registrada em um currículo.

É o que poderia ser chamado de legado invisível.

Ele está certamente na forma como um antigo aluno conduz uma pesquisa, trata um paciente ou orienta uma nova geração. Mas acredito que exista nele outra dimensão, igualmente importante: a construção de um espaço de confiança. O verdadeiro mestre pode tornar-se, ao longo da vida de seus discípulos, uma espécie de porto seguro intelectual e afetivo – alguém a quem se pode retornar para discutir uma dúvida, compartilhar um fracasso, confrontar uma ideia ou simplesmente reencontrar a segurança necessária para seguir adiante.

Esse porto seguro, entretanto, não deve aprisionar. Sua finalidade é justamente permitir a partida.

Talvez esteja aí um dos maiores desafios da formação acadêmica: construir confiança sem produzir dependência; oferecer acolhimento sem reduzir a exigência; conceder autonomia sem abdicar da responsabilidade. Confiança, autonomia e a capacidade de responder pelas próprias escolhas e decisões precisam amadurecer juntas. A confiança não diminui a exigência; ela lhe dá sentido. O mestre não forma seguidores. Forma pessoas capazes de pensar por si mesmas e, idealmente, de ir além dele.

Essa relação torna-se particularmente importante diante do erro.

Na universidade, aprendemos certamente com os acertos, mas talvez sejamos formados ainda mais profundamente pela maneira como nossos mestres lidam com os erros – inclusive com os próprios. A ciência é construída por hipóteses que fracassam, experimentos que não confirmam nossas expectativas, interpretações que precisam ser revistas e caminhos que terminam onde não imaginávamos. O insucesso científico e técnico não constitui uma anormalidade da vida acadêmica. É parte dela.

Um ambiente no qual o erro possa ser reconhecido, discutido e corrigido sem humilhação, mas também sem complacência, é essencial para a formação científica. O estudante precisa aprender que reconhecer um erro não diminui sua dignidade e que modificar uma conclusão diante de novas evidências não representa fraqueza, mas maturidade intelectual. Talvez essa seja também uma das proteções mais importantes contra a fraude e as más práticas científicas: construir uma cultura na qual não seja necessário esconder o fracasso para preservar a própria identidade acadêmica.

Por isso, acima de hierarquias, disciplinas, departamentos ou gerações, a verdade precisa ser o elo de união da comunidade universitária.

Não a verdade como propriedade de alguém ou como coleção de certezas definitivas. Ao contrário, a verdade como compromisso comum de procurá-la; como disposição para submeter nossas convicções à evidência, ao contraditório e à possibilidade de revisão. A Universidade descrita nestas páginas não existe porque detém a verdade, mas porque preserva as condições para continuar buscando-a. Sua grandeza está também em ensinar cada geração a formular perguntas melhores.

E talvez poucas tarefas intelectuais sejam tão prazerosas quanto gerar uma boa pergunta.

O ambiente universitário alcança uma de suas expressões mais ricas quando a segurança para pensar permite que a curiosidade floresça. Quando não precisamos gastar nossa energia protegendo posições, ocultando dúvidas ou evitando o erro, podemos utilizá-la para aquilo que verdadeiramente impulsiona a vida intelectual: descobrir novos horizontes, construir novas leituras sobre o mundo sob nossos pés e formular perguntas que antes não sabíamos fazer. O diálogo entre inteligências livres, no rigor e humildade intelectual, é fundamental para que o conhecimento amadureça.

Com o passar dos anos, essa experiência também modifica a maneira como avaliamos nossa própria trajetória.

Publicações, descobertas, títulos e reconhecimento acadêmico importam. Representam parte objetiva daquilo que construímos. Mas gradualmente dividem espaço com outra medida, menos quantificável: aquilo que aconteceu com as pessoas que ajudamos a formar.

O sucesso de um discípulo passa a produzir uma satisfação diferente daquela proporcionada pelo sucesso individual. O afeto acumulado ao longo de décadas adquire um significado que dificilmente poderia ser antecipado no início da carreira. E começamos a compreender que uma parte essencial da nossa produção acadêmica jamais estará registrada em qualquer base bibliométrica. Estará incorporada à maneira como outras pessoas pensam, trabalham, ensinam e se relacionam.
Há nisso uma forma peculiar de permanência.

Não se trata da pretensão de ser lembrado. Talvez seja algo mais interessante: continuar participando da tarefa de pensar quando outros já estiverem pensando sem nós. Uma pergunta que ensinamos alguém a fazer pode gerar outra pergunta; uma atitude diante da dúvida pode ser reproduzida diante de novos alunos; uma maneira de enfrentar o erro pode tornar-se parte da cultura de outro laboratório; um gesto de generosidade recebido pode reaparecer, décadas depois, oferecido por nosso discípulo a alguém que jamais conheceremos. É dessa maneira silenciosa que a influência de um mestre atravessa gerações.

Essa reflexão torna-se particularmente atual diante das transformações tecnológicas que estamos vivendo.

A inteligência artificial provavelmente tornará obsoletas algumas funções tradicionalmente atribuídas ao professor. A simples transmissão de informações já deixou de ser uma prerrogativa humana. O acesso ao conhecimento, sua organização e mesmo sua elaboração tornam-se progressivamente mediados por sistemas de extraordinária capacidade.

Isso, porém, não reduz necessariamente a importância do mestre. Pode fazer exatamente o contrário.

Quanto mais abundante se torna a informação, mais importante se torna aprender a julgá-la. Quanto maior nossa capacidade tecnológica, maior a responsabilidade pelas escolhas que fazemos com ela. Informação não é compreensão; compreensão não é sabedoria; e nenhuma delas, isoladamente, garante responsabilidade. A formação humana exige integrar conhecimento, pensamento crítico, sensibilidade, discernimento ético e compromisso com a sociedade.

Talvez, portanto, a tecnologia torne algumas funções do professor dispensáveis justamente para revelar com maior clareza aquilo que nele é insubstituível.

Ao final de uma longa trajetória, um mestre provavelmente permanecerá cada vez menos pelos conteúdos específicos que transmitiu. Muitos terão sido corrigidos, atualizados ou substituídos. Permanecerá pela maneira como ensinou seus discípulos a pensar. Pela liberdade que lhes concedeu. Pela responsabilidade que deles exigiu. Pela maneira como enfrentou seus próprios erros. Pelo respeito à verdade que demonstrou quando ela contrariava suas convicções. E também pelo acolhimento, pela confiança e pelo afeto que permitiram que outros encontrassem segurança suficiente para seguir seus próprios caminhos.

O professor transmite conhecimento; o mestre ajuda a construir pessoas. E, quando essa missão é cumprida, algo de seu modo de interrogar o mundo continua vivo muito depois que sua última aula terminou.

O professor deixa a sala de aula. O mestre permanece em seus discípulos.

BDM Matinal Riscala

 *Rosa Riscala: Mercado sai da Superquarta dividido sobre a Selic*

… Depois da Superquarta, o mercado começa a quinta-feira discutindo até onde vai o ciclo de cortes da Selic. O Copom reduziu os juros para 13,75% e reconheceu sinais mais claros de melhora da inflação e desaceleração da atividade, dividindo as apostas entre pausa e novas reduções. Nos Estados Unidos, o movimento é inverso: o Fed elevou os juros e endureceu o tom, ampliando as expectativas de novos apertos. A guerra e o petróleo acima de US$ 100 seguem como risco comum, enquanto a maratona de decisões dos bancos centrais continua hoje com o BoE e amanhã com o BoJ. No Brasil, a crise no STF segue repercutindo na campanha eleitoral e divide espaço com quatro novas pesquisas hoje.

CAUTELOSO, MAS INCLINADO A DOVISH – Após confirmar o novo corte de 25pbs da Selic, para 13,75%, o comunicado do Copom veio muito parecido com o anterior, quase um “copia e cola”, mas com três ajustes sutis que revelam sinais de alívio na atividade e na inflação.

… Em agosto, o texto dizia que o conjunto dos indicadores “sugere” uma moderação gradual da atividade econômica; agora, o conjunto dos indicadores “mostra” uma moderação gradual da atividade econômica, principalmente em setores mais cíclicos.

… O Copom reconhece melhora também na inflação: no comunicado anterior, a inflação cheia estava “acima do limite superior da meta”; agora, tanto o índice cheio quanto a média das medidas subjacentes estão “abaixo desse limite”, embora permaneçam acima da meta.


… Uma terceira mudança foi nas expectativas de inflação, uma preocupação central do BC: em agosto, o texto dizia monitorar a desancoragem “adicional” para prazos mais longos; agora, retirou a palavra “adicional”, enquanto manteve a estimativa para o 1TRI/28 em 3,2%.


… As revisões no comunicado foram suficientes para reforçar entre parte dos economistas a percepção de que o ciclo de cortes pode continuar, embora o Banco Central tenha evitado qualquer compromisso com novembro, deixando todas as opções sobre a mesa.


… Assim, o Copom não formou consenso e manteve a divisão que já havia no mercado sobre os próximos passos.


… Em levantamento do Broadcast com economistas logo após a reunião, eles se dividiram entre mais um corte, mais dois cortes e uma pausa.


… A favor de novas reduções estão justamente os sinais destacados pelo Copom: a desaceleração ficou mais evidente nos setores cíclicos, a inflação corrente e os núcleos melhoraram e a projeção para o horizonte relevante permaneceu em 3,2%, apesar do dólar mais alto.


… Na direção contrária, o balanço de riscos continua assimétrico para cima, as expectativas permanecem desancoradas e o petróleo acima de US$ 100 mantém o risco de novas pressões sobre a inflação.


… Entram nessa conta ainda a alta dos juros pelo Fed, as incertezas fiscais e, principalmente, o comportamento do câmbio.


… Itaú, Santander, Citi, BV, C6 e SulAmérica estão entre os mais conservadores e ainda mantêm 13,75% como cenário-base para o fim do ano, embora alguns já admitam a possibilidade de juros menores.


… O Santander diz que “não é uma comunicação que reforça 13,75%”, enquanto a SulAmérica reconhece viés de baixa para sua projeção.


… Bradesco, Inter, ASA e Eytse estão do outro lado e esperam mais dois cortes de 25pbs, em novembro e dezembro, levando a Selic a fechar 2026 em 13,25%. Já o ABC Brasil projeta mais um corte em novembro e admite outro em dezembro se câmbio e El Niño permitirem.


… Antes da decisão, o mercado estava praticamente meio a meio entre manutenção e novo corte de 25pbs em novembro. Nas projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis para o Focus, a mediana indica pausa em novembro e corte apenas em dezembro.


… A ata do Copom, na próxima semana, será o próximo teste para essa discussão. Para Sergio Goldenstein, da Eytse Estratégia, será importante observar se a fraqueza da demanda doméstica e a transmissão do aperto dos juros pelo crédito ganharam peso na avaliação do BC.


… Embora o comunicado isoladamente deva ter impacto limitado na curva, o mercado ainda terá de digerir nesta quinta-feira a combinação de Copom mais dovish e Fed mais hawkish, com petróleo elevado e redução do diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos.


… A discussão passa a ser até onde vai o ciclo, com atividade, inflação, câmbio e petróleo no radar até a reunião de 4/11, já depois da eleição.


FED APERTA O TOM – Em decisão unânime, o que foi uma surpresa, o Fed elevou os juros em 25pbs, para 3,75% a 4,00%, na primeira alta desde 2023, mas a grande notícia veio nas sinalizações para os próximos passos.


… Dos 18 dirigentes que apresentaram projeções, 16 esperam pelo menos mais uma alta neste ano e quatro deles esperam mais dois aumentos. A mediana para os juros no fim de 2026 subiu de 3,8% em junho para 4,1% e permaneceu nesse nível para 2027.


… O Fed também revisou para cima as projeções para inflação e crescimento.


… Kevin Warsh reforçou o tom duro na coletiva, ao afirmar que a inflação está “muito alta e segue assim há muito tempo”, enquanto a economia continua resiliente e o mercado de trabalho permanece próximo do pleno emprego.


… Para ele, os dados recentes não mostram melhora significativa das tendências subjacentes da inflação.


… A guerra no Oriente Médio também entrou diretamente nas preocupações. Warsh afirmou que o Fed irá garantir que as alterações de preços provocadas pelo conflito não se espalhem pela economia, apesar do alívio de ontem no petróleo, que caiu cerca de 3%.


… Embora tenha evitado antecipar as próximas decisões e criticado a dependência do mercado em relação ao gráfico de pontos, Warsh deixou claro que o combate à inflação continuará predominando.


… Após a decisão e a coletiva, o mercado atribuía 87,3% de probabilidade a um novo aperto dos juros americanos até dezembro, enquanto as apostas para outubro estavam praticamente divididas entre manutenção e nova alta de 25pbs.


… A sinalização hawkish de Warsh pressionou os mercados, com alta do dólar e dos juros dos Treasuries, enquanto o juro de 10 anos voltou a superar 5% e as bolsas caíram em Nova York. O movimento teve efeito pontual nos ativos domésticos, à espera do Copom (leia abaixo).


BOE NA CONTRAMÃO – Depois das altas de juros do BCE e do Fed, o Banco da Inglaterra deve manter a taxa em 3,75% nesta quinta-feira, com resultado previsto para ser anunciado às 8h, apesar da inflação acima da meta e dos riscos da guerra.


… O CPI britânico acelerou de 2,9% para 3,1% em agosto, mas Andrew Bailey avalia que os efeitos de segunda ordem do choque de energia permanecem praticamente nulos. A decisão pode não ser unânime. O Deutsche Bank projeta três votos dissidentes pela alta de 25pbs.


E AINDA FALTA O BOJ – Já o Banco do Japão deve elevar os juros em 25pbs, para 1,25%, na madrugada de amanhã, sexta-feira, e a atenção estará concentrada nas sinalizações de Kazuo Ueda sobre a velocidade dos próximos apertos.


… A inflação, os salários e agora a alta do petróleo reforçam a expectativa de continuidade do ciclo. BofA e Capital Economics projetam juros em 2% em meados de 2027, enquanto o ING prevê mais duas altas de 25pbs, em janeiro e abril, até 1,75%.


… A alta do BoJ já está praticamente precificada, desde a intervenção conjunta dos Estados Unidos e Japão para conter a desvalorização do iene.


DEU UMA FOLGA – Depois do salto na véspera, o petróleo recuou ontem, reagindo à informação de que autoridades dos Estados Unidos se reuniram com os houthis em Omã e os rebeldes disseram que não pretendem atacar navios americanos.


… Também pesaram os estoques do DoE, com queda do petróleo menor que a esperada e alta de gasolina e dos destilados. O contrato futuro do Brent para novembro fechou a US$ 105,83 (-2,69%) e o WTI para outubro, a US$ 102,43 (-3,21%).


… O alívio ganhou reforço com o Centcom, que afirmou que o tráfego por Ormuz continua fluindo e que mais de 900 milhões de barris de petróleo passaram pelo estreito desde maio com ajuda das forças americanas.


… Trump deve se reunir na próxima terça-feira com líderes do Golfo, à margem da Assembleia Geral da ONU, para discutir os próximos passos da guerra e uma estratégia para o pós-conflito.


… Mas a trégua ainda é frágil. Os houthis afirmaram ter atacado uma base aérea e instalações da Saudi Aramco, enquanto a Arábia Saudita tenta recuperar parte da capacidade do oleoduto danificado na semana passada.


RESSACA MORAL – No dia seguinte ao pedido de vista de Flávio Dino, a condução do julgamento no STF por Edson Fachin passou a ser criticada tanto por ministros próximos a Alexandre de Moraes quanto por integrantes da ala de André Mendonça.


… As críticas vão desde a decisão de levar o caso ao plenário, a quase duas semanas da eleição, até a falta de regras mais claras para a condução da sessão, que acabou levando para diante das câmeras conflitos que circulavam havia meses nos bastidores.


… O pedido de vista de Dino abriu ainda uma nova incerteza sobre Mendonça.


… Ministros avaliam que não faria sentido julgar sua conduta na próxima semana antes de o Supremo decidir se os casos dele e de Moraes devem tramitar juntos ou separadamente – o que abre caminho para o adiamento da sessão do dia 23.


… Como Dino tem até 90 dias para devolver o processo, a definição tende a ficar para depois da eleição.


… A crise entrou de vez na campanha.


… Em entrevista ao podcast Desce a Letra Show, Lula afirmou que Fachin tem a responsabilidade de não permitir que o caso Master “atrapalhe o processo eleitoral”, defendeu a apuração das suspeitas e criticou a sessão de terça-feira.


MAIS PESQUISAS – A corrida eleitoral volta ao radar nesta quinta-feira, com quatro pesquisas nacionais: AtlasIntel, Datafolha, Gerp e PoderData divulgam novas rodadas de intenção de voto para presidente.


… Ontem, a Ipsos-Ipec mostrou piora na avaliação do governo Lula. A parcela que considera a administração ruim ou péssima subiu de 38% para 43% desde junho, enquanto ótimo ou bom oscilou de 32% para 33%. A desaprovação ao modo de governar avançou de 50% para 53%.


MAIS AGENDA – A reunião do BoE é o principal destaque para os mercados nesta quinta-feira, que tem poucos indicadores relevantes.


… Lá fora, às 6h, sai o CPI final de agosto da zona do euro, com previsão de 3,3% em 12 meses e núcleo de 2,4%.


… Nos Estados Unidos, às 9h30, os pedidos semanais de auxílio-desemprego devem subir de 206 mil para 207,5 mil, no mesmo horário das construções de moradias iniciadas de agosto, com previsão de alta de 7,3%.


… No Brasil, a Fipe divulga às 5h a segunda quadrissemana do IPC de setembro e, às 8h, a FGV informa a segunda quadrissemana do IPC-S Capitais.


… Às 11h30, o Tesouro realiza leilão de títulos e o BC oferta até US$ 2,5 bilhões em swaps cambiais para rolagem.


GALÍPOLO –O presidente do Banco Central recebe hoje, às 16h30, Armínio Fraga, na sede do BC em Brasília.


RECATADO E DO LAR – O dólar disparou no exterior após o Fed, mas ficou estável diante do real, porque o câmbio esteve inclinado a compensar a piora externa com o trade eleitoral, na véspera da nova rodada de pesquisas.


… Apesar de o STF ter prolongado a grave crise de credibilidade, o investidor parece estar confiante de que a estratégia de Flávio Bolsonaro de colar sua imagem no “fora Moraes” possa garantir capital eleitoral extra.


… A resistência do petróleo nos três dígitos, mesmo com a correção de ontem, também blindou a moeda brasileira da pressão de Warsh, na medida em que o País é exportador líquido da commodity, o que favorece a balança.


… O dólar à vista fechou praticamente estável, em leve baixa de 0,07%, cotado a R$ 5,1514, mesmo com a possibilidade (confirmada após o fechamento) de que o Copom não descartasse um ciclo estendido de corte da Selic.


… Copom com viés dovish e Fed hawkish não são a melhor equação para o carry trade, mas o que o mercado parece estar dizendo é que o diferencial dos juros, apesar de mais estreito agora, ainda continua vantajoso ao fluxo.


… Outro ativo doméstico que surpreendeu ontem foi a curva do DI, na medida em que conseguiu se proteger da persistência da taxa dos Treasuries de dez anos acima da marca de 5%. O quadro eleitoral falou mais alto que o Fed.


… Só mesmo o contrato curto dos juros futuros é que esboçou uma alta tímida, com o Janeiro de 2027 marcando 13,580% (de 13,579% no ajuste anterior). Já os demais vencimentos desprezaram o exterior e focaram na eleição.


… Otimistas com a promessa de mudança na agenda fiscal se a chapa de oposição sair vencedora, o Jan/28 caiu a 13,625% (de 13,654%); Jan/29, a 13,865% (de 13,923%); Jan/31, a 14,070% (14,201%); e Jan/33, 14,190% (14,346%).


NA MOSCA – Horas antes do Copom, em entrevista ao BDM Live, a economista-chefe do Inter, Rafaela Vitoria, previu que o comunicado deixaria tudo em aberto, sem sinalizar pausa ou continuidade automática dos cortes.


… Ela disse que a inflação em desaceleração e a atividade mais fraca não justificavam pausa no ciclo de calibração da Selic e projetou mais dois cortes este ano (novembro e dezembro), apesar da incerteza eleitoral e fiscal.


… Segundo Rafaela Vitória, a queda do IBC-Br de julho reforça o cenário de desaquecimento da atividade econômica e não há, neste momento, qualquer gatilho específico para a reaceleração do ritmo de crescimento do Brasil.


… O enfraquecimento da atividade, disse, limita neste momento o repasse do choque do petróleo para o IPCA. O principal risco para o País, advertiu, ainda é o câmbio, via juros mais altos nos Estados Unidos e dólar forte.


… As doses de cortes de 0,25 ponto porcentual da Selic parecem adequadas no contexto atual, em sua avaliação, já que as expectativas de inflação de prazo mais longo seguem desancoradas e limitam quedas maiores da taxa básica.


… Os subsídios aos combustíveis não são sustentáveis e podem pressionar as expectativas fiscais e de inflação, disse.


… Para ela, há espaço para o Copom seguir cortando a Selic mesmo com Fed conservador, mas os juros mais altos por mais tempo nos Estados Unidos são um limitador principalmente para a continuidade do recuo da Selic em 2027.


… Além disso, a incerteza fiscal para o ano que vem entra como fator relevante para trajetória da política monetária.


… A economista calcula que o juro neutro real pode ficar perto de 3% e, combinado à inflação de longo prazo entre 3,5% e 4%, a Selic alcançaria em torno de 7% a 8%. “Mas é preciso confiança de que trajetória fiscal será contida.”


… Sobre medidas concretas que poderiam melhorar a trajetória fiscal e abrir espaço para juros estruturalmente menores, citou a desvinculação de pisos de saúde e educação como importante para conter o crescimento de gastos.


… A desvinculação permitiria crescimento da economia e da receita sem repasse obrigatório para despesas.


… A revisão de programas sociais e da Previdência também seria relevante para o ajuste fiscal, observou. “A política de reajuste do salário mínimo não é compatível com tamanho atual dos programas vinculados a ele”, afirmou.


AMORTECEU O CHOQUE – Para um dia em que o presidente do Fed se vestiu de falcão, em que o petróleo em queda afundou os papéis da Petrobras e em que a Vale também foi mal, dá para dizer que o Ibovespa até que caiu pouco.


… Fechou em baixa de 0,51%, aos 185.547,66 pontos, com giro de R$ 21,8 bilhões. Representante do kit eleitoral, BB ON subiu 3,04%, a R$ 22,71. Bradesco PN (+0,05%, a R$ 18,21) e Itaú PN -0,12% (R$ 42,62) esperaram pelo Copom.


… Chamou a atenção o volume negociado pela Vale, de R$ 3,8 bilhões, bem mais do que o triplo da média recente, de R$ 1,5 bilhão. Segundo fontes do Valor, há indícios de que investidores estrangeiros estejam liquidando posições.


… A ação da mineradora registrou desvalorização expressiva, de -2,14% (R$ 73,00), apesar da apatia do minério (+0,14%). Já Petrobras afundou com o petróleo: ON, -4,27%, na mínima de R$ 53,83; e PN, -3,53%, a R$ 48,65.


TOO LATE 2 – Se um dia o mercado desconfiou que Kevin Warsh se dobraria fácil às pressões de Trump, não é isso o que se tem observado neste início de mandato do presidente do Fed, que vai se provando intolerante à inflação alta.


… O tom hawkish na entrevista coletiva, o placar unânime do Fomc e o gráfico de pontos super inclinado a apertos adicionais levaram o índice DXY a ultrapassar os 100 pontos e preservaram a taxa da Note de dez anos acima de 5%.


… Desde a decisão de política monetária anterior, em julho, os rendimentos dos Treasuries, sobretudo os de longo prazo, atingiram máximas de décadas. O de dez anos, por exemplo, chegou ao pico em quase vinte anos.


… No Valor, profissionais dizem que grande parte desse avanço se deu pela incerteza sobre o rumo da política monetária, riscos fiscais e atuações do Tesouro, percebidas como uma tentativa de Bessent de “domar” o mercado.


… No final de julho, em atuação conjunta com o Japão, os Estados Unidos socorreram o iene, com compras em grande escala da moeda, para evitar que o governo de Tóquio promovesse vendas em massa dos Treasuries.


… O Tesouro americano informou ontem que as participações estrangeiras em Treasuries caíram em agosto para o nível mais baixo desde outubro de 2025, lideradas por baixas nos estoques da França e do Canadá.


… Sensível ao risco de que o Fed continue aumentando o juro, especialmente se o choque do petróleo persistir, a taxa da Note de dez anos continuou subindo, para 5,015% (de 5,001%), e a de dois anos foi a 4,731% (de 4,669%).


… Em dia de Fed, o DXY ganhou força (+0,64%), para 100,252 pontos, com o dólar desbancando o iene (-0,68%, a 156,17/US$), o euro, que caiu 0,60%, a US$ 1,147, e a libra, que perdeu a 0,65%, a US$ 1,3387, na véspera do BoE.


… A impressão de que o juro vai subir pelo menos mais uma vez este ano derrubou as bolsas em Nova York, apesar do alívio do petróleo. O Dow Jones caiu 1,21%, a 51.461,90 pontos; e o S&P 500 recuou 0,45%, a 7.551,81 pontos.


… O Nasdaq fechou estável (-0,01%), aos 25.978,42 pontos, porque o setor de tecnologia (+0,10%) parou de cair, depois dos alertas recentes dos CEOs das gigantes de tecnologia sobre a segurança da Inteligência Artificial.


… No final da noite de ontem, os futuros das bolsas em Wall Street avançavam com a recuperação das big techs.


CIAS ABERTAS NO AFTER – A presidente da PETROBRAS, Magda Chambriard, afirmou que a companhia irá assinar nesta semana contrato para exploração de oito blocos em águas ultraprofundas na Costa do Marfim…


… O Tribunal de Contas da União (TCU) informou que julgará a política de preços da Petrobras em sessão reservada marcada para a próxima quarta-feira, dia 23…


… Petrobras informou na noite de ontem que manterá inalterado o preço efetivo do diesel às distribuidoras, com o aumento de R$ 1 por litro hoje compensado por igual desconto da subvenção federal.


BRAVA ENERGIA encerrou contrato para venda dos polos Porto Carão e Barrinha à Azevedo & Travassos e Petro-Victory, alegando vencimento do prazo para cumprimento das condições.


SABESP. Acionistas da Emae aprovaram incorporação das ações ainda não detidas pela companhia. Relação de troca será de 1,3195 ação da Sabesp para cada ação da Emae.


TAESA elegeu Andrea Marques de Almeida como presidente do conselho de administração. Executiva já passou pela Cemig, Santander Brasil e Petrobras.


BRADESCO levantou R$ 6,54 bilhões na primeira etapa do aumento de capital de até R$ 10 bilhões, com subscrição de 66,54% das ações. Sobras serão rateadas entre os próximos dias 21 e 25.


BANCO DO BRASIL. JPMorgan reduziu preço-alvo de R$ 25 para R$ 22 e manteve recomendação neutra, após cortar projeções de lucro para 2026 e 2027.


NUBANK. Itaú BBA rebaixou recomendação de compra para neutra e cortou preço-alvo de US$ 20 para US$ 18, diante de maior incerteza para o crescimento em 2027.


INTER&CO inicia nesta quinta-feira período para investidores escolherem entre ações na Nasdaq ou BDRs não patrocinados após o fim do programa de BDRs Nível II.


BRB. Em comício de campanha em Ceilândia, no Distrito Federal, Lula afirmou que o governo não dará recursos para resgatar o banco e atribuiu a crise à gestão da atual governadora, Celina Leão, e à relação com o Banco Master.


BRADSAÚDE adquiriu ativos imobiliários para construção de hospital em Jundiaí por meio da parceria Atlântica D’Or. Rede D’Or ficará responsável pela gestão da unidade.


CASAS BAHIA negou ter feito novos aportes no primeiro semestre em fundo que aparece como credor na recuperação judicial e disse que os saldos questionados já haviam sido divulgados…


… A empresa terá até 1º/3/2027 para reenquadrar a cotação das ações acima de R$ 1, após notificação da B3.


AMERICANAS publicou editais de alienação judicial de imóveis no Rio de Janeiro por valor mínimo de R$ 129,9 milhões. Recursos reforçarão a liquidez e financiarão o plano de transformação.


OCEANPACT concluiu a incorporação da CBO, com emissão de 274,6 milhões de novas ações. Capital social passou a R$ 1,48 bilhão e CBO deixou de existir como sociedade independente.


INTELBRAS pagará R$ 20 milhões em JCP, equivalentes a R$ 0,06112 por ação. Pagamento está previsto para março.

Bankinter Matinal Portugal

Análise Bankinter Portugal

NY -0,4% US tech -0,1% US Semis +0,6% UE +0,5% Espanha +0,4% VIX 17,7% Bund 3,51%. T-Note 5,02%. Spread 2A-10A USA=+28pb B10A: ESP 3,97% PT 3,86% ITA 4,36% FRA 4,51% Euribor 12m 3,37% USD 1,147 JPY 179,2/€. Ouro 4.264$. Brent 105,8$. WTI 102,4$. Bitcoin +0,3% (76.103$). Ether +0,1% (2.409$).

SESSÃO: Ontem a Fed subiu taxas de juros até 3,75%/4,00%, numa decisão tomada por unanimidade (12-0). O tom foi claramente hawkish/duro: o diagrama de pontos aponta para mais uma subida de +25 p.b. em 2026 e, diferente do que contemplava anteriormente, já não prevê cortes em 2027. Com este movimento, a Fed confirma o seu compromisso de controlar a inflação que, segundo Warsh, “é demasiado alta e tem sido durante demasiado tempo”. De facto, o quadro macro reflete que não espera alcançar o objetivo de inflação +2% até 2029. Tudo isso num contexto em que a atividade economia é “robusta” e o seu mercado laboral forte.

A nossa previsão é que a Fed irá subir mais uma vez em 2026, até 4,00%/4,25%. O calendário é incerto, mas a direção parece clara. A Fed poderia optar por esperar na reunião de 27/28 de outubro, para não interferir nas eleições de 3 de novembro, e manter-se à espera da evolução na frente geopolítica até à reunião de 8/9 de dezembro. Historicamente, a Fed não fez subidas isoladas de um só movimento de taxas de juros. Não obstante, desta vez não descartamos um ciclo agressivo de subidas de perante um choque de oferta que não se combate com taxas de juros mais elevadas e, de momento, sem indícios de efeitos de segunda ronda.

Por outro lado, ontem, o Banco Central do Brasil baixou taxas de juros em -25 p.b. até 13,75%, e o mais provável é que continue com a série de redução nas próximas reuniões. O Banco de Inglaterra (BoE) anunciará hoje a sua decisão de política monetária e é provável que mantenha taxas de juros em 3,75%, embora após a subida da Fed possa adotar um tom mais duro para apoiar a estabilidade da libra, aumentando as probabilidades de subidas no futuro. A última será a reunião do Banco do Japão, prevista para amanhã, na qual provavelmente teremos uma subida de +25 p.b. até 1,25%.

Com tudo isto, estimamos que o mercado irá reagir positivamente, como adiantam os futuros, porque a Fed aumentou a sua credibilidade, reduz uma incerteza e deixa claro que pode subir taxas de juros num contexto de força da economia. Além disso, embora o petróleo avalia acima da barreira psicológica dos 100 $, moderou-se após se saber que a Arábia Saudita estava a aumentar as suas exportações de petróleo através de Omã. Se a geopolítica o permitir, este alívio também deverá ajudar a sessão.

quarta-feira, 16 de setembro de 2026

OESP

Magnífico editorial do Estadão:
" *Espetáculo degradante no Supremo*


Por meio de chicanas e ofensas, Moraes e seus aliados tumultuam a sessão que deveria se ater ao caso escabroso do ministro. Cármen Lúcia se disse envergonhada. Todo o Brasil decente está


O Supremo Tribunal Federal (STF) se desmoralizou perante a Nação de um jeito que nem o mais obstinado de seus detratores poderia desejar. Ao fim de uma longa sessão, marcada por bate-bocas, ofensas e graves acusações entre alguns ministros, a Corte encerrou o dia no ponto exato em que começou, vale dizer, sem decidir sobre a abertura de investigação do ministro Alexandre de Moraes pela suposta consultoria que ele teria prestado ao banqueiro vigarista Daniel Vorcaro. Foi uma vitória, muito bem arquitetada, da turma chicaneira pró-Moraes e contra a sociedade, personificada pelos ministros Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Flávio Dino, além do indigitado.


Só a ministra Cármen Lúcia teve a dignidade de pedir desculpas ao País pelo “mal-estar cívico” que o STF provocou em “todos os cidadãos e todas as cidadãs” do Brasil. Ela se disse “envergonhada” pelo espetáculo degradante protagonizado por alguns de seus pares. Como ela, todo o Brasil decente está envergonhado.


Antes de Dino pedir vista a pretexto de serenar ânimos após um chilique teatral de Mendes e, assim, interromper o julgamento da questão principal por semanas ou meses, os chicaneiros se lançaram em enfadonhas perorações, de claro vezo procrastinatório, sobre questões preliminares minúsculas à luz da gravidade das suspeitas que pesam sobre o sr. Moraes. O propósito, evidentemente, era fugir, ao menos agora, da singela decisão de autorizar ou não a investigação – a mera investigação – do ministro.


Enquanto Alexandre de Moraes e André Mendonça discutiam sobre qual deles teria “mais medo” da Polícia Federal (PF) e se insinuava a existência de uma “PF paralela” monitorando ministros, Mendes e Dino, em jogral, atacaram a autoridade do presidente do STF, o ministro Edson Fachin. Ambos chegaram a dizer que Fachin teria se valido de um expediente da ditadura militar para avocar a relatoria da petição de investigação de Moraes – não só um absurdo jurídico-factual, como um insulto à decência e à história de vida do ministro presidente. Eis o nível da degradação da mais alta instância judicial do País, à beira do irrecuperável.


Tudo o que se viu ontem foi pura chicana. Nenhum dos ministros discutiu de fato o conteúdo das dezenas de mensagens atribuídas a Moraes e Vorcaro. Discutiram relatorias, ritos, objeto e outras filigranas. Sobre a gravidade do que lhes apresenta o caso concreto, nem uma palavra de horror ou de vergonha, à exceção, como notamos, de Cármen Lúcia. Tal foi a bagunça, decerto deliberada, que o ministro Kassio Nunes Marques nem sequer se constrangeu ao cometer a barbaridade de se declarar “impedido” por sua jurisdição à frente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) – como se a Constituição não autorizasse o acúmulo de função de ministro do TSE e do STF. Impassível, Marques levantou-se e foi embora.




Ao contrário do que alega Moraes, não está em curso um ataque de golpistas ressentidos com ele ou com a Corte. Foram ministros como o próprio Moraes que lançaram o Supremo nesse esgoto moral, um ultraje à memória de todos os ministros de genuína reputação ilibada que lá já tiveram assento. São amplos os segmentos da sociedade civil, de convicções democráticas insofismáveis, que não se conformam em ver o Supremo se suicidar como instituição republicana em nome da salvação pessoal de um ou outro de seus integrantes. Quando uma ministra da própria Corte se diz envergonhada pelo que viu acontecer diante de seus olhos, não há brecha para que alguns de seus colegas sigam tratando como zelo processual o que é blindagem pura e simples.




Se, ao fim de toda essa história escabrosa, o Supremo decidir não investigar Moraes, não será mais visto como um Poder da República, e sim como uma extensão do escritório de advocacia da família do ministro – e de sabe-se lá mais quem. Caberá ao Senado, então, fazer o que a Corte não teve a decência de fazer e cassar o sr. Alexandre de Moraes. Nunca é demais lembrar que a força do Judiciário vem da legitimação cotidiana de seus juízes. E se o próprio Supremo vier a matá-la para que um dos seus possa escapar do escrutínio de suas atitudes, que a maioria dos senadores salve a Corte de si mesma.

Pedro Simon


(Eis a proposta de Pedro Simon, 96 anos, uns 70 de dedicação à vida pública, uns dos mais respeitados senadores da República de nossa História)


A grande crise brasileira

Pedro Simon

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, lutando por um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado Federal, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.


Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo. Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional. Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.


Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República — mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar. As investigações em torno do escândalo do Banco Master, o embate público entre ministros do Supremo Tribunal Federal, a dúvida lançada sobre a isenção do próprio procurador-geral da República e o conturbado afastamento do comando da Polícia Federal expuseram, aos olhos de todo o país, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos três Poderes da República.


Foi no Senado que passei trinta e dois dos meus sessenta anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado Federal, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do Supremo Tribunal Federal por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da Mesa Diretora, sem parecer e sem votação. Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um Poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.


As ações que tomarmos a seguir definirão os rumos do país pelas próximas décadas. Rogo que o Supremo, no julgamento desta terça-feira, dia 15 de setembro, tenha condições de conduzir um julgamento aberto, público e transparente. O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o procurador-geral da República, diante das dúvidas lançadas sobre sua isenção, não participe do julgamento; que o Supremo retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só Poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça. (Foto: Divulgação)

Por Pedro Simon – advogado, ex-governador do Rio Grande do sul, ex-senador e ex-ministro da Agricultura

BDM Matinal Riscala

 Quarta-feira 16 de Setembro de 2026


*FED E COPOM EM DIREÇÕES CONTRÁRIAS*

Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*


… A Superquarta chega com Fed e BC caminhando em direções opostas, mas pressionados pelo mesmo risco: o petróleo perto de US$ 110. Tanto nos Estados Unidos como no Brasil, as decisões são amplamente esperadas: uma alta de 25pbs lá e um corte de 25pbs aqui. As atenções estarão concentradas na comunicação de Kevin Warsh e do Copom sobre os próximos passos, em um cenário de juros longos americanos nas máximas em quase duas décadas. O mercado acompanha ainda os desdobramentos da crise no STF, depois de o pedido de vista de Flávio Dino adiar a decisão sobre a investigação de Alexandre de Moraes e prolongar seus possíveis efeitos sobre a disputa eleitoral.


PETRÓLEO PERTO DE US$ 110 – Na véspera da Superquarta, com as decisões do Fed e do Copom, a guerra ampliou a ameaça à oferta global de petróleo e levou o Brent a fechar em US$ 108,75, alta de 2,9%, enquanto o WTI avançou 4,38%, a US$ 105,83.


… Além das contínuas restrições ao tráfego pelo Estreito de Ormuz, entrou em xeque uma das principais rotas alternativas: a Arábia Saudita suspendeu os carregamentos no porto de Yanbu, no Mar Vermelho, após fechar o oleoduto Leste-Oeste, atingido por ataques.


… Riad já avisou clientes europeus de que algumas cargas previstas para o fim de setembro serão canceladas. O governo americano afirmou ontem à noite, porém, que espera que o oleoduto volte a funcionar “muito em breve”.


… A pressão dos houthis abriu ainda uma nova frente de cooperação regional. Segundo a Axios, comandantes militares dos Estados Unidos, Israel, Arábia Saudita e outros países árabes se reuniram secretamente na Alemanha na semana passada para discutir a escalada das tensões.


… A Kan News informou que os sauditas pediram ajuda aos Estados Unidos contra os houthis e que Washington repassou a solicitação a Israel, que já começou a fornecer informações de inteligência a Riad para proteger a navegação pelo Estreito de Bab al-Mandab e Mar Vermelho.


ORMUZ – A Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter derrubado mais um drone militar americano sobre o Estreito de Ormuz, o terceiro, segundo Teerã, enquanto o vice-presidente JD Vance disse que o tráfego por Ormuz já voltou para bem mais de 50% do normal.


DESGASTE AMERICANO – Relatório oficial divulgado ontem revelou que a guerra provocou insuficiência nos estoques de armamentos avançados dos Estados Unidos, contrariando declarações de Trump de que o país dispõe de grandes quantidades desses equipamentos.


… O documento relata ainda danos ou destruição de dezenas de aeronaves e drones americanos e de centenas de estruturas em bases no Oriente Médio. Especialistas estimam que a recomposição de alguns estoques de mísseis e interceptadores poderá levar cerca de três anos.


… Já o CBO calculou que a guerra custou US$ 38 bilhões aos Estados Unidos nos primeiros cinco meses e deve acrescentar US$ 3 bilhões por mês às despesas. O órgão do Congresso estima ainda que o conflito elevará a inflação americana em 0,5% nos primeiros três meses de 2027.


RÚSSIA E UCRÂNIA – A pressão sobre o mercado de energia vem também da Europa. Rússia e Ucrânia voltaram a atacar instalações energéticas ontem, apesar de o presidente Trump ter anunciado na véspera um acordo para poupar esses alvos.


… Zelensky afirmou que Kiev atingiu uma refinaria russa em Syzran, enquanto Moscou voltou a atacar a infraestrutura energética ucraniana.


FED SOB PRESSÃO


O mercado chega à decisão do Fed convencido de uma alta de 25 pontos-base, com 95% de probabilidade precificada, mas a escolha pode dividir o Fomc e a sinalização de Kevin Warsh para os próximos passos será tão importante quanto a decisão.


… Para o UBS, a reunião oferece a Warsh a oportunidade de transformar em ação a retórica mais hawkish adotada desde que assumiu o comando do Fed, em junho. E, principalmente, em seu discurso em Jackson Hole. Sua coletiva será às 15h30.


… A decisão do Fomc, esperada para as 15h, não deve ser unânime. UBS e ASA esperam votos pela manutenção, enquanto o comunicado deve evitar guidance claro sobre os próximos movimentos e reforçar a necessidade de novos avanços na desinflação.


… O Fed enfrenta uma combinação desconfortável de petróleo perto de US$ 110 e juros longos nas máximas em quase duas décadas. A T-note de 10 anos chegou ontem a 5,041%, maior nível desde 2007, antes de devolver parte da alta.


… Nem toda a alta dos rendimentos dos títulos, no entanto, é atribuída à elevação dos juros.


… Pesquisa da Bloomberg mostra que 40% dos investidores em títulos/renda fixa apontam a aceleração dos preços como maior ameaça aos Treasuries nos próximos seis meses, seguida pelas preocupações fiscais, com 38%. Apenas 7% citam novas altas do Fed.


… O secretário do Tesouro, Scott Bessent, reconheceu ontem que a necessidade de conter o déficit pressiona os juros longos americanos.


COPOM CORTA, MAS E DEPOIS?


– No sentido contrário ao Fed, o Copom deve reduzir a Selic em 25 pontos-base, para 13,75%, às 18h30. A curva precifica 96% de probabilidade desse movimento e 75 das 78 instituições consultadas pelo Broadcast também esperam o corte.


… A dúvida está no que acontece depois. Para novembro, os DIs já indicam praticamente um empate, com 52% de probabilidade de novo corte de 25 pontos-base e 48% de manutenção. Para dezembro, a aposta em manutenção sobe para 84%.


… Desde a reunião de agosto, o cenário doméstico ficou mais confortável para o BC. A desaceleração da atividade se espalhou por mais setores, enquanto a inflação corrente e a média dos núcleos perderam força, embora os serviços continuem pressionados.


… O PIB cresceu 0,5% no segundo trimestre, mas a demanda doméstica foi mais fraca do que o número cheio sugere. O consumo das famílias caiu 0,4%, a indústria de transformação recuou e os serviços avançaram pouco.


… Os indicadores posteriores reforçaram nesta terça-feira a perda de fôlego, com o varejo recuando 0,8% somente em julho.


… Os juros elevados também começam a aparecer com mais clareza no crédito. As concessões livres às empresas recuaram, a inadimplência aumentou e a taxa média cobrada das empresas chegou a 25,4% em julho, maior nível desde 2017.


… Do outro lado, permanecem a inflação de serviços, as expectativas acima da meta e as incertezas fiscal e eleitoral. E o cenário externo, que piorou bastante com o petróleo perto de US$ 110 e a alta dos juros longos americanos.


… O choque do petróleo, porém, não exige necessariamente uma resposta direta do BC. O que importa para a política monetária é uma eventual contaminação do câmbio, das expectativas e da inflação subjacente. Até agora, o real tem mostrado resistência à piora desse cenário.


COMUNICAÇÃO SERÁ FUNDAMENTAL – O mercado não espera guidance para novembro, e acredita que o BC deixará os próximos movimentos dependentes da atividade, da inflação, do câmbio e das expectativas. Ou seja, deve manter em aberto todas as possibilidades.


… A mediana do Projeções Broadcast mantém a Selic em 13,75% até o fim do ano, o que faria do corte de amanhã o último de 2026.


… Mas há divergências importantes no mercado sobre esse cenário.


… A Eytse Estratégia espera que o Copom continue reduzindo a Selic em passos de 25 pontos-base até o fim do ano.


… Para a consultoria, a desaceleração mais disseminada da atividade e o aumento da restrição no crédito permitem prolongar o ciclo, desde que não haja depreciação relevante do real ou nova deterioração das expectativas.


… Sérgio Goldenstein acredita que mesmo um leve ajuste na projeção do IPCA do BC para o horizonte relevante (1TR/28), de 3,2% em agosto para 3,3%, manteria a inflação ao redor da meta e seria compatível com novo corte de 25 pontos-base.


STF ADIA DESFECHO


– O pedido de vista de Flávio Dino deixou em suspenso a decisão do STF sobre a abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes por suas relações com Daniel Vorcaro ou pelas relações do escritório de advocacia de sua mulher com o banqueiro.


… A sessão terminou sem discutir o mérito e Dino terá 90 dias para devolver o processo, o que pode empurrar o desfecho para após as eleições. Se usar todo o prazo, o ministro só devolverá o processo em 13 de dezembro. Não há, porém, impedimento para que antecipe a devolução.


… Antes da suspensão, o STF formou placar de 4 a 3 contra uma questão de ordem apresentada por Gilmar Mendes, que pretendia reunir o caso de Alexandre de Moraes ao processo sobre André Mendonça e redistribuir a relatoria.


… Votaram com o relator Fachin, André Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia para manter os julgamentos separados. Gilmar foi acompanhado por Cristiano Zanin e Moraes. Dino também havia se manifestado a favor, mas seu voto não foi contabilizado depois do pedido de vista.


… A sessão foi marcada por fortes atritos entre os ministros. Gilmar acusou Mendonça de ter motivações políticas na condução do caso, e Mendonça respondeu que o decano estava sendo “leviano”. Também houve embates entre Dino e Fachin e entre Moraes e Mendonça.


… Dias Toffoli e Nunes Marques se declararam impedidos de participar do julgamento.


… Com o julgamento de Moraes suspenso antes de uma decisão sobre a proposta de análise conjunta dos dois casos, permanece marcada para a semana que vem, dia 23 de setembro, a sessão sobre a abertura de processo contra André Mendonça. Fachin é o relator.


IMPACTO NA ELEIÇÃO


– A tensão no STF foi acompanhada de perto pelos investidores e acrescentou prêmio aos juros futuros intermediários e longos, embora o petróleo perto de US$ 110 e a pressão dos Treasuries também tenham pesado sobre a curva.


… Para gestores ouvidos pelo Broadcast, o principal canal de transmissão da crise do Supremo para os ativos continua sendo a eleição. A avaliação é de que o mercado tende a reagir menos ao resultado jurídico do que aos efeitos sobre a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro.


… O pedido de vista acrescenta uma variável a essa conta ao permitir que o caso permaneça sem solução durante a campanha.


… Um gestor avaliou que, quanto mais tempo o STF permanecer no noticiário, maior será o espaço para a oposição explorar o desgaste da Corte e tentar associá-lo a Lula. A própria campanha de Lula faz uma avaliação semelhante.


… Segundo apurou a Coluna do Estadão com petistas não há um desfecho capaz de produzir ganho eleitoral claro para o presidente. A abertura de investigação contra Moraes seria o cenário “menos pior”, porque permitiria a Lula tentar se descolar do ministro.


… E o presidente tem trabalhado nisso em sua campanha. Em entrevista à Record, ontem à noite, defendeu que todos os ministros envolvidos no caso Master sejam investigados, “sem distinção”, e afirmou que o STF enfrenta uma crise de credibilidade.


… Já Flávio Bolsonaro continua sabendo explorar a crise a seu favor. Ao comentar o pedido de vista que adiou o julgamento, acusou Dino de proteger Moraes e voltou a associar os dois ministros ao presidente Lula, em comício ontem em Fortaleza.


MAIS PESQUISAS


– Ainda nesta terça-feira, a Indexa/Broadcast apontou empate técnico, com Lula em 43% e Flávio em 42%. A vantagem do presidente caiu de cinco pontos percentuais em agosto para apenas um ponto em setembro.


… Já a CNT/MDA mostrou Lula à frente de Flávio Bolsonaro no segundo turno, acima da margem de erro, por 47,3% a 40%.


MAIS AGENDA


– Antes da Superquarta, o IBC-Br de julho, às 9h, será mais um teste para a desaceleração da atividade. A mediana do Projeções Broadcast aponta queda de 0,10% na margem, após recuo de 0,64% em junho, com estimativas de -0,40% a +0,40%.


… Na comparação anual, a projeção é de alta de 1,10%, com intervalo de 0,80% a 2,10%, desacelerando dos 2,35% registrados em junho.


… Mais cedo, às 8h, a FGV divulga o IGP-10 de setembro, que deve voltar ao terreno positivo após três meses de deflação. A mediana é de alta de 1,15%, ante queda de 0,51% em agosto, com estimativas entre +0,25% e +1,50%.


… Nos Estados Unidos, as vendas no varejo de agosto, às 9h30, são o principal indicador, com previsão de +0,7%, após queda de 0,6% em julho.


… Às 11h30, o DoE divulga os estoques semanais de petróleo, gasolina e destilados, em um momento de forte pressão sobre os preços da energia.


… No Reino Unido, o CPI de agosto sai às 3h, com previsão de aceleração para 3,1% em 12 meses, de 2,9% em julho. O núcleo deve passar de 2,6% para 2,7%. Às 6h, a zona do euro divulga a produção industrial de julho, com previsão de alta de 0,1%, após estabilidade no mês anterior.


… Ainda na Europa, a presidente do BCE, Christine Lagarde, participa de evento em Frankfurt às 14h.


BDM LIVE – A economista-chefe do Banco Inter, Rafaela Vitória, conversa hoje, às 10h, com os jornalistas Rosa Riscala e Téo Takar sobre as expectativas para a decisão da Selic nesta Superquarta. Assista no canal do BDM no YouTube.


RISCA O FÓSFORO


– Simultaneamente, o investidor se vê desafiado a lidar com dois focos de incêndio no ambiente de negócios (petróleo em quase US$ 110 e crise de credibilidade do STF), que elevam a guarda.


… Está difícil de manter o sangue-frio com o estresse institucional no Supremo e com as taxas dos Treasuries rodando nas máximas em quase 20 anos, sem qualquer previsão factível para o fim da guerra no Oriente Médio.


… Ontem, o miolo e a ponta longa da curva do DI não conseguiram esconder a pressão dupla, doméstica e externa.


… No fechamento, o contrato para Jan/28 subiu a 13,670% (contra 13,628% na véspera); Jan/29 avançou para 13,940% (de 13,867%); Jan/31 saltou para 14,230% (de 14,108%); e Jan/33, para 14,370% (contra 14,255%).


… Em véspera de Copom, só os juros futuros curtos conseguiram se defender perto da estabilidade, porque o corte da Selic hoje é dado como certo e porque as vendas no varejo em julho do IBGE vieram no piso esperado (-0,8%).


… O contrato de DI para Janeiro de 2027 marcou 13,580%, praticamente igual aos 13,585% no ajuste anterior.


… O economista-chefe do Bradesco, Fernando Honorato, acredita que o Copom tem espaço para cortes adicionais das taxas se economia doméstica continuar enfraquecendo, mas adverte que Selic de um dígito só em 2028.


… “Será necessário um ajuste fiscal”, disse, durante painel no B3 Week a investidores estrangeiros. “Dependendo do ajuste fiscal, o País terá condições de alcançar um nível de crescimento do PIB semelhante ao global, de 2,5% a 3%.”


LENHA NA FOGUEIRA


– Lá fora, com o petróleo explodindo e o Fed preso nas cordas da inflação para elevar o juro hoje, as taxas dos Treasuries continuam operando sob pressão e reforçando o fracasso de Bessent em apagar o fogo.


… Nesta terça-feira, os rendimentos dos títulos do Tesouro americano de dez anos atingiram picos não vistos desde 2007. Cravaram 5,041% durante a madrugada e fecharam o pregão regular em 5,001%, de 4,987% um dia antes.


… A última vez em que a taxa do bônus de dez anos fechou acima de 5% foi há quase três anos, em outubro de 2023, e permaneceu nesse nível por apenas um dia, o que transfere toda a atenção para o fechamento de hoje.


… Durante a audiência ontem em comitê da Câmara americana, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, atribuiu a alta nos rendimentos dos Treasuries a “questões globais”, mas reconheceu a necessidade de enfrentar o déficit.


… Apesar de os yields dos Treasuries terem continuado escalando nos últimos dias, mesmo após o Tesouro ter realizado semana passada a maior recompra de títulos, Bessent disse nesta terça que a operação foi um sucesso.


… O secretário também defendeu a intervenção conjunta do Tesouro com o Japão para sustentar a moeda japonesa e impedir que o governo de Tóquio vendesse Treasuries em massa para bancar operações para apreciar o iene.


… Apesar da perspectiva de que o BoJ eleve a taxa básica de juros em 25 pontos-base, para 1,25%, esta semana, o iene caiu 0,52%, para 155,11 por dólar, porque a moeda americana aproveitou para ganhar força antes do Fed.


… O BofA calcula que o BC japonês promoverá quatro ajustes em alta na política monetária: um agora em setembro, outro em dezembro e mais dois, em março e julho do ano que vem, elevando a taxa básica ao nível terminal de 2%.


… Em véspera de Fed, o euro caiu 0,12%, para US$ 1,1545, e a libra esterlina perdeu 0,21%, a US$ 1,3479.


… Por aqui, o dólar subiu pouco, só 0,14%, cotado a R$ 5,1543, porque o petróleo caro traz compensações ao real.


NA CAUDA DO COMETA


– De carona no rali do petróleo, Petrobras alcançou ontem o maior valor de mercado da história, de R$ 693,14 bilhões, ultrapassando a marca dos R$ 680,1 bilhões que havia sido atingida em abril.


… O papel PN segue à risca o comportamento do barril e acumula alta de 73% no ano, exatamente igual ao Brent. Ontem, a ação saltou 3,09%, a R$ 50,43, e Petrobras ON (+3,63%), a R$ 56,23, liderou o ranking de altas do Ibovespa.


… O índice à vista da bolsa doméstica fechou com ganho de 0,54%, aos 186.502,64 pontos, mas o giro reduzido, de apenas R$ 15,8 bilhões, comprova que o investidor se manteve na defensiva, com o petróleo e o STF no foco.


… Neste ambiente, Vale caiu 1,17%, à mínima intraday de R$ 74,60, e foi pior do que o minério (-0,56%).


… Os principais bancos também recuaram, em sua maioria: Bradesco PN, -0,71% (R$ 18,20); BB, -0,36% (R$ 22,04); Santander unit, -0,99% (R$ 30,07); e BTG unit, -0,46% (R$ 60,20). A exceção foi Itaú, que subiu 0,76% (R$ 42,67).


… As bolsas em Nova York não pararam em pé, diante da pressão persistente do petróleo, da alta de juro contratada para o Fed e do medo sobre a segurança na Inteligência Artificial. O Nasdaq recuou 0,78%, aos 25.981,57 pontos.


… O Dow Jones caiu 0,63%, aos 52.092,11 pontos; e o S&P 500 perdeu 0,45%, aos 7.585,73 pontos.


CIAS ABERTAS NO AFTER


– Governo avalia usar títulos soberanos de Angola como garantia para financiamento de cerca de R$ 2 bilhões para venda de três C-390 da EMBRAER ao país africano, segundo o Valor.


AVIBRAS. Cade aprovou sem restrições a compra da maior indústria de defesa do Brasil pela Globe Investimentos, dos irmãos Joesley e Wesley Batista.


JBS e VIVA assinaram acordo para unir os negócios de couro na JBS VIVA, com participação de 50% para cada grupo. Operação ainda depende de condições para conclusão.


MINERVA aprovou aumento de capital de R$ 2,7 mil, com emissão de 544 ações ON decorrente do exercício de bônus de subscrição.


CVC. Fitch reafirmou rating BBB(bra) e revisou perspectiva de positiva para estável, diante de geração de caixa mais fraca e pressões sobre o setor de turismo.


ALLOS pagará R$ 438 milhões em dividendos, ou R$ 0,291919 por ação, em três parcelas entre outubro e dezembro.


WEG pagará quase R$ 450 milhões em JCP, equivalentes ao valor líquido de R$ 0,08845 por ação. Papéis ficam ex a partir de 21/9.


AXIA converterá 69,9 milhões de ações PNC em ON e resgatará outros 41,6 milhões de papéis, com liquidação financeira de R$ 2,31 bilhões.


COPASA informou ao Ministério Público suspeita de sabotagem após quatro rompimentos de adutoras em Minas Gerais. Órgão avaliará abertura de investigação criminal.


JALLES MACHADO. S&P reafirmou ratings BB e brAAA, com perspectiva estável, citando resiliência de indicadores de crédito, flexibilidade financeira e disciplina na alocação de capital.

Samuel Pessoa e Breno Altman (peguei da rede)

O economista liberal/ortodoxo Samuel Pessôa deu uma entrevista muito interessante a Breno Altman no programa 20 Minutos, do canal do YouTub...