domingo, 30 de agosto de 2026

Élio Gaspari

 Élio Gaspari. Na Folha, ontem. A íntegra: 


O fator Lulinha na reta final

A blindagem deve ter o efeito contrário

As encrencas em Pindorama são tantas que é necessário recriar o contexto em que elas ocorrem

No dia 22 de março de 2024, numa troca de mensagens com a advogada Roberta Luchsinger, Lulinha queixou-se: "Trabalho pra caralho e nunca dá em nada".


As encrencas em Pindorama são tantas que é necessário recriar o contexto em que elas ocorrem e Lulinha se queixa.


Em 2023, a J&F dos irmãos Batista contratou um parecer de Ricardo Lewandowski, logo após sua aposentadoria do STF e antes de se tornar ministro da Justiça de Lula, para seu litígio em torno da Eldorado Celulose. Em 2024, o banqueiro Daniel Vorcaro contratou a banca de advocacia da mulher do ministro Alexandre de Moraes com remuneração de R$ 3,6 milhões mensais por três anos. No mesmo ano, o ministro Dias Toffoli suspendeu os pagamentos das multas devidas pela empreiteira Odebrecht, decorrentes do acordo de leniência firmado com o juízo da Lava Jato. Dias depois, o ministro mandou investigar a ONG Transparência Brasil. Tudo normal e legal.


Nesse cenário, a advogada Roberta Luchsinger e Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, conceberam um negócio de fornecer ao governo federal, sem licitação, 1,2 milhão de frascos de 36 tipos diferentes de remédios com base em canabidiol, segundo o jornal O Globo. Seria um negócio de R$ 626 milhões.


Era motivo de euforia para Luchsinger: "Nosso nível tá outro. Nosso futuro é Suíça. Poucos negócio é bom [sic]. Esse povo aqui tá em outra vibe".


Em 2024, Antunes só era conhecido por seu povo como Careca do INSS. O escândalo do roubo praticado nas aposentadorias só viria a público no ano seguinte.


Além de Lulinha, a dupla acreditava ter como gazua o chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola.


Lulinha e o 'Careca'

Em janeiro de 2025, Lulinha e sua família viajaram à Noruega e à Finlândia para ver a aurora boreal. A viagem foi organizada por Marina Mantega, filha do ex-ministro Guido Mantega e "luxury travel specialist". A vilegiatura foi paga por Roberta Luschinger, que era financiada pelo "Careca do INSS", seu parceiro no possível negócio dos frascos de canabidiol.


(Nesses dias Flávio Bolsonaro tratava com o banqueiro Daniel Vorcaro de recursos para o filme "Dark Horse" e o grupo J&F, dos irmãos Batista, pagou R$ 25,9 milhões a uma empresa que comprou a participação da família do ministro Dias Toffoli, do STF, no resort Tayayá.)


Meses depois, a Polícia Federal revelou que o Careca do INSS recebeu R$ 53,5 milhões de entidades metidas nas roubalheiras contra os segurados da Previdência.


Na noite de 8 de novembro de 2024, dois passageiros embarcaram no voo JJ-8148 da Latam com destino a Lisboa. Lulinha foi para o assento 6J e o Careca foi para o 3A. Viajaram em assentos separados, com o mesmo objetivo: prospectar empresas portuguesas para o fornecimento dos 1,2 milhão de frascos de canabidiol. Lulinha admitiu que o Careca pagou as passagens e as diárias do hotel. Careca montou uma empresa, a Candango Consulting, na cidade de Porto e, em fevereiro de 2025, comprou um galpão por 2,7 milhões de euros.


Em dezembro de 2025, saiu na imprensa a informação de que um ex-funcionário do Careca havia dito que Lulinha recebia do patrão uma mesada de R$ 300 mil e se referia a ele como "filho do rapaz".


Lulinha, o 'Careca' e 'Marcola'

A venda de canabidiol para o Ministério da Saúde poderia ser um bom negócio, com o filho do presidente no lance, teria o pescoço comprido. Faltava incluir a girafa no rol de medicamentos do SUS. Incluindo-o, o que não é fácil, seria necessário licitá-lo.


A essa altura, entra Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha e de Marco Aurélio Santana Ribeiro, o "Marcola". Chefe de gabinete e guardião da porta de Lula. No início de agosto, o site Poder360 revelou que o discreto "Marcola" tomou R$ 249 mil emprestados a Luchsinger, quitando-o.


Em 2024, os dois tratam também da compra de joias para o Dia das Mães. (Não se sabe mãe de quem.)


Na quinta-feira, os repórteres Eduardo Gonçalves e Sarah Teófilo revelaram que a Polícia Federal encontrou nos celulares de Luchsinger e do Careca a minuta de um contrato e o plano de negócio da compra de 1,2 milhão de 36 tipos de remédios à base de canabidiol, sem a praga dos finórios, a licitação. O destinatário da minuta era Marcola.


"É contratação, sim. Ele sabe que é dispensa. É a nova lei das licitações, não sei se você já deu uma lida. Devido ao cenário de emergência, podemos criar um documento bem robusto pedindo a dispensa de licitação", disse Luchsinger. "Ele" poderia ser "Marcola".


"Pousei. Vou lá no Berge", disse Roberta a Fábio em 6 de março de 2024. "Que ótimo. Vai com tudo. Manda bjo [beijo] pro Berge e fala que não fui pq vc não chamou", ironizou Lulinha.


Berge é Swedenberger Barbosa, então secretário-executivo da pasta, quadro histórico da infantaria petista, hoje no Planalto.


O canabidiol não está no rol de fármacos do SUS, licitação não se suspende só com telefonemas ou almoços e nenhum frasco foi comprado. A cobiça dos finórios e a soberba palaciana bombaram uma crise a um mês da eleição.


Lulinha reclamava que dava duro e seus negócios davam em nada. Ainda bem que a Viúva não comprou o canabidiol do Careca.


Lulinha vive na Espanha, depois de mais de um ano de trabalho na sua blindagem, a defesa do primogênito do presidente admitiu que ele venha ao Brasil para prestar os devidos esclarecimentos. Podiam ter feito isso há meses.

Por uma educação de qualidade

 As lições de casa de quem ensina

A educação de qualidade no Brasil não só é possível, como em vários lugares já é uma realidade. O próximo passo é converter exemplos dispersos em aprendizado para o sistema inteiro
Estadão Editorial
30/8/26
O levantamento do Todos Pela Educação sobre o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) de 2025 encontrou em Joinville (SC) uma das melhores aprendizagens entre as grandes redes municipais nas quatro comparações: Português e Matemática, no 5.º e no 9.º ano. No Brasil, metade dos alunos do 5.º ano alcança o nível adequado em Matemática; no 9.º, a proporção cai para 18,8% e, ao fim do ensino médio, para 8,5%. O avanço obtido nos anos iniciais se dissipa justamente quando os conteúdos ficam mais complexos.
Joinville oferece o fato novo, porém está longe de ser um acidente solitário. Sobral (CE), Teresina e outras redes obtêm bons resultados em regiões, escalas e condições sociais muito diferentes. A diversidade desautoriza o conforto fatalista segundo o qual pobreza ou território condenariam os alunos ao fracasso. Também enfraquece a procura por um programa milagroso. Os nomes das políticas variam; o traço comum está no modo como elas se encaixam.
As redes que ensinam mais organizam a escola e a secretaria em torno da aprendizagem de cada aluno. Um currículo claro determina o percurso. Avaliações próximas da sala de aula revelam onde ele foi interrompido e provocam uma resposta antes que a dificuldade se acumule. A formação dos professores trabalha os erros encontrados, enquanto diretores e equipes técnicas ajudam a transformar o diagnóstico em novas aulas. Outra avaliação verifica se houve avanço.
Teresina mostra essa engrenagem em movimento. A Prova Teresina situa os estudantes por nível de aprendizagem e desencadeia respostas diferentes: quem está abaixo do básico recebe uma hora adicional diária de Português e Matemática; alunos no nível básico têm reforço aos sábados. Os resultados orientam a formação quinzenal dos professores. Nas visitas às escolas, superintendentes observam aulas e ajudam os diretores a ajustar a intervenção. O dado percorre um caminho curto entre a prova e o aluno.
Sobral acrescenta uma dimensão menos vistosa, mas decisiva: o tempo. Depois de descobrir, em 2000, que quase metade das crianças do 2.º ano não lia, o município fez da alfabetização uma prioridade. Em torno dela, estruturou currículo e materiais, preparou professores e diretores e preservou o rumo por mais de duas décadas. Continuidade, nesse caso, significou acumular competência e corrigir instrumentos, em vez de rebatizar a política a cada eleição.
O teste mais duro vem na passagem aos anos finais. Aos 11 ou 12 anos, o professor de referência cede lugar a vários especialistas que muitas vezes pouco conversam entre si, justamente quando o adolescente mais precisa de vínculo e orientação. O currículo comum, o acompanhamento individual e a coordenação entre docentes precisam impedir que essa mudança dissolva a responsabilidade pelo aluno. Alfabetizar abre o caminho; a rede ainda terá de mantê-lo transitável.
Essa combinação requer cuidado ao ser reproduzida. Se a cobrança por resultados for mal desenhada, a rede pode estreitar o currículo, engessar o professor e premiar a manipulação. A régua deve alcançar o conhecimento efetivo e cada criança que ficou para trás. Médias altas e aprovação quase universal podem esconder alunos abaixo do básico, escolas negligenciadas e conteúdo raso.
Entre as experiências já testadas para dar escala à qualidade, o Ceará oferece o exemplo mais sólido. O Estado levou aos municípios avaliação, materiais, formação, assistência técnica e incentivos, aproveitando lições e quadros surgidos em Sobral sem retirar das prefeituras a execução cotidiana. Deu, assim, às redes mais frágeis uma capacidade que dificilmente construiriam sozinhas. A União deveria exercer função semelhante, concentrando apoio onde a competência local é menor.
O novo levantamento acrescenta Joinville a um mapa que já contém experiências variadas e conhecimento acumulado. As boas redes brasileiras mostram que ensinar depende da capacidade de descobrir uma lacuna e mobilizar todo o sistema para fechá-la, ano após ano. Os programas precisam adaptar-se ao lugar, mas seus princípios podem viajar. Há pontos suficientes no mapa da boa escola pública. Cabe ligá-los para que a aprendizagem dependa menos da sorte do endereço.

Produtividade

 *Estadão: Produtividade aumenta, mas medir retorno investido é desafio*


São Paulo, 29/08/2026 - O segmento de energia também tem se beneficiado da inteligência artificial (IA). Na gigante do setor Vibra, maior distribuidora de combustíveis do País, a combinação da IA generativa e reconhecimento de imagem levou a uma redução de custos de cerca de R$ 900 milhões no segundo trimestre de 2024, além de liberar capital de giro e ampliar a eficiência operacional.


Segundo Aspen Andersen, vice-presidente de gente, tecnologia e ESG da Vibra, a plataforma Posto 360 2.0, que usa IA para apoiar a gestão de postos, já gerou mais de R$ 100 milhões em ganhos de produtividade. Usada atualmente em cerca de 600 postos, a ferramenta deve chegar a 1,1 mil unidades até o fim do ano.


A IA permite correlacionar dados com horários de pico e de menor movimento, ajudando a redistribuir tarefas da equipe e melhorar o atendimento. “Operamos em um negócio em que qualquer eficiência em alguma parte da cadeia é relevante. São escalas muito grandes”, afirma Andersen.


A Vibra também usa IA generativa para preparar executivos de vendas antes das visitas aos clientes. A tecnologia reúne histórico de transações, relacionamentos e informações estratégicas em um relatório, reduzindo o tempo gasto pelos vendedores na preparação. Segundo Andersen, a ferramenta já contribuiu para uma receita adicional de cerca de R$ 15 milhões.


MAIS COM A MESMA EQUIPE. O ganho de produtividade também aparece na Synvia, empresa brasileira de estudos clínicos. A área de tecnologia cresceu 30% nos últimos três anos, mas, segundo o CEO Pedro Ducci Serafim, a entrega da equipe triplicou.


Antes da adoção da IA, um dos sistemas da companhia levou dois anos para ser lançado. Mais recentemente, com uma equipe 30% maior e o uso da tecnologia, a empresa desenvolveu mais de três sistemas em aproximadamente um ano. Em uma tarefa de conferência documental, o tempo de trabalho caiu de dez horas para menos de uma. Na montagem de dossiês regulatórios, a redução chega a 70%.


“Tem muita coisa que precisa de uma decisão humana. Nós desenvolvemos uma ferramenta usando IA para tudo que não precisa necessariamente ser feito por um humano”, diz Serafim.


No iFood, agentes de IA ajudam desenvolvedores a identificar bugs, consultar repositórios e sugerir alterações. Segundo a diretora de tecnologia e inovação, Isabella Piratininga, algumas demandas que levavam duas semanas agora são concluídas em sete dias. A empresa afirma trabalhar com o mesmo tamanho de equipe, mas com mais projetos.


O grupo soma 27 mil agentes de IA criados internamente, dos quais cerca de 12 mil estão ativos. A companhia também busca reduzir o custo dos modelos usados. “Em alguns casos, conseguimos trocar por um modelo cerca de 80% mais barato sem cair a qualidade”, afirma Isabella.


DESAFIO. Não há, entre as empresas ouvidas pela reportagem, uma metodologia única para medir o retorno financeiro da IA. Na Synvia, os ganhos são avaliados principalmente pela evolução das entregas e pela comparação do tempo gasto antes e depois da implementação. A empresa desembolsa cerca de R$ 250 mil por mês com IA, considerando tokens e servidores, e estuda estabelecer limites de consumo.


No iFood, métricas como custo, conversão, produtividade e eficiência são usadas para avaliar as ferramentas. A companhia não calcula um único “ROI” (retorno sobre investimento) da IA.


Oliver Jay, vice-presidente da OpenAI, dona do ChatGPT, afirma que a dificuldade de medir o retorno não deve impedir a adoção da tecnologia. “Não vale a pena gastar muito tempo tentando calcular o ROI, porque basta que um dos fluxos de trabalho seja automatizado para que a solução se pague”, disse em entrevista ao Estadão.


Segundo Jay, a própria OpenAI economizou milhões de dólares no processo preparatório para a abertura de capital ao utilizar IA em vez de contratar auditores e outros especialistas.


Um estudo do centro de pesquisas Reglab, encomendado pela OpenAI, estima que o uso da IA no Brasil pode adicionar R$ 986,7 bilhões à economia até 2030, com os maiores ganhos de produtividade concentrados na indústria de transformação, nos serviços e no comércio.


NOVA FASE. Os casos mostram que a IA generativa nas empresas está mudando de fase. Se antes a tecnologia era testada em diferentes atividades para descobrir suas possibilidades, agora o foco está em aplicações capazes de aumentar produtividade, reduzir custos e gerar receita.


Segundo a PwC, as empresas que mais usam IA têm ganhos de receita e eficiência até 7,2 vezes superiores aos das demais. O diferencial está em integrar a tecnologia à estratégia de negócios e usá-la também para criar novas fontes de receita.


Levantamento da EY mostra que 88% das empresas utilizam inteligência artificial e 79% já usam IA generativa. Apenas 38%, porém, dizem que a tecnologia efetivamente gera valor real e transformador, com impacto perceptível no lucro. “O Brasil aparece como um dos pioneiros. Hoje, 94% das pessoas que têm acesso à internet já usam IA. Nas empresas, são 88%”, afirma David Dias, sócio da EY.


(JAYANNE RODRIGUES e LUCAS AGRELA)


Broadcast+

Ajuste fiscal

 *Estadão: Ajuste fiscal é condição para evitar uma crise maior no País, afirmam economistas*


São Paulo, 29/08/2026 - Os economistas Elena Landau e José Roberto Mendonça de Barros são críticos do comportamento de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Na avaliação deles, a Corte vive uma crise de credibilidade e eles defendem uma discussão mais ampla sobre o processo de eventual impeachment de seus integrantes.


“Eu era contra impeachment de ministro do Supremo como bandeira política, porque esse assunto veio por conta da discussão de 8 de Janeiro e tal”, afirma Elena Landau, economista e advogada. “Hoje, a pauta sobre o Supremo não é uma pauta bolsonarista. Hoje, a pauta do Supremo é uma pauta da sociedade. E a sociedade não compra mais que os abusos do Supremo são em nome da democracia.”


“No caso específico do Supremo, eu acho que ele não percebeu, porque vive numa bolha, mas passou do ponto de não retorno”, acrescenta Mendonça de Barros, ex-secretário de Política Econômica e sócio-fundador da MB Associados.


Elena Landau e Mendonça de Barros participaram do quarto debate da série do Estadão que discute os desafios econômicos para o próximo governo, a partir de 2027, quando se inicia um novo mandato presidencial.


Os dois também mostraram pessimismo com a economia e dizem que o próximo governo - seja qual for o resultado da eleição - precisa avançar com uma agenda fiscal se quiser evitar uma piora acentuada da economia brasileira. “Se houver reeleição e a opção for manter a política atual sem nenhuma correção, o problema pode aparecer rapidamente. Não sei se isso deve ser chamado de otimismo, mas as circunstâncias podem impor uma mudança”, diz Mendonça de Barros. Segundo Elena Landau, “as medidas econômicas necessárias são relativamente conhecidas”. “O problema é político”, afirma.


O Brasil enfrenta problemas de governança no setor público e no privado. Qual é a dimensão desse problema?

Elena Landau: O pano de fundo é uma crise institucional e moral. O Congresso passou a fazer política pública muitas vezes voltada para seus próprios interesses, descolado da sociedade. O Executivo também está isolado, com acúmulo de sigilos e perda de transparência. E o Judiciário está envolvido em uma série de controvérsias, do Supremo às instâncias inferiores. Sabemos quais são as fórmulas para sair disso. É preciso fortalecer as instituições, recolocá-las em seus papéis e recuperar uma relação mais harmônica entre os Poderes. No setor público, isso é ainda mais importante, porque qualquer desvio afeta toda a sociedade. A crise institucional desestimula o bom investidor, o servidor público e o cidadão que procura agir dentro das regras de transparência e responsabilidade. José Roberto chama isso de problema de gestão e governança. Eu chamo de crise moral e institucional. No fundo, estamos falando da mesma coisa.


Mendonça de Barros: Concordo com a Elena. E acrescentaria que esse processo não começou agora. Ele vem se acumulando e está se tornando mais visível. A imprensa e diferentes setores da sociedade passaram a reagir, o que me impede de ser totalmente pessimista. Minha experiência mostra que o Brasil costuma mudar quando chega perto do abismo. Foi assim com a inflação. Sem uma situação-limite, prevalecem a acomodação e a resistência às reformas. Hoje, além do problema institucional, temos um problema econômico grave, ligado ao desequilíbrio fiscal. O crescimento vem desacelerando, as recuperações judiciais aumentaram e os instrumentos que ajudaram o País em outros momentos se esgotaram. A China impulsionou a economia na primeira década do século; depois vieram o agronegócio e o petróleo. Mais recentemente, houve aumento da carga tributária. O diagnóstico está cada vez mais claro: sem reorganizar minimamente as finanças públicas, o Banco Central terá pouca margem para reduzir os juros. Estamos nos aproximando de uma situação perigosa, agravada pela incerteza internacional.


Elena Landau: Minha preocupação é também saber quem terá legitimidade e capacidade para comandar uma saída. Fernando Henrique Cardoso chegou ao governo depois de participar diretamente da formulação do Plano Real e reuniu uma equipe que sabia onde queria chegar. Michel Temer, apesar de todas as dificuldades políticas, também montou rapidamente uma equipe com um diagnóstico claro. Hoje, as soluções econômicas estão sobre a mesa. O problema está na capacidade política de executá-las. Minha maior preocupação é com os Poderes, a representatividade e, especialmente, o Supremo. Aquele que, em tese, pode errar por último, precisa também estar sujeito às consequências de erros graves. Se a população está apática e descrente das instituições, como o investidor olha para o Brasil? Há uma taxa de juros elevada que pode compensar parte do risco, mas a incerteza institucional pode afastar investimentos.


Mendonça de Barros: Há, por outro lado, uma oportunidade. O Brasil é um dos poucos países que vêm atravessando relativamente bem o tumulto provocado pela reorganização da economia global. Temos recursos naturais competitivos, produzimos bens de que o mundo precisa, podemos ampliar a produção e estamos fora das principais zonas de conflito. Isso pode trazer uma transferência de renda do exterior e novos investimentos. É uma das alavancas que podem ajudar o País a enfrentar os problemas internos.


E como vocês veem 2027? O Brasil sai do abismo ou cai nele? 

Mendonça de Barros: Acho que 2027 será pior do que este ano. Nossa projeção é de crescimento de 1,8% neste ano e de apenas 1% no próximo. Com esse ritmo, o País pode se aproximar de uma recessão. O melhor cenário seria a percepção, entre os agentes políticos e econômicos, de que o risco se tornou real. Essa percepção já chegou às empresas e aos investidores. A questão é saber se quem vencer a eleição terá capacidade de reconhecer o problema e agir.


Elena Landau: Sou pessimista porque não vejo, até agora, uma movimentação compatível com a gravidade da situação. A discussão eleitoral ainda gira, por exemplo, em torno de saber se os juros causam a dívida ou se a dívida provoca juros altos. Há um número crescente de recuperações judiciais, famílias endividadas e uma desaceleração econômica em curso. É possível produzir um choque de credibilidade, mas isso dependerá do vencedor da eleição e da equipe que formar. Se Lula for reeleito, terá de promover mudanças difíceis, como reformas nas despesas obrigatórias. Se vencer a oposição, será preciso saber se terá equipe e força política para aprovar um programa consistente. Meu otimismo está no próprio País. Quando as condições aparecem, o investimento privado responde, como ocorreu nas concessões e nas parcerias público-privadas. O problema é que o Brasil continua recorrendo a soluções fragmentadas: cria-se um subsídio aqui, uma linha de crédito ali, um benefício para determinado setor. O resultado é uma economia cada vez mais complexa e dependente de exceções.


Mendonça de Barros: Há também mudanças estruturais importantes. O antigo sistema de proteção à indústria nacional está sendo desafiado. A entrada de produtos chineses, especialmente dos carros elétricos, aumentou a concorrência e está obrigando empresas instaladas no País a reduzir preços e ganhar eficiência. Os símbolos da indústria brasileira também mudaram. Empresas como Embraer e WEG representam uma economia mais integrada à competição internacional.


Elena Landau: Exatamente. A concorrência é fundamental. O problema é que os lobbies continuam fortes. Todo setor se considera importante o suficiente para merecer um tratamento especial. Acho que seria necessário regulamentar de forma mais transparente a atividade de lobby. Mas o exemplo precisa vir de cima. Não adianta exigir transparência de representantes privados se os próprios dirigentes dos Poderes se reúnem para discutir acordos políticos sem dar explicações à sociedade. Também é preciso distinguir o lobby de decisões baseadas em uma visão equivocada da economia. Muitas vezes, o governo cria subsídios e linhas especiais de crédito acreditando que isso estimulará o investimento, mas essas exceções reduzem a eficácia da política monetária e acabam pressionando os juros. Uma estrutura tributária mais simples e isonômica reduziria os espaços para privilégios, lobby e corrupção. Quanto mais “caixinhas” existirem, maior será a disputa por benefícios.


Mendonça de Barros: O ponto central continua sendo o ajuste fiscal. Não será suficiente para resolver todos os problemas, mas é a condição inicial para recuperar a credibilidade e permitir uma redução mais consistente dos juros. Mudanças complexas costumam depender de catalisadores. A percepção de que estamos nos aproximando de uma situação-limite pode produzir esse movimento. Se houver um ajuste fiscal minimamente consistente, poderá se formar um círculo virtuoso: mais credibilidade, juros menores e recuperação da atividade.


Elena Landau: Concordo que as medidas econômicas necessárias são relativamente conhecidas. O problema é político. Reduzir o crescimento das despesas obrigatórias significa discutir temas como Previdência, salário mínimo e vinculações orçamentárias. Minha dúvida é se o próximo presidente terá capacidade de fazer isso. Tenho receio de que o debate eleitoral termine em promessas incompatíveis com a situação fiscal e que, depois da eleição, o governo seja obrigado a mudar radicalmente de rumo.


Mendonça de Barros: Se houver reeleição e a opção for manter a política atual sem nenhuma correção, o problema pode aparecer rapidamente. Não será preciso esperar três anos. A inflação pode acelerar, o câmbio subir e empresas começarem a enfrentar dificuldades. Não sei se isso deve ser chamado de otimismo, mas as circunstâncias podem impor uma mudança. A casa está deteriorada e será necessário construir algum tipo de sustentação.


Como vocês avaliam o próximo Congresso e o debate sobre o Supremo?

Elena Landau: Eu era contra impeachment de ministro do Supremo como bandeira política, porque esse assunto veio por conta da discussão de 8 de Janeiro e tal. Totalmente deslocada. Hoje, a pauta sobre o Supremo não é uma pauta bolsonarista. Hoje, a pauta do Supremo é uma pauta da sociedade. E a sociedade não compra mais que os abusos do Supremo são em nome da democracia. Pelo contrário, os abusos vêm fragilizando o sistema democrático. Sou a favor do impeachment de um ministro do Supremo, porque acho que, já que você erra por último, você tem de também sofrer as consequências de um erro grave. Chegou a um ponto que o ministro do Supremo precisa de carro blindado para ir à praia, porque ele não consegue andar na rua mais. Talvez, um processo de impeachment - não vou dizer qual, porque tem vários candidatos - seja uma maneira de dizer: ‘Olha, você está errando muito. Está abusando do seu direito de ser, entre os Três Poderes, aquele que, no fundo, tem o poder de julgar os outros dois’. E tudo indica que vamos ter um Congresso mais à direita, o que significa uma questão da governabilidade no caso de reeleição do Lula, que hoje já é considerado um Executivo fraco, de como é que ele vai se adaptar com os desafios da sua própria herança. Por outro lado, se for um candidato da oposição, o Congresso vai ter de apoiar esse candidato da oposição se ele vier com as ideias que tem de vir. No Congresso, tem de voltar à comissão, tem de parar o regime de urgência.


Mendonça de Barros: No caso específico do Supremo, acho que ele não percebeu, porque vive numa bolha, mas passou do ponto de não retorno. Basicamente é isso. Não tem mais o respeito que tinha antes. Acho que vai acontecer alguma coisa do tipo, alguma coisa séria de impeachment de pelo menos um caso. Não sei se vai chegar até o fim, mas vai mostrar seriamente que esses senhores não têm mais todo o poder que julgam ter. Vai ter de acontecer de fora. É o mesmo argumento. Esse choque tem de vir de fora, porque, obviamente, lá não tem a menor chance de sair. No Congresso, como é muita gente, eu acho mais complicado. Eu acho que a chance de alguma melhora no Congresso é de uma nova geração chegar, porque essa geração que comanda dificilmente vai mudar.


Elena Landau: O País precisa recuperar uma referência institucional e uma ideia de que boas práticas devem prevalecer sobre as más. Hoje, há uma sensação de desorganização e de perda de confiança que afeta desde o comportamento cotidiano até o funcionamento das instituições. Também não conseguimos enfrentar adequadamente o avanço do crime organizado, que se expandiu para diferentes setores da economia. É um dos sinais mais preocupantes da deterioração institucional.


Mendonça de Barros: A situação é mais complexa do que parece. O Brasil precisa interromper uma trajetória de deterioração econômica e institucional. Isso não acontecerá de forma rápida. Reconstruir a governança democrática, a governança privada e a confiança nas instituições levará tempo. Mas o primeiro passo é mudar a direção. O ajuste fiscal é uma condição básica. Depois, será necessário reconstruir, gradualmente, as regras, a transparência e a capacidade das instituições de funcionar dentro de seus limites. Sem isso, continuaremos apenas escorregando.


(LUIZ GUILHERME GERBELLI)


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Correios

 *Correios: Prejuízo líquido sobe no 1º semestre, a R$ 5,5 bi, mais cai no 2º tri, a R$ 2,4 bi*


Por Aramis Merki II


São Paulo, 29/08/2026 - Os Correios registraram prejuízo líquido de R$ 5,55 bilhões no primeiro semestre de 2026, alta de 30,36% ante o resultado negativo de R$ 4,26 bilhões de igual período de 2025.


No segundo trimestre, o prejuízo líquido foi de R$ 2,39 bilhões, queda de 5,5% em relação ao prejuízo de R$ 2,53 bilhões registrado no mesmo período de 2025. Na comparação com o primeiro trimestre de 2026, quando o prejuízo foi de R$ 3,16 bilhões, houve redução de 24,4%.


A receita líquida de vendas e serviços somou R$ 4,01 bilhões no segundo trimestre, queda de 5,41% ante os R$ 4,24 bilhões registrados um ano antes. Na comparação com o primeiro trimestre de 2026, porém, a receita cresceu 3,8%, segundo o balanço de resultados publicado neste sábado, 29.


Em nota, a empresa aponta que os resultados ocorrem em meio à implementação de um plano de reestruturação, que inclui revisão de despesas e contratos, reorganização da companhia, aumento da eficiência operacional e medidas para ampliar a geração de receitas.


"O resultado acumulado do semestre permanece desafiador e reforça a necessidade de continuidade das medidas de reestruturação, com foco na recuperação sustentável das receitas, o aumento da eficiência operacional, a revisão de despesas e contratos e a modernização do modelo de negócios", afirma a administração dos Correios em nota que acompanha os resultados.


O governo já assumiu compromisso de realizar um aporte de capital no montante de R$ 6 bilhões até o final de 2027 nos Correios. O compromisso de injetar recursos está previsto no contrato do empréstimo de R$ 12 bilhões obtido pela estatal no ano passado com cinco bancos e garantia do Tesouro Nacional. O ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, informou que o aporte estará incluído na proposta de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027.


Contato: merki@broadcast.com.br


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sábado, 29 de agosto de 2026

Peguei do grande Roberto Freire

 O texto a que me refiro é do Cronista Artificial

"Talvez essa seja a verdadeira sensação de ditadura. Ela começa quando o cinismo deixa de ser objeto do jornalismo e passa a ser admirado como competência política. Foi essa a sensação vendo a GloboNews depois da entrevista de Lula. Lula não precisa convencer que algo é verdadeiro. Precisa apenas dizer com segurança suficiente para que o painel examine se funcionou com o eleitor. Respondeu bem? Neutralizou o problema? Recuperou sua agenda social? Sustentou a narrativa? Percebam a mudança de profissão. A pergunta jornalística deveria ser: isso é verdade? A pergunta do marketing político é: isso colou? Quando uma redação abandona a primeira pergunta para se concentrar na segunda, ela deixa de analisar o poder de fora. Passa a analisar a eficácia do poder como faria uma equipe de campanha. E é aí que aparece algo muito mais inquietante do que uma imprensa simplesmente comprada: uma imprensa instrumentalizada. Instrumentalizada não significa que exista alguém distribuindo ordens ou envelopes. É algo mais sofisticado. Existem códigos, consensos profissionais, manuais de redação, escolhas terminológicas e enquadramentos que determinam como determinados temas devem ser tratados, quais palavras são aceitáveis e até qual percepção da realidade deve ser considerada legítima. Troca-se “favela” por “comunidade”, por exemplo. Parece apenas uma escolha vocabular. Mas ela revela uma profissão que passou a acreditar que também lhe cabe administrar a maneira correta de nomear — e, portanto, de perceber — a realidade. Depois de algum tempo, ninguém precisa mandar. O código já foi internalizado. E quando esse código cultural, moral e linguístico coincide com o código do grupo que ocupa o poder, a imprensa pode continuar se considerando independente enquanto funciona como instrumento de legitimação desse mesmo poder. Por isso a cena é tão reveladora. Não parecia uma bancada examinando criticamente o que Lula acabara de dizer. Parecia uma reunião de pós-campanha: onde foi bem, onde neutralizou danos, onde recuperou terreno, onde sua narrativa ressoou. O cinismo vira técnica. A técnica vira mérito. O mérito vira análise positiva. Numa democracia saudável, a imprensa observa o poder. Quando começamos a viver essa sensação de ditadura, acontece algo diferente: ligamos a televisão procurando jornalismo e encontramos uma sala analisando a performance do governante como se estivesse discutindo o próprio produto. A imprensa não foi necessariamente comprada. Ela foi instrumentalizada.

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Argentina, de Javier Milei (Antonio Cabrera)

 

A Argentina não tem maioria no Congresso. E, mesmo assim, está reformando o país.

Javier Milei nunca teve bancada própria suficiente para governar sozinho. Precisa negociar, construir apoio e formar maiorias a cada votação.

Nesta semana, conseguiu mais três avanços importantes:

1. Reforma da Carta Orgânica do Banco Central: a Câmara aprovou a proibição do financiamento direto do Tesouro pelo BCRA por meio de emissão monetária e recolocou a preservação do valor da moeda como missão central da instituição.

2. Inocência Fiscal II: amplia garantias ao contribuinte e limita o poder do Fisco de revisar períodos anteriores sem elementos concretos.

3. Mercosul–Singapura: o Parlamento argentino concluiu a ratificação do acordo de livre comércio, abrindo um mercado asiático com tarifa zero para os bens agrícolas e industriais do Mercosul.

Não foi maioria automática. Foi articulação política para fazer uma agenda avançar.

E os números ajudam a explicar por quê:

Pobreza: 41,7% → 28,2%.
PIB: -1,3% em 2024 → +4,5% em 2025.
Inflação: 211,4% → 31,5%.
Dívida bruta: 154,6% do PIB em 2023 → 80,3% em 2025.
Aluguéis reais em Buenos Aires: queda superior a 30% nos novos contratos.

Enquanto isso, o Brasil continua atolado no problema fiscal.

Pelo mesmo indicador do FMI, a dívida bruta brasileira chegou a 93,3% do PIB em 2025, acima dos 80,3% da Argentina. Para 2026, o Fundo projeta 97,8% para o Brasil e 70,4% para a Argentina.

E recentemente o próprio Tesouro brasileiro chegou a cancelar leilão de NTN-B em meio às dificuldades de formação de preços e à forte tensão no mercado de títulos públicos.

A diferença começa a ficar desconfortável.

A Argentina, mesmo sem maioria parlamentar, tenta atacar as causas de sua crise.
O Brasil continua administrando as consequências da sua.

Reformas exigem votos.
Mas, antes dos votos, exigem direção e coragem.

Piso do economista

 


Por que a taxa de juros é tão alta no Brasil?, por Ana Paula Vescovi

 Por que a taxa de juros é tão alta no Brasil?


Essa discussão tem ganhado destaque e está presente em vários fóruns, especialmente nesse período eleitoral.

Ontem, na FGV EESP, participei de um seminário dedicado a essa pergunta. O encontro, promovido pelo professor Márcio Holland, também marcou o lançamento de seu livro “Taxa de Juros no Brasil: caminhos para o Brasil conviver com taxas de juros civilizadas”. Participei do painel ao lado de Felipe Scudeler Salto e Daniela Lima , com mediação de Juliana Rosa comentários de Márcio Holland.

Essa é uma das questões mais antigas da economia brasileira, especialmente no pós-estabilização. Talvez parte da dificuldade esteja na busca por uma única resposta.

Antes de responder, é preciso separar o juro global, o componente cíclico da política monetária, o prêmio de prazo (~0,9 p.p.) e o risco soberano. (~1,4 p.p.).

Depois de descontados esses componentes, o Brasil continua apresentando um juro real estruturalmente elevado, e entre os maiores do mundo.

A literatura aponta múltiplas causas: baixa poupança, risco cambial, fricções financeiras, baixa produtividade, rigidez fiscais, histórico inflacionário e elevada sensibilidade das expectativas. A explicação parece estar na combinação desses fatores e na forma como eles se reforçam.

O fiscal merece atenção especial porque atua por diferentes canais.

A expansão fiscal pressiona a demanda e pode exigir maior restrição monetária. O aumento da dívida eleva o prêmio exigido pelos investidores, afetando a curva longa, o câmbio e as condições financeiras. O FMI estima que um esforço fiscal estrutural adicional de 0,6% do PIB poderia permitir juros entre 0,4 e 0,7 ponto percentual menores.

Há ainda um terceiro canal. Em situações de maior fragilidade fiscal, a deterioração das expectativas eleva os juros e o serviço da dívida, reforçando a própria percepção de fragilidade.

O fiscal é parte central da explicação, mas não a esgota. Mesmo quando descontamos da curva de juros o componente associado ao risco soberano, os juros reais brasileiros permanecem elevados.

A agenda, portanto, vai muito além da política monetária: estabilizar a dívida pública, melhorar a qualidade do gasto, elevar a produtividade e a capacidade de oferta, reduzir fricções financeiras (assimetrias tributárias, crédito direcionado e atuação parafiscal), e preservar as âncoras fiscal e monetária, o regime de câmbio flutuante e a credibilidade da política econômica.

O objetivo deveria ser construir uma economia que precise de juros menores para permanecer estável.

Eliana Cardoso

 


Elena Landau

 


Call Matinal

28/08/2026

Julio Hegedus Netto, economista

MERCADOS EM GERAL

 

FECHAMENTO (2708)

O Ibovespa subiu só 0,31% ontem (27), mas retomou os 175 mil pontos (175.135,41), com giro reduzido de R$ 15,4 bilhões. No mercado cambial, apesar do leilão simultâneo no câmbio ontem, na operação que combinou venda de dólares no mercado à vista com compra no mercado futuro via swap reverso, a moeda americana subiu 0,20%, a R$ 5,1620.

 

MERCADOS

PRINCIPAIS MERCADOS       

 

 

 

MERCADOS 5h30

 

EUA

Índices

Comentários

 

S&P +0,45% (7.724 pts);

Nasdaq +1,05% (29.598 pts);

Dow +0,01% (53.529 pts);

 

Ásia-Pacífico

 

 

 

Nikkei -0,20% (66.132 pts);

Hang Seng -0,34% (25.566 pts);

Xangai +1,13% (3.956 pts);

Kospi +1,53% (6.912 pts);

 

Europa

 

 

 

Stoxx 50 -0,12%;

DAX +0,24%;

FTSE 100 -0,62%;

 

Commodities

 

 

 

Brent -1,13% (US$ 86,85), ouro +1,14% (US$ 4.650,70);

Moedas: dólar em R$ 5,15 (+0,09%), DXY em 99,20 (+0,03%);

Juros: Treasury de 10 anos em 4,66%, alta de 0,54% no dia.

 

 

 

Dia 2808

 

Dia de Kevin Warsh, president do Fed, no tradicional evento de Jackson Hole onde os principais bancos centrais do mundo sentam para conversar e trocar experiências. Sobre Warsh, interesse maior é coletar pistas mais claras sobre setembro, depois que a inflação persistente ampliou o coro por juros mais altos dentro do Comitê. E a tarefa se torna ainda mais delicada, quando se tem o aumento da pressão do petróleo, diante do novo impasse entre EUA e Irã sobre Ormuz, enquanto a Rússia prepara uma escalada dos ataques à Ucrânia. Entre os bastidores das diretorias regionais dos Fed, a palavra de ordem é agir. “A política monetária não está restritiva e espera-se mais tornará o combate à inflação mais doloroso.” E estas, dentre outras declarações, ganham peso depois do PCE de julho, nesta semana, que mostrou inflação de 3,7% em 12 meses e núcleo de 3,3%.

 

 

Em Wall Street, porém, a inteligência artificial ignorou as tensões: a Nvidia disparou quase 9% e levou o Nasdaq junto. No Brasil, IGP-M e Caged dividem a agenda, após a Pnad mostrar nova queda do desemprego, enquanto o STF conclui o julgamento sobre a tributação dos lucros da Vale no exterior e a Petrobras acompanha a decisão do governo de prorrogar o imposto de 12% sobre a exportação de petróleo.

 

Na Europa, a ata da Zona do Euro, divulgada nesta quinta-feira, mostrou que os dirigentes europeus não estão comprometidos antecipadamente com uma alta em setembro, mas consideram necessário voltar a apertar a política monetária se as perspectivas para a inflação não melhorarem.

 

Agenda 2808

No mesmo horário em que Kevin Warsh inicia seu discurso em Jackson Hole, às 11h, sai a leitura final de agosto do sentimento do consumidor de Michiganalém das expectativas de inflação. De madrugada, serão divulgados o PIB da França no segundo trimestre, com previsão de alta de 0,2%, e, às 6h, os índices de sentimento econômico e confiança do consumidor da zona do euro. O Canadá também divulga o PIB do segundo trimestre às 9h30, com previsão de expansão anualizada de 2%. Ainda nos EUA, às 10h45, o PMI de Chicago deve recuar de 57,6 para 57 em agosto. No Brasil, o IGP-M de agosto sai às 8h e deve registrar a terceira deflação mensal consecutiva. Às 8h30, o BCB divulga as estatísticas monetárias e de crédito de julho.

 

Élio Gaspari

 Élio Gaspari. Na Folha, ontem. A íntegra:  O fator Lulinha na reta final A blindagem deve ter o efeito contrário As encrencas em Pindorama ...