segunda-feira, 18 de maio de 2026

Fabio Graner

 Disparada do petróleo deve gerar receita extra de R$ 40 bilhões ao governo em 2026


Estimativa considera cenário conservador. Número efetivo que vai entrar no relatório bimestral desta semana ainda estava sendo fechado, mas Executivo quer cautela para evitar aumento de pressões setoriais, como do agro


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Fabio Graner


 — Brasília


18/05/2026 04h01  Atualizado agora


Em um cenário mais conservador, o governo Lula enxerga um aumento de arrecadação da ordem de R$ 40 bilhões neste ano por conta da alta petróleo. O número efetivo que será considerado no relatório bimestral de receitas e despesas ainda estava sendo fechado e pode ser diferente.


O certo é que a arrecadação já está subindo por conta da alta da commodity e deve ter um ganho relevante no ano. Uma ala do governo entende que o melhor nesse momento é trabalhar com projeções mais cautelosas no lado da arrecadação. Um dos motivos é evitar uma percepção ilusória de conforto fiscal, especialmente no Congresso, mas também no próprio governo.


O temor é de que haja uma leitura de que o governo teria folga arrecadatória, elevando pressões para o uso imediato desse dinheiro por alguns setores, como o agronegócio. Além disso, interlocutores destacam a necessidade de se considerar que o país tem uma meta fiscal que ainda é desafiadora mesmo com o incremento de receitas do petróleo e que é preciso considerar que o país pode precisar de novas ações para mitigar os impactos da guerra sobre a inflação.


Um prolongamento da guerra até o fim do ano – risco que, como o GLOBO mostrou, está no radar da equipe econômica – pode fazer o governo consumir mais recursos do que já estão previstos com as medidas anunciadas até o momento.


Quando anunciou a nova subvenção para a gasolina, o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, disse que o impacto das medidas até agora anunciadas, em dois meses, é da ordem de R$ 13 bilhões. Mas os valores podem rapidamente superar os R$ 30 bilhões se durarem mais de quatro meses, que era o cenário base inicial do governo. Mas com o prolongamento do conflito, esse cenário já tem sido colocado em dúvida no próprio Executivo e pode implicar um volume maior de gastos ou renúncias de receitas.


O relatório bimestral de receitas e despesas será divulgado na próxima segunda-feira, dia 24. O documento, conforme antecipou ao GLOBO a secretária de política econômica, Débora Freire, deve mostrar um aumento da projeção de inflação para 2026, atualmente em 3,7%, mas ainda dentro do limite de tolerância, de 4,5%.


Além dos impactos mais diretos, que o governo tem buscado mitigar, o choque do petróleo tem efeitos indiretos importantes sobre setores como o de alimentos por conta da alta de insumos e os problemas logísticos gerados pelo conflito no Oriente Médio.


Nesse contexto, o próprio governo já está conformado com um cenário de queda a conta gotas e ciclo mais curto de corte dos juros, dados os riscos inflacionários.

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