quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Pesquisas eleitorais - Luciano Sobral


Dois pitacos rápidos sobre o que já vi de pesquisas eleitorais e mercados:


1. Até as eleições de 2018, a pesquisa do Datafolha era o padrão-ouro do mercado, e as divulgações de fato mexiam com os preços—tanto que fundos e tesourarias gastavam fortunas com trackings que tentavam antecipar o resultado publicado. Uma previsão certeira algumas horas antes do que sairía na pesquisa de fato valia muito dinheiro.

Desde então, duas coisas aconteceram: primeiro, o Datafolha (e outras pesquisas "tradicionais") deixaram de antecipar o resultado das urnas e, segundo, explodiu o número de concorrentes. Hoje, há, ao mesmo tempo, pouquíssima concordância sobre qual é a "melhor" pesquisa e pesquisas divergentes o bastante para confirmar vários vieses prévios. Os movimentos de mercado em função de pesquisas, portanto, tendem a ser menores, mais erráticos e mais difíceis de serem antecipados (não dá para saber qual pesquisa "fará preço" e qual será ignorada, sem contar os microajustes praticamente instantâneos com base nos muitos trackings diários).

2. A mais de seis meses da votação, pesquisas de intenção de voto, na minha opinião, têm uma relação informação/ruído bem ruim. Vale mais prestar atenção na avaliação do governo, que é um bom preditor de probabilidade de reeleição e para qual é possível acessar um histórico consistente ao longo do tempo.

Dito isso tudo, sigo achando a eleição "inoperável" para quem busca assimetrias. Creio que chegaremos na véspera da votação em um cenário de, no máximo, 52-48 para um ou outro candidato, útil apenas para quem gosta de apostar em cara ou coroa.

(abaixo a tão falada simulação de segundo turno da Atlas de hoje)

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