quarta-feira, 3 de junho de 2026

Jairo Nicolau

 ACONSELHO VIVAMENTE AOS AMIGOS QUERIDOS, A LEITURA DESSA ENTREVISTA !


Entrevista: divisão no país não é ideológica, mas explica 'paralisia' na avaliação de Lula, diz Jairo Nicolau

Após analisar triunfo de Bolsonaro em livro, professor da FGV destrincha mudanças vivenciadas pelo país entre a primeira e a última vitória do petista

Por Caio Sartori — Rio de Janeiro

01/06/2026 03h30  

O cientista político Jairo Nicolau: professor vê “enigma” no “desajuste entre avaliação de governo e a economia” — Foto: Márcia Foletto/Agência O Globo

 


Depois de “O Brasil dobrou à direita”, no qual analisa o triunfo eleitoral de Jair Bolsonaro (PL) em 2018, o cientista político Jairo Nicolau, professor do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil da Fundação Getúlio Vargas (CPDOC-FGV), publica agora “O país dividido”, também pela editora Zahar. Trata-se de um diagnóstico das mudanças sociais, demográficas e políticas vivenciadas nacionalmente entre a primeira vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em 2002, e a última, em 2022. E elas são muitas.


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Em entrevista ao GLOBO, Nicolau afirma que a economia é insuficiente, hoje, para medir se um presidente será ou não bem-sucedido. A divisão do país, diz, não é ideológica, mas produz repulsas intransigentes e dificulta a melhora na avaliação do petista.


Temas morais e a segurança ganharam protagonismo nos últimos anos. Eles podem suplantar o debate econômico ou ainda “é a economia, estúpido”, como diz a máxima política?


Essa frase é de 1992, quando o impacto da economia era muito evidente. Os estudos recentes são bem mais críticos. Obviamente a economia não pode ser desconsiderada, mas os dados mostram que ela passou a conviver com outros fatores relevantes. Em 2018, o país estava saindo de uma crise econômica, a economia ainda em baixa, e o tema não foi esse. Também não sei se foi tão central em 2022, foi mais a questão da gestão da pandemia. Agora, de novo, a economia está melhorando, mas isso não se traduz em apoio a Lula.


Então essa insuficiência da economia é a grande explicação para a avaliação ruim de Lula, mesmo com bons indicadores macroeconômicos?


Para mim, ainda é um enigma esse desajuste entre avaliação de governo e a economia, até considerando o apoio que Lula tem nas intenções de voto. Não faz muito sentido um presidente com avaliação baixa estar vencendo uma simulação de eleição no segundo turno. Tem algo que não fecha.


Não é o tal duelo de rejeições?


Não gosto da tese do duelo de rejeições, mas se criou uma divisão em duas grandes tribos que trouxeram temas para além da discussão da economia. O que as pesquisas mostram é que nenhum presidente, Bolsonaro ou Lula, consegue subir muito sua taxa de avaliação porque a rejeição do lado rival parece ter menos a ver com políticas públicas e mais com atributos pessoais. A diferença quando comparamos com eleições anteriores é esse filtro das questões culturais que dividem as pessoas em tribos. Não estou dizendo que a divisão é ideológica, mas ela existe. Para mim, é o que explica a paralisia da avaliação. Mesmo com mais dinheiro no contracheque, com a isenção do IR (Imposto de Renda) para quem ganha até R$ 5 mil, isso não moveu a avaliação de Lula. Outras questões passaram a rivalizar e até se sobrepor à economia, dependendo do caso.


Com base em tudo isso, sua tese no livro de que apenas parte da sociedade está polarizada não fica insustentável?


É importante separar. O que mostro, com dados, é que de fato houve em 2018 e 2022 duas viradas: uma polarização à direita, depois à esquerda. Desde 2022, a rejeição é recíproca: lulista abomina Bolsonaro, bolsonarista abomina Lula. Isso é uma dimensão da relação que as pessoas têm com seus políticos favoritos, mas não posso transformar isso numa disputa ideológica. Quando cruzo com outra variável, que é a de interesse por política, vejo que pouca gente é radicalizada e ativa na relação com a política, apenas 18%. Quando falamos em polarização, parece que todo mundo que não gosta de um ou de outro é alguém que acompanha política, que está perdendo amigos por isso. Mas isso é parte pequena do Brasil.


Por que, então, há uma resiliência tão grande da divisão entre Lula e família Bolsonaro nas pesquisas?


Porque as outras opções não aparecem de fato. Flávio virou abrigo para os eleitores que não gostam de Lula e do PT. Não tem um candidato natural, jovem, relevante. Se o Tarcísio de Freitas estivesse livre para ser candidato, talvez isso voltasse a existir. Outros governadores mais jovens e modernos, como Eduardo Leite e Ratinho, ficaram pelo caminho. Como a direita se organizou com muita força em torno de Bolsonaro e ninguém ocupou esse espaço, a rejeição a Flávio foi diminuindo diante da possibilidade de ser o único nome competitivo. Beneficiou-se da inércia. É a primeira eleição em que não há candidatos de centro. É Lula contra a direita.


Com base no diagnóstico das mudanças do país, quais clivagens são mais decisivas para entender o voto?


Em 2018, houve uma inflexão em relação às quatro eleições anteriores, nas quais o PT tinha sido vitorioso em praticamente todos os segmentos de idade, gênero, escolaridade, renda. Não existia um voto diferente entre homens e mulheres. Já Bolsonaro teve uma taxa muito menor entre as mulheres. Em 2022, essa divisão de gênero se aprofundou, com Bolsonaro conquistando forte apoio dos homens, e Lula, das mulheres. Chego a dizer no livro que a eleição do Lula se deve ao voto delas.


O senhor também dá bastante ênfase à mudança nos recortes por nível educacional.


Também começa a aparecer isso em 2018: a virada dos eleitores de ensino médio completo em direção a Bolsonaro, e os de ensino fundamental continuam o grande esteio de Lula e do PT. Tem ainda a dimensão racial, com divisão entre pretos e brancos, e de religião, sobretudo com a virada de evangélicos à direita. Começo a me perguntar se isso veio para ficar como algo mais fundo da política brasileira ou se é algo mais pessoal, pela presença de Bolsonaro e suas idiossincrasias. Com Flávio candidato, não imagino que mude.


Como as mudanças em 20 anos dificultaram a vida de Lula?


Há uma dificuldade clássica, já muito comentada, que é a virada dos evangélicos, porque se tornaram um grupo relevante da sociedade. Destaco de novo o segmento de ensino médio, os eleitores que não foram para a universidade, que em 2018 e 2022 deram uma rejeição muito forte ao PT. A hipótese mais plausível é de que são eleitores mais jovens, do sexo masculino e moradores de regiões metropolitanas. Daí podemos imaginar que talvez estejamos diante de fenômenos como empreendedorismo, desvalorização da CLT e do diploma aniversário. Lula ainda fala muito para o segmento de baixa renda, que está encolhendo demograficamente.

terça-feira, 2 de junho de 2026

Chico Lopes, a anatomia de uma queda, De Candido Bracher

 

Chico Lopes, a anatomia de uma queda

Folha

Recebi no dia 8 de maio, em um grupo de WhatsApp, a notícia do falecimento de Chico Lopes. As matérias dos jornais falaram do economista brilhante, estudioso do fenômeno da hiperinflação, que teve participação destacada em todos os planos econômicos ditos heterodoxos, desde o Plano Cruzado até o Real, e que foi mais tarde o responsável pela implantação do Copom (Comitê de Política Monetária), instância fundamental da governança de nossa política monetária.

Fiquei muito triste.

Lembrei-me do homem tímido, de sorriso fácil, que conheci em 1985 em Brasília, em um jantar na casa de meu pai, Fernão Bracher, então presidente do Banco Central. Estavam ali outros jovens economistas brilhantes —Persio Arida, André Lara Resende, Edmar Bacha— envolvidos na condução do Plano Cruzado, a quem eu ouvia com fascínio e grande admiração, que só fez fortalecer-se desde então.

Alguns anos mais tarde, em 1988, eu apoiaria meu pai na fundação de um banco corporativo, o BBA Creditanstalt, que iniciaria suas atividades com apenas 20 funcionários. Eram tempos de enorme volatilidade; para atrair clientes corporativos e ajudá-los a navegar as incertezas, promovíamos semanalmente palestras abertas, nas quais um economista de renome procurava avaliar os cenários possíveis. Após a palestra, quase sempre havia um pequeno jantar com economistas na casa de meus pais, onde a discussão era expandida e aprofundada.

Chico Lopes, que tinha uma importante consultoria chamada Macrométrica, participou várias vezes como palestrante e como convidado para o jantar.

Sua timidez não escondia seu bom humor e o prazer que sentia naqueles jantares, onde se comia muito bem e as discussões tinham sempre o caráter construtivo, frequente entre pessoas de autêntico espírito público.

Com o advento e êxito do Plano Real em 1994, o interesse nas palestras foi-se reduzindo aos poucos e elas se foram espaçando. Também os palestrantes mudaram, uma vez que muitos dos economistas ocupavam agora posições no governo. A volatilidade dos mercados mostrou-se, porém, renitente. Após dois anos de relativa calma, os mercados foram abalados pela crise asiática de 1997, seguida da crise russa de 1998.

Àquela época, o Brasil ainda carregava grande dívida externa, de modo que crises internacionais de liquidez pressionavam imediatamente o câmbio e exigiam elevação das taxas de juros. Para proteger-se dessas flutuações de mercado, as empresas e o sistema financeiro contavam com os mercados futuros da BM&F (hoje B3), onde é possível a alguém, que tenha uma dívida em dólares, por exemplo, assegurar antecipadamente a taxa de câmbio à qual liquidará a operação.

Naturalmente, não são apenas empresas que se servem desse mercado futuro; agentes financeiros dispostos a especular na elevação, ou queda das taxas de juros, ou de câmbio, conferem liquidez ao mercado em todos os momentos.

A BM&F cumpria então a função de “contraparte central”, fundamental para o equilíbrio dos mercados. Para o Banco Central, responsável último pela manutenção desse equilíbrio, era conveniente que houvesse uma única contraparte central, pois isso facilitava sua supervisão: bastava garantir que os mecanismos de controle de risco da BM&F fossem robustos, de forma a que todos os participantes tivessem garantias depositadas em valor suficiente para garantir eventuais perdas em caso de movimentos adversos de mercado.

Em início de 1999, a taxa de câmbio no Brasil estava virtualmente congelada há quatro anos e havia forte pressão pela desvalorização do real; por outro lado, opositores da medida preocupavam-se com seus impactos inflacionários, citando inclusive o exemplo argentino, cuja taxa de câmbio estava fixa há ainda mais tempo.

Foi nesse contexto que deu-se a desvalorização em meados de janeiro de 1999 e o ingresso de Chico Lopes na função de presidente do Banco Central. Ele assume, portanto, com o encargo de administrar a transição para o regime de câmbio flutuante.

Ao assumir, revela-se que dois pequenos bancos, Marka e FonteCindam, oriundos de corretoras de valores, haviam montado posições de tamanho desproporcional na BM&F, apostando contra a desvalorização do real. Diante da elevação ocorrida com a flutuação do câmbio, a incapacidade desses bancos de fazerem frente às suas perdas ameaçaria a liquidez da própria BM&F, comprometendo todo o sistema de liquidação e provocando uma crise sistêmica de proporções colossais, em um cenário já muito fragilizado pela flutuação do câmbio.

Para debelar esse risco, o Banco Central tomou a decisão extrema de liquidar compulsoriamente as posições dos dois bancos abaixo do preço de mercado (o que atenuou em muito o prejuízo dos dois bancos e acarretou perdas para o Banco Central).

Lembro-me de ter pensado à época que a decisão se justificava e foi essencial para preservar o equilíbrio do mercado; ainda penso assim. Como diz o próprio Chico Lopes, em depoimento de 2019: “não houve crise bancária, não houve recessão e a inflação ficou baixíssima”. Vale lembrar que a Argentina, quando implementou o câmbio flutuante três anos mais tarde, provocou uma crise tão aguda que teve cinco presidentes da República em um espaço de duas semanas.

Ocorre que o controlador do Banco Marka buscou chantagear o Banco Central, alegando ter recebido —e pago— por informações privilegiadas de pessoas ligadas a Chico Lopes.

A situação é realmente kafkiana: como quebrar, dispondo-se de informação privilegiada? Há uma única resposta possível: dispor-se da informação privilegiada errada (uma demonstração didática e divertida dessa situação está no filme “Trocando as Bolas” com Eddie Murphy). Nesse caso, o Banco Marka teria comprado a informação de quem não a tinha, provando assim a inocência de Chico Lopes.

Apesar de terminar sendo absolvido, o escândalo que se seguiu abalou profundamente Chico Lopes. Lembro-me de cerca de um ano depois um amigo dizer-me ter ouvido que ele, Chico, “achava que estava até bem, considerando que havia sido atropelado por um ônibus”. Ele, que já era naturalmente tímido, tornou-se recluso, reduziu sua consultoria a ponto de ter apenas uma secretária e impôs-se um certo ostracismo em relação ao mundo financeiro.

Ainda o encontrei algumas vezes, mas as oportunidades foram escasseando à medida em que fiquei mais intensamente envolvido profissionalmente.

Claramente minha tristeza não foi apenas pela sua morte; foi por dar-me conta de ter perdido o contato como consequência da enorme injustiça de que ele foi vítima.

Link da publicação: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/candido-bracher/2026/05/chico-lopes-a-anatomia-de-uma-queda.shtml

As opiniões aqui expressas não refletem necessariamente as do CDPP, tampouco as dos demais associados.

Call Matinal 0206

 Call Matinal

02/06/2026

Julio Hegedus Netto, economista

 

MERCADOS EM GERAL

 

FECHAMENTO (0106)

MERCADOS

O Ibovespa caiu 0,91%, aos  172.197,46 pontos na segunda-feira, após mínima de 171.792,82 pontos e máxima de 173.975,31 pontos, em sessão marcada pelas incertezas sobre as negociações entre EUA e Irã. No mercado cambial, o dólar à vista recuou 0,40%, a R$ 5,0227, beneficiado pela disparada do petróleo, movimento que favoreceu moedas de países produtores da commodity.

 

PRINCIPAIS MERCADOS

Os mercados globais operam nesta terça-feira (02), sob nova tensão geopolítica, após a agência iraniana Tasnim reportar que o Irã interrompeu as negociações com os EUA em resposta a ataques de Israel contra o Hezbollah no Líbano. Momentos após a divulgação, Trump disse que "não se importaria caso as negociações acabassem". O petróleo recua levemente após a forte alta de ontem. Na Ásia, Shanghai subiu 0,43% e o Kospi avançou 0,15%, enquanto o Nikkei recuou 0,30%. Na Europa, CAC sobe 0,63% e FTSE avança 0,29%. Os futuros de Wall Street recuam 0,11%.

 

 

 

 

MERCADOS 5h30

 

 

Índices

Comentários

EUA

Dow Jones Futuro: -0,19%

S&P 500 Futuro: -0,18%

Nasdaq Futuro: -0,03%

O noticiário sobre a guerra é monitorado, mas sem maiores novidades concretas em relação a uma possível prorrogação do cessar-fogo ou reabertura do Estreito de Ormuz. Bolsas entregam.

 

Ásia-Pacífico

Shanghai SE (China), +0,43%

Nikkei (Japão): -0,30%

Hang Seng Index (Hong Kong): +2,52%

Nifty 50 (Índia): +0,57%

ASX 200 (Austrália): -0,06%

A maioria das bolsas asiáticas fechou em alta com os ganhos no setor de tecnologia, à medida que o otimismo em relação à IA prevaleceu sobre a incerteza com a guerra.

 

 

 

Europa

STOXX 600: +0,88%

DAX (Alemanha): +1,32%

FTSE 100 (Reino Unido): +0,51%

CAC 40 (França): +1,16%

FTSE MIB (Itália): +1,39%

As bolsas europeias operam em boa alta hoje. 

 

 

 

Commodities

 

 

 

Petróleo WTI, -1,68%, a US$ 90,61 o barril

Petróleo Brent, -1,87%, a US$ 93,20 o barril

Minério de ferro negociado na bolsa de Dalian, +0,77%, a 786,50 iuanes (US$ 116,26)

O petróleo deu uma recuada, depois da forte alta de ontem. Ajuste técnico, mas sem garantias de que o pior já passou. Ainda vivemos no sobressalto da guerra do Oriente Médio.

 

 

 

NO DIA, 0206

Acordamos nesta terça-feira (02) na expectativa de como Donald Trump, nas suas estratégias de “morde e assopra”, deve conseguir acalmar os ânimos no Oriente Médio. Disse que conversou com Netanyahu e com o Hezbollah para evitar uma ofensiva imediata em Beirute, mas o mercado já começa a desconfiar. Em Wall Street, as bolsas continuam sustentadas pela euforia com inteligência artificial. Hoje, o foco recai sobre o Jolts nos EUA e a inflação da zona do euro. Aqui, a agenda é esvaziada. A percepção que se tem é que Netanyahu e Trump não estão nada alinhados, com o judeu encarando que guerra é guerra e não se pode ceder às chantagens dos grupos terroristas, que continuam atacando, neste caso, o Hezbollah e sua alucinada “guerra santa”. Para piorar, Trump, depois de considerar CV e o PCC como grupos terroristas, ameaça retaliar comercialmente contra o Brasil. Nada mais sintomático. O problema é que Trump é assim mesmo. Ameaça, fala que vai fazer, e não faz. Alguém duvida que esta guerra com o Irã deve se arrastar, até porque não foram derrubados os ditaduras de turba? A guarda revolucionária continua por aí…

 

Agenda macro

 

 

Terça-feira, 02 de junho

 

EUA

 

Zona do Euro

Abertura de vagas (Jolts), com números de abril. A previsão é de mais 6,8 mil.

Inflação da zona do euro de maio (CPI). Saltou para 3% em abril, contra 2,6% em março e bem acima da meta de 2% do BCE.

 

 

 

Boa terça-feira para todos!

BDM Matinal Riscala

 *Bom Dia Mercado*


Terça Feira,02 de Junho de 2.026.


*Selic entra em modo hawk com guerra sem fim*


… O mercado inicia a terça-feira tentando calibrar até onde Trump consegue impedir uma escalada mais grave no Oriente Médio. Após um dia de forte tensão, o presidente americano tentou reconstruir a percepção de controle ao afirmar que conversou com Netanyahu e com o Hezbollah para evitar uma ofensiva imediata em Beirute. O petróleo perdeu força, mas seguiu perto de US$ 95, enquanto investidores passaram a desmontar apostas de cortes mais profundos de juros no Brasil. Em Wall Street, as bolsas continuam sustentadas pela euforia com inteligência artificial. Hoje, o foco recai sobre o Jolts nos Estados Unidos e a inflação da zona do euro. Aqui, a agenda é esvaziada.


TRUMP TENTA ACALMAR AS TENSÕES – O mercado voltou a oscilar entre o medo de uma escalada regional e a esperança de que o presidente Donald Trump ainda consiga evitar o colapso das negociações de paz no Oriente Médio.


… O dia começou com forte deterioração do cenário, após o Irã suspender as comunicações com os Estados Unidos em protesto contra a ofensiva de Israel no Líbano e ameaçar endurecer o bloqueio no Estreito de Ormuz.


… Ao longo da tarde, porém, Trump tentou reconstruir a percepção de controle, afirmando que conversou com Benjamin Netanyahu e com representantes ligados ao Hezbollah para evitar uma escalada imediata em Beirute.


… O petróleo perdeu força, após superar US$ 97 (Brent), mas seguiu perto das máximas do dia. Ainda fechou com alta acima de 4% (abaixo).


… A nova escalada começou após Israel ampliar as operações no sul do Líbano, no fim de semana, assumindo o controle operacional da região de Beaufort e ameaçando atingir subúrbios de Beirute caso os ataques do Hezbollah continuem.


… O Irã reagiu elevando o tom das advertências contra Israel e afirmando que a “paciência militar tem limite”. A Guarda Revolucionária também confirmou um ataque contra um navio com bandeira do Panamá no Mar de Omã, em retaliação a ações americanas na região.


… Ao longo do dia, Trump passou a tentar evitar que o mercado comprasse um cenário de ruptura total das negociações.


… Em diferentes declarações, afirmou que “não se importa” se houver silêncio temporário nas conversas com Teerã, mas também disse que as negociações entre Washington e Teerã continuam “em ritmo acelerado”.


… Mais tarde, afirmou ter pedido a Netanyahu que evitasse uma grande ofensiva em Beirute e disse que representantes ligados ao Hezbollah concordaram em interromper os ataques contra Israel.


… A sinalização da Casa Branca ajudou a aliviar parcialmente os ativos globais, mas sem eliminar a percepção de risco.


… Entretanto, o próprio Netanyahu afirmou depois da conversa com Trump que Israel continuará operando no sul do Líbano e poderá voltar a atacar Beirute caso o Hezbollah mantenha ofensivas contra cidades israelenses.


… A Bloomberg destacou que as versões contraditórias entre Trump e Netanyahu reforçaram a percepção de um cessar-fogo extremamente frágil e de uma negociação ainda distante de uma solução definitiva.


… O Irã insiste que qualquer acordo mais amplo com Washington precisa incluir o fim das operações israelenses no Líbano, enquanto o governo americano tenta evitar que a crise energética provoque nova disparada da inflação global.


… O mercado também voltou a considerar o risco de uma interrupção prolongada do fluxo de petróleo, após especialistas ouvidos pela Opep+ alertarem que os efeitos sobre a oferta podem durar até o fim do ano, mesmo em um cenário de reabertura relativamente rápida de Ormuz.


… Nos Estados Unidos, refinarias operam perto da capacidade máxima e vêm adiando manutenções para aproveitar a forte demanda.


TARIFAS E INFLAÇÃO – Em mais um sinal de preocupação com os efeitos inflacionários da guerra, a Casa Branca anunciou redução de tarifas sobre equipamentos agrícolas, como colheitadeiras e ceifadeiras, para aliviar os custos de produtores e fabricantes americanos.


… Segundo decreto de ontem à noite, as tarifas cairão de 25% para 15% a partir de 8 de junho e permanecerão nesse patamar até o fim de 2027.


… Trump justificou a medida citando o aumento dos custos provocado pela disparada do diesel e pela turbulência no Golfo Pérsico. O mercado global de alumínio também vem sendo pressionado, já que a região responde por quase 10% da oferta mundial da commodity.


HAWKISH – No Brasil, o pano de fundo da guerra sem fim no Oriente Médio levou o mercado a revisar as perspectivas para o ritmo da Selic, ampliando as apostas de que o Banco Central terá pouco espaço para continuar calibrando os juros nos próximos meses.


… A combinação de petróleo pressionado, de nova deterioração das expectativas de inflação, atividade resiliente e o receio sobre a credibilidade da autoridade monetária reforçou uma visão mais conservadora para o Copom, nesta segunda-feira.


… A virada ocorreu após o Focus voltar a mostrar piora das projeções para o IPCA, especialmente nos horizontes mais longos, ao mesmo tempo que o avanço do petróleo reacendeu temores de efeitos secundários sobre combustíveis, alimentos e inflação global.


… Em reuniões com o diretor de Política Econômica, Paulo Picchetti, economistas discutiram o espaço cada vez menor para novos cortes do juro.


… Segundo relatos obtidos pela Broadcast, parte dos participantes chegou a levantar preocupação com a credibilidade do Banco Central caso o Copom continue reduzindo os juros diante da piora do cenário inflacionário.


… A percepção predominante no mercado ainda aponta para um corte de 25 pontos-base em junho, levando a Selic para 14,25%, seguido de pausa já em agosto. Mas ganhou força ao longo do pregão a ala que defende interromper imediatamente o ciclo de flexibilização.


… O debate ficou ainda mais sensível porque o mercado também passou a revisar para cima os riscos inflacionários dos próximos trimestres.


… Além do petróleo e da guerra no Oriente Médio, economistas citaram atividade doméstica ainda forte, impactos potenciais do El Niño sobre alimentos e até efeitos da PEC do fim da escala 6×1 sobre serviços intensivos em mão de obra.


… A visão mais cautelosa também apareceu em declarações de nomes ligados ao BC.


… O Itaú elevou sua projeção para a Selic no fim do ano, enquanto Bruno Serra Fernandes, ex-diretor do Copom e hoje na Itaú Asset, afirmou que preferiria interromper o ciclo de cortes diante do ambiente mais adverso para a inflação.


… Gestores e economistas também passaram a destacar que a economia brasileira continua rodando acima do esperado, após o PIB forte do primeiro trimestre e diante da expectativa de aceleração da produção industrial em abril.


… O pano de fundo reforça a leitura de que o BC terá dificuldade para entregar cortes mais profundos sem reacender ainda mais as dúvidas sobre a convergência da inflação (leia mais abaixo, em Mercados).


AFTER HOURS – O pós mercado em Nova York reforçou a percepção de que o mercado continua extremamente disposto a comprar inteligência artificial, mesmo em meio às tensões geopolíticas e à pressão sobre os juros globais.


… A HP disparou 28% após divulgar um balanço muito acima das expectativas e puxou novamente o humor do setor de tecnologia.


… O lucro ajustado por ação da companhia ficou em US$ 0,79, bem acima do consenso de mercado, de US$ 0,53, enquanto a receita avançou 40% na comparação anual, para US$ 10,68 bilhões. O desempenho foi impulsionado principalmente pelas áreas de Networking e Nuvem & IA.


… A divisão de Networking registrou receita de US$ 2,7 bilhões, com crescimento superior a 148%, enquanto o segmento de Nuvem e Inteligência Artificial somou US$ 7,7 bilhões, avanço de 22,9% em um ano.


… A HP ainda elevou sua projeção de lucro por ação para o ano fiscal completo e reforçou a expectativa de forte expansão de receita em 2026, ajudando a sustentar a narrativa de continuidade do ciclo de investimentos em infraestrutura para IA.


… Em direção oposta, a Alphabet caiu 0,70% no after hours após anunciar um plano de captação de US$ 80 bilhões para ampliar sua infraestrutura voltada à inteligência artificial. O mercado reagiu com cautela ao tamanho da operação.


… O pacote inclui US$ 30 bilhões em ofertas públicas de ações, US$ 40 bilhões via programa de venda direta no mercado e outros US$ 10 bilhões aportados pela Berkshire Hathaway, de Warren Buffett.


… Já o Nubank caiu 5% após anunciar a saída do CFO Guilherme Lago.


… O executivo será substituído por Rob Livingston, ex-CFO da Visa para a América do Norte. Apesar de David Vélez afirmar que a troca não altera a estratégia da companhia, o mercado reagiu negativamente à mudança inesperada no comando financeiro da fintech.


CURTAS DA POLÍTICA – A Câmara deve deixar para depois a votação do projeto do governo que prevê redução proporcional de tributos federais sobre combustíveis a partir do aumento extraordinário de arrecadação.


… Apesar de constar formalmente na pauta desta terça-feira, a avaliação em Brasília é de que o texto dificilmente será apreciado nesta semana, em meio à ausência de Hugo Motta e de líderes partidários que participam de eventos em Portugal.


… Com isso, a tendência é de que a sessão deliberativa da Câmara fique concentrada em pautas ligadas à saúde e acordos internacionais, enquanto o governo segue tentando avançar em medidas para amortecer o impacto da alta do petróleo sobre os combustíveis.


ESCALA 6 X 1. No Senado, a oposição começou a pressionar para ampliar o debate da PEC do fim da escala 6×1, incluindo temas defendidos pelo setor produtivo, como acordo individual e remuneração por hora trabalhada.


… A proposta aprovada pela Câmara prevê redução gradual da jornada semanal de 44 para 40 horas e adoção da escala 5×2.


RETALIAÇÕES. Em entrevista ao SBT News, o ministro Dario Durigan admitiu preocupação com uma eventual nova rodada de tarifas americanas contra produtos brasileiros, no âmbito das investigações conduzidas pelos Estados Unidos com base na Seção 301 da Lei de Comércio.


… Durigan afirmou que o governo tenta convencer Washington de que o Pix não prejudica empresas americanas e argumentou que o sistema aumentou o volume de transações no Brasil, beneficiando inclusive companhias dos Estados Unidos que operam no País.


NOVO DESENROLA. Na mesma entrevista, o ministro também afirmou que o governo deve anunciar em breve uma nova etapa do Desenrola voltada para consumidores adimplentes, em uma tentativa de impedir aumento da inadimplência em meio aos juros elevados.


NOVO EMBAIXADOR. O presidente Donald Trump indicou ontem Daniel Perez para assumir a embaixada americana no Brasil. Filho de imigrantes cubanos e ex-presidente da Câmara da Flórida, Perez substituirá Elizabeth Bagley, indicada ainda no governo Biden.


MAIS AGENDA – A terça-feira tem agenda mais esvaziada no Brasil, mas o mercado continua extremamente sensível aos desdobramentos da guerra no Oriente Médio, ao comportamento do petróleo e aos sinais sobre atividade e inflação global.


… Nos Estados Unidos, o principal destaque do dia será o relatório Jolts, que mede a abertura de vagas de trabalho e ajuda a calibrar as apostas para os juros do Fed. O Jolts de abril será divulgado pelo Depto do Comércio às 11h.


… A expectativa é de leve desaceleração no número de vagas abertas, de 6,866 milhões para 6,8 milhões, em mais um teste para a percepção de resiliência do mercado de trabalho americano.


… O dado ganha importância em uma semana marcada por indicadores relevantes de emprego nos Estados Unidos, culminando no payroll de sexta-feira, em meio ao receio de que a alta do petróleo complique ainda mais o cenário inflacionário para o Fed.


… Antes disso, investidores acompanham a prévia do CPI da zona do euro, às 6h. A expectativa é de aceleração da inflação cheia para 3,3% em 12 meses, enquanto o núcleo deve subir para 2,4%, reforçando o debate sobre o ritmo de flexibilização monetária do BCE.


… Na agenda de política monetária internacional, o destaque fica ainda para falas de dirigentes do Fed e do BoE ao longo do dia.


NO BRASIL – A Fenabrave divulga os números de vendas de veículos de maio, enquanto o IPC-Fipe abre o calendário de inflação do mês.


… O mercado também começa a ajustar expectativas para os dados da produção industrial de abril, que serão conhecidos amanhã e devem mostrar aceleração após o PIB forte do primeiro trimestre. No mesmo dia, sai a balança comercial de maio.


… Na agenda de autoridades, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, recebe às 15h o CEO do Bradesco, Marcelo Noronha, em Brasília, em meio ao aumento das discussões sobre o espaço para novos cortes na Selic.


… Já o ministro da Fazenda, Dario Durigan, concede entrevista à TV Record pela manhã e depois participa de reunião virtual com a CVM.


… No setor de energia, o secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Gustavo Ataíde, participa de audiência pública na Câmara no lugar do ministro Alexandre Silveira, que está de férias.


VALE A PENA SUBIR DE NOVO – O otimismo com a inteligência artificial continuou dominando os negócios em Wall Street, que mais uma vez ignorou o impasse nas negociações sobre a guerra e até a disparada do petróleo (abaixo).


… Os principais índices renovaram seus recordes de fechamento: o Dow Jones fechou em leve alta de 0,09% (aos 51.078,88 pontos). O S&P 500 avançou 0,26% (7.599,96). E o Nasdaq ganhou 0,42% (27.086,81).


… O estopim do dia foi Nvidia (+6,25%), que lançou o chip RTX Spark em parceria com a Microsoft (+2,28%), para melhorar a experiência de IA em laptops e computadores de mesa, competindo com AMD (-1,18%) e Intel (+0,32%).


… Aproveitando a onda, os papéis da Dell, que já tinham subido quase 33% na sexta-feira, avançaram mais 10,70%. Oracle (9,9%) e HP (8,5%) também surfaram.


FOGO NO PARQUINHO – O petróleo corrigiu boa parte da queda acumulada na semana passada, com investidores reagindo a relatos de que o Irã teria abandonado as negociações com os Estados Unidos.


… Segundo a agência iraniana Tasnim, Teerã decidiu tomar medidas para fechar completamente o Estreito de Ormuz, em retaliação ao que chamou de contínuas violações do cessar-fogo, especialmente no Líbano, por parte de Israel.


… Em seu melhor estilo morde e assopra, Donald Trump primeiro disse à CNBC que “não me importo” se as negociações terminarem. “Se os iranianos tentarem obter uma arma nuclear, eu os destruirei completamente.”


…Depois, foi à Truth social dizer que as negociações com o Irã continuam “em ritmo acelerado”. Também afirmou que teve uma “conversa muito boa com o Hezbollah”. “Israel não atacará o Hezbollah e o grupo também não os atacará.”


… Em meio à guerra de versões, depois de beirar os 8% de alta no início da tarde, o petróleo mostrou algum alívio no fechamento: o Brent para agosto subiu 4,23%, a US$ 94,98, enquanto o WTI para julho avançou 5,49%, a US$ 92,16.


O NÚMERO É 14 – Os juros futuros tiveram mais uma sessão de acúmulo de prêmios, especialmente no fim da sessão, com todos os vértices fechando acima de 14%. Além da alta do petróleo, a cena doméstica fez preço.


… Os últimos dados da economia brasileira acenderam a luz amarela, mostrando atividade resiliente e tendência de alta da inflação.


… As conversas recentes de economistas com diretores do Banco Central reforçaram a percepção de que o ciclo de afrouxamento deverá ser mais curto, com mais um ou dois cortes da Selic.


… O boletim Focus de ontem trouxe revisão das projeções de IPCA em 2026 (de 5,04% para 5,09%); 2027 (de 4,01% para 4,02%) e 2028 (de 3,65% para 3,66%). A previsão para o PIB deste ano também subiu, de 1,89% para 1,90%.


… Flávio Serrano, do BMG, disse ao Broadcast que a curva indica uma Selic terminal de 14,25%. Para a reunião de junho, há cerca de 70% de chance de corte de 0,25 pp, com um corte residual projetado para o Copom de agosto.


… No fechamento, o DI para janeiro de 2027 marcava 14,205% (de 14,083% no ajuste anterior); Jan/28 a 14,100% (13,888%); Jan/29 a 14,060% (13,841%); Jan/31 a 14,040% (13,884%); e Jan/33 a 14,095% (13,971%).


SEM IA PARA AJUDAR – A bolsa brasileira iniciou junho no vermelho, em seu quinto pregão seguido de queda, deixando cada vez mais distante o sonho de romper os 200 mil pontos, quase alcançado em meados de abril.


… Além da tensão externa, com nova disparada de petróleo e indefinição sobre o fim da guerra, o quadro doméstico tem prejudicado as ações locais, especialmente as mais sensíveis aos juros altos, pelo risco de a Selic parar em 14%.


… E o boom da IA, que tem sustentado os ganhos recentes de Nova York, não consegue fazer preço no Ibovespa, porque o índice brasileiro é concentrado em commodities e não tem exposição à nova tecnologia.


… O Ibovespa fechou em baixa de 0,91%, aos 172.197,46 pontos, com giro de R$ 28,4 bilhões. O desempenho só não foi pior graças à Petrobras (ON +1,31%, a R$ 47,34; e PN +0,88%, a R$ 42,37), de carona no petróleo.


… Vale pesou (-1,35%, a R$ 81,70) e foi pior até do que o minério de ferro (-0,19%). Os bancos ficaram no vermelho: BTG unit (-1,86%; R$ 52,75), Itaú PN (-1,65%; R$ 39,36), Bradesco PN (-1,13%; R$ 17,50), BB ON (-1,08%; R$ 20,08).


… A exceção foi Santander unit, que subiu 0,18% (R$ 27,21). Minerva ON (-5,15%, a R$ 3,50) liderou as perdas do Ibovespa, ainda repercutindo notícia da coluna Capital, de O Globo, de que estaria estudando fechar capital.


… RD Saúde ON (-4,44%, a R$ 17,86) e Suzano ON (-3,01%; R$ 40,65) completam o Top 3 negativo. Do lado positivo, Totvs ON (+4,32%, a R$ 34,50) liderou, seguido por Brava ON (+2,57%, a R$ 20,77) e Cosan ON (+2,11%, a R$ 3,88).


COM AJUDA DO PETRÓLEO – O dólar recuou 0,40%, para R$ 5,0227, com o real se beneficiando da alta da commodity, que tende a fortalecer as divisas de países produtores.


… O câmbio por aqui destoou do exterior (DXY +0,29%, aos 99,190 pontos), com o impasse sobre a guerra favorecendo a divisa americana. O euro recuou 0,24%, a US$ 1,1632. E a libra teve leve alta de 0,06%, a US$ 1,3459.


CIAS ABERTAS NO AFTER – Questionada pela CVM sobre plano de fechamento de capital, MINERVA diz que “não houve e não há, neste momento, qualquer definição” a respeito. Tema foi levantado em reportagem de O Globo.


MRV produziu 3.665 unidades habitacionais em maio, acima das 3.563 unidades de abril e 12,8% superior à média do 1TRI26.


TECNISA concluiu venda de participação de 26,09% na Windsor para o BTGI Quartzo, veículo do BTG Pactual, por R$ 260,9 milhões.


… Empresa ainda mantém fatia de 26,41% na Windsor, sociedade que desenvolve o empreendimento Jardim das Perdizes, em São Paulo.


CEMIG GT vai captar até R$ 2 bilhões em debêntures simples, com prazo de 5 anos, em série única. Remuneração será definida após coleta de intenções e limitada a CDI+0,7%.


LOG CP aprova distribuição de R$ 250 milhões em dividendos intermediários, equivalentes a R$ 2,85994 por ação; pagamento será no dia 01/7; ação fica ex em 12/6.

Bankinter Portugal Matinal

 Análise Bankinter Portugal 


NY +0,2% US tech +0,7% US Semis +1,1% UEM -0,2% Espanha -1% VIX 18,7% Bund 3,01%. T-Note 4,45%. Spread 2A-10A USA=+40pb B10A: ESP 3,42% PT 3,37% ITA 3,74% FRA 3,61% Euribor 12m 2,76% (fut.12m 2,84%) USD 1,163 JPY 185,7/€ 159,7/$. Ouro 4.485$. Brent 95,3$. WTI 92,5$. Bitcoin -3,0% (71.368$). Ether -0,6% (2,003$).


SESSÃO: Durante a noite, Trump anunciou a suspensão dos ataques mútuos entre Israel e o Líbano e a retoma das conversações com o Irão. O risco geopolítico parece, assim, aliviar-se parcialmente, pelo que o cenário mais provável para hoje é uma abertura positiva na Europa, depois das quedas registadas na sessão de ontem.


Ontem foi uma sessão marcada pela volatilidade e por um fluxo intenso de notícias, com a geopolítica a ditar a direção dos mercados. As bolsas europeias encerraram em baixa (-0,2%), enquanto Nova Iorque conseguiu terminar ligeiramente em alta (+0,2%). Na Europa, continuou a pesar a deterioração do enquadramento geoestratégico, depois de o Irão ter anunciado a suspensão das negociações com os EUA para alcançar um acordo, pelo menos enquanto Israel mantivesse os ataques no sul do Líbano. Em consequência, o petróleo valorizou 3,2%, embora continue abaixo da importante barreira psicológica dos 100 dólares por barril. Ao mesmo tempo, as yields mantiveram-se afastadas de níveis preocupantes, com a T-Note abaixo de 4,50% e o Bund alemão abaixo de 3,0%, refletindo alguma contenção nas expectativas de inflação e de política monetária.


Em Nova Iorque, o tom foi mais construtivo. O setor tecnológico, e em particular os semicondutores, voltou a liderar os ganhos e a funcionar como principal motor do mercado. A NVIDIA destacou-se com uma valorização de 6,3%, apoiada na apresentação, em conjunto com a Microsoft, de um novo chip de inteligência artificial destinado ao segmento dos PCs. O forte desempenho do setor continua a sustentar o sentimento dos investidores e a compensar parte das incertezas associadas ao contexto geopolítico.


No plano empresarial, as atenções continuam concentradas na inteligência artificial. Ontem, a Anthropic apresentou à SEC uma versão preliminar confidencial do prospeto para uma futura admissão à bolsa. A avaliação potencial da empresa continua a alimentar o interesse dos investidores e confirma o forte apetite do mercado por ativos ligados à IA. Por outro lado, a Alphabet anunciou esta noite uma colocação no valor de 80.000 milhões de dólares, equivalente a cerca de 1,7% da sua capitalização bolsista. A notícia deverá exercer alguma pressão de curto prazo sobre as ações até serem conhecidos os detalhes finais da emissão, nomeadamente o preço e o eventual desconto aplicado aos investidores.


Para hoje, o principal destaque na Europa será a divulgação do IPC de maio da UEM, às 10h00 (+3,2% esperado vs. +3,0% anterior). Depois dos dados de inflação conhecidos na semana passada em países como Alemanha, França e Espanha, parece consolidar-se a ideia de que os efeitos inflacionistas decorrentes do conflito estão a revelar-se mais moderados do que inicialmente se receava. Mais importante ainda, não existem sinais claros de propagação à economia através de efeitos de segunda ordem. Este contexto continua a oferecer margem de manobra ao BCE e reforça o nosso ceticismo relativamente à subida de taxas que o mercado continua a descontar para a próxima semana. Nos EUA, serão divulgadas as JOLTS Job Openings às 16h00. Com o mercado de trabalho relativamente equilibrado e a atenção dos investidores centrada na evolução dos preços, o indicador dificilmente deverá alterar o rumo da sessão. A Fed continua numa posição confortável para manter uma abordagem de “esperar para ver”.


O cenário mais provável aponta para uma recuperação das bolsas europeias, revertendo parte das perdas de ontem, enquanto os mercados norte-americanos deverão manter um viés positivo, sustentados pela força do setor tecnológico e por um contexto macroeconómico que continua globalmente favorável.


FIM

segunda-feira, 1 de junho de 2026

Resumo: Aula de Catch-up Econômico nos países em desenvolvimento. Filipe Petres

 1 de junho de 2026

O processo para que países em desenvolvimento alcancem o nível de produção tecnológica dos países desenvolvidos é longo e mais complexo do que sugerem visões tradicionais, que se resumem à absorção de ciência e tecnologia e à emulação de instituições, com vistas à convergência com as nações ricas. Dentro da perspectiva evolucionária, as barreiras ao desenvolvimento são enfatizadas de forma que seus efeitos complexificam o processo de aprendizagem. Trata-se de um processo de longo prazo, que não possui uma resposta homogênea para cada território e está interligado aos Sistemas Nacionais de Inovação (SNI) e às políticas de Ciência, Tecnologia e Inovação (CTI).

Dentre as características que podem dificultar o desenvolvimento, há como exemplos:

  • O custo de oportunidade, que envolve retornos de longo prazo em uma realidade cada vez mais imediatista (algo que pode demorar décadas para se estabelecer);
  • As políticas de ciência, tecnologia e inovação, que constituem um “assunto órfão” (economistas, cientistas sociais e administradores tratam o tema de forma tangencial, e não como foco principal);
  • A maldição de países abundantes em recursos naturais, que podem preterir o desenvolvimento industrial;
  • Burocracias ineficientes, incapazes de incentivar e avaliar políticas de CTI;
  • A corrupção;
  • As ambiguidades do desenvolvimento (não existe um caminho padrão, e cada país precisa de uma solução própria);
  • A tragédia dos comuns (falta de incentivos para investimentos em bens comuns).

Muitas dessas características estão enraizadas no Estado e na sociedade em que se encontram, o que faz com que esta seja também uma discussão voltada ao crescimento econômico de longo prazo. No contexto do catch-up, são exemplos de estratégias as tentativas de saltos tecnológicos (leapfrogging), que pulam etapas ou criam novos paradigmas em determinado processo, bem como a reestruturação da posição do país nas cadeias globais de valor, por meio de empresas domésticas que passam a produzir tecnologias mais avançadas e menos dependentes (estratégia “In-Out-In”). Contudo, a atualização das capacidades tecnológicas é um processo não linear e sujeito a graves “falhas de transição”.

Nota-se que a simples construção de instituições que fomentem a ciência e a tecnologia não é suficiente nos países em desenvolvimento. É necessária a criação de um ecossistema que oriente o progresso tecnológico para a solução de problemas comuns da sociedade. Os mercados e as instituições também são, em razão da própria natureza desigual do sistema e da incerteza fundamental, suscetíveis a falhas, o que reforça a necessidade da presença do Estado nos esforços de desenvolvimento, por meio de políticas de CTI e da promoção da cooperação entre as firmas que compõem esse ecossistema.

Referências:

MALERBA, F.; LEE, K. (2021). An evolutionary perspective on economic catch-up by latecomers. Industrial and Corporate Change, v. 30, n. 4, p. 986-1010, 2021.

LEE, J.; LEE, K.; MEISSNER, D.; RADOSEVIC, S.; VONORTAS, N. (2021) Technology Upgrading and Economic Catch-Up: Context, Overview, and Conclusions. In: LEE, Jeong-Dong et al. (Org.). The Challenges of Technology and Economic Catch-Up in Emerging Economies. Oxford: Oxford University Press, p. 1-20.

ALBUQUERQUE, E. D. M. E. (2007). Inadequacy of technology and innovation systems at the periphery. Cambridge Journal of Economics, 31(5), 669-690.

NIOSI, J. (2010). Building national and regional innovation systems: institutions for economic development. Edward Elgar Publishing, cap 8.

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Notas sobre uso de IA: Utilizado o ChatGPT apenas para verificação gramatical e coesão textual.

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  A VERDADE É SIMPLES. Todo projeto bem-sucedido começa com uma decisão poderosa: planejar antes que apareçam problemas. Pesquisas mostram q...