domingo, 1 de fevereiro de 2026

Desafios do PT do Nordeste

*Pesquisas e desavenças indicam cenário mais desafiador da Era Lula para o PT no Nordeste*


Por Bianca Gomes, do Estadão


São Paulo, 31/01/2026 - O PT chega a 2026 enfrentando dificuldade em parte do Nordeste, considerado historicamente um “bastião da esquerda”. Pesquisas recentes indicam vantagem da oposição em Estados-chave como Bahia, Maranhão e Ceará, enquanto, em outros, os palanques seguem marcados por indefinições, disputas internas e negociações abertas.


Em boa parte da região, a estratégia do partido depende do envolvimento direto do presidente Lula (PT), tanto para bater o martelo sobre alianças quanto para servir como cabo eleitoral de candidaturas que hoje aparecem atrás nas pesquisas, caso do Rio Grande do Norte, por exemplo.


Em termos de candidaturas majoritárias aos Executivos estaduais, a esquerda corre o risco de perder uma parcela significativa do poder territorial acumulado nas últimas décadas.


Levantamento do cientista político Murilo Medeiros, da UnB, indica que, mantido o cenário apontado pelas sondagens mais recentes, a esquerda pode registrar, em 2026, seu pior desempenho nas eleições para governador no Nordeste desde a chegada de Lula ao Planalto, em 2002.


Siglas de centro e centro-direita, como MDB, PSD e União Brasil, lideram as intenções de voto na maior parte dos Estados - ainda que, em muitos deles, integrem alianças com partidos da esquerda.


Medeiros afirma que, embora a região Nordeste continue sendo estratégica para Lula, já não funciona como um reduto automático.


“O voto nordestino tornou-se mais volátil, urbano e pragmático, sensível a temas como custo de vida, segurança pública e qualidade dos serviços públicos”, diz Medeiros, citando a perda de capilaridade territorial do campo nos últimos pleitos. “Em 2018, partidos do campo progressista governavam estados que concentravam cerca de 90% do eleitorado nordestino. Esse percentual caiu para 74% em 2022 e agora pode recuar para algo próximo de 23%.”


Vitor Sandes, cientista político e professor da Universidade Federal do Piauí, adota um tom menos pessimista. Para ele, embora o PT corra riscos, a força da máquina federal - e também da máquina estadual, nos casos em que governadores petistas disputam a reeleição - e o voto casado com Lula tendem a reverter o cenário desfavorável das pesquisas.


“O PT corre alguns riscos no Nordeste, como no Maranhão e no Ceará, este último onde há um fato novo, que é Ciro Gomes. Também há desafios, sobretudo diante do movimento que o PSD fez ao lançar três pré-candidatos à Presidência, embora exista certa flexibilidade nos Estados”, avalia o especialista. “O mais importante para o partido é manter uma votação expressiva a Lula na região e garantir palanques fortes, mesmo que ele não saia com cabeça de chapa”, completa.


Broadcast+

A guerra q todos anunciam

 *A guerra que todos anunciam — e ninguém assume*


*Daniel Benjamin Barenbein*

_Jornalista | Analista político | Defensor de Israel_


Mais uma noite. Mais uma madrugada. Mais um domingo de expectativa, ansiedade e confusão — ou talvez tudo isso ao mesmo tempo.


Durante toda a semana, construiu-se a sensação de que o ataque ao Irã era iminente. Datas foram cravadas. O dia 31 de janeiro virou fetiche. Apostadores no Polymarket colocaram milhões de dólares na mesa. Houve quem dissesse que, se o ataque não ocorresse naquela madrugada, mais de 125 milhões seriam simplesmente perdidos. Outros juravam que aconteceria no fim de semana, talvez no domingo pela manhã.


Chegamos ao domingo. Dia 1º de fevereiro.

E, até agora, nada.


O que houve, na verdade, foi uma *construção de narrativa.* Um crescendo calculado: o tom subiu em Washington, subiu em Teerã, enquanto mais tropas americanas chegavam à região. Porta-aviões, baterias, sistemas antiaéreos. Tudo apontava para o “agora vai”.


Mas o “agora” nunca chega.


E aqui vale abrir um parêntese quase obrigatório, porque há algo de profundamente surreal nessa cobertura toda. Toda hora surgem “vazamentos” dizendo que os _Estados Unidos ainda não definiram o dia e a hora exata do ataque._ Como se guerra fosse reunião de condomínio. Como se alguém fosse ligar para Teerã e avisar:

“Olha, só para você se organizar: liga os radares, prepara as baterias antiaéreas, compra pipoca e pizza porque amanhã, às 3h17, começa.”


A exigência por data e hora exatas não é ingenuidade. É incompreensão básica do que é um conflito militar — ou má-fé travestida de análise.


Mas há algo muito mais grave nisso tudo.


Essa espera não é neutra.

Ela *custa vidas.*


Pode-se até argumentar que Donald Trump está fazendo terrorismo psicológico com o regime iraniano. Ou que está apenas ganhando tempo para se preparar melhor. Seja qual for a explicação, o fato é simples: *quem menos sofre com essa indefinição é o regime iraniano.* Eles têm serviços de inteligência, espionagem, leitura estratégica. Sabem muito mais do que aparentam.


Quem sofre são os outros.


Sofrem os israelenses, vivendo numa sociedade inteira suspensa entre o “vai” e o “não vai”. E sofrem, sobretudo, os iranianos comuns — aqueles que foram às ruas acreditando que o mundo os apoiaria.


E aqui entra um ponto moral impossível de ignorar.


Hoje já se fala em mais de *86 mil mortos* na repressão aos protestos no Irã. Não toda, *mas uma parcela dessa tragédia recai, sim, sobre os ombros de Donald Trump.*


Primeiro, porque no final da chamada “guerra dos 12 dias”, Trump ordenou que aviões israelenses retornassem quando Israel estava prestes a eliminar Ali Khamenei. O próprio Trump assumiu publicamente que salvou a vida do líder supremo iraniano — mais de uma vez. Muitas mortes posteriores simplesmente *não teriam acontecido* se aquela decisão tivesse sido diferente.


Segundo, porque Trump *convocou* a população iraniana. Incentivou protestos, falou em apoio, sinalizou que a ajuda estava a caminho. E ela não veio. Convocar pessoas a se exporem diante de um regime brutal, sem estar pronto para agir, não é estratégia: é irresponsabilidade.


Como disse Amir Tsarfati — e com razão — não há problema algum em os Estados Unidos se prepararem com calma, reforçarem tropas, fazerem tudo de forma profissional. Se for para derrubar o regime iraniano de maneira decisiva, melhor que seja bem feito.

O erro foi *convocar antes de estar pronto.* Isso custou sangue.


Do ponto de vista israelense, a situação é igualmente clara — e igualmente insuportável.


A esmagadora maioria da sociedade israelense está pronta para pagar o preço da guerra. Não por entusiasmo bélico, mas por exaustão histórica. Sabemos que, se o regime iraniano não cair agora, no seu momento de maior fraqueza, talvez nunca caia. O que nos espera, então, são apenas rounds intermináveis de conflito.


E há algo que poucos entendem:

é mais fácil lidar com o evento — alarmes, bunkers, custos reais — do que com essa agonia psicológica permanente do “é hoje ou não é?”. A espera prolongada corrói mais do que o impacto.


Voltemos a Trump.

Aqui entra um elemento decisivo: *o narcisismo.*


Dito sem histeria e sem demonização. Trump foi, sem dúvida, o melhor presidente americano para Israel. Fez movimentos históricos, corajosos, corretos. Mas ele é, sim, um narcisista — e isso não é um insulto, é uma constatação.


O homem que diz ter “inventado” o Iron Dome.

Que aceita para si um Nobel entregue a uma opositora venezuelana.

Que cria estruturas paralelas à ONU e se coloca como figura central.

Que fala em ter feito a paz no Oriente Médio “depois de 3 mil anos”.


Esse narcisismo tem dois lados.


O lado bom é que ele *empurra a História.* É o mesmo traço que o faz querer destruir o programa nuclear iraniano e sair como o homem que fez isso. É o mesmo impulso que o leva a reagir quando é afrontado publicamente — como foi por Maduro, como está sendo agora pelo Irã.


Mas há o lado destrutivo.

O mesmo narcisismo que o fez interromper operações por querer controlar o desfecho, o timing e o crédito político. A guerra termina quando ele decide que terminou. Mesmo que ainda não devesse.


Ainda assim, por esse mesmo traço psicológico, é difícil imaginar Trump recuando silenciosamente depois de ser desafiado repetidas vezes por Teerã. A dúvida real não é *se* haverá ataque, mas *quando* e com *qual escopo.*


E do lado iraniano, o comportamento é quase suicida.


O regime está no ponto mais fraco desde a revolução de 1979: crise hídrica, colapso elétrico, protestos internos, proxies destruídos. Ainda assim, provoca. Ironiza. Ameaça. Posta imagens chamando Trump de “cão que ladra, mas não morde”. Sugere novos atentados. Parece pedir a guerra.


Por quê?


Talvez para desviar a atenção da população.

Talvez para buscar uma guerra regional e se salvar no caos.

Talvez para forçar uma narrativa de vítima.

Ou talvez porque regimes em colapso tomam decisões irracionais.


As informações mais recentes só aumentam a névoa. Avaliações em Israel indicam que, se for um ataque limitado, os EUA já estariam prontos hoje. Se for uma operação ampla para derrubar o regime, ainda levaria de duas semanas a dois meses. Ao mesmo tempo, o chefe do Estado-Maior israelense esteve secretamente nos Estados Unidos coordenando cenários com os americanos.


Vai acontecer? Não vai? Agora? Depois?

A única certeza é a confusão.


E essa confusão não é abstrata. Ela tem custo humano, psicológico e político.


Guerras não são apenas bombas.

São decisões.

E decisões adiadas também matam.




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Delaçoes botam fogo no Congresso

 *‘BETO LOUCO’ E ‘PRIMO’ NEGOCIAM DELAÇÃO E AMEAÇAM ‘DERRUBAR METADE DO CONGRESSO’*


Por Fausto Macedo, Felipe de Paula e Aguirre Talento, do Estadão


 São Paulo, 31/01/2026 - Os empresários Mohamad Hussein Mourad, o ‘Primo’, e Roberto Augusto Leme da Silva, o ‘Beto Louco’ - os alvos mais importantes da Operação Carbono Oculto, que pegou o ‘andar de cima’ do PCC na Faria Lima - negociam acordo de delação premiada com o Ministério Público de São Paulo. As conversas são entabuladas com promotores que combatem o crime organizado.


 O Estadão apurou junto a emissários de ‘Beto’ e ‘Primo’ - ambos estão foragidos - que eles teriam informações explosivas, suficientes para ‘derrubar metade do Congresso’. “É coisa de mais de meio bilhão de reais em propinas a parlamentares e autoridades.”


Provas? Alegam ter em mãos uma coleção de mensagens de WhatsApp que indicam encontros pessoais ou com ‘laranjas’ para entrega de propinas, pagas em troca de ‘alívio’ para o setor de combustíveis, explorado por eles via uma colossal rede de postos do crime organizado.


“Chegaremos não só a empresários e empresas, mas a agentes públicos e eventualmente até políticos”, declarou, em nota, o procurador-geral de Justiça, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, chefe do MP paulista. “Nosso objetivo é impessoal.”


Segundo o procurador, ‘qualquer pessoa que tiver qualquer envolvimento, em qualquer etapa dessa cadeia criminosa, terá que se explicar e sofrerá as consequências penais, administrativas e cíveis cabíveis’.


A negociação de um eventual acordo não está sob alçada da Procuradoria-Geral, mas ainda em avaliação dos promotores da Carbono Oculto, deflagrada na manhã de 28 de agosto do ano passado.


 A Carbono é apontada como a maior ofensiva já realizada para deter a infiltração do crime organizado na economia formal. A ação atingiu o setor de combustíveis e também fintechs e fundos sediados na Avenida Faria Lima, na capital paulista.


 A estimativa é que braços do PCC tenham movimentado R$ 52 bilhões no período investigado, blindando os recursos por meio de 40 fundos de investimentos.De acordo com os investigadores, a BK Bank registrou R$ 17,7 bilhões em movimentações financeiras suspeitas. Eles estimam que um volume de 80% desse montante no período apurado tenha relação com o PCC.


 Na ocasião, o BK Bank informou que foi surpreendido com a operação e que ‘conduz todas as suas atividades com total transparência, observando rigorosos padrões de compliance’.


Entre as empresas citadas na investigação está a Reag Investimentos, que administrava o fundo de investimentos Location no primeiro semestre de 2020.


 O único cotista do fundo era Renato Steinle de Camargo.


 Segundo as investigações, Renato era ‘testa de ferro’ dos empresários Mohamad Hussein Mourad ‘Primo’ e Roberto Augusto Leme da Silva ‘Beto Louco’, supostamente ligados ao PCC.


‘Impacientes’


O Estadão apurou que ‘Beto Louco’ e ‘Primo’ estão ‘impacientes’. O acordo seria importante para eles tentarem se livrar de eventuais condenações por fraudes, sonegação, crimes tributários e organização criminosa. Mas suspeitam que autoridades de outras instâncias, especialmente em Brasília, não querem ouvir suas revelações.


“Já foram oferecidos anexos com relatos detalhados, mas até agora sentaram em cima em Brasília”, diz um interlocutor dos empresários foragidos. “É inacreditável, depois de tudo o que o País passou na Lava Jato, a operação que pôs abaixo um esquema fenomenal de corrupção e cartel na Petrobrás, e nada mudou. O que mudou foram os players, a corrupção mudou de mãos, não é mais dos empreiteiros, agora é de quem pegar.”


O Estadão pediu manifestação do advogado que representa ‘Beto Louco’ e ‘Primo’. Ele não quis falar sobre a negociação com a Promotoria de São Paulo.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Reconstrução do Botafogo

 Foram anos de reconstrução...lindos...mesmo com todos os problemas.

Um progresso nítido em tudo.

Primeiro ano de SAF: 

Segunda janela...Botafogo tinha acabado de voltar da segunda divisão e quase se classifica para a Libertadores, deixando escapar a vaga na última rodada. Mas foi surpreendente que já foi pra competição internacional.

Segundo ano de SAF: 

Estrutura melhorando. Técnico de ponta. Neste período surgiu e começou a se consolidar o CT Lournier.

Os avanços foram notáveis. O scout operou muito bem e vários bons jogadores foram contratados. 

Quase foi campeão. E se classificou para a Libertadores. Liderou boa parte do campeonato, com uma margem de gordura sensacional, mas acabou se perdendo na segunda fase. Uma nota de corte marcante foram derrotas de 4x3 em virada para o Palmeiras e o Grêmio.

A SAF já era uma realidade. 

Terceiro ano de SAF: 

Campeão Brasileiro e da Libertadores da América.

As dívidas estavam equacionadas e com as negociações caíram pela metade praticamente. 

Desde o primeiro ano todos os salários de jogadores e de funcionários estavam em dia. Também o pagamento das dívidas históricas de acordo com a lei da SAF e também com o que foi homologado na justiça.

Esse é o verdadeiro termômetro da administração do clube. Até agora essa parte está em dia. 

Quarto ano de SAF: 

Como em todos os anos anteriores praticamente não teve pré-temporada. Uma bagunça de técnicos amadores, interinos e meia boca...e a cereja no bolo...um técnico que não só não ganhou nada como profissional como não tinha nenhuma experiência profissional como técnico de algum time grande. O elenco é muito forte. 

Ficou meio desequilibrado com as contratações...que foram caríssimas e que tiveram pouco resultado. E foi uma bagunça que afeta o elenco atual porque um técnico participava de planejamento de contratações, mas o outro tinha outro esquema de jogo...ou seja...jogadores contatados não funcionavam com os técnicos que vieram depois...afetando o elenco atual.

Participou do Mundial de Clubes da FIFA e obteve a vitória mais importante dos clubes brasileiros que jogaram a competição vencendo o PSG no tempo normal. Quinto no da SAF: Começa com transfer ban histórico. Alguns sinais já tinham sido dados. Quando houve o primeiro transfer ban em Março do ano anterior e que foi resolvido praticamente no dia seguinte. Também houve queixas de empresários ao longo do tempo.

 Mas claramente não eram calotes...apenas eles recebem depois de todo mundo. Se isso está em contrato ou não...irritou esses malandros...que estavam recebendo. Mas os processos de cobranças de treinadores portugueses já deveria ser um sinal.

Ou seja, quando o dinheiro do Botafogo sai do país não há controle. Não só pelo "caixa único". Pelo que ficamos sabendo em 2026, todos os parcelamentos estão com algum tipo de atraso. E o mais chocante: Textor não pagou nenhuma parcela do caso Almada e ainda vendeu o jogador antes de começar a pagar!

Esse negócio de caixa único tá pior do que esquema de pirâmide.

Veja. O Lyon usa a essa história a seu favor. O dinheiro do Botafogo(que teria tido receita histórica de mais de 1,5bi) salvou o clube europeu do rebaixamento. Apesar dessa nota dessa Kang se vangloriando de estar salvando o clube, isso não seria possível sem dinheiro de títulos, premiações e negociações de jogadores do Botafogo.

Vejam o que eles fizeram. "Ah...o dinheiro veio da Eagle e não do Botafogo. Não devemos nada". Mas botaram no balanço que o Botafogo deve a eles. Ou seja, se é dívida veio do caixa único...se é crédito foi direto para o Botafogo.

O Botafogo foi assaltado por estrangeiros. Simples assim. Resumindo:enquanto o Botafogo estava organizado internamente...no Brasil,com a melhor equipe de scouting do Brasil e provavelmente das Américas,com trabalho sério das comissões técnicas,uma boa estrutura de CT,Nilton Santos é outro,está em outro nível,o gramado de alto nível certificado pela FIFA,área molhada no Estádio,área molhada no CT,centro de saúde e performance...pagando dívidas.Enfim,a estrutura não tá devendo para nenhum clube grande...o dinheiro estava indo para fora do país e sumindo. Só completando sobre 2025 e 2026.

2025 - Mesmo com esse caos de treinadores praticamente amadores e gastança ineficiente nas contratações terminou na parte de cima da tabela. E venceu o PSG. Por pura força do elenco.

2026 - Quando eu me refiro ao que se descobriu e sobre especificamente atrasos nos parcelamentos...eu me refiro às negociações com clubes estrangeiros e treinadores. Mas lamentavelmente o Textor está permitindo a Eagle sufocar o clube. Porque o Botafogo não está recebendo aportes(não empréstimos!) para deixar tudo OK.

Com isso descobrimos atrasos inaceitáveis de FGTS e direitos de imagem.

Aliás, atrasos que eram o suficiente para os jogadores saírem de graça se entrassem na justiça.

Álvaro Gribel

 COMENTÁRIO: DEFESA DE VORCARO EXPLORA DOIS CAMINHOS PARA TENTAR REVERTER PROCESSO NO CASO MASTER

Por Alvaro Gribel, do Estadão


 Brasília, 30/01/2026 - O defesa do banqueiro Daniel Vorcaro explora dois caminhos para tentar reverter na Justiça o processo contra ele envolvendo o Banco Master.


 De um lado, tumultua o caso perante a opinião pública, envolvendo políticos, autoridades e, especialmente, o Banco Central, para causar a impressão de que todos os personagens cometeram deslizes na história. Quanto maior a confusão, melhor para Vorcaro.


 Por outro, vai usar as diligências feitas pelo Tribunal de Conta da União (TCU) e as provas que não serão arquivadas pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), para encontrar qualquer tipo de brecha que possa ser usada tecnicamente contra o Banco Central.


 Toffoli, é sempre bom lembrar, convocou o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, para depor, como se fosse um investigado do caso, e só na última hora voltou atrás na convocação para que ele passasse por uma acareação com Vorcaro e o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa.


 Pessoas que acompanham o caso de perto também acham que não é mera coincidência que, nos dias seguintes em que Vorcaro foi criticado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tenham vazado para a imprensa informações de que banqueiro esteve com o presidente Lula no Palácio do Planalto e que o ex-ministro Guido Mantega recebeu recursos do banco, assim como o ex-ministro da Justiça e ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski.


 Outros casos que chamaram a atenção desses interlocutores são um suposto envio de mensagem pelo diretor do banco Central Ailton de Aquino sugerindo a compra pelo BRB de carteiras fraudadas pelo Master e a ida de Alexandre de Moraes à mansão de Vorcaro para "fumar charuto". A visão é de que há as digitais da defesa do banqueiro por trás do vazamento dessas e outras "informações".


 Também existe a desconfiança de que influenciadores foram pagos para sair em defesa do Banco Master nas redes sociais e para realizar ataques contra o Banco Central e autoridades que contrariaram interesses de Vorcaro. A PF identificou ataques orquestrados no final do ano passado, com muitos influenciadores que não têm qualquer relação com o sistema financeiro.


 O objetivo, em primeiro lugar, seria afastar a possibilidade de ser preso novamente. Em segundo, não ter os seus bens bloqueados. Assim, mesmo que não volte a ter o banco operando novamente, hipótese praticamente impossível do ponto de vista prático, ele seguiria livre para usufruir de sua fortuna.


 A lógica do banqueiro para tentar sair livre é: se todo mundo é culpado, ninguém é culpado no final.

Call Matinal 3001

Call Matinal

30/01/2026

Julio Hegedus Netto, economista

 

MERCADOS EM GERAL

 

FECHAMENTO (2901)

MERCADOS E AGENDA

Sextou! No mercado brasileiro de quinta-feira (29), o Ibovespa fechou em ajuste, recuando 0,84%, em 183.133 pontos. Já no mercado cambial, o dólar caiu 0,22% e encerrou o dia cotado a R$ 5,194.

 

PRINCIPAIS MERCADOS

Os índices futuros de Nova York operam em baixa nesta sexta-feira (30), com investidores adotando uma postura de aversão ao risco após o presidente dos EUA, Donald Trump, ter anunciado que já decidiu quem indicará para liderar o Fed.

 

 

MERCADOS 5h30

 

 

Índices

Comentários

EUA

Dow Jones Futuro: -0,79%

S&P 500 Futuro: -0,87%

Nasdaq Futuro: -1,11%

Trump afirmou na noite de quinta-feira que anunciaria na manhã desta sexta sua escolha para substituir o presidente do Fed, Jerome Powell. Pode ser Kevin Warsh, ex-governador do Fed.

Ásia-Pacífico

 

 

 

Shanghai SE (China), -0,96%

Nikkei (Japão): -0,10%

Hang Seng Index (Hong Kong): -2,08%

Nifty 50 (Índia): -0,38%

ASX 200 (Austrália): -0,65%

 

Europa

 

 

 

STOXX 600: +0,33%

DAX (Alemanha): +0,69%

FTSE 100 (Reino Unido): +0,06%

CAC 40 (França): +0,34%

FTSE MIB (Itália): +0,63%

 

Commodities

 

 

 

Petróleo WTI, -1,77%, a US$ 64,26 o barril

Petróleo Brent, -1,43%, a US$ 69,70 o barril

Ouro: US$ 5.030,66, -6,37%

Prata: US$ 100,26, -13,32%

Minério de ferro negociado na bolsa de Dalian, +0,06%, a 791,50 iuanes (US$ 113,91)

 Na Comex, divisão de metais da bolsa de Nova York (Nymex), o ouro para abril encerrou em alta de 0,27%, a US$ 5.354,80 por onça-troy, pela 8ª sessão seguida, em dia marcado por volatilidade e tensões.

 

 

NO DIA, 3001

Fechamos a semana com Donald Trump protagonizando os principais eventos. Disse que deve anunciar o novo presidente do Fed nesta sexta-feira. Também conseguiu um acordo provisório com os democratas para evitar novo shutdown a partir deste sábado, ameaçou tarifas a países que venderem petróleo à Cuba e para os aviões vendidos pelo Canadá aos Estados Unidos. Sobre o risco de um ataque ao Irã, não há novidades. Nos bastidores, o nome de Kevin Warsh disparou nas plataformas de previsões do mercado como novo presidente do Fed. Com 88% das apostas no Polymarket e 83% na Kalshi, Warsh tomou o lugar do diretor de Investimentos da BlackRock, Rick Rieder, que se mantinha como favorito nos últimos dias, mas agora soma apenas entre 10% e 12%. Na agenda do dia, após o Caged fraco fortalecer a aposta de corte inicial de 0,50pp da Selic, destaque hoje para a Pnad Contínua. Na China, segue a redução das participações em títulos do Tesouro dos EUA, agora no nível mais baixo dos últimos 18 anos, de US$ 680 mil milhões, ao mesmo tempo que acumula reservas de ouro recorde, oficialmente registadas em 2.306 toneladas. Dizem que a verdadeira acumulação de ouro da China é potencialmente dez vezes maior do que a reportada, indicando uma redução estratégica do risco em preparação para potenciais mudanças geopolíticas.

 

Boa sexta-feira para todos! Feliz 2026 ! 

BDM Matinal Riscala

 Bom Dia Mercado

Sexta Feira,30 de Janeiro de 2.026.

Trump anuncia hoje sucessor de Powell

… Foi uma noite cheia de notícias que importam para os mercados e Trump protagonizou a maioria delas. O presidente prometeu anunciar nesta manhã o sucessor de Powell. Também conseguiu um acordo provisório com os democratas para evitar novo shutdown a partir deste sábado, ameaçou tarifas a países que venderem petróleo à Cuba e para os aviões vendidos pelo Canadá aos Estados Unidos. Sobre o risco de um ataque ao Irã, não há novidades. No after hours, um alerta da Apple sobre as margens de lucro ampliou as dúvidas sobre os investimentos em IA. Na agenda, após o Caged fraco fortalecer a aposta de corte inicial de 0,50pp da Selic, destaque hoje para a Pnad Contínua.


O NOVO FED – Depois de muito suspense, o presidente Trump disse que anunciará hoje o nome do novo presidente do Federal Reserve, que substituirá Jerome Powell a partir de maio, quando vence seu mandato. “Anunciarei amanhã de manhã.”


… Trump entrava em evento para exibição do filme “Melania”, quando foi perguntado por repórteres sobre o anúncio do sucessor do Fed.


… Entre os quatro principais cogitados para o cargo estão o executivo da BlackRock Rick Rieder, o ex-diretor do Fed Kevin Warsh, o atual diretor do BC americano Christopher Waller e o diretor do Conselho Econômico Nacional, Kevin Hassett.


… Assim que saiu a notícia, o nome de Kevin Warsh disparou nas plataformas de previsões do mercado como novo presidente do Fed.


… Com 88% das apostas no Polymarket e 83% na Kalshi, Warsh tomou o lugar do diretor de Investimentos da BlackRock, Rick Rieder, que se mantinha como favorito nos últimos dias, mas agora soma apenas entre 10% e 12%.


… Em terceiro lugar, está o diretor do Fed Christopher Waller, com 2% a 3%.


ACORDO COM DEMOCRATAS – Pouco antes, a Casa Branca fechou um acordo provisório com os senadores de oposição, afastando o risco de uma nova paralisação do governo americano. O prazo para a aprovação do financiamento no Capitólio se encerra hoje.


… O acordo foi negociado após os democratas do Senado bloquearam um pacote de gastos que financia o Departamento de Segurança Interna, terá duração de duas semanas e inclui a discussão de novos limites para a polícia de imigração – ICE.


CUBA… – Ainda ontem à noite, Trump escalou o tom contra o regime cubano, assinando ordem executiva para declarar emergência nacional e estabelecer um processo para impor tarifas sobre produtos de países que vendem petróleo a Cuba.


… E CANADÁ – E também ameaçou impor uma tarifa de 50% sobre “qualquer e toda aeronave vendida” do Canadá para os Estados Unidos, caso o país vizinho continue se recusando a certificar certos jatos da empresa americana Gulfstream.


AS AMEAÇAS AO IRÃ – No cenário de fundo, permanece o risco geopolítico no radar do fim de semana.


… Ao mesmo tempo que mantém aberta a via diplomática com o Irã, o presidente voltou a dizer em reunião de gabinete que há uma “grande frota de navios americanos a caminho do Oriente Médio”, reforçando a estratégia de pressão militar.


… As agências internacionais noticiam que, sem concessões do regime dos aiatolás, Trump cogita um ataque para fragilizar o governo iraniano, que reitera seu direito a atividades nucleares pacíficas e alega que seus mísseis balísticos são uma ferramenta de defesa.


… O presidente dos Estados Unidos estaria ficando “cada vez mais impaciente”.


… Nesta quinta, o ministro da Defesa saudita, Khalid bin Salman, reuniu-se com Marco Rubio e Steve Witkoff, em Washington, alertando que um ataque mais poderoso do que em 2025 às instalações nucleares do Irã (como Trump promete) vai desestabilizar a região.


… A mesma advertência foi feita pela Rússia, que pede aos Estados Unidos para evitarem o uso da força contra o Irã.


… O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que qualquer ação coercitiva vai gerar caos em todo o Oriente Médio e levaria a consequências muito perigosas em termos de desestabilização do sistema de segurança na região.


UCRÂNIA – Putin teria concordado com o pedido de Trump para suspender bombardeios na Ucrânia durante onda de frio no país. “Pessoalmente, pedi ao presidente Putin que não disparasse contra Kiev e outras cidades por uma semana, e ele concordou.”


… Segundo ele, a liderança ucraniana “quase não acreditou”, mas ficou “muito satisfeita” com a promessa do líder russo.


APPLE – Apesar do balanço forte, que superou estimativas de lucro, receita e vendas, um alerta da Apple sobre as margens de lucro esvaziou os ganhos iniciais de mais de 3% da ação no after hours, colocando os futuros de Nova York em baixa.


… A empresa afirmou que o aumento dos custos de componentes ameaça comprimir suas margens, acentuando as preocupações sobre os gastos sem precedentes com IA, após a Amazon anunciar negociações para investir até US$ 50 bilhões na OpenAI.


… A alta no lucro líquido de US$ 42,1 bilhões no 1Tri fiscal de 2026 da Apple foi de 19%. O lucro por ação (US$ 2,84) ficou acima da expectativa da FactSet (US$ 2,68). E a receita de US$ 143,8 bilhões no trimestre encerrado em dezembro (+16%) também superou previsões.


… Os novos aparelhos iPhone 17 bateram recorde de receita para os telefones no trimestre (US$ 49,02 bilhões). Só as vendas de iPhones cresceram 23%, para US$ 85,3 bilhões. Ainda o segmento de serviços registrou um recorde histórico (US$ 28,75 bilhões).


… No fechamento do after hours, a ação da Apple ainda subia: 0,55%.


BALANÇOS DE HOJE – Antes da abertura do mercados em Nova York, saem os resultados das petrolíferas Chevron (previsão de lucro de US$ 1,42 por ação) e Exxon Mobil (US$ 1,70), além da American Express (US$ 3,54) e Verizon (US$ 1,05).


INDICADORES LÁ FORA – A inflação ao produtor americano é destaque às 10h30, depois de as respostas evasivas de Powell na coletiva do Fed essa semana não terem dado pistas sobre quando os cortes de juros serão retomados.


… O índice cheio do PPI deve acelerar para 0,3% em dezembro, contra 0,20% em novembro. Também o núcleo tem expectativa de alta de 0,3%, após ter ficado estável no mês anterior. Já na base anual, deve sair de 3% para 2,8%.


… Saem ainda nos Estados Unidos o PMI medido pelo ISM/Chicago (11h45), que deve piorar para 42 em janeiro, de 43,5 em dezembro, e os dados da Baker Hughes sobre os poços e plataformas de petróleo em operação (15h).


… Dois integrantes do Fed falam: Alberto Musalem (14h30) e Michelle Bowman, já com os mercados fechados (19h). Mas todo o foco de interesse dos investidores estará concentrado hoje no anúncio do sucessor de Powell.


… Na Europa, o PIB do quatro trimestre sai zona do euro (7h), França (3h), Espanha (5h), Alemanha (6h), Itália (6h) e Portugal (8h). Dia tem ainda o CPI de janeiro na Alemanha (10h) e o desemprego de dezembro na zona do euro (10h).


… À tarde (15h), tem decisão de política monetária do BC da Colômbia, que deve subir o juro em 25pb, para 9,5%.


… À noite (22h30), serão conhecidos os dados oficiais do PMI industrial e de serviços de janeiro.


AGENDA NO BRASIL – Às 8h30, o Banco Central divulga o superávit do setor público consolidado de dezembro, que deve ser sustentado pelo bom desempenho da arrecadação do governo central. A mediana indica saldo de R$ 4,45 bilhões.


… As estimativas para esta leitura variam de déficit de R$ 15 bilhões a superávit de R$ 18,2 bilhões. O acumulado de 2025 aponta saldo negativo de R$ 56,2 bilhões. As projeções, todas deficitárias, variam de R$ 75,4 bilhões a R$ 43 bilhões.


… Às 9h, o desemprego do trimestre móvel até dezembro (Pnad contínua) deve atingir a menor taxa da história: 5,1%, de 5,2% no período anterior até novembro, segundo a mediana do Broadcast. As apostas vão de 5% a 5,6%.


… Se confirmada a mediana, o dado deve demonstrar que o mercado de trabalho continua aquecido, um dia depois de os números do Caged terem registrado o pior resultado anual desde o início da série histórica de 2020.


… No câmbio, em dia de formação de ptax, o BC faz leilão de swap (11h30) de até US$ 2,5 bilhões para rolagem.


MASTER – O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, disse à Polícia Federal que “forças internas do Banco Central e do mercado” queriam que ele estivesse fora do banco e fora do mercado, em referência à liquidação da instituição.


… Em depoimento à delegada Janaína Palazzo, que conduz o inquérito da Operação Compliance Zero, Vorcaro afirmou que se dispôs a deixar o controle, mas que queria sair “pela porta da frente”, sem gerar prejuízo a terceiros, e que esse caminho não lhe foi permitido.


… Questionado por seu advogado, Roberto Podval, qual seria a solução apresentada ao BC, respondeu que era a venda das três frentes do grupo:


… A venda do Banco Master para um conjunto de investidores, incluindo a Fictor e estrangeiros; do Eubank para o fundo Mubadala; e do banco de investimentos para uma holding brasileira com investidor estrangeiro.


… Vorcaro também negou tentativa de fuga ao ser localizado pela PF no Aeroporto de Guarulhos, em novembro, dizendo que encara seus problemas “de frente”. Ele cumpre hoje prisão domiciliar, monitorado por tornozeleira eletrônica.


SIGILO – Dias Toffoli (STF) derrubou nesta quinta-feira o sigilo dos depoimentos prestados em 30 de dezembro por Vorcaro, pelo ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e pelo diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino, além da acareação entre Vorcaro e Costa.


… A decisão atendeu a pedido do Banco Central para ter acesso ao depoimento de Aquino.


… O caso apura suspeitas de fraudes envolvendo cerca de R$ 12,2 bilhões em carteiras do Master e a tentativa frustrada de venda de parte do banco ao BRB, operação barrada pelo Banco Central.


VOLTA À PRIMEIRA INSTÂNCIA – Toffoli também informou que, após a conclusão das diligências, prorrogadas por mais 60 dias em 16 de janeiro, irá analisar se o inquérito permanece no Supremo Tribunal Federal ou se retorna à primeira instância.


… A informação foi dada em nota divulgada pelo gabinete do ministro, que admitiu pela primeira vez a possibilidade de abrir mão do caso.


0,25 É POUCO – O recado explícito do Copom de que o ciclo de cortes da Selic deve começar em março derrubou os juros futuros e deu fôlego à percepção de que o BC já dará de largada um relaxamento monetário de 0,50 ponto.


… Esta é a aposta da maioria em pesquisa Broadcast, que ouviu 37 instituições. Dentro deste universo, 25 esperam redução de meio ponto do juro em março, enquanto outras 12 casas preveem um corte menor, de 0,25 ponto.


… A estimativa intermediária para a Selic no final do ano caiu de 12,5% para 12%.


… O que se vê é que, por enquanto, o mercado ainda não está forçando a barra por uma redução mais agressiva em março, de 0,75 ponto. Mas nada garante que o investidor não possa provocar o BC de Galípolo mais para frente.


… Qualquer coisa abaixo de 0,50 ponto também não será absorvida sem insatisfação. Os dados fracos de dezembro do Caged caíram ontem como uma luva para a defesa de que não é preciso economizar na dosagem de alívio do juro.


… Foram fechadas 618.164 vagas de emprego, abaixo da mediana das apostas dos analistas (481.300) e o pior desempenho para um mês de dezembro desde 2020, quando o mundo enfrentava a pandemia do covid.


… Apesar dos sinais de esfriamento, parte dos economistas recomenda aguardar os dados de mercado de trabalho deste primeiro trimestre antes de cravar uma tendência. Já hoje, a Pnad pode servir como uma espécie de tira-teima.


… No fechamento, o DI para Janeiro de 2027 caía para 13,475% (de 13,526% antes do Copom); Jan/29 recuava a 12,695% (contra 12,792% no pregão anterior); Jan/31, a 13,060% (de 13,102%); e Jan/33, a 13,250% (de 13,285%).


… As especulações de que a Selic já caia meio ponto em março não abalam em nada a atratividade do carry trade.


… Com o fluxo gringo na área e ainda diante da força das commodities ontem, o real voltou a se apreciar e levou o dólar a furar R$ 5,20 pela primeira vez desde maio de 2024. Fechou em baixa de 0,25%, cotado a R$ 5,1936.


CAI PARA CIMA? – Operando em dois tempos, o Ibovespa primeiro celebrou a surpresa do guidance dovish do Copom e emplacou mais um recorde intraday histórico, derrubando o muro dos 186 mil pontos (186.450).


… Esgotada a reação positiva, foi só aí então que o índice à vista da bolsa doméstica precipitou uma realização de lucro, acionada pelos ruídos externos do risco de shutdown, de um ataque ao Irã e de receios com os gastos em IA.


… O Ibovespa fechou em baixa de 0,84%, aos 183.133,75 pontos, mas chega ao último pregão do mês com um rali acumulado de quase 14%, diante da rotação global de carteiras, que tem importado o fluxo estrangeiro para cá.


… A tendência de que a bolsa continue surfando na onda positiva promete encurtar as realizações de lucro.  


… A presença do capital externo garantiu no pregão desta quinta-feira mais um giro expressivo, de R$ 38,8 bilhões.


… Os bancos caíram em bloco, com exceção do BB (+0,39%; R$ 25,50), e foram decisivos para a correção em baixa da bolsa. BTG Pactual perdeu 2,01%, a R$ 60,97; Santander, -1,47%, a R$ 36,95; e Bradesco PN, -1,29%, a R$ 21,44.


… Já as blue chips das commodities ajudaram a amortecer a correção negativa do Ibovespa. Diante da disparada do petróleo Brent para a faixa de US$ 70, Petrobras PN engatou alta de 0,96%, a R$ 37,70; e ON, +0,65%, a R$ 40,30.


… O barril disparou 3,38%, a US$ 70,71, atingindo o maior patamar em cinco meses. A preocupação imediata é o dano colateral causado caso o Irã ataque seus vizinhos ou, eventualmente, feche o Estreito de Ormuz.


… Pelo canal, que é um dos pontos mais estratégicos do mundo, circulam diariamente 20 milhões de barris.


… Os papéis da Vale subiram 0,51%, menos que o minério de ferro (+1,78%), e fecharam cotados a R$ 87,41.


RED FLAGS – Nova York voltou a se questionar nesta quinta-feira se os gastos sem precedentes com inteligência artificial garantirão o retorno compatível ou se os investimentos bilionários são uma bolha prestes a estourar.


… Em meio às dúvidas se vale o risco, a Amazon (-0,53%) anunciou ter entrado em negociações para investir até US$ 50 bilhões na OpenAI. Mas a maior vilã do dia foi Microsoft, que afundou 10%, frustrada pelo balanço trimestral.


… A receita de computação em nuvem (Azure) da gigante de tecnologia, que deveria justificar o grande investimento em IA, decepcionou, resgatou os fantasmas do mercado e chamou vendas no Nasdaq (-0,72%, a 23.685,12 pontos).


… O índice da bolsa eletrônica caiu, apesar de os papéis da Meta terem disparado 10%, depois de a empresa ter conseguido converter os gastos com inteligência artificial em receita por meio de publicidade.


… O S&P 500 caiu 0,13%, a 6.969,01 pontos, e o Dow Jones operou sem maior fôlego (+0,11%), aos 49.071,56 pontos. Além das big techs, o mercado monitorou as ameaças de Trump contra o Irã e o risco de um novo shutdown.


… No ambiente de incertezas, houve fuga para a segurança dos Treasuries, com respectiva queda das taxas da Note de 2 anos, a 3,560% (contra 3,578% na véspera); de 10 anos, a 4,233% (de 4,246%); e 30 anos (4,853%, de 4,856%).


… A recuperação do dólar teve curto duração e o DXY fechou em queda de 0,17%, a 96,283 pontos. De olho em uma intervenção cambial, o iene subiu para 153,08/US$. O euro (US$ 1,1919) e a libra (US$ 1,3707) fecharam estáveis.


PICPAY – Em uma estreia de gala na Nasdaq, na primeira abertura de capital (IPO) de uma empresa brasileira em Nova York desde o Nubank, em 2021, a ação da fintech chegou a disparar 5% no intraday nesta quinta-feira.  


… Ao longo do pregão, porém, acabou engolida pela cautela do dia com o shutdown e o Irã e zerou o rali, fechando estável, a US$ 19,00. O PicPay captou US$ 500 milhões, com a demanda dos investidores chegando a US$ 6 bilhões.


CIAS ABERTAS NO AFTER – S&P rebaixou ratings do BRB de crédito de emissor de longo e curto prazo de brBBB- para brBB, e de brA-3 para brB, na escala nacional, citando risco reputacional e pressão sobre o capital após Master…


… As notas seguem em observação negativa.


GOL. A CVM aprovou a OPA das ações preferenciais, com leilão marcado para 19 de fevereiro. O preço ofertado é de R$ 11,45 por lote de mil ações, acima do valor do laudo (R$ 10,13).


AZUL. A companhia adiou para amanhã a precificação da emissão de bonds, buscando US$ 1,21 bilhão para financiar a saída do processo de reestruturação, com taxa estimada em torno de 10,25%. (Valor)


PDG REALTY. O Morgan Stanley passou a deter 7,9% do capital social após aquisição de 261.087 ações ordinárias. O banco não possuía participação relevante anterior.


NEOENERGIA. A companhia pagará R$ 984 milhões em dividendos a partir de 9 de fevereiro, equivalentes a R$ 0,81 por ação, com data-base em 30 de dezembro de 2025…


… Empresa informou que a energia injetada cresceu 2,2% no 4TRI25, enquanto a geração caiu 23,3%, impactada principalmente pela menor produção hídrica.


CEMIG. A subsidiária Cemig GT concluiu a aquisição da Empresa de Transmissão Timóteo-Mesquita (ETTM) por R$ 30 milhões, adicionando ativos com RAP de R$ 6 milhões e reforçando a estratégia de expansão em transmissão.


COPASA. O conselho aprovou proposta para criação de golden share de titularidade do Estado de Minas Gerais, condicionada à liquidação do follow-on no processo de privatização. (Broadcast)


CBA. A Votorantim vendeu o controle da companhia para Chalco e Rio Tinto por R$ 4,7 bilhões, operação que prevê OPA aos minoritários e pode incluir fechamento de capital, sujeito a aprovações regulatórias.


AMBIPAR. Bondholders que detêm mais de 50% da dívida firmaram acordo inédito de vinculação de voto para acelerar a renegociação de cerca de R$ 11 bilhões e impedir a entrada de terceiros via mercado secundário. (Valor)

Ailton Braga

  Hoje, 02/02/2026, saiu no Blog do IBRE da FGV, artigo meu em que faço análise da interação entre política fiscal e política monetária, a p...