terça-feira, 29 de outubro de 2024

Que país é esse?

 https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2024/10/29/gilmar-mendes-anula-todas-as-condenacoes-de-dirceu-na-lava-jato.htm

Matinal ConfianceTec

 CALL MATINAL CONFIANCE TEC

29/10/2024 

Julio Hegedus Netto,  economista.


MERCADOS EM GERAL


FECHAMENTO DE SEGUNDA-FEIRA (28)

MERCADO BRASILEIRO


O Ibovespa encerrou o pregão na segunda-feira (28) em boa alta de 1,03%, a 131.212 pontos. Já o dólar encerrou estável,  0,06%, a R$ 5,71. Curva de juros segue pressionada na ponta longa.


Mercados hoje (29): Bolsas asiáticas fecharam, na sua maioria em alta; bolsas europeias em alta e  Índices Futuros de NY sem uma direção definida. Por lá, eleição presidencial segue como destaque para o fim de semana. Vantagem de Trump é apertada, mas vai se desenhando uma vitória.


RESUMO DOS MERCADOS (06h40)


S&P 500 Futuro, +0,05%

Dow Jones Futuro, -0,04%

Nasdaq, +0,14%

Londres (FTSE 100), +0,07%

Paris (CAC 10), +0,30%

Frankfurt (DAX), +0,27%

Stoxx600, +0,01%

Shangai, -1,08%

Japão (Nikkei 225), +0,77% 

Coreia do Sul (Kospi), +0,21%

Hang Seng, +0,49%

Austrália (ASX), +0,34%

Petróleo Brent, +0,45%, a US$ 71,74

Petróleo WTI, +0,75%, US$ 67,69

Minério de ferro em Dalian, -0,77%, a US$ 108,93.


NO DIA (29)


Dia de agenda esvavizada a não ser nos EUA, com a geração de empregos pelo relatório Jolts.


Por aqui, a regulamentação da reforma tributária volta a ser discutida com mais ênfase no Congresso. 


Na Câmara, temos a votação de destaques, no Senado, uma audiência pública sobre o tema. 


Repercute também a piora do cenário inflacionário. Já se fala em IPCA acima do teto da meta neste ano. Pela pesquisa Focus, passou de 4,50% para 4,55%, no ano que vem, passando de 3,90% para 4,00%. 


AGENDA DO DIA (29):


Indicadores:

04h00. Alemanha/GfK: índice de confiança do consumidor de novembro

08h00. FGV: Confiança da indústria de outubro

08h30. BCB: Conta corrente de setembro.

09h30. EUA/Deptº do Comércio: Estoques no Atacado preliminar de setembro

11h00. EUA/Deptº do Trabalho: Relatório de abertura de vagas (Jolts) de setembro

11h00. EUA/Conference Board: índice de confiança do consumidor de outubro

15h00. Secex: Balança comercial semanal


Eventos:

06h00 – Londres: Campos Neto participa de painel do LIDE Brazil Conference


Balanços: 🇺🇲🇧🇷

NY/manhã: McDonald's

NY/noite: American Micro Devices (AMD), Alphabet e Visa

Brasil/manhã: Santander.


Julio Hegedus Netto, economista da ConfianceTec 

 

Boa terça-feira e bons negócios!


PS. Em breve, um novo Call Matinal.

Matinal Bankinter Portugal

 Análise Bankinter Portugal


SESSÃO: Depois das subidas muito tímidas de ontem (sempre é alguma coisa), hoje o mercado começa a ganhar ritmo, tanto com a macro como com os resultados empresariais. Nas últimas horas publicaram Santander e ON Semiconductors, que bateram expetativas, mas Ford baixa o guidance e, por isso, embora os seus resultados 3T cumpram, caiu -5% em aftermarket. Às 14h, JOLTS (Empregos Disponíveis: 7,935M vs 8,040M) e Confiança do Consumidor (99,3 vs 98,7) nos EUA. Na abertura americana teremos a publicação de McDonald’s (EPS 3,191$), PayPal (1,08$) e Pfizer (0,616$). Às 17h, ASMI (3,291$). E no fecho de Nova Iorque, Alphabet (1,99$), AMD (0,92$) e Visa (2,58$). Apenas as mais relevantes, porque publicam muitas mais. Por isso, os resultados decidem o tom de cada sessão esta semana e até que as eleições americanas desorientem tudo a partir de terça-feira. Serão dias para não decidir nada, exceto se quiser – de forma inteligente – elevar a perspetiva sobre o ruído de curto prazo e ir comprando bolsa cada vez que há debilidade, seja num valor/empresa bom(a), seja de forma genérica (índices). Mas concentremo-nos na bolsa americana, principalmente em tecnologia boa (Nvidia, TSMC, Amazon, Palo Alto…).  

 

Embora a sessão de HOJE dependa da qualidade dos resultados das empresas que publicam e dos seus guidances, o que nos fará esperar até ao fecho de Nova Iorque para termos uma opinião, parece provável que os JOLTS enfraqueçam um pouco e se situem abaixo dos 8M, o que seria bom; e que a Confiança do Consumidor melhore um pouco, de forma que a predisposição será de subir um pouco, principalmente depois da publicação de Santander e On Semi, apesar do guidance de Ford. 

 

O conceito FOMO, que agora até se usa em âmbito social, teve origem nos mercados financeiros. Isso é o que temos: Fear Of Missing Out. É mais arriscado ficar de fora do que continuar a investir e até subir um pouco. As eleições americanas acabarão por ser neutras para o mercado (embora mais para a frente o laxismo fiscal de ambos os candidatos prejudicarão as obrigações americanas), Israel escolheu a represália mais convencional contra o Irão e que menos prejudica o mercado, os resultados 3T serão decentes, embora não brilhantes, os bancos centrais continuarão a baixar taxas de juros (embora menos do que o esperado em 2025), a economia americana continuará a crescer confortavelmente e a europeia suficientemente, e a inflação aumentará nos próximos meses, sem causas nenhuma desordem grave. Tudo isso é muito bom, mas há que elevar a perspetiva, a temporal e a conceptual para poder apreciar a situação. 

 

Em suma, HOJE tenderá a subir um pouco (+0,2%/+0,4%), embora o tom não seja fiável até amanhã, quarta-feira, devido à importância da publicação de Alphabet, no fecho americano. 

 

S&P500 +0,3% Nq-100 0% SOX -0,02% ES-50 +0,5% IBEX +0,8% VIX 19,8% Bund 2,29% T-Note 4,27% Spread 2A-10A USA=+14pb B10A: ESP 2,98% PT 2,69% FRA 3,01% ITA 3,49% Euribor 12m 2,580% (fut.12m 2,108%) USD 1,081 JPY 165,5 Ouro 2.753$ Brent 71,3$ WTI 67,2$ Bitcoin +3,9% (71.125$) Ether +4,25% (2.617$). 

 

FIM

WELL FARGO: Cenário é de cautela

 Wells Fargo eleva projeção de dólar no começo de 2026 de R$ 5,90 para R$ 6,50


A economia robusta e resiliente dos EUA e o Fed mais cauteloso em seus cortes de juros, além da performance mais fraca da China, formam um cenário difícil para as moedas de mercados emergentes nos próximos dois anos, avalia o Wells Fargo ao revisar as projeções de câmbio, em especial aqueles com elevada volatilidade (high beta) e mais sensíveis ao mercado chinês. O banco elevou sua projeção de desvalorização do real no primeiro trimestre de 2026, de R$ 5,90 para R$ 6,50. No último relatório mensal do banco, a perspectiva era de que o câmbio brasileiro apreciasse até o fim deste ano e terminasse em R$ 5,40 por dólar. Agora, a perspectiva é de que a moeda americana encerre 2024 em R$ 5,65. Já para o fim de 2025, a projeção para o dólar subiu de R$ 5,70 para R$ 6,30. “Vemos o contraste entre a flexibilização mais lenta do Fed e a flexibilização mais rápida dos bancos centrais estrangeiros do G10 como a força motriz das nossas perspectivas para a força do dólar americano durante grande parte de 2025 e até 2026”, diz o banco

Matinal MZ

 *Bom dia ☕️*


*🌎Os índices futuros dos EUA operam sem direção única nesta terça-feira (29)*, enquanto investidores aguardam a divulgação de resultados corporativos, incluindo da Alphabet (BDR: GOGL34), controladora do Google, depois do fechamento do mercado.


Além disso, o mercado acompanhará de perto a publicação do relatório Jolts, que fornecerá dados sobre as vagas de emprego nos Estados Unidos. O Jolts é o primeiro de uma série de indicadores do mercado que serão divulgados nesta semana, e que devem insights sobre a força do mercado de trabalho americano.


*📊Veja o desempenho dos mercados futuros :*


*🇺🇸EUA*


• Dow Jones Futuro: -0,04%

• S&P 500 Futuro: +0,05%

• Nasdaq Futuro: +0,14%


🌏 Ásia-Pacífico


• Shanghai SE (China), -1,08%

• Nikkei (Japão): +0,77%

• Hang Seng Index (Hong Kong): +0,49%

• Kospi (Coreia do Sul): +0,21%

• ASX 200 (Austrália): +0,34%


🌍 Europa


• FTSE 100 (Reino Unido): +0,07%

• DAX (Alemanha): +0,27%

• CAC 40 (França): +0,30%

• FTSE MIB (Itália): +0,27%

• STOXX 600: +0,01%


🌍 Commodities


• 🛢️Petróleo WTI, +0,46%, a US$ 67,69 o barril

• 🛢️Petróleo Brent, +0,45%, a US$ 71,74 o barril

• 🧲Minério de ferro negociado na bolsa de Dalian, -0,77%, a 777,50 iuanes (US$ 108,93)


🪙Bitcoin


• Bitcoin, +2,13%, a US$ 71.122,48


*📚MZ Investimentos*

*🗞️Jornal do Investidor*

segunda-feira, 28 de outubro de 2024

Banco Mundial × Milei

 https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2024/10/14/em-artigo-no-ft-ilan-goldfajn-apoia-reformas-de-milei-e-anuncia-us-38-bi-do-bid-a-argentina.ghtml?fbclid=IwY2xjawGMtZ9leHRuA2FlbQIxMAABHejB5B3TZM9X9Pr_a_8AykqYtsoHtBNwhnBJ6J5XQIg-Ih-fgC5HScfKsA_aem_YkyI1BkCPzaH3tmfWtj9YA




"*Em artigo no FT, Ilan Goldfajn apoia reformas de Milei e anuncia US$ 3,8 bi do BID à Argentina* 


 _Presidente do BID ressalta que é fundamental seguir aumentando a eficiência dos gastos e redirecionando recursos para melhor apoiar os argentinos mais vulneráveis_* 


"O presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Ilan Goldfajn, apoiou neste domingo as reformas promovidas pelo governo de Javier Milei na Argentina e anunciou que pretende conceder mais de US$ 3,8 bilhões em créditos ao país sul-americano neste ano.


Em artigo publicado domingo no jornal britânico Financial Times, Goldfajn ressalta que a gestão de Milei, "em apenas sete meses, obteve um progresso notável na restauração do tão necessário equilíbrio fiscal, ao converter um déficit primário de 2,9% do PIB no fim de 2023 em um superávit de 1,5% no fim de agosto deste ano”.


Em contrapartida, no primeiro semestre do ano, período que coincidiu com os primeiros meses da política de ajuste de Milei, a pobreza na Argentina atingiu 52,9% da população, um aumento acentuado de 11,2 pontos percentuais em comparação com o mesmo período de 2023.


“Não foi simples", reconheceu Goldfajn, citando os cortes drásticos nos gastos, o aumento da tarifa de serviços públicos e impostos especiais. Mesmo assim, enfatizou que “continua sendo fundamental seguir aumentando a eficiência dos gastos e redirecionando recursos para melhor apoiar os argentinos mais vulneráveis. O gasto público tem que ser mais eficiente e equitativo."


Goldfajn ressaltou que não basta melhorar as contas públicas: “O objetivo final é criar oportunidades de emprego e alcançar um crescimento inclusivo e duradouro.”


O executivo destacou os avanços do governo Milei para simplificar o marco regulatório a fim de atrair o investimento privado, e ressaltou que a Argentina é uma potência na produção de alimentos e abriga a terceira maior reserva de lítio do mundo.


Goldfajn anunciou que a instituição pretende conceder ao país em 2024 mais de US$ 2,4 bilhões em empréstimos ao setor público, e que o BID Invest se propõe a financiar mais de 20 projetos do setor privado, no valor de US$ 1,4 bilhão, em agronegócio, infraestrutura, energia e mineração, nos próximos dois anos.


“Um setor público eficiente, regulações simplificadas, uma proteção social sólida e um setor privado que intervenha e dê um passo à frente podem criar um círculo virtuoso de estabilidade e crescimento sustentado inclusivo. O passado não tem por que ser um prólogo para a Argentina”, concluiu o presidente do BID.

Que beleza! Ingerência nas fundações

 Integrantes de fundos de pensão de estatais lançam manifesto contra ingerência de Lula em entidades

Com quase 25 mil adesões de funcionários da ativa e aposentados do Banco do Brasil, da Petrobras, da Caixa e dos Correios, documento se opõe ao uso de planos fechados de previdência pelo governo para impulsionar obras do PAC

Foto do author José Fucs

Por José Fucs

28/10/2024 | 03h00




A intenção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de voltar a usar os grandes fundos de pensão de empresas estatais para bancar investimentos em obras de infraestrutura, em especial nos projetos PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), como aconteceu em governos anteriores do PT, está gerando reações em série de participantes das entidades.


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Preocupados com uma nova onda de interferência política na gestão do patrimônio dos fundos, que tiveram prejuízos bilionários no passado recente e em alguns casos precisaram promover um aumento significativo nas contribuições para cobrir as perdas, os participantes lançaram um manifesto digital em que criticam a iniciativa do governo e defendem a realização de investimentos que não coloquem em risco o pagamento das aposentadorias.


Segundo números divulgados pelo grupo, o manifesto, lançado no fim de agosto, obteve quase 25 mil adesões de integrantes da ativa e aposentados dos fundos do Banco do Brasil (Previ), da Petrobras (Petros), da Caixa (Funcef) e dos Correios (Postalis), cujo patrimônio total alcançava cerca R$ 510 bilhões no fim de 2023, de acordo com dados da Abrapp (Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar).



Manifesto de participantes de fundos de pensão de estatais, como o Previ, do Banco do Brasil, afirma que patrimônio "não está à disposição da União, para aplicação em projetos de seu interesse" Foto: Fernando Bizerra/Agencia Senado

Embora representem apenas 3,9% dos 630 mil participantes e assistidos das quatro instituições, as adesões ao manifesto, que circulou no grupo Fundos de Pensão Unidos do Telegram e do WhatsApp e foi compartilhado nas redes sociais de associações independentes de segurados, revelam uma resistência aguerrida aos planos de Lula, de usar novamente o dinheiro dos trabalhadores para a realização de investimentos públicos de retorno duvidoso.


“Os recursos dos fundos de pensão são privados. Não são recursos públicos à disposição do Orçamento da União para aplicação em projetos de seu interesse. Destinam-se, unicamente, ao pagamento de benefícios de aposentadoria complementar concedidos e a conceder”, diz o manifesto, organizado por integrantes dos quatros grandes fundos.


“Os participantes não podem admitir ingerências nos seus fundos de pensão, principalmente quando eles são fomentados a praticar atos que já se revelaram danosos no passado”, acrescenta o documento, dirigido a Lula, ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e aos presidentes do CNPC (Conselho Nacional de Previdência Complementar), da Previc (Superintendência Nacional de Previdência Complementar), do TCU (Tribunal de Contas da União), da CGU (Controladoria-Geral da União) e do CMN (Conselho Monetário Nacional).


No manifesto, os organizadores incluem o e-mail assessoriaconsultor@gmail.com para envio das respostas dos destinatários, mas dizem preferir que isso seja feito por meio de “atitudes ou providências efetivas” dos órgãos e representantes do governo que receberam o documento, principalmente os de regulação e de supervisão do setor.


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Servidores

Diversas associações de integrantes dos quatro fundos apoiaram o manifesto e se colocaram publicamente contra a iniciativa do governo, como a Apaprevi, entidade que defende os interesses dos participantes e assistidos do Previ e da Cassi (administradora de planos de saúde fundada por funcionários do BB em 1944), a Fenae (Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal) e a AVPP (Associação Virtual dos participantes do Fundo de Pensão Petros).


Numa outra frente, o movimento contra a iniciativa do governo envolve também, conforme reportagem publicada pelo Estadão, os participantes do fundo dos servidores federais do Executivo e do Legislativo (Funpresp-Exe), que lançaram seu próprio abaixo-assinado, no qual defendem a criação de uma modalidade de investimento mais conservadora, com aplicação exclusiva em títulos públicos, para “blindar” a gestão do patrimônio contra ingerências políticas e reduzir riscos de mercado.


Um vídeo sobre o manifesto, produzido por Edvaldo Souza, que se apresenta como participante da Previ e presidente da Apaprevi, divulgado quando o grupo havia conseguido cerca de seis mil adesões em apenas 24 horas, viralizou nas redes sociais e entre funcionários e aposentados da entidade e de outros fundos de pensão de estatais.


“Esse manifesto é para mostrar a nossa discordância e a indignação a respeito da ingerência externa que está ocorrendo em nossos fundos de pensão por parte do governo”, afirma Souza, um dos que organizaram o documento, ao lado de participantes do Petros, Funcef e do Postalis.


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“Vocês têm acompanhado as notícias de que o governo e os presidentes dos fundos de pensão se reuniram recentemente. O objetivo é tentar convencer os presidentes dos fundos a aplicar em infraestrutura em nosso país, porque o governo não tem o orçamento necessário para fazê-lo. No entanto, os nossos recursos não são para financiamento de obras públicas. Os nossos recursos têm o objetivo de pagar as nossas aposentadorias e precisam ser aplicados em ativos seguros, com boa rentabilidade e liquidez. E a aplicação em recursos de infraestrutura já deu muito errado no passado.”


Flexibilização

Souza, que não retornou os contatos feitos pelo Estadão, cita como exemplo no vídeo o caso da Sete Brasil (empresa que forneceria navios-sonda para exploração do pré-sal). A Sete entrou com pedido de falência na Justiça em março e estava envolvida no escândalo do petrolão, o propinoduto pelo qual “vazaram” bilhões de reais da Petrobras nas gestões anteriores do PT.


Segundo Souza, o Previ investiu R$ 180 milhões na Sete e dez anos depois conseguiu receber de volta R$ 190 milhões (retorno de 5,5% no período), graças a um acordo feito com a Petrobras. “Se esses recursos fossem aplicados em bons ativos, nós poderíamos ter mais do que o dobro do que isso em dez anos”, diz. Ele menciona também o caso da Invepar (Investimentos e Participações em Infraestrutura) e afirma que o Previ, o Petros e o Funcef investiram bilhões na empresa, que hoje está com patrimônio líquido negativo. As dívidas superam seus ativos em cerca de R$ 3,5 bilhões.


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“Pobres trabalhadores das estatais brasileiras que, mais uma vez, verão os recursos suados de suas aposentadorias serem drenados para obras sem fim, que frequentemente são embargadas e se tornam objeto de litígios na Justiça”, afirma a economista Martha Seillier, ex-diretora do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e ex-secretária especial do PPI (Programa de Parcerias de Investimentos), ao comentar os planos de Lula.


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O alarme contra a possível reedição da estratégia fracassada do passado pelo atual governo, que levou à mobilização de participantes dos principais fundos e à apresentação do manifesto, soou em 21 de agosto, com a publicação de uma reportagem pelo jornal O Globo sobre a reunião realizada por Lula com os dirigentes das principais entidades – mencionada por Souza no vídeo – para tratar do assunto e da flexibilização nos critérios de investimento das instituições.


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A reunião teria contado também com a presença de Haddad e do diretor-superintendente da Previc, Ricardo Pena. Haddad alegou que as alterações em estudo nas normas de investimento dos fundos representam apenas uma “mudança regulatória”. Pena, que teve uma primeira passagem pelo comando da Previc em 2010 e 2011, negou sua presença no encontro, em nota divulgada pela assessoria de imprensa do órgão ao Estadão. O jornal ainda procurou o Previ, o Petros, o Funcef e o Postalis para falar sobre as intenções de Lula, mas as assessorias de imprensa dos fundos informaram que eles não iriam comentar o assunto.


“A Previc não participou da referida reunião com o presidente da República”, diz a nota do órgão. “Os fundos de pensão seguem regras rígidas. Toda decisão precisa ter aderência ao plano de investimentos, ser aprovada pelo comitê de investimento e pela diretoria da entidade, envolvendo um amplo e complexo processo decisório. Portanto, as regras de governança impedem qualquer tipo de ingerência política.”


A Previc disse também na nota que “não existe ‘flexibilização’ das regras de investimento”, endurecidas no governo Temer, após as perdas bilionárias registradas nos governos do PT em vários fundos de pensão das estatais. Na época, os fundos se tornaram também alvos de CPIs (Comissões Parlamentares de Inquérito) e de investigações da Polícia Federal, sob acusação de malfeitos na gestão.


De acordo com a nota, o que a Previc pretende é alterar a Resolução 4994/2022, do CMN, que rege os investimentos dos fundos de pensão, para adaptá-la à Resolução 175/2022, da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), que criou novos produtos de investimento, como o Fiagro (Fundo de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais) e títulos com lastro em créditos de carbono.


A mudança deverá incluir também a possibilidade de as entidades investirem em debêntures de infraestrutura, lançadas por Haddad neste ano, que é outra forma de viabilizar investimentos dos fundos no PAC, como pretende Lula, além de acabar com a restrição para aplicações em imóveis e a obrigatoriedade de venda de todos os ativos existentes na área até 2030.


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“A Previc avaliou tecnicamente a viabilidade de cada produto para as fundações de previdência complementar”, afirma a nota. “Caso não seja atualizada a Resolução 4994/2022, do CMN, os fundos de pensão estarão impedidos de aplicar em boas oportunidades de investimento, com impacto na rentabilização das reservas de seus planos, em prejuízo do patrimônio de participantes e assistidos.”


Esquema do PT

Apesar das restrições legais criadas no governo Temer para evitar interferência política nos investimentos dos fundos, a mudança promovida na cúpula do Previ e a possível troca de comando no Funcef, apoiadas por Lula, reforçaram a percepção de que o esquema implementado em governos anteriores do PT acabará se impondo, como ocorreu com a nomeação de políticos e sindicalistas para a direção das estatais, proibida pela legislação aprovada em 2016, mas liberada pelo STF (Supremo Tribunal Federal) nos casos formalizados antes do julgamento do processo sobre a questão pela Corte.



O sindicalista João Fukunaga, presidente do Previ, foi afastado duas vezes do cargo pela Justiça por não ser considerado habilitado para exercê-lo 

O caso do sindicalista João Luiz Fukunaga, que assumiu o comando da Previ, maior fundo de pensão da América Latina, com mais de R$ 200 bilhões em ativos, depois de ter sido afastado duas vezes do cargo pela Justiça por não ser considerado habilitado para a função, é emblemático.


Embora tenha sido considerado apto para o posto pelo TCU e recebido “atestado de habilitação” da Previc, Fukunaga – que foi indicado pelo governo Lula para a presidência da Previ em fevereiro de 2023 – atuava como secretário de Organização e Suporte Administrativo no Sindicato dos Bancários de São Paulo. Por não atender ao requisito de ter três anos de atividade, no mínimo, nas áreas financeira, administrativa, contábil, jurídica, atuária, de fiscalização, de previdência ou de auditoria, exigido pela legislação para participar da diretoria executiva de caixas de previdência, a ascensão de Fukunaga deixou patente o caráter político de sua indicação e ampliou os temores dos participantes da Previ de que a gestão dos investimentos da entidade possa voltar a prejudicar seus interesses.


“Que experiência tinha o Sr. João Fukunaga? Nenhuma em fundos de pensão ou como gestor de ativos”, diz Souza, da Apaprevi, em publicação feita na página da associação no Facebook. “Nós, associados e participantes da Previ, devemos ficar vigilantes sobre a utilização de nossos recursos, tão duramente construídos ao longo de décadas de vida laboral”.


A possível troca do atual presidente do Funcef, Ricardo Pontes, que trabalha há mais de trinta anos na Caixa, por Ricardo Back, atual chefe de gabinete de Alexandre Padilha, ministro de Relações Institucionais, é outro caso que reforça a percepção de “(re)aparelhamento” dos grandes fundos de pensão das estatais, para viabilizar a estratégia de Lula, de usar o patrimônio das entidades para bancar projetos do governo.


Conforme informação publicada pelo site Metrópoles, a indicação de Back – que é formado em jornalismo e atuava na XP Investimentos como sócio e responsável pela área de análise política antes de trabalhar com Padilha – foi feita há quinze dias por Haddad ao presidente da Caixa, Carlos Vieira, mas a mudança, para ser confirmada, ainda tem de ser aprovada pelo conselho do Funcef.


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Até agora, porém, segundo a nota sobre a questão enviada pela assessoria de imprensa do fundo ao Estadão, a entidade não foi comunicada sobre “eventual troca” no comando. “O presidente do Funcef, Ricardo Pontes, cujo mandato vai até 2027, segue normalmente sua rotina de trabalho”, diz a nota.


Desde já, pelo sim ou pelo não, os participantes do Funcef, que tem um patrimônio de R$ 100 bilhões e cerca de 140 mil segurados entre funcionários da ativa e aposentados, estão se mobilizando contra a substituição de Pontes, que é formado em administração e vem gerando bons resultados à frente da instituição. “As entidades representativas dos empregados e aposentados da Caixa receberam com imensa preocupação a informação de que haverá troca de comando na Funcef, com a substituição do atual presidente Ricardo Pontes”, diz nota da Fenacef, que reúne diferentes associações de participantes do plano de aposentadoria da Caixa. “Essa suposta intervenção na Funcef, com a troca de comando, traz preocupação às entidades com a possibilidade de interferência política e gestão temerária por agentes externos.”


Depois de todas as perdas e irregularidades ocorridas com os fundos de pensão das estatais nos governos do PT e das mudanças promovidas na legislação no governo Temer para protegê-los contra interferências políticas, muitos analistas imaginaram que uma nova era tinha se iniciado na gestão do patrimônio das entidades. E até foi assim que a coisa funcionou por algum tempo. Mas, decorridos apenas dois anos do governo Lula 3, a sensação que se tem é de que o País está voltando no tempo, ao resgatar práticas que deixaram um rombo bilionário pelo caminho, a ser quitado durante anos, muitas vezes, pelos próprios participantes dos fundos, tanto da ativa como aposentados, e também pelas estatais.

Anderson Nunes

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