segunda-feira, 27 de abril de 2026

Bankinter Portugal Matinal

 Análise Bankinter Portugal 


NY +0,8% US tech +2% US Semis +4,3% UEM -0,2% Espanha -1,1% VIX 18,7% Bund 3,01%. T-Note 4,32%. Spread 2A-10A USA=+52pb B10A: ESP 3,46% PT 3,41% ITA 3,78% FRA 3,65% Euribor 12m 2,735% (fut.12m 2,926%) USD 1,172 JPY 186,9/€ 159,5/$. Ouro 4.714$. Brent 107,4$. WTI 96,1$. Bitcoin -0,2% (77.749$). Ether -0,1% (2.323$). 


SESSÃO. Tom positivo. Excelente sessão americana na sexta-feira (não tanto a europeia), sobretudo para os semicondutores (+4,3%), que acumulam nada menos do que 18 subidas consecutivas. Continuam a ser a nossa recomendação nº1. Devido a essa subida tão forte na sexta-feira, a sessão de hoje deverá ser de estagnação ou mesmo de ligeira correção como reação natural. Mas muito limitada (cerca de -0,2%) e apenas para algum descanso, porque nesta fase o mercado já assumiu que irá conviver por tempo indefinido com o conflito no Irão e com um petróleo errático, mas não incomportável (insistimos que deverá recuar progressivamente para os 85$ em dezembro). Os resultados empresariais dão suporte, o ciclo económico mantém-se expansionista, ainda que com menor impulso, a inflação sobe mas é suportável e deverá desacelerar gradualmente, e é pouco provável que os bancos centrais subam taxas (apesar do suposto consenso nesse sentido).


GEOESTRATÉGIA. Tom tendencialmente positivo. O Irão pede um acordo para reabrir Ormuz, desde que a questão nuclear seja excluída. Este gesto evidencia que necessita de vender petróleo para garantir a sobrevivência do regime (tal como temos vindo a defender do ponto de vista geoestratégico), pelo que agora é claro que são os EUA que detêm a chave de qualquer acordo… e é pouco provável que cedam facilmente, uma vez que já não estão pressionados pelo consumo de armamento, dado que, na prática, a guerra terminou (não há combates nem ataques). Podemos dizer que os objetivos militares dos EUA (essencialmente neutralizar o Irão) já foram alcançados.


A tentativa de atentado contra Trump poderá favorecer a sua popularidade, enquanto Kevin Warsh poderá obter rapidamente aprovação do Senado para substituir Powell na Fed, uma vez que já não existe processo legal contra este último após a retirada das acusações.


COMPANHIAS. Tom positivo. Com cerca de 30% das empresas americanas já a reportar, o BPA médio cresce +26,8% vs +14,4% esperado, pelo que o balanço é francamente positivo. Esta semana o fluxo de resultados atinge o pico, com 5 das “7 Magníficas”: na quarta-feira Alphabet, Microsoft, Meta e Amazon, e na quinta-feira Apple.


MACRO. Tom neutro, mas com impacto positivo dos indicadores recentemente divulgados. Esta semana reúnem-se os bancos centrais do Japão (terça-feira), Canadá e EUA/Fed (quarta-feira) e UEM/BCE e Banco de Inglaterra (quinta-feira)… todos deverão manter taxas, o que, de certa forma, reforça a nossa estimativa de que não haverá subidas adicionais, mesmo com alguma pressão inflacionista… e que a Fed poderá até cortar uma vez este ano. A nossa estimativa vai contra o consenso, mas temos uma convicção relativamente elevada.


CONCLUSÃO. Mantemos a perceção de consolidação em tendência ascendente, o que significa que o cenário negativo seria lateralização e o positivo a continuidade do movimento de recuperação. Wall Street destaca-se positivamente face à Europa e deverá continuar a fazê-lo, mas a nossa estratégia de investimento já está mais exposta aos EUA do que à UEM, pelo que não surpreende. A sessão americana de hoje poderá ser mais fraca (cerca de -0,2%), mas apenas como reação natural após as fortes subidas de sexta-feira. Obrigações e divisas permanecem relativamente estáveis, praticamente laterais nos últimos dias. O tom dos próximos dias será sobretudo condicionado pelos resultados e guidance de 5 das “7 Magníficas” entre quarta e quinta-feira. Não antecipamos um mercado negativo — pelo contrário — salvo alguma surpresa negativa pouco provável.


FIM

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