quarta-feira, 27 de maio de 2026

Xico Graziano

 Minha mãe Ignez, 96 anos, perguntou-me outro dia, ao visitá-la em Araras (SP): “Como faço para saber se aquilo que a gente lê na internet é verdadeiro ou falso?”.

Tomei como exemplo um fato ocorrido recentemente na Argentina. Um açougueiro da cidade de Trelew, situada a 1.300 km de Buenos Aires, na Patagônia, teve a ideia de vender carne de burro. Preparou uns cortes, fez uma linguiça e, com ajuda de um pequeno restaurante, divulgou a novidade. O preço, barato, menos da metade da carne bovina, agradou. Vendeu 500 kg em 2 dias.

Alguém, malicioso, politizou o sucesso da iniciativa. Escreveu na rede social que o governo de Javier Milei tinha empobrecido o povo, levando os argentinos a abandonarem a parrilha, substituindo-a pela carne de burro para sobreviver. Culpa da direita. Viralizou.

Irritada, a Casa Rosada, sede do governo federal, utilizou seu perfil “Escritório de Resposta Oficial” no X para esclarecer que a notícia sobre a carne de burro refletia um caso isolado na Patagônia. Não tinha nada a ver com a política econômica. A polêmica correu a nação. Estava em jogo a imagem do país.
O assunto repercutiu no Brasil. No ambiente polarizado e tóxico do debate nacional, o burro argentino serviu de estopim para a guerra de narrativas entre os extremos. O ICL (Instituto Conhecimento Liberta), ligado à esquerda, tendo como sócio o influencer Felipe Neto, publicou em manchete: “Argentinos recorrem à carne de burro contra a fome durante crise econômica no país”.

O pessimismo provocado pela notícia se chocava com o otimismo dos índices econômicos, conforme mostrado por relatório do Banco Mundial. O equilíbrio das contas públicas e a forte queda da inflação traziam sinais de prosperidade no país. Em resumo: combatendo o caos populista, o governo Milei tem conseguido o milagre de salvar a Argentina.

Se você ler a história completa saberá que é simplesmente mentira que o consumo de carne de burro tenha estourado na Argentina. Na realidade lá ocorreu, como também no Brasil, uma forte elevação no preço da carne bovina.

O consumo doméstico de carnes na Argentina, somando o conjunto delas –avícola, suína e bovina– cresceu 3,85% em 2025, situando-se ao redor de 115 kg/hab/ano. Está acima do consumo médio per capita brasileiro, de 100 Kq/hab/ano. A carne bovina, entretanto, cedeu espaço às demais carnes na Argentina, caindo perto de 5 kg per capita/ano.

Tenha apreço pelo saber. E tome muito cuidado com a desinformação. Pesquise sempre a FONTE da informação.
(https://lnkd.in/dTDHwjSb)

A inteligência artificial e a humanidade

 A inteligência artificial e a humanidade

Encíclica de Leão XIV aborda IA não como ameaça apocalíptica, mas teste moral. O maior risco não é de máquinas que pensem como humanos, mas que humanos pensem como máquinas
26 mai. 2026
Estadão Editorial
A humanidade voltou a construir torres para conquistar o paraíso. Não de pedra, mas de dados, chips, modelos matemáticos e plataformas capazes de escrever textos, reconhecer rostos, prever comportamentos, moldar a atenção e influenciar decisões em escala planetária. Em sua primeira encíclica, Magnifica humanitas, Leão XIV adverte que a questão crucial da era da inteligência artificial (IA) não está na potência dessas ferramentas, mas no tipo de civilização que se organiza ao redor delas. Estamos diante da alternativa entre “construir uma nova Torre de Babel” ou erguer uma comunidade em que técnica e dignidade permaneçam reconciliadas.
Não há tecnofobia nem entusiasmo ingênuo. Tecnologias não devem ser nem demonizadas nem idolatradas. O papa reconhece que a IA pode ampliar capacidades humanas, reduzir sofrimento, acelerar descobertas científicas, melhorar vidas. Mas adverte que a tecnologia não é neutra: “Toda escolha de design reflete uma visão de humanidade”. Sistemas automatizados embutem prioridades, incentivos, critérios de eficiência e concepções implícitas sobre o que merece atenção, recompensa ou exclusão.
Esse ponto instala a discussão num terreno mais fecundo do que as fantasias sobre robôs conscientes ou máquinas rebeldes. A questão é antropológica. Uma civilização orientada pela lógica algorítmica tende a reinterpretar a experiência humana segundo categorias de cálculo, previsão e otimização. “Para um algoritmo, um erro é uma falha a ser corrigida; para uma pessoa, porém, o erro pode ser catalisador de uma transformação profunda.”
Algoritmos corrigem desvios para maximizar resultados. Pessoas amadurecem por meio de limites, arrependimento, experiência e responsabilidade. A inteligência artificial pode simular linguagem, raciocínio e criatividade. Não possui consciência moral, vulnerabilidade ou capacidade de sacrifício. Não há amor artificial. “Nenhum sistema computacional pode criar um coração capaz de se entregar.” A observação pode soar teológica, mas toca um nervo crucial numa cultura fascinada por transformar seres humanos em projetos permanentemente aperfeiçoáveis.
Dados, infraestrutura computacional, plataformas digitais e modelos de IA estão sob controle de um número reduzido de governos e corporações. Quem controla esses sistemas influencia consumo, reputação, trabalho e imaginação coletiva. A encíclica descreve esse ecossistema como uma infraestrutura invisível, aparentemente neutra, mas carregada de escolhas morais e políticas.
A Rerum novarum (1891), de Leão XIII, surgiu quando a máquina ameaçava reduzir trabalhadores a engrenagens descartáveis. A Revolução Industrial reorganizou o trabalho. A revolução digital reorganiza percepção, julgamento, linguagem e relações sociais. O risco não se limita à exploração econômica, mas alcança a própria ideia de ser humano.
Plataformas digitais moldam a percepção coletiva da realidade. “A verdade é um bem comum”, insiste o papa, num momento em que sistemas generativos diluem a fronteira entre autêntico e sintético. No mercado de trabalho, ganhos extraordinários de produtividade convivem com formas silenciosas de precarização e fragmentação social. Na guerra, a automação promete decisões mais rápidas e precisas enquanto aliena a responsabilidade moral e reduz seres humanos a padrões estatísticos.
Nada disso leva o pontífice a defender freios obscurantistas ao desenvolvimento tecnológico. A encíclica aponta noutra direção: prudência institucional, transparência, responsabilidade e controle democrático sobre sistemas capazes de alterar radicalmente a vida social.
Babel, afinal, nunca simbolizou excesso de conhecimento, mas excesso de soberba. O risco maior da inteligência artificial está menos em máquinas que se pareçam conosco, e mais numa sociedade que enxergue a si mesma segundo a lógica das máquinas. Leão lembra que “um rosto humano que pede para ser contemplado permanece no centro da nossa história”. A advertência cristológica, lida em registro antropológico, é uma síntese provocadora para um tempo fascinado por sistemas capazes de processar volumes infinitos de informação e cada vez mais esquecido de contemplar aquilo que continua irredutivelmente humano.

Kurt Vonnegut

 Perturbadores, livros de Vonnegut dos anos 1960 espelham Gaza e Ucrânia hoje


ALCIR PÉCORA


[RESUMO] No final dos anos 1960, o escritor Kurt Vonnegut Jr. emergiu como referência da contracultura ao fundir sátira e ficção científica numa prosa alucinada, modo com que expôs a longa marcha de horrores no século 20. Relançados agora no Brasil, dois de seus principais romances, ambos de humor sombrio, indagam por que a estupidez é tão constante em nossas sociedades e dizem muito sobre como, ainda hoje, normalizamos a barbárie.


Os dois livros do escritor norte-americano Kurt Vonnegut Jr. (1922–2007) que reli agora — "Mãe Noite", publicado em 1961, e "Matadouro-Cinco", de 1969 — pertencem a um momento de consolidação de sua carreira.


Vonnegut tornou-se uma das figuras centrais da ficção norte-americana do pós-guerra ao fundir sátira e ficção científica numa prosa tão deliciosa de ler como insuportável de entender, com o perdão do oxímoro.


Mas, de fato, oxímoros nunca faltaram na descrição de críticos como Jerome Klintowitz ou Robert. Tally Jr., que pensavam os romances dele como sombriamente cômicos, e cujo uso da ficção científica era, antes de tudo, uma completa exposição dos horrores da civilização do século 20. Vonnegut tornava estranhamente cômica e, ao mesmo tempo, irrespirável a distopia real do seu tempo.


Acrescento que, para mim, que o leu na adolescência, no Brasil, os seus livros representavam uma espécie de emanação da contracultura — claro, não da mesma maneira que Ken Kesey, Timothy Leary ou John Sinclair —, mas numa posição próxima à de autores de ficção científica como Arthur C. Clarke, Frank Herbert e até Robert Heinlein, com a diferença óbvia de que Vonnegut era muito menos interessado no futuro do que eles.


O certo é que, nos anos 1960, a excitação paranoica da Guerra Fria e o envolvimento dos Estados Unidos na Guerra do Vietnã acabavam com as ilusões a propósito do longo casamento entre patriotismo, capitalismo, igreja, tecnologia e aparato militar.


E uma vez que esses votos sinistros estão sendo renovados agora mesmo, em todo o mundo — e, aqui, na forma intrinsecamente ridícula do bolsonarismo —, é preciso louvar o senso de ocasião da Intrínseca ao reeditá-lo, ainda que as edições não tragam aparato crítico.


O centro da imaginação alucinada de Vonnegut estava ancorado numa pergunta dura: o que faz com que a estupidez e a abjeção continuem a se manifestar tão sistematicamente nas sociedades? Em "Mãe Noite", essa questão avança a partir da fórmula algo sentenciosa de que "somos aquilo que fingimos ser". O interesse dela é que dissolve a crença reconfortante de que exista, sob uma máscara social forçada, uma identidade íntegra, preservada daquilo que o sujeito mostra em seus atos concretos.


Assim, o protagonista do romance, Howard W. Campbell Jr., é um americano que foi criado, viveu e se casou na Alemanha nazista, tornando-se ele próprio um funcionário importante da propaganda do regime, conquanto trabalhasse secretamente como espião para os aliados.


No entanto, o nazismo adquire um papel tão habitual em sua vida que o próprio Campbell, morando em Nova York depois da guerra, percebe que já não tem direito de imaginar que não foi aquele que passou a vida toda fingindo ser. A impostura, aqui, revela-se não como o ser de um outro, do qual pudesse se diferenciar, mas como o processo de fabricação do seu próprio ser.


E como a impostura marca o ser de Campbell, também o nazismo ganha uma feição de farsa ideológica sem grandeza alguma, incapaz de possuir transcendência, mesmo a do mal, mais ou menos na linha de Hannah Arendt.


Não há metafísica na miséria, por assim dizer. Para Vonnegut, a eficácia política do horror moderno reside justamente em seu rebaixamento: na repetição de slogans, no grotesco gritado do palanque, na pobreza mental transformada em espetáculo de crença e de patriotismo. Não há grandeza nenhuma nesses excessos, apenas representação pública fajuta do que Campbell, dramaturgo e propagandista, acaba sendo de verdade.


O papel que ele representa quotidianamente e a eficácia da sua fala pública se enovelam a tal ponto que já não há nenhum sujeito exterior àquilo que ele faz ou diz. O romance resiste, portanto, a qualquer moral fundada na distinção reconfortante entre parecer e ser: uma máscara não encobre nada, ela conforma perfeitamente o rosto encoberto e expõe o ridículo do mascarado.


A base da invenção de "Matadouro-Cinco" não está muito distante disso, apenas a crise da identidade se expande para o próprio limite da linguagem da catástrofe. O protagonista do romance é um soldado norte-americano, Billy Pilgrim, o qual, exatamente como ocorreu com Vonnegut, é aprisionado pelos alemães e levado para Dresden.


A cidade alemã não oferecia nenhum perigo para os aliados, não guardava nenhum contingente militar ou empresa bélica; no entanto, Dresden foi palco de um dos mais atrozes bombardeios aliados da Segunda Guerra, feito com bombas convencionais, mas suficientes para assassinar milhares de pessoas.


Hoje se contabiliza em torno de 25 mil o número de mortos no bombardeio, incluindo idosos, mulheres e crianças, que obviamente nada tinham a ver com objetivos militares. Toda a cidade se tornou escombros, ou, na imagem cruelmente irônica de Vonnegut, uma "paisagem lunar".


No romance, porém, o horror do bombardeio não chega ao leitor como evento traumático em bruto, mas mediado por relatórios, prefácios, estatísticas, justificativas estratégicas, patriotadas e conversas moles de todo tipo. Assim, a memória de Billy já nasce ferida por essas mediações e o que ele viveu realmente está, por assim dizer, circuitado por elas.


A extraordinária abertura de "Matadouro-Cinco" deriva justamente dessa percepção do curto-circuito: antes que a história de Billy Pilgrim realmente comece, o narrador se demora na dificuldade de escrevê-la; e, quando afinal começa, começa duas vezes, pois já não é possível acreditar na inocência de um ponto de vista inaugural seguro.


A partir daí o plot do romance é bem extravagante: Billy sobrevive ao bombardeio, volta aos Estados Unidos, casa-se com uma herdeira rica, tem um casal de filhos e parece a normalidade em pessoa, descontado o tempo que passou internado num hospital psiquiátrico para tratar os traumas da guerra. A certa altura da sua vida, porém, Billy sofre um acidente com o ônibus da sua firma de optometria e é o único sobrevivente.


Depois disso, embora "depois" seja uma palavra destruída pelo romance e jamais possa ser entendida como "por causa disso", Billy passa a contar em programas de rádio e de televisão a sua vida entre os extraterrestres. Diz ele que, no dia do casamento da sua filha, fora abduzido por alienígenas vindos do planeta Tralfamadore e levado para um zoo intergalático, para onde também é conduzida uma atriz famosa, com a qual acaba tendo um bebê.


E isso não é tudo: Billy diz que aprendeu com os tralfamadorianos a se "descolar" da ordem do tempo, o que lhe permite visitar, quantas vezes quiser, todos os momentos da sua vida. É como se todos eles, incluindo o momento de sua morte, estivessem on-line todo o tempo, e ele pudesse revivê-los, vezes e vezes sem fim.


A fórmula que abre o segundo capítulo já é impactante; permitam-me citá-la em inglês, pois há uma razão para isso: "Listen: Billy Pilgrim has come unstuck in time". Na tradução de Daniel Pellizzari para a edição da Intrínseca, ficou assim: "Escuta só: Billy Pilgrim ficou solto no tempo".


Bem lida essa fórmula, ela equivale ao programa formal do livro todo: a experiência do bombardeio de Dresden arranca o sujeito da crença numa sucessão temporal contínua e inteligível. Para perceber isso, a expressão inglesa é bem mais precisa: "unstuck" indica que um encaixe foi rompido, e não que se ganhou algum meio para uma travessia mais livre, como "solto" poderia dar a entender.


Assim, quando "viaja" no tempo, Billy se desprende do regime que ligava uma experiência à outra, com aristotélicos começo, meio e fim da narrativa, passando a enxergar a sucessão como mera ilusão, pois tudo está lá indefinidamente para sempre.


O mais relevante a perceber aqui, porém, é que, em Vonnegut, o trauma não admite qualquer regime edificante. É verdade que recebe um tratamento literário, como um tipo muito especial de ficção científica, mas é, simultaneamente, um tratamento esvaziado de qualquer fascínio tecnológico típico do gênero.


Bem diferentemente disso, a ficção do trauma o converte basicamente num instrumento de leitura moral da história. Talvez esteja aí o ponto em que o romance guarda afinidade com a geração hippie, que o leu devotadamente.


Ela também lia ficção científica, e não apenas para sonhar viagens interestelares escapistas, mas sobretudo como modo de estranhar a normalidade criminosa do presente do Vietnã — o que faz pensar que hoje poderíamos reler "Matadouro-Cinco" para estranhar a invasão da Ucrânia, o massacre de Gaza, o bombardeio do Irã, e tantos outros atos criminosos notórios que recebem normalização propagandística no Instagram.


O sarcasmo de Vonnegut, porém, diferentemente do dos hippies, não está interessado em celebrar uma expansão da consciência. Ele registra, em tom de aporia, o quanto a própria crítica da civilização podia conviver com destroços humanos irredutíveis a qualquer utopia compensatória.


Daí o relevo extraordinário dos bordões e tantas outras pequenas fórmulas linguísticas do romance. Talvez seja meio chato deter-se nessas miudezas, mas elas são fundamentais no livro. O melhor exemplo é a expressão em inglês "So it goes", que aparece dezenas de vezes.


Na tradução de Pellizzari, ela fica "É assim mesmo", que não está mal, mas que talvez possa ser melhorada. Sem dúvida, é bem melhor do que a de Cássia Zanon, de 2005, da L&PM, que a traduz por "Coisas da vida" e cai numa armadilha, pois o narrador não comenta os eventos desafortunados com sabedoria resignada; registra-as com automatismo alienado, como se a frequência da matança tivesse já mecanizado o próprio idioma da reação.


Daí vem outro exemplo formular reiterativo importante, que é "And so on", que Pellizzari e Zanon traduzem ambos por "E assim por diante", fórmula que é talvez um pouco mais organizada do que a do inglês, pois, a rigor, "And so on", combinado com o anterior "So it goes", produz um sintagma tão bobo como "É isso", "E por aí vai", "Etc."


As expressões simplesmente prolongam séries, e, no caso, como uma continuação indefinida de fatos absurdos e indescritíveis. Outro exemplo de pequena fórmula abstrusa empregada no romance é "Listen", que marca a entrada brusca num regime de narração, que já começa quebrado, pois a voz já não está ali, mas apenas o registro escrito.


E outro ótimo exemplo é o "Poo-tee-weet?" que fecha o livro sem oferecer sentido algum, apenas ecoando uma pergunta sem resposta. A onomatopeia do canto do passarinho figura a ruína do discurso articulado diante do massacre vivido por Billy.


Com esses exemplos, quero dizer que a força de "Matadouro-Cinco" nasce justamente do emprego dessa gramática precária. Vonnegut quer encontrar formas verbais pobres, desajeitadas, quase sem sentido, que tornem perceptível nelas mesmas o total colapso da existência em face do crime cometido em Dresden.


Aquela guerra não foi nenhuma briga de mocinhos contra bandidos: foi um massacre horrendo em que cada lado desceu o mais baixo que pôde para destruir o oponente. Em termos críticos, o mais impressionante é perceber que essa gramática precária, enquanto procedimento literário, é o exato oposto de querer ornamentar a experiência extrema com invenções espirituosas ou expressões poéticas elevadas.


Isso não quer dizer que o romance renuncia à comicidade ou à literatura, pois ele continua mortalmente engraçado e dono de uma rara pegada literária. No entanto, essas expressões quebradas retiram da piada qualquer inocência recreativa. O riso que produz é o de uma consciência em crise obrigada a reconhecer que a catástrofe moderna se torna ainda mais abjeta quando dispõe de todos os clichês adequados para a sua veiculação pública anestesiada.


Nesse ponto, "Mãe Noite" e "Matadouro-Cinco" convergem absolutamente. No primeiro, a propaganda mostra que o sujeito tende a ser reduzido ao papel que representa; no segundo, que a memória da destruição já chega até nós contaminada pelos códigos com que a sociedade se apressa a arquivá-la.


"Não olhe para trás", alerta o episódio bíblico da destruição de Sodoma e Gomorra. Mas Campbell e Billy são como a mulher de Ló e não como os "justos" que se salvam: eles olham para trás e viram estátuas de sal, para sempre.


É por isso que, em ambos, a linguagem comparece menos como instrumento de comunicação do que como meio constitutivo da experiência histórica do horror. E o horror não existe primeiro, puro, para "depois" ser descrito. Ele continua operando através dessas vozes, máscaras, relatórios, slogans, fórmulas, bordões, autoencenações etc.


É nesse sentido também que Vonnegut se distingue dos demais distopistas, que projetam uma arquitetura do futuro. É impossível para um leitor de Vonnegut Jr. elevar ou transferir o seu mundo para uma ideia de sociedade futura. O que ele faz é uma exposição satírica do quanto o presente histórico se organiza segundo procedimentos correntes de desumanização. A tartamudice de sua prosa é o método pelo qual ele nos devolve o real, deformado o bastante para que enfim se reconheça a miséria da verdade.


Antes de terminar, queria deixar uma dica aos futuros leitores de Vonnegut: os seus vários livros têm muitas recorrências internas, reaparições de nomes, lugares-comuns, personagens e motivos reiterados, formando uma espécie de rede móvel. "Matadouro-Cinco", em particular, reinscreve personagens já conhecidos de outros livros, incluindo o Howard Campbell de "Mãe Noite", de sorte que a leitura da obra inteira vai produzindo uma espécie de vizinhança ficcional, um circuito de ecos, pode-se dizer, no qual cada romance parece lateralmente reabrir um outro.


Talvez seja então possível dizer que, para quem o leu nos anos 1970, Vonnegut oferecia uma combinação rara. De um lado, trazia a língua da ficção científica, já consagrada por autores que falavam aos jovens. De outro, sabotava por dentro a promessa compensatória de qualquer imaginação tecnológica triunfante.


O seu alvo era a guerra, mas a guerra enquanto forma avançada da "racionalidade" capitalista, na qual a mercadoria era o princípio difuso de achatamento do humano. Dessa forma, Vonnegut evidenciava a comicidade sinistra com que a sociedade do capital aprendeu a explicar o inexplicável dos desastres que causa.


Relidos hoje, "Mãe Noite" e "Matadouro-Cinco" ainda são romances perturbadores. Continuam a mostrar, cada um a seu modo, que o problema da guerra não é apenas a barbárie que ela efetua, mas a facilidade com que as suas piores catástrofes adquirem linguagens correntes e narrativas normalizadas.


Em "Mãe Noite", o sujeito torna-se aquilo que encena repetidamente, e, portanto, a máscara designa o "eu". Em "Matadouro-Cinco", a catástrofe só pode ser dita por uma linguagem de resíduos; o trauma arruína a fala que, por sua vez, torna-se a onomatopeia do massacre.


Enfim, os dois romances deixam claro que a literatura, especialmente depois do século 20, já não pode pretender inocência formal, porque as próprias formas —as do discurso político, da publicidade, do relatório acadêmico, da filosofia edificante, da psiquiatria, da fantasia tecnológica, do jornalismo, do testemunho, da identidade, da autoficção etc. etc.— já foram contaminadas por dentro pelo problema moral proposto por Vonnegut.


As bombas já caíram e continuam a cair; crimes hediondos foram cometidos contra a humanidade e continuam a sê-lo, como se não fosse nada demais, assimilando o horror à normalidade. Por isso mesmo a família humana faz o maior sucesso no zoo de Tralfamadore.


Mãe Noite

Preço R$ 69,90 (240 págs.)

Autoria Kurt Vonnegut

Editora Intrínseca

Tradução André Czarnobai


Matadouro-Cinco

Preço R$ 69,90 (240 págs.)

Autoria Kurt Vonnegut

Editora Intrínseca

Tradução Daniel Pellizzari


Alcir Pécora

Professor titular de teoria literária da Unicamp


Foto: O escritor americano Kurt Vonnegut - Reuters/Reuters


FSP 23.05.2026

terça-feira, 26 de maio de 2026

News XPress

 News XPress

XP Política & Macro Strategy



Brasil

 

O presidente Lula avançou ontem em um acordo com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, para a votação da PEC que acaba com a escala 6x1 de trabalho, principal bandeira eleitoral do Planalto para este ano (https://tinyurl.com/3k9u45vx). 

 

A proposta prevê a redução da jornada de 44 horas para 40 horas semanais, com dois dias de folga por semana e sem corte de salários, pontos colocados como “inegociáveis” por Motta. A mudança será implementada de forma escalonada, em um período de transição de um ano – com uma redução de 2 horas semanais ainda em 2026, 60 dias da promulgação da PEC, e o restante após 12 meses. Ao mesmo tempo, Motta indicou que o Congresso deverá discutir uma legislação complementar para flexibilizar a contratação de trabalhadores via MEI e revisar os limites de faturamento da categoria, numa tentativa de mitigar impactos sobre setores intensivos em mão de obra. A expectativa é que a PEC seja votada, tanto na comissão especial quanto em plenário, nesta semana (app: https://bit.ly/4vdEIkA | desktop: https://tinyurl.com/278bqdhy). 

 

Uma vez aprovada na Câmara, a proposta segue para o Senado, onde ainda não há definição sobre o calendário de tramitação, mas as negociações em torno da matéria já começam a ganhar tração. Os jornais reportam que o setor produtivo deve buscar o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, na tentativa de viabilizar mudanças no texto, como um período de transição mais longo (https://bit.ly/4fHCeX1 e https://bit.ly/4dILQON) – o relator, deputado Leo Prates (Republicanos), defendia uma transição de dois a quatro anos, mas o governo pleiteava um período mais curto, bem como a implementação imediata de algumas medidas. Apesar do alinhamento entre Motta e Lula, empresários estariam apostando no mal-estar entre Alcolumbre e o governo para conseguir avançar nas tratativas (https://tinyurl.com/mr2mt7et). 

 

O Planalto, por sua vez, também já estaria atuando para evitar que a matéria trave nas tensões que marcaram a relação com o Senado nos últimos meses (https://bit.ly/4fIRCSV). Apesar da pressão do setor empresarial, a leitura é que Alcolumbre não deve impor resistência à proposta, diante de seu forte apelo popular (https://bit.ly/4dwt8eh). Com isso, a ideia do governo é que os primeiros efeitos da medida já possam ser sentidos antes do primeiro turno das eleições, potencializando seu efeito nas urnas (https://bit.ly/3PGnJbu). 

 

Ainda assim, a avaliação na cúpula do Executivo, segundo a Folha, é que, mesmo com uma eventual rejeição do texto no Congresso, o presidente Lula sairá vitorioso do debate. Mesmo que seja derrotado, o petista poderia dizer na campanha que defende os trabalhadores e seus adversários, não (https://bit.ly/4v24uYW). Seria uma forma de reforçar o discurso antissistema que está elaborando para a disputa eleitoral (https://tinyurl.com/29vbaejl). 

 

Em paralelo, o governo publicou na noite de ontem decreto e portaria que viabilizam a subvenção a produtores e importadores de gasolina no valor de R$ 0,44 por litro, com vigência de dois meses. Na sexta-feira, o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, afirmou que a subvenção teria um impacto de R$ 2,4 bilhões no período. Já em relação ao diesel, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), Márcio Elias Rosa, disse que não estão descartadas a extensão de prazo de medidas ou até mesmo a ampliação da subvenção (https://bit.ly/4tWxPmI).

 

Flávio Bolsonaro também segue em busca de uma agenda positiva para deixar para trás o desgaste recente em sua campanha (https://bit.ly/3Q2HcTR). Para isso, o senador desembarcou ontem nos Estados Unidos, onde espera ter uma reunião com o presidente Donald Trump. Entre interlocutores, a previsão é que ele seja recebido pelo mandatário americano nesta terça-feira, embora o encontro não tenha sido oficialmente confirmado pela Casa Branca (https://bit.ly/4u0BqQp). 

 

Já a CNN afirma que a reunião poderia ser realizada com o vice-presidente JD Vance, não com Trump (https://bit.ly/3PIpnsY), mas que integrantes do PL temem o risco de que a agenda, caso frustrada, possa ser usada por partidos de esquerda como munição para desgastar ainda mais a imagem do pré-candidato (https://tinyurl.com/235zjb9z). Entre os compromissos previstos para Trump nesta terça, estão um check-up médico pela manhã e três “reuniões políticas” internas no Salão Oval à tarde (https://bit.ly/3PDZVoG). 

 

Monitor de pesquisas: Pesquisas Boas Ideias e PoderData podem ser divulgadas a partir de quinta e sexta-feira, respectivamente. 

 

Agenda BCB: Presidente e diretores não possuem agendas abertas ou com o mercado. 

 

Agendas de Lula e Durigan: Durigan concede entrevista ao Valor, às 14h. Também se reúne ao longo do dia com o deputado Aguinaldo Ribeiro, com a presidente do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros, e com a ministra Esther Dweck. A agenda de Lula não havia sido divulgada até a publicação deste material. 

 

Agenda local de dados: Às 8h30 o BC publica o BoP de abril, com o mercado antevendo déficit em conta corrente de USD 150 mi e IDP de USD 5,4 bi e a XP, USD 700 mi e USD 5,0 bi, respectivamente. Às 10h30 o Tesouro divulga os editais do leilão de NTN-B e LFT.

 

Internacional

 

Donald Trump avaliou que as negociações com o Irã estão “avançando muito bem” e chegou a cogitar a possibilidade de o urânio iraniano ser transferido para outro local que não os EUA – mas voltou a fazer ameaças caso não haja entendimento entre os dois países. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do país asiático, Esmaeil Baghaei, afirmou que as negociações avançaram em “muitas questões”, apesar de estarem longe da assinatura do acordo (https://bit.ly/4a7zAGk). 

 

Agenda internacional de dados: Nos EUA, às 9h15 serão divulgados os dados semanais do ADP  e, às 11h, os dados de maio da confiança do consumidor do Conference Board. Às 14h teremos leilão de títulos de 2 anos.

 

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Bons negócios!

 

XP Política & Macro Strategy

BDM Matinal Riscala

 *Bom Dia Mercado*


Terça Feira,26 de Maio de 2.026.


*Wall Street volta operando a trégua*


… Nova York volta do feriado de Memorial Day repercutindo as expectativas de que um acordo entre Estados Unidos e Irã pode estar próximo. Nesta terça-feira, ataques dos Estados Unidos a instalações de mísseis iranianos induziram o petróleo a corrigir a queda na abertura dos negócios asiáticos, após devolver 7% na véspera, antecipando a reabertura de Ormuz. Ainda há riscos envolvendo temas mais sensíveis. O mercado continua operando os highlights da guerra. A agenda no Brasil prevê dados do setor externo. Já a votação do fim da escala 6X1, que prevê a redução da carga horária semanal para 40 horas, sem redução dos salários, com transição de 14 meses, foi adiada para amanhã. Nos Estados Unidos, o destaque é a confiança do consumidor do Conference Board.


AINDA HÁ RISCOS – O mercado continua ampliando as apostas em uma distensão no Oriente Médio, após novas sinalizações de avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã, mas o cenário ainda está longe de um consenso definitivo.


… À noite, forças americanas realizaram ataques no sul do Irã. Os alvos incluíram barcos que tentavam instalar minas e plataformas de lançamento de mísseis. Apesar da ofensiva, Trump disse que as negociações “prosseguem bem”.


… Ele indicou flexibilidade em relação ao destino do urânio enriquecido iraniano, admitindo inclusive a possibilidade de destruição do material dentro do próprio Irã, sob supervisão internacional.


… A sinalização deve ser interpretada pelo mercado como um gesto de concessão em um dos pontos mais sensíveis da negociação nuclear. Ao mesmo tempo, persistem os principais focos de impasse. Israel voltou a endurecer o discurso sobre o Líbano.


… Netanyahu prometeu ampliar ataques contra o Hezbollah e autoridades iranianas seguem afirmando que qualquer acordo precisa incluir cessar-fogo em todas as frentes do conflito, incluindo a atuação israelense contra grupos apoiados por Teerã na região.


… O mercado também monitora relatos de que Washington tenta transformar a trégua em um rearranjo diplomático mais amplo no Oriente Médio, pressionando Arábia Saudita e Catar a aderirem aos Acordos de Abraão e reconhecerem Israel.


… Mas sauditas e catarianos condicionam qualquer avanço à criação de um Estado palestino, o que Israel não aceita.


… Apesar do alívio, portanto, investidores seguem operando um ambiente altamente dependente de manchetes e sujeito a reversões rápidas.


… As próprias negociações continuam cercadas por condicionais envolvendo o controle do Estreito de Ormuz, o programa nuclear iraniano, a atuação do Hezbollah no Líbano e a liberação de recursos iranianos congelados no exterior.


… Em resumo, o mercado trabalha com um cenário de redução do risco extremo de interrupção prolongada do fluxo de petróleo pelo Estreito, mas ainda sem elementos suficientes para sustentar uma leitura de solução definitiva para o conflito no Oriente Médio.


ESCALA 6X1 – O relator da comissão especial da Câmara, deputado Leo Prates (Republicanos-BA), apresentou nesta segunda-feira o parecer da PEC que reduz a jornada semanal de trabalho de 44h para 40h e amplia o descanso semanal remunerado para dois dias.


… O texto, construído em acordo com o governo Lula e o presidente da Câmara, Hugo Motta, prevê uma transição de 14 meses e mantém a vedação de qualquer redução salarial – um dos pontos mais sensíveis da proposta.


… O setor empresarial segue pressionando, sob argumento de aumento relevante de custos trabalhistas e necessidade de novas contratações.


… O relatório estabelece uma primeira redução de 44h para 42h semanais 60 dias após a promulgação da PEC. Depois de um ano, a carga máxima cairá para 40h. O texto também prevê dois dias de folga remunerada por semana, sendo um deles preferencialmente aos domingos.


… O texto também tenta acomodar preocupações do setor produtivo ao prever regras específicas para MEIs, micro e pequenas empresas, além da discussão sobre flexibilização de contratações e eventual reajuste do teto de faturamento do microempreendedor individual.


… Esse tema enfrenta resistência da equipe econômica pelo impacto fiscal.


… Outro ponto flexibiliza o controle de jornada para trabalhadores com ensino superior e remuneração acima de dois tetos e meio do INSS, hoje em torno de R$ 21 mil. Nesse caso, o controle de horas poderá ocorrer apenas por liberalidade do empregador ou por acordo coletivo.


… Hugo Motta afirmou que há “ampla convergência” entre Câmara e governo sobre os pilares da proposta — redução da jornada, fim da escala 6×1 e manutenção dos salários — e que o prazo de transição busca equilibrar a pressão dos trabalhadores com a adaptação das empresas.


… Economistas ouvidos pelo Valor avaliam, porém, que o período de transição ainda é curto e alertam para riscos de aumento de custos, maior rotatividade e avanço da informalidade, sobretudo entre trabalhadores de menor qualificação.


… A votação do texto, que aconteceria ontem na comissão especial da Câmara, foi adiada para amanhã (10h).


GALÍPOLO VS DURIGAN – O debate em torno da PEC 65 ganhou novo ruído político, após o ministro da Fazenda, Dario Durigan, contradizer publicamente o presidente do BC, Gabriel Galípolo, sobre o grau de envolvimento da equipe econômica na formulação do texto.


… Galípolo afirmou receber com “estranhamento” as críticas ao relatório do senador Plínio Valério, dizendo que a proposta “veio justamente da equipe econômica”, numa tentativa de reduzir o conflito dentro do governo em torno do novo desenho institucional para o BC.


… Horas depois, Durigan rebateu, afirmando que o texto apresentado no Senado não foi fechado pela Fazenda. Segundo ele, a equipe econômica teria apresentado uma alternativa focada em resolver o problema orçamentário do BC sem provocar aumento da dívida pública.


… A divergência gira em torno do modelo previsto na PEC 65, que transforma o Banco Central em uma entidade pública de natureza especial, transferindo a instituição para o setor público financeiro.


… Nesse desenho, os títulos do Tesouro mantidos na carteira do BC passariam a ser contabilizados como dívida, motivo da preocupação.


… Além da discussão sobre o impacto contábil da proposta, o embate também expõe sensibilidades políticas em torno do grau de autonomia e da governança futura da autoridade monetária.


UMA FOTO COM TRUMP – O senador Flávio Bolsonaro desembarcou em Washington na expectativa de uma possível reunião com Donald Trump, em meio ao desgaste provocado pelas revelações envolvendo conversas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.


… Segundo aliados, a intenção do entorno bolsonarista é garantir uma foto dele com o presidente americano, na tentativa de reforçar seu capital político em meio à crise. O encontro, porém, ainda não foi confirmado oficialmente pela Casa Branca.


… Interlocutores próximos afirmam que Flávio “foi convidado” para uma agenda no governo americano, mas admitem receio de eventual adiamento, diante da instabilidade da agenda de Trump, concentrada nas negociações envolvendo o Irã e o Oriente Médio.


… A articulação da viagem é atribuída ao irmão Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos desde o ano passado e mantém relação próxima com setores do trumpismo mais ideológico. Eduardo também é alvo de investigação no Brasil.


LULA É O PLANO A – Lideranças do PT voltaram a reforçar nesta segunda-feira que o presidente segue como candidato à reeleição, após o início do tratamento preventivo de radioterapia no couro cabeludo para reduzir o risco de recorrência de um câncer de pele.


… Integrantes do partido afirmam que Lula não tem restrições médicas, manterá a agenda de trabalho normalmente e deve intensificar as viagens pelo País no segundo semestre, já em ritmo mais forte de pré-campanha.


… O tratamento deve durar cerca de três semanas e terminar antes do início oficial da campanha eleitoral.


… Nos bastidores, dirigentes petistas evitam ampliar publicamente a discussão sobre o tratamento para não alimentar especulações sobre eventual mudança de planos na disputa presidencial. A orientação interna é afastar qualquer hipótese de substituição de candidatura.


… “Lula é o candidato, não tem plano B”, resumiu uma liderança do partido ao Valor.


… O PT avalia que preservar a imagem de vitalidade política e capacidade operacional do presidente será central para evitar ruídos, num momento em que o cenário eleitoral começa a ganhar tração com novas pesquisas e movimentações da oposição.


BTG-NEXUS – Nesta segunda, nova pesquisa mostrou Lula com 47% contra 43% de Flávio Bolsonaro em eventual segundo turno, no limite da margem de erro. No primeiro turno, Lula aparece com 40% e Flávio com 35%, reforçando a polarização entre petismo e bolsonarismo.


PESQUISAS DA SEMANA – A corrida presidencial ganha nova rodada de monitoramento nesta semana, com divulgação de levantamentos de diferentes institutos em meio ao aumento da tensão política envolvendo a pré-campanha de Flávio Bolsonaro.


… Amanhã, quarta-feira, serão divulgadas as pesquisas Jota e Indexa. Na quinta, sai o levantamento Meio/Ideia. Já na sexta-feira, serão publicados os números do PoderData e da Veritá, enquanto a Vox Brasil divulga pesquisa nacional no domingo.


… Além dos nomes consolidados para a disputa presidencial, alguns levantamentos vão testar cenários alternativos com Michelle Bolsonaro, Fernando Haddad, Tereza Cristina, Joaquim Barbosa e Aécio Neves, refletindo o ambiente ainda aberto para definição de candidaturas.


… Estrategistas políticos avaliam que as próximas rodadas podem ajudar a calibrar o impacto inicial da deterioração recente da imagem de Flávio, embora ainda exista cautela sobre movimentos mais estruturais no cenário eleitoral.


MAIS AGENDA – A terça-feira traz como principal destaque doméstico a divulgação das estatísticas do setor externo de abril pelo Banco Central, enquanto no exterior investidores acompanham os números de confiança do consumidor americano.


… Às 8h30, o BC publica os dados de transações correntes e Investimento Direto no País (IDP).


… A mediana das Projeções Broadcast aponta déficit de apenas US$ 100 milhões em conta corrente em abril, após rombo de US$ 6 bilhões em março, no que pode marcar o melhor resultado desde outubro de 2023.


… O desempenho é explicado principalmente pelo superávit robusto da balança comercial, impulsionado pelos embarques de soja e petróleo em meio aos efeitos da guerra no Oriente Médio sobre os preços da commodity.


… Parte do mercado, inclusive, trabalha com possibilidade de superávit nas transações correntes no mês.


… Para o IDP, a mediana das estimativas aponta entrada líquida de US$ 5,55 bilhões em abril.


… Economistas observam, porém, que a escalada geopolítica recente elevou cautela global com investimentos, reduzindo parcialmente o fluxo para emergentes, apesar da percepção ainda favorável em relação ao Brasil.


… No exterior, o principal evento do dia será o índice de confiança do consumidor dos Estados Unidos medido pelo Conference Board, às 11h.


… O dado ganha relevância em uma semana marcada também pela divulgação do PIB americano revisado e, principalmente, do PCE, medida de inflação preferida do Federal Reserve – ambos na quinta-feira.


… A agenda internacional ainda traz, o índice de atividade do Fed de Chicago (9h30), falas do presidente do Fed de Minneapolis, Neel Kashkari, em painel com o presidente do Banco do Japão, Kazuo Ueda (21h), além dos números de lucro industrial da China (22h30).


VAI DAR BOM? – A julgar pela queda livre do petróleo ontem, com o Brent abaixo de US$ 100 e WTI querendo furar US$ 90, o investidor decidiu mergulhar na aposta do acordo de paz preliminar com possível reabertura de Ormuz.


… Antes mesmo que um plano tenha sido anunciado, o mercado já começa a fazer os cálculos sobre que faixa de suporte o barril pode testar. Apesar do otimismo, o que se diz é que dificilmente o Brent valerá menos de US$ 80.


… As perdas de estoques e a produção interrompida no Oriente Médio devem demorar para ser compensadas. Assim, mesmo que a guerra acabe hoje, a percepção é de impacto prolongado, que não acabará do dia para a noite.


… Mas ontem o tombo foi pesado: o contrato do Brent para agosto desabou 6,78%, a US$ 93,42. O WTI não operou no pregão regular, por conta do feriado nos EUA, mas derreteu 6,58% na sessão eletrônica, negociado a US$ 90,24.


… O choque inflacionário do petróleo virou atualmente o fiel da balança para a política monetária global, com os grandes BCs todos em compasso de espera, de olho no Irã, para decidir se antecipam ou não um aperto do juro.


… Por aqui, o mercado confia que, independentemente de o conflito acabar logo ou não, vem pelo menos mais um corte da Selic pelo Copom em junho, embora a taxa básica possa continuar em patamar elevado por mais tempo.


… Ontem, o boletim Focus apontou nova piora na expectativa do IPCA para este ano (de 4,92% para cima de 5%, a 5,04%), indicando que a inflação continua resistente, mesmo em um ambiente de juros ainda bastante altos.


… Ainda no Focus, a estimativa de inflação para 2027 oscilou marginalmente, de 4% para 4,01%. A de 2028, que na última sexta-feira foi foco de atenção dos diretores do BC na reunião trimestral com economistas, seguiu em 3,65%.


… O fato de as expectativas não terem sofrido deterioração neste prazo pode, eventualmente, deixar o Copom mais à vontade para seguir com os cortes, ainda mais se os Estados Unidos e o Irã progredirem para um acordo definitivo.


… Durante a coletiva à imprensa, ontem, sobre o Relatório de Estabilidade Financeira do segundo semestre de 2025, Galípolo ponderou que as projeções de inflação para horizontes mais curtos estão contaminadas por duas variáveis.


… De um lado, o choque de oferta do conflito no Irã; de outro, o choque de oferta relativo ao El Niño. Disse ainda que a política monetária vem funcionando e colocando o crescimento mais próximo do nível potencial.


… A volta do apetite por risco com as notícias sobre os planos diplomáticos para a reabertura do Estreito de Ormuz promoveu ontem uma forte queima de prêmios na curva dos juros futuros, em sessão marcada pela baixa liquidez.


… No fechamento, o contrato de DI para janeiro de 2027 marcava 14,025% (de 14,077% no ajuste anterior); Jan/28,  13,725% (contra 13,835%); Jan/29, 13,710% (de 13,851%); Jan/31, 13,840% (13,970%); e Jan/33, 13,930% (14,063%).


ZONA DE ARREBENTAÇÃO – A guerra vive um de seus momentos mais decisivos, com o mercado torcendo para que a aproximação entre Trump e o Irã desta vez não morra na praia e nem entre para a coletânea de frustrações.


… O alívio de risco no exterior levou o dólar a furar momentaneamente ontem o suporte psicológico dos R$ 5 na mínima intraday, a R$ 4,9943. Mas a moeda desacelerou o fôlego de queda no fechamento, a R$ 5,0190 (-0,18%).


… Ao Broadcast, o economista-chefe da BGC Liquidez, Felipe Tavares, estimou que, em um “cenário benigno”, que leva em conta “eleição favorável para a oposição e fim da guerra”, a taxa de câmbio poderia recuar para R$ 4,84.


… Já no adverso, com “reeleição de Lula, piora da perspectiva fiscal e extensão da guerra”, o dólar atingiria R$ 5,24.


… Economistas do BTG ressaltam que o real se beneficiou até bem recentemente da escalada do petróleo e que ainda há espaço para novas apreciações, mas o trade eleitoral começará a pegar mais forte daqui em diante.  


… Diante deste risco, o banco prevê um cenário mais desafiador até outubro, com dólar a R$ 5,10 no final do ano.


… Lá fora, o sentimento de que “agora vai” e de que esta guerra acaba relaxou a moeda americana. O índice DXY recuou 0,26%, para 98,978 pontos. O euro subiu 0,35%, para US$ 1,1646, e a libra avançou 0,58%, a US$ 1,3509.


… Também o iene conquistou terreno, a 158,92 por dólar. Na noite de ontem, o vice-presidente do BC japonês, Ryozo Himino, disse que o BoJ continuará apertando a política monetária, mas o momento dependerá do risco.


… Muitos economistas e investidores esperam aumento das taxas na próxima reunião, em junho, à medida que mais formuladores de políticas se tornam cautelosos com a chance de aceleração da inflação devido ao petróleo caro.


… A derrocada do barril ontem destoou da longa sequência de pressão recente e pesou para as ações da Petrobras nesta segunda, mas o Ibovespa acabou poupado de perdas, porque foi sustentado pelo ânimo dos papéis dos bancos.


… Sem a referência de Nova York e com a liquidez global reduzida a apenas R$ 14,2 bilhões por conta do feriado americano de Memorial Day, o Ibovespa fechou em alta de 0,91%, na máxima do dia, aos 177.815,72 pontos.


… Três ações do setor financeiro fecharam no pico do dia: Bradesco PN (+2,55%, a R$ 18,07), Santander unit (+1,99%, a R$ 27,64) e BTG unit (+3,65%, a R$ 55,90). Itaú PN subiu 2,26%, para R$ 40,32, e BB ON, +3,39% (R$ 21,65).


… As ações da Vale ganharam 0,59% (R$ 83,59), apesar da estabilidade do minério de ferro (+0,06%), enquanto os papéis da Petrobras caíram forte (ON, -2,91%, a R$ 48,69; e PN, -2,43%, a R$ 43,40) com o petróleo derretendo.


CIAS ABERTAS NO AFTER – PETROBRAS aprovou nova composição do Comitê de Auditoria Estatutário (CAE). Foram eleitos Renato Galuppo e Marcelo Gasparino da Silva, membros independentes do conselho de administração…


… Também seguem no comitê, os membros externos Eugênio Tiago Chagas Cordeiro Teixeira e Newton de Araujo Lopes. Renato Campos Galuppo assumirá seu mandato como membro e presidente do CAE a partir de 10 de julho…


… Ele sucederá Fábio Veras de Souza, que deixa os cargos de membro externo e presidente interino.


BRAVA ENERGIA. Ecopetrol lançou OPA voluntária para assumir controle da empresa, ao preço de R$ 23 por ação…


… A estatal colombiana pretende adquirir 25% do capital da companhia e elevar participação para 51%. O leilão da oferta ocorrerá em 25 de junho na B3.


COPASA. A privatização da companhia recebeu propostas da Equatorial e do consórcio formado por Equipav, GIC, Itaúsa e Aegea, segundo fontes do Valor e Broadcast. A Sabesp ficou de fora. Os envelopes serão abertos amanhã.


COPEL. A controlada Elejor formalizou repactuação de parcelas de R$ 420,6 milhões devidas de Uso de Bem Público (UBP) das usinas Santa Clara e Fundão.  


JHSF. A companhia lançou o Fasano Yachts, nova frente de negócios voltada à hospitalidade de luxo no mar, com frota inicial de 12 iates na Sardenha.


RAÍZEN. Credores já não contam mais com eventual aporte de R$ 500 milhões de Rubens Ometto na companhia, segundo a Coluna do Broadcast. A expectativa, porém, segue de acordo com credores até 9 de junho.


SÃO MARTINHO. A companhia encerrou o 4Tri da safra 2025/26 com lucro de R$ 172,85 milhões, alta anualizada de 64,6%. O Ebitda ajustado somou R$ 1,094 bilhão, avanço de 41,9%…


… A receita líquida cresceu 29,1%, para R$ 2,245 bilhões.


AZZAS 2154. A companhia afirmou não haver decisão sobre eventual cisão ou segregação de ativos entre Alexandre Birman e Roberto Jatahy.


ORIZON. Tarpon Gestora e TPE Gestora reduziram participação para 4,45% do capital da companhia.


PARANAPANEMA. A companhia homologou aumento de capital de R$ 85,2 milhões por meio da conversão de créditos em ações, conforme previsto no plano de recuperação judicial.


LUPATECH. A companhia protocolou pedido de homologação de recuperação extrajudicial para reestruturar passivo de R$ 295,4 milhões…


… A proposta já conta com apoio de credores que representam 55,4% dos débitos trabalhistas e 42% dos créditos quirografários.

Bankinter Portugal Matinal

 Análise Bankinter Portugal 


Nova Iorque fechada; EUA tech fechado; EUA Semis fechado; UE +1,9% Espanha +2,2% VIX fechado; Bund 2,95%. T-Note fechado; Spread 2A-10A USA=+45pb B10A: ESP 3,37% PT 3,31% ITA 3,65% FRA 3,64% Euribor 12m 2,78% (fut.12m 2,83%) USD 1,164 JPY 185,0/€ 159,0/$. Ouro 4.571$. Brent 96,3$. WTI Cerrado. Bitcoin +1,7% (77.207$) Ether +1,8% (2.108$). 


:: SESSÃO. Hoje o tom é positivo. Nova Iorque reabre após permanecer fechada ontem e os futuros vêm a subir +0,6%/+0,7%. Incluem o bom comportamento das bolsas, ontem, na Europa (ca. +2,0%) perante a expetativa de um possível acordó de paz entre os EUA e o Irão. É certo que o acordo ainda não se materializou, mas parece vislumbrar-se a curto prazo num quadro preliminar que incluiria: (i) a reabertura do Estreito de Ormuz com a cessação do bloqueio naval dos EUA, (ii) eliminação de sanções para ativos iranianos e (iii) adiamento das negociações sobre questões nucleares por 60 dias. Veremos… De momento, esta madrugada, os EUA atacaram vários objetivos no Irão, embora Marco Rubio garante que se trata de uma “operação defensiva” e que não influencia nas negociações que poderão durar “mais alguns dias”. Como consequência, o petróleo aumenta ca. +2,0%, embora se mantenha <100 $/barril.


Na frente convencional, a referência macro mais importante de hoje será a Confiança do Consumidor nos EUA (15 h). Provavelmente irá retroceder de forma testemunhal (91,5 esp. vs. 92,8 ant.), embora os três últimos registos tenham surpreendido para melhor, reforçando a ideia de que a deterioração macro da guerra no Médio Oriente não está a ser tão evidente como se poderia ter esperado. Também será publicado o Índice Industrial da Fed de Dallas (13:30 h) que certamente ficará para segundo plano.


Em suma, hoje o lógico é que o tom seja um pouco melhor em Nova Iorque, já que deverá incluir hoje as subidas registadas ontem na Europa após ter permanecido fechada ontem. Na Europa, o tom da sessão será mais neutral/lateral perante a ausência de catalisadores na sessão e à espera de novas notícias na frente geoestratégica.

segunda-feira, 25 de maio de 2026

Fundo Verde

 https://valor.globo.com/financas/intraday/post/2026/05/verde-ve-ciclo-eleitoral-complexo-e-alerta-para-reversao-de-fluxo-estrangeiro.ghtml


*_VERDE ASSET VÊ CICLO ELEITORAL COMPLEXO E ALERTA PARA REVERSÃO DE FLUXO ESTRANGEIRO NO BRASIL_*


• *Maré Baixa e Populismo Fiscal*: O ambiente que parecia favorável para os ativos brasileiros sofreu uma deterioração acentuada. Em entrevista exclusiva, o gestor da Verde Asset, Luiz Parreiras, alertou que a combinação de choque do petróleo, pressões inflacionárias e a antecipação do ciclo eleitoral reduziu drasticamente o espaço para cortes na Selic. O gestor estima que as medidas de estímulo e isenções concedidas pelo governo injetaram um impulso fiscal e parafiscal equivalente a 1% do PIB, criando um modelo econômico com acelerador fiscal potente que passa a exigir um freio monetário muito mais duro.


• *O Racha no Fluxo Global*: De acordo com a Verde, o investidor internacional mudou sua régua de alocação. Se em um primeiro momento da guerra no Oriente Médio o fluxo buscou o Brasil pelo "trade do petróleo", a calmaria marginal levou a uma clivagem técnica focada em Inteligência Artificial. O dinheiro estrangeiro migrou para polos como Taiwan e Coreia, deixando o Brasil na vala dos países que "não têm IA". Parreiras adverte que se o dólar iniciar um ciclo global de valorização estrutural, a retirada de capital emergente pode punir o mercado doméstico de forma severa.


• *A Derretida dos Juros na Curva*: O reflexo desse superaquecimento e da desancoragem de expectativas foi violento nos modelos de precificação. O mercado, que em 27 de fevereiro projetava um IPCA de 3,7% para este ano, já precifica uma inflação de 5,7%. Com isso, a aposta consensual de que o Banco Central traria a Selic de 15% para 12% desidratou na B3, com a curva mal conseguindo precificar juros na casa dos 14%. Parreiras avalia que o atual BC tentará "olhar além" do choque e agirá de forma gradual, descartando altas de juros na marra, mas operando com o espaço de manobra estrangulado.


• *Estratégia de Portfólio do Fundo*: No desenho das estratégias da Verde Asset, a gestora adotou as seguintes posições de proteção:


* *Câmbio*: Redução na exposição comprada em Real, após a atuação do BC com swaps cambiais, embora os modelos internos estimem o valor justo da divisa entre R$ 4,60 e R$ 4,65.

* *Metais e Hedge*: Manutenção de alocações táticas em Ouro e Prata como proteção definitiva contra ruídos fiscais e geopolitical bagunça.

* *Internacional*: Posições compradas em inflação americana (TIPS) desde a eleição de Trump, capturando o prêmio de tarifas comerciais e o capex global de IA.

* *Juros Locais*: Posição zerada em juros no Brasil devido à opacidade e falta de potência da política monetária frente aos estímulos de crédito estatais.


• *A Assimetria de 2026*: Parreiras pondera que o cenário político para o próximo ano é nebuloso e dominado pelo populismo enraizado, inclusive no Congresso. Em caso de continuidade do governo atual, o risco é de um avanço ainda mais agressivo nos gastos em busca de legado, o que fará a trajetória da dívida — que já cresce de 4 a 5 pontos do PIB ao ano — bater no muro. Pelo lado da oposição de direita, favorita com Flávio Bolsonaro, o mercado ensaia uma assimetria positiva de corte de despesas, mas o gestor mantém ceticismo sobre a viabilidade política de medidas duras em ano de eleição. "O estrangeiro não precisa estar aqui. Me preocupa o Brasil gastar a sunga antes da maré baixar", concluiu.


📚 NEWS + RESUMO: *A FALTA DE POTÊNCIA MONETÁRIA ANTE O ATIVISMO PARAFISCAL*


*Análise de Cenário*: Os apontamentos de Luiz Parreiras expõem com precisão cirúrgica o principal curto-circuito da macroeconomia doméstica: o ativismo parafiscal anulando a política monetária tradicional. Injetar o equivalente a R$ 190 bilhões em estímulos via canais de crédito subsidiados e ampliação de renda cria uma falsa sensação de dinamismo no PIB de curto prazo, mas cobra um preço punitivo na inflação de serviços e na curva longa de juros. Ao distorcer os mecanismos de transmissão do Copom, o front fiscal obriga o investidor local a exigir prêmios de risco cada vez maiores, viciando o mercado na liquidez imediata da renda fixa isenta e paralisando o fluxo de debêntures e IPOs no mercado de capitais.


*Perspectiva de Mercado*: Para o investidor institucional, a leitura de portfólio da Verde Asset chancela a necessidade de máxima seletividade e posições defensivas no atual estágio do ciclo. Operar comprado em Real por fundamentos de balança comercial de petróleo faz sentido técnico, mas a velocidade desse ganho foi limitada pela própria atuação do Banco Central nos swaps. Sem o suporte do fluxo internacional — que prefere pagar os múltiplos esticados do ecossistema de inteligência artificial nos EUA a carregar o risco político de Brasília —, o Ibovespa perde sustentação estrutural. A estratégia correta para os próximos meses segue ancorada no carrego de inflação de curto prazo e na diversificação internacional em moedas duras ou ativos reais (como ouro), evitando apostas direcionais na ponta longa da curva DI até que haja clareza sobre o teto do déficit público.

Minerva fechando capital

 https://oglobo.globo.com/blogs/capital/post/2026/05/com-acoes-em-queda-minerva-foods-volta-a-avaliar-fechar-capital-na-bolsa.ghtml *Com açõ...