quarta-feira, 18 de março de 2026

BDM Matinal Riscala

 *Rosa Riscala: A superquarta da guerra*


… O Fed (15h) não tem dilema e deve manter o juro na faixa atual de 3,50% a 3,75%. Powell operar as expectativas em coletiva (15h30) sobre quando a taxa será relaxada (setembro ou dezembro) e quanto (uma ou duas vezes este ano). Aqui, Galípolo chega ao dia do Copom (18h30) com o desafio de não comprometer a credibilidade da política monetária no início do ciclo de flexibilização. Antes de a guerra estourar, o plano do BC era dar meio ponto de corte logo de saída. Surpreendido pelo conflito, este ajuste perdeu força para o consenso de 0,25pp. Mas as apostas estão num vale-tudo e até uma pausa na Selic corre por fora, sob o risco de persistência do choque do petróleo. De última hora, a ameaça de greve dos caminhoneiros traz emoção redobrada ao Copom e joga a favor do conservadorismo.


GASOLINA NA FOGUEIRA – Intensificando o ambiente já tenso, os caminhoneiros avisaram que podem deflagrar até o fim de semana uma paralisação para protestar contra o reajuste do diesel e demonstrar a insatisfação com o frete.


… O movimento em escala nacional ganhou força após uma reunião em Santos (SP) com lideranças da categoria.


… A paralisação ainda não está confirmada e os líderes permanecem em negociação com sindicatos, associações e cooperativas do setor de transportes, em uma tentativa de coordenar ações simultâneas em vários portos do Brasil.


… A potencial mobilização entra no radar do Planalto, diante da possibilidade ventilada pelos caminhoneiros de levar as reivindicações diretamente a Brasília e cobrar uma reunião com o presidente Lula, possivelmente na sexta.


… A ameaça resgata à memória a greve de 2018 e, aos 45 minutos do segundo tempo, coloca o Copom em uma posição ainda mais delicada, obrigado a administrar o fator de risco de possíveis pressões inflacionárias extras.  


… O presidente da Associação Nacional do Transporte no Brasil (ANTB), José Roberto Stringasci, afirmou que um eventual bloqueio das rodovias será inevitável caso a paralisação planejada pelos caminhoneiros avance.


… O movimento tem como pano de fundo a escalada do diesel, que eleva os custos do transporte rodoviário.


… O recente pacote do governo que zerou o PIS/Cofins e subvencionou o diesel, não acalmou os ânimos.


… Os caminhoneiros reclamam que, um dia depois, a Petrobras reajustou o combustível nas refinarias em 11,6% e que pode promover novos aumentos para compensar parte da defasagem contra os preços praticados lá fora.


… Em meio à mobilização dos caminhoneiros, a Petrobras reafirmou na noite de ontem a sua política de preços, que tem como “pilar fundamental não repassar automaticamente a volatilidade dos valores internacionais”.


… Segundo a companhia, o reajuste recente do diesel “está em consonância” com tal estratégia.


… Para o vice-presidente, Geraldo Alckmin, a greve “não tem sentido”, já que o governo se antecipou e tomou medidas para amortecer a pressão sobre os combustíveis e para garantir o abastecimento em todo o País.


… Questionado se novas iniciativas para frear o valor do diesel estão sendo estudadas, disse que nada está decidido.


… A Folha apurou que o Ministério da Fazenda pediu para que uma redução temporária da alíquota do ICMS do diesel seja discutida hoje na reunião do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz).


… A Petrobras e a ANP desmentiram relatos de desabastecimento ou problemas nas entregas em algumas regiões.


… Distribuidoras de combustíveis estão preocupadas com gargalos na oferta, depois de a Petrobras ter cancelado os leilões de diesel e gasolina programados para ontem e segunda-feira. A estatal diz estar reavaliando o cenário.


… O governo informou que a PF instaurou inquérito para coibir práticas abusivas no preço dos combustíveis.


PLUS A MAIS – A ameaça de greve dos caminhoneiros cria um potencial novo foco de pressão ao Copom, neste momento em que o rali do petróleo e o susto com o IPCA de fevereiro já desenhavam um cenário mais cauteloso.


… A inflação de serviços continua no ar. Por outro lado, o câmbio apreciado ainda é um vetor de alívio ao Copom.


… Tanto os que defendem que o BC mantenha o script de um corte de 0,50 ponto, quanto os que esperam Selic estável (15%), dizem que dar só 0,25 ponto faria pouca diferença para a economia e confundiria a comunicação.


… Seja como for, é esta hoje a aposta principal entre os traders (80%) e economistas (76%). Pesquisa divulgada pelo BTG Pactual revela que só 17% do mercado projeta meio ponto de queda e 12% preveem que a Selic fique parada.


… Com todas as alternativas na mesa, só o que já se sabe é que o day after do Copom exigirá correções.


… Às vésperas da decisão de política monetária, o Tesouro fez nos últimos dois dias a maior intervenção da história no mercado de títulos públicos para conter o estresse na curva do DI com o Irã, em atuação elogiada pelo mercado.


… Em quatro leilões extraordinários, recomprou quase R$ 44 bilhões para aliviar a onda de stop loss, superando até mesmo a megaoperação no período da pandemia da covid-19, quando foram recomprados R$ 35,59 bilhões.


… Ainda assim, os juros futuros terminaram a sessão em alta, abalados pela percepção de risco (leia mais abaixo).


FED NO CAMAROTE – Ao contrário do Copom, que já tinha contratado a retomada do ciclo de corte da Selic antes da guerra, o BC americano assume a postura de esperar para ver, enquanto mantém as taxas na faixa de 3,50% a 3,75%.


… Mas o placar deve vir rachado de novo. Além dos dois dissidentes prováveis (Christopher Waller e Stephen Miran), o Morgan Stanley e o Goldman Sachs esperam que Michelle Bowman se junte aos colegas por um corte de 25pb.


… As menções do Fed e de Powell aos impactos da guerra serão importantes para projetar o ciclo monetário. O mercado vem adiando as apostas para o início da redução dos juros e reduzindo a quantidade de cortes este ano.


… Ontem, os apelos de Trump para aliados ajudarem a reabrir o Estreito de Ormuz foram, em boa parte, ignorados. O presidente americano usou sua rede social para dizer que a Otan comete “um erro tolo” ao não se envolver.


… Comentários de autoridades americanas de que o fim da guerra está próximo não sensibilizaram o petróleo a cair.


… O governo Trump sofreu ontem a primeira baixa em sua equipe desde o início da guerra: o diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo, Joseph Kent, renunciou ao posto por se opor ao conflito contra o Irã.


… Segundo ele, o Irã não representava ameaça iminente, mas a guerra veio atender ao “poderoso lobby” de Israel.


… O governo de Teerã confirmou nesta terça-feira a morte de uma figura-chave no regime iraniano: Ali Larijani, chefe do Conselho de Segurança do país, morto durante um bombardeio de precisão em Teerã na noite de segunda-feira.


… O novo líder supremo do Irã, o aiatolá Mojtaba Khamenei, rejeitou propostas de cessar-fogo com Washington e afirmou que o momento para a paz não chegará “até que os EUA e Israel se ajoelhem e aceitem a derrota”.


… Durante a madrugada, o petróleo devolvia parte dos fortes ganhos e caía mais de 2%, após o Iraque e as autoridades curdas concordarem em retomar as exportações de petróleo pelo porto de Ceyhan (Turquia).


… O acordo deve proporcionar um alívio moderado às preocupações com o abastecimento do Oriente Médio.


PLP DOS BANCOS – Sem acordo dentro do governo, o projeto de lei de resolução bancária, que estava previsto para ser votado ontem à noite pelo plenário da Câmara, foi retirado da pauta e novas conversas serão realizadas hoje.


… O relator da matéria, Marcelo Queiroz (PSDB), deve se reunir nesta quarta com o líder do governo na Casa, José Guimarães (PT-CE), que é contrário à proposta. “Para que pressa para votar isso? Só depois das eleições”, disse.


… Guimarães reconhece que o texto é visto como prioritário por Haddad, mas que o momento não é apropriado.


… O Valor apurou que as divergências dentro do governo que travam o projeto dizem respeito ao trecho que autoriza empréstimos da União para socorrer bancos em situações críticas, em caso de risco de crise sistêmica.


… A Casa Civil quer a retirada do artigo, enquanto a equipe econômica e o BC são a favor da medida.


… No Estadão, integrantes da cúpula do Congresso dizem que a resistência da base governista ao projeto também se ancora no fato de a proposta ter sido enviada durante a gestão do ministro Paulo Guedes no governo Bolsonaro.


… O texto estava engavetado na Câmara desde 2019, mas ganhou força depois da quebra do Banco Master.


… A CPMI do INSS agendou para segunda-feira o depoimento da modelo Martha Graeff, ex-namorada de Vorcaro. Reportagens na imprensa indicam que o banqueiro transferiu para ela bens que podem superar R$ 520 milhões.


AUTONOMIA DO BC – O líder do PT na Câmara, deputado Pedro Uczai (SC), protocolou um projeto de lei complementar que vincula a instituição ao Ministério da Fazenda e estabelece um modelo de “autonomia relativa”.


… A iniciativa, desencadeada pela repercussão das fraudes do Banco Master, reabre o debate sobre o grau de independência do BC, tema sensível no mercado e no Congresso desde a aprovação da autonomia formal em 2021.


TABULEIRO – A ministra da Gestão e da Inovação, Esther Dweck, negou ter conversado com Lula sobre assumir o Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO) após a saída de Tebet para concorrer a uma vaga ao Senado por SP.


… Além de Dweck, outro nome cotado é o do secretário especial de Análise Governamental da Casa Civil, Bruno Moretti. Ele é o homem de confiança do ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa, para assuntos fiscais.  


… No Valor, Haddad lançará sua pré-candidatura ao governo de SP na sexta, em evento na capital paulista. Na véspera, ele fará sua última atividade pública como ministro, na “caravana federativa”, ao lado de Lula.


… Kassab sinaliza a aliados que deve anunciar o governador Ratinho Jr. (PR) como pré-candidato do partido à Presidência. Ele é o favorito na disputa interna contra os governadores Eduardo Leite (RS) e Ronaldo Caiado (GO).


MAIS AGENDA – O BC divulga às 14h30 o fluxo cambial semanal. Lá fora, antes do Fed, saem a inflação ao produtor (PPI) americano (9h30), as encomendas à indústria em janeiro (11h) e os estoques de petróleo do DoE (11h30).


… O CPI de fevereiro da zona do euro vem às 7h e o BC do Canadá decide juro às 8h45 (aposta é de manutenção).


BALANÇOS – Depois do fechamento dos mercados, nos EUA, tem Micron. Aqui, MBRF, Minerva, Petroreconcavo, Positivo, Vivara, Aeris e CVC também soltam os seus resultados trimestres com os negócios já encerrados.


FICOU A VER NAVIOS – Após o alívio de segunda-feira, o petróleo voltou a subir ontem com a relutância dos países aliados dos EUA em usar suas marinhas para escoltar petroleiros pelo Estreito de Ormuz.


… Segundo a Bloomberg, mesmo que os EUA consigam reunir uma coalizão de países para fornecer escolta em Ormuz, o impacto da medida seria limitado, longe de um retorno ao tráfego normal.


… Apenas 15 navios transitaram pela região nos últimos 3 dias, segundo a plataforma de monitoramento MarineTraffic. Foram oito navios de carga seca, cinco petroleiros e dois transportadores de gás.


… É provável que seguradoras e bancos continuem cautelosos em apoiar rotas marítimas próximas ao Irã, onde a exposição às sanções e o risco de ataques dificultam a emissão de seguros ou o financiamento das viagens.


… O Brent para maio subiu 3,20%, a US$ 103,42 por barril na ICE, enquanto o WTI para abril avançou 2,90%, a US$ 96,21 por barril na Nymex.


TÔ NEM AÍ – Wall Street não deu muita bola para a nova alta do petróleo, nem ao fato de Trump não ter conseguido apoio dos aliados para reabrir Ormuz. Na véspera do Fed, a ordem foi continuar a busca por pechinchas.


… O Dow Jones subiu 0,10%, aos 46.993,26 pontos; o S&P 500 teve alta de 0,25%, aos 6.716,09 pontos; e o Nasdaq avançou 0,47%, aos 22.479,53 pontos.


… As companhias aéreas seguiram em recuperação, embaladas pelas revisões para cima das projeções de lucro e receita no 1TRI26 da American (+3,53%) e da Delta (+6,56%), mesmo com a pressão de custo do querosene.


… Já a Eli Lilly recuou 5,94% após o HSBC rebaixar sua recomendação, afirmando que as ações já estão “precificadas à perfeição”, sugerindo que grande parte do otimismo em relação às perspectivas de crescimento já está no preço.


CARGA PESADA – Na véspera do Copom, os DIs operaram em baixa durante boa parte da sessão, em linha com o maior apetite por risco global e sob efeito de nova intervenção do Tesouro, que recomprou prefixados e NTN-Bs.


… Porém, as taxas passaram a subir no meio da tarde, após a notícia de ameaça de greve dos caminhoneiros.


… No fechamento, o DI para janeiro de 2027 marcava 14,135% (de 14,070% no ajuste anterior); Jan/29, 13,605% (contra 13,561%); Jan/31, 13,755% (de 13,747%); e Jan/33, 13,810% (de 13,822%).


NO FLUXO – O clima mais favorável ao risco lá fora, mesmo com a guerra em andamento, e a entrada de capital estrangeiro no Brasil ajudaram o real a continuar ganhando terreno diante do dólar.


… Operadores lembraram que o “carry trade” seguirá favorável, mesmo que o Copom corte a Selic em 0,5 pp hoje e o Fed não mexa na taxa americana.


… Além disso, a bolsa não para de receber capital gringo. Segundo o último levantamento da B3, entrou mais R$ 1,1 bilhão na 6ªF (13). No acumulado de março, o saldo positivo chega a R$ 3,4 bilhões e no ano, a R$ 45,1 bilhões.


… Depois de o dólar fazer mínima em R$ 5,1776 (-1,0%), a notícia sobre a greve dos caminhoneiros azedou o câmbio no fim da sessão, que fechou a R$ 5,2000 (-0,57%).


… Lá fora, o índice DXY caiu 0,12%, aos 99,589 pontos. O euro subiu 0,27%, para US$ 1,1539, e a libra ganhou 0,30%, a US$ 1,3358.


SEGUE O BAILE – A bolsa brasileira aproveitou o sinal positivo de NY e engatou mais uma sessão de ganhos, sem se preocupar com os desdobramentos da guerra. Apenas a ameaça dos caminhoneiros tirou um pouco do brilho.


… Depois de fazer máxima nos 182.800,30 pontos (+1,63%), o Ibovespa fechou em alta de 0,30%, aos 180.409,73 pontos, com giro de R$ 26,7 bilhões. Petrobras seguiu o petróleo (PN +1,76%, a R$ 46,38; e ON +1,22%, a R$ 50,73).


… Vale teve ganho tímido (+0,15%, a R$ 78,96), frente ao minério (+1,81%). Os bancos ficaram no vermelho: Santander (-1,18%; R$ 30,10), BB (-0,96%; R$ 23,67), Bradesco PN (-0,79%; R$ 18,85) e Itaú (-0,67%; R$ 42,71).


… Natura disparou 8,46% (R$ 9,36) e liderou os ganhos do índice após o balanço trimestral, seguida de CSN (+5,14%; R$ 6,34) e Prio (+4,83%; R$ 62,69), que recebeu licença de perfuração de novos poços.


… Na outra ponta, Magazine Luiza (-8,13%; R$ 9,04) foi a que mais caiu, acompanhada de Cosan (-4,22%; R$ 5,22) e Brava (-3,33%; R$ 18,02), que não conseguiu comprar ativos da Petronas na bacia de Campos.


CIAS ABERTAS NO AFTER – Governo do DF derrubou a decisão da Justiça que impedia a capitalização do BRB. Assim, o conselho de administração do banco decidiu cancelar a AGE convocada para hoje.


PETROBRAS. MPF reiterou pedido de suspensão da licença ambiental na Foz do Amazonas e solicitou que o processo seja julgado no Pará…


… A estatal informou ontem que o décimo contrato de venda de propeno à BRASKEM atingiu o valor de R$ 50,1 milhões, referente a 13,2 mil toneladas com base em realocação entre refinarias.


TAESA reportou lucro líquido de R$ 313,1 milhões no 4TRI25, alta de 56,1% na comparação anual. O Ebitda caiu 24,4%, para R$ 524,3 milhões, enquanto a receita líquida subiu 10,8%, para R$ 643,7 milhões.


ELETRONUCLEAR. Aneel aprovou pedido para emissão de debêntures conversíveis em ações no valor de R$ 2,4 bilhões, com prazo de 10 anos. Recursos serão destinados à extensão de vida útil de Angra 1.


COMGÁS aprovou a 15ª emissão de debêntures no valor de R$ 1,5 bilhão, com remuneração equivalente a CDI + 0,75% ao ano, destinada à gestão ordinária dos negócios.


KLABIN. A Moody’s reafirmou o rating corporativo AAA.br, com perspectiva estável, refletindo forte posição de mercado e escala operacional…


… A companhia desembolsará US$ 229,5 milhões para resgate antecipado de green bonds com vencimento em 2027.


WEG aprovou pagamento de JCP de R$ 420,1 milhões (R$ 0,10012/ação), com base em 20/03 e pagamento em 10/03/2027; ex em 23/03.


ECORODOVIAS reportou lucro líquido recorrente de R$ 241,8 milhões no quarto trimestre, alta de 16,9% na comparação anual. Receita líquida ajustada cresceu 14,5%, para R$ 1,945 bi, e Ebitda avançou 16,6%, a R$ 1,448 bi.


VAMOS aprovou a 15ª emissão de debêntures no valor de R$ 500 milhões, com prazo de 66 meses e remuneração equivalente a CDI + 2,17% ao ano.

terça-feira, 17 de março de 2026

Fernando Gabeira

 SUGIRO A LEITURA, AMIGOS QUERIDOS !!!


Fernando Gabeira

A sedução de Vorcaro

Seduzir políticos e juízes para o consumo de luxo seria uma forma de viciá-los num estilo de vida do qual não poderiam mais se afastar

17/03/2026 00h05  


A festinha promovida por Daniel Vorcaro em Londres já foi muito abordada nas redes sociais. Não voltarei a ela para fazer considerações morais. Ela custou US$ 640 mil, consistiu na degustação de uísque Macallan, charutos e alguma comida. Deve ter sido financiada com dinheiro roubado aos aposentados e pequenos investidores.


Volto a essa festa de que participaram Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Ricardo Lewandowski, entre outros, para reafirmar uma intuição que já expressei em livro e debates pelo Brasil. No meu entender, a política brasileira se degradou no momento em que dependeu de caras campanhas pela televisão. Até então, os eleitores financiavam os candidatos com sorteios, festas onde se cobrava um pouco mais pela caipirinha. Essa forma mais ingênua foi superada quando se precisou de muito dinheiro para pagar marqueteiros e suas superproduções televisivas.


O convívio com empresários que mantinham negócios com o governo ou gostariam de ter passou a ser um dado da realidade. Para vencer, era importante ter dinheiro, e muito, e a relação com os eleitores foi relativizada. Políticos que eram funcionários públicos com salário apenas digno para alguém da classe média começaram a emular seus interlocutores milionários. O caso mais típico foi Sérgio Cabral, com origem modesta, mas que, de repente, passou a debater a qualidade dos mais caros restaurantes europeus e desejou abertamente um helicóptero igual ao de Eike Batista, bilionário na época.


Creio que Vorcaro intuitivamente compreendeu isso. Seduzir políticos e juízes para o consumo de luxo seria uma forma de viciá-los num estilo de vida de que não poderiam mais se afastar. Toffoli, com seu resort, já estava ganho para essa nova vida. Moraes, com o contrato milionário da mulher com o Master, mansão cara e viagens a Dubai, também já tinha acesso às altas esferas de consumo. Hugo Motta certamente avança de bom grado para esse mundo.


No entanto o diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, são apenas funcionários públicos. Eram os mais vulneráveis a esse mundo fantástico de uísque e charuto caríssimos, clubes luxuosos. Certamente,Vocaro contava agradar seus amigos milionários e seduzir aqueles que viviam numa esfera mais próxima das pessoas comuns.


É muito difícil o antídoto para esse tipo de sedução, excluída, é claro, a vigilância sobre a evolução da riqueza. No entanto há certas ironias nisso tudo. Vorcaro alugou o Hotel Four Seasons em Taormina, na Sicília, para dar uma festa milionária. Antes dele, o mesmo hotel foi cenário de uma série de TV chamada “The white lotus”. O tema da série era exatamente o vazio e o tédio da vida das grandes fortunas que transitavam por ali.


Mas não podemos contar com essa verdade profunda. Ficar muito rico ainda é um sonho majoritário, muito mais sedutor que servir humildemente ao país. Daí a força dos Vorcaros da vida.

Vorcaro transferiu bens

 *Vorcaro transferiu bens para Martha Graeff que podem superar R$ 520 milhões, mostram conversas*


Dono do Master criou estrutura jurídica nos EUA com ex-noiva como beneficiária, na qual está casa de mais de R$ 450 milhões em Miami, além de tê-la presenteado com itens de alto valor; procurada, defesa de Martha não comentou


Cristiane Barbieri


Daniel Vorcaro, onipresente e economicamente forte, estava em todos os lugares, diz Carlos Andreazza


transferiu bens para sua ex-noiva Martha Graeff, que podem superar os US$ 100 milhões (ou mais de R$ 520 milhões). Na troca de conversa entre ambos, entregue à CPI do INSS, Vorcaro aponta ter cuidado da abertura uma estrutura de proteção patrimonial comum nos EUA, conhecida por trust, no nome de Martha. Pelas conversas, também se depreende que o principal bem do é a mansão em Bay Point, em Miami, comprada por US$ 86,5 milhões (o equivalente a mais de R$ 450 milhões).


Vorcaro, que era o controlador do Banco Master, investiu ainda US$ 10 milhões na Happy Aging, a empresa de produtos para “envelhecimento saudável” que Martha anunciava no Instagram e da qual era sócia. Outros bens de alto valor presenteados a ela são citados nas conversas. Pela legislação, se ficar comprovado que os bens foram fruto de desvio de recursos, eles podem ser apreendidos (leia mais abaixo).


Procurada, a defesa de Martha não respondeu a perguntas sobre o trust ou os bens. Na semana passada, ela soltou um comunicado no qual buscou se desvincular do ex-banqueiro, dizendo que tinham terminado o relacionamento havia meses.


Na quinta-feira, a CPI aprovou a convocação de Martha e diretores do Banco Master para prestar esclarecimentos na investigação conduzida pelo Congresso.


Em dezembro de 2024, Vorcaro solicitou que Martha passasse os dados de seu passaporte brasileiro para seus assistentes, para dar entrada na abertura do em nome dela. As conversas mostram que eles haviam visitado várias casas até fechar a compra da de Bay Point, em outubro daquele ano. Vorcaro confirmou, nas mensagens, que o trust foi aberto para que Martha figurasse como beneficiária, permitindo que ela gerenciasse o que ele chamou de “nossos ativos”.


Em julho do ano seguinte, Martha teve acesso à documentação do trust e ficou confusa. Entendeu que a propriedade do imóvel por meio de um trust poderia ser revogada e que ela poderia deixar de ser beneficiária do imóvel a qualquer momento. Vorcaro ficou irritado com as dúvidas dela, ao que a influenciadora respondeu: “Amor eu sou traumatizada. Eu nunca tive nada no meu nome. Ainda estou trabalhando pra comprar uma casa. Eu preciso entender e me sentir à vontade de perguntar (sic)”, escreveu ela.


A reação de Vorcaro foi novamente de irritação, classificando as dúvidas como “surreais”, com o argumento de que não faria sentido colocar a casa no nome dela para depois retirá-la. Diante da insistência de Martha em entender a estrutura, ele sugeriu que ela “esquecesse o assunto” para manter a paz no relacionamento do casal.


Em diversos momentos das conversas, Vorcaro reiterou que a casa é de ambos. Quando a inspeção da mansão em Miami foi aprovada, Martha perguntou quando ele a compraria, e Daniel respondeu imediatamente: “Eu não, nós”. Em outra ocasião, ele reforçou: “Escolhemos e compramos juntos”. Ele justifica essa visão de patrimônio compartilhado afirmando que, para ele, os dois agora são “um só”.


Martha participou ativamente do projeto de reforma e da decoração, coordenando os trabalhos com os arquitetos Kiko Sobrino (também responsável pelo hotel atribuído a Vorcaro em Campos do Jordão) e Patrícia Anastassiadis. Deu ideias, aprovou plantas para a academia particular e pediu uma espaço específico para ioga e equipamentos da marca Peloton, de alto luxo, bem como para a construção de uma quadra de padel.


Ambos escolheram peças para a casa, com a discussão sobre a aquisição de obras de Jean-Michel Basquiat, Adriana Varejão e Os Gêmeos. Ela também adquiriu bens para a casa. Numa viagem a Paris, comprou um jogo de jantar de porcelana por € 7,5 mil (cerca de R$ 45 mil).


Por conta do tamanho da reforma na casa em Bay Point, que quando pronta passaria a valer mais de US$ 100 milhões, segundo Vorcaro, ambos alugaram um apartamento no complexo hoteleiro Four Seasons Surfside, também em Miami, por dois anos. É um apartamento de quase 700 m², com dez quartos e aluguel de US$ 200 mil mensais.


O casal chegou a conversar sobre a possibilidade de a locação ser feita no nome da empresa de Martha, a Graeff Holdings LLC, mas ela expressou o temor de complicações fiscais e contábeis e ele acabou assinando o contrato por uma de suas empresas.


Todas as despesas do apartamento são faturadas para a Oceanview Ltda, com sede nas Bahamas, para minimizar a carga tributária incidente sobre o casal, por orientação de Vorcaro, segundo as conversas.


Até a semana passada, Martha continuava morando no Four Seasons. Perguntada sobre o tema, a defesa da influenciadora falou que ela estaria se mudando, apesar de ter dito que o relacionamento entre ambos teria terminado “há meses”.


Vorcaro também comprou carros e outros bens de alto valor para Martha. Entre os automóveis deixados com ela em Miami estão um Rolls Royce Cullinan (que pode ultrapassar os US$ 500 mil), uma Mercedes-Benz G-Wagon (que começa em US$ 150 mil) e um Land Rover Defender Vintage (também em torno de US$ 150 mil).


Além disso, Vorcaro também entregou a Martha cartões de crédito sem limite, para que ela os utilizasse em “absolutamente tudo”, incluindo despesas pessoais, roupas e viagens. Também há menções constantes ao envio de valores em dinheiro para o cofre de Martha em Miami para o pagamento de funcionários e despesas imediatas.


Martha também recebeu de Vorcaro diversas peças de alta joalheria. Nas conversas, há vários agradecimentos sobre braceletes e colares de diamantes, bem como citação a uma coleção de relógios. Entre eles, um Audemars Piguet edição limitada, avaliado em US$ 245 mil. Martha relatou que os funcionários da própria loja da marca ficaram impressionados ao verem o relógio em seu pulso.


“Agora chega amor! Já tenho a coleção dos relógios mais lindos ”, escreveu ela, ao ver chegarem relógios em diferentes cores do mesmo modelo, todos de alto luxo. Vorcaro incentivou Martha a ficar com as peças, já que a versão em prata, por exemplo, combinaria com suas pulseiras de diamante e bolsas.


*Vestidos de noiva em provas*


Bolsas icônicas também entram na lista de presentes. Entre elas, os modelos Birkin, da Hermès (sendo uma delas comprada por € 11 mil), Kelly (também da Hermès, que sai por US$ 15 mil) e YSL. Martha fez posts com muitos desses presentes. Em uma delas, aparece com um relógio Richard Mille Carbon, cujo preço começa em US$ 200 mil.


Para seu aniversário de 40 anos, Martha escolheu um conjunto Valentino, de US$ 35 mil, e chegou a hesitar frente ao preço, mas Vorcaro a incentiva a comprar, descrevendo a peça como “de princesa”. Ela chegou a provar vestidos de noiva da marca Schiaparelli Couture e ele sugeriu também que ela tente conhecer os modelos na Dolce & Gabbana.


As conversas também falam de um barco que está sendo construído na Alemanha, por US$ 100 milhões, que se chamará Martha. A previsão de entrega é em 2026. Num dos relatos, Vorcaro diz que um investidor do Oriente Médio ofereceu pagar mais de US$ 100 milhões, além do que ele já tinha gasto. Mas ele responde, brincando, que “ninguém leva o Martha”. Também afirma que a existência do iate não teria propósito sem ela, usando a expressão: “Não faz sentido o Martha sem a dona Martha”.


Em relação aos investimentos feitos na Happy Aging, o plano inicial era que Vorcaro investisse US$ 5 milhões e um fundo de investimentos entrasse com mais US$ 5 milhões. Em maio de 2025, numa das conversas, Vorcaro diz que o fundo estava “enrolando” para finalizar o aporte e ele cobriria a rodada inteira de investimentos, no valor de US$ 10 milhões. Com isso, Martha teria um porcentual maior da empresa, o que permitiria trazer investidores externos apenas quando a Happy Aging atingisse um patamar maior de valor de mercado.


Os recursos seriam usados para sustentar a expansão internacional da marca, como uma experiência de hospedagem num hotel em St. Barths, no Caribe. Também uma parceria para a entrada na rede de cafés Pura Vida.


*Bens podem ser vendidos*


Segundo Paulo Henrique Carnaúba, professor do Insper e especialista em fraudes forenses, caso seja efetivamente comprovado que os bens transferidos a Martha foram produto de desvio, eles podem ser apreendidos e serem vendidos para recuperar os recursos das pessoas lesadas pela liquidação do banco.


Ele cita como exemplo o caso do Banco Santos, em que parte da Edemar Collection, que pertenciam ao controlador da instituição, Edemar Cid Ferreira, chegou a ser enviada aos EUA, foi apreendida e leiloada. Havia esculturas de Henry Moore, Anish Kapoor e quadros de Jean-Michel Basquiat e Serge Poliakoff, entre outros.


“Se as joias, obras de arte ou qualquer bem for adquirido com recursos advindos de fraudes, os prejudicados podem reivindicar o bloqueio e a repatriação do bem para que seja vendido e o prejuízo ressarcido, independentemente se foi dado de presente a quem quer que seja”, diz Carnaúba. “Caso o Banco Master vá à falência por insolvência, uma hipótese provável, aí caberá ao administrador judicial buscar e reivindicar os bens em benefício dos credores − como o Fundo Garantidor de Créditos por exemplo, como aconteceu no Banco Santos."


De acordo com ele, apenas no caso de os bens produto de fraudes tenham sido comprados por terceiro de boa-fé, que não sabia da origem, é que há a possibilidade de o bem não ser devolvido. “Mas aí os recursos com a venda serão bloqueados para pagar os prejudicados.”


O liquidante do Banco Master já informou à Justiça dos EUA, na semana passada, que Vorcaro havia comprado um Picasso por US$ 6,4 milhões, que o ex-banqueiro tentou vender por US$ 8 milhões pouco antes de o Banco Central (BC) decretar a liquidação do Master. Há também duas obras de Basquiat, um avaliado em US$ 5 milhões e outro, em US$ 4,5 milhões.


O objetivo do liquidante foi fundamentar a necessidade das investigações nos EUA e provar o desvio de recursos da massa falida, por meio de estruturas de ocultação patrimonial. A casa de Bay Point também entrou na lista de bens de Vorcaro no exterior citada pelo liquidante.



https://www.estadao.com.br/economia/negocios/vorcaro-bens-martha-graeff-trust-eua/?utm_source=estadao:app&utm_medium=noticia:compartilhamento

Alex Ribeiro

 *Master usou empresa ligada a cartel de licitações em desvio*


Fornecedora de kits escolares, artigos para o Exército e cisternas tomou crédito atípico e repassou R$ 385 milhões a fundo da Reag


Por Alex Ribeiro — De São Paulo 16/03/2026 05h03


O Banco Master usou uma empresa ligada a um cartel de licitações públicas para fazer o desvio de R$ 385 milhões de recursos captados de depositantes para fundos administrados pela Reag, revela um levantamento feito pelo Valor em documentos públicos, a partir da comunicação do Banco Central ao Ministério Público sobre operações de crédito supostamente fraudulentas.


*A EBN Comércio, Importação e Exportação Ltda. e o seu controlador, Julio Manfredini🚨*, têm forte atuação em licitações para fornecimento de uma ampla gama de produtos, incluindo kits de uniformes escolares, livros, calçados para o Exército e até cisternas para o alívio da seca no semiárido nordestino - diretamente ou por meio de consórcios com outras empresas.


Em pelo menos um caso a licitação foi resultante de emendas impositivas de bancada no Congresso, que incluíram um pedido direto do então senador do Maranhão Roberto Rocha (Republicanos) para que fosse usada uma ata específica de registro de preços para a compra de 500 cisternas para o Estado.


Uma comunicação de indícios de crimes enviada pelo Banco Central ao Ministério Público em novembro relata que a EBN obteve um empréstimo no Banco Master sem justificativa econômica aparente. Na sequência, a empresa transferiu R$ 385 milhões para o fundo D Mais, administrado pela Reag.


A partir daí, os recursos foram realocados por meio de uma cadeia de fundos, em uma operação que teria servido para desviar o dinheiro para outras finalidades. Essa transação integra um conjunto de operações envolvendo 36 empresas, cujos nomes foram revelados pelo Valor, que teria provocado um desvio total de R$ 11,5 bilhões do Banco Master.


*🚨Manfredini é sócio-administrador da EBN, segundo registro na Junta Comercial de São Paulo (Jucesp).*

*Essa empresa - e o próprio Manfredini 🚨- têm ligações com a Capricórnio S/A, que em 2021 foi condenada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) por cartel em licitações públicas destinadas à aquisição de uniformes e kits de materiais escolares para alunos da rede pública de ensino que atuou em São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Goiás, entre 2007 e 2012.*


Esse caso deu origem também a um processo criminal em São Paulo sobre suposto crime à lei de licitações, que foi extinto em 2025 porque a Justiça entendeu que o Ministério Público não individualizou as condutas de cada um dos réus. Há também um processo civil por improbidade administrativa, que segue correndo em São Paulo.


Outro processo, no Tribunal de Contas da União (TCU), sobre licitações no Exército, mostra que a Capricórnio era a única acionista da EBN na sua constituição, quando era sociedade anônima - *e que a EBN é sua sucessora, mantendo endereço e 70% do quadro de funcionários. Manfredini foi diretor-presidente da Capricórnio.*


Segundo levantamento feito pelo Valor, a EBN participou de licitações e assinou contratos com o Exército entre 2016 e 2024 para fornecer equipamentos como barracas, uniformes e calçados. Não há suspeitas sobre esses contratos, mas a área técnica do TCU chegou a investigar falhas na fiscalização de calçados entregues pela EBN, sem aplicar nenhuma sanção.


Em pelo menos um caso a licitação foi resultante de emendas impositivas de bancada no Congresso

Além das licitações diretas, a EBN também se associou em cinco consórcios, e sócios de alguns deles são objeto de investigação, incluindo supostas irregularidades no fornecimento de livros didáticos no Rio de Janeiro.


A EBN formou o Consórcio EC - sobre o qual não há nenhuma suspeita de irregularidades documentada - ao lado da CSL Educacional, empresa citada em investigações da Operação Calvário, cujo sócio, Márcio Nogueira Vignoli, foi preso durante a apuração e responde em liberdade.


Um dos contratos da EBN envolve o fornecimento de cisternas no Maranhão, e se destaca por ter sido originado por emendas impositivas de bancada e pelo direcionamento que ocorreu no tipo de edital que deu origem à aquisição, no valor de R$ 2,4 milhões, em 2017.


O senador Rocha, então no PSDB, enviou um ofício ao presidente da Companhia de Desenvolvimento do São Francisco (Codevasf) falando sobre a destinação de R$ 5 milhões em emendas parlamentares para compra das cisternas e solicitou que a empresa manifestasse interesse na ata de registro de preços nº 24/2017 do Instituto Federal de Educação do Ceará (IFCE), campus Maracanaú.


Isso, na prática, fez com que a compra, inicialmente estimada em 2.400 cisternas, mas com a compra efetiva de 500, tomasse carona numa licitação muito menor, feita pelo IFCE, que visava a comprar 50 tanques de armazenamento para o instituto. A princípio, não há irregularidade nesse expediente, que economiza recursos processuais - o que chama a atenção é a solicitação ter partido de um político, e não das áreas técnicas da Codevasf.


O procedimento também exigiu discussões entre os técnicos da Codevasf, porque fugia do padrão do programa Água para Todos, em que a política de distribuição de cisternas segue prioridades definidas. Ao final, as cisternas foram doadas para associações sem fins lucrativos, como sindicatos rurais, que depois fizeram a distribuição das unidades para as famílias beneficiadas.


A EBN afirma que o empréstimo do Master ocorreu de forma absolutamente lícita e foi destinado a obter capital destinado para adquirir uma grande empresa do setor têxtil. Os recursos foram parcialmente aplicados no fundo D Mais, administrado pela Reag, então uma instituição considerada idônea no mercado, para não deixar o recurso parado.


“A negociação não seguiu adiante por pontos divergentes não superados, além da complexidade societária”, diz, em nota. Portanto, a EBN liquidou o empréstimo junto ao Banco Master.


Além de licitações diretas, EBN se associou em cinco consórcios, e sócios de alguns deles são objeto de investigação

A Capricórnio tem estrutura independente em relação à EBN, diz a nota da empresa, e foi proposta uma ação anulatória em relação à decisão do Cade. “As ações penais e de improbidade foram todas decididas, até o momento, em favor da Capricórnio.”


Sobre os consórcios, disse que a EBN fez a avaliação por meio de mecanismos de compliance. “No ato de realização do consórcio, a EBN não teve relação com pessoas jurídicas cujos dirigentes foram investigados ou processados criminalmente.” No caso das cisternas, a empresa diz que houve aprovação por todos os órgãos de controle e nega qualquer relação que esteja em desacordo com estrita regularidade.


O senador Roberto Rocha afirma que a adesão à ata de registro de preços do IFCE foi uma decisão administrativa para viabilizar a execução das emendas dentro do cronograma orçamentário, já que a liberação dos recursos ocorre, em geral, no fim do ano. O parlamentar diz que o projeto seguiu as normas técnicas da Codevasf e as exigências legais das emendas impositivas, que seu gabinete manteve contato institucional apenas com o IFCE e que não houve relação com a empresa vencedora da licitação.


A Codevasf diz que não realizou adesão a uma ata de registro de preços cuja licitação já havia sido realizada, mas sim que ainda seria realizada, com ampla concorrência e aquisição dos bens pelo menor preço. “As comunicações entre órgãos para manifestação de intenções de compra são usuais”, afirma.


“Tratando-se de recurso proveniente de emenda parlamentar, a indicação dos beneficiários compete ao autor da emenda”, diz em nota. Ainda assim, diz, adotaram-se parâmetros análogos aos do Programa Água para Todos, o que contribuiu para que a destinação dos recursos priorizasse famílias em situação de vulnerabilidade.


O IFCE afirma que o campus Maracanaú atuou apenas como órgão gerenciador da ata de registro de preços, conduzindo regularmente o pregão e a gestão da ata. Segundo o instituto, a adesão por outros órgãos é permitida em edital e na legislação, cabendo ao órgão aderente - no caso, a Codevasf - analisar a adequação técnica, os quantitativos e a disponibilidade orçamentária. O IFCE diz ainda que não houve empenhos da Codevasf na vigência da ata e que o processo seguiu trâmite regular, com parecer jurídico favorável.


O Exército informa que os contratos com a EBN estão disponíveis no Portal da Transparência e que, até o momento, não foram identificados indícios de irregularidades ou falhas na fiscalização. Afirma ainda que não há processos ou auditorias em andamento no TCU envolvendo contratos com a empresa.


A defesa do controlador do Master, Daniel Vorcaro, disse que não iria se manifestar sobre o tema. A Reag não havia respondido ao pedido de outro lado até o fechamento desta edição, assim como as empresas que compõem os consórcios com a EBN.


https://valor.globo.com/google/amp/financas/noticia/2026/03/16/master-usou-empresa-ligada-a-cartel-de-licitacoes-em-desvio.ghtml

Bankinter Portugal Matinal

 Análise Bankinter Portugal 


NY +1,1% US tech +1,2% US Semis +2% UEM +0,4% España +0,2% VIX 23,5% Bund 2,95%. T-Note 4,24%. Spread 2A-10A USA=+55pb B10A: ESP 3,42% PT 3,39% FRA 3,61% ITA 3,73% Euribor 12m 2,522% (fut.12m 2,846%). USD 1,147. JPY 182,9. Ouro 5.016 $. Brent 103,9$. WTI 96,5$. Bitcoin -5,6% (74.396$). Ether +2,9% (2.336$).


SESSÃO: Ontem, sessão de subidas em ambos os lados do Atlântico, graças a um alívio nos preços do petróleo (Brent -2,8% e WTI -5,1%), embora continuem a ser mais moderadas na Europa (+0,4%) do que nos EUA (+1,1%), que também contou com o apoio de Tecnologia (+1,2%) e Semicondutores (+2%), animados pelo anúncio de Micron (+3,7%) de construir uma nova fábrica em Taiwan, no final deste ano. Os comentários da Agência Internacional da Energia sobre liberar mais reservas caso fosse necessário e os de Trump sobre uma possível aliança de países para reabrir o Estreito de Ormuz aliviaram os preços do petróleo, embora nenhum país tenha aceitado, de momento, unir-se a tal aliança, enquanto vários rejeitaram-na. Trump também garantiu que a guerra terminará em breve, mas não esta semana, e que é provável que adie a sua reunião com Xi Jinping em Pequim, prevista para 31 de março.


Na frente macro tivemos dados bastante fracos, embora tenham ficado para segundo plano. O Empire Manufacturing caiu para terreno negativo (-0,2 desde +7,1% e vs. +3,9 estimado) e a Produção Industrial desacelerou (+0,2% desde +0,7% e vs. +0,1% esperado).


Hoje amanhecemos com novos aumentos no preço do petróleo bruto (Brent +3,8%, até 103,9 $ e WTI +4,8% até 96,5 $), após se saber que o Irão atacou instalações petrolíferas no Iraque e nos Emirados Árabes Unidos, o que volta a piorar o tom do mercado. No plano convencional, hoje tivemos a primeira reunião dos dez bancos centrais desta semana. O Banco Central da Austrália (RBA) subiu taxas de juros em +25 p.b., até 4,10%, em linha com o esperado pelo mercado. Embora a atenção esteja na Fed, que se reúne amanhã (18 h), e no BCE (quinta-feira, 13:15 h). Ambos irão manter taxas de juros (em 3,50%/3,75% e 2,00%/2,15%, respetivamente) e atualizarão o quadro macro. Hoje, o único dado relevante será o ZEW de Sentimento Económico na Alemanha (10 h), do qual se espera uma deterioração forte (39,2 desde 58,3), algo lógico tendo em conta o contexto geoestratégico altamente incerto. 


Em suma, o tom do mercado continua a ser pelo que acontece no Irão e em como isso afeta o fornecimento de petróleo global. Após a melhoria do tom de ontem, hoje voltaremos a ter uma sessão de quedas, embora qualquer notícia positiva proveniente do Médio Oriente, sobretudo no que diz respeito à normalização do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, mesmo que não implicasse o fim do conflito, levasse as bolsas a registar uma recuperação. Resta esperar e ver.

BDM Matinal Riscala

 *Rosa Riscala: Corte de 0,25 ponto da Selic vira consenso*


Ministro do Irã desmente relatos de aproximação diplomática com EUA


… Os mercados globais embarcaram ontem em uma espécie de wishful thinking, na esperança da liberação do fluxo de embarcações pelo Estreito de Ormuz e de um possível diálogo entre os Estados Unidos e Irã. Após o fechamento, porém, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, desmentiu relatos na imprensa sobre uma aproximação diplomática e disse que a última vez em que trocou mensagens de texto com o enviado dos EUA, Steve Witkoff, foi antes da guerra. No início da madrugada, o petróleo já disparava quase 3% de novo, às vésperas da bateria de decisões de política monetária da semana. O conflito abalou o consenso para o Copom de amanhã: entre traders e economistas, a aposta principal agora é de corte de só 0,25pp da Selic. Isso se não vier pausa.


O CALL DA GUERRA – Invertendo a precificação até então majoritária que o juro iniciaria o ciclo com queda de meio ponto, o cenário-base para 76% das instituições do mercado ouvidas pelo Broadcast passou a ser de 0,25pp ontem.


… O choque do petróleo, combinado à surpresa com o IPCA de fevereiro acima do esperado, mexeu com previsão de calibragem da política monetária. Na curva a termo, a chance de o BC manter o juro não é desprezível (15%).


… A XP passou a prever que o Copom não vai dar nada nesta quarta-feira, adiando uma flexibilização para abril.


… Na onda de revisões em cima da hora, o Santander, BofA, BTG Pactual, SulAmérica Investimentos e ASA revisaram ontem as suas projeções e esperam agora que o BC só relaxe a Selic em 0,25 ponto amanhã, para 14,75%.


… Semana passada, o Itaú e Tendências Consultoria já haviam ajustado as suas previsões para o recuo mais tímido.


… A Eytse ainda confia que o BC não se deixará levar pela volatilidade de curto prazo, mas não descarta a opção por menos (0,25pp), que sinalizaria falta de convicção, como disse Sérgio Goldenstein ao BDM Live uma semana atrás.


… Para economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Natalie Victal, se for para adotar um corte de 0,25 ponto, é melhor nem começar. “Passa a mensagem de um ciclo iniciado de qualquer maneira”, afirmou ao Broadcast.


… A economista-chefe da Buysidebrazil, Andrea Damico, não duvida de 0,25 ponto, devido à maior incerteza no cenário, mas mantém como cenário base uma redução de 0,50 ponto, embasada na apreciação recente do câmbio.


… Na reunião de janeiro do Copom, a cotação do dólar usada no cenário de referência foi de R$ 5,35. Agora, deve cair a R$ 5,20, calcula ela. Apesar do câmbio mais comportado, o mercado sobe a barra para o ajuste total da Selic.


QUEM DÁ MAIS? – Com o petróleo que não quer parar de subir, esvazia-se, cada vez mais, a chance de juro abaixo de 12% no fim do ano. No Focus, a mediana das apostas do mercado voltou a subir ontem, de 12,13% para 12,25%.


… Diante da escalada do barril, o boletim trouxe ainda piora nas projeções para o IPCA deste ano, de 3,91% para 4,10%, ficando mais perto do teto da meta de inflação, de 4,5%. Já a estimativa para o IPCA/27 ficou estável (3,80%).


… Cálculos do Projeções Broadcast com base em modelos do BC indicam que o Copom deve subir a projeção da inflação para o horizonte relevante (terceiro trimestre de 2027) de 3,2% para 3,45% na reunião de amanhã.


… Se confirmada, a alteração deve afastar ainda mais a estimativa para o IPCA do centro da meta, de 3,0%.


… No início de fevereiro, quando ninguém imaginava que a guerra fosse estourar, Galípolo deu sinal verde para o mercado assumir como consenso a aposta de que o ciclo de flexibilização começaria menos conservador (0,5pp).


… Surpreendido pelas circunstâncias, o BC se vê agora na sinuca de bico: ou assume o risco de se manter fiel à sua comunicação, mesmo sem saber em que patamar o petróleo vai se consolidar, ou se dobra aos riscos imediatos.


… Já o Fed, que estava programado para cortar o juro só em junho, ganha tempo para avaliar o efeito da guerra na inflação e no PIB, apesar da pressão de Trump por uma reunião extraordinária para baixar a taxa “agora mesmo”.


TRUMP & XI – O presidente americano pediu para adiar por um mês a cúpula com o líder chinês, alegando que precisa continuar em Washington devido à guerra. A viagem a Pequim estava prevista para o próximo dia 31.


… Em conversa com repórteres, o republicano aproveitou para criticar a falta de apoio da China, Japão e Coreia do Sul nos esforços para a liberação do Estreito de Ormuz e para a resolução do conflito com o Irã no Oriente Médio.


… Aliados da Otan receberam com pouca disposição o pedido de Trump para ajudar na reabertura de Ormuz.


… Alemanha e Itália não querem se envolver. Fora da UE, o Reino Unido manifestou posição mais colaborativa e disse vai pensar. Fora da Otan, o Japão não estaria planejando enviar embarcações de guerra para o Oriente.


PORTA DA ESPERANÇA – Relatos da passagem de alguns navios pela região, especialmente em direção à Índia, animaram os investidores ontem e ajudaram o petróleo a testar alguma acomodação, depois de todo o rali.


… O secretário Scott Bessent (Tesouro) confirmou que os EUA estão permitindo o trânsito de petroleiros iranianos.


… Trump sinalizou que o secretário de Estado, Marco Rubio, deve anunciar em breve uma possível coalizão militar de aliados americanos para reabrir completamente o Estreito. Ele também retomou o discurso de uma guerra “breve”.


… Em trégua, o mercado preferiu manter a esperança de uma saída diplomática para o conflito.


… Além disso, o diretor executivo AIE, Fatih Birol, afirmou que poderá liberar mais reservas estratégicas da commodity, se for necessário, depois de já ter concordado com a maior liberação de reservas de todos os tempos.


… Segundo ele, ainda há disponível mais de 1,4 bilhão de barris nos estoques de emergência dos membros.


… O Brent para maio caiu 2,84%, mas ainda não se sentiu à vontade para furar os cem dólares e fechou cotado a US$ 100,21 por barril na ICE, enquanto o WTI para abril recuou 5,28%, a US$ 93,50 por barril na Nymex.


AGENDA ESVAZIADA – Entre os poucos destaques, o IGP-10 (9h) deve cair 0,28% em março, após recuar 0,42% em fevereiro. As projeções no Broadcast são todas de queda, de 0,91% a 0,08%. A prévia do IPC-Fipe sai às 5h.


BALANÇOS – EcoRodovias e Taesa divulgam os seus resultados trimestrais depois do fechamento do mercado.


LÁ FORA – Saem o índice alemão Zew de expectativas econômicas de março (7h) e as vendas pendentes de imóveis em fevereiro nos Estados Unidos (11h), que têm previsão de queda de 1,7% contra o mês de janeiro.


LULINHA – A defesa do filho do presidente admitiu ao STF pela primeira vez que ele teve uma viagem a Portugal bancada pelo Careca do INSS, preso sob suspeita de liderar um esquema de desvios em aposentadorias.


… Lulinha negou, porém, ter firmado qualquer negócio ou recebido valores do empresário.


… Entrevistado ontem pelo programa Roda Viva, da TV Cultura, o senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da CPMI do INSS, afirmou que uma testemunha disse que Lulinha recebia uma mesada de R$ 300 mil do Careca.


… “O governo blindou e nos impediu de quebrar o sigilo fiscal dele”, disse, qualificando de “completo desrespeito” a decisão do ministro Dino. Sobre o Master, Viana defendeu o afastamento de Alexandre de Moraes do Supremo.


HORA DA XEPA – O alívio moderado no petróleo e as supostas sinalizações do Irã, de que gostaria de negociar o fim do confito, serviram de motivos suficientes para os investidores retomarem as compras em Wall Street.


… O Dow Jones subiu 0,83%, aos 46.946,41 pontos; o S&P 500 avançou 1,01%, aos 6.699,13 pontos; e o Nasdaq ganhou 1,22%, aos 22.374,18 pontos. Companhias aéreas e big techs ficaram entre os destaques de alta.


… Bastante sensíveis ao comportamento do petróleo, United (+4,25%), Delta (3,50%) e American Airlines (+1,84%) recuperaram parte das perdas recentes.


… Nvidia subiu 1,65%, após o CEO, Jensen Huang, prever faturamento de US$ 1 trilhão em 2027 com pedidos das novas gerações de chips. A empresa também espera superar neste ano o crescimento divulgado em seu guidance.


… Já Meta fechou em alta de 2,33%, após rumores de que pretende cortar 20% da sua força de trabalho. A empresa classificou a reportagem da Reuters como “especulativa”.


TROPA DE CHOQUE – A melhora na percepção de risco lá fora, com queda do dólar e do rendimento dos Treasuries, já teria sido suficiente para os juros futuros devolverem parte do estresse da última 6ªF.


… Mas o Tesouro ainda achou pouco e decidiu agir, cancelando os leilões de venda de prefixados e títulos atrelados à inflação previstos para esta semana e realizando dois leilões extraordinários para recompra desses papéis.


… Na primeira intervenção, pela manhã, o Tesouro recomprou 70,4% do lote total de prefixados que tinha proposto, com giro de R$ 12,1 bilhões. À tarde, foram recompradas 35,5% das NTN-Bs previstas, somando R$ 15,4 bilhões.


… A atitude injetou liquidez no mercado e ajudou a acalmar os ânimos dos investidores. Resultado: os prêmios dos DIs chegaram a recuar mais de 40 pb nos vencimentos mais longos, em plena semana de Copom.


… Apesar do fechamento da curva durante a sessão, o mercado acredita que o BC adotará um tom mais conservador na 4ªF, diante da incerteza que ainda prevalece no cenário externo, especialmente sobre o petróleo.


… No fechamento, o DI para janeiro de 2027 marcava 14,070% (de 14,291% no ajuste anterior); Jan/29, 13,535% (contra 13,878%); Jan/31, 13,725% (de 14,110%); e Jan/33, 13,795% (de 14,182%).


SHOW DA VIRADA – O dólar derreteu frente aos pares globais com a suposta sinalização do Irã de acabar com a guerra, junto com alívio no petróleo. Por aqui, a intervenção do Tesouro no mercado de títulos reforçou a queda.


… Como a expectativa de agravamento do conflito no Oriente Médio durante o fim de semana não se confirmou, operadores relataram o desmonte de posições defensivas.


… O dólar fechou em baixa de 1,63%, a R$ 5,2298. Lá fora, o índice DXY devolveu 0,56% e terminou abaixo dos 100 pontos (99,800). O euro subiu 0,81%, para US$ 1,1509, e a libra ganhou 0,76%, a US$ 1,3326.


TIRANDO O ATRASO – A bolsa brasileira pegou carona na melhora de humor em NY, com ajuda do recuo do petróleo e dos potenciais sinais de um possível diálogo entre EUA e Irã, embora o tempo de duração da guerra siga incerto.


… O Ibovespa subiu 1,25%, aos 179.875,44 pontos, com giro de R$ 22,4 bilhões, mais fraco do que a média dos últimos dias. As blue chips avançaram, inclusive Petrobras (PN, +2,04%, a R$ 45,58; e ON, +1,50%, a R$ 50,12).


… Vale registrou ganho de 0,69% (R$ 78,84), em sentido oposto ao do minério (-0,74%). Entre os bancos, tudo azul: Itaú PN (+1,42%; R$ 43,00), BTG (+1,43%; R$ 55,90), Santander (+0,79%; R$ 30,46) e BB (+0,38%; R$ 23,90).


… CSN (+5,42%; R$ 6,03) liderou os ganhos, se recuperando das perdas recentes, assim como Magazine Luiza (+5,35%; R$ 9,84) e Embraer (+4,20%; R$ 76,96).


… Na outra ponta, Porto Seguro (-4,00%; R$ 47,34) reagiu mal à assinatura de acordo com a Oncoclínicas para criar uma nova empresa. RD Saúde (-0,93%; R$ 23,36) e Ultrapar (-0,69%; R$ 25,94) completaram a lista das piores baixas.


CIAS ABERTAS NO AFTER – PETROBRAS exercerá direito de preferência para adquirir 50% dos campos de Tartaruga Verde e Espadarte por US$ 450 milhões, passando a deter 100% dos ativos.


PRIO obteve autorização do Ibama para perfurar até 14 novos poços no campo de Frade.


SABESP reportou lucro líquido ajustado de R$ 1,9 bilhão no 4TRI25, estável na comparação anual, com Ebitda de R$ 3,4 bilhões, alta de 13% na mesma base comparativa, e receita líquida de R$ 5,7 bilhões, crescimento de 2,1%…


… A empresa aprovou JCP de R$ 583,5 milhões (R$ 0,829/ação) e aumento de capital de R$ 169,2 mi; ex em 20/3.


NATURA reportou prejuízo líquido de R$ 321 milhões no 4TRI25, queda de 26,8% na comparação anual…


… Considerando operações continuadas, registrou lucro de R$ 186 milhões, revertendo prejuízo de R$ 227 milhões um ano antes…


… Receita líquida caiu 12,1%, para R$ 6,2 bilhões, e o Ebitda passou de negativo em R$ 173 milhões no 4TRI24 para positivo em R$ 444 milhões no 4TRI25.


ASSAÍ. Wlamir dos Anjos deixará a vice-presidência comercial e de logística até 30/04, sendo substituído por Anderson Barres Castilho a partir de 01/05; Sergio Ferraz Leite assumirá a área de operações.


GPA e RAÍZEN foram excluídas dos índices da B3 após pedidos de recuperação extrajudicial.


PETZ. Acionistas aprovaram o cancelamento de registro de companhia aberta após reorganização com a Cobasi; operação ainda depende de aprovação da CVM.


HYPERA. O Fundo Dodgers reduziu a participação para 4,96% das ações ordinárias.


PROFARMA reportou lucro líquido de R$ 38,8 milhões no 4TRI25, alta de 9,1% na comparação anual, com Ebitda ajustado de R$ 119,7 milhões, crescimento de 39,5% na mesma base comparativa.


COGNA realizou leilão para alienação de ações ordinárias provenientes de bonificação aprovada em dezembro de 2025. Foram alienadas 20,8 mil ações, ao valor líquido de R$ 3,16797 cada.


REDE (Energisa) pagará dividendos de R$ 256,8 milhões (R$ 0,10/ação); ex em 18/03.


ÂMBAR ENERGIA concluiu a aquisição da termelétrica Norte Fluminense (827 MW) e do projeto Norte Fluminense 2 (1,8 GW), elevando a capacidade instalada para mais de 7 GW; valor da operação não foi divulgado.


ITAÚSA teve lucro líquido de R$ 4,30 bi no 4º trimestre, alta de 16% em base anual, e aprovou JCP de R$ 1,3 bilhão (R$ 0,116/ação), com pagamento até 31/08. Ex dia 20/3.


BRB. Governo do DF recorreu de liminar que suspendeu lei que permite capitalização do banco com imóveis públicos para cobrir perdas relacionadas ao Banco Master.


CURY. Fábio Cury deixará cargo de CEO e deve ser substituído por Leonardo Mesquita (VP comercial) e Paulo Curi (VP de engenharia), cujos nomes serão levados a assembleia em 17/4. Fábio Cury assumirá presidência do conselho.


MITRE firmou parceria com o grupo Barrière para desenvolvimento de hotel em São Paulo, com investimento de R$ 300 milhões.


MAHLE METAL LEVE reportou lucro líquido de R$ 135,9 milhões no 4TRI25, alta de 22,6% na comparação anual. O Ebitda subiu 19,8%, para R$ 235,6 milhões, e a receita líquida cresceu 0,6%, para R$ 1,325 bilhão.


AZEVEDO & TRAVASSOS. Igor Jefferson Lima Clemente foi eleito presidente do conselho de administração, com mandato até a AGO de 30/04.


OI. A Justiça do Rio de Janeiro decretou a falência da Serede – Serviços de Rede, empresa de infraestrutura e manutenção do grupo, no contexto da recuperação judicial da companhia.

segunda-feira, 16 de março de 2026

O PT e o poder Buzatto

 Preciso fazer alguns 'disclaimers' antes de postar o texto de Luiz Felipe Pondé na Folha de S. Paulo, datado de 16/03/2026:


1. Eu sempre fui anti-petista, por diversas razões que não vou enumerar aqui; apesar disso, já votei no PT (para prefeito de Campinas, por acreditar na pessoa, não no partido, e deu no que deu);


2. Tampouco sou bolsonarista; critiquei bastante o governo de Bozo, em especial seu desprezo pelo povo durante a pandemia, resultando no Brasil vice-campeão de mortes, com cerca de 2,5% da população mundial;


3. Em vista do desastre que foi o governo Bolsonaro, teria votado em Lula em 2022 (estava fora do Brasil na época) e recomendei a quem me perguntou que votasse em Lula, por razões óbvias;


4. Dado o desenrolar dos acontecimentos este ano, eu novamente recomendaria - e votaria - em Lula num segundo turno em outubro próximo, e talvez até já no primeiro, conforme os candidatos que se apresentarem;


5. Apesar disso tudo, me julgo no direito de concordar com Luiz Felipe Pondé sobre os estragos feitos ao Brasil por 17 anos de PT no poder. Temer tentou arrumar a casa um pouco, meio como aquele piloto de corridas de longa duração que pega um carro detonado e tem que levar aos boxes para ser colocado de novo na disputa, mas foi abatido em plena tentativa de decolagem pela gravação traiçoeira de Joesley Batista; Bolsonaro, bem, aqui nem há o que dizer, é abaixo de qualquer qualificação, foram 4 anos de desastre total.


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O que o PT fez de significativo para tirar o Brasil da lata de lixo? Nada


* Oposição tampouco põe a cabeça para fora da lama

* O país, hoje, se transformou no quintal de uma gangue


Luiz Felipe Pondé


Desde 2003, o PT domina o governo federal. Até 2026, o PT esteve no poder federal por 17 anos. Temer por dois anos, Bolsonaro por quatro anos —nenhum deles grande coisa. A pergunta que não quer calar é: nesses 17 anos, o que o PT fez de significativo para tirar o Brasil da lata de lixo? Resposta: nada.


Sei, o Bolsa Família. Para um nordestino como eu, o Bolsa Família é nada mais do que o velho voto de cabresto repaginado, que, seguramente, o Lula sabe muito bem o que era. Em troca de um prato de comida, vote no candidato do "coroné".


O Bolsa Família, politicamente, tem duas faces. Uma é a ajuda material para pobres —e não tão pobres que se aproveitam para ganhar um dinheiro fácil sem ter que trabalhar cansativamente; outra é um voto de cabresto, compra descarada de votos. Afora isso, o que o PT fez em 17 anos? Nada que tenha impactado a história recente do país. Sem dúvida, alguns serviços aqui e ali —quem quiser que desfie o rosário.


A última coisa séria que aconteceu no Brasil em termos de alterar a história recente do país e ajudar a população significativamente foi o Plano Real, que, aliás, o PT nunca foi muito a favor na época. A memória, essa infeliz! O Lula se referia ao governo FHC como "herança maldita". Pergunto, como um historiador que não seja vendido ao PT, coisa rara, chamaria a herança que o Brasil recebeu nesses 17 anos?


Vale apontar que a possibilidade de reeleger alguém como presidente muitas vezes —que não é uma invenção petista, há que se reconhecer— é uma herança maldita. Quando alguém, ou um mesmo partido, coloniza o governo federal por décadas, necessariamente, o resultado será catastrófico. Já vivemos essa catástrofe.


Esse processo implicou a transformação do Brasil no quintal de uma gangue. Essa gangue se torna uma hidra que toma quase todos os espaços, formando gerações de lacaios. Uma dessas classes de lacaios do PT é a inteligência pública nacional.


Constatar que os últimos anos do Brasil foram jogados na lata de lixo não implica pôr tudo na conta do PT —a oposição constituída nesses 23 anos tampouco põe a cabeça para fora da lama—, ainda que, tendo ocupado o governo federal por 17 anos, isso deveria aterrorizar sua consciência. O país pasta na lama.


Ainda assim, para além da responsabilidade direta do PT, o país parece condenado ao lixo da história. Nesses anos, o país se tornou quase um narcoestado. O crime organizado, hoje, disputa territorialmente a soberania local, sendo a Amazônia, essa joia do "blábláblá" nacional, parte do objeto da soberania criminosa no país.


O crime se espalha pelo interior do país —sendo as grandes cidades já províncias do crime—, chegando às pequenas cidades. Todo mundo sabe que estamos entregues ao crime.


A corrupção estrutural parece formar quadros profissionais que servirão como ferramenta de normalização de uma sociedade sem lei. Da periferia ao coração do mercado financeiro, sente-se, quase ninguém escapa.


A piora salta aos olhos quando a ideia de normalização passa ao universo da normatização, e a sociedade sem lei parece se tornar uma sociedade em que mesmo a lei serve a alguma forma de corrupção segmentada.


Hoje em dia, o escândalo do banco Master faz a todos —pelo menos àqueles que ainda têm o sentido do olfato ativo— sentir o cheiro de que há algo de podre no reino de Brasília. Corre à solta uma promiscuidade regada a uísque caro. A vergonha na cara parece ser um recurso extinto entre os quadros altos da República.


O cerco se fecha. O argumento da honra vira arma de censura no país. Sob a cortina da falsa honra, poderosos não temem mais fazer o que bem quiser. Onde já se viu o filho de um presidente pedir abertamente a altas autoridades da República para que seu sigilo bancário não seja quebrado por conta de uma investigação da fraude do INSS? Aliás, o que pensar de um país que monta uma gangue para roubar aposentados, essa classe esmagada pela canalhice nacional?


Os bolsonaristas, esses iniciantes na arte de formar gangues políticas, quiseram derrubar a democracia. O fato é que a democracia brasileira está corroída por dentro, e não por ação de uma tentativa de golpe montada por idiotas, mas, sim, por um lento e invisível processo que opera sob o signo de uma microfísica do poder, corrompendo o caráter das altas figuras da República.


Uma quadrilha parece ter tomado o poder no Brasil. Torna-se difícil imaginar quem escapa dessa gangue multifacetada e que ultrapassa os limites ideológicos, apesar de os idiotas insistirem neles. "Em nome do Estado de Direito", perde-se a vergonha na cara.

Fernando Dourado - Pelo mundo

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