*Rosa Riscala: Petróleo no foco da inflação em dia de CPI*
Irã ameaça plantar minas no Estreito de Ormuz, mas AIE pode liberar volume recorde de reservas estratégicas
… Apesar da aposta no radar de que a guerra pode não durar muito, o mercado promete continuar volátil e sensível aos desdobramentos da ofensiva, com a ameaça agora do Irã de plantar minas no Estreito de Ormuz para explodir qualquer navio que tente passar. Mas pode animar a notícia de que a AIE deve liberar 182 milhões de barris de petróleo das reservas estratégicas de alguns países, a maior quantidade já registrada na história. Ontem, a queda livre do petróleo aliviou as pressões inflacionárias e resgatou a chance de corte de meio ponto da Selic semana que vem. Uma resolução de curto prazo do conflito militar poderia antecipar um Fed flexível. O mercado está dividido entre julho e setembro e, depois do payroll fraco, confere hoje a inflação do CPI de fevereiro (9h30), que ainda não pegou o impacto da guerra. Aqui, é dia de vendas no varejo (9h) e pesquisa eleitoral Genial/Quaest (14h).
BATALHA NAVAL – No fim da tarde desta terça-feira, Trump publicou na rede Truth Social que as forças militares americanas destruíram 16 embarcações que seriam usadas para implantar minas marítimas, sem informar o local.
… O comentário veio depois de o presidente ter ameaçado o Irã com consequências militares “de um nível nunca visto antes”, caso o país caso tenha colocado minas no Estreito de Ormuz e se recuse a removê-las imediatamente.
… “Eles serão tratados de forma rápida e violenta”, afirmou, depois de relatórios da inteligência americana apontarem que o Irã estaria instalando minas, na estratégia para manter a passagem de navegação inacessível.
… O Estreito de Ormuz também foi pivô ontem de notícias desencontradas, que provocaram oscilação nos mercados.
… No momento mais intenso do dia, o petróleo chegou a desabar 18% com publicação do secretário de Energia americano, Chris Wright, de que a Marinha dos EUA havia escoltado um petroleiro pelo Estreito de Ormuz.
… Poucos minutos depois, a postagem foi apagada das redes sociais e a Casa Branca desmentiu a escolta (“embora esta seja uma possibilidade”), reduzindo o fôlego de queda do barril para 11% no fechamento dos negócios.
… Representante do governo iraniano acusou os Estados Unidos de divulgar fake news para manipular o mercado.
… O Irã voltou a lançar ataques contra Israel e países árabes do Golfo Pérsico durante a madrugada desta quarta-feira, no 12º dia da guerra no Oriente Médio. Sirenes e explosões foram ouvidas em Tel-Aviv.
… Os Emirados Árabes Unidos acionaram a defesa aérea contra a ofensiva iraniana.
… A Casa Branca continua cobrando “rendição incondicional” do Irã e diz que a guerra vai terminar quando Trump considerar que o inimigo não representa mais uma ameaça crível e direta aos Estados Unidos e aos seus aliados.
TÁ ON – Com os preços do petróleo corrigindo ontem a explosão recente, voltou a valer como aposta principal na curva a termo a queda de 0,50 ponto porcentual da Selic, faltando uma semana para a reunião do Copom.
… Na estreia do programa BDM Live, o sócio fundador da Eytse Estratégia, Sergio Goldenstein, disse nesta terça-feira que o BC deve se referir à volatilidade externa, sem que a guerra seja impeditivo para o início do ciclo de corte.
… Segundo ele, a política monetária não deve se guiar por movimentos de curto prazo, mesmo que o choque do petróleo se mostre mais persistente. “É para isso que existe uma banda de inflação no regime de metas”, defendeu.
… Goldenstein acredita que o BC não vai perseguir o centro da meta de 3% e sim acomodar a inflação dentro do intervalo de tolerância, abrindo espaço para flexibilização da Selic agora em março, com redução de 50pb, a 14,50%.
… Segundo ele, a opção por uma dose menor de queda do juro, de 25pb, transmitiria falta de convicção.
… Caso os efeitos secundários sobre a inflação da ofensiva militar dos Estados Unidos contra o Irã se mostrem relevantes mais para a frente, diz, o BC pode optar futuramente por encerrar o ciclo com uma taxa maior.
… “Mas o normal seria fazer pelo menos 300pb [de queda da Selic]”, com ajuste total para 12%.
… Ele projeta que o BC dê duas doses de queda de 50pb no juro (março e abril) e tenha em junho uma percepção mais clara sobre o petróleo. “Se (o barril) voltar a US$ 70, vejo chance até de -75pb; o ritmo mínimo é 50pb.”
… Goldenstein reconhece que a inflação continua rodando mais alta do que o esperado, porém está concentrada em itens voláteis. “A de serviços segue resiliente em função do mercado de trabalho apertado, mas vai enfraquecer.”
… O câmbio apreciado também tem contado a favor da retomada do ciclo de flexibilização da política monetária pelo BC. “O real tem tido uma trajetória muito benigna, melhor moeda emergente no ano”, observou na live.
… Além disso, a atividade econômica dá sinais de moderação. Em ano eleitoral, os riscos de medidas populistas não podem ser desprezados, mas isso parece insuficiente para levar o PIB a crescer acima do potencial, disse.
… Ele parabeniza Galípolo pela condução técnica e livre de pressão política, mas alerta que a Selic a 15% está muito acima da taxa neutra e que, se for mantida neste patamar, pode representar riscos ao mercado de crédito.
… Segundo Goldenstein, o BC deve continuar usando os termos cautela e serenidade e há dúvida se vai querer antecipar o ritmo de corte da Selic. “É um BC mais avesso a dar forward guidance, mas deu uma seta em janeiro.”
MAIS AGENDA – Já com os diretores do BC em período de silêncio para a reunião da semana que vem, as apostas para a Selic ainda podem ser calibradas hoje pelas vendas no varejo e, amanhã, pelo resultado do IPCA de janeiro.
… O nível restritivo da Selic deve moderar as vendas do varejo restrito, que excluem veículos e materiais de construção. A mediana no Projeções Broadcast indica recuo de 0,1% em janeiro, após queda de 0,4% em dezembro.
… O intervalo das estimativas para esta leitura vai de retração de 0,7% a crescimento de 0,8%.
… Já o varejo ampliado deve reverter o recuo de 1,2% em dezembro e crescer 0,4% (apostas vão de -0,6% a +0,7%).
… À tarde, sai o fluxo cambial semanal (14h30) e a pesquisa eleitoral da Genial/Quaest (14h).
… Divulgada ontem à noite, a sondagem Ipsos-Ipec apontou que 40% avaliam o governo Lula como ruim ou péssimo (igual a dezembro), 33% consideram a gestão ótima ou boa (de 30% antes) e 24% qualificam como regular (de 29%).
… Lula desistiu de comparecer hoje à posse do novo presidente do Chile, José Antonio Kast, após Flávio e Eduardo Bolsonaro também terem sido convidados para a cerimônia, já que o chileno tem grande proximidade com a família.
BALANÇOS – Smartfit sai antes da abertura do mercado. CSN, CSN Mineração, Vibra Energia, Casas Bahia, Yduqs, Azzas, Brava Energia, Cogna e SLC Agrícola soltam os seus resultados trimestrais após o fechamento do mercado.
RAÍZEN – Joint venture da Cosan com a Shell protocolou o maior pedido de recuperação extrajudicial do País, para negociar dívidas de R$ 65 bi com os principais bancos do país e detentores de títulos internacionais (bondholders).
… A informação foi antecipada pelo colunista Lauro Jardim (O Globo). A negociação já conta com apoio de mais de 40% dos credores, segundo fontes. Para a homologação, é necessário o apoio de 50% mais um dos credores.
… A companhia vai conseguir estancar por 90 dias as negociações com os credores até ganhar tempo para tentar reerguer o negócio. O plano abrange obrigações financeiras e não afeta as dívidas com fornecedores…
… Horas antes do pedido de recuperação extrajudicial, a empresa teve o rating de crédito rebaixado pela Moody’s de Caa1 para Caa3, com perspectiva negativa, diante da elevada alavancagem e geração de caixa pressionada…
… A agência citou risco maior de reestruturação da dívida após anúncio de aporte de R$ 3,5 bilhões da Shell e R$ 500 milhões de Rubens Ometto.
PRECISANDO DE UMA DR – Lula e Alcolumbre devem se reunir nos próximos dias. Os dois se falaram por telefone na semana passada, segundo apurou o Valor, e o presidente do Senado reclamou da falta de articulação do governo.
… Duas semanas atrás, Alcolumbre impôs um revés ao Executivo ao não pautar o Redata, que caducou. No dia seguinte, em nova derrota, a CPMI do INSS aprovou o requerimento de quebra de sigilo bancário e fiscal de Lulinha.
… Em meio aos desgastes, Alcolumbre avisou que vai colocar para tramitar a PEC dos agentes de saúde, com impacto fiscal de R$ 25 bilhões em 10 anos. Ele decidiu despachar a proposta primeiro para a CCJ e, se aprovada, ao plenário.
… A PEC prevê que a regra para os agentes de saúde e de combate a endemias se aposentarem por idade será de 57 anos para as mulheres e 60 anos para os homens, com 25 anos de contribuição e de atividade.
… O texto encontra resistência no Ministério da Fazenda, mas tem forte apelo eleitoral.
… Haddad confirmou ontem que deixará o governo na próxima semana e indicou Dario Durigan como substituto.
PREVISÃO PARA O CPI – Como a guerra começou no último dia de fevereiro, o índice de preços ao consumidor dos EUA ainda não vai capturar o efeito sobre o petróleo, mas chega em um momento de inflação no centro do debate.
… O dado deve apontar alta de 0,3%, contra avanço de 0,2% em janeiro. Na taxa anual, a aposta é de 2,4%, mesmo patamar da medição anterior. Já o núcleo deve subir 0,2% (de 0,3%) e 2,5% na base anualizada (igual a janeiro).
… Com o petróleo em destaque, a Opep divulga seu relatório mensal e o DoE solta os estoques semanais (11h30), com previsão de alta de 1,1 milhão de barris. Ainda na agenda, Trump discursa sobre a economia em Kentucky.
AFTER HOURS – Oracle saltou 8,70%, depois de o lucro por ação de US$ 1,79 no 3Tri fiscal de 2026 ter superado a previsão de US$ 1,70 e de a receita de US$ 17,19 bi também ter vindo melhor que o esperado (US$ 16,19 bi).
NO GOGÓ – Depois de três sessões em disparada, o petróleo despencou com a declaração de Trump de que a guerra contra o Irã terminará “em breve”. Israel alinhou o discurso e também disse que não vai prolongar o conflito.
… O WTI para abril fechou em baixa de 11,94% na Nymex, a US$ 83,45 o barril. E o Brent para maio caiu 11,27% na ICE, para US$ 87,80, confirmando o movimento visto na sessão eletrônica na noite de 2ªF, após a fala de Trump.
… Ao longo da sessão, a commodity chegou a recuar mais de 15% com a informação de que os EUA teriam escoltado um petroleiro pelo Estreito de Ormuz, que depois foi negada pela Casa Branca.
… Porém, na sessão eletrônica noturna, os preços já davam sinais de que podem voltar a subir hoje por causa de relatos de que o Irã estaria espalhando minas aquáticas para impedir a passagem dos navios.
CORDA-BAMBA – As bolsas americanas chegaram a subir quase 1% no melhor momento do dia, embaladas pela queda do petróleo e pela notícia, depois desmentida, de que o Estreito de Ormuz teria sido reaberto.
… As versões desencontradas sobre a evolução da guerra deixaram os ativos voláteis. O clima de otimismo do início do pregão, com a fala de Trump de uma guerra “breve” ainda reverberando, aos poucos deu lugar à incerteza.
… Já no fim da sessão, a informação de que o Irã estaria colocando minas aquáticas no Estreito, e a promessa de Trump de reagir à medida, trouxeram a insegurança de volta aos mercados.
… O Dow Jones fechou em leve baixa de 0,07%, aos 47.706,51 pontos; o S&P500 recuou 0,21% (6.781,50); e o Nasdaq terminou de lado (+0,01%, a 22.697,10).
As ações de tecnologia foram destaque entre as altas: Intel (+2,63%), Cisco (+1,96%) e Nvidia (+1,16%). Já as petroleiras sentiram o recuo da commodity: Chevron (-1,66%) e ExxonMobil (-1,54%).
NO PIQUE – A bolsa brasileira emendou o segundo dia de ganhos, com sinais de que o capital estrangeiro voltou a entrar no mercado, apoiado na melhora da percepção de risco global.
… O Ibovespa não se deixou abater pela desaceleração das bolsas americanas no fim do pregão e manteve alta firme, encerrando com valorização de 1,40%, aos 183.447,00 pontos, e giro financeiro de R$ 31,3 bilhões.
… Petrobras caiu pouco perto do tombo do petróleo: a ação PN recuou 0,53%, a R$ 42,93; e a ON perdeu 0,19%, a R$ 46,66. Vale tirou parte do atraso e avançou 1,64% (R$ 80,56), superando o minério de ferro (+0,25%).
… Os papéis dos bancos finalmente brilharam: Bradesco PN, +2,46% (R$ 20,03); Santander unit, +2,02% (R$ 32,25); BB ON, +1,78% (R$ 25,14); e Itaú PN, +1,48% (R$ 43,80).
… Rumo (+6,96%, a R$ 17,05) liderou os ganhos com notícia da Bloomberg de que Ultrapar e a Perfin negociam a compra de 30% da empresa, seguido por Magazine Luiza (+6,51%, a R$ 10,14) e Cosan (+6,45%; R$ 6,11).
… A crise financeira da Raízen (-5,45%, a R$ 0,52) pesou novamente sobre o papel, que liderou as baixas, acompanhada de Braskem PNA (-4,47%; R$ 11,76) e Direcional (-3,84%; R$ 14,52), que repercutiu o balanço.
O FIM ESTÁ PRÓXIMO – A tese vendida por Trump, de que a guerra vai acabar logo, trouxe alívio aos DIs, que queimaram boa parte dos prêmios acumulados nos últimos dias, com o mercado voltando a focar no Copom.
… A queda expressiva do petróleo afastou o fantasma da inflação e renovou o otimismo dos agentes em um início de ciclo de afrouxamento monetário mais agressivo na próxima semana, com o corte de 0,5 pp de volta ao radar.
… No fechamento, o DI para janeiro de 2027 marcava 13,560% (de 13,652% no ajuste anterior); Jan/29, 13,085% (de 13,265%); Jan/31, 13,415% (de 13,648%); e Jan/33, a 13,575% (de 13,819%).
… No câmbio, o real se fortaleceu diante do dólar pela terceira sessão seguida, em linha com a fraqueza da divisa americana frente aos pares, conforme o mercado desmonta posições defensivas assumidas no começo da guerra.
… O dólar à vista fechou em baixa de 0,13%, a R$ 5,1575. Lá fora, o índice DXY perdeu 0,26%, aos 98,921 pontos. O euro recuou 0,23%, para US$ 1,1609. E a libra caiu 0,19%, para US$ 1,3414.
CIAS ABERTAS NO AFTER – Acionistas do BRADESCO elegeram Paulo Caffarelli, Regina Nunes e Ivan Gontijo para o conselho de administração; deixam o colegiado Walter Albertoni, Samuel dos Santos e Octavio de Lazari Jr.
BRB confirmou sanção de lei do DF que permite operações de até R$ 6,6 bilhões para reforço financeiro do banco.
BANRISUL anunciou pagamento de R$ 90 milhões em JCP, equivalente a R$ 0,22 por ação; papéis ficam ex-direitos em 16 de março.
COMPASS, do grupo Cosan, pretende realizar IPO entre o fim de março e início de abril, com oferta que pode movimentar entre R$ 4 bilhões e R$ 5 bilhões, segundo a Coluna do Broadcast.
SUZANO aprovou a 12ª emissão de debêntures simples, no valor de R$ 179 milhões, com prazo de 15 anos e vencimento em março de 2041.
SABESP informou que fará resgate antecipado de debêntures da 30ª emissão, no valor de cerca de R$ 543,3 milhões, no dia 20 de março.
PRIO registrou prejuízo líquido de US$ 185,4 milhões no 4TRI25, ante lucro de US$ 1,07 bilhão um ano antes. Receita líquida foi de US$ 586,1 milhões (+20%) e Ebitda ajustado somou US$ 341,4 milhões (+6%).
VIBRA aprovou a 10ª emissão de debêntures, no valor de R$ 1,5 bilhão, com prazo de 12 anos, podendo chegar a R$ 1,65 bilhão após bookbuilding.
ULTRAPAR afirmou estar atenta a oportunidades de negócios, após notícia na imprensa de negociação com a Chevron para venda de cerca de 30% da Ipiranga.
ALLOS registrou receita de R$ 850,4 milhões no 4TRI25 e Ebitda de R$ 671,9 mi, em linha com estimativas do Prévias Broadcast. A empresa aprovou a 9ª emissão de debêntures simples de R$ 1 bi, podendo ser ampliada em até 25%.
PAGUE MENOS levantou R$ 458,5 milhões em oferta subsequente de ações, com papéis precificados a R$ 6,55, segundo fontes da Broadcast.
SBF informou que o JPMorgan reduziu participação para 4,91% das ações ordinárias da companhia.
DIRECIONAL registrou lucro líquido de R$ 211,4 milhões no 4TRI25, alta de 16,5% em base anual. Receita líquida somou R$ 1,23 bilhão (+32,6%) e Ebitda ajustado foi de R$ 346,3 milhões (+38,9%).
CURY registrou lucro líquido de R$ 270,1 milhões no 4TRI25, alta de 62,9% em base anual. Receita líquida somou R$ 1,4 bilhão (+37,2%) e Ebitda foi de R$ 355 milhões (+50,3%).
ARTERIS informou que a concessão da Litoral Sul seguirá com o contrato atual até 2033 após fracasso nas negociações de repactuação com o governo.
MOTIVA registrou tráfego de 100,8 milhões de veículos em fevereiro, alta de 26,7% em base anual; no critério comparável, o avanço foi de 1,4%.
LUPATECH firmou contrato de R$ 68,4 milhões com a Petrobras para serviços de manutenção de válvulas e atuadores, *Rosa Riscala: Petróleo no foco da inflação em dia de CPI*
Irã ameaça plantar minas no Estreito de Ormuz, mas AIE pode liberar volume recorde de reservas estratégicas
… Apesar da aposta no radar de que a guerra pode não durar muito, o mercado promete continuar volátil e sensível aos desdobramentos da ofensiva, com a ameaça agora do Irã de plantar minas no Estreito de Ormuz para explodir qualquer navio que tente passar. Mas pode animar a notícia de que a AIE deve liberar 182 milhões de barris de petróleo das reservas estratégicas de alguns países, a maior quantidade já registrada na história. Ontem, a queda livre do petróleo aliviou as pressões inflacionárias e resgatou a chance de corte de meio ponto da Selic semana que vem. Uma resolução de curto prazo do conflito militar poderia antecipar um Fed flexível. O mercado está dividido entre julho e setembro e, depois do payroll fraco, confere hoje a inflação do CPI de fevereiro (9h30), que ainda não pegou o impacto da guerra. Aqui, é dia de vendas no varejo (9h) e pesquisa eleitoral Genial/Quaest (14h).
BATALHA NAVAL – No fim da tarde desta terça-feira, Trump publicou na rede Truth Social que as forças militares americanas destruíram 16 embarcações que seriam usadas para implantar minas marítimas, sem informar o local.
… O comentário veio depois de o presidente ter ameaçado o Irã com consequências militares “de um nível nunca visto antes”, caso o país caso tenha colocado minas no Estreito de Ormuz e se recuse a removê-las imediatamente.
… “Eles serão tratados de forma rápida e violenta”, afirmou, depois de relatórios da inteligência americana apontarem que o Irã estaria instalando minas, na estratégia para manter a passagem de navegação inacessível.
… O Estreito de Ormuz também foi pivô ontem de notícias desencontradas, que provocaram oscilação nos mercados.
… No momento mais intenso do dia, o petróleo chegou a desabar 18% com publicação do secretário de Energia americano, Chris Wright, de que a Marinha dos EUA havia escoltado um petroleiro pelo Estreito de Ormuz.
… Poucos minutos depois, a postagem foi apagada das redes sociais e a Casa Branca desmentiu a escolta (“embora esta seja uma possibilidade”), reduzindo o fôlego de queda do barril para 11% no fechamento dos negócios.
… Representante do governo iraniano acusou os Estados Unidos de divulgar fake news para manipular o mercado.
… O Irã voltou a lançar ataques contra Israel e países árabes do Golfo Pérsico durante a madrugada desta quarta-feira, no 12º dia da guerra no Oriente Médio. Sirenes e explosões foram ouvidas em Tel-Aviv.
… Os Emirados Árabes Unidos acionaram a defesa aérea contra a ofensiva iraniana.
… A Casa Branca continua cobrando “rendição incondicional” do Irã e diz que a guerra vai terminar quando Trump considerar que o inimigo não representa mais uma ameaça crível e direta aos Estados Unidos e aos seus aliados.
TÁ ON – Com os preços do petróleo corrigindo ontem a explosão recente, voltou a valer como aposta principal na curva a termo a queda de 0,50 ponto porcentual da Selic, faltando uma semana para a reunião do Copom.
… Na estreia do programa BDM Live, o sócio fundador da Eytse Estratégia, Sergio Goldenstein, disse nesta terça-feira que o BC deve se referir à volatilidade externa, sem que a guerra seja impeditivo para o início do ciclo de corte.
… Segundo ele, a política monetária não deve se guiar por movimentos de curto prazo, mesmo que o choque do petróleo se mostre mais persistente. “É para isso que existe uma banda de inflação no regime de metas”, defendeu.
… Goldenstein acredita que o BC não vai perseguir o centro da meta de 3% e sim acomodar a inflação dentro do intervalo de tolerância, abrindo espaço para flexibilização da Selic agora em março, com redução de 50pb, a 14,50%.
… Segundo ele, a opção por uma dose menor de queda do juro, de 25pb, transmitiria falta de convicção.
… Caso os efeitos secundários sobre a inflação da ofensiva militar dos Estados Unidos contra o Irã se mostrem relevantes mais para a frente, diz, o BC pode optar futuramente por encerrar o ciclo com uma taxa maior.
… “Mas o normal seria fazer pelo menos 300pb [de queda da Selic]”, com ajuste total para 12%.
… Ele projeta que o BC dê duas doses de queda de 50pb no juro (março e abril) e tenha em junho uma percepção mais clara sobre o petróleo. “Se (o barril) voltar a US$ 70, vejo chance até de -75pb; o ritmo mínimo é 50pb.”
… Goldenstein reconhece que a inflação continua rodando mais alta do que o esperado, porém está concentrada em itens voláteis. “A de serviços segue resiliente em função do mercado de trabalho apertado, mas vai enfraquecer.”
… O câmbio apreciado também tem contado a favor da retomada do ciclo de flexibilização da política monetária pelo BC. “O real tem tido uma trajetória muito benigna, melhor moeda emergente no ano”, observou na live.
… Além disso, a atividade econômica dá sinais de moderação. Em ano eleitoral, os riscos de medidas populistas não podem ser desprezados, mas isso parece insuficiente para levar o PIB a crescer acima do potencial, disse.
… Ele parabeniza Galípolo pela condução técnica e livre de pressão política, mas alerta que a Selic a 15% está muito acima da taxa neutra e que, se for mantida neste patamar, pode representar riscos ao mercado de crédito.
… Segundo Goldenstein, o BC deve continuar usando os termos cautela e serenidade e há dúvida se vai querer antecipar o ritmo de corte da Selic. “É um BC mais avesso a dar forward guidance, mas deu uma seta em janeiro.”
MAIS AGENDA – Já com os diretores do BC em período de silêncio para a reunião da semana que vem, as apostas para a Selic ainda podem ser calibradas hoje pelas vendas no varejo e, amanhã, pelo resultado do IPCA de janeiro.
… O nível restritivo da Selic deve moderar as vendas do varejo restrito, que excluem veículos e materiais de construção. A mediana no Projeções Broadcast indica recuo de 0,1% em janeiro, após queda de 0,4% em dezembro.
… O intervalo das estimativas para esta leitura vai de retração de 0,7% a crescimento de 0,8%.
… Já o varejo ampliado deve reverter o recuo de 1,2% em dezembro e crescer 0,4% (apostas vão de -0,6% a +0,7%).
… À tarde, sai o fluxo cambial semanal (14h30) e a pesquisa eleitoral da Genial/Quaest (14h).
… Divulgada ontem à noite, a sondagem Ipsos-Ipec apontou que 40% avaliam o governo Lula como ruim ou péssimo (igual a dezembro), 33% consideram a gestão ótima ou boa (de 30% antes) e 24% qualificam como regular (de 29%).
… Lula desistiu de comparecer hoje à posse do novo presidente do Chile, José Antonio Kast, após Flávio e Eduardo Bolsonaro também terem sido convidados para a cerimônia, já que o chileno tem grande proximidade com a família.
BALANÇOS – Smartfit sai antes da abertura do mercado. CSN, CSN Mineração, Vibra Energia, Casas Bahia, Yduqs, Azzas, Brava Energia, Cogna e SLC Agrícola soltam os seus resultados trimestrais após o fechamento do mercado.
RAÍZEN – Joint venture da Cosan com a Shell protocolou o maior pedido de recuperação extrajudicial do País, para negociar dívidas de R$ 65 bi com os principais bancos do país e detentores de títulos internacionais (bondholders).
… A informação foi antecipada pelo colunista Lauro Jardim (O Globo). A negociação já conta com apoio de mais de 40% dos credores, segundo fontes. Para a homologação, é necessário o apoio de 50% mais um dos credores.
… A companhia vai conseguir estancar por 90 dias as negociações com os credores até ganhar tempo para tentar reerguer o negócio. O plano abrange obrigações financeiras e não afeta as dívidas com fornecedores…
… Horas antes do pedido de recuperação extrajudicial, a empresa teve o rating de crédito rebaixado pela Moody’s de Caa1 para Caa3, com perspectiva negativa, diante da elevada alavancagem e geração de caixa pressionada…
… A agência citou risco maior de reestruturação da dívida após anúncio de aporte de R$ 3,5 bilhões da Shell e R$ 500 milhões de Rubens Ometto.
PRECISANDO DE UMA DR – Lula e Alcolumbre devem se reunir nos próximos dias. Os dois se falaram por telefone na semana passada, segundo apurou o Valor, e o presidente do Senado reclamou da falta de articulação do governo.
… Duas semanas atrás, Alcolumbre impôs um revés ao Executivo ao não pautar o Redata, que caducou. No dia seguinte, em nova derrota, a CPMI do INSS aprovou o requerimento de quebra de sigilo bancário e fiscal de Lulinha.
… Em meio aos desgastes, Alcolumbre avisou que vai colocar para tramitar a PEC dos agentes de saúde, com impacto fiscal de R$ 25 bilhões em 10 anos. Ele decidiu despachar a proposta primeiro para a CCJ e, se aprovada, ao plenário.
… A PEC prevê que a regra para os agentes de saúde e de combate a endemias se aposentarem por idade será de 57 anos para as mulheres e 60 anos para os homens, com 25 anos de contribuição e de atividade.
… O texto encontra resistência no Ministério da Fazenda, mas tem forte apelo eleitoral.
… Haddad confirmou ontem que deixará o governo na próxima semana e indicou Dario Durigan como substituto.
PREVISÃO PARA O CPI – Como a guerra começou no último dia de fevereiro, o índice de preços ao consumidor dos EUA ainda não vai capturar o efeito sobre o petróleo, mas chega em um momento de inflação no centro do debate.
… O dado deve apontar alta de 0,3%, contra avanço de 0,2% em janeiro. Na taxa anual, a aposta é de 2,4%, mesmo patamar da medição anterior. Já o núcleo deve subir 0,2% (de 0,3%) e 2,5% na base anualizada (igual a janeiro).
… Com o petróleo em destaque, a Opep divulga seu relatório mensal e o DoE solta os estoques semanais (11h30), com previsão de alta de 1,1 milhão de barris. Ainda na agenda, Trump discursa sobre a economia em Kentucky.
AFTER HOURS – Oracle saltou 8,70%, depois de o lucro por ação de US$ 1,79 no 3Tri fiscal de 2026 ter superado a previsão de US$ 1,70 e de a receita de US$ 17,19 bi também ter vindo melhor que o esperado (US$ 16,19 bi).
NO GOGÓ – Depois de três sessões em disparada, o petróleo despencou com a declaração de Trump de que a guerra contra o Irã terminará “em breve”. Israel alinhou o discurso e também disse que não vai prolongar o conflito.
… O WTI para abril fechou em baixa de 11,94% na Nymex, a US$ 83,45 o barril. E o Brent para maio caiu 11,27% na ICE, para US$ 87,80, confirmando o movimento visto na sessão eletrônica na noite de 2ªF, após a fala de Trump.
… Ao longo da sessão, a commodity chegou a recuar mais de 15% com a informação de que os EUA teriam escoltado um petroleiro pelo Estreito de Ormuz, que depois foi negada pela Casa Branca.
… Porém, na sessão eletrônica noturna, os preços já davam sinais de que podem voltar a subir hoje por causa de relatos de que o Irã estaria espalhando minas aquáticas para impedir a passagem dos navios.
CORDA-BAMBA – As bolsas americanas chegaram a subir quase 1% no melhor momento do dia, embaladas pela queda do petróleo e pela notícia, depois desmentida, de que o Estreito de Ormuz teria sido reaberto.
… As versões desencontradas sobre a evolução da guerra deixaram os ativos voláteis. O clima de otimismo do início do pregão, com a fala de Trump de uma guerra “breve” ainda reverberando, aos poucos deu lugar à incerteza.
… Já no fim da sessão, a informação de que o Irã estaria colocando minas aquáticas no Estreito, e a promessa de Trump de reagir à medida, trouxeram a insegurança de volta aos mercados.
… O Dow Jones fechou em leve baixa de 0,07%, aos 47.706,51 pontos; o S&P500 recuou 0,21% (6.781,50); e o Nasdaq terminou de lado (+0,01%, a 22.697,10).
As ações de tecnologia foram destaque entre as altas: Intel (+2,63%), Cisco (+1,96%) e Nvidia (+1,16%). Já as petroleiras sentiram o recuo da commodity: Chevron (-1,66%) e ExxonMobil (-1,54%).
NO PIQUE – A bolsa brasileira emendou o segundo dia de ganhos, com sinais de que o capital estrangeiro voltou a entrar no mercado, apoiado na melhora da percepção de risco global.
… O Ibovespa não se deixou abater pela desaceleração das bolsas americanas no fim do pregão e manteve alta firme, encerrando com valorização de 1,40%, aos 183.447,00 pontos, e giro financeiro de R$ 31,3 bilhões.
… Petrobras caiu pouco perto do tombo do petróleo: a ação PN recuou 0,53%, a R$ 42,93; e a ON perdeu 0,19%, a R$ 46,66. Vale tirou parte do atraso e avançou 1,64% (R$ 80,56), superando o minério de ferro (+0,25%).
… Os papéis dos bancos finalmente brilharam: Bradesco PN, +2,46% (R$ 20,03); Santander unit, +2,02% (R$ 32,25); BB ON, +1,78% (R$ 25,14); e Itaú PN, +1,48% (R$ 43,80).
… Rumo (+6,96%, a R$ 17,05) liderou os ganhos com notícia da Bloomberg de que Ultrapar e a Perfin negociam a compra de 30% da empresa, seguido por Magazine Luiza (+6,51%, a R$ 10,14) e Cosan (+6,45%; R$ 6,11).
… A crise financeira da Raízen (-5,45%, a R$ 0,52) pesou novamente sobre o papel, que liderou as baixas, acompanhada de Braskem PNA (-4,47%; R$ 11,76) e Direcional (-3,84%; R$ 14,52), que repercutiu o balanço.
O FIM ESTÁ PRÓXIMO – A tese vendida por Trump, de que a guerra vai acabar logo, trouxe alívio aos DIs, que queimaram boa parte dos prêmios acumulados nos últimos dias, com o mercado voltando a focar no Copom.
… A queda expressiva do petróleo afastou o fantasma da inflação e renovou o otimismo dos agentes em um início de ciclo de afrouxamento monetário mais agressivo na próxima semana, com o corte de 0,5 pp de volta ao radar.
… No fechamento, o DI para janeiro de 2027 marcava 13,560% (de 13,652% no ajuste anterior); Jan/29, 13,085% (de 13,265%); Jan/31, 13,415% (de 13,648%); e Jan/33, a 13,575% (de 13,819%).
… No câmbio, o real se fortaleceu diante do dólar pela terceira sessão seguida, em linha com a fraqueza da divisa americana frente aos pares, conforme o mercado desmonta posições defensivas assumidas no começo da guerra.
… O dólar à vista fechou em baixa de 0,13%, a R$ 5,1575. Lá fora, o índice DXY perdeu 0,26%, aos 98,921 pontos. O euro recuou 0,23%, para US$ 1,1609. E a libra caiu 0,19%, para US$ 1,3414.
CIAS ABERTAS NO AFTER – Acionistas do BRADESCO elegeram Paulo Caffarelli, Regina Nunes e Ivan Gontijo para o conselho de administração; deixam o colegiado Walter Albertoni, Samuel dos Santos e Octavio de Lazari Jr.
BRB confirmou sanção de lei do DF que permite operações de até R$ 6,6 bilhões para reforço financeiro do banco.
BANRISUL anunciou pagamento de R$ 90 milhões em JCP, equivalente a R$ 0,22 por ação; papéis ficam ex-direitos em 16 de março.
COMPASS, do grupo Cosan, pretende realizar IPO entre o fim de março e início de abril, com oferta que pode movimentar entre R$ 4 bilhões e R$ 5 bilhões, segundo a Coluna do Broadcast.
SUZANO aprovou a 12ª emissão de debêntures simples, no valor de R$ 179 milhões, com prazo de 15 anos e vencimento em março de 2041.
SABESP informou que fará resgate antecipado de debêntures da 30ª emissão, no valor de cerca de R$ 543,3 milhões, no dia 20 de março.
PRIO registrou prejuízo líquido de US$ 185,4 milhões no 4TRI25, ante lucro de US$ 1,07 bilhão um ano antes. Receita líquida foi de US$ 586,1 milhões (+20%) e Ebitda ajustado somou US$ 341,4 milhões (+6%).
VIBRA aprovou a 10ª emissão de debêntures, no valor de R$ 1,5 bilhão, com prazo de 12 anos, podendo chegar a R$ 1,65 bilhão após bookbuilding.
ULTRAPAR afirmou estar atenta a oportunidades de negócios, após notícia na imprensa de negociação com a Chevron para venda de cerca de 30% da Ipiranga.
ALLOS registrou receita de R$ 850,4 milhões no 4TRI25 e Ebitda de R$ 671,9 mi, em linha com estimativas do Prévias Broadcast. A empresa aprovou a 9ª emissão de debêntures simples de R$ 1 bi, podendo ser ampliada em até 25%.
PAGUE MENOS levantou R$ 458,5 milhões em oferta subsequente de ações, com papéis precificados a R$ 6,55, segundo fontes da Broadcast.
SBF informou que o JPMorgan reduziu participação para 4,91% das ações ordinárias da companhia.
DIRECIONAL registrou lucro líquido de R$ 211,4 milhões no 4TRI25, alta de 16,5% em base anual. Receita líquida somou R$ 1,23 bilhão (+32,6%) e Ebitda ajustado foi de R$ 346,3 milhões (+38,9%).
CURY registrou lucro líquido de R$ 270,1 milhões no 4TRI25, alta de 62,9% em base anual. Receita líquida somou R$ 1,4 bilhão (+37,2%) e Ebitda foi de R$ 355 milhões (+50,3%).
ARTERIS informou que a concessão da Litoral Sul seguirá com o contrato atual até 2033 após fracasso nas negociações de repactuação com o governo.
MOTIVA registrou tráfego de 100,8 milhões de veículos em fevereiro, alta de 26,7% em base anual; no critério comparável, o avanço foi de 1,4%.
LUPATECH firmou contrato de R$ 68,4 milhões com a Petrobras para serviços de manutenção de válvulas e atuadores, com vigência de 760 dias.
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