quinta-feira, 28 de maio de 2026

 *Bom Dia Mercado*


Quinta Feira,28 de Maio de 2.026.


*Superquinta testa apostas de juros*


… O mercado inicia esta quinta-feira absorvendo a nova escalada militar no Oriente Médio, após ataques dos Estados Unidos contra instalações iranianas próximas ao Estreito de Ormuz voltarem a impulsionar o petróleo no after market. A reação reforça a percepção de que investidores continuam extremamente sensíveis às manchetes da guerra, mesmo após a forte queda do Brent na véspera. Em paralelo, a agenda ganha peso decisivo hoje, com uma “superquinta” de indicadores no Brasil e nos Estados Unidos, incluindo PCE, PIB americano, dois dados de emprego, com Caged e Pnad, resultado fiscal e fala de integrante do BC, em mais um teste para as apostas de juros aqui e lá fora.


VOLATILIDADE – O petróleo voltou a subir na abertura desta quinta-feira, após novos ataques dos Estados Unidos contra instalações militares iranianas próximas ao Estreito de Ormuz reacenderem temores sobre a segurança da principal rota global de petróleo.


… Explosões também foram ouvidas no sul do Irã, perto da região de Bandar Abbas.


… Segundo relatos da Reuters e Fox News, militares americanos teriam destruído embarcações iranianas supostamente envolvidas na instalação de minas em Ormuz e atacado baterias de mísseis próximas ao porto de Bandar Abbas.


… Após as investidas, o Brent voltou para cima de US$ 97 no after market, enquanto os juros dos Treasuries retomaram a alta, em mais um sinal de que o mercado continua extremamente sensível às manchetes envolvendo o conflito.


… O movimento ocorre após a forte queda do petróleo na véspera, quando bastou a divulgação de um suposto rascunho de entendimento pela mídia iraniana para manter o Brent abaixo dos US$ 100 e reacender apostas de cortes de juros pelo Fed.


… A reação, porém, já havia perdido força ao longo do dia, diante de contradições entre Washington e Teerã.


… A Casa Branca desmentiu as informações, enquanto Donald Trump afirmou que “não está satisfeito” com as negociações e voltou a endurecer o discurso, dizendo que não aceitará um “mau acordo” nem aliviará sanções ao Irã em troca do abandono do urânio enriquecido.


… Em paralelo, Israel ampliou ataques contra alvos ligados ao Hezbollah no sul do Líbano, enquanto os investidores continuam tentando entender se existe, de fato, espaço político para um acordo duradouro na região.


SUPERQUINTA – Em meio ao mercado ainda sensível à volatilidade do petróleo e aos desdobramentos da guerra no Oriente Médio, o dia concentra uma bateria de indicadores capazes de recalibrar expectativas para juros no Brasil e nos Estados Unidos.


… No Brasil, o IGP-M de maio abre a agenda, às 8h, com a mediana das projeções Broadcast apontando alta de 0,82%, após avanço de 2,73% em abril, em meio à acomodação parcial do choque recente nos preços industriais provocado pela guerra.


… Às 8h30, o Banco Central divulga a nota de crédito de abril. Às 10h15, o diretor de política monetária da instituição, Nilton David, participa do “Pine Macro Day”, em São Paulo.


… O emprego, forte preocupação do Copom, vem em dose dupla.


… Às 9h, o IBGE divulga a taxa de desemprego do trimestre encerrado em abril. A mediana das estimativas para a Pnad Contínua aponta recuo da desocupação para 5,9%, de 6,1% no trimestre anterior, mantendo a percepção de um mercado de trabalho ainda aquecido.


… Já as 14h30, o Ministério do Trabalho divulga o Caged de abril, cuja publicação foi antecipada e elevou especulações sobre um resultado mais forte. A mediana do mercado aponta criação líquida de 211,1 mil vagas formais, com liderança do setor de serviços.


… Ainda pela manhã, às 10h, o Tesouro divulga o resultado primário do governo central de abril. A mediana das projeções aponta superávit de R$ 24,7 bilhões, impulsionado por arrecadação forte, especialmente em receitas previdenciárias, IOF, PIS/Cofins e receitas ligadas ao petróleo.


… No fim da tarde, às 17h, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, concede entrevista ao Estadão.


MAIS AGENDA – No exterior, as atenções se concentram nos Estados Unidos, onde investidores tentam entender até que ponto o choque recente do petróleo contaminou inflação, atividade e expectativas para a política monetária.


… Às 9h30, saem a segunda leitura do PIB americano do primeiro trimestre, com expectativa de crescimento anualizado de 2%, após alta de 0,5% no trimestre anterior, além do índice de inflação PCE de abril, principal referência do Fed.


… A mediana aponta alta de 0,5% para o PCE na margem, após avanço de 0,7% em março; a taxa anual deve acelerar de 3,5% para 3,9%.


… No mesmo horário, também serão divulgados os pedidos semanais de auxílio-desemprego e os dados de encomendas de bens duráveis.


… No início da tarde, às 13h, o Departamento de Energia divulga os estoques semanais de petróleo nos Estados Unidos, em mais um teste para o mercado da commodity após a forte volatilidade recente ligada às negociações entre Washington e Teerã.


AFTER HOURS – A Salesforce superou as estimativas de lucro e receita no primeiro trimestre, em meio ao avanço das ferramentas de inteligência artificial da companhia. Ainda assim, a ação caiu 1,25% no pós-mercado.


… O lucro ajustado por ação ficou em US$ 3,88, acima da previsão de US$ 3,13, enquanto a receita cresceu 13%, para US$ 11,13 bilhões.


… A companhia afirmou que a Agentforce e a Data 360 já somam quase US$ 3,4 bilhões em receita recorrente anual, reforçando a aposta da empresa em IA como principal vetor de crescimento.


… A Salesforce também elevou levemente a projeção de receita para o ano, em linha com as expectativas.


O ALERTA DO BC – O Banco Central afirmou nesta quarta-feira que o ambiente de juros elevados, o aumento da inadimplência e o maior comprometimento de renda das famílias exige “cautela e diligência adicionais” na concessão de crédito no País.


… Após reunião do Comitê de Estabilidade Financeira (Comef), a autoridade monetária destacou que o cenário atual requer atenção tanto à qualidade dos empréstimos quanto ao apetite ao risco das instituições financeiras.


… O BC também citou o maior endividamento das empresas como fator adicional de preocupação para o sistema financeiro.


… Apesar do alerta, o Comef manteve em 0% o adicional contracíclico de capital e avaliou que o sistema financeiro nacional segue preparado para enfrentar eventual deterioração do crédito.


… Segundo o BC, os bancos continuam operando com níveis adequados de provisão, liquidez e capital, além de manterem exposição considerada baixa a choques externos e volatilidade cambial.


MAIS BC – O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, pode sugerir ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a indicação de duas mulheres para as próximas vagas abertas na diretoria da instituição, segundo apuração da Reuters.


… De acordo com a reportagem, Cecília Machado, economista-chefe do Bocom BBM, é cotada para assumir a diretoria de Política Econômica do BC. Já Marina Copola, atual diretora da CVM, aparece como nome forte para a diretoria de Organização do Sistema Financeiro.


CASO MASTER – Associações do setor financeiro criticaram a proposta apresentada pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL) para permitir o uso de recursos do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) na cobertura de rombos de regimes de previdência, em reportagem do Valor.


… Em nota, a Febraban afirmou que o projeto incorreria em uma “distorção conceitual”, argumentando que fundos de pensão não captam depósitos, mas recursos de quotistas voltados para investimentos de longo prazo.


… Segundo a entidade, investimentos de fundos de pensão não se enquadram na lógica de proteção da poupança popular nem justificariam cobertura por mecanismos de garantia de depósitos.


… A Febraban também ressaltou que os fundos garantidores têm como objetivo preservar a estabilidade financeira e proteger pequenos poupadores, especialmente famílias de menor renda e menor acesso à informação.


… Em meio às discussões sobre o uso de recursos do FGC, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou ao Estadão que uma eventual liquidação do BRB geraria um rombo de R$ 17 bilhões ao fundo, valor que teria de ser arcado pelos bancos associados.


… Segundo o ministro, o governo federal propôs que o empréstimo de R$ 5 bilhões a ser contratado pelo Governo do Distrito Federal para capitalizar o BRB tenha garantia de um sindicato de instituições financeiras públicas e privadas.


… Para Durigan, o FGC teria “interesse econômico” em apoiar a operação, já que o custo de uma eventual liquidação do banco seria significativamente maior para o sistema financeiro.


FIM DA ESCALA 6 X 1 – A Câmara aprovou na noite passada a PEC que acaba com a escala 6×1, reduz a jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais e estabelece dois dias de folga, em uma das votações de maior impacto político e eleitoral deste ano.


 … O placar foi amplo: 472 votos favoráveis e apenas 22 contrários no primeiro turno e 461 contra 19 no segundo turno.


 … O texto segue para o Senado e não há definição se Alcolumbre colocará em pauta agora ou se vai segurar para depois das eleições.


 … Apenas os partidos Novo e Missão orientaram voto contrário.


 … Maior bancada de oposição, o PL acabou orientando apoio à redução da jornada, depois de tentar constranger o governo defendendo uma proposta ainda mais ampla, com adoção da escala 4×3, em vez do modelo 5×2 negociado entre Hugo Motta, Lula e o relator Leo Prates.


 … O parecer aprovado prevê transição em duas etapas: redução de 44 para 42 horas semanais ainda neste ano, 60 dias após a promulgação, e depois queda para 40 horas ao longo de 12 meses. Sem redução salarial.


 … Nos bastidores, integrantes do Centrão e representantes do setor produtivo seguem alertando para aumento de custos trabalhistas.


CURTAS DA POLÍTICA – A Câmara também aprovou ontem à noite o projeto que cria o Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes (Profert), considerado estratégico pelo agronegócio para reduzir a dependência brasileira de insumos importados.


… Atualmente, cerca de 85% dos fertilizantes utilizados no País vêm do exterior, deixando o setor mais exposto a choques geopolíticos, volatilidade de preços e problemas logísticos.


… O texto aprovado substitui a proposta original baseada em desonerações tributárias por mecanismos de crédito fiscal, financiamento e estímulo à produção doméstica, após as mudanças trazidas pela Reforma Tributária.


COMBUSTÍVEIS. Por outro lado, o presidente da Câmara, Hugo Motta, adiou mais uma vez a votação do PLP dos combustíveis, que converte arrecadação extraordinária em redução proporcional de tributos federais sobre diesel e gasolina.


… O texto não avançou após a ausência da relatora Marussa Boldrin (Republicanos-GO), levando Motta a retirar a proposta da pauta.


… Ao Valor, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo deve anunciar já na próxima semana uma subvenção ao diesel, diante do atraso na aprovação do projeto. A subvenção pode chegar a R$ 0,35 por litro, dependendo da variação do Brent.


DÍVIDA RURAL. No Senado, Davi Alcolumbre afirmou que ainda tenta construir um entendimento antes de levar ao plenário o projeto de renegociação das dívidas rurais com recursos do Fundo Social do Pré-Sal.


… Pediu uma a duas semanas para novas negociações envolvendo governo, bancada do agro e parlamentares, antes de eventual votação.


CAIADO E ZEMA. Na corrida presidencial, Ronaldo Caiado confirmou que existe o “sentimento” para uma possível aliança com Romeu Zema em 2026, embora ambos tenham decidido adiar definições sobre eventual composição de chapa.


… Segundo interlocutores, os dois avaliam que a centro-direita precisará se unir no segundo turno para enfrentar Lula, especialmente após o desgaste recente de Flávio Bolsonaro nas pesquisas, como resultado de sua ligação com Daniel Vorcaro.


FLÁVIO. Em Washington, voltou à Casa Branca nesta quarta e se reuniu com JD Vance, Marco Rubio e integrantes do Departamento de Estado.


… De acordo com Paulo Figueiredo, as conversas abordaram cooperação entre Brasil e Estados Unidos em caso de eventual vitória do senador em 2026, além da proposta de classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas.


PESQUISA. Nesta quinta-feira será divulgado o levantamento Meio/Ideia, que inclui Michelle Bolsonaro, Tereza Cristina e Fernando Haddad.


… Ontem, na pesquisa Indexa, Lula confirmou a liderança, abrindo cinco pontos sobre Flávio Bolsonaro, com 39% a 30% no primeiro turno. Em eventual segundo turno, a diferença diminui, com o placar de 46% para o petista e 41% para o senador do PL.


INFLAÇÃO NÃO TIRA FOLGA – De nada adiantou para os juros futuros o petróleo ter furado os US$ 95. A curva não comprou o alívio, porque nem a queda do barril é confiável e tampouco o quadro doméstico é confortável.


… A inflação continua rodando alta e o mercado ainda tem muitas dúvidas se a atividade econômica e o emprego estão desaquecendo rápido o suficiente para consolidar um ciclo consistente de relaxamento da política monetária.


… O próprio BC fala em “calibração” e não propriamente em um processo sustentado de queda da taxa Selic. Um novo corte de 0,25 ponto do juro está garantido em junho, mas o orçamento total da flexibilização pode ser menor.


… Apesar de o IPCA-15 ter desacelerado de 0,89% em abril para 0,62% em maio, superou o consenso de 0,56%. No acumulado em 12 meses, a prévia da inflação oficial do IBGE atingiu 4,64% e estourou o teto da meta (4,5%).


… A leitura qualitativa do indicador apontou a continuidade da pressão nos núcleos e nos serviços, que se mantêm como um ponto de atenção do BC. Os preços no setor de serviços aceleraram para 0,48%, após 0,03% em abril.


… Ainda serviços subjacentes ganharam fôlego: 0,45% para 0,53%, em linha com o mercado de trabalho resiliente.


… A média dos principais núcleos monitorados pelo BC subiu de 0,47% para 0,49% de um mês para o outro, segundo cálculos da 4intelligence. No acumulado em 12 meses, avançou para 4,42% em maio, contra 4,33% em abril.


… Entre as nove categorias pesquisadas, Transportes foi a única a registrar queda, de 0,33%, com a redução dos preços do etanol, diesel e gasolina. Alimentos e bebidas registraram o maior aumento, de 1,38% em maio.


… Os custos de moradia subiram 1,03%, principalmente devido ao aumento de 2,16% na energia elétrica residencial após o retorno da tarifa amarela. Saúde e cuidados pessoais avançaram 1,05%, com reajuste dos remédios.


… O Inter antecipou ao Broadcast a revisão em alta das projeção para o IPCA deste ano, de 4,9% para 5,1%, e da Selic, de 12,75% para 13,25%. A instituição destacou que persistência da inflação de serviços em nível elevado.


… Segundo o banco, a esperada desaceleração da demanda está sendo ofuscada por maiores gastos fiscais e linhas de crédito subsidiadas pelo governo, o que impede queda mais rápida da inflação, mesmo em meio à Selic restritiva.


… Hoje, se a mão de obra exibir força no Caged, deve acentuar a percepção sobre as pressões inflacionárias, que já levaram os juros futuros a zerarem as quedas ontem, para fecharem com viés de alta, apesar do petróleo em queda.


… No fechamento, o DI para Janeiro de 2027 marcava 14,065% (de 14,055% no ajuste anterior); Jan/28, 13,865% (contra 13,819% na véspera); Jan/29, 13,830% (13,798%); Jan/31, 13,915% (13,907%); e Jan/33, 14,000% (13,990%).


PERDENDO UM ALIADO? – No último Copom, em maio, o dólar oscilava na menor cotação em mais de dois anos, perto de R$ 4,91. Ontem, encerrou na faixa de R$ 5,06, em uma mudança de patamar que vem sendo monitorada.


… Entra para o debate o questionamento se o câmbio continuará exercendo um efeito desinflacionário, neste momento em que a dinâmica de desvalorização do petróleo tira suporte do real, com as negociações de paz no Irã.


… A moeda americana subiu 0,67%, a R$ 5,0609, em semana de volatilidade redobrada pela briga da ptax.


… O real perdeu terreno junto com o petróleo, que embarcou em uma nova onda de alívio, apesar das versões conflitantes sobre um acordo para encerrar a guerra. O contrato do Brent para julho despencou 5,31%, a US$ 94,29.


… O tombo da commodity, que pesou sobre a Petrobras, e a pressão do IPCA-15 no radar levou o Ibovespa a fechar em queda de 0,48%, aos 175.744,37 pontos, com volume financeiro modesto, de apenas R$ 22,6 bilhões.


… O papel ON da Petrobras registrou desvalorização de 1,62%, cotado a R$ 48,10, e PN perdeu 1,43%, a R$ 42,82. Vale fechou com ganho moderado de 0,46% (R$ 83,45), na contramão da queda de 0,32% do minério de ferro.


… Os bancos tiveram desempenho majoritariamente positivo: Bradesco PN ganhou 0,90% (R$ 18,00); Itaú PN, +0,65% (RT$ 40,32); e Santander unit, +0,55% (R$ 27,47). Já BB fechou em leve queda de 0,19%, mínima de R$ 21,07.


… Copasa entrou em queda livre de 4,71%, a R$ 50,75. O governo de Minas Gerais decidiu rever o processo de privatização, depois de as propostas de investidores ficarem abaixo do preço mínimo fixado para a operação.


… A companhia informou mudanças nas condições da oferta e, antes mesmo da abertura dos negócios na bolsa, adiou a divulgação do nome do investidor de referência, que deveria ter sido conhecido nesta quarta-feira.


… Em Wall Street, os índices de ações tiveram ganhos modestos e renovaram recordes com o petróleo afundando.  


… Com oscilações marginais, o S&P 500 teve leve ganho de 0,02%, aos 7.520,36 pontos, e o Nasdaq avançou 0,07%, para 26.674,73 pontos, ambos nas máximas históricas. O Dow Jones subiu 0,36%, para 50.644,28 pontos.


… O mergulho do petróleo derrubou as taxas dos Treasuries. O juro da Note de 2 anos caiu para 4,034% (de 4,042%), o rendimento da Note de 10 anos recuou para 4,480% (de 4,493%) e o do T-Bond de 30 anos, a 5,010% (de 5,026%).


MAS O PERIGO MORA AO LADO – Participantes do mercado notam que o yield da Note de 2 anos acima do nível dos juros dos Fed funds (entre 3,50% e 3,75%) reforça a sensação de que um aperto ainda pode vir no curto prazo.


… Com a guerra demorando tanto para acabar, Kevin Warsh estreia no comando do BC americano sem tanto espaço para defender sua vocação dovish, enquanto outros dirigentes não têm descartado um maior conservadorismo.


… Lisa Cook disse ontem que prefere manter a política monetária inalterada nos Estados Unidos, mas acredita que a inflação está caminhando na direção errada e afirma estar preparada para elevar os juros caso isso persista.


… Esta semana, Neel Kashkari alertou sobre a possibilidade de “uma série” de altas de juros pelo Fed. Dias atrás, até Christopher Waller, que não costuma se alinhar ao viés hawkish, disse ser “loucura” contar com um corte este ano.


… A chance de juro estável em dezembro voltou ontem a ser a aposta principal do mercado, segundo o CME. Mas esta precificação será testada hoje pelo PCE, que pode assustar se continuar se distanciando da meta de 2%.


… Quanto ao BCE, o presidente do BC de Portugal, Álvaro Santos Pereira, disse ontem que a reunião de política monetária de junho levará em conta efeitos secundários da guerra e que o choque de energia já afeta vários setores.  


… O euro fechou de lado (-0,01%), a US$ 1,1629, a libra caiu 0,12%, a US$ 1,3427, o iene recuou para 159,53 por dólar, nível mais fraco em quase quatro semanas, aproximando-se da faixa que chamou intervenção recente do BoJ.


… O índice DXY oscilou em leve alta de 0,04%, a 99,206 pontos, em compasso de espera pela agenda forte de hoje.


CIAS ABERTAS NO AFTER – Cade instaurou processo administrativo contra o ITAÚ por suposta criação de barreiras em transações de carteiras digitais…


… O banco afirmou que atua em conformidade com a regulação e que suas políticas seguem critérios técnicos e de gestão de risco.


PETROBRAS. Lula anunciará amanhã, ao lado de Magda Chambriard, investimentos de R$ 72,5 bilhões da companhia em Sergipe, que já constam no Plano de Negócios 2026-2030. O evento será realizado na Fafen-SE.


RAÍZEN. A companhia detalhou proposta preliminar de reestruturação financeira. O plano prevê conversão de 45% da dívida em ações a R$ 0,25 por papel, aporte de R$ 3,5 bilhões da Shell e reorganização societária.


SABESP. A OPA lançada pela companhia por ações da Emae terminou sem adesões.


ISA ENERGIA. A companhia obteve licença de instalação para o bloco 2 do projeto Serra Dourada. Empreendimento prevê 1.093 quilômetros de linhas de transmissão e investimento de R$ 3,157 bilhões.


ECORODOVIAS. A companhia fechou acordo global para encerrar disputas judiciais ligadas às antigas concessões rodoviárias do Paraná. O acordo prevê desembolso de R$ 45,7 milhões.


KLABIN. A BlackRock passou a deter 9,997% das ações preferenciais da companhia, contra 10,003% anteriormente.


NEOGRID. A Dalpe arrematou o controle da companhia por R$ 167 milhões e dará sequência ao processo de saída do Novo Mercado.


UNIFIQUE. A companhia assinou contrato para aquisição da carteira de clientes e ativos da G9 Telecomunicações por R$ 6,3 milhões.

Bankinter Portugal Matinal

 Análise Bankinter Portugal 


NY +0,0% US tech -0,1% US semis -1,4% UEM +0,1% España +0,5% VIX 16,3% Bund 2,98% T-Note 4,51% Spread 2A-10A USA=+45pb B10A: ESP 3,40% PT 3,35% FRA 3,60% ITA 3,70% Euribor 12m 2,72% (fut.2,87%) USD 1,159 JPY 185,1 Ouro 4.391$ Brent 97,3$ WTI 91,7$ Bitcoin -3,0% (72.891$) Ether -4,3% (1.977$)


:: SESSÃO: Amanhecemos com um ataque aéreo dos EUA a uma base militar iraniana onde decolavam drones com destino a Ormuz, Kuwait ativa as suas defesas contra mísseis e drones lançados supostamente do Irão, e o Tesouro americano anuncia novas sanções para impedir Teerão de monetizar a passagem de navios pelo Estreito. Tudo isso depois de Trump desmentir estar tão perto de alcançar um acordo como algumas fontes estimavam. A reação no mercado é imediata e lógica. O petróleo sobe (Brent +3,7% até 97,7 $), o dólar aprecia-se (+0,3% até 1,159) e as bolsas asiáticas caem (-1,3% Japão, -1,1% China, -2,0% Coreia...). 


Contribui para o movimento o receio de um aumento maior do que o estimado do Deflator do Consumo americano (hoje, 13:30 h). Em princípio, poderá avançar até +3,8% em abril desde +3,5% com a subjacente a aumentar até +3,3% desde +3,2%. Nas últimas horas, vários membros da Fed lançaram mensagens um pouco contraditórias, que evidenciam as divergências no seio do banco central. Jefferson aponta para uma suavização dos preços mais para o final do ano graças a um menor impacto dos impostos alfandegários e moderação dos preços do petróleo, mas Cook afirma que a inflação se move em alta e aponta para subidas de taxas de juros se essa tendência continuar. O resto da macro, apesar de ser relevante, passará para segundo plano. Destaca a primeira revisão do Pib do 1T, que será continuista (+2,0% t/t anualizado, em linha com o dado preliminar e vs. +0,5% anterior), e os Pedidos de Bens Duráveis (+4,0% estimado desde +0,8%, mas excluindo transporte +0,5% desde +0,9%).


Como se não bastasse, a guia de Receitas para o próximo trimestre de Salesforça dececiona e o valor cai -1,2% no mercado fora de hora…


CONCLUSÃO: Impõe-se a cautela e o lógico é esperar uma sessão de realização de lucros nas bolsas. Especialmente após os avanços resistentes. Convém recordar que os índices americanos encadeiam 8 semanas consecutivas de subidas e avaliam perto de máximos históricos. Uma consolidação de níveis, e até uma correção, continua a parecer-nos um cenário prudente que daria oportunidade de assumir posições a melhores preços.


FIM

quarta-feira, 27 de maio de 2026

A lição coreana q o Brasil ignora

 A lição coreana que o Brasil ignora


O economista Nilson Teixeira argumenta que o sucesso econômico da Coreia do Sul não nasceu principalmente de política industrial, subsídios ou grandes conglomerados, mas de um investimento consistente e prioritário em educação básica de qualidade. Nos anos 1950, a Coreia era tão pobre quanto o Brasil. Hoje possui renda per capita quase três vezes maior, forte presença tecnológica global e produtividade muito superior.

O artigo destaca que o Brasil passou décadas observando o modelo coreano, mas frequentemente concentrou atenção em seus grandes grupos industriais e políticas de exportação, ignorando o fundamento que sustentou todo o crescimento: alfabetização, ensino fundamental sólido, formação rigorosa de professores e avaliação permanente dos resultados educacionais.

Segundo o autor, a Coreia seguiu uma sequência clara:

1. Educação infantil e fundamental.
2. Ensino médio.
3. Ensino superior.

O Brasil fez o contrário em muitos momentos, expandindo universidades e programas de acesso ao ensino superior sem resolver os problemas estruturais da educação básica. O resultado é que apenas cerca de metade dos jovens brasileiros alcança níveis mínimos de proficiência em leitura, enquanto a Coreia se aproxima da universalização dessas competências.

O texto aponta seis prioridades para o Brasil:

* Universalizar a educação infantil e fortalecer o ensino fundamental.
* Melhorar a qualidade do aprendizado, não apenas o acesso.
* Profissionalizar e valorizar a carreira docente.
* Avaliar continuamente os resultados e corrigir desvios.
* Criar incentivos baseados em mérito e desempenho.
* Separar a carreira de gestor escolar da carreira de professor, profissionalizando a gestão.

Principal conclusão

A Coreia estruturou primeiro a base, depois o meio e só então o topo do sistema educacional. O Brasil inverteu essa lógica. Para o autor, sem uma revolução na educação básica, qualquer plano de desenvolvimento econômico, industrial ou tecnológico terá alcance limitado. O verdadeiro diferencial coreano não foi apenas fabricar carros, navios ou semicondutores, mas formar capital humano capaz de criar, operar e aprimorar essas indústrias ao longo de décadas.

A década da volatilidade tática

 A Década da Volatilidade Tática: O Raio-X da Indústria de Fundos no Brasil (2016–2026)

A indústria de fundos de investimento no Brasil encerra um ciclo de dez anos (2016–2026) marcada por uma profunda transformação estrutural. O que assistimos não foi apenas o crescimento nominal do ecossistema, mas uma migração tectônica de patrimônio ditada por ciclos agressivos da taxa Selic e por um redesenho regulatório sem precedentes.

Para quem gerencia, aloca ou distribui capital, os números dessa década desenham um retrato claro da maturidade — e dos desafios estruturais — do mercado financeiro doméstico.

 1. O Crescimento Nominal vs. A Dança das Cadeiras do Market Share

Em 2016, a indústria de fundos operava com um Patrimônio Líquido (PL) consolidado na casa dos R$ 3,4 trilhões. Dez anos depois, em 2026, o bolo total quase triplicou, consolidando-se entre R$ 8,5 trilhões e R$ 9,0 trilhões.

No entanto, o dado mais relevante não é o crescimento do bolo, mas como as fatias foram redistribuídas:

📊 O Comparativo de Market Share (% do PL Total)

• Renda Fixa & Crédito Privado: Saltou de ~50% a 53% em 2016 para dominantes ~60% a 65% em 2026.

• Multimercados: Representava ~22% a 24% em 2016, viveu um pico de quase 26% no auge do juro baixo (2019/2020), e recuou para ~18% a 20% em 2026.

• Ações (Equities): Oscilava entre ~8% a 10% em 2016 e encolheu para a faixa de ~5% a 7% em 2026, após um ciclo crônico de resgates.

• Previdência Privada (FIEs): Avançou de ~12% a 14% para ~15% a 17% do PL total da indústria, consolidando-se como o grande veículo de blindagem patrimonial.

 2. O Fenômeno dos Isentos, o Cerco do CMN e a Matemática do Gross-Up

Se existe um segmento que roubou a cena na segunda metade desta década, foi o de ativos e fundos isentos de Imposto de Renda para pessoa física. O apetite do investidor por rentabilidade líquida transformou o mercado de capitais. No entanto, a verdadeira disrupção estrutural ocorreu no início de 2024, quando o Conselho Monetário Nacional publicou duas normas implacáveis: as Resoluções CMN nº 5.118 e nº 5.119.

• CMN 5.118 (O veto aos lastros "cosméticos"): Barrou a farra dos CRIs e CRAs estruturados por empresas de fora dos setores imobiliário e do agronegócio (como redes de varejo ou companhias de telefonia que usavam recebíveis de aluguéis ou contratos comerciais para captar com isenção). O estoque de novos papéis corporativos isentos simplesmente secou.

• CMN 5.119 (O freio bancário): Restringiu o uso de recursos de LCIs e LCAs e, crucialmente, estendeu os prazos mínimos de carência desses títulos para o investidor de varejo (as LCIs saltaram de 90 dias para 9 meses de prazo mínimo), reduzindo drasticamente a liquidez desse ecossistema.

Com a escassez desses títulos de crédito direto nas plataformas, os Fundos de Debêntures Incentivadas (Lei 12.431) tornaram-se os grandes herdeiros desse fluxo bilionário de capital, mantendo o benefício fiscal na cota do fundo focado em infraestrutura nacional.

🧮 A Força Gravitacional do Gross-Up na Alta Renda

Nas mesas de alocação de Wealth Management, a análise de fundos e títulos isentos é inteiramente pautada pelo cálculo do gross-up (a taxa equivalente que um produto tributado precisaria render para igualar o retorno do ativo isento).

Quando traduzimos essa assimetria fiscal para a régua preferida do mercado brasileiro, o prêmio regulatório revela distorções impressionantes tanto em termos relativos (% do CDI) quanto em spread real absoluto (CDI + %):

Para ilustrar o tamanho dessa distorção competitiva, consideremos um cenário onde a taxa DI de mercado está estabelecida em 14,4% ao ano e um fundo de debêntures incentivadas consegue entregar um retorno líquido equivalente a exatamente 100% do CDI (14,4%).

Assumindo o horizonte de longo prazo, onde incide a alíquota marginal mínima de 15% de Imposto de Renda sobre os fundos tradicionais, o cálculo do rendimento equivalente bruto nominal é:

Taxa Equivalente Bruta = 14,4% / (1 - 0,15) = 14,4% / 0,85 = 16,94% ao ano

A partir desta taxa bruta de 16,94%, derivamos duas métricas de comparação direta para os fundos tributados concorrentes:

 1. Gross-Up Relativo (% do CDI): Dividindo o retorno bruto nominal pela taxa DI de mercado (14,4%), chegamos a 117,64% do CDI.

 2. Gross-Up Absoluto (Spread sobre o CDI): Subtraindo a taxa DI base (14,4%) do retorno bruto nominal (16,94%), o prêmio se traduz em um spread linear exato de CDI + 2,54% ao ano.

O Impacto no Portfólio: Para competir com um ativo isento de 100% do CDI sob uma taxa base de 14,4%, um fundo de crédito privado tradicional (tributado) precisa entregar 117,64% do CDI ou, em termos absolutos, CDI + 2,54%. Para capturar esse nível de spread no mercado tributado, o gestor é obrigado a assumir um risco de crédito de qualidade muito inferior (High Yield agressivo), enquanto o fundo isento entrega a mesma eficiência real alocado em grandes emissores High Grade de infraestrutura.

 3. A Anatomia das Demais Classes de Ativos

💼 Renda Fixa Tradicional: O Motor de Liquidez

O crescimento da Renda Fixa além dos isentos esconde uma mudança qualitativa. Em 2016, o volume estava massivamente alocado em fundos DI soberanos de grandes bancos comerciais. Mesmo com os choques de volatilidade — como o Credit Crunch do início de 2023 (evento Americanas e Light) que travou o mercado secundário —, a classe provou sua resiliência. O retorno da Selic aos dois dígitos capturou o fluxo de fuga de risco (flight to quality), mantendo a renda fixa tradicional como o colchão de liquidez compulsório do mercado.

🔮 Multimercados: Do Auge à Busca por Sobrevivência Global

Os fundos Multimercados Macro, historicamente a "joia da coroa" da gestão independente brasileira, viveram duas metades muito distintas nesta década.

• A Era de Ouro (2016-2020): Capturaram com precisão o fechamento da curva de juros doméstica e o rali de ativos locais, atraindo volumes gigantescos de captação líquida.

• A Ressaca Macro (2021-2024): A velocidade do aperto monetário global (Fed) e do Banco Central do Brasil impôs perdas severas aos maiores players do mercado. Entre 2022 e 2024, a classe registrou saídas líquidas acumuladas superiores a R$ 290 bilhões.

A resposta da indústria tem sido a especialização: para estancar os resgates, o volume remanescente migrou internamente para estratégias quantitativas (sistemáticos), arbitragem e mandatos Global Macro puramente descorrelacionados do risco Brasil.

📈 Ações: O Ciclo de "Financial Deepening" que Virou Fumaça

O movimento de sofisticação e popularização da Bolsa (2018–2021), que levou o Ibovespa à máxima histórica e multiplicou o PL de gestoras focadas em Stock Picking por fatores de até 5x, enfrentou a dura realidade do custo de oportunidade. Com o juro real rodando consistentemente elevado na metade final da década, manter capital em estratégias Long Only de crescimento (growth) tornou-se proibitivo para o investidor. O resultado foi o mais longo ciclo de resgates da história da classe, mitigado em volume financeiro apenas pela resiliência de fundos focados em Value Investing e dividendos.

 4. O Redesenho Regulatório das Estruturas de Alta Renda

Além do cerco do CMN aos isentos, o mapa do grande capital foi redesenhado por outras duas forças normativas marcantes do período:

• A Lei dos Fundos Exclusivos (Lei 14.754/2023): O fim do diferimento tributário para fundos fechados de alta renda e a introdução do come-cotas semestral (maio e novembro) retiraram o apelo puramente fiscal dessas estruturas. Bilhões de reais migraram para fundos de Previdência e carteiras administradas diretas.

• A Consolidação da Resolução CVM 175: O novo marco regulatório simplificou a engrenagem operacional das gestoras através da criação de classes e subclasses sob o mesmo CNPJ. Mais importante ainda: a introdução da responsabilidade limitada do cotista blindou o patrimônio dos investidores em casos de PL negativo, pavimentando o caminho para o crescimento de volumes em ativos alternativos e estruturados (FIDCs e FIPs).

Conclusão: A Ditadura do CDI e a Maturidade da Indústria

A análise consolidada dos últimos 10 anos deixa uma lição clara: no Brasil, o CDI continua exercendo uma força de gravidade quase irresistível sobre a alocação de ativos. O ensaio de diversificação estrutural em direção ao risco (ações e multimercados) visto na virada da década passada mostrou-se cíclico.

No entanto, a indústria que opera o PL de quase R$ 9 trilhões é incomparavelmente mais madura, transparente e flexível do que aquela de R$ 3,4 trilhões de 2016. A sobrevivência e o crescimento no mercado brasileiro passaram a exigir dos gestores uma combinação milimétrica de três fatores: geração de alfa, eficiência tributária e gestão rigorosa de liquidez.

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BDM Matinal Riscala

 *Rosa Riscala: IPCA-15 testa os limites do BC*


… O mercado tenta calibrar até onde vai o risco geopolítico no Oriente Médio e qual será o tamanho da conta inflacionária da guerra. Os novos ataques entre Estados Unidos e Irã voltaram a elevar dúvidas sobre a estabilidade do cessar-fogo e sobre a normalização do Estreito de Ormuz, mantendo o Brent perto de US$ 100 e reacendendo apostas de juros mais altos por mais tempo no mundo. Em Nova York, enquanto as ações seguem comprando inteligência artificial e renovando recordes, os juros continuam comprando guerra. No Brasil, o foco se volta hoje para o IPCA-15 de maio, em meio à percepção de que os núcleos e os serviços seguem desconfortáveis para o Banco Central.


JURO COMPRA GUERRA – O mercado voltou a reduzir apostas em uma solução rápida para o conflito no Oriente Médio, após novos ataques entre Estados Unidos e Irã reacenderem dúvidas sobre a estabilidade do cessar-fogo e a normalização do tráfego no Estreito de Ormuz.


… O Brent voltou a se aproximar de US$ 100 depois de os Estados Unidos realizarem ataques classificados como “autodefesa” no sul do Irã, mirando plataformas de lançamento de mísseis e embarcações com capacidade de espalhar minas.


… Em resposta, Teerã acusou Washington de violar o cessar-fogo em vigor, afirmou que “nenhuma agressão ficará sem resposta” e disse ter derrubado um drone americano, enquanto o líder supremo Mojtaba Khamenei também fazia alertas.


… Segundo o iraniano, “as nações e terras da região não serão mais um escudo para as bases americanas”.


… Apesar do discurso oficial da Casa Branca defendendo a continuidade das negociações, investidores passaram a enxergar uma distância maior entre um eventual acordo formal e uma paz efetivamente estável na região.


… O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou estar pronto para firmar um “acordo digno” com os Estados Unidos, enquanto Marco Rubio admitiu que um entendimento ainda pode levar “alguns dias” para ser concluído.


… As negociações seguem travadas em pontos considerados centrais, como a liberação de US$ 24 bilhões em ativos iranianos congelados, o destino dos estoques de urânio enriquecido e as condições de navegação pelo Estreito de Ormuz.


… O Comando Central dos Estados Unidos desmentiu relatos de retomada da escolta naval no estreito, reforçando a percepção de que o fluxo marítimo segue vulnerável, mesmo após o Irã afirmar que permitiu a passagem de 25 embarcações comerciais nas últimas horas.


… O presidente Donald Trump cancelou viagem a Camp David e decidiu realizar reunião com todo o gabinete na Casa Branca nesta quarta-feira, poucas horas depois da escalada envolvendo embarcações iranianas e alvos militares no Golfo.


… No pano de fundo, Israel ampliou operações no Líbano, enquanto o presidente do Fed de Minneapolis, Neel Kashkari, afirmou que uma “série” de altas de juros pode voltar à mesa caso a guerra pressione ainda mais a inflação global.


… A nova tensão trouxe perdas aos ativos domésticos; já em Nova York, as bolsas ignoraram parcialmente a guerra, com o avanço das ações ligadas à inteligência artificial levando o S&P 500 e o Nasdaq a novos recordes na volta do feriado de Memorial Day (abaixo).


CONSEGUIU A FOTO – Mesmo com uma guerra na agenda, Trump encontrou tempo para receber Flávio Bolsonaro na Casa Branca e o senador aproveita para transformar a reunião em demonstração de prestígio internacional e consolidação de sua pré-candidatura ao Planalto.


… Para ele, o fato de ter sido recebido no Salão Oval é prova de que existe “uma alternativa séria, sólida e confiável” ao governo Lula.


… Flávio disse ainda que apresentou ao presidente americano propostas ligadas à exploração de minerais críticos e terras raras no Brasil, defendendo uma parceria estratégica entre os dois países caso seja eleito.


… O senador também afirmou que pediu a Trump que PCC e Comando Vermelho sejam classificados pelos Estados Unidos como organizações terroristas – assumindo uma postura polêmica atribuída à extrema-direita e que pode atingir a soberania do Brasil.


… Segundo Flávio, a conversa durou cerca de 1h40 e incluiu comentários de Trump sobre Jair Bolsonaro, além da entrega de uma “challenge coin”, medalha usada pelas Forças Armadas americanas como símbolo de reconhecimento.


… O encontro acontece em meio à repercussão da relação entre Flávio e Daniel Vorcaro, financiador do filme Dark Horse, que atingiu a sua candidatura ao Palácio do Planalto, conforme mostraram as últimas pesquisas eleitorais.


BRB & MASTER – O desenho para uma solução da crise do Banco de Brasília está fechado e ganha grande espaço na mídia.


… União e Governo do Distrito Federal avançaram em um acordo preliminar para viabilizar a capitalização do BRB, mas a solução ainda depende da adesão do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e de um sindicato de bancos públicos e privados.


… O desenho discutido no STF prevê um empréstimo bilionário ao GDF junto ao FGC, com fiança de bancos e contragarantias atreladas aos repasses do Fundo de Participação dos Estados (FPE) e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM).


… O governo federal deixou claro que não haverá aval direto da União para a operação, principal ponto de resistência da Fazenda desde o início.


… Em contrapartida, a União se comprometeu a flexibilizar os limites do Programa de Ajuste Fiscal do Distrito Federal para permitir uma operação de crédito acima do teto atual, hoje limitado a cerca de R$ 900 milhões.


… O valor em discussão gira em torno de R$ 5 bilhões, embora o pedido original do GDF ao FGC tenha alcançado R$ 6,6 bilhões.


… O BRB tenta fechar um rombo provocado pelas operações envolvendo o Banco Master e trabalha contra o tempo para recompor índices mínimos de capital exigidos pelo Banco Central.


… Em documento enviado ao BC e anexado ao processo no STF, o banco informou que está submetido a um termo de comparecimento do regulador e tem até o dia 29 para apresentar medidas de recomposição patrimonial.


… Além do empréstimo, o GDF tenta levantar recursos por meio da securitização de dívida ativa via FDIC, enquanto o BRB busca alterar as condições de letras financeiras subordinadas para reforçar capital principal.


… O termo de conciliação também prevê que o GDF terá de adotar medidas de ajuste fiscal como contrapartida para viabilizar o socorro ao BRB e estabelece que recursos recuperados de atos ilícitos ligados ao caso serão direcionados para liquidar a operação de auxílio ao banco.


… Apesar do avanço das negociações, interlocutores envolvidos nas tratativas afirmam que a solução ainda está longe de ser concluída e depende da avaliação econômica e jurídica do FGC e das instituições financeiras que participariam do consórcio.


… Uma nova reunião entre União, GDF, Banco Central, AGU e BRB está marcada para amanhã, quinta-feira, no STF, enquanto a CAE do Senado aprovou convocação do presidente do banco, Nelson de Souza, para depor sobre a crise na próxima semana.


ESCALA 6X1 – O presidente da comissão especial, deputado Alencar Santana (PT-SP), afirmou que a PEC será votada no colegiado nesta quarta-feira, às 10h, e, segundo o presidente da Câmara, Hugo Motta, o texto pode ir ao plenário já amanhã, quinta-feira.


… O avanço acelerado da proposta provocou reação do setor produtivo, que passou a pressionar por mais tempo de discussão e criticou a condução do debate. Representantes empresariais reuniram-se ontem com Davi Alcolumbre.


… Alertando para impactos sobre emprego, produtividade e competitividade, disseram que a mudança tem caráter “eleitoreiro”.


… O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, criticou a tramitação da proposta na Câmara e afirmou que o tema está sendo tratado de forma “irresponsável” e “açodada”. Segundo ele, a discussão mistura jornada semanal e modelo de escala.


… Afirmando que a proposta ignora diferenças entre setores, defendeu que mudanças continuem sendo tratadas por negociação coletiva.


… No Senado, parlamentares avaliam que Davi Alcolumbre não deve travar a tramitação da PEC, diante da pressão eleitoral em torno do tema e da proximidade das eleições de outubro, mas o período de transição para as novas normas pode voltar à pauta.


CURTAS DA POLÍTICA – Mais duas pesquisas eleitorais para a disputa presidencial serão divulgadas hoje, do site Jota e Indexa (10h).


AÉCIO. O PSDB e o Cidadania formalizaram convite para que Aécio Neves dispute novamente a Presidência da República em 2026. O deputado afirmou estar “disposto” e “preparado” para a candidatura, embora tenha evitado confirmar decisão definitiva neste momento.


MOVE BRASIL. CMN aprovou mudanças nas regras do programa, ampliando de 60 para 120 meses o prazo de financiamento para renovação da frota de ônibus e micro-ônibus. Segundo a Fazenda, a medida busca reduzir o valor das parcelas.


PROFESSORES. O Senado aprovou ontem reajuste de 5,4% no piso salarial dos professores da educação básica da rede pública, elevando o valor para R$ 5.130,63. O texto também redefine a fórmula de reajuste do piso com base na inflação e na evolução das receitas do Fundeb.


COMBUSTÍVEIS. Projeto que cria mecanismo de compensação tributária para reduzir o impacto da alta dos combustíveis deve ser votado hoje…


… O texto permite usar receitas extraordinárias do petróleo para compensar reduções de tributos federais sobre combustíveis fósseis, em meio ao choque provocado pela guerra no Oriente Médio…


… O relatório preserva vantagens tributárias para biocombustíveis, flexibiliza regras de compensação de créditos de PIS/Cofins para o etanol e obriga o governo a demonstrar o impacto das medidas nas contas públicas.


MAIS AGENDA – A quarta-feira traz como destaque o IPCA-15 de maio, em meio à tentativa do mercado de medir até que ponto o alívio da gasolina consegue compensar a pressão persistente dos núcleos de inflação, em um ambiente contaminado pelo choque do petróleo.


… O IBGE divulga o indicador às 9h e a mediana das Projeções Broadcast aponta desaceleração para 0,56% em maio, após alta de 0,89% em abril, enquanto a taxa acumulada em 12 meses deve subir para 4,59%, acima do teto da meta.


… A expectativa é de descompressão relevante em Transportes, puxada pela queda da gasolina, mas com pressão ainda importante em alimentação, energia elétrica e principalmente nos serviços – forte preocupação do Banco Central.


… A média dos núcleos deve desacelerar apenas marginalmente, de 0,47% para 0,46%, reforçando a percepção de inflação qualitativamente ainda desconfortável para o Copom seguir com o ciclo de flexibilização monetária.


… Economistas destacam que serviços subjacentes, alimentação fora do domicílio e itens intensivos em mão de obra seguem pressionados, enquanto a alta do petróleo e o risco de prolongamento da guerra no Oriente Médio mantêm o viés inflacionário no radar.


… Às 14h30, o Banco Central divulga o fluxo cambial semanal e o Tesouro apresenta o relatório mensal da dívida pública de abril.


LULA – Na agenda corporativa, o presidente participa no Amazonas de evento da Petrobras e da Transpetro para o anúncio de investimentos de R$ 2,8 bilhões no Estado até 2030, incluindo retomada de aportes em Urucu.


NO EXTERIOR – A agenda de indicadores é mais esvaziada, mas investidores acompanham a conferência do Banco do Japão, que reúne dirigentes do Fed, BCE, BoE e FMI em Tóquio, com a participação de Philip Jefferson, Austan Goolsbee, Lorie Logan e Lisa Cook.


JAPÃO – Em discurso preparado para a conferência do BoJ, o presidente do BC japonês, Kazuo Ueda, alertou na noite de ontem que os choques de energia causados pelo petróleo podem se espalhar pela inflação subjacente.


… Segundo ele, um impacto inicialmente temporário pode se tornar duradouro e se propagar pela economia, ao afetar salários, expectativas e preços. Os comentários acontecem a três semanas da próxima decisão de juros.


TODO DIA ELE FAZ TUDO SEMPRE IGUAL – Quando o mercado acha que um acordo de paz está a um triz de sair, Trump ou o Irã dão um jeito de baixar a convicção sobre um desfecho próximo da guerra de quase três meses.


… O otimismo voltou a ser colocado à prova pelos ataques pontuais dos americanos contra lançadores de mísseis do Irã, interpretados como “flagrante violação” do cessar-fogo pelo Teerã: “nenhuma agressão ficará sem resposta”.


… A piora na percepção de risco sobre a guerra puxou o petróleo Brent novamente para perto dos US$ 100, com o barril para entrega em julho escalando 3,58%, para US$ 99,58, e resgatando o receio do choque sobre a inflação.


… Antes de o conflito estourar, no fim de fevereiro, a estimativa para a Selic terminal rodava em torno de 12%, mas de lá para cá o estresse foi tanto, que agora a aposta majoritária no mercado financeiro é de 14% no final do ano.


… Só cresce a sensação de que a taxa básica ficará mais alta por mais tempo para acomodar o efeito inflacionário da guerra. Ontem, o Citi elevou a previsão para a Selic deste ano (13,25% para 13,75%) e IPCA de 2027 (3,7% para 3,9%).


… Segundo o banco, o Copom elevou o tom hawkish em sua comunicação no último encontro de política monetária, em abril, destacando ainda um processo de desancoragem das expectativas de inflação em horizontes mais longos.


… Na avaliação do Citi, os subsídios do governo envolvendo os preços dos combustíveis podem limitar o impacto no consumidor no curto prazo, mas não reduzem a tendência de inflação acima da meta no médio e longo prazos.


… Ouvido pelo Broadcast, o economista-chefe da Porto Asset, Felipe Sichel, advertiu que o câmbio, que até aqui vinha funcionando como um importante aliado para o alívio da inflação, pode virar um ponto de incerteza.


… “O câmbio já não está conseguindo performar tão bem. O dólar acima de R$ 5 deixa de ser um fator positivo.”


… O que se tem notado nos últimos dias é que o real mudou um pouco o padrão e já não tem conseguido faturar tanto quanto antes as investidas de alta do petróleo. O dólar completou ontem seis pregões acima de R$ 5,00.


… Os sinais renovados de tensão no Oriente Médio levaram a moeda a subir de leve (+0,17%), cotada a R$ 5,0274.


… De olho na inflação, os juros futuros corrigiram parte da queda da véspera: Jan/27 subiu a 14,065% (de 14,006%); Jan/28, 13,835% (13,698%); Jan/29, 13,815% (13,674%); Jan/31, 13,895% (13,801%); e Jan/33, 13,970% (13,899%).


MUNDO À PARTE – Em Nova York, o boom da Inteligência Artificial falou mais alto do que a cautela com a guerra e o medo de que o Fed antecipe uma alta do juro para dezembro, garantindo recordes históricos do S&P 500 e Nasdaq.


… O setor de tecnologia voltou a brilhar: Micron disparou 19,29% e atingiu a marca de US$ 1 trilhão em valor de mercado, depois de o UBS triplicar o preço-alvo para a fabricante de chips de memória, de US$ 535 para US$ 1.625.


… O novo target representa valorização de aproximadamente 115% em relação ao fechamento de sexta-feira. Outra estrela do dia foi a Qualcomm, que saltou 4,48%, após fechar acordo com a dona do TikToK para fornecer chips de IA.


… Na volta do feriado do Memorial Day, o Nasdaq avançou 1,19%, aos 26.656,18 pontos, e o S&P 500 subiu 0,61%, para 7.519,12 pontos. Só o Dow Jones fechou em baixa, de 0,23%, mas segue acima dos 50 mil pontos (50.461,68).


… Descolado do otimismo de Wall Street com as gigantes de tecnologia, o Ibovespa reproduziu o perigo da interrupção da trégua entre os Estados Unidos e o Irã. Caiu 0,69%, a 176.589,03 pontos, com giro de R$ 22,4 bilhões.


… Os bancos corrigiram o rali da véspera. BB ON caiu 2,49% (R$ 21,11), Bradesco PN perdeu 1,27% (R$ 17,84), Itaú PN registrou queda de 0,64% (R$ 40,06), Santander unit recuou 1,16% (R$ 27,32) e BTG unit, -0,72% (R$ 55,50).


… As ações da Vale também recuaram (-0,62%; R$ 83,07), em dia de queda firme do minério de ferro (-1,95%).


… O desempenho da bolsa só não foi pior em razão das ações da Petrobras (ON, +0,41%, a R$ 48,89; e PN, +0,09%, a R$ 43,44), sustentadas pelo petróleo, ainda que tenham mostrado fôlego reduzido, comparadas à commodity.


… Apesar de os novos ataques no Oriente Médio terem relembrado a onda inflacionária, os juros dos Treasuries voltaram do feriado em queda: Note de dois anos a 4,042% (de 4,122%) e de 10 anos, a 4,493% (de 4,559%).


… No câmbio, o dólar reprecificou os riscos e subiu contra suas três principais moedas rivais. O iene caiu a 159,32/US$, o euro teve queda marginal de 0,05%, para US$ 1,1635, e a libra perdeu 0,38%, a US$ 1,3451.


CIAS ABERTAS NO AFTER – PETROBRAS afirmou que não há decisão ou informação relevante relacionada ao terreno da Refit…


… A manifestação ocorreu após questionamento da CVM sobre reportagem envolvendo possível desapropriação da área da antiga refinaria de Manguinhos.


AZUL. A companhia informou que terá ADSs listadas na Nyse American a partir de 1º de junho. A empresa reiterou expectativa de migrar para a New York Stock Exchange em julho, após saída do mercado OTC.


USIMINAS. A BlackRock passou a deter participação equivalente a 9,8% das ações preferenciais da companhia, incluindo derivativos.


ONCOCLÍNICAS. A companhia negou proposta concreta de aporte de R$ 500 milhões, mas confirmou que avalia internamente eventual recuperação extrajudicial…


… A empresa afirmou que mantém conversas preliminares com credores conduzidas pela BR Partners.


CEMIG. A Aneel aprovou reajuste médio de 6,5% nas tarifas da Cemig-D, com vigência a partir do dia 28…


… Já a proposta de revisão tarifária da CELESC-D prevê alta média de 11,77% e entrará em consulta pública.


ORIZON. A companhia aprovou a 9ª emissão de debêntures, no valor de R$ 150 milhões.


BANCO DO NORDESTE. O banco fechou acordo com a Tokio Marine para distribuição de seguro residencial híbrido, sem exclusividade.

Bankinter Portugal Matinal

 Análise Bankinter Portugal 


NY +0,6% US tech +1,7% US Semis +5,5% UEM -1,1% España -0,5% VIX 17% Bund 2,98%. T-Note 4,49%. Spread 2A-10A USA=+45pb B10A: ESP 3,40% PT 3,34% ITA 3,70% FRA 3,66% Euribor 12m 2,78% (fut.12m 3,071%) USD 1,164 JPY 185,3 Ouro 4. 508$. Brent 99,6$. WTI 93,9$. Bitcoin -1,6% (76.001$). Ether -1,5% (2.076$). 


:: SESSÃO: Deverá vir marcada por um tom de consolidação. Não há, por agora, novidades decisivas na frente geoestratégica, embora o mercado continue pendente da possibilidade de um acordo entre o Irão e os EUA, que ajudaria a estabilizar ainda mais o preço do petróleo e a reduzir parte da incerteza recente. Com o petróleo bruto a movimentar-se perto dos 100$/barril e as yields ainda contidas, com o Bund <3,0% e o T-Note <4,50%, o mais provável é que as bolsas se movam hoje sem uma direção especialmente definida, numa sessão mais de espera do que convicção. 


A agenda macro do dia tem pouca capacidade para mudar o rumo. Após a decisão do RBNZ em manter taxas de juros (2,25%), em linha com o esperado, e umas referências asiáticas sem demasiada leitura para o mercado global, a atenção continuará no PCE americano de amanhã e nas inflações preliminares europeias de sexta-feira.


Neste contexto, e depois de uma sessão, ontem, em que Wall St. voltou a apoiar-se na força da tecnologia e dos semis para continuar a marcar máximos, dá a sensação de que o mercado entra numa fase mais exigente. A realidade é que as avaliações começam a estar mais questionadas e que, a partir destes níveis, já não basta inércia positiva para continuar a avançar com a mesma facilidade. O mercado já descontou uma temporada de resultados claramente melhor do que o esperado e também assumiu que a macro resistiu mais do que o esperado. Por isso, a secção em alta seguinte precisa de novos catalisadores que permitam justificar múltiplos mais exigentes e sustentar avanços das bolsas sem que a fragilidade do movimento aumente. 


O mais razoável seria uma fase de consolidação dos níveis alcançados. Não terá de ser interpretado como um sinal negativo, mas como um ajuste saudável após uma subida intensa e focada em alguns setores muito concretos. Para que o mercado possa retomar uma tendência em alta mais sólida, seria desejável um reajuste adicional nas expetativas de inflação, de forma às obrigações poderem respirar um pouco e as yields relaxarem. Esse movimento seria especialmente importante, porque permitiria aliviar a pressão sobre umas avaliações que, em determinados segmentos, voltam a exigir bastante perfeição em crescimento e lucros. 


FIM

Xico Graziano

 Minha mãe Ignez, 96 anos, perguntou-me outro dia, ao visitá-la em Araras (SP): “Como faço para saber se aquilo que a gente lê na internet é verdadeiro ou falso?”.

Tomei como exemplo um fato ocorrido recentemente na Argentina. Um açougueiro da cidade de Trelew, situada a 1.300 km de Buenos Aires, na Patagônia, teve a ideia de vender carne de burro. Preparou uns cortes, fez uma linguiça e, com ajuda de um pequeno restaurante, divulgou a novidade. O preço, barato, menos da metade da carne bovina, agradou. Vendeu 500 kg em 2 dias.

Alguém, malicioso, politizou o sucesso da iniciativa. Escreveu na rede social que o governo de Javier Milei tinha empobrecido o povo, levando os argentinos a abandonarem a parrilha, substituindo-a pela carne de burro para sobreviver. Culpa da direita. Viralizou.

Irritada, a Casa Rosada, sede do governo federal, utilizou seu perfil “Escritório de Resposta Oficial” no X para esclarecer que a notícia sobre a carne de burro refletia um caso isolado na Patagônia. Não tinha nada a ver com a política econômica. A polêmica correu a nação. Estava em jogo a imagem do país.
O assunto repercutiu no Brasil. No ambiente polarizado e tóxico do debate nacional, o burro argentino serviu de estopim para a guerra de narrativas entre os extremos. O ICL (Instituto Conhecimento Liberta), ligado à esquerda, tendo como sócio o influencer Felipe Neto, publicou em manchete: “Argentinos recorrem à carne de burro contra a fome durante crise econômica no país”.

O pessimismo provocado pela notícia se chocava com o otimismo dos índices econômicos, conforme mostrado por relatório do Banco Mundial. O equilíbrio das contas públicas e a forte queda da inflação traziam sinais de prosperidade no país. Em resumo: combatendo o caos populista, o governo Milei tem conseguido o milagre de salvar a Argentina.

Se você ler a história completa saberá que é simplesmente mentira que o consumo de carne de burro tenha estourado na Argentina. Na realidade lá ocorreu, como também no Brasil, uma forte elevação no preço da carne bovina.

O consumo doméstico de carnes na Argentina, somando o conjunto delas –avícola, suína e bovina– cresceu 3,85% em 2025, situando-se ao redor de 115 kg/hab/ano. Está acima do consumo médio per capita brasileiro, de 100 Kq/hab/ano. A carne bovina, entretanto, cedeu espaço às demais carnes na Argentina, caindo perto de 5 kg per capita/ano.

Tenha apreço pelo saber. E tome muito cuidado com a desinformação. Pesquise sempre a FONTE da informação.
(https://lnkd.in/dTDHwjSb)

Minerva fechando capital

 https://oglobo.globo.com/blogs/capital/post/2026/05/com-acoes-em-queda-minerva-foods-volta-a-avaliar-fechar-capital-na-bolsa.ghtml *Com açõ...