*Estadão: Fazenda afasta delegado tributário por elo com 'fura-fila' do ICMS*
Por Fausto Macedo e Felipe de Paula
São Paulo, 02/04/2026 - A Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo afastou o delegado Rodrigo Rodrigues Cuoco do comando da Delegacia Regional Tributária do ABCD paulista (DRT-12). Na carreira desde 2006, Cuoco havia sido alvo, em 26 de março, da Operação Fisco Paralelo, que investiga pelo menos 20 auditores fiscais por suposta ligação com um esquema “fura-fila” do ICMS.
Segundo a investigação, o grupo favoreceria grandes redes de varejo e atacado com a restituição antecipada de créditos tributários em troca de propina. A Secretaria da Fazenda informou que, “no contexto das providências adotadas, houve cessação de designação do cargo de delegado do servidor referido, o qual já se encontra afastado e com procedimento instaurado pela Corregedoria da Fiscalização Tributária, órgão correcional competente”. O Estadão pediu manifestação do auditor por meio da secretaria, mas não obteve retorno.
O cargo de delegado é o topo da carreira dos fiscais. Baseado em São Bernardo do Campo, Cuoco supervisionava a fiscalização também nas cidades de Mauá, Ribeirão Pires, Diadema, Rio Grande da Serra, Santo André e São Caetano.
Com o afastamento, ele deixa de receber vantagens do cargo que ocupava desde 2025, como a gratificação de representação. Cuoco continuará ganhando duas parcelas do salário maiores do que as de seus colegas - o prêmio de produtividade e o pró-labore -, mas em valores menores no bruto. O afastamento foi decretado pela Diretoria Geral Executiva da Administração Tributária (Deat).
MENTOR. Mensagens localizadas em um celular do auditor Artur Gomes da Silva Neto indicam o envolvimento de Cuoco nas fraudes, segundo os promotores do Grupo de Atuação Especial de Repressão aos Delitos Econômicos (Gedec), do Ministério Público Estadual.
Silva Neto é apontado como o mentor do “fura-fila”, esquema que teria rendido, desde 2022, pelo menos R$ 1 bilhão em propinas de empresas credoras de ICMS-ST (Substituição Tributária). Ele foi preso em agosto do na Operação Ícaro, origem da Fisco Paralelo.
Um contato por mensagem de aplicativo de Rodrigo Cuoco com Silva Neto, recuperado pelos investigadores, ocorreu por meio do irmão do delegado do ABCD afastado, Diogo Cuoco. “Diogo é quem inicia os contatos por meio do WhatsApp com Artur Gomes da Silva Neto. E, muito embora logo a dupla migre para o aplicativo Wickr, as conversas sugerem que Artur (Silva Neto) precisa fazer repasses a Rodrigo Rodrigues Cuoco”, dizem os promotores.
A quebra telemática identificou a venda de créditos de ICMS-ST de uma gigante de materiais de construção, “obtidos de maneira fraudulenta”, para uma coligação de cervejarias. O agente que deu visto nas notas, no total de R$ 8 milhões, foi Rodrigo Cuoco. “Existem evidências que apontam o envolvimento de Rodrigo Rodrigues Cuoco na corrupção relacionada ao ressarcimento de ICMS-ST”, afirmam os promotores.
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