sexta-feira, 3 de abril de 2026

Fraude na Malásia e Brasil

 *Fraude bilionária do governo da Malásia vira disputa na Justiça brasileira*


01/04/2026 14h59


Uma fraude bilionária na Malásia, que provocou o maior escândalo político recente do país, virou alvo de disputa na Justiça brasileira, com trocas de acusações entre o banco BTG Pactual e uma empresa de consultoria.


O caso tem origem no escândalo do 1MDB, fundo do governo malaio lesado em US$ 4,5 bilhões entre 2009 e 2015 por investimentos fraudulentos. A investigação levou à prisão de Najib Razak, ex-primeiro-ministro malaio.


Razak foi condenado por corrupção, acusado de ter recebido 647 milhões de euros em suas contas, recursos desviados do fundo do governo.


Em janeiro, a Justiça mandou o BTG abrir os documentos que tem sobre o caso para os executivos da Kroll, consultoria que representa as empresas que estão tentando recuperar os ativos desviados no esquema.


Procurado, o BTG Pactual não se pronunciou sobre o assunto.


Parte dos desvios foram operacionalizados pelo banco suíço BSI (Banca della Svizzera Italiana), que tinha a custódia de contas de uma subsidiária do 1MDB nas Ilhas Virgens Britânicas, chamada Brazen Sky.


A Brazen Sky é uma das ramificações em offshores e paraísos fiscais que possibilitaram os desvios do 1MDB, segundo indica a investigação na Malásia.


*Banco comprado pelo BTG*


O desdobramento no Brasil acontece agora porque, em 2014, o BTG Pactual comprou o banco suíço BSI por cerca de 1,5 bilhão de francos suíços.


Dois anos depois, em meio ao escândalo, a instituição financeira foi vendida do para o EFG International por 1,33 bilhão de francos suíços. Nessa operação, o BTG também se tornou acionista minoritário do EFG.


No contrato de venda do BSI, havia uma previsão de que o BTG indenizaria o comprador por passivos ligados ao escândalo 1MDB.


Por conta da investigação malaia, o BTG pagou ao EFG uma reversão de lucros de R$ 340 milhões e uma multa de R$ 33 milhões, segundo a revista Exame.


*Pedido de documentos*


Os executivos da Kroll que tentam reaver os recursos dos cofres públicos malaios pediram no TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) que o BTG enviasse todos os documentos e informações que tem sobre a atuação do BSI no período em que foi dono do banco.


O BTG, porém, diz que a legislação brasileira não embasa esse tipo de pedido, já que a Brazen Sky nunca teve ativos, passivos, estabelecimento ou credores no Brasil, e que o reconhecimento da liquidação é descabido sem esse vínculo.


Segundo o banco, os precedentes citados pela representante da empresa das Ilhas Virgens são de casos em que o devedor tinha bens no país.


O BTG acusa as requerentes de quererem uma devassa indiscriminada nos seus documentos sem demonstrar relação jurídica direta, o que configuraria "pescaria probatória" (fishing expedition), e não pedido legítimo de cooperação.


Em janeiro, porém, um juiz do TJ-SP aceitou o pedido da Brazen e determinou que BTG entregasse os documentos em 10 dias, incluindo informações sobre cláusulas de indenização relativas ao 1MDB.


Em 23 de março, o BTG questionou essa obrigação e pediu que a decisão seja reconsiderada. Ainda não há uma manifestação definitiva do Judiciário sobre o caso.


Em suas últimas manifestações, os executivos da Kroll argumentaram que a lei brasileira não exige ativos no Brasil para o reconhecimento de processo estrangeiro e acusaram o BTG de descumprir decisão judicial.


A lei brasileira diz que, após o reconhecimento de um processo estrangeiro principal, somente se iniciará no Brasil um processo de recuperação judicial, de recuperação extrajudicial ou de falência se o devedor possuir bens ou estabelecimento no país.


A controvérsia está na interpretação desse texto. A Kroll pediu apenas o reconhecimento do processo, e, para isso, diz que não é necessário haver bens ou estabelecimento.


Para a liquidante da Brazen Sky, a existência da cláusula para compensar as perdas do BTG Pactual é uma demonstração de que o banco sabia das contingências relacionadas às fraudes em 2016.


Em outubro, o MP-SP (Ministério Público de São Paulo) se manifestou a favor da posição da Brazen Sky e defendeu que os documentos sejam fornecidos.


Reportagem



Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.


https://noticias.uol.com.br/colunas/natalia-portinari/2026/04/01/fraude-bilionaria-do-governo-da-malasia-vira-disputa-na-justica-brasileira.htm

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