segunda-feira, 18 de maio de 2026

Fabio Graner

 Disparada do petróleo deve gerar receita extra de R$ 40 bilhões ao governo em 2026


Estimativa considera cenário conservador. Número efetivo que vai entrar no relatório bimestral desta semana ainda estava sendo fechado, mas Executivo quer cautela para evitar aumento de pressões setoriais, como do agro


Por 


Fabio Graner


 — Brasília


18/05/2026 04h01  Atualizado agora


Em um cenário mais conservador, o governo Lula enxerga um aumento de arrecadação da ordem de R$ 40 bilhões neste ano por conta da alta petróleo. O número efetivo que será considerado no relatório bimestral de receitas e despesas ainda estava sendo fechado e pode ser diferente.


O certo é que a arrecadação já está subindo por conta da alta da commodity e deve ter um ganho relevante no ano. Uma ala do governo entende que o melhor nesse momento é trabalhar com projeções mais cautelosas no lado da arrecadação. Um dos motivos é evitar uma percepção ilusória de conforto fiscal, especialmente no Congresso, mas também no próprio governo.


O temor é de que haja uma leitura de que o governo teria folga arrecadatória, elevando pressões para o uso imediato desse dinheiro por alguns setores, como o agronegócio. Além disso, interlocutores destacam a necessidade de se considerar que o país tem uma meta fiscal que ainda é desafiadora mesmo com o incremento de receitas do petróleo e que é preciso considerar que o país pode precisar de novas ações para mitigar os impactos da guerra sobre a inflação.


Um prolongamento da guerra até o fim do ano – risco que, como o GLOBO mostrou, está no radar da equipe econômica – pode fazer o governo consumir mais recursos do que já estão previstos com as medidas anunciadas até o momento.


Quando anunciou a nova subvenção para a gasolina, o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, disse que o impacto das medidas até agora anunciadas, em dois meses, é da ordem de R$ 13 bilhões. Mas os valores podem rapidamente superar os R$ 30 bilhões se durarem mais de quatro meses, que era o cenário base inicial do governo. Mas com o prolongamento do conflito, esse cenário já tem sido colocado em dúvida no próprio Executivo e pode implicar um volume maior de gastos ou renúncias de receitas.


O relatório bimestral de receitas e despesas será divulgado na próxima segunda-feira, dia 24. O documento, conforme antecipou ao GLOBO a secretária de política econômica, Débora Freire, deve mostrar um aumento da projeção de inflação para 2026, atualmente em 3,7%, mas ainda dentro do limite de tolerância, de 4,5%.


Além dos impactos mais diretos, que o governo tem buscado mitigar, o choque do petróleo tem efeitos indiretos importantes sobre setores como o de alimentos por conta da alta de insumos e os problemas logísticos gerados pelo conflito no Oriente Médio.


Nesse contexto, o próprio governo já está conformado com um cenário de queda a conta gotas e ciclo mais curto de corte dos juros, dados os riscos inflacionários.

CA Sardenberg

 DOS MELHORES TEXTOS QUE TENHO LIDO. NAO PERCAM, AMIGOS QUERIDOS.


Carlos Alberto Sardenberg

Quando um ministro caía por US$ 830

Hoje, quando apanhado, o corrupto se declara vítima. Quando não tem mais jeito de negar, vai para a delação premiada

18/05/2026 00h05  


Estamos em 1993, o presidente da República é Itamar Franco, e seu ministro da Fazenda é Eliseu Resende. Vaza a informação de que Resende recebera vantagens impróprias de uma empreiteira durante viagem a Nova York. Itamar o demite. A empreiteira era a Andrade Gutierrez, que pagara uma conta de hotel de Resende. Valor: US$ 830!


. O ministro, técnico respeitado, caiu por aceitar uma cortesia de

 míseros US$ 830. E mais: a viagem havia sido feita antes de Resende assumir o Ministério da Fazenda. Em dinheiro de hoje, esse valor paga uma diária no hotel Península de Londres, onde algumas autoridades se hospedaram por alguns dias, comeram e beberam por conta de Daniel Vorcaro. E acharam tudo muito normal.


Outra do Itamar. Seu ministro-chefe da Casa Civil era Henrique Hargreaves, amigo de absoluta confiança. No Congresso, estava em andamento a CPI do Orçamento, e ali apareceram denúncias de que Hargreaves recebia dinheiro “por fora”. Eram suspeitas, mas Itamar resolveu afastá-lo até que se provasse sua inocência. O golpe foi tão pesado que Hargreaves sofreu um infarto. Sobreviveu, provou-se a inocência, e ele voltou ao cargo.


Há duas lições aqui. Primeira, a suspeita ou, como alguns diriam, a “simples” suspeita é, sim, causa de afastamento do serviço público. Segunda, um homem honrado pode literalmente morrer de vergonha quando envolvido em denúncias de corrupção.


Hoje, quando apanhado, o corrupto imediatamente se declara inocente, vítima de injustiças e perseguições. Quando não tem mais jeito de negar, vai para a delação premiada. Entrega, confessa, mas para salvar alguns trocados que garantam uma boa vida e — quem sabe? — a volta aos negócios. Já aconteceu com muitos que foram apanhados pela Operação Lava-Jato e hoje estão por aí, na boa, negociando com governos.


Itamar sucedia a Fernando Collor, que sofrera impeachment por causa de grossa corrupção. Ainda assim, na casa dos milhões. Na Lava-Jato, os valores do dinheiro roubado chegaram aos bilhões. No caso Vorcaro, dezenas de bilhões. Pode-se dizer que foram em vão os exemplos deixados por Itamar Franco.


No público, a impressão é que a roubalheira é generalizada em todos os governos, de Brasília aos municípios.


— A cada dia que passa, temos a sensação de que a corrupção tomou conta do país; não há o que fazer: sofremos de uma doença incurável — escreveu na revista Veja a economista Maria Cristina Pinotti, sem dúvida a maior autoridade no estudo dos impactos da corrupção na sociedade.


Para ela, entretanto, a doença não é incurável. A cura é difícil, mas absolutamente necessária para que o país escape dessa situação de baixo crescimento e enorme desigualdade. A sensação de roubalheira geral é disruptiva. Imagine o cidadão comum, que entrega em dia sua declaração de IR, paga os impostos e todo dia toma conhecimento de algum episódio de roubo de dinheiro público, o dinheiro que ele pagou. Por que pagar de novo?


O empresário honesto se vê numa competição desleal. O concorrente ganha os contratos não por ser mais eficiente, mas por dispor dos melhores contatos nos governos. As obras são feitas e os serviços prestados não para buscar o bem comum, mas porque dão mais dinheiro para alguns. Como escapar dessa situação? Pela atuação civil das pessoas honestas, pelo trabalho de instituições sérias e pelo apoio a políticos e servidores sérios.


Pinotti sugere o caminho. Primeiro, avaliar o tamanho da corrupção — tarefa obviamente difícil, mas que pode ser cumprida por boas pesquisas e análises dos gastos públicos. A partir daí, é necessário reformar a legislação penal, para redefinir o crime de corrupção e as penalidades. Para isso, claro, precisamos do Poder Legislativo. E, para aplicar uma nova legislação, precisamos da ação do Judiciário.


Imagino a sensação de desânimo do leitor... mas é nesses Poderes que encontramos corrupção. Pois é. Ninguém disse que é fácil. Mas a Itália conseguiu. E sempre temos o voto. Quem sabe nos aparece um novo Itamar.OS MAIS IMPORTANTES TEXTOS QUE TENHO LIDO, ULTIMAMENTE ! NAO PERCAM, AMIGOS QUERIDOS.

Bankinter Portugal Matinal

 Análise Bankinter Portugal 


NY -1,2% US tech -1,5% US Semis -4% UEM -1,8% España -1,1% VIX 18,4% Bund 3,17%. T-Note 4,62%. Spread 2A-10A USA=+52pb B10A: ESP 3,62% PT 3,54% ITA 3,92% FRA 3,97% Euribor 12m 2,815% (fut.12m 3,1543%) USD 1,162 JPY 184,7/€ 159,0/$. Ouro 4. 536$. Brent 110,8$. WTI 107,2$. Bitcoin -5,5% (76.896$). Ether -7,8% (2.118$). 


:: SESSÃO. Forte sofrimento nas obrigações por um receio renovado da inflação com base nos Preços Industriais elevados no Japão, na sexta-feira (+4,9% vs. +2,9%) e posterior aumento do petróleo, que arranca a semana em ca.110 $/b (Brent). Provavelmente será uma sessão complicada. Por isso, o USD aprecia-se até 1,162/€ e as criptos caem com força, visto que são o melhor indicador da aceitação de risco ao serem ativos puramente especulativos. Mas é provável que a semana evolua de menos a mais.


Esta semana gostaríamos que as bolsas descansassem e consolidassem, algo provável após o aumento do petróleo. Defendemos que o risco de inflação e taxas de juros superiores derivados de um petróleo mais caro pela guerra no Irão/Ormuz irá traduzir-se apenas num dano reduzido sobre o ciclo económico, num contexto de excelentes resultados empresariais.


O resultado da reunião/negociação entre Trump e Xi Jinping reduz o nível de risco percebido pelo mercado e parece bastante favorável para as bolsas: China apoia que o Irão não deve construir armamento nuclear e que ninguém deve pagar-lhe passagem para atravessar Ormuz e, em troca, os EUA permitem alguma transferência de tecnologia à China (Trump autoriza 10 empresas chinesas a comprar o chip H200 de Nvidia, que não é de última geração). Mas, talvez o mais importante de uma perspetiva geoestratégia seja que a China não realize nenhum gesto de apoio efetivo ao Irão (nem, claro, à Venezuela), porque isso indica que o bloqueio China/Rússia/Coreia do Norte/Irão/Venezuela se decompõe. E, se assim for, a hegemonia americana debilita-se notavelmente.


Esta semana será publicada macro de importância média que devemos analisar (na quinta-feira, PMIs; na sexta-feira, Indicador Adiantado americano e IFO Clima Empresarial na Alemanha), mas a protagonista será Nvidia, visto que publica resultados na quarta-feira após o fecho de Nova Iorque (EPS esperado 1,759$; +83,2%). O mercado costuma ser exigente com os seus resultados e expetativas, atribuindo-lhe uma importância desproporcional a qualquer aspeto que pareço um pouco menos sólido do que o esperado, forçando uma correção do valor quando isto acontece. Se for este o caso esta semana, consideramos uma oportunidade para assumir posições a preços mais atrativos, como quando isto aconteceu anteriormente. 


:: CONCLUSÃO. Temos mais receio da inflação e subida do petróleo, mas menos risco geoestratégico, sólidos lucros empresariais e ciclo económico mais resistente do que o esperado, portanto, é provável que a semana arranque com um impasse, mas que evolua de menos a mais e nos dê a oitava semana consecutiva em alta em Nova Iorque… embora preferíssemos que descansasse e consolidasse.


FIM

BDM Matinal Riscala

 *Rosa Riscala: Ormuz, Nvidia e eleição desafiam mercado*


A tentativa de reorganização parcial da passagem de navios pelo estreito ajuda a evitar um cenário de colapso imediato da oferta, mas mantém o risco inflacionário no centro das atenções


… O mercado inicia a semana ainda preso à combinação de guerra, petróleo elevado, futuros de Nova York em queda firme e juros globais pressionados, enquanto Trump endurece o discurso contra o Irã e tenta mostrar que Washington mantém algum controle sobre o fluxo em Ormuz. A tentativa de reorganização parcial da passagem de navios pelo estreito ajuda a evitar um cenário de colapso imediato da oferta, mas mantém o risco inflacionário no centro das atenções. Em paralelo, a crise envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro segue contaminando a leitura eleitoral no Brasil, embora o Datafolha ainda não tenha captado desgaste para o senador. A agenda da semana traz IBC-Br, ata do Fed, PMIs globais e o balanço da Nvidia.


GUERRA – O mercado inicia a semana ainda sob forte tensão no Oriente Médio, após Donald Trump endurecer novamente o discurso contra o Irã e afirmar que “o tempo está se esgotando” para Teerã aceitar um acordo.


… Em meio ao cessar-fogo frágil, os Estados Unidos e o Irã seguem distantes de uma solução para o Estreito de Ormuz, enquanto episódios recentes envolvendo infraestrutura energética no Golfo reforçam o temor de novas interrupções no fluxo global de petróleo.


… Em entrevista à Fox News, Trump afirmou que três petroleiros chineses carregados com petróleo iraniano conseguiram atravessar Ormuz nesta semana porque os Estados Unidos permitiram a passagem.


… Tenta, dessa forma, sinalizar que Washington ainda mantém algum grau de controle sobre a crise energética.


… O presidente americano também afirmou que Xi Jinping concorda que o Irã deveria reabrir o estreito, embora Pequim não tenha indicado qualquer disposição concreta de pressionar Teerã diretamente.


… O Irã, por sua vez, anunciou que prepara um novo mecanismo para administrar o tráfego em Ormuz por meio de rotas designadas, com cobrança de taxas e autorização apenas para embarcações e entidades que cooperem com o regime iraniano.


… A medida reforça a percepção de que, mesmo sem um bloqueio total, o fluxo de energia global deve continuar sujeito a restrições e custos adicionais, mantendo o petróleo em níveis elevados e a inflação no radar dos bancos centrais.


… O Brent acumula alta de cerca de 50% desde o início da guerra, enquanto o mercado segue monitorando o risco de escalada militar, após um ataque com drone provocar incêndio em uma instalação ligada ao setor nuclear dos Emirados Árabes Unidos no domingo.


… Ao mesmo tempo, fracassam os esforços diplomáticos para uma solução mais ampla.


… O Paquistão intensificou a mediação entre Washington e Teerã, mas autoridades iranianas afirmam que os Estados Unidos continuam exigindo concessões consideradas inaceitáveis, sobretudo em relação ao programa nuclear do país.


… Em Jerusalém, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que conversará com Trump para discutir os próximos passos da crise e, ainda, voltou a dizer que Israel está pronto para retomar ataques contra o Irã caso os Estados Unidos decidam abandonar as negociações.


PUTIN & XI – Em mais um sinal de reorganização geopolítica global em meio à guerra no Oriente Médio, o Kremlin confirmou que Vladimir Putin fará uma visita de dois dias à China nesta semana para se reunir com Xi Jinping, poucos dias após a passagem de Trump por Pequim.


… Segundo Moscou, os líderes devem discutir temas regionais e internacionais, além do aprofundamento da cooperação econômica entre os dois países, em um momento em que a Rússia segue cada vez mais dependente da China desde o início da guerra na Ucrânia.


ISRAEL X LÍBANO – Em outra frente, Israel e Líbano concordaram em estender por mais 45 dias o cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos, em uma tentativa de evitar nova escalada envolvendo o Hezbollah no sul do território libanês.


… O Departamento de Estado americano classificou as negociações como “altamente produtivas”, mas os dois lados seguem registrando episódios pontuais de confronto na região, mantendo o risco geopolítico elevado no Oriente Médio, mesmo após a renovação da trégua.


A CRISE NO CLÃ BOLSONARO – O fim de semana trouxe novos capítulos da crise envolvendo Flávio Bolsonaro, Daniel Vorcaro e o financiamento do filme “Dark Horse”, ampliando o desconforto político que vem pressionando os ativos domésticos.


… A PF deve abrir um inquérito específico para investigar os pedidos de dinheiro feitos por Flávio ao ex-banqueiro do Master, além de apurar se parte dos recursos enviados a um fundo sediado no Texas teria sido usada para custear a permanência de Eduardo nos Estados Unidos.


… Reportagens do The Intercept Brasil e da Folha mostraram que Eduardo figurava como produtor-executivo do filme sobre seu pai, com poder sobre decisões financeiras. Outra revelação aponta a compra de uma casa no Texas por um fundo ligado ao seu advogado de imigração.


… Após inicialmente negar participação financeira no longa, Eduardo mudou a versão e admitiu ter investido cerca de US$ 50 mil no projeto, afirmando posteriormente ter recebido os recursos de volta por meio da produtora.


… Também negou ter recebido dinheiro de Daniel Vorcaro e classificou as denúncias como uma tentativa de “assassinato de reputação”.


… Segundo o Intercept, Flávio teria solicitado US$ 24 milhões ao ex-banqueiro, dono do Master, para financiar o filme, com repasses estimados em cerca de R$ 61 milhões para estruturas ligadas ao projeto nos Estados Unidos.


… No campo político, Flávio intensificou a reação pública à crise e afirmou durante evento em Sorocaba, no fim de semana, que há um movimento para “enterrá-lo vivo”, mas garantiu que seguirá na disputa presidencial.


… O senador também fez acenos ao governador Tarcísio, chamado por ele de “meu amigo”, em meio à crise na disputa eleitoral.


… O episódio continua alimentando dúvidas no mercado sobre a viabilidade da candidatura de Flávio Bolsonaro e as chances de outro candidato da direita para enfrentar Lula e permitir eventual mudança de direção na política fiscal brasileira.


DATAFOLHA – A nova pesquisa, divulgado no sábado, mostrou que a crise envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro ainda não captou impacto relevante nas intenções de voto do senador, embora tenha ampliado o desconforto do mercado com o cenário eleitoral.


… No primeiro turno, Lula aparece com 38% das intenções de voto e Flávio, com 35%. No segundo turno, os dois seguem empatados com 45%.


… A maioria das entrevistas foi realizada entre terça-feira (12) e quarta-feira (13), antes da divulgação das reportagens do The Intercept Brasil sobre as conversas entre Flávio Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.


… O Datafolha também mostrou que Lula ampliou vantagem sobre Romeu Zema e Ronaldo Caiado em simulações de segundo turno. O presidente aparece com 46% das intenções de voto contra 40% de ambos os adversários.


… Em rejeição, Lula lidera com 47%, seguido por Flávio Bolsonaro, com 43%, enquanto Zema tem 15% e Caiado, 13%.


… Na sexta-feira, um tracking diário da Atlas divulgado pela CNN Brasil indicou que Lula abriu vantagem de 7 pontos porcentuais sobre Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno, aparecendo com 49,1% das intenções de voto, contra 42,6% do senador do PL.


… Outros trackings, encomendados por um grande banco, mostraram um resultado “desastroso” para Flávio, segundo o colunista Lauro Jardim, no Globo. Na medição deste sábado, Lula aparecia com sete pontos percentuais à frente do Zero Um.


CURTAS DA POLÍTICA – Lula lança nesta terça-feira, em SP, a linha de crédito Move Aplicativos para motoristas de aplicativos e taxistas, com a garantia do Fundo Garantidor de Investimentos, para financiamento de veículos, capital de giro e juros reduzidos.


COMBUSTÍVEIS. Na Câmara, Hugo Motta pautou para esta semana o chamado PLP dos combustíveis, que permite compensar renúncias fiscais destinadas a reduzir os impactos da guerra no Oriente Médio sobre os preços de energia.


PEC 65. No Senado, a proposta que amplia a autonomia financeira e orçamentária do Banco Central voltou à pauta da CCJ para quarta-feira, mas fontes ouvidas pela Broadcast afirmam que a tendência é de pedido de vista coletiva, adiando a votação para o dia 27.


ESCALA 6X1. Também avançou na Câmara o debate sobre o fim da escala 6×1. Emendas apresentadas à PEC propõem uma transição de dez anos para a jornada semanal de 40 horas, além de compensações às empresas, como redução da contribuição ao FGTS.


… Neste domingo, Hugo Motta defendeu publicamente a aprovação da proposta e afirmou que pretende construir um “texto de convergência” sobre o tema, com votação prevista ainda para este mês.


PENDURICALHOS. Segundo o Valor, o governo prepara um projeto para definir quais “penduricalhos” poderão seguir sendo pagos acima do teto do funcionalismo público, incluindo limites para benefícios como auxílio-moradia e auxílio-saúde para todos os Poderes.


REVISÃO DA VIDA TODA. No Judiciário, o STF manteve a decisão que derrubou a tese que ameaçava o INSS. Por 8 votos a 2, os ministros rejeitaram recursos apresentados por aposentados e reafirmaram o entendimento contrário à revisão dos benefícios.


FICHA LIMPA. O STF também deve analisar nesta semana ações que questionam mudanças aprovadas pelo Congresso na aplicação da Lei da Ficha Limpa, em julgamento com potencial impacto sobre a elegibilidade de políticos condenados.


MAIS UM CANDIDATO. No cenário eleitoral, o presidente do Democracia Cristã, João Caldas, confirmou que Joaquim Barbosa passa a ser o pré-candidato do partido à Presidência da República, substituindo Aldo Rebelo, que não pontuou nas pesquisas.


STF. Segundo o Estadão apurou, Lula disse a aliados que pretende reenviar ao Senado, antes das eleições, a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal, embora o ministro ainda trate o tema com cautela.


DELAÇÃO. Já no caso Master, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa deve apresentar em junho uma proposta inicial de delação premiada. Segundo interlocutores, a colaboração pode incluir informações sobre fluxo de recursos no Brasil e no exterior ligados às investigações.


MAIS AGENDA – A semana dos mercados combina atenção redobrada ao conflito no Oriente Médio com uma agenda importante de atividade, inflação e política monetária, em um ambiente ainda marcado pela pressão do petróleo e pela alta dos juros globais.


… No Brasil, os destaques começam já nesta segunda-feira, com a divulgação do IGP-10 (8h), Boletim Focus (8h25) e IBC-Br de março (9h).


… A mediana do Projeções Broadcast aponta recuo de 0,30% para o indicador de atividade do BC, após alta de 0,60% em fevereiro, refletindo a perda de tração dos serviços e da indústria. Apesar das vendas fortes no varejo, o volume de serviços ficou abaixo do esperado.


… Para o IGP-10 de maio da FGV, a expectativa é de desaceleração da alta para 1,11%, após avanço de 2,94% em abril, em meio ao alívio parcial observado nos preços de combustíveis e alimentos.


… Ainda na agenda doméstica, os ministérios da Fazenda e do Planejamento devem divulgar na sexta-feira o segundo relatório bimestral de receitas e despesas de 2026, enquanto a Secretaria de Política Econômica libera hoje a nova edição do Boletim Macrofiscal (16h).


… No Senado, Gabriel Galípolo participa na terça-feira de audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos, em sessão que deve voltar a discutir a atuação do Banco Central no caso envolvendo o Banco Master e o BRB.


… Já o ministro Dario Durigan está em viagem a Paris (França), para participar de reuniões laterais à cúpula do G7.


NOS ESTADOS UNIDOS – A ata da última reunião do Fed será divulgada na quarta-feira, em semana ainda marcada pelos PMIs preliminares ao redor do mundo, inflação na zona do euro e pelas expectativas de inflação da Universidade de Michigan na sexta-feira.


… O mercado também repercute os indicadores de atividade da China divulgados na noite deste domingo, que apontaram crescimento de 4,10% da produção industrial em abril e expansão de 0,20% das vendas no varejo – abaixo do esperado (+5,80% e +1,90%, respectivamente).


… Amanhã, no fim da noite, o PBoC chinês define juros das LPRs de 1 e 5 anos.


NVIDIA – Na temporada de balanços, o grande destaque internacional será a Nvidia, que divulga resultado na quarta-feira após o fechamento dos mercados em Nova York, em meio à crescente sensibilidade do setor de tecnologia às tensões entre Estados Unidos e China.


… Antes disso, Home Depot e Walmart divulgam números na terça e na quinta-feira, respectivamente, em resultados acompanhados de perto pelo mercado em busca de sinais sobre consumo, atividade e impacto da inflação nos Estados Unidos.


… Aqui, XP divulga balanço hoje, após fechamento do mercado. A temporada na B3 chegou ao fim, faltando São Martinho (25) e Raízen (29).


SESSÃO REPRISE – As revelações sobre o filme de Bolsonaro renovaram os ruídos sobre a viabilidade da pré-candidatura de Flávio, no quadro de estresse potencializado ainda pela investida do petróleo a quase US$ 110.


… O impacto persistente do choque energético sobre a inflação mudou o patamar dos Treasuries nos últimos dias, levando as taxas dos títulos longos a romperem 5% e contribuindo para botar pressão por aqui nos juros futuros.


… Segundo o Broadcast, no intervalo da última semana, a ponta mais longa da curva saltou quase 70 pontos-base, sob o efeito combinado da inflação importada pelo petróleo e da bomba eleitoral jogada pelo Intercept.


… As turbulências colocam cada vez mais à prova o espaço de corte da Selic pelo Copom. A aposta de que o juro ainda vai cair em junho continua majoritária (55%) mas vem perdendo fôlego. Na última quinta-feira, era de 65%.


… O que se vê é alguma migração para uma pausa (de 30% para 37%) no ciclo da política monetária do BC.


… Nos Estados Unidos, em uma semana, triplicou a chance de o Fed subir o juro em janeiro, para 60% (CME).


… Os juros futuros se mostraram pouco sensibilizados no último pregão à perda de ritmo da atividade econômica apontada pelos serviços do IBGE, com tombo de 1,2% em março, duas vezes pior do que o piso esperado (-0,6%).


… Segundo o economista Leonardo Costa, do ASA, é cedo para dizer que o volume de serviços entrou em tendência descendente, mas o resultado inesperadamente negativo adiciona viés de baixa ao PIB do primeiro trimestre.


… Agora, a projeção do ASA é de que a economia deve crescer 1% nos primeiros três meses, ao invés de 1,2%.


… A surpresa com o dado fraco foi ignorada pelos juros futuros, que saltaram 20 pontos-base na sexta-feira no trecho longo, para as máximas em um ano, acompanhando a disparada do dólar e dos rendimentos dos Treasuries lá fora.


… A incerteza sobre as eleições de outubro também deixaram todo mundo na defensiva.


… Lá fora, as preocupações com o cenário inflacionário global e com uma possível troca de comando no governo do Reino Unido, ampliando o risco fiscal no país, mantiveram os investidores globais avessos ao risco no último pregão.


… No fechamento, o DI para Jan/29 foi a 14,165% (de 13,976% no ajuste anterior); Jan/31, a 14,250% (de 14,057%); e Jan/33, a 14,295% (de 14,118%). O janeiro de 2027 marcou 14,235% (de 14,180%); e Jan/28, 14,135% (de 13,980%).


NO ESCURINHO DO CINEMA – O ambiente eleitoral incerto desencadeado pela reportagem sobre as ligações de Flávio e Vorcaro, além do clima de aversão ao risco global, estressaram o câmbio. Nem o petróleo caro salvou o real.


… O dólar, que vinha abaixo de R$ 5,00, ultrapassou R$ 5,05. Apesar da escalada rápida, para R$ 5,0678, em alta de 1,63%, operadores ouvidos pelo Valor não classificam o momento como uma reversão total da dinâmica recente.


… Dizem eles que, por enquanto, tudo não passa de um ajuste natural da euforia em torno do bom desempenho do real, que até aqui vem faturando o fluxo do diferencial de juros com os Estados Unidos e o petróleo em três dígitos.


… Desta vez, porém, o rali do barril não foi suficiente para transmitir a sua energia para o real. Retórica ou não, a ameaça de Trump de não ser “muito mais tolerante” com o Irã interrompeu a acomodação da commodity.


… O contrato do Brent para julho subiu 3,34%, a US$ 109,26, e acumulou uma arrancada de 8% na semana.


… Sem qualquer perspectiva concreta de que a guerra acabe logo e o petróleo pare de subir, já estão praticamente empatadas as apostas de manutenção e aperto monetário dos juros pelo Fed na primeira reunião de 2027 (janeiro).


… A reprecificação levou o dólar a subir 0,47% e a cruzar a linha dos 99 pontos (99,284). O iene recuou para 158,76 por dólar, o euro caiu 0,43%, para US$ 1,1622, e a libra perdeu 0,64% com a crise política britânica, a US$ 1,3316.


POR UM FIO – Em meio à renúncia de cinco ministros e às pressões no Reino Unido para a sua saída, o primeiro-ministro, Keir Starmer, até o momento se recusa a deixar o poder. Mas não se sabe até quando continuará resistindo.


… Neste sábado, o ex-ministro da Saúde do Reino Unido Wes Streeting confirmou que disputará a liderança do Partido Trabalhista caso seja convocada eleição para substituir o premiê. O cerco continua se fechando.


… O receio é de que a eventual troca de comando leve o governo britânico a adotar postura fiscal menos responsável, o que disparou os juros dos Gilts e pressionou as taxas dos Treasuries, já pressionadas pelo petróleo.


… O retorno da Note de 2 anos subiu a 4,079%, contra 4,013% no pregão da véspera; o rendimento do título do Tesouro de 10 anos avançou para 4,595% (de 4,481%); e o de 30 anos continuou acima de 5%, a 5,122% (de 5,029%).


… A Bloomberg informou que os ministros das Finanças devem discutir na reunião do G7, hoje e amanhã, em Paris, a onda de vendas globais de títulos do Tesouro que está elevando os rendimentos aos níveis mais altos em décadas.


… Nos Estados Unidos, como se viu, o Tesouro teve que oferecer rendimentos de 5% no pregão da última quarta-feira, pela primeira vez desde 2007, para vender títulos com vencimento em 30 anos (T-Bonds).


… No Japão, as taxas dos bônus do mesmo prazo atingiram o nível mais alto desde a sua estreia, em 1999.


… “Os retornos têm subido nos três principais mercados (EUA, Reino Unido e Japão)”, disse a ministra de Finanças japonesa, Satsuki Katayama. “Esses desenvolvimentos estão interagindo entre si e criando efeito cumulativo”.


… Segundo o Nikkei, o Banco do Japão (BoJ) avalia revisar seu plano de redução das compras de títulos públicos.


… Junto com o petróleo elevado, a arrancada dos yields dos Treasuries foi citada na sexta como justificativa que facilitou a correção dos recordes recentes das bolsas americanas. As perdas se concentraram no setor de tecnologia.


… Nasdaq caiu 1,54% (26.225,14 pontos); S&P 500, -1,24% (7.408,50 pontos); e Dow Jones, -1,07% (49.526,17).


… O Fed informou que Powell vai continuar como presidente interino até que Kevin Warsh tome posse oficialmente. Trump ainda não assinou a nomeação oficial de Warsh e não está claro quando ele será empossado.


… Aqui, mesmo com o petróleo puxando a Petrobras (ON +2,17%, a R$ 50,45; e PN +1,04%, a R$ 45,47) e mesmo com a Vale corrigindo as perdas, em alta de 0,76%, na máxima de R$ 83,50, o Ibovespa não descontou os riscos.


… A cena eleitoral e o mau humor externo derrubaram os bancos: Itaú PN perdeu 1,73%, a R$ 39,70; Bradesco ON recuou 1,16% (R$ 15,36); Bradesco PN caiu 0,84% (R$ 17,69); Santander, -0,81% (R$ 26,92); e BB, -0,29% (R$ 20,70).


… O Ibovespa caiu 0,61%, a 177.283,83 pontos. O giro no pregão com exercício de opções sobre ações ficou em R$ 32,2 bilhões. O fluxo estrangeiro continua saindo da B3. Mais R$ 1,1 bilhão vazou na última quarta-feira.


… O saldo acumulado está negativo em R$ 6,4 bilhões em maio, mas positivo em R$ 50 bilhões no acumulado do ano.


CIAS ABERTAS NO AFTER – Petrobras assinou contrato de R$ 11 bi para construir e operar quatro embarcações de apoio submarino que serão usadas em operações em águas profundas e ultraprofundas…


… As unidades serão construídas no estaleiro Navship, em Navegantes (Santa Catarina). A companhia estima que o projeto gere cerca de 7 mil empregos diretos e indiretos ao longo das etapas de construção e operação.


BB captou US$ 200 milhões com o Natixis para financiar edificações verdes.


XP discute se compra um banco nos EUA ou se inicia operação do zero, segundo Lauro Jardim/O Globo.


TELEFÔNICA BRASIL aprovou pagamento de R$ 600 milhões em JCP, equivalentes a R$ 0,18775 por ação.


COSAN recebeu ao menos oito propostas não vinculantes por fatia minoritária na Rumo, segundo o Pipeline/Valor. Entre os interessados estariam Bunge, Inpasa e o Grupo Ultra.


VAMOS homologou aumento de capital de R$ 600 milhões, com emissão de 155,8 milhões de ações a R$ 3,85 cada, e informou que BNDESPar passou a deter 65,8 milhões de ações ON, equivalentes a 5,39% do capital.


MOVIDA confirmou captação de US$ 350 milhões com emissão no exterior, à taxa de 9,7% ao ano, com vencimento em 2033.


TRIUNFO teve prejuízo líquido de R$ 11,4 milhões no 1TRI26, alta de 10,8% na comparação anual. A receita operacional líquida caiu 24,9%, para R$ 162 milhões, e o Ebitda ajustado recuou 25,7%, para R$ 45 milhões.


MARISA teve prejuízo líquido de R$ 95,8 milhões no 1TRI26, ante lucro de R$ 2,4 milhões um ano antes. A receita líquida caiu 3,8%, para R$ 286,5 milhões, e o Ebitda recuou 66,9%, para R$ 28,6 milhões…


… O balanço veio com ressalva da BDO RCS Auditores Independentes, pela ausência de provisão para contingência tributária não informada em sua controlada indireta M Serviços, anteriormente M Cartões…


… O auditor independente destacou incertezas relevantes sobre capacidade de a empresa se manter em operação.


AEGEA receberá aporte de até US$ 1 bilhão de acionistas, liderados por Itaúsa e pelo fundo soberano de Singapura, segundo a Bloomberg.


ENEVA. O lucro líquido do 1TRI26 subiu 36%, para R$ 522,7 milhões. A receita operacional líquida cresceu 5,9%, para R$ 4,68 bilhões, e o Ebitda ajustado avançou 10,7%, para R$ 1,69 bilhão.


EDP SÃO PAULO anunciou a 22ª emissão de debêntures, no valor de R$ 500 milhões.


ÂMBAR ENERGIA, dos irmãos Batista, comprou cinco termelétricas da Bolognesi Energia.


INBRANDS teve prejuízo líquido de R$ 24,7 milhões no 1TRI26, melhora de 32,8% ante a perda do ano anterior. A receita líquida caiu 15,8%, para R$ 81,3 milhões, e o Ebitda ajustado subiu 97,9%, para R$ 23,8 milhões.


TAURUS registrou prejuízo líquido de R$ 36,6 milhões no 1TRI26, revertendo lucro de R$ 18,6 milhões um ano antes. A receita líquida cresceu 1,7%, para R$ 354,9 milhões, e o Ebitda ficou negativo em R$ 20,1 milhões.


BIOMM teve lucro líquido de R$ 9,7 milhões no 1TRI26, revertendo prejuízo de R$ 11,7 milhões no 1TRI25. A receita líquida avançou 134%, para R$ 92,5 milhões, e o Ebitda ficou positivo em R$ 12,4 milhões.

domingo, 17 de maio de 2026

Paulo Roberto de Almeida

 Oskar Schindler caiu desfalecido no meio da rua em 9 de outubro de 1974, na cidade alemã de Hildesheim. Morreu ali mesmo, vítima de insuficiência cardíaca, aos 66 anos. Quando abriram seu pequeno apartamento em Frankfurt, descobriram uma verdade silenciosa sobre seus últimos anos: ele não tinha nada. Não havia fortuna, nem propriedades, nem sequer móveis de valor. Apenas contas atrasadas… e cartas vindas de Israel, sempre com pequenas quantias de dinheiro enviadas escondidas entre papéis dobrados.


Eram os judeus que ele tinha salvado — os Schindlerjuden — que mantinham aquele homem vivo. Por quinze anos, eles pagaram seu aluguel, garantiram sua comida e não permitiram que terminasse seus dias no completo abandono. Porque aquele industrial que um dia fora rico havia gasto tudo, absolutamente tudo, para salvar outras vidas.


Mas Schindler não começou como herói. No início da Segunda Guerra Mundial, ele era membro do partido nazista, um oportunista carismático, apaixonado por luxo, festas, dinheiro fácil e influência. Viu na guerra uma oportunidade. Quando a Polônia foi invadida em 1939, recebeu a fábrica judaica de esmaltes Deutsche Emailwarenfabrik — hoje preservada como museu em Cracóvia — e passou a empregar judeus simplesmente porque eram mão de obra barata. Frequentava festas com oficiais da SS e parecia apenas mais um beneficiário do sistema.


Tudo mudou em 1943.


Da colina de Cracóvia, Schindler testemunhou a liquidação do gueto — um episódio brutal no qual famílias inteiras foram exterminadas pelas tropas n4zis. Viu crianças arrancadas dos braços das mães, idosos executados nas ruas, vidas tratadas como lixo. Ele, o homem que sempre viveu para si mesmo, sentiu algo quebrar por dentro. Ali, nasce o Schindler que o mundo conheceria.


Com a ajuda de seu contador judeu, Itzhak Stern, Schindler começou a agir. Silenciosa e perigosamente. Usou sua fortuna para subornar oficiais da SS, comprou comida no mercado negro e montou, ao lado de sua fábrica, um campo “mais seguro”, onde seus trabalhadores ficariam longe das execuções arbitrárias. Cada vida que permanecia sob sua proteção custava-lhe dinheiro, influência e risco.


Quando os n4zis começaram a mandar judeus para Auschwitz-Birkenau, Schindler fez algo audacioso: elaborou uma lista com cerca de 1.200 nomes — homens, mulheres e crianças que ele declarou serem "trabalhadores essenciais". Era mentira. Mas foi essa mentira que salvou 1.200 pessoas da morte.


As mulheres da lista chegaram a ser enviadas para Auschwitz por engano. Schindler não apenas reclamou: ele foi até o campo, enfrentou oficiais, subornou comandantes, pagou tudo o que tinha… e trouxe aquelas mulheres de volta vivas.


Quando a guerra terminou, Schindler estava arruinado. Perdeu tudo: fábrica, fortuna, segurança. Todas as tentativas de reconstruir a vida fracassaram — na Alemanha, na Argentina, em qualquer lugar. Viveu pobre, esquecido, carregando o peso de tudo o que fez e de tudo o que viu.


Mas aqueles que ele salvou não o esqueceram. Nunca.


Os sobreviventes enviavam dinheiro mensalmente para que ele pudesse comer, pagar o aluguel, sobreviver. Em Israel, ele era recebido como um pai. Em 1962, foi reconhecido como Justo Entre as Nações, a mais alta honra concedida pelo memorial do Holocausto Yad Vashem — uma homenagem rara e profundamente simbólica.


Quando Oskar Schindler morreu em 1974, centenas de sobreviventes seguiram seu caixão pelas ruas de Jerusalém. Lá, no Monte Sião, ele foi enterrado — o único membro do partido nazista a receber esse privilégio em Israel. Sobre sua sepultura, deixaram pedras, flores, bilhetes, lágrimas.


E palavras simples, para um homem complexo:

“Quem salva uma vida, salva o mundo inteiro.”


Schindler foi um homem de falhas, contradições, erros, exageros. Mas, no momento decisivo, quando muitos escolheram fechar os olhos, ele decidiu gastar cada centavo, cada influência, cada pedaço de sua vida… para impedir que 1.200 nomes se transformassem em poeira.


E por isso, mesmo pobre, esquecido e quebrado, ele jamais morreu sozinho. Ele partiu sustentado — literalmente — por aqueles que só estavam vivos porque, um dia, o homem menos provável fez a única escolha que realmente importa:


Salvar.

Mauad e Schüler

 Já se vão mais de 10 anos que escrevi um artigo intitulado 'Pobreza não é virtude', em que destacava essa dupla moral tupiniquim de que fala o Fernando Schüler no excelente artigo desta semana para a Veja.  Na época, descrevi como a cultura popular estava impregnada do que chamei de 'pobrismo'.  


De fato, não há um só dia em que a TV deixe de nos brindar com programas, novelas e documentários cuja proposta é a exaltação (às vezes ostensiva, outras vezes de forma subliminar) da pobreza.  No cinema, o processo não é muito diferente.  Para a maior parte dos produtores, especialmente aqueles agraciados com gordas verbas de patrocínio estatal, que não precisam se preocupar com coisas prosaicas como retorno do investimento, a estética da miséria é bela, é “tudo de bom”.  Na música, desde Michael Jackson, a gravação de clipes em favelas sempre rende bom ibope.


O problema é que este culto à pobreza, muitas vezes aliado ao ódio ostensivo à riqueza, não é algo apenas estético.  Como bem resumiu o Schüler em seu artigo, o 'pobrismo' mantém o país numa espécie de inércia gratificante, incapaz de encontrar e operar soluções que nos afastem da miséria e nos impulsionem rumo ao progresso e à prosperidade.


Uma dupla moral brasileira

Por Fernando Schüler


"A glamorização do crime e da favela correm em linhas paralelas no Brasil. Ainda me lembro do clipe do Michael Jackson no Morro Dona Marta, no Rio de Janeiro, nos anos 90. Cobertura no Jornal Nacional, um segredo de orgulho de mostrar a “nossa favela” para o mundo. Lembro, anos depois, da ideia genial dos roteiros turísticos na favela. Em meio a um mundo cada vez mais padronizado, uma favela surgia como fonte de exotismo e estranhamento. O pitoresco, o casebre, a criança quase nua, solta na ruela, o samba meio ensaiado, aqui e ali.


A glamorização é um tipo de dupla moral: elogiamos algo que só topamos a uma distância segura. Achamos legal, mas para os outros. Isso me lembra do dualismo da “ética da casa e da rua”, de Roberto DaMatta, só que no plano da retórica: para os outros acho um charme aquele colorido todo da “comunidade”, aquela vibração “única”, como li num texto delirante. Mas não para mim, nem para os meus. Aqui em casa prefiro a ordem e o silêncio. Polícia na rua, recolhido na hora certa, guarda na portaria e tudo funcionando direitinho.


O dualismo retórico é um traço da nossa cultura pública. Quando o tema é saúde, não conheço político que não encha a boca para elogiar nosso “sistema público de saúde”. Na pandemia, uma coisa virou a moda também na internet. O cara se emociona lá elogiando o modelo estatal, mas no terceiro espirro vai na emergência particular. O discurso público é um, a verdade da vida privada é outra.


Pesquisa global da Ipsos, em 2018, questionou a avaliação sobre a “qualidade do atendimento” de saúde a que as pessoas têm acesso, em cada país. O Brasil ficou em último lugar entre as nações pesquisadas, com avaliação negativa por parte de 57% dos usuários. É a posição quando se pergunta sobre a facilidade de marcar uma consulta médica. É um curioso paradoxo. A retórica pública diz que o “sistema público” é ótimo, mas a avaliação real dos usuários aponta precisamente na direção contrária.


Durante uma pandemia, o Projeto UTIs Brasileiras divulgou uma pesquisa incômoda mostrando que a mortalidade nas UTIs estatais era de 52,9%, ante 29,7% nas privadas. É evidente que existem fatores sociais e econômicos que afetam essa realidade, e esse é exatamente o problema. Pessoas mais pobres, tendo acesso às condições de atendimento, com rapidez, sem filas, que têm a classe média e os mais ricos. Ou não?


Um levantamento do Conselho Federal de Medicina revelou que 45% dos pacientes estão esperando uma consulta há mais de seis meses, e 29% estão há mais de um ano em fila. Não passa de uma fina e macabra ironia responsabilizar a “condição social” das pessoas por sua própria taxa de mortalidade nas UTIs do setor público. E não é difícil de entender por que ter um plano de saúde é o sonho de 73% dos brasileiros, o terceiro maior, segundo o Ibope, à frente do automóvel e logo atrás da casa própria.


A verdade é que todos sabemos que o sistema é estruturalmente falho, mas vamos levando. Apostamos no dualismo moral: elogio fácil do sistema estatal, de um lado, e a proteção no mercado privado (para quem pode), do outro. Muitos dirão que não há problema nisso, que é apenas uma marca de um país desigual, que é perigoso desagradar as corporações públicas. E que as coisas estão melhorando, devagar, e que é preciso ter paciência. (...)


Essa atitude vem do fundo da tradição brasileira. Da aceitação passiva de um tipo de subcidadania, tão presente na ideia de que “a saúde é ruim, mas é melhor que nada”, ou “a escola não funciona, mas ao menos tem onde deixar as crianças”. No fundo é a longa memória de um país que aprendeu a esperar muito pouco de si mesmo. Dizemos abominar nossa desigualdade, mas nos habituamos a ela. É um pouco do que ocorreu com a pregação do isolamento social na pandemia. Muita gente surpresa com as estações lotadas, cedo de manhã, mas uma arara se o porteiro chega atrasado ao serviço. Vem do fundo de nossa história, mas não significa que seja um destino.


Digo isso porque há muita coisa mudando no Brasil. Na saúde, por exemplo, é só dar uma olhada em uma experiência como um hospital regional de Jundiaí, no interior de São Paulo, gerenciado pelo Instituto Sírio-Libanês, ou a do Hospital Municipal Dr. Moysés Deutsch, em São Paulo, gerido em parceria com o Albert Einstein, ou ainda a do Hospital do Subúrbio, em Salvador, premiado internacionalmente e gerenciado por meio de uma PPP. O ponto básico dessas iniciativas: rompe-se com a iniciação. O Estado reposiciona o seu papel, se põe como regulador e delega a gestão ao setor privado. E com isso quebra o apartheid. Permite aos cidadãos, com maior ou menor renda, o acesso à mesma qualidade, ou ao menos a uma qualidade similar de serviços.


Não acho que tudo isso seja muito difícil de aprender ou de fazer. O ponto é que não se trata apenas de uma questão de técnica de gestão. Esse, o fundo, é o menor dos problemas. A questão é romper com o substrato cultural que mantém boa parte do país na inércia e que ainda faz jus ao “assim é porque sempre foi”, na frase lapidar de Raymundo Faoro definindo nosso tradicionalismo político. O problema ainda está na nossa cabeça, e é por aí que precisa começar a mudar."


Fernando Schüler é cientista político e professor do Insper

sábado, 16 de maio de 2026

Mercado global: ruído politico

 *Ruído político coincide com piora global e liga alerta nos mercados*


Mercados Juros globais têm forte dinâmica de alta com guerra no Irã; volatilidade eleitoral chega aos mercados locais e expõe fragilidade


A despeito da guerra do Irã e do choque de petróleo, os ativos domésticos vinham desfrutando um ambiente externo de maior tolerância a fragilidades idiossincráticas e de bom apetite a risco por parte dos investidores estrangeiros. Nos últimos dias, no entanto, os mercados globais deram sinais de fadiga com a persistência do impasse geopolítico, justamente em um momento que o ambiente local também passou a ser contaminado pela volatilidade do noticiário eleitoral. O resultado foi uma rápida depreciação do real, que saiu da faixa dos R$ 4,90 para perto dos R$ 5,10 e uma elevação forte nas taxas de juros de longo prazo, que passaram a operar nos piores níveis do ano.


O pregão da sexta-feira foi um bom exemplo da rápida deterioração do ambiente para ativos globais de risco. Com a ausência de notícias sobre progressos nas negociações entre Estados Unidos e Irã e nenhuma evidência de melhora nos fluxos globais de petróleo, as curvas de juros ao redor do mundo entraram em uma espiral negativa.


Na quarta-feira, o Tesouro dos Estados Unidos, vendeu um título com vencimento de 30 anos a uma taxa de 5% pela primeira vez desde 2007 e, na sexta-feira, o rendimento da T-bond de 30 anos já havia escalado a 5,12%. No Reino Unido, os juros dos gilts de 10 anos fecharam a sessão aos 5,187%. O juro de 30 anos do Japão é negociado acima de 4%.


De acordo com a diretora de macroeconomia para Brasil do UBS Global Wealth Management, Solange Srour, enquanto o preço do petróleo não cair, há um tero para o apetite global por risco.


“O sell-off não é apenas conjuntural. Governos que por anos se financiaram a taxas próximas de zero agora enfrentam custo de captação crescente, precisando emitir cada vez mais dívida para honrar compromissos de gasto que não param de crescer. A dívida bruta global está em trajetória para atingir 100% do PIB até 2029, segundo o FMI, nível só alcançado antes no pós-Segunda Guerra Mundial”, aponta a economista.


Neste cenário, segundo ela, o dilema para os bancos centrais é agir cedo demais e comprimir economias já pressionadas pelo choque de energia, ou esperar e arriscar uma desancoragem de expectativas, repetindo o erro de 2022. “Os diferenciais existem: mercados de trabalho com mais folga, demanda já comprimida, taxas longe do território acomodatício. Mas têm prazo de validade. O mercado de swaps já precifica alta de juros nos EUA antes do final de 2026", aponta.


Para o Brasil, nota Srour, os juros longos elevados globalmente estreitam o espaço para a política monetária doméstica, ao tornar a ancoragem das expectativas de inflação ainda mais dependente da credibilidade fiscal, que já enfrenta pressões conhecidas. “O conflito no Oriente Médio não tem prazo de resolução à vista. Os mercados estão começando a cobrar um prêmio de risco que estava ausente", afirma a diretora do UBS Global Wealth.


Neste contexto global mais adverso, que se juntou ao noticiário político nos últimos dias, o real se desvalorizou 3,54% na semana frente ao dólar, a pior desde 2022. A moeda fechou a sexta-feira negociada aos R$ 5,0673.


Segundo a equipe de estratégia global do BBVA, liderada por Alejandro Cuadrado, é improvável que novos desdobramentos relevantes envolvendo o caso Master impeçam o real de se afastar do nível psicológico dos R$ 5.


“O caminho até a eleição de outubro ainda é longo e provavelmente haverá muitos altos e baixos ao longo do percurso. O mais recente escândalo coloca o foco na próxima rodada de pesquisas e nos potenciais candidatos alternativos para desafiar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O carrego do real, as alternativas disponíveis e o longo horizonte até a eleição ainda favorecem danos limitados ao real, que segue forte, embora o posicionamento técnico ainda pareça bastante carregado", afirmam os profissionais do banco espanhol.


Já a estrategista do Goldman Sachs, Teresa Alves, avalia que, à medida que os eventos políticos se aproximarem da data da eleição, o impacto deles poderá se tornar mais relevante, especialmente diante do posicionamento ‘congestionado’ do mercado. Para ela, contudo, o que, de fato, deve importar para o comportamento dos ativos domésticos é o conjunto de pesquisas eleitorais, além das probabilidades dos diferentes desfechos da eleição.


“Embora o real provavelmente reaja a mudanças nas probabilidades eleitorais, também vale notar que a maior parte da valorização da moeda neste ano foi impulsionada por fatores globais, e não por mudanças no prêmio de risco doméstico”, nota a estrategista. Para ela, o aumento do ruído político e a piora do sentimento global de risco podem pesar sobre o câmbio no curto prazo, mas um ambiente de preços de energia mais elevados por mais tempo continua a ser um fator estruturalmente positivo para o real.


A economista-chefe para América Latina do J.P. Morgan, Cassiana Fernandez, nota que, nesta semana, a narrativa da campanha eleitoral tomou um novo rumo após a divulgação de áudios e mensagens envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, o que levantou questionamentos sobre a trajetória da oposição e aumentou o ruído político no curto prazo.


“Esse episódio reforça como a incerteza política trazida pela eleição — e suas potenciais consequências para ativos financeiros, como o real, e para as expectativas dos agentes econômicos, como as expectativas de inflação — torna ainda mais complexa a projeção dos dados econômicos. Em um ambiente em que a incerteza geopolítica já está elevada, esses eventos reforçam que está excepcionalmente difícil projetar a política econômica para além das próximas reuniões", afirma.


No mercado de juros, as taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro para janeiro de 2029 encerraram a semana nos maiores patamares desde 14 de abril de 2025, enquanto a taxa do DI para janeiro de 2031 terminou a sexta-feira aos 14,25%, também nos maiores níveis em mais de um ano.


Em podcast semanal, o sócio e gestor da Novus Capital, Luiz Eduardo Portella afirma que as taxas locais foram os principais destaques negativos da semana.


“O mercado de juros foi o destaque negativo, com 69 pontos-base de alta na semana, tornando o cenário para o BC mais desafiador. Começou a volatilidade da eleição. Nós já vínhamos discutindo quando viria alguma coisa em relação ao Flávio Bolsonaro. Todo mundo debatia que iriam esperar virar abril para passar o prazo para o Tarcísio [de Freitas, governador de São Paulo] não conseguir mais se candidatar. Veio em maio”, nota.



https://valor.globo.com/financas/intraday/post/2026/05/ruido-politico-coincide-com-piora-global-e-liga-alerta-nos-mercados.ghtml

BDM Matinal Riscala

 *Rosa Riscala: Volatilidade é o nome do jogo* … O mercado permanece refém da geopolítica e do humor de Donald Trump, que segue alternando a...