segunda-feira, 11 de maio de 2026

Semana 11 15/05

 📆 Semana começa com Focus, enquanto EUA têm bateria de dados imobiliários e leilões do Tesouro.


🇧🇷 Cenário Doméstico

No Brasil, os investidores acompanham pela manhã o Boletim Focus, em meio a revisões para o IPCA e manutenção das projeções para Selic e câmbio. Também saem o IPC-Fipe e, à tarde, a balança comercial semanal, em um ambiente de expectativa para o IPCA de abril que será divulgado amanhã e deve calibrar as apostas para o Copom. Reta final da temporada de balanços no Brasil. Entre os balanços das empresas estão Petrobras, BTG Pactual, Natura, Banco do Brasil, CSN, Casas Bahia, Nubank e MRV.


🌍 Cenário Internacional (EUA/Europa/Ásia/outros)

Nos EUA, o dia é mais técnico, com dados de vendas de casas existentes e uma sequência de leilões de títulos do Tesouro.

O mercado segue atento ainda ao noticiário geopolítico envolvendo Irã e às sinalizações em torno do encontro entre Donald Trump e Xi Jinping ao longo da semana, temas que podem influenciar dólar, Treasuries e commodities.


📊 Agenda do dia – Brasil

▪️ 05:00 -  IPC-Fipe

▪️ 08:00 -  IPC-S Capitais – 1ª quadrissemana - Maio/2026

▪️ 08:25 – Boletim Focus (BCB)

▪️ 15:00 – Balança comercial semanal (Secex)


🕒 Agenda do dia – Exterior

▪️ 14:00 – EUA: Vendas de Casas Existentes (abril)

▪️ 15:30 – EUA: Leilões de Títulos de 3 e 6 meses

▪️ 17:00 – EUA: Leilão de Notas de 3 anos

Um grito de socorro nas universidades

 Editorial de hoje do Estadao sobre a hegemonia cultural de esquerda na academia !!!


“Um grito de socorro pelas universidades


Acadêmicos oferecem o antídoto para reverter a perversão dos câmpus em incubadores de intolerância e restaurar sua vocação de usina de criação e difusão de conhecimento


08/05/2026


Um grupo de professores lançou o manifesto . É uma reação a um ambiente de “conformidade ideológica, autocensura e intolerância”, em que “eventos são cancelados ou interrompidos, aulas são boicotadas, participantes são intimidados e expostos”, comprometendo “a legitimidade pública da universidade e as próprias condições de produção de conhecimento”.


Desde a Academia de Platão, passando pelas universidades medievais, a pesquisa e o ensino só prosperaram em ambientes de confronto intelectual. O conhecimento amadurece quando hipóteses rivais colidem e argumentos são macerados pelo escrutínio. Se essa dinâmica cede lugar ao constrangimento, a investigação perde fôlego, e o ensino, densidade.


Mas hoje a composição ideológica nas humanidades é estreita. Uma pesquisa na USP e na UFBA identificou que 93% dos professores de História e 73% dos de Direito são de esquerda. Além disso, 61% dos docentes já evitaram temas controversos e 35% deixaram de convidar palestrantes por medo de represália. Quase metade dos estudantes pratica autocensura. Não é necessário um tribunal para produzir punição quando reprovações moralistas substituem o exame de argumentos e a chantagem reputacional se antecipa a qualquer instância formal.


A universidade, que ajudou a dissolver ortodoxias esclerosadas, forjou novas. A militância progressista interpreta todo discurso como “relação de poder”; desconfia do pluralismo como mecanismo de perpetuação de “opressões”, substitui disputas racionais por gestões morais e usa cancelamentos e linchamentos virtuais para disciplinar dissidentes. Numa ironia involuntária, mimetiza velhas ferramentas confessionais: proselitismo, heresias, blasfêmias, dogmas, penitências públicas. Os novos fariseus e zelotas podem vestir a linguagem emancipatória da inclusão social ou racial e, ainda assim, excluir brutalmente ideias e convicções.


Na pesquisa, hipóteses são descartadas por consensos ideológicos. No ensino, o currículo é homogeneizado, o cânone é mutilado e escolas divergentes são obliteradas. O tumor não só sufoca a liberdade de expressão, como desintegra a capacidade de conhecer. Os universitários são despejados na vida civil imbuídos de uma libido para conformar a si e aos outros.


Previsivelmente, a pressão externa cresce, na forma de invectivas caricatas e projetos de intervenção. Cria-se um circuito de retroalimentação: patologias endógenas dão munição a ataques exógenos que reforçam reflexos paranoicos. As esquerdas iliberais colonizaram a academia e asfixiam sua liberdade; em retaliação, as direitas iliberais buscam sitiá-la e demoli-la. O câmpus, que deveria ser arena intelectual, virou trincheira política.


Instituições financiadas pelo público dependem de confiança pública. Mas ela está sendo pulverizada pela percepção de alheamento, alinhamento e intolerância. Segundo pesquisa da Quaest, 59% dos brasileiros confiam pouco ou nada na universidade pública, e 54% creem que ela promove mais ideologia do que ensino de qualidade. Menosprezar esse mal-estar como ressentimento obscurantista ou negar a doença só acelerará sua virulência.


O manifesto clama por três remédios. Primeiro, “neutralidade institucional”: universidades não devem adotar posições oficiais sobre temas políticos ou ideológicos, a menos que estejam em jogo os instrumentos de sua missão, como autonomia e financiamento. Segundo, “liberdade acadêmica”: universidades devem escudar docentes e discentes contra punições ou perseguições. O desconforto do contraditório não pode ser tratado como ofensa a ser eliminada. O teste de integridade é a proteção do dissidente, não do consenso. Terceiro, “pluralismo”: diversidade de ideias, doutrinas, autores e perspectivas. Isso não significa relativismo: o questionamento a consensos deve ser mediado pelo método científico e pela argumentação honesta.


Universidade é laboratório, não tribunal. A busca da verdade exige atrito, não anestesia. Onde ideias podem circular livremente e se chocar sem medo, a mentira é castrada e a verdade ganha músculo. Onde isso falta, sobra a unanimidade burra – e truculenta”.

Bankinter Portugal Matinal

 Análise Bankinter Portugal


NY +0,8% US tech +2,4% US Semis +5,5% UEM -1% España -1% VIX 17,2% Bund 3,00%. T-Note 4,40%. Spread 2A-10A USA=+47pb B10A: ESP 3,42% PT 3,36% ITA 3,73% FRA 3,62% Euribor 12m 2,708% (fut.12m 2,941%) USD 1,175 JPY 184,6/€ 157,1/$. Ouro 4.655$. Brent 105,3$. WTI 99,8$. Bitcoin +1,1% (80.773$). Ether +2 % (2.334$). 


:: SESSÃO. Após a forte subida americana de sexta-feira (não tanto na Europa), o natural é que hoje se estanque. Os excelentes resultados das empresas de semis e o inesperadamente bom dado de emprego americano em abril, publicado na sexta-feira (Criação de Emprego 115K vs. 65K esperado vs. 185K anterior) são os fatores dinamizadores fundamentais mais recentes. Mas a rejeição de Trump à proposta iraniana há umas horas, que era absolutamente previsível, faz com que o petróleo aumente e isso reforça a expetativa de uma sessão plana, no melhor dos casos.


GEOESTRATÉGIA. Tom neutro. Trump ainda tem tempo para pressionar. As eleições de meio mandato serão a 3 de novembro, portanto, tem até setembro, digamos. Enquanto isso, Wall St. não detém a sua subida e isso proporcionar-lhe-ia algum crédito para continuar a pressionar o Irão. Um petróleo caro prejudica-lhe eleitoralmente, mas o West Texas continua abaixo da fronteira dos 100 $/b. e é provável que reduza ou anule os impostos sobre combustíveis para o consumidor/eleitor, argumento, por exemplo, que os impostos alfandegários permitem adotar essa medida. Em paralelo, Cuba continua a descompor-se internamente; pode estar a calcular os tempos para que o desfecho, sob a forma de uma queda gradual, o fortaleça politicamente em novembro. E nesta quinta/sexta-feira terá uma reunião com Xi Jingpin. China está indiretamente debilitada após a neutralização da Venezuela, a sua economia está estancada e a última coisa que precisa é não ter o petróleo de Ormuz e ter de recorrer ao petróleo indiretamente procedente da frota fantasma russa (como acontece agora), portanto, provavelmente irá adotar uma atitude nada beligerante e até construtiva com Trump.


RESULTADOS CORPORATIVOS. Tom magnífico. Estão a ser simplesmente excelentes. Isto transmite a ideia de que as guerras (Ucrânia, Irão) e o petróleo não estão a afetar, por agora. Nos EUA, com quase 90% das empresas já publicadas, o EPS (Lucro por Ação) expande-se +26% vs. +14,4% esperado, e na Europa +12% vs. +4%.  


MACRO. Bom tom. O bom emprego americano de sexta-feira assentou muito bem. Hoje, às 15 h, Vendas de Habitações Usadas nos EUA, que se esperam decentes ou até boas (4,05M vs. 3,98M). No resto da semana, destacam-se 3 dados americanos: amanhã, inflação de abril a aumentar até +4% (+3,7% esperado desde +3,3%), na quinta-feira, Vendas a Retalho a aguentarem razoavelmente bem (+0,5% vs. +1,7%) e na sexta-feira, Produção Industrial decente e a melhorar (+0,2% vs. -0,1%).  


:: CONCLUSÃO. Talvez consiga subir um pouco hoje, embora não deva depois do rally americano de sexta-feira e de Wall St. estar há 6 semanas seguidas a subir (Europa tem alternado subidas semanais com retrocessos). Mas a inércia em alta é muito potente graças aos resultados corporativos, a uma macro mais sólida do que o esperado (provavelmente também esta semana) e a um mercado que está disposto a conviver cordial e pacientemente não só com a guerra na Ucrânia, mas também com a do Irão. Provavelmente, isto assim acontece porque a Rússia começa a estar realmente debilitada (Putin poderá estar a ser questionado internamente) e a China prefere manter distância ao Irão, o que, no fundo, manifesta uma posição também mais débil da sua parte. O pior desfecho para todos hoje seria bolsas planas e obrigações a ganharem um pouco de yield (quedas de preços), mas muito pouco.


FIM

BDM Matinal Riscala

 Petróleo reacende alerta para inflação global

Plano de paz fracassa e Brent mantém mercado preso a impacto sobre energia e juros


11/05/2026


… A semana começa sob nova pressão do petróleo, que subia 3% na noite deste domingo, após Trump dizer que a resposta do Irã à proposta de cessar-fogo dos Estados Unidos é “inaceitável”. O Brent voltou aos US$ 104, reacendendo o temor de inflação global em meio aos entraves nas negociações e mantendo o mercado preso ao risco geopolítico e ao impacto sobre energia e juros. Em paralelo, a agenda da semana ganha peso com os dados de inflação no Brasil e nos Estados Unidos, que podem recalibrar expectativas para o Fed e o Copom em um ambiente sensível ao conflito no Oriente Médio. Na B3, segue a temporada de balanços, com destaque para Petrobras após o fechamento.


GUERRA SEM TRÉGUA – A reação de Donald Trump, de rejeitar a nova proposta de paz apresentada pelo Irã, reacende o temor de prolongamento da guerra no Oriente Médio e desmonta o otimismo que sustentou o rali dos mercados na semana passada.


… A resposta foi imediata na abertura dos mercados asiáticos.


… Os futuros das bolsas em Nova York recuaram, o dólar voltou a ganhar força frente às principais moedas e o petróleo disparou, com o Brent avançando quase 3% na abertura desta segunda-feira, com a percepção de que o Estreito de Ormuz poderá continuar fechado.


… A deterioração do humor ocorre poucos dias depois de Wall Street renovar máximas históricas, embalada pelo payroll americano acima do esperado, pela resiliência da economia americana e pelo novo rali das ações ligadas à inteligência artificial.


… O mercado vinha acreditando que um acordo entre Estados Unidos e Irã poderia começar a destravar a circulação de petróleo no Golfo Pérsico.


… Segundo o Wall Street Journal, o Irã teria aceitado transferir parte de seu estoque de urânio altamente enriquecido para um terceiro país, mas rejeitado desmontar instalações nucleares — ponto considerado central por Washington e Israel.


… O regime iraniano negou a reportagem e a agência de notícias Tasnim reforçou que Teerã exige fim imediato da guerra, suspensão das sanções dos Estados Unidos sobre petróleo, liberação de ativos congelados e controle iraniano sobre o Estreito de Ormuz.


… O Irã considera a proposta americana equivalente a uma rendição e insiste que Washington deve pagar indenizações de guerra.


… O endurecimento do discurso ocorre num momento em que o cessar-fogo segue apenas formalmente em vigor.


… Apesar da trégua anunciada em abril, novos episódios militares continuam elevando a tensão na região. Um cargueiro foi atingido por drone próximo ao Catar neste domingo, enquanto Emirados Árabes Unidos e Kuwait afirmaram ter interceptado drones hostis.


… Benjamin Netanyahu também elevou o tom no fim de semana.


… Em entrevista à CBS, o primeiro-ministro israelense afirmou que “a guerra não acabou” e que Israel ainda precisa destruir a capacidade nuclear iraniana e eliminar os estoques de urânio enriquecido do país.


… O pano de fundo mais sensível para os mercados continua sendo o petróleo. A Saudi Aramco alertou que, mesmo em caso de reabertura imediata de Ormuz, o mercado levaria meses para normalizar fluxo, logística e abastecimento.


… Em outra frente, uma análise da Bloomberg aponta que a guerra já está provocando um consumo recorde dos estoques globais de petróleo, corroendo justamente o colchão de segurança usado pelo mercado para amortecer choques de oferta.


… O Morgan Stanley estima que os estoques globais caíram 4,8 milhões de barris por dia entre março e abril, no maior ritmo de redução já registrado, enquanto o Goldman Sachs afirma que os estoques visíveis já se aproximam dos menores níveis desde 2018.


… O JPMorgan alerta que, caso o Estreito de Ormuz permaneça fechado, os estoques da OCDE podem atingir níveis de “estresse operacional” já no próximo mês e níveis mínimos até setembro, elevando significativamente o risco de escassez global de combustíveis.


… Analistas afirmam que países asiáticos dependentes de importação, como Paquistão, Indonésia e Filipinas, podem enfrentar escassez crítica de combustíveis nas próximas semanas, enquanto estoques europeus de querosene de aviação se aproximam de níveis preocupantes.


… A avaliação predominante é de que o mercado entrou numa fase mais vulnerável, em que qualquer nova deterioração militar ou fracasso diplomático pode provocar movimentos abruptos no petróleo, reacender temores inflacionários e alterar a trajetória para juros globais.


VIAGEM À CHINA – Trump visita Pequim nos dias 14 e 15 de maio, na primeira viagem presidencial americana à China desde 2017.


… A reunião com Xi Jinping deve incluir discussões sobre a guerra no Irã e possíveis caminhos diplomáticos para reduzir a tensão no Oriente Médio, além da extensão da trégua comercial firmada em outubro do ano passado em Busan.


… Na pauta, compras chinesas de soja, carne bovina e aeronaves da Boeing, e temas estratégicos como semicondutores, IA e Taiwan.


MAIS AGENDA –A semana será marcada por uma combinação delicada guerra no Oriente Médio, petróleo, inflação e atividade econômica, em um ambiente em que o mercado tenta entender até onde o choque de energia pode contaminar preços, juros e crescimento global.


… No radar, dados de inflação no Brasil e nos Estados Unidos, relatórios da OPEP e da AIE – ambos na quarta-feira, em meio à crescente preocupação com a redução dos estoques globais e os impactos prolongados do fechamento do Estreito de Ormuz.


… Aqui, o foco principal recai sobre o IPCA de abril, que será divulgado amanhã (terça-feira), com a mediana do Projeções Broadcast apontando desaceleração de 0,88% para 0,67% na margem, com algum alívio vindo da gasolina e de alimentos.


… Economistas destacam que a perda de força da gasolina nas últimas semanas ajuda a aliviar parcialmente a inflação corrente, mas ponderam que o choque provocado pela guerra segue pressionando combustíveis, cadeias industriais e custos ligados ao petróleo.


… Nos Estados Unidos, o mercado aguarda também nesta terça-feira o CPI de abril, em busca de sinais sobre o tamanho do impacto da alta do petróleo sobre a inflação. O consenso aponta avanço de 0,6% no índice cheio e aceleração do núcleo de 0,2% para 0,4% na margem.


… O dado ganha ainda mais relevância depois do payroll forte da semana passada e em meio à percepção de que o Federal Reserve pode permanecer mais tempo sem cortar juros, enquanto monitora os efeitos da guerra sobre energia e inflação.


… A agenda da semana ainda inclui vendas no varejo e volume de serviços no Brasil, vendas no varejo nos Estados Unidos, além de discursos de dirigentes do Federal Reserve e do BCE ao longo dos próximos dias, com fala de Lagarde na quinta-feira.


HOJE – A China abriu o dia com os índices de preços ao consumidor e ao produtor de abril – o CPI chinês acelerou de 1% para 1,2% em 12 meses, em um momento em que Pequim monitora os impactos da guerra sobre energia, exportações e atividade global.


… Na sexta-feira à noite, Pequim informou que o crescimento das exportações acelerou fortemente em abril (14,1%) contra um ano antes, após subir 2,5% em março. O resultado superou a alta de 8,0% prevista por economistas em uma pesquisa do Wall Street Journal.


… Já as importações da China subiram 25,3% contra igual período de 2025, desacelerando levemente em relação a um aumento de 27,8% em março, mas superaram a alta de 16,0% esperada pelos economistas consultados.


… O superávit de US$ 84,82 bilhões superou março (US$ 51,1 bilhões), mas frustrou a previsão de US$ 92,3 bilhões.


… Aqui, saem o IGP-10 de maio (8h) e o Boletim Focus (8h25), e, nos Estados Unidos, vendas de casas usadas em abril (11h).


GALÍPOLO – O presidente do Banco Central participa nesta segunda-feira de reuniões do Banco de Compensações Internacionais (BIS), em Basileia, na Suíça, ao lado do diretor de Assuntos Internacionais e Gestão de Riscos Corporativos, Paulo Picchetti.


… Já entre quarta e sexta-feira, o BC promove sua conferência anual em Brasília, reunindo acadêmicos, representantes de bancos centrais, instituições multilaterais e agentes do mercado para debates sobre macroeconomia, estabilidade financeira e cenário internacional.


BALANÇOS – A reta final da temporada do 1TRI concentra alguns dos principais nomes da B3 nesta semana, em meio à volatilidade global provocada pela guerra no Oriente Médio, pela disparada do petróleo e pela discussão sobre inflação e juros nos Estados Unidos e no Brasil.


… O principal balanço será o da Petrobras, hoje, após o fechamento, com expectativa de lucro líquido ajustado de US$ 5,7 bilhões no primeiro trimestre, alta de mais de 43% na comparação anual, impulsionada pela disparada do petróleo e produção recorde no mercado interno.


… Analistas também esperam Ebitda próximo de US$ 13 bilhões e dividendos de US$ 2,4 bilhões, sustentados pela forte geração de caixa.


… O foco, porém, continuará dividido entre distribuição de proventos, disciplina de investimentos e trajetória do capex, num ambiente em que a Petrobras se tornou uma das principais beneficiárias da alta global do petróleo.


… As ações preferenciais da estatal acumulam valorização superior a 50% em 2026, refletindo justamente o choque de energia provocado pela guerra e a expectativa de manutenção de preços elevados do Brent ao longo dos próximos meses.


… Ainda nesta segunda-feira, antes da abertura, o mercado acompanha os números de Vivo e BTG Pactual. E após o fechamento, também divulgam resultados Itaúsa, Natura, Hapvida, MRV, Direcional e Energisa.


… Amanhã (terça-feira), os destaques ficam para Braskem, JBS, PagBank e Cury, em uma sessão que deve começar a mostrar de forma mais clara os impactos da alta de energia, juros elevados e pressão de custos sobre empresas industriais, consumo e construção civil.


… A quarta-feira concentra uma das agendas mais pesadas da temporada, com Banco do Brasil, Equatorial, Eneva, Rede D’Or, CSN, CSN Mineração, SLC Agrícola, CVC, Casas Bahia, Americanas, Boa Safra e Positivo.


… Entre os balanços mais aguardados do dia, Banco do Brasil deve servir como termômetro para inadimplência, crédito e margem financeira em um ambiente ainda marcado por juros elevados, enquanto CSN ajuda a calibrar a leitura sobre demanda global por commodities metálicas.


… Na quinta, o foco recai sobre Nubank, Cosan, CPFL, Cyrela, Marfrig, Stone, Grupo Mateus, Três Tentos, Sanepar, Unipar, JHSF, Vamos e Light.


BRAZIL WEEK – Nova York recebe nesta semana a Brazil Week, série de eventos que reúne centenas de investidores, executivos, banqueiros, empresários e autoridades brasileiras e americanas.


… O evento ocorre poucos dias depois do encontro entre Trump e Lula, em meio às negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos.


… Até sexta-feira, bancos, gestoras, grupos empresariais e entidades promovem mais de 20 encontros voltados a temas como cenário macro e geopolítico, inteligência artificial, reformas estruturais, sucessão presidencial no Brasil e oportunidades de investimento no País.


CURTAS DA POLÍTICA – O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) deve realizar reunião extraordinária nesta segunda-feira, com destaque para a proposta de aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina de 30% para 32%.


… A pauta também inclui mudanças na política de comercialização do gás natural da União, dentro da estratégia de reduzir preços no setor.


ESCALA 6X1. O debate sobre o fim da escala 6×1 avança nesta semana na comissão especial da Câmara. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, será ouvido na terça-feira e o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, na quarta-feira.


… O governo pressiona pela tramitação do projeto que reduz a jornada de trabalho, enquanto a comissão tenta acelerar o calendário da PEC antes que o texto enviado pelo Executivo passe a trancar a pauta da Câmara no fim de maio.


… O parecer do relator Leo Prates deve ser apresentado no dia 20 e votado no dia 26.


SEGURANÇA. Lula deve anunciar nesta semana a liberação de R$ 960 milhões para ações de segurança pública dentro do programa Brasil contra o Crime Organizado, com medidas de combate às facções criminosas, regulamentação do PL Antifacção e novas ações operacionais.


DOSIMETRIA. PT, PCdoB e PV apresentaram ação ao STF para derrubar a Lei da Dosimetria, promulgada pelo Congresso após a derrubada do veto de Lula e que beneficia condenados pelos atos de 8 de Janeiro, incluindo Jair Bolsonaro.


… A decisão de Alexandre de Moraes de suspender a aplicação da nova lei elevou a tensão política no fim de semana. Governistas classificaram a medida como “vitória da democracia”, enquanto a oposição acusa o STF de interferência sobre decisões do Congresso.


META DE INFLAÇÃO. O debate voltou ao radar após o PT defender, em seu congresso nacional, a revisão do alvo de 3%, reacendendo discussões dentro do governo, do mercado e da academia sobre o nível considerado adequado para o Brasil.


… Enquanto economistas ligados ao partido argumentam que uma meta mais elevada permitiria juros reais menores, integrantes da equipe econômica e parte do mercado avaliam que uma mudança agora poderia piorar expectativas e afetar a credibilidade do regime de metas.


TROCOU O DISCO – Tateando no escuro, os mercados globais saíram para o fim de semana ainda sem uma resposta do Irã sobre a proposta de paz. Mas, na sexta, deixaram a guerra em stand-by por um dia para olhar para o payroll.


… A economia dos Estados Unidos criou 115 mil empregos em abril, quase o dobro da mediana das apostas dos analistas, de 63 mil vagas. A taxa de desemprego permaneceu estável em 4,3% contra o mês de março.


… O salário médio pago por hora, considerado um indicativo de inflação, subiu 0,16%, abaixo do previsão de 0,3%.


… O Bank of America resumiu bem a percepção deixada pelo relatório de emprego entre os investidores:


… O dado é sólido o suficiente para permitir confortavelmente que o Fed mantenha os juros estáveis, mas não indica um mercado de trabalho superaquecido, reduzindo os riscos extremos de novos apertos da política monetária.


… O ritmo moderado dos salários aponta que o emprego forte não tem embutido maior pressão inflacionária.


… Depois do payroll, a ferramenta do CME manteve a aposta de juro estável pelo Fed até o fim do ano que vem.


… Mesmo com a surpresa do dado do emprego, Stephen Miran continuou insistindo ser apropriado voltar a cortar juros, embora tenha reconhecido que o choque energético pode reduzir o número de cortes esperados para o ano.


… De seu lado, Austan Goolsbee não descartou uma flexibilização pelo Fed, mas disse não entender “como alguém pode olhar para a situação atual e considerar que a única opção viável seja um corte nas taxas de juros”.


… Segundo ele, todas as opções sobre os juros estão sendo consideradas, porque a inflação continua “alta e evoluindo na direção errada”, e “já estava elevada antes mesmo de a guerra no Oriente Médio estourar”.


… No mercado, a leitura tranquila do payroll esvaziou o risco de estagflação, não corroborou qualquer alarmismo de que os próximos movimentos do Fed possam ser de um aperto e despertou uma onda de apetite por risco.


… Por aqui, pela primeira vez em quase dois anos e meio (desde janeiro de 2024), o dólar furou o nível dos R$ 4,90. Fechou em baixa de 0,60%, para R$ 4,8939, faturando a fraqueza global da moeda americana e o petróleo caro.


… O contrato do barril do Brent para julho subiu 1,22%, a US$ 101,29, mas fechou a semana em queda de 6,36%.


… A pressão na sexta-feira veio da notícia de que os americanos atacaram dois petroleiros de bandeira iraniana, no Estreito de Ormuz, tentando violar o bloqueio aos portos do país. Mas Trump disse que o cessar-fogo está mantido.


VIRANDO A MARÉ – O dólar abaixo de R$ 5 ainda não acusa a reversão do fluxo externo para a renda variável.


… Em um intervalo de dez dias, até a última quarta-feira (dia 6), houve saída líquida de R$ 10,49 bilhões da B3, na pior sequência de retirada de recursos desde abril do ano passado, mês marcado pelo início do tarifaço de Trump.


… Diante da fuga, o saldo de k externo do ano recuou de R$ 64,88 bilhões para R$ 54,39 bilhões, queda de 16,16%.


… Reportagem do Broadcast apurou que, além da incerteza da guerra, o investidor estrangeiro tem trocado o Brasil por papéis de empresas de tecnologia de países emergentes, em particular as sediadas na Coreia do Sul e em Taiwan.


… A retirada do capital externo já parece estar se refletindo nos giros diários menores negociados pelo Ibovespa.


… No último pregão, o volume foi de R$ 29,4 bilhões. O índice à vista da bolsa doméstica fechou em alta moderada de 0,49%, a 184.108,29 pontos, com os investidores dispostos a descontar temporariamente o risco da guerra.


… Entre as blue chips, destaque para a reação da Vale (+1,77%; R$ 81,49), apesar do minério estável (-0,06%).


… Os bancos também se recuperaram parcialmente das perdas do dia anterior: Itaú PN, +1,15% (R$ 41,26); BB +0,51% (R$ 21,80); Santander unit, +0,46% (R$ 28,55); Bradesco PN, +0,38% (R$ 18,59); e BTG, +2,53% (R$ 58,65).


… Já Petrobras descolou do petróleo e recuou: PN, -1,19%, na mínima de R$ 45,67; e ON -0,87%, a R$ 50,11.


… Com o payroll afastando o receio de pouso forçado (hard landing), o S&P 500 e o Nasdaq renovaram os recordes, mas a indefinição sobre a resposta do Irã zerou os ganhos do Dow Jones: +0,02%, aos 49.609,16 pontos.


… Nos picos históricos, o S&P 500 subiu 0,84%, a 7.398,93 pontos, e o Nasdaq avançou 1,71%, aos 26.247,08 pontos.


… Relaxado pelo payroll, o índice DXY caiu 0,17%, a 97,900 pontos. O euro subiu 0,46%, a US$ 1,1784, a libra ganhou 0,56%, a US$ 1,3630, e o iene avançou para 156,73 por dólar, com os relatos de intervenções recentes do BoJ.


… Também foi observado alívio nas taxas dos Treasuries: o juro da Note de 2 anos caiu a 3,892% (de 3,909% um dia antes), o da Note de 10 anos cedeu para 4,364% (de 4,387%) e o do T-bond de 30 anos recuou a 4,944% (de 4,966%).


… Ainda os juros futuros domésticos aproveitaram o embalo para devolverem prêmios de risco.


… No fechamento, o DI para Janeiro de 2027 marcava 14,040% (de 14,069% no ajuste anterior); Jan/28, 13,595% (contra 13,642%); Jan/29, 13,505% (de 13,565%); Jan/31, 13,590% (de 13,665%); e Jan/33, 13,690% (de 13,768%).


QUEM DÁ MAIS? – Duas casas ajustaram para cima as apostas para a Selic no fim do ano, com o conflito no Oriente Médio exigindo maior cautela quanto ao ritmo de flexibilização monetária, diante do efeito colateral na inflação.


… A Armor Capital elevou a projeção de 13,00% para 13,50%. A Capital Economics passou a esperar 13,25% (de 12,50% antes), citando também que o ritmo da atividade econômica e do mercado de trabalho continuam aquecidos. 


… A Armor, que esperava IPCA no limite da margem de tolerância (4,5%) este ano, agora projeta o estouro do teto, a 4,8%. O BTG Pactual atualizou a sua estimativa de 4,7% para 4,9% em 2026 e de 4,1% para 4,2% no ano que vem.


CIAS ABERTAS NO AFTER – PETROBRAS informou que a Refinaria Abreu e Lima bateu recorde de produção de diesel S-10 em abril, com 385 milhões de litros.


PETRORECONCAVO. Produção média de abril caiu 1,2% ante março, para 24,4 mil barris de óleo equivalente por dia.


PPSA adiou sexto leilão de óleo, do final de julho para agosto, visando maior estabilidade do mercado.


EQUATORIAL confirmou extensão das concessões no Pará e no Maranhão até 2058 e 2060, respectivamente.


ENERGISA anunciou R$ 18 bilhões em investimentos após assinar com o governo federal a renovação de concessões de suas distribuidoras.


COPASA teve lucro líquido de R$ 368,1 milhões no 1TRI26, queda de 14,1% contra um ano antes. Ebitda somou R$ 787,4 milhões, recuo de 3,2%, e receita líquida cresceu 3,2%, para R$ 2,128 bilhões…


… Aegea e Sabesp se cadastraram no processo para disputar fatia de 30% da Copasa. (Valor)


SANTANDER O conselho de administração aprovou, por unanimidade, a eleição de Gilson Finkelzstain para o cargo de diretor-presidente da companhia, em continuidade ao plano de sucessão de Mario Roberto Opice Leão, atual CEO.


ASSAÍ. Alaska Investimentos atingiu fatia de 5,01% do capital.


RIACHUELO pagará R$ 40 milhões em JCP, a R$ 0,07 por ação. Ex em 14/05.


EMBRAER. Brandes Investment passou a deter 5% das ações.


MOTIVA celebrou termo aditivo com o Estado de São Paulo ao contrato de concessão na Renovias, com saldo estimado em R$ 75 milhões em favor da concessionária.


KEPLER WEBER teve lucro líquido de R$ 17,1 milhões no 1TRI26, queda de 33% contra um ano antes. Receita líquida recuou 10,9%, para R$ 318,1 milhões, e Ebitda caiu 36,4%, para R$ 33,7 milhões.


FERTILIZANTES HERINGER teve lucro líquido de R$ 14,6 milhões no 1TRI26, queda de 75,5% contra um ano antes. Receita líquida recuou 42%, para R$ 525,3 milhões, e Ebitda ficou negativo em R$ 4,1 milhões.


AOS ASSINANTES DO BDM, BOM DIA E BONS NEGÓCIOS!

domingo, 10 de maio de 2026

Gestao de recursos

 *Leitura de Domingo: IA ajuda gestão de patrimônio, mas conversa com humano continua fundamental*


Por Eduardo Puccioni


São Paulo, 06/05/2026 - A inteligência artificial (IA) chegou para mudar a indústria de investimentos. Fabio Kokumai, diretor de contas da Salesforce, destaca que "a tendência é clara". "Há transição tecnológica relevante na indústria. A IA ajuda muito o advisor a administrar ainda mais as carteiras, ajudando a enriquecer o dia a dia com informações sobre os clientes", disse Kokumai em painel durante a 3ª edição do Gorila Wealth Trends em São Paulo.


Embora a tecnologia tenha substituído o trabalho do profissional, um ponto é claro para o diretor da Salesforce. O assessoramento do investidor carece de contato humano. "O relacionamento pessoal ainda segue sendo o mais importante entre advisory e cliente", diz o executivo da empresa de tecnologia.


Gustavo Torres, responsável pela área de inovação e experiência do C6 Bank, tem o mesmo entendimento. Ele diz que a relação entre o advisory e o cliente é fundamental para o profissional saber detalhes e ter maior conhecimento sobre as demandas. "Hoje já temos o C6 Assistant, que realiza operações mais comuns. O cliente recebe um pedido de PIX por Whatsapp, tirando um print da tela e colocando no aplicativo do banco ele faz o PIX automático. Essa é uma operação simples, a questão são as operações mais elaboradas", afirma Torres, em palestra durante o evento Gorila Wealth Trends.


Guilherme Assis, CEO do Gorila, destaca a facilidade e otimização de tempo do advisory com tarefas do dia a dia feitas por IA, como uma transcrição de uma reunião, unificação de dados dos clientes e consolidação de carteiras. "A IA tem beneficiado o mercado e trazido ganho de escala para investidores que podem ser atendidos por uma máquina, onde não há profissionais suficientes para atendê-los [investidores de menor renda, que geralmente são atendidos por bancos tradicionais]."


Torres, do C6, lembra ainda que a tecnologia traz uma mudança de comportamento que precisa ser adaptada pelo advisory, pois os clientes vão chegar cada vez mais munidos de informações. "Toda tecnologia gera uma mudança de comportamento. Neste momento, o importante é saber qual será a mudança de comportamento com a chegada da IA. No dia a dia, temos utilizado a IA para nos munir de informações. Antes de ir à uma consulta médica, costumo consultar a IA para saber qual problema posso ter. Esse é um exemplo de como as pessoas estão se munindo de informações antes de conversar com um profissional", explica Torres.


Contato: eduardo.puccioni@estadao.comm


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Influência de Vorcaro

 *PF apura influência de Vorcaro em projetos no Congresso para beneficiar negócios que vão de energia a crédito de carbono*

A suspeita dos investigadores é que dono do Master tenha atuado para modificar os projetos enquanto ainda eram discutidos


Por Victoria Azevedo , Eduardo Gonçalves e Thiago Faria — Brasília 10/05/2026 03h30 Atualizado há 4 horas


Foco da operação deflagrada na semana passada pela Polícia Federal (PF), a influência do ex-banqueiro Daniel Vorcaro no Congresso tinha como pano de fundo, de acordo com as investigações, o interesse em projetos que poderiam impactar seus negócios. A apuração identificou que a agenda legislativa do fundador do Banco Master incluía uma proposta que regulamentou o mercado de carbono no Brasil, área em que Vorcaro possuía investimentos, e outra que tratava sobre transição energética.


Ao autorizar buscas em endereços do senador Ciro Nogueira (PP-PI), o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), também cita uma emenda apresentada pelo parlamentar para ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) a investidores. A medida, que não chegou a ser aprovada, beneficiaria o Master, que tinha a garantia do fundo como uma das principais estratégias de negócio para alavancar investimentos em seus Certificados de Depósitos Bancários (CDBs). Em sua decisão, porém, Mendonça faz a ressalva de que “não teria sido um episódio isolado”, ao mencionar essas outras duas propostas.


A suspeita dos investigadores é que Vorcaro também tenha atuado para modificar os projetos enquanto ainda eram discutidos no Congresso. A PF aponta que, em novembro de 2023, o ex-dono do Master ordenou a retirada, na casa de Nogueira, de envelopes com minutas de projetos de lei para que fossem revisados e, posteriormente, devolvidos a um servidor vinculado ao parlamentar. O senador do PP, contudo, não chegou a apresentar emendas nesses projetos. Procurado, ele também negou ter feito qualquer pedido em relação aos textos. A defesa de Daniel Vorcaro, disse que não iria comentar.


*Emenda de Motta*


No caso do projeto sobre mercado de carbono, as suspeitas de autoridades recaem sobre uma emenda apresentada pelo atual presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), em dezembro de 2023, quando ainda não havia assumido o cargo. O deputado é próximo de Nogueira, que trabalhou para que o aliado fosse escolhido como sucessor de Arthur Lira (PP-AL) no comando da Casa.


Motta nega ter tratado do assunto com Nogueira. Ele diz que a emenda apresentada foi “resultado de um acordo partidário” e destacou que “o ato de legislar não é crime”. “A emenda apresentada garante que parte do faturamento do setor de seguros seja voltada para a compra de crédito de carbono como forma de assegurar a aplicação de recursos na sustentabilidade ambiental, principalmente quando se trata de atividades poluidoras. Ao aprovar a emenda, o Legislativo considerou que ela cumpre os critérios constitucionais”, diz, em nota.


O mercado de carbono é um instrumento usado por empresas para compensar suas emissões de gases de efeito estufa. Elas podem comprar títulos lastreados em projetos que reduzem emissões ou capturam carbono da atmosfera, os chamados créditos de carbono. O mecanismo é considerado essencial para estimular medidas de combate ao aquecimento global.


A emenda apresentada por Motta, e que foi incorporada à versão final da lei, obriga entidades de previdência privada, sociedades de capitalização e resseguradoras a investir um percentual mínimo de suas reservas em créditos de carbono ou em fundos ligados a esses ativos. Na prática, a medida criou um mercado cativo, beneficiando empresas que atuam no setor.


Uma dessas empresas é a Golden Green Participações, criada para operar no mercado de carbono, e que, segundo a PF, tinha conexões com a teia de fundos do Banco Master. A Golden Green recebia recursos do fundo Jade, abastecido com aportes que tinham o banco de Vorcaro como origem. A movimentação de recursos por fundos é vista por investigadores como uma forma de dificultar a identificação dos cotistas dos fundos.


Além da Golden Green, outra empresa que atua no setor, a Global Carbon, possuía investimentos de fundos ligados à rede de Vorcaro. Esses fundos eram administrados pela Reag, que teve sua liquidação determinada pelo Banco Central por suspeita de fraude financeira.


Após a sanção da lei, a emenda apresentada por Motta foi questionada judicialmente pela Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização (CNseg). Em ação no STF, a entidade pede a suspensão imediata do dispositivo e prevê que a obrigação imposta a empresas do setor injetará até R$ 9 bilhões ao ano, valor maior do que o mercado de carbono conseguiria absorver.


Shigueo Watanabe Jr., pesquisador do Climainfo, diz que a emenda, tal qual foi redigida, faz com que as seguradoras, que “não têm nada que ver com mercado de carbono, porque não têm emissão para reduzir”, terão de reservar esses valores, já que cria um mercado cativo.


— Não existe nada mais capitalista do que ter mercado cativo, é o sonho dourado de toda empresa. Todo mercado de carbono funciona para que as indústrias possam ir calibrando que horas elas vão mudar de patamar e parar de queimar combustíveis fósseis e não ter mais que comprar crédito de carbono. Do jeito que está, as seguradoras nunca vão conseguir se livrar disso — disse ele.


*Transição energética*



Outro projeto de lei que a PF cita como fruto de interesse de Vorcaro é o que criou o Programa de Aceleração da Transição Energética (Paten). A proposta prevê a criação do chamado Fundo Verde, administrado pelo BNDES, para financiar iniciativas ligadas à transição ecológica.


Na prática, o fundo permitirá que as empresas usem créditos que têm a receber da União — valores muitas vezes parados em disputas ou compensações tributárias — como uma espécie de garantia para obterem linhas de financiamento em instituições financeiras, desde que os projetos estejam ligados a agendas e iniciativas ambientais.


Já no caso da emenda que ampliava a proteção do FGC a investidores, a Polícia Federal aponta que o conteúdo foi redigido pela assessoria do Banco Master, e “reproduzida de forma integral” por Ciro Nogueira ao apresentar a proposta. A medida, que não chegou a ser aprovada, ampliava de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura de investimentos garantidos pelo fundo.


Mensagem obtida pela PF aponta que Vorcaro chegou a comemorar a publicação da proposta de emenda: “Saiu exatamente como mandei”, escreveu o dono do Master, de acordo com as investigações.


https://oglobo.globo.com/google/amp/politica/noticia/2026/05/10/pf-apura-influencia-de-vorcaro-em-projetos-no-congresso-para-beneficiar-negocios-que-vao-de-energia-a-credito-de-carbono.ghtml

Omissão sistêmica

 *Vorcaro soube usar 'omissão sistêmica' em favor do Master*


Para especialistas, servidores não têm devida blindagem para atuar preventivamente contra riscos de fraudes Nos EUA, incentivo a denúncias é tão estruturado que oferece até prêmio em dinheiro para quem apontar irregularidades


9.mai.2026 às 12h01


Na semana passada, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Flávio Dino expressou a dúvida que acomete a todos quando se trata das irregularidades do Banco Master: "Como ninguém viu? O elefante é grande, está pintado de azul, desfilando na frente de todo mundo."


Especialistas divergem sobre quais mecanismos alimentaram essa cegueira em tantas instituições públicas e privadas, por tanto tempo, até o escândalo se tornar público com a liquidação do Master e a prisão de Daniel Vorcaro em novembro do ano passado.


No entanto, concordam num ponto: Vorcaro e seus companheiros não inventaram nada novo e souberam usar a favor do Master os sistemas regulatório, político e jurídico que incentivam a omissão, não a denúncia, abrindo espaço para a fraude bancária mais custosa da história do país.


As estimativas apontam prejuízos de R$ 60 bilhões. A título de comparação, superam as principais crises bancárias dos últimos 20 anos e até as perdas apuradas pela Lava Jato, que ficaram entre R$ 29 bilhões, segundo o TCU (Tribunal de Contas da União) e R$ 42 bilhões, pelas estimativas de PF (Polícia Federal).


O advogado José Andrés Lopes da Costa, especialista em regulação bancária, acompanhou as crises de instituições como Santos, Panamericano e Cruzeiro do Sul. Ele conta que, apesar de o Brasil ter leis robustas e profissionais competentes, a dinâmica da omissão foi contaminando as estruturas de regulação e fiscalização nos últimos anos, produzindo distorções cada vez maiores.


Nesse contexto, ele apresenta duas leituras possíveis para explicar como o caso Master escalou.


"A primeira é a do escândalo. Houve gente que deveria ter visto e não viu, ou que viu e tapou os olhos, ou que, tendo visto, preferiu nada dizer. Essa é a leitura da falha individual, do conluio, que oferece vilões ao público, permite que se troquem nomes e a história prossiga, mantendo intactas as estruturas que geraram a crise", afirma o advogado.


"A segunda leitura é mais técnica e incômoda. Os sistemas regulatório, político e jurídico, incluindo o do funcionalismo público de carreira, não oferecem incentivos à reação. Isso faz com que cada agente, ao ponderar seus próprios riscos e ganhos, perceba que tem mais a perder vendo do que não vendo."


O próprio caso Master produziu exemplos dessa dinâmica.


Em 2024, três gestores da Caixa Asset, braço de investimentos da Caixa Econômica Federal, redigiram um relatório contra a compra de R$ 500 milhões em letras financeiras do banco de Daniel Vorcaro. A operação foi considerada arriscada e suspeita. O trio foi afastado de suas funções.


Em 2025, a diretoria da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) julgou um polêmico caso da Ambipar, envolvendo o Master e o empresário Nelson Tanure numa suspeita de manipulação de mercado. O então presidente da autarquia, João Pedro Nascimento, votou contra o pleito das empresas e, nove dias depois, renunciou.


O interino que assumiu na sequência, Otto Lobo, reverteu o voto, dando ganho de causa às empresas. Em janeiro deste ano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva indicou Lobo para ficar em definitivo na presidência da CVM.


"O Brasil precisa redesenhar a estrutura de prêmios e punições da burocracia regulatória, blindar institucionalmente o agente que reporta irregularidades, criar caminhos de progressão de carreira que premiem a coragem em vez de penalizá-la, alterar os mecanismos de financiamento político que tornam a omissão racionalmente preferível ao testemunho. É trabalho de décadas", afirma Costa.


O economista e colunista da Folha Marcos Lisboa chama a atenção para dois outros componentes que incentivam a letargia do sistema.


O primeiro é o risco de sanções para quem tenta evitar a crise antes que ela tenha espalhado prejuízos e feito número suficiente de vítimas para se tornar incontestável. "Servidores que ousem atuar preventivamente, na tentativa de evitar uma fraude, podem ser acionados na Justiça, em processos que se prolongam por anos, ou enfrentarem questionamentos do TCU", diz.


Há também exemplo desse risco. O TCU questionou o Banco Central sobre a liquidação do Master. O ministro Jhonathan de Jesus apurou possível "precipitação" e exigiu explicações.


Os Estados Unidos oferecem o ambiente oposto. Quem faz um alerta preventivo não sofre penalidades caso não se confirme, e quem dá dica certeira pode até receber prêmio em dinheiro. Lá existe a figura do "whistleblower", o tocador de apito.


A False Claims Act, de 1863 e reformada em 1986, autoriza qualquer cidadão a propor ação civil em nome do governo federal contra fraudadores e garante ao denunciante de 15% a 30% dos valores recuperados. O Dodd-Frank Act, de 2010, em resposta à crise de 2008, criou o programa de whistleblowers na SEC (Securities and Exchange Commission, a agência regulatória do mercado de capitais). O denunciante recebe de 10% a 30% das sanções acima de US$ 1 milhão (R$ 5 milhões) quando a informação leva a uma ação bem-sucedida.


Outro problema, diz Marcos Lisboa, está na esfera privada: o tratamento difuso dado à responsabilidade solidária no mercado financeiro. Segundo o Código de Defesa do Consumidor, todos os integrantes da cadeia de fornecimento —fabricante, distribuidor, comerciante— respondem por um produto.


"Assim como um supermercado é responsável pelo molho de tomate que vende, ainda que não o tenha fabricado, as corretoras são responsáveis pelos produtos financeiros que oferecem e devem alertar os investidores. Bastava ler os balanços do Master para ver o tamanho do risco de seus CDBs, por exemplo."


As demonstrações financeiras de 2020 e 2021, por exemplo, mostravam que o Master já concentrava parcela elevada de seus ativos em precatórios e direitos creditórios federais, que têm liquidez incerta e difícil precificação. Em 2023, cerca de 80% da carteira de títulos do banco era composta por fundos ligados a ativos de baixa liquidez e avaliados principalmente por modelos internos, e não por preços transparentes de mercado.


Em 2024, o balanço trouxe sinais de fragilidade financeira. Dos R$ 18,4 bilhões registrados como depósitos interfinanceiros —operações entre instituições— R$ 17,9 bilhões vinham de partes relacionadas. Isso indicava forte dependência de recursos ligados ao próprio grupo econômico, e falta de apoio do mercado interbancário tradicional.


O economista Roberto Teixeira da Costa, um decano com 50 anos de atuação no mercado de capitais e autor do livro "Crises Financeiras - Brasil e Mundo (1929-2023)", diz que era possível identificar a fragilidade do Master até de forma intuitiva. Segundo ele, se um CDB paga muito acima do mercado, por si só, já é um alerta.


"Jamais aplicaria naquilo. Então, entrou aí o componente ganância. Houve pagamentos de comissões altas para a distribuição do papel, e muitas pessoas sacrificaram o raciocínio lógico à espera de ganhos um pouco maiores", afirma.


Teixeira da Costa lembra que a proteção do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) ajudou a sustentar a estratégia de captação agressiva do Master. Como os CDBs têm cobertura de até R$ 250 mil por CPF e por instituição, muitos investidores aceitavam taxas elevadas sem considerar o risco. Por isso, defende que o instrumento seja recalibrado.


"O FGC foi uma criação importante, porque permitiu que os títulos emitidos por bancos de menor porte pudessem ter acolhida, mas não se previu abusos. Agora, acho que deveriam revê-lo para reembolsar, vamos dizer, 75% do valor investido. Isso obrigaria as pessoas a avaliarem se querem assumir riscos."


O advogado Guilherme France, da Transparência Internacional, chama a atenção para um grande diferencial da fraude do Master que promove a dissuasão indiretamente: a presença de altas autoridades na rede de influência criada por Daniel Vorcaro.


"Essa rede, pelo que estamos constatando, reuniu representantes nos três Poderes —desde parlamentares em altas posições do Congresso Nacional, ministros do Supremo, pessoas no Executivo em cargos de ministério", afirma France.


Na avaliação dele, mesmo que passivamente, essa rede serve para intimidar.


"Se há proximidade de ministros do Supremo, qual o incentivo para um procurador da República em São Paulo investigar o dono deste banco? Qual o incentivo para um analista da CVM apontar uma irregularidade? A gente já viu fraudes bancárias maiores em outros países, mas tal captura dos Poderes da República para evitar responsabilização é inédita. Vorcaro inaugurou aí um novo patamar."


https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/05/vorcaro-soube-usar-omissao-sistemica-em-favor-do-master.shtml

Brasil na moda de novo...

 https://oglobo.globo.com/economia/tony-volpon/coluna/2026/05/brasil-na-moda-de-novoagora-vai.ghtml *Brasil na moda de novo…agora vai?*   _T...