quarta-feira, 13 de maio de 2026

 Guerra pressiona inflação e trava juros

A agenda do dia traz PPI nos EUA, varejo no Brasil, pesquisa Quaest e balanços importantes na B3, com destaque para BB, CSN e Braskem


13/05/2026


… A guerra entre Estados Unidos e Irã deixou de ser apenas um fator de aversão a risco e passou a contaminar diretamente inflação, juros e atividade econômica. Com o petróleo acima dos US$ 107 e as negociações ainda sob impasse, investidores acompanham os desdobramentos da viagem de Trump à China, enquanto os dados de inflação mais fortes nos Estados Unidos reforçam apostas de um Fed ainda mais cauteloso. No Brasil, o IPCA qualitativamente pior aumentou o desconforto com os núcleos de inflação e reduziu o espaço para cortes da Selic. A agenda do dia traz PPI nos EUA, varejo no Brasil, pesquisa Quaest e balanços importantes na B3, com destaque para BB, CSN e Braskem.


O FORTE IMPACTO DA GUERRA – O mercado voltou a operar sob a percepção de que o impasse entre Estados Unidos e Irã está longe de uma solução e que o choque provocado pela guerra já ultrapassou a esfera geopolítica para atingir diretamente inflação, juros e atividade.


… A rejeição americana à contraproposta iraniana interrompeu as negociações e reacendeu os temores sobre o Estreito de Ormuz, mantendo o petróleo em forte alta. O Brent voltou a superar os US$ 107, enquanto Trump endureceu o discurso antes da viagem à China.


… O presidente afirmou que não tem pressa para um acordo e que sua prioridade é impedir que Teerã tenha acesso a armas nucleares. Além disso, voltou a ameaçar o Irã caso não haja acordo, reiterando que pretende “levar isso até o fim”.


… Trump disse que não precisa da China para resolver a crise com o Irã, mas o mercado espera que a conversa com Jinping possa ajudar. No fim do dia, o Depto de Estado informou que Pequim e Washington concordam em se opor a pedágios no Estreito de Ormuz.


… O alinhamento veio após conversa telefônica entre o secretário de Estado americano, Marco Rubio, e o chanceler chinês, Wang Yi, em abril.


… A leitura do mercado passou a ser a de que o conflito não apenas persiste, mas já produz efeitos econômicos mais profundos e duradouros.


… Nos Estados Unidos, o CPI de abril subiu 3,8% em 12 meses, enquanto o núcleo avançou 2,8%, com alta mensal de 0,4%, em leitura pressionada pelos preços de energia e alimentos, enquanto o mercado já projeta a possibilidade de uma nova alta de juros em 2027.


… Mais do que os números cheios da inflação, o mercado passou a prestar atenção na deterioração qualitativa do cenário americano.


… Reportagem da Bloomberg destacou que os salários reais voltaram a cair pela primeira vez desde 2023, enquanto famílias americanas começam a reduzir consumo, usar mais crédito e recorrer à poupança para enfrentar o aumento dos preços da gasolina e dos alimentos.


… O sentimento do consumidor atingiu o menor nível registrado pela Universidade de Michigan, às vésperas das eleições de meio de mandato. O preço da gasolina acumula alta de cerca de 50% desde o início da guerra, enquanto alimentos básicos seguem pressionados.


… E o pior, analistas alertam que, mesmo com a eventual reabertura de Ormuz, os efeitos sobre inflação e cadeias de abastecimento tendem a permanecer por meses, diante do encarecimento do transporte global e dos fertilizantes.


NO BRASIL – O impacto da piora do ambiente externo e da alta do petróleo foi sentido na curva de juros local, após um IPCA qualitativamente pior reforçar a percepção de que o BC seguirá cauteloso, diante da combinação de inflação resistente e energia pressionada.


… Os dados vieram dentro do esperado, com desaceleração do IPCA de 0,88% em março para 0,67% em abril, e aumento do acumulado em 12 meses de 4,14% para 4,39%, mas pesou mais a deterioração relevante dos núcleos de inflação.


… A média dos cinco núcleos acompanhados pelo BC acelerou de 0,43% para 0,49% na passagem mensal, em movimento visto por analistas como sinal de pressão mais disseminada sobre os preços, mesmo antes de todos os impactos do choque do petróleo terem chegado à economia.


… Grandes bancos, como Itaú e Bradesco, destacaram a piora dos componentes subjacentes da inflação, enquanto o Barclays alertou para riscos crescentes de alta na projeção para a taxa Selic no fim deste ano.


… Embora a aposta majoritária para o Copom de junho ainda seja de um corte de 0,25 ponto, o mercado elevou para 30% a probabilidade de manutenção do juro em 14,50%, diante do menor espaço para flexibilizar a política monetária com inflação e petróleo pressionados.


PETRÓLEO – Depois de o Brent voltar a superar os US$ 107, investidores monitoram nesta quarta-feira os relatórios mensais da Agência Internacional de Energia (AIE) e da Opep, além dos dados semanais de estoques americanos, em busca de sinais sobre oferta global.


… A AIE divulga seu relatório à primeira hora do dia, na França, enquanto a Opep publica seu documento mensal ao longo da manhã, em Viena.


… Mais tarde, às 11h30, o Departamento de Energia dos Estados Unidos (DoE) apresenta os dados semanais de estoques de petróleo bruto, com expectativa de queda de 2,3 milhões de barris na semana encerrada em 8 de maio.


… Em relatório nesta terça-feira, o DoE reduziu a projeção média do Brent para 2026, a US$ 95 o barril, mas elevou a estimativa para 2027, para US$ 79, em leitura que reforça a percepção de impactos mais prolongados da guerra sobre oferta, logística e fluxo global de petróleo.


MAIS AGENDA – Ainda no exterior, o principal dado do dia será o índice de preços ao produtor (PPI) dos Estados Unidos, às 9h30, após o CPI de abril reforçar a percepção de inflação mais resistente ligada ao choque de energia.


… A mediana aponta alta de 0,7% no índice cheio em abril e avanço anual de 5%, enquanto o núcleo deve subir 0,3% no mês e 4,4% em 12 meses.


… Também seguem no radar falas de dirigentes do Fed ao longo do dia, incluindo Susan Collins (12h30), Neel Kashkari (14h) e Lorie Logan (20h).


… Na Europa, a segunda leitura do PIB da zona do euro no primeiro trimestre e os números de produção industrial de março abrem o dia (6h), enquanto Christine Lagarde participa de evento na Alemanha à tarde (16h15).


WARSH – O Senado americano deve votar hoje a indicação de Kevin Warsh para substituir Jerome Powell na presidência do Fed. Ontem, o seu nome foi aprovado para integrar o Conselho de diretores, que encerra o breve mandato de Stephen Miran.


NO BRASIL – O destaque da agenda será o desempenho do varejo em março, em busca de sinais adicionais sobre a desaceleração da atividade econômica em meio ao ambiente de juros elevados e inflação resistente.


… A mediana do mercado (pesquisa Broadcast) aponta alta de 0,1% para as vendas do varejo restrito e avanço de 0,2% no varejo ampliado, com perda gradual de tração do consumo, embora as vendas de veículos devam sustentar parte do desempenho do varejo ampliado.


… O mercado também monitora os efeitos da inflação mais elevada, do crédito mais caro e do aumento do endividamento das famílias.


PESQUISA – Às 8h, a Genial/Quaest divulga nova rodada de pesquisa sobre avaliação do governo e cenário eleitoral para a Presidência da República. O levantamento também mediu a percepção do eleitorado sobre a proposta de ampliação da faixa de isenção do IR.


GALÍPOLO – Abre às 9h a IV Conferência Anual do BC, em Brasília, em um momento no qual o mercado recalibra expectativas para a Selic, após a piora qualitativa do IPCA de abril e a pressão adicional provocada pela alta do petróleo.


… O Banco Central também divulga o fluxo cambial semanal, às 14h30.


BALANÇOS – A temporada de resultados segue movimentada na B3, com destaque para Banco do Brasil (que fechou na mínima do dia, em queda de 1,02%, nesta terça-feira), Braskem, CSN, Rede D’Or e Americanas após o fechamento do mercado.


… Também divulgam números hoje CSN Mineração, Boa Safra, Casas Bahia, Equatorial Energia, Compass, CVC, Eneva, Positivo, Qualicorp e SLC Agrícola. A Oi suspendeu a divulgação do balanço, que estava prevista para depois do fechamento.


PETROBRAS – Em teleconferência para comentar o balanço, a presidente, Magda Chambriard, afirmou que a companhia deve promover “já, já” um aumento no preço da gasolina, embora ressalte a necessidade de preservar competitividade diante da concorrência com o etanol.


… Segundo ela, os subsídios ao diesel já acumulam R$ 1,50 desde o início da guerra, sendo R$ 0,70 nos primeiros 12 dias e R$ 0,80 após 15 dias.


… A Petrobras também reiterou que não vê risco estrutural de desabastecimento no mercado interno, apesar das tensões no Golfo Pérsico.


… Em relatório, o Itaú BBA estimou que o preço da gasolina vendido pela Petrobras está cerca de 36% abaixo da paridade internacional. No diesel, o banco avalia que os preços praticados nas refinarias estão próximos da paridade de importação.


… Na Bolsa, as ações da Petrobras não conseguiram acompanhar a nova alta do Brent (+3%), nesta terça-feira. PETR ON caiu 1,16% e PETR PN recuou 1,62%, em movimento de realização de lucros após o balanço trimestral, visto pelo mercado como misto.


FRIGORÍFICOS – A União Europeia retirou o Brasil da lista de países autorizados a exportar animais e produtos de origem animal ao bloco dentro das novas regras relacionadas ao uso de antimicrobianos na pecuária.


… A decisão foi publicada nesta terça-feira e passa a valer a partir de 3 de setembro de 2026, dentro do Regulamento (UE) 2019/6.


… Segundo a Comissão Europeia, o Brasil deixou de integrar a lista por não apresentar garantias suficientes de que não utiliza substâncias antimicrobianas proibidas para fins de crescimento ou ganho de rendimento animal.


… Com isso, o país poderá perder acesso ao mercado europeu para exportações de bovinos, aves, equinos, ovos e produtos de aquicultura.


… Argentina, Paraguai e Uruguai permaneceram autorizados a exportar carnes bovina, ovina e de aves ao bloco europeu, aumentando a pressão competitiva sobre os frigoríficos brasileiros em um momento de disputa global por mercados.


… A medida ocorre poucos dias após a vigência provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia.


… O mercado acompanha o potencial impacto da decisão sobre empresas exportadoras de proteína animal, especialmente diante do peso da Europa em segmentos premium e da crescente exigência internacional em relação a rastreabilidade e padrões sanitários.


CURTAS DA POLÍTICA – A poucos meses da eleição, o presidente Lula voltou a reforçar medidas de apelo popular, diante do aumento da pressão sobre o custo de vida e do desgaste provocado pela inflação.


… Em movimento sem aviso prévio, o presidente assinou nesta terça-feira uma Medida Provisória que zera os tributos federais sobre compras internacionais de até US$ 50, encerrando a chamada “taxa das blusinhas”.


… O governo argumenta que a tributação implantada em 2024 ajudou a combater o contrabando e regularizar o setor, permitindo agora a retirada da cobrança federal. A medida passa a valer imediatamente após publicação no Diário Oficial.


LIMITE DO FGC. Investigado pela Polícia Federal por suposta ligação com Daniel Vorcaro, o senador Ciro Nogueira reapresentou proposta que amplia de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos por CPF em caso de quebra de instituição financeira.


… O texto também prevê revisão automática do limite a cada quatro anos.


… A chamada “emenda Master” já havia sido discutida em 2024 durante a tramitação de mudanças nas regras do Banco Central. Segundo a PF, mensagens interceptadas indicariam participação do banco de Vorcaro na elaboração da proposta, o que é negado pelo senador.


DOSIMETRIA. O deputado Paulinho da Força afirmou estar otimista com a validação da Lei da Dosimetria após reunião com o ministro Alexandre de Moraes. Segundo o parlamentar, Moraes indicou que o tema poderá ir a julgamento no STF ainda na última semana de maio.


… A lei, promulgada após derrubada de veto de Lula pelo Congresso, reduz penas de condenados pelos atos de 8 de Janeiro e beneficia diretamente Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe de Estado.


… Moraes suspendeu temporariamente a aplicação da norma até análise das ações que questionam sua constitucionalidade no Supremo.


HOJE SÓ AMANHÃ – Passam-se os dias, semanas e meses e nada de a guerra apontar para um desfecho, arrastando a incerteza, ampliando o choque do petróleo e agora despertando o risco de alta do juro do Fed no ano que vem.


… Essa possibilidade, que algum tempo atrás sequer era cogitada, agora já aparece como aposta majoritária (40,8%) na ferramenta do CME para a reunião de abril do ano que vem, contra 29,8% de manutenção da política monetária.


… A expectativa de uma inflação mais persistente ganhou destaque ontem nos comentários hawkish do Fed boy Austan Goolsbee, que repetiu os alertas da semana passada de que os preços estão “indo na direção errada”.


… Segundo ele, as pressões inflacionárias não estão respondendo diretamente apenas ao petróleo e ao tarifaço. Em sua visão, o componente da inflação de serviços no CPI, divulgado ontem, indica que a economia está superaquecida.


… Ele considerou o dado pior que o esperado. “Temos um problema de inflação e precisamos trazê-la de volta para baixo. Os juros não devem cair no momento, devido ao difícil equilíbrio que o BC precisa manter”, afirmou.


… O CPI subiu 0,6% em abril na comparação com o mês anterior, em linha com o consenso do mercado. No acumulado em 12 meses, a alta foi de 3,8%, acima da expectativa de 3,7%, o maior valor desde maio de 2023.


… O núcleo do indicador de inflação ao consumidor, que exclui itens voláteis como alimentos e energia, teve alta de 0,4% em base mensal, dentro do esperado. Na base anual, o núcleo cresceu 2,8%, acima do consenso de 2,7%.


… O core se distancia da meta de 2% e impõe desafios importantes à estreia de Kevin Warsh no comando do Fed.


… A divulgação do CPI coincidiu com mais um dia de rali do petróleo, detonado pelo impasse no acordo de paz entre os EUA e o Irã. O Brent subiu 3,41%, a US$ 107,77, e o WTI saltou 4,19%, rompendo US$ 100, a US$ 102,18.


… As taxas dos Treasuries cruzaram níveis psicologicamente relevantes: a da Note-2 anos operou acima de 4% na máxima, mas fechou a 3,991% (de 3,951% na véspera). A do T-Bond de 30 anos superou 5%, a 5,026% (de 4,979%).


RUIM LÁ E CÁ – Os obstáculos para um processo de desinflação não são exclusividade dos Estados Unidos e está aí o IPCA de abril para provar o desafio do Copom, que pode ter que parar os cortes antes se o petróleo seguir escalando.


… Um potencial reajuste da gasolina funcionaria como o grande driver de deterioração extra das expectativas inflacionárias, que em grande parte já superam o teto da meta de 4,5%. O Barclays estima IPCA de 5% no fim do ano.


… Mas não descarta inflação ainda mais pressionada, no caso de a Petrobras elevar os preços dos combustíveis.


… O economista-chefe para Brasil do banco britânico, Roberto Secemski, alerta que há risco crescente de alta para a projeção de Selic em 13,50% ao fim do ano. O quadro segue condicionado, em grande medida, à evolução da guerra.


… Economistas ouvidos pelo Valor concordam que o cenário de inflação em 2026 piorou muito a partir do choque de petróleo e deve ser afetado adicionalmente pelo El Niño, com a dinâmica de chuvas encarecendo os alimentos.


… De olho no petróleo e na dobradinha da inflação (IPCA e CPI nos EUA), os juros futuros ampliaram a alta ontem.


… No fechamento, o contrato de DI para Jan/27 subiu para 14,115% (contra 14,108% no ajuste anterior); Jan/28, a 13,810% (de 13,762%); Jan/29, a 13,750% (13,689%); Jan/31, a 13,815% (de 13,763%); e Jan/33, 13,885% (13,851%).


… A perspectiva, reforçada pelo IPCA, de que o Copom só tem espaço para cortes graduais da Selic (isso se não tiver que optar por uma pausa) mantém o carry trade atrativo e ajuda a blindar o câmbio da aversão a risco global.


… Além disso, o real continua tirando vantagem do avanço do petróleo. Assim, o dólar emplacou o seu terceiro pregão seguido abaixo de R$ 4,90. Fechou o dia praticamente estável, em alta marginal de 0,08%, a R$ 4,8954.


… A moeda resistiu por aqui à pressão externa do DXY, que subiu 0,4%, a 98,298 pontos, com o petróleo e o CPI rodando altos. Pressões para a renúncia do premiê britânico, Keir Starmer, derrubaram a libra (0,51%; US$ 1,3545).


… O euro caiu 0,39%, a US$ 1,1745, apesar de o integrante do BCE Joachim Nagel ter dito que o cenário-base do BC europeu já inclui dois aumentos na taxa básica de juros, sinalizando um aperto de 25 pontos-base em junho.


… O iene recuou para 157,57 por dólar, mesmo após comentários do secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, terem sido vistos como apoio à recente rodada de intervenção de Tóquio para sustentar a moeda japonesa.


… Após encontro com a premiê, Sanae Takaichi, ele disse que a volatilidade excessiva no câmbio é indesejável e que está confiante de que o BoJ conduzirá com sucesso a política monetária para evitar ficar atrás da curva.


A VOLTA DE QUEM NÃO FOI – Nas últimas semanas, o que se vê é a bolsa devolvendo ganhos muito rápido, depois de não ter conseguido cumprir a “profecia dos 200 mil pontos”, diante da reversão do apetite estrangeiro na B3.


… O Ibovespa perdeu ontem os 181 mil pontos, em baixa de 0,86%, aos 180.342,33 pontos, com giro de R$ 29 bilhões. O balanço da Petrobras não empolgou e os papéis desperdiçaram a chance de embarcar na alta do petróleo.


… PN caiu 1,62%, a R$ 45,68, e ON recuou 1,16%, a R$ 50,22. O diretor Financeiro e de Relações com Investidores, Fernando Melgarejo, disse que a Petrobras não deve ter condição de pagar dividendos extraordinários este ano.


… Na véspera de seu balanço, BB registrou desvalorização de 1,02% e fechou na mínima de R$ 21,32. Também fecharam no vermelho Itaú PN (-1,14%, a R$ 39,87), Bradesco PN (-0,72%; R$ 17,96) e Santander (-0,65%; R$ 27,65).


… Vale apresentou leve perda de 0,24% (R$ 83,25), em sessão negativa também para o minério de ferro (-0,98%).


… Braskem PNA disparou 29,02% (R$ 11,70), após o JPMorgan elevar a recomendação dos papéis para overweight (exposição acima da média do mercado, equivalente à compra) e subir o preço-alvo de R$ 10,50 para R$ 15,00.


… Em Nova York, com o petróleo e o CPI afastando a chance de cortes de juros pelo Fed no curto prazo, as bolsas interromperam os recordes e caíram: S&P 500, -0,16%, a 7.400,96 pontos; e Nasdaq, -0,71%, a 26.088,20 pontos.


… Só o Dow Jones subiu de leve (+0,11%), aos 49.760,56 pontos, com o suporte do setor de saúde.


CIAS ABERTAS NO AFTER – Carf suspendeu julgamento sobre cobrança bilionária da PETROBRAS, segundo o Valor…


… O processo voltará a ser analisado em julho e envolve autuação com valor original de R$ 4,48 bilhões, referente à cobrança de IRPJ e CSLL de 2018. Segundo fonte, o montante atualmente em discussão gira em torno de R$ 3,4 bi.


JBS teve lucro líquido de US$ 221 milhões no 1TRI26, queda de 56% contra um ano antes. A receita líquida somou US$ 21,61 bilhões, alta de 11%, enquanto o Ebitda ajustado caiu 25,8%, para US$ 1,13 bilhão…


… A Fitch afirmou o rating BBB- da companhia, com perspectiva estável.


ITAÚ UNIBANCO ON será incluído no índice MSCI Emerging Markets a partir do fechamento de 29 de maio.


PAGBANK teve lucro líquido recorrente de R$ 575 milhões no 1TRI26, alta de 3,8% contra um ano antes. A receita líquida somou R$ 3,335 bilhões, aumento de 6,4%. O ROAE anualizado ficou em 15,8%.


HAPVIDA confirmou nova diretoria, com Luccas Adib como CEO e Lucas Garrido como CFO.


AZZAS. Decisão liminar da Justiça manteve a estrutura organizacional e Roberto Jatahy à frente da gestão das unidades de vestuário feminino e masculino.


TRACK & FIELD pagará R$ 1,5 milhão em dividendos em 29 de maio, o equivalente a R$ 0,00101 por ação ordinária e R$ 0,01011 por ação preferencial. O pagamento será realizado com base na composição acionária de 30 de abril.


MOTIVA. O tráfego total de veículos equivalentes nas concessões rodoviárias comparáveis administradas avançou 5,2% em abril de 2026 na comparação com igual mês de 2025, para 86,5 milhões de veículos equivalentes.


CURY CONSTRUTORA teve lucro líquido atribuível aos controladores de R$ 302,9 milhões no 1TRI26, alta de 41,9%. Receita líquida totalizou R$ 1,6 bi no intervalo, aumento de 32,6%. Ebitda subiu 42,9% e somou R$ 411,4 milhões…


… A empresa aprovou distribuição de R$ 160 milhões em dividendos intercalares, equivalentes a R$ 0,5194 por ação.


MITRE teve lucro líquido de R$ 18,4 milhões no 1TRI26, alta de 63,6% contra um ano antes. A receita cresceu 19,1%, para R$ 285,1 milhões.


DASA teve lucro líquido de R$ 9 milhões no 1TRI26, ante prejuízo de R$ 111 milhões um ano antes. O Ebitda consolidado cresceu 28%, para R$ 573 milhões, enquanto a receita líquida avançou 8,6%, para R$ 2,037 bilhões.


CRUZEIRO DO SUL EDUCACIONAL teve lucro líquido de R$ 61,5 milhões no 1TRI26, queda de 28,8% contra um ano antes. O Ebitda ajustado caiu 16,3%, para R$ 210,4 milhões, e a receita líquida cresceu 4,5%, para R$ 702 milhões.


BRISANET teve lucro líquido de R$ 19 milhões no 1TRI26, queda de 6,5% contra um ano antes. A receita cresceu 15,9%, para R$ 453,9 milhões, enquanto o Ebitda avançou 20,4%, para R$ 191,8 milhões.


DESKTOP teve lucro líquido de R$ 9,6 milhões no 1TRI26, queda de 50,9% contra um ano antes. A receita cresceu 9%, para R$ 321,6 milhões, enquanto o Ebitda ajustado avançou 14%, para R$ 174,5 milhões.


AERIS teve prejuízo líquido de R$ 138 milhões no 1TRI26, piora de 40,3% ante um ano antes. A receita líquida caiu 49,8%, para R$ 105,6 milhões, enquanto o Ebitda ajustado ficou negativo em R$ 27,5 milhões.


UNIPAR concluiu redomiciliação de subsidiária da Argentina para as Ilhas Cayman.


LUPATECH fechou contrato de R$ 125,3 milhões com a Petrobras para fornecimento de válvulas tipo esfera.


ETERNIT teve prejuízo de R$ 12,2 milhões no 1TRI26, piora de 14% contra um ano antes. A receita líquida recuou 6,5%, para R$ 262 milhões, enquanto o Ebitda recorrente ficou negativo em R$ 714 mil.


AOS ASSINANTES DO BDM, BOM DIA E BONS NEGÓCIOS!

terça-feira, 12 de maio de 2026

Brasil na moda de novo...

 https://oglobo.globo.com/economia/tony-volpon/coluna/2026/05/brasil-na-moda-de-novoagora-vai.ghtml


*Brasil na moda de novo…agora vai?* 


 _Todo ajuste é mais fácil de fazer, tanto econômica quanto politicamente, quando o ciclo está na sua fase positiva_ 


Apesar do evidente mau humor do brasileiro neste momento, algo que atormenta um governo e um presidente que acreditam ter tido grande sucesso na entrega de benefícios para a população, o Brasil está em alta com os “gringos”, o mercado financeiro global.


Vamos a alguns indícios dessa nova relação de amor. Nossa moeda está entre algumas das que mais valorizaram neste ano, subindo ao redor de 11% contra o dólar americano. Nossa Bolsa, que nos últimos anos foi abandonada às moscas pelo investidor local que fugiu para todo o tipo de renda fixa, hoje está mostrando uma valorização anual de 60% em dólar. Ao redor de R$ 60 bilhões foram aplicados por investidores estrangeiros na nossa Bolsa neste ano.


E, muito diferente do normal, a eclosão da guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã não mudou essas tendências — apesar de o choque energético impactar a inflação ao ponto de o mercado prever um ciclo de queda de juros bem mais modesto, o que em tese deveria impactar negativamente a precificação dos ativos financeiros.


Seria uma das explicações as expectativas sobre o pleito em outubro? É verdade que, justamente ou não, os investidores estão torcendo em sua maioria para a derrota de Lula em outubro, mas a corrida está muito incerta para alguém justificar uma alocação baseada em alguma previsão eleitoral. Isso deve acontecer bem mais perto da data da votação.


Um fator que com certeza está tornando o Brasil popular é a nossa crescente importância no mercado global de petróleo. Somos o 9º maior produtor do mundo, produzindo ao redor de 5 milhões de barris por dia, e há previsões de que podemos nos tornar o 5º até o final da década.


No ano passado, as exportações chegaram a US$ 45 bilhões de receita. Hoje, o petróleo concorre com a soja como nossa maior exportação e deve, tranquilamente, ganhar a concorrência neste ano.


Obviamente, nesta questão a guerra tem sido algo positivo. Independentemente do seu desfecho, o mundo viu que a oferta vinda do Oriente Médio pode ser facilmente interrompida, e assim fontes de petróleo longe daquela área ganham destaque. Nosso relativo isolamento geográfico, algo bastante negativo para o desenvolvimento e a integração do Brasil nas correntes de comércio globais, neste caso é algo positivo.


Esse ponto merece uma reflexão adicional. No início do milênio, a última vez que o Brasil esteve na moda, a ascendência econômica chinesa permitiu a criação de uma extensa rede de oferta ao redor da China. Países vizinhos, como a Coreia do Sul e o Japão, foram grandes beneficiários.


O Brasil aumentou muito suas exportações de bens primários, mas ficou de fora da grande concentração da oferta de manufaturados na China. Mas isso, que foi o auge da globalização, hoje se reverte, e a palavra de ordem é diversificar a oferta de insumos. Assim, nosso isolamento geográfico não pesa tanto como no passado recente, inclusive por estarmos longe das zonas de conflito.


Ajuda também o fato de sermos uma grande democracia, apesar de todos os problemas institucionais que continuamos a ter. O investidor global, olhando o mundo, vê crescentes conflitos e polarização política. Podemos argumentar que estamos vivendo uma crise política, mas nisso temos muita companhia.


Todos devem conhecer o ditado: “O Brasil não perde uma oportunidade de perder uma oportunidade”. Na última vez que estivemos na moda, durante o ciclo chinês de commodities entre 2002 e 2011, houve muitos avanços econômicos e sociais, mas fizemos várias escolhas como se aquele ciclo fosse permanente, e não estávamos preparados quando ele se desmontou.


As tentativas cada vez mais desesperadas de manter a economia crescendo feitas pelo governo Dilma levaram à maior recessão da nossa História, a partir de 2014. Nosso PIB per capita em dólar teve seu pico em 2011, e até hoje não superamos aquele patamar.


Tudo aponta que vamos viver mais um ciclo positivo. Um governo responsável aproveitaria essa oportunidade para fortalecer as contas públicas, ainda muito frágeis. Todo ajuste é mais fácil de fazer, tanto econômica quanto politicamente, quando o ciclo está na sua fase positiva. Mas, infelizmente, governos tratam bons tempos como razão para não fazer nada, já que a pressão do mercado por reformas enfraquece.


Aí, no meio de uma crise inesperada, tentamos fazer o ajuste — pense na Dilma em 2015. Aí as chances de sucesso são mínimas — pense na Dilma em 2016.


Espero que os sortudos presidentes deste novo ciclo estudem essa triste história."

Hugo Studart

 Voltou ao noticiário essa besteira imensa de que JK teria sido assassinado pela ditadura militar. Teoria conspiratória vulgar descolada de qualquer senso lógico ou fatico.


Ora, ora, a ditadura matou mais de 300, contudo, Juscelino não estava entre eles. Morreu de acidente de carro. Nem João Goulart que morreu de enfarto. Aos fatos:


1) Em 1976, quando ambos morreram, o país estava na chamada Abertura. Lenta, gradual e segura, segundo a definição de seu artifice, Ernesto Geisel. Mas já não era mais uma autocracia explícita, uma ditadura. Era uma fase histórica de distensão politica, sem repressão violenta.


2) Desde as mortes do jornalista Wladmir Herzog, em outubro de 1975, e do operário Manoel Fiel Filho, em janeiro de 1976, ambos mortos sob cruel tortura, as forças de repressão estavam acuadas pelo próprio regime militar. Ja não prendiam nem matavam ninguém (isso só voltaria em 1981).


3) Desde 1967 ou 1968, Juscelino convivia tranquilamente com os militares no poder. Morava entre o Rio e Brasília. Estava com os direitos políticos cassados. Passava os dias entre os amigos e as noites na boemia escancarada, sem ser importunado. Havia um acordo informal com o regime: JK não se envolveria com política e os militares nao se envolveriam com JK. E assim transcorreu até sua morte.


4) Jango, por sua vez, nesse período estava exilado em uma de suas fazendas no Uruguai. Bebia e comia muito. Estava deprimido.


5) Em 22 de agosto de 1976, Juscelino estava em São Paulo em viagem de negócios. Ao final da tarde, decidiu viajar para o Rio de Janeiro, de automóvel. O tempo fechado anunciava uma forte tempestade. Seu amigos tentaram demovê-lo. O fiel motorista Geraldo Ribeiro também argumentou. Mas Juscelino aloprou. Queria porque queria dormir no Rio de Janeiro com sua amante Maria Lucia Pedroso, paixão desde 1958. Então tomaram a Via Dutra.


6) Na altura de Resende, Estado do Rio, debaixo de uma chuva torrencial e sem visibilidade, um ônibus comercial cgeio de passageiros abalroou o Opala de JK. O motorista Geraldo perdeu o controle, atravessou a pista e bateu de frente em um caminhão que vinha no sentido Rio-SP


7) A perícia foi realizada pelo próprio Diretor do IML do Rio, Dr. Castelo Branco, que constatou mortes por acidente.


8) Na década de 1990, o jornalista Carlos Heitor Cony precisava escrever sua crônica semanal para a revista Manchete mas estava sem assunto concreto. Então escreveu sobre a coincidência das mortes de Jango e de JK, em datas próximas, e especulou que poderiam nao ter sido acidente e infarto. Não apresentou qualquer indicio que sustentasse sua teoria da conspiração, nas tão-somente a liberdade criativa.


9) Mais duas décadas se passaram e o governo Dilma instalou a Comissão Nacional da Verdade. Foi quando a crônica criativa de Cony ganha força de versão oficial. Sabe-se la como, encontraram indícios de que algum carro surgiu da penumbra e um agente secreto deu um tiro na cabeça do motorista Geraldo. E foi assim que JK passou a ser mais um assassinado da ditadura, sem qualquer prova ou indicio a sustentar a hipótese.


10) Ora, se os militares quisessem matar JK, teriam feito o serviço quando o AI-5 estava em vigor. Um assalto, uma injeção letal que simulasse infarto, qualquer método dentre os muitos que usavam para se livrar dos adversários.


11) Mas os assassinos esperaram pacientemente pelo dia no qual Juscelino, em viagem, teria um surto de saudades da eterna amante e decidiria viajar sob tempestade bíblica. Eita espionagem bem feita. Então os espiões seguiram o carro de JK por 250 quilômetros. Combinaram o jogo com o motorista do ônibus da Viação Cometa que, de alguma forma misteriosa, adivinhou o momento perfeito que deveria bater no carro de JK. Decerto o motorista do onibus também sabia que Geraldo atravessaria a pista quando um caminhão viria em sentido contrário. 


Em conclusão:

Ou os agentes da ditadura eram absolutamente eficientes, geniais no planejamento e na execução de suas conspirações assassinas;


Ou a turma desse novo Febeapa, Festival de Besteira que Assola o País, nos considera absolutamente desmiolados.


É o que sei; é o que penso.


Em tempo: Escrevo com a autoridade de quem ja investigou e publicou dezenas de mortes da ditadura, algumas com crueldade extrema, como a de Maria Lucia Petit, enterrada viva por jagunços a serviço do Exército, ainda tão jovem que era virgem, ou a de Manoel Fiel Filho, operário padrão sem qualquer envolvimento com a poltica, torturado até "estourar".


Hugo Studart

Mario Sabino

 Mais um ótimo artigo do Mario Sabino. Até quando o verdugo do Estado de direito de Pindorama vai continuar solapando a democracia? 👇


Moraes ignorou o direito, sustou a constituição e aboliu o parlamento 

Por Mário Sabino


“Estranha democracia, a brasileira, onde um único juiz, o ministro Alexandre de Moraes, pode suspender monocraticamente a aplicação de uma lei aprovada pelo Congresso, no caso específico a da Dosimetria.


Não vou entrar no mérito se diminuir as penas dos condenados pelo 8 de janeiro e a de Jair Bolsonaro é justo ou não (acho justo) ou discorrer sobre a qualidade intelectual e moral da maioria dos parlamentares (acho péssima).


A questão é que o Congresso aprovou a lei, a Associação Brasileira de Imprensa e o PSol (não são a mesma coisa?) entraram previsivelmente com Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) para derrubá-la no tapetão do STF — e Moraes tomou uma decisão fora das regras do jogo.


O pretexto foi uma ação impetrada por uma condenada em 8 de janeiro, que pede a aplicação da Lei da Dosimetria para reduzir a sua pena. O ministro argumentou que não poderia julgar pedidos como o dela, enquanto estiverem tramitando ADIs que põem em dúvida a validade da legislação aprovada pelo Congresso.


Ele poderia ter ficado nisso, mas não: deu uma caneta e suspendeu a aplicação da lei.


Não sou advogado (ainda os há ou existem apenas “juristas” no Brasil?), mas sei que direito é forma. É a forma concertada, cristalizada, aplicada no dia a dia, incansavelmente, nas petições, nos prazos, nos acórdãos, nos instrumentos recursais, que diferencia o direito daquilo que não tem forma ao adquirir qualquer uma: a vingança.


Diversos advogados estão estupefatos com a profanação da forma do direito, mais uma perpetrada desde há quase quatro anos, na suspensão da aplicação da Lei da Dosimetria.


Moraes não suspendeu a lei no âmbito das ADIs, das quais foi sorteado relator, em outro sorteio de resultado curioso no STF. Mesmo que o tivesse feito, a decisão monocrática seria contrária à previsão legal, segundo a qual só o tribunal poderia adotar uma medida cautelar tão drástica.


O ministro tirou do ar a Lei da Dosimetria como relator de um processo de execução penal — o que só não é completo absurdo no país que anda normalizando absurdos completos. Como escreveu o professor de processo penal Rodrigo Chemim, do Paraná:


“A decisão é errada, até porque, quando se admite isso, cria-se uma categoria juridicamente estranha: uma espécie de suspensão monocrática, seletiva e incidental da lei, sem previsão constitucional clara e sem o procedimento próprio do controle de constitucionalidade.”


A lei foi suspensa sem que tenha sido declarada inconstitucional. Como explica Chemim, “continua formalmente válida para todos, mas deixa de valer naquele caso porque assim decidiu individualmente o relator. Se normalizarmos isso, a segurança jurídica deixa de depender da Constituição, da lei e dos procedimentos de controle, para depender da vontade decisória de quem julga. E, nesse cenário, a jurisdição constitucional deixa de funcionar como garantia democrática e passa a operar como instrumento de exceção”.


Moraes ignorou a forma do direito, suspendeu a Constituição e aboliu o parlamento com a sua canetada. E tudo fica ainda mais esquisito quando se sabe que as penas dos condenados de 8 de janeiro e de Bolsonaro podem ser usadas como moeda de troca para evitar o impeachment de ministros do STF.”


https://x.com/i/status/2053797229744263602

Tony Volpon

 https://oglobo.globo.com/economia/tony-volpon/coluna/2026/04/o-modo-petista-de-governar-a-economia.ghtml


*O modo petista de governar a economia* 


Tony Volpon


Há um mistério rondando a economia brasileira hoje. Segundo o Banco Central, em fevereiro o Brasil teve déficit primário de 0,4% do PIB. 


Se olharmos os últimos dez anos, este resultado se encontra no 84º percentil; isto é, é melhor que 84% de todos os resultados. Mas, se fizermos o mesmo exercício com o déficit nominal, que em fevereiro foi de 8,48% do PIB, este está no 37º percentil, pior que 67% de todos os resultados.


A razão “óbvia” que explica essa discrepância é a política monetária apertada dos últimos anos. Quando o BC baixar a Selic, o hiato entre o déficit nominal e o primário deve se estreitar.


O problema é que o BC já estava tendo dificuldades em baixar a Selic o suficiente para ajudar a questão fiscal, até antes dos ataques contra o Irã. Olhando para a pesquisa Focus, a previsão de inflação mais otimista para 2026 foi de 3,91%, e para 2027, de 3,79% — lembrando que a meta é de 3%. Para a Selic, a projeção mais otimista foi de 12% para 2026 e de 10,5% para 2027.


Mesmo usando essas taxas otimistas, ainda teríamos um juro real acima de 8% para o biênio 2026–2027. Para referência, as estimativas da taxa real de juros de equilíbrio do BC ficam entre 5% e 5,5%, e o hiato entre a taxa real de juros e o crescimento econômico — o que determina o crescimento da relação dívida/PIB — ficaria ao redor de 5,5%, um dos maiores do mundo. Se essa dinâmica não mudar, veremos um acelerado e perigoso crescimento do endividamento público nos próximos anos.


Por que o BC está tendo essa dificuldade, se o déficit primário está em um dos melhores patamares dos últimos anos? E a economia está desacelerando: do patamar de 3% dos últimos anos, as projeções do Focus estão em 1,85% para 2026 e 1,8% de crescimento para 2027.


Esse aparente mistério pode ser desvendado se for abandonada a noção simplista de que a taxa de juros se deve somente, ou em grande parte, a pressões de demanda agregada. Outros fatores explicam o momento atual. Destaco dois.


A taxa de juros — especialmente a que o mercado estabelece para rolar a dívida pública, mas também no caso da Selic — carrega um prêmio de risco pela possibilidade de perdas no seu valor real, como ocorreu, por exemplo, com o surto inflacionário após a pandemia.


Um dos fatos mais preocupantes do quadro fiscal atual é o crescimento acelerado das despesas obrigatórias ligadas à Previdência e a outros gastos sociais. Esse crescimento se dá pela indexação desses gastos ao salário mínimo, que é indexado ao crescimento real e à inflação — uma decisão errônea tomada pelo atual governo no início do mandato


Esse crescimento, aliado à questão demográfica, coloca essas despesas em rota de expansão contínua e, sem reformas, vai, um dia, gerar a tentação de utilizar a inflação de forma oportunista para “resolver” o problema do déficit público excessivo — algo semelhante ao que aconteceu após a pandemia. Dado esse risco, investidores racionalmente demandam um prêmio de risco elevado. O BC não tem como endereçar essa questão.


Um segundo conjunto de fatores tem a ver com o que chamo de “modo petista de governar” a economia: taxar e redistribuir.


Do ponto de vista da equidade social, aumentar a carga tributária sobre empresas e famílias de alta renda para redistribuir parece algo ideal para um governo de esquerda. Mas há efeitos colaterais que precisam ser endereçados.


Os provedores de poupança líquida na economia são exatamente famílias de alta renda e empresas, junto com investidores estrangeiros. Os tomadores são o governo e famílias de menor renda. Uma maior tributação dos provedores diminui a oferta líquida de poupança, o que, no equilíbrio, aumenta a taxa de juros.


A falta de atenção a esses efeitos colaterais é um problema perene de governos de esquerda que colocam ênfase na expansão do consumo e da demanda, não priorizando a oferta e não compreendendo que algumas medidas geram efeitos negativos sobre ela.


Qual a solução? Aumentar a oferta de poupança é algo complicado, embora um governo reformista pudesse, por exemplo, mudar a tributação das empresas para ampliar esse fluxo.


A resposta mais óbvia é diminuir a demanda por poupança promovendo um ajuste fiscal. Se isso for feito via reforma dos gastos obrigatórios, resolveria as duas principais causas do equilíbrio nocivo que vivemos hoje: uma das maiores taxas de juros reais do mundo, com inflação fora da meta e níveis de endividamento — tanto do setor público como do privado — crescendo rapidamente.


As soluções são óbvias: racionalizar o gasto social para que seja mais bem focado e produtivo, controlar seu crescimento dada a dinâmica demográfica e desvincular sua correção do salário mínimo — como faz a grande maioria dos países.


A boa notícia é que o cenário global atual é altamente favorável ao Brasil. Podemos fazer esse ajuste sem o empurrão de uma crise. Mas os bons tempos acabam de forma repentina e inesperada. Vamos aproveitar essa janela favorável e fazer o óbvio necessário.

Qaest Felipe Nunes

 🗳️ *Lula x Flávio: CEO da Quaest aponta os três grupos de eleitores que vão definir a eleição-Veja*


Apesar de o cenário eleitoral parecer congelado entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro, os números mais recentes das pesquisas indicam que a disputa presidencial continua aberta. A avaliação foi feita pelo cientista político Felipe Nunes, CEO da Quaest, durante participação no programa Os Três Poderes, apresentado por Ricardo Ferraz (este texto é um resumo do vídeo acima).


Ao lado do colunista Robson Bonin, de Radar, e do editor José Benedito da Silva, Nunes analisou os dados das novas pesquisas do instituto e afirmou que a eleição ainda será definida por uma parcela significativa de eleitores independentes, pragmáticos e pouco identificados com a polarização política. “Quarenta e três por cento dos eleitores ainda admitem mudar de voto”, destacou o pesquisador.


*Lula x Flávio: 6 sinais que as pesquisas já indicam sobre duelo*


Segundo ele, embora Lula e Flávio concentrem quase 80% das intenções de voto em cenários de segundo turno, a decisão definitiva de parte relevante do eleitorado dependerá da percepção sobre economia, propostas concretas e rejeição aos dois polos políticos.


*Por que a eleição ainda está aberta?*


Durante o programa, Ricardo Ferraz destacou que os levantamentos recentes mostram estabilidade na polarização entre Lula e Flávio, mas também revelam uma disputa menos consolidada do que aparenta.


A pesquisa Quaest mostra que 57% dos eleitores afirmam ter voto definitivo, enquanto 43% dizem que ainda podem mudar de escolha até outubro. Para Felipe Nunes, esse contingente é decisivo.


“O brasileiro polarizado está dizendo: ‘eu estou fazendo essa escolha, mas ela pode mudar se alguma coisa acontecer’”, afirmou.


Segundo o CEO da Quaest, essa fatia da população é formada principalmente por três grupos: eleitores independentes; jovens menos ideológicos; e pessoas que buscam uma alternativa moderada fora da polarização.


*Quem são os eleitores pendulares?*


Nunes classificou esse grupo como um “eleitor pêndulo”, mais pragmático do que ideológico. “Eles buscam um outsider ou um candidato moderado”, afirmou.


Segundo ele, esses eleitores rejeitam tanto o lulismo quanto o bolsonarismo mais radical e tendem a decidir o voto mais perto da eleição, de acordo com o ambiente econômico e político.


O pesquisador também apontou as regiões estratégicas onde essa disputa será mais intensa: cidade de São Paulo; região metropolitana de Belo Horizonte; região industrial de Salvador e Baixada Fluminense.


“Essas quatro regiões são fundamentais para entender o que pode mudar o jogo até outubro”, disse.


*Por que a economia não melhora a percepção do governo?*


Um dos principais pontos debatidos no programa foi a desconexão entre os indicadores econômicos positivos e o humor negativo do eleitorado.


Nunes afirmou que, embora o governo apresente crescimento do PIB, desemprego baixo e inflação sob controle, isso não está sendo percebido de forma concreta pela população. A explicação, segundo ele, está no conceito de “affordability”, termo usado para definir a capacidade da renda de melhorar efetivamente o padrão de vida.


“Hoje o governo não constrói isso porque boa parte do custo de vida está aumentando pelo endividamento e os preços continuam altos”, afirmou.


*A rejeição ainda pode decidir a eleição?*


José Benedito observou que o segundo turno tende a ser definido mais pela rejeição do que pela aprovação dos candidatos. Nunes afirmou que Lula e Flávio possuem hoje índices praticamente idênticos de rejeição. “A pergunta decisiva é: do que você tem mais medo? Do retorno da família Bolsonaro ou da continuidade do governo Lula?”, afirmou.


Segundo ele, o cenário está equilibrado, mas houve uma mudança importante nos últimos meses: parte do eleitorado passou a enxergar Flávio como mais moderado do que o restante da família. “Se Flávio convencer os brasileiros de que ele é diferente da família, ele terá vantagens eleitorais”, disse.


*A campanha negativa pode afastar os independentes?*


Bonin questionou se uma campanha marcada apenas por ataques mútuos poderia afastar justamente os eleitores que ainda estão indecisos. Nunes concordou e alertou que o excesso de confronto pode aumentar a abstenção eleitoral. “Se a eleição for um lamaçal de críticas dos dois lados, esse eleitor tende a se abster do processo eleitoral”, afirmou.


Segundo ele, para conquistar o eleitor independente, Lula e Flávio precisarão apresentar propostas concretas para melhorar a vida da população a partir de 2027.


*Por que jovens e mulheres ganharam peso eleitoral?*


Na reta final da entrevista, Nunes destacou que dois grupos terão protagonismo especial na eleição: os jovens e as mulheres.


Segundo o pesquisador, o eleitor jovem atual rejeita a polarização mais do que as gerações anteriores. “O jovem de hoje não é mais tão de esquerda como os pais, mas também não é de direita”, afirmou.


Já as mulheres ganharam peso crescente por mudanças sociais e econômicas. “Metade dos domicílios brasileiros são chefiados por mulheres”, disse.


Para os analistas do programa, esses grupos podem acabar definindo a disputa presidencial em um cenário ainda extremamente equilibrado.


Leia mais em: https://veja.abril.com.br/politica/lula-x-flavio-os-tres-grupos-de-eleitores-que-vao-definir-a-eleicao-segundo-ceo-da-quaest/?utm_campaign=mrf-twitter-VEJA&mrfcid=2026050869f2d3c0d2e5ee7a5a3f4bef

BDM Matinal Riscala

 *Rosa Riscala: Petróleo testa inflação no Brasil e nos EUA*


O ambiente amplia a sensibilidade dos investidores aos dados do IPCA e do CPI


… Novos comentários do presidente Donald Trump, que chamou de “lixo” a proposta do Irã e afirmou que o cessar-fogo está em “estado crítico”, reacenderam o temor de escalada militar no Oriente Médio e mantiveram o petróleo acima dos US$ 100. O ambiente amplia a sensibilidade dos investidores aos dados de inflação desta manhã, com divulgação do IPCA no Brasil e do CPI nos Estados Unidos, ambos sob impacto do choque de energia e da pressão dos combustíveis. Na B3, o mercado acompanha a repercussão do balanço da Petrobras, que frustrou estimativas mais otimistas, mas teve reação moderadamente positiva no after hours de Nova York. Hoje tem JBS após o fechamento.


GUERRA – O petróleo voltou a subir no início do pregão asiático, após Donald Trump afirmar que o cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã está em “estado crítico” e rejeitar a mais recente proposta de paz apresentada por Teerã.


… O Brent voltou a operar acima dos US$ 105, enquanto o mercado segue monitorando o risco de novos ataques militares.


… Em declarações na Casa Branca, Trump classificou a resposta iraniana como “lixo” e afirmou que sequer terminou de ler a proposta.


… Apesar do endurecimento do discurso, o presidente americano disse que uma solução diplomática ainda é “muito possível”, mantendo o padrão de mensagens contraditórias que tem marcado as negociações nas últimas semanas.


… Segundo fontes ouvidas pela Bloomberg, o Irã condicionou qualquer acordo ao fim imediato dos combates, inclusive no Líbano, além da suspensão do bloqueio naval americano, liberação de ativos congelados e alívio das sanções sobre exportações de petróleo.


… A agência estatal iraniana chegou a classificar a proposta americana como equivalente a uma rendição.


… O mercado também acompanha relatos de que Trump discute com sua equipe de segurança nacional uma possível retomada das ações militares contra o Irã. O Wall Street Journal informou ainda que os Emirados Árabes Unidos realizaram ataques contra território iraniano.


… No centro da crise segue o Estreito de Ormuz, que permanece parcialmente bloqueado e continua afetando o fluxo global de energia. O Irã também mobilizou submarinos da classe Ghadir no Golfo Pérsico, elevando os riscos para a navegação comercial.


… Apesar de algumas embarcações conseguirem atravessar a região, o ambiente segue extremamente instável.


… Um navio-tanque de GNL vindo do Catar chegou a retornar antes de concluir a travessia, enquanto os custos de escolta naval americana aumentam à medida que o conflito se prolonga.


… Diante da pressão dos combustíveis, Trump voltou a defender uma suspensão temporária do imposto sobre a gasolina nos Estados Unidos.


… Em paralelo, o Departamento de Energia anunciou nova rodada de liberação das reservas estratégicas americanas, autorizando acesso a mais de 53 milhões de barris de petróleo bruto, como parte da ação coordenada da AIE para tentar estabilizar o mercado global de energia.


… Ainda assim, analistas seguem avaliando que o petróleo deve continuar extremamente volátil enquanto não houver solução para o impasse.


INFLAÇÃO NA MIRA – A terça-feira concentra os dois principais dados da semana para os mercados, com o IPCA de abril no Brasil e o CPI nos Estados Unidos, em um ambiente pressionado pela disparada do petróleo e pelo impacto da guerra sobre energia, inflação e juros.


… O mercado chega aos números em modo defensivo, após a forte abertura das curvas de juros na véspera, com o Brent novamente acima dos US$ 104 e aumento das apostas de cautela tanto do Fed quanto do Copom, que já tem apostas de uma pausa (abaixo).


… Por aqui, o IBGE divulga às 9h o IPCA, com expectativa de desaceleração para 0,67%, após alta de 0,88% em março (mediana do Broadcast).


… Apesar do alívio na margem, puxado pela perda de força da gasolina e de alguns alimentos, a inflação acumulada em 12 meses deve acelerar para 4,39%, reforçando o desconforto do Banco Central em relação ao cenário inflacionário.


… A gasolina segue no centro das atenções, mas com desaceleração importante contra o pico observado no início da guerra entre o Irã e Estados Unidos.


… O mercado também espera alívio em alimentação e passagens aéreas, enquanto medicamentos devem pressionar o grupo Saúde após o reajuste autorizado pela Anvisa no fim de março.


… O dado mais sensível para o BC, porém, continua sendo o dos núcleos e serviços subjacentes.


… A média dos núcleos deve acelerar de 0,40% para 0,43%, em nível ainda considerado elevado, enquanto os serviços ligados ao mercado de trabalho seguem pressionados, refletindo a resiliência da atividade e do emprego.


… A leitura reforça a percepção de inflação disseminada e mantém o debate sobre o espaço real para cortes adicionais da Selic.


… Nos Estados Unidos, o CPI de abril, às 9h30, deve mostrar nova aceleração da inflação, em meio ao choque de energia provocado pela guerra no Oriente Médio. A mediana aponta alta de 0,6% no índice cheio, após 0,9% em março, com a taxa anual avançando de 3,3% para 3,7%.


… Já o núcleo deve subir 0,3% no mês e passar de 2,6% para 2,7% em 12 meses.


… O petróleo e a gasolina aparecem novamente como os principais vetores de pressão sobre o índice americano. Consultorias estimam avanço de cerca de 7% no preço da gasolina em abril, além de impactos indiretos sobre passagens aéreas, serviços e custos ligados à energia.


… O mercado também monitora possíveis distorções estatísticas em aluguéis, que podem elevar temporariamente componentes do núcleo.


… O dado ganha peso extra após uma sequência de falas cautelosas de dirigentes do Federal Reserve, que, nos últimos dias, reforçaram preocupação com o risco de inflação persistente, diante do choque energético e defenderam uma postura de “esperar para ver”.


… O temor de um ambiente de crescimento mais fraco com inflação elevada voltou ao radar dos investidores.


MAIS AGENDA – Além dos dados de inflação no Brasil e nos Estados Unidos, a terça-feira também traz falas de dirigentes do Fed, indicadores na Europa, reunião de Dario Durigan com executivos da Fitch e a repercussão do balanço da Petrobras, após o fechamento de ontem.


… Às 8h, a FGV divulga o IGP-M da primeira prévia de maio. Mais cedo, às 3h, sai o CPI da Alemanha, enquanto o índice ZEW de expectativas econômicas será divulgado às 6h, em meio ao aumento das preocupações com o impacto da guerra sobre a atividade europeia.


… Ainda no exterior, o presidente do Fed de Nova York, John Williams, participa na madrugada brasileira de conferência promovida pelo Banco Central da Suíça e pelo FMI, ao lado de Joachim Nagel, dirigente do BCE e presidente do Bundesbank.


… Já as 13h45, o presidente do Fed de Chicago, Austan Goolsbee, fala em evento da Câmara de Comércio de Greater Rockford, após reforçar nos últimos dias a preocupação com os riscos inflacionários ligados ao petróleo.


… Em Brasília, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, se reúne entre 15h e 16h com executivos da Fitch Ratings, incluindo o diretor sênior Richard Francis e a diretora-executiva Shelly Shetty.


… Na sequência, das 17h às 19h, Durigan participa na Câmara da comissão especial sobre o fim da escala 6×1, discutindo os impactos econômicos da proposta de redução da jornada de trabalho e, às 21h, será veiculada a sua entrevista ao programa “Na Mesa com Datena”, da TV Brasil.


PETROBRAS – A reação inicial do mercado ao balanço da Petrobras no after hours de Nova York foi moderadamente positiva, mesmo com números abaixo das projeções do mercado. Os seus ADRs fecharam em alta de 0,67% (ON) e 0,42% (PN).


… A companhia reportou lucro líquido sem efeitos exclusivos de US$ 4,535 bilhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 12,6% em relação ao mesmo período do ano passado e queda de 4,5% frente ao quarto trimestre.


… O resultado, porém, ficou 21,5% abaixo das estimativas do mercado. O Ebitda ajustado sem eventos exclusivos também veio abaixo das expectativas, embora tenha mostrado crescimento anual. A alta do Brent deverá ter reflexo maior no segundo trimestre.


… A Petrobras ainda anunciou R$ 9,03 bilhões em dividendos, R$ 0,70/ação. Os papéis passam a ser negociados na condição “ex” a partir de 2/6.


… O mercado acompanha nesta terça-feira a teleconferência da estatal, às 11h30, em busca de sinais sobre preços de combustíveis, estratégia de investimentos, distribuição de dividendos e impactos da nova escalada do petróleo sobre os resultados dos próximos trimestres.


BALANÇOS DE HOJE – A temporada de resultados do primeiro trimestre segue movimentada na B3, com destaque nesta terça-feira para os números de JBS, PagBank, Aeris Energy e Cury – todos após o fechamento do mercado.


FRIGORÍFICOS – Trump assina duas ordens executivas suspendendo temporariamente tarifas de importação sobre carne bovina nos Estados Unidos, com validade de 200 dias, na tentativa de conter a disparada dos preços da proteína no país.


… A suspensão deve valer para todos os países exportadores, além de interromper temporariamente o sistema de cotas tarifárias. Frigoríficos brasileiros avaliam que o Brasil é o país com maior capacidade de ampliar rapidamente a oferta ao mercado americano.


… O tema ganha relevância adicional após o Ministério do Comércio da China informar que o Brasil já atingiu 50% da nova cota anual de exportação de carne bovina ao país asiático, reduzida em cerca de 35% abaixo do volume embarcado em 2025.


… O governo chinês alertou ainda que, uma vez atingido o limite da cota, passará a incidir sobretaxa de 55% sobre a tarifa atual de importação.


CURTAS DA POLÍTICA – Lula lança nesta terça-feira o programa Brasil Contra o Crime Organizado, com pacote de cerca de R$ 11 bilhões para ações de segurança pública nos Estados, em meio à agenda eleitoral.


… Cerca de R$ 10 bilhões devem vir do BNDES, via Fundo de Investimento em Infraestrutura Social, enquanto o restante será bancado pela União. O programa terá foco em combate financeiro às facções, sistema prisional, investigação de homicídios e tráfico de armas.


PESQUISAS. A semana será marcada por nova rodada de pesquisas para a eleição presidencial de 2026, com Quaest, Datafolha, Vox Brasil, Gerp e Veritas divulgando levantamentos entre amanhã (quarta-feira) e sábado.


DOSIMETRIA. Líder do PL, Sóstenes Cavalcante, protocola nova PEC que prevê anistia ampla aos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro, após Alexandre de Moraes suspender a aplicação da Lei da Dosimetria até análise definitiva do STF.


BOLSONARO. Ministro Nunes Marques é sorteado relator do pedido de revisão criminal apresentado pela defesa de Jair Bolsonaro no STF, que alega “erro judiciário” e pede anulação da condenação de 27 anos e 3 meses no caso da trama golpista.


… Nos bastidores da Corte, ministros consideram baixas as chances de sucesso da revisão criminal, diante da sensibilidade política do tema.


COPOM DE NOVO EM XEQUE – Não é a primeira vez em poucos dias que a curva a termo põe à prova o consenso de corte da Selic em junho, no ajuste que tem por trás sempre o mesmo motivo: potencial viés inflacionário do petróleo.


… Na véspera do IPCA, que pode confirmar o impacto do choque energético, bateu o nervosismo e os juros futuros registraram alta expressiva, especialmente no miolo e na ponta longa, acompanhando as taxas dos Treasuries.


… Diante do novo salto do petróleo, traders reduziram de 84% para 76% a chance de o juro cair 0,25pp na reunião de política monetária do mês que vem, segundo cálculos ao Broadcast de Flávio Serrano, economista-chefe do Bmg.


… A Selic precificada para o fim do ano subiu de 13,85% para 13,95% na curva futura. No boletim Focus, divulgado ontem, a mediana dos analistas permaneceu em 13%, mas avançou para o final de 2027, de 11% para 11,25%.


… A boa notícia foi que a mediana para a inflação suavizada nos próximos 12 meses, que ganhou importância após a regulamentação da meta de inflação contínua, caiu pela terceira semana consecutiva, de 4,05% para 3,97%.


… Mas a previsão para o IPCA deste ano aumentou pela nona semana consecutiva, de 4,89% para 4,91%, distanciando-se ainda mais do teto da meta, refletindo a escalada das incertezas com a guerra no Oriente Médio.


… As estimativas para a inflação em 2027 e 2028 permaneceram em 4,00% e 3,64%, respectivamente.


… No fechamento dos negócios, o DI para Janeiro de 2027 subia para 14,105% (de 14,049% no pregão anterior); Jan/28, a 13,765% (13,608%); Jan/29, 13,695% (13,525%); Jan/31, 13,765% (13,605%); e Jan/33, 13,845% (13,703%).


… Uma pausa no ciclo de flexibilização do Copom ainda continua improvável, mas o que se nota é que o terreno para especulações não está fechado e que os desdobramentos da guerra dão margem para mudanças nas apostas.  


… Também as previsões para o Fed podem ser reprecificadas. O mercado vem adiando a perspectiva de corte do juro para o ano que vem e tem hoje o desafio do CPI para avaliar o reflexo na inflação da ofensiva no Irã, que não acaba.


… Antecipando as pressões, as taxas dos Treasuries já subiram ontem: a da Note de 2 anos avançou para 3,951% (contra 3,892% na sexta-feira), a de 10 anos foi a 4,408% (de 4,364%) e a do T-bond 30 anos, a 4,979% (de 4,944%).


… Não foi confortável ver o novo repique do petróleo, com o Brent engatando alta de 2,88%, cotado a US$ 104,21, diante da proposta de paz que não deu em nada e das ameaças de rompimento do cessar-fogo já tão frágil.


BLINDADO – A escalada do petróleo favoreceu as moedas de países exportadores, como o real brasileiro, e ajudou a contrabalançar o efeito sobre o câmbio das saídas de capital estrangeiro que vêm sendo observadas na bolsa.


… O dólar fechou estável (-0,05%), mas se manteve abaixo de R$ 4,90, em R$ 4,8914, nas mínimas desde janeiro de 2024, contando no pano de fundo também com a chance de pausa da Selic, que seria uma boa notícia para o fluxo.


… Na B3, o investidor externo segue reduzindo a exposição ao Brasil. No pregão da última quinta-feira (dia 7), houve retirada de mais R$ 1,1 bilhão. Maio já registra saídas de R$ 3,3 bilhões. O ano acumula entrada de R$ 53,2 bilhões.


… Analistas têm identificado a rotação global em direção a ações de tecnologia na Ásia.


… Mas no Valor, o Goldman Sachs considera um exagero o temor sobre a fuga dos gringos da bolsa brasileira e a perda de atratividade do País com a guerra, e estima o Ibovespa em 215 mil pontos daqui a 12 meses.


… Ontem, o índice à vista queimou mais de dois mil pontos e perdeu os 182 mil. Fechou em baixa de 1,19%, a 181.908,87 pontos, com giro de R$ 29,2 bilhões. Apesar da alta da Vale e Petrobras, os bancos atuaram de vilões.


… O setor financeiro caiu em bloco: Bradesco PN, -2,69% (R$ 18,09); Itaú PN, -2,25% (R$ 40,33); e Santander unit, -2,52% (R$ 27,83). O BB, que solta balanço amanhã, registrou queda de 1,19% e fechou na mínima de R$ 21,54.


… Vale subiu 2,41% (R$ 83,45), superou com folga o minério (+0,73%) e ocupou a segunda maior alta do Ibovespa.


… Os papéis da Minerva ficaram no topo do índice à vista, com um salto de 4,88% (R$ 4,30), reagindo à notícia sobre os decretos de Trump para aumentar as importações de carne bovina e recompor rebanho dos Estados Unidos.


… À espera do balanço trimestral divulgado na noite de ontem, as ações da Petrobras também avançaram (PN +1,66%, a R$ 46,43; e ON +1,40%, a R$ 50,81), na cola do petróleo, com a trégua “por um fio”, segundo Trump.


… Apesar do fracasso nas negociações diplomáticas, as bolsas americanas ainda registraram ganhos modestos. O suporte veio do bom desempenho do setor de tecnologia: Micron (+6,50%), Nvidia (+1,97%) e Tesla (+3,91%).


… Com o pouco que subiram, o S&P 500 (+0,19%, aos 7.412,87 pontos) e o Nasdaq (+0,10%, aos 26.274,12 pontos) renovaram os seus recordes históricos de fechamento. O Dow Jones encerrou em alta de 0,19%, a 49.704,34 pontos.


GANHA-GANHA – Enquanto o petróleo seguir alto, o dólar permanecerá forte, disse o grupo financeiro Macquarie. Na contagem regressiva pelo CPI, o índice DXY subiu de leve (+0,1%), perto da linha dos 98 pontos, a 97,955 pontos.


… O euro caiu 0,10%, a US$ 1,1780, a libra perdeu 0,16%, a US$ 1,3622, e o iene recuou para 157,27 por dólar.


… Em coletiva na noite de ontem, a ministra das Finanças japonesa, Satsuki Katayama, disse que, durante a reunião com o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, a coordenação sobre intervenções no câmbio foi reafirmada.


… Investidores têm identificado atuações do governo japonês para sustentar o iene acima de 155 por dólar, neste momento em que a moeda asiática sofre com o aumento da busca global por dólar em razão do conflito no Irã.


CIAS ABERTAS NO AFTER – ITAÚSA teve lucro líquido recorrente de R$ 4,491 bilhões no 1TRI26, alta de 17% contra um ano antes. Dívida líquida saltou 188%, para R$ 1,01 bilhão…


… A companhia aprovou recompra de até 5 milhões de ações PN para plano de incentivos de longo prazo.


HAPVIDA. Lucro líquido somou R$ 244 milhões no 1TRI26, 3,4 vezes acima da estimativa dos analistas no Broadcast, de R$ 70 milhões. O Ebitda ajustado alcançou R$ 803 milhões, acima da projeção de R$ 651,8 milhões…


… A receita líquida de R$ 7,892 bilhões ficou levemente acima do esperado pelo mercado, de R$ 7,824 bilhões.


EMBRAER avança em conversas com Chile e Colômbia sobre o avião militar C-390, segundo a Reuters.


SUZANO anunciou metas de dívida líquida de US$ 11 bilhões e de alavancagem abaixo de 2,5x dívida líquida/Ebitda ajustado. A companhia espera atingir as metas entre 2027 e 2028.


NATURA teve prejuízo líquido de R$ 445 milhões no 1TRI26, aumento de 787,6% sobre a perda de um ano antes. Receita líquida caiu 7,7%, para R$ 4,745 bilhões, e Ebitda recuou 46,8%, para R$ 346 milhões.


WEG. Citi cortou preço-alvo de R$ 50 para R$ 49 e manteve recomendação neutra.


SBF teve lucro líquido de R$ 74,2 milhões no 1TRI26, alta de 10,2% contra um ano antes. Receita líquida avançou 14,9%, para R$ 1,785 bilhão, e Ebitda ajustado cresceu 0,6%, para R$ 223,5 milhões.


TRACK & FIELD teve lucro líquido ajustado de R$ 41,5 milhões no 1TRI26, alta de 6,3% contra um ano antes. Receita líquida cresceu 18%, para R$ 251,2 milhões, e Ebitda ajustado avançou 12,6%, para R$ 61,6 milhões.


MULTIPLAN firmou acordo para venda de participação de 9,33% no ParkShoppingBarigüi por R$ 250 milhões.


MRV&CO apresentou receita e prejuízo ajustado em linha com as expectativas do mercado no Broadcast…


… A companhia reportou prejuízo líquido consolidado e ajustado de R$ 14,4 milhões. A receita líquida consolidada totalizou R$ 2,776 bilhões.


DIRECIONAL teve lucro líquido de R$ 213 milhões no 1TRI26, alta de 29,6% contra um ano antes. Receita líquida cresceu 30%, para R$ 1,2 bilhão, e Ebitda avançou 47%, para R$ 315,2 milhões.


MOTIVA assinou aditivo para explorar a Rodovia Fernão Dias por mais 15 anos e realizar novos investimentos.


ENERGISA teve lucro consolidado recorrente de R$ 207 milhões no 1TRI26, queda de 46,9% contra um ano antes. Ebitda ajustado recorrente cresceu 6,6%, para R$ 1,981 bilhão, e receita líquida ajustada avançou 7,6%, a R$ 7,35 bi.


RAÍZEN e credores avançam em negociações sobre dívida, segundo a Reuters.


ONCOCLÍNICAS. Minoritários avaliam recorrer à Justiça para exigir OPA da companhia.


HYPERA. Votorantim elevou participação acionária a 15,7% do capital social, enquanto Fidelity reduziu fatia a 4,6%.


ESPAÇOLASER. Fundo Magnólia estuda potencial saída do bloco de controle da companhia.


FERBASA reverteu lucro e teve prejuízo de R$ 2,4 milhões no 1TRI26. Receita líquida caiu 7,9%, para R$ 506,4 milhões, e Ebitda ajustado recuou 27,8%, para R$ 44,1 milhões.


TERRA SANTA teve lucro líquido de R$ 8,25 milhões no 1TRI26, queda de 15% contra um ano antes. Ebitda ajustado cresceu 7,9%, para R$ 16,67 milhões, e receita líquida avançou 2,6%, para R$ 22,5 milhões.


COPASA. Sindicato apontou falhas no processo de credenciamento das empresas Aegea e Sabesp para o leilão e pediu suspensão da privatização da companhia. (Valor)


ELO contratou Bank of America, UBS BB e Bradesco para IPO nos EUA, segundo a Bloomberg. A companhia disse que não há decisão tomada.

Bankinter Portugal Matinal

 Análise Bankinter Portugal  NY -0,2% US tech -0,9% US Semis -3,0% UEM -1,4% España -1,6% VIX 18,0% Bund 3,10%. T-Note 4,46%. Spread 2A-10A ...