terça-feira, 12 de maio de 2026

Tony Volpon

 https://oglobo.globo.com/economia/tony-volpon/coluna/2026/04/o-modo-petista-de-governar-a-economia.ghtml


*O modo petista de governar a economia* 


Tony Volpon


Há um mistério rondando a economia brasileira hoje. Segundo o Banco Central, em fevereiro o Brasil teve déficit primário de 0,4% do PIB. 


Se olharmos os últimos dez anos, este resultado se encontra no 84º percentil; isto é, é melhor que 84% de todos os resultados. Mas, se fizermos o mesmo exercício com o déficit nominal, que em fevereiro foi de 8,48% do PIB, este está no 37º percentil, pior que 67% de todos os resultados.


A razão “óbvia” que explica essa discrepância é a política monetária apertada dos últimos anos. Quando o BC baixar a Selic, o hiato entre o déficit nominal e o primário deve se estreitar.


O problema é que o BC já estava tendo dificuldades em baixar a Selic o suficiente para ajudar a questão fiscal, até antes dos ataques contra o Irã. Olhando para a pesquisa Focus, a previsão de inflação mais otimista para 2026 foi de 3,91%, e para 2027, de 3,79% — lembrando que a meta é de 3%. Para a Selic, a projeção mais otimista foi de 12% para 2026 e de 10,5% para 2027.


Mesmo usando essas taxas otimistas, ainda teríamos um juro real acima de 8% para o biênio 2026–2027. Para referência, as estimativas da taxa real de juros de equilíbrio do BC ficam entre 5% e 5,5%, e o hiato entre a taxa real de juros e o crescimento econômico — o que determina o crescimento da relação dívida/PIB — ficaria ao redor de 5,5%, um dos maiores do mundo. Se essa dinâmica não mudar, veremos um acelerado e perigoso crescimento do endividamento público nos próximos anos.


Por que o BC está tendo essa dificuldade, se o déficit primário está em um dos melhores patamares dos últimos anos? E a economia está desacelerando: do patamar de 3% dos últimos anos, as projeções do Focus estão em 1,85% para 2026 e 1,8% de crescimento para 2027.


Esse aparente mistério pode ser desvendado se for abandonada a noção simplista de que a taxa de juros se deve somente, ou em grande parte, a pressões de demanda agregada. Outros fatores explicam o momento atual. Destaco dois.


A taxa de juros — especialmente a que o mercado estabelece para rolar a dívida pública, mas também no caso da Selic — carrega um prêmio de risco pela possibilidade de perdas no seu valor real, como ocorreu, por exemplo, com o surto inflacionário após a pandemia.


Um dos fatos mais preocupantes do quadro fiscal atual é o crescimento acelerado das despesas obrigatórias ligadas à Previdência e a outros gastos sociais. Esse crescimento se dá pela indexação desses gastos ao salário mínimo, que é indexado ao crescimento real e à inflação — uma decisão errônea tomada pelo atual governo no início do mandato


Esse crescimento, aliado à questão demográfica, coloca essas despesas em rota de expansão contínua e, sem reformas, vai, um dia, gerar a tentação de utilizar a inflação de forma oportunista para “resolver” o problema do déficit público excessivo — algo semelhante ao que aconteceu após a pandemia. Dado esse risco, investidores racionalmente demandam um prêmio de risco elevado. O BC não tem como endereçar essa questão.


Um segundo conjunto de fatores tem a ver com o que chamo de “modo petista de governar” a economia: taxar e redistribuir.


Do ponto de vista da equidade social, aumentar a carga tributária sobre empresas e famílias de alta renda para redistribuir parece algo ideal para um governo de esquerda. Mas há efeitos colaterais que precisam ser endereçados.


Os provedores de poupança líquida na economia são exatamente famílias de alta renda e empresas, junto com investidores estrangeiros. Os tomadores são o governo e famílias de menor renda. Uma maior tributação dos provedores diminui a oferta líquida de poupança, o que, no equilíbrio, aumenta a taxa de juros.


A falta de atenção a esses efeitos colaterais é um problema perene de governos de esquerda que colocam ênfase na expansão do consumo e da demanda, não priorizando a oferta e não compreendendo que algumas medidas geram efeitos negativos sobre ela.


Qual a solução? Aumentar a oferta de poupança é algo complicado, embora um governo reformista pudesse, por exemplo, mudar a tributação das empresas para ampliar esse fluxo.


A resposta mais óbvia é diminuir a demanda por poupança promovendo um ajuste fiscal. Se isso for feito via reforma dos gastos obrigatórios, resolveria as duas principais causas do equilíbrio nocivo que vivemos hoje: uma das maiores taxas de juros reais do mundo, com inflação fora da meta e níveis de endividamento — tanto do setor público como do privado — crescendo rapidamente.


As soluções são óbvias: racionalizar o gasto social para que seja mais bem focado e produtivo, controlar seu crescimento dada a dinâmica demográfica e desvincular sua correção do salário mínimo — como faz a grande maioria dos países.


A boa notícia é que o cenário global atual é altamente favorável ao Brasil. Podemos fazer esse ajuste sem o empurrão de uma crise. Mas os bons tempos acabam de forma repentina e inesperada. Vamos aproveitar essa janela favorável e fazer o óbvio necessário.

Qaest Felipe Nunes

 🗳️ *Lula x Flávio: CEO da Quaest aponta os três grupos de eleitores que vão definir a eleição-Veja*


Apesar de o cenário eleitoral parecer congelado entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro, os números mais recentes das pesquisas indicam que a disputa presidencial continua aberta. A avaliação foi feita pelo cientista político Felipe Nunes, CEO da Quaest, durante participação no programa Os Três Poderes, apresentado por Ricardo Ferraz (este texto é um resumo do vídeo acima).


Ao lado do colunista Robson Bonin, de Radar, e do editor José Benedito da Silva, Nunes analisou os dados das novas pesquisas do instituto e afirmou que a eleição ainda será definida por uma parcela significativa de eleitores independentes, pragmáticos e pouco identificados com a polarização política. “Quarenta e três por cento dos eleitores ainda admitem mudar de voto”, destacou o pesquisador.


*Lula x Flávio: 6 sinais que as pesquisas já indicam sobre duelo*


Segundo ele, embora Lula e Flávio concentrem quase 80% das intenções de voto em cenários de segundo turno, a decisão definitiva de parte relevante do eleitorado dependerá da percepção sobre economia, propostas concretas e rejeição aos dois polos políticos.


*Por que a eleição ainda está aberta?*


Durante o programa, Ricardo Ferraz destacou que os levantamentos recentes mostram estabilidade na polarização entre Lula e Flávio, mas também revelam uma disputa menos consolidada do que aparenta.


A pesquisa Quaest mostra que 57% dos eleitores afirmam ter voto definitivo, enquanto 43% dizem que ainda podem mudar de escolha até outubro. Para Felipe Nunes, esse contingente é decisivo.


“O brasileiro polarizado está dizendo: ‘eu estou fazendo essa escolha, mas ela pode mudar se alguma coisa acontecer’”, afirmou.


Segundo o CEO da Quaest, essa fatia da população é formada principalmente por três grupos: eleitores independentes; jovens menos ideológicos; e pessoas que buscam uma alternativa moderada fora da polarização.


*Quem são os eleitores pendulares?*


Nunes classificou esse grupo como um “eleitor pêndulo”, mais pragmático do que ideológico. “Eles buscam um outsider ou um candidato moderado”, afirmou.


Segundo ele, esses eleitores rejeitam tanto o lulismo quanto o bolsonarismo mais radical e tendem a decidir o voto mais perto da eleição, de acordo com o ambiente econômico e político.


O pesquisador também apontou as regiões estratégicas onde essa disputa será mais intensa: cidade de São Paulo; região metropolitana de Belo Horizonte; região industrial de Salvador e Baixada Fluminense.


“Essas quatro regiões são fundamentais para entender o que pode mudar o jogo até outubro”, disse.


*Por que a economia não melhora a percepção do governo?*


Um dos principais pontos debatidos no programa foi a desconexão entre os indicadores econômicos positivos e o humor negativo do eleitorado.


Nunes afirmou que, embora o governo apresente crescimento do PIB, desemprego baixo e inflação sob controle, isso não está sendo percebido de forma concreta pela população. A explicação, segundo ele, está no conceito de “affordability”, termo usado para definir a capacidade da renda de melhorar efetivamente o padrão de vida.


“Hoje o governo não constrói isso porque boa parte do custo de vida está aumentando pelo endividamento e os preços continuam altos”, afirmou.


*A rejeição ainda pode decidir a eleição?*


José Benedito observou que o segundo turno tende a ser definido mais pela rejeição do que pela aprovação dos candidatos. Nunes afirmou que Lula e Flávio possuem hoje índices praticamente idênticos de rejeição. “A pergunta decisiva é: do que você tem mais medo? Do retorno da família Bolsonaro ou da continuidade do governo Lula?”, afirmou.


Segundo ele, o cenário está equilibrado, mas houve uma mudança importante nos últimos meses: parte do eleitorado passou a enxergar Flávio como mais moderado do que o restante da família. “Se Flávio convencer os brasileiros de que ele é diferente da família, ele terá vantagens eleitorais”, disse.


*A campanha negativa pode afastar os independentes?*


Bonin questionou se uma campanha marcada apenas por ataques mútuos poderia afastar justamente os eleitores que ainda estão indecisos. Nunes concordou e alertou que o excesso de confronto pode aumentar a abstenção eleitoral. “Se a eleição for um lamaçal de críticas dos dois lados, esse eleitor tende a se abster do processo eleitoral”, afirmou.


Segundo ele, para conquistar o eleitor independente, Lula e Flávio precisarão apresentar propostas concretas para melhorar a vida da população a partir de 2027.


*Por que jovens e mulheres ganharam peso eleitoral?*


Na reta final da entrevista, Nunes destacou que dois grupos terão protagonismo especial na eleição: os jovens e as mulheres.


Segundo o pesquisador, o eleitor jovem atual rejeita a polarização mais do que as gerações anteriores. “O jovem de hoje não é mais tão de esquerda como os pais, mas também não é de direita”, afirmou.


Já as mulheres ganharam peso crescente por mudanças sociais e econômicas. “Metade dos domicílios brasileiros são chefiados por mulheres”, disse.


Para os analistas do programa, esses grupos podem acabar definindo a disputa presidencial em um cenário ainda extremamente equilibrado.


Leia mais em: https://veja.abril.com.br/politica/lula-x-flavio-os-tres-grupos-de-eleitores-que-vao-definir-a-eleicao-segundo-ceo-da-quaest/?utm_campaign=mrf-twitter-VEJA&mrfcid=2026050869f2d3c0d2e5ee7a5a3f4bef

BDM Matinal Riscala

 *Rosa Riscala: Petróleo testa inflação no Brasil e nos EUA*


O ambiente amplia a sensibilidade dos investidores aos dados do IPCA e do CPI


… Novos comentários do presidente Donald Trump, que chamou de “lixo” a proposta do Irã e afirmou que o cessar-fogo está em “estado crítico”, reacenderam o temor de escalada militar no Oriente Médio e mantiveram o petróleo acima dos US$ 100. O ambiente amplia a sensibilidade dos investidores aos dados de inflação desta manhã, com divulgação do IPCA no Brasil e do CPI nos Estados Unidos, ambos sob impacto do choque de energia e da pressão dos combustíveis. Na B3, o mercado acompanha a repercussão do balanço da Petrobras, que frustrou estimativas mais otimistas, mas teve reação moderadamente positiva no after hours de Nova York. Hoje tem JBS após o fechamento.


GUERRA – O petróleo voltou a subir no início do pregão asiático, após Donald Trump afirmar que o cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã está em “estado crítico” e rejeitar a mais recente proposta de paz apresentada por Teerã.


… O Brent voltou a operar acima dos US$ 105, enquanto o mercado segue monitorando o risco de novos ataques militares.


… Em declarações na Casa Branca, Trump classificou a resposta iraniana como “lixo” e afirmou que sequer terminou de ler a proposta.


… Apesar do endurecimento do discurso, o presidente americano disse que uma solução diplomática ainda é “muito possível”, mantendo o padrão de mensagens contraditórias que tem marcado as negociações nas últimas semanas.


… Segundo fontes ouvidas pela Bloomberg, o Irã condicionou qualquer acordo ao fim imediato dos combates, inclusive no Líbano, além da suspensão do bloqueio naval americano, liberação de ativos congelados e alívio das sanções sobre exportações de petróleo.


… A agência estatal iraniana chegou a classificar a proposta americana como equivalente a uma rendição.


… O mercado também acompanha relatos de que Trump discute com sua equipe de segurança nacional uma possível retomada das ações militares contra o Irã. O Wall Street Journal informou ainda que os Emirados Árabes Unidos realizaram ataques contra território iraniano.


… No centro da crise segue o Estreito de Ormuz, que permanece parcialmente bloqueado e continua afetando o fluxo global de energia. O Irã também mobilizou submarinos da classe Ghadir no Golfo Pérsico, elevando os riscos para a navegação comercial.


… Apesar de algumas embarcações conseguirem atravessar a região, o ambiente segue extremamente instável.


… Um navio-tanque de GNL vindo do Catar chegou a retornar antes de concluir a travessia, enquanto os custos de escolta naval americana aumentam à medida que o conflito se prolonga.


… Diante da pressão dos combustíveis, Trump voltou a defender uma suspensão temporária do imposto sobre a gasolina nos Estados Unidos.


… Em paralelo, o Departamento de Energia anunciou nova rodada de liberação das reservas estratégicas americanas, autorizando acesso a mais de 53 milhões de barris de petróleo bruto, como parte da ação coordenada da AIE para tentar estabilizar o mercado global de energia.


… Ainda assim, analistas seguem avaliando que o petróleo deve continuar extremamente volátil enquanto não houver solução para o impasse.


INFLAÇÃO NA MIRA – A terça-feira concentra os dois principais dados da semana para os mercados, com o IPCA de abril no Brasil e o CPI nos Estados Unidos, em um ambiente pressionado pela disparada do petróleo e pelo impacto da guerra sobre energia, inflação e juros.


… O mercado chega aos números em modo defensivo, após a forte abertura das curvas de juros na véspera, com o Brent novamente acima dos US$ 104 e aumento das apostas de cautela tanto do Fed quanto do Copom, que já tem apostas de uma pausa (abaixo).


… Por aqui, o IBGE divulga às 9h o IPCA, com expectativa de desaceleração para 0,67%, após alta de 0,88% em março (mediana do Broadcast).


… Apesar do alívio na margem, puxado pela perda de força da gasolina e de alguns alimentos, a inflação acumulada em 12 meses deve acelerar para 4,39%, reforçando o desconforto do Banco Central em relação ao cenário inflacionário.


… A gasolina segue no centro das atenções, mas com desaceleração importante contra o pico observado no início da guerra entre o Irã e Estados Unidos.


… O mercado também espera alívio em alimentação e passagens aéreas, enquanto medicamentos devem pressionar o grupo Saúde após o reajuste autorizado pela Anvisa no fim de março.


… O dado mais sensível para o BC, porém, continua sendo o dos núcleos e serviços subjacentes.


… A média dos núcleos deve acelerar de 0,40% para 0,43%, em nível ainda considerado elevado, enquanto os serviços ligados ao mercado de trabalho seguem pressionados, refletindo a resiliência da atividade e do emprego.


… A leitura reforça a percepção de inflação disseminada e mantém o debate sobre o espaço real para cortes adicionais da Selic.


… Nos Estados Unidos, o CPI de abril, às 9h30, deve mostrar nova aceleração da inflação, em meio ao choque de energia provocado pela guerra no Oriente Médio. A mediana aponta alta de 0,6% no índice cheio, após 0,9% em março, com a taxa anual avançando de 3,3% para 3,7%.


… Já o núcleo deve subir 0,3% no mês e passar de 2,6% para 2,7% em 12 meses.


… O petróleo e a gasolina aparecem novamente como os principais vetores de pressão sobre o índice americano. Consultorias estimam avanço de cerca de 7% no preço da gasolina em abril, além de impactos indiretos sobre passagens aéreas, serviços e custos ligados à energia.


… O mercado também monitora possíveis distorções estatísticas em aluguéis, que podem elevar temporariamente componentes do núcleo.


… O dado ganha peso extra após uma sequência de falas cautelosas de dirigentes do Federal Reserve, que, nos últimos dias, reforçaram preocupação com o risco de inflação persistente, diante do choque energético e defenderam uma postura de “esperar para ver”.


… O temor de um ambiente de crescimento mais fraco com inflação elevada voltou ao radar dos investidores.


MAIS AGENDA – Além dos dados de inflação no Brasil e nos Estados Unidos, a terça-feira também traz falas de dirigentes do Fed, indicadores na Europa, reunião de Dario Durigan com executivos da Fitch e a repercussão do balanço da Petrobras, após o fechamento de ontem.


… Às 8h, a FGV divulga o IGP-M da primeira prévia de maio. Mais cedo, às 3h, sai o CPI da Alemanha, enquanto o índice ZEW de expectativas econômicas será divulgado às 6h, em meio ao aumento das preocupações com o impacto da guerra sobre a atividade europeia.


… Ainda no exterior, o presidente do Fed de Nova York, John Williams, participa na madrugada brasileira de conferência promovida pelo Banco Central da Suíça e pelo FMI, ao lado de Joachim Nagel, dirigente do BCE e presidente do Bundesbank.


… Já as 13h45, o presidente do Fed de Chicago, Austan Goolsbee, fala em evento da Câmara de Comércio de Greater Rockford, após reforçar nos últimos dias a preocupação com os riscos inflacionários ligados ao petróleo.


… Em Brasília, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, se reúne entre 15h e 16h com executivos da Fitch Ratings, incluindo o diretor sênior Richard Francis e a diretora-executiva Shelly Shetty.


… Na sequência, das 17h às 19h, Durigan participa na Câmara da comissão especial sobre o fim da escala 6×1, discutindo os impactos econômicos da proposta de redução da jornada de trabalho e, às 21h, será veiculada a sua entrevista ao programa “Na Mesa com Datena”, da TV Brasil.


PETROBRAS – A reação inicial do mercado ao balanço da Petrobras no after hours de Nova York foi moderadamente positiva, mesmo com números abaixo das projeções do mercado. Os seus ADRs fecharam em alta de 0,67% (ON) e 0,42% (PN).


… A companhia reportou lucro líquido sem efeitos exclusivos de US$ 4,535 bilhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 12,6% em relação ao mesmo período do ano passado e queda de 4,5% frente ao quarto trimestre.


… O resultado, porém, ficou 21,5% abaixo das estimativas do mercado. O Ebitda ajustado sem eventos exclusivos também veio abaixo das expectativas, embora tenha mostrado crescimento anual. A alta do Brent deverá ter reflexo maior no segundo trimestre.


… A Petrobras ainda anunciou R$ 9,03 bilhões em dividendos, R$ 0,70/ação. Os papéis passam a ser negociados na condição “ex” a partir de 2/6.


… O mercado acompanha nesta terça-feira a teleconferência da estatal, às 11h30, em busca de sinais sobre preços de combustíveis, estratégia de investimentos, distribuição de dividendos e impactos da nova escalada do petróleo sobre os resultados dos próximos trimestres.


BALANÇOS DE HOJE – A temporada de resultados do primeiro trimestre segue movimentada na B3, com destaque nesta terça-feira para os números de JBS, PagBank, Aeris Energy e Cury – todos após o fechamento do mercado.


FRIGORÍFICOS – Trump assina duas ordens executivas suspendendo temporariamente tarifas de importação sobre carne bovina nos Estados Unidos, com validade de 200 dias, na tentativa de conter a disparada dos preços da proteína no país.


… A suspensão deve valer para todos os países exportadores, além de interromper temporariamente o sistema de cotas tarifárias. Frigoríficos brasileiros avaliam que o Brasil é o país com maior capacidade de ampliar rapidamente a oferta ao mercado americano.


… O tema ganha relevância adicional após o Ministério do Comércio da China informar que o Brasil já atingiu 50% da nova cota anual de exportação de carne bovina ao país asiático, reduzida em cerca de 35% abaixo do volume embarcado em 2025.


… O governo chinês alertou ainda que, uma vez atingido o limite da cota, passará a incidir sobretaxa de 55% sobre a tarifa atual de importação.


CURTAS DA POLÍTICA – Lula lança nesta terça-feira o programa Brasil Contra o Crime Organizado, com pacote de cerca de R$ 11 bilhões para ações de segurança pública nos Estados, em meio à agenda eleitoral.


… Cerca de R$ 10 bilhões devem vir do BNDES, via Fundo de Investimento em Infraestrutura Social, enquanto o restante será bancado pela União. O programa terá foco em combate financeiro às facções, sistema prisional, investigação de homicídios e tráfico de armas.


PESQUISAS. A semana será marcada por nova rodada de pesquisas para a eleição presidencial de 2026, com Quaest, Datafolha, Vox Brasil, Gerp e Veritas divulgando levantamentos entre amanhã (quarta-feira) e sábado.


DOSIMETRIA. Líder do PL, Sóstenes Cavalcante, protocola nova PEC que prevê anistia ampla aos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro, após Alexandre de Moraes suspender a aplicação da Lei da Dosimetria até análise definitiva do STF.


BOLSONARO. Ministro Nunes Marques é sorteado relator do pedido de revisão criminal apresentado pela defesa de Jair Bolsonaro no STF, que alega “erro judiciário” e pede anulação da condenação de 27 anos e 3 meses no caso da trama golpista.


… Nos bastidores da Corte, ministros consideram baixas as chances de sucesso da revisão criminal, diante da sensibilidade política do tema.


COPOM DE NOVO EM XEQUE – Não é a primeira vez em poucos dias que a curva a termo põe à prova o consenso de corte da Selic em junho, no ajuste que tem por trás sempre o mesmo motivo: potencial viés inflacionário do petróleo.


… Na véspera do IPCA, que pode confirmar o impacto do choque energético, bateu o nervosismo e os juros futuros registraram alta expressiva, especialmente no miolo e na ponta longa, acompanhando as taxas dos Treasuries.


… Diante do novo salto do petróleo, traders reduziram de 84% para 76% a chance de o juro cair 0,25pp na reunião de política monetária do mês que vem, segundo cálculos ao Broadcast de Flávio Serrano, economista-chefe do Bmg.


… A Selic precificada para o fim do ano subiu de 13,85% para 13,95% na curva futura. No boletim Focus, divulgado ontem, a mediana dos analistas permaneceu em 13%, mas avançou para o final de 2027, de 11% para 11,25%.


… A boa notícia foi que a mediana para a inflação suavizada nos próximos 12 meses, que ganhou importância após a regulamentação da meta de inflação contínua, caiu pela terceira semana consecutiva, de 4,05% para 3,97%.


… Mas a previsão para o IPCA deste ano aumentou pela nona semana consecutiva, de 4,89% para 4,91%, distanciando-se ainda mais do teto da meta, refletindo a escalada das incertezas com a guerra no Oriente Médio.


… As estimativas para a inflação em 2027 e 2028 permaneceram em 4,00% e 3,64%, respectivamente.


… No fechamento dos negócios, o DI para Janeiro de 2027 subia para 14,105% (de 14,049% no pregão anterior); Jan/28, a 13,765% (13,608%); Jan/29, 13,695% (13,525%); Jan/31, 13,765% (13,605%); e Jan/33, 13,845% (13,703%).


… Uma pausa no ciclo de flexibilização do Copom ainda continua improvável, mas o que se nota é que o terreno para especulações não está fechado e que os desdobramentos da guerra dão margem para mudanças nas apostas.  


… Também as previsões para o Fed podem ser reprecificadas. O mercado vem adiando a perspectiva de corte do juro para o ano que vem e tem hoje o desafio do CPI para avaliar o reflexo na inflação da ofensiva no Irã, que não acaba.


… Antecipando as pressões, as taxas dos Treasuries já subiram ontem: a da Note de 2 anos avançou para 3,951% (contra 3,892% na sexta-feira), a de 10 anos foi a 4,408% (de 4,364%) e a do T-bond 30 anos, a 4,979% (de 4,944%).


… Não foi confortável ver o novo repique do petróleo, com o Brent engatando alta de 2,88%, cotado a US$ 104,21, diante da proposta de paz que não deu em nada e das ameaças de rompimento do cessar-fogo já tão frágil.


BLINDADO – A escalada do petróleo favoreceu as moedas de países exportadores, como o real brasileiro, e ajudou a contrabalançar o efeito sobre o câmbio das saídas de capital estrangeiro que vêm sendo observadas na bolsa.


… O dólar fechou estável (-0,05%), mas se manteve abaixo de R$ 4,90, em R$ 4,8914, nas mínimas desde janeiro de 2024, contando no pano de fundo também com a chance de pausa da Selic, que seria uma boa notícia para o fluxo.


… Na B3, o investidor externo segue reduzindo a exposição ao Brasil. No pregão da última quinta-feira (dia 7), houve retirada de mais R$ 1,1 bilhão. Maio já registra saídas de R$ 3,3 bilhões. O ano acumula entrada de R$ 53,2 bilhões.


… Analistas têm identificado a rotação global em direção a ações de tecnologia na Ásia.


… Mas no Valor, o Goldman Sachs considera um exagero o temor sobre a fuga dos gringos da bolsa brasileira e a perda de atratividade do País com a guerra, e estima o Ibovespa em 215 mil pontos daqui a 12 meses.


… Ontem, o índice à vista queimou mais de dois mil pontos e perdeu os 182 mil. Fechou em baixa de 1,19%, a 181.908,87 pontos, com giro de R$ 29,2 bilhões. Apesar da alta da Vale e Petrobras, os bancos atuaram de vilões.


… O setor financeiro caiu em bloco: Bradesco PN, -2,69% (R$ 18,09); Itaú PN, -2,25% (R$ 40,33); e Santander unit, -2,52% (R$ 27,83). O BB, que solta balanço amanhã, registrou queda de 1,19% e fechou na mínima de R$ 21,54.


… Vale subiu 2,41% (R$ 83,45), superou com folga o minério (+0,73%) e ocupou a segunda maior alta do Ibovespa.


… Os papéis da Minerva ficaram no topo do índice à vista, com um salto de 4,88% (R$ 4,30), reagindo à notícia sobre os decretos de Trump para aumentar as importações de carne bovina e recompor rebanho dos Estados Unidos.


… À espera do balanço trimestral divulgado na noite de ontem, as ações da Petrobras também avançaram (PN +1,66%, a R$ 46,43; e ON +1,40%, a R$ 50,81), na cola do petróleo, com a trégua “por um fio”, segundo Trump.


… Apesar do fracasso nas negociações diplomáticas, as bolsas americanas ainda registraram ganhos modestos. O suporte veio do bom desempenho do setor de tecnologia: Micron (+6,50%), Nvidia (+1,97%) e Tesla (+3,91%).


… Com o pouco que subiram, o S&P 500 (+0,19%, aos 7.412,87 pontos) e o Nasdaq (+0,10%, aos 26.274,12 pontos) renovaram os seus recordes históricos de fechamento. O Dow Jones encerrou em alta de 0,19%, a 49.704,34 pontos.


GANHA-GANHA – Enquanto o petróleo seguir alto, o dólar permanecerá forte, disse o grupo financeiro Macquarie. Na contagem regressiva pelo CPI, o índice DXY subiu de leve (+0,1%), perto da linha dos 98 pontos, a 97,955 pontos.


… O euro caiu 0,10%, a US$ 1,1780, a libra perdeu 0,16%, a US$ 1,3622, e o iene recuou para 157,27 por dólar.


… Em coletiva na noite de ontem, a ministra das Finanças japonesa, Satsuki Katayama, disse que, durante a reunião com o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, a coordenação sobre intervenções no câmbio foi reafirmada.


… Investidores têm identificado atuações do governo japonês para sustentar o iene acima de 155 por dólar, neste momento em que a moeda asiática sofre com o aumento da busca global por dólar em razão do conflito no Irã.


CIAS ABERTAS NO AFTER – ITAÚSA teve lucro líquido recorrente de R$ 4,491 bilhões no 1TRI26, alta de 17% contra um ano antes. Dívida líquida saltou 188%, para R$ 1,01 bilhão…


… A companhia aprovou recompra de até 5 milhões de ações PN para plano de incentivos de longo prazo.


HAPVIDA. Lucro líquido somou R$ 244 milhões no 1TRI26, 3,4 vezes acima da estimativa dos analistas no Broadcast, de R$ 70 milhões. O Ebitda ajustado alcançou R$ 803 milhões, acima da projeção de R$ 651,8 milhões…


… A receita líquida de R$ 7,892 bilhões ficou levemente acima do esperado pelo mercado, de R$ 7,824 bilhões.


EMBRAER avança em conversas com Chile e Colômbia sobre o avião militar C-390, segundo a Reuters.


SUZANO anunciou metas de dívida líquida de US$ 11 bilhões e de alavancagem abaixo de 2,5x dívida líquida/Ebitda ajustado. A companhia espera atingir as metas entre 2027 e 2028.


NATURA teve prejuízo líquido de R$ 445 milhões no 1TRI26, aumento de 787,6% sobre a perda de um ano antes. Receita líquida caiu 7,7%, para R$ 4,745 bilhões, e Ebitda recuou 46,8%, para R$ 346 milhões.


WEG. Citi cortou preço-alvo de R$ 50 para R$ 49 e manteve recomendação neutra.


SBF teve lucro líquido de R$ 74,2 milhões no 1TRI26, alta de 10,2% contra um ano antes. Receita líquida avançou 14,9%, para R$ 1,785 bilhão, e Ebitda ajustado cresceu 0,6%, para R$ 223,5 milhões.


TRACK & FIELD teve lucro líquido ajustado de R$ 41,5 milhões no 1TRI26, alta de 6,3% contra um ano antes. Receita líquida cresceu 18%, para R$ 251,2 milhões, e Ebitda ajustado avançou 12,6%, para R$ 61,6 milhões.


MULTIPLAN firmou acordo para venda de participação de 9,33% no ParkShoppingBarigüi por R$ 250 milhões.


MRV&CO apresentou receita e prejuízo ajustado em linha com as expectativas do mercado no Broadcast…


… A companhia reportou prejuízo líquido consolidado e ajustado de R$ 14,4 milhões. A receita líquida consolidada totalizou R$ 2,776 bilhões.


DIRECIONAL teve lucro líquido de R$ 213 milhões no 1TRI26, alta de 29,6% contra um ano antes. Receita líquida cresceu 30%, para R$ 1,2 bilhão, e Ebitda avançou 47%, para R$ 315,2 milhões.


MOTIVA assinou aditivo para explorar a Rodovia Fernão Dias por mais 15 anos e realizar novos investimentos.


ENERGISA teve lucro consolidado recorrente de R$ 207 milhões no 1TRI26, queda de 46,9% contra um ano antes. Ebitda ajustado recorrente cresceu 6,6%, para R$ 1,981 bilhão, e receita líquida ajustada avançou 7,6%, a R$ 7,35 bi.


RAÍZEN e credores avançam em negociações sobre dívida, segundo a Reuters.


ONCOCLÍNICAS. Minoritários avaliam recorrer à Justiça para exigir OPA da companhia.


HYPERA. Votorantim elevou participação acionária a 15,7% do capital social, enquanto Fidelity reduziu fatia a 4,6%.


ESPAÇOLASER. Fundo Magnólia estuda potencial saída do bloco de controle da companhia.


FERBASA reverteu lucro e teve prejuízo de R$ 2,4 milhões no 1TRI26. Receita líquida caiu 7,9%, para R$ 506,4 milhões, e Ebitda ajustado recuou 27,8%, para R$ 44,1 milhões.


TERRA SANTA teve lucro líquido de R$ 8,25 milhões no 1TRI26, queda de 15% contra um ano antes. Ebitda ajustado cresceu 7,9%, para R$ 16,67 milhões, e receita líquida avançou 2,6%, para R$ 22,5 milhões.


COPASA. Sindicato apontou falhas no processo de credenciamento das empresas Aegea e Sabesp para o leilão e pediu suspensão da privatização da companhia. (Valor)


ELO contratou Bank of America, UBS BB e Bradesco para IPO nos EUA, segundo a Bloomberg. A companhia disse que não há decisão tomada.

Multa à Fast Shop

 *Fast Shop: como carta para entidade espiritual levou a maior multa por corrupção da história*


Multa aplicada a Fast Shop é de R$ 1,04 bilhão, valor que teria sido desviado dos cofres do Estado de São Paulo por meio do esquema


Uma carta de três páginas escrita à mão com caneta vermelha e destinada a uma entidade espiritual. Foi esta a peça-chave para a polícia desbaratar um esquema bilionário de corrupção envolvendo grandes empresas do varejo e funcionários públicos.


Nesta segunda-feira (11), a investigação culminou na aplicação de uma multa no valor de R$ 1,04 bilhão, a maior já registrada no Brasil pela Lei Anticorrupção. A punição foi aplicada à rede Fast Shop, que terá que pagar o montante em 30 dias, sem possibilidade de parcelamento.


A carta foi encontrada com o auditor fiscal Artur Gomes da Silva Neto durante a Operação Ícaro do Ministério Público de São Paulo (MPSP). No documento, datado de 3 de março de 2025, ele pedia orientação espiritual sobre o risco de assinar novas liberações de ICMS para empresas, sendo considerado uma confissão de um esquema de propina.


Uma das empresas beneficiadas era, justamente, a Fast Shop. Executivos da varejista confirmaram que pagaram propina. Dois sócios e um diretor executivo da Fast Shop admitiram a participação no crime em um acordo de não persecução penal com o MPSP. À época, eles concordaram em pagar multas individuais que somadas chegaram a R$ 100 milhões.


A nova multa bilionária foi calculada a partir do valor que teria sido desviado dos cofres públicos.


*Como funcionava o esquema*


O esquema comandado por servidores da Secretaria de Fazenda permitia o ressarcimento ilgeal ICMS (ou ICMS-ST), que ocorre quando uma empresa paga o imposto antecipadamente, mas o fato gerador presumido não se concretiza, ou quando a venda é feita por valor inferior ao previsto.


Na prática, de acordo com as investigações, os servidores preparavam eles mesmos os arquivos contábeis e os pedidos de ressarcimento das empresas.

Depois, os próprios fiscais envolvidos analisavam e aprovavam esses pedidos, garantindo que o dinheiro público fosse transferido para as mãos das corporações e, consequentemente, parte dele retornasse como propina para o grupo.


A Fast Shop ainda não se manifestou sobre a multa.


https://www.metropoles.com/colunas/dinheiro-e-negocios/fast-shop-como-carta-para-entidade-espiritual-levou-a-maior-multa-por-corrupcao-da-historia

segunda-feira, 11 de maio de 2026

Semana 11 15/05

 📆 Semana começa com Focus, enquanto EUA têm bateria de dados imobiliários e leilões do Tesouro.


🇧🇷 Cenário Doméstico

No Brasil, os investidores acompanham pela manhã o Boletim Focus, em meio a revisões para o IPCA e manutenção das projeções para Selic e câmbio. Também saem o IPC-Fipe e, à tarde, a balança comercial semanal, em um ambiente de expectativa para o IPCA de abril que será divulgado amanhã e deve calibrar as apostas para o Copom. Reta final da temporada de balanços no Brasil. Entre os balanços das empresas estão Petrobras, BTG Pactual, Natura, Banco do Brasil, CSN, Casas Bahia, Nubank e MRV.


🌍 Cenário Internacional (EUA/Europa/Ásia/outros)

Nos EUA, o dia é mais técnico, com dados de vendas de casas existentes e uma sequência de leilões de títulos do Tesouro.

O mercado segue atento ainda ao noticiário geopolítico envolvendo Irã e às sinalizações em torno do encontro entre Donald Trump e Xi Jinping ao longo da semana, temas que podem influenciar dólar, Treasuries e commodities.


📊 Agenda do dia – Brasil

▪️ 05:00 -  IPC-Fipe

▪️ 08:00 -  IPC-S Capitais – 1ª quadrissemana - Maio/2026

▪️ 08:25 – Boletim Focus (BCB)

▪️ 15:00 – Balança comercial semanal (Secex)


🕒 Agenda do dia – Exterior

▪️ 14:00 – EUA: Vendas de Casas Existentes (abril)

▪️ 15:30 – EUA: Leilões de Títulos de 3 e 6 meses

▪️ 17:00 – EUA: Leilão de Notas de 3 anos

Um grito de socorro nas universidades

 Editorial de hoje do Estadao sobre a hegemonia cultural de esquerda na academia !!!


“Um grito de socorro pelas universidades


Acadêmicos oferecem o antídoto para reverter a perversão dos câmpus em incubadores de intolerância e restaurar sua vocação de usina de criação e difusão de conhecimento


08/05/2026


Um grupo de professores lançou o manifesto . É uma reação a um ambiente de “conformidade ideológica, autocensura e intolerância”, em que “eventos são cancelados ou interrompidos, aulas são boicotadas, participantes são intimidados e expostos”, comprometendo “a legitimidade pública da universidade e as próprias condições de produção de conhecimento”.


Desde a Academia de Platão, passando pelas universidades medievais, a pesquisa e o ensino só prosperaram em ambientes de confronto intelectual. O conhecimento amadurece quando hipóteses rivais colidem e argumentos são macerados pelo escrutínio. Se essa dinâmica cede lugar ao constrangimento, a investigação perde fôlego, e o ensino, densidade.


Mas hoje a composição ideológica nas humanidades é estreita. Uma pesquisa na USP e na UFBA identificou que 93% dos professores de História e 73% dos de Direito são de esquerda. Além disso, 61% dos docentes já evitaram temas controversos e 35% deixaram de convidar palestrantes por medo de represália. Quase metade dos estudantes pratica autocensura. Não é necessário um tribunal para produzir punição quando reprovações moralistas substituem o exame de argumentos e a chantagem reputacional se antecipa a qualquer instância formal.


A universidade, que ajudou a dissolver ortodoxias esclerosadas, forjou novas. A militância progressista interpreta todo discurso como “relação de poder”; desconfia do pluralismo como mecanismo de perpetuação de “opressões”, substitui disputas racionais por gestões morais e usa cancelamentos e linchamentos virtuais para disciplinar dissidentes. Numa ironia involuntária, mimetiza velhas ferramentas confessionais: proselitismo, heresias, blasfêmias, dogmas, penitências públicas. Os novos fariseus e zelotas podem vestir a linguagem emancipatória da inclusão social ou racial e, ainda assim, excluir brutalmente ideias e convicções.


Na pesquisa, hipóteses são descartadas por consensos ideológicos. No ensino, o currículo é homogeneizado, o cânone é mutilado e escolas divergentes são obliteradas. O tumor não só sufoca a liberdade de expressão, como desintegra a capacidade de conhecer. Os universitários são despejados na vida civil imbuídos de uma libido para conformar a si e aos outros.


Previsivelmente, a pressão externa cresce, na forma de invectivas caricatas e projetos de intervenção. Cria-se um circuito de retroalimentação: patologias endógenas dão munição a ataques exógenos que reforçam reflexos paranoicos. As esquerdas iliberais colonizaram a academia e asfixiam sua liberdade; em retaliação, as direitas iliberais buscam sitiá-la e demoli-la. O câmpus, que deveria ser arena intelectual, virou trincheira política.


Instituições financiadas pelo público dependem de confiança pública. Mas ela está sendo pulverizada pela percepção de alheamento, alinhamento e intolerância. Segundo pesquisa da Quaest, 59% dos brasileiros confiam pouco ou nada na universidade pública, e 54% creem que ela promove mais ideologia do que ensino de qualidade. Menosprezar esse mal-estar como ressentimento obscurantista ou negar a doença só acelerará sua virulência.


O manifesto clama por três remédios. Primeiro, “neutralidade institucional”: universidades não devem adotar posições oficiais sobre temas políticos ou ideológicos, a menos que estejam em jogo os instrumentos de sua missão, como autonomia e financiamento. Segundo, “liberdade acadêmica”: universidades devem escudar docentes e discentes contra punições ou perseguições. O desconforto do contraditório não pode ser tratado como ofensa a ser eliminada. O teste de integridade é a proteção do dissidente, não do consenso. Terceiro, “pluralismo”: diversidade de ideias, doutrinas, autores e perspectivas. Isso não significa relativismo: o questionamento a consensos deve ser mediado pelo método científico e pela argumentação honesta.


Universidade é laboratório, não tribunal. A busca da verdade exige atrito, não anestesia. Onde ideias podem circular livremente e se chocar sem medo, a mentira é castrada e a verdade ganha músculo. Onde isso falta, sobra a unanimidade burra – e truculenta”.

Bankinter Portugal Matinal

 Análise Bankinter Portugal


NY +0,8% US tech +2,4% US Semis +5,5% UEM -1% España -1% VIX 17,2% Bund 3,00%. T-Note 4,40%. Spread 2A-10A USA=+47pb B10A: ESP 3,42% PT 3,36% ITA 3,73% FRA 3,62% Euribor 12m 2,708% (fut.12m 2,941%) USD 1,175 JPY 184,6/€ 157,1/$. Ouro 4.655$. Brent 105,3$. WTI 99,8$. Bitcoin +1,1% (80.773$). Ether +2 % (2.334$). 


:: SESSÃO. Após a forte subida americana de sexta-feira (não tanto na Europa), o natural é que hoje se estanque. Os excelentes resultados das empresas de semis e o inesperadamente bom dado de emprego americano em abril, publicado na sexta-feira (Criação de Emprego 115K vs. 65K esperado vs. 185K anterior) são os fatores dinamizadores fundamentais mais recentes. Mas a rejeição de Trump à proposta iraniana há umas horas, que era absolutamente previsível, faz com que o petróleo aumente e isso reforça a expetativa de uma sessão plana, no melhor dos casos.


GEOESTRATÉGIA. Tom neutro. Trump ainda tem tempo para pressionar. As eleições de meio mandato serão a 3 de novembro, portanto, tem até setembro, digamos. Enquanto isso, Wall St. não detém a sua subida e isso proporcionar-lhe-ia algum crédito para continuar a pressionar o Irão. Um petróleo caro prejudica-lhe eleitoralmente, mas o West Texas continua abaixo da fronteira dos 100 $/b. e é provável que reduza ou anule os impostos sobre combustíveis para o consumidor/eleitor, argumento, por exemplo, que os impostos alfandegários permitem adotar essa medida. Em paralelo, Cuba continua a descompor-se internamente; pode estar a calcular os tempos para que o desfecho, sob a forma de uma queda gradual, o fortaleça politicamente em novembro. E nesta quinta/sexta-feira terá uma reunião com Xi Jingpin. China está indiretamente debilitada após a neutralização da Venezuela, a sua economia está estancada e a última coisa que precisa é não ter o petróleo de Ormuz e ter de recorrer ao petróleo indiretamente procedente da frota fantasma russa (como acontece agora), portanto, provavelmente irá adotar uma atitude nada beligerante e até construtiva com Trump.


RESULTADOS CORPORATIVOS. Tom magnífico. Estão a ser simplesmente excelentes. Isto transmite a ideia de que as guerras (Ucrânia, Irão) e o petróleo não estão a afetar, por agora. Nos EUA, com quase 90% das empresas já publicadas, o EPS (Lucro por Ação) expande-se +26% vs. +14,4% esperado, e na Europa +12% vs. +4%.  


MACRO. Bom tom. O bom emprego americano de sexta-feira assentou muito bem. Hoje, às 15 h, Vendas de Habitações Usadas nos EUA, que se esperam decentes ou até boas (4,05M vs. 3,98M). No resto da semana, destacam-se 3 dados americanos: amanhã, inflação de abril a aumentar até +4% (+3,7% esperado desde +3,3%), na quinta-feira, Vendas a Retalho a aguentarem razoavelmente bem (+0,5% vs. +1,7%) e na sexta-feira, Produção Industrial decente e a melhorar (+0,2% vs. -0,1%).  


:: CONCLUSÃO. Talvez consiga subir um pouco hoje, embora não deva depois do rally americano de sexta-feira e de Wall St. estar há 6 semanas seguidas a subir (Europa tem alternado subidas semanais com retrocessos). Mas a inércia em alta é muito potente graças aos resultados corporativos, a uma macro mais sólida do que o esperado (provavelmente também esta semana) e a um mercado que está disposto a conviver cordial e pacientemente não só com a guerra na Ucrânia, mas também com a do Irão. Provavelmente, isto assim acontece porque a Rússia começa a estar realmente debilitada (Putin poderá estar a ser questionado internamente) e a China prefere manter distância ao Irão, o que, no fundo, manifesta uma posição também mais débil da sua parte. O pior desfecho para todos hoje seria bolsas planas e obrigações a ganharem um pouco de yield (quedas de preços), mas muito pouco.


FIM

Brasil na moda de novo...

 https://oglobo.globo.com/economia/tony-volpon/coluna/2026/05/brasil-na-moda-de-novoagora-vai.ghtml *Brasil na moda de novo…agora vai?*   _T...