terça-feira, 24 de março de 2026

Bankinter Portugal Matinal

 Análise Bankinter Portugal 


NY +1,1% US tech +1,2% US Semis +1,3% UEM +1,3% España +1,1% VIX 26,2% Bund 3,00%. T-Note 4,35%. Spread 2A-10A USA=+50pb B10A: ESP 3,51% PT 3,45% ITA 3,88% FRA 3,71% Euribor 12m 2,740% (fut.12m 2,958%). USD 1,161. JPY 184,0. Ouro 4.408 $. Brent 99,9$. WTI 88,1$. Bitcoin +1,2% (70.900$). Ether +1,3% (2.161$).


SESSÃO: Esta manhã, algumas fontes jornalísticas citam a possível vontade do novo Líder Supremo iraniano, Khamenei, negociar com os EUA, o que poderá animar um pouco a sessão. Contudo, isto une-se à ronda de ditos e não-ditos vistos desde que ontem Trump afirmou que estava em “boas e produtivas” conversações nos últimos dias com o Irão, enquanto adiava durante 5 dias os ataques contra infraestruturas e fábricas energéticas iranianas. Posteriormente, os próprios iranianos desmentiram qualquer aproximação ou início de negociações sobre um possível fim do conflito várias vezes, enquanto existia o risco de escalada com a possível entrada dos Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita no conflito.


À espera de confirmar a veracidade da notícia de Khamenei, parece aumentar ligeiramente o otimismo, como vimos ontem no mercado (bolsas a subirem, enquanto as obrigações (yield), dólar e petróleo com moderações, especialmente fortes no último caso (-9%/-10%)). Contudo, a realidade é que continuam os ataques na região, portanto, não há ainda clarificação sobre as conversações de paz.


De todos os modos, nós continuamos a defender a duração limitada do conflito (semanas, não meses). Isto tem sentido, já que Trump precisa de chegar às eleições de meio mandato (novembro) com a guerra terminada, inflação moderada e preço do petróleo menor (85 $?). Por isso, independentemente da volatilidade e dos vaivéns no mercado, continuamos a insistir que a guerra gerou oportunidades de compra em ativos a preços atrativos. Quando isto for resolvido, provavelmente teremos níveis de crescimento positivos, uma inflação que se irá corrigindo após o impacto inicial e uns bancos centrais que evitarão atuar até teres clarificações e com a lição aprendida de que não se pode controlar a inflação subindo taxas de juros quando o choque é de oferta.


Na frente macro, a ronda de PMIs na Europa e EUA de março servirá para testar o impacto do conflito iraniano, embora poderá passar para segundo plano como a Confiança do Consumidor europeia de ontem. 


CONCLUSÃO: Os futuros vêm planos, embora algumas fontes apontem que o Irão poderá estar disposto a negociar com os EUA. A confirmar-se, a sessão seria novamente positiva. Agora tudo depende das novidades do Médio Oriente.


FIM

BDM Matinal Riscala

 *Rosa Riscala: Ofensiva no Irã desafia ata do Copom*


… Os negócios globais vibraram ontem com a trégua temporária ordenada por Trump, que prometeu adiar os ataques contra usinas e a infraestrutura energética do Irã por cinco dias. Depois Teerã desmentiu negociações diplomáticas para o fim da guerra e o barril voltou a saltar na madrugada para perto de US$ 105, após furar US$ 100 mais cedo. Sem a garantia de que o conflito vai terminar, é cedo para contar com um alívio confiável da commodity. No meio das reviravoltas geopolíticas, o investidor tem hoje para ler a ata do Copom (8h). A agenda do dia reserva ainda a arrecadação de fevereiro (11h) e a pesquisa eleitoral Atlas Intel para presidente (sem horário confirmado).


À PROCURA DE RESPOSTAS – O mercado estranhou que, no comunicado da semana passada, o BC apontou a guerra como potencial fator para abrir o ciclo de corte da Selic só com 0,25pp, mas quase não ajustou a inflação projetada.


… Chamou a atenção que a estimativa para o IPCA no horizonte relevante da política monetária (terceiro trimestre de 2027) tenha subido de forma marginal, de 3,2% para 3,3%, levantando o debate se o BC não estaria superotimista.


… Que fatores o Copom estaria incorporando para manter tanto sangue-frio com as expectativas inflacionárias?


… Seria o câmbio favorável que estaria compensando a pressão da escalada rápida do petróleo? Ou estaria na conta o risco baixista da desaceleração econômica? Neste caso, existe uma outra ponta solta para a ata responder.


… Alguns economistas se questionam se o BC está desqualificando os dados fortes de atividade deste início de ano.


… Se a ideia era passar credibilidade de que o momento de ajustar a política monetária chegou, não deveria ter dado logo de largada um corte de meio ponto? Ou quis ser mais conservador para manter o rigor técnico em ano eleitoral?


… Até que ponto as pressões políticas podem aumentar e qual deve ser o orçamento total do alívio monetário?


… No cenário incerto do momento, de alta volatilidade externa com a ofensiva militar, o mercado espera uma abordagem mais detalhada da ata do Copom para projetar os próximos passos da política monetária, em abril.


… Por enquanto, o consenso do mercado aponta para nova dose de relaxamento de 0,25 ponto da Selic.


… Também a coletiva de Galípolo sobre o Relatório de Política Monetária (RPM), na quinta-feira, poderá esclarecer pontos importantes, como a questão do juro neutro e a possibilidade de aumento nos preços da gasolina.


… Hoje, às 10h, exatamente duas horas após a divulgação da ata da reunião do Copom, o Bom Dia Mercado reúne especialistas para a segunda edição do BDM Live.


… Os editores Rosa Riscala e Téo Takar estarão acompanhados da jornalista Denise Abarca, editora-adjunta da AE-News/Broadcast, para um debate com os economistas Jason Vieira (Lev DTVM) e Sérgio Machado (MAG).


… Inscreva-se no link e assista com transmissão ao vivo pelo Youtube: https://tinyurl.com/a74kwe39


PACOTE DE BONDADES – Reportagem do Valor informa que o governo federal estuda uma linha de crédito de R$ 15 bilhões para socorrer setores mais afetados por novas tarifas dos Estados Unidos e pela guerra envolvendo o Irã.


… Do total, R$ 10 bi viriam da Lei Orçamentária Anual (LOA) e R$ 5 bi do Fundo de Garantia à Exportação (FGE).


… Uma das alternativas em análise é elevar a subvenção a produtores e importadores de óleo diesel, por meio de uma nova medida provisória, depois da MP que fixou uma subvenção de R$ 0,32 por litro do combustível.


… O governo também aposta na construção de um acordo com governadores para zerar o ICMS sobre o diesel importado. Os Estados ainda demonstram ressalvas à proposta e discutem subvenção direta ao importador.


… Nesse caso, a subvenção seria concedida por cada Estado ao importador, com posterior ressarcimento parcial pela União, em um modelo de divisão de custos – metade arcada pelos Estados e metade pelo governo federal.


… Fontes da Petrobras disseram à Reuters que a companhia descarta, no curtíssimo prazo, um novo aumento no preço do diesel, dentro da estratégia de não repassar automaticamente a volatilidade ao consumidor.


… O Broadcast teve acesso a documento em que o Ministério de Portos e Aeroportos propõe decretos para reduzir a alíquota do PIS/Cofins sobre o querosene de aviação (QAV) e zerar a alíquota do IOF incidente sobre as aéreas.


DÁ PRA CONFIAR? – Trump entrou na quarta semana de guerra contra o Irã disposto a acalmar os mercados, abalados por suas ameaças de escalar os conflitos no Oriente Médio. E conseguiu, derrubando o petróleo abaixo de US$ 100, uma queda de 10% para o Brent.


… Na Bloomberg, também pesaram na decisão do presidente de recuar na intenção de destruir a infraestrutura energética do Irã os alertas de aliados dos Estados Unidos e países do Golfo, em conversas privadas, sobre os perigos de levar adiante o seu intento.


… Esses parceiros disseram que danos permanentes à infraestrutura iraniana resultariam inevitavelmente em um Estado falido após o conflito.


… As negociações para encerrar a guerra foram recebidas com algum ceticismo, mesmo porque autoridades de Teerã negaram conversas com Washington. Mas o prazo de cinco dias dado por Trump ao suspender os ataques foi o que contou nesta segunda-feira.


… Diversos países do Oriente Médio, incluindo Turquia, Arábia Saudita e Omã têm participado de negociações informais com o Irã para tentar conter a guerra e levar a República Islâmica e a coalizão Estados Unidos-Israel a concordarem com um cessar-fogo.


… Trump passou o dia insistindo em comentários otimistas, afirmando que representantes do Irã entraram em contato para iniciar as negociações porque estão ansiosos para chegar a um acordo e que o Estreito de Ormuz poderá ser aberto “muito em breve”.


… Segundo o presidente, as negociações envolvendo seu genro Jared Kushner e o conselheiro Steve Witkoff começaram no sábado, e Teerã teria concordado em entregar o material nuclear do país e não retomar seu programa nuclear.


… O Ministério das Relações Exteriores do Irã, porém, negou qualquer conversa com os Estados Unidos, enquanto o presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, disse que as notícias são falsas e “usadas para manipular os mercados financeiros e de petróleo”.


… Apesar de Trump ter dito que “Israel ficará muito feliz com o que temos”, o governo de Netanyahu não vê um fim iminente para a guerra e planeja continuar as operações, evitando apenas atingir ativos energéticos.


… Além disso, segundo o NYT, o Pentágono considera o envio de três mil soldados ao Oriente Médio para dar apoio às operações militares dos Estados Unidos – uma força que poderá ser usada para tomar a Ilha Kharg, principal centro de exportação de petróleo do Irã.


… Reportagem do WSJ revelou que as tropas estão programadas para chegar ao Oriente Médio na sexta-feira, prazo de Trump para um acordo.


NÃO EXISTEM COINCIDÊNCIAS – O FT trouxe matéria levantando a lebre de insider trading no mercado de petróleo.


… Quinze minutos antes de Trump publicar na Truth Social supostas conversas “produtivas” com o Irã, investidores fizeram apostas de meio bilhão de dólares no mercado da commodity, desencadeando o tombo no barril.


… A Casa Branca reagiu à reportagem, disse que não tolera que ninguém lucre ilegalmente com informação privilegiada e que qualquer insinuação de envolvimento sem provas é jornalismo “infundado e irresponsável”.


… Profissionais de mercado admitem que é difícil provar a casualidade, mas que é preciso se perguntar quem teria sido agressivo na venda dos contratos futuros. Como disse um gestor, “alguém acabou de ficar muito mais rico”.


PULOU FORA – Ratinho Junior desistiu de disputar a candidatura à Presidência da República e seguirá no governo do Paraná. O recuo foi calculado para evitar que a administração do Estado saia do comando de seu grupo político.


… A leitura nos bastidores de Brasília é de que o movimento tem relação direta com a entrada do senador Sergio Moro no PL (o evento de filiação marcado está para hoje) e com a reorganização do campo da direita no Paraná.


… Com a saída de Ratinho, o PSD ainda deve decidir se lança ao Planalto o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, ou o do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite. Os dois já estavam no páreo e a decisão deve sair até o final do mês.


… Lauro Jardim/O Globo informa que Caiado deve ser o escolhido. De seu lado, Eduardo Leite diz estar “pronto”.


… Depois da desistência de Ratinho, o pré-candidato à Presidência Romeu Zema, que deixou o cargo de governador de Minas, descartou rumores de que trocaria o partido Novo para se colocar como uma alternativa ao PSD de Kassab.


… Após ter assumido a Fazenda com a saída de Haddad para disputar a cadeira de governador de São Paulo, Dario Durigan anunciou ontem que Rogério Ceron deixará o comando do Tesouro e será o número dois da pasta.


… No redesenho, Daniel Leal assume o Tesouro e Úrsula Peres vira secretária-executiva adjunta da Fazenda.


CPI DO INSS – O ministro André Mendonça, do STF, atendeu a um pedido do presidente da comissão, o senador Carlos Viana, e determinou que Davi Alcolumbre prorrogue os trabalhos da CPI, que terminariam esta semana.


… Mendonça mandou o presidente do Senado fazer a leitura do pedido de prorrogação em até 48 horas. Mesmo que Alcolumbre desobedeça ao prazo, o ministro ordenou que a CPI ficará autorizada a continuar as atividades.


… Investigados têm conseguido decisões judiciais para não comparecerem à Comissão, prejudicando os trabalhos.


… O ministro da Previdência, Wolney Queiroz, e o presidente da Dataprev, Rodrigo Assumpção, devem ser os próximos convocados. A CPI também tenta viabilizar o depoimento de Martha Graeff, ex-namorada de Vorcaro.


… A expectativa era de que ela tivesse sido ouvida ontem, mas não foi localizada para prestar depoimento.


MAIS AGENDA – A arrecadação da Receita em fevereiro deve alcançar R$ 219 bilhões, segundo a mediana no Projeções Broadcast, após R$ 325,751 bilhões em janeiro. As estimativas vão de R$ 210 bilhões a R$ 226,6 bilhões.


… Único destaque entre os balanços trimestrais é Boa Safra Sementes, após o fechamento do mercado. A Oi, que divulgaria resultado amanhã, informou na noite de ontem que adiou o seu cronograma, sem data definida.


… Segundo a companhia, o adiamento ocorre devido aos impactos dos eventos relacionados à recuperação judicial.


LÁ FORA – A leitura preliminar de março do PMI composto sai hoje nos Estados Unidos (9h30), zona do euro (6h), Alemanha (5h30) e Reino Unido (6h30). Michael Barr (Fed) discursa à noite (19h30). O Chile decide juro às 18h.


JAPÃO HOJE – Economistas apontam que a eclosão da guerra já impactou na leitura preliminar do PMI composto, que caiu de 53,9 em fevereiro para 52,5 em março, mas ainda permanece acima do patamar neutro de 50.


… O PMI industrial cedeu de 53 para 51,4 no mesmo período, também em território de expansão e acima da previsão dos analistas de 49 pontos. O PMI de serviços teve queda de 53,8 para 52,8, contra estimativa de 53 pontos.  


ATRÁS DO PREJUÍZO – As bolsas de Nova York reduziram ganhos para as mínimas intraday e os preços do petróleo reduziram as perdas com a negativa do Irã de que iniciou negociações com o governo Trump, mas o saldo do dia foi muito positivo.


… O petróleo tombou 10%, a US$ 95/barril, abaixo de US$ 100 pela primeira vez desde 11/3, com a maior queda diária desde 2022, desarmando as posições defensivas montadas para o fim de semana, diante do risco de uma escalada da guerra, que não se confirmou.


… Negociado na Nymex, o WTI para maio fechou em queda de 10,28%, a US$ 88,13, e, na ICE, o Brent para junho caiu 9,86%, a US$ 95,92.


… Já os ganhos em Wall Street superaram 2% nas máximas do dia, com o índice Dow Jones em alta de 1,38% (46.208,47 pontos) no fechamento; Nasdaq, +1,38% (21.946,76 pontos); enquanto o S&P 500 avançou 1,15% (aos 6.581,00 pontos).


… O dólar e os juros dos Treasuries reverteram a alta da abertura após os primeiros comentários de Trump sobre possível acordo. O juro da T-Note de 10 anos, que atingiu máximas desde julho/2025, fechou a 4,342% (de 4,387% de sexta-feira).


… Já o rendimento da T-Note de 2 anos recuou a 3,854% (3,913% na sessão anterior) e o T-Bond de 30 anos, 4,915% (de 4,944%).


… O ouro, ativo de refúgio diante de instabilidades geopolíticas, aprofundou a queda recente e caiu 3,66%, a US$ 4.407,3/onça-troy.


… Para o Société Générale, a volatilidade e a aversão a risco devem predominar, considerando que, a menos que o Estreito de Ormuz seja reaberto rapidamente, os juros e os custos para importadores de petróleo devem continuar elevados nas próximas semanas.


IBOV E CÂMBIO – Na B3, o Ibovespa subiu firme (+3,24%), aos 181.931,93 pontos, tendo superado os 182.973,41 pontos no pico do dia. Em relação ao nível de abertura (176.220,82, na mínima da sessão), o Ibovespa recuperou quase 6 mil pontos. O giro somou R$ 32,3 bilhões.


… Com o Brent abaixo dos US$ 100, as ações de Petrobras não acompanharam o ritmo das demais blue chips, que subiram em bloco, mas ganharam ímpeto no fim da tarde, com a ON em alta de 0,68% (R$ 50,68) e a PN, de 0,79% (R$ 46,03) no fechamento.


… Os bancos foram destaque: BTG, +4,72% (R$ 55,23); Bradesco ON, +3,98% (R$ 16,44) e PN, +3,66% (R$ 19,00); Santander, +3,11% (R$ 30,16); Banco do Brasil, +2,97% (R$ 23,96); e Itaú PN +2,96% (R$ 42,78). A Vale também apresentou ganho firme (+2,57%; R$ 77,49).


… O câmbio acompanhou a desvalorização global do dólar e voltou a fechar abaixo de R$ 5,25. Caiu 1,29%, a R$ 5,2407. Na mínima, bateu R$ 5,2157. Apesar da queda, a moeda americana ainda acumula ganhos de 2% frente ao real em março.


… Contribuiu a venda pelo BC de US$ 1,8 bilhão em leilão de linha da oferta total, de US$ 2 bilhões para rolagem do vencimento de 2 de abril.


… No exterior, o índice DXY voltou a operar abaixo dos 100 pontos e no final da tarde caía 0,50%, aos 99,140 pontos.


ANTES DA ATA – O bom humor dos mercados levou os juros futuros a recuarem com mais força nas horas finais do pregão. As taxas curtas atingiram novas mínimas no meio da tarde, em sintonia com a curva dos Treasuries e a fraqueza global do dólar.


… A taxa do contrato para janeiro de 2027 cedeu de 14,377% no ajuste anterior para 14,16%. O DI para janeiro de 2029 recuou a 13,77%, vindo de 14,075% no ajuste de sexta-feira. E o DI para janeiro de 2031 caiu de 14,11% para 13,875%.


… Na véspera de o BC divulgar a ata do Copom, o boletim Focus começou a mostrar impactos mais relevantes do conflito nas projeções.


… O consenso de mercado para a alta do IPCA em 2026 subiu de 4,10% para 4,17%. Também houve nova rodada de revisão para a taxa Selic no final do ano, agora estimada em 12,50%, de 12,25% na semana anterior.


CIAS ABERTAS NO AFTER – PETROBRAS pagou R$ 219,2 milhões à PPSA após a aprovação da redeterminação da jazida compartilhada de Sapinhoá pela ANP, conforme previsto em acordo entre os sócios do campo.


VIBRA ENERGIA. Conselho aprovou distribuição de R$ 393,5 milhões em JCP, equivalente a R$ 0,3299 por ação. Os papéis serão negociados “ex” a partir de 27 de março e o pagamento ocorrerá em 19 de setembro.


REDE D’OR. Conselho aprovou distribuição de R$ 350 milhões em JCP, equivalente a R$ 0,1591 por ação. O pagamento será realizado em 07 de abril, com base na posição acionária de 26 de março.


FLEURY. Grupo encerrou programa de recompra após adquirir 2,3 milhões de ações; o plano havia sido iniciado em fevereiro.


GERDAU. T. Rowe Price Associates passou a deter 5,01% das ações preferenciais da companhia, segundo participação relevante.


RUMO. Moody’s colocou os ratings da companhia em revisão para rebaixamento, citando risco de contágio da controladora Cosan, após o rebaixamento e revisão do rating da holding em meio às incertezas envolvendo a reestruturação da Raízen.


EMBRAER. XP elevou a recomendação das ações de neutra para compra e fixou preço-alvo de R$ 92 por papel (US$ 70 por ADR), citando valuation mais atrativo e carteira de pedidos robusta.


TIM informou que discussões sobre a oferta da Poste Italiane pela Telecom Italia ocorrem no âmbito da controladora e que não possui informações adicionais além das já divulgadas publicamente.


ISA ENERGIA iniciou a operação comercial do Bloco 2 do projeto de transmissão Piraquê (MG), com antecipação de 17 meses frente ao prazo da Aneel; com a energização, passa a receber 91,5% da RAP do empreendimento.


MULTIPLAN concluiu a venda de 10% do BH Shopping por R$ 285 milhões; o comprador não foi divulgado. A empresa permanece com 90% de participação no empreendimento.


LOCALIZA. Gestora Dynamo passou a deter 20,20% do total de ações preferenciais da companhia, conforme comunicado ao mercado.


MOVIDA. Locadora teve lucro líquido de R$ 102,3 milhões no 4TRI25, alta de 64,5% na comparação anual; no ano, o lucro somou R$ 318,4 milhões (+37,5%). A receita líquida do trimestre foi de R$ 3,6 bilhões, crescimento de 12,6%…


… Companhia projeta lucro líquido entre R$ 110 milhões e R$ 130 milhões no 1TRI26, alta de cerca de 54% na comparação anual e acima do consenso de mercado de R$ 70 milhões, segundo a empresa.


EVEN reverteu prejuízo do 4TRI24 e registrou lucro líquido de R$ 44,9 milhões no 4TRI25, com receita líquida de R$ 484,4 milhões (+7,6% na comparação anual).


SANEPAR. Regulador do Paraná propôs destinar integralmente aos consumidores um precatório de R$ 3,94 bilhões recebido pela companhia, por meio de redução tarifária ou investimentos sem custo adicional. A proposta ainda será submetida a consulta pública.


BTG PACTUAL já recuperou R$ 73 milhões após ataque hacker envolvendo recursos no Pix, segundo O Globo. Os valores não eram de clientes, mas de recursos mantidos pela instituição junto ao Banco Central.


AGIBANK registrou lucro líquido de R$ 214,9 milhões no 4TRI25, alta de 9,2% na comparação anual. A receita somou R$ 2,958 bilhões (+38,4%), com carteira de crédito crescendo 43,9% em 12 meses.

segunda-feira, 23 de março de 2026

Antonio Afonso

 O erro fundamental da mobilidade social


Sempre me disseram que a vida é injusta, que é preciso lutar pela vida, por ter um lugar ao sol. Mas hoje penso que isso é uma grande mentira. Os termos desta luta são uma grande mentira. Desde novo que convivo com os burgueses da minha cidade, pessoas muito pouco preocupadas com essa luta. Sempre vi uns a safar-se sem haver razões objectivas para isso. 


Vejo agora que a ideia de elevador social é uma piada. Há uns que têm lugares marcados no último andar desde que nasceram. Outros que chegaram lá pelas ligações, uns tiveram que pisar muita gente para entrar no elevador. A classe média é uma mentira pegada. A primeira vez que cheguei ao topo percebi logo a farsa. Esta ideia de mobilidade social é uma treta. Mesmo que entres no elevador e metas o dedo no último andar, a subida é sempre provisória. E o convite para desceres à base já está firmado. 


A verdadeira mobilidade social reside em dois aspectos individuais e noutro que tem a ver com a engrenagem do mundo. O primeiro aspecto é ter capital. O segundo é ter cultura. É que se és um escravo do dinheiro estás tramado. Tens de ter ativos, casa, património, um negócio, acções e talvez ouro. Tens de ter ativos que valorizem com a inflação. Sem isso és refém de um mestre que está sempre a depreciar. O dinheiro que entra no salário é sempre adiar a precariadade. Andas sempre com a corda ao pescoço. 


O segundo ponto é a cultura. E quando digo cultura não é só saber apreciar a beleza estética de um quadro ou de uma estátua grega. É saberes as forças que movem o intelecto humano, a realidade fundamental que é transversal a todas as culturas. O essencial do génio humano. É saber Dante e Dostoievski não como emblemas de estatuto mas como forças de pensamento. Seres rico e não teres cultura é miserável. 


Dito isto, é preciso notar se és refém de sinais exteriores de riqueza tens sempre um problema. O dinheiro que ganhas não serve para criar património mas para ter estatuto. E isso deixa-te sempre num pequeno passo à beira do abismo. És um Sísifo num jogo absurdo de aparências. Conheço muitos indivíduos que fazem da sua vida a exploração das vaidades humanas, da eterna tendência para seguir atalhos e a inclinação humana para a crendice. Essas figuras são de fugir. A sua única oferta é um rodízio de distracções. Esquece essa gente. Só fazem perder tempo. 


Por fim, se levas a sério tudo isto. A tua missão é simples. Guardar riqueza, guardar conhecimento e guardar sabedoria. Mas para esse processo faça sentido tens de passar este legado à próxima geração. Caso contrário o teu esforço acaba em pó. É isto a mobilidade social: manter a chama viva e passar o legado para a geração seguinte. É por isso que há famílias poderosas. Estas linhagens estão a repetir este processo há centenas de gerações.

Pondé e Buzatto

Buzatto precisa fazer alguns 'disclaimers' antes de postar o texto de Luiz Felipe Pondé na Folha de S. Paulo, datado de 16/03/2026:


1. Eu sempre fui anti-petista, por diversas razões que não vou enumerar aqui; apesar disso, já votei no PT (para prefeito de Campinas, por acreditar na pessoa, não no partido, e deu no que deu);


2. Tampouco sou bolsonarista; critiquei bastante o governo de Bozo, em especial seu desprezo pelo povo durante a pandemia, resultando no Brasil vice-campeão de mortes, com cerca de 2,5% da população mundial;


3. Em vista do desastre que foi o governo Bolsonaro, teria votado em Lula em 2022 (estava fora do Brasil na época) e recomendei a quem me perguntou que votasse em Lula, por razões óbvias;


4. Dado o desenrolar dos acontecimentos este ano, eu novamente recomendaria - e votaria - em Lula num segundo turno em outubro próximo, e talvez até já no primeiro, conforme os candidatos que se apresentarem;


5. Apesar disso tudo, me julgo no direito de concordar com Luiz Felipe Pondé sobre os estragos feitos ao Brasil por 17 anos de PT no poder. Temer tentou arrumar a casa um pouco, meio como aquele piloto de corridas de longa duração que pega um carro detonado e tem que levar aos boxes para ser colocado de novo na disputa, mas foi abatido em plena tentativa de decolagem pela gravação traiçoeira de Joesley Batista; Bolsonaro, bem, aqui nem há o que dizer, é abaixo de qualquer qualificação, foram 4 anos de desastre total.


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O que o PT fez de significativo para tirar o Brasil da lata de lixo? Nada


* Oposição tampouco põe a cabeça para fora da lama

* O país, hoje, se transformou no quintal de uma gangue


Luiz Felipe Pondé


Desde 2003, o PT domina o governo federal. Até 2026, o PT esteve no poder federal por 17 anos. Temer por dois anos, Bolsonaro por quatro anos —nenhum deles grande coisa. A pergunta que não quer calar é: nesses 17 anos, o que o PT fez de significativo para tirar o Brasil da lata de lixo? Resposta: nada.


Sei, o Bolsa Família. Para um nordestino como eu, o Bolsa Família é nada mais do que o velho voto de cabresto repaginado, que, seguramente, o Lula sabe muito bem o que era. Em troca de um prato de comida, vote no candidato do "coroné".


O Bolsa Família, politicamente, tem duas faces. Uma é a ajuda material para pobres —e não tão pobres que se aproveitam para ganhar um dinheiro fácil sem ter que trabalhar cansativamente; outra é um voto de cabresto, compra descarada de votos. Afora isso, o que o PT fez em 17 anos? Nada que tenha impactado a história recente do país. Sem dúvida, alguns serviços aqui e ali —quem quiser que desfie o rosário.


A última coisa séria que aconteceu no Brasil em termos de alterar a história recente do país e ajudar a população significativamente foi o Plano Real, que, aliás, o PT nunca foi muito a favor na época. A memória, essa infeliz! O Lula se referia ao governo FHC como "herança maldita". Pergunto, como um historiador que não seja vendido ao PT, coisa rara, chamaria a herança que o Brasil recebeu nesses 17 anos?


Vale apontar que a possibilidade de reeleger alguém como presidente muitas vezes —que não é uma invenção petista, há que se reconhecer— é uma herança maldita. Quando alguém, ou um mesmo partido, coloniza o governo federal por décadas, necessariamente, o resultado será catastrófico. Já vivemos essa catástrofe.


Esse processo implicou a transformação do Brasil no quintal de uma gangue. Essa gangue se torna uma hidra que toma quase todos os espaços, formando gerações de lacaios. Uma dessas classes de lacaios do PT é a inteligência pública nacional.


Constatar que os últimos anos do Brasil foram jogados na lata de lixo não implica pôr tudo na conta do PT —a oposição constituída nesses 23 anos tampouco põe a cabeça para fora da lama—, ainda que, tendo ocupado o governo federal por 17 anos, isso deveria aterrorizar sua consciência. O país pasta na lama.


Ainda assim, para além da responsabilidade direta do PT, o país parece condenado ao lixo da história. Nesses anos, o país se tornou quase um narcoestado. O crime organizado, hoje, disputa territorialmente a soberania local, sendo a Amazônia, essa joia do "blábláblá" nacional, parte do objeto da soberania criminosa no país.


O crime se espalha pelo interior do país —sendo as grandes cidades já províncias do crime—, chegando às pequenas cidades. Todo mundo sabe que estamos entregues ao crime.


A corrupção estrutural parece formar quadros profissionais que servirão como ferramenta de normalização de uma sociedade sem lei. Da periferia ao coração do mercado financeiro, sente-se, quase ninguém escapa.


A piora salta aos olhos quando a ideia de normalização passa ao universo da normatização, e a sociedade sem lei parece se tornar uma sociedade em que mesmo a lei serve a alguma forma de corrupção segmentada.


Hoje em dia, o escândalo do banco Master faz a todos —pelo menos àqueles que ainda têm o sentido do olfato ativo— sentir o cheiro de que há algo de podre no reino de Brasília. Corre à solta uma promiscuidade regada a uísque caro. A vergonha na cara parece ser um recurso extinto entre os quadros altos da República.


O cerco se fecha. O argumento da honra vira arma de censura no país. Sob a cortina da falsa honra, poderosos não temem mais fazer o que bem quiser. Onde já se viu o filho de um presidente pedir abertamente a altas autoridades da República para que seu sigilo bancário não seja quebrado por conta de uma investigação da fraude do INSS? Aliás, o que pensar de um país que monta uma gangue para roubar aposentados, essa classe esmagada pela canalhice nacional?


Os bolsonaristas, esses iniciantes na arte de formar gangues políticas, quiseram derrubar a democracia. O fato é que a democracia brasileira está corroída por dentro, e não por ação de uma tentativa de golpe montada por idiotas, mas, sim, por um lento e invisível processo que opera sob o signo de uma microfísica do poder, corrompendo o caráter das altas figuras da República.


Uma quadrilha parece ter tomado o poder no Brasil. Torna-se difícil imaginar quem escapa dessa gangue multifacetada e que ultrapassa os limites ideológicos, apesar de os idiotas insistirem neles. "Em nome do Estado de Direito", perde-se a vergonha na cara.

Ruy Castro

 '1984' versão hoje


RUY CASTRO


Certos livros deveriam ser lidos todo ano. Exemplo: "1984", de George Orwell. Sei de gente que faz isso. Desde sua publicação, em 1949, já vendeu 30 milhões de exemplares –eu próprio comprei vários, inclusive, num leilão, a primeira edição, da Secker & Warburg, de Londres. Pois, seguindo meu próprio conselho, acabo de relê-lo de novo e fiquei ainda mais assustado que da última vez. Com razão –"1984" nunca foi tão atual. Ou Orwell adivinhou tudo ou está sendo seguido à risca.


Vide as teletelas. No livro, elas ficam em todas as paredes, regulando a vida dos cidadãos, e não podem ser desligadas. Hoje estão no nosso bolso ou na palma da mão. São os celulares. Assim como as teletelas, eles nos veem e nos ouvem, queiramos ou não. Já o Grande Irmão é o algoritmo. Sabe tudo sobre nós e nos bombardeia com mensagens dirigidas aos nossos gostos, preferências e, mais que tudo, convicções, permitindo-nos viver numa bolha onde nos sentimos "pertencendo", donde protegidos.


No país de "1984", o culto ao ódio é obrigatório. As pessoas são instadas a pôr para fora a sua raiva contra indivíduos ou instituições sem saber muito bem por quê. Obedecem aos haters das redes sociais, especialistas em destruir a reputação do inimigo da vez –a contaminação é imediata, e o sujeito se vê, de repente, odiando alguém de quem jamais ouvira falar. No livro, não se tem descanso, porque o país está sempre em guerra contra um inimigo a ser odiado. Só que o inimigo de hoje pode se tornar o aliado de amanhã ou vice-versa. Mas o povo reage de acordo, porque acredita em tudo que lhe injetam.


Como a verdade é agora a mentira, alteram-se textos, imagens e biografias para produzir novos "fatos" –as fake news. O povo de "1984" acredita que a Terra é o centro do Universo, em torno da qual giram o Sol e os planetas. Equivale aos que no Brasil a acham plana, telefonam para ETs, rezam para pneus e negam a pandemia.


O país de "1984" é a URSS de Stálin. Os zumbis bolsonaristas não desconfiam, mas viveriam muito bem nele.


Ruy Castro

Jornalista e escritor, autor das biografias de Carmen Miranda, Garrincha e Nelson Rodrigues, é membro da Academia Brasileira de Letras


Imagem: Página de rosto da primeira edição de "1984", livros sobre Orwell e reportagem na revista Manchete, em 1974 - Heloisa Seixas.


FSP 19.03.2026

Anderson Nunes

 *TENSÃO NO IRÃ E JUROS SOB PRESSÃO NO BRASIL - MC 23/03/26*

*Por Anderson Nunes - Analista Político*


*GUERRA NO ORIENTE MÉDIO E INCERTEZA FISCAL ACUAM O MERCADO BRASILEIRO*


A ameaça de uma invasão terrestre dos EUA no Irã e o petróleo acima de US$ 110 colocam o Banco Central sob fogo cruzado, levantando dúvidas se a autoridade monetária subestima o impacto inflacionário global na Selic.


*CONFLITO GLOBAL EM ESCALADA*

A guerra atinge quatro semanas com a ameaça real de envio de tropas terrestres americanas ao Irã e o possível fechamento do Estreito de Ormuz. Essa instabilidade mantém o petróleo em patamares críticos e força investidores globais a buscarem proteção imediata em ativos seguros.


*DESAFIO AO BANCO CENTRAL*

O mercado financeiro aguarda a ata do Copom para entender como o colegiado projeta inflação controlada enquanto os preços dos combustíveis disparam domesticamente. Analistas suspeitam que o BC aposta no desaquecimento da economia local para compensar o choque externo, mas a postura rígida do Banco Central americano sugere que o alívio monetário por aqui pode sofrer interrupções.


*PRESSÃO POLÍTICA E COMBUSTÍVEIS*

O governo federal tenta conter a crise do diesel após o combustível ultrapassar a marca de R$ 7 por litro em diversas regiões do país. O embate sobre a desoneração do ICMS e as acusações de especulação contra distribuidoras adicionam volatilidade ao cenário fiscal e testam a articulação do Planalto com os estados.


*RISCO POLÍTICO COM DELAÇÃO*

A iminente delação do banqueiro Daniel Vorcaro no caso do banco Master gera apreensão em Brasília pelo potencial de atingir figuras do Judiciário, Executivo e do Congresso. Investigações sobre blindagem patrimonial envolvendo cifras milionárias no exterior aumentam o clima de desconfiança institucional em pleno ano eleitoral.


*RADAR CORPORATIVO*


1- Petrobras: A suspensão judicial de licenças ambientais no pré-sal trava a expansão produtiva da estatal e gera insegurança jurídica sobre o cronograma de novos investimentos.

2– Claro e Desktop: A aquisição do controle da Desktop pela Claro por R$ 2,4 bilhões consolida a estratégia de dominância da gigante de telecomunicações no mercado de banda larga.

3- BTG Pactual: O ataque hacker de R$ 100 milhões que motivou a suspensão temporária do Pix expõe vulnerabilidades no sistema, embora o banco tenha recuperado a maioria dos ativos.

4- CSN: O novo empréstimo de US$ 1,2 bilhão busca dar fôlego ao caixa da companhia e permitir a reestruturação de dívidas antes de novos desinvestimentos.

5- Light: O prejuízo líquido de R$ 187 milhões no quarto trimestre reforça os desafios operacionais da distribuidora durante seu complexo processo de recuperação.


O Canal Auxiliando usa as seguintes fontes de notícias: 'Monitor do Mercado, BDM, Broadcast, Valor Econômico, Folha de São Paulo, Estadão, O Globo, BM&C, B3, Revista Oeste, Poder 360, Money Times, Agência CMA, Agência Brasil, Bloomberg, Infomoney, CNN, The Washington Post, The Wall Street Journal, Fox Business, Reuters, Oil Price, Investing e Yahoo Finance'.

BDM Matinal Riscala

 *Rosa Riscala: Guerra testa ata do Copom e Galípolo*


Escalada da ofensiva levanta dúvidas se o BC estaria subestimando impacto das incertezas externas sobre a inflação projetada


… Confrontando a garantia de Trump de uma guerra rápida, o conflito completa quatro semanas, com relatos de que os americanos preparam o envio de tropas terrestres ao Irã, enquanto a Guarda Revolucionária iraniana ameaça fechar “completamente” o Estreito de Ormuz se os Estados Unidos atacarem instalações energéticas. A escalada da ofensiva estressa o mercado e levanta dúvidas se o Copom não estaria subestimando o impacto das incertezas externas sobre a inflação projetada. A ata, amanhã, além do IPCA-15 de março e a entrevista coletiva de Galípolo, na quinta-feira, para comentar o Relatório de Política Monetária (RPM) ganham interesse redobrado. No pano de fundo, o investidor ainda administra a tensão para o “Vorcaro Day”, à espera da definição da data da delação premiada.


JOGUE A ÂNCORA – O Copom já andava há meses com a bala na agulha para iniciar o ciclo de relaxamento monetário e, como a guerra melou os planos de meio ponto de corte, veio só 0,25 pp, para 14,75%, sem abalar o consenso.


… A novidade do comunicado da semana passada que chamou a atenção do investidor foi o BC ter posado de forma tão pouco cautelosa quanto às projeções para a inflação no horizonte relevante, mesmo com o petróleo nas alturas.


… Economistas querem detalhes na ata sobre como o Copom incorporou um efeito tão marginal nas expectativas para o IPCA do terceiro trimestre de 2027, que subiram de 3,2% para só 3,3%, apesar da turbulência no Oriente.


… Vale entender se o BC está encarando o petróleo acima de US$ 110 como um choque de oferta de curto prazo, ao contrário do Fed, do BCE e do BoE, que na semana passada não deixaram nada barato nos alertas hawkish da guerra.


… Na ferramenta de apostas do CME, o mercado já não duvida que o comitê de Powell possa subir o juro este ano se o custo da investida no Irã se provar muito mais elevado do que Trump e Israel tentaram vender ao mundo.


… O comentário da dirigente do Fed Michelle Bowman, na sexta-feira, de que três cortes nas taxas dos juros americanas continuam no radar em 2026, não sensibilizou os traders a aderirem à expectativa mais dovish.


… Já para a próxima reunião de política monetária do Fed, em abril, as apostas de um aperto monetário não são desprezíveis (12,4% de chance), embora improváveis. A precificação de um alta em outubro encosta em 30%.


… O ciclo de alívio vai sendo colocado à prova com o risco de a ofensiva militar durar meses e não semanas.


… Neste contexto, profissionais de mercado reforçam a surpresa com a percepção de comunicado suave do Copom, que não deu forward guidance, mas deixou a sinalização implícita de que a Selic seguirá caindo na próxima reunião.


… No Projeções Broadcast, a maioria projeta mais uma dose de corte de 0,25 pp do juro em abril, para 14,50%.


… A suspeita é de que o BC esteja confiando no controle inflacionário via desaquecimento da atividade doméstica.


… Disse o comunicado que o período prolongado de manutenção da Selic em nível contracionista deu evidências da transmissão da política monetária sobre a desaceleração da atividade, criando condição para ajustes na “calibração”.


… Todo mundo espera a ata para saber se o Copom vai alegar que o crescimento em torno de zero do PIB nos últimos trimestres e a taxa de câmbio mais moderada estariam compensando parcialmente o choque do petróleo.


… Também Gabriel Galípolo poderá explorar as justificativas em sua primeira entrevista coletiva do ano, na quinta-feira, quando comentará o Relatório de Política Monetária (RPM) ao lado do diretor do BC Paulo Picchetti.


… O mercado também espera os eventos da semana para calibrar melhor as apostas para o ajuste total da Selic no ano e medir a chance de, mesmo com a guerra, a taxa básica ainda cair 3 pontos até dezembro, para 12% ou menos.


DUAS HORAS DEPOIS – O Bom Dia Mercado vai realizar amanhã, 3ªF, a partir das 10h, o segundo BDM Live. Será um debate apenas duas horas após a divulgação da ata do último Copom, que reduziu a taxa Selic para 14,75%.


… Os editores do BDM Rosa Riscala e Téo Takar recebem Jason Vieira, da Lev DTVM, Sérgio Machado, da MAG Investimentos, e a editora-adjunta do AE-News/Broadcast, a jornalista Denise Abarca.


… Anote na agenda: amanhã, 10h. Inscreva-se pelo link: https://novidade.bomdiamercado.com.br/bdm-live-24-03


BOMBANDO – O Copom se vê desafiado a comentar na ata o potencial impacto dos combustíveis na inflação.


… Levantamento da TruckPag, que faz gestão de frotas, aponta que o preço do diesel no Brasil chegou a uma média de R$ 7,22 na quarta-feira passada, contra R$ 5,74 antes da guerra, elevando o sinal de alerta no governo federal.


… O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, afirmou que participará na quarta-feira de um novo encontro com representantes dos caminhoneiros para discutir os impactos dos preços dos combustíveis.


… O ministro acusou as distribuidoras de repassar aumentos “especulativos” ao consumidor. “Elas não estão pagando a mais pelo óleo diesel, mas estão transferindo. Isso é um crime contra a economia popular”, atacou.


… Depois da MP para ampliar a fiscalização do piso mínimo do frete rodoviário com multas para quem descumprir a tabela e do anúncio da redução a zero da alíquota de PIS/Cofins no combustível, o ICMS entra no centro do debate.


… Os governadores ainda aguardam uma proposta concreta do governo para a proposta de zerar ICMS sobre a importação do diesel, após a Fazenda sugerir reembolso de metade do valor que não será arrecadado.


… Os detalhes do projeto da equipe econômica, que ainda não formalizado, podem ser discutidos na reunião do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), que está marcada para a próxima sexta-feira (dia 27).


NOTÍCIAS DO FRONT – Em sinais de agravamento da guerra, Trump e o Irã intensificam no fim de semana as ameaças de ataques a instalações de energia no Golfo, o que pode ampliar movimentos de fuga de risco no mercado.


… No sábado, o presidente americano ameaçou “obliterar” usinas de energia do Irã caso o Estreito de Ormuz não seja reaberto em até 48 horas. Se Trump cumprir a ameaça, Teerã prometeu revidar atacando instalações no Golfo.


… Fuzileiros navais americanos e embarcações de desembarque pesado continuam a se deslocar para a região.


… Os riscos ao fornecimento de energia mantinham o petróleo na faixa de US$ 112 no fim da noite de ontem.


O CHUMBO DE VORCARO – Fontes da Bloomberg confirmaram que o banqueiro já assinou um acordo de colaboração com as investigações do caso do banco Master, que poderia abalar a República, em pleno ano eleitoral.


… No Radar/Veja, o que pode vir dos registros de conversas com poderosos do STF e Congresso é “devastador”.


… A intenção da CPMI do INSS era ouvir hoje Martha Graeff, modelo e influenciadora que namorou Vorcaro. Mas congressistas da comissão não localizaram a ex-noiva do banqueiro e avaliam uma condução coercitiva.


 … O banqueiro transferiu para Martha bens que podem superar R$ 520 mi. A PF suspeita de blindagem patrimonial.


… Vorcaro criou uma estrutura jurídica nos EUA tendo a ex-noiva como beneficiária, incluindo uma casa de R$ 450 milhões em Miami, como mostrou o Estadão. A defesa nega e diz que ela não tem imóveis frutos do relacionamento.


MAIS AGENDA – Além da ata do Copom, IPCA-15 e Relatório de Política Monetária (RPM), a semana conta ainda com os dados de emprego da Pnad Contínua (fevereiro), na sexta-feira, que podem ajustar as expectativas para a Selic.


… Termômetro da meta fiscal, o primeiro Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas de 2026 sai amanhã. Existe a possibilidade de a Receita divulgar esta semana a arrecadação referente ao mês passado.


… Na quarta-feira, será publicado o Relatório Mensal da Dívida (RMD) do mês de fevereiro. O CMN se reúne quinta.


… A nota à imprensa do setor externo, com informações sobre o balanço de pagamentos e o Investimento Direto no País (IDP), sai na sexta-feira, quando também a Aneel define a cor da bandeira tarifária de energia elétrica.


… Hoje, saem a prévia do IPC-S (8h), o relatório Focus (8h25) e os dados semanas da balança comercial (15h). Ainda nesta segunda-feira, o BC faz leilão de linha de até Us4 2bilhões, às 10h30, para rolagem do vencimento de abril.


BALANÇOS – JBS é destaque na 4ªF, mesmo dia dos resultados da Oi, Americanas e Equatorial. Hoje é dia de Even e Movida, após o fechamento do mercado. Braskem, JHSF e Petz vêm na quinta. Bradespar, Azul e Vamos, na 6ªF.


LÁ FORA – Com o petróleo em primeiro plano, os indicadores são menos importantes esta semana nos EUA.


… A leitura final de março do índice de sentimento do consumidor americano, medido pela Universidade de Michigan e que traz embutido as expectativas de inflação para 1 ano e 5 anos, é destaque na agenda de sexta-feira.


… Hoje, saem os investimentos em construção em janeiro (11h). Amanhã, o dado preliminar do PMI composto de março sai nos Estados Unidos e zona do euro. Chile (terça), África do Sul e México (quinta) decidem juro na semana.


… A presidente do BCE, Christine Lagarde, participa de evento na quarta-feira.


… No último sábado, Powell enviou agradecimento e discursou por vídeo ao receber o Prêmio Paul Volcker.


… Em meio às pressões de Trump para o Fed cortar os juros, ele defendeu a independência do BC americano ao elogiar Volcker, ex-presidente da instituição, por ter resistido às pressões políticas no início da década de 80.


… À época, Volcker optou pela estratégia de elevar o juro para conter a inflação de dois dígitos, mesmo sob críticas do Congresso e da Casa Branca de Ronald Reagan. “Independência e integridade são inseparáveis”, disse Powell.


SEM FIM – O petróleo até ensaiou um alívio na sexta, com Washington sinalizando possível suspensão das sanções ao produto iraniano que já esteja em petroleiros e Israel dizendo que poderia ajudar a liberar o Estreito de Ormuz.


… Mas, logo a commodity retomou trajetória de alta, com informação da CBS News de que o Pentágono estaria preparando o envio de tropas para atuação terrestre no Irã, o que significa que a guerra ainda está longe do fim.


… Trump estaria planejando ocupar a ilha de Kharg, que responde por cerca de 90% das exportações de petróleo bruto do Irã, para pressionar os iranianos a reabrirem o Estreito de Ormuz, segundo fontes da Axios.


… Ainda o vizinho Iraque declarou força maior em todos os campos de petróleo operados no país por empresas estrangeiras, de acordo com a Reuters.


… O diretor da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, alertou que poderá levar até seis meses para restabelecer os fluxos normais de exportação de petróleo e gás a partir do Golfo Pérsico.


… O Brent para maio fechou em alta de 3,25%, a US$ 112,19 por barril, enquanto o WTI para o mesmo mês subiu 1,91%, a US$ 94,74. O Brent avançou pela 5ª semana seguida (+8,77%); já o WTI recuou 4,02% na semana.


A MARCHA – Com a guerra sem nenhum sinal de que irá acabar logo, Wall Street optou pela cautela no último pregão, especialmente após a informação de que Trump planeja enviar tropas terrestres ao Irã.


… A volatilidade já estava garantida, afinal era dia de “bruxaria”, com vencimento quádruplo de contratos futuros e opções sobre ações e índices. A alta do petróleo à tarde estimulou ainda mais a busca por posições defensivas.


… O mercado também passou a embutir nos ativos um cenário de Fed mais hawkish.


… O Dow Jones fechou em baixa de 0,96%, aos 45.577,47 pontos; o S&P 500 caiu 1,51% (6.506,48 pontos); e o Nasdaq perdeu 2,01% (21.647,61). Na semana, os índices recuaram 2,11%, 1,90% e 2,07%, respectivamente.


… Apenas sete ações que compõem o Dow Jones resistiram em alta, entre elas, Verizon (+1,01%); Visa (0,64%) e Goldman Sachs (0,50%). Na outra ponta, IBM perdeu 3,43%, junto com Honeywell (-3,29%) e Nvidia (-3,28%).


… Super Micro Computer afundou 33,3% após o governo acusar o cofundador Yih-Shyan Liaw e outras duas pessoas de montarem um esquema de desvio de servidores para a China, violando as leis de controle de exportação.


ANTENA LIGADA – A bolsa brasileira monitorou as notícias da guerra e seguiu o mau humor de NY, mas a queda por aqui foi mais acentuada, com o cenário político voltando a preocupar.


… A expectativa de que haja em breve um “Vorcaro Day” tirou a resiliência do Ibovespa, que vinha subindo 1,5% na semana até quinta, tentando se descolar da forte correção das bolsas americanas.


… O índice fechou em queda firme (-2,25%, aos 176.219,40 pontos), com giro elevado, de R$ 49,5 bilhões, em razão do vencimento de opções sobre ações. Na semana, o Ibovespa acumulou perda de 0,81%.


… Petrobras, que vinha sendo o porto seguro do mercado brasileiro em tempos de guerra, ignorou a nova alta do petróleo e engatou forte correção (ON, -2,39%, a R$ 50,34; e PN, -2,37%, a R$ 45,67).


… Vale (-1,41%; R$ 75,55) ignorou a alta do minério (+1,05%). Os bancos também caíram: BTG (-4,30%; R$ 52,74), Santander (-2,47%; R$ 29,25), Itaú (-1,75%; R$ 41,55), Bradesco PN (-1,66%; R$ 18,33) e BB (-1,02%; R$ 23,27).


… Braskem PNA (-14,21%; R$ 10,20) liderou as perdas, acompanhada de Cyrela PN (-8,93%; R$ 23,25) e ON (-7,60%; R$ 25,05). Na outra ponta ficaram Prio (+3,14%; R$ 67,89), Vivara (+2,20%; R$ 25,59) e Yduqs (+1,38%; R$ 10,27).


FUGA PARA SEGURANÇA – O real teve o segundo pior desempenho entre as moedas globais, com investidores buscando proteção antes de mais um fim de semana de guerra e em meio a um cenário de Fed hawkish.


… A expectativa pela delação premiada de Daniel Vorcaro ajudou a acentuar o clima de aversão ao risco. O dólar fechou em alta de 1,79%, a R$ 5,3092. Na semana, acumulou leve baixa de 0,13%.


… Lá fora, a moeda americana avançou frente aos pares (DXY +0,35%, aos 99,587 pontos), como euro (-0,23%, a US$ 1,1559) e libra (-0,74%, a US$ 1,3334). Os juros dos Treasuries dispararam: Note de 10 anos a 4,393%, de 4,253%.


… Aqui,  os juros futuros passaram por forte ajuste de alta, acompanhando a disparada do dólar e dos rendimentos dos Treasuries, em uma combinação de piora de riscos internos e externos.


… No fechamento, o contrato para janeiro de 2027 marcava 14,420% (de 14,014% no ajuste anterior); Jan/29, 14,110% (contra 13,583%); Jan/31, 14,145% (de 13,765%); e Jan/33, 14,130% (de 13,833%).


CIAS ABERTAS NO AFTER – PETROBRAS informou que não foi notificada da decisão da Justiça Federal em Angra dos Reis (RJ) de suspensão imediata da Licença Prévia emitida pelo Ibama para a Etapa 4 do Pré-Sal da Bacia de Santos…


… O projeto prevê a instalação de dez plataformas e a perfuração de 132 poços. A empresa disse que o processo de licenciamento ambiental observou todos os requisitos legais e a companhia atendeu a todas as solicitações…


… Ainda no noticiário da Petrobras, a companhia contratou cerca de 2,6 GW em leilões de reserva de capacidade, garantindo receita anual estimada de R$ 4,45 bilhões entre 2026 e 2031 com nove usinas termelétricas.


CSN anunciou empréstimo-ponte de US$ 1,2 bilhão (SOFR +6%, prazo de até 5 anos) como parte da estratégia de reperfilamento da dívida e antecipação de recursos ligados a desinvestimentos.


TOTVS aprovou pagamento de R$ 104,2 milhões em JCP (R$ 0,18/ação), com pagamento em 10/04. Ex em 26/03.


LIGHT reportou prejuízo líquido de R$ 187 milhões no 4TRI25, revertendo lucro de R$ 1,89 bilhão um ano antes. O Ebitda caiu 17%, para R$ 492 milhões, e a receita líquida avançou 1,3%, para R$ 4,17 bilhões.


ISA ENERGIA aprovou emissão de debêntures de R$ 1 bilhão, prazo de 15 anos, para financiar e reembolsar investimentos no projeto Itatiaia.


AZUL recebeu sua 42ª aeronave Embraer E195-E2, primeira entrega de 2026, com redução de até 26% no CASK e 29% nas emissões, reforçando estratégia de eficiência operacional.


CLARO anunciou que sua controladora, a Claro NXT Telecomunicações S.A., comprou 73,01% do capital social da Desktop, por R$ 2,414 bilhões, ou R$ 20,82 por ação ON.


CARAMURU reportou lucro líquido de R$ 78,6 milhões no 4TRI25, queda de 52,2% na comparação anual. A receita líquida avançou 9,8%, para R$ 2,11 bilhões, e o Ebitda ajustado recuou 62,6%, para R$ 55,4 milhões.


BTG PACTUAL suspendeu temporariamente o Pix após ataque hacker de R$ 100 milhões; banco afirma que nenhuma conta foi comprometida e que a maior parte dos recursos foi recuperada.


ZAMP aprovou grupamento de ações de 1.000 por 1, sujeito à AGE, com objetivo de simplificar estrutura acionária após fechamento de capital.

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