Análise Bankinter Portugal
NY -1,5% US tech -1,9% US Semis -2,5% UEM -2% España -1,1% VIX 26,8% Bund 3,05%. T-Note 4,98%. Spread 2A-10A USA=+46pb B10A: ESP 3,57% PT 3,53% ITA 3,96% FRA 3,76% ITA 3,79% Euribor 12m 2,658% (fut.12m 3,106%). USD 1,153. JPY 183,9. Ouro 4.221 $. Brent 113,3$. WTI 100,5$. Bitcoin -4,3% (70.811$). Ether -5,3% (2.035$).
SESSÃO: Hoje o mercado amanhece semi-abalado na frente das bolsas devido à escalada da guerra no Irão. Será um dia péssimo e não parece que possa surgir nada previsível que o amortize. Só resta esperar. Esta madrugada, as bolsas japonesas e chinesa -3,5%, Coreia -6,5%... embora os futuros sobre a bolsa americana parecem mais serenos (-0,9%). Os europeus estão maus, mas, pelo menos, não oferecem um aspeto de rotura (-1,5%/-2%).
Talvez o pior se note nas obrigações. A yield do Bund passou a fronteira de 3% (3,05%) (isto é, preço em baixa), a da obrigação italiana está perto dos 4% (3,96%), a obrigação americana a 2 anos também (3,95%), enquanto a 30A americana testa os 5% (4,98%). O T-Note (O10A) está a 4,42%. O futuro a 1 ano da Euribor 12 meses já superou os 3% (3,106%). Tudo isto significa que as yields das principais obrigações se ampliaram desde sexta-feira de manhã cerca de 15 p.b., em termos gerais, por receio de uma inflação futura muito superior à temida até à semana passada perante a escalada da guerra no Irão nas últimas horas, com represálias e contrarrepresálias numa guerra completamente aberta que só terminará com a neutralização militar absoluta do Irão. O seu regime está disposto a sobreviver a qualquer preço, incluindo autoimolação. Seria conveniente perguntar o que estaria a acontecer se o Irão tivesse conseguido ser potência militar nuclear.
A parte menos má é que o USD se aprecia algo muito razoável, sem transmitir sensação de pânico (1,153/€) e o yen depreciou-se até quase 160/$, mas sem atravessar essa fronteira. E o petróleo Brent sobe até 113 $, mas isso não é grande coisa, tendo em conta as circunstâncias. Quando a guerra na Ucrânia começou, em fevereiro de 2022, chegou a 130 $. Por isso, poderemos dizer que, dentro da sensação de medo, nem todo o mercado está abalado. Mas o seu único fator diretor absoluto é o desenvolvimento de uma guerra que o Irão perderá, mas que, enquanto a perde e se demonstra que o petróleo voltará a ser transportado pelo Estreito de Ormuz/Golfo Pérsico/Golfo de Omã com tensão e relativa fluidez, embora mais caro (90 $ quando terminada a guerra?), esta fase intermédia de plena guerra colocará os preços dos ativos (bolsas e obrigações) francamente atrativos, em “modo oportunidade”. Trump tem pressa para chegar às eleições de meio mandato de novembro com este assunto resolvido (isto é, petróleo pagável, inflação com o pior já para trás e o Irão neutralizado) e Israel sabe que ou o faz agora ou nunca terá outra oportunidade de neutralizar uma ameaça existencial como Irão. Por isso, ambas as partes chegarão até ao final rapidamente, embora menos do que o que parecia. Enquanto isso, o nervosismo é uma má ideia, porque a recuperação posterior do mercado será rápida e podemos deixá-la escapar. Porque o dia depois do Irão será melhor do que o dia anterior.
CONCLUSÃO: Hoje mercado abalado ou semi-abalado e é melhor não fazer nada, a não ser esperar com sangue-frio. O desenvolvimento das ações militares e os resultados que nos chegam dirão tudo. É provável que Wall St., durante a tarde, aguente bastante melhor do que a Ásia e Europa… e melhor do que o que parece. Não há muito mais que se possa dizer num dia como hoje. A não ser que, se uma campanha militar terrestre avançar, o risco seria muito superior e a nossa opinião poderia mudar.
FIM