segunda-feira, 4 de maio de 2026

BDM Matinal Riscala

 NY sobe no feriado, mas ADR indica cautela

Na agenda forte da semana, são destaques a ata do Copom e o payroll nos Estados Unidos, em um ambiente de juros elevados por mais tempo


04/05/2026


… O início da semana combina tentativa de alívio na geopolítica com sinais ainda claros de impasse na guerra, mantendo o mercado preso ao risco inflacionário. A proposta de paz do Irã chegou a sustentar o rali em Nova York, mas a resistência de Trump aos termos do acordo e a reação negativa dos ADRs brasileiros no feriado indicam uma abertura mais cautelosa por aqui. Na agenda forte da semana, são destaques a ata do Copom e o payroll nos Estados Unidos, em um ambiente de juros elevados por mais tempo. A temporada de balanços ganha força na B3, com Itaú e Bradesco como destaques, enquanto a crise política eleva o ruído institucional em Brasília.


GUERRA, SEGUE O IMPASSE –O fim de semana trouxe novos sinais diplomáticos envolvendo o conflito entre Estados Unidos e Irã, com a proposta apresentada por Teerã, mas o quadro geral segue de impasse — e, em alguns pontos, até de escalada.


… O plano iraniano contém 14 pontos para encerrar a guerra e inclui suspensão de sanções, retirada das forças americanas da região e fim das operações militares de Israel no Líbano. A proposta prevê um acordo em até 30 dias.


… Mas ainda depende de aval de Washington, que, até aqui, sinaliza baixa disposição para aceitar os termos.


… O presidente Donald Trump voltou a adotar tom duro, afirmando que o Irã ainda não “pagou preço suficiente”, o que reforça a leitura de que a negociação tende a se alongar e está sujeita a novos retrocessos, mantendo as incertezas geopolíticas.


… Em outra frente, Israel ordenou evacuação no sul do Líbano após acusações de violação de cessar-fogo pelo Hezbollah.


… No campo diplomático, o Irã tenta ampliar o apoio internacional ao plano de paz, com articulações envolvendo Omã e Alemanha, enquanto mantém posição firme sobre o controle do Estreito de Ormuz — ponto central para o fluxo global de petróleo.


OPEP+ – Sete integrantes do grupo concordaram na reunião virtual realizada neste domingo com um modesto aumento na produção de petróleo para junho, de 188 mil barris por dia, o terceiro aumento mensal consecutivo.


… O volume é considerado simbólico, diante do fluxo interrompido no Estreito de Ormuz.


… A medida visa demonstrar que o grupo está pronto para aumentar a oferta assim que a guerra terminar e sinaliza que a OPEP+ prossegue com sua abordagem padrão, apesar da saída dos Emirados Árabes, disseram analistas.


GUERRA COMERCIAL – Além da frente geopolítica, o risco comercial voltou ao radar. O presidente Donald Trump ameaçou elevar já nesta semana as tarifas sobre carros e caminhões importados da União Europeia para 25%, alegando descumprimento do acordo atual.


… A sinalização reforça o viés mais protecionista da política comercial americana e adiciona um novo vetor de incerteza ao cenário global, justamente em um momento em que o mercado já lida com os efeitos da guerra sobre energia e inflação.


ADRS NO FERIADO – Apesar de o Nasdaq e o S&P 500 terem renovado os recordes históricos na sexta-feira do 1º de Maio, quando os mercados domésticos ficaram fechados, o EWZ, principal ETF brasileiro negociado em Nova York, perdeu 0,68%, e fechou cotado a US$ 39,43.


… O petróleo em queda, com impacto direto sobre os ADRs da Petrobras, pode ter influenciado negativamente.


… Mas as outras principais empresas domésticas listadas nos Estados Unidos, como Vale e os bancos, também registraram perdas, destoando do ambiente positivo em Wall Street, desencadeado pela notícia da nova proposta do Irã.


… Embora o ânimo tenha diminuído parcialmente com o comentário de Trump de que ainda não estava satisfeito com a oferta diplomática iraniana, o petróleo Brent para julho fechou em baixa de 2,02%, negociado a US$ 108,17.


… Os ADRs da Petrobras correspondentes aos papéis PN no Ibovespa recuaram 0,83%, a US$ 19,73, e os relativos às ações ON caíram 0,64%, a US$ 21,90. Antes de sair para o feriado, a estatal soltou a produção e vendas no 1Tri26.


… De janeiro a março, a empresa registrou produção média de 3,197 milhões de barris diários de óleo equivalente, alta anual de 16,4%. As vendas de derivados em igual intervalo subiu 2,9%, a 1,745 milhões de barris por dia.


… Hoje será o primeiro pregão regular em que os investidores terão a oportunidade de, eventualmente, repercutir o resultado. Mas a reação pode ficar “embolada” com o ajuste ao petróleo durante o feriado do Dia do Trabalho aqui.


… Os papéis da Vale também prometem gap de baixa na abertura dos negócios nesta segunda-feira, se reproduzirem o comportamento do ADR na sexta-feira em Nova York, quando registraram desvalorização de 1,13%, a US$ 16,18.


… A oscilação negativa contrariou a alta de 1,6% do contrato do minério de ferro negociado no mercado chinês.


… Ainda os ADRs dos bancos fecharam no vermelho: Itaú recuou 0,86%, a US$ 8,63, e Bradesco, -1,16%, a US$ 3,85.


WALL STREET – A esperança de que possa ser reaberta a rodada de negociações entre Washington e Teerã deu fôlego às bolsas americanas. Em paralelo, o rali de 3,28% da Apple no day after de seu balanço também entrou na conta do otimismo.


… O Nasdaq emplacou alta de 0,89% e estabeleceu mais uma marca inédita de fechamento, aos 25.114,44 pontos. O S&P 500 avançou 0,29%, para o pico histórico de 7.230,12 pontos. Só o Dow Jones caiu: -0,31%, a 49.499,27 pontos.


… Já os Treasuries evitaram embarcar na onda de confiança sobre a guerra e preferiram o ceticismo, com oscilações estreitas. O juro da Note de 2 anos subiu a 3,888% (de 3,876% na véspera) e o de 10 anos caiu a 4,379% (de 4,382%).


… No pano de fundo, três dirigentes do Fed (Lorie Logan, Beth Hammack e Neel Kashkari) assumiram discurso hawkish, alertando que a inflação segue persistentemente acima da meta de 2% no ambiente de elevada incerteza.


… Os comentários vêm em meio à zona de transição no Fed, com a despedida de Powell este mês para o comando de Kevin Warsh, que potencialmente pode tentar imprimir um viés mais dovish à condução da política monetária.


JAPÃO INTERVÉM – O dólar testou uma correção na sexta-feira, mas ainda persistiu abaixo dos 160 ienes, um dia depois de ter caído de forma acentuada, com suspeitas de que o governo japonês atuou no mercado cambial.


… No aviso em dois, a ministra das Finanças, Satsuki Katayama, cantou a bola de uma intervenção na quinta-feira, quando disse que o governo estava próximo de tomar medidas decisivas, depois de o iene romper 160 por dólar.


… Naquele dia, a moeda japonesa disparou, o que abriu espaço para uma realização no pregão seguinte, do 1º de Maio, quando o dólar subiu a 157,07 ienes, com o índice DXY em leve alta de 0,1%, negociado aos 98,156 pontos.


… As moedas europeias também caíram (euro a US$ 1,1722 e libra esterlina a US$ 1,3577), um dia depois de terem ganhado força com a interpretação entre os analistas de que o BCE e o BC inglês podem apertar o juro em junho. 


… Esta percepção cresceu com o tom mais duro adotado por Lagarde durante a coletiva de imprensa após a decisão de política monetária, quando abordou os riscos impostos pelo choque de energia e gargalos na cadeia de oferta.


PREGÃO DE QUINTA-FEIRA – No último pregão de abril, antes do feriado, o dólar fechou em baixa de 0,98%, a R$ 4,9527, diante do apetite global do dia. O mês terminou com valorização acumulada de 4,3% para o real, que ainda tem faturado o carry trade.


… Os juros futuros devolveram prêmio, embora o Copom tenha limitado a queda das taxas curtas.


… O contrato para Janeiro de 2027 marcou 14,145% (de 14,209% no ajuste anterior); Jan/28, 13,810% (contra 13,959% um dia antes); Jan/29, 13,710% (de 13,855%); Jan/31, 13,740% (de 13,852%); e Jan/33, 13,800% (13,879%).


… O Ibovespa retomou os 187 mil pontos na quinta-feira, quando pegou carona no otimismo de Nova York e operou embalado pela segunda derrota política do governo em menos de 24 horas (dosimetria e rejeição de Messias).


… O índice à vista fechou em alta de 1,39%, aos 187.317,64 pontos. Em abril, registrou queda marginal de 0,08%.


ATA DO COPOM E PAYROLL – A semana começa com indicadores de atividade na Europa e nos Estados Unidos, mas o foco se desloca rapidamente para os sinais de política monetária, tanto no Brasil quanto no exterior, em um ambiente ainda pressionado pela inflação de energia.


… Aqui, o principal evento da semana é a ata do Copom, amanhã (terça-feira), que deve detalhar o racional da última decisão e ajudar a calibrar as expectativas para o ritmo de cortes à frente, especialmente diante do novo cenário de pressão inflacionária vindo da energia.


… No exterior, o foco recai sobre o setor de serviços e, principalmente, sobre o mercado de trabalho americano.


… O relatório ADP, na quarta-feira, antecipa o payroll de abril, na sexta-feira, acompanhado da taxa de desemprego e dos salários — dados centrais para a trajetória de juros nos Estados Unidos.


… Na quinta-feira, o IBGE divulga a produção industrial de março e o MIDC publica a balança comercial de abril.


… Ainda na sexta-feira, a prévia da confiança do consumidor da Universidade de Michigan e as expectativas de inflação completam o quadro, em uma semana que deve testar a leitura de juros mais altos por mais tempo.


… Hoje, a agenda traz os PMIs industriais da França, Alemanha e Zona do Euro de madrugada, além do Boletim Focus (8h25) e do PMI industrial brasileiro (10h). Nos Estados Unidos, saem as encomendas à indústria e os pedidos de bens duráveis de março (11h00).


… Galípolo participa nesta segunda-feira, às 15h30, de audiência pública promovida pelo STF para debater a atuação da CVM. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, participa do programa Roda Viva, da TV Cultura, às 22h.


FERIADOS – Mercados da China, Japão e Reino Unido permaneceram fechados hoje. China volta na quarta-feira e Japão, só na quinta-feira.


O QUE VIRÁ AMANHÃ NA ATA – A chance de o Copom acelerar o ritmo dos cortes da Selic se torna cada vez mais improvável e os bancos continuam promovendo ajustes mais conservadores em suas planilhas, às vésperas da comunicação que virá na ata.


… O Bradesco elevou a projeção para o juro no fim do ano de 12,50% para 12,75% e o Itaú, de 13,00% para 13,25%.


… A estimativa do Bradesco para o IPCA, que era de 4,3%, agora já estoura o teto da meta: passou para 4,75%.


… A desancoragem das expectativas inflacionárias coincide com imprevisibilidade do conflito militar no Oriente Médio, que só acentua os receios de que as leituras de inflação continuem sob pressão nos próximos meses.


… Pelas simulações do Itaú a partir do modelo do BC, trajetórias com Selic abaixo de 13% exigiriam não apenas um dólar abaixo de R$ 5,00, mas a ausência de uma nova rodada de piora das expectativas de inflação.


… A ata do Copom, amanhã, tende a consolidar a leitura mais cautelosa diante de um cenário inflacionário pressionado e com elevada incerteza global. O mercado busca entender com mais clareza como o BC está avaliando a composição da inflação.


… Há dois fatores principais que têm dificultado a convergência para a meta: os efeitos do choque do petróleo e a resiliência da atividade.


… A expectativa é de que o documento reforce o tom já considerado hawkish do comunicado, detalhando preocupações com núcleos de inflação e possível contaminação do setor de serviços.


BALANÇOS – A semana também concentra uma das agendas mais carregadas da temporada de balanços no Brasil, com destaque para bancos, consumo e utilities, em um ambiente ainda desafiador por conta do nível elevado de juros.


… Os grandes bancos lideram a atenção, com Itaú amanhã (terça-feira), após o fechamento, e Bradesco na quarta-feira, também no after hours.


… Pelas prévias apuradas pelo Broadcast, o Itaú deve mostrar estabilidade nos resultados, ainda com rentabilidade elevada, enquanto o Bradesco tende a avançar no processo de recuperação de lucro. No consolidado, os quatro maiores bancos devem somar R$ 26,9 bilhões no 1TRI.


… Outros nomes relevantes entram no radar ao longo da semana, como Ambev (terça-feira), B3 e Sabesp (quinta-feira), além de uma longa lista de companhias que divulgam entre quarta e quinta, concentrando o pico da temporada.


… Hoje tem BB Seguridade, Marcopolo e Odontoprev – todas após o fechamento da Bovespa.


… No exterior, os destaques incluem Disney e Uber (quarta-feira) e Mercado Livre (quinta-feira), em uma agenda que também traz nomes ligados a consumo global e energia, em meio ao pano de fundo da guerra e do petróleo.


A CRISE MESSIAS –A rejeição do nome de Jorge Messias para o STF abriu uma crise política em Brasília e expôs a fragilidade da articulação do governo no Senado, com desdobramentos que ainda seguem em aberto.


… O presidente Lula avalia os próximos passos após o revés histórico e considera desde indicar um novo nome com maior chance de aprovação até reapresentar o próprio Messias em um momento político mais favorável, em uma tentativa de reafirmar sua prerrogativa constitucional.


… Ao mesmo tempo, o governo tende a recalibrar sua agenda no Congresso, priorizando pautas econômicas com maior apelo eleitoral, enquanto temas mais sensíveis — como indicações para o BC e a autonomia da autoridade monetária — devem perder tração no curto prazo.


… A tensão com o Legislativo aumentou após uma segunda derrota relevante, na quinta-feira, com a derrubada do veto presidencial ao projeto da dosimetria, ampliando o desgaste institucional e reforçando a percepção de perda de controle da base.


… Nos bastidores, aliados relatam surpresa e falhas de articulação, enquanto o episódio levanta dúvidas sobre a capacidade do governo de avançar com sua agenda nos próximos meses, especialmente em um cenário pré-eleitoral.


CURTAS DA POLÍTICA –Lula assina hoje, às 10h, MP do novo Desenrola Brasil, com foco na renegociação de dívidas das famílias, em meio a endividamento recorde e com medidas que incluem descontos de até 90% e uso parcial do FGTS.


… Governo também amplia oferta de crédito com o programa Move Brasil 2, que prevê mais de R$ 20 bilhões para financiamento de caminhões e ônibus, em estratégia de estímulo à atividade e ao consumo.


… Em ritmo eleitoral, Hugo Motta convoca uma maratona de sessões na Câmara ao longo da semana para acelerar a tramitação da PEC que altera a jornada 6×1, cujo protagonismo – que o Planalto disputava – foi apropriado pelo Congresso.


… Amanhã, a Câmara deve votar o projeto dos minerais críticos, tema sensível que gera divergências dentro da própria base do governo.


CIAS ABERTAS NO AFTER – PETROBRAS reajustou o preço do gás natural em 19,2% e elevou em 18% o querosene de aviação (QAV), diante do cenário classificado como “excepcional”, devido a fatores geopolíticos…


… A companhia anunciou que a plataforma P-79, localizada no pré-sal da Bacia de Santos, entrou em produção na última sexta-feira, antecipando em três meses a data prevista no Plano de Negócios 2026-2030.


VALE aprovou remuneração de administradores e conselho fiscal de R$ 177,3 milhões para 2026, valor 9% abaixo do ano anterior…


… A companhia divulgou comunicado na noite de quinta-feira informando que avalia oportunidades regularmente, à luz de suas prioridades estratégicas, mas não confirmou se está entre os potenciais compradores do Porto Sudeste.


B3 e TOTVS concluíram venda da Dimensa para a Evertec por R$ 950 milhões.


BRADESCO elevou participação na Bradsaúde de 53,61% para 91,35% após incorporação de ações.


HAPVIDA confirmou que a Squadra Investimentos conseguiu eleger três membros independentes para o conselho de administração: Tania Sztamfater Chocolat, Bruno Magalhães e Silva e Eduardo Parente Menezes…


… A empresa também confirmou a saída de Carlos Augusto Leone Piani, que retirou sua candidatura, e de José Galló, que concorreu mas foi derrotado pelo sistema de voto múltiplo. O conselho foi ampliado de 9 para 10 membros.


ONCOCLÍNICAS elegeu Marcelo Curti como presidente do conselho de administração.


REDE D’OR fará emissão de R$ 2,7 bilhões em debêntures para financiar construção e expansão de hospitais.


SABESP contratou o Bradesco para preparar potencial oferta pela Copasa… (Bloomberg Linea)


… Wellington Management reduziu fatia na Sabesp de 5,09% para 4,79% das ações ordinárias.


MBRF anunciou neste domingo a conclusão do acordo com a Halal Products Development Company (HPDC), dando origem à Sadia Halal, uma plataforma global de produção e distribuição de proteínas halal avaliada em US$ 2 bilhões.


TELEFÔNICA BRASIL teve rating AAA.br afirmado pela Moody’s, com perspectiva estável.


CVC informou em comunicado neste domingo que, embora analise oportunidades constantemente, não recebeu qualquer comunicação ou proposta acerca de eventual oferta pública de aquisição das ações da CVC Corp…


… O jornalista Lauro Jardim publicou em sua coluna no jornal O Globo que a controladora da Decolar, a Despegar.com., avalia uma oferta pública de aquisição de ações (OPA) da CVC, por R$ 3,30 a ação.


ASSAÍ. Alaska Investimentos passou a deter 5,07% do capital.


GPA aprovou troca de auditoria para EY e adiou divulgação do balanço do 1TRI26 do dia 5 de maio para 14 de maio.


IGUATEMI retificou a informação sobre suas projeções para o capex de R$ 450 milhões a R$ 600 milhões. O guidance se refere somente ao ano de 2026 e não “entre 2026 e 2027”, como anteriormente foi divulgado.


TOKY aprovou grupamento de ações na proporção de 4 por 1.


TAESA. ONS liberou a energização da SE Açailândia, na concessão Tangará Transmissora de Energia Elétrica.


ELETRONUCLEAR anunciou Raphael Ehlers como presidente interino e Gustavo Chagas como diretor financeiro.


ANATEL retoma hoje leilão de frequência de 700 MHz, após decisão do TRF-3 que derrubou liminar contra certame.

sábado, 2 de maio de 2026

Elio Gaspari

MARAVILHA: ALGUMA COISA ACONTECE NO MEU CORAÇAO...


Elio Gaspari

Imitar Times Square é inútil para revitalizar Centro de São Paulo

Revitalização é uma coisa, macaquice é outra

29/04/2026 00h05  


De uma hora para outra, São Paulo foi levada a crer que a esquina das avenidas Ipiranga e São João pode virar uma Times Square, aquele magnífico pedaço de Manhattan. Tomara, mas a iniciativa está com forte cheiro de macaquice, supondo que foram os luminosos que revitalizaram a região.


Até o fim do século passado, o entorno da esquina da Broadway com a Rua 42 passou por uma inédita decadência, tomado por cinemas pornô, drogas, prostituição e batedores de carteira. O cartão-postal da cidade parecia irremediavelmente perdido. Comparada à Times Square de então, a esquina de Ipiranga com São João era um brinco.


Então surgiu o prefeito Edward Koch. Vitriólico e incansável, ele criou um escritório para revitalizar a região. Pensou-se nos grandes letreiros, mas esse foi apenas um asterisco. O Estado de Nova York assumiu casas de espetáculos, a prefeitura deu incentivos e, acima de tudo, o coração do pedaço foi presenteado aos pedestres.


Pensou-se na população. Os letreiros luminosos continuaram a ser um detalhe tradicional. A revitalização da Times Square resistiu a duas recessões, e o triunfo de Ed Koch foi completo. Conhecido por ter ideias malucas, foi ele quem ensinou os donos de cachorros a recolher o cocô dos pets. Hoje, esse hábito está disseminado no mundo.


A ideia de que basta um luminoso LED para revitalizar uma região central é pobre. Precisa-se de muito mais, e a renovação do Centro de São Paulo está à espera de um Ed Koch. O governador Tarcísio de Freitas quer levar a administração do estado para o Centro. A ideia é boa, mas falta o sopro de arquitetos audaciosos, meio malucos, enfim.


Um dia, um governador ou prefeito de São Paulo transformará a Biblioteca Mário de Andrade num novo e arrojado prédio (como o francês François Mitterrand fez com a Biblioteca Nacional da França). Revitalizar o Centro ouvindo só empresários é tão arriscado quanto lançar projetos sem ouvi-los. A Times Square mudou de rosto graças à mão pesada da iniciativa privada.


Se luminosos bastassem, as cidades japonesas estariam entre as mais bonitas do mundo. São as mais iluminadas, pouco mais. (A prefeitura de Roma ilumina exageradamente o Coliseu, transformando-o num anúncio de sabonete.)


A única virtude de uma São João iluminada é que, em tese, ela nada custará à Viúva. A beleza de São Paulo deve alguma coisa à sua desordem.


Logo ali fica o Rio de Janeiro. Lá, continua-se a investir no crescimento da cidade na direção de São Cristóvão. Teimosa, ela cresce na direção oposta. (O primeiro projeto da Cidade Nova, unindo o Paço, atual Praça XV, à Quinta da Boa Vista é do tempo de Dom João VI.) O projeto do Porto Maravilha tornou-se um estudo de caso de fracasso. Quando o novo porto oferecer moradias baratas aos tradicionais moradores da região, ela virará uma maravilha.


Quando o Centro de São Paulo for revitalizado, com ou sem luminosos, ecoará o canto de Caetano Veloso: Alguma coisa acontece no meu coração/Que só quando cruza a Ipiranga e a Avenida São João.

Israel, histórico

 Israel em Dez Dimensões


Poucas nações são julgadas menos pelo que são do que pelo que outros projetam sobre elas. Israel costuma ser debatido por meio de slogans, ressentimentos ou abstrações desligadas da realidade. Uma avaliação séria exige primeiros princípios: fatos, história, filosofia moral, teoria política e os critérios pelos quais se mede o florescimento humano. Quando examinado por essas lentes, Israel surge não como uma anomalia, mas como uma das realizações mais notáveis do mundo moderno.


1. História: O Retorno de uma Nação Antiga


Israel não é uma invenção colonial do século XX. A ligação judaica com aquela terra antecede a maioria dos Estados existentes em milênios. Os reinos de Israel e Judá, Jerusalém como capital judaica, a língua hebraica, a lei judaica, os ritos religiosos e a presença contínua na região são fatos históricos sustentados por arqueologia e documentação textual.


O Estado moderno fundado em 1948 não criou um povo sem raízes; restaurou politicamente uma nação antiga após conquistas, exílio, perseguições e dispersão.


2. Fatos e Epistemologia: Realidade Acima da Narrativa


Um julgamento político adequado começa pela epistemologia: como sabemos o que é verdadeiro?


Não por gritos. Não por propaganda. Não por números isolados do contexto. A verdade exige evidência, explicação causal e identificação entre agressor e defensor.


Israel não inventou as guerras travadas contra si em 1948, 1967 e 1973, nem as ondas de terrorismo posteriores. Israel não criou a carta ideológica do Hamas, o modelo miliciano do Hezbollah ou o eliminacionismo explícito do Irã. Para compreender a região, é preciso rejeitar narrativas emocionais coletivistas e insistir nos fatos.


A realidade é primária. A narrativa é secundária.


3. Secularismo: Um Estado Onde a Religião Não Governa Tudo


Israel frequentemente é descrito apenas como “Estado judeu”, mas politicamente funciona como uma democracia moderna, com instituições seculares, eleições, imprensa livre, universidades, Judiciário independente e sociedade civil vibrante.


Ao contrário de regimes teocráticos da região, Israel abriga intenso pluralismo interno: judeus seculares, judeus religiosos, muçulmanos, cristãos, drusos, ateus, liberais, conservadores, socialistas, capitalistas, árabes no parlamento, mulheres em posições públicas e cidadãos LGBTQ com liberdades concretas.


É imperfeito — como toda sociedade livre. Mas não é regido por absolutismo clerical.


4. Ética: O Direito à Autodefesa


O primeiro princípio ético da vida política é que seres humanos inocentes têm direito de viver.


Disso decorre a legitimidade moral da autodefesa. Uma nação cujos civis são alvo de foguetes, sequestros, massacres ou túneis terroristas não tem dever de submissão. Tem dever de proteger seus cidadãos.


A inversão frequentemente imposta a Israel é esta: exigir que o atacado lute sob padrões impossíveis, enquanto quem glorifica assassinato recebe o rótulo de “resistência”.


Isso não é ética. É corrupção moral.


5. Individualismo: Cidadãos, Não Massas Tribais


Talvez a maior virtude moral de Israel seja tratar seres humanos fundamentalmente como indivíduos dentro de uma ordem baseada em direitos.


Sua sociedade é barulhenta, argumentativa, empreendedora, dissidente, autocrítica e descentralizada. Cidadãos processam o Estado, criticam líderes, criam empresas, formam partidos, protestam livremente, escrevem sem censura e desafiam autoridades.


É assim que se parece uma cultura individualista: não harmonia artificial, mas liberdade.


Sistemas coletivistas exigem obediência. Sistemas individualistas toleram conflito porque respeitam pessoas.


6. Política: Democracia Sob Cerco


Israel é uma das poucas democracias liberais duráveis de sua região. Governos mudam por eleições, líderes podem ser processados, partidos de oposição disputam poder e transições ocorrem sem golpes.


Isso importa. Instituições não são ornamentos. São a maquinaria que protege vida e liberdade.


Comparar Israel politicamente com ditaduras vizinhas, monarquias absolutas, Estados milicianos ou estruturas de partido único é comparar governo responsável com formas coercitivas de poder.


7. Capitalismo: Energia Humana Liberada


Israel transformou escassez em abundância. Com pouca água, poucos recursos naturais, vizinhos hostis e pesado custo de defesa, construiu uma economia inovadora admirada globalmente.


Agrotecnologia, cibersegurança, dispositivos médicos, software, dessalinização, irrigação, biotecnologia e ecossistemas de venture capital surgiram não do planejamento central, mas de direitos de propriedade, educação, comércio, iniciativa e liberdade para criar.


O capitalismo não garante utopia. Faz algo melhor: permite que inteligência e esforço se convertam em valor produtivo.


8. Sentido de Vida: Uma Cultura de Resiliência


Toda civilização irradia um sentido de vida — uma estimativa emocional profunda sobre a existência.


Algumas culturas ensinam fatalismo, martírio, ressentimento e culto tribal. Outras ensinam possibilidade, memória, alegria, reconstrução, continuidade familiar e realização.


O sentido de vida israelense é impressionante: após pogroms, expulsões e genocídio, construiu universidades, orquestras, fazendas, startups, hospitais, literatura e futuros para seus filhos.


Isso não é mera sobrevivência. É afirmação da vida.


9. Busca da Felicidade: A Vida como Fim em Si Mesma


O propósito moral da política não é o sacrifício. É assegurar as condições para que indivíduos busquem a felicidade.


Israelenses vivem aspirações humanas comuns: amar, trabalhar, criar filhos, estudar, abrir negócios, produzir arte, discutir política, aproveitar praias, celebrar feriados e planejar o amanhã.


Essa normalidade é profunda. É exatamente isso que o terrorismo busca destruir: a felicidade tranquila de pessoas livres.


10. O Conflito Mais Profundo: Civilização versus Niilismo


No fundo, o conflito não é apenas territorial. É filosófico.


Um lado, ainda que imperfeitamente, afirma lei, ciência, comércio, vida, memória, debate e futuro. O outro, em suas facções militantes dominantes, glorifica a morte, apaga fatos, instrumentaliza o vitimismo e subordina o indivíduo à tribo ou ao credo.


Quando observadores se recusam a nomear essa diferença, abandonam a própria razão.


Conclusão


Israel não deve ser julgado por padrões utópicos nem pelos preconceitos de seus inimigos. Deve ser julgado como qualquer nação deveria ser: por seu compromisso com vida, liberdade, verdade, produtividade, pluralismo e direitos individuais.


Por esses critérios, Israel não é apenas legítimo.


É admirável.

Alessandro Vieira

 Ontem, postei aqui a coluna do jornalista William Waack sobre a rejeição do nome de Jorge Messias para a cadeira de ministro do Supremo. Destaquei a parte em que Waack cita o aplauso que o senador Alessandro Vieira recebeu ao descrever as investidas da Corte à autonomia do Legislativo. Esta seria uma evidência, segundo o colunista, de que a gongada de Messias tinha a ver, também, com uma insatisfação profunda com a atuação do STF.


Surpreendentemente, vários leitores dessa página apontaram uma suposta contradição do senador Vieira, pois ele teria anunciado o voto favorável a Jorge Messias, o que seria contraditório com a defesa que ele faz do impeachment de ministros do Supremo. Essa observação não tem muito a ver com o objeto da coluna de Waack e com o post, dado que não se tratava de uma análise sobre o senador, mas sobre o Supremo. Mesmo assim, fui pesquisar a respeito.


Eu particularmente não sabia que o senador Alessandro Vieira havia aberto o seu voto, e muito menos que havia votado pela aprovação de Jorge Messias. Fui, como sempre, às fontes, para entender melhor essa aparente contradição. Há uma postagem do senador no Instagram (a última, no momento em que consultei) com o seu discurso anunciando o seu voto. Na verdade, trata-se de um trecho longo, em que o voto é anunciado apenas no final.


Discordo da posição do senador quando disse que Jorge Messias preenchia os requisitos para ocupar o posto de ministro do Supremo. Assim como discordo da aprovação de André Mendonça e de Cristiano Zanin, ministros que o senador também apoiou. Por outro lado, Vieira votou contra Kassio Marques e Flávio Dino. Só essa seleção de votos demonstra que o senador não pauta suas decisões por linhas ideológicas ou políticas, mas pelo que sua consciência indica. Posso não concordar, como efetivamente não concordo, mas não há como negar que Alessandro Vieira não tem medo de parecer impopular. Caso contrário, não abriria o seu voto.


Além disso, Vieira chama a atenção para um ponto importante: a votação contra Messias seria uma espécie de "impeachment possível". Essa expressão foi também usada pelo editorial do Estadão no dia seguinte à votação. Na incapacidade (Vieira chama de "falta de envergadura moral") do Senado de levar adiante o impeachment de ministros enrolados, estaria descontando a sua frustração "passando recado" para a Corte com a rejeição de Messias. Trata-se, na visão do senador, de uma forma pobre e covarde de fazer política. Tendo a concordar com ele.


Por fim, poder-se-ia dizer que o voto de Alessandro Vieira tivesse a ver com a postura de alguns ministros do Supremo, incluindo Alexandre de Moraes, que estariam trabalhando abertamente pela rejeição de Messias (ele fala, em seu discurso, de "cabala de votos" no Senado por parte de ministros do Supremo). Não sei se esse era o ânimo de Vieira, que fala apenas de "requisitos jurídicos" para a aprovação de Messias, mas a política nunca é preto no branco, um campo com trincheiras bem definidas. A derrota de Lula foi uma vitória do milionário ministro e, a essa altura do campeonato, não sei, sinceramente, o que é pior.


Não tenho procuração para defender o senador Alessandro Vieira, nem tampouco, como disse acima, concordo com seu voto. Mas não posso deixar de admirar sua coragem e determinação em defender aquilo que acha certo. E Vieira, hoje, luta praticamente sozinho contra o que considero o maior cancro das instituições brasileiras, um Supremo que se acha acima do bem e do mal. Só por isso, merece meu apoio e admiração. Se eu fosse sergipano, votaria pela sua recondução ao cargo.

quinta-feira, 30 de abril de 2026

Juliano Cazarré

 Quer dizer então que o feminismo -  até mesmo na versão mais biruta, a que projeta no homem todos os pecados do mundo - é transformado pela oratória woke em virtuoso?

E quanto ao orgulho das virtudes masculinas tradicionais? Ah, coitados...

O progressismo parece ter uma fórmula indiscutível: todo homem, mesmo calado, está errado.

Em alguns casos, se não abre a boca para não tornar as coisas piores para o lado dele, o marido é visto como tíbio, frágil, sem coragem. Um palerma. Um fracote. Um rato. Um verme.

Ah, o estrago que fazem as ideologias que defendem, a priori, as ditas minorias!


Entrevista com o candidato ao cancelamento das patrulhas esquerdistas Juliano Cazarré:


“Homem forte é o que chega do trabalho e ajuda a mulher”, diz ator atacado pela esquerda.


"Confesso que não tem como não ficar chateado. Essas pessoas que me atacam me conhecem. O meio me conhece. Eu estou nele há 20 anos e todos conhecem a minha conduta". Entrevista à reportagem da Gazeta do Povo:


Conhecido por atuações em novelas da Globo e filmes, Juliano Cazarré voltou aos holofotes recentemente não apenas por seus papéis na dramaturgia, mas pelas posições que tem assumido fora das telas. Em entrevista à Gazeta do Povo, o ator falou sobre o que considera ser um homem forte e comentou a reação — incluindo críticas da classe artística — ao lançar um evento voltado ao fortalecimento da masculinidade.


“Quero que os homens tenham acesso a conteúdos sobre ser família e ser presente. Falar sobre voltar para casa para ajudar a mulher a colocar as crianças na cama, ficar com a esposa e cuidar dela. Não é só pensar em dinheiro e pensar em trabalho”, afirma.


Intitulado “O Farol & a Forja”, o congresso traz como proposta fortalecer os homens e ajudá-los a encontrar verdadeiros propósitos. A iniciativa, no entanto, gerou confusão nas redes sociais ao ser associada a um movimento machista que difunde violência contra a mulher, chamado de movimento red pill. O termo, inspirado no filme Matrix, sugere “enxergar a realidade como ela é”.


Vídeos vinculados a perfis que aderiram a essa lógica viralizaram nas redes sociais. Em um deles, homens simulam agressões com facas e armas contra mulheres que recusam pedidos de namoro. Não é essa a masculinidade defendida por Cazarré.


Parte dos colegas, como a atriz Marjorie Estiano, afirmou que o "discurso" de Cazarré seria responsável por tirar a vida de mulheres. Cláudia Abreu, Guta Stresser, Julia Lemmertz e outros nomes também fizeram comentários na publicação do ator com críticas citando "feminicídio" e "usar o nome de Cristo".


“Existe uma distorção profunda do que é ser forte. Homem não é forte quando bate na mulher ou nos filhos. Não é ‘o cara’ quando grita”, diz. “Ser forte é manter uma decisão que a sua inteligência identificou como correta para o bem. Eu quero que os homens sejam fortes: fortes diante da bebida, da pornografia, da traição. Fortes diante de um prato de comida exagerado, com muito além do que precisam para serem pessoas saudáveis e funcionais”, explica.


“Não esperava uma reação tão virulenta”


Cazarré mal conseguiu apresentar em detalhes a proposta do evento antes que começassem os ataques, muitos deles feitos por integrantes da própria classe artística, nos comentários de seu perfil no Instagram.


“Dizem que eu sabia que isso [reação negativa] ia acontecer e que eu busquei isso de propósito. Não é verdade. Eu sabia que ia ter alguma reação contrária, mas não imaginava que seria tão virulenta”, afirma.


Ao mesmo tempo, ele se diz surpreso pelo volume de apoio recebido. “Eu também não imaginava que a quantidade de apoio ia ser tão grande”, completa. Nos últimos cinco dias, o ator ganhou cerca de 500 mil novos seguidores no Instagram e recebeu diversas manifestações públicas de solidariedade.


Parte desse apoio veio também de colegas de profissão, mas de forma discreta. “Muita gente, do meio também, me manda mensagem dizendo ‘fica firme, é isso aí’, mas no privado, no WhatsApp”, relata.


“Mas confesso que não tem como não ficar chateado. Essas pessoas que me atacam me conhecem. O meio me conhece. Eu estou nele há 20 anos e todos conhecem a minha conduta.”


“Sou um cara normal, que se diverte com todo mundo, que trata bem as pessoas. Procuro ser gentil e generoso em cena. Coisa que muita gente não é, sabe”, diz. “E ficam criando essa caricatura de que sou o cara que anda por aí falando grosso, um estereótipo de machão. Estou tentando promover iniciativas que acredito que serão boas para a sociedade. A sociedade precisa de homens mais fortes, com mais autocontrole e saudáveis mentalmente”.


“O contato de uma criança com o pai é insubstituível”


Na infância, Cazarré acompanhava a mãe, espírita kardecista, nas atividades religiosas e também teve sólida formação católica. Mais velho, se aproximou do Candomblé, da Umbanda e do Budismo Tibetano, mas não chegou a viver intensamente nenhuma das práticas. A conversão ao catolicismo, no entanto, aconteceu de forma mais profunda quando se preparava para fazer Jesus Cristo na Paixão. A leitura dos evangelhos o comoveu e transformou sua forma de enxergar a vida e as tarefas cotidianas.


Depois da conversão dele e da esposa, Letícia Cazarré, a família cresceu. O casal teve mais quatro filhos e ainda deseja ter outros. A paternidade, então, passou a ocupar um espaço central em sua vida, o que motivou o ator a usar sua visibilidade pública para defender a importância da presença paterna.


“É fundamental que as crianças tenham a figura do pai. Mesmo quando o casal se separa, é uma verdade autoevidente, pelos dados que temos, que o contato com o pai é insubstituível”, afirma.


Dados do Censo de 2022, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), indicam que há 7,8 milhões de mulheres que criam filhos sem a presença paterna no Brasil. São 2,6 milhões a mais do que em 2000. A ausência do pai está associada a maior risco de envolvimento com o crime na adolescência, segundo uma revisão de pesquisas publicada pela revista Psychology, Crime & Law em 2020.


“Pais que leem para os filhos na hora de dormir, por exemplo, dão a eles vantagens enormes ao longo da vida. Essas crianças aprendem a se comunicar melhor, a compreender melhor e, consequentemente, ficam mais inteligentes. Esse evento existe também para espalhar a mensagem de que é preciso cuidar dos filhos”, conclui.

Mais "Bessias"

 "O povo brasileiro venceu !!!

Obrigada a todos os que lutam por um Brasil verdadeiro !

Obrigada Bolsonaro por ter mostrado que é possível !!!🇧🇷🇧🇷


BRASIL 🇧🇷|  O choro de Jorge Messias à saída do Congresso é a moldura perfeita para o fim de uma era onde se acreditava que o orçamento tudo podia. Não foi apenas o colapso de uma candidatura ao STF; foi o naufrágio de uma tese política. Nem mesmo a liberação recorde de R$ 12 bilhões em emendas, uma cifra que deveria comprar fidelidades indestrutíveis,  foi capaz de estancar a hemorragia de prestígio do Governo.


As lágrimas de Messias, capturadas no banco de trás de um carro oficial, simbolizam o choque de realidade de quem descobriu que, na política moderna, o “PIX” estatal já não garante o “amém” do Legislativo. Pela primeira vez em mais de um século, o sistema de freios e contrapesos não apenas funcionou, como rugiu.

O Senado não rejeitou apenas um nome; rejeitou a ideia de que as instituições são extensões do Executivo. Messias chorou o luto de uma articulação que subestimou o brio de um Congresso que, agora, sabe que pode dizer “não” mesmo diante de montanhas de dinheiro.

O Brasil assistiu a uma cena rara: o poder encontrando o seu limite no exato momento em que achava que tinha o controle total. Menos do que uma derrota pessoal, o choro foi o reconhecimento de que, às vezes, o silêncio das urnas e a pressão das ruas pesam mais do que qualquer emenda bilionária."

Fabio Graner

 🇧🇷 *Fabio Graner: Derrota de Messias é desastre para governo, mas também é recado ao STF- Globo*


A rejeição do nome de Jorge Messias pelo Senado extrapola o significado de uma derrota política pesada para o governo e é interpretada, nos bastidores, também como um recado direto do Congresso ao Supremo Tribunal Federal (STF). A leitura é compartilhada por interlocutores tanto da base governista quanto da oposição.


Em um ambiente de crescente acirramento político e com a aproximação do calendário eleitoral, o placar — 42 votos contrários e 34 favoráveis — expôs a disposição do Senado de afirmar sua força institucional e dar um sinal à Corte de que seria preciso conter sua "hipertrofia". Vale dizer que, de certa forma, isso foi dito pelo próprio Messias na sabatina na CCJ do Senado antes da votação em que foi derrotado.


Com o movimento, a oposição reforça a estratégia de polarização com a Corte máxima, muito alinhada com a tônica do governo Jair Bolsonaro e que tem encontrado eco em boa parte da população, como mostram pesquisas. Pré-candidato a presidente, o senador Flavio Bolsonaro falou em "reação aos excessos do Supremo". A atuação oposicionista também visa reforçar a onda pela aprovação da anistia contra a condenação por tentativa de golpe, pendente de exame pelo Congresso. A sentença que levou Bolsonaro à prisão é tratada pela extrema direita como um episódio de atuação política da Corte.


A tensão entre os Poderes vinha se intensificando nas últimas semanas. Declarações de ministros do STF, como Gilmar Mendes, ampliaram o desconforto entre congressistas. Nos corredores do Senado, ganhou corpo a percepção de que o Judiciário tem ampliado excessivamente seu espaço de atuação e restringido liberdades. Correta ou não, a visão de parte dos parlamentares é que é preciso um freio de arrumação institucional.


A decisão de barrar o nome indicado pelo governo também produz efeitos práticos: o STF seguirá operando com uma cadeira vaga por mais tempo, aumentando a carga de trabalho dos ministros e impondo pressão adicional sobre o funcionamento da Corte.


No Palácio do Planalto, o discurso oficial é de aceitar o resultado. Nos bastidores, porém, o clima é de perplexidade e desolação. A avaliação interna é que será necessário um freio de arrumação na articulação política, sobretudo no Congresso, onde a base tem mostrado fragilidade.


A derrota também expõe, de forma mais nítida, as dificuldades da articulação política liderada pelo ministro José Guimarães, recém-empossado na função.


O episódio reforça as dúvidas sobre a capacidade de coordenação da base aliada em votações sensíveis e sobre a efetividade da interlocução com o Legislativo.


Esse cenário amplia a incerteza em relação à tramitação de pautas prioritárias do Executivo. Entre elas, o projeto de lei complementar que trata da desoneração de combustíveis, visto como uma das apostas do governo para aliviar pressões sobre preços. Apesar de haver, em tese, um ambiente favorável à proposta, parlamentares já sinalizam que o avanço do texto dependerá de um custo político mais elevado.


A tendência é crescer a cobrança por uma liberação mais robusta de emendas parlamentares, o que tende a elevar a fatura imposta ao governo para garantir apoio no Congresso. A combinação entre base fragmentada, demandas crescentes por recursos e um ambiente político mais tenso indica que a aprovação de medidas econômicas pode exigir negociações mais complexas nas próximas semanas.


A partir de agora, auxiliares e analistas avaliam que o governo terá de decidir entre adotar uma postura mais combativa na relação com o Legislativo — especialmente diante da oposição — ou investir na recomposição de pontes para evitar novas derrotas em um momento sensível, marcado pela disputa eleitoral e pelos desafios na condução da agenda econômica.


Para além de todas essas ponderações, uma grande incógnita é entender as razões para a atuação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, contra o nome de Messias. Dada a dimensão política do episódio, algo que não acontecia há mais de um século, as explicações até agora parecem insuficientes.


https://oglobo.globo.com/economia/fabio-graner/post/2026/04/derrota-de-messias-e-desastre-para-governo-mas-tambem-e-recado-ao-stf.ghtml

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