segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

Galípolo no BCB

 *Leitura de Domingo: Em 1º ano, Galípolo enfrentou crises para além da política monetária*


Por Marianna Gualter


Brasília, 23/12/2025 - Em seu primeiro ano à frente do Banco Central, Gabriel Galípolo manteve uma condução técnica e dissipou dúvidas do mercado sobre a possibilidade de ceder a interferências políticas. O período, contudo, não pode ser descrito como de calmaria.


Com a Selic estável em 15%, ele passou a ser alvo de críticas do governo que o indicou. E, para além da política monetária, teve de conduzir o BC durante momentos sensíveis: a resposta aos ataques cibernéticos contra o sistema financeiro e à crise do Banco Master.


Os juros


O Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a Selic em 15% ao longo de todo o segundo semestre de 2025, com base no entendimento de que a taxa nesse nível, por "período bastante prolongado", é adequada para assegurar a convergência da inflação à meta. A estratégia não passou imune à pressão do governo federal - embora em tom abaixo do direcionado à gestão anterior, de Roberto Campos Neto.


Em setembro, por exemplo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o banqueiro central sabia que os juros estavam altos e que seria uma "questão de dias" para começarem a cair. A condução também foi abordada por outros integrantes do governo. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, chegou a afirmar que já havia "passado da hora" de o BC sinalizar cortes da taxa. Já a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, disse que Galípolo "deixou a desejar".


Para o ex-diretor do BC e diretor de macroeconomia do ASA, Fábio Kanczuk, o primeiro ano de Galípolo foi "uma grata surpresa" e "em nada transpareceu influência política". Em comparação ao trabalho desempenhado pela gestão anterior, ele avalia que a percepção foi de continuidade.


A visão é corroborada pelo ex-diretor do BC e chairman da Jive Mauá, Luiz Fernando Figueiredo. Ele destaca a postura técnica e harmônica adotada pelo Copom e afirma que Galípolo já havia sanado eventuais dúvidas sobre como seria sua conduta enquanto diretor de Política Monetária e que agora enfatizou sua credibilidade como presidente.


Também nessa linha, o ex-secretário do Tesouro e sócio-fundador da Oriz Partners, Carlos Kawall, enfatiza que o banqueiro central assumiu a missão de convergir a inflação à meta e ressalta a relação positiva desenvolvida entre o presidente do BC e o atual diretor de Política Econômica, Diogo Guillen - que deixará o cargo no fim deste ano.


Avalia ainda que a transição em relação à gestão anterior foi "bastante suave" e ressalta o papel da autonomia do BC nesse processo. "O avanço institucional resultante da autonomia é ainda mais importante no contexto em que andamos na contramão no que diz respeito à institucionalidade fiscal. Nós temos uma âncora importante vinda do BC enquanto a âncora fiscal está sendo erodida."


Banco Master


Em novembro, o BC pôs fim ao imbróglio sobre sustentabilidade financeira do Banco Master. O anúncio da liquidação ocorreu cerca de dois meses depois de a autarquia vetar a compra de uma fatia da instituição pelo Banco de Brasília (BRB).


Kawall observa que, já em um contexto de deterioração financeira, o Master buscou colocar seu problema dentro do mundo político. Relembra que, enquanto o BC analisava a proposta do BRB, houve uma articulação no Congresso por um projeto que autorizaria a demissão de integrantes da cúpula da autarquia.


Considerando também esse fato, ressalta a importância da decisão de liquidação e avalia que ela seguiu "à risca as recomendações técnicas", colocando um basta à trajetória danosa para o mercado financeiro que estava sendo conduzida pelo Master. Enfatiza que, além do lado técnico, a decisão mostrou a estatura do presidente do BC. "É um primeiro ano de gestão dele, é uma situação super delicada, uma herança de anos anteriores. Também acho que vai ser uma questão a ser esclarecida no futuro. Por que fomos tão longe? Por que o buraco ficou tão fundo?"


Ataques hackers


À luz do envolvimento do crime organizado em uma série de ataques contra instituições financeiras, o BC anunciou um conjunto de medidas para reforçar a segurança do Sistema Financeiro Nacional (SFN) em 2025. Dentre elas, antecipou o prazo para IFs ainda não autorizadas regularizarem sua situação, alterou o regulamento do Pix, mudou as regras de capital mínimo e fechou o cerco às "contas-bolsão".


À Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado, o secretário-executivo do BC, Rogério Lucca, esclareceu que muitas das medidas já vinham sendo discutidas nos últimos anos, mas que, de certa forma, a adoção de algumas delas foi acelerada pela sequência de ataques.


Para o advogado Bruno Balduccini, sócio do Pinheiro Neto Advogados, o BC executou "uma agenda de resposta", após identificar pontos de fragilidade no sistema. "Havia uma agenda regulatória um pouco mais organizada, mais cadenciada, mas com a entrada de fraudes, eles decidiram agir mais rápido do que o normal e fizeram a toque de caixa algumas regras, mesmo com o risco de ter que melhorar o texto lá na frente", diz.


Ao comparar a gestão atual com a anterior, Balduccini recorre à figura de um pêndulo. Antes, o pêndulo estava mais inclinado à geração de competição com baixo custo de entrada; agora está mais ao centro, como se sob efeito de um freio de arrumação. "Essa tecnologia que foi super importante para a competição agora está sendo usada para achar brechas. Então é preciso parar um pouco, arrumar e depois continuar."


O advogado e professor de regulação financeira Aylton Gonçalves lembra que a agenda regulatória apresentada pelo BC em abril já previa normas antifraude, mas ressalta que o trabalho normativo da autarquia foi intenso na segunda metade do ano. Associa esse movimento principalmente à urgência causada pelas fraudes envolvendo Prestadoras de Serviços de Tecnologia da Informação (PSTIs) e avalia que, especificamente sobre esse tipo de prestação, houve certa demora do BC em reconhecer o risco sistêmico envolvido.


2026


O mercado prevê o início de um ciclo de afrouxamento da política monetária no ano que vem. Nesse contexto, Kawall afirma que o principal desafio do BC será conduzir os cortes em meio a um cenário de desequilíbrio econômico, no qual, apesar do enfraquecimento da economia em setores ligados ao crédito, o estímulo fiscal ainda sustenta o consumo de baixa renda e pressiona os serviços. A trajetória do dólar também será decisiva: estabilidade ou queda devem corroborar a flexibilização, enquanto uma alta, por fatores externos ou incertezas fiscais internas, associadas ao período eleitoral, pode dificultar o processo. Ele projeta redução da Selic até 12,25%.


Figueiredo avalia que o grande desafio da autarquia no ano que vem será aproximar a inflação do centro da meta e prevê que o BC levará a Selic para ao redor de 12%. Ele não descarta a possibilidade de novos cortes em 2027, mas diz que eles dependem do compromisso do governo que será eleito com o ajuste fiscal, mesmo que gradual. Em um cenário oposto, não descarta uma eventual retomada da alta dos juros.


Ano de arrumação


Do ponto de vista da regulamentação, a expectativa é pela continuidade no trabalho de combate à infiltração do crime organizado no SFN. "Devemos começar a ver outras regras parecidas com aquela resolução conjunta nº 6, que fala sobre a tentativa de abertura de conta e sobre os concorrentes dividirem informações. Vamos começar a ver mais regras ou autorregulamentação nesse sentido de integração um pouco maior entre vários concorrentes e, eventualmente, a polícia", avalia Balduccini.


Gonçalves afirma que, nesse tema, o mercado aguarda principalmente a definição pelo BC de exemplos de situações atípicas para aferição de indícios de operações fraudulentas. Para além do combate às fraudes, entende que a autarquia terá de demandar atenção a áreas recentemente reguladas, como os ativos virtuais e o Banking as a Service (BaaS). "Os novos modelos de negócios que surgirão a partir da publicação das novas normas sobre esses temas representarão a necessidade de um olhar específico da autarquia, tanto na edição de normas quanto na supervisão."


Contato: marianna.gualter@broadcast.com.br


Broadcast+

No ataque ao BCB, o Brasil corre risco

 *No ataque ao BC, o país corre risco*


No caso Master não houve só desequilíbrio entre ativos e passivo. Houve crime, isso torna mais graves as pressões políticas e jurídicas


No Banco Master houve fraude. O Banco Central comunicou a Noticia do Fato ao Ministério Público, que a entregou à Polícia Federal para investigar, como tem que ser. Há outras comunicações de crimes, que devem levar a novas investigações. Fraude é diferente de um desequilíbrio entre ativo e passivo, ou de uma sucessão de operações arriscadas. A pressão política ou jurídica para tentar reverter a liquidação só terá sucesso se o país decidir rasgar todo o manual de fiscalização e supervisão bancária, e a Justiça passar a anistiar crime financeiro. O ministro Dias Toffoli quando marca a acareação da próxima terça-feira iguala o regulador e um regulado que está sob investigação. O ministro Jhonatan de Jesus, do TCU, ao afirmar que a liquidação foi precipitada e exigir explicação comete também um absurdo, e fora de sua competência.


O Master tentou vender a um banco público, o BRB, uma carteira de ativos inexistentes. Ela havia sido montada de forma fraudulenta com a ajuda da Tirreno, uma empresa criada em novembro de 2024 por um ex-funcionário e ex-sócio do Master. Os ativos foram inventados para esconder o enorme rombo. Para se ter uma ideia, o banco tinha um patrimônio líquido, segundo balanço de 2024, de pouco mais de R$ 4 bilhões, e essa fraude é de R$ 12 bilhões. É aritmético. O banco estava quebrado, o balanço estava virado, portanto tinha que ser liquidado.


Foi difícil ver exatamente o que estava acontecendo no banco. Em novembro de 2024, a Fitch elevou a nota do Banco Master. Elevou. A Fitch é definida como uma das Big Four, uma das quatro maiores classificadoras de risco. O banco já estava enfrentando uma crise de credibilidade e com dificuldade de captar. O Master se cercou de pareceres jurídicos atestando que estava tudo certo no banco.


Para realizar seu trabalho, o BC teve que se municiar de paciência e técnica de supervisão, fazendo uma verdadeira varredura nos ativos do banco. Para entender detalhes desse trabalho é bom conferir as notas taquigráficas do depoimento do presidente da instituição, Gabriel Galípolo, na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado em 25 de novembro. A auditoria avançou mostrando cada vez mais irregularidades. Diante dos primeiros indícios de crime, entre março e abril deste ano, o BC comunicou a Noticia do Fato ao Ministério Publico. O MP achou consistente a denúncia feita pelo Banco Central e entregou à Polícia Federal para investigar. A investigação confirmou as suspeitas e, por isso, a Justiça iniciou o processo que levou à prisão de Daniel Vorcaro e outros sócios.


Durante meses, o BC pediu explicações ao Banco Master sobre as inconsistências no balanço. O Master sempre dava explicações insuficientes. A cada novo passo da fiscalização, o BC encontrava novos indícios de crimes. E todos foram comunicados ao MP.


Tudo começa com a notícia, em março, de que o BRB iria comprar 58% do capital total do Master. Isso ocorre quando o Master estava há meses em uma grave crise de credibilidade, e ficou sem liquidez. O banco chegou a recorrer várias vezes a linhas do FGC de empréstimos emergenciais. O que chamou mais a atenção do Banco Central é que normalmente instituição que está com problemas de liquidez para de crescer. Vários conseguiram sair de problemas momentâneos desta forma. Banco sem liquidez, não concede novos empréstimos. No Master era diferente, ele continuava aumentando o total dos supostos créditos. Isso era claramente suspeito. E por aí começou a investigação.


O ministro Dias Toffoli aceitou o pedido da defesa de Vorcaro e trouxe o caso para si. O argumento é que nas investigações foi citado um deputado. O problema é que a transação imobiliária com o deputado não foi concluída e nada tem a ver com o caso investigado. Ainda assim, Toffoli manteve o caso em seu gabinete, decretou sigilo, e marcou para o dia 30 a acareação entre o dono do banco Master, Daniel Vorcaro, o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino. O TCU, por sua vez, deu três dias para o BC explicar a liquidação.


Quem viu as liquidações que ocorreram na crise bancária dos anos 1990 sabe que as pressões políticas e o ataque jurídico aos dirigentes do BC sempre acontecem. Desta vez, a pressão chegou mais forte e mais desinibida. O país decidirá nesse caso se terá um sistema financeiro confiável ou se vai ser legitimado o vale-tudo.



https://oglobo.globo.com/blogs/miriam-leitao/coluna/2025/12/no-ataque-ao-bc-o-pais-corre-risco.ghtml

BDM Matinal RISCALA

 *Rosa Riscala:  Agenda forte na semana do Ano Novo*


Ata do Fed e emprego no Brasil no radar


… As conversas deste domingo entre Trump e Zelensky para um cessar-fogo entre a Rússia e a Ucrânia ainda não conseguiram evoluir para um acordo de paz, pressionando o petróleo, mas as negociações continuam. No ambiente de liquidez esvaziada, a B3 não abre quarta-feira, mas as bolsas em NY funcionam normalmente. Só os Treasuries fecham mais cedo dia 31. Antes da virada para 2026, ainda tem agenda importante para sair aqui e lá fora, com a ata do Fed e os indicadores fiscais e de emprego no Brasil, que vêm sendo monitorados de perto pelos investidores para projetar a política monetária. Também a acareação de Vorcaro com o BC deve movimentar o recesso de final de ano.


RETA FINAL – A atividade econômica tem dados sinais de desaquecimento, mas o mercado de trabalho ainda se mantém como um desafio para o alívio da Selic, diante do menor nível de desemprego da série histórica do IBGE.


… Antes de o ano acabar, saem amanhã dois indicadores da mão de obra: a Pnad Contínua (9h), que deve apontar manutenção da taxa de desemprego em 5,4% no trimestre encerrado em novembro, e os dados do Caged (14h).


… As vagas com carteira assinada devem perder fôlego, com a mediana no Broadcast indicando 79.120 postos de trabalho formal, desacelerando na comparação com outubro, quando houve saldo positivo de 85.147 vagas.


… Parecem cada vez mais remotas as chances de o Copom iniciar o ciclo de corte do juro em janeiro. Mas uma perda de ritmo do emprego pode favorecer a aposta de queda da Selic ainda no primeiro trimestre, na reunião de março.


… Neste fim de ano, também o fiscal está no radar. O Tesouro divulga hoje (14h30) as contas do Governo Central. A previsão é de déficit primário de R$ 13,250 bilhões, depois de um superávit de R$ 36,527 bilhões em outubro.


… O intervalo das projeções varia de um déficit de R$ 35,9 bilhões até um saldo positivo de R$ 262 milhões.


… Amanhã, o BC solta o resultado do setor público consolidado de novembro. O avanço das despesas e a perda de força da arrecadação devem contribuir para o déficit de R$ 13,3 bi, após saldo positivo de R$ 32,392 bi em outubro.


… Ainda no noticiário fiscal, o Estadão trouxe na sexta-feira que o Congresso cortou R$ 11,3 bi de despesas obrigatórias no Orçamento/26 aprovado dia 19 para elevar o valor das emendas parlamentares e do fundo eleitoral.


… O relator-geral, Isnaldo Bulhões, tirou R$ 6,2 bi de benefícios previdenciários e R$ 391 mi do seguro-desemprego.


… No ano que vem, o governo federal ainda terá de lidar com um calendário de pagamento de emendas parlamentares aprovado pelo Congresso que exige repasse de recursos no primeiro semestre, antes das eleições.


… No final de semana, o Diário Oficial publicou a sanção ao projeto de lei complementar que reduz em 10% os benefícios tributários e amplia a tributação sobre as bets, as fintechs e os Juros sobre Capital Próprio (JCP).


… Lula vetou o artigo que recriava o orçamento secreto e permitia o pagamento de R$ 1,9 bi em emendas não executadas entre 2019 e 2023, que já estava suspenso por Dino, reforçando o clima de atrito entre os Poderes.


… A boa notícia é que Lula e Alcolumbre estão retomando as relações, após a ruptura desencadeada pela indicação de Messias ao STF. Na Folha, os dois conversaram duas vezes nos últimos dias, depois de semanas afastados.


… Apesar de eles estarem distensionando as diferenças, Lula sondou o clima no Senado e ouviu nova negativa sobre a chance de candidatura de Pacheco ao governo de Minas Gerais, que cobiçava a vaga no Supremo.


A OUTRA POLÊMICA – O escândalo do Master arrasta o STF para o centro da crise e eleva a tensão institucional.


… O contrato de R$ 129 milhões do escritório de advocacia de Viviane de Moraes, mulher do ministro, com o Banco Master, por um trabalho ainda não esclarecido, movimenta os bastidores políticos durante o recesso de fim de ano.


… Deputados de oposição devem protocolar hoje um pedido de impeachment contra Alexandre de Moraes.


… Está marcada para amanhã (14h) a audiência de acareação determinada pelo ministro Dias Toffoli (STF) entre Daniel Vorcaro, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e o diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino.


… Interlocutores do Supremo disseram que Toffoli quer esclarecer quando o BC tomou conhecimento das suspeitas. O ministro negou recurso do BC, que questionava a necessidade de um encontro direto de Aquino com Vorcaro.


… O magistrado justificou a urgência de realizar o procedimento, mesmo durante o recesso do Judiciário, devido ao grande impacto que o caso tem no sistema financeiro brasileiro e às provas já reunidas no processo.


… A Folha apurou que o BC planeja recorrer ao STF com mandado de segurança para impedir a participação de Aquino, argumentando que a acareação é inadequada, porque o diretor não é alvo da investigação.


CORREIOS – Será divulgado hoje o plano de reestruturação. O Valor apurou que, além do contrato de empréstimo de R$ 12 bilhões firmado com cinco bancos, haverá um aporte de pelo menos R$ 6 bilhões pela União até 2027.


… Itaú Unibanco, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal assinaram o empréstimo.


MAIS AGENDA – Hoje, além das contas do Governo Central, sai o IGP-M de dezembro (8h), que deve desacelerar para 0,17%, após alta de 0,27% em novembro. As projeções para esta leitura, todas de alta, vão de 0,04% a 0,30%.


… No Focus (8h25), o mercado pode seguir ajustando as expectativa para a Selic e IPCA de 2026. Na onda de revisões em baixa, o Daycoval reduziu a estimativa para a inflação deste ano de 4,5% para 4,3% (abaixo do teto da meta).


… Amanhã à tarde, o Tesouro divulga o Resultado Mensal da Dívida Pública referente ao mês passado.


LÁ FORA – A ata do Fed sai amanhã, em meio às apostas mais conservadoras para os juros, de pausa em janeiro e cortes de, no máximo, 50 pontos na taxa básica em 2026, de acordo com a plataforma do CME Group.


… O mercado também tem para conferir a pesquisa semanal ADP e o auxílio-desemprego, na quarta-feira. Hoje, saem as vendas pendentes de imóveis em novembro (12h) e os estoques de petróleo do DoE, às 12h30.


… Amanhã, sai o PMI medido pelo ISM de Chicago em dezembro. No primeiro dia útil de 2026 (sexta-feira), a leitura final de dezembro do PMI/S&P Global industrial será divulgada nos EUA, zona do euro, Alemanha e Reino Unido.


… Na quarta-feira, véspera do Ano Novo, os Treasuries encerram às 16h, mas as bolsas em NY operam normalmente. Os mercados financeiros em Portugal e na Espanha fecham mais cedo e não abrem na Alemanha e Itália.  


CHINA – O PMI industrial de dezembro oficial e também o medido pelo setor privado saem amanhã à noite.


JAPÃO HOJE – O resumo das opiniões da última reunião do BoJ apontou para novos aumentos de juros no futuro. “A economia não está mais enfrentando um crescimento lento, reduzindo a chance de estagnação dos preços.”


RÚSSIA X UCRÂNIA – Após reunião presencial neste domingo com Zelensky no resort de luxo Mar-a-Lago (Flórida), Trump afirmou que “um acordo de paz está muito próximo, mas se demorar algumas semanas, não vai acontecer”.


… O presidente americano mencionou o território de Donbass, ocupado pela Rússia, entre os temas espinhosos. “Dissemos que a Ucrânia terá que ceder Donbass, mas eles sempre quiseram isso”, declarou o republicano.


… De seu lado, Zelensky disse que as equipes de negociação estão perto de um acordo sobre Donbass, mas não é em uma semana ou um mês que será resolvido. Ainda assim, afirmou que uma desmilitarização na região será discutida.


… O presidente ucraniano disse que se o plano de 20 pontos sobre um eventual acordo de paz com a Rússia for muito difícil para ser absorvido pela sociedade da Ucrânia, o governo de Kiev pode optar por realizar um referendo.


… Zelensky disse que irá se encontrar novamente com Trump nas próximas semanas para finalizar pontos discutidos.


… Pouco antes de receber Zelensky, Trump teve uma ligação telefônica com Putin, que durou mais de 1 hora.


… O Kremlin afirmou que o presidente russo e o americano não apoiam uma iniciativa conjunta europeia e ucraniana para um cessar-fogo temporário antes de uma solução definitiva para o conflito entre os dois países.


… Hoje, Trump encontrará o premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, na Flórida.


PASSO CURTO – A carta de Bolsonaro, reafirmando o apoio à pré-candidatura do filho Flávio, reforçou o clima de cautela no mercado doméstico na 6ªF, em meio à liquidez restrita.


… Em uma sessão sem maiores novidades no noticiário local e com muitos investidores aproveitando as folgas de fim de ano, a ordem nas mesas foi dar passos curtos.


… Depois de uma abertura negativa, o Ibovespa passou boa parte do dia de lado, mas reagiu à tarde e fechou em leve alta de 0,27%, aos 160.896,64 pontos, com giro de apenas R$ 15 bilhões. Na semana curta, o índice subiu 1,53%.


… Entre as blue chips, Petrobras oscilou bastante, mas terminou com alta modesta (PN +0,33%, a R$ 30,41; e ON +0,31%, a R$ 32,12), na contramão do tombo do petróleo. Vale seguiu o minério e subiu 0,30%, a R$ 73,12.


… Os bancos tiveram mais uma sessão mista: Itaú PN ficou de lado (+0,03%, a R$ 39,10), assim como Bradesco PN (-0,05%, a R$ 18,40); BB ON ganhou 0,46%, a R$ 21,85; e Santander Unit subiu 0,53%, a R$ 34,28.


… Braskem PNA (+4,25%, a R$ 7,85) ficou no topo, após o IG4 Capital submeter ao Cade um acordo para assumir o controle da companhia. Em seguida, ficaram CPFL Energia (+3,38%, a R$ 53,23) e Hapvida ON (+2,83%, a R$ 14,55).


… Na ponta negativa do índice figuraram GPA ON (-4,26%, a R$ 3,60), Cury ON (-0,96%, a R$ 31,88) e Vivara ON (-0,93%, a R$ 33,02).


PERNAS PRA QUE TE QUERO – Depois do respiro de 3ªF passada, quando interrompeu sequência de sete sessões em alta, o dólar voltou a subir na 6ªF, mas de forma moderada, graças à nova atuação do Banco Central.


… A moeda americana fechou em alta de 0,24%, a R$ 5,5446. Na semana, acumulou valorização de apenas 0,27%, mas caminha para fechar dezembro com ganho próximo de 4%.


… O BC vendeu toda a oferta de US$ 2 bilhões em dois leilões de linha. Na 3ªF, a autoridade já havia injetado mais US$ 500 milhões de dinheiro novo, já que as operações não estavam vinculadas à rolagem de vencimentos.


… As operações tiveram como objetivo atender à demanda sazonal de remessas de lucros e dividendos neste fim de ano. Mas ajudaram também a conter o “calor” provocado pelo noticiário político nas últimas semanas.


… Os dados de fluxo cambial da semana de 15 a 19/12, divulgados na 6ªF pelo BC, mostraram forte saída de recursos pela conta financeira (US$ 8,085 bilhões). O fluxo total ficou negativo em US$ 6,472 bilhões na semana.


… Segundo operadores, o volume elevado de remessas ao exterior neste fim de ano foi intensificado pela mudança na legislação sobre dividendos, que prevê a tributação de 10% de imposto de renda a partir de 2026.


… A pedido da CNI, o STF adiou para o dia 31 de janeiro o prazo para que as empresas aprovem a distribuição de dividendos isentos de IR. Texto original previa a próxima 4ªF como limite para distribuir valores sem pagar imposto.


… No mercado de juros, a liquidez enxuta após o Natal e a ausência da dados macro relevantes levaram a ajustes apenas pontuais nas posições.


… Os vencimentos mais curtos devolveram um pouco mais de prêmio, na esteira da decisão divulgada pela Aneel de adotar a bandeira verde nas contas de luz em janeiro, medida que tem efeito deflacionário.


… No fechamento, o DI para janeiro de 2027 marcava 13,730% (de 13,828% no ajuste anterior); Jan/29, 13,220% (contra 13,317%); Jan/31, 13,530% (de 13,608%); e Jan/33, 13,640% (de 13,713%).


PAUSA – Depois de bater recorde de fechamento por dois dias seguidos, o S&P 500 chegou a renovar sua máxima histórica intradia (6.945,77) na 6ªF, mas perdeu fôlego e fechou de lado (-0,03%, aos 6.929,94 pontos).


… A liquidez reduzida pelo fim de ano e a falta de novidades no noticiário também levaram o Dow Jones (-0,04%, aos 48.710,97 pontos) e o Nasdaq (-0,09%, aos 23.593,10 pontos) a encerrarem quase no zero a zero.


… No acumulado semanal, os índices registraram ganhos de 1,20% (Dow), 1,40% (S&P) e 1,22% (Nasdaq).


… As mineradoras voltaram a brilhar, de carona nos sucessivos recordes do ouro (+1,11%, a US$ 4.552,7 por onça-troy) e outros metais. Freeport-McMoRan subiu 2,16%, enquanto Newmont ganhou 1,00%.


… Entre as techs, Nvidia avançou 1,02% com a compra da licença de tecnologia da startup Groq, especializada em chips de inteligência artificial, por US$ 20 bilhões.


… Já a Tesla caiu 2,10%, após notícia de que reguladores americanos estão investigando denúncias de que o mecanismo de abertura mecânica das portas do Tesla Model 3 2022 é difícil de localizar em caso de emergência.


… No mercado de moedas, os movimentos foram contidos nesta reta final de 2025. O índice DXY marcou leve alta de 0,07%, aos 97,995 pontos. O euro caiu 0,04%, a US$ 1,1777, e a libra recuou 0,10%, a US$ 1,3504.


… Já o petróleo registrou intensa volatilidade, mas terminou em forte queda, com os investidores se antecipando a um possível avanço nas negociações de paz entre Ucrânia e Rússia durante o fim de semana.


… O Brent para março recuou 2,52%, a US$ 60,24 o barril, enquanto o WTI para fevereiro caiu 2,76%, a US$ 56,74. Na semana, o Brent cedeu 0,38%, mas o WTI subiu 0,38%.


CIAS ABERTAS NO AFTER – CSN MINERAÇÃO aprovou a distribuição de R$ 423,7 milhões em proventos, a título de antecipação do dividendo mínimo obrigatório…


… Do total, R$ 259,7 milhões correspondem a dividendos intermediários, o equivalente a R$ 0,0478 por ação; já R$ 164 milhões serão pagos na forma de JCP, o equivalente a R$ 0,0301 por ação…


… Pagamentos serão realizados até 31 de dezembro de 2026; ex em 5 de janeiro.  


GRUPO PÃO DE AÇÚCAR informou que Edison Ticle de Andrade de Melo e Souza Filho apresentou sua renúncia aos cargos de vice-presidente do conselho de administração e de coordenador do Comitê Financeiro da companhia…


… O grupo não informou quem assume as posições.

Bankinter Matinal Portugal

 Análise Bankinter Portugal 


NY -0,03%, US TECH -0,05%, US SEMIS +0,05%, VIX 11,6% +0,8pb. BUND 2,86%, T-NOTE 4,13%, SPREAD 2A-10A USA=+64,5PB O10A, ESP 3,28%, ITA 3,55%. EURIBOR 12M 2,26% (FUT.12M 2,42%). USD 1,177. JPY 183.8. OURO 4.462$. BRENT 61,3$. WTI 57,3$. BITCOIN +2,2% (89.533$). ETHER +2,7% (3.016$).


SESSÃO: Inicia-se uma nova semana curta e com escassas referências económicas. Na quarta-feira (Passagem de Ano), a Europa encerra às 13h, e na quinta-feira (Ano Novo) os mercados estarão fechados. Destacam-se as Atas da Fed da reunião de 9/10 de dezembro na terça-feira e pouco mais, pois na sexta-feira há PMIs finais, sem expectativas de alterações significativas. As Atas não deverão trazer grandes novidades após o corte de taxas em -25pb para 3,50%[3,75%], conforme esperado, e o anúncio da compra de Letras do Tesouro para manter liquidez suficiente no sistema. A revisão em alta das previsões de crescimento para 2025/2028 e em baixa da inflação foi bem recebida pelo mercado, mantendo aberta a porta a novos cortes de taxas em 2026. O ritmo dependerá em parte do sucessor de Powell em maio. O anúncio deste pode ser "a" notícia da semana, embora oficialmente previsto para inícios de ano. K. Hasset, diretor do Conselho Económico da Casa Branca, continua como candidato favorito, mas outros como C. Waller ou K. Warsh mantêm-se nas sondagens. Qualquer um será da ala de Trump e trará um viés dovish mais ou menos assumido ao Conselho da Fed. Outro foco imprevisível é o geopolítico. Enquanto a China continua a desafiar Taiwan com manobras militares, Trump e Zelenski dizem estar mais próximos de um acordo após a reunião de ontem. Isto está a propiciar alguma realização de lucros no ouro (-1,3% até 4.474$).


Em resumo, semana curta e com pouca atividade, embora novidades "fora de agenda" com viés positivo possam animar o rally natalício para fechar um ano muito generoso e que deixa boas bases para um 2026 promissor.

domingo, 28 de dezembro de 2025

Gustavo Franco

 


Lourival Sant` anna

 


A polarização e o sectarismo transformaram a defesa da democracia em licença para o desvio de conduta e a ditadura no preço a pagar pela moralidade. As fontes de legitimidade se deslocaram dos princípios éticos e democráticos para o campo político-ideológico a que pertencem os líderes e autoridades. A concentração de poder mergulhou os dois maiores presidencialismos democráticos, EUA e Brasil, em uma crise de legitimidade e de moralidade. Minha coluna no ESTADÃO deste domingo: https://lnkd.in/dYArKhCx


Estados Unidos e Brasil, as duas maiores democracias presidencialistas, enfrentam uma crise de legitimidade decorrente de concentração e denúncias de abuso de poder – na presidência americana e na Suprema Corte brasileira.
A polarização serve de amortecedor contra as denúncias de malfeitos, ao deslocar o critério de legitimidade dos princípios éticos para o alinhamento político.
Faltam freios e contrapesos robustos o suficiente para conter pessoas que priorizam o dinheiro em detrimento da própria reputação. Como acordo de damas e cavalheiros, o presidencialismo se alicerça na premissa de que autoridades em altas posições da república seriam dotadas de vergonha.
Essa premissa já não é necessariamente válida. Os freios e contrapesos podem e devem ser reforçados. As cortes supremas dos EUA, Canadá e Reino Unido, por exemplo, adotaram códigos de conduta e mecanismos de supervisão ou controle externo. Mas nenhum mecanismo parece suficiente em face do que poderia ser considerado uma degradação moral sistêmica.
Tanto nos EUA quanto no Brasil, o Executivo, Legislativo e Judiciário foram capturados pelo centro gravitacional do poder — no caso americano, o presidente; no brasileiro, o STF. Esse ambiente foi facilitado pelo rebaixamento intelectual do debate político.
As discussões em torno da liberdade e da ética, os dois princípios basilares da civilização, foram contaminadas pelo sectarismo. Segundo essa lógica binária, a fonte de legitimidade não está no respeito às regras democráticas e éticas, mas no campo político-ideológico que uma autoridade ou líder ocupa.
Isso deu a alguns (não todos) integrantes dos três Poderes, tanto no governo quanto na oposição, proteção reputacional para atropelar os limites da democracia e da ética, conspirando para se manter no poder apesar de derrota eleitoral, ou usar o cargo em benefício próprio, ignorando o conflito de interesses.
Os abusos são justificáveis para o grupo ao qual pertence quem os comete, que vê como condenável a sua denúncia.
Criou-se a crença de que é preciso escolher entre democracia e moralidade, como se não houvesse corrupção nas ditaduras, e a defesa do Estado de Direito fosse licença para o desvio de conduta.

Lauro Jardim

 A íntegra: Em mansão, Vorcaro recebeu Alexandre de Moraes e políticos para jantar

Por Lauro Jardim


Em seus tempos de liberdade (muita liberdade, aliás), Daniel Vorcaro recebia políticos e autoridades para jantares numa mansão de R$ 36 milhões e 1,7 mil metros quadrados de área construída no Lago Sul, em Brasília.


Pelo menos em uma dessas noites, Alexandre de Moraes esteve presente — embora sem sua mulher, Viviane, cujo escritório de advocacia tinha o ex-banqueiro como o seu melhor cliente.


Neste jantar, ocorrido no último trimestre do ano passado, quando já vigia o contrato de R$ 129 milhões de Viviane com o Banco Master, Moraes dividiu as conversas com políticos poderosos do Centrão, deputados, ex-ministros do governo Bolsonaro e, naturalmente, com o gentil anfitrião.


Era o único ministro do STF entre os cerca de vinte convidados, todos homens.


Segundo o relato de um dos participantes deste e de outros jantares na casa brasiliense de Vorcaro, eram noites de conversas amenas.


Nem é preciso discutir a possibilidade de algum assunto do Master ter sido conversado naquela noite. Até porque, se fosse o caso, teriam ocasiões mais discretas para isso. Mas parece claro que a simples presença de um integrante da Corte num jantar na casa do melhor cliente de sua mulher pode soar inconveniente.

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