segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

ASA: enquanto isso no Fed

 https://valor.globo.com/financas/intraday/post/2026/02/asa-descarta-novos-cortes-de-juros-nos-eua-em-2026-e-aposta-em-dolar-mais-forte.ghtml


*ASA descarta novos cortes de juros nos EUA em 2026 e aposta em dólar mais forte*


_Para a economista Andressa Durão, Kevin Warsh não deve encontrar apoio suficiente no colegiado do Fed para alterar a política monetária de forma significativa no curto prazo_


Por Cristiana Euclydes e Luana Reis, Valor — São Paulo


Na contramão do consenso do mercado, o ASA avalia que não há mais espaço para cortes de juros nos Estados Unidos neste ano e aposta em um dólar mais forte. A visão é defendida pela economista Andressa Durão, que, em conversa com o Valor, diz esperar forte crescimento na economia americana neste ano e acredita que Kevin Warsh, indicado para assumir a presidência do Federal Reserve (Fed), não deve encontrar apoio suficiente no comitê para alterar a política monetária ou o balanço de ativos de maneira significativa.


O banco central americano realizou uma pausa no ciclo de afrouxamento em janeiro, após realizar três cortes consecutivos no final do ano passado, levando as taxas de referência para o intervalo entre 3,50% e 3,75%. Com uma expectativa de que o Fed deve manter os juros inalterados ao longo de 2026, Durão acredita que as movimentações políticas de Donald Trump e as eleições de meio de mandato nos EUA devem gerar mais volatilidade nos mercados do que a política monetária.


“O Fed deve ficar parado o ano inteiro”, diz a economista. “E, talvez, o próximo movimento seja de alta, algo que ninguém ainda está falando, mas a gente acha que a economia tá muito forte. Então, não tem porque continuar cortando”, enfatiza a economista, ao esperar, ainda, um crescimento de 3% nos EUA neste ano.


Durão espera que 2026 também seja um ano de volatilidade nos mercados americanos, com os investidores reagindo às mudanças nas políticas americanas, especialmente com as eleições de meio de mandato, que devem começar a chamar a atenção dos investidores a partir da metade do ano. A economista acredita que Trump pode apostar em novas medidas de estímulo econômico para tentar aumentar a popularidade de seu partido nas eleições. “Acho que, ao longo do ano, vai ter mais um foco para isso do que para o que o Fed vai fazer", avalia.


Embora Durão reconheça que ainda existem riscos de alta para a inflação, ela ressalta que eles diminuíram. A economista vê a inflação americana medida pelo índice de preços ao consumidor (CPI) mais perto de 2,5% do que de 3% ao ano. Na avaliação dela, a maior parte dos riscos não se materializou, com impacto das tarifas bem menor que o esperado, e os preços de bens e imóveis desacelerando. “O que fica de risco é a inflação de serviços por conta de uma atividade econômica forte.”


O Fed, assim, deve mudar um pouco o peso para a questão do mercado de trabalho, embora o presidente do banco central, Jerome Powell, tenha dito após a decisão de janeiro que o emprego tem se estabilizado. Em janeiro, dados do “payroll” mostraram criação de 130 mil postos de trabalho, acima das expectativas dos agentes.


Ao ser questionada sobre a fraqueza de dados de trabalhos recentes, divulgados na semana passada, Durão afirma que, embora o relatório Job Openings and Labor Turnover Survey (Jolts) tenha mostrado um esfriamento no número de abertura de vagas, não indicou um aumento nas demissões. Na visão dela, a taxa de desemprego deve se manter baixa ao longo deste ano, em linha com a forte atividade econômica sugerida pelos dados do Produto Interno Bruto (PIB).


A perspectiva do ASA é bem mais “hawkish” (propensa ao aperto monetário) do que o consenso dos investidores, que ainda vê dois cortes nos juros ao longo do ano, em linha com o que foi sinalizado pelo Fed em seu último Sumário de Projeções Econômicas (SEP), em dezembro. Para Durão, a visão do mercado também reflete a expectativa de que Warsh deve ceder às pressões políticas de Trump e apoiar cortes nas taxas de juros. A próxima revisão no “gráfico de pontos” será na decisão de política monetária de março e, na visão dela, deve refletir uma visão mais “hawkish” por parte dos dirigentes.


Durão acredita que Warsh deve apoiar um corte em sua primeira reunião do Fomc, em junho, caso o cenário se mantenha igual, para “chegar mostrando serviço” a Trump, mas ele não deve construir maioria para isso, nem para alterar o balanço de ativos do

Fed, ainda que discussões sobre alterações em sua composição possam ser intensificadas. Na visão da economista, embora a pressão política por juros mais baixos exista, a maioria do comitê ainda é “hawkish” e deve formar maioria nas votações.


“Eu não acho que todo mundo se deixaria levar pelo novo presidente ou por questão política”, comenta a economista, ressaltando que boa parte do comitê tem defendido a manutenção dos níveis atuais dos juros, sem realizar novos ajustes tão cedo. “Claro que Warsh deve influenciar, mas não deve ser um grande problema. Pensando em uma votação, ainda vencem os mais ‘hawk’.”


As ameaças ao Fed, no entanto, não estão precificadas no mercado, porque se tratam de riscos de cauda, na visão da profissional. Para ela, caso realmente houvesse a percepção de que a independência e a credibilidade do banco central americano estão sob ameaça, a reação vista até o momento teria sido bem pior nos mercados de Treasuries, de câmbio, e de inflação “implícita”, avalia. Durão aponta que, caso a diretora do Fed Lisa Cook seja destituída de seu cargo — o que não é o cenário-base —, o mercado reagiria muito mal.


Warsh foi visto como um nome menos propenso a apoiar cortes rápidos de juros do que os outros candidatos cotados para assumir a liderança do Fed, o que levou a uma firme recuperação do dólar no exterior. No entanto, Durão acredita que o movimento se tratou mais de uma correção, já que a moeda vinha se enfraquecendo de maneira expressiva no começo do ano.


A indicação de Warsh também levou a uma alta na ponta longa dos juros dos Treasuries e a uma derrocada histórica nos preços de metais preciosos.


Para este ano, o ASA aposta em um dólar mais forte no exterior, apoiado pelo crescimento econômico robusto dos EUA. “Temos um cenário de economia muito mais forte do que em outros países”, ela afirma. “Não consigo imaginar um cenário de dólar fraco.”


Ela também destaca que o mercado de ações dos Estados Unidos continua a ser o mais forte globalmente e pode continuar batendo recordes, ainda que não seja possível afirmar se já chegou às máximas. “Não tem muito como apostar contra.”

Corte da Selic e os DI curtos

 *Leitura de Sábado: Proximidade de corte da Selic incentiva posições aplicadas em DI curto*


Por Arícia Martins


São Paulo, 10/02/2026 - Após a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) e janeiro ter referendado as perspectivas do mercado de que o primeiro corte na Selic será de 0,5 ponto porcentual, em seguida ao comunicado que abriu a porta para uma redução em março, instituições estrangeiras e grandes gestoras de recursos passaram a ampliar apostas na queda dos juros futuros.


Em um primeiro momento, profissionais ouvidos pela Broadcast apontaram que os trechos curto e intermediário foram os escolhidos para abrir e/ou aumentar posições aplicadas, sendo o vértice mais longo neste trade o de janeiro de 2029, como é de se esperar às vésperas de um afrouxamento do juro. Já os trechos mais distantes, apesar de acumularem prêmios de risco relevantes, ainda não estão sendo considerados interessantes para posição vendidas, devido às incertezas que ainda pairam sobre o cenário eleitoral e ao quadro fiscal pressionado.


Na expectativa de que o aguardado ciclo de cortes do juro básico leve a uma nova rodada de alívio de prêmios na curva futura, o banco americano Citi e o francês BNP Paribas informaram em relatório, no fim de janeiro, que voltaram a ficar aplicados em juros no Brasil. Ambas as instituições iniciaram posições em contratos com vencimento em janeiro de 2029 - horizonte que, por aqui, dada a estrutura mais curta da curva de DIs em relação a outros países, é considerado intermediário.


Em relatório assinado pela economista-chefe do banco, Fernanda Guardado, e pelo estrategista de renda fixa e câmbio para América Latina, Mario Castro, o BNP Paribas afirma que o ajuste da linguagem do Banco Central, sugerindo que o ciclo de flexibilização do juro básico está próximo, "aponta para um novo rali nas curvas locais".


A instituição manteve, por ora, a expectativa de redução de 25 pontos-base da Selic em março, com taxa terminal em 12% ao final de 2026, mas pondera que a decisão do colegiado entre um ajuste de 25 ou 50 pontos-base na próxima reunião pode ser apertada.


"Embora o mercado já estivesse descontando março como o ponto de partida do ciclo, o BC validando as expectativas atua como um catalisador para que os participantes retomem posições de recebedores. A mudança de tom do BC coincide com uma tendência contínua de fraqueza do dólar, que continuará a exercer pressão descendente nas curvas locais", observa o BNP, explicando a combinação que levou a instituição a abrir posição aplicada no DI de janeiro de 2029.


Essa é a mesma estratégia adotada pelo Citi, que observa que as taxas de curto prazo costumam aumentar após o primeiro afrouxamento no juro básico, conforme o ocorrido nos ciclos de cortes de 2016 e 2023, por exemplo. O banco pontua que dois riscos para a operação são uma inflação mais alta do que o esperado no Brasil e uma postura mais 'hawkish' da autoridade monetária.


Na sua carta mensal de fevereiro, a Kinea Investimentos informa que a estratégia segue a mesma do mês anterior, com posição ainda aplicada em juros. Mas o cenário eleitoral, que pode trazer volatilidade, reduz a visibilidade e comprime o espaço para apostas direcionais grandes.


Gestor de renda fixa da Kinea, Guilherme Rodrigues diz que a gestora que faz parte do grupo Itaú "encurtou" as posições de um mês para outro, com prazos que, agora, vão até um ano, no máximo. "Hoje estou bem aplicado, mas agora está tudo no 'curtinho'. Já chegamos a ter posição aplicada nos [vencimentos] de dois a três anos; agora estou sendo mais tático", afirmou Rodrigues à Broadcast.


A estratégia está alinhada à tendência de que a curva de juros fica mais inclinada em momentos que antecedem ciclos de corte, disse o gestor, para quem há espaço para, no mínimo, 300 pontos-base de ajuste para baixo do juro básico no ciclo atual. "Em um primeiro momento há uma inclinação da curva nominal, e isso está acontecendo. O pessoal tende a 'se esconder' nos curtos e médios".


A Bradesco Asset, por sua vez, afirma que identificou melhor relação risco retorno na parte intermediária da curva nominal, onde os prêmios ainda incorporam assimetria favorável em um ambiente de transição de política monetária. "Além disso, preservamos uma estratégia de inclinação, com posições aplicadas no segmento intermediário e tomadas na parte longa, visando capturar a tendência de normalização da estrutura a termo em um ciclo de relaxamento monetário", explica a instituição na carta mensal deste mês.


Em sua carta mensal de fevereiro, a Santander Asset aponta que, no primeiro mês do ano, manteve a visão otimista para a renda fixa local, aumentando o posicionamento aplicado em juros prefixados e vendido em inflação implícita, e reduzindo a alocação em ativos atrelados à inflação, com resultado positivo. "Apesar da evolução menos favorável dos ativos atrelados à inflação no período, a forte queda da curva de juros nominal contribuiu de forma positiva para o nosso resultado", diz a gestora de recursos do Santander.


E para fevereiro, a asset do banco espanhol segue aplicada em juros nominais, destacando, além do iminente ciclo de redução da Selic, que a atividade e a inflação estão em rota de moderação. "Diante da precificação atual, enxergamos prêmios atrativos nas curvas de juros", diz a instituição.


Contato: aricia.martins@estadao.com


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Leitura de sábado

 *Leitura de Sábado: Leilão para venda da fatia bilionária da Oi na V.tal pode 'dar branco'*


Por Circe Bonatelli


São Paulo, 12/02/2026 - O BTG Pactual, através de seus veículos de investimentos, se apresentou para ficar com a participação detida pela Oi na V.tal, grupo que atua com redes de fibra ótica, banda larga e data centers, no qual esses veículos já são os controladores. O ativo será levado a leilão no próximo mês. O futuro dessa transação, entretanto, ainda é incerto. A Coluna apurou que, embora o banco tenha pedido habilitação para participar do certame, ainda não decidiu se fará uma proposta de compra de fato. Por ora, a instituição financeira está se preparando para entrar na disputa só caso surja um concorrente, dizem fontes a par do processo. Enquanto isso, mais ninguém se manifestou para participar do leilão até o começo da noite desta quinta-feira, 12, quando vence o prazo para os interessados se credenciarem. Ou seja: no fim das contas, pode "dar branco" no leilão.


PAGAMENTO. A fatia da Oi corresponde a 27,5% da V.tal e foi colocada à venda por meio de leilão a ser realizado no dia 5 de março, com lance mínimo de R$ 12,3 bilhões, pagamento em dinheiro, à vista. A venda do ativo é uma peça-chave dentro do plano de recuperação judicial da Oi, de modo que os recursos da venda serão usados para abater sua dívida.


FUNDOS. O BTG Pactual encaminhou a documentação para se habilitar por meio de um conjunto de quatro veículos de investimento: os fundos BTG Pactual Economia Real Master, BTG Pactual Infraco Master e BTG Pactual Infraco Co-Investors Fund LP, e uma sociedade anônima chamada Stans 13, que foi aberta em setembro de 2025. Por trás desses veículos estão os mesmos acionistas que já controlam a V.tal, que incluem o próprio banco, o fundo de pensão canadense CPPIB, o fundo soberano de Cingapura GIC e clientes do segmento de grandes fortunas, entre outros cotistas.


TROCA. A participação na V.tal também é almejada pelos credores da Oi, mas eles não estão dispostos a colocar dinheiro na jogada. O interesse aí é ficar com esse ativo em troca do abatimento de dívidas, o chamado credit bid. A petição foi protocolada pelo UMB Bank, que atua como um administrador (trustee) dos valores a serem recebidos pelos credores. Neste grupo, estão gestoras de recursos estrangeiras, como Pimco, Vontobel, Arkaim e Bracebridge, cujo saldo a receber é de cerca de R$ 10 bilhões.


MENOS. Fontes que acompanham o processo ponderaram que essas dívidas no mercado secundário estão avaliadas em pouco mais de R$ 2 bilhões - tamanha a descrença de que a Oi irá conseguir saldar essa dívida algum dia. Nesse sentido, uma crítica é que os credores estariam manobrando para trocar algo que vale pouco por algo que vale muito, enquanto a Oi tem necessidade urgente de uma injeção de dinheiro no caixa. Já o argumento contrário é que uma redução das dívidas da Oi na ordem de R$ 10 bilhões daria um grande alívio para as despesas com juros da empresa, além de liberar garantias que permitiriam a empresa buscar novos financiamentos.


CONTRA. O desfecho é incerto. A Oi e o gestor judicial que comanda a empresa desde o afastamento da sua diretoria se posicionaram contra uma troca de ações pelo abatimento de dívidas. Eles reiteraram que o plano de recuperação judicial estabelece que a alienação da sua participação na V.tal deve ocorrer por pagamento em dinheiro. Só em caso de isso não ocorrer é que outras formas de pagamento poderiam vir a ser analisadas e submetidas à deliberação dos credores para aprovação ou rejeição.


Contato: circe.bonatelli@estadao.com


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Fictor: investidores como sócios

 *À Justiça, Fictor diz que investidores eram sócios: “Relação clara”*


Fictor sustentou nos autos que relação do grupo com investidores não é de credor e devedor


Em petição apresentada ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), a Fictor afirmou que a relação dos investidores com o grupo era de sociedade e não de credor e devedor. A interpretação é importante porque, se considerados como sócios da Fictor no processo de recuperação judicial, os investidores vão, na melhor das hipóteses, para o fim da lista de possíveis pagamentos.


“Ora, era formada uma relação contratual por meio de Sociedades em Conta de Participação, onde os sócios participantes contribuíam com aportes de capital social para o desenvolvimento da atividade de comercialização de grãos em que o sócio ostensivo – Fictor Invest – contribuía com os seus serviços gerenciais e o resultado, por sua vez, era partilhado entre as partes na forma de dividendos”, argumentam os advogados advogados da Fictor.


No documento, a Fictor afirma, ainda, que “a relação societária é clara”. “Não há que se falar em ignorância ou desconhecimento da relação contratual vivenciada pelas partes, não se trata de termo de adesão, mas de um contrato de sociedade e que, por sua vez, comportava aportes expressivos.”


Por fim, os advogados pedem que “seja reconhecida a completa inexistência de relação de consumo entre as partes, ante a clara existência de pretérita relação societária e, com a rescisão, a latente relação creditória”.


Como mostrou o Metrópoles, as Sociedades em Conta de Participação, conhecidas pela sigla SCPs, eram o carro-chefe da Fictor, que ganhou os holofotes ao anunciar que compraria o Banco Master por R$ 3 bilhões na véspera da operação que prendeu os principais dirigentes da instituição financeira.


O modelo permite que investidores aportem capital em um projeto sem se expor, enquanto um sócio ostensivo – a Fictor, no caso – conduz o negócio, dividindo lucros sem chamar a atenção da Receita Federal e da Comissão de Valores Imobiliários (CVM).


Na prática, os investidores assinavam contratos nos quais passavam a ser sócios ocultos da Fictor em troca de retornos fixos variando de acordo com o dinheiro investido.


A coluna mostrou que, logo após apresentar à Justiça pedido de recuperação judicial, a Fictor enviou aos investidores um comunicado no qual avisa sobre o distrato do contrato firmado entre a empresa e quem aportou dinheiro no grupo na expectativa de receber rendimentos.


“Por meio do presente, Fictor Invest, na qualidade de sócia ostensiva, vem, formalmente, comunicar a decisão de promover o distrato da Sociedade em Conta de Participação”, diz o texto enviado aos investidores dia 1ª de fevereiro.


No comunicado, a Fictor recorre a uma linguagem empolada e formal ao anunciar a medida aos investidores sem dar qualquer pista sobre a devolução dos valores aplicados. Após anunciar o distrato, o texto lista os motivos que teriam levado a Fictor à recuperação judicial.


“A deliberação decorre do atual cenário enfrentado pelo Grupo Fictor, impactado pelos acontecimentos amplamente divulgados na mídia relacionados à tentativa de aquisição do controle acionário do Banco Master S.A. liderado pelo sócio fundador do grupo. O evento produziu efeitos colaterais relevantes sobre a confiança do mercado e sobre o ambiente reputacional da Fictor, os quais, de maneira reflexiva e inevitável, acabaram por alcançar as Sociedades em Conta de Participação poe ea estruturadas, ainda que tais SCPs não estejam diretamente envolvidas nos fatos que deram origem às referidas notícias”, diz o comunicado.


Em seguida, a Fictor trata os investidores como sócios. “Diante desse contexto, visando preservar o direito e manter equanimidade no tratamento entre os sócios,a sócia ostensiva [Fictor] por entender que a formalização do distrato das SCPs representa a medida mais adequada para preservar a segurança jurídica, os interesses dos sócios participantes e a escorreita prestação de contas, informa desde já a rescisão unilateral por parte da Fictor Invest.”


O texto termina sem dar indicações concretas sobre o destino do dinheiro aportado por investidores da Fictor. “O distrato é válido desde a presente data (1/2), e o seu instrumento será devidamente encaminhado com detalhamento das condições aplicáveis, incluindo, quando pertinente, a forma de encerramento das atividades, eventuais ajustes patrimoniais , quitações, renúncias e demais disposições necessárias.”


https://www.metropoles.com/colunas/dinheiro-e-negocios/a-justica-fictor-diz-que-investidores-eram-socios-relacao-clara

BCE e a liquidez do euro

 *Banco Central Europeu torna global seu sistema de apoio à liquidez do Euro*


Por Mariana Ribas


São Paulo, 14/02/2026 - O Conselho do Banco Central Europeu (BCE) anunciou neste sábado, 14, a intenção de ampliar o acesso ao Eurosistema para bancos centrais (EUREP), mecanismo de apoio à liquidez do euro criado para bancos centrais fora da área do euro.


De acordo com a nota divulgada pela assessoria de imprensa da instituição, a atualização introduz acesso permanente, em princípio, para todos os bancos centrais, a menos que sejam excluídos por motivos de lavagem de dinheiro, financiamento do terrorismo ou sanções internacionais.


“O quadro permitirá que bancos centrais em jurisdições fora da área do euro enfrentem rapidamente os riscos de escassez de liquidez em euros. Essas mudanças visam tornar a facilidade mais flexível, mais ampla em termos de alcance geográfico e mais relevante para detentores globais de títulos em euros”, diz a nota.


Essa linha foi introduzida pelo BCE pela primeira vez em 2020 e tem tido o seu acesso limitado a alguns países, em especial àqueles localizados na Europa Oriental. É utilizado como uma fonte de financiamento para mitigar efeitos negativos no mercado. O EUREP complementa as linhas de swap do banco - que permanecem inalteradas.


Contato: mariana.ribas@estadao.com


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Novo ataque ao sistema financeiro

 *Novo ataque ao sistema financeiro*


Caio CrisóstomoPublicada em 14/02/2026 às 18:13


Sete meses após o pior roubo cibernético da história e ainda sob supervisão precária do Banco Central, o sistema bancário brasileiro sofreu uma nova e severa invasão. Um ataque hacker contra a JD Consultores, a principal empresa de fornecimento de serviços de tecnologia para bancos, expôs certificados digitais que dão acesso a contas de reserva de instituições financeiras clientes da companhia. A JD é pioneira e líder no segmento de Provedora de Serviços de Tecnologia da Informação (PSTI). Detém cerca de 58% do mercado de fornecimento de tecnologia para bancos, segundo o próprio site da empresa. De acordo com fontes a par das investigações, o prejuízo aos clientes da JD pode chegar à casa das centenas de milhões de reais. O incidente é tratado com sigilo extremo no BC e entre autoridades.


Na noite de sexta-feira (13), em decorrência da nova onda de ataques bem-sucedidos, o BC determinou a suspensão do serviço Pix prestado pela JD Consultores, afetando uma série de bancos vinculados a empresa. Segundo o ofício obtido pelo Bastidor, a decisão foi tomada para “prevenir a ampliação dos impactos do incidente até que o PSTI conclua a apuração da ocorrência”. O documento é assinado por Caio Moreira Fernandes, diretor de Tecnologia da Informação do BC.


A medida foi adotada após um ataque hacker ao Banco do Nordeste, cliente da JD, em 26 de janeiro. As instituições atendidas pela empresa tiveram o serviço Pix suspenso, sem previsão de retorno. Em junho do ano passado, a C&M Software sofreu um ataque que resultou em um rombo de 841 milhões de reais para oito bancos.


É o terceiro ataque exitoso recente contra uma PSTI, o tipo de empresa que fornece serviço de tecnologia bancária a fintechs e bancos pequenos e e médios. O método de invasão é semelhante ao utilizado em invasões anteriores, como na C&M e na Sinqia, concorrentes da JD. Nesse tipo de ação, os hackers conseguem acessar recursos mantidos em contas de reserva dos bancos e realizar transferências sem acionar os sistemas de antifraude. Ainda não há informações oficiais sobre os valores desviados nem confirmação sobre eventual prejuízo a outras instituições.


A exposição dos certificados da JD Consultores pode permitir o acesso indevido à base de clientes da PSTI. Diante da dimensão do incidente, a única solução para o Banco Central é suspender temporariamente o serviço Pix da empresa até que sejam corrigidas as falhas de segurança.


O Bastidor tenta contato com a JD Consultores.


https://obastidor.com.br/investigacao/novo-ataque-ao-sistema-financeiro/

Coluna do Estadão

 *Coluna do Estadão: Flávio Bolsonaro entra no radar do mercado menos por entusiasmo e mais por cálculo*


Por Roseann Kennedy. Com Eduardo Barretto, Leticia Fernandes, Vera Rosa e Geovani Bucci


O mercado financeiro começou a recalibrar suas apostas depois que o desejo de ver o governador Tarcísio de Freitas disputar o Palácio do Planalto foi sufocado pela pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Até a semana passada, persistia entre agentes econômicos uma expectativa residual de reversão desse cenário, mas, após pesquisas eleitorais não considerarem mais o nome de Tarcísio, o setor financeiro percebeu que terá de realinhar rotas. A primeira mudança de comportamento apareceu: a Faria Lima deixou de virar as costas para o primogênito de Jair Bolsonaro. Flávio foi, inclusive, um dos destaques do evento do BTG Pactual para investidores. Por enquanto, seu nome entra no radar do mercado menos por entusiasmo e mais por cálculo.


IMPACTO. O apoio da elite financeira é apenas uma das variáveis na construção das candidaturas. Afinal, investidores não engajam votos. Mas a posição desses atores sinaliza expectativas que podem abalar a economia e, consequentemente, as campanhas.


FATORES. O mercado aguarda 4 sinais de Flávio: âncora econômica crível, com regras fiscais claras; nome técnico e autônomo para a Fazenda; afastamento do ruído institucional associado a Bolsonaro; compromisso com reformas estruturais. O chamado “risco Lula”, de mais 4 anos com o PT, também entra no cálculo.


ALTERNATIVA. É crescente no setor a leitura de que o governador do Paraná, Ratinho Junior, pode ocupar o espaço antes projetado para Tarcísio. Mas a pergunta é: sem a base do petismo e do bolsonarismo, ele conseguirá viabilidade? Além disso, a presença de três candidatos do PSD dificulta a consolidação de apoio.


É CARNAVAL. O presidente Lula tentou apaziguar diferenças políticas ao acompanhar o desfile do Galo da Madrugada, ontem, no Recife. No camarote, Lula tirou fotos ao lado do prefeito João Campos (PSB) e da governadora Raquel Lyra (PSD).


ACORDO. Dias antes, Lula havia desistido de assistir ao Galo para não acirrar ânimos, já que Campos e Raquel disputam seu apoio na eleição ao governo de Pernambuco. Depois de conversar com os dois, porém, chegou a um acordo. O combinado é que Lula não faça campanha explícita para nenhum deles no 1.° turno. E ambos ajudariam a reeleger Humberto Costa (PT) ao Senado.


DE OLHO. No tour carnavalesco, Lula também passou por Salvador. Mas a preocupação do Planalto é com o desfile de hoje da Acadêmicos de Niterói, no Rio. O temor é que a primeira-dama Janja, destaque da escola, acabe fazendo campanha antecipada.


PENSANDO... A maioria absoluta dos brasileiros (63%) é a favor do fim da escala 6x1 de trabalho. Quando confrontadas com o risco de redução salarial, no entanto, as pessoas mudam de ideia. É o que indica levantamento da Nexus - Pesquisa e Inteligência de Dados, divulgada nesta semana.


... BEM. Apenas 28% dos brasileiros são “totalmente favoráveis” ao fim da 6×1, sem levar em conta se a mudança causará ou não impacto no pagamento salarial. Na prática, 40% disseram que só são mesmo a favor da medida se ela não provocar diminuição proporcional nos seus contracheques.


PRONTO, FALEI!


Jonas Donizette

Líder do PSB na Câmara


“Geraldo Alckmin tem uma relação de confiança com Lula. Um dos critérios para o cargo de vice-presidente é a lealdade, e nisso Alckmin é uma realidade.”


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BDM Matinal Riscala

 *Bom Dia Mercado* Sexta Feira,08 de Maio de 2.026. *Payroll sai sob nova tensão no Oriente Médio* Escalada entre Estados Unidos e Irã desmo...