quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

E AGORA ?

Fim de papo. Definidas as eleições no Congresso, muitos acham que agora começa de fato o governo de Jair Messias Bolsonaro. A pauta de prioridades, a serem votadas nos parece bem extensa (ver ao fim), mas muitos consideram pendências, pois este governo teve dois anos para fazer passar estas decisões e não passou. Muitos vão argumentar que foi o Congresso de Rodrigo Maia a engavetar muitas destas medidas. Será mesmo? Claro que havia uma "guerra suja" no Congresso pela aprovação de muitas das medidas a serem discutidas e aprovadas, mas observando a agenda pesada no Congresso, tanto na Câmara como no Senado, não dá para achar que apenas um personagem foi responsável pelo atraso ou não avanço destas medidas. Mais parece que o governo não construiu uma articulação responsável e competente para fazer com que estas medidas avançassem no legislativo. Surge então a proposição de que muitas destas ficaram pelo caminho, pelo pouco empenho do presidente em fazê-las avançar. As reformas tributária e administrativa não saíram do lugar, o mesmo acontecendo com a decisão por tornar o banco central independente, o marco do gás, da cabotagem, as privatizações, etc, etc. É opinião crescente etnre os formadores de que a renovação das mesas diretoras no Congresso não foi um passo no sentido de avançar na pauta de reformas. Tratou-se, na verdade. de um movimento defensivo para se evitar o risco do "impeachment". Ou seja, a maior dificuldade na aprovação das reformas se encontra no Executivo. Nestas eleições do Congresso, Arthur Lira, do PP, foi eleito para a Câmara, com 302 votos, contra 149 de Baleia Rossi do MDB; no Senado, Rodrigo Pacheco, do DEM, conseguiu fácil a vitória, com 57, de 78, votos, contra 21 de Simone Tebet, do MDB, candidata que mais fez frente. E agora? Como configura o cenário de governabilidade do presidente Bolsonaro. Quais blocos ele deve colocar na rua? Esta é a pergunta que todos se fazem, mas toda cautela é pouca.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

DEBATES INTERMINÁVEIS

Continuamos açodados. Somos um país dividido ao meio e brigando entre extremos. É complicado o uso de uma régua para medirmos estas divergências, totalmente descalibradas.

 Será que não acharemos nunca a "medida certa dos fatos"? É por aí que vivemos um pandemonio de versões e opiniões contrárias. 

Um dos debates mais infindáveis é o entre economistas heterodoxos, ou keynesiano, e mais "liberais", ou neo-clássicos no Brasil. Estes últimos, mais à favor do livre mercado, os primeiros, defensores do papel mais ativo do Estado numa economia de mercado.

Historicamente, o "keynesianismo" surge nos anos 30 para 40, pela necessidade do aumento das despesas fiscais, a impulsionar, via multiplicador fiscal, os investimentos públicos, muitas vezes em grandes obras, gerar emprego e renda, para as pessoas consumirem a fazerem a “roda da economia” girar outra vez. Em poucas palavras, atuaria nas duas pontas, mexer com a carga de impostos, elevando-a ou reduizindo-a, e com as despesas, mas elevando-as, para gerar aumento de consumo agregado, ou demanda (efetiva). Foi John Maynard Keynes, na publicação da Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda (1936), que começou a pensar o sistema capitalista, como sendo este o mais eficiente e justo possível. O Estado, a partir daí, passava a desempenhar um papel mais ativo, com políticas anti-cíclicas em momentos de flutuação de demanda. 

Não cabia ao Estado se sobrepor ao setor privado, mas estimulá-lo nas decisões cruciais de investimento. Políticas macro-estratégicas teriam que ser pensadas, mas sem os excessos do setor público. Pelo sucesso das políticas públicas anti-cíclicas dos anos 30, pós depressão, a ingerência do setor público passou a ser um norteador, a ponto de uma lei anacrônica ser criada na época, em 1946, a Lei do Emprego, na qual o setor público tudo faria para preservá-lo, como se fosse este seu papel. Não há como negar, no entanto, que os anos 50 e 60 na Europa e no mundo livre, foram permeados de prosperidade, no que muitos denominaram de "anos dourados". 

Muitos argumentam, inclusive, que já havia alguns traços de "keynesianismo" nas politicas do nacional socialismo alemão, o que deu origem ao nazismo de Adolf Hitler, a partir dos anos 30. Várias obras públicas, abrindo espaço para novos investimentos privados, nas chamadas "externalidades positivas", ocorreram na Alemanha dos anos 30. 

Nos anos 70, no entanto, com os choques de petróleo, estas políticas acabam meio de lado, pois tivemos o que os economistas negavam então, desemprego com inflação, no conhecida "estagflação". Os keynesianos não conseguem responder a este fenômeno. 

Em paralelo, haviam os que defendiam o mercado como soberano na alocação eficiente de recursos. Parece-me claro, sim, que o setor privado, pelo viés do lucro, da iniciativa privada, do interesse próprio, do individualismo, tende a ser mais eficiente na busca de resultados favoráveis. 

No entanto, desregulamentar totalmente determinados mercados tende a ser desastroso para os que pensam desta forma. Lembremos da crise do subprime quando esta desregulamentação do mercado financeiro tomou curso o que resultou numa brital securização das operações de financiamento imobiliário. Por isso, o debate sobre o meio do caminho, uma alternativa intermediária. 

Deixando q o mercado decida, perde-se quando um fenômeno como o desta pandemia acontece. O que fazer? 

A ação do governo passa a ser a primeira decisão, o que precisa ser feito é atuação ativa do Estado suprindo carências de quem é acometido de um vírus mortal como este. 

O grande passivo social existente, deriva de décadas de passividade e permissividade no trato dos problemas econômicos que acabam por se espalhar pelo social. A carga fiscal absurda do País, em torno de 36% do PIB com zero retorno, foi criada para sustentar um sistema de gastos públicos ineficiente e perdulário, fruto da Constituição Federal de 1988. Fruto também de um sistema de castas no serviço público, na qual não se pode mexer nos privilégios dos servidores públicos, numa máquina inchada e "alienada", em q todos se acham no direito, mas ninguém parece disposto a abrir mão de algo. 

Nos dias atuais, com a pandemia os keynesianos voltou a moda, sendo apregoado por todos. Isso também aconteceu na crise de 2008 o que nos leva a concluir que, sim, existe um toldo debate sobre se o Estado deve intervir em crises e como. Claro que deve intervir sempre! Como alternativa ao aumento necessário de despesas públicas para atender ao grande número de infecções e pela necessidade de infraestruturas de saúde adicionais, já se começa a pensar na alternativa de taxar grandes fortunas, sempre uma solução aventada por um certo vício pelos que enriqueceram em país tão cheio de contrastes e pobres. 

Se esquecem estes, no entanto, de reconhecer que muitas das desigualdades no País acontecem também pela baixa qualidade dos serviços públicos prestados, por "aspones" que ganham mais de 40 mil reais por mês, pelos inúmeros desvios recorrentes, muitos em empresas públicas. Sobre isso, o silêncio. 

Muitas das categorias de servidores públicos, os militares, por exemplo, são também uma tremenda fábrica de desigualdades. Sobre os militares, é tabu falar algo, até porque o capitão foi meio que um lobista no Congresso em torno deste estamento público. 

O problema é que a economia precisa estar azeitada e o setor público atuar, onde o setor privado não tiver interesse, em políticas inclusivas aos pobres, mas temporárias, gerando oportunidades, via treinamento, para que eles saiam da sua condição de fragilidade econômica e social. 

O ESTADO precisa criar mecanismos de controle ao setor privado e a atuação das  esferas de governo, mas não deve obstruir quem queira empreender, quem queira se lançar ao risco. 

Portanto, o PAPEL CRUCIAL do Estado é gerar condições favoráveis para q o  privado deslanche. Como diria o assessor do Clinton, "é a economia estúpido". É ela sim a gerar oportunidades de renda e emprego à sociedade, lutando por um serviço de saúde de primeiro mundo. Não faz sentido o ESTADO atuar como atua no Brasil, a sustentar castas de privilegiados, muitos, amigos do rei, com subsídios fiscais. Estes precisam passar por conselhos fiscais para aprovados. 

Enfim, eu acho mto temerário falar de liberalismo ou de keynesianismo num país tóxico como o  Brasil. São tantas distorções que se torna uma piada qualquer consideração em favor ou contra algo. 

Já foram feitos levantamentos, e chegou-se à conclusão que são bilhões, trilhões recebidos de governantes, para um carro com carga fiscal de quase metade do seu preço final. 

O sistema fiscal brasileiro é tão distópico que a carga de impostos acaba por ser uma indecência. Nada compensa nada nesta terra. 

E ficamos acompanhando estreitamente um governo inépto, não que outros não o tenham sido. Mas Jair Bolsonaro usou e abusou de bons ministros nomeados. Mas depois os descartou. Mesmo assim, chegou até aqui. Será que conseguirá terminar o mandato?? 

São tantas decisões desastradas, tantas bobagens ditas, que não dá para dizer....aaahhh é a imprensa a culpada ! NÃO! Para nosso desassossego, não é APENAS a imprensa, e o presidente também!

 

quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

2021 na pressão

A "biruta" dos mercados deu uma endoidada por estes dias. Tanto os ativos globais, como os domésticos volatilizaram fortes, por variadas razões. 

No Brasil, o mercado de ações ingressou numa espiral de realizações (seis pregões seguidos de queda do B3) e o dólar deu uma "esticada" a R$ 5,41. Por outro lado, no mercado de juro a curva curta deu uma estabilizada e a longa declinou um pouco. A justificar isso uma leitura mais "dovish" do Banco Central, devendo antecipar o processo de aperto monetário, depois de comunicado da ata do Copom e da retirada do termo "foward guindance" na reunião. Isso reforça a tese de que o juro Selic nominal a 2% ao ano não representa o momento econômico que vivemos. Está claramente fora do equilíbrio. Há, inclusive, no mercado os que consideram a taxa mais apropriada para o momento, com pressões inflacionárias derivadas do câmbio esticada, em algo próximo a 4,5% ao ano.  

Neste contexto de ajuste, provocado por essa mudança de leitura, ainda existe alguma expectativa em saber como o governo deve financiar a extensão do auxilio emergencial, pensando na neutralidade sobre o teto de gastos. Será possível? Paulo Guedes já levanta esta possibilidade da volta do auxílio pelo período de dois a três meses, até completar o ciclo de vacinação em massa da população. Mas será que o ciclo completo de vacinação em massa só deve durar três meses. E qual a sustentabilidade da dívida pública e do déficit, em trajetória explosiva?

O fato é que esta segunda onda (ou vaga, como dizem em Portugal) da pandemia vem se mostrando mais rigorosa do que a primeira, entre março e abril do ano passado. O mundo passa por uma prova de resistência ainda mais pesada, com o vírus se espalhando mais rapidamente e sofrendo estranhas mutações, da Amazônia, do Reino Unido, da África do Sul, entre outros lugares.

Soma-se a isso, por aqui no Brasil ruídos causados pela total falta de governabilidade do presidente Bolsonaro. A todo momento são declarações intempestivas dadas, tensionando ainda mais as relações em sociedade. O que é fato é que ele não consegue pacificar os vários extratos sociais, sua relação com a imprensa, sempre em confrontação e bate-bocas. Em plena pandemia, quando as várias esferas de governo, os representantes da sociedade, deveriam estar unidos e fortes, o que se observa é o contrário, dissipação e acusações mútuas.

Para piorar, na ausência deste apoio emergencial, a popularidade de Bolsonaro só cai. Pesquisas de opinião indicavam que a avaliação "regular a bom" recuou ainda mais, de 32% para 26% e a "ruim a péssimo" aumentou, assim como o indicador de rejeição. Várias carreatas aconteceram nas capitais por estes dias, além de panelaços.

No mundo político, às vésperas das eleições no Congresso dos seus presidentes, muito se comenta sobre a possibilidade de colocar em plenário os pedidos de "impeachment" (os pedidos já passam de 61!). A "fratura exposta ideológica" na sociedade, por variadas razões, se mantem ou só piora. Não parece haver sinal de consolidação. Em leitura figurativa, cresce, isso sim, o receio da perda do membro!

Pela leitura de muitos, para que o processo de “impeachment” avance, o presidente precisa estar na lona em termos de popularidade, sem apoio parlamentar, com mobilização popular contrária, ou então envolvido em algum caso de corrupção. Na verdade, é o conjunto destes fatores, da obra, a definir seu destino. Não nos parece que tenha chegando a tanto, mas pelo “andar da carruagem”, mantidas as condições de temperatura e pressão atuais...Não será surpresa se ele não completar seu mandato.  

No plano global, alguns fatores devem ser lembrados. Temos o avanço da Covid e o processo de vacinação muito lento em diversos países, movimentos especulativos de “hedge funds” ocorreram por estes dias, o que fizeram o índice de volatilidade VIX disparar e há incertezas sobre a dimensão do pacote fiscal norte-americano anunciado. Por lá, as declarações do presidente do Fed, Jerome Powell, não agradaram o mercado. Apesar do banco central americano ter feito o que se esperava nesta semana, mantendo o juro e os programas de suporte, o chairman do Fed disse que ainda há "um longo caminho a ser percorrido" para alcançar as metas de inflação e emprego.

Enfim, neste momento não existem motivos para estarmos otimistas ou confiantes. Ainda vivemos um período crítico, de transição e incertezas sobre o futuro. Pairam dúvidas sobre o ritmo de vacinação, disponibilidade de insumos, e normalização da economia global e daí, dos mercados. Difícil saber para que direção se guiar.

O momento é de espera. 

Vamos conversando.

Julio Hegedus Netto, Economista, Doutorando UÉvora

segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

TENTANDO ENXERGAR O FUTURO


O que pensar do futuro num país conflagrado em que todos têm opinião sobre tudo, mas certeza sobre nada? 

Não dá para levar a sério negacionistas, se sustentando por "placebos", "mata-piolhos" e quetais, no combate a um vírus devastador, que já levou a vida de mais de 205 mil pessoas no Brasil. Se fosse isso, não teríamos mais o problema do virus, bastava o tal "tratamento precoce" e tudo estaria resolvido. A OMS teria chancelado este "tratamento", este coquetel e a crise estaria superada. "Aaahhh, isso não avança pois existe um complô comunista!"...

Por favor, menos delírios. E o pior é que quando se pensa nestas "articulações" malucas, os delírios partem de ambos os lados ou espectros ideológicos, da extrema direita, governando este País, até a extrema esquerda. 

Bom, mas o tema deste artigo não versa sobre esta "salada ideológica", esta polarização inútil, que se espalha pelo País. 

Nosso objetivo aqui é achar um "norte" para tentar navegar por este "ano da vacina" (que bom!), do recém eleito Joe Biden no governo norte-americano (tirando Donald Trump e colocando em cheque o populismo de direita no mundo), e no Brasil, essencial, da discussão das reformas, para mim, algo inadiável para pavimentar o caminho dos próximos tempos. 

A vacina saindo, mesmo com tantos ruídos e imbecilidades pelo caminho, já será um bom avanço, algo "libertador", por abrir caminhos para a "normalização" na vida em sociedade. Claro que não será tomar a primeira dose da vacina e pronto, tudo resolvido. Vamos voltar a viver sem máscaras, sem alcool gel, abraçando a beijando a todos. Não! Nada disso! Ainda virá a segunda dose, várias etapas de grupo de pessoas a serem vacinadas, e toda cautela será necessária. 

Calcula-se que pelo este ano de 2021 será percorrido neste processo. A imunização total, talvez apenas lá para o início de 2022. Assim esperamos.   

Outro ponto a destacar é o retorno do pragmatismo e do bom senso político na maior potência do mundo, os Estados Unidos. Donald Trump pode ser afastado em defintivo do mundo político ("impeachment" agora no Senado norte-americano) e a trilha liberada para as políticas mais responsáveis, muitas vezes, mais social democratas. Claro que, neste contexto, a trajetória da dívida pública norte-americana se tornará uma preocupação a mais, a o risco de lockout presente a cada final de ano fiscal.

Retornando ao Brasil, a agenda econômica, de reformas estruturais, nos parece o maior desafio para este ano. Sim, porque continuamos ladeira abaixo nos indicadores Doing Business no Banco Mundial. Nosso ambiente de negócios é altmente tóxico e a desindustrilização segue como mantra. Por isso, a urgência desta agenda de reformas. 

A começar pela reforma da Previdência, muito mais ambiciosa quando formulada pela equipe econômica, com regime de capitalização, dando a cada um a responsabilidade pela sua poupança acumulada, passando por "ajustes pesados" nos servidores públicos e nos militares, estes sempre poupados pelos diligentes lobbies, fechando em reformas pesadas nos estados e municípios, focos centrais dos desequilíbrios estruturais hoje existentes no setor público. Ou seja, a reforma do regime de Previdência do Paulo Guedes não acabou. Foi deixada pelo caminho, era aquilo nas condições políticas dadas, e me parece óbvio o pouco empenho do presidente Jair Bolsonaro. 

A reforma Tributária, outro arremedo, com a unificação de uns poucos e uma tímida rearrumação da carga fiscal sobre o sistema econômico. Acabar com o ICMS, "promotor" de tantas "guerras fiscais" no passado? Criar um imposto único, o IVA? Debater, de fato, a adoção de um "pacto federativo"? Não. Claro que o desgaste político em torno das reformas é inevitável, e o presidente não parece muito disposto a passar por isso. 

Por fim, a reforma do Estado, uma reforma essencial e urgente quando se observa que boa parte das despesas obrigatórias, que só crescem e comprometem o orçamento e a gestão do governo, estão "escondidas" na rubrica Pessoal e Encargos, incluindo aqui inativos que recebem salário integral. Então vamos combinar o seguinte. Ou cortamos este benefício e limitamos a 5,4 mil reais o salário dos aposentados, como todos que recebem INSS, ou nos locupletamos todos e acabamos com o regime previdenciário. Não dá para sustentar esta "fábrica de privilégios" (segundo Paulo Guedes). 

Não dá é para um cidadão ser privilegiado, por ter um sindicato específico de servidores públicos, sempre fazendo lobby no Congresso, contra a situação "pulverizada" de milhares de brasileiros, sem esta representatividade aguerrida e focalizada. 

Isso não me parece razoável! 

E eu me estendo a algumas áreas das empresas públicas, verdadeiros "cabides de empregos" e de privilégios, desde a Petrobras, passando pelo Banco do Brasil, Caixa Econômica e BNDES. Este último, aliás, vive do repasse do FAT e "turbina" seus lucros em operações de mercado. Assim se torna fácil ser uma empresa lucrativa. Funcionários do BNDES, acumulando vários penduricalhos, se aposentando com mais de 40 mil reais, acima do teto, se refletindo na inviabilidade do fundo de pensão Fapes. É mole?? 

Quando citadas as empresas, me esqueci de comentar outro desafio do ministro Guedes, o pacote das privatizações. Por onde andam? Por que não avançam? Correios, Eletrobras, parte do BB, subsidiárias da Petrobras, estradas diversas, aeroportos, tudo já deveria ter ido para fora. 

Será que este governo, será que o Bolsonaro teria coragem para tanto? Será que ele dará o necessário apoio ao ministro da Economia, Paulo Guedes, para tocar esta agenda em 2022? 

Eu não acredito...

Vamos conversando...

 

sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

UM PUXADINHO

O Brasil precisa sim ser revirado de trás para frente, de cabeça para baixo, ao avesso. Uma revolução nos costumes, na forma de pensar, na seriedade no trato dos diversos temas, na gestão, nos modelos de gerenciamento, precisam sim passar pela mente dos brasileiros. 

Uma pessoa lúcida, equilibrada, que busque o entendimento, mas assertiva e determinada, agindo de forma corajosa, realmente, para enfrentar os interesses, precisa surgir para as eleições de 2022. Uma pessoa com a razão ao seu lado, sabedora do que deve ser feito, com bom senso e uma disposição para enfrentar abusos e interesses escusos. 

No setor público não dá para manter uma "casta de servidores privilegiados", mobilizados por sindicatos aguerridos, mas de costas para a sociedade e a verdadeira dimensão da "coisa pública". Não faz sentido a maior aspiração de um jovem ser fazer concurso e ir para as mamatas e estabilidades do serviço púiblico. Este deve ser vocação, sacrifício, não um "nicho de privilegiados".  

Não podemos fortalecer o setor público, às custas do definhar do setor privado, até porque este mesmo setor público precisa de arrecadação federal, obtida pelo sistema econômico, pelas empresas, pelas famílias, para assim manter seus fluxos de despesa. 

Daí a indagação: mais de privilégios e sinecura e do aumento de arrecadação, da carga de impostos sobre a iniciativa privada? 

Há um cansaço perceptível. 

A mídia se aproveita e o "presidente" atual vive a gerar tensões, bate bocas, que não levam a nada. 

A última foi a sua surpreendete grita sobre as decisões do presidente do Banco do Brasil, André Beltrão, de saneá-lo, defendendo seis mil bancários no PDV e a redução do número de agências bancárias. Em resposta, Bolsonaro, disse que iria demitir o prisidente e que o momento era inadequado. Se Jair acha q o setor bancário não precisa passar por um "enxugamento pesado", pensar o quê? 

Isso é, aliás, um fenômeno global. Os grandes bancos, no Brasil e no mundo, vão passando por transformações, dada a emergência da internet, das operações virtuais. O pobre presidente do Banco do Brasil fez o certo. É preciso passar sim por um "profundo saneamento do banco". A verdade é que o BB, como tantos "elefantes brancos", é pesado, ineficiente e vem perdendo share de mercado para a concorrência. 

Aí chega o presidente e diz que não vai fazer nada disso e que o pobre presidente do BB está demitido. 

Como fica o PAULO GUEDES numa hora destas? Sim, porque a agenda liberal do ministro, o programa de privatização e de liberalização da economia vem sendo ignorado! Desde sempre. 

Se eu fosse o Guedes, pegava o boné e um abraço, ia embora. Mas não. 

Ele se cala, engole em seco e entuba mais esta loucura do "capitão". Na nossa opinião, mais um enigma a ser decifrado neste comportamento do "chicagoboy". Um doutor por Chicago se sujeitando a humilhação por um cidadão sentado na cadeira, mas sem a mínima qualificação!!!  

Guedes entubou uma reforma da Previdência, totalmente descaracterizada, não consegue avançar na sua agenda de reforma, a Administrativa e a Tributária se resumem a poucas medidas! Isso torna sua gestão na Economia, na Fazenda, um "arremedo", um puxadinho. 

Faz o possível diante das circunstâncias políticas? Sim, mas quem gerou estas circunstâncias altamente tóxicas para o avanço da gestão econômica? 

Vamos conversando. 


quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

Papo de Economista: 2022 É LOGO ALI

Papo de Economista: 2022 É LOGO ALI: Muito se comenta que a eleição de 2022 acabou, precipitadamente, antecipada. Isso é o que acha, por exemplo, o vice-presidente general Hamil...

terça-feira, 15 de dezembro de 2020

2022 É LOGO ALI

Muito se comenta que a eleição de 2022 está sendo, precipitadamente, antecipada. Isso é o que acha, por exemplo, o vice-presidente general Hamilton Mourão. Uma voz lúcida, porém dissidente neste governo. Acha ele que não seria o momento para já começarem as disputas e ataques visando 2022. 

Claro que não dá para esperar nada diferente de Jair Bolsonaro e João Dória, protagonistas desta "contenta". E logo na proximidade do calendário de vacinação, ou com a tal da "vacina chinesa" Coronavac na berlinda, além de várias outras, como a russa, a americana, a inglesa... 

Achamos ser, absolutamente, injustificada a postura de ambos os atores da cena, Bolsonaro, ideologizando tudo, se sentind perseguido, e contrário à vacina chinesa, e João Dória, querendo aprová-la à "toque de caixa", mesmo sem a "terceira etapa de testagem". Achamos que tanto o capitão, como Dória, estão tendo uma conduta temerária neste episódio. Algo totalmente arriscado. 

Há inclusive o debate dos que acham que antecipar campanha é se queimar na largada e chegar ao fim muito mais desgastado.  

Na verdade, se analisarmos as eleições de 2022,- embora estes eventos sejam iguais a nuvens, a cada momento de um jeito - chegamos a conclusão de que esta tem que passar pela alterntativa de uma "terceira via", um candidato de centro ou de consenso, mais equilibrado. A dúvida é saber se este conseguirá "capitalizar" e mobilizar a sociedade como um todo, ainda muito polarizada. 

Uma única certeza que se tem neste momento é que uma solução alternativa deve ganhar espaço diante do fracasso de 20 anos de populismo no Brasil. Com certeza, que o possível candidato de centro precisa de alguns predicados. 

  • Tem que ser um líder de verdade, um presidente que mobilize a opinião pública, pelos seus predicados e não defeitos. Por exemplo, tem que "demonstrar a dor do povo" com esta pandemia, sendo solidário, condoído até. Não dá para se comportar de forma irresponsável, relativizando as 180 mil mortes. Ou então proferir frases lapidares como "todos vamos morrer um dia", "é uma gripezinha", "lamento pelas mortes". 
  • O verdadeiro líder de uma nação deve trazer conforto aos cidadãos que perderam seus entes queridos. É intolerável o comportamento do presidente Bolsonaro, por exemplo, e estes atos deveriam sim, ensejar "crime de responsabilidade".
  • Um presidente, um verdadeiro estadista, deve ser o "farol da nação". Seus exemplos devem ser seguidos, suas atitudes, suas decisões, respeitadas!! Isso! Ele tem que ser respeitado e as pessoas atraídas pela sua simpatia e presença de espírito. Podem até discordar, mas a manter a educação e a elegância no trato interpessoal. 
  • Cito como exemplo o presidente de Portugal, Marcelo Rebelo, um professor aposentado, que se mostra ser uma pessoa afável, compreensiva, presente nos momentos mais importantes. E é candidato à releição agora em janeiro de 2021, contra a candidata do PS, Ana Gomes. Deve se reeleger. 


Vamos conversando. 




ANÁLISE: Venezuela abre disputa entre Rubio e Vance pela sucessão de Trump

Humberto Saccomandi De Para o Valor, de São Paulo A intervenção americana em andamento na Venezuela tem um componente de política interna am...