sábado, 2 de maio de 2026

Elio Gaspari

MARAVILHA: ALGUMA COISA ACONTECE NO MEU CORAÇAO...


Elio Gaspari

Imitar Times Square é inútil para revitalizar Centro de São Paulo

Revitalização é uma coisa, macaquice é outra

29/04/2026 00h05  


De uma hora para outra, São Paulo foi levada a crer que a esquina das avenidas Ipiranga e São João pode virar uma Times Square, aquele magnífico pedaço de Manhattan. Tomara, mas a iniciativa está com forte cheiro de macaquice, supondo que foram os luminosos que revitalizaram a região.


Até o fim do século passado, o entorno da esquina da Broadway com a Rua 42 passou por uma inédita decadência, tomado por cinemas pornô, drogas, prostituição e batedores de carteira. O cartão-postal da cidade parecia irremediavelmente perdido. Comparada à Times Square de então, a esquina de Ipiranga com São João era um brinco.


Então surgiu o prefeito Edward Koch. Vitriólico e incansável, ele criou um escritório para revitalizar a região. Pensou-se nos grandes letreiros, mas esse foi apenas um asterisco. O Estado de Nova York assumiu casas de espetáculos, a prefeitura deu incentivos e, acima de tudo, o coração do pedaço foi presenteado aos pedestres.


Pensou-se na população. Os letreiros luminosos continuaram a ser um detalhe tradicional. A revitalização da Times Square resistiu a duas recessões, e o triunfo de Ed Koch foi completo. Conhecido por ter ideias malucas, foi ele quem ensinou os donos de cachorros a recolher o cocô dos pets. Hoje, esse hábito está disseminado no mundo.


A ideia de que basta um luminoso LED para revitalizar uma região central é pobre. Precisa-se de muito mais, e a renovação do Centro de São Paulo está à espera de um Ed Koch. O governador Tarcísio de Freitas quer levar a administração do estado para o Centro. A ideia é boa, mas falta o sopro de arquitetos audaciosos, meio malucos, enfim.


Um dia, um governador ou prefeito de São Paulo transformará a Biblioteca Mário de Andrade num novo e arrojado prédio (como o francês François Mitterrand fez com a Biblioteca Nacional da França). Revitalizar o Centro ouvindo só empresários é tão arriscado quanto lançar projetos sem ouvi-los. A Times Square mudou de rosto graças à mão pesada da iniciativa privada.


Se luminosos bastassem, as cidades japonesas estariam entre as mais bonitas do mundo. São as mais iluminadas, pouco mais. (A prefeitura de Roma ilumina exageradamente o Coliseu, transformando-o num anúncio de sabonete.)


A única virtude de uma São João iluminada é que, em tese, ela nada custará à Viúva. A beleza de São Paulo deve alguma coisa à sua desordem.


Logo ali fica o Rio de Janeiro. Lá, continua-se a investir no crescimento da cidade na direção de São Cristóvão. Teimosa, ela cresce na direção oposta. (O primeiro projeto da Cidade Nova, unindo o Paço, atual Praça XV, à Quinta da Boa Vista é do tempo de Dom João VI.) O projeto do Porto Maravilha tornou-se um estudo de caso de fracasso. Quando o novo porto oferecer moradias baratas aos tradicionais moradores da região, ela virará uma maravilha.


Quando o Centro de São Paulo for revitalizado, com ou sem luminosos, ecoará o canto de Caetano Veloso: Alguma coisa acontece no meu coração/Que só quando cruza a Ipiranga e a Avenida São João.

Israel, histórico

 Israel em Dez Dimensões


Poucas nações são julgadas menos pelo que são do que pelo que outros projetam sobre elas. Israel costuma ser debatido por meio de slogans, ressentimentos ou abstrações desligadas da realidade. Uma avaliação séria exige primeiros princípios: fatos, história, filosofia moral, teoria política e os critérios pelos quais se mede o florescimento humano. Quando examinado por essas lentes, Israel surge não como uma anomalia, mas como uma das realizações mais notáveis do mundo moderno.


1. História: O Retorno de uma Nação Antiga


Israel não é uma invenção colonial do século XX. A ligação judaica com aquela terra antecede a maioria dos Estados existentes em milênios. Os reinos de Israel e Judá, Jerusalém como capital judaica, a língua hebraica, a lei judaica, os ritos religiosos e a presença contínua na região são fatos históricos sustentados por arqueologia e documentação textual.


O Estado moderno fundado em 1948 não criou um povo sem raízes; restaurou politicamente uma nação antiga após conquistas, exílio, perseguições e dispersão.


2. Fatos e Epistemologia: Realidade Acima da Narrativa


Um julgamento político adequado começa pela epistemologia: como sabemos o que é verdadeiro?


Não por gritos. Não por propaganda. Não por números isolados do contexto. A verdade exige evidência, explicação causal e identificação entre agressor e defensor.


Israel não inventou as guerras travadas contra si em 1948, 1967 e 1973, nem as ondas de terrorismo posteriores. Israel não criou a carta ideológica do Hamas, o modelo miliciano do Hezbollah ou o eliminacionismo explícito do Irã. Para compreender a região, é preciso rejeitar narrativas emocionais coletivistas e insistir nos fatos.


A realidade é primária. A narrativa é secundária.


3. Secularismo: Um Estado Onde a Religião Não Governa Tudo


Israel frequentemente é descrito apenas como “Estado judeu”, mas politicamente funciona como uma democracia moderna, com instituições seculares, eleições, imprensa livre, universidades, Judiciário independente e sociedade civil vibrante.


Ao contrário de regimes teocráticos da região, Israel abriga intenso pluralismo interno: judeus seculares, judeus religiosos, muçulmanos, cristãos, drusos, ateus, liberais, conservadores, socialistas, capitalistas, árabes no parlamento, mulheres em posições públicas e cidadãos LGBTQ com liberdades concretas.


É imperfeito — como toda sociedade livre. Mas não é regido por absolutismo clerical.


4. Ética: O Direito à Autodefesa


O primeiro princípio ético da vida política é que seres humanos inocentes têm direito de viver.


Disso decorre a legitimidade moral da autodefesa. Uma nação cujos civis são alvo de foguetes, sequestros, massacres ou túneis terroristas não tem dever de submissão. Tem dever de proteger seus cidadãos.


A inversão frequentemente imposta a Israel é esta: exigir que o atacado lute sob padrões impossíveis, enquanto quem glorifica assassinato recebe o rótulo de “resistência”.


Isso não é ética. É corrupção moral.


5. Individualismo: Cidadãos, Não Massas Tribais


Talvez a maior virtude moral de Israel seja tratar seres humanos fundamentalmente como indivíduos dentro de uma ordem baseada em direitos.


Sua sociedade é barulhenta, argumentativa, empreendedora, dissidente, autocrítica e descentralizada. Cidadãos processam o Estado, criticam líderes, criam empresas, formam partidos, protestam livremente, escrevem sem censura e desafiam autoridades.


É assim que se parece uma cultura individualista: não harmonia artificial, mas liberdade.


Sistemas coletivistas exigem obediência. Sistemas individualistas toleram conflito porque respeitam pessoas.


6. Política: Democracia Sob Cerco


Israel é uma das poucas democracias liberais duráveis de sua região. Governos mudam por eleições, líderes podem ser processados, partidos de oposição disputam poder e transições ocorrem sem golpes.


Isso importa. Instituições não são ornamentos. São a maquinaria que protege vida e liberdade.


Comparar Israel politicamente com ditaduras vizinhas, monarquias absolutas, Estados milicianos ou estruturas de partido único é comparar governo responsável com formas coercitivas de poder.


7. Capitalismo: Energia Humana Liberada


Israel transformou escassez em abundância. Com pouca água, poucos recursos naturais, vizinhos hostis e pesado custo de defesa, construiu uma economia inovadora admirada globalmente.


Agrotecnologia, cibersegurança, dispositivos médicos, software, dessalinização, irrigação, biotecnologia e ecossistemas de venture capital surgiram não do planejamento central, mas de direitos de propriedade, educação, comércio, iniciativa e liberdade para criar.


O capitalismo não garante utopia. Faz algo melhor: permite que inteligência e esforço se convertam em valor produtivo.


8. Sentido de Vida: Uma Cultura de Resiliência


Toda civilização irradia um sentido de vida — uma estimativa emocional profunda sobre a existência.


Algumas culturas ensinam fatalismo, martírio, ressentimento e culto tribal. Outras ensinam possibilidade, memória, alegria, reconstrução, continuidade familiar e realização.


O sentido de vida israelense é impressionante: após pogroms, expulsões e genocídio, construiu universidades, orquestras, fazendas, startups, hospitais, literatura e futuros para seus filhos.


Isso não é mera sobrevivência. É afirmação da vida.


9. Busca da Felicidade: A Vida como Fim em Si Mesma


O propósito moral da política não é o sacrifício. É assegurar as condições para que indivíduos busquem a felicidade.


Israelenses vivem aspirações humanas comuns: amar, trabalhar, criar filhos, estudar, abrir negócios, produzir arte, discutir política, aproveitar praias, celebrar feriados e planejar o amanhã.


Essa normalidade é profunda. É exatamente isso que o terrorismo busca destruir: a felicidade tranquila de pessoas livres.


10. O Conflito Mais Profundo: Civilização versus Niilismo


No fundo, o conflito não é apenas territorial. É filosófico.


Um lado, ainda que imperfeitamente, afirma lei, ciência, comércio, vida, memória, debate e futuro. O outro, em suas facções militantes dominantes, glorifica a morte, apaga fatos, instrumentaliza o vitimismo e subordina o indivíduo à tribo ou ao credo.


Quando observadores se recusam a nomear essa diferença, abandonam a própria razão.


Conclusão


Israel não deve ser julgado por padrões utópicos nem pelos preconceitos de seus inimigos. Deve ser julgado como qualquer nação deveria ser: por seu compromisso com vida, liberdade, verdade, produtividade, pluralismo e direitos individuais.


Por esses critérios, Israel não é apenas legítimo.


É admirável.

Alessandro Vieira

 Ontem, postei aqui a coluna do jornalista William Waack sobre a rejeição do nome de Jorge Messias para a cadeira de ministro do Supremo. Destaquei a parte em que Waack cita o aplauso que o senador Alessandro Vieira recebeu ao descrever as investidas da Corte à autonomia do Legislativo. Esta seria uma evidência, segundo o colunista, de que a gongada de Messias tinha a ver, também, com uma insatisfação profunda com a atuação do STF.


Surpreendentemente, vários leitores dessa página apontaram uma suposta contradição do senador Vieira, pois ele teria anunciado o voto favorável a Jorge Messias, o que seria contraditório com a defesa que ele faz do impeachment de ministros do Supremo. Essa observação não tem muito a ver com o objeto da coluna de Waack e com o post, dado que não se tratava de uma análise sobre o senador, mas sobre o Supremo. Mesmo assim, fui pesquisar a respeito.


Eu particularmente não sabia que o senador Alessandro Vieira havia aberto o seu voto, e muito menos que havia votado pela aprovação de Jorge Messias. Fui, como sempre, às fontes, para entender melhor essa aparente contradição. Há uma postagem do senador no Instagram (a última, no momento em que consultei) com o seu discurso anunciando o seu voto. Na verdade, trata-se de um trecho longo, em que o voto é anunciado apenas no final.


Discordo da posição do senador quando disse que Jorge Messias preenchia os requisitos para ocupar o posto de ministro do Supremo. Assim como discordo da aprovação de André Mendonça e de Cristiano Zanin, ministros que o senador também apoiou. Por outro lado, Vieira votou contra Kassio Marques e Flávio Dino. Só essa seleção de votos demonstra que o senador não pauta suas decisões por linhas ideológicas ou políticas, mas pelo que sua consciência indica. Posso não concordar, como efetivamente não concordo, mas não há como negar que Alessandro Vieira não tem medo de parecer impopular. Caso contrário, não abriria o seu voto.


Além disso, Vieira chama a atenção para um ponto importante: a votação contra Messias seria uma espécie de "impeachment possível". Essa expressão foi também usada pelo editorial do Estadão no dia seguinte à votação. Na incapacidade (Vieira chama de "falta de envergadura moral") do Senado de levar adiante o impeachment de ministros enrolados, estaria descontando a sua frustração "passando recado" para a Corte com a rejeição de Messias. Trata-se, na visão do senador, de uma forma pobre e covarde de fazer política. Tendo a concordar com ele.


Por fim, poder-se-ia dizer que o voto de Alessandro Vieira tivesse a ver com a postura de alguns ministros do Supremo, incluindo Alexandre de Moraes, que estariam trabalhando abertamente pela rejeição de Messias (ele fala, em seu discurso, de "cabala de votos" no Senado por parte de ministros do Supremo). Não sei se esse era o ânimo de Vieira, que fala apenas de "requisitos jurídicos" para a aprovação de Messias, mas a política nunca é preto no branco, um campo com trincheiras bem definidas. A derrota de Lula foi uma vitória do milionário ministro e, a essa altura do campeonato, não sei, sinceramente, o que é pior.


Não tenho procuração para defender o senador Alessandro Vieira, nem tampouco, como disse acima, concordo com seu voto. Mas não posso deixar de admirar sua coragem e determinação em defender aquilo que acha certo. E Vieira, hoje, luta praticamente sozinho contra o que considero o maior cancro das instituições brasileiras, um Supremo que se acha acima do bem e do mal. Só por isso, merece meu apoio e admiração. Se eu fosse sergipano, votaria pela sua recondução ao cargo.

quinta-feira, 30 de abril de 2026

Juliano Cazarré

 Quer dizer então que o feminismo -  até mesmo na versão mais biruta, a que projeta no homem todos os pecados do mundo - é transformado pela oratória woke em virtuoso?

E quanto ao orgulho das virtudes masculinas tradicionais? Ah, coitados...

O progressismo parece ter uma fórmula indiscutível: todo homem, mesmo calado, está errado.

Em alguns casos, se não abre a boca para não tornar as coisas piores para o lado dele, o marido é visto como tíbio, frágil, sem coragem. Um palerma. Um fracote. Um rato. Um verme.

Ah, o estrago que fazem as ideologias que defendem, a priori, as ditas minorias!


Entrevista com o candidato ao cancelamento das patrulhas esquerdistas Juliano Cazarré:


“Homem forte é o que chega do trabalho e ajuda a mulher”, diz ator atacado pela esquerda.


"Confesso que não tem como não ficar chateado. Essas pessoas que me atacam me conhecem. O meio me conhece. Eu estou nele há 20 anos e todos conhecem a minha conduta". Entrevista à reportagem da Gazeta do Povo:


Conhecido por atuações em novelas da Globo e filmes, Juliano Cazarré voltou aos holofotes recentemente não apenas por seus papéis na dramaturgia, mas pelas posições que tem assumido fora das telas. Em entrevista à Gazeta do Povo, o ator falou sobre o que considera ser um homem forte e comentou a reação — incluindo críticas da classe artística — ao lançar um evento voltado ao fortalecimento da masculinidade.


“Quero que os homens tenham acesso a conteúdos sobre ser família e ser presente. Falar sobre voltar para casa para ajudar a mulher a colocar as crianças na cama, ficar com a esposa e cuidar dela. Não é só pensar em dinheiro e pensar em trabalho”, afirma.


Intitulado “O Farol & a Forja”, o congresso traz como proposta fortalecer os homens e ajudá-los a encontrar verdadeiros propósitos. A iniciativa, no entanto, gerou confusão nas redes sociais ao ser associada a um movimento machista que difunde violência contra a mulher, chamado de movimento red pill. O termo, inspirado no filme Matrix, sugere “enxergar a realidade como ela é”.


Vídeos vinculados a perfis que aderiram a essa lógica viralizaram nas redes sociais. Em um deles, homens simulam agressões com facas e armas contra mulheres que recusam pedidos de namoro. Não é essa a masculinidade defendida por Cazarré.


Parte dos colegas, como a atriz Marjorie Estiano, afirmou que o "discurso" de Cazarré seria responsável por tirar a vida de mulheres. Cláudia Abreu, Guta Stresser, Julia Lemmertz e outros nomes também fizeram comentários na publicação do ator com críticas citando "feminicídio" e "usar o nome de Cristo".


“Existe uma distorção profunda do que é ser forte. Homem não é forte quando bate na mulher ou nos filhos. Não é ‘o cara’ quando grita”, diz. “Ser forte é manter uma decisão que a sua inteligência identificou como correta para o bem. Eu quero que os homens sejam fortes: fortes diante da bebida, da pornografia, da traição. Fortes diante de um prato de comida exagerado, com muito além do que precisam para serem pessoas saudáveis e funcionais”, explica.


“Não esperava uma reação tão virulenta”


Cazarré mal conseguiu apresentar em detalhes a proposta do evento antes que começassem os ataques, muitos deles feitos por integrantes da própria classe artística, nos comentários de seu perfil no Instagram.


“Dizem que eu sabia que isso [reação negativa] ia acontecer e que eu busquei isso de propósito. Não é verdade. Eu sabia que ia ter alguma reação contrária, mas não imaginava que seria tão virulenta”, afirma.


Ao mesmo tempo, ele se diz surpreso pelo volume de apoio recebido. “Eu também não imaginava que a quantidade de apoio ia ser tão grande”, completa. Nos últimos cinco dias, o ator ganhou cerca de 500 mil novos seguidores no Instagram e recebeu diversas manifestações públicas de solidariedade.


Parte desse apoio veio também de colegas de profissão, mas de forma discreta. “Muita gente, do meio também, me manda mensagem dizendo ‘fica firme, é isso aí’, mas no privado, no WhatsApp”, relata.


“Mas confesso que não tem como não ficar chateado. Essas pessoas que me atacam me conhecem. O meio me conhece. Eu estou nele há 20 anos e todos conhecem a minha conduta.”


“Sou um cara normal, que se diverte com todo mundo, que trata bem as pessoas. Procuro ser gentil e generoso em cena. Coisa que muita gente não é, sabe”, diz. “E ficam criando essa caricatura de que sou o cara que anda por aí falando grosso, um estereótipo de machão. Estou tentando promover iniciativas que acredito que serão boas para a sociedade. A sociedade precisa de homens mais fortes, com mais autocontrole e saudáveis mentalmente”.


“O contato de uma criança com o pai é insubstituível”


Na infância, Cazarré acompanhava a mãe, espírita kardecista, nas atividades religiosas e também teve sólida formação católica. Mais velho, se aproximou do Candomblé, da Umbanda e do Budismo Tibetano, mas não chegou a viver intensamente nenhuma das práticas. A conversão ao catolicismo, no entanto, aconteceu de forma mais profunda quando se preparava para fazer Jesus Cristo na Paixão. A leitura dos evangelhos o comoveu e transformou sua forma de enxergar a vida e as tarefas cotidianas.


Depois da conversão dele e da esposa, Letícia Cazarré, a família cresceu. O casal teve mais quatro filhos e ainda deseja ter outros. A paternidade, então, passou a ocupar um espaço central em sua vida, o que motivou o ator a usar sua visibilidade pública para defender a importância da presença paterna.


“É fundamental que as crianças tenham a figura do pai. Mesmo quando o casal se separa, é uma verdade autoevidente, pelos dados que temos, que o contato com o pai é insubstituível”, afirma.


Dados do Censo de 2022, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), indicam que há 7,8 milhões de mulheres que criam filhos sem a presença paterna no Brasil. São 2,6 milhões a mais do que em 2000. A ausência do pai está associada a maior risco de envolvimento com o crime na adolescência, segundo uma revisão de pesquisas publicada pela revista Psychology, Crime & Law em 2020.


“Pais que leem para os filhos na hora de dormir, por exemplo, dão a eles vantagens enormes ao longo da vida. Essas crianças aprendem a se comunicar melhor, a compreender melhor e, consequentemente, ficam mais inteligentes. Esse evento existe também para espalhar a mensagem de que é preciso cuidar dos filhos”, conclui.

Mais "Bessias"

 "O povo brasileiro venceu !!!

Obrigada a todos os que lutam por um Brasil verdadeiro !

Obrigada Bolsonaro por ter mostrado que é possível !!!🇧🇷🇧🇷


BRASIL 🇧🇷|  O choro de Jorge Messias à saída do Congresso é a moldura perfeita para o fim de uma era onde se acreditava que o orçamento tudo podia. Não foi apenas o colapso de uma candidatura ao STF; foi o naufrágio de uma tese política. Nem mesmo a liberação recorde de R$ 12 bilhões em emendas, uma cifra que deveria comprar fidelidades indestrutíveis,  foi capaz de estancar a hemorragia de prestígio do Governo.


As lágrimas de Messias, capturadas no banco de trás de um carro oficial, simbolizam o choque de realidade de quem descobriu que, na política moderna, o “PIX” estatal já não garante o “amém” do Legislativo. Pela primeira vez em mais de um século, o sistema de freios e contrapesos não apenas funcionou, como rugiu.

O Senado não rejeitou apenas um nome; rejeitou a ideia de que as instituições são extensões do Executivo. Messias chorou o luto de uma articulação que subestimou o brio de um Congresso que, agora, sabe que pode dizer “não” mesmo diante de montanhas de dinheiro.

O Brasil assistiu a uma cena rara: o poder encontrando o seu limite no exato momento em que achava que tinha o controle total. Menos do que uma derrota pessoal, o choro foi o reconhecimento de que, às vezes, o silêncio das urnas e a pressão das ruas pesam mais do que qualquer emenda bilionária."

Fabio Graner

 🇧🇷 *Fabio Graner: Derrota de Messias é desastre para governo, mas também é recado ao STF- Globo*


A rejeição do nome de Jorge Messias pelo Senado extrapola o significado de uma derrota política pesada para o governo e é interpretada, nos bastidores, também como um recado direto do Congresso ao Supremo Tribunal Federal (STF). A leitura é compartilhada por interlocutores tanto da base governista quanto da oposição.


Em um ambiente de crescente acirramento político e com a aproximação do calendário eleitoral, o placar — 42 votos contrários e 34 favoráveis — expôs a disposição do Senado de afirmar sua força institucional e dar um sinal à Corte de que seria preciso conter sua "hipertrofia". Vale dizer que, de certa forma, isso foi dito pelo próprio Messias na sabatina na CCJ do Senado antes da votação em que foi derrotado.


Com o movimento, a oposição reforça a estratégia de polarização com a Corte máxima, muito alinhada com a tônica do governo Jair Bolsonaro e que tem encontrado eco em boa parte da população, como mostram pesquisas. Pré-candidato a presidente, o senador Flavio Bolsonaro falou em "reação aos excessos do Supremo". A atuação oposicionista também visa reforçar a onda pela aprovação da anistia contra a condenação por tentativa de golpe, pendente de exame pelo Congresso. A sentença que levou Bolsonaro à prisão é tratada pela extrema direita como um episódio de atuação política da Corte.


A tensão entre os Poderes vinha se intensificando nas últimas semanas. Declarações de ministros do STF, como Gilmar Mendes, ampliaram o desconforto entre congressistas. Nos corredores do Senado, ganhou corpo a percepção de que o Judiciário tem ampliado excessivamente seu espaço de atuação e restringido liberdades. Correta ou não, a visão de parte dos parlamentares é que é preciso um freio de arrumação institucional.


A decisão de barrar o nome indicado pelo governo também produz efeitos práticos: o STF seguirá operando com uma cadeira vaga por mais tempo, aumentando a carga de trabalho dos ministros e impondo pressão adicional sobre o funcionamento da Corte.


No Palácio do Planalto, o discurso oficial é de aceitar o resultado. Nos bastidores, porém, o clima é de perplexidade e desolação. A avaliação interna é que será necessário um freio de arrumação na articulação política, sobretudo no Congresso, onde a base tem mostrado fragilidade.


A derrota também expõe, de forma mais nítida, as dificuldades da articulação política liderada pelo ministro José Guimarães, recém-empossado na função.


O episódio reforça as dúvidas sobre a capacidade de coordenação da base aliada em votações sensíveis e sobre a efetividade da interlocução com o Legislativo.


Esse cenário amplia a incerteza em relação à tramitação de pautas prioritárias do Executivo. Entre elas, o projeto de lei complementar que trata da desoneração de combustíveis, visto como uma das apostas do governo para aliviar pressões sobre preços. Apesar de haver, em tese, um ambiente favorável à proposta, parlamentares já sinalizam que o avanço do texto dependerá de um custo político mais elevado.


A tendência é crescer a cobrança por uma liberação mais robusta de emendas parlamentares, o que tende a elevar a fatura imposta ao governo para garantir apoio no Congresso. A combinação entre base fragmentada, demandas crescentes por recursos e um ambiente político mais tenso indica que a aprovação de medidas econômicas pode exigir negociações mais complexas nas próximas semanas.


A partir de agora, auxiliares e analistas avaliam que o governo terá de decidir entre adotar uma postura mais combativa na relação com o Legislativo — especialmente diante da oposição — ou investir na recomposição de pontes para evitar novas derrotas em um momento sensível, marcado pela disputa eleitoral e pelos desafios na condução da agenda econômica.


Para além de todas essas ponderações, uma grande incógnita é entender as razões para a atuação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, contra o nome de Messias. Dada a dimensão política do episódio, algo que não acontecia há mais de um século, as explicações até agora parecem insuficientes.


https://oglobo.globo.com/economia/fabio-graner/post/2026/04/derrota-de-messias-e-desastre-para-governo-mas-tambem-e-recado-ao-stf.ghtml

"Bessias", crônica de uma derrota

 *Apelos, traições e clima de fim de governo: bastidores da derrota histórica de Lula no Senado*

Governo culpa Alcolumbre por rejeição de Messias, mas ainda não decidiu se vai retaliar


Na véspera da sabatina de Jorge Messias, o governista Weverton Rocha abordou colegas com um apelo emocional. Disse que o Senado não podia destruir a carreira de um jovem advogado para impor uma derrota a Lula.


Relator da indicação, Weverton sabia que o governo correria riscos na votação secreta. A súplica não surtiu efeito: Messias teve apenas 34 votos favoráveis, sete a menos que o necessário para virar ministro do Supremo Tribunal Federal.


O responsável pela derrota histórica do Planalto tem nome e sobrenome: Davi Alcolumbre. O presidente do Senado tentou emplacar o aliado Rodrigo Pacheco na vaga do ministro Luís Roberto Barroso. Contrariado com a escolha de Messias, resolveu humilhar Lula e deixar o governo de joelhos.


Alcolumbre submeteu o advogado-geral da União a uma frigideira de cinco meses. Só aceitou recebê-lo na semana passada, às escondidas. No encontro, não quis se comprometer com a aprovação. Faltou dizer que se empenharia pessoalmente para rejeitá-lo.


O governo acreditou no otimismo que vendia em declarações públicas. A Secretaria de Relações Institucionais chegou a descartar uma sugestão de adiar a sabatina, em manobra para ganhar tempo e tentar conquistar votos.


A ficha só começou a cair ontem à tarde, quando Messias respondia às últimas perguntas dos senadores. Ao constatar que a derrota era iminente, um articulador do Planalto abandonou o almoço às pressas, na tentativa de demover Alcolumbre. Ouviu que o jogo já estava jogado.


No terceiro mandato, Lula sofre uma derrota inédita nos últimos 132 anos. Desde 1894, na turbulenta gestão de Floriano Peixoto, o Senado não rejeitava um indicado ao Supremo. O resultado expõe um governo desarticulado e alheio ao que se negocia nos corredores do Congresso.


Uma das planilhas que circulavam entre os lulistas contabilizava votos inexistentes a favor de Messias. Um deles viria do senador Alessandro Vieira, defensor histórico da Lava-Jato e crítico contumaz do Supremo.


Embora a votação tenha sido secreta, não é difícil traçar um mapa de traições em partidos aliados, como PSD e MDB. Algumas defecções eram visíveis a olho nu. Preterido por Lula, Pacheco foi o primeiro senador a deixar o plenário, assim que o painel foi aberto.


Outros aliados preferiram nem aparecer. Insatisfeito por ter perdido a vaga de titular na Comissão de Constituição e Justiça, o senador Cid Gomes viajou para não votar.


A oposição comemorou o resultado com euforia. Senadores bolsonaristas ensaiaram um coro de “Fora, Lula” no plenário. Hoje o clima de fim de governo tende a se agravar. O Congresso deve derrubar o veto ao chamado PL da Dosimetria, que reduz as penas dos condenados por tentativa de golpe.


Na ressaca da derrota, o Planalto será pressionado a romper o imobilismo e tomar decisões sobre o futuro da relação com o Legislativo.


Parte dos aliados defende que Lula demita todos os indicados de Alcolumbre na Esplanada. O risco é contratar novos problemas, já que o presidente do Senado mostrou ter completo domínio da Casa.


Outra questão em aberto é o que fazer com a vaga no Supremo. A hipótese de indicar Pacheco soaria como sujeição à chantagem de Alcolumbre. A opção de ceder ao lobby por Bruno Dantas também enfrenta resistências: o ministro do Tribunal de Contas da União é próximo a senadores do MDB.


A oposição prefere que Lula deixe a indicação para o próximo governo. O que também seria interpretado como uma capitulação, já que o presidente é candidato ao quarto mandato.


https://oglobo.globo.com/blogs/bernardo-mello-franco/coluna/2026/04/apelos-traicoes-e-clima-de-fim-de-governo-bastidores-da-derrota-historica-de-lula-no-senado.ghtml?utm_source=aplicativoGloboMais&utm_medium=aplicativo&utm_campaign=compartilhar

BDM Matinal Riscala

 NY sobe no feriado, mas ADR indica cautela ​ Na agenda forte da semana, são destaques a ata do Copom e o payroll nos Estados Unidos, em um ...