quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

O caos das universidades públicas brasileiras

 


O artigo parte de Theodor Adorno (Estudos sobre a Personalidade Autoritária, 1950) para sustentar um ponto central: autoritarismo não é “doença” de um indivíduo isolado, mas uma estrutura sociopsicológica aprendida no cotidiano. Destaques: intolerância ao dissenso, pensamento dicotômico (“bons vs. maus”), apego a normas absolutas e a tendência de transformar conflitos políticos em batalhas morais contra um “inimigo”.


Na sequência, o texto lembra que o próprio Adorno, em cartas com Herbert Marcuse (1969), identificou no movimento estudantil alemão traços de autoritarismo “na forma”, mesmo quando a causa se declarava emancipatória. Daí vem a tese: essas predisposições podem ser mobilizadas por qualquer campo político. No Brasil, a crença confortável de que autoritarismo seria exclusividade da extrema direita viraria um ponto cego — e a tradição frankfurtiana serviria para desmontar essa simplificação.

Abertura 2901

*Abertura: Copom abre porta para Selic menor em março e exterior ecoa balanços e Fed*


Por Silvana Rocha e Luciana Xavier*

OVERVIEW. Nesta quinta-feira, os ativos locais reagem ao teor do comunicado do Copom, ao passo que, no exterior, ainda  ecoam a sinalização do Federal Reserve, depois de manterem os juros inalterados como o mercado previa.  Entre os indicadores, destaque para a geração de emprego formal e o resultado primário do Governo Central no Brasil, além de uma série de dados dos EUA e balanços trimestrais, como o da Apple. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, concede entrevista ao Programa Acorda, Metrópoles.

NO EXTERIOR. Balanços de bancos, como Lloyds e ING, sustentam a maioria das bolsas europeias, enquanto os resultados de Meta, Microsoft, Tesla e IBM movimentam Wall Street, com destaque para o Nasdaq futuro. Investidores também monitoram os próximos passos da política monetária e a indicação do novo presidente do Federal Reserve, prevista para breve. O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) manteve os juros entre 3,50% e 3,75%, avaliou crescimento econômico “sólido”, desemprego estável e inflação ainda elevada, sem sinalizar cortes. Analistas veem viés de afrouxamento à frente, refletido nos votos dissidentes de Stephen Miran e Christopher Waller, que defenderam corte de 25 pontos-base. Com isso, cresceram apostas em Waller para presidir o BC americano. O presidente do Fed, Jerome Powell, evitou comentar o rumo dos juros, destacou o caso da diretora Lisa Cook - que tende a ser mantida no cargo pela Suprema Corte - e recomendou distância da política. Os Treasuries sobem, o ouro se mantém acima de US$ 5.500 por onça-troy, nível ultrapassado na véspera, e o cobre dispara mais de 6% com o dólar fraco, enquanto o petróleo avança com tensões entre EUA e Irã.

POR AQUI. O mercado repercute a sinalização de redução da Selic em março pelo Copom, após a manutenção do juro básico em 15% ao ano, pela 5ª vez seguida. O comunicado da reunião trouxe outras mudanças relevantes no tom e no conteúdo (leia mais abaixo em O Que Sabemos). A expectativa é de queda para os juros curto e intermediário, pois foi retirada a incerteza quanto ao início do ciclo de cortes, abrindo o debate sobre o ritmo da flexibilização. O dólar e ações na B3 podem ainda se beneficiar do fluxo estrangeiro, diante do apetite por ativos de risco em NY, alta de petróleo, minério de ferro e do forte apelo do diferencial de juro real brasileiro em operações de carry trade. Os dados fiscais e do mercado de trabalho também ficam no radar. O mercado projeta superávit primário de R$ 16,85 bilhões para o Governo Central em dezembro, após déficit de R$ 20,172 bilhões em novembro, e para 2025, um déficit primário de R$ 66,9 bilhões. Para o Caged, o mercado estima fechamento líquido de 481,3 mil vagas formais em dezembro, após criação de 85.864 postos em novembro, por conta de demissões sazonais de temporários. Em 2025, a projeção mediana é de abertura líquida de 1,4 milhão de vagas, nível mais baixo desde 2020.

NA POLÍTICA. O líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ), apresentou requerimentos para convocar dois irmãos e um primo do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli na CPI do Crime Organizado. A CPMI do INSS convocou os banqueiros Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e Luis Félix Cardamone Neto, ex-presidente do Banco BMG, para prestar depoimento à comissão na próxima quinta-feira, 5 de fevereiro. A filiação do governador de Goiás ao PSD, Ronaldo Caiado, fortalece a estratégia do presidente da sigla, Gilberto Kassab, de posicionar o partido como força de centro-direita e contraponto ao bolsonarismo. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que comunicou ao ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César, que pautará a votação da PEC da Segurança após o carnaval.


AGENDA.


CAGED E PRIMÁRIO DO GOVERNO CENTRAL NO FOCO LOCAL - As atenções locais ficam no IGP-M de janeiro sai às 8h; a nota de crédito do BC às 8h30; o resultado primário do Governo Central de dezembro e 2025 às 9h30; e a geração de emprego formal no Caged, às 14h30. O Tesouro faz leilão de NTN-F e de LTN às 11h. O ministro Haddad (Fazenda), concede entrevista ao Metrópoles a partir das 9h. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, deve visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, na Papudinha, às 11h.


DADOS DOS EUA NO RADAR - No exterior, estão programados dados americanos da balança comercial, pedidos semanais de auxílio-desemprego e custo unitário de mão de obra, todos às 10h30; além das encomendas à industria e estoques no atacado em novembro, às 12h.  A Apple, após o fechamento, e as empresas americanas de cartão de crédito Mastercard e Visa estão entre as companhias abertas que divulgam balanços.


O QUE SABEMOS.


CORTE DA SELIC - O Copom afirmou que antevê iniciar a flexibilização da política monetária na próxima reunião, em março, se confirmado o cenário esperado, mas enfatizou que manterá “a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”. Emendou que o compromisso com a meta de inflação impõe serenidade quanto ao ritmo e à magnitude dos cortes. A evolução das reduções dependerá “de fatores que permitam maior confiança no atingimento da meta para a inflação no horizonte relevante para a condução da política monetária”, segundo o colegiado.


EM TESE: Os membros do comitê sinalizaram de forma "mais clara possível", que a Selic deve começar a cair em março, diz o Banco Bmg. Apesar do sinal de redução, a Mirae Asset ressalta que os juros devem permanecer acima do nível neutro por um "tempo relevante". Segundo o BTG Pactual, o Copom iniciou uma "transição para um novo estágio" nos juros. O Bradesco nota que a estratégia visa calibrar os juros, sem comprometer o ritmo de flexibilização. A WHG avalia que o Copom está confiante, mas cauteloso. A Oryx Capital prevê um corte inicial de 0,75 p.p., com Selic a 12% em 2026. A Capital Economics espera redução de 0,25 p.p., fechando 2026 em 11,75%. Ariane Benedito, do PicPay, projeta começo do ciclo com corte de 0,50 p.p., misturando tom dovish com "âncora de prudência". A ARX criticou mudanças excessivas na comunicação do Copom. A Arton Advisors afirma que o BC vê desaceleração econômica e inflação arrefecendo, mas está preocupado com desancoragem das expectativas e inflação de serviços persistente.


PICPAY - A fintech PicPay, controlada pela J&F Participações dos irmãos Joesley e Wesley Batista, realizou um IPO na Nasdaq, captando US$ 435 milhões com o lote base, e potencialmente US$ 500 milhões incluindo o lote extra. As ações saíram a US$ 19,00, o topo da faixa indicativa, diante de uma demanda 12 vezes maior que a oferta, atraindo mais de 200 grandes investidores institucionais, muitos focados em fintechs e mercados emergentes. Lançada em meio a um aumento na procura por ativos de mercados emergentes, a operação ocorreu após o PicPay adiar uma tentativa em 2021 devido a condições de mercado desfavoráveis. Com o IPO, a PicPay é avaliada em US$ 2,6 bilhões, e a J&F mantém o controle com 21% das ações vendidas. A operação foi coordenada pelo Citibank, Bank of America e RBS, enquanto Marcelo Claure, da Shein, adquiriu US$ 75 milhões em ações.


EM TESE: O IPO da PicPay sinaliza reabertura relevante da janela para empresas brasileiras em Nova York e reforça a leitura de maior apetite por risco em mercados emergentes. Após anos de escassez, a retomada de IPOs de empresas brasileiras em Nova York ocorre em meio a um momento promissor do mercado de capitais americano. Além da PicPay, o gaúcho Agibank também se prepara para listar suas ações em Wall Street. Para o Brasil, a operação ajuda a reancorar a percepção sobre fintechs locais e pode destravar novos processos represados, ao mesmo tempo em que testa a capacidade do mercado de absorver ofertas sem deteriorar preços no secundário. O interesse dos investidores pelo papel do PicPay veio em um momento de procura maior por ativos de mercados emergentes, observa uma fonte. O maior apetite de investidores estrangeiros tem beneficiado outros ativos brasileiro. O Nubank bateu recorde histórico de preço no fechamento de anteontem.


OVERNIGHT.


PETROBRAS - A estatal informou que suas estimativas de reservas provadas de óleo, condensado e gás natural, segundo critérios da SEC, resultaram em 12,1 bilhões de barris de óleo equivalente (boe), em 31 de dezembro de 2025. Deste total, 84% são de óleo e condensado e 16% de gás natural. Em 2024, o montante foi de 11,4 bilhões de boe. A estatal também submeteu à certificação mais de 90% dessas reservas.


ROLAGEM DA DÍVIDA - A necessidade de financiamento projetada pelo Tesouro Nacional no Plano Anual de Financiamento (PAF) de 2026, de R$ 1,678 trilhão, exige uma emissão média semanal de R$ 33 bilhões para garantir a rolagem total dos vencimentos da dívida, calcula Ítalo Franca, head de política fiscal do Santander Brasil. Segundo Franca, a composição da dívida estimada pelo órgão não trouxe grandes surpresas: a participação dos títulos atrelados à inflação, as NTN-Bs, deve diminuir, refletindo um volume maior de títulos que vencem em 2026, enquanto a participação dos títulos prefixados deve aumentar.


EMENDAS PIX - O Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou ontem um plano especial de auditoria para fiscalizar a aplicação das emendas parlamentares conhecidas como "emendas Pix", executadas entre 2020 e 2024. A iniciativa atende a determinação do Supremo Tribunal Federal (STF). Criadas em 2020, as emendas Pix permitem a transferência direta de recursos federais para Estados e municípios, sem a vinculação prévia a um objeto específico no momento da indicação parlamentar.


CASO MASTER - Influenciadores especializados em finanças com centenas de milhares de seguidores relataram terem sido abordados, em nome do BRB, para defender nas redes sociais a versão da instituição financeira estatal sobre a sua participação no caso do banco Master, liquidado em 18 de novembro. O BRB enfrenta um desgaste após comprar R$ 12,2 bilhões em ativos considerados “podres” do Banco Master e ter feito uma oferta para adquirir uma fatia do Master, barrada pelo Banco Central.


TÚNEL SANTOS-GUARUJÁ - O governador do Estado de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o grupo português Mota-Engil assinaram, nesta quarta-feira, 28, o contrato da Parceria Público-Privada (PPP) do Túnel Santos-Guarujá. Com previsão de quase R$ 7 bilhões em investimentos, o projeto centenário foi leiloado em setembro de 2025. O cronograma prevê a conclusão das obras e o início da operação do primeiro túnel submerso do País em 2031.


KLABIN - A Moody's reafirmou o rating Ba1 da Klabin e manteve a perspectiva estável para a nota. "A nota da Klabin reflete sua posição como uma das mais integradas produtoras da América Latina de celulose, papel-cartão e embalagens", escreveu a classificadora.


SABESP E AXIA - A Sabesp informou a conclusão da operação envolvendo aquisição de 14.856.900 ações preferenciais, nominativas, escriturais, e sem valor nominal de emissão da Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae), representativas de 40,21% do capital social total e de 66,80% das ações preferenciais.


IBM - A IBM teve lucro líquido total de US$ 5,6 bilhões no trimestre encerrado em dezembro de 2025, aumento de 91% em relação ao ano anterior, e lucro ajustado por ação de US$ 4,52, segundo balanço divulgado hoje. Entre os analistas da FactSet, a expectativa era de lucro ajustado por ação de US$ 4,31.


RAÍZEN - A Raízen divulgou sua prévia operacional referente ao terceiro trimestre do ano-safra 2025/26, marcado por uma diminuição na moagem de cana-de-açúcar e menor produtividade agrícola. A companhia processou 10,6 milhões de toneladas no período, ante 13,8 milhões no mesmo intervalo da safra anterior, queda de 23,1%.


LLOYDS - O Lloyds, maior banco de varejo do Reino Unido, teve lucro líquido de 4,74 bilhões de libras no quarto trimestre de 2025, 2% acima do resultado em igual período do ano passado. O ganho por ação da instituição foi de 2,2 pences, acima do resultado de 1 pence em igual período de 2024 e expectativas de analistas consultados pela FactSet de £ 0,02.


DEUTSCHE BANK - O banco alemão Deutsche Bank informou que obteve lucro de 1,6 bilhão de euros no quarto trimestre de 2025, um aumento em relação aos € 337 milhões do quarto trimestre de 2024. Analistas estimavam um resultado de 1,35 bilhão de euros


ING - O banco holandês ING obteve lucro pré-imposto de 2,1 bilhões de euros no quatro trimestre de 2025, o que correspondeu a um crescimento de 18% no comparativo anual, segundo balanço divulgado nesta quinta-feira. O lucro líquido aumentou 22%, para 1,41 bilhão de euros, superando a estimativa de 1,34 bilhão de euros com base em consenso compilado pela empresa.


WHIRPOOL - A Whirlpool teve lucro líquido de US$ 108 milhões no quarto trimestre de 2025, uma queda de 0,9% em relação ao mesmo período em 2024. Já o lucro ajustado por ação foi de US$ 1,91, aquém do esperado pelos especialistas da FactSet (US$ 1,52).


TESLA - A empresa afirmou que entrou em um acordo em 16 de janeiro para investir na rodada de financiamento Série E da xAI. Anteriormente, os acionistas da Tesla haviam rejeitado uma proposta que pedia ao conselho que investisse na startup, com mais votos "não" e abstenções do que votos "sim". A SpaceX também investiu $2 bilhões na xAI, uma concorrente da OpenAI.


COMANDO DO FED - O diretor do Fed Christopher Waller teve suas chances elevadas no mercado de apostas para presidir o BC americano, após divergir da decisão do Comitê Federal do Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) de manter as taxas de juros inalterados. Waller votou por um corte de 25 pontos-base. Na Polymarket, o favorita para a vaga, Rick Rieder, perdeu vantagem e, por volta as 19h40 (de Brasília), tinha 36% de chance de assumir o posto. O ex-diretor do Fed Kevin Warsh se mantinha estável, em 29%, e Waller cresceu para 16%.


E NOS MERCADOS.


FUTUROS DE NY - Os índices futuros Nasdaq e S&P 500 sobem com moderação, após o Federal Reserve manter a taxa de juros estável pela primeira vez desde julho do ano passado e evitar sinalizar quando voltará a flexibilizá-la. Ações da Microsoft recuam no pré-mercado após frustrações com resultados da área de nuvem, limitando os ganhos do Dow. Em contrapartida, a IBM dispara após balanço trimestral, enquanto Meta e Tesla também repercutem resultados divulgados na véspera. Às 7h11, no mercado futuro, o Dow Jones subia 0,11%, o S&P 500 avançava 0,19% e o Nasdaq ganhava 0,24%.


BOLSAS EUROPEIAS - As bolsas europeias abrem sem direção única, em mercado que assimila a postura cautelosa do Federal Reserve em relação à retomada da flexibilização monetária nos Estados Unidos e acompanha balanços de grandes bancos, como Lloyds, Deutsche Bank e ING. Às 7h00, a Bolsa de Londres subia 0,42%, a de Frankfurt caía 1,08% e a de Paris avançava 0,41%.


TREASURIES - Os juros dos Treasuries sobem, enquanto os mais curtos estão perto da estabilidade, após o Fed manter a taxa básica e evitar indicar o próximo passo da política monetária, enquanto investidores aguardam a definição do sucessor de Jerome Powell no comando do banco central americano. Powell adotou tom otimista sobre a economia e o mercado de trabalho. Às 7h12, o juro da T-note de 2 anos caía a 3,571% (de 3,578% ontem), o rendimento da T-note de 10 anos avançava a 4,251% (de 4,246%) e o do T-bond de 30 anos subia a 4,875% (de 4,856%).


MOEDAS - O dólar ronda a estabilidade ante principais rivais, sem encontrar suporte na mensagem cautelosa do Fed, enquanto investidores acompanham tensões geopolíticas e aguardam a escolha do sucessor de Jerome Powell pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. “A valorização do euro em relação ao dólar é consequência inevitável dos fluxos de capital para ações europeias”, afirmou Gerry Fowler, do UBS. Às 7h13, o dólar cedia a 153,32 ienes (de 153,36 ienes ontem), o euro estava em US$ 1,1950 (de US$ 1,1949) e a libra marcava a US$ 1,3800 (de US$ 1,3801). O índice DXY recuava 0,27%, a 96,188 pontos.


PETRÓLEO - O petróleo sobe, prolongando o movimento da véspera, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevar o tom contra o Irã ao afirmar que uma “grande armada” naval estaria se deslocando em direção ao país. Às 7h14, na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para março subia 2,10%, a US$ 64,54 o barril. Já o Brent para abril, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE), avançava 1,97%, a US$ 69,75 o barril.


BOLSAS DA ÁSIA - As bolsas da Ásia fecharam sem direção única após o Federal Reserve indicar na véspera que segue cauteloso e confirmar as expectativas com manutenção da taxa de juros nos EUA. Tensões geopolíticas e debate por diversificação mantiveram o ouro acima de US$ 5.500 a onça-troy. Em Tóquio, o índice japonês Nikkei fechou estável. Em Hong Kong, o índice Hang Seng subiu 0,5%. Em Seul, o Kospi fechou em alta de 1%. O índice chinês Xangai Composto fechou com leve alta de 0,2%, e o menos abrangente Shenzhen Composto caiu 0,5%. O Taiex, de Taiwan, caiu 0,8%. Os investidores acompanharam atentamente os desdobramentos na Indonésia após o índice de referência Jacarta Composto despencar, na sequência do comunicado da provedora de índices MSCI alertando para um possível rebaixamento do país para o status de mercado de fronteira. Os negócios na bolsa chegaram a ser interrompidos. No final do pregão, o índice Jacarta Composto terminou com recuo de 1,1%. Na Oceania, a bolsa australiana caiu e o índice S&P/ASX perdeu 0,07%.

Malu Gaspar

 


Bankinter Portugal Matinal

 Análise Bankinter Portugal 


NY 0% US tech +0,3% US semis +2,3% UEM -1% España -1,1% VIX 16,4% Bund 2,86% T-Note 4,26% Spread 2A-10A USA=+68pb B10A: ESP 3,22% PT 3,21% FRA 3,43% ITA 3,46% Euribor 12m 2,246% (fut.2,380%) USD 1,1995 JPY 183,5 Ouro 5.573$ Brent 69,4$ WTI 64,2$ Bitcoin -1,1% (88.245$) Ether -1,9% (2.955$).


SESSÃO: A mistura de referência de hoje aparenta um saldo um pouco positivo numa semana que evolui razoavelmente bem até agora, embora Wall St. melhor do que Europa (Nova Iorque +0,9%; semis +4,4% e +17,3% em 2026; Europa -0,3%; Espanha +0,4%). A próxima referência potente é Apple, que publicará hoje no fecho de Nova Iorque… o que significa que irá influenciar já sobre sexta-feira, mas pode ser que isso signifique que hoje Wall St. tenderá a enfraquecer à medida que a sessão avance precisamente pela incerteza a respeito… Tenhamos em conta que nas últimas horas, as empresas de primeira linha ofereceram contrastes, embora o saldo líquido (resultados e guias) final tenha sido bastante bom e, por isso, o tom de hoje vem ainda um pouco em alta (+0,2%?): Microsoft mal, mas Meta bem (ou muito bem); SAP mal, mas IBM bem; Lam Research bem e Tesla menos mau do que o esperado…


Ontem à noite, a Fed repetiu em 3,50/3,75%, como esperado e Powell não insinuou nada sobre nenhum dos 2 aspetos que interessam ao mercado; se irá baixar ou não na reunião de 28 de março e se continuará ou não como conselheiro quando o seu mandato terminar, em maio. Portanto, neutral para o mercado.


Trump sobre o Irão: “…Time is running out…” para alcançar um acordo que evite uma intervenção militar americana. “A massive armada is heading to Iran”. Parece que foi Sócrates que disse “um é dono dos seus silêncios e escravo das suas palavras”.  O assunto do Irão não está terminado e será reativado a qualquer momento, mas esta é uma variável imponderável e não há razões para acreditar que será reativada nas próximas horas. 


Numa frente mais convencional, Bessent (Tesouro EUA) afirmou que o governo defende uma “política de USD forte”… o que foi totalmente ignorado pelo mercado, porque está praticamente em 1,20/€.


Alemanha: governo revê em baixa o PIB’26/27 desde +1,3%/+1,4% até +1,0%/+1,3%. Estes novos números continuam a ser otimistas. Na nossa opinião, é improvável que o seu PIB se aproxime a +1% nesses anos. E Berlim/Alemanha não sabe o que fazer com a fábrica de refinação de petróleo russa (Rosneft) que está a 100 km de Berlim, submetida a sanções contra Rússia e que, por isso, deverá ser encerrada, mas da qual depende 90% da gasolina para automação, o eroseno para o aeroporto e gasóleo para aquecimento que Berlim consome. Se for nacionalizada, será uma perda para a Rússia e poderá ser interpretado como ato de guerra. Não se fala muito disto, mas na Alemanha é bastante preocupante. Curiosamente, o DAX está há 2 dias em queda. 


EMPRESAS. Fluxo intenso hoje, de boa conclusão, embora não muito. Lam Research bate em resultados e guidance (+5% em aftermarket). Meta bate e parece que monetiza já os seus investimentos em IA (+7% em aftermarket). Microsoft mal, porque bate em resultados, mas não dá guidance, as suas receitas por cloud só cumprem e os investimentos superam as expetativas (-6% em aftermarket). SAP com resultados mistos, mas limita-se a cumprir as guias e, por isso, -4% em pré-abertura europeia. IBM com bons resultados e guias (+8% em aftermarket). Tesla mal, mas menos mal do que o esperado (+2,4% em aftermarket).


A curiosidade vem de Musk ao dizer que fará coincidir a OPV de SpaceX com o seu aniversario (28/6) e com um alinhamento/aproximação entre Júpiter e Vénus, que ocorre a cada 3 anos. Insiste numa avaliação de 1,5 Bn$, colocando 50.000 M$ vs. 29.000 M$ Aramco em 2019, a maior OPV da história até hoje.


CONCLUSÃO: Provável subida suave (+0,2%/+0,4%?), com tendência a ganhar timidez na sessão americana, mas não no início (a influência de Meta é muito potente), mais para o fecho, após o qual a Apple irá publicar, e essa incerteza irá favorecer a cautela no final de uma semana que está a ser boa. O risco de um novo encerramento parcial do governo americano reduziu-se significativamente porque a parte orçamental para o ICE (Imigração) será votada em separado e isso neutraliza um risco que começava a ser real, porque neste sábado (31) expira a extensão orçamental em vigor. Como a intervenção no Irão é apenas uma hipótese provável, mas sem timing estimado, é melhor atual como se nada fosse acontecer por agora. Os inputs corporativos das últimas horas impulsionarão um pouco mais as bolsas, embora evoluam de mais a menos, provavelmente. 


FIM

O que é Israel

 *Estamos em um lugar verdadeiramente notável*


Em meio a toda a conversa sobre o preço do queijo cottage e da habitação, os israelenses não compreendem plenamente o quão rico e de rápido crescimento Israel realmente é. Quem se beneficia de um milagre muitas vezes falha em reconhecê-lo — mas os números falam por si mesmos.

   •   O Estado de Israel ocupa a 98ª posição no mundo em tamanho populacional.

   •   No entanto, ocupa a 27ª posição no mundo em PIB.


Isso significa que ultrapassamos 60 países ao longo do caminho, incluindo:

   •   A pastoral Áustria

   •   A rica em petróleo Noruega

   •   A escandinava Dinamarca

   •   O próspero Hong Kong

   •   Os Emirados Árabes Unidos com o Burj Dubai


Mais do que isso — dado o crescimento de Israel, não seria surpreendente se nos aproximássemos da 20ª posição nos próximos anos. Lembra-se de Cingapura? Pois já a ultrapassamos em PIB total, e não estamos muito atrás dela em PIB per capita. Esses números são quase inconcebíveis.


Além disso, deve-se notar que — com exceção da Irlanda e da Suíça — não há país cujo PIB seja maior que o nosso com uma população menor que a nossa, e esses exemplos são enganosos. A Irlanda funciona como um paraíso fiscal para corporações gigantes, e a Suíça é um país com séculos de tradição em bancos globais.



*Temos problemas?*


Israel tem problemas econômicos e encargos que vão até os portões do inferno. Mas nada disso deve nos cegar para a bênção extraordinária na qual estamos imersos aqui — nem nos impedir de dizer obrigado àquele que nos dá o poder de gerar riqueza. Além disso, devemos garantir que essa tendência continue nos próximos anos e que usemos essa bênção para propósitos dignos.


(_Eliyahu Ben Asher)_



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Enquanto isso no Irã

 *A armadilha de Trump para Khamenei*


De acordo com relatos da imprensa estrangeira, o presidente americano está oferecendo ao Irã um acordo que inclui três componentes principais:

1. O abandono do programa nuclear militar, incluindo a renúncia total ao enriquecimento de urânio e a entrega do material já enriquecido existente.

2. Uma redução drástica das capacidades de produção de mísseis balísticos e, segundo alguns relatos, incluindo a limitação de seu alcance a um nível que não chegue a Israel.

3. A cessação completa do financiamento ao terrorismo e do apoio a grupos aliados (Hezbollah, Hamas, Houthis, as milícias no Iraque, entre outros).


Este é um acordo que Khamenei não pode aceitar e, se aceitasse, significaria abrir mão de um dos dois objetivos supremos do regime: a exportação da Revolução Islâmica. Na prática, trata-se de uma mudança de regime no que diz respeito à política externa, sem substituir as pessoas que a comandam.


Trump pode acreditar que Khamenei concordaria com isso para preservar o segundo objetivo supremo — a sobrevivência do regime dentro do Irã; porém, é mais provável que se trate de uma armadilha destinada a provocar uma recusa e, assim, desencadear uma ação militar.


_Tamir Morag Canal 14_



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quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Eurasia

 🇧🇷 *AE News-Eurasia: Brasil tem ativos cada vez mais valiosos em mundo de conflito entre potências*


Por Gustavo Nicoletta


Broadcast: Os conflitos geopolíticos entre as grandes potências militares estão colocando um "prêmio" sobre cadeias de fornecimento resilientes, segurança energética e alimentar, minerais críticos e energia limpa para abastecer centros de dados - todos elementos que o Brasil oferece, segundo a consultoria Eurasia.


Em relatório, a Eurasia diz que o Brasil é uma potência agrícola com mais terras aráveis disponíveis para cultivo sem desmatamento do que qualquer outro país. "A China tem sido um destino principal para a soja, mas o Brasil está bem posicionado para expandir as exportações por toda a Ásia e África à medida que as populações crescem", afirma.


Além disso, quase 90% da energia do Brasil vem de fontes limpas e o país tem abundantes recursos hídricos, o que atrai centros de dados e indústrias que buscam pegadas de carbono mais baixas. A produção de petróleo também vem crescendo e atingirá um pico no início da década de 2030.


Em terceiro lugar, o Brasil possui uma das maiores reservas conhecidas de terras raras, e junto com a Austrália é um dos países com potencial para desenvolver a exploração destes produtos após a China restringir as exportações de minerais críticos.


Junto a isso, dois acontecimentos recentes mostram como as forças do Brasil se traduzem em resultados em um mundo de conflito entre grandes potências. O primeiro deles é o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia (UE).


"Dois eventos geopolíticos ajudaram a impulsioná-lo: a invasão da Ucrânia pela Rússia aumentou a urgência de Bruxelas em energia e segurança; e tensões transatlânticas após o retorno de Trump ao cargo em 2025 impulsionaram o acordo no início de 2026. A UE, como outros, busca cada vez mais diversificar seus laços comerciais à medida que os EUA se tornam um aliado menos confiável", diz a Eurásia.


O segundo acontecimento é a reviravolta em relação às tarifas de importação aplicadas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. "Trump inicialmente impôs tarifas de 40% ao Brasil e sancionou o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, alegando violações de liberdade de expressão e excesso judicial no julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro. Após as sanções não aliviarem os problemas legais de Bolsonaro e os custos atingirem os consumidores dos EUA, empresas americanas com interesses no Brasil pressionaram a Casa Branca, e a administração recuou", acrescenta a consultoria.


De acordo com a Eurasia, a mina Serra Verde recebeu cerca de US$ 465 milhões em financiamento dos EUA para expandir a produção, e a Casa Branca reconheceu que aprofundar os laços com o Brasil é melhor que deixar o país se aproximar da China. "A mudança dos EUA está mais ligada aos ativos do Brasil do que às habilidades do Presidente Lula, mesmo que a diplomacia e os esforços corporativos do Brasil mereçam crédito. O Brasil não é excessivamente dependente do mercado dos EUA, tem laços profundos com a China e possui ativos valiosos que os EUA desejam cultivar", avalia.

Paulo Baia

 Encontrei, no fim da tarde, em Copacabana, um velho conhecido. Um homem de cerca de cinquenta anos, advogado, professor universitário, inte...