terça-feira, 25 de março de 2025

BDM Matinal Riscala 2503

 *Rosa Riscala: Ata deve vir hawk ou causará ruídos*


… O índice de confiança do consumidor do Conference Board, a fala de mais um Fed boy e o vaivém de Trump com as tarifas compõem a agenda dos negócios hoje em NY, enquanto os indicadores mais relevantes, como o PCE, ficam para o final da semana. No Brasil, o dia começa cedo, com a ata do Copom (8h), a primeira sob a liderança de Galípolo, e que tem o desafio de confirmar a mensagem mais hawk do comunicado. Ou o bicho pode pegar. O BC poderia ter vindo mais dovish, por exemplo, deixando de contratar um novo aumento da Selic em maio ou mencionando a evolução favorável do câmbio e colocando a desaceleração “incipiente” da atividade como fator baixista no balanço de riscos. Mas, apesar de ter sinalizado o fim próximo do ciclo de altas do juro, manteve os alertas e o tom duro.


… O ajuste do pós-Copom foi forte, corrigindo posições mais otimistas precificadas na curva de juros futuros, seguido de elogios ao placar unânime e à atuação técnica dos diretores nomeados pelo presidente Lula, que evitou qualquer crítica ou comentário.


… O BC até pode indicar que a Selic já subiu demais e que é importante considerar a defasagem da política monetária, mas sem esquecer que assumiu uma postura data dependent e o firme compromisso de levar a inflação à meta.


… Em paralelo, não pode passar batido pela piora da percepção fiscal, acentuada nos últimos dias.


… Em meio à série de iniciativas do governo para recuperar a popularidade, o mercado resgatou os riscos para as contas públicas e tudo o que precisa é ter o BC fazendo sua parte. Assim, a ata tem que vir coerente com o comunicado, ou causará ruídos e volatilidade.


… No Broadcast, o economista Daniel Miraglia (Integral Group) defendeu que a ata do Copom venha mais hawkish de modo a evitar que o receio com o quadro fiscal resulte em mais aumento do prêmio de risco na curva de juros.


… “Temos o Copom tentando entregar um bom trabalho e o lado político fazendo o contrário. Se ficar no mais ou menos, o mercado vai ter que precificar esse fiscal e podemos ter deterioração relativamente rápida do juro e do câmbio.”


… O principal risco apontado pelo mercado é a possibilidade de passar só a isenção do IR para a faixa até R$ 5 mil, sem a compensação.


… O Estadão apurou que Estados e municípios passaram a pressionar parlamentares para evitar que a isenção do IR resulte em uma perda de arrecadação. O principal receio é o impacto que a medida pode gerar na arrecadação do IR pago por funcionários públicos.


… O economista Silvio Campos Neto (Tendências Consultoria) também espera que o BC mantenha a cautela que mostrou na ata, mas quer ver como serão tratados os aspectos mais positivos, como o dólar que cedeu e não foi mencionado.


… “O BC deve seguir cauteloso para abordar esses sinais, para não transmitir a mensagem de que pretende reverter a alta em breve.”


… O analista Drausio Giacomelli (Deutsche Bank) defende que a ata esclareça como as defasagens da política monetária se manifestaram.


… “Qual é o canal de transmissão dessa elevada incerteza? Impacto sobre crescimento, expectativa [de inflação], crescimento? Acho que precisam colocar pingos nos is, falar mais precisamente sobre o que quer dizer com efeito da incerteza.”


… Já a economista-chefe da Mirae Asset, Marianna Costa, considera que o comunicado foi “mais subjetivo, não tão claro” sobre o motivo que levou o Copom a sinalizar um ritmo de ajuste menor, visto que o texto continuou enfatizando o balanço de riscos altista.


… Nesta 2ªF, as taxas de juros e o dólar subiram pelo terceiro pregão seguido, impulsionados pelos receios com o cenário fiscal, que estão de volta à medida que as ações do governo se apoiam em mais gastos ou têm potencial para aumentar a inflação (abaixo).


A PRESSÃO DOS ESTADOS – Representantes dos governos estaduais se reunirão hoje com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para discutir o projeto que amplia a isenção do Imposto de Renda para R$ 5 mil, que beneficiará também os funcionários públicos.


… O objetivo é entender como funcionará a compensação para garantir que não haverá impacto nos cofres dos entes federados.


… Desde que o governo apresentou a proposta há uma movimentação dos Estados e municípios, que pressionam os parlamentares para evitar uma eventual perda de arrecadação com o IR pago pelos servidores estaduais e municipais.


… O problema maior é com os municípios, que deixariam de arrecadar cerca de 12% do total da folha, ou R$ 4,8 bilhões, com a ampliação da isenção. Já os Estados, onde a média salarial é mais alta, perderia cerca de 6%, mas também próximo de R$ 4,8 bilhões.


RUÍDOS – Prova de que Haddad está perdendo pontos com o mercado, desde que se aproximou mais da agenda do presidente Lula, foi a reação a uma fala do ministro em evento do Valor, na manhã desta 2ªF, quando o dólar bateu a máxima de R$ 5,77.


… Referindo-se ao arcabouço, Haddad comentou que não que seria “vergonha nenhuma mudar um parâmetro ou outro do arcabouço”, e, embora tenha afirmado que “não mudaria”, porque “está convencido de que o sistema funciona”, gerou especulações.


… Foi a senha para interpretações de que o governo poderia alterar as metas fiscais.


… O ministro reagiu de imediato e, em post na rede social X, disse que distorceram suas palavras, que está confortável com a estrutura e os parâmetros atuais do arcabouço e que pretende reforçá-los, como fez com as medidas do ano passado.


… “Estão tentando distorcer o que falei agora em um evento do Valor. Eu disse que gosto da arquitetura do arcabouço fiscal, que eu estou confortável com os seus atuais parâmetros. E que defendo reforçá-los com medidas como as do ano passado.”


… “Houve apenas uma menção à possibilidade de mudança dos parâmetros no futuro, se as circunstâncias mudarem”, concluiu.


… Em mensagem a clientes, o Itaú chamou o ocorrido de “interpretações dúbias” da fala do ministro, enquanto o Morgan Stanley explicou que a fala foi colocada “fora de contexto”, que o governo pode ajustar o arcabouço para torná-lo mais robusto, e não o contrário.


PAUSA NAS TARIFAS – Trump confirmou os bastidores do fim de semana e afirmou, nesta 2ªF, que poderá conceder “várias pausas em tarifas para diversos países”. Mas ainda prometeu anunciar sobretaxas adicionais “nos próximos dias”.


… As novas tarifas devem atingir automóveis, madeira e chips, além de aço, alumínio e fármaco, e penalizar países que tiverem negócios com a Venezuela. Qualquer país que importe petróleo venezuelano será taxado em 25% pelos EUA, a partir de 2 de abril.


… Uma ordem executiva foi emitida pela Casa Branca, ontem à noite. Antes, Trump havia dito que “nem todas as tarifas começarão em 2 de abril”. Mas continuou chamando a data de Dia das Tarifas Recíprocas, quando “o mundo vai tratar os EUA de maneira mais justa”.


… O presidente do Conselho de Consultores Econômicos da Casa Branca, Stephen Miran, disse à Bloomberg que Trump ainda não tomou uma decisão final sobre o que será aplicado em 2 de abril, afirmando que “as tarifas são muito mal compreendidas”.


… A sinalização de alguma flexibilidade nas tarifas causou alívio nos mercados em NY (abaixo) e levou o premier do Canadá, Mark Carney, a declarar que está “disponível” para conversar com o presidente Donald Trump, por telefone.


MAIS AGENDA – Duas prévias de inflação, IPC-Fipe (5h) e IPC-S das capitais (8h), saem hoje, referentes à 3ª quadrissemana de março.


… O ministro Fernando Haddad participa do evento “Reforma Tributária e Agora?”, organizado pela Fiesp (8h30).


… Às 11h, o Tesouro faz leilão de NTN-B para 15/8/2030, 15/5/2035 e 15/8/2060 e de LFT para 1º/3/2028 e 1º/3/2031.


… Lá fora, a Alemanha divulga o índice Ifo de sentimento das empresas em março (6h) e nos EUA há dois indicadores agendados para 11h: vendas de moradias novas (fevereiro) e a confiança do consumidor do Conference Board, que deve recuar a 96 em março (de 98,3).


… Nesta 2ªF, o PMI composto da S&P Global dos EUA registrou uma alta inesperada dos serviços (de 51 em fevereiro para 54,3 em março), subindo a 53,5 (previsão de 50,1). Mas o PMI industrial recuou de 52,7 para 49,8 (previsão de 52,2), menor nível em três meses.


… Dois dirigentes do Fed têm falas públicas hoje: a diretora Adriana Kluger (9h40) e John Williams (10h05), do Fed/NY.


BALANÇOS – JBS, Bradespar e Boa Safra Sementes divulgam resultados do 4Tri hoje, após o fechamento do mercado.


HYUNDAI – Ação abriu o pregão da Coreia do Sul em forte alta, após confirmar um plano de investimento de US$ 21 bilhões nos EUA.


À FLOR DA PELE – Com o mercado sensível a qualquer notícia sobre a política fiscal, a fala de Haddad sobre o arcabouço se juntou às preocupações com o aumento de gastos do governo, estressando os juros (o curto voltou a 15%) e o dólar, que tocou R$ 5,77.


… De um lado, há temor de a isenção do IR até R$ 5 mil mensais passar sem a compensação. De outro, Estados e municípios começam a pressionar o Congresso para impedir que o benefício implique perda de arrecadação.


… Depois da postagem de Haddad no X explicando o que queria dizer com “arquitetura” e parâmetros do arcabouço, os ativos saíram dos piores níveis, mas ainda assim terminaram o dia estressados.


… Também pesou a cautela pré-Copom, com investidores querendo ver se de fato a postura hawkish do colegiado no comunicado pós-decisão será mantida. O dólar à vista fechou em alta de 0,61%, a R$ 5,7524.


… Nos DIs, o Jan/26 terminou em 15,03% (de 14,93% no fechamento anterior); o Jan/27 foi a 14,92% (de 14,78%); o Jan/29, a 14,72% (de 14,535%); o Jan/31, a 14,84% (de 14,64%) e o Jan/33, a 14,85% (de 14,63%).


… Lá fora, o DXY avançou 0,17%, para 104,262 pontos com a boa surpresa do PMI Composto dos EUA em março, contra um resultado ruim do dado na zona do euro. O vaivém tarifário permaneceu como pano de fundo que incentivou a compra de dólar.


… O euro caiu 0,18%, a US$ 1,0802. A libra ficou estável em US$ 1,2922 e o iene cedeu 0,91%, a 150,680/US$.


… Na preliminar medida pela S&P Global, o PMI americano subiu de 51,6 para 53,5, com avanço inesperado em serviços. Foi mais um sinal de resiliência na economia, que reforçou a expectativas de que a desaceleração econômica possa ser gradual.


… A possibilidade de um Trump mais light nas tarifas beneficiou ativos de risco, com investidores deixando de lado os Treasuries, que viram os rendimentos subirem. Na note de 2 anos, o retorno voltou a ficar acima de 4% (4,037%), enquanto o note de 10 anos subiu a 4,336%.


… Também pesou sobre os títulos a declaração de Raphael Bostic, do Fed/Atlanta, de que só espera inflação na meta de 2% em meados de 2027 e que vê apenas um corte de juro em 2025, e não mais dois cortes.


… A aplicação pouco previsível das tarifas tem deixado os investidores de cabelo em pé, mas pelo menos ontem eles viram oportunidade para comprar techs bem descontadas como a Tesla (+11,9%), que ainda tem queda de 44% neste ano, Nvidia (+3,15%) e AMD (+6,9%).


… Com isso, o Nasdaq puxou os ganhos do dia, com alta de 2,27% a 18.188,59 pontos. O S&P 500 avançou 1,76% (5.767,5) e o Dow Jones subiu 1,42% (42.582,58).


… Citando métricas de sentimento e posicionamento do investidor, estrategistas do JPMorgan, Morgan Stanley e Evercore ISI acreditam que o pior da recente crise provavelmente já passou.


… “Do ponto de vista do risco, a escalada tarifária sempre preocupa, mas se os EUA apresentarem uma estratégia mais direcionada e tática nas tarifas, os riscos de uma guerra comercial serão reduzidos”, disse Charlie Ripley (Allianz Investment), à Reuters.


… Por aqui, o otimismo sobre tarifas mais diluídas sob Trump não colou, com investidores focados no fiscal. Na mínima, o Ibovespa chegou a bater em 130,9 mil. Fechou com queda de 0,77%, aos 131.321,44 pontos e volume financeiro fraco, de R$ 18,3 bilhões.


… Com o preço-alvo cortado pelo UBS BB, de R$ 51 para R$ 49, para os papéis de Petrobras cederam na contramão do petróleo. A ação ON caiu 0,25% (R$ 40,24) e a PN cedeu 0,14% (R$ 36,75).


… O banco também reduziu o preço-alvo dos ADRs da companhia, de US$ 18,1 para US$ 16,3, mas manteve a recomendação de compra.


… Na ICE, o Brent para junho, subiu 1,06%, a US$ 72,37 o barril com a ameaça dos EUA de tarifar países que negociarem com a Venezuela.


… Vale caiu 0,52% (R$ 57,15), a despeito da forte alta (+2,43%) do minério em Dalian. Bancos fecharam mistos. Santander baixou 0,52% (R$ 26,73) e BB ficou estável (-0,04%), a R$ 28,36. Bradesco ON (+1,23%; R$ 11,50), PN (+1,04%; R$ 12,65) e Itaú (+0,09%; R$ 32,18) subiram.


… Entre as poucas altas do pregão, Brava Energia avançou 10,19%, a R$ 21,30, com o aumento na produção dos campos de Atlanta e Papa Terra. CVC ganhou 7,07% (R$ 2,12), e a perspectiva otimista para o balanço da empresa, que será divulgado amanhã.


… As maiores perdas foram de Embraer (-4,70%; R$ 71,25), Hapvida (-4,15%; R$ 2,08) e Rumo (-3,94%; R$ 17,08).


EM TEMPO… Funcionários da PETROBRAS aprovaram em assembleia greve de advertência de 24 horas na 4ªF (26), em defesa do home office e de outras reivindicações trabalhistas, segundo comunicado da FUP…


… Companhia identificou presença de hidrocarbonetos no pré-sal da Bacia de Campos; consórcio seguirá operando para caracterizar condições de fluidos encontrados; dados permitirão avaliar potencial e direcionar as próximas explorações na área.


VALE. A subsidiária Vale Overseas Ltd adquiriu US$ 323,965 milhões do valor principal agregado dos bonds com vencimentos em 2034, 2036 e 2039. O oferta foi anunciada em 24 de fevereiro e tinha valor de até US$ 450 milhões. 


PRIO. Goldman Sachs atingiu participação de 4,94% do total das ações da companhia, passando a deter posição de derivativos com liquidação equivalente a 44.283.141 de papéis ON…


… Conforme dados do formulário de referência da empresa de 21/3, banco não detinha participação relevante na companhia.


AZZAS. BlackRock atingiu participação de 5,013% do total de ações ON da companhia, passando a deter 10.351.151 de papéis; conforme dados recentes do formulário de referência da empresa, gestora não detinha participação relevante na varejista.


LOJAS RENNER. Schroder Brasil atingiu participação de 5,016% do total de ações ON, passando a deter 53.156.044 de papéis do tipo.


ENERGISA. Consumo de energia subiu para 3.515 GWh em fevereiro, aumento de 2,9% ante o mesmo mês de 2024.


CEMIG. Justiça de Minas Gerais proferiu nova sentença no âmbito da ação popular movida contra o edital para o leilão público de venda de pequenas centrais hidrelétricas e centrais geradoras hidrelétricas realizado pela Cemig em agosto de 2023…


… Em janeiro desse ano, a Justiça havia considerado ser procedente a ação popular que, na prática, anulava o leilão realizado; no entanto, a nova decisão declara a sentença anterior nula…


… Em comunicado, a Cemig declarou que continuará atuando no processo e que conduzirá a nova sentença para apreciação do mérito.


ONCOCLÍNICAS. Goldman Sachs deve deixar de aparecer no quadro societário do grupo, com a conclusão de uma série de transferências de ações que detém na companhia e envolveu quatro fundos (Broadcast) …


… Todos os fundos carregam o pré-nome de Josephina e tinham posições na Oncoclínicas.


COPASA registrou lucro de R$ 271,9 milhões no 4TRI, queda de23,5% na comparação anual; Ebitda somou R$ 640,5 milhões, recuo de 5,8% em relação ao mesmo período de 2023.

Bankinter Portugal Matinal 2503

 Análise Bankinter Portugal


SESSÃO: Wall St. subiu ONTEM ao interpretar como indício de flexibilização que os impostos alfandegários aos automóveis, desde 2 de abril, são seletivos conforme os países (Trump disse “a lot of countries” breaks on tariffs), embora a novidade seja que, também os países que comprarem petróleo à Venezuela sofrerão de 25% de imposto alfandegário. A sua estratégia alfandegária continua a ser obsessiva-compulsiva. A nomenclatura da moda nesta Administração americana é “TBD” (To Be Determined) em que se refere a quais e quanto serão os impostos alfandegários sobre automóveis, farmacêuticas, semis, alumínio, madeira (ou roupa interior para animais ou qualquer outra ocorrência do momento) a partir de 2 de abril. 


Como o mercado interpretou ontem que os impostos alfandegários serão menos extensos e/ou mais levianos do que o anunciado, então Wall St. subiu com alguma energia. O seu assessor económico, Kevin Hasset, criou o termo “Dirty 15”, referindo-se a uma suposta lista de 15 países que mantêm elevados superavits comerciais com os EUA. Quando vemos os dados, encontramos 4 países que concentram 70% do Défice Comercial americano: China 27%, México 18%, UE 14% e Vietname 11%. Mas México e Vietname são como o seu “salão traseiro” em termos de produção, porque trata-se maioritariamente de centros de produção intermédios das próprias empresas americanas, portanto aplicar-lhe impostos alfandegários seria como disparar um tiro no pé. Enfim… Trump tem a mesma mentalidade sobre o comércio mundial que se tinha, erradamente, após a Primeira Guerra Mundial: que é uma soma zero e que o que um perde, o outro ganha. Mas é um grande erro: numa guerra alfandegária, todas as partes perdem porque reduz-se o comércio e, por acréscimo, a atividade económica enquanto se gera inflação, porque a história económica demonstra que entre 30% e 50% dos impostos alfandegários repercutem em preços finais.


Em termos de descidas de taxas de juros, Bostic (Fed Atlanta, mas sem voto este ano) estima agora apenas uma descida em 2025 vs. 2 antes, portanto a nossa defesa de bancos centrais cada vez mais frios em relação a descidas de taxas de juros vai sendo apoiada pela evolução dos acontecimentos.


HOJE saem: (i) 9 h, IFO Clima Empresarial na Alemanha, provavelmente a melhorar até 86,7 desde 85,2, e principalmente pela sua importância; (ii) 14 h, Confiança do Consumidor dos EUA, a piorar até 94,0 ou inferior desde 98,3. Este dado é realmente importante, porque é um indicador adiantado muito fiável e já de março, que é quando começaram a notar-se as mudanças para pior devido aos impostos alfandegários e ao restante. Esta é a chave. 


Já está disponível a nossa Estratégia de Investimento 2T 2025: “Ninguém sabe quase nada. Ciclo expansivo questionado. Reajuste. Recessão improvável. Posicionamento um pouco menos agressivo.” (em espanhol; versão portuguesa brevemente).

 

CONCLUSÃO TELEGRÁFICA: Os futuros retrocedem inercialmente (ca.-0,2%) após as fortes subidas de ontem, que foram mais viscerais do que objetivas. O IFO sairá bom, mas a chave é a Confiança do Consumidor EUA, porque será já o 6.º indicador adiantado americano com registo de março a piorar, o que diz bastante de forma objetiva. É provável que a semana arrefeça substancialmente a partir de hoje. Recordemos que esta semana há bastante macro, mas que a outra referência importante será o Deflator de Consumo (PCE) americano, na sexta-feira, certamente a aumentar na Taxa Subjacente (+2,7% vs. +2,6%), e isso é de fevereiro, o que não assentará nada bem no mercado. Parece que as yields das obrigações americanas começam a elevar-se e isso tampouco é bom para as bolsas.


S&P500 +1,8% Nq-100 +2,2% SOX +3% ES-50 -0,2% IBEX -0,2% VIX 17,5 Bund 2,78% T-Note 4,33% Spread 2A-10A USA=+29pb B10A: ESP 3,40% PT 3,29% FRA 3,46% ITA 3,87% Euribor 12m 2,366% (fut.2,302%) USD 1,080 JPY 162,5 Ouro 3.015$ Brent 72,9$ WTI 69,0$ Bitcoin -0,5% (87.603$) Ether -0,7% (2.053$). 


FIM

GWM Investimentos

 Advisor Talks entrevista sócio fundador da GWM Investimentos, Habib 


https://youtu.be/Z9hAP8sjfhM?feature=shared

segunda-feira, 24 de março de 2025

Mansueto Almeida

 BTG/Mansueto Almeida: situação fiscal do Brasil é grave


Por Gabriela Jucá e Francisco Carlos de Assis


São Paulo, 24/03/2025 - O ex-secretário do Tesouro e economista-chefe do BTG Pactual, Mansueto Almeida, alertou que a situação do Brasil é grave. A avaliação foi dada durante o evento "Rumos 2025", organizado pelo jornal Valor Econômico.


“Como não vemos a dívida pública se estabilizando, a taxa de juros real da NTN-B de 10, 20, 30 anos, é de 7,5%. Isso era a taxa de juros da NTN-B em abril de 2016, antes do impeachment da presidente Dilma”, lembra o economista.


O economista reforça que a situação atual contempla juro alto e déficit nominal alto, que deve seguir em trajetória ascendente. “Nesse governo, o déficit nominal médio deve ficar em torno de 8,4% do PIB, muito acima do déficit nominal dos EUA, Inglaterra e França”, calcula.


Almeida ainda frisou que não espera redução da carga tributária no País até o final da década. “Se a gente conseguir manter a carga tributária, será um enorme ganho”, diz o economista, que diz não ver espaço para redução da carga tributária.


“Além de a gente não ter espaço para reduzir carga tributária, a gente vai ter que controlar o crescimento do gasto. Porque hoje, quando a gente fala em fazer ajuste fiscal, não basta aumentar a carga tributária. A gente tem que controlar o crescimento da despesa, porque caso contrário, se a gente não controlar o crescimento da despesa, a gente vai ter um cenário de inflação muito pior, com juros muito piores, que leva a dívida a crescer mais rápido”, detalhou.


Apesar do cenário desafiador, o economista reconhece os esforços do Ministério da Fazenda na condução da política econômica, mas considera que o desenho do arcabouço fiscal - que prevê um teto de 2,5% para o crescimento real das despesas em relação à inflação - não é suficiente para garantir a estabilidade da dívida pública.


Contato: gabriela.silva@estadao.com; francisco.assis@estadao.com


Broadcast+

Fabio Alves

 FÁBIO ALVES: A TAL DA DEFASAGEM DO APERTO DO COPOM


Será muito importante para os analistas ajustarem suas projeções para a taxa terminal da Selic, no atual ciclo de aperto monetário, a comunicação do Banco Central nesta semana, com a divulgação da ata da última reunião do Copom, amanhã, e do Relatório Trimestral de Inflação (RTI), na quinta-feira. Depois da decisão da última reunião do Copom, com a elevação da Selic para 14,25%, o comunicado deu margens para debate se o ciclo poderá ser encerrado em maio, além da magnitude dos últimos ou do último ajuste dos juros. Não à toa, há projeções de taxa terminal a 15,25%, 15% e até 14,75%. De um lado, o comunicado sinalizou que o aperto seguirá em maio, mas com um ajuste de menor magnitude. Citou a desancoragem adicional das expectativas de inflação. De outro, o texto do documento introduziu a expressão "defasagens inerentes", usada habitualmente quando o BC acena para o fim de um ciclo de aperto monetário. Além disso, o Copom citou sinais de "incipiente moderação" da atividade econômica. Será, portanto, um ponto de grande interesse na ata da última reunião do Copom quanto o BC irá detalhar a sua visão sobre esses efeitos da defasagem do aperto monetário adotado até agora. Com base em tal explicação, se houver, poderá o mercado afinar sua aposta para mais duas ou apenas uma alta adicional da Selic? Outro foco de atenção estará na visão do BC sobre a "incipiente" moderação na atividade econômica. E qual o risco de esse esfriamento ganhar velocidade e a desaceleração surpreender mais adiante? Houve também quem considerou que o comunicado foi relativamente econômico ao falar do ambiente externo, especialmente sobre os riscos de baixa à atividade econômica global das tarifas de importação dos Estados Unidos, anunciadas pelo presidente Donald Trump. Talvez, a ata venha expor mais argumentos acerca desse tema. Sem falar na apreciação do real ante o dólar. Em março, até a sexta-feira passada, o dólar acumulava perda de 3,4% ante o real, fechando a R$ 5,7177. Ou seja, como o fator câmbio poderá levar a uma melhora na expectativa inflacionária no curto prazo. E como as projeções de inflação ganharam destaque no comunicado do Copom, aumentou a expectativa em relação ao RTI do primeiro trimestre, que sairá na quinta-feira. Mais especificamente: a estimativa do BC para a inflação no quarto trimestre de 2026, que passará a ser o horizonte relevante da política monetária na reunião do Copom em maio. É bom lembrar que, no comunicado da reunião da semana passada, o Copom revisou de 4,0% para 3,9% a sua projeção para o IPCA no terceiro trimestre de 2026. Estaríamos claramente num ponto de inflexão para as projeções de inflação? Poderá o BC revisar para baixo, no RTI deste primeiro trimestre, a sua estimativa para o IPCA no quarto trimestre de 2026? No RTI de dezembro, a projeção do BC para a inflação no quarto trimestre de 2026 estava em 3,6%. Mantida essa estimativa o cenário de quem tem uma taxa terminal de 15,25% não fica, por enquanto, desautorizado. Uma revisão para baixo dessa projeção poderá deixar a porta aberta para os que apostam numa taxa terminal mais baixa ao fim do ciclo. Também no RTI, os analistas aguardam para ver se o BC vai revisar a sua estimativa para o PIB deste ano. Em dezembro, essa projeção foi elevada de crescimento de 2% para 2,1%. Resta saber se a qualificação de "incipiente" moderação no crescimento resultará num corte da projeção do PIB no RTI, mesmo que levemente. Há ainda a avaliação sobre o nível do juro real neutro, que, no último RTI de dezembro, o BC estimou em 5,0%. Muitos analistas, contudo, não acreditam que o BC irá fazer tão cedo outra mudança na sua estimativa. (fabio.alves@estadao.com) Fábio Alves é jornalista do Broadcast

Amilton Aquino 2

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Dei uma olhada nas reações ao editorial do Estadão, “Isso não é justiça”, sobre o voto de Moraes na condenação de mais uma ré pelo episódio de 8 de janeiro a 14 anos de prisão. Não há meio-termo. De um lado, os adeptos do “sem anistia”. Do outro, os indignados com os dois pesos da nossa Justiça: rápida e implacável com cidadãos comuns que embarcaram na loucura bolsonarista, mas completamente cega e morosa em relação aos bandidos de alta plumagem - sejam eles corruptos confessos, que hoje caminham livres pelos corredores de Brasília, ou até mesmo representantes das duas maiores facções do crime organizado do país, que também circulam livremente fazendo lobby por “melhores condições carcerárias” e até  por “anistia” para alguns criminosos ilustres, que contam até com o reforço de um documentário na Netflix, com direito a fala do presidente do STF e do filho de um de um dos líderes do Comando Vermelho!


Sim, hoje o queridinho de grandes ídolos brasileiros como Neymar e Vinicius Júnior, por exemplo, é um cantor trapper, o tal Oruam, apologista do Comando vermelho, que faz shows, muitos patrocinados com dinheiro público, pedindo anistia ao pai, Marcinho VP, com tatuagem de outro criminoso, Elias Maluco, o cara que torturou e matou o jornalista Tim Lopes, da Globo, a mesma Globo que hoje abre espaço para o tal Oruam!


Puro suco de Brasil, o Brasil de um STF que proíbe policiais de fazerem operações nos morros. O Brasil cujo ministro da Justiça, ex ministro do STF, não só criou a excrescência das audiências de custódia, como agora lança um pacote cujo principal objetivo é afrouxar ainda mais para os bandidos!


É surreal. Aliás, surreal foi também a cena da policial que nesta semana desenrolou num programa de TV a incrível folha corrida de um bandido preso e solto inúmeras vezes pela nossa justíssima justiça. Como ter ânimo para arriscar a vida para prenderH um bandido que, no momento da prisão, vai rir da sua cara, afirmado que no dia seguinte vai estar novamente solto? Com a palavra, os deuses do olimpo do STF!


Mas voltando a reação dos leitores, como explicar tamanha divergência de interpretação dos fatos? 


A razão é simples: a interpretação do que houve em 8 de janeiro. Teria sido de fato uma tentativa de golpe de estado ou apenas mais uma arruaça na Esplanada dos Ministérios, semelhante à promovida pela esquerda no governo Temer, que contou, inclusive, com a participação de parlamentares como Gleisi Hoffmann?


Quem acompanha minhas opiniões sabe que me inclino mais para o segundo grupo, mas não minimizo o que aconteceu, desde o fatídico “basta um cabo e um soldado”, proferido pelo então empoderado Eduardo Bolsonaro - que, coincidentemente, nesta semana resolveu se exilar nos EUA. Não faltaram alertas de pessoas próximas a Bolsonaro de que esse caminho de extrapolações não terminaria bem. Mas ele não deu ouvidos. E, de protesto em protesto, foi esvaziando o poder de intimidação que as manifestações um dia tiveram, ao transformá-las em instrumento de culto pessoal. 


Vai longe o tempo em que ministros do STF tremiam com as movimentações das ruas. Hoje, no máximo, tais manifestações de velhinhos vestidos de verde e amarelo provocam mais risos do que qualquer receio dos ministros sobre a prisão iminente de Bolsonaro.


Olhando para trás, fico imaginando como estaria o Brasil hoje se Haddad tivesse vencido em 2018. Certamente pouco disso tudo teria acontecido. O PT estaria ainda mais desgastado, pois Haddad teria herdado a pandemia, levando a dívida pública a patamares muito maiores em 2022. Certamente a Lava Jato teria sido enfraquecida com o PT no poder, mas nada comparado ao que vimos no governo Bolsonaro. Talvez Moro não tivesse cometido seu maior erro: abandonar a magistratura para entrar na política.


Minha dúvida é como teria sido um governo Bolsonaro em 2022. Teria sido mais ou menos beligerante? Não sei. Mas certamente ele teria sido reeleito, sem o desgaste da pandemia. Talvez estivesse agora tentando mudar a legislação para remover a restrição de dois mandatos. Não sei. Mas o certo é que, se Lula chegasse à presidência em 2026, estaria ainda mais decrépito e com menos horizonte pela frente - um mal menor para o Brasil.


Mas, enfim, são apenas devaneios. Os fatos estão aí. O que muda são as interpretações, as narrativas criadas sobre as aberrações cometidas por ambos os extremos. Que Bolsonaro vá logo para a cadeia e que Lula continue impopular o suficiente para desistir de 2026. Haddad x Tarcísio seria, de fato, um upgrade na disputa presidencial. Mas isso só se os dois crápulas de língua presa permitirem, infelizmente.

Amilton Aquino

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 "Vamos traduzir a “reforma do IR” do governo para isentar quem ganha até R$ 5 mil. À primeira vista, pode parecer uma medida justa - cobrar mais de quem ganha mais para aliviar quem ganha menos. Na prática, porém, o governo está reduzindo o percentual de contribuintes dos atuais 20% da população economicamente ativa para algo próximo de 5%, indo na contramão das boas práticas e se distanciando ainda mais de países fiscalmente responsáveis, como a Alemanha, onde 90% da população adulta paga imposto de renda.


Mas isso não é o pior. A medida não atinge nem a elite do funcionalismo público nem os mega bilionários. Vamos começar pelos beneficiados com a isenção. A linha divisória dos R$ 50 mil mensais foi estabelecida pouco acima do teto constitucional dos ministros do STF (R$ 44 mil atualmente), já antecipando uma margem para o próximo aumento. Além disso, a proposta isenta expressamente os penduricalhos que elevam os salários de juízes e procuradores muito além do limite da isenção.


Bom, pelo menos a reforma vai tributar os mega bilionários, certo?


Muito menos do que se espera. A taxação extra incide progressivamente sobre quem ganha entre R$ 600 mil e R$ 1,2 milhão por ano. Passando desse limite, a aliquota é limitada a 10%. Ou seja, o peso da tributação recai sobre uma faixa reduzida de contribuintes. Os mais ricos de fato (os 1%, os bilionários) seguirão fazendo planejamento tributário e espalhando seu patrimônio por diversos países, escapando dessa tributação, que, na prática, recai sobre dividendos, algo que pode esbarrar no lobby que será feito no Congresso.


Portanto, toda essa engenharia tributária atinge justamente a parcela mais produtiva da população, aquela que gera empregos, assume riscos e carrega o país nas costas. Isso pode ter efeitos ainda mais nocivos sobre nosso já baixo nível de investimentos. No mínimo, muitos podem simplesmente desistir do Brasil.


Além disso, o governo está abrindo mão de uma receita certa (provavelmente subestimada em R$ 27 bilhões) para apostar em uma compensação fiscal que pode não se concretizar como esperado, tornando o equilíbrio das contas públicas ainda mais difícil. Apenas mais do mesmo de um governo que se preocupa mais com a próxima eleição que com as próximas gerações."

Ailton Braga

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